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Acordo fechado, teto elevado - qual o futuro da economia americana?

Talvez o termo 'teto da dívida' do governo americano devesse ser renomeado para "meta da dívida", pois parece que Washington está sempre se esforçando para atingi-la e superá-la.  Essa renomeação seria ótima para o governo, pois faria com que ele finalmente pudesse parecer eficiente em alguma coisa. 

Nos últimos 50 anos, o teto da dívida americana já foi elevado 70 vezes.  Logo, não é exagero algum dizer que superar o teto é a única atividade na qual o governo possui excelência incontestável.  Por isso, o teto deveria passar a ser chamado de 'meta', pois sempre que a meta da dívida é atingida, o governo prontamente se esforça para ampliá-la novamente a fim de descobrir o quão rapidamente a nova meta pode ser superada.  Eficiência governamental, enfim!

Ao se comprometerem a elevar o teto da dívida, Obama e o Congresso simplesmente prepararam o cenário para que os gastos do governo americano sigam crescendo irrefreavelmente.  Embora o governo tenha sido poupado do trauma de sofrer restrições sobre sua capacidade de pedir empréstimos, o fato é que o real risco de um calote existia apenas na cabeça dos políticos.  A verdadeira crise não é, e nem nunca foi, o teto da dívida.  Não haveria um Armagedom econômico em decorrência de uma não elevação do teto da dívida; mas o Armagedom virá justamente porque o teto foi elevado.

Ambos os partidos estão agora fingindo que os cortes de gastos prometidos excedem o aumento no limite da dívida.  Porém, os US$ 900 bilhões que supostamente serão cortados estão difusos ao longo de intermináveis dez anos, sendo que a grande parte dos cortes está concentrada no final deste período.  Além destes US$ 900 bilhões, afirma-se que haverá cortes adicionais de US$ 1,4 trilhão, os quais serão definidos por uma comissão orçamentária bipartidária.  Entretanto, comissões semelhantes e com poderes semelhantes já foram montadas no passado e quase nunca cumpriram suas promessas.

O que é ainda mais importante, nenhum destes "cortes" são definitivos e obrigatórios.  Há muito tempo pela frente para que futuras legislaturas revertam tudo o que foi acordado nestas últimas semanas.  Meu palpite é que o aprofundamento da recessão será utilizado como justificativa suprema para a suspensão dos cortes.  Além do mais, a maioria das reduções de gastos já estava programada para ocorrer antes deste acordo.  Sendo assim, o que houve, realmente?

O Congressional Budget Office [agência federal do legislativo dos EUA que fornece dados econômicos para o Congresso] estima que US$ 9,5 trilhões de novos títulos da dívida terão de ser emitidos ao longo dos próximos 10 anos.  Ou seja, mesmo que toda a pretendida redução de US$ 2,3 trilhões no déficit venha de fato a ser cumprida — algo bastante improvável —, ainda assim haveria um aumento de US$ 7,2 trilhões na dívida até 2021.  Os problemas americanos não estariam resolvidos nem na mais onírica das hipóteses.

Essencialmente, a estrutura do acordo anunciado ontem permite que ambos os partidos falem sobre reforma sem que necessariamente tenham de fazer coisa alguma.  Para enfatizar esse ponto, o acordo estabelece um corte imediato de algo em torno de míseros US$ 25 bilhões.  Isso é menos do que um erro de arredondamento no atual orçamento de US$ 3,8 trilhões!  Estamos testemunhando a política em seu estado puro.

Ademais, até mesmo esses cálculos e estimativas de redução do déficit se baseiam em róseas presunções econômicas que não têm a menor chance de ocorrer.  Por exemplo, para o atual ano fiscal americano, Washington está estimando um crescimento do PIB de 4%.  Porém, o crescimento econômico do primeiro semestre de 2011 ficou abaixo de 1%!  Ora, se o governo já está superestimando o crescimento do ano vigente por um fator de 4, quão acuradas podem ser suas previsões para daqui a dez anos?  Uma estimativa mais honesta sobre os prováveis (e pífios) desempenhos futuros da economia americana iria indicar déficits orçamentários futuros disparando totalmente fora do controle.

