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Individualismo, marxismo e a Revolução Industrial

No século XIX, os liberais enfatizavam a importância do indivíduo.  Naquela época, eles consideravam o desenvolvimento e a soberania do indivíduo como o mais importante fenômeno da era.  "Indivíduo e individualismo" era o slogan liberal da época.  E os reacionários já haviam atacado essa posição ainda no início do século XIX.

Os racionalistas e os liberais do século XVIII afirmavam que o que era necessário era a existência de boas leis.  Costumes antigos que não podiam ser justificados pela racionalidade deveriam ser abandonados.  A única justificativa para uma lei era ver se ela era ou não capaz de promover o bem-estar social das pessoas.  Em vários países, os liberais e os racionalistas clamavam por constituições escritas, pela codificação de leis, e pela criação de novas leis que permitiriam o pleno desenvolvimento das aptidões da cada indivíduo.

No entanto, surgiu uma reação a essa ideia, especialmente na Alemanha, onde o jurista e historiador Friedrich Karl von Savigny (1779 — 1861) era muito ativo.  Savigny declarou que as leis não podem ser escritas por homens; as leis são desenvolvidas de alguma maneira mística pela alma da toda a unidade.  Não é o indivíduo quem pensa; é a nação — ou uma entidade social qualquer — quem utiliza o indivíduo unicamente para a expressão dos próprios pensamentos dela.  Essa ideia foi muito enfatizada por Marx e pelos marxistas.  Sob esse aspecto, os marxistas não eram seguidores de Hegel, cuja principal noção sobre evolução histórica envolvia uma evolução rumo à liberdade do indivíduo.

Do ponto de vista de Marx e Engels, o indivíduo era uma coisa desprezível e insignificante aos olhos da nação.  Marx e Engels negavam que o indivíduo tivesse alguma função na evolução da história.  De acordo com eles, a história caminha por conta própria.  As forças produtivas materiais progridem independentemente, sem nenhuma relação com os desejos e vontades dos indivíduos.  E os eventos históricos ocorrem com a mesma inevitabilidade de uma lei da natureza.  As forças produtivas materiais funcionam como um diretor de uma opera: assim como este precisa ter um substituto prontamente disponível caso o cantor adoeça, as forças produtivas também têm substitutos disponíveis caso haja algum problema.  De acordo com essa ideia, Napoleão e Dante, por exemplo, não tiveram absolutamente nenhuma importância — se eles não tivessem existido e ocupado seus respectivos e importantes lugares na história, alguma outra pessoa certamente teria surgido e preenchido seus respectivos espaços.

Para entender algumas palavras utilizadas por Marx é necessário entender o idioma alemão.  A partir do século XVII, começou a haver uma batalha contra o uso de palavras em latim, e foi feito um enorme esforço para se eliminar todas as palavras em latim do idioma alemão.  Em muitos casos, uma palavra estrangeira foi mantida, embora também houvesse uma expressão alemã com o mesmo significado.  As duas palavras começavam como sinônimos, mas, ao longo da história, elas iam adquirindo significados distintos.  Por exemplo, peguemos a palavra Umwälzung, a tradução alemã literal da palavra revolução em latim.  Acontece que o termo em latim não continha nenhuma insinuação de briga e violência.  Consequentemente, surgiram dois significados para a palavra "revolução" — um deixava implícita a ideia do uso de violência, ao passo que o outro estava relacionado a uma espécie de gradualismo, uma revolução gradual, como a "Revolução Industrial".  No entanto, Marx utiliza a palavra alemã Revolution não somente para denotar revoluções violentas, como as revoluções francesa e russa, mas também para denotar eventos graduais, como a gradual Revolução Industrial.

De maneira acidental, o termo Revolução Industrial foi criado por Arnold Toynbee (1852 — 1883).  Marxistas dizem que "O que vai promover a derrubada do capitalismo não é uma revolução — veja a Revolução Industrial".

Marx atribuiu um significado especial à escravidão, à servidão e a outros sistemas de sujeição.  Era necessário, disse ele, que os trabalhadores fossem livres para que o explorador os explorasse.  Essa ideia adveio da interpretação peculiar que ele deu à situação do senhor feudal, o qual tinha de cuidar de seus trabalhadores mesmo quando eles não estavam trabalhando.  Marx interpretou as mudanças liberais que ocorreram desde então como uma espécie de liberação do explorador, o qual agora não mais tinha responsabilidades para com as vidas dos trabalhadores.  Marx não percebeu que o objetivo do movimento liberal era a abolição da desigualdade perante a lei, como a que havia entre servo e senhor.

Karl Marx acreditava que a acumulação de capital era um obstáculo.  Aos seus olhos, a única explicação para qualquer acumulação de riqueza era que alguém havia roubado um outro alguém.  Para Karl Marx, toda a Revolução Industrial consistiu simplesmente da exploração dos trabalhadores pelos capitalistas.  De acordo com ele, a situação dos trabalhadores piorou com a chegada do capitalismo.  A diferença entre a situação deles e a situação dos escravos e servos era uma só: o capitalista não tinha nenhuma obrigação de cuidar dos trabalhadores, os quais não mais eram exploráveis, ao passo que o senhor feudal tinha essa obrigação para com seus escravos e servos.  Portanto, de certa forma, Marx afirmava que o capitalismo era ainda mais desvantajoso para os trabalhadores do que a escravidão.

Esta é apenas mais uma das insolúveis contradições do sistema marxista.  Ainda assim, ela é aceita por vários economistas da atualidade, que sequer se dão conta de suas implicações.

