Um pequeno teste de ética e moral


João e José são dois indivíduos comuns. Ambos são trabalhadores e honestos. Jamais roubaram nada de ninguém. Tudo o que têm foi conseguido com o próprio suor.

Eles jamais se conheceram. Jamais conversaram. Um jamais nada fez de ruim para o outro. São apenas dois indivíduos comuns que nunca se viram.

Dado este pano de fundo, assinale o que você pensa de cada um dos seguintes cenários abaixo:


1) João, do nada, agride José com um soco na cara.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão

 

2) João rouba o carro de José.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão


3) João rouba o dinheiro de José.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão

 

4) João rouba o dinheiro de José para dar aos pobres.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão


5) João rouba o dinheiro de José para pagar serviços médicos e educacionais para os pobres.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão


6) João pede para um grupo de pessoas roubar o dinheiro de José para redistribuir aos pobres e pagar-lhes serviços médicos e educacionais.

( ) Ético e moralmente correto

( ) Anti-ético e moralmente repreensível

( ) Sou indiferente e isentão

 

E então, a partir de qual cenário a agressão a um inocente honesto e trabalhador se tornou ética e moralmente correta?

__________________________________

Leia também:

Se você for um libertário, jamais conceda a superioridade moral aos seus detratores


7 votos

SOBRE O AUTOR

Willem Mantum
é um cidadão comum e autodidata em economia.



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POST POR DATA
  • Social-Democrata  02/02/2017 22:24
    De 1 a 3, primeira opção.

    4, terceira opção.

    5 e 6 segunda opção. O estado e os políticos têm o poder da transubstanciação; só eles podem transformar o mal em bem e o imoral em moral. No Brasil, mais ainda.

    É assim que eu penso.
  • Jovair  02/02/2017 22:56
    Haha, e é exatamente assim mesmo que essa gente pensa. Parecem ser incapazes de levar sua lógica moral ao extremo.
  • Emerson   02/02/2017 23:05
    Na verdade, a espoliação é tão constante, gradual e onipresente que a maioria das pessoas está habituada a ela como parte normal da vida.
  • Joao  03/02/2017 19:18
    Por isso esse país é como é. O Estado rouba os outros, com aval da galera. A população aplaude ser roubada.
  • Kafys   03/02/2017 05:49
    Que Kra fudido... Pqp
  • Virgilio  02/02/2017 23:17
    Segunda opção em todos.
  • Olga  03/02/2017 01:39
    pra mim também
  • 4lex5andro  03/02/2017 13:07
    [2]

    ''B'' em todas as questões.
  • Capital Imoral  02/02/2017 23:22
    Caro insituto Mises, é sempre uma felicidade poder ajudar, portanto irei responder este pequeno questionário.

    1) João, do nada, agride José com um soco na cara.
    (Talvez) Ético e moralmente correto
    Deixo está opção marcada para não cair nas armadilhas do capital. A pergunta que deve ser feita, josé é capitalista e vive da exploração dos pobres? se a resposta for sim, então marque esta opção com sim, se for não então aceite a opção abaixo.
    (x) Anti-ético e moralmente repreensível

    2)João rouba o carro de José.
    (Talvez) Ético e moralmente correto
    Deixo está opção marcada para não cair nas armadilhas do capital. A pergunta que deve ser feita, josé é capitalista e vive da exploração dos pobres? se a resposta for sim, então marque esta opção com sim, se for não então aceite a opção abaixo.
    (x) Anti-ético e moralmente repreensível

    3) João rouba o dinheiro de José.
    (Talvez) Ético e moralmente correto
    Deixo está opção marcada para não cair nas armadilhas do capital. A pergunta que deve ser feita, josé é capitalista e vive da exploração dos pobres? se a resposta for sim, então marque esta opção com sim, se for não então aceite a opção abaixo.
    (x) Anti-ético e moralmente repreensível

    4) João rouba o dinheiro de José para dar aos pobres.
    (x)Ético e moralmente correto

