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Uma lição austríaca para o dia dos namorados

Sendo eu um cara solteiro, de 21 anos, sempre tive dificuldades em conseguir garotas simplesmente conversando com elas sobre economia.  Talvez tenha sido uma overdose de gráficos de oferta e demanda na faculdade, mas o fato é que qualquer menção da palavra 'economia' deixa-me com os olhos vidrados e ansioso para conversar ao telefone sobre o assunto.  Mas o telefone nunca toca.  E isso é triste.

Todo mundo utiliza a ciência econômica em suas rotinas diárias, a todo o momento, e não apenas quando entra em uma loja e faz uma compra qualquer.  A maneira como entendemos a economia influencia cada aspecto de nossas vidas, percebamos ou não.  O Dia dos Namorados fornece-me uma desculpa perfeita para demonstrar essa verdade no que diz respeito a romances.

Quando me pedem para definir o que é a ciência econômica, eu digo que se trata da aplicação da filosofia à área dos recursos finitos.  Um recurso que é, ao mesmo tempo, finito e comum a todas as pessoas é o tempo.  Qualquer ação que empreendemos é igual a um investimento pessoal no capital 'tempo'.  Os momentos econômicos difíceis — as épocas de recessão — são frequentemente negligenciados pelas outras escolas de pensamento econômico, porém sempre foi um ponto bastante enfatizado pelos economistas seguidores da Escola Austríaca.  Não é surpresa, portanto, que a 'economia do romance' recorre à escola austríaca para interpretar sua realidade.  Com efeito, um "ciclo romântico austríaco" seria bastante similar a um ciclo econômico austríaco.

Todo romance começa com uma primeira ação, uma primeira atitude.  Assim como os austríacos entendem que é a função do empreendedor arcar com os riscos de investir capital com o objetivo de obter um lucro potencial, podemos entender que é o papel de um instigador correr riscos na esperança de obter êxito em sua investida romântica.  Sem um empreendedor, o crescimento econômico é insustentável; sem que a alguém tome a primeira atitude, o crescimento romântico é inalcançável.

Assim, pensemos em um cara, Ricardo, que vai a uma festa em busca da garota dos seus sonhos.  Ricardo encontra uma garota, Betina, e começa uma conversação.  Caso ambos já se conheçam há mais tempo, isto é, caso Ricardo já tenha investido muito tempo em Betina, de modo que ela já esteja interessada nele — o que significa que Ricardo é como um investidor que já tem em mãos o dinheiro necessário para começar um empreendimento —, então Ricardo não precisará de nenhum crédito para fechar o negócio. 

Porém, e se Ricardo ainda não conhecer Betina?  Como um investidor que apresenta seu plano empreendedorial para conseguir um empréstimo bancário, Ricardo terá agora de convencer Betina de que ele vale o risco trazido por todas as coisas que envolvem o coração.

Caso Ricardo se comporte de acordo como a filosofia do liberalismo, caso ele se apresente honestamente e permita que seu sucesso ou fracasso com Betina venha naturalmente, então, independentemente de ele conseguir ou não se dar com ela, o fato é que sua vida romântica será (relativamente) sem dramas; e quando ele de fato encontrar uma garota interessada nele, o interesse será genuíno.

Porém, suponha que Ricardo está frustrado em decorrência de vários fracassos românticos.  Cansado de sua falta de sucessos, Ricardo resolve adotar uma tática artificial: começa a contar mentiras descaradas para impressionar as moças.  Para todas as garotas que ele conhece, ele diz que já salvou órfãos contra violentos canibais na ilha de Rojinda, que já escalou o Monte Evereste e que até já debateu — e venceu — Ron Paul dentro do Congresso.  Ou seja, Ricardo decidiu manipular sua "taxa de juros", reduzindo-a artificialmente para estimular seus investimentos.

Repentinamente, Ricardo passa a ser o centro das atenções.  Betina e Juliana começam a brigar por ele; até mesmo Evelyn resolve entrar na disputa quando ouve que Ricardo cresceu ao lado de Justin Bieber.  Assim, Ricardo subitamente se vê em um boom romântico.  Enquanto ele conseguir manipular mentiras convincentes, e enquanto as pessoas seguirem acreditando nele, seu sucesso romântico irá continuar.

