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21/12/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

Os burocratas e parasitas que se reuniram para a conferência climática em Copenhague tinham duas claras intenções:

1) impor tributos globais para beneficiar a si próprios e os grupos de interesse que os apóiam; e

2)  impor controles mais restritos sobre o nosso modo de viver - afinal, esse negócio de ficar andando de carro e de avião é um luxo que deve ser abolido para o bem dos ursos polares (que, aliás, seguem crescendo em número).

Ambas as medidas totalitárias foram cuidadosamente envoltas em uma embalagem atraente e passaram a ser vendidas com um conteúdo altamente humanitário: a intenção seria impedir a tal da mudança climática (a mesma que ocorre quando saímos do inverno e entramos na primavera, talvez?)

Sempre que escrevíamos aqui criticando o cunho ideológico dessas medidas, alguns leitores - sem dúvida bem intencionados - nos criticavam por estarmos sendo excessivamente fanáticos e gratuitamente antiestado, querendo apenas ser do contra por se tratar de uma medida abertamente intervencionista.  "Pode ser por uma boa razão", diziam eles.

Todo esse tempo vínhamos apontando que, dentre toda a claque dos aquecimentistas, o maior grupo era aquele formado pelos estatistas e pelos esquerdistas globais, os quais, após a queda do Muro de Berlim, aderiram ao ambientalismo como forma de assegurar o poder global que haviam perdido no campo econômico.

Se ainda havia alguma dúvida de que todo esse alarmismo climático não passava de um teatro para tentar subjugar o capitalismo aos caprichos dessa gente, essa dúvida pôde ser facilmente dissipada pelo comportamento observado na conferência.  Evo Morales, por exemplo, foi aplaudido delirante e efusivamente após um discurso em que dizia que "Se quisermos salvar a Terra e a humanidade, não temos outra alternativa senão acabar com o sistema capitalista"

Já Hugo Chávez deu a receita mais direta: "Só com o socialismo" é possível "salvar" o planeta e "obter justiça".  O coronel também afirmou que o capitalismo "é o caminho para o inferno e à destruição do mundo".  E, para finalizar, concluiu triunfantemente que "o destrutivo modelo capitalista está erradicando a vida".

É difícil crer que o fato de ambos terem sido convidados, feito tais discursos e aplaudidos estrepitosamente nada tem a ver com a real intenção daquela gente.

(Não bastasse todo esse picadeiro, acaba de ser confirmado que Michael Mann - o cientista que no escândalo dos e-mails foi descoberto fraudando dados sobre o clima dos últimos mil anos para fazer o mundo crer na existência do aquecimento global antropogênico - recebeu 6 milhões de dólares por seus artigos e projeções.  Mann está sob investigação pela Universidade Estadual da Pensilvânia.  Já Phil Jones, diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade East Anglia - órgão de referência mundial sobre o clima -, foi afastado por também haver suspeitas de ter recebido dinheiro para fraudar dados.  Um verdadeiro trambique global.)

E como que para ridicularizar ainda mais essa reunião entre totalitários e parlapatões que juram que o mundo anda muito quente, a Europa está passando por uma onda de frio sem precedentes para essa época.

"Tempestades de neve e frio com temperaturas muito abaixo das esperadas para a época.  Na Polônia, a polícia anunciou que 42 pessoas morreram, a maioria sem-teto, encontradas congeladas depois que as temperaturas caíram abaixo dos 20 graus negativos.  As autoridades de saúde admitiram que há anos não se registra um número tão alto de mortes provocadas pelo frio, apesar da criação de novos abrigos. Também por causa da neve, algumas linhas de trem foram danificadas. Alemanha, Áustria, Bélgica e França também registraram casos isolados de mortes de sem-teto. Mais de duas centenas de cidades búlgaras, incluindo parte dos subúrbios de Sofia, ficaram sem luz por uma pane causada pela queda de árvores congeladas."

Por fim, para aqueles que realmente creem no aquecimento global e no poder das explicações científicas, aqui vai um conselho para diminuir a emissão de CO2: comprem um utilitário e matem seu cachorrinho.  Sim, acabaram de descobrir que um poodle emite mais CO2 que uma Blazer ou uma Toyota Hilux.  Ou seja: dirigir um carro é muito mais ecológico do que ter um cachorro.  E são cientistas que estão falando isso.

E tem mais.  Ainda de acordo com a pesquisa:

- Um gatinho polui um pouco menos do que um carro de passeio de tamanho médio.
- Quatro canarinhos poluem tanto quanto uma TV de plasma.
- E um peixinho de aquário, comendo ração, polui a mesma coisa que dois telefones celulares.

