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As regulamentações e o senso da realidade

Barack Obama recuou de sua ideia de impor novas regulamentações concernentes à "qualidade do ar".  Tais regulamentações teriam estorvado várias indústrias americanas e criado várias externalidades negativas.  Os republicanos estimaram custos na casa de US$ 90 bilhões, mas eles obviamente estão dizendo isso apenas por oportunismo.  Eles apoiaram todas as leis ambientalistas criadas por Nixon e Bush.

O fato é que não há como saber os reais custos dessas odiosas legislações, principalmente quando se sabe que os maiores custos das regulamentações são aqueles que não se veem.  Eles consistem nos empregos que não puderam ser criados, nos produtos que não puderam ir para o mercado, na produção que acabou não ocorrendo, nos ganhos de eficiência que não puderam ser implementados, no padrão de vida que não pôde ser elevado.  Com efeito, é ainda pior do que isso: quanto mais o governo põe obstáculos na economia, mais pobres todos ficam — exceto, é claro, os poucos beneficiados pelas regulamentações.  Ademais, não há nenhuma maneira de documentar como seria um futuro o qual não podemos sequer vislumbrar.

Você discorda?  Sem problemas.  Porém, aparentemente ninguém menos que Obama concorda com o que foi dito acima.  Recentemente, ele disse:

Tenho continuamente enfatizado a importância de se reduzir os fardos regulatórios, bem como as incertezas criadas pelas regulamentações, principalmente agora que nossa economia continua se recuperando.

Trata-se de uma monumental concessão intelectual.  Se tal raciocínio é válido para algumas regulamentações, por que não para todos os outros calhamaços de regulamentações?  Quando você põe grilhões na livre iniciativa, os resultados serão sempre os mesmos, não importa a maneira como você faça isso.  Você aniquila as opções dos empreendedores.  Você reduz o valor do capital que eles possuem, pois está restringindo a maneira como ele pode ser investido.  Você desvia as energias produtivas da sociedade, fazendo com que empreendedores deixem de produzir bens e serviços genuinamente demandados pelos consumidores e obrigando-os a se sujeitarem às burocracias regulatórias.  Os custos sempre serão enormes.  Com efeito, podemos ver o socialismo ou o fascismo como sendo nada mais do que o resultado extremo de uma economia altamente regulada.

Você poderia dizer que, algumas vezes, as regulamentações são necessárias.  Isso é o seu julgamento.  Porém, sejamos honestos e vamos pelo menos reconhecer que existem dilemas e sacrifícios em um ambiente regulado.  Quando você regula, você está abrindo mão de algo, e esse algo consiste em algum nível de prosperidade que não iremos vivenciar.  Este é o dilema: regulação versus crescimento econômico.  Você pode dizer que a sociedade já vivenciou um crescimento econômico bastante satisfatório, e que agora não mais é necessário vivermos em um mundo no qual os pobres ficam mais ricos, mais empregos são criados e mais empreendimentos vicejam.  De novo, esse é o seu julgamento.  Mas reconheçamos o dilema.

Isso é exatamente o que fez Obama, e sua atitude significa uma capitulação a uma realidade que a esquerda sempre procurou evitar.  Por mais de 100 anos, a esquerda alegou o contrário.  Ela sempre disse que suas regulamentações teriam o efeito de aumentar a eficiência, poupar dinheiro, criar empregos e todo o resto.  No caso da legislação do "ar limpo", a ideia é que ela irá criar "empregos verdes", melhorar todo o ambiente — de modo que os indivíduos viverão mais felizes —, aprimorar o uso dos recursos, acabar com a exploração dos trabalhadores e inúmeras outras benesses.  É por isso que a Nova Esquerda sempre considerou que gastos governamentais são na verdade "investimentos", que regulamentações são na verdade "padrões de qualidade", e que impostos são "contribuições."  A ilusão que essas pessoas tentam urdir é a ideia de que as intervenções governamentais sobre a economia irão na realidade melhorar a vida de todos.  (Eu poderia acrescentar que, não obstante a retórica, a direita não é nada melhor na prática.)

A questão é que tais afirmações são evidentemente falsas por uma variedade de razões: proprietários sabem melhor do que burocratas como alocar seus recursos; consumidores podem sozinhos cuidar de seus próprios interesses; empreendedores precisam de liberdade e oportunidade para poder criar e produzir; e o sistema de preços é o garantidor supremo da eficiência. 

O governo, por sua vez, não possui recursos próprios; tudo o que ele tem, ele confiscou da sociedade.  Mais ainda: ele não tem como saber a maneira correta de gerenciar a sociedade.  Tal conhecimento está disperso pelos indivíduos da sociedade, de modo que são eles, e apenas eles, que devem se gerenciar a si próprios.  O governo é apenas uma instituição essencialmente ignorante e obtusa.

Mas agora, com o anúncio de Obama, vemos aquela proverbial 'mudança instantânea'.  Ele e sua administração estão admitindo que seu programa de governo até agora tem sido um fardo, um escoadouro de recursos, uma presença indesejável, um obstáculo à prosperidade.  Esta é a implicação de sua frase, e esta é realmente a única conclusão que se pode tirar de seu anúncio.  Ela significativamente subverte e derruba uma grande alegação dos intervencionistas.

E por que Obama está agindo assim?  É só olhar para as pesquisas.  São desastrosas para ele e sua presidência.  E é só olhar para a economia americana também.  Ela não está crescendo; está encolhendo.  É quase como se essa combinação de desastre político e econômico tivesse finalmente despertado o governo americano para a realidade.