    5) João rouba o dinheiro de José para pagar serviços médicos e educacionais para os pobres.
    (x)Ético e moralmente correto

    6) João pede para um grupo de pessoas roubar o dinheiro de José para redistribuir aos pobres e pagar-lhes serviços médicos e educacionais.
    (x)Ético e moralmente correto

    7) todo libertário deveria ser agredido fisicamente, por defender uma ideologia que escravisa as pessoas.
    (x)Ético e moralmente correto

    Capital imoral é filosofo, escritor e já refutou Mises
  • Raphael  02/02/2017 23:32
    Pô, já tava com saudades do Capital Imoral. Não suma assim!
  • Igualitário  03/02/2017 00:20
    Apenas para complementar (se é que é possível!) esta magnífica análise feita pelo quero Capital Imoral:

    "1) João, do nada, agride José com um soco na cara."

    Dado que o instituto já ofereceu alguns detalhes da situação ("Um jamais nada fez de ruim para o outro") podemos assumir então que José não estava enriquecendo às custas de João. Por conta disso, é "Anti-ético e moralmente repreensível".

    "2) João rouba o carro de José."

    Isso dependerá de muitos fatores, negligenciados aqui. Como por exemplo: Possuía João uma menor renda que José? Caso a resposta seja sim, tal ação é "Ético e moralmente correto", pois diminuir-se-á a desigualdade utilizando do Índice de Gini. Caso eles possuíssem renda semelhante, tal ação seria "Anti-ético e moralmente repreensível", pois haveria uma maior desigualdade pela ação de João, não o tornando nada diferente de bilionários expropriadores.

    "3) João rouba o dinheiro de José."

    A linguagem utilizada nesta pergunta, é enganadora por si só, podendo levar a conclusões que não seriam alcançadas em uma discussão racional. Dá a entender que José é o proprietário individual de seu dinheiro, e não tem que responder à sociedade e contribuir para a mesma. Realmente decepcionante algo deste nível vindo deste Instituto. Quanto à ética e moralidade da ação, o que tenho a dizer já foi dito na resposta acima: Haverá um aumento ou declínio no Índice de Gini? Caso a resposta seja aumento, é um crime; caso seja declínio, é a Justiça pela qual todos nossos corações batem sendo feita.

    "4) João rouba o dinheiro de José para dar aos pobres."

    A linguagem novamente me incomoda. Mas como já falei a este respeito acima, prossigamos. Tal ação seria "Ético e moralmente correto" caso João possuísse uma menor renda que José, e os pobres que receberam o dinheiro justamente distribuído também possuíssem uma menor renda que José, de forma a tornar a sociedade igualmente próspera e justa.
    Caso, por algum motivo, João possua mais dinheiro que José, João deveria doar o seu dinheiro, até que João possua uma renda semelhante a todos os outros pobres. Caso tanto João e José possuam mais dinheiro que os pobres, ambos precisarão doar suas respectivas rendas, com o uso da força e da justiça se necessário, para que o nível da renda de todos se equalize e a Justiça reine mais uma vez nesta Terra.

    "5) João rouba o dinheiro de José para pagar serviços médicos e educacionais para os pobres."

    Linguagem. E não há roubo ao fornecer serviços médicos e educacionais. Ambos os serviços são essenciais ao desenvolvimento humano e portanto direitos sociais de todos. Não há roubo algum aqui. Não há justificativa para este termo.

    "6) João pede para um grupo de pessoas roubar o dinheiro de José para redistribuir aos pobres e pagar-lhes serviços médicos e educacionais."

    Mesma resposta da pergunta acima, pois é essencialmente a mesma pergunta. Não entendi a necessidade de repeti-la duas vezes.
  • Fernando  03/02/2017 00:51
    Uau! Depois dessa você me convenceu. Fora capitalismo! Seu bobo! Chato!
  • Fernando  03/02/2017 00:37
    Não bastassem os fatos, um simples raciocínio lógico mostra que se vivessem sob o comunismo/socialismo, os dois seriam miseráveis e provavelmente estariam mortos: ou de fome, ou assassinados. Estou certo que você tem capacidade de ser honesto consigo mesmo, de usar menos tempo pra escrever uma resposta mais autêntica, madura, menos padronizada, patética e preconceituosa.
  • Miguel Oliver  03/02/2017 16:21
    "Moral e virtude nem sempre são convenientes", By Capital Imoral.

