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Europa ou EUA - qual bomba vai explodir primeiro?


Euro vs Dollar.JPG
Com a bomba fiscal já armada e com seu cronômetro no final da contagem regressiva tanto na Europa quanto nos EUA, a pergunta mais pertinente a ser feita no momento é: qual vai explodir primeiro?  Durante boa parte dos últimos meses, parecia que a Europa estava prestes a ir pelos ares.  Porém, a recente postura adotada por Angela Merkel, de recusar-se a apoiar um pacote de socorro aos países endividados — pacote esse que se resumia a mera impressão de euros pelo Banco Central Europeu, exatamente como vem fazendo o Federal Reserve —, bem como sua recente declaração de que ela não possuía nenhuma bazuca fiscal — ao estilo do que fez o Tesouro americano ainda sob o comando de Hank Paulson —, parecem ter retardado um pouco o cronômetro da bomba europeia.

Por outro lado, o total fracasso do Super Comitê criado pelo Congresso dos EUA para decidir como seria feito o equilíbrio do orçamento do governo americano — se por meio de cortes de gastos, ou de aumento de impostos ou de uma combinação de ambos — estimulou ainda mais a constatação de que o cronômetro da bomba americana está muito mais avançado.

A chanceler Merkel foi enfática ao dizer que os políticos europeus não podem ganhar uma muleta monetária similar àquela que o Banco Central americano (o Fed) concedeu aos políticos americanos.  Seu louvável objetivo, obviamente escarnecido pelos editoriais do The New York Times, é desativar a bomba da dívida europeia por meio de substanciais reformas nos orçamentos governamentais — e, como resultado, fazer do euro "a mais forte moeda do mundo".  Fez-se muito alarido a respeito do baixo volume de compras de títulos alemães no leilão da quarta-feira passada, com algumas pessoas dizendo que a baixa demanda (o que elevou os juros dos títulos alemães de 10 anos para mais de 2% — dificilmente um indicador de que os investidores estão se desfazendo deles em pânico) é uma evidência de que os investidores estão preocupados com as políticas econômicas de Merkel.  Eu diria que é exatamente o oposto: muitos investidores ainda creem que Merkel está blefando, e que a Alemanha acabará cedendo à pressão e estimulando o BCE a imprimir dinheiro, exatamente como estão fazendo os outros bancos centrais.  Provavelmente foi por este motivo que os juros sobre a dívida alemã subiram modestamente.

Em contraste a tudo isso, os EUA já deixaram cristalina sua intenção de ignorar os problemas de sua dívida.  Com o fracasso do Super Comitê na semana passada, tal postura se tornou oficial.  Os políticos americanos não irão, sob nenhuma circunstância, confrontar de maneira sincera a crise da dívida do país.  Embora o resultado nulo do Super Comitê não devesse ter gerado nenhuma surpresa, a total disfunção apresentada deveria servir de alerta final para todos aqueles que, movidos pelo desespero, ainda nutrem alguma ilusão.  Alguns membros do Congresso americano, como o senador John McCain, já até mesmo se pronunciaram contra o corte automático de US$ 1,2 trilhão que começará a ser feito a conta-gotas a partir de janeiro de 2013.  Pode ter a certeza de que cada vez mais políticos, de ambos os partidos, também irão se pronunciar contra.

Ao longo da próxima década, o governo americano espera gastar mais de US$ 40 trilhões de dólares.  Mesmo que esse corte de US$ 1,2 trilhão de fato se materialize, tal quantia equivale a apenas 3% das despesas previstas.  Por causa de uma brilhante, porém hipócrita, manobra contábil, US$ 216 bilhões destes "cortes" propostos representam meramente reduções esperadas nos gastos com o pagamento de juros da dívida, reduções estas que, por sua vez, seriam resultado de cortes de US$ 984 bilhões no orçamento — daí o total de US$ 1,2 trilhão.  

