clube   |   doar   |   idiomas
Um esparadrapo para um paciente com câncer

Semana passada foi uma semana turbulenta para os mercados financeiros.  Esta promete ser igualmente excitante.  Na sexta-feira passada, os nervos só foram acalmados quando houve mais uma rodada de injeção de liquidez orquestrada pelos bancos centrais — desta vez, a oferta de dólares criados pelo Fed foi canalizada para outros bancos centrais, sendo o Banco Central Europeu o principal deles. 

Novamente, temos aí mais um exemplo de buscar não a solução da doença, mas sim um mero paliativo para seus sintomas.  Injetar cada vez mais moeda fiduciária no sistema com o intuito de evitar — ou melhor, de adiar — uma urgentemente necessária reestruturação das economias (as quais foram desestruturadas justamente por expansões monetárias anteriores) obviamente não irá resolver o mal-estar fundamental.

Já estamos com quase quatro anos de crise e os bancos ainda precisam de financiamentos de emergência.  Trata-se de uma comprovação sumária de que a estrutura financeira mundial está longe de ser sustentável.

Não é um problema europeu

A crise da dívida do euro não é especificamente um problema europeu, mas sim a versão europeia de um problema global.  Décadas de expansão constante da oferta monetária criaram uma economia global altamente distorcida e uma infraestrutura financeira inchada e excessivamente endividada.  Os problemas fundamentais são hoje os mesmos em todo o mundo: bancos debilitados, dívidas em excesso — principalmente a dívida pública, em crescimento irrefreável — e uma total dependência de (diria até se tratar de um desejo compulsivo por) crédito barato.

Como explico em detalhes em meu livro Paper Money Collapse - The Folly of Elastic Money and the Coming Monetary Breakdown, a atual e persistente expansão da oferta monetária tem inevitavelmente de distorcer e desequilibrar o processo de mercado, levar a distorções nos preços relativos, fazer com que o capital seja alocado de maneira errônea e insustentável, e gerar um grande acúmulo de desequilíbrios econômicos.  A maioria dos observadores ignora estes efeitos.  Eles apenas veem o estímulo de curto prazo gerado por novas injeções monetárias e daí concluem que isso significa crescimento econômico.  Quando não é isso, demonstram preocupações passageiras com o nível de preços.  Uma maior inflação de preços é o único efeito negativo oriundo da criação de dinheiro que eles conseguem compreender.  Trata-se de um grave erro intelectual.

O principal defeito do atual sistema monetário, no qual a oferta monetária fiduciária é expandida constantemente — algo que só passou a existir no atual formato em 1971, quando os últimos elos do dinheiro com o ouro foram cortados —, é que aqueles que estão no comando das impressoras de dinheiro sempre se sentem tentados a impedir processos de liquidação e correção e a estimular o sistema a todo custo, injetando mais dinheiro nas reservas bancárias, reduzindo artificialmente as taxas de juros e estimulando mais endividamentos.  É verdade que isso vem ocorrendo há décadas; porém, ao que tudo indica, chegamos ao ponto de saturação.

Calote — doloroso, sim.  Necessário? — Definitivamente

Um calote da Grécia hoje parece algo bastante provável.  E isso é bastante positivo.  É positivo porque sinaliza uma mudança de rumo em direção ao encolhimento — em direção a dívidas menores, a um estado grego menor, e a uma importante lição para os bancos: jamais pensem que emprestar para governos é algo sem risco!

A exposição dos bancos europeus às dívidas soberanas dos países europeus é estonteante.  Trata-se de um bom indicador do quão severamente distorcido e corrupto é o atual sistema financeiro.  Isso não tem nada a ver com capitalismo.  Isso não tem nada a ver com livre mercado.  Toda essa farsa serve apenas para dar ao 'capitalismo' uma má reputação.  Quanto mais cedo tudo isso acabar, melhor.

Com a ajuda dos bancos centrais (os "emprestadores de última instância") e sob a implícita e explícita proteção estatal, o sistema bancário incorreu, por meio de seu sistema de reservas fracionárias, em uma expansão de dinheiro e crédito em uma escala sem precedentes — com vários desses empréstimos sendo, por sua vez, estendidos aos generosos protetores dos bancos: os governos.  Emprestar a mutuários soberanos costumava ser um negócio, que embora trouxesse baixos retornos, supostamente seguro — e muito lucrativo quando feito em grandes volumes.  Você pode emprestar 5 milhões para uma empresa capitalista instável e cobrar uma taxa de juros pesada, ou você pode emprestar para 5 bilhões para o estado a uma taxa mais baixa.  O que poderia dar errado?