Em algum momento, entretanto, as mentiras de Ricardo virão à tona.  Justin Bieber não aceita seu pedido de amizade no Facebook.  Ninguém consegue encontrar no youtube o clipe de Ricardo debatendo Ron Paul.  A Wikipédia mostra que não existe uma ilha chamada Rojinda.  O irmão de Juliana estava em um acampamento junto com Ricardo na mesma época em que ele dizia estar escalando o Monte Evereste.  A bolha de Ricardo estourou.

Betina, enraivecida, dá uns bofetes em Ricardo.  Juliana espalha a verdade para todas as meninas da escola, arruinando as chances de Ricardo com todas elas.  Talvez o pior de tudo seja o fato de que Evelyn, por quem Ricardo nutria sentimentos genuínos, e com quem ele realmente tinha muito em comum, jurou nunca mais conversar com ele novamente.  Todos os ganhos de curto prazo que Ricardo obteve se esvaneceram e se transformaram em consequências de longo prazo bem piores do que aquelas que ele porventura teria enfrentado caso apenas tivesse sido honesto desde o início.

Além de simplesmente demonstrar as consequências naturais das manipulações arbitrárias dos juros, a ciência econômica também nos ajuda a gerenciarmos melhor nossa vida romântica.  Vejo diretamente vários relacionamentos baseados não em amor genuíno, mas apenas em puro comodismo — pessoas ficando juntas não por causa daquilo que sentem uma pela outra, mas porque não gostam da sensação de ficarem sozinhas.  Novamente, trata-se de um comportamento que traz ganhos de curto prazo em troca de tristes consequências de longo prazo.  Isso é também uma questão econômica.

O tempo é algo finito.  Portanto, cada dia gasto em uma relação de comodismo é um dia perdido que poderia ter sido aproveitado em uma relação de amor genuíno — há custos de oportunidades envolvidos nessa questão.  No seriado The Office, Pam gasta as duas primeiras temporadas junto a seu noivo de longa data, Roy, com quem ela é totalmente incompatível, ao invés de aceitar as investidas de seu melhor amigo, Jim.  A recusa de Pam em arriscar o conforto de seu relacionamento desapaixonado com Roy não altera o fato de que os dois não foram feitos um para o outro.  Apenas estar disposto a tolerar um relacionamento não é o mesmo que amar.  No final, Pam acaba terminando com Roy e se casando com Jim, na sexta temporada.  Embora Pam e Jim possam passar o resto de suas fictícias vidas felizes para sempre, nada altera o fato de que ambos perderam quatro anos de vida feliz até finalmente se aceitarem.

Cada ação que fazemos, cada medida que tomamos, representa uma decisão econômica.  A velha frase "tempo é dinheiro" adquire um novo significado quando você começa a aplicar a ciência econômica a todos os aspectos da vida.  E somente uma perspectiva austríaca da economia é consistente com essas aplicações não convencionais.  E foi essa percepção que me transformou em um evangelista austríaco.

Um feliz dia dos namorados para todos, mesmo para quem está solteiro.  Utilizem a data eficientemente.



autor

Tho Bishop
é consultor político da Bishop & Associates, em Panama City Beach, Flórida, e diretor das mídias sociais do Mises Institute americano.



  • Cristiano  10/06/2011 11:10
    Um dos ativos mais caros, o tempo. Se perdido é irrecuperável.
  • Ale  10/06/2011 14:22
    Muito bem construido o texto.

    Seja na vida romântica ou na economia, artificialismos ruirão.

    Penas que alguns ainda insistem nisso prejudicando os que estão a sua volta.
  • Eduardo Minga  10/06/2011 14:54
    Brilhante o artigo! Mostra que os conceitos da Escola Austríaca podem ser aplicados nas mais variadas situações da vida cotidiana.
  • Fábio MS  10/06/2011 15:01
    É, minha gente, os austríacos também amam...
  • Rodrigo  10/06/2011 15:57
    Só é necessário ter cuidado. A Escola Austríaca, e eu sou um, digamos, iniciante nela, nunca poderá ser apresentada como utopia. No mundo moderno, filosofias e teorias econômicas quase sempre viram panacéia: nazismo, comunismo, estado de bem estar social, nacional desenvolvimentismo etc : sempre aparece alguém prometendo uma era de ouro. Não há nada disso na Escola Austríaca, não estou certo, Leandro Roque?
  • Fernando  10/06/2011 16:32
    Mas esse é ponto fraco da Visão austríaca! O liberalismo ao extremo é a anarquia, e em uma sociedade amoral, anarquia significa a lei do mais forte. E não estou dizendo economicamente.. Basicamente, um liberal diz: não faça nada com a sociedade! Mas sempre tem quem faça! Isso é um absurdo tão grande, que eu acho que quando um liberal condena o Estado ele está fazendo por pura ideologia cega.

