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Quem realmente cria monopólios, oligopólios e cartéis?

“Uma das funções das quais o estado jamais pode renunciar é a de quebrar cartéis e monopólios na economia. 

O surgimento dessas estruturas é a tendência natural dos mercados, um fenômeno que decorre do fato facilmente observável de que as taxas de lucro de diferentes empresas não são exatamente iguais.

Se uma empresa tem uma taxa de lucro maior do que a sua concorrente, ela crescerá mais do que a sua concorrente. E em algum momento ela terá dinheiro suficiente para comprar a sua concorrente, e de fato comprará a sua concorrente para aumentar sua participação no mercado.

Ao longo dos anos, quando esse processo acontece livremente sem qualquer intervenção externa, temos cada vez menos empresas concorrendo por clientes na economia.

Até chegar ao ponto em que há tão poucas dessas empresas que elas podem facilmente coordenar suas estratégias de produção entre si. 

Essa estrutura de mercado é o que chamamos de “cartel”. 

Um cartel pode continuar se concentrando, até finalmente se tornar uma única empresa: um monopólio. 

Em qualquer destes casos, os consumidores não têm para onde correr. O monopolista pode vender produtos de baixíssimo custo de produção, deplorável qualidade, e a preço ultrajante; mesmo assim, será a única opção do consumidor.

Este processo não é particular para qualquer época da história humana ou qualquer ramo da economia. É um processo universal e resultado de algumas empresas serem mais lucrativas do que outras. 

Aqui é enterrado o sonho liberal de uma economia que se autoajusta para o bem da população.”

O que vai acima é um resumo do senso comum de várias pessoas, inclusive acadêmicas, sobre como se formam monopólios, oligopólios e cartéis na economia. Tais pessoas genuinamente acreditam que monopólios, oligopólios e cartéis são arranjos inerentes a uma economia de mercado, e que apenas o estado (políticos e burocratas) pode impedir tal fenômeno.

Contudo, depois de séculos de produção e comércio por todo o mundo, surpreendentemente não há hoje qualquer cartel ou empresa atuando como monopolista em um mercado livre. 

Como explicar esse aparente paradoxo?

A história como ela realmente é

Indo direto ao ponto, eis a realidade: todos os monopólios e cartéis que existem estão exatamente em mercados com regulação estatal

Há poucas empresas de telefonia móvel no Brasil; mercado regulado pela ANATEL. Há poucas empresas de aviação comercial; mercado regulado pela ANAC. Há poucos bancos; mercado regulado pelo Banco Central. Os planos de saúde são caros e pouco variados; mercado regulado pela ANS. São raras as empresas de ônibus que surgem para concorrer com as já existentes, e as que existem dificilmente concorrem entre si; mercado regulado pela ANTT. Os postos de combustíveis são sempre os mesmos, nenhum quebra e nenhum surge; mercado regulado pela ANP. Há uma única empresa que faz entrega de determinados tipos de correspondência; imposição feita pela Lei 6.538/78. (Veja uma lista básica aqui).

Mas o que dizer do mercado de aplicativos de celular? Do mercado de alimentos? Do mercado de vestuário? Mercados com pouca ou nenhuma regulação estatal? Não existe um número muito maior de competidores em todos eles? Seus produtos não são muito mais baratos e de qualidade muito mais satisfatória?

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Não há monopólios ou cartéis no livre mercado. Procure. Descubra você mesmo. 

Quando pensar em um mercado cartelizado, pesquise sobre o grau de intervenção estatal que ele sofre. O leitor fatalmente descobrirá que ele é fortemente regulado pelo estado ou por suas agências reguladoras. Sim, todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo. Setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, postos de gasolina etc. — todos regulados.

Não há monopólios ou cartéis no livre mercado.

Mas, então, como conciliar o processo lógico descrito no início do artigo e a observação empírica apresentada a seguir?

A resposta da charada

O processo lógico está incompleto. Não, empresas não têm as mesmas taxas de lucro. Sim, isso implica que, sem intervenções estatais, haverá fusões e aquisições entre elas. 

