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Últimos comentários


Palavras da economista Monica de Bolle

Deflação não é desinflação, como tantos confundem. Desinflação é queda
da inflação. Deflação é queda generalizada
dos preços, forte sinal de desajuste
econômico e de erro na condução da política monetária. Desinflação pode ser comemorada. Deflação jamais.


Como pode isso?
Um bando de capitalistas, dentro de um sistema capitalista, pensando como capitalistas, falando que o "comunismo" não deu certo. Mas que comunismo não deu certo? E o serendipity?


MaxMilhas e Hotmilhas, sites de compra e venda de milhas áereas são excelentes exemplos de como o mercado é capaz de criar valor "do nada", em outras palavras, de criar uma situação onde todos ganham (ganha-ganha) onde não parecia existir nada. Algo que muitos simplesmente não conseguem compreender que existe.

Você tem milhas acumuladas de companhias aéreas e não irá consumir. As promoções de viagens com milhas são para lugares que você não tem interesse, ou em datas que não pode viajar. Mas ao mesmo tempo, existe uma pessoa que pode aproveitar aquelas promoções com milhas, só que não possui as milhas. Em uma terceira posição, surge a empresa intermediadora, que faz essas duas empresas se encontrarem e lucrarem, e com isso também consegue obter um pagamento.

Quanto mais pessoas essa intermediadora conseguir ajudar, maior o lucro dela. E todos ganham com isso. Algo que só o mercado é capaz de oferecer através do aproveitamento do conhecimento descentralizado.


Não existe deflação grátis. Iguais aos empréstimos com juros camaradas do BNDES.



Nada do que você disse está errado, só que nada tem relação ao artigo. O artigo em momento algum defende abolição do estado, e nem tampouco diz que só é possível haver livre mercado sem estado.

Deu a impressão de que você criou um espantalho apenas para ter algo a criticar.

No final, você diz que:

"Não quero tomar partido, apenas ressaltar que não há consenso dentro do liberalismo sobre o limite da intervenção estatal. Para o laissez-faire o estado deve ser zero. Para os liberais clássicos, mínimo.

Pra começar, sua definição é errada. Laissez-faire e estado mínimo são sinônimos. Quem defende estado nulo são os anarcocapitalistas.

De resto, seja o estado zero ou seja ele mínimo, nada afeta os princípios elencados pelo artigo, pois o estado mínimo só se preocupa com segurança e justiça, e em nada interfere naqueles nove princípios delineados.


Responder, respondeu, Pedro Ivo. O que eu vejo é a mesma coisa, só queria que não fosse assim. As pessoas entregaram-se à burocracia de uma tal maneira que não vejo saída tão cedo. Aí vem um adepto da auto-ajuda e me chama de pessimista, que se eu pensasse positivo as coisas seriam diferentes. Chamar alguém de pessimista é falta de argumento, não é o teu caso, óbvio.

A burocracia aprendeu a nos escutar sem agir ou reagir. Mesmo que tenhamos razão ninguém nos dará vez. Não pertencemos ao grupo dos escolhidos. Penso que este sistema possa ser mantido eternamente, pois até onde não havia intervencionismo tão gritante hoje já é notável seu crescimento brutal. A internet que parecia um terreno livre é mais cheia de restrições do que se imagina.

Não vou desistir, sigo tentando, mas a luta é árdua, garanto.

Valeu!


Bom texto.

Mas alguns pontos não são consenso entre economistas liberais e fazem parte da doutrina laissez-faire (que é um subgrupo do liberalismo, mas não é o liberalismo). O liberalismo clássico nunca foi laissez-faire. Muitos autores liberais clássicos (Hayek, Adam Smith) eram contra o laissez-faire.

O Hayek, o Adam Smith e outros liberais clássicos entendiam que o "laissez-faire" era utopia. Eles eram contra controle de preços, monopólios governamentais e políticas de intervenções estatais (protecionismo, subsídios). Mas não eram a favor da ausência de Estado. Conforme Hayek:


"O princípio fundamental segundo o qual devemos utilizar ao máximo as forças espontâneas da sociedade e recorrer o menos possível à coerção pode ter uma infinita variedade de aplicações. Há, em particular, enorme diferença entre criar deliberadamente um sistema no qual a concorrência produza os maiores benefícios possíveis, e aceitar passivamente as instituições tais como elas são. Talvez nada tenha sido mais prejudicial à causa liberal do que a obstinada insistência de alguns liberais em certas regras gerais primitivas, sobretudo o princípio do laissez-faire. (...) É importante não confundir a oposição a essa espécie de planejamento com uma dogmática atitude de laissez-faire. (...) O bom uso da concorrência como princípio de organização social exclui certos tipos de intervenção coercitiva na vida econômica, mas admite outros que às vezes podem auxiliar consideravelmente seu funcionamento, e mesmo exige determinadas formas de ação governamental. "

"É lamentável, embora não seja difícil de explicar, que no passado se tenha dado muito menos atenção aos requisitos positivos para um eficiente funcionamento do sistema de concorrência do que aos pontos negativos. O funcionamento da concorrência não apenas requer a organização adequada de certas instituições como a moeda, os mercados e os canais de informação - algumas das quais nunca poderão ser convenientemente geridas pela iniciativa privada mas depende sobretudo da existência de um sistema legal apropriado, estruturado de modo a manter a concorrência e a permitir que ela produza os resultados mais benéficos possíveis. Não basta que a lei reconheça o princípio da propriedade privada e da liberdade de contrato; também é importante uma definição precisa do direito de propriedade aplicado a questões diferentes."


A preocupação do Hayek era definir conceitos vagos (como "propriedade" e "agressão a liberdade de terceiros"), por isso ele e outros liberais clássicos admitiam que o sistema criasse regras para combater monopólios, por exemplo, desde que fossem regras gerais, claras e aplicadas a todos (e não ações arbitrárias):

"Nossa liberdade de escolha, no regime de concorrência, repousa na possibilidade de podermos procurar outra pessoa para satisfazer os nossos desejos, caso alguém se recuse a fazê-lo. Quando nos deparamos com um monopolista, porém, ficamos à sua mercê".

É uma preocupação que os defensores do laissez-faire (Milton Friedman) não tinham. E aparentemente nem esse texto. Eles entendiam que o Monopólio era culpa do Estado e seria solucionado pelo livre competição total. O que os liberais clássicos diriam que é utopia.

Não quero tomar partido, apenas ressaltar que não há consenso dentro do liberalismo sobre o limite da intervenção estatal. Para o laissez-faire o estado deve ser zero. Para os liberais clássicos, mínimo.


Prezado Ângelo, respondo sua pergunta com um depoimento pessoal.