É claro que, mesmo que tudo ocorra como maravilhosamente previsto, esses cortes sequer farão cócegas nos déficits orçamentários já projetados, os quais, se a história por nos servir de parâmetro, provavelmente subirão acentuadamente à medida que a realidade econômica for se comprovando bem mais sombria do que previram as estatísticas do governo americano.  Por último, vale também mencionar que os cortes de gastos não representam cortes no sentido comum da palavra, na qual o gasto é realmente reduzido.  No linguajar governamental, "cortes" são meras reduções na linha de referência, o que significa que os gastos do governo irão aumentar um pouco menos do que havia sido inicialmente programado.

Enquanto isso, a possibilidade de um calote soberano na Europa está estimulando a demanda mundial por dólares, o qual, apesar de tudo, ainda continua sendo visto como um "porto seguro".  Portanto, contrariamente ao que dizem os políticos, sempre ansiosos para inventarem desculpas, os problemas da Europa estão na realidade fornecendo um estímulo temporário às bolhas formadas na economia americana.  No entanto, uma deliberação para a crise na Europa poderia reverter essa tendência.  E considerando-se a disciplina que vem sendo emanada de Berlin, uma genuína solução não está totalmente fora de questão.  Se a confiança puder ser restaurada por lá, cada nova rodada de fuga temporária de investidores em busca de algum porto seguro poderá estar cada vez menos centrada no dólar americano.  Em vez do dólar, investidores avessos ao risco podem preferir uma cesta de outras moedas mais fiscalmente sustentáveis e que gerem maiores retornos. 

A ironia é que a Europa está sendo criticada justamente por não estar seguindo o exemplo americano.  Essa crítica é inapropriada porque parte do princípio de que as políticas adotadas pelos EUA funcionaram.  Só que elas não funcionaram.  No máximo, elas postergaram a explosão da bomba, mas fizeram isso de tal forma que, quando a explosão vier, será ainda mais destruidora.  Enquanto isso não ocorre, todos seguem interpretando erroneamente a situação, confundindo adiamento com sucesso. 

Todavia, se a abordagem mais linha-dura de Merkel funcionar, e cortes reais forem feitos, a Europa será elogiada por seu pioneirismo em seguir um caminho diferente e ousado.  Como consequência, o euro poderá se valorizar e o dólar, afundar.  Nos EUA, os preços das commodities irão subir, elevando ainda mais os índices de inflação de preços e, consequentemente, as taxas de juros.

Qualquer reversão significativa na atual tendência de valorização do dólar poderá fornecer um estímulo para que aqueles países que possuem enormes reservas em dólares diversifiquem essas suas reservas internacionais em outras moedas.  Meu palpite é que Merkel compreende bem a grande vantagem que os EUA desfrutaram em decorrência do fato de ser o emissor da moeda de reserva mundial.  Creio que ela esteja cobiçando esse prêmio para a Europa, e, baseando-se em sua estratégia, trata-se de um objetivo claramente dentro de seu alcance.

Há um velho ditado que diz que uma pessoa só passa a dar valor ao que tem após ter perdido tudo.  A insensatez criminosa que reina hoje em Washington pode finalmente forçar o resto do mundo a cancelar o privilégio concedido aos EUA de ser o detentor da moeda internacional de reserva.  Tal perda poderá fazer com que os americanos finalmente passem a valorizar profundamente este conceito — e amargar a situação que seu próprio governo criou para eles.



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Marconi Soldate  28/11/2011 05:30
    os EUA são a maior potência mundial, principalmente em termos militares. A fuga ao dólar tem uma razão, que é a de acreditar que a maior potência dará um jeito de sair disso, do contrário, todos cairão juntos. por isso que, mesmo totalmente quebrados, o dólar ainda é visto como reserva de valor segura.
  • Felix  28/11/2011 06:32
    Mais uma previsão de fim do mundo.
    Qualquer hora acertamos o timing...
  • mcmoraes  28/11/2011 08:43
    Um comentário desses logo pro Peter Schiff! Me fez lembrar do Arthur Laffer, hehehe

