10/11/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

De novo, o FGTS. Comentei a postura do presidente Lula, que usa o dinheiro de cada trabalhador em favor do atual governo (sim, porque construção de casas populares, que segundo o governo é a real razão de existir do FGTS, é uma medida populista).

Hoje, vamos falar sobre uma das principais manchetes do dia - a perda real de valor dos FGTS, que renderá 3,9% em 2009, abaixo da inflação do ano, que deve fechar em 4,27% segundo as previsões oficiais. O FGTS é reajustado pela TR, que teve seu cálculo modificado por conta das constantes quedas na SELIC (para entender o que é e como funciona a SELIC, clique aqui e aqui). Com a queda da TR mensal, o trabalhador que tem dinheiro no FGTS (como é o meu caso), perdeu dinheiro este ano, em lugar de ganhar (ou pelo menos empatar com o que tinha no ano anterior). Na ponta do lápis: Quem tinha R$ 1000,00 no FGTS ano passado terá R$ 1039,00 esse ano. Por outro lado, um produto que custava R$ 1000,00, custará R$ 1042,70 esse ano, se for corrigido conforme a inflação. Ou seja: os R$ 1000 que compravam o produto o ano passado, não o compram este ano, porque os rendimentos do fundo não repuseram as perdas com a inflação.

Vamos entender o porquê.  A TR é uma taxa de juros calculada com base na taxa média mensal ponderada ajustada de 30 instituições selecionadas. Essa taxa foi criada no Plano Collor II para ser o principal referencial dos juros a serem aplicados no mês vigente, sem refletir a inflação do mês anterior. O cálculo da TR é constituído pelas 30 maiores instituições financeiras do país (considerando o volume de captação de Certificado e Recibo de Depósito Bancário - CDB/RDB).  Esta taxa (TBF) recebe um redutor "R" objetivando extrair as parcelas referentes à taxa de juros real e à tributação incidente sobre o CDB/RDB. Assim, temos o valor da TR. Até março de 2007, o redutor da TR era de 0,32 para uma TBF projetada entre 13% e 12% ao ano, 0,28 para TBF de 12% e 11% ao ano e 0,24 para TBF de 11% ao ano.

Só que, com o Copom reduzindo constantemente o valor da SELIC, os fundos de investimentos convencionais, que são os maiores responsáveis por comprar títulos do governo (ou seja, financiar a dívida pública), passaram a render quase tanto quanto a poupança, que tem a vantagem de não receber a tributação do imposto de renda. Com isso, parte do fluxo de capitais migrou dos fundos para a poupança. E como esse movimento afeta diretamente as contas governamentais, era preciso fazer algo.

A atitude que mais causou gritaria e acabou sendo engavetada pelo governo foi a cobrança de imposto de renda sobre a poupança. Contudo, outra medida foi adotada sem causar tanto barulho assim: a mudança no cálculo da TR - que também é a responsável por fixar os juros desta aplicação.

Sendo assim, o Conselho Monetário Nacional determinou que o redutor da TR seria também de 0,32 para as duas menores faixas da TBF, reduzindo assim o rendimento da poupança. Para as faixas acima de 13%, os valores do redutor permanceram os mesmos. Resumindo: sempre que a TBF/TR ficar abaixo de 12%, a poupança renderá menos que antes, já que o redutor é maior.

Resumindo a história: para proteger o financiamento da dívida pública, o governo não apenas reduziu os rendimentos de quem tem dinheiro aplicado na caderneta de poupança, como também aplicou perdas reais aos trabalhadores que possuem dinheiro no FGTS - que, não custa lembrar, é um fundo compulsório, ou seja, você não tem opção de mudar de aplicação, só podendo retirar seu dinheiro da conta em caso de demissão. Outro efeito colateral da mudança no cálculo da TR foi "beneficiar" os mutuários do Sistema de Financiamento Habitacional, cujas dívidas são corrigidas pela TR e, por conseguinte, ficaram menores com a mudança no cálculo.

 É isso mesmo: para proteger o financiamento estatal, o governo não só puniu os poupadores como acabou beneficiando devedores. Se isso não é abuso de poder, alguém poderia me explicar o que é?


06/11/2009 00:00  por  Roberto Fiori Chiocca \  economia

O debate ocorreu na Drexel University, na Philadelphia em 5 de julho de 2009 entre o candidato à presidente dos EUA(2004) pelo Libertarian Party Michael Badnarik e o brilhante Stefan Molyneux do Freedomain Radio.

Um debate de altíssimo nível: de um lado, Badnarik tentando de alguma maneira defender a existência de um Estado, e do outro, Molyneux demonstrando de maneira clara e derrubando todos os argumentos de Badnarik.