Alguns podem dizer que o principal objetivo deste acordo era evitar o temível rebaixamento dos indicadores de risco divulgados pelas agências de classificação, como Moody's, Fitch e Standard & Poor's.  Mas, infelizmente, o acordo não ataca nenhum dos problemas relatados por essas agências.  Caso elas não levem a cabo suas ameaças de rebaixamento de seus indicadores de risco para o governo americano, irão perder o pouco da credibilidade que ainda lhes resta.  Por razões políticas, os rebaixamentos podem não vir por agora, mas são inevitáveis.  Entretanto, como já ocorreu tantas vezes no passado, quando esse tardio rebaixamento chegar, o mercado provavelmente já terá imposto seu veredito.

O teto da dívida, por si só, representa apenas um limite que o próprio governo americano se impõe a si próprio sobre o volume total de empréstimos que ele pode pedir.  Dado que o Congresso pode decidir elevar esse limite, sua existência tem sido, por toda a história, muito mais uma chateação política do que uma barreira efetiva.  O fator influente não é o quanto os americanos permitem que seu governo se endivide, mas o quanto os credores estão dispostos a emprestar para o governo.  E esse tipo de teto não pode ser elevado por um ato do Congresso. 

Tão logo os credores do governo americano cheguem à conclusão de que emprestaram muito mais do que a capacidade do governo de lhes pagar de volta, eles ficarão muito relutantes para continuar emprestando.  À medida que os títulos de curto prazo do Tesouro americano forem vencendo, e o governo precisar emitir mais títulos para poder pagar estes que estão vencendo (operação essa que chamam de rolar a dívida), os compradores desses novos títulos irão demandar juros cada vez maiores para compensá-los pelo risco.  E o governo americano não estará em condições de bancar esses juros mais elevados, a menos que retire dinheiro de todo o resto do seu orçamento.

Na semana passada, foi revelado que, não obstante as seguidas advertências de Obama de que haveria um calote imediato caso o teto da dívida não fosse elevado, o governo já havia concordado em priorizar os pagamentos dos juros, justamente para evitar o calote.  Esse tratamento preferencial para os credores só é possível porque as atuais taxas de juros estão extremamente baixas, de modo que o serviço da dívida representa apenas algo em torno de 10% da receita total do governo.  Entretanto, quando o número de pessoas e entidades dispostas a emprestar para o governo americano diminuir acentuadamente, e consequentemente as taxas de juros dos títulos subirem, o pagamento líquido de juros da dívida poderá passar a consumir mais de 50% da receita federal.  Tal fenômeno será intensificado pelo fato de que juros maiores jogarão a economia americana em uma recessão ainda maior, a qual irá fazer com que as receitas tributárias do governo sejam consideravelmente reduzidas — e com os gastos com juros em disparada.

Nesse ponto, priorizar o pagamento de juros significa que o resto do orçamento federal teria de ser profundamente sacrificado — inclusive a Previdência Social, o Medicare [programa governamental de assistência de saúde para idosos] e as Forças Armadas.  A pergunta então passa a ser: estarão os políticos americanos realmente dispostos a encarar o desgaste político a que seriam submetidos caso priorizassem o pagamento de juros para credores estrangeiros ao invés de gastarem dinheiro em programas sociais voltados para os eleitores americanos?

Minha expectativa é que, tão logo os credores americanos decidam que não estão mais dispostos a emprestar dinheiro para os EUA a taxas de juros extremamente baixas, o governo americano vai se recusar a saldar tudo o que eles já lhe emprestaram.

Fora um calote ou enormes cortes nos gastos domésticos, a inflação monetária é o único outro meio com o qual o governo americano pode lidar com essa espinhosa crise.  Por causa de sua maior palatabilidade política, a inflação monetária é, com efeito, a medida com maior probabilidade de ser implementada.  Se o governo se enveredar por esse caminho, a inflação corre o risco de virar uma hiperinflação, o que iria dizimar o restante da economia americana. 

Conclusão

O governo americano elevou o teto da dívida e está planejando cortes de gastos que apenas soam substanciais, mas que, na melhor das hipóteses, irão apenas diminuir o ritmo do aumento da dívida, até que o novo teto (ou nova "meta") seja atingido, reiniciando o processo.

