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Steve Jobs e o embelezamento do capitalismo

No dia em que Steve Jobs anunciou que estava deixando o comando da Apple, louvores e aclamações pelo seu trabalho e por suas façanhas irromperam de todos os cantos do planeta (ou da blogosfera, como queira).  Ele foi universalmente saudado como um gênio.  Ele foi exaltado por ter mudado e aprimorado nossas vidas de várias maneiras.  Ele foi tratado como um inovador que se dedicou ao bem-estar da sociedade, e que realizou milagres que nenhum de nós, meros mortais, jamais poderia ter concebido.  Ele fez mais do que meramente sonhar; ele de fato agiu e criou uma das maiores empresas do planeta, uma empresa que permitiu que vivenciássemos nossos próprios sonhos.

Tudo isso é verdade.  Este tipo de linguagem não apenas é bem-vinda e providencial, como é na verdade magnífica.  E o mesmo poderia ser dito sobre milhões de outros grandes empreendedores, tanto dentro quanto fora dos setores de hardware e software.  Cada vez que calço um par de tênis, penso nas maravilhas do empreendedorismo e da divisão do trabalho, e em como eles se combinam para deixar meus pés o mais confortável possível.  Tenho a mesma consideração para com aqueles que fabricaram minha geladeira, que cultivaram a alface da minha salada, que criaram dispositivos de segurança e sistemas de alarme para minha casa e meu carro, que são proprietários e gerentes de lojas varejistas que vendem de tudo, desde comida para cachorros até clips de papel.  O mesmo digo daqueles que me vendem seguros, daqueles que constroem nossas casas e escritórios, e daqueles que tornam possível eu poder comprar uma passagem aérea com poucos cliques em um computador — ou com poucos "deslizamentos de dedos" em um iPad ou em um smartphone.

Todos os empreendedores de uma sociedade merecem essa exaltação, mas também é correto selecionar distintamente Steve Jobs para tal aclamação, pois sua empresa de fato parece ter empurrado a civilização um pouco mais adiante na estrada para o progresso, criando produtos surpreendentes que nos permitem fazer de tudo, desde tocar instrumentos musicais até conversar por videoconferência, e em tempo real, com pessoas que estão do outro lado do mundo.  A Apple aprimorou substancialmente nossas vidas — da mesma maneira que todos os empreendimentos capitalistas o fizeram, só que de uma forma mais conspícua.

Ainda assim, há algo um tanto estranho nessa postura mundial em relação a Jobs.  Cadeias de restaurante fast-food, rede de lojas e empresas fabricantes de tênis são normalmente submetidas ao escárnio e ao ódio invejoso de uma cultura que possui pouco ou nenhum apreço pelo sucesso empreendedorial.  Veja, por exemplo, os ataques inacreditavelmente sórdidos que a esquerda mundial dirige ao Walmart.  O "crime" da empresa?  Fornecer ao cidadão comum uma enorme variedade de produtos a preços incrivelmente baixos.  E nem irei aqui mencionar o dilúvio de ataques diários à mais amada e mais odiada rede de restaurantes fast-food do mundo.

Por que o Walmart é escarnecido pela elite bem pensante, mas Steve Jobs consegue se manter isento das sessões de apedrejamento anticapitalistas que permeiam o mundo dos comentários políticos?  Afinal de contas, ele é um bilionário e um capitalista impenitente, que diz ter sido influenciado por Ayn Rand e cuja empresa jamais doou um centavo para esforços filantrópicos.  Eu realmente fico contente com tudo isso.  É sensacional constatar que ele tem sido tão celebrado.  Porém, ainda assim, trata-se de um fenômeno enigmático.

Inúmeras vezes já vi as riquezas da Microsoft serem atacadas porque a empresa faz valer agressivamente seus direitos de patente, os quais obstruem a concorrência e retardam o progresso tecnológico.  Porém, raramente vi o mesmo sentimento sendo dirigido à Apple, não obstante o fato de poucas empresas serem tão extremas na defesa de sua "propriedade intelectual" quanto a Apple.  Mesmo hoje, a Apple está pressionando e atacando seus concorrentes mais próximos com medidas judiciais exageradas e não justificadas, tudo com o intuito de reforçar sua posição monopolista.  Por mais lamentável que isso seja, concordo que tal fato não ofusca as façanhas de Jobs.  Afinal, não foi ele quem inventou o sistema de patentes; ele apenas aprendeu a manipulá-lo corretamente.  Ainda assim, por que a Microsoft é atacada como uma monopolista perversa enquanto a Apple ganha um passe livre?

E por que essa adulação universal a Steve Jobs não pode ser estendida universalmente para todos?  Um artigo na The Economist notou esses estranhos fatos, e ofereceu uma teoria.  A teoria funciona assim:

O senhor Jobs realmente ficou podre de rico ... ao acrescentar um pouco de elegância às vidas dos consumidores vendendo-lhes aparelhos esplendidamente refinados a um preço mais elevado.  A vida do americano médio não é, por assim dizer, repleta de objetos com design polido e elegante; e, em vários aspectos, nosso padrão de vida não melhorou em relação ao de nossos pais.  Mas a Apple, sob o comando do senhor Jobs, ofereceu ao mercado das massas um deslumbrante e fascinante progresso tecnológico, adornado com um tipo de resplendor luxuoso e de bom gosto que normalmente é reservado apenas para os extremamente abastados.  Por tudo isso muitos de nós lhe somos gratos.  Ademais, em uma época em que vários estão sofrendo com a insegurança econômica e com a impotência diante de tudo, tecnologias misteriosas como o iPad dão àqueles que podem bancá-las uma sensação escapista de versátil eficácia, a qual não deixa de ser poderosa mesmo sendo só uma fantasia.  E realmente, a Apple propagandeou o iPad 2, em reverentes anúncios em estilo cult, como sendo algo "mágico".  Ele realiza o extraordinário por meios inconcebíveis, e tudo dentro de uma moldagem arrebatadora.  Steve Jobs é o gênio que nos oferece, em troca dos frutos de meros dias ou semanas de trabalho, hipnóticos e fascinantes portais para um mundo melhor, mais bonito e mais encantado, onde podemos ter nossos caprichos satisfeitos pelo toque do dedo indicador.

Em outras palavras, as medidas capitalistas de Jobs foram aclamadas pela atual cultura porque ele criou seus produtos de maneira elegante e conseguiu tornar nossas vidas mais belas.  Pode-se dizer que ele democratizou a beleza e, com isso, conseguiu revestir tanto sua empresa quanto ele próprio com uma camada de Teflon, protegendo-se assim contra o monstro da inveja.

