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O que faz com que itens de luxo se tornem bens populares

Ainda no final do século XIX, Jean-Gabriel de Tarde (1843-1904), o grande sociólogo francês, abordou o problema da popularização dos itens de luxo.  Uma inovação industrial, disse ele, adentra o mercado para atender exclusivamente às extravagâncias de uma pequena elite; porém, com tempo, passo a passo, tal produto finalmente vai se tornando uma necessidade até que, no final, se torna um item massificado e indispensável para todos.  Aquilo que antes era apenas um bem supérfluo de luxo passa a ser, com o tempo, uma necessidade.

A história da tecnologia e do comércio fornece inúmeros exemplos que confirmam a tese de Tarde.  No passado, havia um considerável intervalo de tempo entre o surgimento de algo até então completamente desconhecido e sua popularização no uso cotidiano.  Algumas vezes, passavam-se vários séculos até que uma inovação se tornasse amplamente aceita por todos — ao menos dentro da órbita da civilização ocidental.  Pense na lenta popularização do uso de garfos, sabonetes, lenços, papeis higiênicos e inúmeras outras variedades de coisas.

Desde seus primórdios, o capitalismo demonstrou uma tendência de ir encurtando esse intervalo de tempo, até ele finalmente ser eliminado quase que por completo.  Tal fenômeno não é uma característica meramente acidental da produção capitalista; trata-se de algo inerente à sua própria natureza.  A essência do capitalismo é a produção em larga escala para a satisfação dos desejos das massas.  Sua característica distintiva é a produção em massa feita pelas grandes empresas.  Para o grande capital, não há a opção de produzir apenas quantias limitadas de bens que irão satisfazer apenas a uma pequena elite.  Quanto maior uma empresa se torna, mais rapidamente e de maneira mais massificada ela possibilita às pessoas o acesso aos novos êxitos da tecnologia.

Séculos se passaram até que o garfo deixasse de ser um utensílio utilizado apenas por homens efeminados e se transformasse em um instrumento de uso universal.  Antes visto meramente como um brinquedo de ricos ociosos, o automóvel levou mais de 20 anos para se tornar um meio de transporte utilizado universalmente.  Já as meias de nylon, ao menos nos EUA, se transformaram em artigo de uso diário de todas as mulheres em pouco mais de dois ou três anos após sua invenção.  E praticamente não houve nenhum período de tempo em que o usufruto de inovações como a televisão ou os produtos da indústria de comida congelada fosse restrito a uma pequena minoria.

Os discípulos de Marx sempre se mostraram muito ávidos para descrever em seus livros os "inenarráveis horrores do capitalismo", os quais, como seu mestre havia prognosticado, resultam "de maneira tão inexorável como uma lei da natureza" no progressivo empobrecimento das "massas".  O preconceito anticapitalista deles impedia que percebessem o fato de que o capitalismo tende, com o auxílio da produção em larga escala, a eliminar o notável contraste que há entre o modo de vida de uma elite afortunada e o modo de vida de todo o resto da população de um país.

O abismo que separava o homem que podia viajar de carruagem e o homem que ficava em casa porque não tinha o dinheiro para a passagem foi reduzido à diferença entre viajar de avião e viajar de ônibus.



autor

Ludwig von Mises
foi o reconhecido líder da Escola Austríaca de pensamento econômico, um prodigioso originador na teoria econômica e um autor prolífico.  Os escritos e palestras de Mises abarcavam teoria econômica, história, epistemologia, governo e filosofia política.  Suas contribuições à teoria econômica incluem elucidações importantes sobre a teoria quantitativa de moeda, a teoria dos ciclos econômicos, a integração da teoria monetária à teoria econômica geral, e uma demonstração de que o socialismo necessariamente é insustentável, pois é incapaz de resolver o problema do cálculo econômico.  Mises foi o primeiro estudioso a reconhecer que a economia faz parte de uma ciência maior dentro da ação humana, uma ciência que Mises chamou de "praxeologia".