O acordo bipartidário sugere um corte de gastos cumulativos que totalizará pouco mais de 1 trilhão de dólares ao longo da próxima década.  Em outras palavras, Washington está propondo cortes que irão apenas reduzir os déficits em aproximadamente 10 ou 20%; a dívida continuará aumentando.  Portanto, caso o novo plano orçamentário seja seguido com rigor, em vez de um déficit anual de US$ 1,5 trilhão, os EUA terão um déficit anual de US$ 1,2 trilhão.  Enquanto isso, a dívida continuará crescendo.  Em termos políticos, isso é classificado como "sucesso".

Claramente, estamos nos deparando com um cenário propício para metais preciosos.  Afinal, é tudo mais do mesmo — mais gastos, mais endividamento e, necessariamente, mais impressão de dinheiro.

Portanto, parece-me lógico que, independentemente do aumento do teto da dívida, é muito provável que futuramente a classificação de risco dos EUA venha a ser rebaixada por uma ou mais agências.  E o efeito disso será enorme pois os maiores fundos de pensão, os maiores fundos mútuos e os maiores fundos soberanos do mundo possuem instruções explícitas para investir somente em títulos com classificação AAA.  Um rebaixamento da classificação da dívida dos EUA significa que estes fundos terão de vender imediatamente estes seus principais ativos.  É impossível exagerar as consequências dessa medida.  Creio apenas que o ouro será o primeiro e o melhor refúgio de todo esse capital agora órfão.



autor

Peter Schiff

é o presidente da Euro Pacific Capital e autor dos livros The Little Book of Bull Moves in Bear Markets, Crash Proof: How to Profit from the Coming Economic Collapse e How an Economy Grows and Why It Crashes.  Ficou famoso por ter previsto com grande acurácia o atual cataclisma econômico.  Veja o vídeo.  Veja também sua palestra definitiva sobre a crise americana -- com legendas em português.



  • Djalma  03/08/2011 07:51
    Sei que as agências de rating não são nenhum pouco confiáveis mais vale ler a notícia no site da Revista Exame de hoje.\r
    \r
    S&P vai rebaixar a dívida dos EUA, diz Bank of America\r
    \r
    A aprovação do pacote que eleva o teto da dívida soberana dos Estados Unidos é um alívio de curto prazo para os mercados, afirmam os analistas do Bank of America Merrill Lynch. Num relatório divulgado ontem, os profissionais dizem que o plano não evita que os problemas fiscais do país voltem a causar transtorno nos próximos anos, nem que a dívida americana seja rebaixada. "Antes de estourar o champanhe, sejamos claros quanto aos riscos de médio prazo", diz o texto. Mesmo com o aperto fiscal previsto para 2011 e 2012, o teto da dívida, segundo o relatório, "provavelmente" voltará a ser atingido no primeiro trimestre de 2013. "Quem disse que a história não se repete?"\r
    \r
    O banco lembra que a agência de classificação Standard & Poor's tem sido particularmente exigente em relação à solvência das contas do governo americano. Estabilizar a relação dívida/PIB, segundo a instituição, exige no mínimo cortes de 3 trilhões de dólares em dez anos, mais que o previsto no atual plano. Por isso, o Bank of America prevê que a S&P rebaixará a dívida "nos próximos meses".\r
    \r
    exame.abril.com.br/blogs/blue-chips/2011/08/02/sp-vai-rebaixar-a-divida-dos-eua-diz-bank-of-america/
  • Marcelo Aguiar Cerri  03/08/2011 10:38
    Não entendi uma coisa: Peter Schiff diz que o corte de US$ 1 tri corresponde ao acumulado em 10 anos. Sendo que no último ano o déficit seria reduzido entre 10 a 20% comparado com o de hoje. Mas o que os jornais dizem é que esse valor será a redução do déficit no décimo ano. Se hoje o déficit é de US$ 1,5 tri, em 2022 deverá ser de US$ 500 bi. A espectativa é que se reduza de 9% para 3% do PIB.
    Alguém pode esclarecer tal divergência?