    Negar a visão de sociedade é um tremendo erro, e estamos pagando caro por esse erro no mundo inteiro, os conservadores estão se retraindo em seu orgulho de ser neutro enquanto aqueles que ferem a sociedade falam alto e avançam!

    A Escola austríaca para mim é o que existe de melhor em economia, a teoria do capital, a teoria dos ciclos. Mas quando se trata de questão social ela falha condenando o Estado Religioso, ou qualquer que seja.

    Eu espero não ser mal interpretado, é uma crítica simplesmente à falta de postura COMBATIVA, que TANTO, TANTO precisamos hoje, mais do que NUNCA na história desse país.

    Muito Obrigado pela compreensão.
  • Fernando Chiocca  10/06/2011 16:56
    Xará, o que significa lei do mais forte é o estado. Liberalismo extremo significa respeito a propriedade privada de todos, seja ele forte ou fraco.

    E isso não tem nada a ver com "visão austríaca". A economia é uma ci~encia de causa e consequencia. Ela apenas diz que se você fizer A, ceteris paribus, resultará em B.

    E eu não conheço nenhum local com uma postura mais COMBATIVA aos infinitos ataques a propriedade privada do que este aqui.
  • Cerqueira  10/06/2011 17:12
    'Xará, o que significa lei do mais forte é o estado.'

    Ah é? Então vamos esperar um conflito e ver quem tem a polícia privada mais cara.
  • Fernando Chiocca  10/06/2011 17:27
    A alternativa estatista falando: - Esperar não. Porque não criamos um conflito já que somos nós que decidimos quem tem razão nos conflitos, inclusive nos conflitos que nós estamos envolvidos e nós mesmos criamos e nós somos os únicos que tem uma polícia, já que somos monopolistas do uso da força neste território.

    heheheheh

    E meu caro afobadinho.. tente estudar antes de criticar algo que desconhece. A proposta defendida aqui não tem nada a ver com lei do mais forte ou com milícias privadas armadas guerrenado entre si pelo poder.
  • Fernando  10/06/2011 17:27
    Exato!
  • Rafael - Porto Alegre  12/06/2011 19:38
    Cerqueira,

    estás certíssimo! O que os liberais não entendem, ou não querem compreender, é que o valor fundamental para frenar os apetites demoníacos tem origem na religião, mais especificamente no cristianismo. Falar apenas em termos econômicos é como retirar de um computador seu software - é o que é o sentimento religioso para uma sociedade.

    Conservadores do mundo, uni-vos!!!!!

    Abraço a todos,
    Rafael.
  • Fernando  10/06/2011 17:22
    "Xará, o que significa lei do mais forte é o estado. Liberalismo extremo significa respeito a propriedade privada de todos, seja ele forte ou fraco."
    Claro que o Estado tem que ser o mais forte, Um Estado de verdade é claro! O liberarismo não garante nada sobre propriedade, pois ele nele mesmo não é uma conduta e sim uma infinidade delas!

    "E isso não tem nada a ver com "visão austríaca". A economia é uma ci~encia de causa e consequencia. Ela apenas diz que se você fizer A, ceteris paribus, resultará em B."
    Tem a ver sim, porque temos por exemplo a escola de Chicago representada por Milton Friedman em que em um de seus livros ele diz: "[...]Primeiro, o objetivo do governo deve ser limitado. Sua principal função deve ser a de proteger nossa liberdade contra os inimigos externos e contra nossos próprios compatriotas; preservar a lei e a ordem ;reforçar os contratos privados; promover mercados competitivos.[...]" em que pelo menos ele admite que a tal liberdade é consequência de uma Sociedade organizada.