  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  22/07/2011 10:48
    "O abismo que separava o homem que podia viajar de carruagem e o homem que ficava em casa porque não tinha o dinheiro para a passagem foi reduzido à diferença entre viajar de avião e viajar de ônibus."

    Atualmente esse abismo nem existe mais. A diferença se dá entre poder viajar na primeira classe ou de classe econômica. Até os pobres hoje podem viajar de avião, pagando as passagens no cartão de crédito em várias prestações mensais bem acessíveis. E isso porque em nosso país não existe livre mercado no setor de aviação. Imagine-se se houvesse. Ao invés do "carro popular", teríamos o "avião popular", o "helicóptero popular", o "ultraleve popular", e por aí vai. Praticamente toda família teria condições de adquirir o seu meio de locomoção aeroviário. Mas como o Estado no Brasil emperra a iniciativa privada, com o seu excesso de intervencionismo, adquirir um meio de transporte como esse é privilégio para muito poucos. Quem sabe um dia, o cenário de aeroveículos povoando os céus, com cada família possuindo um aeromóvel, como no desenho os Jetsons, não se torne realidade entre nós. Para isso acontecer não precisa de milagre. Basta existir o livre mercado. Nada mais.
  • Leonardo  22/07/2011 20:18
    Falando em andar de carro voador como os Jetsons, saiu esses dias nos noticiários que já em 2012 vão lançar o primeiro carro voador, que estará à venda por R$310 mil.

    É só questão de tempo até esse preço baixar e ficar acessível às massas. E se bem que R$310 mil nem é tão caro, pensando que uma Ferrari custa mais de 1 milhão.
  • Fernando Z  22/07/2011 11:03
    Oi, eu tenho uma dúvida persistente:

    Se a abundância de um item torna esse item desvalorizado... é possível que a escassez de um item seja propositalmente provocada?

    Por exemplo: se tenho uma fábrica de notebooks, a quantidade de notebooks produzidos sempre será inferior a capacidade máxima né?

    Muito Obrigado antecipadamente!
  • Leandro  22/07/2011 11:18
    Fernando Z, em tese, sim. Uma empresa pode voluntariamente restringir sua oferta para aumentar os preços de seus produtos. Entretanto, isso só funcionaria em um Mercado estritamente regulado, sem nenhum resquício de concorrência.

    Apenas para dar um exemplo prático de como apenas a livre concorrência pode fazer com que as empresas produzam o máximo possível e de modo a cobrar o menor preço realisticamente possível por seus produtos, tentemos o raciocínio a seguir.

    Imagine uma indústria qualquer que esteja produzindo 100 unidades de um dado produto. Pode ser uma processadora de alimentos, uma produtora de equipamentos cirúrgicos, uma montadora de automóveis ou uma fábrica de notebooks. Imagine que essa indústria não tenha concorrentes.

    Se essa indústria estiver vendendo essas 100 unidades a um preço de $10 cada uma, sua receita total será de $1.000. Se essa indústria aumentar sua produção para 105 unidades, e o resultado dessa maior oferta for uma queda no preço da unidade para $9 (a queda de preço é necessária para achar consumidores adicionais), a receita total da indústria será de apenas $945 - uma redução de $55. Portanto, teoricamente, essa indústria não terá incentivos para aumentar sua produção.

    Porém, se a entrada no mercado for livre, qualquer empresa concorrente que tenha a capacidade de produzir apenas essas 5 unidades adicionais (observe que pode ser uma empresa menor que a nossa indústria em questão), irá obviamente produzi-las. Se essa empresa concorrente conseguir produzir 5 unidades a um custo total menor do que $45 - o que lhe permitiria uma taxa de lucro, caso vendesse cada uma por $9 -, então ela entrará no mercado.

    Sendo assim, a indústria, que até então não tinha concorrentes, terá de fazer alterações em seus planos. Se ela continuar produzindo 100 unidades, cujo preço unitário agora é de $9, isso vai lhe trazer vultosos prejuízos. Assim, sua única saída é aprimorar seu processo de produção, reduzindo seus custos e aumentar suas vendas, de modo que as unidades adicionais que ela venha a produzir (sua capacidade instalada já é de 100 unidades) sejam menos custosas que a da empresa concorrente. Só assim ela conseguirá reduzir seus preços e, ainda assim, competir com essa outra empresa.