Tive, num passado recente, ampla convivência com universitários (tanto estudantes quanto acadêmicos) do campo do direito (ou seja, elite intelectual, não econômica, do nosso Brasil), bem como de campos análogos ao direito (relações internacionais, administração pública, contabilidade, economia [que num certo sentido está afim ao direito]). Para resumir, campos que atuam muito em intervenção e regulação (portanto dá para incluir aí também os que conheci vindos da pedagogia, psicologia, jornalismo, assistentes sociais; enfim, Brasília é uma cidade funcionários públicos, de modo que mesmo atividades em geral ligadas ao profissionalismo-liberal, aqui, podem ser bem interventoras).

Todos eles estão direta ou indiretamente compromissados com a vertente positivista do direito, representada por ex. pelo Hans Kelsen e seuTeoria Pura do Direito.

Grossíssimo modo, Kelsen defende uma pureza metodológica para o direito, excluindo do conceito de seu objeto (o próprio Direito) quaisquer referências estranhas, especialmente aquelas de cunho sociológico e axiológico (os valores), por meio de uma linguagem precisa e rigidamente lógica, abstraindo do conceito do Direito a ideia de justiça, porque esta está sempre e invariavelmente imbricada com os valores (sempre variáveis) adotados por aquele que a invoca, não cabendo, portanto, pela imprecisão e fluidez de significado, num conceito de Direito universalmente válido.

O problema desta definição de direito é que ela é estritamente normativa, o que significa que direito é aquilo que foi normatizado e pode ser imposto como de curso obrigatório posto o estado tem o monopólio da lei, da aplicação da lei, da soberania sobre um território e da violência. Como também o tem da tributação e moeda, não tem problemas em se financiar para manter todos estes monopólios. E o direito é só isto: capacidade de normatizar e de se fazer obedecer pela simples coerção.

Ora, é muito cômoda esta posição. Para pegar o exemplo da moeda fiduciária e de curso forçado: não precisa justificativa. Faz porque pode.

Não requer uma reflexão mais acurada sobre origens e consequências. Pouco importa, inclusive, que as intenções manifestas para se criar uma lei fracassem: o fundamento da lei é a capacidade de faze-la e de obrigar seu cumprimento. Ter dado certo ou não é só um detalhe, pois não elimina a capacidade de fazer a lei (de novo, de novo e de novo, até "dar certo") e de pôr-la a ser cumprida.

Logo, respondendo à sua questão ("Saber disso os intervencionistas sabem, suponho. Mas será que eles manifestam sequer uma mínima vontade de desimplantar seu sistema vigente, ou assim como está fica bom? Porque há uma elite dominante no Brasil - econômica, não intelectual - que controla de certa forma a cena decisória dos acontecimentos"), "assim como está fica bom" porque o que interessa é a capacidade de criar o sistema e faze-lo cumprir.

Pode parecer simplista, e é, mas é como eles se comportam. Como não tem nenhuma formação sociológica ou econômica abrangente, não são capazes de nenhum raciocínio consequencialista (acerca da ligação entre intenções e resultados). Pior: quando você cita as inépcias, ingerências, equívocos e corrupções de agências reguladoras como a ANVISA, aparecem com aquelas frases prontas e sem qualquer conhecimento ou reflexão por trás, do tipo: "aí você bebe uma cerveja e morre; você toma um remédio e morre" (é sério: presenciei isto).

E não adianta você citar exemplos de regulação privada no livre mercado. Sempre há a saída do "isto é um caso particular", "não dá para generalizar este exemplo", "a iniciativa privada não tem sustentáculo moral para fazer isto porque busca o lucro", etc.. Tudo isto já vi, o que aliado a tese de que lei e direito é aquilo que for normatizado e que pode ser imposto, reduz o debate ao umbigo do debatedor.

Respondi ou compliquei?


Belíssimo artigo.

Saber disso os intervencionistas sabem, suponho. Mas será que eles manifestam sequer uma mínima vontade de desimplantar seu sistema vigente, ou assim como está fica bom? Porque há uma elite dominante no Brasil - econômica, não intelectual - que controla de certa forma a cena decisória dos acontecimentos. Grandes empresários dão discurso de liberais, mas não quebram seus cartões do BNDES, nem fecham suas contas em bancos estatais, nem deixam de participar de licitações de todo tipo.

Se o pai ensina o filho com exemplos, não temos exemplos de cima para, aqui de baixo, seguir. Vemos os grandes dando-se muito bem com intervencionismos estatais e queremos repetir o ato em escala menor. E a bola de neve segue aumentando. A bolha estoura, não estoura, estufa e murcha feito uma sanfona, e o baile segue.

Enquanto não furar o fole da sanfona, dá-lhe forró.


As doutrinas comunistas, fascistas e nazistas já "nasceram" mortas. O Livre Mercado é natural e necessário. Mas, diante das circunstâncias históricas, ocorrerá de maneira paulatina e segura, de modo a beneficiar a todos, proporcionalmente e de maneira justa.


Como assim, "era só para católicos" ?

Sua atividade básica era procurar judeus, muçulmanos ou qualquer um que não seguisse a "fé verdadeira". Na Espanha e Portugal ser católico era obrigatório, na França e Itália quase a mesma coisa.

Só faltou vc dizer que a inquisição fez um bem às pessoas que matou.


Allan, saudações, não esqueça que cartéis nada mais são que experimento dos empreendedores em busca de margem de lucro, etc., o problema está no fechamento do mercado, no impedimento de novos players.
Empreendedores quando fazem ou tentam fazer cartel, caso haja insucesso, sem problemas, ele - o empreendedor - terá que bancar, no caso do governo com seus monopólios, os problemas são socializados, ou seja, nós somos os pagadores.


Acho que o mais importante em Empreender hoje em nosso país está relacionado a 2 pontos fundamentais:
1- Informação de qualidade;
2- Bons contatos;

Eu gosto muito de informação de qualidade pois me inspira a escrever para meu mini site novo.

Parabéns e Obrigado.



Grato pela clara resposta, Leandro.

No caso de encolhimento do PIB, teríamos duas possibilidades:

a) no ano subsequente não poderia ter emissão direta de moeda pelo Governo. Além disso, a oferta monetária deveria diminuir no mesmo percentual da diminuição do PIB, por meio de venda de títulos pelo BACEN. Isso poderia evitar a inflação (ou estagflação), mas me parece que aí a recessão tenderia a aumentar... É isso mesmo?

b) apenas não poderia ter emissão direta de moeda pelo Governo, até que a inflação absorvesse o aumento da oferta monetária e houvesse novo crescimento do PIB.



Também não acho esse sistema ideal. Talvez apenas melhor que o atual e mais palatável do que outros que demandem mudanças mais bruscas. Talvez seja algo mais pragmático, um meio termo.



Não me parece uma ideia boa. Se num ano o PIB cresce 7,5% e no ano seguinte encolhe 3%, como ficaria a variação da oferta monetária? Seria uma montanha-russa totalmente instável e ainda mais propensa a gerar (e acentuar) ciclos econômicos.

