clube   |   doar   |   idiomas
A educação livre

EDUCAÇÃO: UM ASSUNTO CONTROVERSO

A educação é um dos grandes dogmas da sociedade contemporânea. É absolutamente comum ouvir grupos de pressão e políticos falando sobre a necessidade de se promover a educação no Brasil, especialmente por meio da aplicação maciça de recursos públicos no setor, valorização salarial dos professores e melhoria da infra-estrutura, e que tais medidas levarão o país a um novo patamar de desenvolvimento.

Esse artigo tem como objetivo desmistificar o tema da educação para demonstrar que o verdadeiro valor que traz desenvolvimento econômico a um país é a liberdade, e que a educação é sim um excelente investimento, mas somente em uma sociedade verdadeiramente livre, pois a educação não é um fim em si mesmo.

O QUE É EDUCAÇÃO?

Segundo o Wikipedia, educação é o processo de ensinar e aprender. A educação pressupõe, portanto, um conhecimento, que é um bem imaterial objeto dessa transação, um educador, que possui o conhecimento e o repassará, e, por fim, um educando ou aluno, que não possui o conhecimento, mas irá adquiri-lo ao final do processo de educação.

Do ponto de vista civilista, a educação é um serviço, e poderia servir como objeto de qualquer contrato livre, desde que um educador queira vender um conhecimento e um aluno queira comprá-lo.

Nota-se, então, que o conceito de educação não é um conceito substantivo, mas sim um conceito adjetivo ou procedimental. Educação é apenas um meio (ou seja, algo adjetivo ou procedimental) pelo qual se busca adquirir para si o conhecimento (esse sim de natureza substantiva). A educação é desprovida de qualquer valor intrínseco, sendo apenas um conjunto de procedimentos que visa agregar conhecimentos de interesse do aluno, que por sua vez se baseia em valores.

E esses valores buscados são absolutamente subjetivos. O motivo pelo qual um homem estuda direito ou economia e não geologia é que o tal sujeito se interessa muito mais por aqueles temas do que por esse. Para um geólogo, contudo, essa afirmativa seria um sacrilégio. São os valores individuais e subjetivos de cada aluno que o levará a buscar determinado conhecimento.

Cabe ainda uma discussão interessante sobre a possibilidade de a educação ser individual, ou seja, se educador e aluno podem ser a mesma pessoa. A resposta convencional diria que sim, por causa do fenômeno do autodidatismo, mas a melhor resposta é não. Explica-se.

O autodidatismo é comumente conceituado como o ensino através do auto-direcionamento. Esse processo não é, contudo, exclusivamente individual. Para que uma pessoa possa se auto-direcionar em busca de um ensinamento, ela se guiará por livros ou qualquer outro tipo de instrução. Logo, o autodidatismo é necessariamente uma relação entre um educador e um aluno, ainda que este educador esteja em um ponto remoto e o procedimento de ensino não se dê de maneira direta, mas sim indireta.

No caso de um conhecimento ser adquirido única e exclusivamente pelo indivíduo, sem nenhuma interferência de um educador, não houve um processo educacional, mas sim um processo de criação ou descobrimento. Criação e descobrimento não se confundem com educação.

Resumindo todos os elementos, conceitua-se educação como um instrumento procedimental sem valor intrínseco, baseado em um acordo de vontades verbal ou escrito, gratuito ou oneroso, segundo o qual um educador, direta ou indiretamente, transmite um conhecimento a um aluno, buscado em virtude de valores e interesses subjetivos deste último.

É importante delimitar o conceito de educação para demonstrar cabalmente que a educação é, por sua natureza instrumental, desprovida de valor material, um mecanismo segundo o qual pessoas trocam informações relevantes para suas vidas. É uma atividade absolutamente espontânea na vida em sociedade e independe de qualquer regramento para ocorrer. No momento em que duas pessoas conversam e trocam informações, elas são, simultaneamente, educadores e alunos uns dos outros, sobre ilimitados temas. O ato educacional é eminentemente livre.

No Brasil, entretanto, não é bem assim.

A EDUCAÇÃO NO BRASIL

A Constituição brasileira tem caráter pós-positivista, o que significa, em termos práticos, o respeito ao normativismo da constituição (positivismo clássico) com a agregação de alguns valores fundamentais que legitimariam esse normativismo (elementos de jusnaturalismo), sendo o principal deles a "dignidade da pessoa humana", conceito absolutamente fluido que suporta praticamente toda e qualquer política governamental. Essa característica é, inclusive, glorificada pelos seus defensores, mesmo com seu relativismo inviabilizando a segurança jurídica na sociedade brasileira e ferindo de morte qualquer filosofia de justiça coerente. As contradições insuperáveis desse modelo sem sentido são resolvidas através de uma técnica aleatória chamada "ponderação de interesses", onde o interesse governamental se sobrepõe ao interesse do cidadão em praticamente todos os casos.

A Constituição, que consagra esse modelo casuístico, declara que a educação é um direito social de todos (art 6º), sendo dever do Estado e da família prestá-lo, além de promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho (art. 205).

Como visto anteriormente, o conceito tradicional de educação não possui valor intrínseco, sendo apenas um meio de transmissão de conhecimento natural entre dois indivíduos. Todas as pessoas que têm seus cinco sentidos em funcionamento, ainda que parcialmente, têm capacidade de interagir educacionalmente, ou seja, transmitir conhecimento um ao outro. Essa capacidade é natural, e a intervenção do governo poderia apenas ampliar ou restringir os meios de educação, seja aumentando ou restringindo os modos diretos de promoção de educação (professores), seja aumentando ou restringindo os modos indiretos de promoção (livros e internet, entre outros).

Os constituintes trabalharam, na verdade, uma idéia substantiva de educação, ou seja, educação não como um instrumento de conhecimento, mas como misto de instrumento e conhecimento em si. Para os criadores da constituição, a educação possuiria valores intrínsecos.

Na cadeira de filosofia de direito se aprende que valores são as razões que justificam e motivam as nossas ações. Todo sistema jurídico se baseia em valores que o justificam e motivam sua criação. Esses valores se refletem em princípios que nortearam as regras do sistema. A existência de princípios constitucionais da educação demonstra cabalmente que a educação no Brasil é baseada em valores objetivados de cunho estatista.

Os valores educacionais do poder constituinte brasileiro se refletiram nos princípios insculpidos no artigo 206, quais sejam: (i) igualdade de condições para o acesso e permanência na escola; (ii) liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber; (iii) pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas, e coexistência de instituições públicas e privadas de ensino; (iv) gratuidade do ensino público em estabelecimentos oficiais; (v) valorização dos profissionais da educação escolar, garantidos, na forma da lei, planos de carreira, com ingresso exclusivamente por concurso público de provas e títulos, aos das redes públicas (redação dada pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006); (vi) gestão democrática do ensino público, na forma da lei; (vii) garantia de padrão de qualidade; (vii) piso salarial profissional nacional para os profissionais da educação escolar pública, nos termos de lei federal. (também Incluído pela Emenda Constitucional nº 53, de 2006).

A esses princípios somamos as seguintes regras, relativos ao dever de prestação da educação pelo estado (art. 208): (i) educação básica obrigatória e gratuita, (ii) progressiva universalização do ensino médio; (iii) atendimento especial aos deficientes; (iv) creche gratuita; (v) meritocracia no acesso ao nível superior; (vi) oferta de ensino noturno; (vii) entrega de material didático, transporte, alimentação e assistência à saúde.

Já o ensino privado é "livre", desde que cumpra as ordens do MEC; e seja avaliado e autorizado por este órgão (art. 209).

Por fim, os artigos 210 e 214 explicitamente dispõem que o Ministério da Educação e Cultura fixará os conteúdos da formação educacional através de um "plano nacional de educação" e uma "lei de diretrizes e bases".

Em resumo, os burocratas constituintes decidiram que a educação brasileira é um conjunto de conhecimentos específicos escolhidos pelo MEC que deve ser imposto à população em geral e custeado pela própria população, de maneira igualitária (fator "valor"), seja através de instituições públicas ou de instituições privadas também aprovadas pelo MEC (fator "instrumental").

A primeira crítica a se fazer sobre essa conceituação é a inserção de elemento de valor. Dizer que apenas certos conteúdos podem ser denominados de educação é absolutamente imoral, pois pressupõe a imposição de valores objetivos a indivíduos que possuem valores absolutamente distintos dos primeiros. Os valores são sempre subjetivos, pois pressupõem uma mente racional valorativa, ao contrário da ética, que é objetiva[1], mas que não é o objeto do presente estudo.

Valores, repisando, são as razões que justificam e motivam as nossas ações, e Mises, brilhantemente, ensina que as ações humanas são produzidas para levar o homem de um estado de menor satisfação para um estado de maior satisfação, logo, são os valores subjetivos que jazem na razão que permitem às ações humanas levarem seu realizador a um novo estado de satisfação. Valores são tão particulares que, de fato, é impossível se impor um valor a outra pessoa sem que esta, no final, permita. Se um indivíduo, por vontade própria, não interiorizar aqueles valores, eles não estarão aptos a, em uma ação concreta, aumentar a satisfação do seu realizador.

