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A burguesia e suas virtudes cardinais; o estado e seus pecados capitais

Atualmente, quase ninguém mais fala sobre as tábuas das virtudes e dos vícios, dentre os quais estão os sete pecados capitais.  Porém, ao analisarmos ambos — virtudes e vícios —, encontramos um perfeito sumário dos fundamentos da ética burguesa e uma sólida crítica moral ao estado moderno.

É verdade que os libertários muito raramente falam sobre virtudes e vícios, principalmente porque nós concordamos com o filósofo Lysander Spooner: vícios não são crimes, e a lei deveria cuidar apenas destes últimos.  Ao mesmo tempo, é extremamente necessário observarmos como vícios e virtudes — bem como nossa concepção sobre o que constitui uma cultura e um comportamento adequados — possuem uma forte relação com a ascensão e o declínio da liberdade em nosso mundo atual.

Permitam-me um simples, porém intrigante exemplo.  Há alguns anos, um palestrante em uma conferência realizada pelo Mises Institute estava explicando como algumas questões como assistencialismo, caridade e amparo aos pobres poderiam ser realizadas por meios voluntários — isto é, pela filantropia.  Sua explicação foi brilhante, só que, ao final, alguém levantou a mão.

Um aluno da Índia tinha uma pergunta.  E se — perguntou ele — uma pessoa vive em uma sociedade em que a religião diz que a condição de um indivíduo é ditada por Deus, e que, sendo assim, seria um pecado tentar modificá-la?  Os pobres, segundo essa visão, supostamente devem continuar sendo pobres, e ajudá-los seria uma violação dos desígnios de Deus.  Com efeito, uma pessoa caridosa estaria cometendo um crime contra Deus.

O palestrante ficou ali parado, em estupefato silêncio.  Todos os outros presentes olharam boquiabertos para o autor da pergunta.  Todos nós ficamos perplexos ao sermos confrontados com uma realidade que é frequentemente por nós ignorada: a ética que fortalece a nossa cultura, algo que muitas vezes tomamos como um fato consumado, é essencial para o funcionamento daquilo que chamamos de "boa sociedade", baseada na dignidade do indivíduo, bem como para a possibilidade do progresso, da liberdade e da prosperidade.

E uma economia produtiva, baseada no livre mercado e sustentada por um forte senso de responsabilidade individual e por um compromisso moral para com o respeito aos direitos de propriedade, é justamente o arranjo que pode permitir progresso, liberdade e prosperidade.  No entanto, esse arranjo possui um grande inimigo: o estado intervencionista.  É ele quem tributa, regulamenta e inflaciona a quantidade de dinheiro na economia, distorcendo desta forma um sistema que caso contrário iria funcionar harmoniosamente, produtivamente e para o grande benefício de todos, gerando riqueza, segurança e paz, e criando as condições necessárias para o florescimento de tudo aquilo que chamamos de civilização.

O nome que Karl Marx deu a esse sistema foi 'capitalismo', pois ele acreditava que o livre mercado era o sistema que fortalecia e dava plenos poderes aos proprietários do capital — a burguesia — em detrimento dos trabalhadores e camponeses da classe proletária.

O nome 'capitalismo' é um tanto capcioso porque a livre iniciativa não é, de fato, um sistema econômico organizado para beneficiar unicamente as classes detentoras do capital.  Ainda assim, os defensores do livre mercado não se mostram desconfortáveis em utilizar o termo capitalismo precisamente porque a propriedade do capital e sua acumulação é de fato a força-motriz que impulsiona o funcionamento de um produtivo livre mercado.  Como explicou Mises, o capitalismo serve aos interesses materiais e ao proveito próprio de todas as pessoas, inclusive os não-capitalistas — os proletários.  Em uma sociedade capitalista, os meios de produção em mãos privadas servem exclusivamente ao mercado.  Quem se beneficia fisicamente das fábricas e indústrias são todas aquelas pessoas que compram seus produtos.  Em conjunto com os incentivos gerados pelo sistema de lucros e prejuízos, bem como toda a liberdade de concorrência que tal sistema implica, a existência da propriedade privada dos meios de produção garante uma sempre crescente oferta de bens e serviços para todos.

Portanto, embora esse sistema funcione não apenas para o benefício dos capitalistas, é certamente verdade que a propriedade privada dos meios de produção, bem como a criação dessa classe de cidadãos empreendedores, é algo crucial para que todos nós desfrutemos todas as glórias de uma economia produtiva.

Em conjunto com a criação desta classe vem também a formação daquilo que se convencionou chamar de 'ética burguesa' — um termo utilizado sarcasticamente para escarnecer o comportamento habitual da classe empreendedorial.  Marxistas empedernidos ainda utilizam essa frase como se ela descrevesse a classe exploradora.  Mais comumente, ela é utilizada por intelectuais para identificar um tipo de comportamento monótono e previsível que, na concepção deles, não mostra um devido respeito por coisas vanguardistas e progressistas.

Normalmente ela é utilizada para descrever aquelas pessoas que possuem afeições à sua comunidade (ou à pequena cidade em que nasceu), à religião e à família, e que se mostram um tanto avessas a modismos e comportamentos progressistas que ultrapassam as normas culturais comumente aceitas.  Porém, aqueles que utilizam esse termo pejorativamente não costumam ser gratos ao fato de que foi justamente a ética burguesa quem tornou possível o estilo de vida de todas as classes, inclusive da classe intelectual.

A burguesia, na acepção original do termo, sempre foi formada por uma classe de poupadores, de pessoas que honravam suas palavras e respeitavam seus contratos, de pessoas que tinham uma profunda ligação à família.  Essa classe de pessoas se importava mais com o bem-estar de seus filhos, com o trabalho e com a produtividade do que com o lazer e o deleite pessoal.

As virtudes da burguesia são as tradicionais virtudes da prudência, da justiça, da temperança e da fortaleza (ou força).  Cada uma delas possui um componente econômico — vários componentes econômicos, na verdade.

A prudência dá sustento à instituição da poupança, ao desejo de adquirir uma boa educação para se preparar para o futuro, e à esperança de poder legar uma herança aos nossos filhos.

Com a justiça vem o desejo de honrar os contratos, de dizer a verdade nos negócios e de fornecer uma compensação para aqueles que foram injuriados.

Com a temperança vem o desejo de se controlar e se restringir a si próprio, de trabalhar antes de folgar, o que mostra que a prosperidade e a liberdade são, em última instância, sustentadas por uma disciplina interna.

Com a fortaleza vem a coragem e o impulso empreendedorial de se deixar de lado o temor desmedido e de seguir adiante quando confrontado pelas incertezas da vida. 

Essas virtudes são os fundamentos tradicionais da burguesia, bem como a base das grandes civilizações.

Porém, a imagem invertida destas virtudes mostra como o modo virtuoso do comportamento humano encontra seu oposto nas políticas públicas empregadas pelo estado moderno.  O estado se posiciona diretamente contra a ética burguesa, sobrepujando-a e fazendo com que seu declínio permita ao estado se expandir em detrimento tanto da liberdade quanto da virtude.

Na tradição religiosa ocidental, os sete pecados capitais não são os únicos pecados que existem.  Eles são chamados de capitais porque, no ensinamento tradicional, eles resultam na morte espiritual.  Analisemos cada um deles.

Vaidade (ou soberba)

Também chamada de orgulho, ou, mais exatamente, de um excessivo e desproporcional orgulho por si próprio.  Sabemos o que significa uma pessoa ser excessivamente vaidosa ou orgulhosa.  Significa que ela coloca seus interesses antes dos de todos os outros, mesmo que, ao fazer isso, prejudique a todos.  Trata-se da superestimação de uma pessoa por si própria e da importância de que é obter seus interesses e "direitos" à custa de todos.

Na esfera pública, podemos pensar nos vários grupos organizados que acreditam piamente que suas demandas e interesses são mais importantes que os de todo o resto da população.  Com efeito, esse traço de soberba caracteriza perfeitamente essa pavorosa moda de se sair exigindo todos os tipos de novos "direitos".  Temos, por exemplo, lobistas que se julgam genuínos representantes de todas as várias categorias sexuais, raciais e de deficientes, e que se acham por isso no pleno direito de violar a propriedade e a liberdade de todos para o seu próprio benefício.  Eles estão plenamente convictos, por causa de sua própria vaidade, de que têm o direito de ter privilégios especiais em detrimento dos genuínos direitos de todo o resto.  O estado de direito e sua aplicação igualitária para todos se torna assim completamente distorcido pelas demandas de alguns poucos contra a ampla maioria.

Esse dificilmente é o caminho para uma paz social de longo prazo.  Considere a questão da discriminação (racial, sexual, religiosa, de gênero ou de inaptidão física) no emprego.  Por que uma pessoa iria querer trabalhar para um empregador que realmente não quer contratá-la?  Em um mercado competitivo, empregadores têm a liberdade de discriminar, mas os custos dessa prática serão arcados totalmente por eles, pois seu sucesso ou fracasso dependem totalmente do julgamento dos consumidores.

Como empregadores estão em constante concorrência entre si, todos podem encontrar um lugar para si próprio dentro dessa vasta rede que é a divisão do trabalho.  O orgulho que leva ao curto-circuito desse processo não é do interesse de longo prazo da sociedade.

O mesmo raciocínio é válido quando ampliado para o conceito de nações.  Não há nada de errado em se ter um orgulho natural e normal de seu país.  Porém, ser arrogante e sobrestimar os méritos de um determinado país pode gerar péssimos efeitos econômicos.  Dentre estes temos o protecionismo, o mercantilismo e o nacionalismo, o que gera beligerância nas relações internacionais.

Se, por exemplo, os cidadãos de um país estão plenamente convencidos de que os produtos fabricados dentro de suas fronteiras são bons (pois "foram feitos por nós!"), então qual o motivo de se querer punir qualquer estrangeiro que tente nos vender seus produtos?  Isso é arrogância, presunção, orgulho, soberba, vaidade.  Além disso, ao se adotar este protecionismo, estamos nos prejudicando a nós próprios, pois estamos nos obrigando a pagar preços mais altos por produtos de menor qualidade — algo especialmente cruel para os mais pobres.

Trata-se de um arranjo insustentável no longo prazo.  Qualquer indústria que seja protegida da concorrência se torna cada vez menos eficiente.  O país que adota esse tipo de mercantilismo pode chegar ao extremo de levar à total ineficiência todo o seu parque industrial, suprimindo novas linhas de produção que seriam eficientes caso operassem sob concorrência e tivessem acesso a maquinário importado a custo baixo.

Por fim, a vaidade na arena pública pode resultar em uma total abolição da inteligência crítica.  Ao se repetidamente afirmar que se vive em um país maravilhoso e grandioso, questões genuinamente importantes como tributação, protecionismo e políticas regulamentais, e seus consequentes efeitos sobre a liberdade das pessoas, passam a ser ignoradas por todos, pois absorveu-se a ideia de que criticar o governo e suas medidas é algo antipatriótico, e que quem o faz está sendo contra o próprio país e contra todos que ali vivem.

Ira

A civilização ocidental, ao longo de 2000 anos, considerou a ira como um vício grave, pois leva à destruição em vez da paz e da produtividade.  Daí surgiu a instituição dos tribunais no âmbito doméstico e da diplomacia no âmbito internacional.