    A resposta corretá é a segunda opção em todos os cenários.
  • anônimo  02/02/2017 23:43
    Muito bom o teste. É pra levar impresso por aí e distribuir em qualquer debate acadêmico ou político.
  • 4lex5andro  13/02/2017 13:35
    Não vai sobrar nenhuma folha impressa em qualquer sala de Universidade.
    Os Dce são a kgb dos campi das federais.
  • Renam  02/02/2017 23:44
    Para todas as perguntas, somente uma resposta: Anti-ético e moralmente repreensível.
  • Alzir Fraga  03/02/2017 00:47
    (X) Anti-ético e moralmente repreensível

    Esta é minha escolha para todas as hipóteses.
  • Marcos Antero do Carmo   02/02/2017 23:51
    A partir de nenhum cenário
  • Victor Schermack  03/02/2017 00:08
    7) João pede para um grupo de pessoas roubar o dinheiro de José para custear um estado (todo o aparato estatal - incluindo segurança e justiça).

    (X) Anti-ético e moralmente repreensível.

    Pra não esquecer que qualquer atividade estatal - novamente incluo justiça e segurança, alguns esquecem disso - é antiética por ser financiada por coerção.
  • Rothbard  03/02/2017 00:25
    Modelo teórico bem convincente para se tornar um ANCAP
  • Miguel Oliver  03/02/2017 16:44
    Não necessariamente. Acredito sim que o imposto é uma forma de roubo, mas tenho dificuldades em imaginar o anarco capitalismo em ação.

    Como consigo conciliar ambas as posições a cima citadas, você pergunta?

    Um estado minimamente intrusivo, com um mercado puramente livre, onde as imoralidades exercidas pelo Estado (IR, Serviços estratégicos)) sejam minimas comparadas as liberdades por ele protegidas, e consequentemente, a riqueza produzida pelos indivíduos.

    Consigo dormir em paz com esta ideia.
  • TiagoiTiogaiT  03/02/2017 15:33
    Me perdoem os justificadores, mas não consigo entender porque em todas as questões a respostas poderiam ser diferentes de "( ) Anti-ético e moralmente repreensível".
    Qualquer outra opção não faz sentido pra mim.
  • Pobre Paulista  03/02/2017 15:39
    Se o João for funcionário público, tudo será em ordem do ponto de vista legal, e de acordo com meus amigos neocons, será tudo automaticamente ético, moral, digno de aplausos e admiração.
  • Rodrigo Wetts  03/02/2017 16:42
    Não se pode justificar uma ação má com uma boa ação. O motivo essencial de existir moral e caráter é a coletividade, o contrato social. Moral e caráter seguem costumes gerais, religiosos ou jurídicos. Se você rouba, você descumpre um contrato que implicitamente assinou por viver no meio. MAS saliento que o "roubar" nas questões é um tanto diferente da "reparação" da desigualdade social no socialismo original.
  • João  03/02/2017 17:17
    Sou imparcial em todas. Não sou juiz, nem devo julgar os outros. Se vierem roubar de mim vão levar tiro na cara. Se ficarem se agredindo, que se danem, to nem ai. (nossa, que cara imoral e antiético!)( Foda-se. Foda-se o politicamente correto também)
  • Luiz Paulo  03/02/2017 19:19
    " E então, a partir de qual cenário a agressão a um inocente honesto e trabalhador se tornou ética e moralmente correta? "