Essa teoria parece implausível?  Talvez à primeira vista.

Porém, eu diria que há algo de bastante concreto nela.  Tenha em mente que o apego da Apple à elegância e à beleza não era uma característica de apenas uma linha de produtos.  Era algo generalizado por toda a empresa.  Basta apenas comparar o cabo de alimentação de um típico notebook Windows a um cabo de um notebook Mac.  O primeiro parece bem industriário, deselegante e incomodativo — uma coisa realmente desagradável de se olhar.  Já o último, implausivelmente, é gracioso e atraente, como uma fonte de vida mais onírica.  Esse mesmo senso estético está presente nas caixas nas quais os produtos são empacotados, na maneira como o software funciona, e até mesmo nos fones de ouvido que nos deixam ouvir o que ocorre dentro do iPhone.

E assim, por meio de Jobs, nossas vidas se tornaram não apenas mais proveitosas e eficientes, como também se tornaram mais belas.  E esse elemento da produção acaba se revelando de extrema importância, pois ele responde a uma crítica recorrente que vem sendo feito ao capitalismo desde há muito.

Considere esse predominantemente mítico cenário criado por Oscar Wilde, no qual ele discorre sobre como o mobiliário das casas na Grã-Bretanha foi aprimorado no decorrer do século XIX:

O público apegou-se com uma obstinação realmente patética ao que, acredito, eram tradições saídas da Grande Mostra da vulgaridade internacional, tradições tão aterradoras que as residências pareciam adequadas a que nelas morassem apenas pessoas desprovidas do sentido da visão.  Mas começaram a surgir coisas belas; das mãos e da imaginação dos artífices nasceram belas cores, belos desenhos. E difundiu-se a beleza, e seu valor e significado. Indignado, o público perdeu a calma. Disse disparates. Ninguém deu a menor importância. Ninguém aceitou a autoridade da opinião pública. E agora é quase impossível entrar em um aposento moderno sem que se veja algum sinal de bom gosto, de valorização de ambientes e apreciação da beleza.

De fato, as residências estão, em regra, muito encantadoras. As pessoas civilizaram-se. Nada mais justo afirmar, no entanto, que o sucesso excepcional da revolução em decoração e mobiliário não se deve a um refinamento do gosto nesse sentido entre a maioria das pessoas. Deve-se principalmente ao fato de que os artífices encontraram um tal prazer na confecção do belo e despertaram para uma consciência tão viva do horror e da vulgaridade daquilo que era objeto da expectativa do público, que eles simplesmente se reacusaram a alimentar seu mau gosto.

Atualmente seria impossível mobiliar um aposento como alguns anos atrás, sem que para isso fosse preciso buscar tudo num leilão de móveis usados, procedentes de algum albergue de terceira categoria. Hoje não se fazem mais coisas como essa.

E assim ele imaginou que os artistas triunfaram sobre o público, impondo bom gosto aos operários e camponeses, os quais, se deixados livres para escolher, teriam se degenerado na cafonice e no mau gosto eternos.  O comentário de Wilde surge no meio de um ensaio no qual ele explica como essa política de livrar o mundo da feiúra seria universalizada sob o socialismo.  O mercado, regido pela opinião pública, não mais ditaria nada.  Os artistas prevaleceriam e comandariam tudo.  Todas as coisas seriam enaltecidas e a vida social seria exaltada como uma arte perfeita.

Na visão de Wilde — e ela permanece uma visão comum até hoje —, a única maneira de um enaltecimento cultural desse tipo ocorrer é quando ele de alguma forma for imposto de cima para baixo por seres iluminados e com poderes ditatoriais.  Nesse seu relato, ele imagina que, de alguma forma, os "artistas" conseguiram impor suas vontades sobre todo o resto da sociedade.

A questão é que Wilde não entendeu o básico: os artistas que criaram as mobílias aprimoradas eram capitalistas também — capitalistas assim como Steve Jobs.  Não é necessário o socialismo e nem muito menos um arranjo totalitário para impor e disseminar esse resultado.  É necessário apenas que se permita um florescimento mais diversificado do capitalismo, o qual aumenta a riqueza e, com isso, disponibiliza e torna acessível coisas cada vez mais bonitas para um número cada vez maior de pessoas.

A música é um bom exemplo desse processo em ação.  Hoje eu posso ouvir instantaneamente uma quantidade infinita de Schubert, Mahler, Victoria e Peronin, assim como o cara no escritório ao lado pode baixar uma quantidade equivalente de Lynyrd Skynyrd, Van Halen e Led Zeppelin.  Desnecessário fazer qualquer julgamento sobre qual é ou qual não é bonito; ambos os tipos de música irão sempre existir em um livre mercado.  O desejo por um mundo de perfeita e harmoniosa beleza estética levaria à supressão das preferências de algumas pessoas em prol das de outras.

Um genuíno defensor do mercado tem de estar disposto a enaltecer não somente as coisas elegantes, mas também as coisas mais crassas — ambas são decorrência da liberdade.  Há um valor antiquado e fora de moda que precisa ser reaprendido: a tolerância.  Nós também precisamos aprender a lição que o economista Leland Yeager frequentemente repete: o mercado não é um teste de beleza e da verdade.  Procuramos o mercado para que ele nos dê aquilo de que precisamos.  Não devemos esperar que o mercado satisfaça nossos mais altos ideias, os quais se estendem muito além do universo material. 

Ludwig von Mises, em seu sensacional livro A Mentalidade Anticapitalista, chama a atenção para a crítica de que o capitalismo não é bonito.  Ele é feio, dizem os literatos e bem pensantes.  Ele é insolente, desmazelado, materialista e atende aos apelos da estética comum.  Essa é uma crítica convencional feita por artistas e intelectuais.

E é isso que fez de Jobs um empreendedor diferenciado.  Ele conseguiu criar computadores e sistemas de software que não podiam ser criticados desta forma.  Isso solapou exatamente aquilo que vinha sendo uma das principais críticas ao capitalismo por 150 anos.  Ele transformou a arte de ganhar dinheiro e de avigorar todo o nosso materialismo em coisas belas e dignas de elogios e louvores.  Isso ajudou a amainar essa crítica específica ao capitalismo, a qual nunca foi tão comum e ubíqua quanto é atualmente.