Será que os ambientalistas radicais agora vão pedir a chacina indiscriminada de chihuahuas ou eles se contentam com o objetivo mais modesto de dizimar somente 90% de população? 

Assim, para o bem de todos, inclusive do reino animal, só nos resta torcer muito para que essa bobagem de aquecimento global, mudança climática, sauna mundial, ventania continental, umidade temperada, seca subtropical ou qualquer que seja o novo termo que venham a inventar, seja rapidamente esquecida - não sem antes ser devidamente ridicularizada.


15/12/2009 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Como já foi anunciado, o impostômetro este ano atingiu o valor de 1 trilhão de reais em uma data anterior à do ano passado.

Esse fenômeno surpreendeu muita gente.  Afinal, além da extinção da CPMF e da redução das alíquotas de IPI, esse foi um ano de recessão - ao contrário do ano passado, que foi de grande expansão econômica.

Assim, como pode o valor dos impostos recolhidos ter aumentado, se houve desoneração e recessão?

Esse, aliás, é um fenômeno antigo e quase nunca citado pela mídia.  Por exemplo, de 2004 até o fim de 2008, a arrecadação aumentou constantemente em relação ao PIB.  A oposição - o que inclui alguns (poucos) setores da imprensa - fazia alarde: "Viram só?  O governo está aumentando impostos!".  Os políticos e jornalistas da situação, que entendem tanto de economia quanto os da oposição, retrucavam: "Ah, é? Citem um único imposto que subiu?".  E aí o debate acabava. 

De fato, não houve aumento líquido de impostos nesse período.  Contudo, a arrecadação em relação ao PIB cresceu continuamente.  Por quê?  Ora, porque o Banco Central expandiu constantemente a base monetária e, consequentemente, os agregados M1, M2, M3 e M4. 

Em um cenário de crescimento econômico, como o período 2004-2008, se você imprimir dinheiro, o volume arrecadado inevitavelmente irá aumentar.  E como a inflação de preços é sempre menor que a inflação monetária para um mesmo ano, o resultado é que a arrecadação em termos reais (isto é, já descontada a inflação de preços) será inevitavelmente crescente.  Isso explica o aumento da carga tributária em termos do PIB nesse período, embora não tenha havido aumento de impostos.

Já em um cenário de recessão ou de estagnação, como o atual, uma expansão da oferta monetária (M1 e demais) faz com que o valor nominal arrecadado cresça, embora o valor em termos do PIB possa cair (que é o que está acontecendo atualmente no Brasil).

Assim, o fato de o impostômetro ter atingido o valor de 1 trilhão de reais um dia mais cedo em relação ao ano passado, mesmo com um cenário econômico mais impropício, é explicado principalmente pelo comportamento do Banco Central: no período de um ano, de novembro de 2008 a novembro de 2009, o M1 aumentou 10%, o M2, 9%, o M3, 16%, e o M4, 15%.

O fato de a imprensa não ter feito essa interpretação (eu, pelo menos, não vi), mostra bem o conhecimento que ela tem sobre teoria monetária.


15/12/2009 00:00  por  Alfredo Marcolin Peringer \  economia

Na tarde de segunda-feira, 14 de dezembro de 2009, o impostômetro, medida de todos os tributos pagos pela sociedade brasileira, instalado na cidade de São  Paulo, alcançou o montante de um trilhão de reais, projetando um custo social tributário ao redor de R$ 1,133 trilhão em 2009, ante R$ 1,048 trilhão em 2008, alta de 8,11%, mesmo em ano de crise econômico-financeira. Na quarta-feira anterior, o Grupo RBS havia divulgado uma pesquisa sobre a carga tributária em almoço "Tá na Mesa" da Federasul, feita com 300 empresários,  mostrando a forte preocupação do meio empresarial com os altos tributos. Não é para menos, esse tipo de custo encontra-se entre os principais entraves ao crescimento das empresas e da atividade econômica como um todo. Aliás, inúmeros estudos sobre o assunto mostram que nos países em que os governantes impõem pesados tributos ao seu povo, os resultados econômicos e sociais também costumam ser pífios.

