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A esquerda foi conferir como estava sua doutrinação sobre os mais pobres. Ficou atordoada

A notícia está em todos os jornais e varreu as redes sociais: a Fundação Perseu Abramo — criada em 1996 pelo Partido dos Trabalhadores (PT) para "desenvolver projetos de caráter político-cultural" — fez uma pesquisa qualitativa para averiguar como estava "o imaginário social dos moradores da periferia de São Paulo".

A pesquisa foi feita entre 22 de novembro de 2016 e 10 de janeiro deste ano, baseando-se em entrevistas em profundidade com moradores de bairros periféricos de São Paulo, acima de 18 anos, com renda familiar mensal de até cinco salários mínimos e que deixaram de votar no PT. Ao menos 30% dos entrevistados são ou foram beneficiários de programas sociais implantados pelos governos petistas. Ou seja, é o perfil tido como característico do eleitor petista, ao menos no imaginário dos que consideram o PT representante natural dos "excluídos".

A intenção explícita desta pesquisa era entender por que o PT havia perdido votos naquela região na eleição municipal de 2016. Já a intenção implícita era ver como estava a aceitação das idéias e doutrinas de esquerda entre os mais pobres.

A esquerda sempre deu de barato que os pobres — assim como os negros e os gays — eram seus "aliados naturais". Por isso, ela sempre os tratou como uma massa amorfa, como um coletivo formado por indivíduos homogêneos destituídos de raciocínio crítico e de vontade própria. Para a esquerda, os pobres não passam de uma massa acrítica, que reagiria bovinamente a frases de efeito e que imediatamente se identificaria com todas as afetações de vitimismo e efusões de coitadismo repetidas em profusão por militantes.

Porém, o que a pesquisa descobriu sobre como realmente pensam os pobres deixou a esquerda atordoada. A íntegra pode ser acessada aqui. Abaixo, as melhores partes. (Todas as imagens abaixo foram retiradas do próprio relatório da Fundação Perseu Abramo).

Choque e espanto

Logo de cara, os pesquisadores já receberam a seguinte declaração atordoante:

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Em seguida, a coisa piorou. A esquerda descobriu que todas as suas décadas de chavões e frases de efeito não conseguiram fazer os pobres incorporar a luta de classes e ver os patrões como inimigos. Os pobres — um espanto! — não têm ódio daquelas pessoas que lhes dão empregos e pagam salários.

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Mas o golpe final veio com a constatação de que, para os pobres, o inimigo não são "os ricos", "o capital", e "as corporações". O grande inimigo é o estado.

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A partir daí, as ilusões da esquerda foram ladeira abaixo.

Além de não verem o estado como indutor da qualidade de vida e das oportunidades, mas sim como um "inimigo" responsável por se apropriar do dinheiro dos impostos e fornecer serviços de baixa qualidade, os pobres ainda têm a petulância de crer em coisas reacionárias, como a ideia de que a melhor forma de ascensão social é pelo mérito pessoal.

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A pesquisa, em suma, mostra que todo o conceito de luta de classes simplesmente nunca habitou o imaginário popular. Para os pobres, a "luta de classes" não ocorre entre ricos e pobres, mas sim entre o povo e o estado. O 'inimigo' é, em grande medida, o próprio estado, ineficaz e incompetente.

Mais: para os entrevistados, "todos são vítimas do Estado, que cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou sufocar a atividade das empresas".

E isso "abre espaço para o 'liberalismo popular', com uma demanda por menos Estado". 

Por último, para não esgotar a paciência do leitor, eis o quadro de constatações próprias da pesquisa. Destaque especial para a maneira como a Fundação Perseu Abramo, no item 1, tenta explicar o simples e natural desejo de maior poder de compra da população pobre: para a esquerda, o pobre querer consumir mais é uma prova de que "o capitalismo tenta desprover o cidadão de todos os elementos que constituem a identidade (cultura, identidade de classe)".

FPA7.png

O item 3 merece especial atenção. Os pobres, quando podem, correm dos serviços estatais e vão procurar socorro no mercado e na iniciativa privada. E entendem perfeitamente por que os serviços estatais não funcionam e nem têm como funcionar.

Segundo um dos entrevistados: "O ensino é bem melhor na particular. Meu neto estudava numa escola particular, só que ele saiu porque não tinha condições mais de pagar, mas se ele tivesse lá ainda, ele já estaria lendo (…) tem muita diferença do ensinamento (…) Porque eu acho que você está pagando você pode exigir e em escola pública você vai exigir de quem? Não pode exigir!

Mais ainda: para os pobres, ser ajudado pelo estado é sinônimo de "desvalorização individual". A coisa foi em definitivo para o vinagre quando os pesquisadores perguntaram especificamente sobre as cotas. Diz a pesquisa: "(Os entrevistados) não negam a importância de políticas públicas e garantia de acesso a oportunidades, mas rejeitam aquelas que parecem 'duvidar' das capacidades individuais, como as cotas."

Treze constatações

Para poupar o leitor, eis as 13 principais constatações da pesquisa:

1) Não há luta de classes entre ricos e pobres — ao contrário, há empatia com empresários e patrões.

2) O inimigo é o estado: ineficaz, incompetente, cobra impostos excessivos, impõe entraves burocráticos, gerencia mal o crescimento econômico e acaba por limitar ou sufocar a atividade das empresas. O mercado é mais confiável.

3) Há um "liberalismo popular", com demanda por menos estado — "se pago impostos, tenho o direito de cobrar".

4) Há identificação não com quem pertence ao mesmo grupo, mas com o grupo a que se almeja chegar — essa é a negação completa da "ideologia de classe" inventada por Karl Marx.

5) A ascensão social está associada à coragem, ousadia, disciplina, mas acima de tudo ao mérito.

6) Estudar é fundamental para subir na vida.

7) O empreendedorismo é a aspiração de quem quer vencer pelas próprias forças.

8) Há mais individualismo que solidariedade.

9) Religião e família são o centro da vida.

10) A igreja é vista como instituição de apoio para evitar o caminho do desemprego e do crime.

11) A política é suja, gera desconforto e influencia a vida — dos serviços públicos aos impostos altos.

12) Não há lógica no uso de termos como "esquerda" ou "direita", nem polarização — todos os partidos são iguais.

13) A crise ética da sociedade não é resultado de vícios estruturais, e sim de mau comportamento individual, que deve ser resolvido, antes de mais nada, pela família.

A conclusão

A pesquisa, por fim, afirma que o padrão de vida dos pobres da periferia de São Paulo aumentou em decorrência das políticas dos governos petistas, mas, estranhamente, essa melhoria levou os moradores a "se identificarem mais com a ideologia liberal, que sobrevaloriza o mercado".

