21/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

Pessoas que não produzem nada e precisam viver, normalmente recorrem ao roubo. 

Atualmente, existem duas maneiras de roubar alguém:  Ou você ataca diretamente o indivíduo e arrebata suas posses ou você utiliza o governo para fazer isso.

A primeira maneira é considerada ilegal.  Já a segunda, por alguma distorção moral, não apenas é tida como perfeitamente válida, como também passou a representar o ápice da moralidade.

Há três maneiras na qual uma sociedade pode ser organizada:

1) Todo mundo rouba todo mundo;

2) Algumas pessoas roubam outras pessoas;

3) Ninguém rouba ninguém.

Hoje, a opção 2 é tida como a ideal, como o supra-sumo da ética, a única maneira na qual os seres humanos podem interagir entre si.

Já os defensores da opção 3 são tidos como extremistas malucos e ridículos.


21/10/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

As arbitrariedades governamentais não me dão paz nem quando estou tentando apenas relaxar e aproveitar o pouco dinheiro que me sobra pós-roubo estatal.

 

No último final de semana, tive o prazer de conhecer Vitória, capital capixaba, uma cidade extremamente agradável. E o desprazer de ver como os governantes parecem não ter nada para fazer além de inventar leis esdrúxulas.

 

Ao conhecer as praias de Vitória, fiquei surpresa com a total ausência de quiosques na orla. Imediatamente, pensei que aquilo não era algo natural, já que a praia era muito bem frequentada. Se você pensou que tratava-se de uma imposição estatal, parabéns.

 

A prefeitura de Vitória, sabe-se lá por quê, decidiu que a praia ficaria mais bonita sem quiosques e proibiu a instalação deles. Ou seja: se você quiser tomar uma cerveja gelada na praia, ou você arrebenta todo o seu pé correndo na areia quente desesperada atrás de um ambulante, ou atravessa a ampla avenida beira-mar e sai à caça de um lugar para sentar. Como além de ter pista dupla elas são bem largas, você leva pelo menos cinco minutos para atravessar (entre esperar a abertura dos semáforos e o tempo para ir de um lado para o outro).

 

Aliás, se você quiser comer na praia, só se arriscando no queijo assado dos ambulantes. E esqueça aquela ducha gelada para tirar a areia do corpo, que normalmente os quiosques oferecem. Aparentemente, ninguém da prefeitura de Vitória pensou como é chato sair do mar com dois quilos de areia do corpo e ter que ir para casa assim. Não, não há nenhuma ducha na praia, pós intervenção estatal.

 

Para completar, o lixo mais próximo que há, fica na calçada, bem distante da água. Ou seja: ou você junta o lixo e deixa para depositá-lo no lugar correto apenas quando estiver indo para casa ou o joga na areia. O que você acha que a maioria das pessoas escolhem fazer?

 

Por isso, minha dica é: se um dia você for aproveitar as praias de Vitória, leve uma cadeira, guarda-sol e uma caixa de isopor grande, com muitas bebidas. E agradeça à Prefeitura de Vitória pela tralha que você terá que carregar.


16/10/2009 00:00  por  Rodrigo Constantino \  economia

A atual gestão da Vale está sob ataque. A esquerda jurássica jamais aceitou sua privatização, que por qualquer prisma foi um enorme sucesso. A empresa multiplicou de forma impressionante sua lucratividade, e conseguiu empregar milhares de pessoas a mais, além dos impostos maiores arrecadados. Mas nada disso importa para os perfeitos idiotas latino-americanos. Para essa turma tupiniquim, o governo incompetente e corrupto deveria ser gestor de tudo que é empresa e banco. O fracassado socialismo ainda é idolatrado por muitos abaixo da linha do Equador.

O governo Lula vem tentando assumir o controle dos "commanding heights" da economia faz tempo. A Petrossauro, a maior empresa do país, já está nas garras do governo, e sua privatização está descartada. Além disso, o governo deseja criar uma nova estatal para monopolizar o petróleo pré-sal. O sonho de ressuscitar a antiga Telebrás não sai da cabeça dos membros do governo. Através do Banco do Brasil, o governo pretende ser um banqueiro ainda maior do que já é hoje, partindo para novas aquisições. E, naturalmente, a segunda maior empresa do país é objeto de desejo dos parasitas em busca de mais poder e cargos. Por isso a Vale virou alvo de constantes ataques e tentativa de ingerência por parte do governo.