    "E eu não conheço nenhum local com uma postura mais COMBATIVA aos infinitos ataques a propriedade privada do que este aqui."
    Claro que não, o mises org pra mim foi e vai continuar sendo o melhor canal sobre economia. Repito: teoria do capital, Teoria dos ciclos e infinitas contribuições. Mas não combate os inimigos da sociedade de forma alguma, se for perguntar para qualquer libertário o que eles achariam do golpe militar eles vão torcer o nariz e dizer: "A sociedade não existe a não ser a partir de indivíduos, logo uma postura militar em qualquer época que seja é algo abominável!". Agora no fundo, lá no fundo da alma alguém realmente acredita nisso?
  • void  10/06/2011 17:57
    Estes PRETENSOS LIBERTÁRIO que DEFENDEM a existência do ESTADO cometem um ERRO MAIOR do que aquele cometido pelos LIBERAIS CLÁSSICOS, que ACEITARAM, ainda que RELUTANTEMENTE, sua existência.
  • Leandro  10/06/2011 17:12
    Acho que é a primeira vez que um leitor vem à seção de comentários para reclamar de falta de postura combativa de nossa parte.

    E eu achando que o Chiocca às vezes pegava pesado...
  • rafael  10/06/2011 17:18
    > O liberalismo ao extremo é a anarquia, e em uma sociedade amoral, anarquia significa a lei do mais forte. E não estou dizendo economicamente.. Basicamente, um liberal diz: não faça nada com a sociedade! Mas sempre tem quem faça! Isso é um absurdo tão grande, que eu acho que quando um liberal condena o Estado ele está fazendo por pura ideologia cega.

    anarquismo é amoral? e coerção é o que? então o princípio da não agressão é o errado e a coerção é o correto? sinceramente, vc é que está sendo amoral aqui

    e vc acha que no anarquismo prevalece a lei do mais forte e com estado não? vc já parou para pensar que é exatamente a mesma coisa, o estado se utilizando da sua força para coagir todo o resto da população, lei do mais forte. Se o pretexto para o uso da força se baseia em discursos bonitos e conta com o apoio da população não importa, continua se utilizando da força para coagir os outros

    o problema é que vc assume que o estado é uma instuição divina, perfeita, sabe o que é certo e errado e esta aqui para garantir a harmonia da sociedade, qnd estado não passa de um conjunto de seres humanos como outro qualquer, só que lhes foi dado o poder de mandar nos outros
  • mcmoraes  11/06/2011 03:52
    @rafael:"...e vc acha que no anarquismo prevalece a lei do mais forte e com estado não? vc já parou para pensar que é exatamente a mesma coisa, o estado se utilizando da sua força para coagir todo o resto da população, lei do mais forte..."

    Acho que a grande grande diferença entre uma sensação e outra é devida à quantidade de lavagem cerebral que uma pessoa sofreu quando criança.
  • Fernando  11/06/2011 18:03
    Claro que você irá dizer dizer que é lavagem cerebral, qualquer libertário é oposto ao pensamento patriótico. Mas eu vou repetir, porque é bom repetir isso o tempo todo. Qualquer ataque nos tempos modernos começa não com armamento, mas com ideologia. E o liberalismo político caiu dos céus na visão dos comunistas. Um com comunista que se preze, antes de atacar um país, colocaria em circulação idéias exatamente de cunho libertário-político. Claro! É um sonho para qualquer comunista ter um país com as rédeas frouxas. Isso é tão óbvio, mas tão óbvio! Por isso estou aqui para dizer, que quando uma pessoa fala de liberalismo extremado ela mesmo que sem querer contribui aos grupos comunistas.
    O que temos no Brasil HOJE de militar é uma piada, são amigos de Lula, mas isso não tira a legitimidade das forças armadas e do patriotismo.

    Mas esses assuntos são tão chatos... deixa pra lá, vamos falar de liberdade!
  • Fernando Chiocca  11/06/2011 19:12
    hehehhehehe, o estado forte é preciso para nos proteger dos comunistas!

    De onde saiu esse cara?

    E os comunistas são a favor do liberalismo extremo para ebfraquecer um país e eles tomarem conta! De todas as sandices que já li na sessão de comentários, essa bateu o record!
  • mcmoraes  11/06/2011 23:35
    @Fernando:"...É um sonho para qualquer comunista ter um país com as rédeas frouxas..."

    @Fernando Chiocca:"...De onde saiu esse cara?..."

    Acho melhor nem saber de onde saiu esse cara, visto que ele enxerga um país como um animal encilhado que deve ser guiado com rédeas curtas.
  • Cerqueira  12/06/2011 06:38
    'E os comunistas são a favor do liberalismo extremo para ebfraquecer um país e eles tomarem conta! De todas as sandices que já li na sessão de comentários, essa bateu o record!'

