Yale University - segunda-feira, 6 de novembro de 2017 20:00
O Professor membro honorário do Mises Brasil, Jeffrey Tucker, conduzirá o debate principal com o discurso em "porque todo o regulamento de trabalho deve ser revogado na Universidade de Yale.




Qual o padrão de vida em Auroville? A população tem acesso a uma grande variedade de bens e serviços? Se a pessoa ficar doente, ela tem pronto acesso a serviços médicos? Há escolas? Há universidades?

Isso meio que me lembra a experiência da cidade espanhola de Marinaleda, que passou a ser venerada pela esquerda como "exemplo de coletivismo que deu certo".

Primeiro,
assista ao vídeo. É rapidinho.

Assistiu? Então vamos lá.

Em primeiro lugar, você deve ter visto que se trata de um arranjo que não tem nada de novo ou original. É como se fosse uma comunidade amish (com 2.700 pessoas não pode ser uma cidade), na qual as pessoas subsistem e trabalham apenas para se alimentar.

Ali, como relatou a reportagem, há pleno emprego. Qualquer pessoa que quer trabalhar encontra trabalho.

Só que o padrão de vida ali é extremamente precário. Note o semblante das pessoas e veja se há algum conforto ali. Tem gente ali que nem tem dente (certamente não deve ter dentista na comunidade). O local é parecido com o interior do Piauí. O trabalho agrícola mostrado é totalmente precário e pouco produtivo. Não há nenhuma máquina no campo (ou seja, não há a "temida" acumulação de capital). Tudo o que eles conseguem fazer na cooperativa é transformar a colheita (pimenta, azeitona e alcachofra) em azeite. Isso é vida do século XIX. Isso é algo que pode ser classificado como "imune à crise"?

A veneração a este arranjo é a prova suprema de como as pessoas perderam completamente o senso de proporção. Não discuto que há quem goste de viver assim, e defendo totalmente a liberdade destas pessoas de fazerem isso. Mas dizer que aquela pobreza maranhense é um oásis invejável é de uma imbecilidade econômica grotesca.

Ademais, qualquer pessoa que goste de trabalhar muito sem poder usufruir os frutos do trabalho -- isso é, trabalhar duro de sol a sol mas viver sem conforto nenhum e sem usufruir da tecnologia moderna -- é adepta da escravidão voluntária. Nada contra; só uma constatação.

Mas dizer que quem vive ali sob aquelas condições de trabalho precárias está "bem" e que tal arranjo é um "oásis a ser imitado", bom, aí já é forçar bastante. Isso aí é desejo de retornar às condições de vida do século XIX. Bom proveito pra quem quer. Eu preferiria ser desempregado em Madri. A qualidade de vida é muito mais alta.
Isso segundo a Oxfam, esse portento da imparcialidade. Pergunta: você por acaso conhece a metodologia utilizada por essa Oxfam?

Segundo a bizarra metodologia da Oxfam -- que diz que 8 pessoas têm mais dinheiro do que metade da população mundial --, se você tirar um real do bolso e der para seu sobrinho de dez anos, ele vai ter uma riqueza maior do que "2 bilhões de pessoas somadas".

Sim, seu sobrinho instantaneamente passa a ser um magnata com mais riqueza que bilhões de pessoas juntas.

Como isso é possível? Porque a metodologia considera apenas a riqueza "líquida" (ou seja: patrimônio menos dívidas) das pessoas. E 2 bilhões de pessoas, tendo dívida, têm riqueza negativa.

Segundo essa metodologia, alguém que se formou em Harvard, vive num apartamento de cobertura em Nova York e ganha 100 mil dólares por ano mas tem 250 mil dólares em dívidas estudantis é mais pobre do que um camponês indiano que tem uma bicicleta, vive com um dólar por dia e não tem dívida.

Não importa se o cara de Harvard gasta centenas de dólares tomando McCallahan's 18 anos todas as vezes em que sai para a balada. Para a Oxfam, ele é mais pobre que o camponês indiano.