Tudo isso me faz lembrar um evento ocorrido na Áustria após a Primeira Guerra Mundial.  Otto Bauer, líder do Partido Social-Democrata Austríaco, era o mais influente intelectual e conselheiro de toda a nação, mas ele era um devoto marxista linha-dura.  Em uma época em que os rumos da Áustria eram incertos, e os bolcheviques estavam em ascensão, Ludwig von Mises reuniu-se durante várias noites com Bauer e sua esposa marxista, para discutir teoria econômica e política.  Otto queria a implementação imediata do socialismo.  Mises se esforçava para explicar que tal experimento era economicamente ilógico e iria entrar em colapso rapidamente.  Viena dependia de importações para alimentar sua população.  Sem propriedade privada dos meios de produção, seria impossível fazer cálculos econômicos.  O investimento ficaria desorganizado e rapidamente seria paralisado.  Consequentemente, a oferta rural de comida iria desaparecer e todos os moradores de Viena começariam a morrer de fome em aproximadamente uma semana.  Mises enfatizou essa questão como somente ele sabia fazer, até que finalmente Bauer aquiesceu e admitiu que Mises tinha razão.

Mas não impunemente.  Bauer jamais perdoou Mises por este tê-lo convencido a abrir mão de suas convicções.  Ele iniciou uma ferrenha guerra acadêmica contra Mises, e jamais voltou a conversar com ele.  Bauer foi decisivo em impedir que Mises conseguisse um cargo pago na Universidade de Viena.  Este é o destino de um economista que ousa dizer a verdade a políticos que sonham em utilizar o estado para controlar e elevar a sociedade.  O economista essencialmente diz ao político: Com todo o seu poder e todas as suas teorias, você ainda assim não tem a capacidade de fazer aquilo que alega querer fazer.  Qualquer tentativa irá levar à calamidade.

Alguém nos escalões do governo Obama aparentemente falou desta mesma maneira com o presidente sobre essa potencialmente catastrófica regulamentação ambiental.  Essas mesmas pessoas deveriam dizer o mesmo sobre todos os impostos, todas as regulamentações antitruste, todas as regulamentações ambientais, todas as guerras, todos os gastos assistencialistas, todas as imposições e restrições, e todas as manipulações monetárias.  Alguém precisa falar mais verdades para os ocupantes de cargos públicos.  Tal atitude sempre trará um grande custo pessoal, pois aqueles que acreditam no poder mágico do governo ficarão magoados e quererão se vingar lançando ataques vingativos e rancorosos.  Ainda assim, isso é algo que desesperadoramente precisa ser feito.

Que essa súbita percepção de que regulamentações matam possa levar à conscientização de que todo o estado intervencionista deve ser dizimado.  Só assim poderemos ser deixados em paz para construirmos nossa própria prosperidade.



autor

Lew Rockwell
é o chairman e CEO do Ludwig von Mises Institute, em Auburn, Alabama, editor do website LewRockwell.com, e autor dos livros Speaking of Liberty e The Left, the Right, and the State.



  • Mohamed Attcka Todomundo  08/09/2011 11:11
    o Lew Rockwell tem razão sobre a verdade ferir e ofender os estatistas, e q eles vão usar violência institucional contra os liberais.

    como revidar violência sem violência? como se defender sem agredir?

  • Alan  08/09/2011 11:13
    Quem paga a conta de todas essas regulamentações e burocracias são pessoas inocentes que são impedidos de trabalhar, ter renda própria e produzir bens para a sociedade. Enquanto burocratas do governo, usam a força para roubá-los. Isso é um dos atos mais imorais que conheço. Chega a ser pior que um holocausto.\r
  • Rhyan  08/09/2011 11:22
    Em compensação, mr. Obama vai gastar U$300bi para gerar empregos...
  • Mohamed Attcka Todomundo  08/09/2011 12:36
    Alan está certo. è um holocausto diário.

    por isto repito a pergunta: como revidar violência sem violência? como se defender sem agredir?

  • Alan Denadary  21/10/2011 09:01
    Entendo seu ponto de vista, mas não acho que o melhor a se fazer é revidar com violência. A começar pela perda de capital usado nessa "guerra" que poderia ser sabiamente usado para disceminar o conhecimento. Como sabe, vivemos num mundo de escassez, e, mais do que ninguém, precisamos saber alocar nossos recursos da maneira mais prudente e sábia possível.\r
    \r
    Também acho pouco provável que consigamos atingir nossos objetivos sem antes alertar a população, ou pelo menos a maioria, sobre a ignorância econômica e social. Apesar de estarmos muito longe desse objetivo, vejo com muito otimismo nossos esforços pelos debates diários que mantenho e pelo número cada vez mais crescente de pessoas que procuram informações a respeito da escola autríaca\r
    \r
    Nossa revolução é sucinta, mas tem um poder muito efetivo. A internet, as crises econômicas, boas ideas e grupos (seasteading, bitcoin, partidos libertários e institutos) mostram que nossas ideias estão mais fortes do que nunca. \r
    \r
    \r
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  • Allan   08/09/2011 14:00
    Segundo a EA, como seria visto a questão de externalidades negativas ? Ou ainda a questão de ''usos público'', como o ar, que a principio não pode ser privatizado ?
  • Tiago  09/09/2011 04:54
    Uma externalidade negativa é uma violação do direito de propriedade de alguém.