Porém, dentro de nossos próprios países, o tabu contra a ira já desapareceu por completo nas questões públicas, e as medidas raivosas do estado são tratadas com absoluta normalidade pela grande maioria da população.  Pessoas que não pagam de impostos aquela quantidade que o próprio estado estipulou ser a correta são publicamente perseguidas, execradas, encarceradas e ameaçadas de morte, e suas propriedades são confiscadas e furiosamente redistribuídas a terceiros — ou ficam para os próprios membros da burocracia.

[Veja esse ultrajante vídeo em que a polícia federal furiosamente destrói um avião carregado de produtos "perigosos" (notebooks, equipamentos de vigilância eletrônica e uma bicicleta).  O crime?  Tais produtos não pagaram aquela 'taxa de importação' que o estado estipulou ser a correta.  Os empreendedores, que estavam simplesmente atendendo às demandas pacíficas de seus consumidores, são tratados como "bandidos", "uma quadrilha".  Observe também o comentário escrito pelo autor do vídeo e o regozijo da imprensa.]

Essa institucionalização da fúria estatal contra os súditos que não cumprem sua "obrigação" de sustentá-la — bem como a entusiasmada aceitação dessa postura estatal por boa parte da população — possui consequências culturais devastadoras.  Não apenas estimula a inveja (que será analisada abaixo), como também institucionaliza um método legal para canalizar toda a ira gerada pela inveja.

Quando o governo se enfurece contra uma determinada classe de indivíduos "insolentes" que não aceitam acatar todos os seus ditames, ele despeja toda a sua ira sobre eles, e sempre com o apoio das classes bem pensantes.  Qual a lição que o resto da população tira de tudo isso?  Tremo só de pensar.

Inveja

Trata-se de uma palavra que raramente se ouve hoje em dia.  Inveja não é a mesma coisa que ciúme.  O ciúme é meramente um desejo de usufruir a mesma propriedade e status de uma outra pessoa.  Já a inveja significa o desejo de se prejudicar alguém unicamente porque esse alguém possui alguma qualidade, virtude ou bem que você não tem.  É o desejo de destruir o sucesso ou a felicidade de outra pessoa.

No mundo atual, vemos reiteradas cantilenas raivosas contra os ricos, seguidas de irados apelos para que o governo aumente a tributação sobre eles, confiscando assim boa parte daquilo que conseguiram por mérito próprio e por meio de seu esforço pessoal.  Isso nada mais é do que a inveja dos incapazes sendo despejada sobre aquelas pessoas que eles, os invejosos, no íntimo sabem serem melhores do que eles próprios.  E as políticas assistencialistas e redistributivistas nada mais são do que a inveja em ação.

Algumas pessoas até mesmo dizem que o que realmente importa nas políticas de redistribuição de renda não é o estado ajudar os pobres mas sim prejudicar os ricos.  O mesmo raciocínio se aplica para o imposto sobre a herança, o qual arrecada relativamente muito pouco, mas faz um enorme estrago sobre pretensas dinastias familiares.

Quantos discursos feitos por políticos contra empresas, contra os ricos e contra a classe empreendedorial você já ouviu?  Quantos deles são guiados puramente por esse pecado capital?  Certamente quase todos.  Além do confisco direto da renda, políticas antitruste que visam a destruir um determinado empreendimento simplesmente porque ele se tornou grande e bem sucedido também são resultado da inveja.

Intelectuais mais honestos costumam dizer que não há nada de errado com a inveja, pois, como eles corretamente concluem, a inveja fornece as bases para boa parte das modernas políticas públicas...

Ainda assim, trata-se de um pecado capital.  E um com o potencial de destruir toda uma sociedade caso sua expansão não seja completamente contida.  E em nenhum outro lugar ele é mais implacavelmente difundido e generalizado do que dentro da cultura do próprio estado, que condena de todas as formas o sucesso empreendedorial e pessoal, e abomina o mérito e o esforço próprio.

Cem anos atrás, várias dinastias possuíam mais riqueza à sua disposição do que o governo federal.  Será que algum estado moderno toleraria tal disparate?  Muito duvidoso.  De acordo com a mentalidade que hoje nos domina, toda riqueza que não pertença ao estado está necessariamente à disposição de todos, podendo ser confiscada sob demanda.  Principalmente a riqueza das famílias ricas.

Avareza

O semelhante pecado de cobiçar aquilo que pertence a outra pessoa, querendo se apropriar daquilo através de qualquer meio possível, também é algo socialmente pernicioso.  Por meio da tributação e da redistribuição, o estado está efetivamente abençoando o pecado da avareza.

No entanto, convém deixar algo bem claro.  Cobiçar algo não é o mesmo que um inocente desejo de melhorar a própria condição de vida.  Este último representa um bom impulso, algo que motiva as pessoas a serem bem sucedidas na vida.  A avareza é diferente porque ela não dá a mínima para os meios que serão utilizados para se alcançar os objetivos estabelecidos.

Em vez de trocas produtivas, a avareza recorre ao roubo — seja o roubo feito individualmente, seja o roubo público que utiliza o governo.  Vemos a avareza, por exemplo, em todas as políticas governamentais que visam a socorrer pessoas cujos investimentos ou empreendimentos deram errado, e as quais clamam para que o governo intervenha para lhes socorrer.  Vemos também no caso de funcionários públicos que exigem, sempre por meios chantagistas, que o governo aumente seus proventos. 

Nesses casos, o desejo por dinheiro sobrepuja todas as considerações morais a respeito de como exatamente esse dinheiro deve ser adquirido.  E quanto mais o estado aquiesce, isto é, quando mais o estado cede e alimenta o pecado da avareza, mais as pessoas se tornam avarentas, e mais a ética burguesa cai em desuso.

O estado moderno não é capaz de nada sem a sua avareza.  Ele mantém seu olhar vigilante constantemente fixado em nossas liberdades, em nossa privacidade, em nossa riqueza e em nossa independência, desejando suprimir todas elas utilizando qualquer meio possível.  Sob o estado avarento, a liberdade está em constante declínio, a fatia da riqueza sujeita à tributação está sempre aumentando, e a capacidade de indivíduos e instituições prosperarem fora da alçada das bênçãos do governo é cada vez mais ínfima.

Gula

Costumamos pensar em gula como algo relacionado unicamente ao ato de comer.  Porém, gula também significa um desejo excessivo por conforto, luxo, magnificência e ócio, tudo em detrimento do trabalho e da produtividade.  Funcionários públicos, por exemplo, quando exigem que o governo espolie a população para lhes fornecer uma vida confortável, principalmente por meio de aposentadorias nababescas, estão incorrendo no pecado da gula.

O mesmo pode ser dito também para grupos de interesse de idosos, quando estes demandam aumentos em seus pagamentos previdenciários.  Como a previdência nada mais é do que um fraudulento esquema de pirâmide, não há nenhum dinheiro que foi ali guardado e investido apenas para, futuramente, ser devolvido com valores corrigidos aos depositantes originais.  Todo o dinheiro hoje direcionado para a previdência social é imediatamente gasto pelo governo.  Logo, quando aposentados exigem aumentos em suas aposentadorias, eles estão na realidade querendo melhorar suas vidas à custa da atual geração de trabalhadores, cujas contribuições previdenciárias teriam de ser elevadas.  Eis aí outro exemplo do pecado capital da gula.

E ele não se restringe aos idosos e aos funcionários públicos.  Trata-se de um fenômeno também entre aqueles pobres que foram condicionados pelo estado assistencialista a crer que têm o direito de viver bem sem a necessidade de ganhar dinheiro por conta própria.  Curiosamente, em vários países, as taxas de obesidade entre os pobres superam em muito as da burguesia.

A difusão da gulodice também aparece nos crescentes níveis de endividamento das pessoas em todo o mundo.  Tal comportamento implica o desejo de se consumir hoje sem qualquer consideração para com as consequências futuras.  O consumidor glutão não se importa em nada com o longo prazo; só se importa em saciar seu apetite hoje.

E quem estimula esse comportamento imprudente e estouvado, esse pecado capital, é justamente o banco central por meio de suas políticas de expansão monetária, de manipulação dos juros e de socorro a instituições em dificuldade, o que cria a ilusão de que não há aspectos negativos em se viver pensando apenas no presente à custa do futuro.  A inflação monetária estimula o gasto e desestimula a poupança, pois faz com que o dinheiro perca continuamente poder de compra.  A inflação institucionaliza o pecado da gula e o faz parecer algo racional.

Para um exemplo final, basta uma visita às instalações governamentais — de preferência, na capital do seu país — para ver intermináveis ostentações de gulodice: gula por dinheiro, por bens e por poder.  Do ponto de vista do estado, ele nunca possui uma quantidade suficiente de poder, de dinheiro e de bens.  Ele só faz comer, tornando-se cada vez mais gordo.  E se você apontar para este fato, será rotulado de extremista e depois será devidamente escarnecido. 

Preguiça

A história de como o estado assistencialista criou uma classe de pessoas preguiçosas é antiga, e raramente contestada.  A promessa de algo em troca de nada, e tudo à custa de terceiros, corrompeu não apenas os pobres, mas também os mais velhos e principalmente os jovens estudantes recém-graduados, especialmente aqueles entre 18 e 25 anos.

Entre os mais velhos, é patético ver como uma classe de pessoas preparadas, que deveria estar na vanguarda da sociedade com sua sabedoria e experiência, liderando-a rumo aos mais altos ideais, se tornou meramente uma classe de desocupados.  A coisa se torna ainda mais moralmente degradante quando os "velhos" em questão são funcionários públicos que tiveram aposentadorias precoces e privilegiadas, e se tornaram uma classe de meros viajantes, sustentados com dinheiro de impostos e com tempo de sobra em mãos.  Sejamos bem claros (e isso é válido para todos os tipos de aposentados): em uma sociedade livre, não existe algo como um 'direito à aposentadoria', e muito menos um direito a uma aposentadoria confortável.  Esse conceito foi inventado apenas no New Deal.  Antes dessa época, a preguiça era algo que deveria ser comprada com dinheiro próprio.  Hoje, qualquer um pode desfrutar dela por meio das tributações do estado.

Quanto aos jovens estudantes, nosso sistema educacional (público e privado), totalmente gerido pelos burocratas do Ministério da Educação, os socializou e os condicionou a acreditar que, quanto mais credenciais e títulos uma pessoa tem, mais ela tem o direito de exigir da sociedade alguma recompensa em troca da benção que é para o mundo a sua mera existência.  Pergunte a qualquer empreendedor sério hoje que queira contratar alguém.  Ele lhe dirá que é extremamente raro encontrar algum jovem que entenda que o emprego não é uma homenagem concedida, mas sim um arranjo voluntário em que o trabalho é ofertado em troca de um salário.  Quanto maior o nível de socialização do sistema educacional de um país, mais difundido é essa mentalidade do "direito adquirido".

O subsídio da preguiça cria um círculo vicioso.  Quanto mais o estado recompensa o ato de não trabalhar, menos as pessoas se dão ao trabalho de adquirir meios financeiros e pessoais para serem independentes do estado.  Os indolentes são naturalmente propensos a desenvolver dependências, que é exatamente aquilo que o estado quer e é exatamente aquilo de que ele gosta.

Enquanto isso, considere a indolência do próprio estado.  Não existe classe mais avessa ao risco do que a classe burocrática.  Fazer com que burocratas trabalhem é o mesmo que fazer com que porcos gordos disputem uma corrida.

