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sexta-feira, 18 6aio 2012
20º Podcast Mises Brasil - Lucas Mendes

logo_baixa.jpgENTREVISTA 20 -- LUCAS MENDES

Criador do blog Austríaco, um dos primeiros no Brasil a divulgar a Escola Austríaca, Lucas Mendes é estudioso do pensamento liberal, mas se declara um pessimista com relação ao avanço das ideias liberais no país dada a cultura de intervenção presente na política, na economia, no direito, nas universidades. 

"A hegemonia da filosofia intervencionista na economia, da filosofia intervencionista no direito, é uma coisa que me aterroriza. É uma hegemonia muito grande que se transforma num fenômeno cultural. E se a gente pensar no Brasil, fico muito desestimulado porque é uma luta desleal. É uma luta da tentativa de razão, de elucidação, contra uma nuvem cultural muito forte, muito pesada, e por isso eu não muito otimista com relação ao avanço do liberalismo no Brasil", afirmou.

Economista com MBA em Gestão Empreendedora em Negócios, além de mestre em Filosofia (Ética e Política) pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), Lucas nos conta em entrevista ao Podcast do Mises Brasil como passou de universitário esquerdista e depois keynesiano a empolgado estudioso da Escola Austríaca que o fez elaborar uma monografia de conclusão do curso de economia em que fazia uma análise comparativa entre a teoria de Nikolai Kondratieff e da Escola Austríaca de Economia no que se refere ao ciclo econômico (pode ser baixada aqui).

Lucas também narrou as suas discusses dentro de sala de aula na universidade quanto questionava as teorias intervecionistas lecionadas pelos professores, comentou o teorema da não-agressão de Murray Rothbard, e explicou de que forma a concepção de Hayek na obra Lei, Legislação e Liberdade, sobre a qual escreveu uma série de artigos junto com o professor da FGV-SP, Bruno Salama, viabiliza ou se choca com a posição libertária se levarmos em consideração nosso ambiente de leis estatais. 




  • Lucas Mendes  18/05/2012 08:23
    Ops! Quis dizer que o ciclo é um fenômeno 'de origem' monetária.
  • mcmoraes  18/05/2012 08:28
    Lucas, eu queria ter visto a cara do seu professor quando mandou vc estudar Biologia :)
    Parabéns pela bela entrevista!
  • Roberto Chiocca  18/05/2012 12:31
    Muito bom o podcast Lucas! E, Bruno, muito boas intervenções!
    Lucas, você já leu o "Liberdade e a Lei" do Bruno Leoni?
  • Bruno Garschagen  18/05/2012 15:57
    Obrigado pelo feedback, Roberto. Abraços!
  • Borges  18/05/2012 13:54
    Qualquer estudante de economia pode se identificar com o percurso descrito pelo Lucas!
  • Lucas Mendes  18/05/2012 13:59
    Obrigado pelas palavras gentis.

    - Roberto, tenho o livro, mas não fui além dos tres ou quatro primeiros capítulos.
  • luis roberto trench  13/02/2014 22:54
    Quero parabenizar o filósofo Lucas Mendes pela criação do Site Austríaco. Sou descendente de austríaco ( bisavó Helen Stecher ) além de ingleses ( Trench ) e espanhóis. Sou Crítico de Música Erudita conhecido e consagrado, com citações academicas em teses de doutorado e em muitos livros, jornais e diversos meios de comunicação, incluindo rádio e Tv. Concorto plena e irrevogavelmente com o que diz sobre o intervencionismo desleal em nossa vida pública e economica. Sou porém menos pessimista, e acredito que as crises na história de um povo e que ajudam a mudar os direcionamentos, são a única espécie de intervencionismo legítimo pois vêm de DEUS, tanto os aparentemente bons como os aparentemente maus, pois que como ser absoluto está Deus acima do bem e do mal. A História comprova que muitos pensadores e cientistas, alem de líderes receberam suas idéias de um outro plano, e inclusos estão Francis Bacon, o criador do método experimental nas ciencias, Isaac Newton, e mesmo seu descendente científico, Albert Einstein, cuja teoria da relatividade, foi um Insight praticamente mediúnico que teve enquanto tocava uma sonata de Mozart em seu violino. E sem esquecer René Du Perron Descartes, propositante de uma "Ciencia Admirável" que lhe adveio através de seus sonhos com o "Espírito da Verdade". O Autor do DISCURSO DO MÉTODO, também teve um insight mediunico com seu COGITO ERGO SUN, após um dos sonhos com o Espírito da Verdade. Tudo para dizer que realmente existe uma realidade maior, advinda do alto e sob o comando de Deus e que fertiliza tanto homens influentes, como coletividades, assim como a chuva fertiliza a Terra, isso nos demonstra um estudo acurado das transformações históricas nos últimos quatro mil anos. Não devemos nos desesperar nem nos tornar céticos, tudo se transforma como acentou Lavoisier, outro inspirado, conduzindo a humanidade a um grau ascendente de progresso, não retilíneo, porém em espiral progressiva.
  • Nelson do Vale Oliveira  17/10/2014 19:07
    Parabéns ao IMB pelos excelentes artigos e excelentes entrevistas.
    Estou francamente impressionado com a qualidade das discussões feitas aqui.
    Devo, entretanto, alertar para o fato de que a interpretação de Hans Kelsen apresentada nesta entrevista está equivocada.