    Peter Schiff vs. Arthur Laffer
  • Paulo Sergio  28/11/2011 09:32
    Eu vou fazer um desenho do lula num pedaço de papel e dar pra você, e de volta você me dá um carro, que tal?
  • Eduardo  28/11/2011 08:51
    Leandro, quais indicadores vc acha que pode dar o gatilho de vez na crise? ou vc acha que vai ser lenta e dolorosa?
  • Leandro  28/11/2011 12:06
    Eduardo, por enquanto estou apenas observando. Sempre me atualizo com os mestres: além do Schiff, tem também o Jim Rogeres, o Marc Faber, o Gary North e o Detlev Schlichter. Todos são igualmente pessimistas quanto aos EUA. Já quanto à Europa, os sentimentos são mais mistos.

    Nos EUA, o Fed criou uma situação da qual é impossível ele sair. Ele expandiu a base monetária a tal ponto que, para que ela não vaze para a economia (ela está no momento retida nas reservas bancárias) e gere hiperinflação de preços, o ele tem de ficar pagando juros sobre elas -- o que significa que ele está constantemente aumentando ainda mais as reservas bancárias. Caso ele pare de pagar esses juros, os bancos irão começar a emprestar esse dinheiro. E pelo processo de reservas fracionárias, a coisa seria destruidora.

    Ou seja, o Fed criou uma situação em que, para evitar a hiperinflação, tem de estar constantemente criando dinheiro.

    Veja aqui o gráfico do descontrole.

    Comparado a isso, a situação da Europa é mais, digamos, maleável. Mas não sem sangue.
  • Eduardo  28/11/2011 16:26
    Leandro, Enquanto os bancos estiverem sentado nesse dinheiro, o bolo só cresce. Se abrir as comportas, imunda a economia, é isso?

  • Leandro  28/11/2011 16:43
    Exatamente, Eduardo. Os bancos comerciais americanos estão hoje legalmente autorizados a multiplicar acentudamante seu número de empréstimos, algo que iria multiplicar a oferta monetária. Mas os banqueiros estão tão assustados com o atual estado da economia que eles têm se recusado a emprestar. Eles voluntariamente têm preferido deixar todo o seu excesso de reservas depositado junto ao Fed. É isso que tem contrabalanceado o aumento da base monetária feito pelo Fed.

    Só pra explicar melhor, "reservas em excesso" são as reservas que os bancos mantêm voluntariamente depositadas junto ao Fed, além do volume determinado pelo compulsório. Os bancos optaram por manter a quase totalidade de suas reservas (as quais eles podiam utilizar para fazer empréstimos e, com isso, aumentar o M1) voluntariamente depositadas junto ao Fed, que está pagando juros sobre elas.

    Se o Fed parar de pagar juros, as comportas serão abertas, pois os bancos terão de emprestar dinheiro para ter alguma rentabilidade. Logo, o Fed tem de continuar pagando juros. Quanto mais juros ele paga, mais aumenta a quantidade de dinheiro nas reservas. Daí o paradoxo: para impedir que haja inflação monetária na economia, o Fed tem de continuar imprimindo dinheiro para dissuadir os bancos de emprestar seu dinheiro.

    É por isso que a melhor e mais brilhante solução é a do Ron Paul: simplesmente cancelar todos os títulos públicos em posse do Fed. Caso isso acontecesse, por uma questão de contabilidade, a redução de ativos do Fed teria de gerar uma redução de passivos do Fed. Os ativos cancelados seriam os títulos do Tesouro em posse do Fed; os passivos cancelados seriam justamente as reservas em excesso que foram criadas com a compra desses títulos. Infelizmente isso não inclui as reservas em excesso criadas meramente pelo pagamento de juros, mas pelo menos já seria um bom começo.