    Nesse caso, a oferta de bens no mercado vai aumentar e os preços inevitavelmente vão cair. A indústria não tem mais a opção de produzir 100 unidades a um preço de $10 cada unidade. Sua única opção é entre produzir 100 unidades para serem vendidas $9 (o que lhe traria prejuízos) ou produzir, digamos, 105 unidades para serem vendidas também a $9. Ela obviamente terá de optar pela segunda.

    Essa indústria terá de adotar métodos mais eficientes de produção (reduzir custos) para reconquistar essa fatia de mercado que ela perdeu para a empresa menor.

    A livre concorrência, nunca é demais enfatizar, faz com que novas empresas sejam atraídas para aqueles mercados que apresentam altas taxas de lucro. Esse processo provoca uma redução de preços, que reduz essas altas taxas de lucros. Consequentemente, todos aqueles envolvidos na produção de bens e serviços tentam a todo o momento encontrar métodos de produção que sejam menos custosos, na tentativa de voltar a aumentar seus lucros. Com o tempo, esses lucros acabam atraindo novos concorrentes. E essa concorrência elimina os altos lucros e faz com que os baixos custos de produção tenham de ser repassados ao consumidor na forma de preços mais baixos. A contínua busca por lucros leva à descoberta e à implementação de novos métodos de produção ainda menos custosos, com o mesmo resultado acima. A consequência é uma queda progressiva nos preços reais de todos os produtos. (A queda nominal nos preços não ocorre simplesmente por causa da inflação monetária praticada pelo banco central).

    Abraços!
  • Fernando Z  22/07/2011 13:09
    Olá Leandro, Muito esclarecedor!

    E sobre bens que não tem competição como eletricidade, água, etc?

    Muito Obrigado!
  • Leandro  22/07/2011 13:21
    Fernando Z, tanto eletricidade quanto água podem ser perfeitamente fornecidas em ambiente concorrencial.

    Esse artigo explica com mais detalhes como isso poderia ocorrer:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=646

    Abraços!
  • 1berto  21/11/2011 21:12
    Como os colegas apontaram bem é difícil para uma empresa impor o preço máximo simplesmente, mas há algumas estratégias que se utilizam para aumentar os ganhos: Uma delas é tentar alguma discriminação de preços. O que é discriminar o preço? Fazer com que pessoas que se disponham a pagar mais pelo produto paguem mais e quem só se dispoem a pagar menos pague também. Parece complicado pelo enunciado mas na prática é simples: As pessoas que compram no lançamento o novo notebook da Apple por exemplo (para ficar em um exemplo próximo ao do artigo) se dispõem a pagar por exemplo 2.000 dólares, um mês depois o preço cai para 1.000 dólares. Entenda que isto não quer dizer que a empresa terá prejuízo vendendo por 1000 dólares... O custo de produção pode ser de 900 dólares por exemplo (assim é só uma questão de ter o máximo de lucro possível em cada comprador).Quem entende que o notebook vale 2.000 dólares ou mais compra no lançamento quem entende que ele não vale tanto mas vale 1.000 dólares ou mais comprará um mês depois.
  • Marcel Freitas  22/07/2011 11:35
    Fernando, tentarei responder sua pergunta. Como sou iniciante na área, corrijam-me se for necessário.