Como disseram alhures, se a ideia for essa, muito melhor seguir o crescimento populacional. Ou então estipular uma taxa fixa -- tipo, 3% -- e mantê-la.

Mas não sou a favor de nem uma nem outra. Currency Board ou free banking seriam melhores.


O governo pode fazer isso em paralelo à iniciativa privada.

O que só serviria para mostrar o quão ineficiente é o estado, até mesmo para essas coisas mais 'básicas'



Leandro, se o parâmetro de aumento da oferta monetária é o crescimento PIB, o Governo poderia "imprimir" dinheiro diretamente sem gerar hiperinflação, limitado a este crescimento. Ou não?

Por que não fazer isso?

Ao menos não diminuiria a necessidade endividamento do Estado?

Obs.: replico esta pergunta que fiz no post anterior, pois aqui parece mais adequado.

Obrigado.


Seja bem vindo ao meu terror colega!

Também estou no 4º de Direito, e simplesmente não consigo entender as decisões irracionais do Judiciário, fora a total dissociação da realidade social dos textos legais, além é claro, dos ensinos totalmente alienados dados em sala de aula...um terrível pesadelo


Comunismo é uma cultura, não está em seu ponto mais saudável, se pegar um livro de economia de 70 anos atrás de um autor de opiniões ambíguas vai ler sobre planejamento central da economia como algo sério, mas está longe de morrer, Venezuela que o diga.


A pequena parte que vazou para a economia de fato foi parar nestes ativos que você citou, pressionando seus preços. Mas foi uma quantidade relativamente pequena.

A esmagadora fatia da base monetária expandida continua empoçada nos bancos. É só ver os indicadores monetários acima postados pelo Leandro.




Mas se o parâmetro de aumento de moeda for o PIB, o Governo poderia "imprimir" dinheiro diretamente sem gerar hiperinflação, limitado a seu crescimento. Ou não?

Por que não fazer isso?

Ao menos não diminuiria a necessidade endividamento do Estado?


Brasil é um país cheio de corajosos emprendedores e empresários competentes, sem esles, em condições de intervenção estatal similar ou mais branda pequenos carteis de bairros podem durar décadas. Qualquer bairro de classe média média na Grande SP tem muito mais opções de comercios que seus pares na Gran Santiago ou Gran Buenos Aires.


A Noruega é uma porcaria.

Eu já estive lá (e em quase todos os países da Europa; sou bem viajado). De todos os países escandinavos, a Noruega é de longe o pior.

A gasolina é a mais cara do mundo. As bebidas alcoólicas, distribuídas pelo estado, idem. Comer, então, é proibitivo. Dado tudo eram os olhos da cara, eu tinha de me contentar com o McDonald's (caríssimo também).

Mas nada se compara à surpresa que tive ao descobrir que eu tinha de pagar para poder sentar-me à mesa e comer!

Sério mesmo, se tem um país que é anti-pobre, esse país é a Noruega. Quem não tem dinheiro não come (se conseguir comprar algo, vai ter de comer em pé), não bebe e não anda de carro.

Comparado à Noruega, a Suíça é uma pechincha. E os EUA, então, são de graça.

Converta os preços para dólares e compare os preços dos produtos com os preços que são cobrados nos EUA.

É outra galáxia.

E não precisa confiar em mim não. Veja o relato de um universitário do Texas (estado rico) que foi pra lá. O sujeito quase virou mendigo. Três cervejas, US$ 57!

https://sites.utexas.edu/culturescontexts/2013/08/29/why-is-norway-so-expensive-think-living-wages/


Ah, e segundo uma britânica, compras básicas de supermercado para uma família comum ficam em 1.000 libras esterlinas!

https://anotherbagmoretravel.wordpress.com/2013/02/19/norway-europes-most-expensive-country/


Um pobre brasileiro que esteja trabalhando nos EUA consegue viver com abundância. Tem carro, casa boa (de aluguel), come o que quer e consome bastante. Já um pobre brasileiro na Noruega nem sai do avião. (A menos que ele consiga entrar num programa assistencialista).


Mais aqui:

https://www.tripadvisor.com.br/ShowUserReviews-g190455-r115014580-Norway.html


A Noruega só se mantém porque bóia sobre petróleo e pode utilizar essas receitas para dar boa vida para os mais pobres. Tire o petróleo da Noruega e veja o que sobra.

Já Suécia e Dinamarca, que não têm essa mordomia garantida pelo petróleo, têm de se virar. O que ambas fazem? Desregulamentam sua economia.

Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar


Pergunta: o comunismo realmente está morto ou simplesmente seus ideólogos se renderam a realidade e resolveram continuar com os mesmos objetivos mas com uma abordagem diferente?


Off-topic: alguém poderia indicar um livro ou texto infantil sobre o libertarianismo. Também gostaria de material de como criar uma criança de forma libertária.


Aqui na minha cidade as farmácias se uniram e formaram um grupo com certas regras como, por exemplo, depois das 18 horas e em finais de semana apenas uma farmácia ficaria de plantão. Esse esquema perdurou por anos.

Aí vieram outras rede de farmácia para minha cidade que não aceitaram entrar no esquema e passou a funcionar 24 horas por dia. O grupo de farmácia protecionistas entrou na justiça e perdeu. No final, várias dessas farmácias protecionistas de mercado faliram e hoje as pessoas daqui podem comprar remédio mais barato.


O mercado é tão fantástico que té mesmo em mercados regulados e fechados pelo governo é possível haver concorrência (mesmo que sufocada). Aqui na minha cidade abriu um posto novo, cobrando 30 centavos a menos, o que confirma o que todos já suspeitavam: existe cartel de preços na região. O que aconteceu? Esse posto novo desviou maioria dos clientes pra ele, teve até fila. Dois dias depois todos os outros postos jogaram os preços para abaixo desses 30 centavos.

Isso é só um exemplo. Se não fossem todas as imposições da ANP e todos os papeis, taxas, cobranças, cartórios, filas, carimbos, licenças e encargos, além de toda a cornucópia de regulamentações ambientais, trabalhistas e de segurança que fazem com que abrir um posto de combustíveis seja uma atividade quase que restrita aos ricos, outros postos já teriam aberto há muito tempo e talvez esse cartel tivesse durado apenas alguns meses, em vez de mais de uma década.


Eu não entendo como algo tão simples pode ser tão difícil para algumas pessoas.


Essa é tão básica que até eu sei, você que está caçando inflação no lugar errado, cace essa mesma inflação nos preços dos ativos da NYSE, preços dos imóveis e empresas que vai encontrar onde foi parar tamanha expansão monetária.


Concordo com você. Mas a inexistência completa de um estado não é condição sine qua non para a existência de um livre mercado. Ajudaria bastante, é claro, mas é possível haver livre mercado pleno mesmo com estado.


Quer a explicação para isso? Sem problemas, meu caro.

O Fed imprimiu dinheiro (eletrônico) e inundou as reservas bancárias dos bancos. Realmente, A base monetária explodiu.

