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Entrevista com Jim Rogers sobre o futuro da economia mundial

N. do T.: A seguir, uma compilação de algumas recentes entrevistas de Jim Rogers, abordando os aspectos mais relevantes dos recentes acontecimentos mundiais, bem como suas previsões futuras.

 

Suas impressões sobre o acordo da dívida americana?

É incrível como acreditam em tudo; deve ser porque a imprensa é obrigada a ter algo sobre o que reportar.  Mas é claro que tudo não passa de uma farsa, uma fraude.  Daqui a seis meses ou um ano, os EUA estarão piores do que estão hoje.  Vão continuar gastando e se endividando cada vez mais.  O país vem fazendo isso há 40 anos e não há a menor de chance de haver qualquer mudança repentina no padrão de comportamento.

O que realmente significa quando o senhor diz que as coisas estarão piores daqui a seis meses ou um ano?  Afinal, quando olhamos para os fatos nos EUA, vemos que 14,1 milhões de americanos estão desempregados, quase metade das famílias americanas vive apenas de seus contracheques, e mais de 44 milhões de pessoas recebem auxílio-alimentação (foodstamps).  Como isso pode piorar?  O que dizer para aqueles que não podem fazer como o senhor e se mudarem para Cingapura?

Todo o país vai continuar se endividando cada vez mais.  O governo americano vem aumentando seus gastos de maneira totalmente inaudita e as pessoas que recebem esse dinheiro imaginam com isso ficar em melhor situação — o que provavelmente é verdade, pois estão com mais dinheiro no bolso —, porém, no âmbito geral, a situação está cada vez pior.  Os EUA são hoje a maior nação devedora da história do mundo.  Isso não vai continuar para sempre.

Em algum momento os credores do país vão dizer: "Chega! Sem mais! Acabou!".  Se você acha que as coisas estão ruins agora, espere até o dia em que o país não tiver mais crédito.  Espere até o dólar entrar em colapso.  Espere até a inflação de preços disparar.  Espere até os juros dispararem.  O resultado não será nada bonito.  Haverá distúrbios sociais, desordem e confusão.  Quanto mais rápido o país atacar seus problemas, melhor será a perspectiva futura, após um curto período inevitavelmente doloroso de reajuste.

Mas aparentemente os políticos americanos não querem saber disso.

Mas sabemos que o governo não implementará nenhum corte maciço de gastos.  Logo, qual será o futuro americano?  O país voltará a ser uma economia agrária?  Em vez de ciência e tecnologia, vamos ter de ensinar nossos filhos a fazer fogo e aragem?

Não vai ser muito diferente disso.  Em 1918, o Reino Unido era a nação mais rica e poderosa do mundo.  Em três décadas eles estavam falidos e foram socorridos pelo FMI.  Não foi nada bonito o que ocorreu lá para as gerações seguintes. 

Os EUA tiveram uma década perdida, a década de 2000, porque se recusaram a aceitar a realidade, se recusaram a lidar com ela.  É bom os americanos estarem preparados para outra década perdida ou até mais, dependendo de como as coisas serão encaradas pelo governo.

De certa forma, o senhor pode ser visto como a personificação do sonho americano, um homem que nasceu em Maryland, cresceu no Alabama e se tornou extremamente bem sucedido com ainda pouca idade.  Por que o senhor foi morar em Cingapura?  As coisas estão realmente ruins assim nos EUA?

Ainda sou um cidadão americano, sou um eleitor americano e pago impostos americanos [os EUA exigem que seus cidadãos que moram fora paguem imposto de renda].  Mas o século XXI será o século da Ásia, queiram ou não.  Tenho duas filhas, quero que as duas cresçam falando mandarim e quero que conheçam muito bem a Ásia.  As melhores habilidades que posso dar a elas durante minha vida é o mandarim e o conhecimento da Ásia.  É por isso que me mudei para cá.

Há alguma chance de os EUA saírem da atual situação?

Países que se colocam em situações ruins como essa somente tomam alguma atitude quando ocorre uma crise.  Quando ocorrer uma crise nos EUA, então, aí sim, é possível que alguma atitude mais séria seja tomada.  O mercado forçará os EUA a tomar uma medida mais séria.

Então isso que há agora nos EUA não é uma crise?  14,1 milhões de desempregados, 44 milhões recebendo vale-alimentação etc.  Isso ainda não é nem a ponta do iceberg?