    R: Em nenhum momento. Independente da situação, roubar o dinheiro de alguém nunca será ético e moralmente correto.
  • Conservador de verdade  04/02/2017 02:21
    Odeio quando falam que quando eu digo de defendo o estado, estou defendendo a distribuição de renda. O estado nasceu como um mediador de poderes, ja que o poder economico sobre os pobres era grande, até ambas as partes fazerem acordos já que se jogar dinheiro pro ar não defende ninguem. O estado era o meio em que as pessoas tinha a garantia de que o acordo era cumprido. Sendo a democracia o modo mais eficiente ja que a alienação era inexistentes e abusos eram resolvidos pela espada. Ja com o capitalismo a concentração de poder sempre tendia a diminuir e a alienação a aumentar, os abusos partiriam das duas partes, e o melhor sistema seria a monarquia, ja que o rei sem apoio cairia como uma maçã podre com o advento do capitalismo. Estado é sobre poder e não sobre bem estar de quem quer que for. E enquanto o estado não tiver incentivo pra funcionar ele vai continuar nessa putaria.
    Sonegar é um direito, foda-se o GOVERNO.
  • mauricio barbosa  04/02/2017 15:15
    O interessante é que a revolução francesa(Relembrando que Paris naquele tempo era um centro irradiador de cultura e costumes)foi apoiada pela burguesia contra os privilégios da nobreza semi-feudal,enfim com a substituição da nobreza enquanto beneficiária dos impostos pela burocracia estatal a um custo mais baixo o regime republicano a exemplo do regime monárquico voltou a crescer e se endividar cada vez mais,ou seja a burguesia que é honesta e não participa desta esbórnia com nossos impostos leva a culpa por este estado de coisas,enfim devemos fazer outra revolução francesa sem derramar sangue(Se isso for possível e eu acredito que seja)e substituir o estado central burocrata por um estado descentralizado desburocratizado a exemplo da Suíça e num futuro não muito distante por um território ancapistão(Detesto esse termo,mas ele define bem nosso pensamento)onde a liberdade de portar armas,a liberdade de empreender,a liberdade de comércio,enfim viver na plenitude a liberdade com responsabilidade se tornará uma realidade,onde a infelicidade será por outros motivos,pois a pobreza será uma opção pessoal e não como é hoje resultado de uma política pública que enche os bolsos de uma minoria enganadora e a esmagadora maioria vive na miséria,invejando-se uns aos outros e sendo massa de manobra dos poderosos...
  • Marcos  06/02/2017 15:13
    Marquei em toodas

    (X) Sou indiferente e isentão

  • Paulo Henrique  07/02/2017 01:47
    Perdão. Mas existe muitos furos na ideia que agressão a pessoas que não praticaram agressão possa ser sempre invalida.

    Existe varios cenários onde se que busca quebrar a ética do PNA .. Ao menos, para qualquer um que não seja um psicopata eu acho que elas são bem sucedidas..

    Vou me dar ao direito de copiar e colar uma delas

    ''Edward Feser, em um belo artigo chamado The Road from Libertarianism, dá um ótimo exemplo que ilustra como essa ética leva a conclusões anti-humanas por sua própria natureza.

    Basicamente, ele manda imaginarmos um cenário em que eu e você são dois náufragos recém chegados em uma pequena ilha. Você desmaiou na praia. Enquanto isso, eu construí uma cerca de bambu cujo perímetro acabou emprisionando completamente seu corpo. Quando você acorda, você diz para mim que lhe emprisionei, violando seu direito de auto-propriedade. Eu digo: "Eu não emprisionei você. Eu simplesmente apropriei de toda a terra em sua volta — à qual você não tem qualquer direito, já que era um território virgem — e coloquei uma cerca em volta de você para ter certeza de que não invada meu território e tome meus recursos justamente adquiridos. É verdade que você não conseguiu nada em termos de recursos no território de 2×1 metros que eu lhe deixei. Mas isso não é culpa minha. É apenas sua má-sorte, me desculpe. Eu suponho que seria simpático de minha parte te dar alguns recursos meus, mas ao menos eu seria grosseiro, e não injusto, se eu decidir não fazer. E fui muito cuidadoso em não tocá-lo enquanto construí minha cerca. Eu respeitei seu direito de propriedade, afinal de contas!!"