Um dos argumentos que Badnarik usou para tentar defender a continuação da iniciação de agressão foi o de que as pessoas não estão dispostas a se defender sozinhas (ou seja, pegar uma arma e fazer a ronda em suas casas, ficar de vigília, perseguir agressores, etc). 

A princípio quem ouvir este argumento pode até concordar com ele.  Eu não imagino minha avó com uma pistola na bolsa, ou mesmo meus vizinhos correndo atrás de um bandido.  Mas o argumento é nonsense porque igualmente eu também não imagino minha avó fabricando o próprio carro ou tratando sozinha da sua saúde, se auto-examinando, meus vizinhos fazendo faxina ou cuidando do jardim do prédio eles mesmos.

Isso é normal, pois vivemos numa sociedade onde a divisão do trabalho emergiu naturalmente.  Não temos que fazer tudo sozinhos - podemos trocar, fazer aquilo que fazemos de melhor e nos concentrarmos naquilo, e trocar o fruto do nosso trabalho (dinheiro) pelo trabalho de outros.

Ou seja, realmente não estamos todos dispostos a praticar a defesa com nossas próprias mãos, assim como também o executivo não está disposto a varrer seu escritório.  Podemos contratar empresas especializadas em defesa para proteger nossas propriedades, mas não temos que ser obrigados a fazâ-lo. Esta obrigação seria uma agressão - e aí todo o propósito de defesa da nossa liberdade estaria perdido.

O debate durou 4 horas e foi agora disponibilizado em vídeo no youtube. Uma verdadeira aula que pode representar um "turning point" para aqueles que, como o professor Badnarik, ainda insistem em defender de alguma maneira a iniciação de agressão.

Link para o debate em vídeo:
http://www.youtube.com/view_play_list?p=6E26254DBE03EA59


04/11/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

A imprensa brasileira compreensivelmente não está noticiando os trambiques do seu garoto-modelo, por isso temos de recorrer a fontes estrangeiras.

Como noticia o britânico Telegraph, Al Gore pode se tornar o primeiro sujeito no mundo a faturar um bilhão de dólares exclusivamente por causa das "políticas verdes" que ele tanto advoga.

O que tem de errado nisso? Explico:

Ano passado, a empresa da qual Al Gore é parceiro, uma private equity chamada Kleiner Perkins, emprestou 75 milhões de dólares para uma pequena empresa da Califórnia.  Essa empresa californiana, chamada Silver Spring Networks, produz hardware e software com o intuito de deixar as redes elétricas mais eficientes.

Até aí, beleza.  Não há nada de errado nisso.

Mas eis que na semana passada entra em cena o Departamento de Energia americano e anuncia subsídios de 3,4 bilhões de dólares para tais empreendimentos.  Do total, mais de 560 milhões foram destinados para concessionárias de utilidade pública com as quais a Silver Spring tem contratos.

Isso significa que a Kleiner Perkins de Al Gore, que entrou com meros 75 milhões de dólares, poderá colher lucros estrondosos nos próximos anos, cujas estimativas chegam a 1 bilhão de dólares.

Quando um sujeito enriquece no livre mercado, isso significa que ele teve êxito em ofertar bens e serviços que os consumidores estavam demandando.  Trata-se de um arranjo puramente voluntário e meritocrático.  Agora, quando um sujeito membro da elite política utiliza o aparato estatal para se tornar ainda mais rico, isso significa que ele teve êxito em espoliar os contribuintes de seu país.

Mas temos de reconhecer o espírito empreendedor de Al Gore.  Primeiro o indigitado sai percorrendo o mundo promovendo suas mentiras climáticas.  Isso lhe rende um Nobel e o servilismo de toda a imprensa mundial (a imprensa brasileira certamente é uma das mais sabujas.  É praticamente impossível encontrar uma linha sequer criticando Gore).

Logrado êxito na promoção do terrorismo ambiental, Gore passa a promover intervenções estatais geradoras de pobreza alheia (e enriquecimento próprio).  A intenção é fazer com que o mundo retorne ao modo de vida do início do século XX.  Países mais espertos e que estão preocupados em enriquecer, como China e Índia, simplesmente ignoram as políticas preconizadas pelo charlatão.  No Brasil, o sujeito tem um ardoroso fã clube midiático liderado por Sérgio Abranches - que, sendo sociólogo, está perfeitamente apto a palpitar com firmeza e desenvoltura sobre questões climáticas das quais nem os cientistas do MIT se sentem seguros para falar.

Uma vez implementadas tais políticas pelo congresso americano, Gore apenas se ocupa de coletar os milhões de dólares que passam a jorrar dos contratos que ele tem com as empresas que ele ajudou a enriquecer por meio dos subsídios do estado.  Fecha-se o ciclo de investimento. 

