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Por que a definição de probabilidade é importante

Poucos debates nas ciências sociais são ostensivamente mais enfadonhos e supérfluos do que aqueles que envolvem a definição de palavras.  Se um grupo de pessoas decide definir uma determinada palavra de um jeito, ao passo que outro grupo resolve definir essa mesma palavra de um jeito completamente diferente, por que alguém deveria se importar com isso?

No entanto, acontece que as definições das palavras podem frequentemente ter implicações profundas para as ciências sociais.  São vários os exemplos em que as definições de palavras isoladas tiveram um impacto importante e duradouro na história do pensamento daquela disciplina em que elas foram adotadas.  As palavras "inflação", "capitalismo", "socialismo", "direito", "liberdade", e até mesmo a própria palavra "ciência" já foram definidas de incontáveis e, algumas vezes, até mesmo contraditórias maneiras; e cada definição influenciou profundamente os pensadores que as adotaram.

Neste artigo, irei centrar-me na definição de uma palavra em particular: probabilidade.  Tentarei demonstrar que a definição que escolhemos adotar para esta aparentemente inócua palavra possui importantes implicações metodológicas e epistemológicas para as ciências sociais.

Para cumprir este objetivo, primeiro ofereço uma discussão sobre as duas definições mais gerais de probabilidade: as chamadas definições objetivas e subjetivas.  Subsequentemente, farei uma análise sobre algumas das implicações metodológicas e epistemológicas para as ciência sociais que inevitavelmente foram geradas pela adoção de cada uma dessas definições.  Concluirei, então, com uma breve defesa da definição subjetiva de probabilidade, a qual, argumento, é a definição que somos forçados a adotar em decorrência da natureza do mundo real.

As duas definições gerais de probabilidade

No nível mais geral e abstrato, há duas definições de probabilidade que podem ser adotadas por cientistas sociais (e também por cientistas naturalistas).  De um lado, podemos optar por definir probabilidade como sendo uma mensuração de uma característica objetiva, real e física.  De acordo com esta definição objetiva, a probabilidade deveria ser concebida como algo que existe "lá fora" no mundo, e que deve ser mensurada, registrada e analisada da mesma maneira que fazemos, por exemplo, com a dureza de diferentes metais.  Assim como o alumínio e o cobalto possuem diferenças físicas reais, as quais podemos observar e mensurar, o mesmo ocorre com coisas e eventos, os quais também possuem probabilidades físicas reais e distintas que podem ser observadas e mensuradas.

Por outro lado, podemos optar por definir probabilidade não como sendo uma característica objetiva e física existente no mundo real, mas sim como uma mensuração das crenças subjetivas do homem a respeito do que irá ocorrer no mundo.  De acordo com esta definição subjetiva, não existe algo como probabilidades físicas "lá fora" no mundo, pois as coisas que existem no mundo são todas elas governadas pelo princípio da "causalidade" — o que significa que nada que acontece no mundo é aleatório ou acidental.[1]

Na natureza, um evento ocorre porque alguma força ou algum conjunto de forças fizeram com que ele ocorresse.  As folhas não caem das árvores sem nenhum motivo, assim como qualquer outro evento no mundo não ocorre sem absolutamente nenhum motivo.  Similarmente, no âmbito da ação humana, uma ação ocorre porque o indivíduo avalia que agir é melhor do que não agir.  Não existe nenhuma ação que ocorreria no mundo sem qualquer razão aparente.  Há, portanto, uma explicação causal para tudo o que ocorre no mundo, de acordo como a definição subjetiva; e a probabilidade é uma maneira de o homem mensurar e tentar superar sua ignorância a respeito destas explicações causais. 

O cientista social deve decidir quais destas duas definições gerais de probabilidade ele irá adotar.  Se ele estiver honestamente procurando entender o mundo em que vive, ele terá de adotar aquela definição de probabilidade que corretamente descreva o fenômeno que ele está procurando definir e estudar.

Ele obviamente é livre para adotar uma definição de probabilidade que não tenha relação nenhuma com o mundo real, assim como ele é livre para adotar uma definição de "dureza" que não tenha significado algum no mundo real.  No entanto, ao fazer isso, ele estará correndo o risco de abandonar o âmbito da ciência e entrar na esfera da fantasia.  O homem comprometido com a verdadeira ciência procura descrever e entender o mundo real, e não conceitos fictícios formados por sonhos e fantasias.