Mas está faltando um ingrediente essencial nessa receita: a entrada de novas empresas. 

Por que só se analisa o que acontece com as empresas já existentes? Não podem surgir novas empresas nesse setor em que está ocorrendo as fusões e aquisições? Isso não restabeleceria a competição entre os produtores?

Sendo assim, vamos tentar entender o que causa a entrada de novas empresas na economia.

Há duas condições para que um empreendedor decida investir entrando em um determinado mercado: ter o capital necessário, e ter perspectiva de lucro no negócio. 

Se essas duas condições estiverem atendidas, então ele abre a sua empresa. Se qualquer uma delas não estiver atendida, ele não fará nada.

Sobre ter capital para investir, é importante entender que não é necessário que o novo empresário seja qualquer pessoa em particular. Basta que qualquer pessoa tenha capital suficiente e esteja procurando boas oportunidades de investimento. Não é importante sabermos de antemão quem é essa pessoa.

No Brasil, hoje, há mais de R$ 4 trilhões de dinheiro poupado. Isso é dinheiro suficiente para abrir qualquer negócio. As pessoas que pouparam esse dinheiro estão procurando (geralmente por meio de seus bancos) onde investi-lo com bom retorno.

Então, em uma economia moderna, encontrar capital para investimentos com perspectiva de lucro não é o problema

Assim, voltemo-nos agora para a segunda condição apresentada: o que poderia determinar a perspectiva de lucro de um negócio?

Causas da perspectiva de lucro

Pressupondo que haja demanda dos consumidores pelo produto em questão, existem aqui também dois fatores principais. 

O primeiro é o nível da concorrência. Ao abrir uma nova padaria, o empresário não procura uma região onde há poucas padarias? Ou onde as que existem são muito mal avaliadas pelos moradores ao redor? O mesmo não vale para uma nova academia? Uma empresa de telefonia? Um escritório de advocacia? Ou para qualquer negócio?

Empreendedores em qualquer área procuram um público mal atendido pelos empreendedores atuais. Afinal, ter poucos concorrentes ou ter concorrentes fracos é sinal de lucro, e é lucro que o empresário está buscando. 

Agora vejamos o segundo fator que pode afetar sua perspectiva de lucros: exigências legais.

Se para poder operar em um determinado mercado for exigido o cumprimento de exigências legais muito custosas, isso diminui significativamente as perspectivas de lucro do negócio. Adquirir licenças, arcar com todas as imposições, contratar contadores e advogados, pagar taxas de operação, lidar com os papeis, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos — tudo isso custa caro e pode tornar o negócio inviável. 

Ainda pior são os casos em que é necessária autorização de algum órgão regulador antes de começar a operar, e esse órgão restringe o número de licenças concedidas. Isso cria um tipo de leilão pelas licenças disponíveis, encarecendo a operação do novo negócio já de início. O grande exemplo é o já muito debatido caso dos táxis, mas há também o da telefonia, o de instituições financeiras e diversos outros.

E, por fim, o pior dos cenários é o da proibição total, como a lei que proíbe que haja concorrência aos Correios em alguns de seus serviços, que age como um custo impagável que inviabiliza qualquer tentativa de negócio.

Repare como os dois fatores agem de forma independente. De nada adianta os concorrentes serem fracos se as exigências legais forem custosas. E de nada adianta as exigências legais serem brandas se o mercado já está saturado. 

O negócio só será lucrativo ao empreendedor em um mercado de concorrentes fracos (ou inexistentes) e exigências legais brandas (ou inexistentes).

Cena 1, tomada 2

Agora, vamos refazer o roteiro levando tudo isso em conta. 

Temos uma situação inicial de um mercado com diversas empresas, cada uma delas com uma lucratividade diferente. Precisaremos analisar o desenrolar da situação inicial sob dois cenários diferentes: um em que os custos de cumprir as exigências legais são altos, e outro em que eles são baixos.