Pelo menos ficou explícito agora quais são - e sempre foram - as reais intenções de Gore.

Ou seja: foi transformado em ícone do humanismo um sujeito que cria factóides para arrebatar receitas polpudas do contribuinte.  E não se enganem: isso não é problema exclusivo dos americanos.  Quando as políticas algorianas forem implantadas no Brasil, seu suado dinheirinho será utilizado para benefício de empresas e empresários com boas conexões com o estado. 

E tudo em nome do verde e com todo o apoio da mídia.  Simplesmente não haverá como nos defendermos.  Como dizem em Minas, "Nós tamo a pé".


30/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Toda a mídia está divulgando com grande regozijo os recentes dados sobre o PIB americano.  Âncoras brasileiros chegaram inclusive a anunciar 'o fim da recessão americana'.

Mas será que isso procede?  Uma simples analisada nos números revela um cenário bem mais desanimador.

Primeiramente convém notar que a taxa de crescimento divulgada, de 3,5%, é um taxa anualizada, e não a taxa trimestral realmente obtida entre julho e setembro.  Isso significa que a verdadeira taxa de crescimento ocorrida no período de julho a setembro (taxa trimestral) foi elevada ao expoente quatro (pois há quatro trimestres em um ano) para que assim tenhamos a taxa que teoricamente ocorreria no período de um ano.

Confuso?  Mas é assim que eles fazem.  O fato é que a taxa trimestral de crescimento entre julho e setembro foi de meros 0,86% - se fosse esse o número divulgado, os ânimos estariam bem mais contidos.

Mas como o número oficial é 3,5%, então trabalhemos com ele e vejamos o que é fato e o que é ficção.

Desses 3,5%, nada menos que 1,6 ponto percentual (quase 46% do total) se deve exclusivamente ao programa Cash For Clunkers.  Tal programa, que em uma tradução livre significa "Dinheiro por Sucata", funciona da seguinte maneira: o sujeito vai a uma revendedora e troca seu carro por um modelo mais novo, mais econômico e menos poluidor.  Nessa troca, ele ganha um desconto que varia de 3.500 a 4.500 dólares, proporcional à diferença de consumo entre o automóvel antigo e o novo.  Quem banca essa diferença?  O governo - isto é, o próprio contribuinte.

E o que é feito com o carro que foi entregue pelo comprador?  O dono da revendedora é obrigado a inutilizá-lo.  Joga-se uma solução de silicato de sódio no cárter, o motor é acionado, a solução se cristaliza e trava o motor.

É realmente algo muito racional.  Destrói-se um bem inteiramente útil e perfeitamente funcional, e a consequência disso - a compra subsidiada de outro veículo - acaba sendo computada como crescimento econômico.  Aparentemente é preciso ter um Ph.D. em economia keynesiana para achar que destruir um bem em perfeitas condições de uso é igual a criar riqueza.  É impossível dizer que tal situação configura geração de riqueza: um carro foi comprado e outro, em perfeito estado, foi destruído.

Aliás, nem com muito otimismo poderíamos dizer que houve um empate, uma vez que foi utilizado dinheiro público nessa transação - isto é, alguém foi obrigado a subsidiar a transação sem tomar parte dela.  Portanto, tal arranjo configura indubitavelmente uma destruição de riqueza.  Mas a matemática econômica consegue reverter a realidade e fazer parecer com que tenha havido geração de riqueza.  E tal raciocínio se passa por ciência econômica hoje em dia, é ensinado nas universidades e aplicado pelo governo mais poderoso do mundo.

Portanto, se o seu carro for destruído na rua, sorria e repita para si próprio: "Que legal, o PIB vai disparar!"

Outro componente que "ajudou" no crescimento do PIB foi o número de construções de imóveis.  Por que houve um aumento nas construções?  Porque o governo americano, além de estar subsidiando as hipotecas, está dando também subsídios de 8 mil dólares para pessoas que forem comprar imóveis e que não tenham comprado nenhum nos últimos três anos.  Detalhe: não importa que a pessoa já tenha um imóvel; se ela estiver há três anos sem ter comprado um, ela pode se qualificar para esse assistencialismo.

Como resultado desse estímulo, houve uma retomada na construção de imóveis.  O problema é que o país já está com um excesso de imóveis construídos (afinal, o termo bolha imobiliária tem algum significado, certo?).  Por que construir mais, se um grande número deles está desocupado?