  • Edimar Estevam  03/08/2011 12:36
    O atual défict do governo americano é de 1,5 trilhões de doláres anuais. O que o acordo prevê é a redução desse teto de 1,5 trilhões anuais para 1,2 trilhões. O que irá diminuir é apenas o ritmo de endividamente, sendo que a dívida não será paga, apenas rolada. Um bom site para saber como anda a dívida pública americana é o www.usdebtclock.org. Prestem atenção nos números em vermelhos.
  • Getulio Malveira  03/08/2011 16:13
    Também agradeço a dica, Edivam. Muito interessante esse site, principalmente quanto a projeção para 2015: 18,6 trilhões... se a falência não chegar primeiro!!!
  • Joao  03/08/2011 17:59
    Deixe-me tecer minhas opiniões a respeito disso:

    As previsões são ridículas. Segundo os gênios, os EUA não terão grandes problemas nos próximos 10 anos, não haverá problemas no mundo nos próximos 10 anos, a economia dos EUA começará a se recuperar em pouco tempo. Se tudo isso acontecer, ainda assim os EUA terão uma dívida enorme se forem incluídos os gastos sem fundos previstos para pagamento, que são dezenas de trilhões de dólares. Para Paul Krugman, o acordo é péssimo porque há um indício de vontade de cortar gastos em 10 anos, e, para ele, a solução seria um pacote de gastos ainda maior. Não que se espere algo racional do Krugman. Não o considero um cara burro. Só acho que, para quem só usa o martelo, tudo se parece com um prego.

    Enquanto isso, o desemprego subiu em 90% das cidades americanas. Isso LOGO APÓS um pacote de "estímulo ao crescimento". O desemprego oficial nos EUA é de 9,4%, mas, se forem incluídas pessoas em sub-empregos, etc, passa dos 20%. Há uma quantia impressionante de pessoas há mais de 6 meses desempregada. Os "especialistas" erram em todas as suas previsões. Já estão há meses prevendo uma diminuição do desemprego. Para eles, se o governo gastar muito dinheiro, o desemprego some, porque aí os "recursos ociosos" desaparecem. Se isso não funcionar, a culpa é do mercado, irracional e besta que é.
  • HEITOR ARAÚJO OLIVEIRA  03/08/2011 15:33
    Olá, boa tarde a todos.\r
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    Acabei de visitar o site usdebtclock.org e fiquei espantado com o que vi. Não só porque ele é muito bem feito, mas por causa dos pontos vermelhos. Mesmo para quem só entende o básico de inglês, como eu, vai entender o que está acontecendo.\r
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    Valeu pela dica, sr. Edimar Estevam\r
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    Amplexos.
  • Getulio Malveira  03/08/2011 16:08
    As conclusões de Schiff me parecem muito acertadas, principalmente quanto a perspectiva de valorização do ouro.\r
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    Se houver rebaixamento da nota da dívida americana, creio que Obama pode apoiar seus colegas europeus quanto a genial solução que imaginaram para conter a febre: trocar o termômetro!
  • Pedro  03/08/2011 17:48
    Um bom site que ja prevê a hyperinflação do dólar há uns 2 anos mais ou menos é o www.inflation.us\r
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    E os caras tão acertando na mosca tudo. Alguns mais radicais já armazenam ouro prata e alimentos há mais de um ano em suas casas!\r
    Para quem fala inglês eu recomendo e MUITO assistir os documentários na sessão VIDEOS. (Melt Up, End of Liberty e The day the dollar died.)\r
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    Abraços
  • Daniel  03/08/2011 19:11
    Cuidado com a NIA (inflation.us). O próprio Peter Schiff já alertou que eles estão envolvidos em esquemas de manipulação de ações.

    Eles estão corretos quanto a tudo que falam, mas fazem recomendações de ações "small caps" com objetivos de manipulação de mercado. Ou seja, alguém comprou grande quantidade de small caps e pagou a eles (ou a alguém que esteja por trás da organização) para recomendar as ações. Como o volume de negociação é baixo, se algumas dezenas de pessoas buscarem tal ação após a "recomendação" isso já é o suficiente para grandes altas na cotação da mesma e para o manipulador "desovar", por um preço alto e irreal, as ações que havia comprado a preço de mercado antes.