Já que as empresas têm taxas de lucro diferentes entre si, veremos fusões e aquisições entre elas, reduzindo o número de concorrentes. A redução no número de concorrentes leva a uma piora na concorrência, o que por sua vez leva a uma deterioração na qualidade do produto e a uma escalada nos preços.

No primeiro cenário em que os custos vindos das exigências legais são altos, novas empresas não entram porque não é lucrativo operar neste mercado. O número de empresas segue reduzindo até que surge um cartel ou monopólio, prejudicando ainda mais a situação dos consumidores.

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 Representação da evolução de um setor econômico em que é necessário cumprir exigências legais de alto custo (setor fortemente regulado pelo estado)

No segundo cenário, o de custos baixos para o cumprimento das exigências legais, também temos inicialmente empresas com diferentes taxas de lucro entre si, as consequentes fusões e aquisições, e a redução no número de concorrentes. Depois disso, temos também uma piora no nível da concorrência.

Mas lembre-se: quando a concorrência é fraca e o custo das exigências é baixo, as perspectivas de lucro no setor aumentam.

Com isso, temos a entrada de novos competidores, o que eleva de novo o número de empresas concorrentes, o nível da concorrência, e a qualidade do produto para o consumidor. Voltamos à situação inicial.

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 Representação da evolução de um setor econômico em que não é necessário cumprir exigências legais de alto custo (livre mercado)

Isso quer dizer que, quando as exigências legais de operação não são um obstáculo à entrada de novas empresas, o cenário inicial, do ponto de vista dos consumidores, é um cenário recorrente. Qualquer desvio dele é a própria causa de sua correção. Empresas vêm e vão, mas os níveis de concorrência, preços e qualidade do produto se mantêm estáveis. Aqui é onde o sonho dos liberais de um mercado que se autoajusta para o bem da população se torna realidade.

Objeções comuns

Diferentemente do que pensa a maioria, o que previne monopólios não é a ação do estado, mas justamente sua não-intromissão nos mercados. 

Quanto menos custoso for cumprir com suas exigências regulatórias, mais rápido é o ajuste feito pela entrada de concorrentes. A melhor forma de preservarmos a saudável concorrência entre produtores é não permitir que o estado  regule os produtores com leis, regulamentos e exigências.

Algumas pessoas, no entanto, enxergam possíveis problemas com essa solução. 

Em primeiro lugar, muitos veem essas exigências estatais como essenciais para o bom funcionamento da economia. Se qualquer um pudesse se tornar motorista, os passageiros estariam em perigo com motoristas irresponsáveis. Se a ANATEL não estipulasse requisitos mínimos de qualidade, o sinal do telefone seria frequentemente fraco. E assim por diante.

Para essas pessoas, seria um dilema ter que escolher entre (a) um mercado com produtores regulados, mas com cartel ou monopólio, e (b) outro sem cartel ou monopólio, mas com produtores livres de regulação.

Só que é crucial ter em mente que existe uma alternativa à regulação estatal: a regulação de mercado. Com efeito, é impossível existir um mercado desregulamentado. As alternativas são: ou o mercado é regulado por políticos e burocratas, ou ele é regulado pelos consumidores.

Ambos os modelos de regulação têm o objetivo de tirar de mercado as empresas de produto insatisfatório e garantir bom preço e qualidade das demais. A regulação estatal faz isso por meio de leis e normas que encarecem a produção e, como vimos, causam o surgimento de monopólios.

Já a regulação de mercado faz isso por meio das escolhas dos consumidores: empresas escolhidas crescem e prosperam, empresas preteridas definham e morrem. 

Logo, é falso dizer que, se não fosse pela regulação estatal, não haveria regulação nenhuma.

Há também a ideia de que um pequeno novo entrante nunca conseguirá vencer um grande produtor estabelecido. O erro aqui é supor que um empresário não consiga ser lucrativo sem derrubar seus concorrentes. O livre mercado não é uma guerra que precisa ser lutada. O mercado é um ambiente de trocas voluntárias, e não é necessário destruir ninguém para realizar trocas voluntárias.