    Sandice é? E por acaso não era exatamente isso que a antiga URSS fazia com os paises vizinhos?
  • Leandro  12/06/2011 10:06
    A antiga URSS fomentava o liberalismo econômico dos países vizinhos?!
  • augusto  12/06/2011 10:23
    Nao sabes que o proprio Partido Comunista editava as obras de Mises e Hayek em russo e as distribuia em todas as escolas? ;-)
  • mcmoraes  12/06/2011 11:45
    O Cerqueira tentou bater o record do Fernando :)
  • mcmoraes  13/06/2011 01:08
    Por coincidência, acabo de ler o seguinte trecho da Ayn Rand:

    "...It is a matter of record that in the German elections of 1933, the Communist Party was ordered by its leaders to vote for the Nazis - with the explanation that they could later fight the Nazis for power, but first they had to help destroy their common enemy: capitalism and its parliamentary form of government..." (Capitalism: The Unknown Ideal, p. 199-200)
  • Cerqueira  13/06/2011 06:14
    Não fomentava, falei que a URSS fazia o mesmo no sentido de querer invadir os outros países.Pra isso se aproveitava dos que tinham governos fracos.
    Vocês entendem o ponto, fingem que não entendem só pra ter o que discordar.Não sei qual o sentido desses comentários então.
  • Fernando Chiocca  13/06/2011 11:44
    Hehehe, foi isso que a Alemanha Nacional Socialista fez com a Suíça
  • mcmoraes  13/06/2011 12:22
    Cerqueira, você afirma que estou fingindo que o governo nazista alemão eleito em 1933 com o apoio dos soviets era um governo forte só para ter o que discordar?
  • Fernando  11/06/2011 17:51
    "anarquismo é amoral? e coerção é o que? então o princípio da não agressão é o errado e a coerção é o correto? sinceramente, vc é que está sendo amoral aqui"
    Amoral é virar a costas para questões sérias como segurança interna e externa em nome de seu rico dinheirinho. O uso da violência e do terror é regra número UM para qualquer pessoa que queira uma sociedade organizada. O princípio número UM para um ataque externo é antes desestabilizar a sociedade. Criar Guerras entre os cidadãos, conflitos entre as famílias, conflitos entre empresários e empregados, conflitos de terra, conflitos entre sexos, conflitos de todos os gêneros. E o sonho de qualquer inimigo é ver um Estado que não é capaz de usar do terror para trazer a organização.

    "e vc acha que no anarquismo prevalece a lei do mais forte e com estado não? vc já parou para pensar que é exatamente a mesma coisa, o estado se utilizando da sua força para coagir todo o resto da população, lei do mais forte. Se o pretexto para o uso da força se baseia em discursos bonitos e conta com o apoio da população não importa, continua se utilizando da força para coagir os outros"
    Sim. Como já disse. Se um dia você tiver um filho, eu quero ver como que você vai educá-lo sem usar o mínimo de violência possível. EU DUVIDO. Se você não usar a violência contra seu filho ele tem o domínio sobre sua vida e vira um criminoso no futuro.

    "o problema é que vc assume que o estado é uma instuição divina, perfeita, sabe o que é certo e errado e esta aqui para garantir a harmonia da sociedade, qnd estado não passa de um conjunto de seres humanos como outro qualquer, só que lhes foi dado o poder de mandar nos outros"
    Eu não assumo nada, eu estou falando de realidade, isso não é uma discussão ideológica, eu estou falando de coisas tão óbvias que é até surpreendente você negar.
    Claro que o Estado é falho, e é mais claro ainda que o Estado que temos Hoje é uma piada de mal gosto. Isso não o torna ilegítimo, o que é ilegítimo é o negá-lo ao invés de trazer para si a responsabilidade.
  • Absolut  11/06/2011 22:32
    Sim. Como já disse. Se um dia você tiver um filho, eu quero ver como que você vai educá-lo sem usar o mínimo de violência possível. EU DUVIDO. Se você não usar a violência contra seu filho ele tem o domínio sobre sua vida e vira um criminoso no futuro.

    Ah, claro, somos todos criancinhas.
  • Cerqueira  13/06/2011 06:28
    'Ah, claro, somos todos criancinhas.'