    É claro que, nesse exemplo, mesmo que eu respeite a ética libertária, eu te prejudiquei de forma inimaginável. Você está preso, com praticamente nenhum recurso, e depende exclusivamente de minha boa vontade se quiser ter algum. Mas legalmente não pode fazer nada!

    Perceba que se você dizer que uma pessoa moralmente boa deveria permitir a pessoa sair ou lhe dar comida, você está dissociando a moral do PNA.. O PNA não se torna mais uma moral aplicável universalmente, ela depende de uma outra para você não ter de deixar o homem morrer de fome cercado.. Embora seja verdade que nem sempre agredir terceiros seja algo bom e nem sempre quebrar a propriedade privada seja aceitável.

    Para isso, é preciso uma teoria moral que legitime a propriedade privada. Os tomistas acreditam que o que é legítimo é apenas aquilo que está de acordo com os fins naturais do ser humano ... E deixar uma pessoa presa não parece estar de acordo com os fins naturais do ser humano.. Só essa ética já superou o PNA pq ela é aplicável a esses cenários absurdos.

    E se isso pressupor a necessidade de um estado para limitar a propriedade aos fins naturais do ser humano, então de quebra teorias anarquistas teriam que ser revistas u simplesmente negadas.. (acredito que pessoas que sejam anarquistas por causa do PNA teriam sérios problemas)

    Outra coisa. O que é roubo?

    Por exemplo, se eu for nas duas primeiras definições de roubo que aparecem no Google, terei:

    1. Apropriação indébita de bem alheio.
    2. jur crime que consiste em subtrair coisa móvel pertencente a outrem por meio de violência ou de grave ameaça.

    No primeiro, diz que a apropriação deve ser indébita, ou seja, injusta, indevida. No outro, diz que a "coisa móvel" deve pertencer ao outro.

    Como definir algo "injusto, indevido", sem um sistema conceitual normativo? O mesmo se aplica a algo que pertence ao outro. Pertencer, aqui, não é simplesmente ter a posse. Se fosse simplesmente ter a posse, tomar o recurso de volta do ladrão também seria roubo (uma vez que, depois de roubar, ele estaria na posse do recurso). E é justamente por isso que não dá para definirmos roubo sem um sistema valorativo: se ele for simplesmente uma descrição de fenômenos físicos reais, não dá para distinguirmos o ladrão da vítima. Devemos ter uma teoria de propriedade: de como algo se torna (no sentido ético-normativo) meu ou se torna seu. Caso contrário, é impossível dizer o que é roubo e o que não é.

    Além das teorias libertárias, há várias outras teorias sobre a propriedade. Locke, por exemplo, dizia que o direito à propriedade só é legítimo se, na apropriação, deixarmos o suficiente para os outros, e que nenhum homem tem o direito de recusar a ajudar uma pessoa em extrema necessidade quando ele tem abundância de recursos . John Ralws acreditava que a organização social (e a propriedade privada) só pode ser justificada se diminuir as desigualdades sociais(acho essa fraca, mas citei apenas para fins de conhecimento). Os tomistas acreditam que o que é legítimo é apenas aquilo que está de acordo com os fins naturais do ser humano(para mim, a melhor justificativa para propriedade privada) , e, em consequência, se a violação da propriedade, em alguns casos, estiver de acordo com esses fins, ela é legítima (resolve o problema dos cenários absurdos do PNA) ..


    Então, eu digo que sim. Em alguns casos não seguir a ideia de propriedade privada é legitimo, por que a moral diz para fazer isso. E moral>>>>>>

    Me parece que não há objeções para solucionar esses problemas que o PNA trás. A não ser que você diga que não é imoral deixar a pessoa presa ali, e que o direito a propriedade privada é superior a necessidade daquela pessoa sair dali..