    A escassez de bens pode ser propositadamente provocada por um agente, porém seria improvável que todos os agentes capazes de produzir aquele bem tomassem a mesma decisão, dado que uma redução na produção faz com que o produto fique necessariamente mais caro (Levando em consideração os custos fixos) o que poderia levá-lo a ficar em desvantagem em relação a seus concorrentes.
  • Daniel  22/07/2011 12:52
    Não é só isso. A redução de oferta para aumento de preços é um incentivo para a produção de maior volume por parte das outras empresas do mercado. E mesmo que todas elas decidam restringir a oferta, o aumento de preços torna o mercado muito atraente para novos entrantes.
  • Breno Almeida  22/07/2011 13:13
    Fernando Z ,\r
    \r
    No casso da Ferrari e a maior parte dos itens de luxo é isso que acontence. Artista plástico também costuma limitar a produção.\r
    \r
    \r
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  • LIVIO LUIZ SOARES DE OLIVEIRA  22/07/2011 14:03
    Não custa lembrar que Ferraris, Lamborghinis e Masseratis têm oferta restringida e altos preços por causa das patentes industriais e similares, que permitem às respectivas empresas o monopólio da produção. Se as fábricas chinesas ou indianas pudessem fabricá-los livremente, qualquer zé mané poderia comprar um carrão daqueles, já que a oferta seria muito maior e os custos de produção desses países são muito baixos. Mas patentes e direitos de marcas não permitem isso.
  • Breno Almeida  22/07/2011 16:49
    LIVIO,\r
    \r
    Nenhum colecionador de carro vai comprar uma Ferrari falsificada, replica não é uma Ferrari. Réplica vende-se pro ae, não existe muita clareza sobre o que é ou não legal. É verdade que fabricande de réplica pode ter problema na justiça. Mas de maneira geral o mercado de réplica de Ferrari funciona bem.\r
    \r
    Nem por isso o preço baixou e nem vai baixar. Não interessa quantas fotocopias você tire da Monalisa o preço da Monaliza nunca vai baixar. É o mesmo caso da Ferrari, Luis Viton, IPhone e por ae vai.\r
    \r
    (Alias carrão por carrão o mercado americano está cheio de carros v8 com 400+ cavalos baratos e nem por isso o preço da Ferrari, Bentley, Rolls Royce e etc vai abaixar.)\r
    \r
  • Daniel  22/07/2011 20:55
    Na verdade as "Ferraris" estão sim disponíveis para as massas. Um Mustang de $19k, acessível para QUALQUER pessoa nos EUA, tem motor mais potente que as Ferraris de algumas décadas atrás.
  • Erick Skrabe  22/07/2011 14:06
    Os notebooks sao um ótimo exemplo, assim como os carros.

    Faz algum sentido pensar desta forma aqui. Afinal se voce é amigo do rei vc vai ter o mercado pra voce: nao vai ter competidores locais (porque eles nao vao ter acesso a linhas dos BNDES) e nem estrangeiros (por causa das barreiras a importacao).

    Todas essas barreiras sao criadas pelo governo e nao pelo mercado.

    Os notebooks tiveram que baixar de preco porque de uma forma ou de outra, acabavam entrando no Brasil ¨por fora¨.
  • Felipe Barbosa  22/07/2011 12:33
    "We will make electricity so cheap that only the rich will burn candles." ~ Thomas Edison

    Esse é o verdadeiro espirito capitalista
  • Absolut  23/07/2011 03:12
    Não conhecia essa frase de Edison, mas já afirmo que é inesquecível!
  • Fernando Chiocca  23/07/2011 03:37
    E se não fosse pelo monopólio que o governo concedeu pra ele lhe garantindo uma patente, teria ficado muito mais barato muito mais rápido...
  • 1berto  21/11/2011 21:16
    Realmente... Itens realmente de luxo hoje em dia sempre tem esse Q de romantismo. Uma ferrari por exemplo poderia ser muito mais barata se fosse produzida de maneira automatizada, mas um dos atrativos para os compradores é a característica quase artesanal de muitos dos componentes.
  • Paulo  23/07/2011 01:38
    O Mises se esqueceu de falar da questão monetária. Por exemplo, se o Plano Real não tivesse sido implementado, os pobres brasileiros não teriam condições de se alimentar devido à inflação. O Brasil poderia estar na situação do Zimbabue (país que mudaria muito de ida se implementasse um lano de estabilização monetária, como o Brasil fez). Acho que a vida dos trabalhadores melhora devido à estabilidade monetária.
  • Fernando Z  23/07/2011 14:14
    Olá,

    Ainda sobre luxo. Sempre quando vejo serviços supérfluos sempre me questiono sobre a validade do livre mercado.