Implicações da definição objetiva de probabilidade

Há várias implicações metodológicas e epistemológicas importantes decorrentes da adoção de uma definição objetiva de probabilidade.  Primeiro, do lado epistemológico, há a implicação de que existe apenas uma probabilidade "correta" para qualquer evento ou fenômeno no mundo; e essa probabilidade deve ser relativamente bem mensurada pelos cientistas.  Assim como existe somente uma dureza "correta" e "objetiva" para o elemento cobalto, existe também apenas uma probabilidade "correta" e "objetiva" de chuva para amanhã em Londres.  Dificilmente haveria uma definição objetiva de probabilidade se houvesse inúmeras e concorrentes probabilidades para um dado evento.   

O objetivo do cientista que investiga problemas desse tipo seria, portanto, buscar métodos capazes de revelar, não importa o quão imperfeitamente, a única probabilidade objetiva e correta para qualquer evento que ocorra a qualquer dado momento do tempo.[2]  Um importante corolário disso é que os cientistas são propensos a imaginar que há apenas um método legítimo para mensurar corretamente as probabilidades objetivas.  Assim como há métodos padronizados e universalmente reconhecidos para se mensurar comprimentos e pesos, há também apenas uma maneira "correta" e "científica" de se mensurar probabilidade.[3]

Outra importante implicação de uma definição objetiva de probabilidade é que a probabilidade irá necessariamente ser concebida como uma característica que poderá ser conhecida apenas a posteriori, por meio da mensuração.  Assim como não podemos saber o comprimento ou a dureza de um dado objeto antes de ele ser mensurado, também não teríamos nenhuma indicação quanto à probabilidade de algum evento ocorrer sem que ele fosse de fato mensurado.  A óbvia implicação metodológica disso é que os cientistas inevitavelmente terão de se concentrar exclusivamente em dados passados a fim de estipular probabilidades, independentemente dos métodos específicos que eles escolham empregar.  Em suas raízes, portanto, o defensor de uma definição objetiva de probabilidade é apenas um empirista.

Ademais, ao tratarem a probabilidade como uma característica que pode ser conhecida somente a posteriori, cientistas sociais e naturais que sejam consistentes terão inevitavelmente de tratar aqueles eventos para os quais não existem dados passados como estando completamente fora do escopo da probabilidade.  De novo, assim como não temos a capacidade de determinar o comprimento exato de um vergalhão de aço sem que o mensuremos, nós também somos incapazes de dizer qual é a probabilidade de algum evento futuro a menos que tenhamos algumas mensurações a posteriori de fenômenos similares para utilizarmos como guia.  Portanto, se adotarmos uma definição objetiva de probabilidade, não é possível fazer declarações quanto à probabilidade de eventos totalmente peculiares e sem precedentes.[4]

Uma mais ampla e mais importante consequência epistemológica e metodológica de se tratar a probabilidade como sendo uma característica objetiva das coisas do mundo é que a probabilidade torna-se propensa a ser imaginada como uma área pertencente apenas às ciências naturais.  Se as coisas tiverem probabilidades físicas e objetivas "embutidas" nelas, da mesma maneira que as coisas possuem pesos e comprimentos inerentes e objetivos, então a mensuração dessa característica física em nada diferirá, em princípio, da mensuração de qualquer outra característica física e objetiva existente no mundo.  Será simplesmente uma característica a ser identificada e mensurada por cientistas naturalistas isentos, da mesma forma que cientistas naturalistas mensuram o peso de hipopótamos, a intensidade de furacões, ou a altura média de anões.  Não se está dizendo que o cientista social não pode fazer uso de mensurações baseadas em probabilidades objetivas em suas pesquisas empíricas, mas sim que, ao coletar dados desse tipo, o cientista social não está agindo como um cientista social per se.

Uma analogia adequada seria aquela do cientista social que faz medições de pressão arterial ao longo de sua pesquisa.  Ao medir a pressão arterial, o cientista social não está atuando como um cientista social per se; mais especificamente, ele está simplesmente adotando métodos de mensuração que já foram desenvolvidos anteriormente pelas ciências naturais e então utilizando os dados desta forma obtidos para a sua pesquisa social.  Não faria nenhum sentido dizer que os métodos específicos utilizados para mensurar a pressão arterial com uma máquina especialmente criada para tal objetivo seria uma área das ciências sociais; logo, se a probabilidade for concebida como uma característica física objetiva "embutida" nas coisas do mundo, então ninguém pode dizer que a mensuração de probabilidades objetivas é uma área das ciências sociais.