    O positivismo jurídico Kelseniano não reconhece a validade de qualquer norma jurídica.
    Esta é a acusação mais comum feita a ele, mas é difícil ler as obras do autor e continuar achando que seus críticos o compreenderam.
    O que ele faz é simplesmente separar o estudo do ordenamento jurídico tanto da moral quanto das ciências sociais.

    O positivismo jurídico kelseniano consiste na afirmação de que há um campo de estudo que consiste na análise interna de um ordenamento jurídico.
    Este seria, segundo o autor, o campo próprio do Direito.
    Neste sentido o positivismo jurídico de Kelsen afirma que dentro de um ordenamento deve haver sempre uma norma fundamental: a norma que determina a obediência ao próprio ordenamento.
    O jurista não legitima esta norma, ele a supõe.
    Ele não a supõe com o objetivo de conformar os demais seres humanos a sua visão, ele a supõe para compreender coerentemente o ordenamento.
    Uma vez aceita esta norma fundamental o ordenamento pode ser compreendido como um conjunto coerente de normas.
    Normas incoerentes são vistas como derrogadoras e derrogadas, nunca como simultaneamente válidas.

    A obra de Kelsen não justifica o totalitarismo.
    O autor nunca se filiou ao pensamento totalitário (apesar de infelizmente não ter abraçado - até onde eu saiba - o pensamento libertário).
    Ela simplesmente diz, por exemplo, que do ponto de vista do ordenamento jurídico nazista os campos de concentração não eram criminosos.
    Kelsen simplesmente estuda o direito de um ponto de vista "puro", ou seja, não levando em consideração questões externas.

    Um segundo ponto equivocado na entrevista é a suposição de que o estudo do direito é predominantemente positivista.
    O positivismo jurídico, repito, não é o mesmo que o positivismo de Comte.
    Kelsen é certamente um dos autores mais mal falados da ciência jurídica, apesar de ser também seu maior nome.
    Políticos e especialmente socialistas não apoiam e tampouco utilizam o pensamento kelseniano como fundamento teórico.
    De que serve uma teoria que afirma que o direito não tem fundamento algum, senão uma suposição arbitrária de que o ordenamento é válido?

    Tomemos um exemplo. Uma ciência jurídica tipicamente kelseniana não se perguntaria se é certo ou errado ao direito proibir o casamento homossexual. Esta pergunta não faz sentido dentro do direito. A questão é se é ou não proibido. Ainda que a questão inicial seja mais importante, Kelsen afirma que o direito não poderá respondê-la. Assim, estudar as ordens sociais, os ordenamentos normativos criados pelos homens não nos levará à resposta quanto à pergunta se eles são válidos ou não. Estudá-los nos permite compreende-los melhor, nada mais.

    Outro exemplo: a constituição diz que ninguém será considerado culpado até o transito em julgado de sentença penal condenatória.
    A lei da ficha limpa, no entanto, aplica sanções a quem ainda não foi condenado.
    Esta lei é constitucional?
    Kelsen responderia com base somente no ordenamento.
    Os juristas costumam, no entanto, utilizar também outros elementos de fora do direito.

    Note-se que Kelsen diferencia a ciência jurídica da jurisprudência.
    A jurisprudência, praticada pelos operadores do direito, não tem o propósito de estudar o direito, mas de utilizá-lo.
    Um homem pode usar o direito buscando fazer justiça.
    Outro pode usá-lo para obter poder.
    O cientista, diz Kelsen, quer simplesmente compreende-lo como um sistema internamente consistente.

    Subestimar Kelsen, a meu ver, é um erro.
    Isto porque ele apresenta uma teoria muito interessante para ajudar na compreensão do mundo dos homens.
    Mises estuda a ação humana, demonstrando que é possível estabelecer um pensamento dedutivo acerca dela.
    Durante 10 anos na academia eu nunca ouvi falar de Mises.
    Kelsen estuda Ordens Sociais, ou seja, conjuntos de regras e descobre que também aqui é possível um estudo dedutivo.
    Ouvimos falar de Kelsen no curso de direito, mas somente como o autor responsável pelo suposto erro do positivismo jurídico.

    O fato é que o trabalho cotidiano de advogados, juízes e promotores, ainda que se desse em uma sociedade anárquica, consistiria ao menos em parte em tentar compreender de forma coerente o conjunto de normas aceitas por determinadas pessoas.

    Nossa constituição, por exemplo, diz que não deve haver diferenças entre homem e mulher, salvo as previstas na própria constituição. Ela diz também que a união estável é reconhecida entre homem e mulher. Diz ainda que homem e mulher exercem igualmente os direitos na sociedade conjugal. Pergunto: admitindo hipoteticamente que nada mais é dito, esta constituição aceita o casamento homossexual? Esta é uma questão da ciência do direito.
    Advogados, juízes e promotores não se darão por satisfeitos com a resposta do positivista.
    Eles tratarão de transformar as normas postas para que se adequem a fatores que são exógenos ao direito.



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