Mas o meio burocrático nem sempre foi ganancioso assim. A história mostra que os tributos no mundo andavam ao redor de 5% a 6% do PIB no início do século passado. Cresceram com o advento da I Guerra Mundial, em que a carga tributária pulou para algo ao redor de 12% do PIB, em média (7% do PIB no Brasil em 1920, segundo o IPEA), mesmo diante da advertência de Pierre Paul Leroy-Beaulieu, professor de política econômica do Collège de France e premiado várias vezes pela  Academy of Moral and Political Sciences francesa, que classificava as cargas tributárias como moderadas (5% a 6% do PIB); pesadas (10% a 12%) e exorbitante (acima de 12% do PIB). Mais recentemente, Vito Tanzi, tributarista de renome internacional, em estudos feitos junto a diversos países da América Latina, chegou a uma conclusão parecida, ainda que em níveis mais elevados. Notou que quando a carga tributária ultrapassa os 20% do PIB, os países começam a sofrer queda da produção, da renda, dos salários e dos empregos  e  "na medida em que ela aumenta, aumentam também os custos sociais", conclui Tanzi (OS GASTOS PÚBLICOS).

Tanzi foi feliz ao vincular os problemas econômicos aos sociais, resultantes da alta participação do estado e da exorbitante carga tributária.   Não há como ignorar que acabem desandando em custos sociais de monta, em que o desemprego é o menor deles. A população fica num estado ebulitivo, pronta a explodir em situações aparentemente normais ou insignificantes, seja no lar, no trânsito, no futebol ou junto a amigos. Foi Frédéric Bastiat quem nos ensinou que as ações econômicas sempre deixam dois efeitos: a) o que se vê e; b) o que não se vê.  A evolução da carga tributária brasileira de 20,3% do PIB em 1987 (números do IBPT), percentual próximo ao limite admitido por Tanzi, para 25,38% em 1992; 27,47% em 1997; 35,84% em 2002 e 36,2% em 2008, num salto astronômico de 15,9 pontos percentuais, é o efeito que se vê.  O caos econômico e social dela resultante é o efeito que não vê, a não ser quando explode. 

O extravagante valor numérico apresentado pelo impostômetro não deve ser avaliado como mais um dado contábil, mas como um sinal aos governantes da extrema desordem tributária em nosso País, que precisa ser equacionada e reduzida aos níveis de 1987, antes que leve o País ao caos econômico e social e que o oportunismo venha a transformar o nosso já fraco regime democrático num estado definitivamente totalitário.

14/12/2009 00:00  por  Equipe IMB \  política

Vale muito a pena ler esta entrevista fluente e esclarecedora dada pelo meteorologista Luiz Carlos Molion, da Universidade Federal de Alagoas, ao portal UOL. 

 

Por Carlos Madeiro:

Com 40 anos de experiência em estudos do clima no planeta, o meteorologista da Universidade Federal de Alagoas Luiz Carlos Molion apresenta ao mundo o discurso inverso ao apresentado pela maioria dos climatologistas. Representante dos países da América do Sul na Comissão de Climatologia da Organização Meteorológica Mundial (OMM), Molion assegura que o homem e suas emissões na atmosfera são incapazes de causar um aquecimento global. Ele também diz que há manipulação dos dados da temperatura terrestre e garante: a Terra vai esfriar nos próximos 22 anos

Em entrevista ao UOL, Molion foi irônico ao ser questionado sobre uma possível ida a Copenhague: "perder meu tempo?" Segundo ele, somente o Brasil, dentre os países emergentes, dá importância à conferência da ONU. O metereologista defende que a discussão deixou de ser científica para se tornar política e econômica, e que as potências mundiais estariam preocupadas em frear a evolução dos países em desenvolvimento.

UOL: Enquanto todos os países discutem formas de reduzir a emissão de gases na atmosfera para conter o aquecimento global, o senhor afirma que a Terra está esfriando. Por quê?
Luiz Carlos Molion: Essas variações não são cíclicas, mas são repetitivas. O certo é que quem comanda o clima global não é o CO2. Pelo contrário! Ele é uma resposta. Isso já foi mostrado por vários experimentos. Se não é o CO2, o que controla o clima? O sol, que é a fonte principal de energia para todo sistema climático. E há um período de 90 anos, aproximadamente, em que ele passa de atividade máxima para mínima. Registros de atividade solar, da época de Galileu, mostram que, por exemplo, o sol esteve em baixa atividade em 1820, no final do século 19 e no inicio do século 20. Agora o sol deve repetir esse pico, passando os próximos 22, 24 anos, com baixa atividade.