Implicações da definição subjetiva de probabilidade

As implicações para a ciência social geradas pela adoção de uma definição subjetiva de probabilidade são radicalmente distintas daquelas geradas pela adoção de uma definição objetiva.  Em primeiro lugar, uma definição subjetiva de probabilidade não implica que os cientistas devam imaginar que há somente uma probabilidade "correta" ou "objetiva" para qualquer dado evento.

Ao contrário: dado que a definição subjetiva de probabilidade significa que a probabilidade é uma medida das crenças subjetivas do homem acerca da possibilidade da ocorrência de algum evento, isso significa que o número de probabilidades — que pode concebivelmente existir no mundo a um dado momento qualquer — para o mesmo evento está limitado somente pelo número de pessoas no planeta.  Cada uma dessas diferentes probabilidades representaria uma medida das crenças subjetivas de algum indivíduo a respeito da possibilidade da ocorrência do evento em questão, baseada naquela evidência que ele julga ser relevante para a ocorrência do evento.

Isso, no entanto, não significa que todas essas probabilidades concorrentes devem ser tratadas como prognosticadoras igualmente valiosas para a ocorrência do evento.  Alguns indivíduos já desenvolveram — e outros irão desenvolver — métodos que demonstram ser prognosticadores bastante confiáveis para certos eventos, e estes métodos, bem como as probabilidades que eles geram, ganharão sem dúvida nenhuma um respeito que as probabilidades desenvolvidas por outros indivíduos não ganharão.  Porém, uma definição subjetiva de probabilidade abre o campo da probabilidade para uma ampla variedade de diferentes métodos e maneiras de se mensurar probabilidades — algo que seria impossibilitado caso se adotasse uma definição objetiva.

A observação acima possui uma implicação acidental para a ciência social: ela faz com que o cientista concentre sua atenção em prever corretamente os eventos futuros em vez de obsessivamente procurar pelo método "correto" — e tentar aperfeiçoá-lo — a ser empregado em cada ocasião.  Sem nenhuma barreira em seu caminho estipulando que ele pode empregar apenas um determinado método de calcular probabilidades, o cientista social está livre para utilizar quaisquer métodos que ele possa criar ou pegar emprestado para prever resultados.  Ele provavelmente irá buscar e utilizar métodos que possuem um comprovado histórico de previsões corretas em situações similares; porém, mesmo se ele optar por empregar um novo e ainda não atestado método, este método estará sujeito às provações do mundo real.  Ou ele será bem sucedido ou será incapaz de prever corretamente os resultados.  Em ambos os casos, o cientista social não poderá deixar suas previsões envoltas em um manto de autoridade miraculosa e anormal, simplesmente porque ele, afinal, utilizou um método específico para fazer suas previsões.

A definição subjetiva de probabilidade também solapa a ideia de que somente dados a posteriori podem ser legitimamente utilizados para gerar probabilidades.  De acordo com a definição subjetiva, probabilidades são apenas mensurações das crenças do indivíduo quanto à possibilidade de que algo irá ou não irá ocorrer no mundo, de modo que não há razão pela qual os cientistas não possam legitimamente fazer uso de informações apriorísticas, de opiniões de especialistas, de informações indiretas, ou de qualquer outra coisa que eles possam considerar relevantes para prever o resultado de um determinado evento.

De novo, com uma definição subjetiva de probabilidade, a única mensuração importante quanto à utilidade de um método é a acurácia com que ele consegue prever resultados futuros sobre os quais o indivíduo até então estava incerto.  A definição subjetiva não obriga o cientista social a seguir a dogmática determinação de que somente dados a posteriori podem ser utilizados para mensurar sua incerteza.  No mínimo, a definição subjetiva adverte o cientista social de que ele deve ir a campo e coletar informações que ele possa utilizar com o intuito de melhor prever aquilo sobre o que ele e outras pessoas estão incertos.

Outra implicação criticamente importante da definição subjetiva de probabilidade é que ela permite o cálculo de probabilidade para eventos e fenômenos peculiares.  Já a definição objetiva, como mostrado acima, baseia-se no uso de dados a posteriori coletados para casos similares, o que impede o cálculo de probabilidades para casos singulares que não apresentem antecedentes.

No entanto, como a definição subjetiva não requer o uso de dados a posteriori, ela não impede — ao contrário da definição objetiva — o cálculo de probabilidades para casos peculiares.  Todos os fenômenos do mundo podem, portanto, ser alvo de mensurações probabilísticas, pois o homem é ignorante ou incerto, em maior ou menor grau, quanto a praticamente tudo o que ele encontra no mundo.  A definição subjetiva estimula o homem a ir a campo e mensurar sua incerteza a respeito de qualquer coisa que ele encontrar pela frente.