    Procure "NIA SCAM" no youtube para encontrar o vídeo do Peter Schiff comentando a respeito.
  • mcmoraes  03/08/2011 17:54
    O cenário no verso da nota de dinheiro na imagem da chamada do artigo não é montagem. A situação ocorreu em um encontro da ONU ou coisa que o valha. O alvo dos olhos do Obama era uma adolescente brasileira, que, se não me engano, participou de um programa de auxílio a jovens carentes ou algo assim.
  • Capitale  04/08/2011 05:13
    A imagem não é uma montagem, é real, mas não revela o que realmente se passou. Assistindo o video da situação, Obama está ajudando uma senhora a descer um degrau da escada. Link para o video www.youtube.com/watch?v=SMmX72N6EtE
  • mcmoraes  04/08/2011 10:20
    Obrigado por me esclarecer, Capitale.
  • Fernando Chiocca  04/08/2011 11:25
    Mas a nota é real.

    Quem quiser pode comprar: Obama dollar
  • Thyago  03/08/2011 21:50
    VIX! OURO NELES!
  • Marcos  03/08/2011 22:43
    Esse "remédio" para a economia me lembra muito os tratamentos medicinais de alguns séculos atrás, quando a "cura" acabava matando o paciente.

    E se os EUA caírem muitos outros irão junto, incluve o Brasil, que está cheio de títulos americanos.
  • anônimo  05/08/2011 08:13
    O que acontece nos EUA é puro Fascismo!\r
    O Fascismo nos EUA está se instalando há décadas e isso foi um projeto de longo prazo e que infelizmente o seu idealizador, a esquerda americana já conseguiu o seu objetivo já faz algum tempo.\r
    Muitos integrantes do Partido Democrata como: Obama,Al Gore e Hillary Clinton são esquerdistas radicais e são protagonistas da instalação do Fascismo nos EUA. Não estou exagerando o Fascismo não chegou através de pessoas usando coturnos ou camisetas de Mussolini ou de Hitler. O modo é diferente mas é mais eficaz através de medidas fascistas em vários setores como: na economia, no direito, na educação, etc......\r
  • Djalma  05/08/2011 09:29
    O comentário acima é meu!\r
    Não sei o que aconteceu e está como anônimo.
  • Allan Bobadilha  05/08/2011 15:00
    "Tão logo os credores do governo americano cheguem à conclusão de que emprestaram muito mais do que a capacidade do governo de lhes pagar de volta, eles ficarão muito relutantes para continuar emprestando. À medida que os títulos de curto prazo do Tesouro americano forem vencendo, e o governo precisar emitir mais títulos para poder pagar estes que estão vencendo (operação essa que chamam de rolar a dívida), os compradores desses novos títulos irão demandar juros cada vez maiores para compensá-los pelo risco. E o governo americano não estará em condições de bancar esses juros mais elevados, a menos que retire dinheiro de todo o resto do seu orçamento"\r
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    Não compreendo. \r
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    Há 200 anos que os EUA tem dividas. Passou guerra da indepêndencia, 1o guerra mundial, crise de 21 s/ intervenção governamental, crise de 29 com intervenção governamental, 2o guerra, pacotes e mais pacotes de ajuda, mais guerras...Esse teto foi elevado mais de 70 vezes, como o próprio texto faz questão de ressaltar. E os juros, a divida, sempre foi paga. Quem empresta dinheiro para o governo americano está muito pouco interessado em taxas de juros...se assim fosse, emprestariam para o Brasil com módicos 12,5% a.a. ou qualquer outro investimento. Ao longo de 200 anos de dívida os EUA conseguiram uma coisa chamada credibilidade. A divida bruta pouca importante, uma vez que sempre foi paga. O credo está interessado nisso, em ter seu dinheiro de volta. Relação Dívida/PIB é importante para países como o Brasil que a cada 20 anos dá uma moratória. Não há motivos para que o credor perca a confiança na capacidade de pagamento da dívida dos EUA, nem mesmo uma crise, uma vez que já ocorreram antes e mesmo assim, e cenários extremos, não houve moratória.
  • Edimar Estevam  07/08/2011 12:56
    Uma dívida de mais 14 trilhões de doláres numa economia em recessão é sim motivo para bastante preocupação para os credores. Exemplificando, se você sabe que um cara tem uma dívida de 10 mil reais e que o que ele ganha por mês já não é o suficiente para pagar a dívida, você provavelmente não emprestaria dinheiro a esta pessoa até a situação financeira dele estiver sob controle. Se você emprestar, estará sendo imprudente e sua ajuda fará que este cara continue se endividando cada vez mais. Este cara só deixará de contrair dívidas quando não tiver mais crédito e for obrigado a pagar suas pendências antigas. É bem assim a atual situação financeira do governo americano. Até mesmo os bons pagadores podem dar calote se não tiverem como pagar.
  • Allan Bobadilha  08/08/2011 13:42
    S&P baixou a nota dos Treasuries americanos muito mais por motivos políticos, e não técnicos. Ou seja, o temor principal é que o que foi combinado não seja feito, até por que houve uma guerra politica nas negociações, demonstrando que o Governo americano não é mais tão eficaz quanto antes. \r
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    Também acho que 14 trilhôes de doláres é uma divida muito grande até mesmo para uma economia em crescimento. Não acho que gastos governamentais podem fazer a economia crescer de forma sustentada. Um hora dá pau.\r
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    Só não acho que este momento seja agora, ao menos em termos técnicos (falando sobre divida, sem tocar em questõe do FED e de seu medonho QE3) . Em nenhum momento houve algum partido advogando o não-pagamento da dívida americana de maneira assertiva. Mesmo que o teto não fosse aumentado, o que era impossivel de acontecer ( era bem claro, na minha opnião, que estava havendo uma guerra entre os dois partidos, cada um tentando avançar nas negociações até o limite, mas sem de fato defender não aumentar o teto), algumas coisas como securidade social seriam cortadas, mas não os juros.O meu ponto é este: os Treasuries americanos ainda continuam seguros. Eles tem capacidade pra pagar, como relata a S&P. O problema é a politica por trás disto. Ou seja, eles vem a briga dos Republicanos por menos gastos como um fator destabilizador da politica e que pode desencadear talvez não uma moratória, mas sim uma complicação como a que já ocorreu. \r
  • Leandro  08/08/2011 14:13
    As agências de classificação de risco -- que são um oligopólio protegido pelo governo americano, pois este mercado é totalmente regulado pela SEC -- estavam ameaçando o rebaixamento dos títulos americanos com o intuito de pressionar o Congresso a elevar o teto da dívida. O teto foi elevado, porém sem grandes elevações de impostos, o que significa que não há maiores chances de os títulos futuros serem saldados. Consequência: as agências reduziram a classificação de risco, agora com o intuito de forçar o Congresso a elevar impostos -- intenção essa, aliás, explicitamente declarada pela S&P.