Voltemos à Grécia.  O calote é agora uma grande probabilidade e isso seria um ótimo acontecimento.  Não estou sendo leviano quanto ao sofrimento que isso trará para muitos indivíduos.  Definitivamente haverá atribulações, privações e muitas outras dificuldades.  Porém, qual a alternativa?  A situação simplesmente está além de qualquer chance de reparo.  O estado grego conseguiu se colocar em uma posição insustentável.  E ele não está sozinho nessa — mas provavelmente é o primeiro da fila.

O calote não é o fim do mundo.  O calote envolve o reconhecimento do devedor de que ele se endividou excessivamente e o reconhecimento do credor de que ele emprestou excessivamente.  Ambos sofrem perdas.

Sem socorro

Um pacote de socorro completo para a Grécia parece já ter deixado de ser uma opção.  Os alemães não estão dispostos a bancar a farra — e, sejamos realistas, eles não têm o dinheiro para tal, contrariamente à caricatura feita pela mídia, que dá a entender que a Alemanha é uma usina de força econômica com recursos ilimitados.  É claro que o governo alemão pode tomar dinheiro emprestado a uma taxa de juros menor do que qualquer outro governo da região, mas isso criaria um precedente perigoso: Itália e Espanha seriam os próximos países da fila com o chapéu na mão.

O maior risco para o euro não é um calote da Grécia, mas sim os mercados financeiros acordarem para um panorama de longo prazo bastante sombrio: a solvência dos dois principais países da região, Alemanha e França.  Essa bizarra disposição dos mercados em continuar tratando os títulos da dívida alemã (e, por sinal, os títulos americanos) como ativos absolutamente seguros é uma daquelas facetas da crise que parecem surreais e insustentáveis, mas que ao menos até agora têm permitido que o sistema se mantenha funcionando.  Tropegamente, mas funcionando.  Os alemães não fariam bem a ninguém caso arriscassem a reputação de porto seguro de que seus títulos gozam no mercado financeiro — por mais infundada que tal reputação possa parecer quando se faz uma análise mais detalhada.  No momento em que o mercado começar a crer que os dois principais países da zona do euro estão com problemas, o euro ficará com problemas.

Também parece improvável que o Banco Central Europeu venha a salvar a Grécia.  Ainda assim, uma monetização em larga escala da dívida — com desastrosas consequências para o euro — continua parecendo algo bastante provável.  Tal medida, para mim, representa o maior dos riscos.  No caso, refiro-me ao que ocorreria caso houvesse um calote: os bancos reduziriam seus balancetes e isso geraria uma contração do crédito, a qual não seria permitida por motivos políticos, uma vez que o impacto de curto prazo sobre o crescimento e o emprego seria considerado inaceitável.  Daí a monetização.

E como o sistema irá — cedo ou tarde — se contrair, isso poderá desencadear uma maciça expansão monetária comandada pelos bancos centrais.  Mas creio que isso ainda não irá acontecer por agora — não para a Grécia.

O euro não irá se esfacelar por causa da Grécia

A ideia de que a Grécia teria de sair do euro não faz absolutamente nenhum sentido para mim.  Não vejo nenhum motivo para isso.  A Grécia deveria dar o calote — com efeito, os gregos deveriam simplesmente parar de pagar sua dívida — e a dívida deveria ser reestruturada.  Nada disso tem algo a ver com o euro.

A Califórnia, por exemplo, está completamente endividada, assim como o Illinois.  E se ambos dessem o calote?  Veja bem que este é um cenário que dificilmente pode ser considerado improvável.  Será que tal medida significaria que estes estados teriam de se retirar dos Estados Unidos?  Ou que eles teriam de começar a emitir sua própria moeda?  Um americano comum retiraria os dólares que possui em uma conta bancária em Nova York só porque um destes estados declarou falência?  Enquanto as outras pessoas estiverem aceitando dólares ou euros em troca de bens e serviços, é totalmente desimportante o quão solvente sejam as finanças do estado ou sob qual jurisdição o dinheiro foi emitido.