De acordo com Marx, o capitalismo é uma etapa necessária e inevitável na história da humana, responsável por arrancar o homem de condições primitivas e conduzi-lo até o milênio (período da justiça, paz e felicidade) do socialismo.  Mas se o capitalismo é um necessário e inevitável passo rumo ao socialismo, então seria uma grande incoerência afirmar, como faz Marx, que o capitalismo é ética e moralmente mau.  Logo, por que Marx ataca os capitalistas?

Marx diz que uma fatia de tudo aquilo que os trabalhadores produzem é apropriada pelos capitalistas e negada aos trabalhadores.  De acordo com Marx, isso é errado.  A consequência é que os trabalhadores ficam impossibilitados de consumir tudo o que foi produzido.  Uma parte do que eles produziram, portanto, permanece sem ser consumida; há um "subconsumo".  Por esse motivo, porque há um subconsumo, ocorrem depressões econômicas regularmente.  Esta é a teoria marxista das depressões: há um subconsumo.  No entanto, Marx contradiz essa sua própria teoria em outro ponto da sua obra.

Os escritores marxistas não explicam como a produção começa com métodos simples e vai, continuamente, progredindo para métodos cada vez mais complicados. 

Tampouco Marx menciona o seguinte fato: por volta do ano 1700, a população da Grã-Bretanha era de aproximadamente 5,5 milhões; já em meados daquele século, a população era de 6,5 milhões, dos quais aproximadamente 500.000 se encontravam completamente destituídos.  O sistema econômico havia produzido uma população "excedente".  Esse problema da população excedente surgiu primeiro na Grã-Bretanha e só depois se espalhou pelo continente europeu.  Isso aconteceu, primeiramente, porque a Grã-Bretanha era uma ilha — logo, não estava sujeita à invasão de exércitos estrangeiros, algo que sempre reduzia a população na Europa.  As guerras que ocorriam na Grã-Bretanha eram guerras civis, as quais eram sangrentas, mas não se prolongavam por muito tempo.  Até que elas cessaram por completo.  E então, como consequência, a 'drenagem' da população excedente desapareceu, o que fez com que o número de pessoas excedentes crescesse.

No continente europeu, a situação era diferente; pra começar, a oportunidade de trabalhar na agricultura era mais favorável do que na Inglaterra.  O velho sistema econômico inglês não era capaz de lidar com a população excedente.  As pessoas que compunham esse excedente eram, no geral, pessoas inúteis — mendigos, ladrões, assaltantes e prostitutas.  Elas eram sustentadas por várias instituições, pelas poor laws,[1] e pela caridade das comunidades.  Algumas eram convencidas a ir para o exército ou para a marinha prestar serviços no exterior.  Havia também pessoas excessivas e desnecessárias na agricultura.  A vigência do sistema de guildas, bem como de outros monopólios nas indústrias de processamento, tornou impossível a expansão da indústria.

Naquela era pré-capitalista, havia uma acentuada divisão entre as classes da sociedade: aquelas que podiam adquirir roupas e sapatos novos, e aquelas que não podiam.  As indústrias de processamento produziam, em geral, apenas para as classes mais abastadas.  Aquelas pessoas que não tinham meios para adquirir roupas novas utilizavam apenas roupas que lhes eram doadas.  Na época, havia um comércio consideravelmente intenso de vestuário de segunda mão — comércio esse que desapareceu quase que completamente quando a indústria moderna começou a produzir também para as classes mais pobres.

Se o capitalismo não tivesse surgido para fornecer os meios de subsistência para essas pessoas "excedentes", elas teriam morrido de inanição.  A varíola era uma das principais causadoras de mortes na era pré-capitalista; hoje, ela já foi praticamente eliminada.  Aperfeiçoamentos na medicina também são um produto do capitalismo.

Aquilo que Marx rotulou como 'a grande catástrofe da Revolução Industrial' não representou absolutamente catástrofe nenhuma.  Muito pelo contrário: ela gerou uma formidável melhoria nas condições de vida das pessoas.  Muitas pessoas que em outras circunstâncias não viveriam muito, tiveram seu tempo de vida ampliado em decorrência dos benefícios produzidos pela Revolução Industrial.  Não é verdade, como disse Marx, que os aprimoramentos na tecnologia estão disponíveis somente para os exploradores, e que as massas vivem hoje em uma situação muito pior do que aquela em que viviam nos primórdios da Revolução Industrial.  Tudo o que os marxistas dizem sobre exploração está absolutamente errado.  Mentiras pérfidas.  A realidade é que o capitalismo possibilitou a sobrevivência de muitas pessoas, pessoas essas que não teriam sobrevivido em outros contextos.  E hoje, várias pessoas, a maioria das pessoas, vivem com um padrão de vida muito superior àquele vivido por seus ancestrais cem ou duzentos anos atrás.

Durante o século XVIII, surgiram alguns eminentes escritores — o mais conhecido deles foi Adam Smith (1723—1790) — que defendiam a liberdade de comércio.  E eles se opunham aos monopólios, às guildas e aos privilégios concedidos pelo rei e pelo Parlamento a determinados produtores.  Simultaneamente, alguns indivíduos bastante engenhosos e astutos, e praticamente sem nenhum capital ou poupança, começaram a reunir uma massa de pobres esfomeados e organizá-los para atividades produtivas.  Essas atividades produtivas ocorriam não dentro das fábricas, mas fora delas; e a produção não se destinava apenas às classes mais abastadas.  Esses produtores recém-organizados começaram a produzir bens simples, voltados justamente para as grandes massas.  Essa foi a grande mudança ocorrida à época; essa foi a Revolução Industrial.  E essa Revolução Industrial aumentou a oferta de alimentos e fez com que houvesse mais bens disponíveis, e isso permitiu um grande aumento da população.  Ninguém foi mais incapaz de perceber o que estava acontecendo do que Karl Marx.  Até o início da Segunda Guerra Mundial, a população havia aumentado de tal forma que agora havia 60 milhões de ingleses.