    Por exemplo. Um terreno que é usado para parque aquático não pode ser considerado agressivo a uma sociedade que tem pessoas com fome?

    Estou perguntando realmente para entender, Muito Obrigado.
  • Felipe Barbosa  23/07/2011 17:53
    Extrapolando-se (sem desrespeito é claro) essa linha de pensamento, poderíamos pensar na moralidade de 1 pessoa ter um carro enquanto houver uma pessoa com fome sobre a face da terra.

    Não podemos punir aqueles que tem os meios para se sustentar e se entreter pela tragédia de outros, supondo que em nome disso, o parque fosse fechado e os funcionários demitidos, isso seria melhor ou pior?

    Tirando a função do dinheiro para tudo que não seja estritamente necessário o que levaria alguém a produzir mais do que o minimo para a sub existência? Uma sociedade em que se produz menos, também tem menos para oferecer, inclusive aí ao esfomeado em questão.

    Como havia dito na frase do Edison, "quero tornar eletricidade tão barata, que apenas os ricos queimem velas" poderia dizer, "gostaria de tornar a agricultura tão produtiva, que os preços caiam tanto, que apenas pessoas de dieta sintam fome!". Precisamos de mais, de tudo, entretenimento, tecnologia, comida...

    Foi em nome de erradicar a fome que Pol Pot tentou criar o comunismo agrário, ta nas paginas dos livros de história a desgraça que se sucedeu.
  • Erick Skrabe  23/07/2011 23:28
    Só acompanhando o raciocínio do Felipe...

    Fernando Z, vc sabia q o saneamento "básico" já foi um luxo ? O rei tinha q jogar suas fezes pela janela. O REI ! (esse é um excelente exemplo de Tom Woods)

    Hoje coisas como ter uma casa com tomada, torneira e até privada pode parecer algo simples, mas era algo absolutamente impensável há 2 gerações.

    O primeiro telefone entre cidades foi instalado no Brasil. Interessante, não ? Pelo imperador pra falar com a Marquesa de Santos. As pessoas simplesmente achavam q isso era besteira, pra que falar no telefone ? Como rádio aconteceu algo parecido. Pra que rádio ? Já existia o telégrafo !

    Vou usar outro exemplo do Tom Woods q eu gosto: enquanto a União Soviética investia milhões em Siderurgicas tinha uns americanos perdendo tempo com um brinquedo chamado... computador.
  • rafael  23/07/2011 19:51
    > Por exemplo. Um terreno que é usado para parque aquático não pode ser considerado agressivo a uma sociedade que tem pessoas com fome?

    qual a sua ideia? tomar a riqueza de todo mundo e distribui-la de forma igual? é verdade, até funcionaria, não teriamos mais pobres e ricos, teriamos apenas pobres

    a minha riqueza não implica na sua pobreza, pelo contrário, se isole do mundo e vc vai ver como vc vai viver muito bem sozinho
  • mcmoraes  23/07/2011 21:18
  • void  23/07/2011 21:35
    "Por exemplo. Um terreno que é usado para parque aquático não pode ser considerado agressivo a uma sociedade que tem pessoas com fome?"

    A menos que você assuma que este parque pertença a um politico(ou alguém relacionado a eles) e tenha sido construído as custas daqueles que agora passam fome, não. Senão, por que seria "agressivo"? Segundo quais critérios?
  • 1berto  21/11/2011 21:27
    Fernando... Há muitas coisas a serem consideradas no caso e para mim o mais importante é: Quem vai decidir o que é supérfluo ou nao? Acho que sem muito esforço você poderia concordar que itens como computador, telefone ou mesmo energia elétrica já foram considerados supérfluos e hoje quase todo mundo concordará que estão disponíveis para todos. Se a gente começasse a fechar todos as empresas que produzem supérfluos quantas pessoas perderiam os empregos (a produção de alimentos não abrigaria todo mundo já que se tornou muitissimo eficiente em termos de emprego de mão de obra). Na verdade a medida que uma nação avança em um combate efetivo a fome o setor de serviços cresce (muitos 'supérfluos') muitíssimo.
    As pessoas de verdade não passam fome por que existe o parque, o parque pode inclusive ajudar pessoas a não passar fome (pelos empregos gerados por exemplo). As pessoas passarão fome se não puderem trabalhar para conseguir o dinheiro.
  • Arion  23/07/2011 15:03
    A Frase do Thomas é um dos melhores exemplos do capitalismo.