A implicação de tudo isso é que a definição subjetiva de probabilidade, ao contrário da definição objetiva, não isola o cálculo de probabilidade para as ciências naturais.  Dado que a definição subjetiva permite o cálculo de probabilidades para eventos e fenômenos peculiares, isso obviamente inclui o cálculo de probabilidades para ações humanas peculiares para as quais não há antecedentes e nem dados passados.

A definição subjetiva, portanto, aceita entusiasmadamente o uso de probabilidades em todos os campos da ciência, e não apenas nas ciências naturais.  Isso é algo fortuito, pois o homem frequentemente é tão incerto sobre se o seu vizinho irá pôr o lixo pra fora amanha quanto o é sobre o tempo que fará hoje à tarde; e a definição subjetiva de probabilidade o estimula a mensurar sua incerteza tanto no primeiro caso quanto no segundo.

Qual definição é a correta?

Uma análise das implicações das possíveis definições de probabilidade, por si só, não nos ajuda a determinar qual delas é a correta.  As implicações das definições são úteis somente na medida em que elas ressaltam o fato de que a definição que escolhermos adotar não será algo inconsequente ou trivial.  A questão que permanece, portanto, é: qual é a "correta"?

A resposta, eu sugeriria, é que a definição subjetiva é a definição correta para o mundo em que vivemos, pois vivemos em um mundo em que os eventos e ações jamais ocorrem sem absolutamente nenhum motivo.  Os eventos e fenômenos que ocorrem na natureza ao nosso redor sempre ocorrem por uma razão causal.  As coisas caem ao chão por um motivo.  As coisas se incendeiam por um motivo.  As coisas crescem por um motivo.  Todos os eventos naturais que ocorrem no mundo ocorrem por uma razão causal, e a própria ciência natural se baseia na ideia de que o homem pode descobrir e entender os fatores causais que governam o mundo.

Exatamente por ser assim, as coisas naturais não possuem uma mística "probabilidade" embutida nelas; mais especificamente, elas se comportam de acordo com as leis causais da natureza.  A probabilidade no mundo real, portanto, é meramente uma mensuração da incerteza do homem quanto aos fatores causais em ação na natureza.

Se o homem conhecesse cada fator causal que afeta cada evento da natureza, ele saberia o resultado de tudo antecipadamente.  Ele jamais necessitaria da probabilidade, e jamais a utilizaria.

Similarmente, no âmbito da ação humana, as ações sempre ocorrem por uma razão causal.  O indivíduo vai ao supermercado por um motivo.  Ele bebe álcool por um motivo.  Ele pinta sua casa por um motivo.  Toda e qualquer ação humana ocorre porque o indivíduo subjetivamente prefere agir a não agir, e o estudo da ação humana (praxeologia) é em si mesmo baseado na ideia de que o homem pode descobrir e compreender a lógica que governa o âmbito da ação humana.

Por ser assim, sabemos que os seres humanos não possuem uma mística "probabilidade" embutida neles; mais especificamente, eles sempre agem de acordo com suas crenças e valores subjetivos.  A probabilidade no mundo humano é, portanto, meramente uma mensuração da incerteza do homem quanto às crenças e valores subjetivos que influenciam as ações de outros homens.

Se o homem conhecesse cada fator subjetivo que afeta cada ação específica, ele saberia antecipadamente dos resultados.  Ele jamais necessitaria da probabilidade, e jamais a utilizaria.

Se, contrariamente aos fatos, as ações e os eventos ocorressem no mundo sem absolutamente nenhum motivo, poderia haver uma justificativa para dizer que as coisas possuíam probabilidades "embutidas" nelas, as quais o homem poderia mensurar.  Mas o mundo não é constituído desta forma.  Tudo que ocorre no mundo ocorre por um motivo, e se o homem conhecesse todos os fatores que afetam cada ação ou resultado, ele saberia antecipadamente e com exatidão quais seriam os resultados.

No entanto, o homem não é onisciente, e é por isso que ele utiliza a probabilidade para o ajudar a prever resultados — ele faz isso mensurando sua incerteza quanto aos possíveis resultados.  A incerteza, no entanto, reside nele próprio, e não "lá fora" no mundo;  portanto, a probabilidade é uma mensuração subjetiva da incerteza humana, e não uma mensuração de alguma coisa qualquer no mundo.