Porém — e eis aqui a ponto essencial —, ele não solapou o mercado para fazer tudo isso; ao contrário, ele utilizou o mercado.  Desta forma, ele certamente agiu de forma diferenciada, mas não fez diferente daqueles mesmos empreendedores que embelezaram as mobílias domésticas britânicas.

Eis a versão de Mises sobre como as mobílias domésticas vieram a ser aprimoradas — um belo contraste à versão de Wilde:

Eles comparam, por exemplo, as mobílias antigas preservadas nos castelos das famílias aristocratas europeias e nas coleções de museus, com as peças baratas geradas pela produção em larga escala.  Não percebem que esses artigos dos colecionadores foram feitos exclusivamente para os abastados.  As arcas entalhadas e as mesas marchetadas não poderiam ser encontradas nas miseráveis choupanas das camadas mais pobres.  Quem critica a mobília barata do assalariado norte-americano deveria cruzar a fronteira e examinar as casas dos peões mexicanos, que são destituídas de qualquer mobiliário.  Quando a indústria moderna começou a suprir as massas com a parafernália de uma vida melhor, seu principal objetivo era produzir o mais barato possível, sem qualquer preocupação com os valores estéticos.  Mais tarde, quando o progresso do capitalismo elevou o padrão de vida das massas, eles voltaram-se pouco a pouco para a fabricação de coisas mais refinadas e bonitas.  Somente uma predisposição romântica pode induzir um observador a ignorar o fato de que cada vez mais os cidadãos dos países capitalistas vivem num meio ambiente que não pode ser simplesmente tido como feio.

E Mises estava certo: a maneira de tornar o capitalismo mais bonito é tornando o capitalismo cada vez mais legalizado e universalizado, de modo que todos possam usufruir cada vez mais os produtos criados pelos gênios de nossa época.  Ainda assim, a vida jamais será o nirvana que os socialistas imaginam poderem criar se ao menos deixássemos que eles tomassem o poder.  Um mundo cafona e com liberdade é incomensuravelmente mais preferível a um mundo bonito de escravidão.  Afinal, o mundo jamais viu uma companhia de balé mais perfeita do que aquela que floresceu na mesma época e no mesmo país dos gulags.

O que fez com que a gestão de Jobs no comando da Apple fosse tão impecável foi o fato de ele ter casado lucros com amabilidade estética.  Não é todo empreendedor que pode ou deve fazer isso.  Mesmo os empreendedores que fornecem às massas coisas deselegantes e surradas são tão merecedores de nossa admiração e enaltecimento quanto Jobs, pois eles também se esforçam para nos retirar do estado de pobreza e privação — o qual, afinal de contas, é o estado natural da humanidade.

Por fim, além da beleza de determinados produtos ou da elegância do smartphone, há uma outra beleza universalmente abrangente que vemos no mercado: uma fascinante, ordeira, metódica e produtiva matriz global de trocas voluntárias e cooperativas, as quais geram prosperidade para todos os seres humanos.  E tudo isso sem que haja um ditador global controlando tudo.  Eis aí um sistema mais belo do que qualquer produto já criado por Steve Jobs.

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Assista, com legendas em português, a este impecável discurso de Jobs, proferido para alunos graduandos da Universidade de Stanford.









autor

Jeffrey Tucker
é Diretor-Editorial do American Institute for Economic Research. Ele também gerencia a Vellum Capital, é Pesquisador Sênior do Austrian Economic Center in Viena, Áustria.  Associado benemérito do Instituto Mises Brasil, fundador e Diretor de Liberdade do Liberty.me, consultor de companhias blockchain, ex-editor editorial da Foundation for Economic Education e Laissez Faire books, fundador do CryptoCurrency Conference e autor de diversos artigos e oito livros, publicados em 5 idiomas. Palestrante renomado sobre economia, tecnologia, filosofia social e cultura.  

  • Russo  13/09/2011 08:39
    Exelente artigo do Tucker, demonstrando a genialidade da mente dos criadores de produtos no capitalismo.

    Afinal de contas, ninguem merece os uniformes sem graça da Coréia do Norte.
  • Marcelo Werlang de Assis  13/09/2011 11:34
    Prezados,\r
    \r
    Eu me lembrei de uma citação do Mises em que ele fala que todo indivíduo carrega a sociedade consigo, no sentido de que não pode ficar indiferente às ideias e às ideologias que são propagadas, devendo defender aquilo que acredita ser o melhor, abstendo-se de ficar no conforto do comodismo. Não consigo achar tal citação.\r
    \r
    Por gentileza, alguém poderia disponibilizá-la?\r
    \r
    Amplexos!!!
  • Leandro  13/09/2011 11:46
    Prezado Marcelo, tal citação pode ser vista nos dois artigos abaixo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1000
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1102

    Ela está no final do livro Socialism, de Mises.
    mises.org/store/Socialism-P55.aspx


    Grande abraço!
  • Marcelo Werlang de Assis  13/09/2011 13:01
    MUITO obrigado, Leandro!!!\r
    \r
    Eu li o artigo do Rockwell (www.mises.org.br/Article.aspx?id=1102) no domingo à noite (11.09), às dez ou onze horas, após ter voltado de viagem. \r
    \r
    Ontem, lembrei-me da citação, mas não conseguia recordar onde é que eu a tinha lido. Assim, perguntei hoje ao IMB, e a resposta estava bem na minha frente... :)\r
    \r
    Eis a citação, para quem quiser lê-la aqui:\r
    \r
    "Todos carregam consigo uma parte da sociedade; ninguém está livre de sua quota de responsabilidade para com os outros. E nenhum indivíduo poderá estar seguro se a sociedade em que vive estiver se encaminhando para a destruição. Portanto, cada indivíduo, para seu próprio bem, deve se lançar vigorosamente nesta batalha intelectual. Ninguém pode se dar ao luxo de ficar indiferente e impávido; os interesses de todos dependem do resultado. Queira ou não, cada homem fará parte dessa grande batalha histórica, essa batalha decisiva em que fomos jogados pelos atuais eventos."\r
    \r
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    Fortes abraços!!!\r
    \r
  • Marcos  14/09/2011 12:02
    Além da beleza, também vejo outra diferença entre a Apple e a Microsoft. A primeira se especializou produtos "fechados" e a segunda em softwares que podem ser usados em qualquer computador. Para o usuário comum o sistema windows é praticamente uma exigência, e uma exigência de um ator monopolista. A empresa piorava essa situação cobrando um valor extremamente alto. A consequência é óbvia: milhões de consumidores correram para a pirataria, pois não enxergavam o valor do produto incorpóreo como justo e não tinham outra alternativa. A política da microsoft em relação a propriedade intelectual tentou diminuir isso, mas a um custo imenso para a imagem da marca, pois o consumidor enxerga que a empresa está impedindo que ele disponha de um produto básico para utilização do computador.