Se não houvesse esses estímulos e se o governo não estivesse envolvido no setor, os preços dos imóveis estariam caindo, possibilitando às pessoas menos abastadas adquirirem esses imóveis.  Mas, ao contrário, as construções continuam e os programas do governo se encarregam de manter os preços dos imóveis artificialmente elevados, impossibilitando os mais pobres de finalmente adquirirem um imóvel. 

Ambas as medidas - "dinheiro por sucatas" e subsídios para a compra de imóveis - representam uma incrível malversação de recursos escassos.  Mão-de-obra, bens de capital e outros recursos que poderiam estar sendo utilizados em atividades mais produtivas, atividades que realmente criassem riqueza genuína, estão sendo desviados para atividades que nada mais são do que mero consumo de capital.  Não se está produzindo nada que tenha sido genuinamente demandado pelos consumidores, não se está investindo em nada de longo prazo; está-se apenas desperdiçando capital em atividades de efeito temporário, atividades cuja única intenção é maquiar o PIB.

Se não houvesse esses incentivos, as pessoas provavelmente estariam poupando dinheiro ou utilizando-o para saldar suas dívidas.  Mas ao invés disso, elas foram comprar carro e casa só porque o governo estava dando dinheiro.  Dados do Fed mostram que a taxa de poupança das famílias despencou nesse último trimestre.  Não tinha como ser diferente.

O terceiro e último fator que estimulou o PIB foram os gastos do governo americano.  No terceiro trimestre, a gastança cresceu 7,9% em relação ao segundo trimestre, sendo que no segundo trimestre ela havia crescido 11,4% em relação ao primeiro trimestre.

Com isso, o déficit e a dívida do país atingiram níveis pornográficos, do tipo que fariam as aventuras de Cicciolina parecer histórias de convento.  Veja os gráficos:

Déficit:

déficit.png

Dívida:

dívida.png

Por fim, vale lembrar que, durante a Grande Depressão, o período entre 1934 e 1937 foi de crescimento consecutivo do PIB.  A média de crescimento foi de 8,5% ao ano.  Será que alguém crê que a Depressão acabou em 1934 só porque ali começou uma época de "crescimento"?  O fato é que após quatro anos de PIB crescendo a 8,5% ao ano, o desemprego estava em 15%.  E disparou para 19% em 1938.

Isso dá uma boa lição sobre a diferença entre crescimento estatístico e crescimento real.


30/10/2009 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Na ocasião do lançamento do livro Economia do Indivíduo, pelo Instituto Mises Brasil, consegui pegar uma carona com o Helio Beltrão e com o Fernando, após minha mente ter me pregado uma peça ainda em São Paulo.

Uma tarde de tempo ameno no Rio de Janeiro e um trânsito absurdo que faria os paulistanos mais acostumados arrancarem os cabelos, decidi aproveitar a presença do Helio, um experiente e exitoso operador do mercado, além de conhecedor profundo da Escola Austriaca, para discutir um pouco sobre o rumo de ações, bolsas, câmbio e a economia em geral.

Ia eu concordando em linhas gerais com tudo, sobre até onde ia a alta da bolsa, a sinuca em que os governos se encontravam, até que falei para o Helio que eu acreditava no derretimento total do dólar, que se encontrava a R$ 1,79.  Falei que visualizava o dólar abaixo de R$ 1,30, e ainda frisei: "tranquilamente".

E foi nesse ponto que Helio discordou e já via em R$ 1,79 um piso.  Ele ainda argumentou: "até R$ 1,70 pode ser, mas disso não passa."
 
Entre uma e outra canção da pequena Helena (pasmem, uma pré-adolescente afinadíssima), Helio defendeu sua posição e confesso que não consegui entender a argumentação.  Silenciei e guardei a conversa naquelas gavetas da memória que pretendemos abrir um dia para usar.

E não é que esse dia chegou?

Com a publicação dos artigos "Já que você é tão esperto, por que não está rico?" e "Aflições cambiais", senti-me incomodado. Meu amigo Roberto Guarda, com quem troco figurinhas sobre o mercado financeiro, sabe da minha aflição por não conseguir encontrar na BM&F liquidez ou volume para pessoa fisica para comprar uma put (opção de venda) de dólar futuro. Minha intenção desde que o dólar estava acima de R$ 2,20 era comprar put de dólar janeiro 2011.  Mas, infelizmente, vi o dólar cair para R$ 1,70 e não fiz meu primeiro milhão.

O que me incomodou no primeiro artigo é que eu fui esperto e estaria rico, porém, mais sola de sapato será gasta até chegar a esse ponto.