Mesmo com a crise econômica, tais pessoas, ao contrário do que os petistas esperavam, reagiram movidos pela "lógica da competição", isto é, pela ideia de que é preciso que cada um trabalhe duro para superar os problemas. Tal visão é incompatível com uma ideologia que anula o indivíduo em favor da "classe trabalhadora".

De quebra, a pesquisa também constatou que "as categorias analíticas utilizadas pela militância política ou pelo meio acadêmico não fazem sentido para os entrevistados". Ou seja, coisas como "esquerda" e "direita", "progressistas" e "reacionários", "mortadelas" e "coxinhas" simplesmente "não habitam o imaginário da população".

Finalmente, a pesquisa constatou que "a cisão entre a classe trabalhadora e a burguesia não perpassa o imaginário dos entrevistados". Ou seja, toda a discussão sobre a divisão da sociedade entre "nós" e "eles", promovida pelo PT e pela esquerda em geral, é significativa somente nas redes sociais.

Como conclusão final, os pesquisadores anunciam a descoberta da pólvora: "O campo democrático-popular precisa produzir narrativas contra-hegemônicas mais consistentes e menos maniqueístas ou pejorativas sobre as noções de indivíduo, família, religião e segurança".

E vaticinam: "Este cenário de descrédito da política, compreensão do Estado como máquina ineficaz somada à valorização da lógica de mercado e à ideologia do mérito abrem espaços para candidatos e projetos como o do João Doria — 'um não-político, gestor trabalhador que ascendeu e, por isso, não vai roubar'."


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Equipe IMB

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comentários (81)

  • José Márcio Santana  04/04/2017 18:50
    Eu juro que não entendo qual realmente foi a surpresa com todas essas constatações. O povão sempre foi maciçamente conservador, sempre teve vergonha de receber esmola, sempre foi muito trabalhador e sempre valorizou o esforço próprio.

    Ademais, em termos culturais, vá a uma periferia e pergunte lá se bizarrices como "ideologia de gênero", "apropriação cultural", "estupro reverso" (quando um homem rejeita fazer sexo com uma mulher porque a achou feia), "homofobia", "lesbofobia", "transfobia" ou até mesmo "feminismo" são bem-vindas.

    Pergunte a um cidadão da periferia se ele acha normal um homem se dizer "uma mulher presa a um corpo masculino". Pergunta se ele gostaria de matricular sua filha em um escola que permite um travesti peludo mijar no banheiro de garotas. Pergunte o que ele acha do movimento LGBTQSUVXYZ.

    Isso tudo é invenção cultural de classe média descolada e despreocupada. Na periferia, os textões de Facebook -- que tentam banalizar todas essas aberrações -- não chegam.

    E, onde a cultura tradicional se mantém, valores de esquerda dificilmente ganham corpo.

    Sim, os pobres de vez em quando votam no PT, mas fazem isso simplesmente porque todos os outros partidos são iguais. E também nunca souberam qual é a verdadeira agenda cultural do PT. Qual realmente foi a oposição "de direita" ao PT nos últimos 13 anos? Quem foi à TV (principal veículo de comunicação dos mais pobres) desmascarar a agenda progressista do PT? Com tamanha ausência de oposição e de desmascaramento, é claro que os pobres iriam votar no PT.
  • Usias Batista da Silva  05/04/2017 19:24
    Concordo plenamente com você, José Márcio Santana, e não só na periferia, se for nas cidades do interior de qualquer estado verificará as mesmas circunstâncias. E realmente não tivemos uma oposição liberal até 2014, durante o governo Lula, o maior liberal mudou de nome para não se identificar com o movimento liberal e depois se dividiu num partido que se aliou a Dilma.
  • anônimo  18/04/2017 01:31
    Simples e direto! Agente não somos inúteis... Kkkk.
  • Fabio R. Moreira  12/06/2017 18:48
    Eu concordo plenamente, põe um travesti ou uma bichinha sem pudor pra desfilar no meio da favela e observa a reação das pessoas. Eu já vi com os meus próprios olhos, e posso dizer que é de escárnio total pela "ideologia de gênero". Na favela não existe politicamente correto.
  • Renan Merlin  03/07/2017 01:21
    Outro discurso que só fica no imaginario dos intelectoloides de esquerda e de que bandido e uma vitima da sociedade, alias os linchamentos de menor ladrãozinho na periferia por ex mostra bem o que o morador de periferia pensa a respeito da redução da maioridade penal.
  • JPBRM  04/04/2017 20:14
    Penso que o item 8) Há mais individualismo que solidariedade. Poderia ter sido melhor redigido "há mais individualismo que socialismo'. Solidariedade é um termo muito amplo, da forma que está escrito dá a idéia que o individualismo nunca é solidário, gerar emprego não seria solidariedade? Ser empreendedor e abrir espaços para outros ajudarem não é solidariedade?
  • Edson  04/04/2017 20:45
    Prezado, mas isso é o que foi efetivamente escrito pela Fundação Perseu Abramo. Está escrito lá, nas últimas páginas clique no link):

    "[O cidadão pobre] Tem a igualdade de oportunidades como ponto de partida e a defesa do mérito como linha de chegada. Trata o mercado como instituição mais crível que o Estado, a esfera privada mais relevante que a pública e cultiva mais o individualismo do que a solidariedade. Tem como valores prioritários o sucesso, a concorrência, o utilitarismo e mercantilização da vida."
  • Rafael  08/04/2017 01:13
    A solidariedade entre cidadãos é rechaçada pelos socialistas, pois quebra a dependência dos excluídos em relação ao estado.
  • Lel  04/04/2017 20:24
    Ótima notícia.
  • João  05/04/2017 09:11
    Ficou ótimo o artigo.

    Obrigado por atender ao pedido.
  • Yasmin  05/04/2017 14:45
    Sensacional a exposição dessa verdade que eu já conheço empiricamente. Pobre é conservador e odeia o Estado.
  • Aluisio  05/04/2017 14:48
    Na verdade começa e me parecer que eles estão abandonando o argumento dos pobres e indo pro argumento das minorias.
  • Isabela   05/04/2017 14:57
    Sim. Agora vão desprezar o discurso dos pobres... Vão taxá-los de massa de manobra do capitalismo... Eles sempre têm uma saída... Vão focar nas minorias sempre visando o conflito, antes entre classes, agora será gerar conflito entre sexos, raças, religiões, famílias, liberar as drogas, aborto e o que mais puderem fazer para fragmentar a sociedade e enfraquecê-la como um todos.
  •   05/04/2017 16:44
    liberar as drogas

    Nesse ponto, é o correto a se fazer.

    Todas as drogas devem ser descriminalizadas. E isso é defesa da liberdade individual, e não de esquerdismo (embora seja uma bandeira do esquerdismo, mas é uma bandeira do esquerdismo pelas razões erradas).
  • Minarquista  10/04/2017 19:27
    O meu corpo é meu, e faço com ele o que eu quiser, a menos que meus atos causem danos a terceiros.