De jeito nenhum.  O Dow Jones ainda apresenta índices historicamente altos.  Que crise é essa quando os mercados financeiros estão gordos e felizes?  Sim, há muitas pessoas em situação ruim agora, mas isso não é crise.  Espere até haver realmente uma crise.  Olhe ao redor do mundo, olhe o que houve com a Islândia.  Olhe as outras séries crises que houve na Europa.  Aí você vai entender o que a palavra crise realmente significa.

O senhor disse que estamos rapidamente nos aproximando de uma crise que será pior que a de 2008.  Como será?

Como eu disse, as dívidas nos EUA estão explodindo.  Nos últimos 3 anos, o governo gastou de maneira estonteante, a dívida estourou o teto e o Banco Central americano passou a comprar uma quantidade descomunal de títulos dessa dívida — o que significa que o Fed está imprimindo dinheiro como nunca antes.  Quando os problemas finalmente chegarem — e é um fato que vivenciamos recessões a cada 4 ou 6 anos —, o que o governo vai fazer?  Ele não vai poder quadruplicar a dívida de novo e eles não vão poder continuar imprimindo dinheiro como estão.  Logo, o governo será obrigado a finalmente deixar as coisas se resolverem.  E isso, no curto prazo, causará muita dor e sofrimento.  Mas não se corrige décadas de desequilíbrio sem sofrimento.

O que deveria ser feito de imediato?

Cortar gastos de maneira draconiana, equilibrar o orçamento, reduzir burocracias e desregulamentar.  É preciso deixar a iniciativa privada respirar.  Os EUA têm tropas estacionadas em mais de 150 países ao redor do mundo.  Além de não trazer nenhum benefício ao país, essa postura, na verdade, cria inimigos — além de custar uma fortuna.  E há vários outros programas esbanjadores que deveriam ser imediatamente abolidos.

O senhor disse que o dólar será um desastre completo e que o yuan chinês será uma moeda segura.  Fale mais sobre isso.

Além de imprimir quantias atordoantes de dinheiro, os EUA se tornaram a maior nação devedora da história do mundo.  E não há o menor sinal de que o endividamento vai parar.  Você continuaria emprestando dinheiro para alguém que só faz gastar e que não dá o menor sinal de que vai reverter tal postura?  É claro que não.

A libra esterlina já foi a moeda de reserva mundial.  Perdeu seu status.  Desvalorizou 90% quando perdeu seu status.  Não gosto de dizer isso, mas o dólar também vai perder seu status.

Suponha que eu ganhe na loteria.  Alguma dica de investimento?

Só invista naquilo que você realmente conhece, só mexa com aquilo que você realmente entenda.  No momento eu invisto em commodities e em moeda.  Tenho até o dólar em minhas carteiras, não obstante meu pessimismo em relação a esta moeda.  O motivo de eu ter o dólar em minhas carteiras é exatamente pelo fato de todo o mundo estar pessimista em relação ao dólar.  Estou no mercado há tempo suficiente para saber que, sempre que todo mundo está de um lado do barco, você deve ir para o outro lado, pelo menos por algum tempo.  Mas é claro que posso estar errado.

Vamos falar sobre mercados emergentes.  Todos estão preocupados com a China.  A economia chinesa está arrefecendo?

Os chineses de fato estão tentando dar uma esfriada em sua economia, e estão certos em querer fazer isso.  Estão subindo sua taxa básica de juros, e já subiram sete vezes seu compulsório.  Eles estão com uma ameaça inflacionária, estão com uma bolha imobiliária e estão tentando fazer algo a respeito.  E muito corretamente.  Espero que consigam, mas isso vai afetar a economia deles e, principalmente, vai afetar qualquer um que faça negócio com a China.

E quais seriam os efeitos colaterais de uma esfriada na economia chinesa, principalmente no que diz respeito ao mercado de commodities?

Obviamente, se você vende para a China, sofrerá algum impacto quando a economia deles esfriar.  Mas lembre-se: quando falamos de commodities, temos de analisar tanto a oferta quanto a demanda.  E a oferta mundial atual está totalmente restringida.  Veja a situação do EUA, por exemplo.  A idade média de um fazendeiro agricultor é 58 anos.  Teremos grandes problemas agrícolas em todo o mundo nos anos vindouros.  Daqui a 10 anos, se esses fazendeiros ainda estiverem vivos, estarão com 68 anos de idade.  Não estarão produzindo muita comida daqui a 10 anos.  Eu diria até mesmo em 5 anos.

O mundo está enfrentando sérios problemas de oferta, ao mesmo tempo em que a demanda só faz aumentar.

Isso não significaria que o Brasil está em ótima situação?