    E se esse exemplo for muito fora da realidade(alguém poderia objetar que é impossível acontecer).. Então podemos ir para o furto famélico. De acordo com o PNA, não há nenhuma obrigação de você dividir sua comida com uma pessoa no naufrago, o que você achar é seu, mesmo que você ache muita comida, e a outra pessoa nenhuma. Ela pode morrer de fome e você não vai ter obrigação moral de evitar isso, o PNA é neutro, tanto faz ajudar ou não ajudar.

    E no cenário da ilha, não há ninguém para lhe obrigar a dar a comida, apenas o seu bom senso o fará. Logo, um seguidor do PNA não sentirá obrigatoriedade moral de ajudar. Se o fizer, vai ser por sentimentalismo, por não ser um psicopata(Afinal, a moral existe no coração das pessoas também) , mas não por causa de sua teoria ética.

    Então sim. É razoavel, as vezes, iniciar agressão contra quem não iniciou agressão , caso eles estejam prejudicando outro.
    É claro que isso exige precaução. E nem de longe justifica o nível de agressão do estado atual. Porem, não será com éticas furadas que vamos vencer o gigantismo estatal
  • Amorim  07/02/2017 11:11
    Prezado Paulo Henrique, esse seu exemplo foi de lascar. O problema nem é a total irrealidade dele, mas sim o fato de que ele distorce por completo vários conceitos.

    Por exemplo, no exemplo do cercado na ilha, não houve apropriação original nenhuma. Para um indivíduo se apropriar originalmente de algo, ele tem de "misturar seu trabalho à terra". Não basta apenas chegar e gritar: "Vi primeiro, é meu!". A teoria nunca foi essa.

    Portanto, no caso da ilha, para que um náufrago se apropriasse originalmente da ilha, ele teria de ocupar cada centímetro quadrado do território com construções e/ou plantações, algo impossível de acontecer no intervalo de alguns minutos em que o outro náufrago estava desmaiado.

    Ou seja, neste seu exemplo, um náufrago de fato foi sequestrado e mantido em cativeiro pelo outro náufrago, algo em total desacordo com o PNA. E este outro náufrago não tinha propriedade nenhuma sobre nada (pelos motivos explicados acima).

    Portanto, este exemplo é completamente furado.

    Quanto ao seu outro exemplo, ele é ainda pior, pois, ao passo que o do cercado ao menos ainda tentava trabalhar com conceitos (errôneos), o segundo nem sequer faz isso.

    Sobre o furto famélico, você diz que "De acordo com o PNA, não há nenhuma obrigação de você dividir sua comida com uma pessoa no naufrago, o que você achar é seu, mesmo que você ache muita comida, e a outra pessoa nenhuma."

    Outro erro. Aquilo que você "acha pelo caminho" não era propriedade de ninguém e, consequentemente, também não se torna automaticamente propriedade sua. Você não trabalhou por aquilo e nem nenhum proprietário lhe transferiu aquilo. Portanto, não necessariamente toda a comida que um náufrago coleta na ilha é dele (será dele apenas aquilo que ele plantar ou que ele se esforçar para colher).

    Prossigamos.

    "Ela pode morrer de fome e você não vai ter obrigação moral de evitar isso, o PNA é neutro, tanto faz ajudar ou não ajudar."

    Outro erro. Você tem a obrigação moral de ajudá-lo, mas não tem a obrigação fiduciária, passível de punição, de fazê-lo. Você deve ajudar, mas não deve ser punido caso seja mesquinho e não o faça.

    "E no cenário da ilha, não há ninguém para lhe obrigar a dar a comida, apenas o seu bom senso o fará."

    E isso já não basta? Qual é o melhor substituto para o bom senso? O seu porrete?

    "Logo, um seguidor do PNA não sentirá obrigatoriedade moral de ajudar. Se o fizer, vai ser por sentimentalismo, por não ser um psicopata(Afinal, a moral existe no coração das pessoas também) , mas não por causa de sua teoria ética."

    O PNA, como o próprio nome diz, é uma teoria sobre a imoralidade da agressão. Ponto. Não é uma teoria sobre a beleza dos bons sentimentos. O fato de o PNA condenar a agressão não significa que ele tem de apresentar todo um arcabouço teórico sobre o quão bom é ter um coração caridoso.