    Então, as pessoas podem usar drogas livremente, a menos que alguém prove que, ao liberar a droga X, teremos como conseqüência violência contra terceiros inocentes. Prove que os usuários de drogas vão roubar e matar terceiros inocentes para conseguirem a próxima dose dessa droga X...

    Se essa prova existir, será suficiente para tornar a questão passível de escrutínio da maioria.

    []s
  • Janjão  10/04/2017 20:27
    "Prove que os usuários de drogas vão roubar e matar terceiros inocentes para conseguirem a próxima dose dessa droga X...
    Se essa prova existir, será suficiente para tornar a questão passível de escrutínio da maioria
    "


    Raciocínio errado e anti-libertário.

    A parte errada: não há falar em "prova" de que "usuários de drogas vão roubar e matar": essa prova é impossível de ser feita e obtida; ora, como se poderia provar isso? E ainda que isso fosse possível, essa prova só poderia ser obtida caso a caso, e uma eventual prova que somente pode ser obtida caso a caso não tem o condão de servir de base para uma questão de princípio. Logo, você incorre em category mistake aí.

    A parte anti-libertária: a eventual "prova" de que usuários vão agredir terceiros já é usada como argumento subjacente ao atual arranjo de proibição de drogas; logo, já está subjacente ao "escrutínio da maioria" que ensejou a legislação anti-drogas do atual arranjo. Logo, na prática, o seu raciocínio leva a defender o atual arranjo (proibição de drogas).

    Outrossim, eventual "prova" disso não seria suficiente para o "escrutínio da maioria", por um motivo muito simples: o que se deve punir é o roubo e/ou o assassinato, e não o uso de drogas que pode ter ocorrido antes de o usuário ter roubado e/ou matado. O que se pune é a (iniciação de) agressão; e não eventuais atos prévios a ela (incluindo consumo e comercialização de drogas). Isso é básico.

    E também não é suficiente ao "escrutínio da maioria" pq o uso e comercialização de drogas diz respeito à voluntariedade das trocas entre pessoas; logo, diz respeito a direitos individuais/naturais. E submeter direitos individuais/naturais ao "escrutínio da maioria" é um ato de tirania.
  • Minarquista  10/04/2017 21:27
    Caros Janjão e Magno:

    Obrigado pelas respostas. Infelizmente, ambos estão errados.

    Vejam que vocês estão defendendo a liberdade absoluta de ação do indivíduo. Como primeira aproximação não está ruim. Mas é um raciocínio muito primário. Vamos mais fundo:
    O que eu estou falando é que a ação do indivíduo tem limites em alguns casos excepcionais.
    Ninguém pode se meter nos meus atos que não interfiram na vida de terceiros. Fato!
    Agora, se meus atos interferem na vida de terceiros, eles são passíveis de escrutínio da maioria.

    A questão agora é ligar o consumo de substâncias, com danos a terceiros. Pergunta:
    Posso beber e dirigir, colocando a vida de terceiros em risco? Não!
    Colocar terceiros em risco, mesmo que de forma genérica, já é um potencial "dano a terceiros".
    Não precisamos esperar um motorista bêbado matar alguém para puni-lo. Todos devem ser previamente proibidos de dirigirem bêbados.

    O mesmo pode valer para qualquer substância. Se ficar provado que o consumo da substância A, coloca em risco terceiros inocentes, isso é suficiente para a maioria decidir se a substância A pode ser consumida ou não.

    Analogamente, a maioria pode proibir:
    a) que aviões experimentais sobrevoem áreas urbanas. (já é assim)
    b) depósitos de material explosivo em áreas urbanas. (já é assim)
    c) que eu dirija em alta velocidade. (já é assim)
    d) que eu lance no ambiente substâncias venenosas. (já é assim).

    Tudo é uma questão de entender as colisões de direitos naturais. Quando a sua liberdade não interfere na de terceiros, os direitos naturais são absolutos.
    Mas quando os atos de um indivíduo prejudicam terceiros, a coisa complica um pouco mais...

    []s


  • Janjão  10/04/2017 23:22
    "Infelizmente, ambos estão errados".

    Não, cidadão. Errado está você. Aliás, você está mais do que errado: a sua resposta mostra que vc defende as mesmas coisas que aqueles que têm tara por controlar a vida dos outros.


    "Colocar terceiros em risco, mesmo que de forma genérica, já é um potencial "dano a terceiros""

    Isso, protótipo de tiranete, bem certinho. Condutas com "potencial" de danos a terceiros já justificam "escrutínio da maioria"? Mas o gênio aí não se dá conta de que quem definirá o que tem "potencial de danos a terceiros" será essa mesma maioria?

    Uso de drogas tem "potencial de danos a terceiros"? Ah, claro, segundo a "maioria" sim. Então vamos proibir o uso de drogas! E assim vai: o que a "maioria" (ou seja, o que o governo) entender como tendo "potencial de danos a terceiros" será proibido. E não existe critério nem maneira objetiva de delimitar o que seja "potencialmente danoso" a terceiros.
    Nada pode ser mais anti-liberdade individual do que isso; nada pode ser mais anti-libertário do que isso; nada pode ser mais imoral do que isso.

    Entenda o básico: o que se deve punir é o agressão, e não o uso de drogas que pode ter ocorrido antes de o usuário ter iniciado agressão. O que se pune é a (iniciação de) agressão; e não eventuais atos prévios a ela (incluindo consumo e comercialização de drogas).


    "Não precisamos esperar um motorista bêbado matar alguém para puni-lo. Todos devem ser previamente proibidos de dirigirem bêbados"

    Essa sua frase fala por si só: abertamente defendendo punição de "crimes" sem vítimas; abertamente defendendo punição pelo consumo de substâncias sem qualquer iniciação de agressão; abertamente defendendo que o estado proíba aquelas condutas que o estado (a "maioria" numa social-democracia), arbitrariamente, entenda como sendo "potencialmente danoso".


    "O mesmo pode valer para qualquer substância"

    Chega a ser nojento um cidadão vir aqui abertamente defender esse grau de intromissão estatal na vida privada das pessoas e usar nick "minarquista". Tenha a hombridade de assumir aquilo que você defende, cidadão.


    "Se ficar provado que o consumo da substância A, coloca em risco terceiros inocentes, isso é suficiente para a maioria decidir se a substância A pode ser consumida ou não"

    Ah, é? E quem é que "prova" isso? Ah, um burocrata da Anvisa, né? Que lindo! Um burocrata da Anvisa "prova" que a substância A coloca em risco terceiros inocentes, e então resolve "submeter essa questão" ao "escrutínio da maioria", para essa "maioria" decidir se vai interferir ou não na vida privada da pessoa que resolve consumir a substância A...

    Que excelente... Bela descrição de autoritarismo social-democrata paternalista.