Há alguns anos, um burocrata federal nos enviou um artigo, no qual ele se recusou a escrever seu nome verdadeiro.  Ele dizia:

O que leva as pessoas a trabalharem para o governo?  O que as mantém lá por toda a vida?  É simples: compensações excessivas, enormes benefícios e ótimas condições de trabalho.  É atraente para entrar e praticamente impossível de se querer sair...  O que eu perderia se saísse do governo?  Pra começar, uma semana de trabalho curta já estaria fora de qualquer perspectiva... Atualmente, posso gastar 17,4% do meu horário de trabalho em férias.  São doze semanas por ano, eternamente... Eu também poderia dar adeus aos "benefícios" extra-oficiais: por exemplo, todos os dias faço uma corridinha leve de uma hora, seguida de um banho prolongado e um almoço calmo e tranquilo.  Isso me mantém em ótima forma para usufruir minhas constantes férias.  E visitas a algum shopping durante minha hora de trabalho são sempre possíveis (pois ninguém é de ferro).  Stress?  Não tem como.  Se relaxamento prolongasse a longevidade, burocratas viveriam até os 150 anos de idade.

Entretanto, nessa área específica, talvez devêssemos ser agradecidos.  A única coisa pior do que um estado indolente é um estado energizado que acorda cedo todos os dias ávido para confiscar nossas liberdades.

Luxúria

Este pecado é normalmente visto como sendo apenas um problema pessoal.  Porém, vemos todo o seu potencial de destruição presente em qualquer política governamental que não considere a família como o alicerce da sociedade burguesa.  No atual cenário político, age-se como se a família fosse algo dispensável, quando na realidade ela é o baluarte essencial entre o indivíduo e o estado.

Economistas atentos como Ludwig von Mises e Joseph Schumpeter observaram que a família é o campo de preparo para a ética do capitalismo.  É com a família que aprendemos que o roubo é algo perverso, que respeitar a propriedade alheia é algo essencial e moralmente correto, que poupar e fazer planos para o futuro é indispensável para o sucesso e que manter a nossa palavra é uma atitude respeitável.

Não é nenhuma coincidência que os marxistas desde sempre tenham tentado esmagar a instituição da família e reduzir toda a sociedade a indivíduos atomísticos incapazes de se proverem a si próprios — e que, por isso, inevitavelmente teriam de acorrer ao estado, em vez de aos pais e à família, suplicando por ajuda.

 

Estes são os sete pecados capitais, e em cada exemplo — e de centenas de maneiras distintas que não mencionei aqui — as políticas governamentais estimulam esses pecados à custa da ética burguesa, que é a ética de um livre mercado, de uma sociedade produtiva, pacífica e blindada contra poderes arbitrários.

Por que atualmente pouco ouvimos falar dos sete pecados capitais?  Talvez porque nenhuma instituição é mais gulosa, avarenta, vaidosa e raivosa do que o próprio estado.  No setor privado, as instituições criadas pelo próprio mercado corrigem esses abusos ao longo do tempo.  No estado, como não há nenhum mecanismo de mercado para testar e coibir comportamentos antiéticos, esses pecados capitais prosperam violentamente.

Não estou de modo algum sem esperanças quanto ao futuro da burguesia.  Se houvesse um real perigo de que essa classe pudesse ser destruída, décadas de políticas estatais criadas justamente para aniquilá-la já teriam alcançado seu objetivo a esta altura.

Mesmo assim, não podemos nos tornar complacentes.  Da mesma maneira que várias batalhas políticas são reduzidas a um conflito entre culturas, raças, gêneros e sexualidade, a melhor maneira de oferecer resistência ao estado é vivendo e praticando a ética burguesa em nossos lares, comunidades e empreendimentos.

Relembremos constantemente, portanto, as quatro grandes virtudes burguesas da prudência, da justiça, da temperança e da fortaleza; e, ao praticá-las, façamos nossa parte para construir a liberdade e a prosperidade, ainda em nossa era.  Que jamais tomemos esses alicerces culturais da nossa civilização como um fato consumado e corriqueiro.



autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Luis Francisco  08/12/2011 06:48
    " Na tradição religiosa ocidental, os sete pecados capitais não são os únicos pecados que existem. Eles são chamados de capitais (mortais) porque, no ensinamento tradicional, eles resultam na morte espiritual. Analisemos cada um deles. "

    Erro. Eles são chamados capitais porque são "cabeça" (caput) de outros pecados. São "causa" de outros pecados. Os pecados que resultam na morte espiritual são chamados mortais, ou graves. Para um pecado ser considerado grave, ou mortal, precisa, obrigatoriamente, conter três requisitos, a saber: pleno conhecimento, pleno consentimento e matéria grave.

    Pequena errata teológica que não invalida as análises sócio-econômicas do texto.
  • Leandro  08/12/2011 07:03
    No artigo: Eles são chamados de capitais porque, no ensinamento tradicional, eles resultam na morte espiritual."

    Segundo o leitor: Eles são chamados capitais porque são [...] a"causa" de outros pecados. Os pecados que resultam na morte espiritual são chamados mortais.

    Não entendi muito bem a diferenciação, dado que são os pecados capitais que produzem os pecados mortais. (Sim, eu sei que tem a diferenciação entre os pecados mortais e os pecados veniais, mas ainda assim é um tanto obscuro.)

    Mas ok, correção anotada.

    Grande abraço!
  • Luis Francisco  08/12/2011 08:37
    Se me permite um pequeno exemplo para ficar claro a diferenciação: um fiscal do governo vai na sua empresa e mete uma tremenda multa em você. Você fica com raiva (ira). Pelo ensinamento de Jesus, você deve perdoar, mas você sente muita raiva e não perdoa. Você peca por sentir raiva (ira). Mas é um pecado venial, leve. Agora, se você der vazão a esta ira pegando um revólver e descarregando nele, então, além de um crime, você peca contra o mandamento expresso que diz: Não Matarás!

    Outro exemplo mais comedido: você quer comer um sorvete. Está satisfeito mas quer. É um pecado de gula. Então você compra o sorvete com seu dinheiro e come. É um pequeno pecado, leve, venial. Agora, se você ludibria o sorveteiro e sai sem pagar o sorvete, então você cometeu um pecado grave, mortal, pois o mandamento diz: não furtarás! E pode ser agravado se, por exemplo, o sorveteiro é um daqueles pobrezinhos que alugam os carrinhos e tem na venda de sorvetes a única fonte de sustento da sua família, então ele perde o direito de vender sorvetes e seu filho pequeno morre de fome, então você tem resposabilidade, mesmo que indireta pela morte de fome do filho do sorveteiro que você roubou.

    Os exemplos foram meio dramáticos para serem um pouco mais didáticos. Os pecados capitais devem ser evitados porque são causa, fundamento dos pecados mortais, mas os pecados podem ser leves, ou veniais e mortais, ou graves. E os requisitos são: pleno conhecimento, pleno consentimento e matéria grave.

    Agradeço a atenção. PS.: é apenas um "toque" de teologia, não invalida em nada a análise sócio-econômica do texto, muito bem escrito e traduzido.
  • Gutemberg Campos  08/12/2011 18:16
    Não existe pecado pequeno ou pecado grande (venial ou mortal). O pecado nada mais é do que a transgressão contra Deus, segundo João 3:4. Ou seja, O pecado que o Homem comete e contrata Deus e não contra o próprio homem. Não há diferença entre uma pessoa que rouba um pão para comer ou um assassino que mata uma criança inocente, pois os dois cometeram uma transgressão contra Deus (é muito grave transgredir contra Deus). Lembrem-se todos nós já nascemos pecadores por natureza, pois somos filho do pecado, mas Deus com a sua grande misericórdia nos dar o direito de pedir perdão por nossas transgressões.
    ....E pode ser agravado se, por exemplo, o sorveteiro é um daqueles pobrezinhos que alugam os carrinhos e tem na venda de sorvetes a única fonte de sustento da sua família, então ele perde o direito de vender sorvetes e seu filho pequeno morre de fome, então você tem responsabilidade, mesmo que indireta pela morte de fome do filho do sorveteiro que você roubou. Então quer dizer que se fosse um sorveteiro rico não teria problema? Você está completamente errado. Eu sentir um pensamento revolucionário.
  • Luis Francisco  09/12/2011 03:36
    " Não existe pecado pequeno ou pecado grande" EXISTE! Já que você sabe a Bíblia de cor, procura lá sobre os pecados que nem podem ser perdoados de tão graves.

    " Então quer dizer que se fosse um sorveteiro rico não teria problema? " Assim escreveu Gutember Campos. " Agora, se você ludibria o sorveteiro e sai sem pagar o sorvete, então você cometeu um pecado grave, mortal, pois o mandamento diz: não furtarás! " Assim escrevi eu. Agora sejam honestos: o cara não consegue interpretar um texto claríssimo que nem este e quer se meter a interpretador da Bíblia??? Tenhamos paciência...

    E pra finalizar: " Eu sentir um pensamento revolucionário. " De fato, eu sou um revolucionário. Queria revolucionar este país horroroso em que a classe produtiva tem que sustentar os luxos dos parasitas do Estado. Agora, na frase específica, estava tentando demonstrar que os pecados têm agravantes e atenuantes, mas já percebi que interpretação de texto não é o seu forte. Tenhamos paciência.
  • Paulo Sergio  09/12/2011 04:07
    " Eu sentir um pensamento revolucionário. "

    E eu caçar e eu pescar pra eu viver
  • Catarinense  09/12/2011 05:31
    Pelo jeito ninguém pode sequer questionar a sabedoria do Sr. Luiz Francisco. Arrogância não seria também um pecado capital, e não ensinam os católicos que as pessoas devem ser humildes? Os pecados capitais são uma diferenciação que os católicos fazem, depois de terem derivado um provérbio sobre as virtudes que o cristão deve ter. Não pretendo iniciar uma discussão católicos vs protestantes, mas os protestantes acreditam que todo pecado é uma transgressão contra Deus, não existindo variação de grau de intensidade, exceto para UM pecado - o pecado contra o Espírito Santo, este sim, o único, de acordo com a bíblia, considerado imperdoável por Deus.

    Abraços!
  • Luis Francisco  09/12/2011 06:58
    Prezado filho de Santa Catarina: questionar a minha sabedoria? De fato, ela é bem pequeneninha e não vale a pena questioná-la. Ocorre que julgo meu dever esclarecer pontos da Doutrina que estudei e defendo. Você há de concordar que todo o nosso debate gira em torno da questão: existem pecados maiores ( mortais, ou graves) e menores ( veniais, ou leves). Eu digo que sim (não porque EU pense isto, a Doutrina não é MINHA) e você e o Gutenber dizem que não. Agora pense comigo: Deus, na sua infinita sabedoria, criou tudo com equilíbrio e harmonia, proporcionalmente perfeito. Será que os pecados devem ser considerados de cambulhada?

    Você vai me questionar: mas onde está isto na Bíblia? Lhe respondo: No Evangelho de Mateus 23,14 lê-se: " Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! porque devorais as casas das viúvas e sob pretexto fazeis longas orações; por isso recebereis maior condenação. "

    Você concorda comigo que para receber maior condenação, o pecado tem de, obrigatoriamente, ser maior? E concorda que havendo pecados maiores, poderá haver menores? Veja você que existem atenuantes e agravantes, mesmo em relação aos pecados maiores e menores, ou mortais e veniais, ou graves e leves?

    Você escreveu que não queria iniciar uma discussão entre católicos e protestantes, mas é exatamente que precisa acontecer para que haja esclarecimentos entre pontos conflitantes e discordantes.