[1] Sobre o princípio da causalidade, ver, por exemplo, Ludwig von Mises, Theory and History (Auburn, Ala.: Ludwig von Mises Institute, 1985), p. 74, Ibid., Ação Humana 4th ed. (Irvington-on-Hudson, NY: Foundation for Economic Education, 1996), p. 22; e Hans-Hermann Hoppe, A Ciência Econômica e o Método Austríaco  (Auburn, Ala.: Mises Institute, 1995), pp. 77?78.

[2] Uma analogia óbvia ao argumento sendo aqui apresentado pode ser encontrada no campo da inferência estatística, em que o pesquisador tenta estimar o "verdadeiro" valor de uma determinada constante através de uma amostra populacional.  Ainda que o pesquisador jamais esteja na posição de saber o real valor dessa constante , ele mesmo assim tenta estimar esse valor da melhor maneira possível, considerando-se os dados disponíveis com os quais trabalhar.  Similarmente, se a probabilidade é imaginada como sendo uma propriedade física "real" das coisas, então o objetivo do pesquisador é estimar ou descobrir esse valor da melhor forma possível, considerando-se os dados disponíveis com os quais trabalhar.

[3] Para a mais dogmática afirmação desta ideia, ver Richard von Mises, Probability, Statistics and Truth (New York: Chapman and Hall, 1988).

[4] Para uma análise dessa ideia, ver Ludwig von Mises, Ação Humana, capítulo VI.

 


autor

Mark R. Crovelli
é pos-graduado em ciência política pela Universidade do Colorado.

  • Vinicius Aguilar  29/11/2011 06:16
    Se eu entendi o ponto do autor direito, surge em minha opinião 2 pontos, um positivo outro negativo, o fator subjetivo permite que cada pessoa "escolha" com qual intensidade acreditar na probabilidade e qual risco correr por exemplo, agora, isso demonstra como as pessoas ficam vulneráveis a mídia por exemplo, como se essa definição de probabilidade fosse a base daquela teoria da expiral do silencio.
  • Fabio  29/11/2011 07:33
    Apesar de toda ciêncua buscar relações de causa-efeito, essas relações podem ocorrer de maneira probabilistica. Por exemplo temos a mecânica quântica e o behaviorismo radical, que possuem leis probabilísticas.
  • Tarik Morato Simao  29/11/2011 08:35
    De toda forma Fábio, o fato da ciência atual explicar alguns fenômenos (ex. quânticos) de forma probabilística não prova que não há maneira causal de explicar-los, apenas evidencia a ignorância humana.
  • Fernando Chiocca  29/11/2011 07:55
    Artigo excelente e importantíssimo, pois a ignorância nesta área impera.
    E isso foi comprovado pelas declarações e comentários estapafúrdios sobre a nova fascínora e draconiana Lei Seca.

    O Mark Crovelli, filho do matemático Robert Crovelli é especialista nesta área, e, não por acaso, é um dos maiores críticos das tentativas de se coibir motoristas de dirigirem após beber.

    Seus artigos sobre o tema são respostas fulminates e definitivas contra os defensores dessas "leis":

    The Pathetic Argument for Prohibiting Drunk Driving

    Drunk-Driving Laws Are Absurd

    A Primer on Logic - For Drunk Driving Prohibitionists

    Drunk Driving vs. Sober Driving: What's the Difference?

    Drunk Driving Laws Cause Drunk Driving Accidents

    The Fact That Drunk Drivers 'Choose' to Drive Drunk Is Completely Irrelevant

    Prohibiting Drunk Driving Is Not Self-Defense

    Thanks To Mothers Against Drunk Driving, I'm a Dangerous Driver

    How To Convince Men To Drive Drunk
  • Tárik Morato Simão  29/11/2011 08:09
    Muito interessante o artigo, compartilho da mesma opinião que o autor e também aposto na 100% de causalidade do mundo. Mas, admito que isso pode estar errado pelo mesmo argumento usado pelo autor: "o homem não é onisciente, e é por isso que ele utiliza a probabilidade para o ajudar a prever resultados — ele faz isso mensurando sua incerteza quanto aos possíveis resultados". Não há (até então) maneira matemática de demonstrar a impossibilidade do acaso, portanto não vejo razão para admitir a questionabilidade do pressuposto de que tudo é 100% causal.
  • Andre Cavalcante  29/11/2011 09:27
    Olá a todos,

    Probabilidade é simplesmente um cálculo da nebulosidade de um fenômeno qualquer. Por exemplo, alguém chega em uma loja, vê uma promoção de um item que estava a um tempo esperando e, ainda assim, há uma nebulosidade se a pessoa irá ou não comprar o item. Não tem nada a ver com o critério usado para o cálculo, se "objetivo" ou "subjetivo" como o autor coloca. Na verdade não há nada de objetivo em probabilidade: se feito a partir de medições históricas ou se leva em conta a subjetividade humana não tem a ver com a probabilidade das coisas em si, mas com o método empregado, que pode ser qualquer um, uns mais ou menos "confiáveis" (se é que se pode empregar tal termo em probabilidade).