Dólar e euro são dinheiro fiduciário, pedaços de papel irredimíveis, que não podem ser trocados por nenhum outro instrumento de pagamento, pois já representam a forma de pagamento final.  Tais moedas não constituem um título de reivindicação sobre ativos do estado.  Elas não são dívida.

A eurocracia teme o calote grego não porque isso poderia significar o fim do euro (não poderia), mas por causa do que isso significaria para os bancos na zona do euro (e, consequentemente, para os prognósticos do crescimento de curto prazo) e do que isso significaria para a percepção do mercado quanto aos outros países soberanos, em particular a Itália e a Espanha, os pesos pesados.

É claro que os bancos sofrerão enormes perdas em decorrência de um calote da Grécia.  Isso seria uma oportunidade para permitir que o setor encolhesse.  Trata-se de algo urgentemente necessário, mas que a eurocracia não quer de modo algum.  Qualquer coisa que envolva outra recessão é considerada inaceitável.

Apos a maciça expansão creditícia que terminou em 2007, os bancos estão inchados demais.  Eles não deveriam ser recapitalizados, mas sim encolhidos.  Infelizmente, não deixarão que isso ocorra.

Para os políticos alemães e franceses, será mais fácil socorrer seus próprios bancos do que socorrer a Grécia.  E para o BCE, será mais imprimir dinheiro para manter os bancos vivos e impedir que eles encolham do que impedir que a Grécia dê o calote.

Assim, vamos ter alguma liquidação (a dívida grega), mas também teremos algumas re-liquefações (os grandes bancos).  Não será o fim do euro, mas também não será o fim da crise financeira.

_____________________________________________

Veja todos os nossos artigos sobre o euro clicando aqui.

 


autor

Detlev Schlichter
é formado em administração e economia.  Trabalhou 19 anos no mercado financeiro, como corretor de derivativos e, mais tarde, como gerente de portfolio.  Nesse meio tempo, conheceu a Escola Austríaca de Economia e, desde então, dedicou seus últimos 20 anos ao estudo autônomo da mesma.  Foi apenas após conhecer a Escola Austríaca que ele percebeu o quão mais profundas e satisfatórias eram as teorias austríacas para explicar os fenômenos econômicos que ele observava diariamente em seu trabalho.  Visite seu website.

Tradução de Leandro Roque



  • Rafael  20/09/2011 07:40
    Interessante como este artigo desdiz tudo o que já foi colocado nos textos anteriores do site... Agora o euro não está mais em perigo, o problema são "só" os bancos.
  • Leandro  20/09/2011 12:42
    Não vejo nenhuma contradição. Todos dizem que a Grécia pode sair sem afetar nada do euro. E que o euro só irá se esfacelar caso a Alemanha se retire do arranjo.

    Abraço!
  • Zeca  20/09/2011 15:09
    O texto é simplesmente esplêndido. O que o autor diz é que é uma vergonha os eurocratas estarem defendendo os seus superalavancados bancos, mesmo que isso custe a saída da Grécia do euro. Manter os bancos inchados, expandindo créditos e inflando bolhas é muito mais importante para eles do que a Grécia em si. Eles estão viciados em dívidas e não conseguem viver outra realidade. Mas o autor adverte que o mundo inteiro está atolado nesse modelo.
  • Robson Cota  20/09/2011 18:46
    Queria saber porque o dólar aumentou tão rápido na última semana. O que aconteceu de tão diferente das semanas anteriores? É só por causa do agravamento da crise do euro mesmo, o que levou a mais investidores se refugiarem no dólar? Ou é porque o QE do FED secou?
  • Leandro  22/09/2011 00:20
    Dado que o câmbio é determinado pelo poder de compra entre as moedas, ou mesmo pela expectativa do poder de compra, o dólar vai continuar subindo enquanto nosso adorável ministro da fazenda seguir fazendo declarações feito estas:

    economia.estadao.com.br/noticias/economia+brasil,fazenda-ve-espaco-para-bc-reduzir-ainda-mais-os-juros,85100,0.htm

    Abraços!