    E outra: conforme já dito, uso e comercialização de drogas não tem nada a ver com questão de "prova" disso ou daquilo; tem a ver com direito naturais; proibir uso e comercialização de drogas viola direitos naturais; logo, é imoral.


    "Analogamente, a maioria pode proibir:"

    Isso, maravilha, o estado pode proibir tudo que quiser. Ah, não, desculpe, você quer dizer que pode proibir "somente" aquilo que a "maioria" entender como tendo "potencial danoso" para terceiros, né... Uau! Tem mesmo uma grande diferença!


    "Tudo é uma questão de entender as colisões de direitos naturais"

    Tudo é uma questão de você entender o básico sobre liberdades individuais: a liberdade de uma pessoa só interfere na liberdade de terceiros quando há iniciação de agressão a esses terceiros, e se a pessoa quiser consumir a droga X ou Y não é um tiranete de nick "minarquista" que vai ter o direito de dizer se essa pessoa deve ou não consumir essa substância, porque o que se pune é a agressão, e não eventual consumo da droga X ou Y que tenha eventualmente tenha ocorrido antes dessa agressão.

    Defender proibições de consumos de substâncias sob o pretexto de um inexistente "conflitos de direitos naturais" é apenas defender a submissão de direitos individuais/naturais ao "escrutínio da maioria" é um ato de tirania.

    Se você não entendeu isso ainda, não entendeu o básico do básico (ou não quer ou não tem capacidade para entender).

    E enquanto você não entender isso, submeter direitos individuais/naturais ao "escrutínio da maioria" é um ato de tirania.

  • Janjão  11/04/2017 00:19
    "Infelizmente, ambos estão errados"

    Ah, claro, para alguém que dá uma resposta como essa sua - revelando toda sua faceta autoritária-social-democrata-paternalista - só posso estar "errado" mesmo.

    Mas o moralmente errado aqui é você. E bota errado nisso.


    "Colocar terceiros em risco, mesmo que de forma genérica, já é um potencial "dano a terceiros"".

    Claro, é o que pensa todo e qualquer tiranete: aquilo que "coloca terceiros em risco mesmo que de forma genérica" já merece proibição (e punição) estatal.


    "Não precisamos esperar um motorista bêbado matar alguém para puni-lo. Todos devem ser previamente proibidos de dirigirem bêbados."

    Excelente descrição do autoritarismo paternalista; de fato, é bem assim numa social-democracia paternalista: proíbe-se (e pune-se) "crimes" sem vítimas; proíbe (e pune-se) condutas independentemente do fato de elas constituírem (ou não) atos de iniciação de agressão a terceiros.


    "O mesmo pode valer para qualquer substância"

    Claro, assim pensa todo e qualquer tiranete.


    "Se ficar provado que o consumo da substância A, coloca em risco terceiros inocentes, isso é suficiente para a maioria decidir se a substância A pode ser consumida ou não"

    Ah, é? E como se faz essa "prova"? Ou melhor: quem faz essa "prova"? Ah, já sei: um burocrata da Anvisa. Maravilha! Daí o burocrata da Anvisa submete a questão para um político, para esse submeter à maioria, para essa decidir se a "substância pode ser consumida ou não".
    Que maravilha de arranjo! Fazia tempo que não lia uma descrição tão bacana do autoritarismo paternalista.


    "Analogamente, a maioria pode proibir"

    Uau, é bacana essa "maioria" hein?

    Ela "pode" proibir tudo que quiser!

    Ah, não, desculpa, você disse que ela pode proibir tudo que entender como "potencialmente danosa a terceiros"; realmente, é uma grande diferença!


    "Tudo é uma questão de entender as colisões de direitos naturais""

    Ah, sim, claro, como os controladores da vida alheia não pensaram nessa "justificativa" tão brilhante antes?


    Cidadão, entenda uma coisa: o que se deve punir é a agressão (à pessoa ou à propriedade), e não o uso de substâncias que pode ter ocorrido antes de o consumidor da substância ter praticado agressão. O que se pune é a (iniciação de) agressão; e não eventuais atos prévios a ela (incluindo consumo e comercialização de drogas).

    Só há "colisão" de direitos quando há agressão; consumir substância não é agredir ninguém; logo, querer punir alguém por consumir substância X ou Y não passa de tirania; logo, querer proibir uso e comercialização de substância (a pretexto de "potencial dano a terceiros") não passa de tirania; em suma, submeter direitos individuais/naturais ao "escrutínio da maioria" é um ato de tirania.

    Enquanto você não entender isso, vc vai continuar a defender imoralidades (e a dizer besteiras).

    P.S.: tão brilhante é esse seu critério - substâncias "potencialmente lesivas" e "escrutínio da maioria" - que temos proibição de maconha e liberação de álcool, tudo por obra da mesma "maioria" (que, claro, decidiu assim com base numa "prova" do potencial de risco a terceiros!).





  • anônimo  24/07/2017 01:14
    Cambada de comunistas! Defendendo idéias absurdas!
  • anônimo  24/07/2017 01:15
    PQP! Como tem comunistas falando aí neste blog!
  • Magno  11/04/2017 00:33
    Absolutamente estúpida essa sua resposta.

    Não existe nenhuma "colisão de direitos naturais" quando um sujeito consome a substância X ou Y: o que você defende - proibição (e punição) de uso e comercialização de determinadas substâncias - é que viola o direito natural de auto-propriedade e o direito natural de realização de trocas voluntárias.

    E você insiste com essa conversa de "se ficar provado"...

    Cidadão, uso e comercialização de drogas não tem nada a ver com questão de "prova" disso ou daquilo; tem a ver com direito naturais. Proibir uso e comercialização de substâncias viola direitos naturais; logo, é imoral. Ponto.

    Esse papo de "se ficar provado a maioria pode proibir" é a própria racionalização autoritária utilizada no arranjo atual (social-democracia paternalista).

  • Mario  25/07/2017 11:47
    Excelente colocação.
  • Vozes do Alem  09/05/2017 02:51
    Alguém acredita que o usuário dependente, que deixa de se alimentar porque o vício é mais forte que a fome usa a liberdade dele e escolhe continuar usando usar uma droga?
    Esse é o exemplo do consumidor racional que faria escolhas sensatas em uma análise de economia?

    Que o preço é alto só pela falta de oferta e ignora a incapacidade do viciado controlar o vício?

    Esse ser racional vai substituir uma droga mais forte por uma mais fraca porque é mais barata?

    Acha que uma sociedade onde tudo que é tipo de droga poderia ser liberado seria melhor?
    Só pra lembrar as drogas sintéticas já foram vendidas em farmácia antes de serem proibidas. Por que proibiram se tava dando certo e pagando impostos?

    Existe algum país no mundo (com mercado, governo e exercito) onde drogas recreativas sejam realmente liberadas? Existiu algum que teve algum sucesso?
    Ou não durou muito e foi invadido?