    Essa ironia pode parecer o máximo pra vcs, mas é uma comparação que não cabe.
    Então a sociedade não tem gente que mente, rouba, mata, faz estelionato ? E esses aí não se comportam como crianças que tem que ser punidas? Ora bolas

    E como outros já falaram, o estado que a gente defende não tem nada a ver com o que existe no brasil, nem ninguém supõe que ele vá ser uma instituição perfeita, nem ele PRECISA ser uma instituição perfeita porque ele não seria feito pelos capricho de meia duzia de políticos populistas mas sim por LEIS, leis discutidas e pensadas por muito tempo por toda a sociedade, e não cuspidas num impulso a torto e a direito.
  • Leandro  10/06/2011 16:37
    Corretíssimo, Rodrigo. A função precípua da ciência econômica, como bem explicou Hayek, é demonstrar para os homens o quão pouco eles sabem sobre aquilo que que eles imaginam poder planejar e controlar.

    Caso essa simples e humilde verdade fosse aceita por políticos, não haveria toda a destruição econômica que eles provocam quando na verdade acham estar corrigindo alguma coisa.

    Consequentemente, seríamos mais ricos e prósperos.

    Portanto, você está certo ao dizer que a Escola Austríaca não oferece panacéia alguma. Muito pelo contrário: ela é a única escola de pensamento econômico que ensina que, quanto mais você acha que é capaz de controlar a economia, quanto mais você acha que poderá fazer intervenções pontuais que serão benéficas para a economia como um todo, mais você irá desarranjá-la, causando miséria para muitos e privilégios para muito poucos.

  • Evelyn  10/06/2011 19:34
    Que fofo! Bom, eu sou uma pessoa normalmente avessa ao risco, mas, neste caso, concordo com o texto. Pena que logo a Evelyn tenha que ser fã do Justin Bieber, poxa. ):
  • Ricardo Sulyak  10/06/2011 23:51

    HAHAHAHAHA!!

    Mto bom o artigo!!

    Costumo falar sobre "valorização de ativos" quando comento sobre vida afetiva, do como valoriza-se conceitos de si mesmo de modo artificial para auferir algo com alguém na vida de relação...a convivência trata de fazer os ajustes daquilo que estava em demasia;

    Esse estímulo aos "investimentos" para uma auto-imagem irreal sendo consequência à análoga redução artificial da taxa de juro foi ótima! kkkkk

    É aquilo né: Ficção x Realidade; O uso inconveniente da imaginação colabora para que aquilo que se diz que se faz vá um pouco além da efetiva capacidade de realização.