Sim, o Brasil estará em uma situação muito melhor do que estava nas décadas de 1980 e 90.  O problema é o governo brasileiro, que está voltando a ser como os antigos governos brasileiros.  Os burocratas querem tributar tudo o que veem e querem regular tudo o que não veem.  Mas eu preferiria estar lá, mesmo com todos os impostos e regulamentações, do que nos EUA, que também têm impostos e regulamentações.  No Brasil, ao menos, eles têm muitos recursos naturais.

E qual seria o investimento adequado na China?

A melhor maneira é comprando o yuan.  Mas você também pode comprar commodities ou mesmo ações chinesas, mas estas últimas são mais complicadas.  Eu diria que você deveria comprar o yuan e commodities, pois estas têm na China seu maior mercado consumidor.

Falemos então um pouco mais sobre commodities.  O senhor disse que a prata está com um preço muito alto e vai cair um pouco daqui pra frente.

Já caiu bastante e eu não saberia dizer se vai cair mais daqui pra frente.  Seria ótimo se caísse, pois assim eu poderia comprar mais barato.  Quero comprar mais prata e não vou vender as que já comprei.  Se o preço da prata cair porque a demanda caiu — um bom indicador são as bolsas ao redor do mundo: quando caem, os preços das commodities costumam cair também —, certamente vou pegar o telefone e comprar mais prata.

E o ouro?

A mesma coisa.  Pegue o telefone e compre mais ouro.  Espero que o ouro caia um pouco para eu comprar mais.  O ouro pode cair US$ 200 ou US$ 300 dólares, e ainda assim estará em uma fase altista.  Isso, aliás, não é uma previsão; estou apenas dizendo.  Seria uma correção normal para a prata, para o ouro e para todas as demais commodities.  E seria bom para o mundo também. 

Porém, no longo prazo, vejo o ouro chegando facilmente a US$ 2.000.

Em que mais você está investido, esperando altas futuras?

Commodities agrícolas, ouro, prata e moedas, como franco suíço, iene e euro.  Não sou otimista quanto a nada que venha dos EUA e prevejo um futuro de baixa para os mercados emergentes.  Estou em posição vendida nos mercados emergentes, como a Índia.  A Índia está com uma dívida de 90% do PIB.  Estudos mostram que quando um país chega a esse nível de dívida, é difícil que eles continuem crescendo — a menos que algo miraculoso ocorra —, pois grande parte do esforço do país é voltado para o pagamento das dívidas já contraídas.

Estou vendido também em ações de tecnologia americanas e em uma grande empresa financeira americana, cujo nome não posso revelar por motivos óbvios.

E sobre as ações tecnológicas?  Várias pessoas estão falando de uma nova bolha nesse setor.

É exatamente por isso que estou vendido nelas.  Um dos setores mais excessivamente explorados nas bolsas de valores ao redor do mundo tem sido as ações de tecnologia americanas.  Você lê os mesmos jornais e assiste aos mesmos noticiários que eu.  Ali dá pra você ver: LinkedIn, Facebook etc.  Talvez ainda não seja uma bolha, mas é o início de uma bolha.  Por isso estou vendido nessas ações.

Então você tem o euro nas suas carteiras?

Eu comprei o euro em julho de 2010, quando a moeda despencou.  Eu não compraria mais euro agora, mas certamente não vou vender.

O que ainda permanece intocado no mundo?  Em que você é otimista para o longo prazo?

Longo prazo?  De novo, commodities.  Se a economia mundial melhorar, as commodities se sairão bem.  Se não melhorar, vão imprimir mais dinheiro, pois é tudo que políticos sabem fazer para curar recessões.  Se imprimirem dinheiro, recomendo que você compre prata, arroz e ativos reais.

E ações financeiras?

O setor financeiro não será um bom lugar no qual investir durante os próximos anos.  Todas essas pessoas em busca de um MBA estão cometendo erros crassos.  Elas deveriam estar se especializando em ciências agrárias ou mineração.  Após 30 anos de alta, as finanças entrarão em declínio.  E a agricultura, após 30 anos de declínio, irá entrar em um momento de grande expansão.  Quem for esperto vai querer virar fazendeiro ou mexer com mineração.

Os estoques de produtos agrícolas estão em níveis historicamente baixos, o mundo está consumindo muito mais do que está produzindo, há uma escassez generalizada de tudo, inclusive uma escassez de agricultores.  Há muita fortuna a ser feita na agricultura durante os próximos 20 anos.