Eis um exemplo. Suponha que uma certa rede de supermercados inicialmente realize 100% das vendas do setor no país. Graças ao monopólio, o preço e a qualidade de seus produtos serão insatisfatórios para os consumidores. Entretanto, não há qualquer exigência legal à entrada de novos competidores — qualquer um pode abrir um mercado e começar a vender sem incorrer em custos que não sejam aqueles do próprio negócio.

Aqui, alguém diria que não haveria a entrada de novos concorrentes porque, apesar da concorrência ser fraca e de não haver custos legais de operação, ninguém conseguiria vencer a grande rede no Brasil inteiro. Mas isso é necessário? 

E se o Seu José, no pequeno município de Pindorama, resolvesse abrir uma vendinha concorrente? A vendinha seria lucrativa?

É óbvio que sim. Ele não precisa vender no país todo. O seu negócio será viável e lucrativo enquanto ele continuar recebendo os clientes do município insatisfeitos com a grande rede. 

Numa situação dessas, concorrentes locais surgiriam por todo o país, dando uma opção melhor aos consumidores. E a grande rede precisará melhorar o seu serviço por todo o país — ou então perderá clientes continuamente até sair do mercado sem ter sido “derrubada” por qualquer produtor em particular (e sim, a queda de gigantes é algo corriqueiro no capitalismo).

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O mercadinho do Seu Zé tem muito mais poder sobre o seu bem-estar e sobre a liberdade econômica do país do que você imagina

Conclusão

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações, é exatamente o estado. Normalmente, isso ocorre de uma maneira mais direta, por meio de regulamentações e exigências que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado. Mas também há maneiras mais indiretas, como subsídios a empresas favoritas, protecionismo via obstrução de importações, e até mesmo altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Já uma economia livre é muito mais orgânica do que as pessoas geralmente se dão conta. Empresas nascem, crescem, definham e morrem a todo instante. Como na biologia, esse processo é muito saudável para a economia como um todo, um processo de constante auto-rejuvenescimento, mesmo que não seja sempre bom para cada empresa em particular.

Reza a lenda que quando o Ministro das Finanças francês no século XVIII Jean-Baptiste Colbert perguntou a comerciantes o que ele poderia fazer para fomentar ainda mais o comércio e a economia da época, um deles respondeu: “Laissez-nous faire”, ou “deixe conosco”, ou ainda “deixe fazer”. Ao que tudo indica, as intenções do ministro pareciam sinceras de realmente querer ajudá-los. Deve ter tido um espanto com a resposta de que o melhor era ele não fazer nada.

Muita gente até hoje se surpreende ao descobrir que o caminho do crescimento econômico sustentado depende muito mais do laissez-faire do que do mexer, revirar e reordenar. Entender as raízes do monopólio talvez ajude o leitor a perceber isso.

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76 comentários em “Quem realmente cria monopólios, oligopólios e cartéis?”

  1. Rapaz, comecei a ler os primeiros parágrafos e tomei um susto! Pensei até que o site tinha sido hackeado de novo… rs.

    Muito bom artigo, como de praxe. Um dos clichês mais persistentes, e que inclusive é acreditado até mesmo por muitos “liberais” é esse de que o livre mercado gera monopólios. Mas aí você pede um só exemplo e o cara cita Google…

  2. Cartéis não são problemas per se. Só passam a ser problemas quando são criados pela regulação estatal. A OPEP é um cartel mas, até onde sei, nenhum governo mundial criou uma regulação mundial sobre petróleo e derivados e fomentou a OPEP. Exemplo foi o avanço recente na extração do petróleo pelos Estados Unidos.

  3. A cabeça do burocrata

    Se uma empresa pratica um preço muito alto, é monopólio e ela deve ser destruída.

    Se pratica um preço muito baixo, é concorrência predatória e ela deve ser processada.

    Se pratica o mesmo preço das demais, é cartel e ela deve ser multada.