    Abraços
  • augusto  11/06/2011 09:53
    Esse artigo me fez lembrar da otima cronica do Carlos Eduardo Novaes, "A Lingua Oficial". Segue um trechinho:\r
    \r
    "Houve um tempo no pais, voces se lembram, que o economes quase substituiu o portugues, como lingua oficial. foi por essa epoca que estive numa festinha de economistas e observei um deles paquerando todas as mulheres (ou como ele disse: "especulando no mercado feminino de opcoes").\r
    Aproximou-se por fim de uma bela coleguinha do IBGE e disse-lhe, galanteador:\r
    - Sabe que voce e o melhor investimento desta festa?\r
    A economista virou o rosto, surpresa.\r
    - Se voce esta procurando aplicacoes a curto prazo - respondeu ela, agressiva - pode reduzir seus gastos de palavras. Sou uma mulher de renda fixa."
  • Edimar Estevam  11/06/2011 20:07
    As pessoas que tentam desacreditar o liberalismo proposto pela Escola Austríaca de Economia quase sempre caem no erro de tentar ligá-lo ao anarquismo. O que essas pessoas pensam? Será que elas acham que nessa sociedade anarcocapitalista não haverá punições aos crimes praticados? Será que elas acham que por eu ter mais dinheiro que a maioria eu poderei sair por aí invadindo terras, assassinando, roubando, estuprando? Por favor gente, leiam mais antes de tirar conclusões precipitada completamente erradas. O anarcocapitalismo não é o nosso atual peseudo capitalismo 95% socialista onde o maior come o menor, apesar da não existência do Estado a da liberdade para você fazer o que você quiser, quando quiser e do jeito que você quiser, você terá que respeitar a liberdade e a propriedade alheia, ou você poderá pagar caro por seus erros.
  • Fernando  11/06/2011 22:40
    "você terá que respeitar a liberdade e a propriedade alheia, ou você poderá pagar caro por seus erros."
    Quem vai fazer pagar, a vítima? A anarquia tem raiz na imoralidade. Se a moralidade for construída em torno de êxitos pessoais então voltaremos à selva.
    Ora, É da moral que devemos buscamos o êxito e não o contrário!
  • Cerqueira  12/06/2011 06:46
    'Se a moralidade for construída em torno de êxitos pessoais então voltaremos à selva. '
    Eu não concordo com isso.Acho que depende do que vc ta chamando de êxito pessoal.
    Se o sucesso pra um é criar uma coisa que resolve os problemas dos outros, isso não leva todo mundo pra selva, pelo contrário, torna mais fácil a vida de todo mundo.
  • Edimar Estevam  12/06/2011 11:44
    Fernando, você insiste no erro de achar que uma sociedade anarcocapitalista é praticamente o mesmo que uma sociedade anarquista (no sentido pejorativo da palavra, ausência de ordem). Você insiste em achar que a sociedade anarcocapitalista é uma sociedade sem leis, sem ordem, sem regras jurídicas, sem tribunais e sem segurança interna. Você é como a maioria das pessoas que acredita cegamente que só e somente o Estado deve cuidar da segurança e da Justiça e usa argumentos como "moralidade" para tentar desqualificar uma teoria econômica que você parece não conhecer nem o mais básico que ela ensina. Leia o artigo de Robert P. Murphy intitulado "A possibilidade de uma justiça privada" aqui mesmo no Mises Brasil e também todos os relacionados à segurança interna, justiça privada e Direito Natural e caso você tenha um mínimo de senso crítico, você perceberá o quão irrelevantes são os seus argumentos diante de uma teoria (lembre-se, é uma teoria, não uma hipótese) tão bem elaborada.
  • rafael  12/06/2011 19:15
    > Amoral é virar a costas para questões sérias como segurança interna e externa em nome de seu rico dinheirinho. O uso da violência e do terror é regra número UM para qualquer pessoa que queira uma sociedade organizada. O princípio número UM para um ataque externo é antes desestabilizar a sociedade. Criar Guerras entre os cidadãos, conflitos entre as famílias, conflitos entre empresários e empregados, conflitos de terra, conflitos entre sexos, conflitos de todos os gêneros. E o sonho de qualquer inimigo é ver um Estado que não é capaz de usar do terror para trazer a organização.

    E quem esta virando as costas para a segurança? Eu não quero que o governo me forneça educação, isso significa que eu estou virando as costas para a educação?
    Imoral é vc querer forçar os outros a satisfazerem as suas vontades jogando-os na prisão caso não obedeçam.

    E não use a palavra "dinheiro" de forma pejorativa, não há nada de errado em ganhar dinheiro, se tiver sido de forma legal. É inclusive uma forma de enriquecer o país, pois se vc ganhou dinheiro vc produziu e trocou algo com alguém, melhorando a vida de ambos.

    > Claro que o Estado é falho, e é mais claro ainda que o Estado que temos Hoje é uma piada de mal gosto. Isso não o torna ilegítimo, o que é ilegítimo é o negá-lo ao invés de trazer para si a responsabilidade.

    sim, ser falho e ser uma piada de mal gosto não o torna ilegítimo, seus argumentos são assim e eu não tenho problemas com isso. Querer mandar em mim sim o torna ilegítimo
  • Cerqueira  13/06/2011 07:08
    'E quem esta virando as costas para a segurança? Eu não quero que o governo me forneça educação, isso significa que eu estou virando as costas para a educação?'
    Você está comparando maçãs com laranjas.
    Eu não sei porque é tão difícil de entender que o poder militar é um caso à parte.Talvez porque na cabeça alguns, tudo que todo mundo faz só tem a ver com dinheiro.As pessoas que tem poder tendem a abusar desse poder, essa é a verdade, é a triste natureza humana, e o que vcs defendem é que o poder militar saia dos governos e fiquem com os mercenários, ou polícia privada, ou gangue, ou chame de qualquer outra coisa.E por algum tipo de milagre esses grupos com poder de explodir uma bomba na cabeça de qualquer um, vão ser bonzinhos e ficar na deles.