UOL: Isso vai diminuir a temperatura da Terra?
Molion: Vai diminuir a radiação que chega e isso vai contribuir para diminuir a temperatura global. Mas tem outro fator interno que vai reduzir o clima global: os oceanos e a grande quantidade de calor armazenada neles. Hoje em dia, existem boias que têm a capacidade de mergulhar até 2.000 metros de profundidade e se deslocar com as correntes. Elas vão registrando temperatura, salinidade, e fazem uma amostragem. Essas boias indicam que os oceanos estão perdendo calor. Como eles constituem 71% da superfície terrestre, claro que têm um papel importante no clima da Terra. O [oceano] Pacífico representa 35% da superfície, e ele tem dado mostras de que está se resfriando desde 1999, 2000. Da última vez que ele ficou frio na região tropical foi entre 1947 e 1976. Portanto, permaneceu 30 anos resfriado.

UOL: Esse resfriamento vai se repetir, então, nos próximos anos?
Molion: Naquela época houve redução de temperatura, e houve a coincidência da segunda Guerra Mundial, quando a globalização começou pra valer. Para produzir, os países tinham que consumir mais petróleo e carvão, e as emissões de carbono se intensificaram. Mas durante 30 anos houve resfriamento e se falava até em uma nova era glacial. Depois, por coincidência, na metade de 1976 o oceano ficou quente e houve um aquecimento da temperatura global. Surgiram então umas pessoas - algumas das que falavam da nova era glacial - que disseram que estava ocorrendo um aquecimento e que o homem era responsável por isso.

UOL: O senhor diz que o Pacífico esfriou, mas as temperaturas médias Terra estão maiores, segundo a maioria dos estudos apresentados.
Molion: Depende de como se mede.

UOL: Mede-se errado hoje?
Molion: Não é um problema de medir, em si, mas as estações estão sendo utilizadas, infelizmente, com um viés de que há aquecimento.

UOL: O senhor está afirmando que há direcionamento?
Molion: Há. Há umas seis semanas, hackers entraram nos computadores da East Anglia, na Inglaterra, que é um braço direto do IPCC [Painel Intergovernamental sobre Mudança Climática], e eles baixaram mais de mil e-mails. Alguns deles são comprometedores. Manipularam uma série para que, ao invés de mostrar um resfriamento, mostrassem um aquecimento.

UOL: Então o senhor garante existir uma manipulação?
Molion: Se você não quiser usar um termo tão forte, digamos que eles são ajustados para mostrar um aquecimento, que não é verdadeiro.

UOL: Se há tantos dados técnicos, por que essa discussão de aquecimento global? Os governos têm conhecimento disso ou eles também são enganados?
Molion: Essa é a grande dúvida. Na verdade, o aquecimento não é mais um assunto científico, embora alguns cientistas se engajem nisso. Ele passou a ser uma plataforma política e econômica. Da maneira como vejo, reduzir as emissões é reduzir a geração da energia elétrica, que é a base do desenvolvimento em qualquer lugar do mundo. Como existem países que têm a sua matriz calcada nos combustíveis fósseis, não há como diminuir a geração de energia elétrica sem reduzir a produção.

UOL: Isso traria um reflexo maior aos países ricos ou pobres?
Molion: O efeito maior seria aos países em desenvolvimento, certamente. Os desenvolvidos já têm uma estabilidade e podem reduzir marginalmente, por exemplo, melhorando o consumo dos aparelhos elétricos. Mas o aumento populacional vai exigir maior consumo. Se minha visão estiver correta, os paises fora dos trópicos vão sofrer um resfriamento global. E vão ter que consumir mais energia para não morrer de frio. E isso atinge todos os países desenvolvidos.

UOL: O senhor, então, contesta qualquer influência do homem na mudança de temperatura da Terra?
Molion: Os fluxos naturais dos oceanos, polos, vulcões e vegetação somam 200 bilhões de emissões por ano. A incerteza que temos desse número é de 40 bilhões para cima ou para baixo. O homem coloca apenas 6 bilhões, portanto a emissões humanas representam 3%. Se nessa conferência conseguirem reduzir a emissão pela metade, o que são 3 bilhões de toneladas em meio a 200 bilhões? Não vai mudar absolutamente nada no clima.

UOL: O senhor defende, então, que o Brasil não deveria assinar esse novo protocolo?
Molion: Dos quatro do bloco do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), o Brasil é o único que aceita as coisas, que "abana o rabo" para essas questões. A Rússia não está nem aí, a China vai assinar por aparência. No Brasil, a maior parte das nossas emissões vem da queimadas, que significa a destruição das florestas. Tomara que nessa conferência saia alguma coisa boa para reduzir a destruição das florestas.