Ninguém deveria ser obrigado a receber doutrinação de valores de outros homens.

Adiciona-se a essa questão outra, ainda mais perversa: essa tentativa de imposição de valores através do sistema educacional público é bancada por dinheiro extorquido de muitos indivíduos da sociedade e entregue a indivíduos sob os quais os financiadores não possuem nenhuma responsabilidade moral.

Seres humanos são indivíduos livres, independentes e responsáveis. Os que não são completamente independentes e responsáveis, notoriamente as crianças, possuem pais responsáveis por elas[2], e estes pais são os únicos moralmente responsáveis por essas crianças.  Essa ideia é tão natural que, quando uma pessoa observa outra em dificuldade, ela ajuda por voluntarismo, compaixão e — por que não? — amor ao próximo, mas não por culpa, sentimento típico de alguém que é responsável pela má condição de outrem.

No entanto, a ideia vendida na mídia é diversa. Intelectuais em geral defendem o investimento "público" em educação de maneira apaixonada, partindo do pressuposto que os recursos em questão pertencem ao governo. Esses recursos não pertencem legitimamente ao governo. Pertencem, sim, aos trabalhadores e empresários que criaram legitimamente essa riqueza, violentamente expropriada daqueles pelo governo, através da tributação. Somente os pais poderiam ser responsabilizados pela educação de seus filhos, nunca a sociedade como um todo.

A postura coletivista também enfraquece o núcleo básico da sociedade, que é a família. Responsabilizar o governo e a sociedade pelo custeio e conteúdo da educação de crianças retira dos pais a sua autoridade natural e enfraquece a relação social mais básica que existe, justamente por ser uma relação, antes de mais nada, voluntária. Fica enfraquecida a relação baseada no voluntarismo e no amor, a família, e fortalecida uma relação baseada na coerção e violência, a relação estado-cidadão (súdito).

Além de imoral, a imposição de conhecimentos derivados de valores subjetivos dos governantes é absolutamente inútil. Cria-se um modelo educacional padronizado extremamente chato, desinteressante e sem nenhum sentido prático para a maioria dos alunos, que não leva em consideração as diferenças regionais brasileiras e, dentro das regiões, os interesses dos consumidores do conhecimento, resultando em altíssimos índices de evasão escolar e grande desperdício de recursos. Chega a ser uma piada obrigar um menino roceiro do interior do Brasil a aprender a fórmula de Bhaskara ao invés de ensiná-lo, por exemplo, técnicas de plantio, manuseio de agrotóxicos e cuidado de animais.

Sobre os conhecimentos impostos em si, e os valores por trás deles, são os piores possíveis. Já não se ensina português corretamente, como no famoso caso "nós pega os peixe"[3]. Em matemática, contas básicas de subtração, em livros oficiais, estão erradas[4]. E o pior problema é, sem dúvida alguma, a tentativa de doutrinação ideológica das crianças, que estão cada vez mais estupidificadas por filosofias coletivistas e estatistas.

Hans-Hermann Hoppe, em brilhante ensaio, explica que uma minoria não pode dominar eternamente uma maioria apenas pelo uso da força bruta, precisando dominar a opinião da maioria, e somente com a ajuda, forçada, se necessário, de "intelectuais" de todas as áreas do conhecimento, e de maneira monopolista, é que se pode fazer prevalecer idéias que são contrárias aos próprios interesses da população. Por isso o interesse estatista no monopólio intelectual de todas as instituições educacionais, do jardim-de-infância até a universidade, inclusive com a compulsoriedade, ou seja, a obrigatoriedade do cidadão em freqüentar tais estabelecimentos.

No mesmo esteio, Joseph Sobran ensina que

A educação controlada pelo estado se tornou um mero instrumento de propaganda, agora chamado de "método de conscientização", concebido para tornar as crianças meras unidades obedientes à Nova Sociedade.  A ideia da "evolução" foi adaptada para ensinar às crianças que a Nova Sociedade era o inevitável destino da história humana.  O "intelectual" das massas (o oposto do erudito tradicional e independente) se tornou um novo tipo social, dedicado a difundir as fantasias da Nova Sociedade, as quais eram chamadas de "ideais".

A questão instrumental, por sua, vez, que é o cerne do verdadeiro estudo da pedagogia, é ignorada, em detrimento do conteúdo massificado e emburrecedor. A busca por técnicas de ensino mais eficientes praticamente não existe, e o modelo educacional que as novas gerações seguem é praticamente o mesmo que nossos pais ou avós seguiam. O desinteresse na busca por novos métodos de ensino deve ser visto sob duas perspectivas: a da rede pública e a da rede privada.

Na rede pública, em regra, não importa a qualidade do método de ensino, pois os salários são padronizados, logo, o professor ganhará o mesmo ordenado no fim do mês, sendo eficiente ou não no seu trabalho. A rede pública não busca o lucro, ela busca verbas. E verbas adicionais só são adquiridas quando há uma pressão social sobre o governante em virtude da má qualidade do serviço. De fato, os incentivos na escola pública são reversos: quanto mais ineficiente a escola, maior a probabilidade de se conseguir mais verba para melhorá-la.

Já na rede particular, a busca por melhores e mais eficientes métodos de ensino até ocorre, pois a rede particular busca o lucro, e lucros só são adquiridos quando o serviço é ofertado com mais qualidade, aumentando o número de consumidores, e com menos custos, mas a atividade criativa do mercado de ensino é gravemente tolhida pela grande regulamentação feita pelo MEC, que não só tem poder de intervir no método (mesmo com a Constituição dispondo em contrário), como também, e principalmente, no conteúdo. Essa regulamentação aumenta artificialmente a demanda, pois existe uma obrigatoriedade do ensino regulado, e diminui artificialmente a oferta, em virtude da burocracia para se conseguir uma licença para ensinar, aumentando os preços e o lucro das escolas privadas existentes sem uma contrapartida na qualidade. O governo destrói os incentivos naturais do livre mercado educacional.  

O panorama geral da educação no Brasil é, dado o grande potencial local, o pior possível.

A SOLUÇÃO PARA A QUESTÃO DA EDUCAÇÃO NO BRASIL

Sempre que alguém me pergunta qual é a solução para determinado problema, eu me recordo da sabedoria do personagem "Gato de Cheshire", do romance "Alice no País das Maravilhas"[5]:

O Gato apenas sorriu quando viu Alice. Parecia de boa índole, ela pensou, mas não deixava de ter garras muito longas e um número respeitável de dentes, por isso ela sentiu que devia ser tratado com respeito.

"Gatinho de Cheshire" começou um pouco tímida, pois não sabia se ele gostaria do nome, mas ele abriu mais o sorriso. "Poderia me dizer, por favor, que caminho devo tomar para sair daqui?"

"Isso depende bastante de onde você quer chegar", disse o Gato.

"O lugar não me importa muito...", disse Alice.

"Então não importa que caminho você vai tomar", disse o Gato.

Como visto, a educação não tem uma natureza substantiva, sendo um meio de troca de conhecimento. A educação é, antes de tudo, um processo de autodescobrimento. É através dessa linda interação com outros homens (educação propriamente dita) e com a natureza (criação ou descoberta) que se descobre suas aptidões, vontades, prazeres e mesmo as questões filosoficamente mais relevantes: quem você é, por que está aqui e o que quer fazer com essas respostas.

O processo educacional está em todo lugar, em todas as pessoas. Pessoas são diferentes, com necessidades e realidades diferentes. As Alices perdidas no meio da floresta da vida nem sempre têm noção sobre que lugar querem chegar, ou seja, que tipo de educação precisam para atingir seus objetivos particulares, ou, ainda, que tipo de conhecimento as levaria de um estado de menor satisfação para um estado de maior satisfação, no dizer misesiano.

A boa educação passa por se saber primeiro aonde a pessoa quer chegar, para então se decidir que caminho se deve tomar. Não o contrário, como acontece hoje. Infelizmente, os Gatos de hoje não têm a humildade e a moral do Gato de Cheshire, para estimular as Alices a escolherem por elas mesmas em que lugar elas querem chegar.

Burocratas pedagogos de órgãos como o Ministério da Educação, de uma soberba inigualável e pobreza de espírito ímpar, criam caminhos pré-determinados (educação), longos e ineficientes, para que todos cheguem a um lugar específico de escolha deles, a doutrinação estatista que justifica o sistema em que as Alices dependem dos Gatos (ou seriam gatunos?).

Uma verdadeira educação libertária é uma educação despida de preconceitos, sem estamentos do tipo "1º ano", "ensino fundamental" e "ensino médio". Cada um buscaria uma instituição de ensino de acordo com suas necessidades. Esse sistema provavelmente levaria a um ensino fundamental parecido com o que temos atualmente, mas os métodos de ensino (a verdadeira educação) seriam de livre-escolha da instituição, de acordo com as demandas de mercado, ou seja, de acordo com a vontade dos pais, dos alunos e das empresas que necessitam de profissionais, ou seja, os recursos seriam alocados de maneira muito mais eficiente, com pouco desperdício. E as pessoas se formariam em "matemática básica", "português avançado" e "história do Brasil", assim como em "métodos de agricultura", "fotografia" ou "mecânica".