    'Mercenaries and auxiliaries are useless and dangerous; and if one holds his state based on these arms, he will stand neither firm nor safe; for they are disunited, ambitious and without discipline, unfaithful, valiant before friends, cowardly before enemies; they have neither the fear of God nor fidelity to men, and destruction is deferred only so long as the attack is; for in peace one is robbed by them, and in war by the enemy ...... And experience has shown princes and republics, single-handed, making the greatest progress, and mercenaries doing nothing except damage; and it is more difficult to bring a republic, armed with its own arms, under the sway of one of its citizens than it is to bring one armed with foreign arms. '

    The Prince, Chapter XII, by Niccoló Machiavelli
  • Bruno  13/06/2011 19:29
    Hahaha, o que é o estado senão uma gangue de marginais? Mas eu devo concordar com o cerqueira, deixa o poder militar na mão de entes privados geraria o caos, já que eles começariam a jogar bombas nas cabeças de todo mundo. Já estados, como a história nos mostra claramente, são entes justos, prudentes e jamais jogariam bombas na cabeça de ninguém.\r
    \r
    Às vezes eu penso que vocês vem de algum site marxista só para trollar, não é possível.
  • Fernando Chiocca  13/06/2011 19:43
    Cerqueira, acho que você já foi devidamente humilhado com este nome e está na hora de trocar para continuar a trollagem.

    Primeiro foi "Norbs", e depois de ser destruido (ou se autodestruir, comentando uma estupidez após outra) mudou para "Cerqueira".

    Sugestão que mude para "Troll Frustrado" agora.

    [mesmo IP]
  • void  13/06/2011 19:43
    Né? Quando usam deste argumento do "poder militar na mão de entes privados geraria o caos, já que eles começariam a jogar bombas nas cabeças de todo mundo", você pergunta: Se você fosse dono de uma agência de segurança, ordenaria que seus funcionários jogassem bombas nas cabeças de todo mundo? Não parece um argumento realmente válido - mas nem a presunção do argumento que tenta rebater é, então... -, ao menos é engraçado.
  • Angelo Viacava  13/06/2011 21:10
    Há um lugar no mundo que seja imagem do que prega a EA?
  • Leandro  13/06/2011 21:20
    Ângelo, acho que esse artigo responde bem a essa sua pergunta:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=729

    Abraço!
  • Rafael  13/06/2011 21:19
    Que mediocridade, que infelicidade, que levianismo.

    Porque que os teóricos economistas tendem a ser fechados em uma explicação hermética do mundo, associando todas as dezenas de nuances complexas da realidade humana à uma simplificação barata em argumentos supostamente "científicos"?

    Vi um comentário de um usuário falando que alguém vem de um fórum marxista para trollar aqui. O que eu vejo é a mesma visão tacanha, orientada, finita em si e, o pior, pretensamente científica que os marxistas usam para explicar TUDO, desde a taxa de juros, composição do capital (o que minimamente cabe dentro do esforçado escopo acadêmico de vossas escolas de pensamento), mas não... ainda me deparo com um texto como esse... citado!
    O que o Marxismo tem de pior, é a generalização panfletária e tosca de suas acepções, eu vejo em demasia aqui...

    Desculpa, mas ciência é mais que certezas, é um estado de permanente dúvida...
    Tá sobrando planilhas, discurso e faltando filosofia...
    Aconselho os estudos ontológicos de Heidegger (especialmente sugiro The Question Concerning Technology) que por si só já desmorona, sem precisar de outros adendos.
    Um abraço,
    Rafa
  • Erick Skrabe  13/06/2011 22:02
    Tem aqui um ranking de liberdade economica.

    www.heritage.org/index/Ranking

    Apenas 6 (SEIS) paises no mundo tem liberdade economica plena.
  • Angelo Viacava  13/06/2011 22:13
    Leandro:
    Grato pela atenção. Fiz a pergunta já sabendo mais ou menos qual resposta viria. Não a fiz por deboche, mas com a intenção de simplesmente constatar que mais liberdade econômica, e individual consequentemente, é muito simples de ser atingida, bastando ação humana para tanto. Mas não será pedindo mais intervenção e proteção estatal a políticos que chegaremos lá. Abraço.
  • Emerson Luis  01/01/2015 19:01

    Assim como muitas mulheres imaturas preferem as fantasias de um cafajeste em vez da realidade de um homem sério, as pessoas em geral preferem seguir demagogos.

    (Homens imaturos também se apaixonam compulsivamente por mulheres-problema).

    * * *


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