Ainda segundo esta metodologia, quando você compra um jatinho, você se torna imediatamente mais pobre. Como? Você acaba de assumir uma dívida de 25 milhões de dólares (incluindo juros) e adquiriu um patrimônio de valor de mercado de uns 20 milhões de dólares. Logo, você está 5 milhões de dólares mais pobre.

Para a Oxfam, quem viaja de jatinho usando financiamento é mais pobre do que quem viaja de ônibus pagando à vista.


Dica: não seja apenas mais um desavisado repetindo chavões ignorantes.

Classificar o "Relatório da Desigualdade" da Oxfam de farsa seria pouco
Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...
Juros não controlam inflação? Vou só deixar esse gráfico aqui, que mostra a variação da SELIC e dos preços livres mensurados pelo IPCA (os preços que são controlados pelo governo, de fato e obviamente, são imunes à SELIC).

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Observe que, quanto mais a SELIC (linha vermelha) cai, maiores vão se tornando o nível dos preços livres (linha azul).

Observe, mais especificamente, a queda ocorrida na linha vermelha de 01/2006 a 06/2013. E veja o que ocorre com a linha azul neste mesmo período.
Prezado Dempsey, o que é realmente uma piada é o seu conhecimento econômico. Este sim é plenamente jocoso, uma pândega só.

Primeiro você diz que:

"se um país "quiser reduzir/limitar todo o seu comércio externo apenas à venda de vacas, ovelhas e minério e, SÓ COM ISSO, comprar automóveis, o resultado é matemática e economicamente bem previsível: balança comercial negativa."

Nossa! Uma balança comercial negativa!

E daí? Qual é o problema de uma "balança comercial negativa"? Além de Nova Zelândia, EUA, Reino Unido, Canadá, e Austrália são países que chafurdam na miséria, pois têm setores externos deficitários há 40 anos. São miseráveis? Já os países da África e a Venezuela sempre tiveram superávits comerciais. São países invejáveis?

Comece entendendo esse básico: não existe isso de déficit comercial "entre países"; o que existe é uma população produzindo e outra população comprando. Por exemplo, os americanos compram dos mexicanos US$ 60 bilhões a mais do que os mexicanos compram dos americanos. Até onde se sabe, trata-se de uma ação completamente pacífica e voluntária. Os americanos voluntariamente compram produtos fabricados pelos mexicanos. Ninguém os obriga a isso. Nenhum americano é coagido a isso. Nenhum americano é agredido por isso.

Igualmente, você possui um "déficit comercial" com o supermercado que você frequenta ou com o restaurante em que você almoça — ambos os quais lhe fornecem bens e serviços em troca do seu dinheiro. Qual exatamente é o problema com este arranjo?

Segundo você, tal relação mútua e pacífica entre cidadãos do país A (compradores voluntários) e cidadãos do país B (vendedores voluntários) é deletéria para o país A e deve ser revertida. Trata-se do perfeito exemplo da mentalidade mercantilista, que acredita que, em uma transação comercial, só o lado vendedor ganha, e o comprador só perde.

O curioso é que, se este raciocínio realmente for levado a sério, jamais deveria haver uma única transação comercial na história do mundo. Quem iria comprar algo, se comprar é sinônimo de perder?

Este, aliás, é o problema de se ver a economia como apenas uma massa agregada de números, ignorando o indivíduo. Transações que, em nível individual, são benéficas para ambos os lados, repentinamente tornam-se deletérias quando analisadas agregadamente. Algo completamente sem sentido.

Aliás, é curioso que Nova Zelândia sempre teve déficit comercial e o Brasil sempre teve superávit comercial. Pela sua lógica, era para o Brasil ser invejável e era para a Nova Zelândia estar chafurdando na miséria. Né?

Mas piora. Você diz que:

"NZ é um país que apresenta, desde 1970, uma balança comercial permanentemente negativa (saem mais riquezas do país do que entram = empobrecimento)."