    Logo, o plano de Ron Paul mata dois coelhos com um só tiro: reduz a dívida em US$ 1,3 trilhão e ainda acaba com uma substancial fatia das reservas em excesso, afastando o fantasma da hiperinflação.
  • Eduardo  28/11/2011 16:57
    Obrigado pela explicação Leandro.
  • Guilherme  29/11/2011 08:36
    Leandro,
    eu não entendi como a ideia do Ron Paul iria diminuir as reservas em excesso. Eu entendo que a dívida do governo em posse do FED iria diminuir, mas não entendi como que o dinheiro pago (impresso) pelo FED para comprar esses títulos dos bancos iria diminuir, uma vez que esse dinheiro agora está de posse dos bancos.
    Poderia explicar isto melhor?

    Abraço.
  • Leandro  29/11/2011 09:01
    É uma questão de regras de contabilidade, Guilherme.

    Como você sabe, o Banco Central imprime dinheiro (eletrônico) para comprar títulos públicos que estão em posse dos bancos. Ao comprar estes títulos públicos, ele deposita dinheiro eletrônico na conta-corrente que os bancos mantêm junto ao Banco Central (as chamadas reservas bancárias).

    Ato contínuo, os títulos públicos entram no balancete do Banco Central no lado dos ativos. E o dinheiro eletrônico depositado nas reservas dos bancos entra no lado do passivo.

    Muito bem.

    Caso os títulos públicos em posse do Fed sejam cancelados, os ativos no balancete do Fed terão obviamente de sofrer uma redução equivalente ao valor dos títulos que foram cancelados. Só que, por uma questão de contabilidade, o passivos também terão de ser reduzidos por um igual montante (caso contrário, o Fed simplesmente ficará insolvente, com um passivo maior que um ativo, o que configura patrimônio líquido negativo).

    Logo, uma redução nos ativos terá de gerar uma igual redução no passivo. E o passivo a ser reduzido seria justamente o dinheiro eletrônico nas reservas bancárias (repetindo, dinheiro criado pelo Fed e dado aos bancos em troca de títulos públicos).

    Portanto, por causa das regras de contabilidade, o Fed seria forçado a eliminar as reservas que os bancos possuem depositadas junto a ele -- e consequentemente o problema inflacionário das reservas em excesso ficaria bem mais contido.

    Grande abraço!
  • Guilherme  29/11/2011 09:33
    Obrigado, agora entendi.
    Mas fiquei com uma outra dúvida. Eu não entendo muito de contabilidade, mas o FED pode fazer isto, simplesmente eliminar as reservas que os bancos possuem depositadas junto a ele? Isto não seria um "roubo" aos bancos?
    Se eu entendi bem, o processo funciona da seguinte forma: O tesouro americano emite títulos da dívida que são comprados pelos bancos com o dinheiro que eles possuem. O FED imprime moeda eletrônica e compra os títulos dos bancos e com isso cria essa moeda do nada, de forma que agora o tesouro e os bancos estão com dinheiro. Mas se o FED ao cancelar esses títulos também "apaga" o dinheiro de posse dos bancos, o que o FED fez foi "roubar" os bancos para dar dinheiro ao tesouro. Não é isso?

    Abraço.
  • Leandro  29/11/2011 15:24
    Prezado Guilherme, em suma é exatamente isso, mas há um componente moral aí que não pode ser ignorado.

    Pra começar, em momento algum há um dinheiro que pertença genuinamente aos bancos nesse esquema. Para comprar títulos emitidos pelo Tesouro, os bancos majoritariamente criam dinheiro por meio das reservas fracionárias (como explicado neste artigo).

    E quando vendem esses títulos ao Banco Central, eles recebem dinheiro que foi criado do nada. Ou seja, todo o esquema se apóia exclusivamente no privilégio bancário, concedido pelo governo, de criar dinheiro do nada e de Recber dinheiro criado do nada.

    Ademais, há outro fato: especialmente nos EUA, o Fed vem sistematicamente reduzindo as taxas de compulsório desde sua criação em 1913, permitindo que os bancos possam criar quantias cada vez maiores de dinheiro eletrônico sobre uma cada vez menor quantia de dinheiro físico que são obrigados a manter em suas reservas. Essa prática permitiu aos bancos engordar incrivelmente as receitas que ganham com juros. É uma vida muito fácil: não apenas você adquire o privilégio legal de criar dinheiro do nada, como ainda pode emprestar esse dinheiro criado do nada e cobrar juros sobre ele (processo idêntico ocorre no Brasil, embora aqui o compulsório seja mais alto). Isso é algo totalmente imoral.