Qual a sua opinião sobre Ben Bernanke?  Haverá um QE3 [Quantitative Easing 3 — terceira rodada de "afrouxamento quantitativo", eufemismo para impressão desbragada de dinheiro]?

Desde o primeiro dia que Bernanke foi para Washington alertei que ele seria um desastre completo.  Ele jamais teve uma opinião correta sobre qualquer coisa durante os oito anos em que esteve lá.  Espero que ele não implemente um QE3, mas infelizmente isso é tudo o que ele sabe fazer; a única coisa que ele sabe fazer é imprimir dinheiro.  Ele não entende de finanças, ele não entende de moeda, ele não entende de economia.  Ele só entende da arte de criar dinheiro do nada.  E ele vai continuar imprimindo mais dinheiro, queiramos ou não.

Haverá um QE3, mas provavelmente com outro nome.  Sei lá, podem até chamar de 'bolinhos quentes', vai saber.  Mas haverá uma nova rodada de criação maciça de dinheiro, pois Washington estará apavorada com a situação periclitante da economia, e há uma eleição presidencial em novembro de 2012.  Washington vai imprimir mais dinheiro.



autor

Jim Rogers
lecionou finanças na faculdade de negócios da Columbia University e é hoje um comentarista financeiro na mídia mundial.  Ele é o autor dos livros Adventure Capitalist, Investment Biker, A Bull in China: Investing Profitably in the World's Greatest Market e A Gift to My Children: A Father's Lessons for Life and Investing. Veja seu website.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque

  • Túlio  09/08/2011 09:55
    Prezado Leandro e demais,\r
    \r
    O lançamento do Q3, com a conseqüente impressão de mais algumas centenas de bilhões de dólares novos e sem destino podem inflar ainda mais as bolhas imobiliárias e acionárias brasileiras, vez que, provavelmente, boa parte desse dinheiro deve ir para os BRIC's?\r
    \r
    Se sim, isso quer dizer que o Q3 americano colocará as economias dos BRIC's em situação ainda mais delicada, vez que o tombo lá na frente será bem maior?\r
    \r
    \r
    Só mais uma coisa: esses movimentos nos mercados de ações não podem ser orquestrados??\r
    Geram uma grande crise, os preços das ações desabam, o ouro sobe; vendem ouro caro, compram ações baratas, as ações se valorizam e começa tudo novamente.\r
    Você acha possível ou é muito teoria da conspiração?\r
    Pergunto isso porque as crises estão vindo em espaços cada vez mais curtos e os movimentos são para amenizá-las agora e ativá-las no futuro próximo.\r
    \r
    Obrigado\r
  • Leandro  09/08/2011 10:33
    Você disse bem, Túlio. As crises estão vindo em espaços de tempo cada vez mais curtos. E isso é algo inerente ao arranjo monetário sob o qual vivemos: um papel-moeda de curso forçado inteiramente controlado por bancos centrais, que podem imprimir dinheiro quando quiserem para salvar o sistema bancário, que é quem de fato manda nos bancos centrais.

    Sempre lembrando que esse atual arranjo monetário existe há meros 40 anos, e tudo indica que está se aproximando de seus estertores.

    Sobre dólares virem para o Brasil e criar bolhas, isso ocorrerá se o Banco Central intervier no mercado e comprar dólares, para isso imprimindo reais e reduzindo os juros. Caso contrário, caso o Banco Central nada faça, haverá uma apreciação da taxa de câmbio, mas não necessariamente a formação de bolhas.

    Entretanto, como sabemos que a opção é sempre pela intervenção, qualquer cenário é possível.

    O que o Banco Central costuma fazer é imprimir reais, comprar dólares e em seguida retirar os reais que ele injetou na economia. Ele pode fazer isso vendendo títulos do Tesouro que estão em sua posse. Ao fazer isso, ele não põe em risco as metas de inflação (pois não alterou a quantidade de dinheiro na economia), mas, no longo prazo, tal medida é inócua para a taxa de câmbio (a qual é determinada pelo poder de compra entre as duas moedas). Ou seja, política serviria apenas para aumentar as reservas internacionais.

    Assim, a única maneira de o BC alterar a taxa de câmbio é imprimir reais e não enxugá-los. Mas isso obviamente leva a uma inflação de preços.

    Resumindo: é sim possível que, caso haja um QE3 e estes dólares venham pra cá, haja alguma nova bolha. Porém, isso só ocorreria se o BC imprimisse reais e não os enxugasse da economia. Porém, com a inflação de preços estando acima do teto da meta, essas injeções monetárias do BC terão de ser reduzidas, o que significa que ele não poderá comprar dólares sem enxugar os reais criados. Isso significa que, no médio prazo, não há muitas chances de novas bolhas.