    Hoje em dia, apenas utilizamos as velas por romantismo mesmo.

    Contudo, ainda penso que a frase do Ford sobre a divisão do trabalho é a melhor de todas. Reflete muito bem o artigo sobre a impossibilidade de uma unica pessoa realizar a produção de um único lápis já descrita aqui no IMB. (www.mises.org.br/Article.aspx?id=810)

    "Nothing is particularly hard if you divide it into small jobs."
  • Erick Skrabe  23/07/2011 15:26
    ... lembrando tb q quem "inventou a tomada" foi o Sr. Tesla, ex-funcionário de Edison.\r
    \r
    Edison usava Corrente Contínua e Tesla desenvolveu o conceito de Corrente Alternada: como gerar, como distribuir e até como usar (inventou por exemplo o motor elétrico alternado, aquela lampada branca incandescente horrível e até o rádio - Marconi copiou as patentes de Tesla).\r
    \r
    Concordo com o Fernando, ñ sei se Edison é um exemplo de defensor do livre mercado. Ele inclusive passava de cidade em cidade eletrocutando animais publicamente para mostrar as pessoas como a corrente alternada do Tesla era perigosa (foi assim que surgiu a cadeira elétrica). Tb usou patentes para impedir que Tesla criasse lampadas com a sua corrente. Edison fez tudo o q pode, sempre ocm ajuda do nosso "amigão defensor do bem comum", contra Tesla e o livre mercado.
  • Felipe Barbosa  23/07/2011 17:41
    sim, longe de edison ser exemplo de livre mercado, mas não pode se negar que essa deve ser uma das frases mais bonitas sobre o assunto, e a concorrencia de tesla com edison foi memoravel e incrivelmente edificadora, pena para todos nós o corporativismo ter imperado e o governo ter escolhido um "vencedor"

    Tesla por sinal criou um sistema de eletrecidade wireless, que decadas depois tem sido viabilizado e mais uma vez vai mudar a vida como nós a conhecemos.
  • Erick Skrabe  23/07/2011 23:16
    Bem lembrado Felipe,

    Mas o sistema wireless de Tesla tem 2 problemas: o primeiro é a eficiencia (mas isso é um tema técnico) o segundo, que nos interessa, é o problema economico: como cobrar ? Gerar o tal "campo energico" tem um custo e quem pagaria por ele, já que todos poderiam usa-lo ?

    E mais um problema, como ñ há formas de cobrar, as pessoas usariam ainda mais energia wireless.

    O que Tesla queria ñ era um sistema wireless pro escritório, era um sistema elétrico pra ionosfera... o cara pensava grande, mas era um cientista, ñ era empresário.

    (a propósito as etiquetas de RFID de hj usam alguns dos princípios de Tesla)
  • Felipe Barbosa  24/07/2011 12:46
    eu não sei quanto a eletricidade, isso o mercado vai decidir, mas e isso quanto a internet?!
    www.wired.com/epicenter/2011/06/perlman-holy-grail-wireless/

    se isso for verdade, isso vai revolucionar o mundo como nós o conhecemos, internet vai ser tão abundante, tão onipresente que deve poder ser de graça, o futuro prestador desse serviço magico só vai precisar cobrar de anunciantes e sozinho vai poder falir todas as empresas de telecom!
  • Erick Skrabe  26/07/2011 12:27
    Putz, vc viu o nome da empresa ? ¨Rearden Companies¨ !