    Observe que para os detratores, nunca jamais haverá um arranjo aceitável em uma economia de mercado

  4. Ok, algumas perguntas sobre concorrência para os “expérts” em economia do IMB.

    Como é que a Dollynho vai competir com a Coca?

    Como é que o pão de queijo da dona Cledna vai competir com o Starbucks?

    Como é que a barraquinha de hambúrguer do Jocas vai competir com o McDonald’s?

  5. O mais irônico é que aqueles que são considerados os “grandes monopolistas" da história americana foram, na prática, os maiores benfeitores dos consumidores:

    1) Andrew Carnegie conseguiu, praticamente sozinho, fazer com que o preço do aço para ferrovias caísse de $160 por tonelada em meados dos anos 1870 para apenas $17 por tonelada já ao final dos anos 1890. 

    Dada a importância do aço para uma economia moderna, essa brutal redução dos preços gerou maior riqueza e um maior padrão de vida para todos.  Carnegie era tão eficiente que as 4.000 pessoas que trabalhavam em sua planta na cidade de Pittsburgh produziam três vezes mais aço do que os 15.000 trabalhadores da Krupp alemã, o mais moderno e renomado grupo industrial da Europa.

    2) John D. Rockefeller foi capaz de reduzir o preço do querosene de $ 1 por galão para $ 0,10 por galão. As pessoas finalmente passaram a poder iluminar suas casas. 

    Rockefeller também desenvolveu 300 produtos a partir dos resíduos que sobravam após o petróleo ter sido refinado.  As alegações de que Rockefeller era um competidor “desleal” (seja lá o que isso signifique), a lamúria típica daqueles incapazes de ofertar um produto a preços que agradem aos consumidores, foram enterradas definitivamente meio século atrás pelos estudos de John S. McGee publicado no Journal of Law and Economics.  (John S. McGee, “Predatory Price Cutting: The Standard Oil (N.J.) Case,” Journal of Law and Economics 1 [Outubro 1958]: 137-69). 

    3) James J. Hill cresceu na pobreza, mas suas habilidades empreendedoriais moldaram a Great Northern Railroad, uma linha férrea que ligava St. Paul, Minnesota, a Seattle, um enorme sucesso empresarial feito absolutamente sem qualquer subsídio governamental. 

    Em 1893, quando as ferrovias subsidiadas pelo governo foram à falência, a linha férrea de Hill não apenas foi capaz de cortar suas tarifas, mas também de colher lucros substanciais.

    4) Em 1798, o governo do estado de Nova York havia concedido a Robert Livingstone e Robert Fulton o monopólio da operação dos serviços de barcos a vapor pelo período de trinta anos.  Mas Cornelius Vanderbilt foi contratado para gerir esse transporte entre New Jersey e Manhattan, como forma de desafiar aquele monopólio.  Vanderbilt não apenas conseguiu se esquivar das perseguições do governo, como também cobrava apenas um quarto da tarifa praticada pelos monopolistas.

    Depois que uma decisão judicial em 1824 derrubou o monopólio concedido pelo estado de Nova York a esse tipo de transporte, a tarifa de uma viagem entre a cidade de Nova York e Albany, a capital do estado, despencou de sete dólares para três.  O trecho Nova York-Filadélfia, que custava três dólares, caiu para um.  Os viajantes que iam de New Brunswick para Manhattan agora pagavam apenas seis cents, e comiam a bordo de graça.  Quando Vanderbilt moveu suas operações para o Rio Hudson, ele cobrava uma tarifa de dez centavos, em contraste aos três dólares que até então eram cobrados pelos concorrentes. Pouco depois ele decidiu abolir completamente suas tarifas, custeando sua operação exclusivamente com a receita adquirida dos serviços a bordo, os quais ele alugava para outras empresas.

    Vanderbilt também sobrepujava duas outras empresas de barcos a vapor que levavam passageiros e mercadorias para a Califórnia.  Elas cobravam $600 por passageiro por viagem.  Vanderbilt, novamente sem qualquer subsídio, cobrava $150 por passageiro, e absolutamente nada para entregar as mercadorias.