O artigo "Aflições Cambiais", além do título ser o nome da doença de que venho sofrendo, só vem reafirmar minha certeza absoluta da debacle do dólar.  E como Peter Schiff e Jim Rogers não cansam de dizer para apostar contra tudo o que Bernanke diz, traduzi isso pro bom português e Mantega "abriu spread", como dizem os operadores do mercado financeiro, em entrevista recente à Folha de São Paulo (23/10/09).

Durante a tentativa de justificar o IOF ele diz: "... Foi dado um recado àqueles que apostam que vão levar o dólar a valer R$ 1,30, tirem o cavalo da chuva porque não vai ser assim." .

Pois bem "seu" Ministro, meu cavalo está na chuva.  Não adianta o Sr. colocar IOF a 2%, 10% , X%, o dólar vai derreter e não há NADA que o Sr. possa fazer.

Deixe-me esquecer de meus tempos de miséria quando eu queria ganhar meu milhão comprando opção de venda. Vou logo no bilhão e aceito o desafio. Aposto contra o tesouro e o número "cabalístico" de R$ 1,30 (que coincidiu com o que falei pro Helio) fica de lambuja para o governo. Esse vai ser o teto.

27/10/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

Dando uma olhada rápida nas manchetes do dia, vejam o que encontrei na Folha, Valor e BrasilEconômico:

 

Lucro da petrolífera britânica BP cai 34% no trimestre para US$ 5,3 bi

Lucro do banco espanhol BBVA cai 0,86% no trimestre e fica em US$ 2,05 bi

Lucro da Honda cai 56% mas fica em US$ 587,8 mi e supera previsões

Lucro da Bayer cai 10,1% no trimestre e fica em US$ 370,5 mi

Lucro da Canon recua 76% entre janeiro e setembro

McDonald's fechará as portas na Islândia devido à crise

Bolsas de NY recuam pelo segundo dia seguido

Sites de relacionamento dão prejuízo de US$ 2,2 bi no Reino Unido, diz relatório

Crédito ao setor privado cai na Eurozona e gera dúvidas

Índia inicia "estratégia de saída" sob ameaça de inflação

Déficit orçamentário espanhol chega a 5,96% do PIB de janeiro a setembro

Ibovespa futuro sinaliza abertura negativa

Base monetária expande-se 4,6% em setembro

Mercado futuro indica pregão instável na Bovespa

Bolsa de NY teve queda com construtoras e financeiras

 

Agora, sendo realista e analisando a avalanche de manchetes: Existe alguma mínima chance de esta crise ter realmente acabado?


26/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

"O fascismo deveria ser mais apropriadamente chamado de corporativismo, pois trata-se de uma fusão entre o poder do estado e o poder das grandes empresas".

Benito Mussolini

 


Agora leia esta notícia.  Destaco alguns trechos, que falam por si sós:


Entre as 30 maiores multinacionais brasileiras (ranking de 2008), quase todas têm empréstimos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), e 20 têm participação do Estado - ou são estatais, ou têm parcelas de capital detidas pelo BNDESPar ou por fundos de pensão de estatais, fortemente influenciados pelo governo.

Incluindo-se as que têm associação indireta com o Estado - como parcerias com a Petrobrás, ou que fazem parte de grupos com participação estatal em outras de suas empresas -, aquele total chega a 25 das 30 maiores multinacionais, com nomes bem conhecidos como Petrobrás, Vale, Ipiranga, Usiminas, Embraer, Perdigão, Bertin e Klabin. Apenas 5 das 30 não têm no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado - AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura.

Embora duas empresas - Gerdau Aços Longos e CSN - tenham participação do governo inferior a 5%, na maioria delas a parcela é superior a 10%, e em quatro é maior do que 20% (Perdigão, Bertin, Fibria e Klabin). Como o ranking é de 2008, a Perdigão, que se fundiu com a Sadia, e a Bertin (frigorífico), que se fundiu com a JBS, aparecem separadamente. Em ambos, a participação do Estado se manteve depois da fusão. Esses são exemplos de negócios que o governo ajudou a costurar e que mostram a estrutura de concentração da política industrial.

Para tocar sua ambiciosa política industrial, o governo está fazendo uma gigantesca injeção de recursos nos bancos estatais, concentrada no BNDES. Segundo números do Banco Central, o saldo dos empréstimos do Tesouro Nacional a essas instituições saiu de zero em 2005 para R$ 145,4 bilhões em agosto de 2009. Desse total, R$ 137,5 bilhões foram para o BNDES.

(...)

O custo financeiro do fortalecimento do BNDES, no entanto, é apenas um dos problemas identificados por Almeida no crescente intervencionismo do Estado no setor produtivo. Ele constata que a política industrial do governo ainda vive um dilema de difícil superação: ao apostar as fichas nos grandes grupos econômicos brasileiros e na estratégia de usar o seu poder para concentrá-los ainda mais e criar "campeões nacionais", que possam competir globalmente, o governo acaba reforçando uma estrutura produtiva calcada na produção de commodities e de produtos de baixa tecnologia.