    O plano do Ron Paul, portanto, iria reverter quase um século de espoliação bancária. E não pode haver nada de errado nisso.

    Grande abraço!
  • Eduardo  30/11/2011 05:24
    Leandro Qual é a probabilidade do Fed cancelar esses títulos em excesso? Só se Ron paul se eleger? Algum outro candidato está disposto a fazer o mesmo que ron?
  • Leandro  30/11/2011 06:33
    Atualmente? Nula. Se o Ron Paul se eleger, creio que tudo vai depender da aprovação do Congresso, o que imobiliza por completo o presidente.

    E não, nenhum outro sequer cogita essa hipótese. Aliás, ele sequer entendem de economia.
  • Carlos  28/11/2011 09:47
    A solução para os EUA passa por um vigoroso aumento de impostos, o que a Europa não pode fazer por já ter carga tributária muito alta. Hoje a carga tributária nos EUA está ao redor de 27% do PIB. Poderia subir para uns 32%. Mas os republicanos com sua burrice e dogmatismo não aceitariam esse aumento.

  • Leandro  28/11/2011 11:58
    É isso aí, Carlos. Um aumento de 18,5% na carga tributária (de 27% para 32%) faria maravilhas para uma economia em recessão. O crescimento econômico retornaria imediatamente.

    Acho engraçado como as pessoas genuinamente acham que impostos são neutros; elas acham ser perfeitamente possível aumentar impostos sem que isso altere em absolutamente nada a estrutura da economia, as decisões de poupança e de investimento. Basta aumentar impostos e tudo ficará supimpa.

    Cortar gastos -- algo fácil nos EUA, que possuem colossais despesas militares -- ninguém quer.
  • Carlos  28/11/2011 13:55
    Que se corte os gastos e se aumente os impostos.
  • Rhyan  28/11/2011 14:27
    E essa briguinha Republicana x Democrata de "cortem gastos militares" "não, cortem gastos sociais"?
  • Eduardo  28/11/2011 15:17
    A solução pros EUA é um aumento de impostos?

    Pra que pegar tão leve? Vamos roubar TUDO de todos os mais ricos de uma vez!!

    Bill Whittle mostra que isso resolveria o problema dos EUA.... por 1 ano. Resta depois descobrir como a economia iria funcionar depois desse ano, quando os setores mais produtivos da sociedade estiverem completamente falidos.

    www.youtube.com/watch?v=661pi6K-8WQ
  • Carlos  28/11/2011 10:00
    Para o Brasil não seria bom esse cenário do euro assumir o lugar do dólar. Afinal o liquidez internacional sempre foi um ponto crucial para o andar da nossa economia. Se o euro desbancasse o dólar a liquidez diminuiria e nossa economia sairia perdendo. Interessa mais ao Brasil uma moeda internacional frouxa para que entre mais capital e o Brasil não tenha estrangulamento externo.
  • Marcelo  28/11/2011 14:00
    Uma dúvida me surgiu nesse trecho:

    "a recente postura adotada por Angela Merkel, de recusar-se a apoiar um pacote de socorro aos países endividados — pacote esse que se resumia a mera impressão de euros — parecem ter retardado um pouco o cronômetro da bomba europeia."

    Por que essa postura retardou a crise, e não o contrário?

    Na minha cabeça, se o BCE tivesse optado por expandir a oferta monetária, isso teria dado um alívio temporário para os europeus; fazendo sobrevir uma recessão ainda maior futuramente - assim como faz o FED, nos EUA.

    Se alguém puder apontar aonde o meu raciocínio falha, eu agradeço!
  • Leandro  28/11/2011 14:21
    Prezado Marcelo, neste ponto, Schiff está se referindo ao fato de que, se o BCE saísse imprimindo dinheiro para comprar títulos da dívida dos países europeus -- que é exatamente o que querem os políticos dos países periféricos, embora disfarcem esse desejo com jargões tecnocráticos e econômicos --, isso geraria uma grande escalada dos preços, algo que poderia desestabilizar totalmente o arranjo do euro.