Esses diplomas teriam valor não porque o MEC disse que eles têm, mas porque as pessoas, através do livre mercado, reconheceriam esses diplomas como sendo bons, e se determinados diplomas não fossem bons, a escola provavelmente iria à falência. As universidades não estariam presas a regras sobre quem elas podem ou não aceitar no curso, podendo aceitar crianças superdotadas nas suas fileiras, ou ainda pessoas com grande conhecimento de matemática e nenhum conhecimento de biologia para seu curso de engenharia civil. Novamente aqui o valor do profissional se daria pela sua técnica e talento, não pela vontade de um burocrata. A avaliação se daria pelo livre mercado e por um sistema de preços, que demonstram eticamente o valor de qualquer serviço, inclusive o educacional. O autodidatismo, a criação e o descobrimento seriam tão importantes quanto o processo educacional tradicional, pois o que importaria é o conhecimento adquirido, e não a forma como ele foi obtido (desde que de maneira não-violenta). As sociedades profissionais teriam um papel essencial avaliando os profissionais, mas sem o poder de impedir o profissional de atuar, sendo instituições de indicação de profissionais, e não de coerção, violência e reserva de mercado.

Sem amarras estatais, empresas e instituições estrangeiras investiriam pesadamente no mercado educacional e profissional, aumentando a eficiência do ensino em conjunto com a queda de preços. No mundo jurídico, por exemplo, um dos cursos mais famosos do Brasil é um curso online. Um professor de altíssimo gabarito dá uma aula online para milhares de alunos em todo o Brasil, em salas de aulas com telões, barateando assustadoramente o custo e levando aulas de grande nível para rincões onde, em outro momento, seria impossível tal profissional chegar. Experiência análoga, em nível mundial, é a Khan Academy, também com aulas online.

Em um verdadeiro livre mercado e com os recursos tecnológicos atuais (também atingidos graças ao livre mercado), a gama de possibilidades para a melhoria e barateamento do processo educacional é infinita. Nenhum burocrata ou órgão governamental teria como prever quais seriam os métodos mais eficientes e baratos para a transmissão (educação) de cada conhecimento perseguido por cada pessoa. No entanto, temos muitas mentes pensantes, espalhadas em cada cantinho do país, prontos para dar sua contribuição local e nacional para suprir essas carências, desde que elas sejam livres para prestar esses serviços.

E o mais interessante disso tudo é que não há nenhuma novidade. É apenas o resgate do conceito clássico, instintivo e natural da educação, antes da subversão estatista. Se o grande Mises[6] uma vez disse que a boa economia é a economia elementar, também a boa educação é a educação elementar.

A interação voluntária dos homens de bem, por meio do livre mercado educacional, revolucionará o mundo.

 

Leia também: A obrigatoriedade do diploma - ou, por que a liberdade assusta tanto?

Educação Pública - Um fetiche socialista

Educação e liberdade


[1] Sobre a ética objetiva e aplicável a todos os homens, ROTHBARD, Murray. A Ética da Liberdade. Disponível em http://www.mises.org.br/Ebook.aspx?id=12. A ética, como fundamentação teórica para se encontrar o melhor modo de viver e conviver, isto é, a busca do melhor estilo de vida, sempre através da razão abstrata, é objetiva e única.

[2] Crianças sem pais, em regra, poderiam até com certa facilidade conseguir pais adotivos, mas são impedidos por uma legislação de adoção altamente restritiva, que praticamente inviabiliza a adoção no Brasil.

[3] Sobre o assunto, recomenda-se o artigo de GUEDES, Paulo. Pega os peixe, não os emprego. Em http://www.imil.org.br/artigos/ptpega-os-peixe-os-emprego/.

[4] Reportagem completa sobre o assunto encontra-se em http://www1.folha.uol.com.br/saber/925261-mec-distribui-livro-com-erro-de-matematica-a-37-mil-escolas.shtml.

[5] CARROLL, Lewis. Alice no País das Maravilhas, 1886. Ed. L&PM Pocket, 1998, pg. 84.

[6] MISES, Ludwig Von. Citado em ULRICH, Fernando. Good Economics is basic economics. Em http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1058.



autor

Bernardo Santoro
é Mestre em Teoria e Filosofia do Direito (UERJ), Mestrando em Economia (Universidad Francisco Marroquín) e Pós-Graduado em Economia (UERJ). Professor de Economia Política das Faculdades de Direito da UERJ e da UFRJ. Advogado e Diretor-Executivo do Instituto Liberal.



  • Helio Souza  25/10/2011 10:51
    Opa,já tinha lido esse texto na página do Liber e me lembro de ter rasgado elogios no facebook sobre o texto. Lembro também que inclusive comentei que de tão bom que estava o texto, que deveria ser publicado no aqui Mises Brasil. Parece que concordaram comigo =D
    Mais uma vez, excelente texto, Bernardo. Parabéns.
  • Bernardo Santoro  25/10/2011 11:18
    Verdade, Helio! Obrigado!
  • Brenner  10/02/2013 00:45
    Tenho uma dúvida. Se puder responder por favor, responda. Vários rankings avaliadores de qualidade educacional (a maioria deles está disponível na internet), que elaboram listas do tipo " 100 melhores faculdades do mundo", consideram as universidades públicas brasileiras melhores do que as universidades privadas brasileiras. Minha pergunta é: como isso é possível segundo a lógica libertária do mercado? Quero dizer, a lógica do mercado diz que os serviços públicos são sempre ruins e ineficientes. Também diz que não há nada que o Estado ofereça em serviços que o mercado não possa oferecer de forma mais EFICIENTE e barata. Então como uma universidade pública é capaz de oferecer serviços melhores do que uma universidade/faculdade privada?
  • Eleno  10/02/2013 02:19
  • Neto  10/02/2013 09:43
    Esse artigo só fala do PROUNI

    Eu acho que um dos motivos pra isso, pras públicos estarem melhores que as privadas em vários rankins, primeiro é que esses rankins usam como critério um monte de besteira irrelevante, como a quantidade de mestres, doutores, etc. Nada disso é garantia que o cara vai saber ensinar alguma coisa, tanto que é a coisa mais comum ver gente que aprende muito mais na internet do que com os seus 'mestres'
    E o outro é que as públicas acabam levando o mérito por terem alunos que já estão acostumados a estudar muito, e o vestibular, agora o enem, faz esse trabalho, de seleção.Quem não quer estudar de graça?
    E ainda tem outro motivo, na minha opinião, que tem muita fac privada ruim mesmo, muita fábrica de diplomas.Mas até isso o governo tem culpa no cartório porque os estudantes dessas na maioria são pobres que não sabem nada de nada, estão lá com bolsa ou FIES garantido pelo próprio governo, quando terminarem vão quebrar a cara

    Agora com as cotas a qualidade das publicas só tende a cair, é interesse do governo nivelar por baixo pra falar que os cotistas estão no mesmo nível que todos os outros.
  • Brenner  11/02/2013 02:06
    Entendi. No fundo sempre achei isso na verdade. Me corrijam se estiver errado mas acredito que as faculdades públicas são as "melhores" não necessariamente devido à qualidade de seu ensino e sim devido ao fato delas criarem um "filtro" estreito(o vestibular) de forma a ficar apenas com os estudantes mais cabeças. Aí fica fácil ensinar física quando seu aluno já entende de física. Porém com a adoção obrigatória de provas imbecis como ENEM e cotas para a rede pública a situação tende a mudar para pior.
  • anônimo  02/11/2013 19:26
    Com certeza, tirando a maioria de cursos idiota que ninguém precisa saber de nada pra concluir, cursos mais difíceis como medicina e engenharia são o pesadelo dos cotistas. Já ouvi falar que em uma universidade eles se organizaram pra pedir reforço pras matérias difíceis, ou seja, aulas de assuntos básicos que eles deviam ter aprendido no segundo grau.
    Ou seja, universidade agora virou cursinho
    oglobo.globo.com/educacao/vestibular/mec-quer-aulas-de-reforco-para-cotistas-em-universidades-federais-5794646
    Só o fato de um MERcadante desses admitir a necessidade já mostra que essa conversa de cotistas irem tão bem quanto os outros é balela.

    Por outro lado, vai ser bom pras privadas, já que grande parte dos alunos inteligentes vão passar a estudar lá
  • Danilo Havelange  20/07/2013 20:17
    Isso acontece por causa da intervenção do MEC (Estado) na educação, amigo. A resposta está no próprio texto.
  • André Ramos  25/10/2011 10:57
    Bernardo,\r
    parabéns pelo lúcido e corajoso artigo.\r
    Só faltou mencionar a proibição do homeschooling, que, como você bem sabe, eu considero uma luta libertária urgente e importantíssima.\r
    Forte abraço.
  • Bernardo Santoro  25/10/2011 11:18
    É verdade, André. Eu poderia ter gasto um tópico falando sobre homeschooling. Mas de certa forma é auferível do conceito de educação livre.