    O ar até pode ser apropriado em determinadas quantias - não a atmosfera toda, óbvio. Por exemplo, se você põe ar comprimido num cilindro seu, esse ar passa a ser seu. Pode-se dizer também que o ar na tua casa é teu, e que você pode polui-lo a vontade. Mas se essa poluição escapar e vier na minha casa, e eu não aceitar, você está violando meu direito de propriedade.
  • Isaias Barbosa  08/09/2011 16:53
    Estou com uma incerteza sobre o discurso do Obama sobre as desregulamentações. Talvez isso possa ser maracutaia para que no futuro escondam a cagada keynesiana que anda ocorrendo nos EUA e culparem, mais uma vez, o "livre-mercadista" Obama por desregulamentar ainda "mais" a economia norte-americana, impedindo que a recuperação econômica fosse lograda. Mais ou menos o que fizeram com o Hoover em na década de 30, recentemente na gestão Bush e etc. Alguém pressentiu algo parecido? Não duvido de nada.
  • Arion  08/09/2011 18:38
    Quero parabenizar a todos pelos excelentes artigos e pela divulgação dos ideais libertários, sempre tão mal compreendidos pelo povo em geral.

    Eu tenho uma pergunta a todos do IMB mas não sei onde postar e, desde já, peço desculpas se não é este o espaço correto para esta colocação: como explicar a aquisição originária da terra no anarcocapitalismo?
  • André Poffo  08/09/2011 19:41
    Ele foi sucinto aqui:

    'A esquerda sempre considerou que gastos governamentais são na verdade "investimentos", que regulamentações são na verdade "padrões de qualidade", e que impostos são "contribuições."'

    e

    'A questão é que tais afirmações são evidentemente falsas por uma variedade de razões: proprietários sabem melhor do que burocratas como alocar seus recursos; consumidores podem sozinhos cuidar de seus próprios interesses; empreendedores precisam de liberdade e oportunidade para poder criar e produzir; e o sistema de preços é o garantidor supremo da eficiência.'
  • Cristiano  09/09/2011 12:19
    No exato momento que o estado de são paulo regulamenta o modo de servir o couver nos restaurantes.
  • Alexandre M. R. Filho  09/09/2011 12:56
    Eu só acho que às vezes o pessoal perde o foco.\r
    \r
    Regras podem ser ótimas. Regulamentações, portanto, não são necessariamente ruins.\r
    \r
    O problema é a regra imposta, a regulação estatal.\r
    \r
    Não podemos confundir a "anarquia" com a "anomia". A primeira, significa liberdade (ausência de governo). A segunda, bagunça (ausência de regra).\r
    \r
    Por exemplo, se um grupo de consumidores resolvesse bolar umas regrinhas sobre o menu dos restaurantes e, democraticamente, sem imposições, quisesse tentar fazer os restaurantes seguirem essas regrias, qual seria o problema?\r
    \r
    O restaurante só seguiria se quisesse e esse grupo de consumidores, diante da recusa, poderia, numa boa, criticar e até deixar de indicar o estabelecimento relutante para as pessoas de modo geral.\r
    \r
    O mercado faz isso o tempo inteiro.\r
    \r
  • Joao  09/09/2011 15:19
    Uma coisa é um grupo de comerciantes decidir adotar algumas regras específicas, ou os consumidores exigirem que o restaurante siga essas regras.
    Outra coisa é o estado aparecer com um conjunto de regulamentações e empurrá-las goela abaixo.
  • Daniel M.  09/09/2011 14:16
    Uma simpática repórter do Correio Braziliense me abordou na rua e perguntou minha opinião sobre a regulamentação do couver. Obviamente "soltei os cachorros".
  • Daniel  23/09/2011 12:09
    O governo regula os planos de saúde, a aviação, as ferrovias, os combustíveis, a educação, a telefonia fixa e móvel... vejam que maravilha são esses produtos e serviços regulados!!!

    Agora eles vão transferir esses excelentes regulamentos para o acesso à internet. Já sabemos o que vai acontecer, não é mesmo?

    Vejam a notícia abaixo.

    www.teletime.com.br/22/09/2011/apesar-dos-protestos-alvarez-avisa-teles-que-havera-metas-de-qualidade/tt/241177/news.aspx
  • Carlos Araújo  21/10/2011 00:29
    "banda larga é um direito seu".

    Depois desta fui dormir.
  • Cético quanto ao liberalismo  20/10/2011 23:21
    Por favor,comentem o artigo abaixo, escrito por um respeitável professor do largo de São Francisco:\r
    \r
    sergyovitro.blogspot.com/2011/08/menos-mercado-2-calixto-salomao-filho.html\r
    \r
    O que acham disso?
  • Leandro  21/10/2011 00:10
    Este cidadão até chega a acertar o alvo da crítica, mas, como sempre ocorre com estes "pensadores", ele erra completamente nos sintomas e nas soluções.

    A "selvagem" especulação financeira que ele critica (critica essa com a qual eu concordo), só existe porque vivemos em um mundo de moeda fiduciária sem lastro criada irrestritamente por bancos centrais. É exatamente esta criação incontida de dinheiro que propicia especulações no mercado financeiro, em detrimento da produção. E, como ele corretamente aludiu, é a existência de bancos centrais (instituições governamentais) que gera risco moral, dando a certeza aos especuladores de que eles sempre serão salvos. Isto não é capitalismo nem livre mercado. Isto é sistema intervencionista puro. Isto é socialismo.

    Como bem explica este artigo sobre o atual sistema monetário:

    Os idosos que vivem de pensões, as viúvas e os tutores de órfãos precisam investir seu dinheiro no mercado financeiro, pois, caso contrário, seu poder de compra irá se perder diariamente. Assim, eles se tornam dependentes dos intermediadores financeiros e, consequentemente, do comportamento dos preços das ações e dos títulos.