Só que, simultaneamente, o Fed passou a pagar juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parada neste mercado.

Ou seja, na prática, o Fed passou a pagar para os bancos não emprestarem esse dinheiro. Portanto, de um lado o Fed explodiu a base monetária; de outro, ele colocou uma rolha no mecanismo de transmissão, fazendo de tudo para impedir que essa explosão da base monetária se transformasse em uma explosão no M1 e no M2.

Consequentemente, a oferta monetária não mais passou a ser afetada pela base monetária.

Isso foi uma prática completamente inédita nos anais da política monetária. Nenhum Banco Central jamais havia feito isso na história do mundo. Nenhum manual ou livro-texto de macroeconomia jamais discutiu essa possibilidade.

Há vários artigos sobre isso no site. Veja o mais recente.

Ou seja, os bancos americanos estão entupidos de dinheiro, mas esse dinheiro simplesmente não vazou para a economia. Ficou empossado nos bancos, na forma de "reservas em excesso", que agora recebem juros pagos pelo Banco Central.

E não precisa confiar em mim, não. Pode conferir aqui a evolução do M2, e ver que não houve alteração nenhuma antes e depois de 2008.

cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201712060828r&d1=20000113&d2=20171213

E não, aqui no IMB a gente não reinventa a roda. A gente simplesmente explica como funciona a economia, inclusive para os ignaros, atrevidos e inseguros. Fazemos todo o tipo de caridade.

Saudações e volte sempre, para aprender cada vez mais.



Excelente! Parabéns pela publicação. Isso é muito esclarecedor, sobretudo aos de esquerda que até hoje não entenderam o que é o capitalismo e o liberalismo.

Abraços!


o sábio guru poderia nos explicar porque os USA que nos últimos anos aumentou vertiginosamente sua base monetária seus índices inflacionários nunca ultrapassaram pífios 2%?? me parece que mais uma vez o instituto mises quer reiventar a roda...


O Estado não seria necessário nem para o número 9:
=? O governo é restrito a níveis locais e sua atividade consiste unicamente em proteger a vida, a liberdade e a propriedade das pessoas.
Pois a própria iniciativa já tem meios mais eficazes e eficientes de prover isso.


Alguns liberais clássicos defendiam que a oferta monetária subisse de acordo com o crescimento populacional, o que é bem mais sensato do que de acordo com o PIB.

Além de o PIB ter uma mensuração falha, não faz sentido aumentar a moeda de acordo com a riqueza criada na passado, que exatamente o que mensura o PIB.


Você próprio já deu a resposta. Como exatamente são formados os cartéis? Quem os sustenta?

Apenas olhe ao seu redor. Todos os cartéis, oligopólios e monopólios da atualidade se dão em setores altamente regulados pelo governo (setor bancário, aéreo, telefônico, elétrico, televisivo, TV a cabo, internet, postos de gasolina etc.).

Quem cria cartéis, oligopólios, monopólios e reservas de mercado, garantindo grandes concentrações financeiras, é e sempre foi exatamente o estado, seja por meio de regulamentações que impõem barreiras à entrada da concorrência no mercado (via agências reguladoras), seja por meio de subsídios a empresas favoritas, seja por meio do protecionismo via obstrução de importações, seja por meio de altos tributos que impedem que novas empresas surjam e cresçam.

Artigos:

A diferença entre iniciativa privada e livre iniciativa - ou: você é pró-mercado ou pró-empresa?

Grandes empresas odeiam o livre mercado

Precisamos falar sobre o "capitalismo de quadrilhas"

Por que o livre mercado é o arranjo mais temido pelos grandes empresários

Brasil versus Romênia - até quando nosso mercado de internet continuará fechado pelo governo?

O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país

Empresas grandes, ineficientes e anti-éticas só prosperam em mercados protegidos e regulados


Por outro lado, não há e nem nunca houve monopólios no livre mercado. Empiria pura. Pode conferir aqui:

Monopólio e livre mercado - uma antítese

O mito do monopólio natural




Isso pode não estar muito relacionado com o artigo em questão, mas como fazer para não existir monopólios e cartéis? Para que sempre exista livre concorrência? Os monopólios só vão existir por interferência dos governos ou eles podem nascer naturalmente?



Perfeito.

Aí que vem o ponto: então por que não emitir moeda limitada pelo crescimento do PIB?

Esse limite deveria ser estabelecido na Constituição Federal, para evitar descumprimentos (inclusive pela LDO).

Sei que isso poderia gerar uma pressão política para aumento de gastos e manipulação de índices, mas não seria melhor do que o sistema atual?


Milagre seria se os salários subissem na mesma proporção, a produtividade no BR subiu pouquíssimo no período, produtividade baixa, salário baixo.


Elabore melhor sua pergunta. O que você quis dizer com "preços altíssimos"? os preços podem ser altos para nós, que temos moeda fraca e apanhamos ao convertê-la. Mas não é para eles.

Os preços nominais da Venezuela são baixíssimos para nós (por causa da taxa de câmbio), mas são altíssimos para eles. Já os preços dos países desenvolvidos são altos para nós (por causa do câmbio), mas normais e estáveis para eles.

Preços nominais altos são uma coisa. Já preços crescentes (que é o que realmente interessa) são outra coisa completamente distinta. O primeiro, por si só, não significa nada. Já o segundo é tudo.


Para quem não é economista, como eu, o artigo é didático e esclarecedor. Acabou a minha convicção de que inflação é aumento de preços.


E sobre países desenvolvidos como Singapura e Noruega? Lá eles tem preços altíssimos e ainda são capazes de adquirir produtos.


Errado,

Taxa de juros não mede o "custo do dinheiro" e sim a "taxa de preferência intertemporal dos agentes econômicos"




Ainda que um ano se passou desde seu comentário, creio que temos hoje informações seguras como as que nos são fornecidas pelo grupo do Brasil Paralelo bem como os textos publicados por ou sob indicação do Instituto Mises.



Só vi uma coisa no artigo citado com os preços de 1994 que não condiz com a realidade: naquela época, apesar do poder de compra do salário-mínimo ser evidentemente menor do que hoje, a realidade é que o S.M. subiu mas os salários não acompanharam na mesma proporção.


"Recessão gera inflação né? Porque, se você tem uma queda na quantidade bens e uma economia e ao mesmo tempo você tem pelo menos a mesma quantidade de dinheiro na economia, logo a relação BENS X DINHEIRO na economia mudou, se tem menos bens e mais dinheiro na economia."

Sim, mas e se as pessoas não estiverem propensas a gastar (ao menos, não como antes)?

Em uma recessão, a demanda está baixa. Pessoas estão sem emprego e sem aumento da renda. Na maioria das vezes a renda está em queda. Consequentemente, a queda na oferta é também acompanhada de uma queda na demanda.