O mais recente ataque é a ameaça da criação de um novo imposto de até 5% sobre as exportações de minério de ferro, que atingiria a Vale em cheio. O jogo é sujo e pesado quando se trata do governo petista. E, num país com tanta concentração de poder no governo, arma é o que não falta para essa gente. Para reforçar o time, o bilionário empresário Eike Batista tem demonstrado publicamente interesse na compra do controle da empresa. Ontem, Eike afirmou que seu interesse na Vale "não deve ser politizado". Cabe a ele, então, afastar-se do governo. Ele esteve diretamente com o presidente Lula para falar da Vale. E agora pretende evitar a "politização" do assunto?

O resultado desta luta pela Vale ainda está indefinido. Espera-se, pelo bem do país, que os dinossauros percam a parada. Esses animais já deveriam estar extintos há tempos!


15/10/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

Acho incrível a capacidade do governo brasileiro em criar siglas que não significam nada. São nomes criados ao acaso, mas com um único significado comum: roubo. Uma CPMF e um IPVA cujo "P" deveria significar provisório, obviamente, virou permanente. Hoje, descobri mais um sigla cujo significado não é o que deveria ser. Trata-se do FGTS que, em tese, significa "Fundo de Garantia do Trabalhador Assalariado". Ou seja, o FGTS é um fundo compulsório que deveria servir como reserva para o trabalhador, proprietário daquela conta, caso ele ficasse desempregado. Sem entrar no mérito da validade do FGTS, em resumo e em tese, seria isso. Eu pago certa quantia, a empresa na qual eu trabalho, idem e, caso eu fique desempregada, saco os recursos que foram acumulados junto à Caixa Econômica Federal. Logo, o FGTS deveria ser um fundo de proteção pessoal de cada trabalhador (porque, como sabemos, as pessoas não são capazes de poupar recursos sozinhas e, por isso, o governo deve obrigá-las a fazer o melhor para elas).

Mas, segundo Luís Inácio Lula da Silva, a coisa não é bem assim. O FGTS não tem como prioridade ser um fundo de amparo ao trabalhador. Segundo o nosso presidente, a finalidade primária dessse instrumento seria "o financiamento de projetos de infraestrutura urbana e saneamento básico". Está na Folha de hoje, em matéria sobre a "permissão" governamental (olha como os governantes são bonzinhos) para que os trabalhadores possam usar os "seus" recursos aplicados no fundo para sorteios e quitação de dívidas de consórcios, dispositivo que já tinha sido vetado pelo presidente e pelo Ministério da Fazenda, que temiam que a fuga de recursos do Fundo causasse problemas para o financiamento de tais obras.

De novo, minha crítica não é sobre a obrigatoriedade do FGTS. Também não sou inocente em achar que o governo seria bonzinho e deixaria o dinheiro dos indivíduos aplicado no FGTS em paz. O que me choca e deveria ser motivo de comoção geral é a falta de vergonha e pudor do governo. Afinal, dizer escancaradamente que a proteção ao trabalhador é só uma desculpa para o Estado financiar seus projetos compulsoriamente, projetos que ele (o Estado) considera "bons", é o mesmo que admitir que está roubando a todos para beneficiar uma minoria. Mas, não, além de não ficar enrubescido, o presidente do Brasil acha que está fazendo algo bom, sob os aplausos dos papagaios de pirata de plantão que bradam aos quatro ventos que "nunca antes na história deste país se teve uma política econômica tão boa". 

Nota-se.

Nem tudo está perdido

Ainda na Folha, vejo uma notinha de pé de página dizendo que o Senado aprovou ontem um projeto de lei que elimina a multa de 40% para o empregador doméstico que demite uma empregada sem justa causa. Pena que os senadores não aproveitaram e não acabaram de uma vez com esta cláusula bizarra da CLT para TODOS os empregadores. Afinal, qual a diferença, além da quantidade, entre uma pessoa que possui uma empregada e outra que emprega mil pessoas em uma fábrica? Em tese, não somos todos "iguais" perante a lei?


07/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

"Tá faltando emprego!"

Essa sempre foi uma exclamativa muito frequente no Brasil.  Curiosamente, uma outra exclamativa - que aparentemente denota o oposto desta - também sempre se manteve válida, independente da época:

"Tá sobrando trabalho a ser feito!"