    Com tudo isso, torna-se claro que tal situação é amplamente favorável para aqueles que ganham a vida no mercado financeiro. Corretores, analistas, bancos, empresas hipotecárias e outros "players" têm motivos para ser gratos a esse constante declínio do poder de compra do dinheiro sob um ambiente de inflação monetária. Porém, seria tal arranjo também benéfico para o cidadão comum?



    Qualquer pessoa que genuinamente deseje fazer com que haja menos energia devotada às especulações no mercado financeiro e mais energia voltada para a genuína produção de bens e serviços tem necessariamente de ser a favor do fim dos bancos centrais, do dinheiro fiduciário, da completa retirada do governo dos mercados e da volta do padrão-ouro. Sem isso, "tudo que está aí" vai continuar indefinidamente.
  • Alexandre M. R. Filho  21/10/2011 00:26
    Eu tive aula na Sanfran. Vc também foi aluno lá?\r
    \r
    Não existe um só professor liberal lá. Apesar de haver os que preguem o contrário.\r
    \r
    No mais, o Leandro - pra variar - foi certeiro.
  • Cético quanto ao liberalismo  21/10/2011 01:10
    Leandro,\r
    \r
    Você coloca "pensadores" entre aspas... Bem, o Calixto Salomão é um dos maiores juristas brasileiros, professor titular da USP e professor visitante de Yale. Ele é um forte crítico do liberalismo, e em seu livro "O novo direito societário", ele chama Hayek de "filósofo social medíocre".\r
    \r
    Acredito que os componentes do "Mises Brasil" deveriam propor debates com esses professores da USP. Há professores como Diogo Rosenthal Coutinho e Calixto Salomão Filho que são grandes críticos do liberalismo.\r
    \r
    Por exemplo, numa de suas aulas o professor Coutinho mostrou como as empresas públicas não são intrinsecamente ruins... e deu como exemplos a Singapore Airlines, a Posco e a Indian Railways. Argumentou também no sentido de que empresas que foram privatizadas e que são grandes "global players" foram criadas pela atuação estatal, e que não poderiam ter surgido sem a sua atuação.\r
    \r
    De qualquer maneira, seria muito saudável propor esses debates. Se quiserem, posso tentar propor isso ao Centro Acadêmico da faculdade para que entrem em contato com os professores e que o debate seja promovido. Seria bastante slutar para os alunos e para a difusão da Escola Austríaca no Brasil.\r
    \r
    Sugiro já um tema para debate, se me permitem: "É salutar para a economia brasileira que o petróleo permaneça como monopólio estatal?"
  • Leandro  21/10/2011 01:48
    Apelos à autoridade (e a diplomas) não me assustam, prezado anônimo. O referido professor pode até ser uma sumidade em direito, mas provou que de economia possui conhecimentos parcos. Aliás, esse é o pecado dos intelectuais bajulados: eles se acham plenamente capazes de falar com segurança e desenvoltura sobre absolutamente tudo. Humildade faria bem. Eu, por exemplo, jamais sairia falando de direito, pois não é minha área.

    Ademais, títulos por títulos, George W. Bush é formado em Yale (e parece até que com boas notas) e Krugman é professor de Princeton e não acerta uma em economia. E daí?

    Sobre os outros pontos que você cita, o referido aparentemente em nada difere do pensamento de qualquer professor de 8ª série; não sabe fazer um pensamento regressivo. Por exemplo, empresas que foram privatizadas e que hoje são grandes "global players" -- geralmente empresas de países não-desenvolvidos -- se tornaram grandes justamente porque possuíam um completo monopólio na época em que eram estatais. Uma vez entregues ao gerenciamento privado, houve essa combinação: a empresa, que já era detentora de uma enorme fatia de mercado (por causa do monopólio estatal), agora passa ter maior eficiência na gestão. Ora, é claro que tal combinação não poderia gerar resultados diferentes. A empresa vira "global player" poderoso. A questão é que foram os pagadores de impostos que sustentaram o mamute quando ele era estatal. O professor parece defender tal modelo, a julgar pelo seu relato.

    Por fim, sobre a Singapore Airlines: o fundo soberano do governo é dono de 55% das ações, mas a gerência é totalmente privada e a empresa possui ações na bolsa -- o que significa que ela tem de mostrar serviço para seus acionistas.

    Viu só como os detalhes importam?

    Grande abraço!
  • Cético quanto ao liberalismo  21/10/2011 10:44
    Na verdade, ele não disse o contrário do que você escreveu: o argumento central era de que essas empresas só surgiram e se tornaram "global players" por que antes foram estatais. Não está negando que hoje foram privatizadas ou parcialmente privatizadas. O que ele argumenta é a necessidade de, em algum setores , haver a atuação do Estado para se formarem e solidificarem essas empresas. Ou seja, ele argumenta que essas empresas não poderiam surgir pela simples atuação do mercado.\r
    \r
    Por exemplo, ele dá sempre o exemplo da Coréia do Sul, citando que o general Pak(não sei se é assim que se escreve) comandou o desenvolvimento do país; logo, a intervenção estatal no início foi fundamental, e continua fundamental em alguns setores estratégicos.\r
    \r
    Ele disse também que os argentinos odeiam Carlos Menem até hoje por ele ter privatizado o equivalente à Petrobrás da Argentina.\r
    \r
    Também sempre cita o argumento do "chutando a escada".\r
    \r
    De modo algum eu citei os títulos do professor para "assustá-lo": era só para dizer que os sujeitos tinham uma preparação para estarem falando sobre isso. \r
    \r
    Um grande abraço!\r
    \r
  • Leandro  21/10/2011 11:38
    A frase economicamente correta seria:

    "Para haver grandes conglomerados em determinados setores, é necessário haver a atuação do estado. É o estado quem irá cartelizar o mercado e impedir a livre concorrência, o que irá permitir a formação e a solidificação de grandes empresas, as quais podem crescer e se tornar monopolistas justamente porque contam com a proteção do estado. Em um livre mercado genuíno, dificilmente haveria a formação de grandes conglomerados e grandes corporações monopolistas, pois tão logo as empresas apresentassem lucros em determinadas áreas, isso atrairia a concorrência, imediatamente reduzindo o lucro no setor e consequentemente impedindo o agigantamento destas empresas. Logo, tais empresas não poderiam surgir em um mercado desregulamentado e concorrencial".