    Não entendi nada dessa sua peroração.

    "Então sim. É razoavel, as vezes, iniciar agressão contra quem não iniciou agressão , caso eles estejam prejudicando outro."

    Deus do céu, de onde veio essa sua moral?! Você escreveu um texto longo falando sobre a beleza do "sentimentalismo" e sobre a "moral no coração das pessoas" e conclui dizendo que é "razoável" agredir quem não agrediu ninguém?! Como você se distingue de um assaltante que toma a bolsa de uma velhinha? Como você se distingue daquela turba de gente que está saqueando lojas em Vitória e Guarapari?
  • Paulo henrique  07/02/2017 18:16
    ''Por exemplo, no exemplo do cercado na ilha, não houve apropriação original nenhuma. Para um indivíduo se apropriar originalmente de algo, ele tem de "misturar seu trabalho à terra". Não basta apenas chegar e gritar: "Vi primeiro, é meu!". A teoria nunca foi essa.

    Portanto, no caso da ilha, para que um náufrago se apropriasse originalmente da ilha, ele teria de ocupar cada centímetro quadrado do território com construções e/ou plantações, algo impossível de acontecer no intervalo de alguns minutos em que o outro náufrago estava desmaiado. ''


    Aplicar uma cerca ao redor da pessoa não é ''misturar trabalho'' ? A região onde ela foi posta não está em desacordo com a teoria de propriedade privada que exige ''mistura de trabalho''. Não é preciso se apropriar completamente da ilha para criar dilemas de prisioneiros com a ideia de propriedade privada.

    Sobre o furto famélico, você diz que "De acordo com o PNA, não há nenhuma obrigação de você dividir sua comida com uma pessoa no naufrago, o que você achar é seu, mesmo que você ache muita comida, e a outra pessoa nenhuma."

    ''Outro erro. Aquilo que você "acha pelo caminho" não era propriedade de ninguém e, consequentemente, também não se torna automaticamente propriedade sua. Você não trabalhou por aquilo e nem nenhum proprietário lhe transferiu aquilo. Portanto, não necessariamente toda a comida que um náufrago coleta na ilha é dele (será dele apenas aquilo que ele plantar ou que ele se esforçar para colher).
    Prossigamos. ''


    Aqui você precisa definir o que é adicionar trabalho a algo. Ter o trabalho de encontrar um bem material que não foi originalmente apropriado, pega-lo, e transporta-lo, armazena-lo, pode estar dentro da ideia de apropriação sim.

    Duvido que você falaria que um Diamante não é seu ao encontra-lo sobre a superfície não apropriada de uma ilha. Você retirou ele da terra, e cuidou de guarda-lo.

    Do contrário, você vai criar problemas sérios para definir de quem é a posse desse diamante.. De ninguém?

    ''Outro erro. Você tem a obrigação moral de ajudá-lo, mas não tem a obrigação fiduciária, passível de punição, de fazê-lo. Você deve ajudar, mas não deve ser punido caso seja mesquinho e não o faça. ''

    É por que não? O que você está me dizendo é que é melhor deixar a pessoa morrer de fome do que força-lo coercitivamente a ajuda-lo? E se fosse você? Se manteria tão fiel assim ao PNA? Provavelmente você furtaria o alimento, pois na fome, o lado racional é diminuído e o instinto de sobrevivência aflora.

    Mas não seja por isso, se nenhum desses exemplos te convenceu, por ainda achar irrealistas ou impossíveis de acontecer no mundo real (lembrando que uma moral boa é valida em mundos fictícios também, mas vamos nos ater ao real)..

    Circunstâncias extremas, inusitadas ou indesejáveis não podem ser descartadas.
    Imagine que, durante uma festa na sua casa de campo, alguém é acometido de um mal súbito. De acordo com os médicos, sua remoção para o hospital é desaconselhada, sob risco de morte. Segundo os especialistas, esta pessoa deverá ficar em repouso absoluto durante algumas semanas, até que esteja em condições de ser transferido. Por mais incômoda que a presença de um estranho em sua casa possa ser, principalmente em razão dos transtornos que causará na sua vida, seria válido, em nome do direito de propriedade, que você se recusasse a mantê-lo ali?