    Enfim, os produtos da microsoft são vistos como uma necessidade.

    Os produtos da Apple são um todo composto por partes corpóreas e incorpóreas. São diferenciados e inovadores. E mais que isso: são vistos desse modo pelo consumidor, essa é a grande imagem que a empresa construiu, de vender algo novo e revolucionário. Por isso o consumidor não se importa em pagar mais pelos produtos, pois tem a sensação de estar adquirindo uma inovação. O fato de ter partes corpóreas também ajuda para esta sensação de que o produto vale mais. Além disso, a pirataria é mais difícil e menos eficaz.

    A diferença que vejo é esta, baseada principalmente na percepção de inovação e necessidade.
  • Aecio  14/09/2011 15:01
    Steve Jobs sempre deu a cara a tapa, sempre foi o vendedor da Apple. É realmente curioso como a postura destemida e determinada de Jobs, em regra, se distanciou da inveja.
  • joselito  18/09/2011 19:03
    Me desculpe, pode chamar o Steve Jobs de tudo, menos de inovador. Só diz isso quem não conhece a história. A Apple apenas copiou idéias de outros e as embrulhou em uma bela campanha de marketing.
  • Peterson Mota  09/10/2011 16:51
    Ahh...inovadores são os caras que criam e ninguém fica sabendo Joselito? Vou te dar uma sugestão, assista este vídeo: vimeo.com/25380454

    Depois volte aqui!
  • José  10/10/2011 23:18
    O grande legado do Steve Jobs foi ele ter transformado uma coisa (computadores) que era típica de "nerds" em uma coisa "cool".
    E isso não se deveu a nenhuma inovação. Ele simplesmente fez ótima campanha de publicidade e embrulhou seu produto em uma embalagem bonitinha. Não vejo isso como inovação. Para mim inovação é criar determinada coisa antes dos outros, independente de ter tido sucesso financeiro ou não.

    Posso fazer uma lista de onde a apple copiou suas "inovações":
    - Interface gráfica orientada a ícones: Xerox
    - Mouse: Xerox
    - Touch Screen (base do iphone): Nokia

    O próprio nome Apple é uma cópia da Apple Records!!!

    Não estou tirando o crédito da empresa. Aliás, tecnicamente eles são muito superiores à Microsoft por exemplo. Mas inovadores? Com certeza não!
    Se você perguntar à qualquer pessoa da área de computação (podem chamar de nerd também) qual o nome que representou a Apple, com certeza ela não vai responder "Steve Jobs" e sim "Steve Wozniak".
  • Fernando Chiocca  10/10/2011 23:49
    José, meso que isso que você falou proceda, faz parte do empreendedorismo descobrir as maneiras de unir público e invenções. Acho que você confundiu empreendedor com inventor.

    E cara, eu já tive um touch screen da Nokia.. e que bosta que era quando comparado a um iPhone...
  • Jose  11/10/2011 00:56
    Não estou questionando o empreendedorismo dele, muito menos a qualidade de seus produtos. Muito pelo contrário, aliás, a qualidade de produtos é um dos motivos do sucesso da Apple. Estou questionando os comentários acima sobre ele ser inovador ou não. Pode ser que eu esteja pensando em inovação no sentido tecnológico enquanto você esteja pensando em inovação no sentido empresarial. Aí tudo bem, eu concordo.
  • Absolut  05/10/2011 21:12
    Jobs acabou de falecer: edition.cnn.com/2011/10/05/us/obit-steve-jobs/index.html?hpt=T1
  • Ze  06/10/2011 09:13
    Esse sim pode-se dizer que saiu da vida para entrar para a história.
  • Leninmarquisson da Silva  06/10/2011 10:11
    Hoje ouvi uma piada idiota, sobre a voracidade das inovações tecnologicas:

    "Anteontem foi lançado o Iphone 4s e ontem o Jobs lançou o iDead".

    Por mais que essa piada seja ridícula, imagino que se "iDead" estiver escrito na lápide de Jobs, todas as pessoas, pelo menos dessa geração, entenderão seu legado com apenas essa única palavra.

    Mesmo não tendo nenhum produto da Apple, eu realmente fiquei triste pela morde dele; alguém que pode ser considerado um ícone da essência capitalista.

    O cara era simplesmente incrível.
  • mcmoraes  06/10/2011 12:36
    stay hungry, stay foolish!
  • Oriom Lisboa  06/10/2011 12:55
    Um dos problemas com o "libertarianismo vulgar", como chama Kevin Carson, é que normalmente se puxa o saco de capitalistas "empreendedores", se esquecendo de que nós não estamos num livre mercado e que os cidadãos de que se fala enriqueceram graças a ampla interferência do estado, seja através da "propriedade" intelectual seja através do policiamento dos contratos realizado através do governo. Novamente, os capitalistas de hoje e o walmart, como se citou, NÃO SÃO BONZINHOS! Não se deve esquecer que "empreendedorismo" com capital roubado (por ele ou por outros capitalistas) não pode ser considerado legítimo, nem tão pouco o auxílio e os favores do governo.

    Enquanto tem gente puxando o saco dos multimilhonários, o que apenas faz com que pensem que o libertarianismo é teoria conservadora, de direita, muito pouca gente fala do heroísmo do trabalhador autônomo, dos pequenos comerciantes, dos ambulantes, dos pequenos contrabandistas, dos pequenos fabricantes, dos pequenos agiotas, os quais, todos, trabalham para sustentar a si mesmos e seguram as pontas de qualquer economia debilitada. Eles sim vivem ao extremo, tendo que se exquivar não só dos agentes da lei, como também dos traidores, que podem ser seus vizinhos ou até mesmo os amigos íntimos. Eles sim são entusiásticos apoiadores do livre mercado, conscientemente ou não, pois vivem a liberdade na prática. Eu me refiro aos PEQUENOS, pois ao se atingir certo tamanho o risco de ser pego se torna maior que o lucro, então se adere a chamada MÁFIA, que detem um monopólio regional, uma espécie de sindicato que impões suas leis a ponta das balas. O que poucos libertários comentam, é que a máfia não passa de uma forma de governo paralelo. O estado torna a vida do chamado crime organizado mais fácil, restringindo o acesso à armas e proibindo a formação de milícias, o que torna os cidadãos muito mais fáceis de vitimizar.
  • Fernando Chiocca  06/10/2011 13:01
    Oriom, com certeza estamos atentos a associação dos big bussiness com o big government e você pode encontrar neste site e no Mises.org e no LRC muita coisa denunciando esta associação.