"E porque vocês acham que tivemos uma queda na inflação hoje? Que motivo esta fazendo a quantidade de dinheiro na economia se reduzir? Se ainda estamos em recessão..."

Explicado em detalhes neste artigo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694

"E alguém me explica porque keynesiano acha relação entre baixa inflação e alto desemprego, não consigo enxergar isso."

Porque se trata de um dogma. E ninguém abandona dogmas.

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2238


Ademais, vários membros do IMB são frequentemente chamados por alunos de determinadas universidades para palestrar ou debater professores ali.



1 - Se o objetivo é estritamente evitar queda nos preços, então sim. Mas apenas elevar a base monetária não adianta. É preciso expandir o M1. E este só aumenta quando há expansão no crédito (ou seja, quando pessoas e empresas voluntariamente pegam dinheiro emprestado.

2 - De jeito nenhum.


Caramba! Em 1998 eu ganhava 8 salários mínimos! A mesma profissão que eu exercia na época, hoje não paga mais do que 3 S.M.


"então uma recessão causaria inflação, ao diminuí-los?"

Isso é possível.

"Por que isso não acontece?"

Porque a demanda está baixa. Pessoas estão sem emprego e sem aumento da renda. Na maioria das vezes a renda está em queda. Consequentemente, a queda na oferta é também acompanhada de uma queda na demanda.


Recessão gera inflação né?

Porque, se você tem uma queda na quantidade bens e uma economia e ao mesmo tempo você tem pelo menos a mesma quantidade de dinheiro na economia, logo a relação BENS X DINHEIRO na economia mudou, se tem menos bens e mais dinheiro na economia.

Já um crescimento economico é deflacionário, porque aumenta a quantidade de bens na economia sob a quantidade de dinheiro, mas isso só se o Banco Central não imprimir em uma quantidade e aceleração maior do que a de bens e serviços.

E porque vocês acham que tivemos uma queda na inflação hoje? Que motivo esta fazendo a quantidade de dinheiro na economia se reduzir? Se ainda estamos em recessão.....

E alguém me explica porque keynesiano acha relação entre baixa inflação e alto desemprego, não consigo enxergar isso.


Errado. Os homicídios com arma de fogo aumentaram. E sensivelmente. Mas a mídia não explicita esses dados.

Bene Barbosa já destrinchou tudo:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2147


Já levantei essa questão por aqui Gabriel: Existe algum trabalho por parte do Instituto Mises Brasil para difundir as ideias da Escola Austríaca de Economia nas escolas brasileiras? Eles me responderam que não. Ou seja, as ideias libertárias continuarão desapercebidas pela população brasileira enquanto que as ideias socialistas estão cada vez mais arraigadas no coletivo, quase que se tornando um texto canônico, uma regra de conduta inquestionável. Acordem!!!


Obrigado por comentar, Alfredo.
1) Interessante seu ponto. Realmente uma infinidade de coisas estão intrincadas de uma forma ou de outra com os tentáculos do Estado. Ainda assim, creio que haja uma diferença entre investimentos privados que "acabam - ou não - tendo alguma relação com a atuação estatal" e investimentos que só são possíveis à custa, necessariamente, de empobrecimento do país.
Do jeito que o sistema funciona, até o próprio mercado de ouro e prata sofre manipulações. Anyway, investir em metais ainda é a forma mais, digamos, "isenta" (e sensata) de pensar sobre isso tudo.

2) Entendo teu ponto. É algo bastante pessoal, claro. Joguei a pergunta só pra reflexão mesmo.
Mas... como você mesmo concorda, uma condição essencial pra que valha realmente a pena se "contentar" com o Brasil é a moeda ser forte, só que isso não poderia estar mais longe da realidade por aqui. Como eu mencionei antes, não só o Real é currency, como é uma currency fraca pra caramba, que se desvaloriza numa velocidade absurda.
Além disso, acho bastante discutível a ideia de que "poupar aqui compensa, mas lá (EUA), não". No atual cenário, já presente há muitas décadas, creio que sejam similares as dificuldades e as vantagens da frugalidade, seja aqui ou lá. Muitos dos problemas econômicos daqui e de lá têm, de certa forma, raízes semelhantes. O brabo pra eles é ter de lidar recorrentemente com crashes econômicos (como o próximo que está por vir e será avassalador). Mas se a poupança for feita com base em real money, dá pra vida ficar mais tranquila...

3) Pra fechar: o "lá" também pode ser Europa, Canadá, Austrália etc. Apesar de eu não ter base concreta pra comentar sobre o lance da família sueca em viagem, creio que haja uma série de fatores (uns mais culturais, outros mais circunstanciais) que geram essa diferença de comportamento. Pra mim, sempre fará sentido ser poupador em países mais desenvolvidos e disciplinados economicamente do que o nosso, ainda mais se a moeda for forte e o Estado for tradicionalmente mais estável no campo político-econômico.

Abraços!


"Sem querer ser desrespeitoso, mas vou rotular quem eu nem conheço de esquerdinha". Parabéns pelo seu respeito. Eu sou de esquerda e favorável a armas. Mas lembro que a taxa de assassinatos caiu sim com o desarmamento. E só agora se equipara com a de antes do desarmamento. Só pesquisar aqui: www.ipea.gov.br/atlasviolencia/


Sou de esquerda, defendo o socialismo e não sou contra armas. Muitos amigos de esquerda também não o são. E muitos de direita são contrários. Então, já que é tão racional, me mostre sua lógica para rotular quem é de esquerda é contra armas e quer matar quem pensa diferente. Inclusive, é incoerente dizer que uma pessoa é contra armas mas quer matar quem pensa de outra forma.


A expressão correta é dicastocracia, isto o governo exercido pelos juizes (do grego "dikastos" = juiz e "kratos" = poder).


Obrigado pela indicação, Leandro.

Restam para mim duas dúvidas:

1- Já li que é necessário aumentar a base monetária (não sei se este é o conceito técnico correto) quando há aumento do PIB, sob pena de deflação. Isso está correto?

2 - A emissão direta de moeda pelo governo geraria hiperinflação mesmo se limitada pelo crescimento do PIB (por exemplo: aumentando a base monetária em um por cento se este fosse o crescimento do PIB)?





Se o crescimento econômico, por aumentar o número de bens e serviços disponíveis na economia, causa deflação natural; então uma recessão causaria inflação, ao diminuí-los? Por que isso não acontece? E se vê alguns economistas justificando até a inflação baixa pela recessão? Agradeço.


Inacreditável o que retirar a Dilma não faz. Tirar o PT do poder deveria estar na teoria econômica.

Crédito de recursos direcionados foi um erro.




50% contração monetária e 50% valorização da moeda (causada, em parte, pela contração monetária).

Redução de demanda não gera redução de preço se estiver havendo expansão monetária (vide Venezuela). Ademais, a demanda vem caindo desde 2014. Por que só agora os preços caíram? E, por fim, contração monetária e do crédito geram inevitavelmente redução da demanda.