    Abraço!
  • Rodrigo  25/10/2011 11:56
    Mais um grande artigo sobre educação com o respeito às liberdades civis. É o IMB sempre na frente.
  • Rene  25/10/2011 12:28
    Não vou entrar no mérito de educação livre versus educação regulamentada, visto que esse assunto foi muito bem tratado no texto. A educação no Brasil está indo de mal a pior. Não é difícil encontrar, no terceiro ano do ensino médio, alunos que não dominam os conceitos básicos, os quais deveriam ser plenamente conhecidos já por alunos do ensino fundamental. O fato do Brasil estar ocupando lugares cada vez mais vergonhosos no ranking de educação em comparação com outros países mostra que alguma coisa está terrivelmente errada no nosso modelo de ensino. O problema é que o objetivo dos nossos "estadistas" não é melhorar o padrão de vida de todos através de da educação, mas de doutrinar as massas de maneira a ser cada vez mais dependente do governo. Quantas pessoas que, chegando às portas da faculdade, são completamente incapazes de ler e entender um texto como esse, mas que são completamente "politizadas", envolvidas com as lutas sociais, em busca de uma maior distribuição de renda, ou até mesmo defensoras ávidas do implantação do paraíso na terra, que eles conhecem pelo nome de "socialismo". Quando não se sabe onde quer chegar, realmente, qualquer caminho serve. Infelizmente, as pessoas que regulamentam a educação no Brasil hoje sabem exatamente onde querem chegar, e qual o caminho que eles devem seguir.
  • Visitante  25/10/2011 12:43
    Muito bom, parabéns!

    "A postura coletivista também enfraquece o núcleo básico da sociedade, que é a família. Responsabilizar o governo e a sociedade pelo custeio e conteúdo da educação de crianças retira dos pais a sua autoridade natural e enfraquece a relação social mais básica que existe, justamente por ser uma relação, antes de mais nada, voluntária. Fica enfraquecida a relação baseada no voluntarismo e no amor, a família, e fortalecida uma relação baseada na coerção e violência, a relação estado-cidadão (súdito)."

    Esse assunto me interessa profundamente. Eu acredito que em diversos aspectos de nossa vida a interação voluntária vem sendo aos poucos substituída por uma interação mediada pelo Estado e por seu aparato coercitivo, o que provoca um efeito desumanizador terrível. Um exemplo disso foi esse último episódio com a menina atropelada na China, mas existem outros exemplos (nazifascismo, etc).
    Seria interessante se vocês explorassem mais esse tema...
  • mcmoraes  25/10/2011 12:55
    @Bernardo Santoro: "...Burocratas pedagogos de órgãos como o Ministério da Educação, de uma soberba inigualável e pobreza de espírito ímpar, criam caminhos pré-determinados (educação), longos e ineficientes, para que todos cheguem a um lugar específico de escolha deles, a doutrinação estatista que justifica o sistema em que as Alices dependem dos Gatos (ou seriam gatunos?)..."

    Não pude deixar de me lembrar da origem da palavra "pedagogo":

    "...PAIDAGOGÓS, de PAID-, "criança" e AGOGÓS, "portar, conduzir" era o escravo que levava a criança à escola, preceptor..."
  • Inacio Neto  25/10/2011 14:18
    PQP, lindo veio.

    É emocionante ler artigos assim.

    Muito bom !
  • Alan Denadary  25/10/2011 14:29
    Párabéns Bernardo! O partido Libertários está em ótimas mãos.\r
    \r
  • Alexandre M. R. Filho  25/10/2011 14:48
    Bernardo, parabéns. Manda pro futuro candidato a prefeito de SP, o Haddad! Hahahahaha
  • PESCADOR  25/10/2011 17:56
    Artigão! Só isso tenho a dizer. 100% libertário. Parabéns ao Bernardo, presidente do Liber, por esse ótimo texto.
  • Fernando Chiocca  25/10/2011 18:03
    Parabéns ao Bernardo por este excelente artigo e parabéns ao Libertários por ter conseguido ontem atingir a marca de 10.000 seguidores no Facebook.
  • Alexandre M. R. Filho  26/10/2011 13:30
    Se cada um deles conseguir 50 assinaturas...
  • Isaias Barbosa  25/10/2011 18:06
    Fernando Haddad publicou diversos livros no Brasil, tais como:

    O Sistema Soviético, Scritta Editorial, São Paulo, 1992;
    Em defesa do socialismo, Editora Vozes, Petrópolis, 1998;
    Desorganizando o consenso, Vozes, Petrópolis, 1998;
    Sindicatos, cooperativas e socialismo, Editora Fundação Perseu Abramo, São Paulo, 2003;
    Trabalho e Linguagem, Azougue Editorial, Rio de Janeiro, 2004;

    Fonte: Wikipédia

    Alguma relação com o atual sistema educacional brasileiro?
  • Fernando Chiocca  26/10/2011 11:37
    Assustador
  • anônimo  26/10/2011 11:58
    Reparem como o marxismo se embrenha nos mais variados temas e disciplinas. É essencial que a praxeologia faça o mesmo e leve a batalha para todos os campos possíveis.
  • Fernando Chiocca  26/10/2011 15:11
  • Absolut  26/10/2011 13:44
    Editora Vozes Vermelhas, só pode.
  • mcmoraes  26/10/2011 14:18
    Esse Haddad não é bom de timing. Publicou em 1992 um livro sobre o sistema soviético, quando em 1991 a própria Rússia já tinha jogado a toalha. Que fraqueza.
  • Rovison  26/10/2011 01:18
    Texto excelente! Sou professor de escola pública e defendo integralmente as teses e propostas do autor do artigo. Meu sonho é que esse modelo de educação fosse implantado no Brasil. Pena que a sociedade brasileira está nas mãos de burocratas, professores militantes e "especialistas em educação" que pouco entedem do que seja e para que serve educação numa perpesctiva que valoriza o indivíduo e a meritocracia.
  • Filipe Celeti  26/10/2011 12:30
    Você não está sozinho.
  • Aecio  26/10/2011 09:25
    Alguém pode me dizer qual é o curso jurídico online mencionado no texto?

    Obrigado.
  • Aecio  26/10/2011 09:29
    Esta passagem é magnífica:

    "Já na rede particular, a busca por melhores e mais eficientes métodos de ensino até ocorre, pois a rede particular busca o lucro, e lucros só são adquiridos quando o serviço é ofertado com mais qualidade, aumentando o número de consumidores, e com menos custos, mas a atividade criativa do mercado de ensino é gravemente tolhida pela grande regulamentação feita pelo MEC, que não só tem poder de intervir no método (mesmo com a Constituição dispondo em contrário), como também, e principalmente, no conteúdo. Essa regulamentação aumenta artificialmente a demanda, pois existe uma obrigatoriedade do ensino regulado, e diminui artificialmente a oferta, em virtude da burocracia para se conseguir uma licença para ensinar, aumentando os preços e o lucro das escolas privadas existentes sem uma contrapartida na qualidade. O governo destrói os incentivos naturais do livre mercado educacional."

    clap clap clap

  • Gustavo Nogy  26/10/2011 11:47
    Ótimo texto. Gostaria, inclusive, de ler mais artigos sobre a perspectiva libertária no Direito.

    A propósito: qual é o curso jurídico online mais famoso do Brasil? rs. Fiquei interessado.

    Abraços.
  • Bernardo Santoro  26/10/2011 12:19
    Aécio, o curso online em questão é o LFG.
  • Vanderlei  30/10/2011 21:19
    O Mec está ultrapassado com seu esquema de ensino.\r
    \r
    O ensino superior deve ser visto como uma continuação do ensino médio, não existe a necessidade de um vestibular para esta passagem.\r
    \r
    Existindo vagas o aluno deve ser aceito sem exames, porque já passou de ano, é uma continuação.\r
    \r
    A fiscalização deve haver no ensino médio, onde professores não sabem nem dar aulas, não existe livros completos e professores capacitados para ensinar.\r
    \r
  • Mario  03/11/2011 10:37
    Vestibular existe pois há muito mais alunos querendo fazer ensino superior do que vagas disponíveis (principalmente nas universidades públicas).
    Se você não quiser fazer vestibular, conheço várias universidades particulares onde basta pagar a matrícula e as mensalidades em dia que você é aceito.
  • Lucas Amaro  03/11/2011 13:59
    Para o ingresso no ensino superior, as notas durante o ensino médio deveriam ser bem mais relevantes do que representam atualmente, até comparando com um vestibular propriamente dito, já que seriam os resultados apresentados durante 3 anos de dedicação (ou não, no caso de quem ficar de fora por notas baixas). Mas acho que uma mistura de ambos pode ser útil sim, principalmente se comparado com um ENEM da vida.
  • Vanderlei Dallagnolo  02/11/2011 10:49
    Encaminhado e divulgado.
  • Augusto  01/05/2012 05:06
    Esse fim de semana eu fiquei sabendo que o curso de licenciatura em história na universidade privada da minha cidade custa R$1000 por mês. Como são poucos os abonados que fazem licenciatura em história, eu acredito que a maioria dos estudantes são ou desempregados ou empregos que pagam pouco. Ou seja, para pagar uma mensalidade dessas, só mesmo pedindo empréstimo. O FIES está aí pra isso. Supondo um financiamento de 50%, lá se vão R$6000 reais por ano de empréstimo. Ao fim de 3 anos e meio, que é a duração do curso, são R$21000 reais de dívida (sem contar os juros).