    Mas isso não quer dizer que os empreendedores que são obrigados a se adequar as condições dos estados fascistas atuais, deixam de ser empreendedores que trazem infindáveis benefícios à sociedade, e que devem ser reconhecidos por isso.
  • Joseh Silvah  06/10/2011 16:32
    Na verdade nem vou comentar o artigo, só quero dar uma notícia para os liberais conservadores de plantão. Estou começando um blog onde estou lendo oralmente artigos e textos de conservadores como Mises por exemplo.
    Tive essa iniciativa (leitura oral) pra ajudar aqueles que não podem ver mas podem ouvir, aqueles que podem ver mas não sabem ler, aqueles que sabem ler mas tem preguiça e, aqueles que gostam de ler mas também apreciam a palavra falada.

    verdadesitiada.blogspot.com
  • Alan  06/10/2011 20:27
    Totalmente off-topic, mas preciso compartilhar isso.


    Após quase duas semanas de espera, devido à maldita greve dos correios, tive a felicidade de, hoje, receber meus exemplares do Ação Humana e do Caminho da Servidão.

    As Ciências do Espírito, em nosso país, estão sendo dominadas por panfletos ideológicos e teses acientíficas. Todas elas: Direito, Economia, Sociologia, nem mesmo a Filosofia escapa; existem, porém, alguns arautos que teimam em tentar disseminar a verdade, por mais incômoda e inconveniente que ela seja. Esses santos são o que preservam o grande legado intelectual da humanidade para as gerações futuras e garantem que um punhado de pessoas preocupadas com a Ciência e com a Verdade tenham acesso a ele. Vocês, definitivamente, fazem-no no âmbito da Ciência Econômica.

    Valeu, IMB!
  • Ricardo  10/10/2011 00:03
    "Mesmo os empreendedores que fornecem às massas coisas deselegantes e surradas são tão merecedores de nossa admiração e enaltecimento quanto Jobs, pois eles também se esforçam para nos retirar do estado de pobreza e privação - o qual, afinal de contas, é o estado natural da humanidade." - Pobreza é um status social, como diz Marshall Sahlins. No estágio primitivo da humanidade, os frutos eram de todos e a terra de ninguém. Assim, como alguém poderia chamar outro de pobre? Quando alguns começaram a se apropriar da terra e dos seus frutos, excluindo os outros, aí, uns começaram a ser ricos e outros começaram a descer para a miséria.
  • Fernando Chiocca  10/10/2011 00:28
    Heheheheh, genial Ricardo.

    Quando nenhuma terra era de ninguém, realmente, não havia muito sentido em chamar alguém de pobre. Somente depois, quando a instituição da propriedade privada gerou riquezas é que houve a diferenciação.

    Antes ninguém tinha nada, ou seja, todos eram pobres, logo, chamar alguém de pobre não fazia sentido.

    Depois que riqueza foi criada, alguns sairam do estado de pobreza, se diferenciando dos que permaneceram. Então a qualificação começou a fazer sentido.

    Não que a pobreza tenha sido criada. Não. Ela já existia. Era o estado natural.

    O que foi criado foi a riqueza. E consequentemente, os ricos, que se diferenciavam dos que continuavam pobres.

    Mas, pelo visto, você prefere todos igualmente pobres do que diferentemente ricos..

    Aconselho a leitura deste texto para que você possa começar a aprender algo, já que até hoje, tudo que teve contato foi lixo marxista: A origem da propriedade privada e da família
  • Absolut  10/10/2011 00:53
    A fantástica Reversal Russa, que inverte tudo.
    Marxismo é uma doença.
  • Ricardo  10/10/2011 01:37
    "Antes ninguém tinha nada, ou seja, todos eram pobres, logo, chamar alguém de pobre não fazia sentido." Isso foi refutado pelo antropólogo Marshall Sahlins: "Os povos mais primitivos do mundo têm poucas posses, mas não são pobres. Pobreza não é uma pequena quantidade de bens, nem é apenas uma relação entre meios e fins. Acima de tudo, é uma relação entre pessoas. Pobreza é um status social".
  • Xisto  10/10/2011 09:14
    "Os povos mais primitivos do mundo têm poucas posses, mas não são pobres. Pobreza não é uma pequena quantidade de bens, nem é apenas uma relação entre meios e fins. Acima de tudo, é uma relação entre pessoas. Pobreza é um status social".

    Isso não é exatamente uma refutação, é só uma redefinição do significado da palavra "pobre".
  • anônimo  10/10/2011 16:26
    Poxa, pessoal, vocês não sabem de nada, mesmo. A pobreza é uma construção linguística.

    Você é uma piada, Ricardo.

    Quando diz "Quando alguns começaram a se apropriar da terra e dos seus frutos, excluindo os outros, aí, uns começaram a ser ricos e outros começaram a descer para a miséria." está simplesmente dizendo que as pessoas viviam melhor no neolítico que hoje, caçando e coletando frutinhas pra sobreviver, tendo que contar com a sorte pra voltar pra casa com alguma comida (e não virar comida). Não dá pra saber se é desonestidade ou muita burrice. Talvez seja os dois, por achar que vamos engolir uma trapaça dessas.
  • anônimo  10/10/2011 15:37
    Esse Ricardo é um safado, ele está dizendo que se não houvesse ricos/riqueza, e o mundo inteiro ainda fosse assim, não existiria pobreza. Tá querendo adequar a palavra ao dicionário de novilíngua dele.
  • Emerson Luis  06/10/2019 17:17

    Ricardo confundiu (talvez de propósito) "pobreza relativa" com "riqueza absoluta".

    Se todos quase nada possuem e não há grande diferença entre as pessoas, de fato a "pobreza relativa" quase não existe. Mas, em compensação, a "pobreza absoluta" é brutal.

    Mas se alguns indivíduos começam a produzir riqueza, a situação de todos melhora, embora a situação deles próprios provavelmente melhore ainda mais.

    Assim, a "pobreza absoluta/objetiva" diminui e pode praticamente desaparecer, mas consequentemente a "pobreza relativa/subjetiva" surge e cresce na medida em que a comunidade como um todo e alguns indivíduos em especial enriquecem.