    Você diz que não deve existir coerção legal nenhuma para obriga-lo a manter ali. E que só sua boa vontade deve ser o suficiente.

    ''O PNA, como o próprio nome diz, é uma teoria sobre a imoralidade da agressão. Ponto. Não é uma teoria sobre a beleza dos bons sentimentos''

    Como eu acho que fui bem sucedido em demonstrar.. A moralidade não está separada da agressão em alguns casos. Caso ele seja necessário. Não se trata de ''bons sentimentos'' e sim de uma moral que não ignore externalidades e casos complexos..

    E eu nem vou entrar na complexidade que é definir agressão e invasão de propriedade pq não vejo necessidade. Mas já digo que não existe uma linha reta entre os libertários. Alguns consideram aquela música chata que seu vizinho coloca no fim de semana a todo volume uma invasão de propriedade privada (ondas sonoras invadem seu ressinto).. É a intensidade do som que define agressão? E a luz? Os fotons que saem do exterior e entram na sua propriedade, tal como uma caneta a lazer de uma criança, é invasão de propriedade? Se não for, ela pode ficar mirando o lazer na sua casa até enjoar?

    A coisa não está nem perto de ser fácil para resumir a convivência em sociedade a um simples ''PNA''

  • Jarzembowski  07/02/2017 12:59
    A ética universal libertária não é boa o suficiente, então que tal deixarmos meia dúzia de socialistas com um apelo sentimental barato definirem o que é ou não roubo e agressão baseado nos seus delírios megalomaníacos de criar um mundo mais justo?
    É piada dizer que o PNA gera situações absurdas e contraditórias e depois vir com esse utilitarismo nojento - essa ideia cretina de que moral é aquilo que gera a maior quantidade de bem-estar, mesmo que seja preciso massacrar inocentes. Eugenia, roubo, estupro(imaginando uma situação de natalidade perigosamente baixa), tudo isso é perfeitamente justificável se a única bússola moral for a obtenção da maior quantidade de bem-estar geral possível.
    Além disso, é flagrantemente inconsistente a ideia de medir a moralidade de um ato baseado na quantidade de bem-estar que ele vai gerar, pelo simples fato de que um ato sempre gera uma cadeia imprevisível de reações, cuja extensão e duração não podem ser determinadas - na prática isso significa a abolição de qualquer julgamento moral.
  • Paulo henrique  07/02/2017 14:17
    Caro, eu não usei uma ética utilitarista de ''maior bem estar-geral''. É evidente que cada caso é um caso e nem sempre é ideal sair por ai pilhando os outros para ajudar os outros, eu só quis mostrar que em algumas situações , se você seguir o PNA como princípio moral, é totalmente justificável deixar uma pessoa as mínguas.. Claro que você pode ajuda-la, mas, não existe obrigação moral nenhuma disso pelo PNA..(se você disse que ajudaria pq é uma pessoa boa, você só estaria dissociando a moral do PNA, dizendo que é preciso outra ética em alguns casos) Não é atoa que Rothbard chegava a conclusões um tanto estranhas ao levar o PNA para todos os casos. (Em relação a filhos, por exemplo).

    O libertárianismo precisa de outra ética se quiser ser levado a sério.
  • Raphael paiva  08/02/2017 16:20
    A realidade é um pouco mais complexa do que a exposta acima. Pois no caso real, os cidadaos são roubados mas também usufruem do roubo, uns em maior escala outros em menos, mas todos usufruem.
  • lyz seidel  10/02/2017 18:55
    O cara o criou uma prisão para uma pessoa inocente, e ainda tem a cara de pau de dizer que está respeitando a PNA!!
  • WILLIAM  15/02/2017 00:28
    DESCONFIO DE "SÓ NO BRASIL..."


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