    Considerando que o licenciado em história é essencialmente qualificado para fazer um concurso e virar professor de escola pública onde o salário de um professor em tempo integral não chega a R$1500, a gente já pode imaginar que essa dívida nunca será paga. Mas também não será perdoada.

    Ou seja, há por aí alguns milhões de jovens voluntariamente se tornando servos do Estado.
  • anônimo  10/02/2013 09:49
    Mesma coisa que já acontece nos EUA.


  • Julio Heitor  24/05/2013 13:02
    Algém poderia dar uma luz quanto ao artigo que saiu hoje no G1 sobre a "perfeita" educação da Finlândia?

    g1.globo.com/educacao/noticia/2013/05/pais-com-melhor-educacao-do-mundo-finlandia-aposta-no-professor.html


    O que achei estranho foi a ministra da educação daquele país dizer que não existe meritocracia para os professores. Eles recebem aumentos salariais apenas por tempo de serviço.

    Todas as escolas e universidades são gratuitas e mesmo os 2% de escolas privadas recebem ajuda de um fundo estatal.

    Como refutar tal paradoxo entre "gratuidade e ausecia de meritocracia" e qualidade?
  • Malthus  24/05/2013 13:12
    A explicação para a educação da Finlândia -- e a da Estônia, quase tão boa quanto -- é outra: o idioma. Se o idioma é simples e claro, os estudos se tornam mais lógicos e o aprendizado, mais fácil. Há estudos inteiros sobre isso.

    Desde 2006 a amostra de países do PISA foi aumentada, incluindo diversos países em desenvolvimento. Um deles foi a Estônia. E desde então ela também passou a ocupar as posições mais altas no PISA dentre as nações ocidentais (nunca tão boas quanto as da Finlândia, mas ainda assim acima de Noruega, Suécia, Alemanha).

    Há um fator em comum entre Finlândia e Estônia: as línguas de ambos os países não pertencem ao ramo indo-europeu comum a quase toda a Europa, mas ao ramo fino-úgrico; e são muito parecidas entre si. Se a tese ainda parece duvidosa, considere o seguinte: dentro da Finlândia há uma minoria de falantes do sueco. Essa minoria é, em média, mais rica do que a de falantes do finlandês. No entanto, as notas dela no PISA são muito inferiores às deles. A tese do papel da língua na educação finlandesa é exposta neste breve artigo de Taksin Nuoret.

    finnish-and-pisa.blogspot.com.br/

    P.S.: aviso a terceiros: gentileza ler a matéria completa antes de reclamar.
  • M.D  31/10/2013 14:37
    Olá, poderiam me ajudar em uma resposta? Publiquei partes desse artigo em meu blog e um esquerdista comentou discordar completamente, e me indicou essa leitura,

    ensaiosdegenero.wordpress.com/2013/07/02/qual-e-a-ideologia-por-tras-de-uma-escola-sem-ideologia/, o que deveria responder para o féra?

    "Bom, discordo de sua análise da escola e também do projeto político que defende para a educação. Penso que ideologia existe em qualquer lugar, não existe neutralidade (apenas os positivistas buscavam a neutralidade), logo não existe escola sem ideologia e aquelas que dizem não ter, na realidade ocultam suas perspectivas políticas e ideológicas. O texto "Qual é a ideologia por trás de uma 'escola sem ideologia'?" trata destas questões e resume o que penso sobre. Recomendo a leitura:"
  • Andre Cavalcante  31/10/2013 17:39
    Ele tá certo no seguinte sentido: não há, de fato, uma escola sem uma ideologia qualquer. O problema, que o artigo aborda e pelo jeito o cara não quis entender é o fato de ninguém ser o dono da verdade (portanto sua ideologia não é melhor que a de qualquer um outro) e, portanto, a educação deveria ser livre para que a escola, os pais, professores e alunos pudessem, eles mesmos, escolher quais as ideias que abraçam.

    O que ele quer, defendendo essa frase, e que não quer aceitar é: "sou um totalitário e, como educação sempre tem um viés ideológico qualquer, que seja a minha, em detrimento de todas as outras".

  • João Pedro de Araujo Pereira  16/11/2014 17:38
    Professor, o senhor traz a responsabilidade para o próprio indivíduo, sua família e o livre mercado para a educação, mas eu lhe pergunto: Como pode o individuo e sua família lhe custear uma educação, se para a maioria da população pagar uma escola é completamente inviável? E mais, porque não responsabilizar a sociedade para custear essa educação (que não necessariamente precisa ser nos moldes dos burocratas) para podermos trazermos um pouco mais de igualdade a nossa sociedade, que possui 85 famílias com riqueza igual a de 3,5 bilhões de seres humanos.

    Sobre o método completamente libertário de educação, que transforma ela igual a cursos por módulos aonde as próprias pessoas escolhem o que fazer há diversas críticas a isso que não foram feitas: 1) Como crianças já vão saber o que escolher? E o que ela escolheu é motivo dela se arrepender depois? A pessoa passa a infância toda aprendendo português para chegar e descobrir que quer ser de exatas, como faz? Um roceiro do interior do Brasil nunca vai poder ser um pesquisador de matemática porque a sua região o "obriga" a ser agricultor? Isso não é tirar uma foto do presente e querer o eternizar para todo o sempre?

    Por fim como o senhor mesmo disse o livre mercado busca as soluções com menores custos para maximizar os lucros, com o uso de aulas onlines por exemplo. A questão que não foi feita é: É realmente possível que em nossas residências como cada vez mais dispersão crianças vão querer e se aplicar para ficar horas em frente a uma TV e um computador para aprender?

  • Pedro João  16/11/2014 23:18
    "Como pode o individuo e sua família lhe custear uma educação, se para a maioria da população pagar uma escola é completamente inviável?"

    Há vários artigos explicando isso. Sugiro esses:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=319
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=341
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1442

    "E mais, porque não responsabilizar a sociedade para custear essa educação (que não necessariamente precisa ser nos moldes dos burocratas) para podermos trazermos um pouco mais de igualdade a nossa sociedade, que possui 85 famílias com riqueza igual a de 3,5 bilhões de seres humanos."

    E por que parar na educação? Comida é ainda mais importante para a sobrevivência do que escola. Por que então não dar comida de graça para todo mundo? Por que educação e não comida? Aliás, e a moradia, que também é mais premente do que educação? E o vestuário? Por que não dar casa, comida e roupa lavada "de graça" para toda a população?

    De resto, juro que não entendo essa sua pergunta, uma vez que já há "educação gratuita" no Brasil do maternal ao pós-doutorado. Se você está reclamando é porque reconhece que é uma porcaria. A sua solução? Dobrar a aposta na porcaria. Faz sentido?

    "Sobre o método completamente libertário de educação, que transforma ela igual a cursos por módulos aonde as próprias pessoas escolhem o que fazer há diversas críticas a isso que não foram feitas: 1) Como crianças já vão saber o que escolher? E o que ela escolheu é motivo dela se arrepender depois? A pessoa passa a infância toda aprendendo português para chegar e descobrir que quer ser de exatas, como faz? Um roceiro do interior do Brasil nunca vai poder ser um pesquisador de matemática porque a sua região o "obriga" a ser agricultor? Isso não é tirar uma foto do presente e querer o eternizar para todo o sempre?"

    Gozado. Até onde eu sei, isso é exatamente o que já acontece no sistema atual, no qual o sujeito aos 16 anos já tem de decidir qual será seu curso superior. Qual a sua dúvida?

    "Por fim como o senhor mesmo disse o livre mercado busca as soluções com menores custos para maximizar os lucros, com o uso de aulas onlines por exemplo. A questão que não foi feita é: É realmente possível que em nossas residências como cada vez mais dispersão crianças vão querer e se aplicar para ficar horas em frente a uma TV e um computador para aprender?"

    Putz, isso é sério?

    Cidadão, se você começar a se preocupar com eventualidade, a lista não acaba. Por acaso uma criança em uma sala de aula, rodeada de amigos sentados à sua volta, irá prestar atenção na aula? E se o menino estiver com a cabeça na loirinha da primeira fila enquanto a professora fala sobre a Revolução Francesa? E se o menino estiver com a cabeça no Facebook, pensando se recebeu aquela cutucada de volta da menina em que está interessado? E se o menino simplesmente estiver doido pra ir pra casa porque está com fome e querendo almoçar logo?

    Já pensou nessas dispersões bem reais?

    Eu mesmo nunca prestei atenção em aula nenhuma (nem na escola, nem na faculdade), e justamente por isso não me corrompi, sou bem culto e bem-sucedido profissionalmente
  • Joao Pedro de Araujo Pereira  17/11/2014 14:39
    Do primeiro artigo: Vi que uma resposta para minha pergunta é a defesa do fim da obrigatoriedade do diploma para o exercício de todas as profissões, inclusive indo além, com o fim do curso superior da maioria das humanas: "Já aqueles cursos "puramente teóricos", como filosofia, direito, economia, psicologia, ciências sociais, matemática, estatística, história, geografia, física, fonoaudiologia e até mesmo ciência da computação, dificilmente seriam ofertados em grande escala como são hoje, pois não é necessário ter um exército de professores cuja única função é escrever no quadro e indicar livros-texto. Não haveria demanda para um serviço tão básico."