    Sobre teorias da conspiração, não recuso nada a priori. Mas estou mais interessado nos fatos da teoria.
  • Felix  09/08/2011 10:11
    Tenho a impressão de que já lí esta entrevista
    há um ano atrás,não parece recente...
    Todavia me lembro que achei muito estranha esta recomendação de comprar yuan, visto que a China utiliza o mesmo método americano de imprimir dinheiro para comprar reservas em dólares e assim manter sua moeda artificialmente valorizada
    a inflação vai disparar junto com a americana e o yuan não vai valer mais nada...
  • Leandro  09/08/2011 10:14
    A entrevista é totalmente recente, Felix. São os conselhos do Rogers que não mudaram.
  • Rodrigo  09/08/2011 10:26
    Prezado Leandro,

    O otimismo do Rogers com o Brasil se justifica?
  • Leandro  09/08/2011 10:38
    Quem sou eu para questionar.

    Mas se você mexe com agricultura (todo mundo precisa comer) e commodities minerais (cujos preços sobem seja por maior demanda no período da expansão econômica, seja por impressão de dinheiro nos períodos recessivos), faz sentido você ser otimista.

    O argumento do Rogers é que as regulamentações sobre esses dois setores têm sido tão restritivas, que a oferta futura estará totalmente limitada. Os preços subirão. Logo, quem estiver nessa área vai se dar muito bem.

    Essa, ao menos, é a teoria dele.
  • mcmoraes  09/08/2011 11:18
    Pela entrevista não dá para dizer que o JR está otimista com relação ao Brasil.
  • Rodrigo  09/08/2011 10:45
    Leandro, o Instituto Teotônio Vilela, do PSDB, afirma que o Brasil também será atingido pela crise, ao contrário do que dizem nossas autoridades. Meu medo? O de que o Gerald Celente esteja certo quando diz que uma Depressão severa está-se aproximando. Até o Paul Krugman ja disse que pode estar chegando outra crise de 29.
    PS. O Delfim Neto disse que o excesso de liberdade no mercado financeiro provocou a crise. Disse ainda que são os mesmos erros que levaram à crise de 29.
  • Leandro  09/08/2011 10:55
    Paul Krugman, Delfim Netto, PSDB, PT... tá muito cedo para o meu fígado já ser submetido a essa provação impiedosa.

    O que esses cavalheiros sabem de economia é o que eu sei sobre o ciclo de reprodução das briófitas.

    O Delfim, que disse que a hiperinflação do início da década de 1980 era culpa exclusiva do chuchu, aprenderia bastante se lesse ao menos este artigo. Mas ele está compreensivelmente preocupado demais em manter sua sinecura na Carta Capital.
  • Fernando Ulrich  09/08/2011 11:17
    Delfim é fogo. Cada vez que leio suas colunas no Valor Econômico me dá um embrulho no estômago. Na de hoje ele invoca todo arsenal Keynesiano: estímulos fiscais são novamente necessários para botar a funcionar os recursos "desempregados".
  • Rodrigo  09/08/2011 11:31
    Pense bem, Leandro, discutir as "idéias" do Delfim é mais interessante do que discutir a proibição das sacolas plásticas em nome da "ecologia", não?
  • Leandro  09/08/2011 11:38
    De modo algum, Rodrigo. As ideias do Delfim não me interessam em nada. Muito menos as pessoas que o lêem e o levam a sério. Essas não têm mais solução.