"É uma política industrial que consolida o que já somos, em vez de sinalizar o que queremos ser", diz Mansueto Almeida [o realizador do estudo].

 

Ou seja:

Além de ajudar a perpetuar um modelo de exportações baseado em produtos de baixo valor agregado (não houve um único país que se desenvolveu seguindo apenas esse modelo), tal política transforma os brasileiros em financiadores que não têm direito aos juros.  Nós damos o dinheiro, eles (governo e empresas) ficam com os lucros.

Ademais, o texto cita algumas empresas (AmBev, TAM, Globo, Copersucar e Natura) que não têm "no momento nenhuma associação (excluindo empréstimos) com o Estado".  Nesse caso, é bom dar uma ênfase no "excluindo empréstimos", pois todas provavelmente mamam no BNDES e seus juros subsidiados - subsidiados por nós contribuintes.

Tal política intervencionista e enriquecedora do grande baronato empresarial é amplamente defendida pelas esquerdas - que, não obstante, acusam os livre-mercadistas de serem os defensores lacaios das grandes empresas. 

Somente quando essa inversão for atacada e desmontada, somente quando a população for conscientizada de que o livre mercado é o exato oposto desse arranjo fascista, e que ele é o único mecanismo capaz de quebrar a espinha desse perverso esquema de transferência de renda ao avesso, é que o movimento libertário terá alguma chance - principalmente por meio do apoio dos micro e pequenos empreendedores, aqueles genuínos herois brasileiros que sobrevivem sem usar o estado para meter a mão no bolso de seus compatriotas.


26/10/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

Desde julho, quando o I Prêmio IMB foi lançado, 18 artigos já foram publicados sob a chancela do concurso. As temáticas têm sido bastante diversificadas. Assuntos como saúde, educação, transporte, mercado de trabalho, marketing, propriedade intelectual, ética, artes, entre outros já foram abordados pelos participantes. Estamos bastante satisfeitos com o resultado parcial e esperamos receber mais e mais contribuições para o I Prêmio IMB, cuja premiação será entregue em abril de 2010, durante o I Seminário de Livre Mercado que o Instituto Mises Brasil realizará em Porto Alegre (sobre esse evento, em breve, teremos novidades).

Para quem não se lembra, o prêmio tem duas categorias: Melhor Artigo e Maior Construibuição. A banca da categoria "Melhor Artigo" é formada por Fábio Barbieri, doutor em economia austríaca com tese sobre o cálculo econômico socialista e professor da FEA - USP/Ribeirão Preto; Roberto Fendt, vice-presidente do Instituto Liberal, sócio diretor da Adef Associados, vice-presidente da APEC e professor de Economia do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getúlio Vargas; e Daniel Goldberg, advogado, managing director da filial brasileira do banco Morgan Stanley e ex-Secretário de Direito Econômico do Ministério da Justiça. Os vencedores receberão passagens de ida e volta, curso de verão no Mises Institute, hospedagem e ajuda de custo para demais despesas no valor de US$ 300.

Alguns participantes entraram em contato conosco para tirar algumas dúvidas, como, por exemplo, se é permitido enviar textos de dupla autoria. Sim, a iniciativa é válida, mas lembramos que o prêmio é para o artigo. Por isso, se eventualmente um texto de dupla autoria vencer na categoria "Melhor Artigo", cabe aos autores decidirem como fazer para dividir a premiação. Outra dica: embora o estilo do texto seja livre, recomendamos aos participantes evitarem produzir artigos demasiadamente longos, que fujam do estilo comumente adotado em nosso site.

Segue abaixo, a lista de todos os textos que estão participando do I Prêmio IMB até o momento:

1. Propaganda - um fator de produção (Juliano Torres)
2. Desestatize o Lixo!  (Juliano Torres)
3. IVC - 51 anos de regulação privada no Brasil (Juliano Torres)
4. O papel do marketing no livre mercado (Juliano Torres)
5. Eficiência no mercado (Thiago Bezerra)
6. A incerteza hayekiana e as crises econômicas  (Thiago Bezerra)
7. Desregulamentação do mercado de trabalho: a liberdade garante a ética e a qualidade  (Lucas Mendes)
8. Da imoralidade e da ineficiência do estado: uma análise Rothbardiana (Lucas Mendes)
9. O mercado de drogas (L. do Ó)
10. O direito de propriedade sobre o próprio corpo (L. do Ó)
11. Crise monetária à vista  (Caio Augusto)
12. Regras, ordem e complexidade econômica - Hayek sobre o racionalismo cartesiano  (Arnaldo Maurenberg Jr.)
13. Dia mundial sem carro (Henrique Vicente)
14. Melhorando os sistemas de saúde e educação em três passos  (Guilherme Inojosa)
15. Propriedade imprópria  (Igor Taam)
16. Nove razões para evadir impostos  (Oriom Lisboa)
17. Sobre o parasitismo estatal e outras derrotas (José Carlos Dragone)
18. O princípio de perfeição e o financiamento da arte (Filipe Celeti)

 

O Instituto Mises Brasil agradece a participação e deseja a todos boa sorte!