    Todas as agências de classificação de risco operam em conluio com os bancos de Wall Street, os principais interessados nessa negociata. Todo e qualquer aumento de impostos destinado ao pagamento da dívida representa mais dinheiro para Wall Street. E é para esse propósito que as agências de classificação de risco trabalham; e é por isso que reduziram a classificação americana: para forçar o Congresso elevar impostos.
  • Allan Bobadilha  08/08/2011 15:32
    Bolsas derretendo, algumas outras commodities relacionadas a produção, tudo caindo.\r
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    Dolár subindo um pouco, juros da T-Bill caindo.\r
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    EUA, e suas dividas, ainda é o porto seguro do mundo. Tudo fugindo de risco e indo pro ativo AAAA.
  • anônimo  05/08/2011 21:20
    O dado tem seis lados, cada um com um valor síngular, a econômia é um retrato de quais valores? na balança o que pesa mais: EUA X CHINA? por quê 6 é sempre 6 quando 1 é sempre 1? quem dita as regras é o lider, e, haveria um novo lider nesta mesa?
    Eu aposto no número seis.
  • Marco  06/08/2011 09:57
    Ainda é hora para comprar ouro? Já vi vídeo de 2009 do Petter Schiff falando em ouro a 5 mil dólares e, num de 2010, falando em ouro a 10 mil dólares!

    Deixo uma pergunta, caso alguém possa me ajudar, agradeço: Qual seria uma boa maneira de comprar ouro para quem não quer receber ele fisicamente em casa? Uma vez fui comprar e fiquei com tanta dúvida sobre ONDE e COMO comprar que eu desisti.