Podemos hoje dizer com total segurança que, de cada oito pessoas que vivem hoje em países de civilização ocidental, sete estão vivas unicamente por causa da Revolução Industrial.  Você tem certeza de que você é aquele dentre os oito que teria sobrevivido mesmo na ausência da Revolução Industrial?  Se você não tem certeza, então pare por um momento e considere as consequências da Revolução Industrial.

A interpretação feita por Marx da Revolução Industrial também é aplicada à interpretação da "superestrutura".  Marx disse que as "forças produtivas materiais", isto é, as máquinas e ferramentas, geram as "relações de produção", isto é, a estrutura social, os direitos de propriedade e assim por diante, o que, por sua vez, produz a "superestrutura": a filosofia, a arte e a religião.  A "superestrutura", disse Marx, depende da situação de classe dos indivíduos, isto é, se ele é um poeta, um pintor, ume escritor etc.  Marx interpretava tudo o que acontecia na vida espiritual do país por esse prisma.  Arthur Schopenhauer (1788—1860) foi chamado de filósofo dos proprietários de ações e de títulos.  Friedrich Nietzsche (1844—1900) foi chamado de filósofo das grandes empresas.  Para cada mudança de ideologia, para cada mudança na música, na arte, nos livros, no teatro, os marxistas imediatamente surgiam com uma interpretação particular.  Cada livro novo era explicado pela "superestrutura" daquele dia específico.  Cada livro recebia um adjetivo — "burguês" ou "proletário".  A burguesia era considerada uma massa amorfa e reacionária.

Não creia o leitor ser possível um homem praticar uma determinada ideologia durante toda a sua vida sem realmente acreditar nela.  O uso do termo "capitalismo maduro" (ou "capitalismo desenvolvido") mostra o quanto as pessoas, mesmo aquelas que de modo algum se consideram marxistas, foram completamente influenciadas por Marx.  Quase todos os historiadores atuais aceitam a interpretação marxista da Revolução Industrial.  A única exceção parece ser T.S. Ashton.[2]

Karl Marx, no segundo estágio de sua carreira, não era um intervencionista; ele era um defensor do laissez-faire.  Como ele imaginava que o colapso do capitalismo — e sua consequente substituição pelo socialismo — ocorreria somente quando a capitalismo estivesse plenamente maduro, ele era a favor de deixar o capitalismo se desenvolver plenamente.  Sob esse aspecto ele era, em suas escritas e em seus livros, um defensor da liberdade econômica.

Marx acreditava que medidas intervencionistas eram prejudiciais, pois elas atrasavam a chegada do socialismo.  Como os sindicatos sempre exigiam intervenções, Marx era contra eles.  Sindicatos não produzem nada, de qualquer forma; e teria sido impossível aumentar os salários caso os produtores não tivessem realmente aumentado a produção de bens.

Marx alegava que intervenções prejudicavam os interesses dos trabalhadores.  Os socialistas alemães votaram contra as reformas sociais instituídas por Otto von Bismarck em 1881 (Marx morreum 1883).  E, nos EUA, os comunistas foram contra o New Deal.  É claro que o real motivo de sua oposição ao governo era bem diferente.  Nenhum partido de oposição quer conceder muito poder ao partido governista.  Ao criar um programa socialista, o indivíduo tacitamente pressupõe que ele próprio será o planejador ou o ditador, ou que o planejador ou o ditador será completamente dependente dele em termos intelectuais, e que assim ele poderá manipulá-lo como quiser.  Ninguém se concebe como sendo apenas um membro qualquer de um esquema de planejamento criado por terceiros.

Essas ideias de planejamento remontam a Platão e seu tratado sobre o formato da sociedade.  Platão era muito franco e se expressava abertamente.  Ele planejou um sistema que seria governado exclusivamente por filósofos.  Ele queria eliminar todos os direitos individuais e toda a capacidade de decisão dos indivíduos.  Ninguém deveria ter permissão para se locomover, descansar, dormir, comer, beber, se banhar etc., a menos que uma autorização para tal fosse concedida.  Platão queria reduzir as pessoas à condição de meros peões dentro de seu plano.  O que é necessário é ter um ditador que nomeie um filósofo como um tipo de primeiro-ministro ou presidente do comitê central de planejamento da produção.  O programa de todos os socialistas consistentes e perseverantes — Platão e Hitler, por exemplo — planejava também a geração de futuros socialistas, a reprodução, a criação e a educação dos membros futuros da sociedade.

Durante os 2.300 anos decorridos desde Platão, não se registrou quase nenhuma oposição às suas ideias.  Nem mesmo por parte de Kant.  O viés psicológico que existe em favor do socialismo deve ser levado em consideração sempre que se for discutir ideias marxistas.  E essa postura não deve ser restrita apenas àqueles que se consideram marxistas.

Os marxistas negam que existe algo como 'a busca do conhecimento apenas por amor ao conhecimento'.  Porém, nem mesmo nisso eles são consistentes, pois eles próprios dizem que um dos propósitos do estado socialista é justamente eliminar a busca pelo conhecimento.  É um insulto, dizem eles, as pessoas estudarem coisas que são inúteis.