Portanto, a resposta é crédito e oferta monetária. E tudo deriva daí.



Sim, eu vi estes artigos. Mas a minha pergunta foi mais específica.

A redução da inflação e essa deflação momentânea NÃO foram causadas pelo aumento da produtividade e sim pela contração da oferta monetária.

Porém, a redução da demanda (que possui um efeito similar/espelhado ao do aumento da produtividade) também contribuiu. A questão é: até que ponto?

Podemos dizer (apenas como força de expressão, já que não dá para mensurar) que a deflação e a redução da inflação são 50% contração monetária e 50% redução da demanda?

Ou seriam 75% contração monetária e 25% redução da demanda?

Ou 90% contração monetária e 10% redução da demanda?

Qual a influência da redução da demanda na deflação e diminuição da inflação? Grande, moderada ou pequena?

* * *




1) Concordo quanto aos metais, mas é só. Todas as outras aplicações financeiras estão ligadas ao governo. Mesmo que você aplique exclusivamente em fundos de investimentos e em CDBs, você estará emprestando para o governo. Os bancos sempre direcionam uma parte desse dinheiro para títulos do governo.

Aliás, mesmo que você aplique em LCIs e LCAs, você ainda está emprestando para o governo. Empreendimentos imobiliários são feitos com recursos da Caixa e agricultores trabalham com empréstimos subsidiados do Banco do Brasil.

Comprar ações? Certamente a empresa ou recebe subsídios do governo, ou trabalha em um mercado regulado pelo governo, ou é protegida por tarifas de importação.

Debêntures? São empresas de infraestrutura ou de energia elétrica, todas as quais fazem obras para o governo com dinheiro de impostos.

No Brasil, não tem como escapar.

2) Eu já me peguei pensando bastante a este respeito. Eu sou um cara de classe média alta, e não trocaria minha vida no Brasil para ser classe média baixa nos EUA. Aqui no Brasil, poupar recompensa. Ser frugal compensa. Lá fora, não. Minha maior preocupação no Brasil é ter moeda forte, que me possibilite viajar e importar coisas baratas. Havendo isso, não troco o Brasil por nada. Moro no interior, a segurança é boa, os preços são baixos. Sou bem servido naquilo que desejo. Quando quero, viajo. Não preciso de mais do que isso.

Isso é algo que um sueco não consegue (quantas vezes você já viu um família sueca em viagem para o exterior?).


Obrigado por responder, Leandro.
Concordo com você que há possibilidade real de enriquecimento se a pessoa souber investir no Tesouro. Não há como questionar a alta probabilidade de ganho pessoal imediato.

Mas levanto 2 questões:
1) questão de ordem moral. Se eu sei que o investimento no Tesouro talvez seja o único que gera enriquecimento à custa do empobrecimento do país e da manutenção do cerne de nossos problemas econômicos (creio que isso não aconteça quando se investe em metais preciosos, na poupança ou em ações de empresas privadas), então isso automaticamente passa a ser um dilema pra mim.

2) questão de ordem prática. Será que é mais jogo ser um cara, digamos, de "classe média alta" num país atrasado e estagnado como o Brasil ou ser um cara apenas de "classe média média" num país desenvolvido de 1º mundo? [A primeira opção representa o que um cidadão médio, comum, conseguiria fazendo investimentos no Tesouro. A segunda representa aquilo que eu profundamente gostaria que o cidadão médio brasileiro alcançasse, por meio de educação econômica e esforços para que o capitalismo, a liberdade de mercado e as ideias e práticas liberais em geral fossem finalmente uma realidade.]

Enfim, divagações de um cara bastante crítico...

Valeu!


Tudo o que você falou está corretíssimo. Agora, quanto a ser um "investimento inteligente", bom, aí vai depender do seu conceito de "inteligente".

Para alguns, ganhar acima da inflação de preços é algo inteligente. Travar uma alta taxa de retorno por um longo período de tempo também é considerado inteligente por alguns. Não entrarei neste juízo de valor.

Mas o fato é que, para quem realmente sabe operar no Tesouro Direto (isto é, entrando e saindo nos momentos certos), tal pessoa certamente irá enriquecer muito em termos reais. E isso pode ser considerado inteligente.


Governo imprimir dinheiro para financiar seus gastos diretamente é exatamente o que ele fazia até 1994. E é o que faz o governo da Venezuela hoje. As consequências de tal arranjo nunca foram outras senão a hiperinflação.

Por mais deprimida que esteja a economia, o governo jogar dinheiro nela de helicóptero será uma atitude hiperinflacionária de qualquer jeito. Vide, novamente, a Venezuela. O país está em depressão e com hiperinflação. O próprio Brasil na primeira metade de década de 1990 também mistura depressão com hiperinflação.

Depressão econômica, por si só, não gera redução de preços e nem impede hiperinflação. Preços, no longo prazo, sempre serão um fenômeno monetário.

Quanto ao atual arranjo (expansão monetária via endividamento), embora também seja deletério, ele é totalmente preferível ao arranjo em que o governo joga dinheiro diretamente na economia. No primeiro, a dívida sobe. No segundo, há hiperinflação. No primeiro, a economia fica estagnada. No segundo, a economia entra em contração e o povo passa fome.

Caso domine o inglês, há uma ótima postagem de blog sobre isso. É curta, mas bem completa.


Obrigado pelo auxílio, Bruno. É isso mesmo. Contração monetária e do crédito. Essa efêmera estabilidade nos preços foi prevista no primeiro artigo que você linkou.


Ele já publicou dois artigos exclusivamente sobre isso:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2663

www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694

A atual deflação se deve à contração da oferta monetária e do crédito.


Pois é, meu amigo. Para quem não "é do meio", isso soa totalmente contra-intuitivo. Baixa de preços, oferta crescente (como no setor de tecnologia), é uma coisa ruim?!?!?!?

Quem veio da academia tradicional brasileira de economia, ouviu isso e muito mais...



Dilma, na campanha da reeleição, disse que a inflação não podia ficar "muito baixa", conforme outros candidatos propunham, pois isso aumentaria o desemprego...

Aliás, muitos pensam que o Banco Central combate a inflação, quando na verdade ele a causa no sentido de controlar o quanto dela será gerada. Quando se diz que a meta da inflação é X, isso significa que o BC se compromete a produzir apenas X de inflação...

A única ressalva, conforme alguns comentários e outros artigos explicam, é que existe a deflação benigna (causada pelo aumento da produtividade) e a deflação maligna (causada pela contração da oferta monetária). Já a deflação causada pela queda da demanda pode ser benigna ou maligna conforme o contexto.

Não sei em qual das três categorias a efêmera deflação brasileira (ou redução da inflação) mais se encaixa. Agradeço se o Leandro explicar.

* * *


Olá, Leandro. Tudo tranquilo?