    A questão é o que realmente queremos:

    (1) Todo mundo igualmente pobre ou;

    (2) Todo mundo bem, mas alguns melhor do que os outros?

    Lembrando que nos sistemas socialistas/igualitários SEMPRE existe uma elite do Partido que vive em condições melhores do que a maioria, pois "todos são iguais, mas alguns são mais iguais do que os outros". O socialismo não erradica a desigualdade material, apenas a torna infinitamente mais perversa do que em um sistema capitalista.

    Por isso nós liberais não defendemos a igualdade material, mas sim a igualdade formal (isonomia, igualdade perante a lei, uma só lei sobre todos e todos iguais debaixo dela).

    * * *
  • Ricardo  10/10/2011 14:06
    Algumas contradições no texto do Hoppe. Por exemplo, primeiro ele disse que alimentos colhidos e animais caçados eram propriedade coletiva: "Por outro lado, quando os bens eram o resultado de algum esforço conjunto, eles eram considerados bens coletivos. Isso se aplicava de maneira mais definitiva para os meios de subsistência: aos alimentos coletados e aos animais selvagens caçados em decorrência de alguma divisão intra-tribal do trabalho. (Sem dúvida, a propriedade coletiva, desta forma, teve um papel muito proeminente nas sociedades de caça e coleta, e é por causa disso que o termo "comunismo primitivo" tem sido frequentemente empregado para descrever as economias tribais primitivas: cada indivíduo contribuía para a "renda" familiar de acordo com suas capacidades, e cada indivíduo recebia sua fatia de renda de acordo com suas necessidades.)"
    Mas alguns parágrafos depois ele vai dizer que eram propriedade privada: "Certamente, os frutos colhidos em um arbusto são propriedade privada; [...] Similarmente, não há dúvidas de que o animal caçado é propriedade privada;".

    Afinal, os frutos coletados e animais caçados eram propriedade coletiva ou propriedade privada?
  • Leandro  10/10/2011 14:18
    Onde está a contradição, Ricardo? Apenas para constar, os parágrafos que separam uma frase da outra são plenamente elucidativos para essa sua dúvida. Por isso, por favor, não venha com jogo de palavras. Apenas ficar colando frases e insinuar que existe contradição entre elas -- sem explicitar nada e desconsiderando tudo o que foi dito entre um parágrafo e outro do texto -- é um artifício que nem de longe passa por argumentação.

    Abraços!
  • Fernando Chiocca  10/10/2011 14:38
    Hehheeheh, o coitado está realmente tentando demonstrar que onde existe propriedade privada da terra e dos seus frutos, excluindo os outros, isso gera miséria!?

    Deixando de lado a teoria, que é irrefutável e não necessita comprovação empírica; será que o infeliz conhece exemplos como Coréia do Norte e do Sul, Alemanha Oriental e Ocidental, EUA e URSS???

    Putz... de que sarcófago saiu esse dai??
  • Angelo T.  10/10/2011 15:39
    Ricardo,

    No segundo trecho apontado, Hoppe utilizou em seu artigo original apenas "property" (para contrastar com "environment"), não distinguindo entre propriedade coletiva ou individual.

    Acho que dessa forma a contradição desaparece.

    Abraço.
  • Eduardo  10/10/2011 14:33


    Tecendo loas e mais loas a um sujeito que enriqueceu vorazmente com...

    PROPRIEDADE

    INTELECTUAL

    em um site que põe à venda a obra do Stephen Kinsella...

  • Fernando Chiocca  10/10/2011 14:41
    Não leu o artigo Eduardo?

    Porém, raramente vi o mesmo sentimento sendo dirigido à Apple, não obstante o fato de poucas empresas serem tão extremas na defesa de sua "propriedade intelectual" quanto a Apple. Mesmo hoje, a Apple está pressionando e atacando seus concorrentes mais próximos com medidas judiciais exageradas e não justificadas, tudo com o intuito de reforçar sua posição monopolista. Por mais lamentável que isso seja, concordo que tal fato não ofusca as façanhas de Jobs. Afinal, não foi ele quem inventou o sistema de patentes; ele apenas aprendeu a manipulá-lo corretamente.

    Por favor, tente ler antes de comentar para não perder o tempo de ninguém.
  • Eduardo  10/10/2011 18:21
    Claro, doutor!

    Como eu não percebi isso antes!!!???

    A ressalva no texto que, NOSSA, eu reputo absolutamente insofismável (não fosse um artigo assinado eu diria que é coisa de Joseph Raz, Merquior...) é mais que suficiente para afastar o ridículo de trazer desavergonhadamente uma besta-fera do capitalismo monopolista e traiçoeiro para o lado da causa libertária!

    O Linus Trovalds, penso eu, tem a mesmíssima leitura!

    Obrigado mesmo meu Magister, pelo esclarecimento, hein!

    PS. Barbosa 4/10/2011 12:16:11, no teu artigo "Austríacos..." está esperando uma resposta....(que porrada no queixo, rapaz!)
  • Fernando Chiocca  10/10/2011 18:44
    Obrigado mesmo meu Magister, pelo esclarecimento, hein!

    Disponha. Da próxima vez tente ler os artigos com mais atençaõ. Tenta não pular parágrafos.

    PS. Barbosa 4/10/2011 12:16:11, no teu artigo "Austríacos..." está esperando uma resposta....(que porrada no queixo, rapaz!)

    ????
    Agora eu que peço esclarecimentos?
    Este Barbosa criticou o Olavo de Carvalho neste comentário que você citou.
    E foi uma crítica que eu não só concordo em parte como repetiu muito do que eu tinha perguntado pra ele em cometários anteriores.
    Ele não faz nenhuma pergunta para mim e nem levanta questionamento algum sobre meu artigo.