    O cara provavelmente tb é fã do ¨Revolta de Atlas¨. E viva o empreendedorismo !
  • anônimo  25/07/2011 22:22
    Aparentemente, pelo texto, as diferenças entre ricos e pobres não mais persistem nas sociedades capitalistas.

    Ora, em primeiro lugar, a maioria da população mundial ainda carece dos recursos básicos necessários à sobrevivência. Além disso, para muitas populações, infelizmente, as condições de vida só tendem a piorar.

    De outro lado, as revoluções tecnológica e da informação, apesar de proporcionarem alguma melhoria de vida à população pobre (acesso a celular, internet e carro, entre outros), não resolveu o problema das escolas que não ensinam, dos hospitais que não curam, do transporte público precário e do custo dos alimentos que não pára de aumentar. Aliás, trouxeram novos problemas: víciados em internet, explosão da pedofilia em nível global, criminalidade cibernética transnacional, lixo tecnológico, problemas insuperáveis de congestionamento nas rodovias e nas cidades, entre outros.

    O fato de hoje o sujeito pobre poder sair de casa com o próprio carro, falar ao celular e navegar na internet não diminui a distância que o separa do rico, mas tão somente lhe dá a sensação, a ilusão de estar ao mesmo nível (esse é o ponto do artigo acima). É preciso lembrar, no entanto, que o acesso a esses bens apenas se tornou possível porque eles se tornaram mais acessíveis. Apenas isso. Então mais e mais pobres compram esses produtos. E quem ganha com isso? Adivinhem...

    Assim, tudo continua como sempre foi: o pobre é tratado a pão e circo. Só o conceito de circo é que muda com o tempo: antigamente o pobre tinha acesso ao desfrute das conquistas romanas através dos espetáculos no Coliseu, ao passo que hoje desfruta das maravilhas das conquistas da tecnologia e da informação com veículos próprios, celulares e internet. Assim como o primeiro, o segundo paga o seu preço. Só mudou o foco.

    Claro, ninguém precisa concordar.
  • Absolut  26/07/2011 01:59
    Aliás, trouxeram novos problemas: víciados em internet, explosão da pedofilia em nível global, criminalidade cibernética transnacional, lixo tecnológico, problemas insuperáveis de congestionamento nas rodovias e nas cidades, entre outros.

    Bullshit. Bode expiatório pra proibir as novas tecnologias - principalmente a Internet, grande aliada da liberdade de expressão.
  • João  26/07/2011 10:33
    Parece até que os pobres são obrigados a comprar essas coisas! Eis outros itens de luxo que, hoje em dia, estão acessíveis a quem não tem muito dinheiro:
    - Geladeiras: Acho que não preciso explicar por que elas são importantes para quem é pobre.
    - Fogões: Bem, acho que não preciso explicar essa também
    - Máquina de Lavar: Idem
  • mcmoraes  26/07/2011 11:09
    Minha mãe me disse que eu não tenho álbum de fotografia do meus tempos de criança porque naquele tempo era caro tirar foto. Viva a livre concorrência!, que consegue baratear tudo, mesmo com entraves gerados pelos monstros governamentais. Outro bem que está se tornando cada vez mais barato é a informação correta. Hoje em dia até mesmo um país como o Brasil tem um Instituto Mises e até mesmo alguém como eu, criado em família de mentalidade estatista e educado em escolas militares sei que o estado só atravanca o mercado livre.
  • Joao  26/07/2011 12:06
    Tente imaginar como estaríamos se o governo decidisse que seria preciso controlar a ganância dos malvados da indústria de fotografias. Teríamos uma Anfotos (Agência Nacional de Fotos). As câmeras custariam 4.000 reais - e precisariam ser declaradas no imposto de renda - pois precisariam passar por um processo extremamente lento e demorado de homologação. Por uma incrível coincidência, as indústrias estariam nas mãos de magnatas ligados ao governo. Empresários e políticos estariam sempre na TV fazendo propagandas a respeito de como é importante o controle do mercado, afinal, sem a Anfotos, o mercado estaria escravizando a humanidade.
    Estaríamos entrando somente agora na fase das câmeras digitais com qualidade boa o suficiente para impressão. Porém, o processo seria muito demorado porque o papel para fotos seria muito difícil de obter, já que também precisaria passar pelo homologação da Anfotos, a fim de "evitar a venda de papéis de baixa qualidade".