    "Monopolistas" assim eu quero para sempre.

  6. “Só que é crucial ter em mente que existe uma alternativa à regulação estatal: a regulação de mercado. Com efeito, é impossível existir um mercado desregulamentado. As alternativas são: ou o mercado é regulado por políticos e burocratas, ou ele é regulado pelos consumidores.”

    Sim. Quanto menos um mercado é regulado — ou seja, quanto menos um mercado é restringido — pelo governo, mais ele é regulado pelas forças do mercado (pense em restaurantes, padarias, barbearias, manicures, oficinas mecânicas, borracharias, lava-jatos, hamburguerias, lojas, comércio em geral e todo o setor de serviços etc.). 

    Inversamente, quanto mais restrições governamentais, menor é a regulação pelas forças do mercado, e piores tendem a ser preço e qualidade (mercado bancário, aéreo, elétrico, petrolífero, postos de gasolina, telefonia celular etc.).

    Há um trade-off direto entre ambos.

    Nunca haverá uma escolha entre regulação e ausência de regulação.  Sempre haverá uma escolha entre dois tipos de regulação: regulação feita por políticos e burocratas, ou regulação feita pelas forças do mercado (consumidores). Regulação feita por decretos, ou regulação feita pela liberdade de escolha.

  7. Boa noite, mas e se três lojas( 1 2 e 3), por exemplo, se juntam, e aumentam o preço, mas quando aparece uma com preço mais baixo (loja A), essas tres abaixam mais ainda, falindo a loja A. E aí? Por exemplo: Antes do monopólio, variação: R$20 – R$30, mas essas tres vendem por R$50. Se aparecer alguem com R$20 – R$30, eles abaixam para R$10 ate a falir, depois voltam nos R$50?

  8. Salvo engano foi o que aconteceu com a Hyundai quando chegou ao Brasil com o seu HB20. (esse exemplo das empresas 1, 2, 3 e a entrada de um novo concorrente A, a diferença é que não o tiraram do mercado, o cooptaram para fazer parte da MAFIA)

    Repetindo, salvo engano, a ideia dos asiáticos era vender o carro pelo “preço justo” compatível com os custos de impostos e tudo mais e o valor do veículo recém lançado sairia menos de 18000 na versão de entrada e a topada com os opcionais não chegava a 30000. Porém… Fiat, Ford, Chevrolet, Renault… “cara, deixa de ser tonto, se você fizer isso você quebra a gente! Pode colocar no minimo 32000 na versão de entrada, os brasileiros SÃO OTARIOS e pagam valores absurdamente abusivos pelos automoveis!”

    Alguém pode me explicar como um carro que é produzido e fabricado no Brasil, como o Gol, pode viajar centenas de km e ser vendido no exterior mais barato do que aqui? Sei dos impostos abusivos do nosso governo, uma tributação escomunal, custos de operação e maquinario, sei de tudo isso, mas a ganância exacerbada das montadoras não entra nem um pouco nessa conta? Nada me tira da cabeça que esses putos partem para a tática do “se colar colou”. Lançam um carro, colocam um preço estratosférico nele e esperam a população comprar, afinal, já estamos acostumados a sermos engrupidos pelas montadoras mesmo. Depois que viram que vende, já era. Vai ser aquele preço mesmo e boa. As

  9. Na América país, o pessoal tá pegando no pé do Jeff Bezos, da Amazon.

    http://www.thenation.com/article/politics/amazon-bezos-pandemic-monopoly/tnamp/

    Entre outras coisas, estão acusando a Amazon de explorar trabalhadores, fornecedores e pequenas empresas, além de abusar de sua posição de monopólio, blá blá blá

    Aí eu fiquei me indagando: e alguém é obrigado por lei a comprar pela Amazon? Ou a trabalhar junto com ela? E mais, quem é que prendeu todo mundo em casa e, com isso, aumentou muito a demanda por entregas a domicílio?