    P.S.: estou fora do país e com acesso remoto à internet, o que significa que ficarei um pouco afastado daqui. Digo isso apenas para a eventualidade de me perguntarem algo e a minha resposta demorar a aparecer.
  • Alex  22/09/2011 16:15
    Por pior que o Dólar estiver, sempre será considerado pelos investidores um ativo mais seguro que o Real em épocas de crises, por isso os investidores, mesmo sabendo do endividamento americano, correm para a sua aplicação por achar que são mais seguros que manter aplicações em países emergentes (óbvio). Lembre-se os EUA's estão em crise, porém continuam sendo a maior economia do mundo e os títulos da dívida americana continuam tendo uma avaliação muito melhor que a brasileira. Não precisamos de maiores explicações para entender este tipo de acontecimento.
  • julio  20/09/2011 18:53
    Cara!!!, temos tanto com o que se preocupar internamente que esta preocupação "GREGA/TRIANA", provavelmente será marolinha em relaçao ao que teremos por aqui.
  • Arion  20/09/2011 19:31
    Robson, não é que o dolar tenha se valorizado. Acontece que o os investidores fogem do Brasil(que tem um grau de investimento B alguma coisa) para lugares com menor risco, desvalorizando o real.

    Uma dica seria acompanhar a relação Dolar-ouro para ter um padrão mais apurada.
  • Robson Cota  20/09/2011 22:40
    Mas o que levou os investidores a considerarem o Brasil arriscado de uma hora pra outra, sendo que ele tem esse grau B há vários anos? A mídia só fala que a causa é o agravamento da crise do euro. Mas por que isso nos afeta?
  • Gui  21/09/2011 12:37
    Acho que o dólar está subindo por causa do corte na SELIC e da historinha de que os juros seguirão em queda.\r
    \r
    Enquanto o capital externo era fortemente atraído por taxas elevadas e boas perspectivas de ascensão, os dólares que entravam no país eram trocados por reais para se comprarem títulos. Como a demanda pelo real era grande, a sua cotação subia em relação ao dólar.\r
    \r
    Com taxas menores, a procura por títulos diminuiu. Agora não entram tantos dólares como antes do corte na SELIC e, quando o estrangeiro quer sair do país, ele precisa vender seus títulos, receber reais e, por fim, trocar reais por dólares. Nesse caminho inverso, o dólar sobe em relação ao real.
  • Arion  21/09/2011 16:34
    Boa Gui. Além disso, não podemos esquecer que o Brasil é grau "B-". Enquanto países em crise (Espanha,Grécia e Itália) são grau "A". Os eua são (eram) "AAA", por exemplo. Assim como Canadá, França, UK e Alemanha (os 4 AAA).

    Nos afeta porque governos com pouca credibilidade e dificuldade na rolagem da dívida. O Brasil é grau de investimento mas a grande maioria dos dólares que vêm entrando no país nos últimos anos não é investimento mas sim financiamento da dívida pública.
    Então quando acontece uma crise dessas, os investidores internacionais que querem transformar seus investimentos em ativos líquidos (dinheiro) vendem os títulos do governo e saem do país. Ou seja, aqueles dolares não eram investimento, eram apenas compra de dívidas do governo. Apenas ilusão de que estávamos crescendo.

    E pensar que tínhamos uma boa chance quando fizemos uma enchurrada de privatizações e estávamos com uma dívida pública mais baixa de realmente fazer ela diminuir de verdade e não inflar ela de forma escamoteada para ninguém notar...

    Os brasileiros acreditam na propaganda do governo. Esta década teve um boom econômico e tivemos um dos piores crescimentos econômicos entre os países emergentes e, ainda assim, o governo fala em "espetáculo de crescimento". Na américa do sul só não seremos piores que a socialista Venezuela...
  • Alex  22/09/2011 16:18
    Grécia não é grau A a muito tempo, tá pior que o Brasil..
  • Juliano Camargo  23/09/2011 01:11
    Título de 1 ano da grécia está pagando - ou seria melhor dizer 'pagaria'? - 134% em um ano.

    www.bloomberg.com/apps/quote?ticker=GGGB1YR:IND

    Na verdade o pais já quebrou, a estes níveis de juros ninguém espera mais que eles paguem estes títulos integralmente. Os gregos já transferiram bilhões de euros para fora da Grécia, tem até gente enterrando euro no quintal - para evitar uma conversão forçada em dracma parecida com o que aconteceu na Argentina.

    É só uma questão de parar de negar a realidade e admitir que a Grécia quebrou. Enquanto não acontecer isso, é melhor para os gregos pegar estes euros e mandar para outro lugar.