    Ou liberar as drogas consegue ser mais eficiente para destruir um país que o socialismo?

    Por favor, adoramos ouvir pessoas defendendo a liberação das drogas e conhecer sua lógica. Com base na liberdade de escolha do viciado, fica perfeito.
  • Magno  10/04/2017 20:31
    "Se essa prova existir, será suficiente para tornar a questão passível de escrutínio da maioria"


    Uso e comercialização de drogas NÃO TEM NADA A VER com questão de "prova" disso ou daquilo; tem a ver com DIREITOS NATURAIS. Proibir uso e comercialização de drogas viola direitos naturais; logo, é imoral. Ponto.
  • Vozes do Alem  09/05/2017 02:24
    Seu corpo é seu e você faz o que quiser?
    O que quiser?
    Claro que não faz o que quiser!

    Se alguém entra em um hospital e pede uma cirurgia que possa ser considerada como prejudicial essa pessoa é encaminhada para outro tipo de tratamento.
  • Igor  23/06/2017 20:44
    Você esqueceu de um simples, mas importante, detalhe: o médico tambem tem a liberdade de fazer o que quiser com o corpo dele. E para operar ele usa o corpo dele, mais precisamente as mãos. Logo, ele tem a liberdade de recusar o pedido do indivíduo de acordo com este princípio.

    Se o cara que quer ser operado ainda desejar, procure outros.
  • Tarantino  09/04/2017 22:30
    Que liberem as drogas...a seleção natural se encarrega do resto.
  • Um pai qualquer  10/04/2017 11:58
    "Que liberem as drogas...a seleção natural se encarrega do resto"

    Você com certeza não deve ter filhos para comentar com tamanha insensibilidade.

    Ainda que você diga que isso é responsabilidade dos pais, nós pais não controlamos todas as decisões dos nossos filhos, e por melhor educação que possamos dá, todos estão sujeitos aos erro, principalmente os mais jovens.
  • Outro Pai  10/04/2017 13:16
    "pais não controlamos todas as decisões dos nossos filhos, e por melhor educação que possamos dá, todos estão sujeitos aos erro, principalmente os mais jovens"

    Ah, sim, e daí vc acha imprescindível o "papai estado" controlar a vida alheia, emitindo proibições que causam corrupção, fortalecimento de gangues violentas e consequente matança generalizada de pessoas inocentes? Nossa, que pai sensível e humano que vc é.
  • Clelio Maia Santos  10/04/2017 15:32
    E quem foi que inventou que Libertário tem que ser a favor da liberalização de drogas?
  • Janjão  10/04/2017 20:14
    "E quem foi que inventou que Libertário tem que ser a favor da liberalização de drogas?"

    E você ainda não aprendeu o básico.

    Proibição estatal de comércio de drogas viola o princípio da não-agressão; viola a voluntariedade das trocas pacíficas; logo, viola os princípios básicos do libertarianismo.

    Logo, quem defende proibição de comércio de drogas pode ser qualquer coisa, menos libertário.
  • Ex-microempresario  10/04/2017 19:11
    Então por coerência vc deve defender a proibição total e imediata do cigarro e de todas as bebidas alcoólicas.
  • Tarantino  02/05/2017 19:09
    Caro cidadão:

    Tenho 2 filhos já crescidos, e felizmente, muito bem criados.

    Embora seja algo que, se acontecesse com meus filhos, eu lamentaria muito, também é verdade que, como o senhor mesmo afirmou;

    "Ainda que você diga que isso é responsabilidade dos pais, nós pais não controlamos todas as decisões dos nossos filhos, e por melhor educação que possamos dá, todos estão sujeitos aos erro, principalmente os mais jovens"

    Portanto, por mais frio e insensível que possa parecer, na verdade criamos os filhos para o mundo, e não para nós, e não temos controle sobre as decisões alheias. O máximo que podemos fazer é orientar o melhor possível. Gostaria de poder fazer mais, mas não posso trancar meus filhos em uma redoma de vidro. A vida é de cada um, e isso é a maior afirmação de liberdade que pode haver.
  • marcelo lanzara  03/05/2017 14:21
    Quer dizer então que devemos liberar todo tipo de droga e punir o indivíduo por suas ações, estando ou não sob influência dessas?
    Esse é o tipo de liberdade que desejam? Ok. E quando o indivíduo pode começar a escolher por si e ser julgado pelos seus atos? Após 18a? Ou desde criança?
    Como essas pessoas educam seus filhos?
    Fiquei curioso em saber...
  • Tarantino  03/05/2017 21:34
    Liberdade é um bem precioso, porém nem todos estão preparados para usufruí-la. Como diz o velho chavão, "Liberdade requer responsabilidade", e acrescento ainda que requer também uma boa dose de bom senso.
    E bom senso é justamente aquilo que a maioria de nós julga ter em quantidade suficiente, rs...obviamente, essa afirmação não é verdadeira.
  • Igor  24/06/2017 17:13
    Os pobres sempre entraram como "minorias" na narrativa da esquerda. Até criaram a retórica de que minoria não é numérica, mas sim representativa e de empoderamento.

    O que a esquerda está fazendo diante este resultado é dizer que se distanciou da pobreza, e que estes não tem consciência que estão defendendo o discurso do opressor, que os massacra via "grande mídia". O cinismo e o modus operandi de acusar os outros do que eles fazem (quem quer dominar e oprimir os pobres são os marxistas) continua o mesmo!
  • Felipe Lange S. B. S.  05/04/2017 14:54
    Muito interessante a pesquisa.

    O catolicismo, apesar de ter algumas contradições na Bíblia, serve como foco de resistência. Eu que sou ateu, reconheço isso. Lembro bem de quando estava na Providência Santíssima e um dos padres de lá criticou o feminismo e diz que o movimento não quer igualdade e sim quer que a mulher seja superior ao homem.