Isso é de uma ignorância avassaladora. Se um país está importando mais do que exportando, isso significa que mais riquezas estão entrando no país. Por definição. País que importa mais do que exporta tem uma população repleta de bens de consumo à sua disposição. Além dos bens produzidos internamente, ela ainda tem à sua disposição os bens produzidos por outros países. Sua população vive na abundância.

Já um país que exporta mais do que importa tem sua população vivendo na escassez. Os bens produzidos no país são mandados para fora e não são contrabalançados por outros bens que entram no país. Ou seja, o que é produzido internamente é mandado para fora e não é suprido por importações. Consequentemente, a população usufrui menos do que aquilo que ela própria produziu.

Sua população vive numa escassez.

Se você levasse seu raciocínio (tosco) à sua conclusão lógica, diria que os países africanos são pujantes (eles exportam muito e não importam nada). Aliás, a Venezuela deve ser de uma riqueza só, pois exporta muito petróleo e não importa nada. E
sempre uma balança comercial positiva. E diria também que EUA, Reino Unido, Canadá, Austrália e Nova Zelândia são países que chafurdam na miséria, pois têm setores externos deficitários há 40 anos e suas moedas são fortes.

É cada ignaro que despenca por aqui:

Por que economistas são histéricos em relação à balança comercial?

Países não comercializam com outros países; apenas indivíduos o fazem

Qual o benefício de exportar mais do que importar?

Sinceramente, apesar da linguagem clara e bem humorada utilizada neste artigo, onde segundo seus autores tudo acontece através de "mágicas" e "magias", como se não existissem leis econômicas, que não são nem um pouco mágicas, mas resultado objetivo de fatos e dados matemáticos da realidade, acredito que SÓ FALTOU serem ditas duas coisas:

1) commodities, por serem produtos primários, sempre tiveram preços mais baixos, no comércio internacional, comparados aos preços dos produtos secundários (industrializados), os quais possuem um VALOR AGREGADO muito maior;

2) automóveis, por mais "especializada" que seja a economia rural, agrícola ou mineral de um país, se este país primário quiser, da forma mais "livre" possível, sem qualquer interferência estatal, quiser reduzir/limitar todo o seu comércio externo apenas à venda de vacas, ovelhas e minério e, SÓ COM ISSO, comprar automóveis, o resultado é matemática e economicamente bem previsível: balança comercial negativa.

A comprovação do meu argumento pode ser encontrada nos dados objetivos do COMÉRCIO EXTERIOR da Nova Zelândia (algo que não abrange "mágica" alguma), pois a NZ é um país que apresenta, desde 1970, uma balança comercial permanentemente negativa (saem mais riquezas do país do que entram = empobrecimento). Este dado está associado a uma crescente dívida externa, que também, desde 1996, não parou de crescer até agora 2017. Podem examinar aqui
pt.tradingeconomics.com/new-zealand/current-account e aqui pt.tradingeconomics.com/new-zealand/external-debt.

Em resumo, das duas uma:

1) ou os autores deste texto realmente queriam contar "uma piada" para nós, uma forma jocosa de dizer que países com "toda" sua pauta de exportações concentrada no setor primário precisam fazer "mágica" para enriquecerem;

2) ou os fundamentos e as leis da economia mudaram recentemente, de uma forma tão radical, que até mesmo uma pequena republiqueta do Pacífico (desculpem-me a redundância), uma pequena ilha "especializada" apenas em plantar bananas, poderá enriquecer e ter "toda" sua população motorizada e com carros na garagem.

Diante disso tudo, o que os autores poderiam dizer sobre a REVOLUÇÃO DA INFORMAÇÃO?

Se antes, bastava ter terra, capital e trabalho como fatores "antigos" geradores de riqueza, hoje é essencial possuir um 4º ingrediente: CONHECIMENTO - ciência, tecnologia, inovação (só os países que conseguirem desenvolver esse 4º fator é que terão riqueza e prosperidade de modo sustentável, sem dívidas e sem balanças comerciais negativas).