    Agora até o congresso entrou na jogada…

  10. Falando em monopólios, até antes do contrabando de sementes da seringueira para fora da Amazônia, como que a borracha era comercializada? Era exportada para Europa e EUA de onde?

    O termo usado “Paris of the tropics” para Manaus era real à época? Por que depois que levaram as sementes para a Ásia, o Brasil perdeu protagonismo na borracha? Para quem não sabe, hoje o Brasil importa borracha.

    Esses ciclos causados por uma súbita valorização de commodities são causados pela descoberta de um produto ainda escasso, então o que provoca o seu maior preço inicial? O mesmo eu acho que ocorreu com o café (e açúcar com o Nordeste). Muitas cidades do interior paulista ainda guardam os casarões de pessoas que ficaram ricas com o café. No contexto de hoje, isso ainda seria possível?

  11. Dúvida: se o mercado não regula e não determina requisitos básicos, corremos o risco de alguma empresa fabricar um produto que a princípio demonstre qualidade com preço competitivo mas que eventualmente possa trazer prejuízo a saúde do consumidor?

    Por exemplo um celular ou dispositivo eletrônico que emita níveis de radiação acima do tolerável ou um alimento que contenha algum ingrediente que prejudique a saúde no longo prazo. Talvez levaria muito tempo para mercado identificar essas ameaças a ponto de milhares de pessoas serem prejudicadas?

  12. JEFFERSON LELIS FERREIRA

    Acerca da “resposta da charada”, proponho o seguinte problema, a fim de estender o debate.

    A entrada de novas empresas impossibilita a formação de monopólio num mercado totalmente desregulado. Essa é a tese.

    O problema é o seguinte. Com afirmar esse argumento em função das seguintes variáveis: a) a marca da empresa já consolidada no mercado e a confiança do consumidor; b) a tecnologia de que dispõe de forma exclusiva e a relação com a qualidade diferenciada de seu produto; c) o capital de que dispõe para suportar prejuízos e satisfazer despesas; d) capacidade para traçar estratégia de marketing; e) acesso a financiamento em função da credibilidade junto ao setor financeiro.

    Noto que o artigo não faz referência a nenhuma fonte científica que tenha enfrentado essas variáveis, se é que o autor do artigo me entende.

    Solicito a reformulação da tese.

    Atenciosamente.

  13. Concordo 100%.

    Dúvida:

    O que dizer daquelas ruas na cidade de São Paulo nas quais praticamente todas as lojas pertencem ao mesmo ramo?

    Temos a rua dos eletrônicos, a rua dos vestidos de noiva e assim por diante.

    Por que eles buscam um local que já tem muitos concorrentes em vez de um com poucos?

    Para dividir alguns custos e atrair mais clientes?

    * * *

  14. Só faltou um violino tocando ao fundo do texto. Esqueceram de mencionar práticas de carteis de dumping (derrubar preços a baixo do custo de produção para quebrar concorrentes), alinhamento de preços, divisão de mercados e clientes, sabotagem industrial. Tudo isso sem intervenção estatal. Pessoal acha q só o estado é malvadao. A iniciativa privada são todos idôneos e competidores saudáveis.

  15. Mas o mercado é mundial, certo? Então por exemplo, como uma empresa pequena vai crescer e competir com uma gigante de automóveis como Toyota, Chevrolet etc, se um determinado país eventualmente seguisse as regras do livre mercado, mas outro não ( ajudando, protegendo a empresa dele) como isso iria funcionar ?

  16. Ezequias Moraes da Rocha

    Há muito tempo temos este problema no nosso país em relação aos combustíveis ,não existe concorrência, somente a Petrobras faz a distribuição e quando os valores aumentam muito na bomba, eles falam que da refinaria saiu por x mais chegou na bomba por outro valor, como não existe concorrentes eles é quem dominam todo o mercado e somente quem ganha com isso são os seus acionistas por isso nós deveríamos ter nessa área muito mais concorrências.

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