UOL: Mas a redução de emissões não traria nenhum benefício à humanidade?
Molion: A mídia coloca o CO2 como vilão, como um poluente, e não é. Ele é o gás da vida. Está provado que quando você dobra o CO2, a produção das plantas aumenta. Eu concordo que combustíveis fósseis sejam poluentes. Mas não por conta do CO2, e sim por causa dos outros constituintes, como o enxofre, por exemplo. Quando liberado, ele se combina com a umidade do ar e se transforma em gotícula de ácido sulfúrico e as pessoas inalam isso. Aí vêm os problemas pulmonares.

UOL: Se não há mecanismos capazes de medir a temperatura média da Terra, como o senhor prova que a temperatura está baixando?
Molion: A gente vê o resfriamento com invernos mais frios, geadas mais fortes, tardias e antecipadas. Veja o que aconteceu este ano no Canadá. Eles plantaram em abril, como sempre, e em 10 de junho houve uma geada severa que matou tudo e eles tiveram que replantar. Mas era fim da primavera, inicio de verão, e deveria ser quente. O Brasil sofre a mesma coisa. Em 1947, última vez que passamos por uma situação dessas, a frequência de geadas foi tão grande que acabou com a plantação de café no Paraná.

UOL: E quanto ao derretimento das geleiras?
Molion: Essa afirmação é fantasiosa. Na realidade, o que derrete é o gelo flutuante. E ele não aumenta o nível do mar.

UOL: Mas o mar não está avançando?
Molion: Não está. Há uma foto feita por desbravadores da Austrália em 1841 de uma marca onde estava o nível do mar, e hoje ela está no mesmo nível. Existem os lugares onde o mar avança e outros onde ele retrocede, mas não tem relação com a temperatura global.

UOL: O senhor viu algum avanço com o Protocolo de  Kyoto?
Molion: Nenhum. Entre 2002 e 2008, se propunham a reduzir em 5,2% as emissões e até agora as emissões continuam aumentando. Na Europa não houve redução nenhuma. Virou discursos de políticos que querem ser amigos do ambiente e ao mesmo tempo fazer crer que países subdesenvolvidos ou emergentes vão contribuir com um aquecimento. Considero como uma atitude neocolonialista.

UOL: O que a convenção de Copenhague poderia discutir de útil para o meio ambiente?
Molion: Certamente não seriam as emissões. Carbono não controla o clima. O que poderia ser discutido seria: melhorar as condições de prever os eventos, como grandes tempestades, furacões, secas; e buscar produzir adaptações do ser humano a isso, como produções de plantas que se adaptassem ao sertão nordestino, como menor necessidade de água. E com isso, reduzir as desigualdades sociais do mundo.

UOL: O senhor se sente uma voz solitária nesse discurso contra o aquecimento global?
Molion: Aqui no Brasil há algumas, e é crescente o número de pessoas contra o aquecimento global. O que posso dizer é que sou pioneiro. Um problema é que quem não é a favor do aquecimento global sofre retaliações, têm seus projetos reprovados e seus artigos não são aceitos para publicação. E eles [governos] estão prejudicando a Nação, a sociedade, e não a minha pessoa.

 


08/12/2009 00:00  por  Leandro Roque \  filosofia

A charada é antiga e provavelmente você já a ouviu várias vezes.  Mas como ela é engenhosa e espirituosa demais para não ser relembrada, vale a pena repeti-la para os novatos, correndo o risco de parecer repetitivo para os já experientes.

Pergunta: Por que os ambientalistas profissionais são chamados de melancias? 

Resposta: Porque são verdes por fora, mas vermelhos por dentro.

E não são apenas os ambientalistas "profissionais" que se enquadram nessa categoria; os recrutas e soldados rasos do movimento também vêm fazendo esforços sobejos para tentar subir de patente.

Como todo grupo combatente, as melancias têm várias táticas de guerra e um só objetivo em mente.

Suas táticas de guerra, embora não muito originais, são incrivelmente autoadaptáveis, maleáveis e, acima de tudo, eficientes: a difusão midiática de alarmismos fraudulentos e ardilosos como - em ordem cronológica - chuva ácida, buraco na camada de ozônio, câncer causado por celulares, aquecimento global, mudança climática e, futuramente, resfriamento global.