Agora eu gostaria de discutir o significado de se fazer distorção ideológica das verdades.  Segunda Marx, a consciência de classe não é desenvolvida no início, mas ela deve inevitavelmente surgir.  Marx desenvolveu sua doutrina sobre ideologia de classe porque ele percebeu que não podia responder às críticas feitas ao socialismo.  Sua resposta às críticas era, "O que você está dizendo não é verdade.  É só ideologia.  Enquanto ainda não estivermos em uma sociedade sem classes, tudo aquilo em que um homem pensa será necessariamente uma ideologia de classe — isto é, é um pensamento baseado em uma falsa consciência".  Sem nenhuma explicação adicional, Marx presumiu que tal ideologia era útil para a classe e para os membros da classe que a desenvolveu.  Tais ideias tinham como objetivo a busca dos objetivos de sua classe.

Marx e Engels surgiram e desenvolveram as ideias de classe do proletariado.  Por conseguinte, dali em diante, toda a doutrina relacionada à burguesia tornou-se absolutamente inútil.  Talvez alguém possa dizer que a burguesia precisava dessa explicação marxista para corrigir sua má consciência.  Mas por que a consciência da burguesia seria má se a sua própria existência é necessária?  E ela é necessária porque, segundo a própria doutrina marxista, sem a burguesia o capitalismo não pode se desenvolver.  E enquanto o capitalismo não estiver "maduro", não é possível haver nenhum socialismo.

De acordo com Marx, a ciência econômica burguesa, por vezes chamada de "apologética para a produção burguesa", servia apenas para ajudar a burguesia.  Os marxistas poderiam ter dito que a consideração que a burguesia dispensava a essa teoria ruim justificava, tanto aos olhos da burguesia quanto aos olhos dos explorados, o modo capitalista de produção, possibilitando desta forma que o sistema existisse.  Mas essa teria sido uma explicação muito não-marxista.  Em primeiro lugar, de acordo com a doutrina marxista, nenhuma justificativa é necessária para o sistema burguês de produção; a burguesia explora porque ela existe para explorar, assim como os micróbios também exploram porque dependem disso.  A burguesia não necessita de nenhuma justificativa.  Sua consciência de classe já lhe mostra que ela tem de agir assim; a exploração é própria da natureza capitalista.

Um amigo russo de Marx lhe escreveu dizendo que a tarefa dos socialistas deveria ser a de ajudar a burguesia a explorar melhor o proletariado.  Marx respondeu dizendo que isso não seria necessário.  Em seguida, Marx escreveu um pequeno memorando no qual dizia que a Rússia poderia chegar ao socialismo sem ter de passar pelo estágio capitalista.  Na manhã seguinte, ele deve ter se dado conta de que, caso ele admitisse que um país poderia pular uma das inevitáveis etapas rumo ao socialismo, isso iria destruir toda a sua teoria.  Ato contínuo, ele decidiu não enviar esse memorando.  Engels, que não era tão perspicaz, encontrou esse pedaço de papel sobre a mesa de Marx, copiou-o de próprio punho, e enviou para Vera Zasulich (1849 — 1919), que era famosa na Rússia por ter tentado assassinar um comissário de polícia em St. Petersburgo e ter sido absolvida pelo júri — ela teve um bom advogado de defesa.  Essa mulher publicou esse memorando de Marx, o qual acabou se tornando um dos grandes ativos do Partido Bolchevique.

O sistema de capitalismo de livre mercado é um sistema no qual a promoção do indivíduo se dá exatamente de acordo com o mérito.  Aquelas pessoas que não conseguem progredir desenvolvem um grande amargor em sua mente.  Elas relutam em admitir que elas não progridem por causa de sua falta de inteligência e de preparo.  Elas descarregam na sociedade sua raiva pela sua total falta de sucesso.  Muitos culpam a sociedade por sua situação e viram socialistas.

Essa tendência é especialmente forte entre a classe dos intelectuais.  Dado que, entre os profissionais, todos eles se tratam como iguais, aqueles profissionais menos capazes se consideram "superiores" aos não-profissionais, e por causa disso sentem que merecem mais reconhecimento do que o que já recebem.  A inveja desempenha um fator essencial.  Há uma predisposição filosófica entre as pessoas a se sentirem insatisfeitas com o conjunto de situações vigente.  Há insatisfação também com as condições políticas.  Se você está insatisfeito, a tendência é se perguntar qual outro tipo de estado deve ser considerado.

Marx possuía um "anti-talento" — isto é, uma falta de talento.  Ele foi influenciado por Hegel e Feuerbach, especialmente pela crítica de Feuerbach ao cristianismo.  Marx admitiu que a doutrina da exploração foi retirada de um panfleto anônimo publicado na década de 1820.  Sua teoria econômica se resumia a distorções tiradas de David Ricardo (1772 — 1823).[3]

Marx era economicamente ignorante; ele não percebeu que pode haver dúvidas com relação a quais os melhores meios de produção a serem utilizados.  A grande pergunta é e sempre será: qual a melhor forma de utilizar os escassos fatores de produção disponíveis?  Qual a melhor maneira de combiná-los?  Marx presumiu que o que deveria ser feito era muito óbvio.  Ele não compreendeu que o futuro sempre será algo incerto, e que, portanto, é a função de todo empreendedor estar preparado para o futuro desconhecido.  No sistema capitalista, os trabalhadores e os tecnólogos obedecem ao empreendedor.  Sob o socialismo, eles irão obedecer ao burocrata socialista.  Marx não levou em consideração o fato de que há uma diferença entre dizer o que tem de ser feito e fazer aquilo que outra pessoa determinou que tem de ser feito.  O estado socialista é necessariamente um estado policial.