 


25/10/2009 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Recentemente o Ministro da Fazenda impôs IOF de 2% sobre a entrada de dólares.

Uma medida fadada ao fracasso; o dólar vai continuar caindo.

Os defensores da medida não conseguiram, até agora, produzir um único argumento que a justificasse. 

Porém, Luiz Gonzaga Belluzzo (aquele mesmo do abilolado Plano Cruzado) superou todos no non sense.  Ao ser questionado, saiu-se com as seguintes respostas em uma curta entrevista no jornal Folha de S. Paulo. Tentem entender:

FOLHA - Qualquer intervenção no câmbio parte do pressuposto de que existe uma cotação correta e outra errada. Qual seria a correta?

BELLUZZO - Quando o dólar foi a R$ 2,50, estava muito bom para a maioria das empresas. O problema é que deixaram o real se valorizar.

FOLHA - De onde o sr. tira a convicção de que intervenções do governo no câmbio funcionam, a médio e a longo prazos?

BELLUZZO - Não funcionam? Eu não sabia. Então vai ver que é um problema de temperatura. Só não funciona nos trópicos, no Brasil. Só funciona nos climas temperados. É isso.


21/10/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Foi um dia agitado no mercado financeiro essa terça-feira, 20 de outubro.

Nos EUA, a S&P 500 e a NASDAQ caíram 0,6%.  O dólar, após dias seguidos de queda, apresentou uma ligeira valorização.  Com isso, vem se consolidando uma tendência, a única que é repetida com regularidade: quando o dólar sobe, as bolsas caem (americanas inclusive), e vice versa.

O setor imobiliário continua deprimido - ao contrário do que os entusiastas da mídia vinham dizendo.  O relatório de setembro sobre a construção de novos imóveis trouxe números abaixo do esperado, e os números de agosto também foram revisados para baixo.  Ademais, as autorizações para novas construções, um indicador da saúde do setor imobiliário, caíram pela segunda vez nos últimos três meses.

Ou seja: apesar de todos os esforços contrários do governo americano, os preços dos imóveis seguem em queda - como tem de ser. 

Com isso, os ativos dos bancos - que têm papeis do setor imobiliário em suas carteiras - seguem se desvalorizando, o que inevitavelmente forçará um ajuste futuro.  Exatamente para evitar isso, o mais provável é que o governo americano continue dando subsídios ao setor imobiliário (na forma de créditos tributários para aqueles que estão comprando imóveis pela primeira vez) - o que ajudará a ofuscar a realidade desse mercado também em 2010.

Outra notícia interessante veio da Austrália: o presidente do Banco Central australiano, Glenn Stevens, disse ser "imprudente" manter as taxas de juros daquele país em seu atual nível de 3,25%, o mais baixo dos últimos 50 anos.  Sua intenção é encarecer o custo dos empréstimos a fim de se evitar um aumento da inflação.  O atual nível dos juros australianos está pondo em risco a meta de inflação daquele país, que é de 2 a 3%.  O núcleo da inflação anual australiana está em 4,2%.

A palavra "imprudente" surpreendeu os investidores, que agora dão como certo que o BC australiano seguirá aumentando os juros.  Isso significaria que aquele BC não está ligando para a apreciação de sua moeda, que está no nível mais alto dos últimos 14 meses.

Vale lembrar que o Banco Central da Austrália foi o primeiro e único banco central do G-20 a aumentar (em 0,25%) a taxa básica de juros desde o início da crise.

Brasil

Assunto esse que nos traz ao Brasil. 

O governo decidiu impor uma tarifa de 2% (IOF) sobre o influxo de capital estrangeiro destinado à compra de ações e títulos públicos.  A justificativa oficial é que se quer evitar a formação de uma bolha na bolsa.  Previsivelmente, houve muita inquietação com essa decisão repentina e a Bovespa caiu 2,9% e o dólar subiu 1,86%, cotado a R$ 1,745.