    Agora vou usar o meu achismo. Deve haver uma questão psicológica também. O pobre é o que vai mais sentir o peso do estado, inclusive o seu filho. O filho do rico (ou quem tem melhor renda) sente menos, principalmente o mais mimado e paparicado. Sempre recebeu tudo do melhor sem se esforçar e acha que as coisas caem do céu. Nunca tentou arrumar um trabalho e acha que os outros têm obrigação de se sacrificar por ele. É o tipo de gente que vai querer "direitos" e que acha que riqueza se cria por decreto. Ele tem mais tempo para realocar em bobagens esquerdistas em textos de Facebook. Eu posso constatar empiricamente num cursinho no qual eu vou. Uma grande parte dos que vão em cursinhos e vão no ensino superior estatizado os pais podem bancar com folga (veja o caso), inclusive o ensino superior privado e o filho pode estudar sem precisar trabalhar. O pai leva e busca em sua picape nova. Vai na Disney. Faz curso de inglês. Uma minoria é de filhos de pais mais pobres que se matam para poder pagar as mensalidades. Em alguns outros os pais simplesmente vivem apenas em função dos filhos (apesar de mais pobres, os mimam). Eu me enquadro no primeiro caso dos pobres do cursinho. Desde criança eu já fui acostumado à ter raiva do governo. Na minha época as importações eram mais fáceis. Quando apertaram a alfândega e fiscalização, além das taxações, senti na pele o que é o governo. Não tinha dinheiro para ficar comprando jogo original e brinquedos. Quais desses casos acima você acha que a pessoa vai ser mais propensa em clamar por "direitos" e achar que o estado cria coisas do nada?
  • Sharles Sa  05/04/2017 14:57
    PQP que texto sensacional!
  • Gustavo  05/04/2017 15:09
    Olavo de Carvalho já diz há tempos que governos de esquerda já desistiram de contar com os mais pobres (também conservadores) para garantir sua soberania. Hoje, os governos de esquerda buscam sua sustentação junto àqueles que vivem à margem da sociedade. Ex: assassinos, traficantes, usuários de drogas, prostitutas, pedófilos.

    Dito isso, fica evidente o motivo de toda a defesa dos DIREITOS HUMANOS e de certas REGALIAS para os "excluídos" da sociedade - conhecidos como 'vítimas' ou 'suspeitos'.
  • Clelio Maia Santos  10/04/2017 15:37
    Só há um caminho, que não é de Esquerda nem de Direita.
  • Adriano  05/04/2017 16:29
    É regozijante ver que um dos partidos mais canalhas que já existiram reconhece isso publicamente. O PT acabou. Espero que essa corja nunca saia do fundo da lama em que se meteram. Que sejam execrados ad aternum pela população. Já vão tarde, seus malditos!
  • Frederic  05/04/2017 16:32
    "Nunca antes na história desse país" ideias liberais estiveram florescendo como agora.
    Nao percamos essa grande oportunidade.
    Este espaço do Mises Brasil, foi e é fundamental para continuar o processo de esclarecimento e consequente derrota do esquerdismo.
    Tal pesquisa, aqui bem esmiuçada, não me casou espanto. Nosso povo na grande maioria é de gente que sente orgulho em vencer com seus próprios méritos.
    Os governos Lula/Dilma nos deram ao menos um bom desfecho, jogaram uma pá de cal nas funestas ideias socialistas.
  • Raphael Vieira  06/04/2017 02:11
    Pobre de direita é mais comum do que se pensa e mais certo do que a esquerda diz.
  • Henrique Lemos  06/04/2017 02:13
    Ideias liberais reais se tornaram acessíveis no Brasil de uns 10 anos para cá (graças a internet) e o país hoje vê os adeptos deste ideário crescer exponencialmente simplesmente porque ele é latente em todo individuo.... Já o ideário de esquerda é infiltrado via meio acadêmico desde a década de 30 e por mais seguidores doutrinados que possua não é natural e sempre irá morrer na praia.
  • Fernando  06/04/2017 02:15
    Cansei de ver esquerdista se achando o intelectual do facebook, chamando pobre de burro só porque não vota mais na esquerda... muito bom ver o desespero desse povo sem noção ao finalmente perceberem que pobre na verdade odeia o estado.
  • Diego Gomes  06/04/2017 02:17
    Espanto nenhum. Socialismo fabiano é coisa de quem mora no Itaim Bibi e marxismo cultural é coisa de quem mora em Pinheiros. Lá na quebrada é Deus, Família, Pátria e Trabalho!
  • Lucas  06/04/2017 02:20
    Cara, as pessoas pobres são totalmente capitalistas, trabalham desde cedo, batalham, sonham, almejam uma vida melhor.. quem defende socialismo é aquele bando de burguesinho sustentado pelos pais ou por algum concurso público que não sabe o que é ter uma vida dura....
  • Bruno   06/04/2017 20:05
    Acho difícil de acreditar nestes dados. If something is too good to be true, it ain't...

    Atendo pobres no SUS todo dia (sou médico) e honestamente não vejo qualquer indício do que foi descrito acima. O que percebo é uma vontade enorme de depender cada vez mais do auxílio do Estado, seja por meio de benefícios ou de privilégios. Mesmo aqueles que pensava serem mais libertários (como lavradores), me pedem laudos para "encostar pelo INSS", mesmo que tenham uma simples enxaqueca.

    Mas acho que isso é natural, afinal todos vão de uma posição menos confortável para uma mais confortável, correto? Esse é o país que temos hoje. Não vejo saída.
  • vladimir  06/04/2017 23:50
    A prosperidade de uma nação não se faz pela extensão de seu território ou pelos recursos naturais, mas sobretudo pelo caráter de seu povo.
  • Lucas  17/04/2017 18:09
    Enquanto não mudar a mentalidade de que o mal do país é somente quem está no poder , de nada irá adiantar! O caráter do povo reflete em todos os níveis! A política é o reflexo da sociedade!
  • Recruta  02/06/2017 02:34
    Concordo com você e vou além. Esse desejo de "encostar" permeia todos os setores da sociedade brasileira, não só os mais pobres. Vide o debate em relação ao sistema de previdência publica, num "clamor" de toda parte por manter ou até mesmo reduzir o tempo de contribuição e aposentar-se cedo a custa da sociedade (alias, esse sistema de previdência deveria ser totalmente extinto, pois é alvo fácil dos oportunistas).

    Nossa classe política é apenas uma amostragem estatística do que é o Brasil. E se a maioria (e aqui é de fato a maioria) quer viver a custa dos outros, dificilmente qualquer mudança em direção contrária passará nos debates políticos.

    Nossos impostos não baixam porque há essa demanda da sociedade por mais "benefícios", mais benesses e por conseguinte mais gastos do poder publico.
  • Igor  24/06/2017 17:28
    Por outro lado, anos atrás, quando as UPPs no Rio ainda davam relativamente certo, estive em uma rodada de palestras sobre abertura de empresas e empreendedorismo onde teve participação majoritária de moradores de favelas "pacificadas" que estavam abrindo ou querendo abrir o próprio negócio. Até hoje converso com dois deles, é praticamente todas as dificuldades que eles possuem são geradas direta ou indiretamente pelo Estado. São pessoas que tem nítido interesse de crescer pelo trabalho, e não continuar pobre "encostado" pelo INSS.

    Infelizmente, o estado grande tenta fazer de tudo para impedir, querendo os manter sobre o espírito do paternalismo - que é justamente o que cria este comodismo da dependência estatal (o "encostado").
  • cmr  07/04/2017 14:05
    Deve ser por isso que estão importando haitianos, africanos e muçulmanos.