Depois de ler vários textos seus e de diversos outros autores/analistas do Mises Brasil e do Mises USA, e especialmente de ver inúmeros vídeos de caras como Peter Schiff e Mike Maloney, comecei a investir em ouro e prata, e me tornei um ferrenho defensor desta maneira de pensar (e agir).

Pois bem, outro dia estava debatendo com um amigo sobre investir no Tesouro (a grande vedete de todo mundo aqui no Brasil, ao que me parece...) X investir em metais preciosos. Entre outras coisas, escrevi isto aqui, defendendo uma "teoria" um tanto surpreendente pra ele:

"A diferença é que comprar ouro e prata é investir em real money, enquanto que ir pra qualquer modalidade que tenha a ver com em Real, Dólar, Euro etc. é investir em currency (números na tela de um computador/papéis coloridos infinitamente inflacionáveis, sem lastro em nada – ou melhor, com lastro em dívida – e com valor intrínseco zero). Currency é algo bem diferente de real money, e o desconhecimento em relação a isso faz com que as pessoas em geral não entendam como as coisas funcionam.

Investir no Tesouro significa depositar confiança no Real. Só que nossa moeda (que, claro, é currency, e não real money) é tão fraca que conseguiu a façanha de levar apenas 23 anos pra se desvalorizar num percentual que o Dólar – que está em queda livre e colapso iminente – levou cerca de 100 anos pra se desvalorizar. E investir no Tesouro também significa depositar confiança Estado brasileiro, aquele polvo mastodôntico que está há décadas e décadas impedindo que o país se desenvolva economicamente. Que belezura, não?

Fora o óbvio fato de que investir no Tesouro (ou títulos públicos em geral) significa contribuir diretamente para o aumento do montante de dívida do Estado, já que os títulos emitidos são nada mais que novas dívidas em cima de dívidas pré-existentes. Ora, se as duas vias básicas que o Estado usa para saldar dívidas, no fim das contas, são a inflação e o aumento da carga tributária, então investir em títulos públicos significa automaticamente 1) contribuir diretamente para que o Estado se mantenha numa bola de neve de endividamento; e 2) pagar para manter a própria moeda em constante desvalorização. A própria emissão dos títulos já aumenta automaticamente, inclusive, o volume de moeda circulante na economia. Isso tudo significa, também, contribuir para que os mais pobres continuem sendo esmagados pela inflação e pelos impostos, e manter os empreendedores (e o setor privado como um todo) com dificuldade para poupar, investir, acumular capital e consequentemente aumentar a produtividade.
Em suma, olhando a partir de uma visão menos míope: INVESTIR EM TÍTULOS PÚBLICOS AJUDA A EMPOBRECER O PAÍS. [Ok, muitos investidores vão converter os lucros em acúmulo de capital e aumento de produtividade, mas isso talvez só mantenha o jogo no "zero a zero", porque o cobertor é sempre curto...]
A bala é até bonitinha, mas o tiro sai pela culatra.

Viva o keynesianismo! Viva a inversão (falaciosa e criminosa) de prioridades! Viva o Estado gigante!

Enfim: considerando isso tudo, será mesmo que é um investimento inteligente? Há mesmo comparação, em qualquer grau, entre investir no Tesouro e investir em ouro e prata?"

Minha pergunta, Leandro: você acha que eu estou missing something? Minha explicação é infundada? Ou você concorda comigo?
Sua palavra é de valia inestimável pra mim.

Obrigado.
Abraços!



Sou Advogado mas discordo, o Brasil tem muitas faculdades de direito pela simples demanda dos alunos, e pelo fato de o curso de direito não necessitar de grande estrutura, como acontece em medicina, engenharia e outros cursos...aliás, eu diria que 90% das pessoas que entram no curso de direito, tem como objetivo fazer concurso público, hoje infelizmente o curso de direito se tornou uma via para o acesso ao funcionalismo, isso sem falar nos cursinhos preparatórios e na literatura voltada exclusivamente para concurso público, os brasileiros fazem grande esforço pra transformar o brasil numa futura Grécia...


Sendo o indivíduo ainda um incapaz, então seus progenitores são soberanos sobre ele.
[...]
E ponto final. Ninguém mais -- muito menos um burocrata -- tem o direito a se intrometer em um arranjo que não envolve violência contra inocente (muito pelo contrário, aliás).

Interessante, entao se um pai convence sua filha pré pubere a praticar prostituicao, ninguém tem nada a ver com isso, já que ele nao está forcando ela.
Se um bebê sofre de uma lesao cerebral irreversível e extremamente dolorosa, o pai tem todo o direito de mantê-lo vivo por meios artficiais, prolongando inutilmente seu sofrimento.
Bem, aqui entramos em um terreno espinhento para mim na ética rothbardiana. Nunca me senti à vontade defendendo o direito de um pai em vender seus filhos, como se fossem escravos. Mas se você é ok com isso, tudo bem...
Interessante notar, também, que você condiciona a soberania dos pais à ausência de violência contra a crianca. Em casos confirmados de violência, uma corte poderia sobrepujar a vontade dos pais. Novamente, você concoda comigo, mesmo que involuntariamente.

De maneira nenhuma. Acabei de discordar abertamente.
Pois é, se tivesse respondido a questao com um simples "nao", teria evitado a confusao.
E nao, você nao discordou.

E não foi. O que houve foi um seqüestro seguido de assassinato compulsório.
Você sequer leu o link que eu postei, nao é mesmo? Você nao faz a menor ideia do porquê do veredicto ter sido assim...

Qual o seu ponto?
Meu ponto é que o artigo usa deste tema complicado e polêmico para capitalizar contra a saúde estatal, quando é perfeitamente possível que um veredicto semelhante também fosse tomado em um sistema sem saúde nem justica estatais.
Como anarcocapitalista devo dizer que achei esta uma tática desnecessária e de mau gosto.

E daí? Pela terceira vez: qual o seu ponto? Anarcocapitalismo não é o tema deste artigo, mas sim a defesa da vida. Você está à descoberto.
Santo Deus...
Criatura, você se deu ao trabalho de ler o artigo ou pulou direto para os comentários?
Você leu o título? Quando a medicina é estatal, o governo decreta que você deve morrer
Que tal o sub-título: Na Grã-Bretanha, o governo estipulou que um bebê deveria morrer em vez de receber tratamento privado.
Nao se convenceu? Que tal logo a largada to texto: Em um sistema de saúde controlado pelo governo, é o estado quem determina quem pode receber tratamento, como e quando.
Quer pular os detalhes? Leia pelo menos a conclusao:
Estatistas e intervencionistas alegam que, em um livre mercado, tratamentos médicos seriam desumanos, pois seriam negados aos mais pobres. O caso de Charlie destrói toda esta falsa imagem.
[...]
Aqueles que defendem que toda a saúde seja estatizada [...] insistem que a medicina estatal seria mais humana.
[...]
Imagine se um hospital particular fizesse o mesmo que o hospital estatal e a Suprema Corte do Reino Unido fizeram?