Algumas considerações:

1) Sim, se houver uma enxurrada de dólares, é bem possível que haja uma "bolha do Real" - o real poderia se valorizar muito e, no evento de uma fuga de dólares, se desvalorizar repentinamente.  Tal instabilidade deixa tanto os exportadores quanto os importadores à deriva, sendo obrigados a adivinhar seu futuro. 

2) Desnecessário dizer que tal instabilidade monetária é totalmente oposta ao que ocorreria num livre mercado, no qual uma commodity que não pode ser criada do nada (como o ouro) seria utilizada como meio de troca, fornecendo assim uma unidade de conta estável. 

3) Esse atual arranjo, em que cada banco central imprime seu dinheiro e daí eles ficam flutuando entre si no mercado financeiro internacional, é inerentemente instável e incontrolável.  Paliativos como taxação e controle de capitais não trazem efeitos de longo prazo, pois acabam no final entrando nos cálculos dos agentes financeiros - ademais, no atual arranjo global, não se pode impor barreiras eternas ao capital estrangeiro.

4) Assim, é duvidoso que essa medida esteja visando conter o fluxo de dólares.  Sua intenção parece ser muito mais a de aumentar a arrecadação (em queda) do que a de conter a valorização do real, algo impossível no longo prazo.

5) Caso o Banco Central do Brasil não estivesse imprimindo reais para comprar dólares, ele não precisaria se preocupar com inflação e nem com uma bolha na bolsa.  Dados do BACEN mostram que as torneiras estão abertas.  A base monetária, que vinha apresentando um aumento bem contido até agosto, disparou em setembro e agora na primeira quinzena de outubro, aumentando em mais de R$ 9 bilhões.  O mesmo ocorreu com o M1.  A intenção clara é proteger os exportadores, como já explicado aqui.

6) É fácil entender por que não haveria uma bolha na bolsa caso o governo não imprimisse reais para comprar dólares.  Considere o seguinte e muito simples exemplo a seguir:

Imagine, apenas para facilitar as contas, que houvesse no Brasil apenas 100 reais e 50 dólares em circulação.  Nesse exemplo simples, a cotação de 1 dólar seria de 2 reais.  Agora suponha que houve uma entrada de mais 50 dólares na economia.  Se o BACEN não fizer absolutamente nada, teremos 100 reais e 100 dólares na economia, o que fará com que a cotação do dólar pule para 1 real, certo?

Mas como você só pode comprar ações em reais, então não teria como haver uma bolha de ações.  Afinal, o meio de compra - as cédulas de real - não aumentou.  Se não houve aumento da quantidade de moeda, então não tem como haver bolha.

Porém, se o BACEN decide intervir imprimindo reais para comprar dólares, o arranjo muda.  A economia passa a ter, digamos, 200 reais e 50 dólares (os outros 50 dólares que entraram foram para as reservas do BACEN).  Nesse caso, como houve um aumento da quantidade de reais em circulação, é bem provável que esse novo dinheiro recém-criado seja aplicado na bolsa, o que de fato gerará uma bolha.

E é exatamente isso que está acontecendo atualmente em todo o mundo.  As bolsas estão subindo como consequência dos pacotes de estímulo financeiro adotados pelos governos ao redor do mundo.  Esse dinheiro que foi impresso está sendo aplicado nos mercados financeiros ao redor do mundo.  Quando uma moeda estrangeira chega num país qualquer, o banco central desse país imprime dinheiro para comprá-la (essa impressão monetária conjunta explica os baixos juros mundiais).  A bolha financeira está sendo reinflada.

Jim Rogers e Peter Schiff preveem que essa atual fase altista dos mercados financeiros pode durar um ou dois anos no máximo.  Quando os BCs mundiais - principalmente o Fed - começarem a apertar os juros, haverá um novo colapso, ainda mais forte que o atual.

Conclusão

A intenção principal do governo brasileiro com essa tarifa de 2% sobre o capital estrangeiro destinado à compra de ações e títulos públicos parece ser a de aumentar a arrecadação.  Como efeito colateral, dá-se uma mãozinha aos exportadores.  Mas se levarmos em conta o que está sendo feito com a base monetária e com o M1, a bolha na bolsa continuará em formação.

Logo, o BACEN está numa encruzilhada: se os dólares chegam e ele não os compra, o real se valoriza e os exportadores perdem.  Se ele imprime reais para comprar dólares, haverá problemas com a inflação e com uma provável bolha financeira (vale lembrar que a Bovespa já subiu mais de 100% desde outubro de 2008).  Se ele vende títulos para adquirir reais e com isso comprar dólares, não há perigo de inflação e nem de bolha financeira, mas há aumento da dívida e dos juros (algo nada bom em período eleitoral).




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