    Você pode esclarecer se você tem problemas mentais e não consegue ler, ou se só está trollando de propósito mesmo?
  • Carlos Alexandre  10/10/2011 18:11
    Essa pobre figura do Ricardo me lembra o estado catastrófico da educação no Brasil, país onde os estudantes tiram os últimos lugares no teste PISA [ Programa internacional de Avaliação Estudantil]; o brasileiro médio não sabe mais ler e não sabe nem mesmo o que é uma boa discussão cultural; Ricardo leu a frase segundo a qual "pobreza é um status social", e a papagueia ad nauseam; quem ler suas assertivas percebe desde logo que ele não sabe o que este conceito significa, mas, ao invés de reconhecer a sua ignorancia, ele se torna arrogante e prepotente; este é um defeito comum a todos os brasileiros: sabedoria e humildade para o tupiniquim burro são grandezas inversamente proporcionais, isto é, quanto mais o brasileiro ignora um assunto, mais ele se torna arrogante, mais simula sabedoria e cultura e ainda tenta discutir de igual para igual com, neste caso, Sahlins, que fez faculdade, e, ainda que não tenha razão quanto ao seu culturalismo antropológico exacerbado merece respeito, ao contrário do asno Ricardo, pelo simples fato de estudar e aprofundar-se no seu tema; no caso, Sahlins, frequentou uma universidade, obteve PhD e mestrado em antropologia; e ele também estudou culturas primitivas "in loco" [ não a partir da perspectiva de uma mesa de bar, como Ricardo ], tornando as ilhas do Pacífico Sul um verdadeiro laboratório para suas concepções;[ tenho certeza de que Ricardo não estudou nenhuma sociedade "primitiva" ou "simples", ou seja, ele nem mesmo viajou, o que é a situação mais básica de um antropólogo} e então, infelizmente, todo esse esforço, todos esses anos de estudo e experimentação não impediram que um indivíduo de mentalidade um tanto quanto tacanha simplória queira pontificar sobre aquele antropólogo como se fosse outro antropólogo que dominasse toda a sua obra!!!Aliás, você, Ricardo, elegeu Sahlins como paradigma, baseado no quê? Voce já estudou todas as outras escolas na aontropologia, como a A. Evolucionista?Ou a Difusionista? Como você se posiciona em relação à "Linhagem Francesa"?Você já se aprofundou na A.funcionalista? E na estrutural? O que voce sabe de antropologia se deve a uma suposta comparação entre Lévi-Strauss, Malinowski, Durckheim ou Ratzel? se voce entende tanto de antropologia, me diga como você elegeu Sahlins como uma divindade iluminada da antropologia, capaz de "provar" ou "refutar" algo? Será intelectualmente honesta essa sua atitude dogmática? Santo Tomás de Aquino disse certa vez: "Eu temo o homem de um livro só!" Ricardo é um homem de um livro só, e o defeito deste tipo de burro é ser arrogante e achar que o seu livrinho é a Bíblia definitiva do assunto sobre o qual ele discorre, sendo que em ciencias humanas e sociais, não há verdades definitivas, ninguém pode "provar" ou "refutar" nada; é muito dif´cil argumentar com um homem-de-um livro-só, pois ele não partilha das regras de uma discussão intelectual eficaz; veja-se, por exemplo, que ele usou o argumento da contradição, o que , mais uma vez, revela uma pobreza mental atroz, pois apontar contradição não é argumentar, você não conseguiu provar como verdadeiras as suas bobagens, Ricardo. Este também é um recurso muito utilizado pelos ignorantes de assuntos acima da sua compreensão, apontar contradições, como se fossem comentaristas muito eruditos do autor! E o pior é que no fim não havia contradição nenhuma no texto apontado! Mais uma vez, Ricardo diz que Sahlins refutou não-sei-o-quê, mas o próprio Ricardo não sabe refutar nenhum dos seus contendores - cade a refutação do argumento do Leandro? E do segundo argumento do F. Chiocca?Ricardo fugiu às duas respostas de F. Chiocca...E aí, Ricardo, saia dessa, tente provar que o F. Chiocca não tem razão. Dê a cara a tapa, ou reconheça a sua inferioridade intelectual frente a seus interlocutores!
  • Carlos Alexandre  10/10/2011 18:47
    ERRATA: quando eu lancei a sentença "...este é um defeito comum a TODOS os brasileiros...", na verdade a minha intenção foi expressar-me nos seguintes termos: "...este é um defeito comum MUITOS brasileiros..."
  • Eduardo  10/10/2011 19:45
    É verdade, acabei de vir do psiquiatra e percebi que era demência da minha parte!

    Percebi não! Fui convencido com remédio, hipnose e regressão a Viena 50's.

    Nada a ver a minha leitura: Barbosa estava apenas criticando o Olavo de Carvalho por ser contra o PNA, e não a incoerência dos que estavam desavergonhadamente o bajulando nos comentários ao artigo.

    Ser um Anarco-capitalista, defensor fundamentalista do PNA e se perceber no mesmo lado da moeda ideológica ao ponto de trocar afagos com um ultra-conservador católico, moralista e militarista realmente é uma conduta de coerência exemplar. Bravo!

    O magnânimo me perdoa, vai? Só mais essa vez?

    Vou sair do site do IMB só um pouquinho. Para renovar as minhas baterias ANCAP! Vou lá no debate Olavo X Dugin para rever o professor Olavo destilar toda a sua retórica libertarian/PNA-friendly...

  • Oriom Lisboa  10/10/2011 20:11
    Vocês podem se divertir com o fato, mas eu não acho nada divertido falar bobagem do Ricardo, afinal não faz nem 3 anos e eu pensava exatamente a mesma coisa. Tinha "certezas" construidas dentro de mim, pensava andar com a "Verdade" e por isso não discutia, na profunda concepção de estar certo. Detalhe: já fui comunista, facista, tive uma ponta de nazismo. Depois conheci o liberalismo. Passei a defende-lo com o mesmo fanatismo. Foi uma das fases mais deprimidas da minha vida, quando me considerava Objetivista (mesmo não tendo lido quase nada, era minarquista e tudo). Era o "chato", aonde eu ia as pessoas se afastavam. Eu tinha 16 anos, e nenhuma motivação para continuar estudando o lixo da escola. Foi aí que o site Mises Br surgiu e mudou tudo. Conheci Hayek, Mises, Bastiat e por fim Rothbard. Nova mudança, um verdadeiro mundo novo. Me recordo de passar horas lendo este site. Meu inglês se tornou quase fluente (sem curso!) de tanto ler livros austríacos. Saí da escola (ainda estou no terceiro ano num supletivo) e passei ler praticamente 8-10 horas por dia. Os debates com os meus pais eram intermináveis e eles, achando que eu estava escondendo meu "fracasso" atrás de uma ideologia barata, se desesperaram. Minha vida virou um inferno. Minha familia duvidou da minha fibra.