A ideia do estabelecimento de um comunismo puro foi apenas uma tentativa de Marx de se esquivar de responder à pergunta sobre o que aconteceria sob o socialismo.  Sob o socialismo, os condenados saberão que estão sendo punidos em prol de toda a sociedade.

 


[1] Legislação inglesa voltada para a assistência pública aos pobres, datando desde o Período Elisabetano e ganhando uma emenda em 1834, a qual instituiu um sistema altamente centralizado de supervisão nacional.

[2] T.S. Ashton, The Industrial Revolution 1760-1830 (London: Oxford University Press, 1998 [1948, 1961]).

[3] Princípios de economia política e tributação (London: John Murray, 1821 [1817]).



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • david  02/12/2011 06:22
    Mais um artigo excepcional do Mises, perfeito.

    Pessoal. Acho que a palavra Revolução do texto deveria ser Revolution mesmo, essa é a palavra em alemão. O que acham?
  • Leandro  02/12/2011 06:29
    Boa observação, David. Já foi corrigido (o alemão do tradutor não é lá muito avançado...).

    Obrigado!
  • mcmoraes  02/12/2011 08:40
    @LvM: "...Durante os 2.300 anos decorridos desde Platão, não se registrou quase nenhuma oposição às suas ideias. Nem mesmo por parte de Kant..."

    Nunca estudei Filosofia, sou um completo ignorante no assunto; talvez por isso mesmo eu tenha ficado tão surpreso com essa afirmação. Puxa-vida! Nenhum filósofo de peso fez oposição ao cara que "planejou um sistema que seria governado exclusivamente por filósofos"! Que vergonha!
  • Marcelo  02/12/2011 17:19
    Olha, eu acho que não é bem assim. Na própria Política do Aristóteles está cheio de críticas (pesadas) ao Estado platônico, principalmente ao seu comunismo. O que eu acho que o Mises deve ter querido dizer é que não se contestava a idéia mais geral de que a função do Estado era "promover o bem" (ou a virtude dos cidadãos), já que o liberalismo (clássico, ao menos) vê a função do Estado mais como "impedir que o mal aconteça".
  • Gustavo Augusto R. Abreu  02/12/2011 13:53
    Tem que se levar em conta que na época de Platão ainda não existia o Estado Moderno, e as teorias politicas e sociais (como o contratualismo) dos filósofos modernos.\r
    A filosofia política nessa época era incipiente, para não dizer o mínimo.\r
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    Concordo com o artigo do Mises, mas achei meio superficial a refêrencia dele ao Platão, não por causa da critica em sí, que nos dias de hoje é totalmente coerente, mas ele desconsiderou o arcabouçou filósofico por detrás do conceito de "Rei filósofo" de Platão.\r
    Na verdade o que Platão tinha em mente era a constituição de uma cidade onde quem deveria liderar era propriamente o filósofo que segundo sua visão (visão ontólogica, ou metafísica) o fílósofo conseguia "encherga" a realidade constituente do mundo mais do que outras pessoas, pois essas, segundo sua visão, era dominadqs pelas paixões e pelos sentidos, enquanto o filósofo conseguiu suprimi-las e domina-las através do uso da Razão, que para ele era a unica fonte segura e verdadeira de conhecimento para o homem. \r
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  • anônimo  03/12/2011 04:41
    Melhor que o nosso sistema atual pelo menos hehe.
  • anônimo  03/12/2011 11:12
    "O sistema de capitalismo de livre mercado é um sistema no qual a promoção do indivíduo se dá exatamente de acordo com o mérito. Aquelas pessoas que não conseguem progredir desenvolvem um grande amargor em sua mente. Elas relutam em admitir que elas não progridem por causa de sua falta de inteligência e de preparo. Elas descarregam na sociedade sua raiva pela sua total falta de sucesso. Muitos culpam a sociedade por sua situação e viram socialistas"

    Acho que o fator sorte também entraria aqui, pois qual o mérito que uma criança que nasce em uma família rica tem em ter adquirido tal patrimônio? tudo bem que ela não tem culpa em ter sido premiada pela sorte, mas acho que o fator sorte também é determinandte. Do mesmo modo em que uma criança pobre não tem culpa em nascer pobre, vai ter mais dificuldade em adquirir um patrimônio, mas nem por isso também devemos confundir com incompetência apesar do texto não ter nem uma referência sobre este assunto.
  • Catarinense  03/12/2011 16:55
    Anônimo, mas para esta pessoa ( nascida de família rica ) manter o nível do capital familiar ela precisa de competência, não basta nascer numa família rica. Quantos são os que acabam com os negócios da família por conta de sua incapacidade gerencial?

    Abraços!
  • Alex_  03/12/2011 18:51
    Caro, não foi isso que eu quis dizer, em nem uma linha de minha postagem (anônima) vc vai encontrar algo que eu discorde do que vc disse. Só achei o parágrafo um pouco generalista de mais, pois nem todas as pessoas que não progridem criam amargor e se tornam socialistas ou descarregam sua raiva na sociedade, neste ponto achei o texto muito generalizado. E por outro lado eu incluir o fator sorte na determinação do sucesso de algumas pessoas além, claro do mérito e da competência. Eu não considero, por exemplo, competência uma pessoa que ficou rica porque acertou na loteria. E quanto ao mérito, ele é relativo, pois as condições sociais em que nasce cada indivíduo, em meu ponto de vista, também interferem na trajetória de sua ascensão social. Agora, eu concordo com ele, retirando a generalização do texto, caso ele esta se referindo o progresso do indivíduo dentro de sua realidade econômica e social, pois neste caso, poderíamos considerar uma posso competente e inteligente mesmo ela não sendo rica, mas que lutou e trabalhou de maneira honesta durante sua vida produtiva de forma que saiu de uma condição de renda X (inferior) para uma condição de renda Y (superior) em relação a condição (X), o mesmo raciocínio contrário serve para o caso que vc citou me caro. Por fim, se foi isso que Mises quis dizer no final das contas eu simplesmente não entendi.