    E por último, você quis relacionar a Doutrina Católica sobre humildade e arrogância com o meu comportamento. Uma coisa não tem nada a ver com a outra, e de fato, muitas vezes sou arrogante mesmo sabendo que a Doutrina que defendo aconselha a humildade. Mas você se preocupa com a minha arrogância esquecendo-se de comentar que o seu "irmão de fé" considera o furto famélico da mesma gravidade que o assassinato de um inocente indefeso. Você comunga deste mesmo senso de proporção?

  • Catarinense  09/12/2011 09:29
    Meu caro, em primeiro lugar, o pecado é a separação entre o homem e Deus.
    "Mas as vossas iniqüidades fazem separação entre vós e o vosso Deus; e os vossos pecados encobrem o seu rosto de vós, para que não vos ouça."
    Isaías 59:2

    E a consequência do pecado é a morte:
    "Porque o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna, por Cristo Jesus nosso Senhor."
    Romanos 6:23

    Se a consequência do pecado é a morte, não importa, de fato, se o pecado é pequeno ou grande, ambos têm o mesmo resultado para o pecador - a morte.

    Porém, Jesus nos alertou que existe um pecado que difere dos outros. Difere pelo fato que ele não pode ser perdoado, enquanto que qualquer outro - note bem, qualquer - pode ser perdoado por Deus.
    "E, se qualquer disser alguma palavra contra o Filho do homem, ser-lhe-á perdoado; mas, se alguém falar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado, nem neste século nem no futuro."
    Mateus 12:32

    Meu caro, o pecado maior dos fariseus e hipócritas mencionado por você na passagem citada, bem como na passagem que vou citar abaixo, é justamente este pecado.
    "Respondeu Jesus: Nenhum poder terias contra mim, se de cima não te fosse dado; mas aquele que me entregou a ti maior pecado tem."
    João 19:11

    Vale notar nesta passagem, que Pilatos não havia testemunhado o poder de Jesus, enquanto que Judas tinha. Portanto Judas sabia da natureza de Jesus, e ainda sim, o entregou em troca de dinheiro. Percebe a diferença?

    Quanto a sua pergunta final, lhe respondo o seguinte: para Deus, ambos são pecados, ambos resultam na morte eterna da pessoa que comete, caso - note o caso - esta pessoa não se arrependa de seus atos e peça perdão através do sangue de Jesus por tê-lo cometido, conforme demonstrei acima. Qualquer outra diferenciação, fica a cargo da justiça dos homens.

    Para terminar, incluo a passagem completa que você citou, pois acho relevante, pois mostra que o pecado dos fariseus não era somente o de enganar as viúvas:

    "Mas ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que fechais aos homens o reino dos céus; e nem vós entrais nem deixais entrar aos que estão entrando.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que devorais as casas das viúvas, sob pretexto de prolongadas orações; por isso sofrereis mais rigoroso juízo.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que percorreis o mar e a terra para fazer um prosélito; e, depois de o terdes feito, o fazeis filho do inferno duas vezes mais do que vós.
    Ai de vós, condutores cegos! pois que dizeis: Qualquer que jurar pelo templo, isso nada é; mas o que jurar pelo ouro do templo, esse é devedor.
    Insensatos e cegos! Pois qual é maior: o ouro, ou o templo, que santifica o ouro?
    E aquele que jurar pelo altar isso nada é; mas aquele que jurar pela oferta que está sobre o altar, esse é devedor.
    Insensatos e cegos! Pois qual é maior: a oferta, ou o altar, que santifica a oferta?
    Portanto, o que jurar pelo altar, jura por ele e por tudo o que sobre ele está;
    E, o que jurar pelo templo, jura por ele e por aquele que nele habita;
    E, o que jurar pelo céu, jura pelo trono de Deus e por aquele que está assentado nele.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que dizimais a hortelã, o endro e o cominho, e desprezais o mais importante da lei, o juízo, a misericórdia e a fé; deveis, porém, fazer estas coisas, e não omitir aquelas.
    Condutores cegos! que coais um mosquito e engolis um camelo.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que limpais o exterior do copo e do prato, mas o interior está cheio de rapina e de iniqüidade.
    Fariseu cego! limpa primeiro o interior do copo e do prato, para que também o exterior fique limpo.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que sois semelhantes aos sepulcros caiados, que por fora realmente parecem formosos, mas interiormente estão cheios de ossos de mortos e de toda a imundícia.
    Assim também vós exteriormente pareceis justos aos homens, mas interiormente estais cheios de hipocrisia e de iniqüidade.
    Ai de vós, escribas e fariseus, hipócritas! pois que edificais os sepulcros dos profetas e adornais os monumentos dos justos,
    E dizeis: Se existíssemos no tempo de nossos pais, nunca nos associaríamos com eles para derramar o sangue dos profetas.
    Assim, vós mesmos testificais que sois filhos dos que mataram os profetas.
    Enchei vós, pois, a medida de vossos pais.
    Serpentes, raça de víboras! como escapareis da condenação do inferno?
    Portanto, eis que eu vos envio profetas, sábios e escribas; a uns deles matareis e crucificareis; e a outros deles açoitareis nas vossas sinagogas e os perseguireis de cidade em cidade;
    Para que sobre vós caia todo o sangue justo, que foi derramado sobre a terra, desde o sangue de Abel, o justo, até ao sangue de Zacarias, filho de Baraquias, que matastes entre o santuário e o altar.
    Em verdade vos digo que todas estas coisas hão de vir sobre esta geração.
    Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas, e apedrejas os que te são enviados! quantas vezes quis eu ajuntar os teus filhos, como a galinha ajunta os seus pintos debaixo das asas, e tu não quiseste!"
    Mateus 23:13-37

    Abraços!

    Ps. Todas as passagens acima foram retiradas da edição Almeida Revisada e Fiel, conforme encontradas no site bibliaonline.com.br.
  • Alan Denadary  09/12/2011 10:27
    Além de negar o Espírito Ssnto, eu acahva que o assasinato e o estupro também eram ambos pecados imperdoáveis segundo o cristianismo, já que o culpado não teria como restituir o erro.
  • Luis Francisco  09/12/2011 11:39
    Caríssimo

    Não existe pecado imperdoável para o cristianismo porque o Amor de Deus é tão grande que alcança o pecador arrependido, mesmo em casos de horríveis assassinatos e estupros. O único pecado que não alcança perdão não é negar o Espírito Santo, é pecar contra Ele nos casos relacionados A FALTA de arrependimento. Ou seja, o pecador de tal forma se agarra ao seu pecado que não considera pecado e não se arrepende, por isso não pede perdão e Deus respeita-o não perdoando, não porque Ele não queira, mas porque o pecador não quer.

    Se não pude esclarecer, procure aqui: www.universocatolico.com.br/index.php?/o-pecado-contra-o-espirito-santo.html

    Grato pela atenção.
  • Absolut  09/12/2011 16:49
    Falou muito bem. Para que haja perdão é necessário, primeiramente, o arrependimento, o que não provém do ofendido.
  • Edivaldo Gomes  10/12/2011 18:44
    Muito Bom Luís.

    Suas réplicas foram claríssimas e não necessitam de nenhum complemento. O problema na doutrina protestante é sua impertinência e colossal cegueira, que, mesmo que você exponha os fatos seguidamente e exaustivamente, eles não aceitam de modo algum. Eles não são abertos cognoscitivamente, mas fecham-se em seus mundos. Esse é o problema!

    abs!
  • mcmoraes  09/12/2011 11:40
    O critério de restituição não pode ser usado, pois muitos (senão todos) os crimes envolvem a perda/desperdício do tempo da vítima. E o tempo não pode ser restituído, apenas compensado.
  • Luis Francisco  09/12/2011 11:29
    Cidadão, sua palavras: " Qualquer outra diferenciação, fica a cargo da justiça dos homens. "

    Agora, leia Lucas, 12,46-48 " Virá o senhor daquele servo no dia em que o não espera, e numa hora que ele não sabe, e separá-lo-á, e lhe dará a sua parte com os infiéis.
    E o servo que soube a vontade do seu senhor, e não se aprontou, nem fez conforme a sua vontade, será castigado com muitos açoites;
    Mas o que a não soube, e fez coisas dignas de açoites, com poucos açoites será castigado. E, a qualquer que muito for dado, muito se lhe pedirá, e ao que muito se lhe confiou, muito mais se lhe pedirá. "

    Sem mais.
  • Catarinense  09/12/2011 12:52
    Em nenhuma maneira pretendi discordar disso, ou afirmar de maneira diferente. Minha intenção foi de demonstrar que a justiça dos homens é diferente da justiça divina, esta muito mais piedosa, como você bem colocou na resposta ao sr. Alan.\r
    \r
    Abraços!
  • Catarinense  09/12/2011 13:04
    "Em nenhuma maneira" foi um equívoco, leia-se "De maneira nenhuma".
  • anônimo  09/12/2011 13:21
    Eu ia comentar, mas depois que o Catarinense fez excelentes comentários não tenho mais o que falar. Catarinense está perfeito o que você escreveu em seus comentários. Vou até repetir o que você sabiamento escreveu. "...mas os protestantes acreditam que todo pecado é uma transgressão contra Deus, não existindo variação de grau de intensidade, exceto para UM pecado - o pecado contra o Espírito Santo, este sim, o único, de acordo com a bíblia, considerado imperdoável por Deus."

    "Se a consequência do pecado é a morte, não importa, de fato, se o pecado é pequeno ou grande, ambos têm o mesmo resultado para o pecador - a morte." É isso mesmo.
  • Luis Francisco  09/12/2011 14:36
    Se a consequência do pecado é a morte, por que não morremos imediatamente após pecarmos? Porque a palavra "morte" na frase de São Paulo está em sentido figurado.

    No Evangelho que citei, Jesus fala em parábola de atitudes que merecem muitos açoites e atitudes que merecem poucos açoites. Se ainda assim os senhores querem teimar que os pecados não são diferenciados, exceto os contra o Espírito Santo, eu nada mais tenho a argumentar.