    Dá até pra identificar nas notas de euro o país de emissão, e na Europa dizem que notas com iniciais da grécia não são recebidas com a mesma facilidade.
  • Juliano Camargo  23/09/2011 01:01
    Infelizmente o governo atual assumiu uma nova fase da política econômica onde intervenções são realizadas quase que semanalmente no mercado, de formas autoritarias e improvisadas, e com o efeito indesejado e previsível de aumentar a volatilidade.

    Por exemplo, lembram umas semanas atrás quando brincando com seus soldadinhos de chumbo e preocupado com o forte fluxo de dólares fortalecendo o real o nosso general genovês decidiu inventar novos impostos sobre os derivativos de câmbio?

    Isto tem o efeito não apenas de assustar os especuladores, mas também as empresas que antes tinham seguro contra oscilações do câmbio. Tanto um quanto o outro ajudam a estabilizar o câmbio quando há um movimento forte no câmbio tanto para cima quanto para baixo. Agora esta' todo mundo com menos protecao cambial.

    Eles se preocuparam tanto de impedir a ação de especuladores - palavra que para eles é algo pernicioso - que agora o mercado está com menos resistência, podendo facilmente quebrar limites tanto para cima quanto para baixo, se a coisa acalmar nos próximos dias, levando em consideração os argumentos que o Leandro colocou em outro artigo, de que a mudança foi mais de retórica do que os 0.5%.

    Na verdade a única coisa certa quando você expulsa especuladores é mais volatilidade. E possivelmente empresas brasileiras quebrando por causa da maior volatilidade, se continuar piorando. E imaginem se no meio de uma tempestade mundial como agora nós precisamos de mais volatilidade.

    A coluna do Celso Ming explica que além disso temos também uma maior integração das nossas empresas hoje na economia mundial, quer os protecionistas gostem disso ou não, é algo que aconteceu. Agora se você retira isso, o efeito imediato é a inflação.

    blogs.estadao.com.br/celso-ming/2011/09/22/solavancos-no-cambio/
  • Arion  23/09/2011 19:51
    Lembro muito bem deste artigo que o amigo citou. Sobre valorizar o real para desvalorizar o real...era patética a teoria do nosso "sinistro ministro".

    Mas me ocorre se não era justamente essa a intenção...
  • Juliano Camargo  20/09/2011 22:28
    Se a California desse um calote, os bancos da Califórnia continuariam tendo reservas em dólar, lastreado com títulos do Tesouro, que continuam bons. Caso tenham títulos do governo da Califórnia, levariam uma perda, precisariam adequar suas reservas. O rating da Califórnia é A-, e não acho que seja um papel aceito pelo Fed nas operações do sistema monetário.

    Já na Grécia, apesar de chamarmos tudo de Euro, as reservas dos bancos gregos são em títulos da Grécia, e servem para entrar no sistema monetário, naquela ilusão onde o ECB nivelava todos os títulos de uma lista extensa como sendo quase todos a mesma coisa. Parte das reservas de outros bancos pela Eurozona também seriam em títulos gregos, mas majoritariamente no caso dos bancos gregos, o que quebraria o sistema bancário deles.

    Esse é o defeito de nascimento do Euro, é como se o dólar fosse um punhado de dívidas estaduais, para todo mundo financiar seus déficits com o sistema monetário.

    O Banco central Grego poderia até mesmo imprimir seus próprios 'euros', o que seria tratado como uma falsificação de moeda, porque a autoridade máxima do euro é o ECB. Mas a impressora, eles tem...
  • Erick Skrabe  21/09/2011 00:45
    Esparadrapo ou laxante ?
  • Felix  21/09/2011 12:57
    Creio que o desejo de sair do Euro parte da Grécia
    de tudo que eu já li no Mises
    entendo que aquele governo quer reassumir a impressão de sua moeda, garantindo seu poder o máximo possível e não tendo que pedir benção a nenhum órgão central...
  • Thales  21/09/2011 20:32
    Artigo lúcido e inteligente. Só muito otimista em relação às lições que viriam a ser aprendidas...
    Muito interessante o site do autor também.
  • Filosofo  22/09/2011 23:17
    Se o Ron Paul ganhar as prévias, aí talvez eu acredite na recuperação do dolar.
  • Emerson Luis  24/09/2019 16:40

    Quando um país pequeno da Europa entra em crise, a Alemanha salva ele.

    Mas quem salvará a Alemanha quando ela entrar em crise?

    * * *


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.