Que tal? O texto nao usa o caso do Charlie como pano de fundo para atacar a medicina estatal? Ele nao pergunta se alguém conceberia um hospital particular fazendo o mesmo, insinuando que tal erro* jamais aconteceria em um ambiente sem saúde estatal?
Me aponde uma, apenas uma salvaguarda do autor explicando que tal decisao também poderia ocorrer sob um tribunal privado.

Se tal decisão (por que proibir o tratamento?) não é obscura, então você precisa reavaliar sua própria humanidade.
Já eu acho que você deveria se informar minimamente antes de formar sua opiniao com detalhes e opinioes superficiais.
"Por que proibir o tratamento", voce pergunta. Ora, se tivesse se informado minimamente, saberia que tal tratamento, mesmo que milagrosamente eficaz, em nada ajudaria na condicao cerebral de Charlie.

https://www.judiciary.gov.uk/wp-content/uploads/2017/05/gosh-v-yates-and-gard-20170411-1.pdf

*para quem considera um erro.


O Brasil tem mais advogados que o mundo todo junto, consequência da nossa cultura de privilégios e burocracia. Uma coisa vai retroalimentando a outra. Parece um ciclo impossível de quebrar, exceto, talvez, com uma crise econômica pior que a dos anos 80-90.


Caro colega a imposição de moeda ocorreria se houvesse um conflito Eua e seus aliados x Rússia e seus aliados,enfim uma terceira guerra mundial,mas devido ao arsenal nuclear de ambos os lados forçarem os dois lados a negociarem diplomaticamente a divisão dos lucros em suas práticas dominadoras,tal prática que as esquerdas gostam de culpar o capitalismo por tais mazelas,mas na realidade se trata do conluio da tirania estado malvadão e grupos de interesse e nesse tabuleiro nós pagadores de impostos independente da condição social somos as vítimas bovinamente conduzidas por estes vaqueiros tiranos,ou seja eles brigam entre-si e não serão nunca loucos de querer usar este arsenal dos infernos que são os mísseis atômicos,mas quanto as guerras regionais elas continuaram acontecendo para delírio da industria armamentista de todos os países inclusive da brasileira que também tem clientes no resto do mundo e não perde oportunidade de oferecer seus produtos e serviços para a clientela mundo afora...Quanto a moeda é fato que a potencia vencedora em um conflito entre grandes potências,a vencedora impõe sua moeda para os demais países,isto é histórico e a não ser quando o ouro era a moeda universal tal fato era impossível,mas com o advento das moedas fiduciárias ficou viável tal imposição...Rússia e China sonham com tal possibilidade apesar de tal feito ser impossível no momento,apesar de meu modesto conhecimento de geopolítica e futurologia.


Leandro,

Em uma deflação duradoura, o Governo poderia "imprimir" e circular sua moeda sem se endividar (emitindo títulos)? Isso em teoria, claro, pois hoje a lei do Brasil assim não permite.

Pergunto isso porque o motivo desse endividamento para emissão da moeda é justamente evitar a inflação, não?

Desde já agradeço a resposta.


Assinei o Liberty classroom organizado pelo excelente Tom Woods.
Neste curso há módulos sobre a história da Civilização Ocidental, sobre a história Americana, a história do Pensamento conservador, a origem libertária do Sci-Fi, etc...
Vale muito a pena o investimento! Mas é preciso fluência em Inglês.
Para quem quiser checar o nível do produto, sugiro abaixarem o Pod Cast "The Tom Woods Show" antes.



Se você tem liberdade para tentar, para experimentar, para pesquisar, para ir atrás de informações, para empreender, para acertar e para errar, para ficar com os bônus do seu acerto (e para arcar com os prejuízos do seu erro), você acabará gerando e adquirindo muito mais conhecimento do que se você fosse proibido de fazer tudo isso.

É bem óbvio e direto.


Busco a muito tempo um bom conteúdo de história, sem uma visão "ocidentalizada" e sem estar ideologicamente poluído. Muito difícil! Como diz o ditado popular: "A história é contada pelos vencedores", ou no nosso caso, pelos idiotas mesmo.



"Só que, no Brasil, há uma jabuticaba"

Uma jabuticaba? O Brasil é uma jabuticabeira! O Brasil é um jabuticabal!

* * *


"Mais liberdade gera mais conhecimento"

De que formas? Alguém pode esclarecer mais?


A suposição que fiz no comentário inicial é semelhante a esta que Michael Huemer fez no artigo A injusta guerra às drogas:
Indivíduos têm o direito de usar drogas. Esse direito não é absoluto e nem sem exceção; suponha, por exemplo, que existe uma droga que, uma vez ingerida, faz com que uma proporção significativa de usuários, sem qualquer futura liberdade de escolha de sua parte, ataque outras pessoas sem ter havido qualquer provocação. Eu pensaria que parar o uso de tal droga é uma tarefa do governo. Mas nenhuma droga existente satisfaz essa descrição.


Realmente vocês socialistas são utópicos. No fundo vocês são ressentidos. Então voltemos ao mundo das cavernas, porém de bicicleta. Que polui menos,mas é de liga leve e tem uma porção de marchas. Sugiro que conheça uma comunidade simplista do Uruguai. Vá pra lá e seja feliz. O mundo é cheio de tribos afinal somos livres para escolher " ainda".



O governo estava "proibindo" a redução de preços.

Agora os especialistras e o patrulhamento já estão exigindo a redução nos juros.

Ou seja, não vai demorar para voltar a proibição na reduzição dos preços.





Alguém pode me indicar matérias sobre o desenvolvimento das economias desenvolvidas, com dados, nunca teria imaginado que no mundo desenvolvido deflação era a norma até a 2°Guerra Mundial.


Advogado vive do Brasil cartorial, eles são os maiores beneficiários de tudo isso que não funciona, na verdade eles são os brokers disso tudo.


A intervenção estatal nos planos de saúde é o maior absurdo que existe. O discurso é bonito, falando que tem que ter abrangência completa e não pode fazer diferenciação do cliente, mas parece que ninguém pensa nas consequências.

Hoje em dia, nenhum plano de saúde oferece mais planos individuais, pois o reajuste é regulado pela ANS. E os planos coletivos cada vez sobem mais, devido ao uso desenfreado e desnecessário dos planos ("tenho que usar, pois estou pagando"), a abrangência que eles tem que cobrir, os avanços da medicina (costumam ser melhores, porém mais caros). Este ano meu plano sofreu um reajuste de 20% e eu serei obrigado a trocá-lo por um mais barato (e pior), porém existem certas pessoas ali (idosos e pessoas com doenças já pré-existentes) que serão obrigadas a permanecer, pois outros planos não vão aceita-las, ou seja, terão que optar entre vender um rim ou ficar só com o SUS.

Este modelo atual é insustentável e tudo graças ao governo.