    Obrigado e abraços!
  • Catarinense  04/12/2011 08:30
    Bom, não pretendo discutir a justiça ou falta de justiça da senhora sorte, e muito menos filosofar sobre como proceder para corrigir supostos equívocos que ela possa vir a cometer.

    Quanto a questão do mérito, esta é uma discussão completamente subjetiva, pois o que você julga ser mérito pode ser diferente do que eu acredito ser mérito. Dificilmente chegaríamos num consenso.

    Quanto à questão do amargor na progressão ou não do indivíduo, vale lembrar que o lucro não é só material, mas pode também ser psíquico, bem como a definição de riqueza não faz jus somente aos bens materias. O amargor, basicamente, ficaria para as pessoas que acham que seriam mais felizes se tivessem mais dinheiro, porém não conseguiram atingir este nível de riqueza que elas acreditam que seriam felizes. Vale lembrar que a colocação de Mises foi em relação a uma sociedade de livre mercado, que simplesmente não é o que temos hoje.

    Abraços!
  • Bruno  03/12/2011 20:19
    Apenas manter um patrimônio é muito mais fácil que construir um do zero.
  • Catarinense  04/12/2011 08:37
    Não necessariamente. A pessoa que constrói o patrimômio do zero tem todo o know-how, e sabe o esforço que foi para construir este patrimônio. Logo o valor que ela dá é diferente. Aquele que de graça recebe não dá o mesmo valor, e tende a ser negligente na manutenção deste, pois a dificuldade que ele atribui à construção de tal patrimônio frequentemente não condiz com a realidade.

    Abraços!
  • Bruno  04/12/2011 09:18
    Então se é mais fácil contruir um patrimônio, porque as pessoas que possuem patrimônio não doam este patrimônio e simplesmete contróem ele novamente?
    Segundo sua lógica seria mais fácil.
  • Cedric  03/12/2011 22:10
    Eu sinceramente acho que essa idéia de "sorte" advém dessa concepção burguesa originária de indivíduo. Quase como se fosse um ente metafísico que se materializou do nada na terra, completamente alheio a tudo, independente de tudo. Quase como se fôssemos espíritos que antes de nascer pegássemos bilhetes para determinar o lugar de nascimento. Tendemos a cair nessa armadilha quando refletimos a respeito de nossa propria condição. Mas não é assim, por trás de nossa existência existe toda uma história biológica e de esforços para nos garantir que estejamos dessa maneira. A situação fica bem clara quando pensamos em nossos próprios filhos. Seu filho não teve "sorte" de nascer em uma família boa, você SE ESFORÇA para dar boas condições a ele e os esforços se acumulam. Não foi "sorte" nenhuma.
    E mesmo se fosse, seria algo igualmente aplicável a todos e impossível de se escapar, então qual o problema?
  • Rodrigo  04/12/2011 00:51
    Claro, não foi sorte, neste caso a condição do filho é consequência do comportamento anterior de seus pais.
    Mas sendo os pais pessoas deliberadamente irresponsáveis, qual a parte de culpa dos filhos nesta hipótese?
  • Cedric  04/12/2011 09:49
    A "culpa" não é de ninguém. Tecnicamente nenhum pai deve ser "obrigado" a dar suporte aos filhos, isso deve ser uma predisposição natural, algo construído a partir de um sentimento que é vantajoso do ponto de vista biológico. Você não pode "culpar" um pai de priorizar apenas 20% de seu tempo e recursos para seu filho porque outros dispõe 80%. É como se TODO filho fosse fatalmente ter uma morte prematura, e cada tempo, cada recurso que os pais aloquem ao filho lhe permita uma chance maior de melhor sobrevivência.

    No sentido de "de onde veio a disparidade" veio da diferente dedicação dos pais para com os filhos. Aqueles que são os diretos responsáveis pelo zelo do filho. O que não se pode fazer é querer que toda a sociedade se ja responsável pelo ônus da má criação.
  • Raphael Auto  04/12/2011 16:17
    Capitalismo não é um sistema exclusivamente meritocrático. No capitalismo as pessoas acabam ganhando mais, não de acordo com o esforço delas, mas de acordo como as outras pessoas da sociedade valoram o trabalho feito por essas primeiras pessoas (estou sendo simplista). Agora, em todo sistema existem bolsões de meritocracia, e o capitalismo é um sistema que possui motivações muito maiores para valorar o trabalho alheio de forma mais meritocrática do que outros sistemas, principalmente quando comparado com o socialismo que prega "A cada um de acordo com suas necessidades e de cada um de acordo com suas possibilidades".\r
    \r
    O sistema capitalista possui, assim como qualquer outro, direitos de propriedade. Dentro desses direitos, estão implícitos direitos de trocar, doar, se apossar e destruir sua propriedade. Dar propriedade e trocar, por exemplo, não exige nenhuma avaliação meritocrática, você pode bancar o seu filho em escolas caras mesmo que ele não ""mereça"". \r
    \r
    Sobre a questão da sorte, não tem muita importância para o caso. Em qualquer sistema a sorte age aleatoriamente não se importando com "mérito". Ou pessoas dentro do socialismo não tem doenças degenerativas horríveis? Justiça distributiva vai salvá-las de algo? Ou seja, criticar a sorte não tem muito sentido, ela é um fator inerente a existência humana, e não ao capitalismo.
  • Cedric  03/12/2011 21:23
    Primeiramente gostaria de dizer que sou estudante de filosofia, tenho interesse por ética e por isso comecei a ler sobre biologia evolutiva, psicologia e economia para não cair no risco de fazer "armchair philosophy". Encontrei o IMB acidentalmente e logo tornei-me um leitor assíduo. Acho excelente o nível médio dos posts aqui e a frequência de postagens.