    Aliás, esse é exatamente o exemplo da Coréia do Sul e suas Chaebols.

    Agora eu entendo por que esse seu professor é crítico do liberalismo. Ele defende grandes empresas protegidas da livre concorrência pelo estado. Ele gosta de monopólios e oligopólios. Ele gosta de mercados regulados, o que beneficia uma pequena elite. Ele gosta de estado regulando e privilegiando poderosos em detrimento do resto da população.

    E você está aplaudindo isso.
  • Cético quanto ao liberalismo  21/10/2011 12:24
    De modo algum estou aplaudindo! Levei o caso até vocês pois queria ouvir o que vocês tinham a dizer. O que acontece é que eles falam, lá na USP, de Mises e Hayek como se fossem extremistas, e por isso "não valem a pena ser estudados". Praticamente todos lá são fortes intervencionistas.\r
    \r
    Mas não há setores da Economia que, por não serem atraentes para o mercado a curto-prazo, não atraem investimentos?\r
    \r
    Por exemplo, a Coréia do Sul era um páis pobre antes das fortes políticas intervencionistas do general Park.
  • Leandro  21/10/2011 12:42
    Não é verdade dizer que a "Coréia do Sul era pobre e aí foram adotadas políticas intervencionistas e aí ela enriqueceu". Mesmo porque isso é econômica e logicamente impossível. O que o general Park fez foi adotar uma política extremamente favorável ao investimento estrangeiro (óbvio, pois a Coréia não tinha capital), principalmente de japoneses (com quem ele reatou relações diplomáticas) e americanos. Não fossem esses investimentos estrangeiros, o país continuaria estagnado.

    Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia.

    Era economicamente impossível a Coréia enriquecer por meio de intervencionismo simplesmente porque não havia capital nenhum no país. Intervencionismo é algo possível apenas em países ricos, que já têm capital acumulado e que, por isso, podem se dar ao luxo de consumi-lo em políticas populistas. Já países pobres não têm essa moleza (por isso o intervencionismo explícito em países como Bolívia e Venezuela apenas pioram as coisas).

    Acho que isso responde à sua pergunta sobre não haver setores atraentes o bastante para receber investimentos. Ora, a Coréia do Sul no início da década de 1960 era mais pobre que a Coréia do Norte. E mesmo assim os japoneses investiram lá. E deu no que deu.

    Abraço!
  • Evelyn  22/10/2011 19:22
    Se uma empresa alcança essa posição sem ser por meio da satisfação dos consumidores do mercado, então qual é o grande benefício disso? Uma empresa ser grande não é uma finalidade do livre mercado.
  • Absolut  22/10/2011 20:38
    O livre mercado não tem finalidade quanto ao tamanho das empresas.
  • Cetico quanto ao liberalismo  21/10/2011 13:29
    Leandro,\r
    \r
    É óbvio que a Coréia do Sul não poderia crescer por intervencionismo "somente". Não é esse absolutamente o ponto. Por exemplo, você escreveu:\r
    \r
    "Os japoneses investiram pesadamente em infraestrutura, em indústrias de transformação e em tecnologia, o que fez com que a economia coreana se tornasse uma economia altamente intensiva em capital e voltada para a exportação. Esse fator, aliado à alta educação, disciplina e alta disposição para trabalhar (características inerentemente asiáticas), permitiu a rápida prosperidade da Coréia. \r
    \r
    O problema que coloco é o fato de o general Park ter selecionado e direcionado os investimentos japoneses: ou seja, o Estado regulando a forma como os investimentos deveriam ser feitos.\r
    \r
    Portanto, nesse caso específico, a forte intervenção estatal foi bastante benéfica para a Coréia do Sul.\r
    \r
    Obviamente que o intervencionismo "somente" não gerou o desenvolvimento coreano. Mas foi o intervencionismo que direcionou os investimentos japoneses para setores estratégicos da economia como infra-estrutura, o que permitiu que a Coréia se tornasse um tigre asiático.\r
    \r
    Não é questão de dizer que "toda intervenção estatal é boa"... é perceber que as coisas às vezes não são pretas ou brancas, que há cinzas em várias situações.\r
    \r
    Era isso. Um abraço!
  • Leandro  21/10/2011 15:02
    Prezado anônimo, reatar relações diplomáticas com um país e liberar investimentos estrangeiros não é política intervencionista. Muito pelo contrário: está-se tirando obstáculos que jamais deveriam ter existido. Isso não é "forte intervenção estatal".

    E, pelo que se sabe, os japoneses investiram onde quiseram -- caso contrário, não investiriam. A Coréia do Sul não apontou uma arma para a cabeça dos japoneses e gritou "invistam!". Eles investiram porque quiseram.

    Essa é a confusão do seu raciocínio -- confusão bastante comum, aliás.