  • Catarinense  09/12/2011 15:40
    A morte citada nas passagens é a morte espiritual, e esta não tem nada de figurada. Meu caro, não estou teimando com nada, apenas expus o meu ponto de vista tendo as escrituras como base. Se isto foi demais para você, que seja.\r
    \r
    Ah, e se a parábola a que você se referia é a de Mateus 23 exposta acima, saiba que não é uma parábola, e sim a reação do próprio Cristo sobre a autoridade religiosa da época.
  • Paulo Sergio  11/12/2011 01:31
    'A morte citada nas passagens é a morte espiritual, e esta não tem nada de figurada. '
    é sim, se o que se falava em morte antes era a morte do corpo físico.
    Que eu me lembre a frase toda é 'o SALÁRIO do pecado é a morte'... salário também não é num sentido metafórico?
  • Catarinense  11/12/2011 11:13
    Justamente, meu caro. O salário do pecado é a morte. Como nos afastamos de Deus quando pecamos, temos o afastamento de Deus como resultado ( salário ) de nosso pecado. Se morremos sem o perdão, vamos ao julgamento, com boas chances de receber uma condenação, e ter a morte eterna como resultado de nosso(s) pecado(s).
  • Celi  23/12/2011 07:24
    Caro(a) Catarinense,\r
    não vou entrar na discussão de vocês quanto aos tipos de pecados, apenas quero comentar o seguinte: independente da sua crença, acredito que ser um libertário significa não só respeitar a propriedade dos outros, mas também respeitar a liberdade de pensamento dos outros (mesmo que não concordemos com o que o outro pensa) e nesta se inclui a crença religiosa. \r
    No cristianismo, tanto católicos quanto evangélicos buscam realmente o não cometimento de pecados, buscam a perfeição, entretanto, entendem que não são perfeitos (e que isso não diminui sua fé), então, você peca, conscientiza-se disso e tenta não pecar dinovo. \r
    Porém, pelo que entendi, para tentar invalidar os comentários feitos pelo Luiz Francisco, você considerou que ele foi arrogante e que isso seria um pecado e quiz diminui-lo dessa forma (pois ele deveria ser humilde). Você quiz dizer que as coisas que ele falou não valem porque ele é pecador?? Acredito que esse não é um argumento válido. Ora, vamos nos concentrar nas ideias e não nas qualidades ou defeitos que acreditamos que o outro debatedor tem. Se o Luiz Francisco pecou ou não, isso não é significativo para a discussão.
  • Catarinense  23/12/2011 14:11
    Celi, minha cara, uma argumentação pacífica e educada nunca é desrespeito, não importa o assunto que esteja sendo debatido. Acredito que você não leu toda a discussão, pois se tivesse lido desde o início ( dica: leia a partir do comentário do colega Gutemberg Campos ) notaria que sua crítica não faz sentido, pois em nenhum momento utilizei ataques ad hominem como base para alguma argumentação. Aliás não entendi a sua colocação no primeiro parágrafo, por acaso eu deveria evitar de discutir a crença de alguém com esta pessoa, pois estaria infringindo sua liberdade de pensamento?\r
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  • Absolut  08/12/2011 12:29
    Pecados veniais podem levar a pecados mortais (como a Teoria da Janela Quebrada) e podem até mesmo ser mortais quando em excesso (conjuntamente, não individualmente).
  • Luis Francisco  08/12/2011 14:29
    Exato! Perfeito! Por isto é importante conhecê-los e combatê-los.
  • Paulo Sergio  09/12/2011 04:13
    'Um aluno da Índia tinha uma pergunta. E se — perguntou ele — uma pessoa vive em uma sociedade em que a religião diz que a condição de um indivíduo é ditada por Deus, e que, sendo assim, seria um pecado tentar modificá-la? Os pobres, segundo essa visão, supostamente devem continuar sendo pobres, e ajudá-los seria uma violação dos desígnios de Deus. Com efeito, uma pessoa caridosa estaria cometendo um crime contra Deus.

    O palestrante ficou ali parado, em estupefato silêncio. '

    Essa eu não entendi, estupefado porquê?.É a coisa mais simples falar que essa pessoa tem toda liberdade de mudar de religião.Mais óbvio ainda em se tratando de uma que apóia o sistema de castas da índia, que é uma coisa repugnante.
  • Catarinense  09/12/2011 05:42
    Paulo Sérgio, imagino que o motivo tenha sido que as pessoas costumam pensar que o mundo todo desfruta, basicamente, da mesma liberdade que a gente ( ocidente ) desfruta, e que os valores da nossa sociedade estão presentes em todas as sociedades, além de todas as religiões serem iguais, em sua essência. Claro, nós que temos acesso a informação sabemos que estes fatos não procedem, apesar da grande mídia nos vender esta idéia todo o tempo. Provavelmente o palestrante esperava que todos no auditório tinham pelo menos os mesmos valores, por isto a surpresa.

    Abraços!
  • Paulo  09/12/2011 14:08
    É isso mesmo mas os maiores grilhões morais são oferecidos pelas religiões e, infelizmente muitos acreditam. Não existe uma educação secular e humanista institucionalizada que liberta as pessoas dos destinos divinos. Religião e estado são as maiores tragédias das chamadas sociedades modernas, mas essa é outra questão.
  • Luis Francisco  09/12/2011 14:50
    Grilhões morais oferecidos pelas religiões? Isto é bastante pessoal. Nós cristãos acreditamos nas Palavras de Cristo que disse: " Meu fardo é leve ". Em relação a uma educação secular e humanista para libertar as pessoas dos destinos divinos, penso que se não existe é porque o mercado consumidor não demanda.

    Mas eu encontro um ponto de contradição no seu comentário: você quer uma educação secular e humanista para libertar mas que seja institucionalizada? E ainda considera o Estado uma tragédia? Confusa sua frase meu caro...
  • Paulo  09/12/2011 15:50
    Bem, tem razão quando á pessoalidade do meu comentário :-). Cada um com suas convicções e, obviamente, não creio nas suas crenças e nem quero polarizar a discussão num confronto teista/ateista (o meu caso). Já estou calejado dos argumentos bíblicos e o que cristo disse nada importa para mim. Apenas o que observo no dia a dia (e você deve ser um arguto observador da realidade também, e é isso o que importa) é que o ensino é, predominantemente teísta. De 100 instituições de ensino privadas e inclusive públicas (apesar do discurso furado de que o estado é laico) colocando tudo num mesmo balaio 99 tem orientação religiosa. Não estou afirmando que o ensino em si, nessas instituições tem obrigatoriamente qualidade ruim mas a contrapartida social que contemple uma parcela da sociedade humanista e secular e recional é procurar por uma educação laica de verdade, sem a apelação nem os becos morais que os religiosos estão sujeitos. O Evolucionismo é uma heresia! Salve o neo-criacionismo (mesmo sem nenhuma evidência).
    Portanto não há contradição. O estado que deveria ter um ensino predominantemente científico e laico pois não segue o lucro, não tem. Dai a tragédia. Não confunda institucional com ditatorial e nem laicismo com anti-religião. Deus, sem você, não existe.
    O estado e a igreja, num estado democrático, sem considerarmos ditaduras como a stalinista, tem em seus "modus operandi" muitas semelhanças. Ambas enxergam o cidadão como um gerador de renda (para eles) e há muito tempo suas convicções, por mais puras que sejam, foram adaptadas para as benesses de poucos.
    Abraços.

  • Absolut  09/12/2011 16:52
    Ué, Paulo, funda a Escolinha Dawkins então. Você (ainda) não é proibido disso.
  • Paulo Cardinali  09/12/2011 17:32
    Dawkins, Saramago, Sagan... meu xará Paulo Autran. Para qualquer um destes seria uma honra batizar um estabelecimento de ensino laico. Mas do ponto de vista da rentabilidade do empreendimento é melhor uma igreja. Só igrejas tem isenção fiscal. Cai no pecado da avareza como descrito no texto principal.
  • Catarinense  09/12/2011 18:48
    Alguns artigos exaltando a divindade do seu deus:\r
    \r
    www.midiasemmascara.org/mediawatch/noticiasfaltantes/perseguicao-anticrista/12474-censuras-virtuais.html\r
    \r
    www.midiasemmascara.org/artigos/ciencia/12405-o-metodo-arrastao-de-investigacao-cientifica.html\r
    \r
    www.midiasemmascara.org/artigos/ciencia/10836-richard-dawkins-a-evolucao-de-um-crente.html\r
    \r
    www.midiasemmascara.org/artigos/religiao/7627-qdeus-provavelmente-nao-existeq.html\r
    \r
    Não espero o mínimo de honestidade de você, ou disposição para ler estes artigos esclarecedores, mas para meus colegas aqui do Instituto Mises pode ser uma leitura interessante.
  • Absolut  09/12/2011 20:00
    Então construa um templo ateu - segundo a lei, também não pagará impostos. Agora, se você acha um absurdo um templo ateu, convenhamos que o problema é seu, né?
  • Paulo Cardinali  10/12/2011 11:19
    Olha sinceramente não sei se devo continuar a polêmica pois não era minha intenção, mas vamos lá. Dou um boi para não entrar e uma boiada para não sair.
    Inicialmente imaginei que este site fosse sobre liberdade, prosperidade e paz como o logo do instituto deixa bem claro. Não tem religião no logo, nem correlação entre ambos. Não há argumentação quando se entende tudo como dádiva divina, inclusive os chamados "princípios libertários". Ora independente se é cristão ou ateu os princípios são os mesmos. A única diferença e principal é que não preciso que um ser superior (onde estará esse ser superior) me dizendo o que é e o que não é ético e moral. Religião não define moral nem caráter nem liberdade, pelo contrário.
    O artigo o Lew mostra no geral e diz claramente no início que é uma crítica á moral do estado moderno. O óbvio que os religiosos não conseguem enxergar é que o estado moderno é unha e carne com os dogmas religiosos da pior espécie. Não tem como negar, o estatismo na definição do Sr Fernando flerta com a religião. Não tem candidato que não diga amém numa eleição, tanto os intelectuais como os operários, inclusive a última presidenta que não era muito chegada ao teísmo mas, voilá, mudou de idéia convenientemente. Não tem parlamentar que puxe o saco dos pastores, principalmente os detentores de meios de comunicação vide a excrescência, retrocesso e roubo á noção de liberdade que é a PEC 99.
    Os valores cristãos se perpetuaram durante séculos porque não havia outra resposta a sociedade na época. Não nego as contribuições do pensamento religioso na formação das sociedades nem no pensamento econômico mas vejo que é claramente um movimento histórico que está mudando. Hoje vemos cada vez mais que a melhor resposta aos desafios do mundo e suas sociedades é a ciência, o conhecimento, não a religião. O exemplo da India é claro. Já é tempo de ultrapassarmos essa fronteira entre o sobrenatural e a natural pois este existe independente de deuses e nós estamos aqui para entendê-la não para divinizá-la.
    Além disso a afirmação de que o capitalismo e a livre iniciativa é somente dependente dos valores cristãos é de um desconhecimento básico da história. Locke se rebelou na sua época justamente contra os valores teocráticos na inglaterra, refutando as idéias que o inatismo é recorrente nos homens (no sentido filosófico) e colocando as bases para o Iluminismo em toda a europa. Mesmo atualmente existem locais em que a idéia do deus cristão nem é sequer imaginada, vide algumas tribos na África. Conforme Locke o inatismo é falso. Você nasce sem religião e a adquire, ou não. A livre-iniciativa é filha do iluminismo.
    Os links que o Sr Catarinense colocou são, como era de se esperar, tendenciosos e já no primeiro parágrafo senti que não valeria a pena ler. Primeiro quem não acredita em deuses nem por isso detesta quem acredita. Não tenho nada contra, não existe aqui o ad hominem. Apenas lamentar que as idéias destes não mais respondem às necessidades das sociedades modernas nem os infinitos questionamentos da curiosidade humana. Segundo não utilizamos a força do estado simplesmente porque não temos (ainda) representatividade democrática. Mas isso está mudando aos poucos vide os partidos humanistas que já existem na Austrália e nos USA além dos casos em que a maioria da população de alguns países já é predominantemente não-religiosa. Portanto, como não pretendo uma ditadura tipo stalinista a argumentação de que utilizamos a máquina do estado é de uma desonestidade digna dos desesperados. Inclusive alguns comentários refutam os absurdos que o articulista do blog mencionou. Não estou só :-)
    Para encerrar só faltou o Sr Absolut (seu pseudônimo já diz tudo). Há uma concepção totalmente errada e uma incapacidade digna de um humano crente (humano demasiadamente humano) do que é ser ateu ou agnóstico ou simplesmente não crer em deuses. Realmente é um absurdo um templo ateu. Isso iria frontalmente contra a minha opinião de que templos atualmente servem somente para enganar, espoliar e angariar fundos para as associações religiosas que a fundaram e beneficiar uma minoria (afinal tem que ter um motivo). O catolicismo perde mais e mais seguidores justamente para as pseudo-seitas que prometem as recompensas aqui mesmo na terra, principalmente se for de cunho financeiro. E concordo que estas são as piores.
    Lembrem-se, deus sem os senhores não é nada.
    Abraços.
  • Luis Francisco  10/12/2011 13:48
    Não vou entrar nas minúcias históricas nem filosóficas do seu longo comentário. Respeito a liberdade de cada um e você tem o direito de crer ou não crer no que quiser. Agora, me permita só um comentário: quer ver o ateu na frente da morte! Quando o avião entra na turbulência, até comunista reza Ave-Maria!
  • Paulo Cardinali  10/12/2011 16:07
    Luis essa afirmação já é explicada pela neurociência. E também explica muitos dos comportamentos econômicos que temos.
    bulevoador.haaan.com/2011/11/30085/