    A solução que Schiff defende é a liquidação da dívida: bancos insolventes devem quebrar e seus acionistas e correntistas devem herdar os espólios. Capitalismo genuíno é isso: lucros privados e prejuízos privados. Quem foi imbecil o bastante para emprestar dinheiro para governos insanos deve sofrer as consequências. O que não dá é o governo socorrer os ignaros, garantindo seus lucros, e espetar a conta em quem não teve nada a ver com a trapalhada.
  • Felipe Barbosa  28/11/2011 15:18
    Eu devia estar comprando ouro... e principalmente prata, desconfio que o mundo vai passar por uma brutal deflação... de preços medidos em ouro, é claro.
  • Preocupado  28/11/2011 18:11
    Nestes tempos de insegurança quanto ao futuro, qual seria o conselho a ser dado ao cidadão brasileiro comum, aquele que pouco se importa com as flutuações macro-economicas e apenas quer sobreviver dignamente (apesar dos coices recebidos pelo Estado), considerando que, no momento, a idéia de deixar o país e viver num "paraíso fiscal" lhe seja impraticável?
  • Luis Almeida  28/11/2011 18:37
    Se a ideia é unicamente sobreviver sem grandes emoções, pegue todas as suas economias, aplique na poupança e reze/ore/faça mandingas e simpatias para que a rentabilidade fique acima da inflação. Pode também aplicar em CDBs, mas o rendimento será tributado, o que pode acabar não compensando.

    Corte todas as suas despesas supérfluas e nem pense em se endividar. Viva estritamente dentro de suas posses.

    Seu padrão de vida não será dos mais altos, mas pelo menos você não irá sofrer solavancos.
  • Preocupado  28/11/2011 18:36
    errata: 1) Leia-se "estado" em vez de "Estado". 2) Onde se lê "coices recebidos pelo", leia-se "coices que ele recebe do estado". Obrigado.
  • mauricio  29/11/2011 06:04
    A solução para a crise é bastante simples

    nos EUA eleve os impostos para quem ganha + de 250k ao ano!

    na Europa emita papel moeda, o desemprego que a Europa tem iria balizar a inflação ( o dinheiro iria ser emitido apenas para pagamento de divida )
  • mcmoraes  29/11/2011 08:23
    Essa merece a sensacional montagem que o Carlos postou na discussão sobre Belo Monte: paraquedistas no IMB :)
  • Andre Cavalcante  29/11/2011 09:44
    Leando,

    A nossa inflação também é devida a emissão de dinheiro pelo nosso Banco Central? E, neste caso, como é que isso acontece?

    Abraços
  • Andre Cavalcante  29/11/2011 17:48
    Leandro,

    Pelo que entendi, o Banco Central então emite "dinheiro" eletrônico nas contas-correntes dos bancos (seja comprando títulos do governo, diminuindo compulsório ou simplesmente aumentando o número de contas-correntes disponíveis aos bancos - essa última não entendi bem o mecanismo, mas vá lá).

    Pelo que entendi também, estamos vivendo um bolha imobiliária. Então significa que logo, logo (em alguns anos) a bolha estoura e a gente vai poder comprar um casa bem mais barata do que hoje?

    E ainda mais, a solução seria o BC sair de cena. Neste caso, os bancos simplesmente faliriam um após os outros, dado que eles não tem dinheiro para fechar as contas? E as contas-correntes dos clientes, incluindo aí grandes empresas, como fariam para reaver o dinheiro depositado a fim de pagar fornecedores, funcionários etc.? Não seria realmente uma bola de neve e, em questão de meses, ou semanas até, o sistema financeiro entraria totalmente em colapso e aí sim haveria uma escassez de tudo? Neste caso, a ação do BC parece ter alguma racionalidade em não deixar os bancos falirem (tá certo que não deveria ter deixado chegar a esse ponto, mas já que chegou, qual a saída?).