    Já que o povão não compra mais esses discursos, o jeito é apelar, encher isso aqui de gente que apoiará esses partidos fuleiros.
  • FERNANDO CARITAS DE SOUZA  08/04/2017 23:02
    Com o acesso a informação mais disponível hoje em dia, literalmente na palma da mão, mesmo as classes menos abastadas conseguem entender que o Estado não consegue suprir a todos o tempo todo. Eles sabem que são seus impostos que bancam todos esses programas sociais e que se a demanda continuar crescendo é impossível sobreviver às custas do Estado. A guerra há tempos deixou de ser por hegemonia econômica (Economia planificada X Livre mercado), e passou a ser cultural. A única maneira da Esquerda se propagar no poder por mais tempo é se ela conseguir destruir nossa cultura fundada em bases judaico-cristãs. É o que está acontecendo na Europa hoje e tentou-se implantar na América do Norte com Obama e os Clintons. Como alguém disse por aqui, o brasileiro humilde, do interior ou da periferia, ainda é muito conservador nos seus costumes e tradições, dificilmente abriria mão disso. O problema está na Escola, no que andam propagando para nossos jovens. Aí se trava a maior guerra cultural de todos os tempos. Ou prestemos atenção naquilo que andam incutindo na cabeça de nossas crianças ou perderemos mais uma geração. Por isso louvo a iniciativa do Instituto Mises Brasil em querer doar cerca de 3.000 livros às escolas paulistas sobre noções de economia para crianças. Se os libertários não atacarem o mal pela raiz (na escola) a luta será longa e com possibilidade de confronto armado.
  • Pobre Paulista  11/04/2017 11:28
    Na verdade o resultado dessa pesquisa é preocupante, ela formaliza a capitulação do fracasso da estratégia esquerdista e abre caminho para novas formas de controle.

    Em breve estarão usando o discurso liberal para reconquistar os corações da classe baixa, mas com o único propósito de se perpetuar no poder. E nesse processo ganharão o apoio de muita gente que não irá perceber o plano maior deles.
  • Gustavo Loyola da Silveira  11/04/2017 12:56
    Não entendo o pensamento de vocês, querem acabar com o Estado só que isso é impossível, sorte dos EUA que em suas recessões e guerras o partido Democrata sempre ganhava(exceção de 1929 governo Republicano incapaz de combater a depressão com pensamento muito similar na época). Voltemos a questão nos tivemos duas grandes recessões 1929 e 2008 uma de superprodução e desregulamentação e outra financeira/endividamento com baixa regulação. Nas duas crises a saída rápida a crise se da pela política fiscal, O grande Roosevelt pai do Welfare State recebeu um conselho de um economista chamado john maynard Keynes sobre como o estado deveria agir em crises , e o resultado imagino que saibam em 1936 economia recuperada, em 1945 80% da capacidade industrial do mundo e desemprego em queda. Então pensem mentes sadias sem ação governamental os EUA não seriam a maior potencia capitalista do mundo. Vejam desenvolvimento econômico japonês e chinês e iluminem suas cabeças . Concordo com vocês Dilma foi terrível e ainda mais com seu ajuste fiscal de curto prazo elaborado pelo Joaquim Levy.
  • Guilherme Ribeiro  11/04/2017 13:11
    Esse aí, tadinho, é cru ainda. Recém-saído da 8ª série, é incapaz de apresentar um único pensamento original, que não seja repleto de chavões, clichês e lugares-comuns.

    O estado causou e prolongou as duas recessões. Inclusive, em 1929, conseguiu a façanha de transformar uma recessão corriqueira em uma depressão de 16 anos. Um espetáculo.

    Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão - esclarecendo causa e consequência

    Como Franklin Roosevelt piorou a Depressão

    O New Deal ridicularizado (novamente)


    Sobre 2008:

    Como ocorreu a crise financeira americana


    Se quiser ler um livro sobre o assunto, inteiramente pesquisado e fundamentado:

    A grande depressão americana

    Bons estudos.
  • Markus  11/04/2017 13:22
    Um cara que diz uma boçalidade dessas - "nos tivemos duas grandes recessões 1929 e 2008 uma de superprodução e desregulamentação" - nem merece consideração.
  • William  15/04/2017 14:10
    Não sei qual foi a novidade. Pobre tem fortes tendências reacionárias. Posso falar por categoria, pois também sou pobre.
    Graças a meus estudos e a diversos sites, como este, evoluí um pouco meu pensamento político. Hoje sou libertário.
    Mas, basta conversar com nosso avós, pais e mães que não tiveram nada na infância. Pelo menos na maioria dos casos que conheço, sempre nos incentivaram a estudar, trabalhar, conseguir ascensão na vida com as próprias pernas e não depender de ninguém. Sempre pensei no meu bisavô e avó. Meu bisavô morreu com 97 anos, nascido em 1906. Era negro, deve ter vivido uma época péssima, porém nunca falou nada a respeito. Se hoje tenho um teto é graças a ele.
    O curioso é que, quem mais tem essa tendência ao socialismo são as pessoas que nasceram em famílias abastadas e não tem muita preocupação com o futuro, visto que o mesmo, em teoria, estaria garantido pelas heranças.
    Conforme muitos já comentaram, o morador da periferia tem mais com o que se preocupar do que ideologia de gênero, apropriação cultural, seiláoquefobia, etc. O povo quer uma vida digna. O povo não quer pagar impostos. O povo quer emprego, quer moradia.
    Esses chavões e assuntos batidos fica pra turminha que não precisa trabalhar e está mais interessada em fazer textões no Facebook.
  • Rafael Rosset  16/04/2017 16:00
    Desigualdade social não é e nem nunca foi pauta de pobre. É pauta de rico culpado e desocupado. Pobre quer um trabalho, receber o salário em dia, pagar a conta da Net e poder assistir Netflix na sua TV nova de 42 polegadas comprada em 12 parcelas nas Casas Bahia.

    Pobre não se sente espoliado quando o patrão aparece de carrão novo: pobre quer financiar o próprio carro, que pode ser popular, em 60 meses, sabendo que nenhuma presidenta acéfala vai aprontar alguma estripulia em escala monumental gerando a maior crise da história recente a pretexto de ajudar o pobre.

    Pobre não liga se o patrão mora numa casa bonita num bairro bacana, ele quer poder ganhar o suficiente pra sobrar alguma coisa no fim do mês, que ele possa juntar e um dia dar entrada no próprio apartamento dele, onde ele vai colocar aquela TV de 42 polegadas e estacionar o carro já quitado.

    O pobre não quer saber de empoderamento, hegemonização, conscientização, blackface ou manterrupting. Pobre quer um iPhone 6, de preferência com um plano de dados legal, pra ele poder curtir os posts dos amigos.