E tudo isto acima, digo sob o pressuposto de uma LIBERDADE "ABSOLUTA" na economia, sem qualquer intervenção estatal. O que digo acima é sob o pressuposto de sociedades livres que "escolham": ou plantar bananas (SÓ ISSO), ou desenvolverem sua própria revolução do conhecimento.
Certamente é porque o "argumento" dele é ainda mais tosco e infantil do que os argumentos tradicionais dos defensores do socialismo.

Como assim um "conselho de trabalhadores da indústria do couro irá decidir por voto majoritário qual será a produção de couro tão logo outros conselhos burocráticos já tiverem estipulado quais deverão ser o consumo de couro"?!

É sério isso?

Como, por favor me diga, haveria uma alocação racional de couro sem um sistema de preços? Você realmente acredita que tal arranjo não levaria nem a desperdícios e nem a escassezes?

Muito bem, vamos supor que os socialistas tenham sido capazes de criar um poderoso exército de cidadãos genuinamente ávidos para seguir todas as ordens de seus mestres, os planejadores socialistas.

Fica a pergunta: o que exatamente esses planejadores mandariam esse exército fazer? Como eles saberiam quais produtos seus escravos deveriam produzir? Em qual etapa da cadeia produtiva cada exército deveria trabalhar? Quanto de cada produto deve ser produzido em cada etapa da cadeia de produção? Quais técnicas ou quais matérias-primas devem ser utilizadas na produção como um todo? Qual a quantidade de matérias-primas a ser utilizada? Onde especificamente fazer toda essa produção? Como eles saberiam seus custos operacionais ou qual processo de produção é mais eficiente?

O comitê de planejamento central não tem como responder a essas perguntas, pois o socialismo não dispõe daquela indispensável ferramenta que só existe em uma economia de mercado, e a qual empreendedores utilizam para fazer cálculos e estimativas: existência de preços livremente definidos no mercado.

Sem propriedade privada dos meios de produção não há como estabelecer preços no mercado. Se os meios de produção (fábricas, máquinas e ferramentas) não possuem proprietários definidos (eles pertencem ao estado), então não há um genuíno mercado entre eles. Se não há um mercado entre eles, é impossível haver a formação de preços. Se não há formação de preços, não há cálculo de lucros e prejuízos e, consequentemente, não há como direcionar o uso de bens de capital para atender às mais urgentes demandas dos consumidores da maneira menos dispendiosa possível.

Sem preços livres, e sem poder fazer cálculo de custos, é impossível haver qualquer racionalidade econômica, o que significa que uma economia planejada é, paradoxalmente, impossível de ser planejada.

Sendo assim, as decisões do comitê central necessariamente teriam de ser completamente arbitrárias e caóticas. Caso seja aplicado, o socialismo resultará invariavelmente em uma irracional alocação de recursos na economia devido ao estabelecimento artificial e arbitrário de preços pela autoridade governamental, culminando em escassez generalizada de bens.

Consequentemente, a existência de uma economia socialista planejada é literalmente "impossível".

Outra coisa: no mundo real, a informação está dispersa entre uma imensidão de indivíduos. Por isso, somente os indivíduos que possuem esses fragmentos de informação podem estabelecer uma ordem de mercado espontânea e descentralizada capaz de suprir as demandas existentes de maneira eficaz, criando um sistema de preços que coordena as ações individuais das pessoas na sociedade.

Por exemplo, apenas o proprietário de uma fábrica em Novo Hamburgo pode saber de detalhes muito específicos sobre as máquinas de sua linha de produção; é impossível que os planejadores centrais encastelados em Brasília tenham esse mesmo conhecimento. É impossível que esses planejadores socialistas encastelados em Brasília tenham como levar em conta esses detalhes conhecidos apenas pelo proprietário da linha de produção.

E é impossível que, não sabendo destes detalhes, eles possam planejar "eficientemente" a economia, direcionando, por meio de decretos, os recursos e os fatores de produção do país para as finalidades que julgam ser as mais desejadas.

Tentar estabelecer um planejamento central econômico seria não só uma atitude presunçosa, mas extremamente danosa à sociedade, pois impossibilitaria que aqueles que possuem de fato as informações fizessem o melhor uso das mesmas.