    De qualquer modo, achei o artigo ótimo, porém Mises cagou no pau aí quando falou de Platão.

    Pra começar, vale lembrar que o que se busca nesse diálogo é definir o que é a justiça e se ela é boa em si e por si. Todo o discurso de Sócrates sobre a cidade não passa de uma analogia para descrever como a justiça se dá no indivíduo, pois para ele ambos são "equivalentes" apenas em dimensões diferente. Pode ver no Livro II 368e.
    Como (quase) todo mundo sabe, ele divide a alma/cidade em 3 partes (Racional/Filósofo; Irascível/Guardiões; Concupiscente/Comerciantes) cada qual tem sua "excelência" Sabedoria, Coragem, Temperança. A justiça seria um ordenamento harmônico interno na qual todas essas excelências afloram, e ao mesmo tempo sustentam a justiça. Ele coloca a razão como "líder" por ser a única capaz de compreender o todo da qual as partes compõe, cabendo apenas "gerenciar" as partes para o bem do todo, sendo ela própria uma subordinada do todo. Nunca seria uma espécie de "ditadura da razão" onde todos se submetem para ela. Inclusive, na analogia dele, os filósofos e guardiões seriam os únicos "comunistas", proibidos de ter propriedade privada (de qualquer tipo), só vivendo com o básico do mínimo necessário.
    E outra, ele sempre deixa bem claro que é apenas um exercício mental, uma cidade em logos, que não tem comprometimento com a concretização.
  • mcmoraes  05/12/2011 06:30
    Oi, Cedric. Apenas para tentar enriquecer o debate, aponto alguém que interpretou Platão diferentemente de você: It Started with Plato. Abraço.
  • Andre Cavalcante  04/12/2011 07:24
    Nada contra a economia e/ou teorias econômicas. Mas todas elas falham em uma coisa: não levam em consideração uma coisa importantíssima: o ser humano.

    Por exemplo: todos acham, implicitamente, que quando se é "pobre" não se é feliz e vice-versa. Não creio que Madre Tereza tenha sido infeliz com a vida que teve, nem tampouco a sua condição social indicaria uma pessoa pouco competente. Idem para Chico Xavier, Irmã Dulce, Gandhi; Einstein, por exemplo, poderia ter sido muito rico, mas para ele resolver os problemas que teve no primeiro matrimônio, abriu mão do Prêmio Nobel recebido, porque precisava ficar livre para pensar. Não se pode dizer que Einstein não tem capacidade por não poder ou saber acumular dinheiro. A lista é grande e não para em um ou outro povo, raça etc.

    Abraço
  • Catarinense  04/12/2011 08:05
    Citando você, André:

    (...)Por exemplo: todos acham, implicitamente, que quando se é "pobre" não se é feliz e vice-versa.(...)


    Isto não é teoria econômica, porém pensamento popular. Você parte do princípio que a ciência econômica é um meio de promover o bem estar social e a felicidade alheia, estou certo?

    Pois quando você diz que elas falham em levar em consideração o ser humano, você se equivoca gravemente. Você se aproxima do que Marx pregou, porém Marx era ignorante das ciências econômicas.


    Abraços!
  • Andre Cavalcante  04/12/2011 09:59
    "Você parte do princípio que a ciência econômica é um meio de promover o bem estar social e a felicidade alheia, estou certo?"

    Não, longe disso, só quis ressaltar que cada qual vê o ser humano de um jeito, o que, por si só, o reduz. As visões holísticas tentam reverter esse processo, mas aí a gente cai no problema da ciência que, pelo método, necessariamente vai ter que olhar um fenômeno qualquer (humano ou natural - se que é que existe de fato essa distinção) sobre um determinado prisma para estudo.

    Os exemplos que coloquei foram de pessoas que reconhecidamente são extremamente competente mas que, em uma ótica puramente econômica (essa visão distorcida de economia, estatismo e liberdade que temos hoje), não seriam (mas é claro que a sociedade tem outros parâmetros para mensurar competência, só quis fechar o ponto no fator acumulação de capital).

    "Você se aproxima do que Marx pregou, porém Marx era ignorante das ciências econômicas"

    Olha, quando eu li "O Capital" (e faz belos anos nisso e foi só o volume 1), sinceramente não entendi muita coisa. A visão do materialismo histórico me incomoda um pouco, porque boa parte das "decisões" históricas não estão simplesmente montadas sobre um arcabouço econômico. Muitas decisões foram e são tomadas por outros motivos (tradição, honra, religião, loucura, orgulho, egoísmo etc.). Se ele era ou não ignorante das ciência econômicas não sei. Se me aproximo dele, também não sei.

    Abraços
  • Fernando Chiocca  04/12/2011 08:37
    Claro, claro.. a ciência econômica, que é simplesmente o ramo mais evoluído da praxeologia, que nada mais é do que a ciência da ação humana, não leva em conta o ser humano!!

    Esse cara é dos bons..