    Veio então Konkin, que me libertou da idéia de participar na vida política através das eleições. Ação direta, contra-economia, contra-cultura. Me senti o mais radical de todos os libertários brasileiros. Depois de algumas porradas, deixei de acreditar no termo Capitalismo, quando se referindo a livre mercado. Sofri bastante, meus pais acreditavam agora que eu estava disposto a me tornar traficante e terrorista. Era esse o sinônimo de anarquista! Mas meu ânimo se acalmou, e meu orgulho ferido finalmente estava sendo sufocado. Tive depressão profunda, não acreditava que fosse capaz de ficar com uma garota. Até aqui, com 17 anos sem nunca ter beijado. E olha que eu não sou feio!

    Quando eu melhorei e as coisas mudaram, decidi que não iria mais me perder em debates eternos, nem rir dos marxistas, nem reclamar (muito) do governo. Passei a transmitir o sentimento libertário (você é dono de você mesmo!), ao invés de tentar convencer as pessoas com argumentos econômicos. As pessoas se sentiam alegres comigo, sentiam a energia, se sentiam capazes e realmente começaram a pensar em mim como verdadeiro radical. Finalmente, conheci o mutualismo de Kelvin Carson, apesar de não me convencer com sua revisão da teoria do valor trabalho, que aliás não terminei de ler. Mesmo assim, deixei de acreditar na ortodoxia a respeito de hierarquia, que é como um mini governo (no comunismo, todos os aspéctos da vida são hierarquisados, por isso que se chamava economia ao modelo militar!). Entendi melhor o custos e ganhos de escala, e passei a acreditar que o livre mercado leva a descentralização completa. Acredito que a economia funcionaria como que em células, pequenos grupos de associados que deteriam os chamados meios de produção, e que a coordenação econômica se daria puramente pela oferta e demanda, e não pela direção "socialista" de hierarquias. Me tornei muuuiito mais próximo dos anarquistas tradicionais, e passei a ter respeito por eles, fazendo até alguns amigos. Hoje sou outra pessoa, estou muito melhor de vida aos 19, e estou decidido a ter uma vida de ativista. E sim, finalmente fiquei com uma garota! Meus pais voltaram a acreditar em mim e a minha família me respeita. Eu raramente leio este site, mas decidi voltar a acompanhar, pois reconheço como ele foi importante na minha vida e como o é para todos os jovens desta geração!

    Embora meu relato tenha sido longo, acredito que carrega lições de vida valiosas, especialmente para aqueles que, como eu, amam um debate com ad hominem e tem sempre "convicção absoluta" nessa doutrina que chamamos libertarianismo. Eu tenho uma divida eterna com vocês do Mises Brasil, inclusive você Fernando Chiocca, por várias horas de conversa pelo grupo Libertários do msn. Eu sou o velho e bom Café M. Rothbard, que ainda hoje quer abrir um café libertário. Estejam convidados, se isso acontecer, os café junto aos livros é por conta da casa! ;-)

    Abraços, Oriom.
  • Fernando Chiocca  10/10/2011 23:30
    Opa Oriom, belo depoimento mesmo...tudo isso com apenas 19 anos... e eu só fui entrar nesse mundo liberal/libertário com 20 e tantos anos.

    Não esqueça de me convidar para este café!

    (Quem participava deste msn do Libertários era meu irmão Roberto, não eu)

    abs

  • Oriom Lisboa  11/10/2011 14:48
    Pode considerar-se convidado, Fernando. É verdade, te confundi com seu irmão. Mande um abraço para ele!

    PS ao meu relato: ...à aqueles que, como eu amava, amam um debate ad hominem...

    Evito debates desnecessários, já que a maioria das pessoas não debate com a razão, mas com argumentos carregados de emoção, uma espécie de hipnose que, quando se ataca seus argumentos, elas sentem como se fosse um ataque pessoal e ficam ofendidas. Elas xingam e nós xingamos de volta, então começa o ad hominem, criticando a pessoa, culpando-a de vários "crimes" e chamando de todo tipo de nomes, fazendo-a parecer uma retardada sem cérebro.

    Eu prefiro passar as idéias de autopropriedade e autodeterminação, e aproveitar ao máximo a autoconfiança que elas geram. Então as pessoas, admiradas dessa tranquilidade e paz interna, ficam curiosas do tipo de filosofia que me propicia isso. Faço exposição sucinta, a la crusoé, do individualismo libertário. Explico que praticamente todo o mal advém das pessoas invadirem o espaço da outra, dando exemplos da vida diária, e explico que esse individualismo é o ponto de partida de qualquer filosofia séria. Só é possivel debater quando ambos os lados podem falar livremente, sem ninguém impor opnião. O problema é que praticamente todas as filosofias implicam em imposição em algum ponto: O que fazer sobre (insira a matéria)? [blá,blá,blá] Bom, nós deveriamos obrigar os (insira uma designação ofensiva) a (insira o seu desejo).

    Pode-se invalidar esse tipo de teoria ou argumento, pois a imposição em si é contrária ao Princípio Filosófico. Filosofia são teorias construidas sob o livre debate, o raciocínio lógico. Religião é os dogmas, "verdades" intocáveis, a autoridade e a imposição. Observe que a filosofia não é necessariamente materialista ou empirista, e que pode perfeitamente incluir a idéia de Deus ou espiritualidade. A Religião também não é necessariamente espiritual, pode ser materialista, como o Marxismo. Religião é tudo que é dogmático, que exige imposição, que faz apelo à autoridade ao invés do argumento. Nesse caso, ser anti-religioso é uma posição perfeitamente válida para quem crê em Deus.

    Fernando, escrevi um artigo para o concurso IMB. Poderia enviar mais? Não sei se seria bem recebido pois fugiria ao usual, mas poderia expor boa parte da visão anarquista tradicional pela ótica do libertário de livre mercado. Seria uma série de uns 5 ou 6 artigos. Seria polêmico e poderia fazer com que alguns conservadores tivessem ojeriza do site por um bom tempo xD

    Abraços, Oriom.
  • Fernando Chiocca  11/10/2011 16:00
    Eu também prefiro ir mais nesta linha moral.

    Pode enviar seu artigo sim que eu envio para a comissão editorial do IMB.

    abs
  • Emerson Luis  06/10/2019 16:53

    Bem lembrado: cuidar da estética do que e como oferecemos (produtos, serviços ou ideias) ajuda a torná-lo mais atraente para as pessoas em geral.

    Jobs também se tornou uma espécie de "anti Bill Gates": Jobs seria o Lucke Skywalker que combate o "Império" e Bill Gates, Darth Vader (representante do capitalismo malvadão).

    Obviamente não concordo com isso, sei que Jobs era tão capitalista quanto Gates.

    * * *


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