    Ao Tárik: 100% de causalidade do mundo é fato, o problema é que não temos como saber 100% dessa causalidade. O Teorema de Gödel o proíbe. Logo, uma medida estatística sobre os fenômenos é sim importantíssima e, é sim, uma forma de conhecer o mundo, justamente a sua causalidade e efeitos, mesmo dentro de uma nuvem de nebulosidade (de dúvida). Por exemplo, toda comunicação humana é passível de ruído, o que pode (e é) estudado dentro do conceito de Processos Estocásticos (probabilidades) e, mesmo considerando a nebulosidade do fenômeno, a Internet é a prova viva de a coisa funciona!

    Não entendo nada de ciências humanas, mas o autor foi infeliz em suas colocações sobre o uso da probabilidade em ciências naturais (admitindo que o que ele chama de ciências naturalistas sejam a química, a física e a biologia) as quais baseiam-se em princípios matemáticos, a qual define claramente o que é probabilidade e os seus fenômenos (note que fenômenos determinísticos ainda podem ser estudados à luz das probabilidades, mas não o oposto).

    Abraços
  • mcmoraes  29/11/2011 09:58
    @Andre Cavalcante: "...Não tem nada a ver com o critério usado para o cálculo, se "objetivo" ou "subjetivo" como o autor coloca. Na verdade não há nada de objetivo em probabilidade..."

    De acordo com o dicionário, os conceitos de "subjetivo" o "objetivo" são complementares; portanto, por definição o que não é uma coisa é, obrigatoriamente, outra.
  • Fernando Chiocca  29/11/2011 10:28
    E ainda, pelo que entendi do comentário do André, ele concorda com o autor, apesar de ter dito que ele foi infeliz.
  • Andre Cavalcante  29/11/2011 16:26
    Oi. Então acho que não entendi. Acontece!
    Vou estudar um pouco mais o ponto de vista do autor. Talvez chegue as suas conclusões
    Abraços
  • Andre Cavalcante  29/11/2011 19:11
    Não, não. Pensei ter entendido errado o texto, mas analisando melhor é isso que havia escrito. Eis um fragmento do texto:

    "Se o homem conhecesse cada fator subjetivo que afeta cada ação específica, ele saberia antecipadamente dos resultados. Ele jamais necessitaria da probabilidade, e jamais a utilizaria."

    Mesmo se alguém conhecesse cada fator subjetivo que afeta cada ação específica, criaria assim um modelo de mundo (um sistema), mesmo assim ele não saberia antecipadamente os resultados, a não ser por uma margem, essa é a probabilidade. Isso se dá porque é impossível que uma tal teoria seja completa ou consistente, o que foi provado por Gödel ainda no início do século XX.

    Por outro lado essa de discutir objetividade ou subjetividade em probabilidade é meio esquisito (como disse em ciências naturais, as quais são baseadas na matemática e, como disse, nada sei de ciências humanas, vá lá que mudaram o conceito de probabilidade para qualquer coisa estranha, sei lá). Probabilidade é uma grandeza definida objetivamente para justamente tratar de fenômenos onde há dúvida (por exemplo, podem ter natureza subjetiva, dependem da escolha de alguém, ou são sujeitos a ruídos aleatórios etc.). Pode-se discutir métodos de computar a probabilidade, seja por medições, levando em conta suposições sobre o fator subjetivo inerente ao fenômeno etc., mas isso não muda o conceito de probabilidade, que continua sendo uma ferramenta para descrever um fenômeno nebuloso.

    Há até um campo da lógica associada a "verdades" nebulosas (fuzzy). Também é esquisito se dizer que há uma probabilidade correta ou não, ou se há várias probabilidades ou não. Probabilidade já é isso, a possibilidade ou não da ocorrência do fenômeno (ou como alguns colocam: a medida do desconhecimento das coisas). Se há mais de um probabilidade, por que depende do método utilizado, então há várias visões sobre o fenômeno, só isso (ou por outra, há vários níveis de desconhecimento sobre o mesmo).