    Mas você mostrou a todos que a utilidade das religiões é somente essa mesmo. Confortar as pessoas no fim da vida, nada mais do que isso. No meu caso, se o avião começar a cair eu diria PQP gzuis onde está você que não salva essa p**** de avião. Tem muito crente aqui :-))))

  • Catarinense  09/12/2011 18:38
    Paulo, meus parabéns. Você vem comentar num artigo que exalta como a civilização ocidental se desenvolveu graças aos valores cristãos, criticar justamente o Cristianismo. Vocês neo-ateístas se superam, seja em ignorância, estupidez ou mesmo hipocrisia, como neste caso. Meus parabéns, você está seguindo a cartilha do camarada Dawkins à risca. Pena que você não percebeu que ele é só mais um prometendo o paraíso na terra se todos seguirem os seus conselhos, ou seja, colocá-lo no poder. Meus parabéns novamente, mais um idiota útil do nível dos adoradores do Che Guevara. Exatamente o que o mundo precisa para se tornar um lugar melhor.
  • Paulo Sergio  10/12/2011 09:43
    'Pena que você não percebeu que ele é só mais um prometendo o paraíso na terra se todos seguirem os seus conselhos, ou seja, colocá-lo no poder.'

    Onde é que Dawkins diz isso? Ou algo que possa ser interpretado assim?
    Não que eu queira defender ele, não sou ateu e acho o ceticismo uma filosofia simplista, mas se é pra criticar é melhor criticar pelo que ele é e não por coisas que vc imagina e atribui a ele
  • Catarinense  10/12/2011 12:58
    Prezado, o discurso dele contra as religiões e sobre como o mundo seria um lugar melhor sem elas ( na verdade o catolicismo, pois rararemente ele menciona alguma outra ) não soa semelhante ao discurso contra a burguesia? Dawkins conseguiu uma militância semelhante à de Che ou dos ambientalistas, que prega extamente isto, o fim das religiões para um mundo melhor, além de seguir cegamente as "revelações" dele sobre as religiões, vide o iluminado comentarista "Paulo". Os artigos que mencionei em comentário anterior ilustram isto.

    Abraços!
  • Paulo Sergio  10/12/2011 14:05
    Mas um mundo sem religiões não é a mesma coisa de ele no poder.

    Contanto que não obrigue ninguém a nada, qual o problema das religiões?Acho meio arrogante isso de querer dizer no que os outros devem acreditar.Até porque esse negocio de evidência é muito simplista.Quem decide o que é uma evidência e o que não é? Einstein morreu achando que a física quântica era uma grande porcaria.
  • Catarinense  11/12/2011 11:07
    Caro, o poder não precisa ser Político. Pode ser militar, filosófico... Neste último se encaixaria o sujeito da discussão, uma espécie de guru da anti-religião.

    Abraços!
  • Luiz Renato  09/12/2011 15:37
    Muito mais interessante e produtivo do que ficar discutindo filigranas teofilosóficas em um site de economia (além de interessar a poucos,está claro que vocês não vão chegar num consenso), creio ser mais útil demonstrar como esses dois bens da civilização ocidental,o mercado livre e a ética burguesa, são frutos do cristianismo e não podem sobreviver sem corromper-se sem uma base cristã. Recomendo este folheto,do grande Rushdoony,mestre de Gary North:
    www.monergismo.com/textos/politica/Cristianismo-Capitalismo-Rush-livreto.pdf
  • Rhyan  09/12/2011 19:27
    Rockwell faz muito esforço para encaixar os 7 pecados na crítica libertário contra o estado. Não ficou muito bom. Ele só anda ecrevendo isso ou ainda escreve sobre economia? Tem artigos antigos ótimos dele. Esse right-libertarianism não é pra mim.
  • Fernando Chiocca  09/12/2011 19:38
    Se esforça muito??? Foi a coisa mais fácil associar o que a mais sórdido e podre na humanidade com o estatismo, pois é exatamente isto que o estatismo e seus defensores são... são o mal.

    Rhyan, independente de se aceitar o Cristo, de se acreditar em céu, Deus ou qualquer coisa da Bíblia, mas você não acha que essas 7 características referidas como pecados não são condutas imorais e inaceitáveis e que são contra a paz social???

    Eu não tenho religião alguma, mas, sinceramente, este viés anti-religioso cretino que vejo em alguns libertários (e você é um dos que mais se destaca neste comportamento) é uma das coisas mais preconceituosas, ou seja, mais burras e infelizes que eu vejo hoje. Além de ser extremamente contra-produtiva para a causa da liberdade.

    Esse artigo do Lew é de um preciosismo inigualável e de uma importância inestimável. Ele sozinho teria o poder de colocar bilhões de reliosos ao lado do libertarianismo, pois demonstra que a negação dos princípios libertários é a negação das virtudes de Deus.

  • Absolut  09/12/2011 20:07
    Ele sozinho teria o poder de colocar bilhões de reli[gi]osos ao lado do libertarianismo

    Pois é, Fernando. Os ateus militantes libertários acabam fazendo uma imensa propaganda negativa do libertarianismo entre os que se denominam cristãos (católicos, protestantes etc.).
  • Rene  10/12/2011 19:00
    O primeiro obstáculo ao libertarianismo não é o Estado e sim a Religião. A religião prega a servilidade, a obediência e nunca a autodeterminação. Tornar-se Ateu é o primeiro passo libertário que a pessoa dá. Se cada um trouxer 2 ateus, o mundo evoluirá em progressão geométrica
    O Estado é o principal protetor da igreja, foi assim na idade média, e hj também, através do que a constituição chama de "liberdade de credo". Francamente, mas não pode ser laica uma constituição que estimula assim o vínculo entre pessoas e credos.
  • Catarinense  11/12/2011 11:22
    Meu caro, o mundo tem se tornado gradativamente ateu desde os anos 50 . Sem dúvida foi de resultado espetacular, vide como as pesoas respeitam os direitos das outras, seus pais, como trabalham duro para com o suor dos seus esforços melhorar de vida, como são honestas, como quase não acontecem guerras, de fato, o mundo melhorou consideravelmente nas últimas décadas. Interessante, Renê, que você falou que totnar se ateu é o primeiro passo libertário que a pessoa dá. De fato, como o artigo desta página mostrou, tornar-se ateu é o primeiro passo libertário que a pessoa dá, rumo a uma vida que preza os valores - surpresa - cristãos e que motivaram o desenvolvimento econômico e social do ocidente. De fato, uma lógica surpreendente.
  • Rene  12/12/2011 04:33
    Quem disse que foram os cristãos que promoveram o capitalismo? Saiba que o empréstimo de dinheiro à juros, a Usura, era vedada aos cristãos, sendo uma heresia punida com fogueira na idade média. Os promotores do comércio foram, isso sim, os judeus, que por viverem sob várias restrições econômicas, encontraram no comércio e no capitalismo uma janela para a sobrevivência.\r
    Judeus não podiam ser dono de terras, não podiam ter bens imobiliários nas vilas (somente nos burgos) além de várias outras restrições à propriedade econômica. Para essa valorosa minoria, a escapatória era acumular riquezas na forma monetária: o ouro. Bem como fortificar vínculos com as monarquias, vulgo o Estado.\r
    As monarquias foram o apoio opositor à cristandade, onde os primeiros capitalistas puderam se refugiar para sobreviver. Enquanto a Igreja protegia "almas" era o Estado quem protegia os capitalistas\r
  • Catarinense  12/12/2011 07:10
    Acho que você deveria reler a definição de capitalismo. E quem sabe separar ações da Igreja Católica do Cristianismo como um todo. Afinal, os países que puxaram a revolução industrial tinham os protestantes como maioria de sua população.
  • RenE  12/12/2011 08:53
    Meu caro, não existe protestantismo. Aquilo que estamos chamando de 'protestantismo' é apenas uma reação, incompleta, aos valores da cristandade e uma fuga em direção à ética germânica perdida com o cristianismo.\r
    Saiba que a reforma protestante mais completa que já foi tentada, ocorreu no século XX, e ficou conhecida como nazismo. Com ele pretendeu-se esterilizar definitivamente os elementos cristãos, estranhos ao sentido de autodeterminação dos germanos. O arianismo foi derrotado, podemos notar, mas deixou uma influência duradoura na alemanha até hj que é o Ateísmo. Por isso embora as campanhas militares tenham sido desastrosas, no campo espiritual o nazismo se perpetuou, gerando o ateísmo na Europa do norte.
  • Catarinense  12/12/2011 12:31
    Não consigo acreditar que alguém em sã consciência poderia fazer uma conexão tão absuda destas. Ignorância somente não explica, só pode ser má-fé. Neste caso, nada tenho mais a comentar.
  • Rhyan  10/12/2011 02:32
    Eu não vejo grandes problemas na gula, fora os problemas físicos. Alias, foi na gula que ele deu uma distorcida forte no sentido.

    Mesmo não conhecendo bem o Objetivismo, Rand não cometeria o erro de dizer que Egoísmo é pecado, e que pensar somente e si mesmo é imoral.

    Sobre caridade, bom, eu destesto caridade.

    Sim, Lew pode ser útil para convencer neocons, assim como lefts podem ser úteis para convencer esquerdistas. Mas não lembro de ter visto artigos dos lefts aqui.
  • Fernando Chiocca  10/12/2011 06:07
    Claro, claro, um total incauto como você sabe melhor do que o Lew qual o verdadeiro significado que a religião católica dá a gula.

    Pensar em si não é imoral, e o Lew diz claramente isso no texto, diferenciando cobiça de avareza (você leu o artigo??).

    "Sobre caridade".. o que é que foi dito sobre caridade pra vc dizer que destesta caridade? E daí?
  • Rhyan  11/12/2011 05:08
    Prefiro a definição do dicionário para definir uma palavra do que a definição da icar.

  • Fernando Chiocca  11/12/2011 07:43
    Lew diz: Costumamos pensar em gula como algo relacionado unicamente ao ato de comer. Porém, gula também significa um desejo excessivo por conforto, luxo, magnificência e ócio, tudo em detrimento do trabalho e da produtividade.

    Segundo o dicionário:
    3 Derivação: sentido figurado.
    desejo ardente; sofreguidão

    Antônimos
    sobriedade, temperança


    E depois Lew conclui: Relembremos constantemente, portanto, as quatro grandes virtudes burguesas da prudência, da justiça, da temperança e da fortaleza

    E ainda, não levar em conta a bíblia ao discutir a definição de um PECADO CAPITAL é algo tão patético que não merece nem comentário.