    Já a proibição de sacolas plásticas é algo que me afeta diretamente, diminuindo meu padrão de vida, meu conforto e minha liberdade. A sacola plástica tem muito mais importância na minha vida do que as ideias do Delfim.
  • Raphael Noronha Auto De Souza Leao  09/08/2011 12:53
    Alguém sabe qual é a crença do Ricardo Amorim (economista que apresenta o manhattan connection)?
  • Beto  09/08/2011 14:22
    Quem? O Ricardo Amorim que previu o IBOVESPA em 200000 pontos? (será que não errei na quantidade de zeros?)
  • Raphael Noronha Auto De Souza Leao  09/08/2011 14:49
    Esse mesmo.
  • Giovanni P  09/08/2011 18:06
    Na verdade ele previu 200000 pontos SE não acontecesse uma crise, que é como esse pessoal sempre faz. Se não acontecer o que ele falou, terá sido uma crise, e se foi uma crise, então ele também tinha previsto.
  • Jeferson  09/08/2011 14:59
    Discordo! Eu, quando era ignorante, dava ouvidos às idéias do Delfim e do Krugman. Hoje, após estudar lendo vários artigos e tendo começado a ler dois livros do instituto, tenho idéias totalmente diferentes sobre o funcionamento da economia, e entendo consideravelmente bem o tamanho da estupidez desses - parafraseando Jesus - "guias cegos". Ou seja, as pessoas que hoje dão ouvidos a eles têm sim solução!\r
    \r
    Quanto ao resto, eu concordo. Hehehe...
  • Cristiano  09/08/2011 17:41
    Artigos do Delfim serão substitutos das sacolas plasticas na emblagem de produtos e principalmente no dispêndio de lixo.
  • Helio  09/08/2011 12:00
    Os dois tópicos têm valor.
  • Rodrigo  09/08/2011 11:40
    Foi só uma brincadeira, Leandro. Concordo com você! Nada de Delfim e nada de proibir sacolas plásticas!
  • Joao Pedro Souza Matos  09/08/2011 17:06
    Esse Sr está muito pessimista em relação a tecnologia, alguém poderia me conseguir uma matéria de algum economista sério sobre o futuro da Biotecnologia e da Nanotecnologia.
  • Rhyan  09/08/2011 17:18
    Sobre o QE3:

    "O mercado vai reagir negativamente esta semana e continuará caindo, mas Alan Greenspan garantiu que é zero a possibilidade de um calote dos Estados Unidos, porque o país pode imprimir dólares para pagar suas dívidas.

    Nos Estados Unidos, a esperança dos investidores está na reunião do comitê de política monetária do Federal Reserve. Existe a expectativa de que o Banco Central decida fazer uma terceira injeção de liquidez, como as de 2009 e 2010, inundando o mercado financeiro com centenas de bilhões de dólares, o que tranquilizaria os investidores e impediria o contágio pela crise europeia."

    Fonte: Bom Dia Brasil - Globo
  • Fernando Ulrich  09/08/2011 17:23
    Já saiu a nota do FOMC e não disseram nada sobre QE3, apenas que a economia tá pior do que esperavam e acham que o crescimento vai ser bem lento (talvez essa seja a deixa para uma futura justificativa de QE3).\r
    \r
    Além disso as taxas de juros a 0-0,25% devem continuar até meado de 2013.\r
    \r
    www.federalreserve.gov/newsevents/press/monetary/20110809a.htm\r
  • Eduardo  09/08/2011 17:38
    Senhores,\r
    \r
    fiquei confuso, o Fed não fala em QE, mas fala em manter baixas as taxas.\r
    \r
    Não entendo a diferença. Se o QE é a compra massiva pelo Fed de títulos no mercado secundário, ao comprar esses títulos ele derruba as taxas.\r
    \r
    Logo, para manter artificialmente as baixas taxas, não será isso que ele continuará fazendo?\r
    \r
    A diferença seria que no QE a meta é injetar x bilhões e agora a meta será alcançar y %?
  • Leandro  09/08/2011 18:00
    Eduardo, você toca numa questão importante. O fato é que, na atual conjuntura, tanto faz o Fed falar em QE ou em manter as taxas de juros baixa, pois ele nada pode fazer para alterar a taxa básica de juros da economia americana (a SELIC deles).

    Explico por quê.

    A taxa básica de juros -- seja aqui no Brasil, seja lá nos EUA -- representa a taxa que os bancos cobram entre si no mercado interbancário; é a taxa que o banco A cobra para emprestar dinheiro ao banco B no final do dia, quando as reservas do banco B ficam abaixo daquele nível mínimo determinado pelo Banco Central (o chamado compulsório).

    Pois bem. Atualmente, nos EUA, os bancos não têm a menor necessidade de recorrer ao mercado interbancário para recompor suas reservas, simplesmente porque o sistema bancário americano está nesse momento com US$1,3 trilhão de "reservas em excesso", em decorrência justamente das impressões monetárias feitas pelo Fed.

    Repetindo: os bancos americanos não precisam recorrer ao mercado interbancário pois estão com reservas muito acima (US$ 1,3 trilhão) do nível determinado pelo Fed. E os bancos acumularam essas reservas voluntariamente. Poderiam emprestá-las, mas não estão fazendo isso porque não veem boas perspectivas para a economia americana.

    E dado que a taxa básica de juros é o juro que um banco cobra do outro no interbancário, resta claro que não tem como essa taxa ser alterada pelo Fed no presente momento, simplesmente porque os bancos não estão com a menor necessidade de buscar empréstimos no interbancário.