    Abraços
  • Tiago RC  30/11/2011 01:48
    Ontem eu tentei deixar um comentário aqui, mas deu erro e pelo jeito não foi.

    Eu disse que não concordava com o autor.

    Cálculo probabilístico é algo objetivo. Pra mim o autor está querendo redefinir o vocabulário. O que ele chama de "probabilidade subjetiva" é especulação. E veja bem, não uso a palavra especulação aqui com o mesmo tom que esquerdistas costumam utilizá-la, carregado de conotação negativa. Especulação pode muito bem ser baseada em métodos rigorosos. Como a bela Praxygirl já nos explicou, especulação é apenas uma das formas das pessoas agirem. Ações baseadas em cálculos probabilísticos já entrariam na categoria de ação que ela chama de "engenharia".

    Além disso, o autor está incorreto quando diz que o cientista que busca definir uma probabilidade (objetiva) possui barreiras "em seu caminho estipulando que ele pode empregar apenas um determinado método de calcular probabilidades". O melhor método conhecido não necessariamente é o melhor método possível, e podem existir especializações para casos específicos. Logo, ele pode muito bem tentar seu próprio método.

    Finalmente, não vejo porque a não existência de fenômenos puramente aleatórios invalidaria o cálculo probabilístico. Pelo contrário, se tudo é uma relação de causa-efeito, então mais ainda que podemos tentar calcular probabilidades de maneira objetiva.

    E Fernando, isso não tem nada a ver com a discussão que rolou no seu artigo sobre álcool no voltante. Pouco importa que exista uma probabilidade maior ou não de uma pessoa cometer um crime sob determinadas condições, isso não faz dessa pessoa um criminoso.
  • Fernando Chiocca  30/11/2011 06:10
    Tiago, você também não entendeu o ponto.

    Você misturou probabilidade com especulação. Sim, uma pessoa pode inventar qualquer método de calcular a probabilidade de seu vizinho colocar o lixo amanhã e agir de acordo com este cálculo, mas isso não quer dizer que o vizinho possua embutida nele uma probabilidade. Você vai agir baseado na sua vontade que foi baseada num cálculo de probabilidade, conforme o autor disse. Seu vizinho vai colocar o lixo pra fora amanhã ou não, por qualquer outro motivo.. mas tudo terá um fator causal, independente de probabilidade.

    E Fernando, isso não tem nada a ver com a discussão que rolou no seu artigo sobre álcool no voltante. Pouco importa que exista uma probabilidade maior ou não de uma pessoa cometer um crime sob determinadas condições, isso não faz dessa pessoa um criminoso.

    É piada?
    Eu sei que probabilidade não faz de uma pessoa um criminoso, mas todos que passaram, impõem e apoiam esta "lei" não sabem.
  • Tiago RC  30/11/2011 06:26
    O que quis dizer é que você não precisa redefinir o conceito de probabilidade para algo subjetivo para provar que essas pessoas estão erradas.
  • msant  12/12/2011 08:22
    Concordo com o André e com o Tiago RC: Cálculo probabilístico é algo objetivo. Normalmente, quando se realiza um cálculo probabilísitico, se usa a quantidade de possibilidades que existem, por exemplo, meu vizinho pode levar o lixo pra fora amanhã ou pode não levar, são 2 possibilidades, então existe 50% de probabilidade de ocorrer uma coisa ou outra. Não interessa saber as razões que vão levá-lo a tirar o lixo de casa (por exemplo, evitar o mau cheiro ou a proliferação de baratas) ou não (por exemplo, ele simplesmente esqueceu!!! ou está com preguiça). \r
    \r
    Agora o cálculo probabilístico começa a se complicar quando repetimos o experimento e esperamos ter determinado resultado, por exemplo, meu vizinho tirou o lixo hoje, qual a probabilidade dele repetir isso amanhã?? Qual a probabilidade dele retirar o lixo de casa 3 dias seguidos? Novamente, não interessam as razões dele, o cálculo é feito com base na quantidade total de possibilidades.\r
    \r
    Pelo que entendi (não sou economista, nem cientista social), na probabilidade subjetiva, não existe exatamente um cálculo matemático. O estudioso analisaria os prós e contras de se tirar o lixo e ainda verificaria que existem razões "emocionais" ou "irracionais" (ex: o esquecimento, a preguiça, etc) para se praticar ou não determinada ação e definiria "a probabilidade" do evento ocorrer, mas não colocaria isso em termos matemáticos (numa equação). Ou seja, não seria um cálculo matemático ao pé da letra, seria talvez a elaboração de uma hipótese, uma idéia, com base na análise não matemática de dados. \r
    \r
    Assim, concordo que seria mais claro e de melhor compreensão usar outra palavra que já existe e cujo significado é mais próximo do que realmente é feito (como o Tiago RC sugeriu: especulação), ao invés de se definir um conceito de probabilidade subjetiva, em oposição a existência de uma probabilidade objetiva (matemática).
  • Fernando Chiocca  12/12/2011 09:38
    msant, então, segundo você a probabilidade ("objetiva", "matemática")de qualquer coisa vai ser sempre 50%, ou ela ocorre ou não ocorre. A chance do meu vizinho levar o lixo pra fora é 50% (ou ele leva, ou não leva), a chance de eu ganhar na loteira é de 50% (ou eu ganho ou eu não ganho) e a chance de chover amanhã é 50% (ou chove ou não chove)