    Andre, já se achou nos 8 bilhões de km² que o Brasil possui? (sic)
  • Alex_  04/12/2011 11:47
    E por isso deveremos rotular de incompetente o filho de pais irresponsáveis? A final de contas ele, independente da culpas ser ou não dos país, já nascerá em uma situação de restrição de oportunidades, tirando as exceções como um Steve Jobs da vida, geralmente seu progresso será mais dificultoso. Ninguém, como vc citou anteriormente, tem culpa desta realidade, porém em meu ponto de vista, e aí estou falando por mim e aqueles que me compreenderam, não considero esta pessoa um incompetente, mesmo que não alcance um padrão de vida elevado, mas que através do seu esforço e competência, aí sim, conseguiu um padrão de vida melhor do que tinha ao seu nascimento. Eu considero isso um progresso, e não cairia no erro de rotulá-lo "incompetente" por mesmo assim não ter um padrão de vida elevado.
    Como meu amigo Catarinense postou assim, isso vai ficar por conta da subjetividade, ou seja, para uns o fato de nascer pobre já será uma questão de incompetência do indivíduo, porém eu prefiro fazer tal análise no decorrer de sua vida produtiva, independente do padrão de vida que tal individuo ocupe, pois estou levando em consideração a condição sócio econômica em que o mesmo vai se encontrar no momento do seu nascimento.

    Em outras palavras, não dá pra generalizar tudo. Em meu ponto de vista, claro!

    Obrigado e abraços!
  • Alex_  04/12/2011 14:35
    *[errata]Essa resposta era pra Cedric, na resposta que ele deu p/ Rodrigo, deu um errozinho aqui. se a equipe do IMB puder alterar o local da resposta eu agradeço.
  • Cedric  04/12/2011 17:53
    Então Alex, a questão é essa, não tem como dissociar o indivíduo de sua historicidade (biológica e social). É como se fosse uma eterna corrida de bastão, não se "inicia" quando o indivíduo nasce, ela já está sempre acontecendo. Os esforços são "cumulativos" O mérito do indivíduo está atrelado ao de seus antepassados e cabe ao indivíduo manter, melhorar ou piorar (relativamente) sua posição, mas se a pessoa já está em uma situação de conforto não tem pra quê ele agir pra sair dela, ou melhorá-la, bastando manter-se. Chamar uma pessoa de competente ou incompetente é, no fundo, falar de sua "linhagem".

    O problema é que geralmente as pessoas terminam caindo em uma das duas seguintes concepções:
    Ou tentam uma espécie de "igualitarismo" tentando anular todo esforço (ou negligência) dos antepassados pra que todo mundo tenha um "começo igual". É aquele pessoal que usa termos como "injustiça histórica" (como se tivesse um condutor na história que determinasse tudo pra cometer justiças ou injustiça).
    Ou então um ceticismo do tipo "não tem como determinar o mérito dos indivíduos isolados, portanto não falemos sobre", mas a questão é que nós meio que "precisamos" desses tipos de qualificações.

    Acho que ficou meio confuso, é porque tou com cansado e com sono, indo dormir agora u.u
  • Carlos Araujo  05/12/2011 17:02
    para uns o fato de nascer pobre já será uma questão de incompetência do indivíduo

    Hein?
  • marco  12/12/2011 16:39
    anarkokapitalismo= al sosialismo q marx describia como el mas acertado (leanlo, nunca dijo que seria bueno, ni malo, ni bonito, ni feo)
  • vanderlei  17/12/2011 09:45
    Foi assim que me fodi no Brasil.\r
    \r
    www.pampalivre.info/noticias.htm\r
    \r
    O "DECÁLOGO", os 10 mandamentos para implantar uma ditadura\r
    Escrito por Lênin em 1913\r
    \r
    1 - Corrompa a juventude e dê-lhe liberdade sexual;\r
    2 - Infiltre-se e depois controle todos os veículos de comunicação de massa;\r
    3 - Divida a população em grupos antagônicos, incitando-os a discussões sobre assuntos sociais;\r
    4- Destrua a confiança do povo em seus líderes;\r
    5- Fale sempre sobre Democracia e em Estado de Direito, mas, tão logo haja oportunidade, assuma o Poder sem nenhum escrúpulo;\r
    6- Colabore para o esbanjamento do dinheiro público; coloque em descrédito a imagem do País, especialmente no exterior e provoque o pânico e o desassossego na população por meio da inflação;\r
    7- Promova greves, mesmo ilegais, nas indústrias vitais do país;\r
    8- Promova distúrbios e contribua para que as autoridades constituídas não as coíbam;\r
    9- Contribua para a derrocada dos valores morais, da honestidade e da crença nas promessas dos governantes. Nossos parlamentares infiltrados nos partidos democráticos devem acusar os não-comunistas, obrigando-os, sem pena de expô-los ao ridículo, a votar somente no que for de interesse da causa socialista;\r
    10- Procure catalogar todos aqueles que possuam armas de fogo, para que elas sejam confiscadas no momento oportuno, tornando impossível qualquer resistência\r
  • Luiza  15/04/2019 16:54
    Alguém sabe como posso fazer a referência desse artigo de acordo com as normas da ABNT?
  • Luiz Fernando  25/05/2019 00:46
    Eu comecei a ler e pensei que o texto fosse de um desses fanáticos que acreditam no poder crítico da ignorância. Depois é que eu vi que é de autoria do austrólogo-mor. Pegou o marxismo de Stálin e achou que estava falando de Marx. É um texto que só deve ser lido se, do começo ao fim, o leitor inverter o sentido das frases.


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