Pare pra pensar: vivemos em um mundo de escassez.  Nenhum bem ou serviço surge pronto do nada.  Todos eles precisam ser criados e trabalhados.  Um carro não surge do nada.  É preciso trabalhar o aço, o alumínio, a borracha e o plástico que vão formá-lo.  E esses quatro componentes também não surgem do nada.  Eles precisam ser extraídos da natureza e/ou fabricados.  O mesmo é válido para todos os outros bens de consumo que você possa imaginar, de laptops a aviões, passando por parafusos, palitos de dente e fio dental.  Todos precisam ser trabalhados.

Da mesma forma, o fato de você estar com fome não vai fazer com que uma pizza surja pronta na sua frente.  Alguém precisa trabalhar para fazê-la.  E os ingredientes utilizados na fabricação dessa pizza, por sua vez, também não surgiram do nada.  Todos eles precisaram ser fabricados e/ou plantados e colhidos.

Ou seja: não vivemos na abundância.  As coisas não existem fartamente à nossa disposição.  Todas elas precisam ser trabalhadas.  Sendo assim, sempre haverá, em todo e qualquer lugar, algum trabalho a ser feito.  Seja na fabricação de um bem de consumo, seja na prestação de algum serviço - nem que seja a limpeza de uma janela, a troca de uma lâmpada ou a limpeza de algum banheiro.

Donde chegamos ao ponto principal: por que há escassez de emprego se há uma infinidade de trabalho a ser feito?

Ora, esse descompasso só pode ser causado por algum tipo de interferência no mercado - isto é, na arena onde a demanda por bens e serviços e a oferta de mão-de-obra para executá-los se equilibram.

Quando os austríacos dizem que num livre mercado genuíno não haveria desemprego, eles estão se baseando justamente no fato de que vivemos em um mundo de escassez onde sempre há algum trabalho a ser feito.

Por exemplo, num mercado totalmente desregulado, você acharia facilmente alguém disposto a lhe pagar - sem medo da justiça trabalhista - para trocar uma lâmpada ou limpar uma janela diariamente.  Porém, a nossa realidade é outra: você não tem nem a opção de varrer o chão do McDonald's de graça, pois o gerente morreria de medo de você entrar na Justiça do Trabalho contra ele.

São exatamente as regulamentações que o estado impõe ao mercado de trabalho - encargos sociais (INSS, FGTS normal, FGTS/Rescisão, PIS/PASEP, salário-educação, Sistema S) e trabalhistas (13º salário, adicional de remuneração, adicional de férias, ausência remunerada, férias, licenças, repouso remunerado e feriado, rescisão contratual, vale transporte, indenização por tempo de serviço e outros benefícios), além do salário mínimo - que provocam esse descasamento entre demanda por trabalho e oferta de mão-de-obra.

O que é mais curioso: como dito, a demanda por trabalho é infinita e a oferta de mão-de-obra é limitada.  Em tal cenário, seria de se esperar um pleno emprego.

Porém, as intervenções governamentais conseguem a proeza de inverter as coisas: a demanda por trabalho, antes infinita, passa a ser mais limitada que a oferta de mão-de-obra - donde surge o desemprego.

E essas intervenções governamentais não apenas geram o desemprego, como também engessam os salários do setor privado.  Afinal, é ele quem tem de sustentar o balofo setor público.  Como tal tarefa exige um confisco maciço de recursos, sobra pouco para ser aproveitado em melhorias salariais.  Enquanto esse gargalo não for resolvido (o setor privado sustentando um setor público guloso), falar em educação como único meio de gerar melhorias salariais beira o cômico.

Como mostramos em nosso boletim da economia brasileira (no item rendimentos), mesmo o ano de 2008 tendo sido considerado o de maior crescimento econômico dos últimos 20 anos, os salários do setor privado ficaram praticamente estagnados - ao passo que os do setor público seguiram crescendo.

Sem corte de gastos, não será possível um corte de impostos.  E sem corte de impostos, não haverá aumento expressivo da renda.  Não há educação que resolva isso.


05/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

Está difícil aguentar a dose maciça de ufanismo barato que inundou a mídia nesses dias pós-decisão do COI.