O sistema de preços em uma economia de mercado pode ser visto como um gigante "sistema de telecomunicações", o qual rapidamente transmite os fragmentos essenciais do conhecimento de um ponto localizado até outro. Tal arranjo de "rede" só funciona bem se não for obstaculizado por uma hierarquia burocrática, através da qual cada fragmento de informação teria de fluir até o topo da cadeia de comando, ser processado pelos planejadores centrais, e então fluir de volta até os subordinados.

Por tudo isso, é impossível que o órgão planejador encarregado de exercer a coerção para coordenar a sociedade obtenha todas as informações de que necessita para fornecer um conteúdo coordenador às suas ordens. O planejador da economia teria de receber um fluxo ininterrupto e crescente de informação, de conhecimento e de dados para que seu impacto coercivo — a organização da sociedade — obtivesse algum êxito.

Só que é obviamente impossível uma mente ou mesmo várias mentes obterem e processarem todas as informações que estão dispersas na economia. As interações diárias entre milhões de indivíduos produzem uma multiplicidade de informações que são impossíveis de serem apreendidas e processadas por apenas um seleto grupo de seres humanos.
"Quanto ao restante de sua resposta, continuo discordando parcialmente, pois o valor de uma commodity não é unicamente correlacionada à moeda a ela atrelada, mas função de inúmeras variáveis. Os exemplos que passei são exemplos nos meus comentários acima de que uma commodity pode ter seu valor modificado quase que instantaneamente por fatores extemporâneos, estando à moeda forte ou não."

Aí voltamos ao ponto inicial: se o barril de petróleo encarece, por exemplo, 10% -- e nenhuma outra commodity segue esse comportamento -- então realmente pode ser algum problema de oferta ou mesmo de conflitos bélicos. Já se ele encarece 360% -- e todas as outras commodities seguem o mesmo comportamento -- bom, aí você só poderá dizer que isso é decorrente de escassez se todas as outras commodities não se alterarem de preço (ao menos, não sensivelmente).

Agora, se tanto o petróleo quanto todas as outras commodities encarecerem súbita e abruptamente, aí você pode ter a certeza de que o problema está na moeda. (A menos que você comprove que está havendo escassez também de ouro, trigo, soja, café, minério de ferro, laranja etc.)

"Permita-me um exemplo: A tintura vermelha para tingir tecidos na Europa era obtida a partir de polvos do Mediterrâneo. Portanto o preço era caríssimo e o vermelho era uma cor exclusiva das cortes europeias. Após o início da exploração do pau-brasil, o preço da tintura vermelha caiu. Com a excessiva exploração desta mercadoria o preço voltou a subir. De repente, um químico inventou a anilina e o preço da tintura vermelha caiu tremendamente, para nunca mais se recuperar. E, neste intervalo do tempo, aconteceram inúmeras guerras, países subiram e caíram, moedas dominaram e desapareceram e etc."

Exatamente o que respondi acima. Se houve queda acentuada de preço em apenas uma commodity específica, então de fato você pode falar ou choque de oferta e demanda.

Por essa linha, se o petróleo fosse a única commodity a ter encarecido na década de 1970, então você de fato estaria certo em dizer que se tratou de um choque de oferta. Só que a realidade mostra que não foi isso. Todas as commodities encareceram. Aliás, pesquise sobre a bolha imobiliária ocorrida nos EUA ao final da década de 1970. Os preços dos imóveis e dos terrenos estavam disparando. Fenômeno típico de inflação monetária e moeda em enfraquecimento.

Portanto, podemos dizer com 100% de certeza que o problema não estava na oferta, mas sim na saúde da moeda que cotava seus preços.

"Ah, mas os árabes restringiram a oferta!". Ok, então não apenas você tem de mostrar que isso sozinho encareceu o petróleo em 360%. E tem de explicar também por que todas as outras commodities foram junto.