    E nós concluímos: Rhyan é um ateuzinho incauto e raivoso, que apenas atrapalha o movimento libertário com esta perseguição cretina e totalmente improcedente contra religião.
  • mcmoraes  11/12/2011 08:39
    Incauto é, realmente, um adjetivo perfeito para o Rhyan. Perseveremos! Ele há de entender, se Deus quiser.
  • Rhyan  11/12/2011 09:26
    Qual dicionário?

    Eu só não digo "amém" pra qualquer bobagem right-libertarian.

    Bíblia é aquele livro mitológico de cobras e jumentas falantes, com dragões, pessoas ressuscitando e outras bobagens?

    Bom, segundo a bíblia, quem trabalha no sábado deve morrer.
  • Catarinense  11/12/2011 11:24
    A ignorância dos "esclarecidos" ateus é surpreendente.
  • Luiz Renato  10/12/2011 16:51
    Rhyan,
    "Eu não vejo grandes problemas na gula, fora os problemas físicos."
    Gulosos consomem mais alimentos do que o necessário, gastando riquezas que podiam ser utilizadas em outros produtos necessários com alimentação "supérflua" (no sentido de acima do necessário). Além disso, a gula gasta mais alimentos que o necessário, o que diminui sua oferta, o que aumenta seu preço, o que os torna mais menos acessíveis, principalmente ao mais pobres. Pense nesse efeito multiplicado por todos os gulosos do mundo. Quanto a compra do supermercado não seria mais barata se não houvesse gulosos? Quanto isso não seria benéfico, principalmente para os mais pobres?
    Agora, pense no quanto a gula não encarece medicamentos ou planos de saúde.
    PS: Eu não estou dizendo que não se deva ser livre para ser guloso ou não, estou dizendo que isso não o exime de responsabilidade econômica e moral.
  • Rhyan  11/12/2011 05:17
    Se eu quero consumir ou poupar é um problema meu, antes da mais nada.
  • void  11/12/2011 11:26
    Acho interessante dar uma olhada neste site para falar sobre o conceito de Egoísmo em Ayn Rand. Rand faz questão de deixar claro que a filosofia dela é guiada por um egoísmo RACIONAL, ou seja, sua filosofia não se resume a essa palavra e a definição mainstream(que não é a definição do dicionário, como verá) dada a ela. O objetivismo (leia egoísmo, mesmo) não é hedonismo ou egocentrismo. É o mesmo tipo de confusão muito feito entre liberdade e poder. Você sabe a diferença entre liberdade e poder?

    Eis o link: aynrand.com.br/texts/ethics.htm


  • Luiz Renato  10/12/2011 17:03
    "Mesmo não conhecendo bem o Objetivismo, Rand não cometeria o erro de dizer que Egoísmo é pecado, e que pensar somente e si mesmo é imoral."
    Egoísmo, por definição, e preocupar somente consigo e não ter preocupação pelo próximo.
    Logo, o egoísta não tem respeito pelo próximo e não se preocuparia em prejudicar o próximo, em desrespeitar contratos para se dar bem, nem em tomar propriedade alheia para proveito próprio.
    Ora, Rand, em seus arroubos mais egocêntricos, jamais se posicionou ( na verdade, eu acho, nunca li Rand) a favor do roubo ou desrespeito a contratos. Logo, ela NÃO era verdadeiramente egoísta.
    Essa é uma grande contradição, dizer que gente que respeita propriedade e contrato é egoísta.
  • Paulo Sergio  10/12/2011 23:39
    'Egoísmo, por definição, e preocupar somente consigo e não ter preocupação pelo próximo.'

    Não seria se preocupar consigo independentemente de ter ou não preocupação com o próximo?
  • Rene  10/12/2011 19:06
    Luis Renato: a gula, ao estimular o consumo, dirige investimentos para a produção de alimentos. Como considerar a produção de alimentos um pecado?? Quanto ao egoísmo, ele produz consciência dos próprios desejos e crescimento econômico.
  • Luiz Renato  11/12/2011 17:07
    Rene, boa pergunta.
    A gula faz com que se direcione para a produção de alimentos uma parcela de dinheiro muito, muito maior do que aquela que seria empregada para produzir apenas o necessário. Como dinheiro é escasso, vai faltar para investir em produção de outros bens necessários, como imóveis, vestimentas, medicamentos, assim como para geração de empregos em indústria, comércio e serviços, e tbm não se investirá em saúde, educação, tecnologia, infraestrutura, etc... ( e eu não falo em investimento público). Em nível doméstico, a gula tira dinheiro que seria usado para medicamentos, roupas melhores, escola para os filhos, melhora da casa, poupança pra família, aposentadoria privada, etc,etc,etc... e mesmo para caridade.Gula queima, desperdiça riqueza, atrasa o desenvolvimento de um povo para satisfação própria, impede a prosperidade de uma família por causa dos desejos de um membro. É danosa aos outros. Por tudo isso ( e outros motivos não-econômicos) é pecado.
  • Renê  11/12/2011 17:27
    vc prefere as pessoas fabricando alimentos ou armas? Eu prefiro alimentos. É totalmente inofensivo uma produção de alimentos em excesso. E se em algum momento as pessoas morrem por causa da gula, acho que ela morreu feliz.
    Antes que vc diga que a produção de alimentos degrada as florestas, eu respondo que foi a produção de bebês em excesso que provocou isso
  • Leandro  11/12/2011 17:48
    Errado, Renê. A produção de absolutamente qualquer bem, seja alimentos ou armas, gera consumo -- e subsequente esgotamento -- de capital.

    É claro que a produção de alimentos é preferível à produção de armas, mas nem por isso se pode dizer que a produção em massa de alimentos é algo "totalmente inofensivo". Uma maior produção de alimentos vai exigir que capital e mão-de-obra (que não são coisas infinitas; são escassas) sejam retirados de determinadas linhas de produção e redirecionados para a produção de alimentos. Consequentemente, os bens produzidos nessas outras linhas de produção sofrerão redução na sua oferta, com consequências certamente não benfazejas, como aumento de preços e possível redução no bem-estar da população.

    Quanto à sua afirmação de que a "produção de bebês" degrada florestas, bom, isso é algo que não dá pra responder sem ferir a decência.

    Grande abraço!
  • RenÊ  12/12/2011 04:58
    Leandro, o consumo dos bens de capital não é a compra de um maquinário ou de uma planta fabril; Isso é apenas transferência de propriedade, sem qualquer consumo. O consumo dos bens de capital é a utilização das máquinas, é a fabricação de novos produtos a partir delas.\r
    Por isso aquilo que chamamos FPP fronteira de possibilidades de produção, é algo que devemos interpretar com alguma licença. Pois se vc utilizar a estrutura de capital atual para produzir novos bens de capital, a FPP pode tornar-se infinita. \r
    O principal problema com a produção de bebês é que eles têm um alto consumo calórico até que alcançem a idade em que possam ser produtivos e subsistentes por si mesmos\r
  • Leandro  12/12/2011 06:03
    Prezado Renê, ninguém disse que a compra de maquinário ou de uma planta fabril representa "consumo de bens de capital". O que eu disse, e repito, é que a produção de alimentos (aliás, a produção de qualquer bem) implica um consumo e um subsequente gasto de bens de capital. Para produzir um bem de consumo você gasta o bem de capital necessário para produzi-lo. Toda a produção gera um esgotamento dos bens de capital utilizados no processo de produção.

    Ao plantar arroz, milho, soja etc. você exaure trator, gasolina, borracha de pneu etc. Consequentemente, terá de comprar as peças de reposição do trator (as quais, por sua vez, são formadas por aço e vários outros metais), pneus e mais combustível. Ao fazer isso, provocará uma relativa escassez desses componentes em outros setores da economia.

    Fora isso, mão-de-obra será retirada desses setores e direcionada para o plantio de alimentos, encarecendo os bens produzidos nestes outros setores, bem como gerando uma relativa escassez na produção destes bens.

    Como você mesmo disse, o consumo de bens de capital "é a utilização das máquinas, é a fabricação de novos produtos a partir delas." A afirmação está correta desde que por "produtos" você entenda não apenas a fabricação de outros bens de capital, como também a fabricação de bens de consumo, como alimentos.

    Concordo que se você "utilizar a estrutura de capital atual para produzir novos bens de capital, a FPP pode tornar-se infinita", mas isso não se aplica para a produção de bens de consumo. Toda e qualquer produção de bens de consumo gera exaurimento de bens de capital.

    Abraço!
  • Gustavo Augusto R. Abreu  11/12/2011 03:46
    Também acho que esses autores neocons e conservadores que flertam com o libertarianismo e com as ideias de Mises muito contraditórios. Claramente se vê mais retórica, política e tentativa de persuassão a ingressar na causa libertaria os neocons e conservadores estatais, do que qualquer outra coisa.\r
    \r
    Não tenho nada contra o Lew Rockwell em particular mais se vê que todos os autores que tem artigos no site, ele é o mais conservador de todos. E falo isso não por preconceito (sou agnótisco com queda para o ateísmo, como diria o bom e velho Dawkins) mas pelo fato de que muitas ideiais defendidas pelos libertários e pelo anarco-capitalismo são diamentralmente oposta ao pensamento conservador ou ao neoconservadorismo pra ser mais específico.\r
    \r
    A mais óbvia é claramente o direito de individuos terem liberdade total do seu corpo (caso do aborto por exemplo), assim como para o consumo de drogas, e contra toda e qualquer tentativa do estado intervir no direito individuais, inclusive doutrinações religiosas, ou conduta moral imposta pelo estado por causa dos costumes.\r
    \r
    O Rhyan foi totalmente feliz em citar a Ayn Rand, não só ela de fato defende o egoísmo, como tenta negar o Luiz Renato, como ela é totalmente ateía.\r
    O Egoísmo aqui preconizado pela Rand é um egoísmo guiado pela razão e pela vontade livre de cada índividuo, os conservadores de maneira geral defende um anti-iluminismo no que se segue a razão, acham que a tradição e a religião tem um valor mais forte e soberano do que a razão dos indíviduos.\r
    \r
    Neste caso, inclusive existem vários autores que defende isto, o conservadorismo é apenas uma espêcie de estatismo do livre-mercado, defendem o laisser-fairez, mas quando são questionados no ambito da moralidade e da ética, assim como do intervencionismo militar são totalmente estatais, emfim se dizem contra o pensamento esquerdista (ás vezes de modo totalmente caricato e maniqueísta) mais em relação ao estado tem a mesma mentalidade.\r
    \r
    Sobre o tal mídia sem mascara, que a Catarina colocou é um site neo-conservador totalmente tendencioso, nem vale apena entrar naquilo a não ser que você queira ser doutrinado que o mundo jáz no maligno e a unica salvação é o modelo conservador neocon dos EUA e a exportação da religião e da democria a outros países do mundo.\r
    \r
    Quanto ás criticas feitas ao Dawkins, não vale nem a pena comentar tamanho o disparate, ele defende sim um mundo sem supertições e pautado na razão ao contrário da maioria dos religiosos, mas de maneira nenhuma ele se diz contra a liberdade religiosa só diz o quanto sem sentido é se alienar doutrinamente num mundo cada vez mais liberal e guiado pela razão cientifica.
  • Paulo Sergio  11/12/2011 08:57
    'a não ser que você queira ser doutrinado que o mundo jáz no maligno'

    Um mundo que acha engraçadinho botar uma criança pra imitar uma chifruda dessas é o que?
    www.buzzjack.com/forums/lofiversion/index.php/t125287.html

    www.dailymail.co.uk/tvshowbiz/article-1357258/Lady-Gaga-sports-bizarre-flesh-coloured-facial-horns-Jay-Leno.html
  • Rhyan  11/12/2011 09:34
    Pois é, cada dia me distancio mais dos right-wings e left-wings.