  • Breno Almeida  26/07/2011 14:13
    O problema do socialismo brasileiro, que aliás está na bandeira, é que o mesmo faz com que os brasileiros enxerguem a vida social como sendo um jogo de soma-zero. Então com essa visão distorcida da realidade eles não conseguem entender o que é o capitalismo.
  • Erick Skrabe  26/07/2011 00:25
    Anonimo,

    "Aparentemente, pelo texto, as diferenças entre ricos e pobres não mais persistem nas sociedades capitalistas."

    Não é isso que o texto diz. O texto diz que coisas que foram um luxo hoje são coisas acessíveis e, seguindo a mesma lógica, coisas que hoje são um luxo, estarão mais acessíveis.

    Mas sempre vão existir produtos "de luxo". Ou, para usar seu termo, as diferenças persistem.

    Quem ganha com isso ? Todos. Ricos e pobres estão vivendo cada vez mais e melhor. A espectativa de um pobre hoje é muito maior do que era a de um rico há algumas decadas atrás.

    Concordo que ricos tendem a viver mais e melhor que pobres da *mesma época*. Mas as opções que tivemos na história humana foram: ou todos vivem mais (alguns mais do que outros) e melhor (alguns melhores que outros) ou todos vivem pouco e mal.
  • weslei  27/07/2011 09:37
    "Aparentemente, pelo texto, as diferenças entre ricos e pobres não mais persistem nas sociedades capitalistas."

    A diferença praticamente acabou. Basta o pobre querer.
    O pobre hoje pode pegar dinheiro emprestado com grande facilidade e rapidez. Se o pobre quiser por exemplo andar com um bolo de dinheiro na carteira ou comprar artigos de luxo basta tomar dinheiro emprestado que esta em oferta no mercado. se nao fosse essa facilidade ele so poderia fazer isso trabalhando.
  • Odenor Júnior  27/07/2011 17:46
    O capitalismo é um sistema meritocrata, por isso vivemos em uma espécie de mundo perfeito, onde mesmo os erros ensinam. você acreditaria se eu te dicesse que: CADA UM TEM EXATAMENTE O QUE MERECE.
  • Marco Aurelio Agarie  13/11/2011 18:27
    Podemos pensar, no entanto, que: quadros de arte, pintados por famosíssimos pintores, antiguidades e objetos artísticos de ouro, colares e jóias de brilhantes, safiras ou esmeraldas, palacetes e castelos antigos, por exemplo, jamais serão objetos acessíveis a todos, jamais serão massificados, devido à oferta, extremamente exígua e limitada. A teoria de Jean-Gabriel de Tarde só se aplica apenas a bens de consumo fabricados em série onde a tecnologia vai barateando conforme a procura, mas também não de forma ilimitada. Ou alguém acha que carros fabricados pela Bentley ou Rolls-Royce serão algum dia comprados em "sacolões"!!
  • Augusto  13/11/2011 20:28
    nao entendi o ponto do seu comentario.
  • Andre  22/05/2014 18:07
    "O preconceito anticapitalista deles impedia que percebessem o fato de que o capitalismo tende, com o auxílio da produção em larga escala, a eliminar o notável contraste que há entre o modo de vida de uma elite afortunada e o modo de vida de todo o resto da população de um país."

    Discordo, não acho que o preconceito os impedia.
    Acho que o preconceito os fazia mentir diante dos fatos que estavam sendo esfregados nas caras deles.
    Como todo esquerdista faz.
  • Andre  22/05/2014 18:09
    Excelente artigo!
    Os celulares, por exemplo, se tornaram tão massificados em pouquíssimo tempo que mesmo pessoas pobres podem ter mais de um, e trocá-lo de tempos em tempos.
  • Emerson Luis  01/04/2016 12:30

    Capitalismo Malvadão!

    * * *


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