Para quem achava que o ápice do ridículo já havia sido atingido quando o presidente chorou copiosamente em frente às câmeras de todo o mundo, o padrão foi elevado pelas propagandas nacionalistas apresentadas pela mídia de dois em dois minutos.  É difícil escolher uma, mas a mais ridícula até agora parece ser mesmo a da Embratel, na qual um sujeito - aparentemente acelerado por alguma substância que não apenas a endorfina - sai correndo pela praia com a bandeira do Brasil em suas costas, ajoelha-se na areia e beija lacrimosamente o lábaro enquanto olha para os céus e, em seguida, coloca-se novamente em marcha rumo a lugar nenhum.  Como voz de fundo, um locutor com aquele trinado pateticamente nacionalista diz que tal feito é uma conquista de todo o povo brasileiro.

O intuito é condicionar a população à ideia de que ser espoliada para construir estádios, campos de golfe, campos de tiro com arco, piscinas, quadras de rúgbi, de softbol, de esgrima, de halterofilismo e pistas de atletismo - coisas que obviamente virarão um elefante branco tão logo as olimpíadas acabem - de alguma maneira será para seu próprio bem.

É claro que haverá ganhadores: os grupos de interesse de sempre - empreiteiras, redes de hotéis e a própria mídia - já estão de olho no butim.  Os jogos Pan-americanos de 2007, por exemplo, foram orçados em R$ 400 milhões e acabaram custando R$ 4 bilhões.  Boa parte do dinheiro foi utilizada para fortalecer a máquina política carioca e para enriquecer os empresários com boas conexões políticas.  O mesmo vai acontecer agora, só que em escala olimpicamente maior.  Mas, de alguma forma, a mídia quer nos fazer crer que isso deve ser uma inspiração para o Brasil.  O festival de histeria nacionalista está só começando.  O poder e a arrogância presidencial irão atingir níveis paroxísmicos.

As olimpíadas sempre foram um empreendimento financiado pelo contribuinte.  Os Jogos Olímpicos de Montreal, em 1976, até hoje são famosos pelo seu desastre financeiro.  Pelo motivo oposto, tornaram-se famosos também os Jogos Olímpicos de 1984, sediados em Los Angeles: esta foi a única Olimpíada que de fato trouxe lucro para a cidade que a realizou, o que foi uma grande surpresa.  (O engraçado é que na época de se escolher a cidade-sede, logo após o desastre canadense de 1976, nenhuma outra cidade se apresentou, temerosas que estavam de repetir o fiasco canadense.  Isso deixou LA sozinha na disputa.)  Um dos motivos desse lucro é que a cidade utilizou o Los Angeles Memorial Coliseum, que fora construído para as Olimpíadas de 1932 (outra época em que ninguém queria sediar os jogos).  Sendo assim, a cidade não precisou gastar tanto dinheiro na construção de novas instalações - algo que não ocorrerá no Rio, onde toda uma vila olímpica está sendo planejada.

Mas há algo ainda mais ultrajante: após as Olimpíadas de Atlanta, em 1996, o COI alterou as regras e determinou que dali em diante todas as futuras Olimpíadas teriam de ser empreendimentos geridos exclusivamente pelos governos.  O COI, uma entidade dominada por socialistas europeus ricaços, nunca viu com bons olhos a ideia de as Olimpíadas serem geridas por organizações privadas, pois considera que isso estaria "abaixo do ideal olímpico" (seja lá o que isso signifique).  Alguns desses burocratas chegaram inclusive a reclamar que durante os Jogos Olímpicos de Atlanta havia muitas tendas e barracas na cidade vendendo penduricalhos relacionados às Olimpíadas.  Tais demonstrações de iniciativa privada eram "inaceitáveis", pois feriam o espírito olímpico (de novo, seja lá o que isso signifique).

A política olímpica, portanto, passou a ser de puro e completo socialismo - embora, é óbvio, o COI fique bastante contente em adquirir receitas pra lá de capitalistas com a transmissão dos jogos.  Os lucros são privados e os prejuízos, socializados.  E é isso que a mídia e os desinformados estão comemorando.

Por fim, vale mencionar um último detalhe: poucas organizações são tão combativas na proteção de sua propriedade intelectual quanto o COI.  Essa gente processa absolutamente qualquer um que ousar adotar um logotipo que tenha cinco anéis, não importa a configuração.  Da mesma forma, o uso da palavra "olimpíadas" em qualquer projeto que não tenha sido previamente aprovado pelo COI é estritamente proibido. 

Vê-se que todo esse discurso politicamente correto de "espírito fraterno" é mera distração para tomar o seu dinheiro - ao mesmo tempo em que você aplaude fervorosamente e sai correndo emocionado com uma bandeira para mostrar seu orgulho de ser saqueado.