    Sendo assim, o Fed pode declarar a meta de juros que quiser, pois isso não terá efeito prático nenhum sobre o mercado. Se os bancos não estão precisando de empréstimos entre si, a taxa em vigor no mercado interbancário é completamente inócua.

    Logo, a única coisa que o Fed pode fazer para afetar a política monetária é continuar imprimindo dinheiro. Mas eles não vão falar isso abertamente. Logo, eles recorrem a obviedades, como "manter baixas as taxas de juros" (eles simplesmente não têm outra opção).

    Eu não vejo saída para essa política monetária em que o Fed se meteu. Se os bancos começarem a emprestar todas essas reservas em excesso que eles estão voluntariamente guardando, não tem como não haver uma inflação de preços bem brasileira, à la década de 1980. Para evitar isso, o Fed teria de elevar subitamente o compulsório. Mas os bancos iriam protestar muito, pois isso reduziria enormemente os lucros deles.

    Eu realmente não vejo saída. E é por isso que Bernanke se limita apenas a ficar fazendo discursos e a imprimir dinheiro, pois ele próprio se colocou num beco sem saída.
  • Eduardo  09/08/2011 18:44
    Leandro,

    boa explicação, só acrescentaria que, atualmente, o Fed remunera tanto o compulsório quanto as reservas em excesso que os banco nele depositem. Isso ajuda a explicar porque eles nao emprestam.

    Agora, me desculpe mas continuo sem entender qual seria a diferença, entre o QE e socar os juros para baixo, caso se estivesse em condições mais "normais"...

    Eduardo

  • Leandro  09/08/2011 18:55
    Eduardo, em condições "normais", aí realmente não haveria diferença entre QE e redução de juros de curto prazo. Até porque QE é um mero eufemismo para uma atividade que todos os bancos centrais fazem regularmente, que é imprimir dinheiro. Adotaram o nome QE simplesmente porque possuía mais "apelo científico" -- e também porque, desta vez, as impressões de dinheiro seriam um tantinho mais, digamos, volumosas.
  • Eduardo  09/08/2011 19:24
    Era o que eu achava Leandro, obrigado.

    Completando o comentário do Zeca, foi terrível também ler na capa do Valor de hoje que os "especialistas" consultados foram unânimes em dizer que a resposta inicial do Brasil para a crise deve ser monetária e não fiscal...ou seja, propagandeia que só há o caminho expansionista e que ninguém pensa diferente! Nem ouviram outra opinião.

    Sempre fico pensando que se fosse tão fácil não haveria país pobre.
  • Leandro  09/08/2011 19:37
    Juro que não quero provocar ninguém, mas essa ideia de que a solução está na expansão monetária é algo que foi entronizado por Milton Friedman e a Escola de Chicago. (E também por Keynes.)

    Daí a insistência do IMB, à revelia de muitos liberais (e inclusive de alguns membros da nossa equipe), de sempre deixar claro que há uma grande distância entre a ciência econômica que defendemos (a única correta) e a economia positivista da Escola de Chicago.
  • Joao Pedro Souza Matos  10/08/2011 08:55
    Concordo Eduardo, se fosse assim todo mundo estava rico.
  • Zeca  09/08/2011 18:48
    Mestre Leandro,

    Brilhante entrevista. idem para os comentários dos leitores e de suas valorosas ponderações. Elogios de lado, acho que o QE3 virá, com esse nome ou com qualquer outro apelido. Os caras querem é inundar o mundo de papel verde na fé cega de reanimar uma economia endividada e anêmica. O pior é que o BC do Brasil entra nessa onda e sai comprando esses dólares todo santo dia...Gerando um custo fiscal elevadíssimo.
  • Daniel V.  09/08/2011 22:23
    Eduardo,\r
    simplificando, o FED tem sob seu controle a taxa de juros de curtissimo prazo ( das operações compromissadas, ou REPO) e é essa taxa que ele pretende manter entre 0-0,25 até meados de 2013.\r
    Ja as taxas dos títulos mais longos (5, 10 anos...) é determinada exclusivamente pelo mercado. Como lá atras chegaram à taxa 0% na taxa de curto prazo ( a famosa armadilha da liquidez kaynesiana), a solução para continuar com essa maluca expansão monetária foi comprar títulos mais longos , e dai o nome QE.\r
  • Djalma  10/08/2011 08:36
    Ótima entrevista.\r
    Mas não concordo com a posição da China em termos econômicos. Este País já está com problemas inflacionários e terá que solucionar este problema rapidamente. Os credores chineses vão ficar em uma situação dificílima com a crise nos EUA muitos podêm perder tudo no possível calote americano. O setor de mineração mundial vem crescendo através do forte crescimento chinês e um calote americano, uma crise financeira na Europa e com a sua economia sofrendo pressões inflacionárias sem falar nas sequelas vindas das economias estrangeiras não vejo um bom cenário para a economia chinesa com muitos andam falando.
  • Marco  10/08/2011 13:30
    Djalma, a inflação chinesa é motivada principalmente pela relação artificial do yuan com o dólar. No momento em que o governo chinês permitir a valorização do yuan, essa inflação tende a diminuir. Além disso, os chineses passarão a espalhar yuans - agora valorizados - pelo mundo. Assim eu entendo.