    Abraços.
  • anônimo  06/08/2011 22:12
    Vou dar uma dica melhor que ouro: estoque alimento e itens de utilidade. No futuro que se aproxima ninguém vai ter o que oferecer em troca de ouro.
  • Marco  07/08/2011 11:37
    anônimo: eu não estou nos E.U.A. Estou no Brasil, país com vasta produção de alimentos.
  • anônimo  07/08/2011 13:15
    E os EUA não tem vasta produção de alimentos? E a produção no Brasil é bruxaria? Acho que você não entendeu qual o meu ponto.
  • Marco  07/08/2011 23:07
    Então eu não entendi. Favor me explique. Obrigado!
  • Joao  08/08/2011 08:00
    Se a coisa começar a feder de verdade, você pode ter dificuldades até para achar comida, então, pode ser que nem com muito ouro você consiga comprar o suficiente.

    Não acho que a coisa vá chegar a esse ponto nos próximos anos, porém, acho que há, sim, a probabilidade de acontecer algo assim em uns 15 anos.
  • Marco  08/08/2011 12:44
    João, eu entendi que não se come ouro.

    A minha dúvida é: e toda a comida que o Brasil produz estará aonde "quando a coisa feder"?
  • Joao  08/08/2011 13:38
    A comida que o Brasil produz será vendida rapidamente, e faltarão recursos para os agricultores continuarem produzindo o suficiente para abastecer o mercado. Poderá haver vários fatores e possibilidades:

    Pense neste cenário: O governo decidirá que a solução é torrar dinheiro para "fazer a economia girar". Ele pode fazer isso através de:
    1.1) Aumento massivo de impostos. Ninguém conseguirá produzir porque o governo estará ocupado roubando dinheiro dos empresários, dizendo que a culpa de tudo é dos capitalistas malvados e dos ricos.
    1.2) Imprimir dinheiro. Ou seja, inflação. Ou seja, descontrole total, e ficará muito difícil conseguir capital para continuar produzindo

    No primeiro caso, ficará ainda mais difícil conseguir produzir alguma coisa no Brasil. O governo pode até decidir "socializar" a agricultura, explicita ou implicitamente. A produtividade será uma parcela ridícula daquela necessária para atender à demanda.
    No segundo caso, ninguém mais conseguirá ter segurança para fazer algum investimento.

    Nunca subestime a capacidade que um governo tem de destruir a produtividade do mercado em prol "duzoprimidu"
  • Marco  08/08/2011 15:10
    "A comida que o Brasil produz será vendida rapidamente, e faltarão recursos para os agricultores continuarem produzindo o suficiente para abastecer o mercado."

    Eu só não entendi exatamente o que desencadeará essa enorme crise no Brasil, e por quê.

    No na minha visão de leigo, a crise nos EUA é uma crise de endividamento e uma crise de capacidade produtiva (já que os EUA importam quase tudo, atualmente) que destruirá o dólar, mas no Brasil a crise seria do quê? Posso imaginar os investimentos estrangeiros no nosso país em debandada e os exportadores sofrendo, mas não haveria, aí, num segundo momento, uma espécie de compensação para a nossa economia, com o começo de um cenário favorável às importações tanto de bens quanto de insumos para a produção?

    Minha pergunta é mais sincera do que, na verdade, uma resposta ao teu comentário. Abraço.
  • amauri  19/09/2011 14:55
    Boa tarde!
    Como fica com o novo pronunciamento do Obama, que deve cortar 4 tri de dolares em 10 anos?
    abraço
    amauri
  • Leandro  19/09/2011 15:01
    Nada de diferente do que já foi exposto neste artigo. Aliás, sinceramente não sei por que as pessoas perdem tempo ouvindo discurso de político. Já deveriam ter aprendido minimamente com a experiência. Quando foi que falaram alguma verdade no que concerne ao orçamento?
  • Emerson Luis  03/04/2016 12:39

    "Talvez o termo 'teto da dívida' do governo americano devesse ser renomeado para "meta da dívida", pois parece que Washington está sempre se esforçando para atingi-la e superá-la. Essa renomeação seria ótima para o governo, pois faria com que ele finalmente pudesse parecer eficiente em alguma coisa."

    Amadores! Precisam ter aulas com a Dilma sobre dobrar metas!

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