    Pelo que percebi, qual então seria a diferença entre o que está acontecendo na Europa e EUA com a nossa realidade? Se eles quebrarem por lá, quebraríamos aqui também?
  • Leandro  30/11/2011 00:33
    Peraí, André, que agora você fez um salseiro com alguns conceitos logo no seu primeiro parágrafo. Vou tentar explicar mais cristalinamente.

    O BC manipula a taxa básica de juros comprando títulos públicos em posse dos bancos ou vendendo títulos para os bancos.

    Para comprar títulos, ele cria dinheiro e deposita esse dinheiro em uma conta que todos os bancos possuem junto ao BC (conta essa que se chama reservas bancárias, popularmente conhecidas também como depósitos compulsórios). Por outro lado, para vender títulos, o BC simplesmente elimina o dinheiro que os bancos possuem nessa mesma conta-corrente junto ao BC.

    Pronto. Esse é o único mecanismo de intervenção do BC que envolve criação (ou destruição) de dinheiro por parte exclusiva do BC.

    Agora, quando o BC resolve diminuir a taxa de compulsório -- isto é, quando o BC diminui a quantidade de reservas que os bancos devem obrigatoriamente deixar depositada junto ao BC --, ele está na realidade permitindo que os bancos possam, por meio das reservas fracionárias, criar mais dinheiro eletrônico para ser concedido como empréstimo para seus clientes. Nesse processo, quem está de fato criando dinheiro são os bancos, e não o BC. Estou explicando isso para corrigir o que você disse no primeiro parágrafo, quando afirmou que o BC emite dinheiro eletrônico "diminuindo o compulsório". O que ocorre na realidade é que, ao reduzir a exigência de dinheiro que os bancos devem deixar depositado no BC, o BC está permitindo que os bancos criem mais dinheiro por meio das reservas fracionárias.

    E é aí que você, ao que tudo indica, confundiu ali o seu terceiro item, ao dizer que o BC emite dinheiro para "aumentar o número de contas-correntes disponíveis aos bancos". Isso não existe. O BC manipula apenas o dinheiro que os bancos mantêm em seus depósitos compulsórios, que é o dinheiro que eles deixam depositado no BC. Fora isso, o BC não controla diretamente qual o número de correntistas que cada banco vai ter.

    Espero que agora tenha ficado claro.

    Quanto à bolha imobiliária, creio que o artigo indicado, Em que ponto do ciclo econômico está a economia brasileira?, explica bem o assunto.

    Por fim, sobre o BC sair de cena, antes de isso ocorrer, seria necessário haver uma ampla reforma bancária, principalmente no quesito das reservas fracionárias. Há muito literatura sobre como poderiam ser estas reformas (algo, no momento, fora do escopo dessa discussão). Uma reforma bastante branda, por exemplo, seria a Casa da Moeda imprimir dinheiro (agora dinheiro físico, com cédulas e moedas metálicas) em quantidade que igualasse a totalidade de depósitos em conta-corrente, de modo a fazer com que haja 100% de reservas bancárias para esses depósitos. Ato contínuo, para evitar que essa impressão de dinheiro fosse expandida pelos bancos por meio das reservas fracionárias e se transformasse em enorme inflação de preços, o sistema bancário seria obrigado por lei (nada mais do que uma lei anti-fraude) a operar com 100% de reservas. Nesse caso, não haveria nenhuma insolvência bancária, não haveria inflação monetária e não ocorreria o cenário catastrófico que você descreveu.

    Mas isso é um assunto que não dá pra esmiuçar em uma simples seção de comentários.

    Grande abraço!
  • Andre Cavalcante  30/11/2011 12:31
    Ah....

    Agora ficou claro. Sabe não entendo muito de ciências humanas e, especialmente, de economia, por isso tenha um pouco de paciência, ok?

    Último comentário: esses mecanismos que esse povo inventa pra ganhar dinheiro são... umas sacanagens mesmo, pois não?!

    Abraços


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