    Não meu caro, não existe probabilidade objetiva, e meu vizinho não possui uma característica chama probabilidade. Quem vai calcuar subjetivamente a probabilidade de um evento ocorrer seria você, e você pode usar tanto este de 50% como pode atribuir quantos fatores a mais quiser considerar para seu cálculo. Pode dizer que se ele pediu uma pizza, a chance aumenta em 70%, se ele viajou, ela cai para 0%, etc...

    Você concordou com o André e com o Tiago pq nenhum dos 3 entendeu nada do que foi dito.
  • Tiago RC  12/12/2011 14:04
    Como não existe probabilidade objetiva, Fernando? Seguros se baseiam em que para calcular suas apólices?

    E a propósito, esses "se isso, se aquilo" que você usou no exemplo são objetivos. Ele ter pedido uma pizza ou ter viajado não são fatos que dependem de opinião, ou eles aconteceram ou não.

    Abraços,
    Tiago.
  • Fernando Chiocca  12/12/2011 19:01
    Seguradoras se baseiam em métodos que levam fatos em consideração que elas, subjetivamante, acreditam ser os melhores.
    Eles adotam variáveis como, por exemplo, a idade e o número de multas que um motorista tomou. Mas isso, de maneira nenhuma, torna a probabilidade de um motorista de 20 anos, que tomou 10 multas por estar sem cinto, bater o carro maior do que a probabilidade de um motorista de 40 anos sem nenhuma multa bater. E elas escolhem os critério de acordo com o que acreditam ser o que mais lhes renderá lucro. Na verdade, é uma aposta e elas usam a probabilidade para reduzir seus riscos, como em qq outra aposta.
    Mas você concorda que José da Silva, morador de LImeira, de 20 anos e com 30 pontos na carteira, não possui uma probabilidade intrinseca nele, dele pega ro carro neste ano e bater, não concorda?

    E meu vizinho ter pedido uma pizza ou ter viajado não são fatos que eu escolho considerar ou deixar de considerar para formular a minha probabilidade a respeito de um evento que não tenho certeza se ocorrerá no dia de amanhã, entendeu?
  • Andre Cavalcante  12/12/2011 10:25
    ooops,

    "Concordo com o André e com o Tiago RC: Cálculo probabilístico é algo objetivo. Normalmente, quando se realiza um cálculo probabilísitico, se usa a quantidade de possibilidades que existem, por exemplo, meu vizinho pode levar o lixo pra fora amanhã ou pode não levar, são 2 possibilidades, então existe 50% de probabilidade de ocorrer uma coisa ou outra. Não interessa saber as razões que vão levá-lo a tirar o lixo de casa (por exemplo, evitar o mau cheiro ou a proliferação de baratas) ou não (por exemplo, ele simplesmente esqueceu!!! ou está com preguiça)."

    Eu não disse isso! Dê uma lida de novo.

    Grato.
  • Valdo  22/02/2018 14:51
    Sou ateu e enviei para um grupo de amigos um video em que um ônibus espreme contra um poste, ao meio, um carro de passeio e uma pessoa no banco de trás não sofreu um único arranhão.
    Como no video há diálogo alegando milagre, questionei e comentei que se tratava de probabilidade e não de milagre.
    Assim sendo, para esclarecer aos menos informados, vim buscar um significado claro e objetivo com palavras simples para que entendessem o que eu quis dizer com probabilidade.
    Algum desses sábios aí pode me ajudar?
    Desde já agradeço e aguardo resposta!
  • Andre  22/02/2018 15:57
    A probabilidade da pessoa sobreviver a tal acidente sem um único arranhão é a mesma do Brasil se desenvolver.


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