    Abraço!
  • Cético quanto ao liberalismo  21/10/2011 16:04
    Leandro,\r
    \r
    Acho que não estou me fazendo entender. Você escreve:\r
    \r
    "E, pelo que se sabe, os japoneses investiram onde quiseram -- caso contrário, não investiriam. A Coréia do Sul não apontou uma arma para a cabeça dos japoneses e gritou "invistam!". Eles investiram porque quiseram.\r
    \r
    Essa é a confusão do seu raciocínio -- confusão bastante comum, aliás.
    \r
    \r
    Você confunde aqui os termos, Leandro. Não é a mesma coisa afirmar que os japoneses investiram onde quiseram e afirmar que eles investiram por que quiseram. É claro que eles investiram por que quiseram, mas nãoonde quiseram. O general Park determinou como, onde, e com quais limites seriam feitos os investimentos. Ou seja, uma forte regulação - e, portanto, intervenção - estatal.\r
    \r
    Você confunde o por que quiseram com o onde quiseram. Obviamente que os investimentos não foram feitos sob coação (como você diz, refutando algo que eu não suscitei, "A Coréia do Sul não apontou uma arma para a cabeça dos japoneses e gritou invistam". O ponto que eu coloco é que os investimentos foram regulamentados pelo Estado.\r
    \r
    Não se trata portanto de simplesmente a Coréia ter liberalizado, irrestritamente, os investimentos no país.\r
    \r
    Seu argumento não faz o mais mínimo sentido. Por exemplo: há II (imposto de importação) sobre produtos importados para o Brasil. Pois bem, os importadores importam por que querem, mas não como querem: a importação é regulamentada pelo Estado (só para te mostrar a confusão absurda que você faz entre os termos).\r
    \r
    Essa é a confusão do seu raciocínio - confusão bastante incomum, aliás.\r
    \r
    Um abraço!
  • Leandro  21/10/2011 16:24
    Não, você é que confunde os termos e demonstra não saber o básico da ação humana. Mesmo que o Gen. Park tenha determinado onde investir (não sei se isso ocorreu; estou acreditando em você), os japoneses investiram porque acharam que seria vantajoso e lucrativo. Se os japoneses aceitaram diretrizes, é porque voluntariamente acharam que seria bom pra eles.

    Ademais, se os investimentos não foram feitos sob coação, como você próprio diz, então não é correto dizer que "o intervencionismo gerou investimentos benéficos". O correto seria dizer que "apesar das restrições governamentais, os japoneses ainda assim quiseram investir. E isso ajudou a desenvolver a Coréia. Aprioristicamente podemos dizer com toda a certeza que, não fossem estas restrições, a Coréia teria se desenvolvido muito mais."

    Ok, agora é a sua vez de me informar os detalhes de como "o general Park determinou como, onde, e com quais limites seriam feitos os investimentos" (como se fosse um planejador central). Procurei rapidamente e nada achei.

    Abraços!


    P.S.: Ah, sim. O seu exemplo da importação não vale. No caso da importação, há consumidores demandando produtos. Se os importadores não importarem, ou importarem a preços maiores, eles perdem mercado para os produtos nacionais, seus concorrentes diretos. Logo, o imposto de importação é uma clara intervenção criada para favorecer alguns produtores e prejudicar outros.

    Já investimento estrangeiro, quando restrito, prejudica o país, é claro, mas não faz com que os investidores estrangeiros "percam" mercado para seus concorrentes. Os investidores estrangeiros não perdem mercado para uma possível concorrência. Por exemplo, eu quero investir hoje na Coréia do Norte, mas não posso. Problema deles e não meu. Quem perde são eles. Eu deixo de ganhar. Eu não "perco mercado" para a concorrência simplesmente porque tal mercado nunca esteve aberto para mim.