    Claro, porque a única função desses cursos é ter um exército de professores cuja única função é escrever no quadro e indicar livros-texto. Criar cientistas e pesquisadores pra quê né? Isso sem falar no absurdo em deixar que pessoas sejam médicas sem 4 de estudos, afinal para pessoas ruins "o mercado" iria dar salários mais baixos a ela e até demiti-la, enquanto isso pessoas são mortas porque o cidadão se dizia médico porque tinha o certificado de alguns módulos que assistiu em casa, show! E antes que digam que não li o texto, logo abaixo que ele diz que faculdades para exatas e áreas biológicas ainda podem existir, o autor escreve: " Mas nada impediria que os não diplomados também tentassem mostrar sua competência.". Ao "tentar" mostrar competência prédios já caíram e pessoas já morreram.

    Ainda do primeiro artigo vi que outra solução é o método de ter aula em casa (e possivelmente com aula online já citado nesse artigo) e que isso também baratearia o preço das escolas presencias: "Vale deixar claro que as mensalidades escolares são caras hoje porque as escolas também são um serviço que foi tornado obrigatório pelo estado". O problema com crianças continua.

    Ao segundo artigo: Vi que a solução para a qualidade insuficiente da educação e saúde pública é: Desburocratização, desestatização, retirada dos subsídios e retirada dos impostos.

    Mas sendo e para grande parte dos indivíduos que poderiam não ter condições de pagar hospitais e colégios?

    O próprio autor reconhece a crítica feita que ainda assim muitas pessoas não teriam dinheiro para pagar, e apresenta a seguinte solução: "Os serviços privados de ambas as áreas são caros devido à falta de concorrência, fazendo com que os poucos serviços privados existentes tenham um alto preço devido à alta demanda. [...] as próprias forças do mercado mostrassem para empresários que a demanda ainda não foi satisfeita, eles, visando às oportunidades de lucro, investirão nessas áreas para atender essa demanda.

    Quem estudou um pouco de microeconomia sabe você pode uma concorrência perfeita com uma oferta abundante, ainda irá existir preço de equilíbrio. Tal preço de equilíbrio dificilmente conseguirá ser menor e as pessoas que não tiverem dinheiro ainda assim não vão conseguir pagar. E além disso médicos e professores dificilmente aceitaram receber menos que um salário mínimo - pois buscariam outras profissões devido ao custo de oportunidade - deixando tal preço de equilíbrio não ser "absurdamente barato" como pensa o autor do texto.

    Outra solução do autor que queria comentar é a redução de impostos, aonde o autor diz: " Os impostos tiram o poder aquisitivo da população e a impede de comprar todos os bens que desejam com o seu salário. Pessoas que poderiam normalmente desfrutar de certas necessidades, passam a não poder porque parte do seu salário é confiscada e vai para as mãos do governo.

    Conseqüentemente, caso uma redução drástica de impostos seja feita, a população possuirá uma maior capacidade de desfrutar de suas necessidades da melhor forma e, como a população sente necessidade por serviços saúde e educação, a redução de impostos também poderá fazê-los ter mais dinheiro para gastar com esses bens.

    Essa medida daria a possibilidade de os indivíduos usufruírem de hospitais e colégios melhores - em relação àqueles que poderiam desfrutar caso a alta dose de impostos fosse mantida."


    E quer saber? Eu concordo! Porém apenas as classes mais baixas! Assim para as pessoas que não tem nem o que comer nem conseguir pagar escola, saúde particular etc teriam isenções de impostos. A medida que sobe nas classes sociais de riqueza o imposto seria cada vez maior. Ou você acha que uma pessoa e sua família que tem 50 bilhões na conta deveria competir de forma igual com uma pessoa que recebe 50 reais por mês por cortar cana? E se você acha que tal bilionário conseguiu isso de forma meritocrática pense denovo, ele realmente trabalha / é mais importante socialmente 1 bilhão de vezes mais que o cortador de cana? E mesmo que fosse se os dois fossem originalmente cortadores de cana ele ainda assim seria tal bilionário?

    Ao terceiro artigo: Reconhece que nem toda família teria condição de realizar o ensino domiciliar (homeschooling) a crianças devido a condições intelectuais e temporais mas que quem quisesse estaria livre. Além disso o autor reflete que para que o homeschooling não vire um aprisionamento, aonde a criança teria escolher se queria ficar em casa aprendendo com aula online ou iria para a escola. Assim eu concordo com o autor, pois ele reconhece muito bem que aula em casa pode não possível, restando para a escola essa missão. Por fim acredito que mesmo no homeschooling deveria haver a necessidade de ter provas para medir o conhecimento, sendo não necessariamente escritas e do governo, mais ou menos como o Ensino a Distância universitário funciona hoje em dia, para haver certificados. De resto tenho a concordar com o aspecto positivo de se ter uma "concorrência" de modelos escolares sem precisar vir do MEC.

    A demais obrigado por mostrar os três artigos, sendo o terceiro o que mais me agradou.

    Após os artigos, vamos a suas respostas em si:

    E por que parar na educação? Comida é ainda mais importante para a sobrevivência do que escola. Por que então não dar comida de graça para todo mundo? Por que educação e não comida? Aliás, e a moradia, que também é mais premente do que educação? E o vestuário? Por que não dar casa, comida e roupa lavada "de graça" para toda a população?

    Concordo com você que é preciso garantir comida, moradia, educação, saúde, vestuário para toda a população. Em relação a comida e saúde pelos motivos ja apresentados de serem muito custosos por via particular, elas seriam públicas (não necessariamente estatais!!). Pronatec e Prouni garante educação pública por instituições privadas por exemplo. Em relação a comida e vestuário o Bolsa Família garante tais direitos, e por fim a moradia, programas como a Minha Casa Minha Vida e tecnologias recentes (como a impressora 3D de casas) pode garantir esse direito.

    Gozado. Até onde eu sei, isso é exatamente o que já acontece no sistema atual, no qual o sujeito aos 16 anos já tem de decidir qual será seu curso superior. Qual a sua dúvida?

    O Sujeito escolhe por volta dos 16 aos 19 anos de idade, não com 6 anos de idade!!

    Cidadão, se você começar a se preocupar com eventualidade, a lista não acaba. Por acaso uma criança em uma sala de aula, rodeada de amigos sentados à sua volta, irá prestar atenção na aula? E se o menino estiver com a cabeça na loirinha da primeira fila enquanto a professora fala sobre a Revolução Francesa? E se o menino estiver com a cabeça no Facebook, pensando se recebeu aquela cutucada de volta da menina em que está interessado? E se o menino simplesmente estiver doido pra ir pra casa porque está com fome e querendo almoçar logo?

    Estamos falando de crianças aqui, pois se fosse para adultos tais eventualidades seriam responsabilidade do mesmo. Porém para crianças a responsabilidade é dos pais e da sociedade/Estado (direito fundamental pela constituição), sendo que quando os pais não tiverem tempo para ensinar as crianças, nem recursos, nem condições intelectuais para dicernir o que é o melhor e pior, caberia a escola que o conteúdo fosse transmetido, e so aluno prefere olhar a loirinha da primeira fila que se tenha métodos pedagógicos que o faça prestar atenção, pois caso contrário ele terá que fazer tudo denovo, e perder o contato com a loirinha, sendo assim um grande incentivo para aprender.






  • Felipe  17/11/2014 15:41
    "Criar cientistas e pesquisadores pra quê né"

    Pesquisadores para fica debatendo marxismo serve para o que?

    "enquanto isso pessoas são mortas porque o cidadão se dizia médico porque tinha o certificado de alguns módulos que assistiu em casa"

    Enquanto isso pessoas continuam sendo mortas por médicos com diplomas, erros humanos sempre vão acontecer.

    Parte da responsabilidade é do consumidor, que deve procurar o historico do médico e do hospital antes de permitir que ele abra sua barriga.


    "Ao "tentar" mostrar competência prédios já caíram e pessoas já morreram. "

    Claro, eu quando vou comprar uma casa não olho o historico da construtora né?

    "Mas sendo e para grande parte dos indivíduos que poderiam não ter condições de pagar hospitais e colégios?"

    Não é minha responsabilidade, poupe seu dinheiro para emergências médicas, poupe seu dinheiro para a educação do seu filho.

    Se não, contente-se com serviços mais baratos, ou com a ajuda de seus familiares ou uma instituição de caridade.

    Eu, por ter tido filho cedo, me contentei em coloca-lo numa escola mais barata, mas isso é culpa minha e de mais ninguém, compenso isso dando uma boa educação familiar e incentivando ele a ter o hábito de lê.

    Mas não obrigue alguém a pagar isso por você


    "Porém para crianças a responsabilidade é dos pais e da sociedade/Estado "

    Não, a responsabilidade é apenas dos pais, apenas.
    Enquanto a criança for incapaz, ela é responsabilidade de seus pais.
    Meu filho é responsabilidade minha e da minha mulher, e de mais ninguém
  • João Pedro de Araujo Pereira  18/11/2014 23:02
    Pesquisadores para fica debatendo marxismo serve para o que?