 

P.S.: 87% dos moradores de Chicago, cidade para a qual Barack Obama fez campanha pessoal, eram contra as Olimpíadas serem realizadas na cidade.  O lema da revolta era: They play, we pay!  Tal nível de sagacidade em massa ainda não chegou por aqui.

 


05/10/2009 00:00  por  Núbia Tavares \  economia

Hoje, começa em todo país uma iniciativa do Ordem Livre que conta com o apoio do Instituto Mises Brasil. O Tour Libertário é um evento que promove palestras sobre liberdade e economia em diversas universidades nas principais cidades brasileiras. O presidente do Instituto Mises Brasil, Helio Beltrão, participa do evento nas universidades de São Paulo (USP), Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP), Faculdade Mário Schenberg e IBMEC Minas, com sua palestra sobre as origens da atual crise econômica.

Além disso, outro integrante do Instituto Mises Brasil, o economista Rodrigo Constantino, também é um dos palestrantes. Além dos dois, os outros palestrantes são: Diogo Costa (cientista político e editor do Ordem Livre), Bruno Garschagen (cientista político), Lucas Mafaldo (filósofo) e Adolfo Sachsida (economista).

Abaixo, segue o roteiro completo do Tour Libertário.

5/10/2009 (8h) - UFRGS - Porto Alegre

6/10/2009 (8h) - UFSC - Florianópolis

7/10/2009 (8h) - Unicuritiba - Curitiba

8/10/2009 (8h) - USP - São Paulo

8/10/2009 (18h) - Faculdade Mario Schenberg - São Paulo

9/10/2009 (13h) - FAAP - São Paulo

14/10/2009 (18h) - IBMEC-MG - Belo Horizonte

15/10/2009 (8h) - UFMG - Belo Horizonte (Salão Nobre da Faculdade de Direito)

16/10/2009 (8h) - UFES - Vitória

19/10/2009 (13h) - UFBA - Salvador

20/10/2009 (13h) - UFAL - Maceió

21/10/2009 - UFPE - Recife

22/10/2009 (8h) - UFRN - Natal

23/10/2009 (8h) - UFC - Fortaleza

23/10/2009 - (18h) - FA7 - Fortaleza

 


30/09/2009 00:00  por  Leandro Roque \  direito


Fibras de cânhamo
Um leitor enviou para o blog do Lew Rockwell alguns empecilhos à liberação da maconha.  O raciocínio é bastante interessante.  Confesso que nunca havia pensado no assunto sob esse prisma.  Vale a pena relatar os principais pontos.

Além de todos aqueles que se beneficiam financeiramente com a guerra às drogas, já explicitados aqui, é importante não ignorarmos outros grandões que se dão bem com a proibição à entrada de um grande concorrente no mercado.  Quem são esses grandões?

1) A indústria tabagista e de bebidas alcoólicas: Duas drogas legais, cigarro e álcool são mais viciantes e fisicamente mais nocivos que a maconha.  Se a maconha fosse legalizada, é bem provável que a venda dessas duas drogas sofresse uma queda.

2) Indústria petrolífera: antes de a maconha ser proibida, um dos principais ingredientes para todos os bens de consumo feitos à base de petróleo era o óleo de cânhamo.  Embora o teor de THC (Tetraidrocanabinol) do cânhamo seja praticamente nulo (o que significa que ele não pode ser classificado como droga), seu plantio continua rigidamente restrito, dependendo do país.  O cânhamo é também uma das culturas agrícolas mais renováveis do planeta, gerando quatro colheitas por ano.  O cânhamo tem potencial para se tornar o principal ingrediente dos biocombustíveis, caso pudesse entrar no livre mercado.  Sem contar todos os outros produtos, como tintas, xampus e plásticos, que poderiam ser manufaturados com óleo de cânhamo.  

3) As grandes indústrias farmacêuticas: Quantos milhões (talvez bilhões) de dólares as farmacêuticas perderiam caso seus pacientes trocassem seus atuais medicamentos pela maconha, algo que as pessoas poderiam cultivar naturalmente no quintal de casa?

4) Madeireiras: Antes de a maconha ser proibida, o cânhamo era predominante na indústria papeleira.  Não deve ter sido coincidência que o cânhamo tenha sido proibido nos EUA justamente na mesma época em que a DuPont estava patenteando o processo de fabricar papel por meio da polpa de árvore.