    Isso é totalmente diferente de um imposto sobre importação. E eu realmente acho que não consigo ser mais claro do que isso.
  • Cético quanto ao liberalismo  22/10/2011 00:30
    Leandro,\r
    \r
    Você escreve:\r
    \r
    "Não, você é que confunde os termos e demonstra não saber o básico da ação humana. Mesmo que o Gen. Park tenha determinado onde investir (não sei se isso ocorreu; estou acreditando em você), os japoneses investiram porque acharam que seria vantajoso e lucrativo."\r
    \r
    Que termos eu confundi?\r
    \r
    É óbvio que os japoneses só investiram por que acharam que seria vantajoso e lucrativo. Não é esse absolutamente o ponto. \r
    \r
    Por exemplo: há vários regulamentos da ANATEL para as empresas de telefonia no Brasil... e elas investem no Brasil, obviamente por que acham que é vantajoso e lucrativo. Mas há uma regulamentação do Estado (é apenas um exemplo para mostrar como não há contraposição entre vantajosidade do investimento e regulação do mesmo. Não é para entrar no mérito da regulamentação dos serviços de telefonia, se é boa ou ruim).\r
    \r
    Os japoneses poderiam, por exemplo, ter investido em um monte de cassinos na Coréia do Sul. Mas eles não fizeram isso: eles investiram no que foi determinado pelo general Park, da forma como foi determinado pelo general Park. E obviamente isso foi vantajoso e lucrativo para eles, mas foi regulado de modo a beneficiar a Córéia do Sul.\r
    \r
    Não é questão de eu estar sendo contra a iniciativa privada, Leandro: é que esse caso me parece um caso claro de uma parceria bem-sucedida entre Estado e iniciativa privada. O mesmo valeria, por exemplo, para a Petrobrás, que é uma sociedade de economia mista. A privatização total da equivalente à Petrobrás da Argentina por Carlos Menem mostrou-se um desastre.\r
    \r
    O argumento que foi dado por esse professor que eu mencionei é o de que os investimentos japoneses foram regulados, e que só houve um desenvolvimento da Coréia do Sul por que esses investimentos foram direcionados pelo General Park. Ele simplesmente não abriu as portas da Coréia e disse: "invistam no que quiserem, fiquem à vontade".\r
    \r
    E obviamente você confundiu os termos. Você confundiu investir como quiserem com investir voluntariamente. Ou seja, você confunde a liberdade de investir ou não com a regulação dessa liberdade. \r
    \r
    O fato é que as restrições do general Park não foram simplesmente um óbice, mas foram fundamentais para o desenvolvimento da Coréia.\r
    \r
    E o mesmo se pode falar da Singapore Airlines: você atribui o sucesso da empresa ao fato de ela ser parcialmente privada. Bem, ela surgiu como empresa pública e hoje é uma espécie de sociedade de economia mista, e ganha reiteradamente prêmios como a melhor companhia aérea do mundo.\r
    \r
    Se o sucesso dela é só por causa da presença parcial de iniciativa privada, por que as empresas que são integralmente privadas não são tão bem-sucedidas, em sua grande maioria?\r
    \r
    Vou ver se te envio o caso de um estado brasileiro que privatizou recentemente seu serviço de saneamento básico (não estou com ele aqui): foi uma total catástrofe.\r
    \r
    O fato, Leandro, é que há parcerias bem-sucedidas entre Estado e iniciativa privada, parcerias que superam os resultados da iniciativa privada pura.\r
    \r
    Espero que agora eu tenha sido suficientemente claro. Abraços!\r
    \r
    P.S.: E quanto ao exemplo do imposto de importação, era somente para mostrar como você confundiu duas coisas completamente distintas. Não era para entrar no mérito do imposto de importação. Era apenas para mostrar que investir se quiserem é diferente de investir como quiserem.
  • Leandro  22/10/2011 01:00
    Prezado anônimo, você segue soltando afirmações desconexas na esperanças de que elas colem.

    Como agora noto que você mudou seu foco para as privatizações, convido-o a ler estes dois artigos sobre o tema (aqui e aqui), os quais mostram justamente que privatização só é bem sucedida se houver genuína desestatização -- fato este que você não leva em conta. Privatizar, mas manter o estado regulando o mercado, é receita para ineficiência. Exatamente como ocorre no Brasil.

    Sobre o Gen. Park, sigo no aguardo de uma descrição detalhada de seu plano de desenvolvimento, que mostre que ele de fato tenha determinado "como, onde, e com quais limites seriam feitos os investimentos". Até agora, você simplesmente jogou tal informação.

    E sigo também no aguardo de uma teoria que explique -- caso o general de fato tenha agido assim -- por que investimentos direcionados necessariamente geram melhores resultados do que investimentos livres. Por que a Coréia do Sul não estaria ainda melhor -- ou, o que dá no mesmo, por que ela não teria se desenvolvido mais rápido -- caso os investimentos fossem livres? Esse seu professor parece atribuir poderes divinos ao general. Ele jura que foi o seu poder premonitório que levou a Coréia ao ápice. Não fosse sua condução maestral dos investimentos internacionais, certamente a Coréia estaria pior. Um homem, sozinho, "desenvolveu" todo um país.... Nem os pinochetistas mais fanáticos chegam a esse ponto.

    Por fim, você segue não entendendo a questão da Singapore Airlines. O estado possui ações, mas não faz absolutamente nenhuma ingerência política na empresa. A empresa prospera justamente porque tem de buscar lucro para satisfazer seus acionistas privados. O estado está ali apenas para coletar dividendos, o que o transforma em um acionista como outro qualquer. Aliás, nada impede que o próprio fundo soberano do estado pressione a empresa por resultados, o que ajudaria no orçamento do governo. Isso significa que o próprio estado estaria se comportando como um acionista capitalista exigente -- isso é um tanto raro, mas teoricamente possível.

    Isso não é parceria público-privada. PPP é isto e isto.

    Sobre a Argentina, o governo vendeu empresas mas aplicou controle de preços. É claro, é óbvio, que isso é receita para o desastre. E é justamente a ignorância destes detalhes que tira completamente o peso de suas argumentações. Você cita alguns fatos corretos, mas dá uma interpretação completamente errada a eles.

    Por gentileza, leia os dois artigos que eu linkei acima, sobre privatizações.

    Grande abraço!
  • Cético quanto ao liberalismo  22/10/2011 01:45
    Leandro,\r
    \r
    Quanto ao caso da Coréia, está descrito no texto do Prof. Ha-Jo Chang, "State-Owned Enterprise Reform". Dá para achar no link abaixo: \r
    \r
    www.econ.cam.ac.uk/faculty/person.html?id=chang&group=faculty\r
    \r
    Quanto a querer que minhas afirmações "colem", é algo que não faz sentido: eu realmente gostaria de ouvir os argumentos dos dois lados. Não sou empregado nem dono de empresa nenhuma e nem trabalho para o governo, portanto não tenho nenhum interesse que algum lado vença.\r
    \r
    Não saberia te dizer se os investimentos livre na Coréia, sem restrições nem regulamentações, seriam melhores. Há algum exemplo de país que permitiu a entrada livre de investimentos, para podermos comparar?\r
    \r
    O que se pode saber é que foi uma parceria bem sucedida entre Estado e iniciativa privada. Assim como a Petrobrás. Assim como o metrô.\r
    \r
    Abraços!\r
    \r
  • Leandro  22/10/2011 14:09
    Esse livro do Ha-Joon Chang é apenas propaganda protecionista, e do tipo mais tosco, pois confunde abertamente correlação com causalidade, algo imperdoável em economista. O argumento é que, "dado que a Coréia do Sul implementou tarifas protecionistas e suas empresas cresceram, então obviamente todos os países deveriam se fechar para enriquecer".