    Todo pesquisador debate marxismo agora? Vou dar alguns exemplos de conhecimento de humanas que seriam simplesmente abandonados: Da filosofia vêm o estudo da ética, da epistemologia dentro outros que faz uma uma reflexão crítica sobre todo o conhecimento humano. Possui força no mercado de forma autônoma na área de licenciatura e jornalismo e pode ser o diferencial na área jurídica, linguista ou psicóloga.

    Preciso comentar a importância do Direito? Não haveria quem o criticasse, estaríamos todos presos ao que o legislativo decidisse, pois mais absurdo e abstrato que fosse, logo se voltasse um regime ditatorial ou nazista tudo bem, porque "segue a lei".

    E economia? O que seria da ideologia econômica liberal sem Adam Smith, Davi Ricardo, Milton Friedman, e tantos outros; o que seria do nacionalismo econômico sem Hamilton e List; e o que seria do marxismo sem Marx, Lenin, Thomas Piketty, Terry Eagleton e tantos outros pensadores das 3 ideologias econômicas, aonde o bacharelado de economia faz a crescente evolução das teorias, ou alguem aqui ainda acredita na Lei de Say liberal clássica, que dizia que toda oferta gera sua própria demanda?

    Enfim sobre os outros cursos há muito o que se falar, afinal ninguém fica estudando 5 anos para ser um "marxista inútil" sendo que o cara nem Marx curte!

    Enquanto isso pessoas continuam sendo mortas por médicos com diplomas, erros humanos sempre vão acontecer.

    Parte da responsabilidade é do consumidor, que deve procurar o historico do médico e do hospital antes de permitir que ele abra sua barriga.


    Okay, erros humanos sempre vão acontecer, porém quanto mais estudo o cidadão tiver menor a probabilidade do mesmo ocorrer.

    Mas agora você vem dizer que é responsabilidade do consumidor em ver o histórico do médico?!!! Então você leva um tiro está completamente inconsciente e precisa ser operado no momento, você milagrosamente vai acordar e vai falar "pera ai meu amigo, me mostre seu histórico!"?

    Claro, eu quando vou comprar uma casa não olho o historico da construtora né?

    Claro porque todo mundo agora vai olhar o histórico pra construir qualquer coisa né. E para construtoras novas como faz? Se todo mundo só constrói com quem tem histórico quem não tem histórico nunca se desenvolve, virando um cartel eterno. Não acho que é o caso.

    Não é minha responsabilidade, poupe seu dinheiro para emergências médicas, poupe seu dinheiro para a educação do seu filho.

    Se não, contente-se com serviços mais baratos, ou com a ajuda de seus familiares ou uma instituição de caridade.

    Eu, por ter tido filho cedo, me contentei em coloca-lo numa escola mais barata, mas isso é culpa minha e de mais ninguém, compenso isso dando uma boa educação familiar e incentivando ele a ter o hábito de lê.

    Mas não obrigue alguém a pagar isso por você

    Não, a responsabilidade é apenas dos pais, apenas.
    Enquanto a criança for incapaz, ela é responsabilidade de seus pais.
    Meu filho é responsabilidade minha e da minha mulher, e de mais ninguém


    Se a responsabilidade é somente dela e da sua família então vamos ser honestos:
    1)Nasceu de família pobre: Morra pobre.
    2)Não tem o que comer: Morra de fome.
    3)Não tem onde morar: Morra na rua.
    4)Não tem família para pagar nem uma educação mais barata: Morra burro (E antes que falem que ele pode trabalhar pra conseguir estudar, como você vai estudar se trabalha 14 horas numa plantação de cana e ganha 120 reais por mês que só da para se alimentar?)
    5)Não tem como pagar um médico: Morra sangrando no meio da rua.
    Tudo isso porque ninguém liga, quem mandou seus pais, avós, bisavós serem pobres também.

    Se for isso que você defende então tudo bem.

    Se a ideia da igualdade de oportunidades for realmente levada a sério, então seus proponentes terão de alterar toda a estrutura humana do planeta.

    Para começar, as pessoas não nascem iguais. Essa é a premissa mais básica de toda a humanidade. As pessoas são intrinsecamente distintas uma das outras. Algumas pessoas são naturalmente mais inteligentes que outras. Algumas têm mais destrezas do que outras. Algumas têm mais aptidões físicas do que outras


    Por favor pense numa corrida de atletismo com duas situações:

    Situação A) Um bebê contra um atleta
    Situação B) Um atleta contra um atleta

    Na situação A mostra a desigualdade de oportunidade, o bebê poderia ter se desenvolvido um atleta superior mas como condição de oportunidade diferente nunca irá ganhar do atleta.

    Na situação B acontece exatamente o que você descreveu, um pode ser melhor fisicamente que o outro, mais inteligente, melhor preparo, com maior destreza etc etc etc.

    "Gozado. Até onde eu sei, isso é exatamente o que já acontece no sistema atual, no qual o sujeito aos 16 anos já tem de decidir qual será seu curso superior. Qual a sua dúvida?"

    E o João Pedro de Araujo Pereira respondeu, para gáudio geral (negrito meu):

    "O Sujeito escolhe por volta dos 16 aos 19 anos de idade, não com 6 anos de idade!!"

    Ou seja, a ânsia do João Pedro de Araujo Pereira em vituperar e xingar é tanta, que ele nem consegue enxergar os números corretamente, e acaba passando esse vexame. Taí alguém literalmente cegado pela ideologia.


    Vou te ajudar na interpretação de texto: Pedro João me comunica que adolescentes com 16 anos já precisam escolher sobre seus futuros hoje ao escolher o que cursar no vestibular, o que fazer de curso técnico ou o que estagiar / trabalhar.

    Eu respondi ao caro Pedro João que concordo com ele que adolescentes fazem tal escolha hoje, mostrando também que é adolescentes e jovens de 16 ao 19. Porém argumentei que crianças de 6 anos não teriam essa capacidade de escolher seus futuros. Eu fiz isso para contra argumentar o que observei do artigo:

    Uma verdadeira educação libertária é uma educação despida de preconceitos, sem estamentos do tipo "1º ano", "ensino fundamental" e "ensino médio". Cada um buscaria uma instituição de ensino de acordo com suas necessidades. Esse sistema provavelmente levaria a um ensino fundamental parecido com o que temos atualmente, mas os métodos de ensino (a verdadeira educação) seriam de livre-escolha da instituição, de acordo com as demandas de mercado, ou seja, de acordo com a vontade dos pais, dos alunos e das empresas que necessitam de profissionais, ou seja, os recursos seriam alocados de maneira muito mais eficiente, com pouco desperdício. E as pessoas se formariam em "matemática básica", "português avançado" e "história do Brasil", assim como em "métodos de agricultura", "fotografia" ou "mecânica".

    Se você perceber caro José Ricardo, o autor do artigo está defendendo que desde o ensino fundamental crianças devam ser aptos a escolher o que melhor lhe convém, se formando só em português se assim desejar desde os seus 6 anos de idade. Quando chegar aos 18 anos que percebe que quer ser Engenheiro, vai ter que estudar 12 anos perdido de matemática. Entendeu agora o ponto antes de me xingar?

    E por você falar que eu sou cego pela ideologia muito pelo contrário, eu não defendo nenhuma ideologia, seja a liberal, a nacionalista ou a marxista. Eu defendo o uso dos conceitos clássicos de economia e algo como a intercessão das três ideologias, de modo que todo liberal, nacionalista e marxista extremista vai ouvir críticas por desconsiderar fatos e premissas




  • Anonimo.  21/12/2015 10:59
    'Quem estudou um pouco de microeconomia sabe você pode uma concorrência perfeita com uma oferta abundante, ainda irá existir preço de equilíbrio. Tal preço de equilíbrio dificilmente conseguirá ser menor e as pessoas que não tiverem dinheiro ainda assim não vão conseguir pagar.'
    Isso não faz muito sentido, vc acha que a sociedade vai ficar estática e ninguém vai inventar nada que faça os preços dos produtos caírem...que é o que todo empresário já busca de um jeito ou de outro, pra poder concorrer.Tanto que nos países de economia liberal um 'pobre' tem carro, casa e um padrão de vida melhor que muito 'rico' daqui.
    Houve um tempo que uma mísera maçã era um produto que só os ricos tinham acesso.

    E aqui, concorrência perfeita pra vc:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1603

  • Anonimo.  21/12/2015 11:06
    "Criar cientistas e pesquisadores pra quê né"
    Vc começa com um pressuposto errado, o de que uma reforma da educação não serviria pra formar cientistas mas somente gente com conhecimento 'técnico'.
    Mesmo que fosse o caso, e não é, existindo alguma importância no que eles fazem, ainda vai existir alguém disposto a financiar voluntariamente as instituições que criam esses cientistas e pesquisadores. Tanto que a maioria das grandes universidades americanas já conta com doações, as vezes milionárias, de ex alunos.
    Quem mais iria se beneficiar com uma reforma séria na educação seriam os verdadeiros cientistas e pesquisadores, e não os enroladores que ficam estudando 'ideologia de gênero' e comendo a verba de quem faz algo de útil.
  • José Ricardo  17/11/2014 15:07
    "Ou você acha que uma pessoa e sua família que tem 50 bilhões na conta deveria competir de forma igual com uma pessoa que recebe 50 reais por mês por cortar cana? E se você acha que tal bilionário conseguiu isso de forma meritocrática pense denovo, ele realmente trabalha / é mais importante socialmente 1 bilhão de vezes mais que o cortador de cana? E mesmo que fosse se os dois fossem originalmente cortadores de cana ele ainda assim seria tal bilionário?"