5) Indústria algodoeira: Os tecidos de cânhamo são excelentes.  Eles são mais macios e mais duráveis que os de algodão.  Por que eles não são mais onipresentes e menos caros?  Provavelmente pela mesma razão que outros produtos que também poderiam ser feitos à base de cânhamo, como papel e tinta, não o são - porque o cânhamo não está prontamente disponível no livre mercado, provavelmente por causa do estigma dado ao cânhamo em decorrência de décadas de desinformação dizendo que cânhamo e maconha são a mesma coisa.  Caso a maconha fosse legalizada, não haveria justificativa para se manter esse estigma.

Portanto, eis aí a situação.  A legalização da maconha contraria grandes interesses.  E certamente esses grupos acionarão seus lobistas para impedir qualquer mudança na legislação.

Por outro lado, existe atualmente um fator favorável à legalização da maconha: a recessão.  Em cenários assim, no qual os governos estão desesperados por receitas, legalizar uma substância para em seguida tributá-la parece ser uma solução não apenas lógica como também muito atraente.  Vale lembrar que foi o pavoroso Franklin Roosevelt, desesperado por receitas em meio à Grande Depressão, quem aboliu a Lei Seca.

Essa seria a única coisa boa advinda desse pesadelo de novos intervencionismos criados pela crise financeira - a qual os próprios intervencionistas causaram.


28/09/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

A propósito do nosso boletim sobre a economia brasileira, alguns leitores mandaram e-mails na seguinte linha:

"Se as indústrias estão temporariamente ociosas, com excesso de capacidade investida, então faz sentido o governo gastar para mantê-las operando a pleno vapor.  Isso não apenas vai garantir empregos, como também vai deixar a indústria preparada em termos técnicos tão logo a economia volte a crescer."

Essa é uma falácia repetida à exaustão por todo o establishment universitário.  Trata-se da falácia dos "recursos ociosos".  Como é de fácil apelo e de lógica aparentemente simples, tal raciocínio facilmente cai no agrado do leigo.

Mas por que ele é falso?

É simples.  A razão pela qual há tantos recursos que repentinamente se tornaram ociosos é porque houve algum erro anterior de cálculo.  Afinal, os empreendedores incorretamente imaginaram que havia uma demanda maior do que a que de fato existia, e isso os levou a fazer investimentos errôneos - a saber, a expansão de sua capacidade instalada.

E o que levou a esse erro sistêmico de cálculo?  No caso do Brasil, além das baixas taxas de juros internacionais, que estimularam artificialmente a demanda externa, tivemos também todos os incentivos creditícios oferecidos pelo governo, principalmente via BNDES, que foram direcionados para a indústria a juros historicamente baixos.  Esse cenário de intervenção distorceu as previsões empreendedoriais e estimulou essa má alocação de recursos.

Para entender melhor o processo, imagine que Teresina tenha sido escolhida a cidade-sede das Olimpíadas 2012 (parece até livro de H.G. Wells).  Nesse cenário, imagine o dono de um restaurante da capital piauiense que, imediatamente após a chegada das delegações e dos jornalistas, vivencie um aumento sem precedentes na demanda por seus serviços.  Esse dono de restaurante terá duas opções: ou ele mantém seus serviços no mesmo nível ou ele faz investimentos.

Entretanto, suponha que esse dono de restaurante interprete mal esse aumento momentâneo da sua demanda e passe a acreditar que se trata de um aumento real e sustentável da mesma.  Com isso, ele contrai vários empréstimos e faz investimentos vultosos em seu restaurante, contratando mais mão-de-obra, ampliando seus recintos, sua capacidade instalada (comprando mais fogões, pratos, talheres, geladeiras e churrasqueiras) e até mesmo abrindo um novo restaurante.

O que vai acontecer assim que as olimpíadas acabarem e todas as delegações e jornalistas forem embora?  Ora, acontecerá o óbvio: esse dono de restaurante ficará com recursos ociosos.  Com vários empregados sem nada para fazer e um segundo restaurante totalmente vazio.

E então?  Será que o governo deveria "estimular" esses recursos, despejando dinheiro ali para tentar manter o nível anterior de atividade?  Será que o governo deveria passar a comprar ativamente a comida desse restaurante, apenas para mantê-lo funcionando em plena capacidade?  Isso seria um uso inteligente dos recursos?  Ou seria um mero desperdício de recursos? 