Mais ainda: tem de explicar por que esses mesmos árabes repentinamente reverteram sua postura e fizeram afundar o preço do petróleo na década de 1980 (quando várias petrolíferas entraram em dificuldades financeiras por causa dos baixos preços; você deve se lembrar disso) e 1990. Convenhamos que, estrategicamente, isso não seria nada inteligente.

"Assim pergunto: qualquer que tenha sido a moeda âncora da comercialização do corante vermelho, o preço deste corante caiu por fraqueza desta moeda ou por conta de mudança tecnológica? No lugar de mudança tecnológica escolha qualquer outra das inúmeras variáveis que podem afetar a equação oferta X demanda."

Vamos de novo, pela terceira vez: se houve queda acentuada de preço em apenas uma commodity específica, então de fato você pode falar ou choque de oferta e demanda.

Por essa linha, se o petróleo fosse a única commodity a ter encarecido na década de 1970, então você de fato estaria certo em dizer que se tratou de um choque de oferta. Só que a realidade mostra que não foi isso. Todas as commodities encareceram. Pesquise também sobre a bolha imobiliária ocorrida nos EUA ao final da década de 1970. Os preços dos imóveis e dos terrenos estavam disparando. Fenômeno típico de inflação monetária e moeda em enfraquecimento.

Portanto, podemos dizer com 100% de certeza que o problema não estava na oferta de petróleo, mas sim na saúde da moeda que cotava seus preços.

"Outro exemplo: Ao contrário do que você falou, só ocorreram dois aumentos expressivos na década de 1970, ligados ao embargo árabe a partir de 1973, a revolução iraniana de 1979 e a Guerra Irã-Iraque."

Eis o gráfico da evolução dos preços do petróleo na década de 1970, década do dólar fraco. Nele, podemos observar o seguinte:

De 1973 a 1974: aumento de 253%.

De 1974 a 1977: novo aumento de 47%

De 1977 a 1980: novo aumento de 166%.

Por outro lado, eis o gráfico da evolução dos preços do petróleo na década de 1980. Observe que o petróleo cai de preço continuamente. A cada ano ele fica mais barato que no ano anterior.

Esta foi exatamente a década do dólar forte. Boa sorte para quem quiser mostrar que essa acentuada queda se deveu a algum choque de oferta.

"Terceiro exemplo: A revolução tecnológica do chamado fracking, para a produção de petróleo não convencional, disparou a produção diária dos EUA de cerca de cinco milhões de barris por dia em 2008 para mais de 10 milhões de barris por dia em 2015. Assim, a queda de preço de US$ 110 para os atuais US$ 50 foi resultado da inundação de petróleo no mercado, causado novamente por mudança tecnológica."

Eu chamaria isso de análise incompleta.

Se o petróleo barateou 54% por causa do fracking, então por que o minério de ferro desabou ainda mais de preço (em termos percentuais) nesse mesmo período? Lembra de como as mineradoras passaram aperto? E o ouro, que em 2011 chegou a custar US$ 1.900 a onça e, em 2015, já havia caído para US$ 1.100 a onça? Houve algum boom na descoberta de ouro? Houve algum boom na descoberta de minério de ferro?

Que o fracking teve sua contribuição, disso não há dúvida. Agora, dizer que ele e apenas ele fez os preços do petróleo cair 54%, e exatamente na mesma época em que o dólar se fortaleceu e todas as outras commodities (vide ouro e minério de ferro) também desabaram de preço?

Para terminar, não estaria você confundindo o efeito (dólar fraco ou forte) no preço de uma commodity com as inúmeras causas desta força ou fraqueza? Interligadas ou não e de origens as mais diversas? Afinal a febre é o efeito de uma infecção e não a causa."

Como tentei mostrar acima, comprovando a correlação entre movimento do petróleo com o do ouro e do minério de ferro -- o que mostra que, se houve escassez ou fartura de petróleo, então, por definição, tem também de ter havido igual escassez de ouro e minério de ferro --, acho que quem está confundindo causa e efeito é você.

A menos que você prove que escassez (abundância) de petróleo sempre coincide com escassez (abundância) de ouro, minério, soja, laranja, café, é melhor você mudar de teoria.

Saudações.