    Sobre a entrevista do Jim Rogers... ele está segurando dólares? Hmm... interessante, mas não seria isso um movimento de apostador apenas? Porque o Peter Schiff não cansa de repetir "get out of the dollar"
  • Djalma  11/08/2011 08:32
    Bom dia, Marco.\r
    Na minha opinião, a inflação chinesa é resultado da grande oferta de moeda na economia. Muitas pessoas estão entusiasmadas com a economia chinesa, inclusive, alguns liberais. Não se enganem com este ¨milagre chinês¨!
  • Gustavo  12/08/2011 00:32
    Não entendo o porque a euforia tão grande com a Chin por parte do Jim Rogers. A economia chinesa não é completamente regulada? Isso nao tera consequencias desastrosas par a China a longo prazo?
  • Leandro coelho  20/08/2011 11:17
    Todos os dias, durante toda a minha existencia, ouço "é o fim do sonho americano" e os americanos sempre continuam com seus sonhos e criações tecnologicas, militares, culturais.....
    Não sei mais se devo acreditar no fim do sonho americano, pelo menos enquanto eu estiver vivo.
  • Leandro  20/08/2011 12:03
    De minha parte, sempre que ouvi tais proclamações, elas invariavelmente eram feitas por apologistas da União Soviética e, mais tarde, por pessoas ávidas pelo reerguimento do Muro de Berlim.

    É a primeira vez, no entanto, que ouço tais afirmações baseadas em sólidos argumentos econômicos. Os EUA ainda possuem uma grande acumulação de capital, de modo que irá demorar para que solapem tudo isso. Mas o fato é que o atual governo de lá está fazendo o seu melhor para acelerar esse processo.
  • Erick Skrabe  20/08/2011 14:34
    Pode ser o fim dos Estados Unidos "tal como o conhecemos".

    Mas o sonho americano, de uma terra de liberdade, igualdade de oportunidade, empreendedorismo e - no que diz respeito aos valores da EA - estado minimo, nunca vai acabar.

    Acho que muito dos grandes valores que moldaram aquela nação - em especial do Sr. Jefferson (apesar das criticas de Hoppe) - já foram há muito tempo esquecidos.

    Mas temos iniciativas importantes que ainda mantém esta chama acessa. E talvze Ron Paul ganhe a eleição. Difícil ? certamente. Impossível ? Nada é impossível.
  • André Poffo  20/08/2011 15:29
    Erick, gostaria de ler essas críticas ao Thomas Jefferson, poderias passar algum link?
  • Emerson Luis  10/04/2016 09:44

    "Não estarão produzindo muita comida daqui a 10 anos. Eu diria até mesmo em 5 anos.

    O mundo está enfrentando sérios problemas de oferta, ao mesmo tempo em que a demanda só faz aumentar.

    Isso não significaria que o Brasil está em ótima situação?

    Sim, o Brasil estará em uma situação muito melhor do que estava nas décadas de 1980 e 90. O problema é o governo brasileiro, que está voltando a ser como os antigos governos brasileiros. Os burocratas querem tributar tudo o que veem e querem regular tudo o que não veem. Mas eu preferiria estar lá, mesmo com todos os impostos e regulamentações, do que nos EUA, que também têm impostos e regulamentações. No Brasil, ao menos, eles têm muitos recursos naturais.
    "
    _ _ _ _ _ _ _

    Saindo o PT, a economia sendo desburocratizada e havendo privatizações, o Brasil poderá melhorar.

    * * *
  • Henrique Falleiros Mareze  17/10/2016 22:06
    Ele não é pessimista demais, não? Faltar comida em 5 anos? Crise de 2012 maior que de 2008? Gosto bastante das ideias do Rogers mas, às vezes, acho que ele vai longe demais em suas previsões.


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