    Ai, que preguiça. Quando o sujeito sai invocando disputa de classes ele já mostra suas reais cores. Ele não está interessado no debate de ideias, mas sim na utopia do ponto de partida igual, algo absolutamente impossível.

    Se a ideia da igualdade de oportunidades for realmente levada a sério, então seus proponentes terão de alterar toda a estrutura humana do planeta.

    Para começar, as pessoas não nascem iguais. Essa é a premissa mais básica de toda a humanidade. As pessoas são intrinsecamente distintas uma das outras. Algumas pessoas são naturalmente mais inteligentes que outras. Algumas têm mais destrezas do que outras. Algumas têm mais aptidões físicas do que outras.

    Adicionalmente, mesmo que duas crianças nascessem com exatamente o mesmo grau de preparo e inteligência (algo improvável), o próprio ambiente familiar em que cada uma crescer será essencial na sua formação. Algumas crianças nascem em famílias unidas e amorosas; outras nascem em famílias desestruturadas, com pais alcoólatras, drogados ou divorciados. Há crianças que nascem inteligentes e dotadas de várias aptidões naturais, e há crianças que nascem com baixo QI. Toda a diferença já começa no berço e, lamento informar, não há nenhum tipo de engenharia social que possa corrigir isso.

    As influências genética e familiar sobre o destino das pessoas teriam de ser eliminadas à força, pois elas indubitavelmente afetam as oportunidades e fazem com que elas sejam desiguais.

    No cruel mundo atual, pessoas feias não podem ser modelos; deformados não podem ser astros de futebol; retardados mentais não podem ser astrofísicos; baixinhos não podem ser boxeadores pesos-pesados. Não creio ser necessário prolongar a lista; qualquer um é capaz de pensar em milhares de exemplos.


    De resto, a melhor parte foi essa: o leitor Pedro João escreveu (negrito meu):

    "Gozado. Até onde eu sei, isso é exatamente o que já acontece no sistema atual, no qual o sujeito aos 16 anos já tem de decidir qual será seu curso superior. Qual a sua dúvida?"

    E o João Pedro de Araujo Pereira respondeu, para gáudio geral (negrito meu):

    "O Sujeito escolhe por volta dos 16 aos 19 anos de idade, não com 6 anos de idade!!"

    Ou seja, a ânsia do João Pedro de Araujo Pereira em vituperar e xingar é tanta, que ele nem consegue enxergar os números corretamente, e acaba passando esse vexame. Taí alguém literalmente cegado pela ideologia.


    De resto, segundo o próprio acabou de relatar em sua longa logorreia acima, o atual sistema econômico funciona exatamente como ele propõe, com o governo dando dinheiro de impostos para faculdades privadas, endividando as pessoas em troca de moradia (Minha Casa, Minha Vida), dando "saúde grátis de qualidade", e ajudando a comprar comida por meio de Bolsa-Família.

    Logo, não entendi por que ele veio aqui espernear contra algo que ele defende.
  • Joao Pedro de Araujo Pereira  20/11/2014 15:36
    José Ricardo, acabei me confundindo na hora de quem responder quem e acabei respondendo sua resposta na resposta do Felipe. Vamos continuar o debate que estou aprendendo muito também, abraços!
  • mauricio barbosa  21/12/2015 14:34
    Mais um exemplo para nosso vermelho refletir:Abilio Diniz recebeu sua parte na herança da familia e multiplicou seu quinhão e seus irmãos ficaram para trás e ai eu desafio os vermelhos a exigirem que Abílio Diniz divida sua fortuna com seus irmãos em nome da igualdade...Familiar!
  • Naomi Greice Yamaguchi  21/12/2015 03:42
    Mesmo mais de um ano depois da discussão desse assunto, acho ainda relevante. Alguém pensou por exemplo, de dar estudo gratuito para o aluno de escola pública entrar na faculdade pública, tipo cursinho? Apenas alguns pegariam esse "cursinho" mas os que entrassem, seria por seus próprios méritos, não abaixaria a qualidade dos alunos, e não os estigmatizaria como de menor escalão intelectual pois certamente uma vez dentro da faculdade, a diferença aparecerá pelo menos em alguns casos, o que acaba por estigmatizar a todos. A conquista seria mais lenta mas mais certa.

    Gosto da ideia de home schooling, mas gostaria de ressaltar que é importante para a criança o convívio com outras, pois ela desenvolve habilidades socio-cognitivas importantes. Mas talvez a mais importante deixa é que toda educação DEVE ser complementada dando apoio à diversidade da curiosidade da criança. Toda criança tem outros interesses fora o que a escola dá todo ano. Ela quer ler sobre animais, ou como montar uma casa na árvore, ou colocar em prática o manual dos escoteiros e virar Macgyver. O que ela precisa não são matérias, mas uma melhor noção sobre como ela irá vencer as dificuldades na vida, criar autoconfiança, autoestima, determinação, como irá lidar com frustrações, perdas, medos. Ela precisa aprender iniciativa, a entender que ela pode influenciar o seu meio físico, pode se auto-motivar e continuar seu processo de aprendizado sozinha, saber como buscar as informações que precisa saber e a raciocinar com lógica.

    Nisso sim há um caminho positivo e universal de educação.
  • Anonimo.  21/12/2015 19:56
    Feculdade pública não devia nem existir, isso tudo já começa errado, arrancar dinheiro de quem não tem nada com isso pra dar pra uns professores vagabundos que ganham seis, sete, dez mil reais por mês e dão uma aula lixo...
    Tem mais é que privatizar tudo.
  • Vote no Partido Novo  25/05/2016 04:31
    Peço ajuda dos libertários para ensinar o povo nessa notícia abaixo da Globo, lembrando que a globo tem prazo para comentar!
    Ajudem a explicar a causa libertária!
    Abs!
    g1.globo.com/mato-grosso/noticia/2016/05/estudantes-ocupam-mais-uma-escola-contra-projeto-de-ppp-na-educacao.html
  • VOTE NO PARTIDO NOVO  26/05/2016 20:43
    "Menina 'defende' capitalismo em questão de prova, leva nota zero e mãe questiona: 'Escola sem partido?'

    Leia mais: extra.globo.com/noticias/viral/menina-defende-capitalismo-em-questao-de-prova-leva-nota-zero-mae-questiona-escola-sem-partido-19380565.html#ixzz49nRogWsS"

    Vamos agir moçada! Vamos agir!!! Vamos pelo menos enviar emails aos congressistas para aprovarem a lei contra a doutrinação nas escolas! AO MENOS ISSO PRECISAMOS FAZER! É UM AVANÇO SIM NA CAUSA LIBERTÁRIA!
  • anônimo  12/06/2017 16:35
    O engraçado é a contradição do autor em defender que a educação é um serviço portanto deveria ser totalmente privada mas tem sua formação numa universidade pública! Cadê o exemplo de vocês do Mises, não deveriam ter formação em universidades públicas.
  • Lógica  12/06/2017 17:46
    Ou seja, o sujeito tem a obrigação de pagar impostos e bancar o estudo dos outros nas universidades públicas. Mas ai dele se ele se atrever a ele próprio usar os serviços pelos quais ele compulsoriamente tem de pagar.

    A mentalidade da esquerda é sensacional: você é obrigado a pagar por todos os serviços públicos, mas apenas a esquerda pode usar. Você não. Por essa lógica, o sujeito não pode nem sair de casa: afinal, as ruas são estatais. Ele é obrigado a pagar por elas e a mantê-las. Mas ai dele se ele se atrever a usá-las. Aí não pode. Aí é incoerência.
  • Emerson Luis  25/10/2019 15:47

    "Na rede pública, em regra, não importa a qualidade do método de ensino, pois os salários são padronizados, logo, o professor ganhará o mesmo ordenado no fim do mês, sendo eficiente ou não no seu trabalho.

    A rede pública não busca o lucro, ela busca verbas. E verbas adicionais só são adquiridas quando há uma pressão social sobre o governante em virtude da má qualidade do serviço.

    De fato, os incentivos na escola pública são reversos: quanto mais ineficiente a escola, maior a probabilidade de se conseguir mais verba para melhorá-la."


    Nunca tinha pensado nesse ponto! Por que os gestores da educação pública vão fornecer uma educação de qualidade se a má qualidade é o pretexto para pedirem cada vez mais verbas? Eles são recompensados pela má qualidade!

    PS: Sobre o debate acima, ajudar pessoas necessitadas deve ser feito (1º) com o próprio dinheiro, (2º) voluntariamente e (3º) por caridade, não por "justiça social".


    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.