    Pobre não quer igualdade, pobre quer mais é capitalismo e dinheiro no bolso.
  • Pobre  16/04/2017 21:39
    É exatamente isso que quero.
  • Renegado  18/04/2017 13:11
    E eu tb. E uma das formas de termos mais dinheiro sobrando para ter tudo isso, é o estado deixando de roubar quase metade da nossa renda anual (inclusive de empresários). Já seria um bom começo.
  • Rodrigo Campos  18/04/2017 13:33
    Hahahahah!
  • WDA  19/04/2017 16:34
    O pobre, eu que não estou muito longe disso e qualquer um que seja decente e mentalmente saudável "não se sente espoliado quando o patrão aparece de carrão novo", ou quando qualquer pessoa decente, mediante meios legítimos tenha conquistado algo, seja muito ou seja pouco.

    Quem fez por merecer o que tem ou teve a sorte de obtê-lo por qualquer meio legítimo deveria ser prezado por isso, e não vilipendiado.

    O "pobre" poderia não precisar de trocentas parcelas para obter tudo o que você mencionou e ainda mais, se por aqui tivéssemos MAIS capitalismo. Isso JÁ acontece em países mais capitalistas que o nosso (EUA, Noruega, Nova Zelândia, Cingapura, etc.) e poderá ir muito além, desde que eles mantenham ou aprofundem o capitalismo nessas regiões.
  • Wederson Geovane de Paula   29/04/2017 01:31
    Eu fiquei impressionado com a sabedoria popular. Não imaginava que a população comum que não tem acesso à academia pudesse ter uma análise tão profunda do meio. Pensei que seriam percepções superficiais tais como a esquerda prega.
  • Eduardo R., Rio  03/05/2017 03:10
  • Bahia  02/06/2017 13:39
    Já tinha lido. Texto excelente.
  • Paulo Ramos  03/05/2017 19:28
    Ouso dizer que, no frigir dos ovos, ou seja, na parte prática da vida, ao trabalhadores mais humildes tem valores mais tradicionais e conservadores do que especialistas e analistas, mesmo identificados como liberais e conservadores. Uma coisa é ecoar um discurso acreditando em promessas vazias, outra coisa é ter um senso prático apurado. Infelizmente, faltou habilidade e discernimento na hora de avaliar os políticos e seus discursos segundo os valores individuais de cada um. Essa programação robótica, desenvolvida para confundir as pessoas, utilizada pela esquerda, jamais refletiu diretamente os anseios e as ambições da sociedade composta pelo cidadão comum. O que fez muita gente acreditar nessa absorção dos discursos políticos foram a mídia, os especialistas e quem produz conteúdo. A população se deixou enganar pela figura de Lula como sendo uma pessoa honesta e preocupada com o Brasil, mas sempre ficou á margem do ideário esquerdista.
  • Gloria  04/05/2017 19:11
    Olá, gostaria do contato dos autores desse artigo/pesquisa. Achei sensacional, serviu de inspiração para o meu TCC, queria conversar com eles (autores), pois tenho interesse em ''repetir'' esse estudo na comunidade onde eu moro, no Rio de Janeiro. Obrigada!
  • Ricardo   09/05/2017 13:19
    O PT e todos os derivados que o apoiam sempre tratou pobre como gado idiota incapaz de raciocinar por conta própria. Espero que um dia o PT seja extinto! Lixo
  • Kleber  23/05/2017 13:40
    O PT já devia estar extinto por se associar com o Foro de São Paulo, mas, como aqui é o Bostil...
  • a  27/05/2017 22:36
    A esquerda mundial nasceu morta, continua morta e "insiste em pensar" que não está morta.
  • Tiago  21/06/2017 17:39
    O arquivo com a pesquisa completa não está (mais) disponível por esse link. Gostaria de ver o arquivo completo.
  • Daniel Andrade Silva  22/06/2017 17:15
    Retiraram a pesquisa da busca do site da Fundação Perseu Abramo. Vergonha alheia. Ainda é possível acessá-la através desta pagina:
    https://fpabramo.org.br/publicacoes/wp-content/uploads/sites/5/2017/05/Pesquisa-Periferia-FPA-040420172.pdf
  • Ex-petista  22/06/2017 17:34
    Normal. E compreensível. Aliás, confesso até que não entendi por que eles demoraram tanto tempo pra tirar essa pesquisa do ar. Ela refuta o próprio sentido da existência do PT (que, na prática, sempre foi um partido de funcionários públicos).
  • manoel Aroeira  28/06/2017 20:08
    totalmente compreensivel, a populacao ja entrou em descredito noe stado ha muitos anos. E isso os esquerdopatas nao enxergam. basta ver como funciona o uber e os problemas que ele tem enfrentado por aqui no Brasil
  • ninguém  19/07/2017 08:31
    Como os salários aumentam sem os sindicatos?
  • Mario  25/07/2017 11:57
    Com o crescimento econômico. O aumento da demanda por mão de de obra eleva os salários e o mercado se ajusta sozinho. Vide a mão de obra mais popular que trabalham como autonomos (pedreiros, pintores, jardineiros,etc): seus preços são ajustados segundo as demandas de mercado. Concordo quenúmero de trabalho formal esse ajuste frente à demanda é mais difícil, frente ao engessamento decorrente da legislação trabalhista.
  • TMORAIS  03/08/2017 06:24
    Hebert Marcuse - membro do Partido Social-Democrata Alemão e integrante da Escola de Frankfurt - no livro "O Homem Unidimensional" (1964) afirma que os avanços tecnológicos tornaram a vida do proletariado confortável a tal ponto que esse grupo deixou de ser instrumento revolucionário. Partindo disso, Marcuse planta a semente do mal e constrói a ideia de que o novo instrumento revolucionário são os traficantes, assassinos, estupradores, assaltantes, ladrões, sequestradores e todo e qualquer marginal.

    Em 1979 presos políticos, conhecedores do marxismo e do leninismo, levam táticas revolucionárias à bandidagem encarcerada, encubando-lhes a estratégia militar (aprendida em Cuba) que lhes faltava para dominar o país. Forma-se o lindo e maravilhoso Comando Vermelho.

    Em 31 de agosto de 1993, na onda das idéias de Marcuse, com o discurso de "combate a opressão por parte do sistema carcerário" surge o lindo e maravilhoso PCC.

    No inicio do ano de 2017, com a pacificação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (FARC) - outra organização de cunho marxista/socialista - o PCC e o Comando Vermelho iniciaram uma disputa por aquilo que tem sido chamado de espólio das FARC. Atualmente o PCC domina boa parte da América Latina, já tem emissários na Europa e associação com Hezbollah.

    Hoje, 13,64% dos homicídios no mundo são no Brasil. Em 2016 foram 59.617 assassinatos. 55 mil assassinatos em média ficam sem solução. Estamos a frente da Síria no número de mortos por ano. A quantidade de assaltos é o dobro da média mundial. A cada 100 crimes cometidos, menos de 8 são solucionados.


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