    Os rights querem misturar libertarianismo com mitologia cristã. Engraçado que os líderes religiosos adoram discursar contra o livre mercado ou contra o individualismo.
  • Catarinense  11/12/2011 11:28
    Meu caro, se você estudasse a bíblia, veria como os supostos líderes religiosos são inconsistentes. Pena que o preconceito o impede de buscar o conhecimento.
  • Catarinense  11/12/2011 11:34
    Quase desisti de ler depois do primeiro erro de português. Aliás, se nota bem como os defensores da "razão" São preconceituosos e ignorantes do que criticam. Também, o que esperar de um papagaio, exceto que repita o que ouve? No mais, só digo: nada de novo debaixo do sol. Só que a nova leva de ateístas tá deixando muito a desejar. Os anteriores pelo menos dedicavam mais tempo ao estudo e ao raciocínio.
  • Catarinense  11/12/2011 14:52
    Este comentário foi uma resposta ao Gustavo Abreu.
  • Paulo Sergio  11/12/2011 09:06
    'A mais óbvia é claramente o direito de individuos terem liberdade total do seu corpo (caso do aborto por exemplo)'

    Não é o caso do aborto coisa nenhuma, vc ja começa pela conclusão falando que o feto é um pedaço do corpo da mãe, até os ancaps mais radicais concordam que depois que tem coração, sistema nervoso, (e isso é com poucos dias e a maioria dos abortos é depois disso), já é outro indivíduo.
  • Rhyan  11/12/2011 09:51
    incauto
    in.cau.to
    adj (lat incautu) 1 Que não é cauto; sem cautela. 2 Crédulo, ingênuo. 3 Imprudente. sm Aquele que não tem cautela.

    Fonte: Dicionário Michaelis

    Vejamos, quem é crédulo aqui? Quem acredita que um mendigo palestino foi crucificado e ressuscitou 3 dias depois?
  • Paulo Sergio  11/12/2011 12:54
    Quem acredita que a moral judaico-cristã não teve NADA a ver com o progresso do mundo ocidental?
  • anônimo  12/12/2011 11:17
    Eu diria que elementos inseridos nesta moralidade são responsáveis pelo progresso, assim como os mesmos elementos favoráveis existem nas culturas coreana ou japonesa, por exemplo. Assim como o Objetivismo ou o Libertarianismo prezam por estes elementos que levam ao progresso. Mas o mero fato de ser católico, taoísta, xintoísta etc não significam nada para o progresso, sem estes elementos. Fato é que, Coréia do Norte e do Sul compartilham da mesma história e são, hoje, diametralmente opostas no que tange ao progresso. Trabalho e empreendedorismo, respeito à propriedade, austeridade e poupança, estas coisas não são monopólio cristão, isto antecede em muito a religião, mas estão na moralidade desta civilização.
  • Catarinense  11/12/2011 11:36
    Rhyan, Rhyan, não seja tão inocente...
  • Rhyan  11/12/2011 12:21
    Não vou peder mais tempo discutindo com crentes. Acreditem nas bobagens que quiser. Tchau.
  • Paulo Sergio  11/12/2011 13:24
    Rhyan, Rhyan...quem sabe um dia quando vc for um pouco menos arrogante entenda como a filosofia que leva ao ceticismo/ateismo é simplista.
    Se não existe mesmo NADA além da matéria, a consciência é o que?
    obs: por consciência não to falando do que cria o pensamento, mas da parte de vc que ASSISTE ao pensamento.E o mero funcionamento dos neurônios tb não é a consciência porque quando o cara ta dopado, dormindo ou em coma os neuronios continuam vivos e chutando.
    Ou...acreditar no que tem evidências, simplista tb.Quem decide o que é uma evidência e o que não é? Einstein por ex nunca engoliu a fisica quantica.O que era evidente pra uns não é pros outros, e aí?

  • Angelo T.  11/12/2011 12:59
    Nunca achei que veria um texto sobre pecados capitais no IMB.
  • mcmoraes  13/12/2011 05:37
    Nesse caso, Angelo T., sugiro (re)ler a estratégia do "intelectualismo anti-intelectual"
  • Angelo T.  13/12/2011 07:09
  • Angelo T.  13/12/2011 07:26
    E num âmbito mais geral, a defesa moral da liberdade que prefiro é pelo princípio da não-agressão.
  • mcmoraes  13/12/2011 07:57
    Não entendi a conexão entre um comentário e outro. Me ajude a compreender, por favor. Você disse que nunca achava que veria um texto sobre pecados capitais no IMB porque a defesa moral da liberdade que você prefere é pelo princípio da não-agressão, certo? Mas qual o problema? O princípio da não-agressão não é invalidado ou negado pelo texto sobre pecados capitais. São coisas desconexas. Não pode o IMB atacar em duas frentes, visto que ambas são consistentes entre si?
  • Angelo T.  13/12/2011 09:19
    Estou com preguiça de escrever, mcmoraes. Espero que não fique irado. :)
  • mcmoraes  13/12/2011 09:36
    Foi o que eu imaginei, Angelo T., mas não se preocupe, não tenho nada contra os preguiçosos, somente contra a preguiça, e somente naquilo que diz respeito a mim e a Deus.
  • Angelo T.  13/12/2011 10:36
    Mas se ainda sim quiser entender a conexão entre os posts, uma pergunta pode ajudar:

    O que é ruim no estado, a violação do princípio da não-agressão ou um possível incentivo a alguns sentimentos (ira, inveja, vaidade) e comportamentos?

    Leve em conta que as definições usadas pelo Lew Rockwell desses sentimentos/comportamentos é diferente do usual (para mim, pelo menos). Preste atenção no quê essas definições são diferentes, e veja justamente o que é atacado pelo Lew Rockwell.
    Um exemplo: preguiçoso para o Lew Rockwell não é apenas o preguiçoso "usual", mas também alguém que quer "tudo à custa de terceiros". Veja qual parte é atacada.
    Outro exemplo: a avareza é o "usual" mais isso: "querendo se apropriar daquilo através de qualquer meio possível". Veja qual parte é atacada.

    Também atente-se ao fato de que, se alguém defende que devemos acabar com o estado por ele ser um potencialiador de alguns sentimentos/comportamentos, por coerência essa pessoa também deve querer acabar com qualquer programa de tv, jogo de computador, estabelecimentos onde a luxúria corre solta, etc. que potencialize esses sentimentos/comportamentos. Mesmo que esses programas, jogos e estabelecimentos não infrinjam o princípio da não-agressão. Isso dá uma dica de que o buraco é mais embaixo.

    Compare o primeiro texto que postei com esse texto do Lew Rockwell. Eu vejo uma diferença grande de enfoque.

    Não tenho intenção de discutir esse assunto no momento, mcmoraes. Se discordar, concordemos em discordar.

    Abraço.
  • Johnny Jonathan  04/07/2012 01:58
    Foi essa impressão que eu tive, Angelo T. Que bom que você vai me evitar a fadiga de comentar. Irei usar esse meu tempo de sobre pra comer uma belas jujubas ali. O Lew forçou a barra nesse texto, mas adoro toda a argumentação dele -- apesar de não concordar com esse conceito todo de pecados capitais.
    Nisso, e nesse sentido, me apego mais ao Fernando Pessoa:

    "Todo o prazer é um vício, porque buscar o prazer é o que todos fazem na vida, e o único vício negro é fazer o que toda a gente faz."
  • Paulo Sergio  13/12/2011 07:51
    Se fosse como o Rodrigo Constantino que bota tudo que é besteira sobre aquela pseudociencia e literatura tosca chamada psicanalise, aí sim esse ia perder pontos.
  • Juliano  11/12/2011 13:54
    Realmente tenho visualizado o site por encontrar artigos interessantes sobre economia, no entanto este e outros artigos estão mostrando que esta instituição parece mais promover a extrema direita, no padrão americano, como mostra-se aqui a orientação de artigos justificando aspecto éticos com base em "escrituras sagradas". Imaginei que a promoção de estudos econômicos não incluía orientação religiosa radical.
  • Leandro  11/12/2011 14:27
    Prezado Juliano, por gentileza, tenha a bondade de nos apontar um único artigo que "justifique aspectos éticos com base em "escrituras sagradas"" (Por exemplo, mostrar um artigo que cite a Bíblia ou qualquer outro livro religioso como parâmetro para uma postura ética).

    Favor também mostrar-nos um só artigo que diga que os estudos econômicos devem incluir uma "orientação religiosa radical." (Por exemplo, mostrar um artigo que defenda que o estudo da economia só pode ser feito perante a adoção de alguma orientação religiosa -- nem precisa ser "radical")

    Caso não logre êxito em tal empreitada, o senhor está convidado -- tanto por uma questão de ética quanto de moral -- a retirar tal acusação. Afinal, inventar acusações falsas, sem absolutamente nenhuma prova concreta, é calúnia.

    Grande abraço!
  • Paulo Cardinali  11/12/2011 17:15
    Juliano os artigos não chegam a tal nível de justificação mas os comentários de muitos sim e ainda mais com o inevitável proselitismo religioso que é o pior dos argumentos. Até notícia de fotos do Hubble tem comentário que Deus fez isso ou aquilo. Na tag religião tem um artigo muito mais esclarecedor e conciliador do Prof. Murray Rothbard do que esse do Lew. www.mises.org.br/Article.aspx?id=558. Tô fora.
  • Absolut  11/12/2011 20:58
    Simplesmente expôr um assunto relativo a religião ou filosofia não é proselitismo religioso de forma alguma.
    Dar chilique por causa dessas exposições é posicionar-se como um extraterrestre, a exemplo do Rhyan ou o Consta.
  • Pedro Lima  24/08/2012 07:34
    faltou mencionar que muitos ricos são ricos por hereditariedade e não "esforço próprio", inclusive mencionar que há pessoas ricas por causa do benefício que o Estado lhes dá.
  • Marc...  29/08/2012 17:43
    "A burguesia, na acepção original do termo, sempre foi formada por uma classe de poupadores, de pessoas que honravam suas palavras e respeitavam seus contratos, de pessoas que tinham uma profunda ligação à família. Essa classe de pessoas se importava mais com o bem-estar de seus filhos, com o trabalho e com a produtividade do que com o lazer e o deleite pessoal."

    Atlas Shrugged:
    "Não inveje um herdeiro que não vale nada: a riqueza dele não é sua, e o senhor não teria tirado melhor proveito dela. Não pense que ela deveria ser distribuída - criar cinquenta parasitas em lugar de um só não reaviva a virtude morta que criou a fortuna. O dinheiro é um poder vivo que morre quando se afasta de sua origem. O dinheiro não serve à mente que não está a sua altura."

    "J: - O que é que você quer?
    F: - Dinheiro. (...)
    J: - Para quê?
    F: - Quando eu morrer, espero entrar no céu - seja lá o que for o céu - e quero poder pagar o preço do ingresso.
    J: - O preço do ingresso é a virtude - disse Jim, altivo.
    F: - É isso mesmo que quero dizer, James. Quero estar preparado para afirmar possuir a maior virtude de todas: dizer que fui um homem que ganhou dinheiro.
    J: - Qualquer corrupto ganha dinheiro.
    F: - James, algum dia você vai ter que descobrir que as palavras possuem significados exatos."


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