    Não há um só debate no livro sobre a possibilidade de a Coréia ter se desenvolvido ainda mais caso não tivesse implementado tais tarifas (daí a confusão entre correlação e causalidade).

    Aliás, esse é exatamente o histórico de Hong Kong e Singapura (que o autor do livro parece ignorar). Ambos os países eram grandes favelas a céu aberto na década de 1970 e hoje têm as maiores rendas per capita do mundo. E jamais aplicaram políticas protecionistas. Isso responde à sua pergunta sobre haver "algum exemplo de país que permitiu a entrada livre de investimentos, para podermos comparar?". Ambos são mais ricos que a Coréia do Sul. E olha que ambos são asiáticos -- logo, possuem relativamente a mesma cultura.

    Outro erro grave do livro é dizer que "o livre comércio funciona bem somente na fantasia do mundo teórico da concorrência perfeita". Ora, quem primeiro fez o argumento em prol do livre comércio foi David Ricardo, ainda no século XIX, e seu argumento jamais se baseou em tal teoria, que nem sequer havia sido inventada à época.

    O que se pode saber é que foi uma parceria bem sucedida entre Estado e iniciativa privada.

    Como assim você pode saber isso? Também está confundindo correlação com causalidade.

    Dica: afasta-se dos ideólogos (de ambos os lados do espectro), e procure estudar ciência econômica sem preconceitos e, principalmente, sem fazer juízo de valor. Suas descobertas serão surpreendentes.

    Grande abraço!
  • Cético quanto ao liberalismo  22/10/2011 16:07
    Obrigado, Leandro. Mais uma colocação que eu gostaria de fazer para saber seu parecer: e o tal argumento do "chutando a escada"(ou seja, de que os países primeiramente se desenvolveram a partir de políticas protecionistas para só depois promoverem o livre-comércio)?\r
    \r
    Aliás, esse é o nome de outro livro do Ha-Jo Chang, "Kicking the ladder away".\r
    Grande abraço!
  • Leandro  22/10/2011 16:24
    Ora, mas é justamente esse o problema de se confundir correlação com causalidade. A teoria indica que tais países teriam se desenvolvido ainda mais (com empresas mais competitivas e população mais educada) caso o comércio fosse mais livre. O livro não faz essa contraposição de ideias, pois trabalha exclusivamente com dados empíricos.

    Aliás, com dados pra lá dúbios. Por exemplo, Chang se limita a analisar apenas os países que se desenvolveram no século XIX, e afirma que se desenvolveram porque adotaram protecionistas em determinados setores; mas ele não analisa todas as políticas adotadas. Porém, em momento algum ele analisa os países que não se desenvolveram, pois isso mostraria que tais países adotaram com ainda mais intensidade exatamente as políticas que ele defende.

    Isso é que é ignorar correlação e causalidade. Isso é que é utilizar apenas "evidências seletivas".

    Abraço!
  • Daniel Marchi  20/01/2012 07:00
    E a "ditadura" das agência reguladoras continua. Um regulamento aqui, outro ali e em breve todas as relações de mercado estarão sob o controle de alguma agência.

    Ancine propõe limitar publicidade no horário nobre da TV paga e enquadrar pay per view na cota
    www.telesintese.com.br/index.php/indice-geral-plantao-em-destaque/18206-ancine-propoe-limitar-publicidade-no-horario-nobre-e-enquadrar-pay-per-view-na-cota
  • amauri  25/05/2012 07:30
    Bom dia Leandro!
    Não sei se voce leu o artigo do Lciano Pires (um trecho abaixo). Quais as causas deste movimento?
    "Em 1956, enquanto fabricávamos nossos primeiros automóveis no Brasil, os chineses andavam de carro de boi. Os indianos, de elefante. Os coreanos a pé, em estradas destruídas pela guerra. Esses países eram conhecidos pela miséria industrial, política e econômica, gigantescos fracassos, que se apagavam diante da exuberância de um Brasil emergente. Qualquer um apostaria em nós!
    Pois agora os chineses trazem fábricas de automóveis para o Brasil e começa a importação de carros indianos. Da Coréia, então, nem se fala! Importamos tecnologia de quem andava de carro de boi quando já fabricávamos automóveis, levamos meio século para inverter as apostas. A conclusão é que os loucos chineses, indianos e coreanos são mais viáveis que os nossos. A expectativa deles é conquistar o mundo, como queriam os brasileiros de cinquenta anos atrás e que hoje parece que se contentam em ter um dinheirinho pra comprar um carrinho, de preferência chinês, que é baratinho. É a expectativa de quem vive na média, acostumado com o que é meio-bom, meio-suficiente, meio-competente, meio-confortável, meio-saudável. A expectativa de quem é meia-boca. De quem não percebe que meio-bom é meio-ruim, meio-honesto é meio-desonesto, meio-competente é meio-incompetente. Com que metade você fica?"abs
  • Leandro  25/05/2012 08:06
    Acumulação de capital, poupança, desburocratização, impostos baixos e capacidade da mão-de-obra. Mas eu não seria tão entusiasmado assim em relação à Índia, e nem acho que eles sejam melhores que o Brasil.

    Abraços!


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