Lembre-se de que essa mão-de-obra e todos esses recursos sequer deveriam ter sido alocados dessa maneira, em primeiro lugar.  Portanto, esse restaurante está segurando mão-de-obra e capital que poderiam estar sendo mais eficientemente utilizados em outros setores da economia.  A única medida correta seria deixar o mercado, sempre guiado pelo sistema de preços, realocar esses fatores da maneira mais racional possível.

Logo, o problema da indústria nacional não é apenas a falta de "demanda" ou de "gastos".  Tampouco é economicamente sensato dizer que o governo deve preencher a "baixa demanda".  O problema foi que, na esteira da farra mundial do crédito fácil e dos subsídios dado pelo governo brasileiro, houve uma má alocação de recursos na indústria brasileira, um desequilíbrio estrutural, um descompasso entre a estrutura do capital e a demanda do consumidor. 

A recessão é o período no qual a economia passa a corrigir esse desequilíbrio.  E a única maneira de fazer corretamente esse procedimento é permitindo que os recursos sejam realocados de modo que correspondam às reais demandas do consumidor.

E isso apenas o sistema de preços, desde que atuando livre e desimpedidamente, pode efetuar com acurácia.  Qualquer intervenção governamental que vise impedir esse processo vai gerar destruição de riqueza e ineficiência - como bem sentiu a URSS.


24/09/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Ontem foi promulgada a emenda que cria mais de 7.700 novas vagas de vereadores.  Algo importantíssimo e extremamente demandado pela população.

Além das vagas, o presidente da Câmara Michel Temer (PMDB-SP) elaborou uma pauta beneficiando um grande leque de categorias com aumento salarial, atendendo a tribunais do trabalho e permitindo um trem da alegria nos cartórios. 

Como diz a notícia, durante a aprovação das novas vagas de vereador, centenas de suplentes (que agora serão empossados nas novas vagas criadas) "lotaram as galerias do Senado e cantaram o Hino Nacional na sessão solene do Congresso Nacional".

O Hino provavelmente foi cantado com os olhos marejados de emoção, tão ávidos estavam esses distintos para assumir seus cargos e sacrificarem-se pelo bem comum.

Muito bem.

Dizem que a democracia é o melhor sistema representativo existente, pois é nela - e somente nela - que você, o povo, está no poder.  Deve ser por isso que ontem toda a população foi consultada para opinar e chancelar tal medida.  E é por isso também que o 'povo', essa massa amorfa, tem todo o poder de reverter tais medidas.  Certo?  Hum.

Mas democracia é isso mesmo.  Trata-se de um sistema formado por uma casta minoritária, porém altamente poderosa, perfeitamente cônscia do poder escravizador que tem sobre os outros mortais.

Sim, é verdade que, em teoria, qualquer um pode se tornar membro dessa casta, deixando de ser o escravo para se tornar o senhor de engenho - basta para tal fazer um concurso público, ou ser eleito político, ou conhecer algum político que lhe arrume uma boquinha.

Entretanto, tal particularidade, ao invés de amenizar, apenas acentua o problema: vivemos em um sistema que legitimou a segregação de castas, como se fosse extremamente natural ter um arranjo no qual alguns poucos vivem à custa de todo o resto.  Em uma sociedade civilizada, isso seria repudiado como escravagismo.  Na nossa, diz-se apenas que isso "faz parte do jogo democrático" e que é "obrigação do eleitor votar com consciência para impedir desmandos".  Já conseguiu parar de rir?

Outra variante comum é "Não gostou? Então vá às ruas, proteste, faça sua voz ser ouvida e corrija a situação!" - como se fosse uma coisa extremamente banal reverter decisões de cunho político e, pior!, cumpridas e executadas pelo estado, justamente a entidade que detém o monopólio da coerção e da violência.

Pois, então, caro leitor, trate de ir trabalhando duro e poupando bastante, pois tem mais 7.700 parasitas para você bem nutrir (além de todos os outros inchaços e aumentos salariais já promulgados).  É do seu suor que vai depender a boa vida da casta que está no comando.  É obrigação sua "manter a máquina funcionando".  Você não vai ser egoísta, vai?  Apenas curve-se e alimente seus amos.

E não se esqueça: todas as medidas que legitimam uma tungada maior do seu dinheiro são medidas tomadas democraticamente, não obstante você sequer tenha sido chamado a participar.

 

P.S.: e depois tem gente que reclama injuriadíssima quando Hans-Hermann Hoppe fala que a monarquia é bem menos pior que a democracia.




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