Já o objetivo almejado por essas táticas é antediluviano: convencer o mundo da necessidade de se fazer uma maciça redistribuição de toda a riqueza mundial e implantar um governo único que fará o planejamento centralizado de toda a economia do planeta.  Em outras palavras, o objetivo é o velho comunismo - só que dessa vez por meios menos explícitos do que a antiquada e ineficaz abolição da propriedade privada dos meios de produção.

Em suma: basta ouvir o discurso dos ambientalistas profissionais e você concluirá que todos os problemas ambientais desaparecerão caso o comunismo seja adotado.

(Detalhe: se esse governo mundial será controlado pela ONU, pelo FMI, pelo Banco Mundial, pela Comissão Trilateral, pelo CFR, pelos Rothschild, pelos Rockefeller, pelo Grupo Bilderberg ou pelo Greenpeace é algo que pode ser perfeitamente deixado para depois.  Primeiro subjuga-se o inimigo; depois escolhe-se seu mestre).

É verdade que, no universo das melancias, nem todas elas já estão completamente maduras; há algumas melancias que ainda estão na planta trepadeira, em fase de amadurecimento.  Essas são até bem intencionadas, e estão genuinamente preocupadas com a possibilidade de alguma catastrófica alteração climática; mas ainda não estão imbuídas do mesmo objetivo das melancias já completamente maduras, vermelhíssimas por dentro.

Como distinguir uma melancia madura de uma melancia cuja polpa vermelha ainda não está suculenta?  É simples.

Aproxime-se amigavelmente da melancia e fale pra ela, sempre em tom amistoso, o seguinte:

"Vocês ambientalistas são contra a energia nuclear, a energia hidrelétrica, as usinas termoelétricas, o gás natural e todas as outras formas de energia.  Mas o problema é que a energia é a força vital do capitalismo.  Sem energia a economia capitalista será destruída".

E então observe a reação da melancia.  O grau de entusiasmo em relação a essa conclusão será diretamente proporcional ao grau de vermelhidão e suculência de sua polpa.


07/12/2009 00:00  por  Nubia Tavares \  economia

As duas notícias mais lidas na editoria de economia no site da Folha de São Paulo hoje trazem dados bastante interessante para refletirmos sobre o dilema planejamento central x escolhas individuais que são o cerne da visão econômica da Escola Austríaca. A primeira notícia é sobre uma pesquisa elaborada pela Federação do Comércio do Estado sobre as vendas de Natal de São Paulo, e a segunda traz a visão econômica do presidente do Banco do Brasil para 2010.Vejamos as duas:

Não vou transcrever os dois textos na íntegra, mas resumo-os.

1) A primeira relata que os consumidores estão mais endividados e dando mais calotes. Além disso, a pesquisa traz dados que mostram que o crescimento esperado pelo comércio - de 12% mais vendas neste Natal, comparado ao último - será impulsionado principalmente pela compra de eletrodomésticos da linha branca que tiveram o IPI reduzido.  Resumindo: parte dos consumidores estão cautelosos. Outra parte não consegue mais pagar as dívidas que possui. E aqueles que pretendem comprar, optarão por produtos que estão com a carga tributária reduzida.

2) Enquanto isso, no país das maravilhas estatais, o Banco do Brasil quer dar mais dinheiro e baixar juros. A ideia é aumentar em 20% o volume de empréstimos para o próximo ano. Segundo o presidente do BB, Aldemir Bendine, a carteira cujo aumento no volume de empréstimos mais cresceu foi exatamente a carteira de consumo. Aliás, segundo Bendine, com a retomada dos financiamentos, "a tendência para a inadimplência agora é de pequena queda". 

É exatamente isso. Enquanto o consumidor ou está super endividado ou está cauteloso, o presidente do Banco do Brasil aposta na queda da inadimplência via empréstimos maiores, com mais prazo para pagar (poupança deve ser uma palavra que não consta no dicionário dele). 

E não é só isso. A parte mais hilária da matéria é quando, ao comentar a queda nos juros, o presidente do BB diz que COM A CONCENTRAÇÃO DO MERCADO BANCÁRIO EM TORNO DE SEIS PLAYERS, A CONCORRÊNCIA DEVE AUMENTAR (me perdoem o uso da caixa alta, mas eu queria ressaltar que ele realmente disse essa bobagem), pois os bancos estão operando de forma mais eficiente(?).
 
Ou seja: o presidente do maior banco estatal do país acha que concentração de mercado cria concorrência e que empréstimos com prazos maiores é a solução para acabar com a inadimplência. E é isso que ele deseja para todos os brasileiros em 2010. 

Já eu desejo sorte, porque no que depender da solução para a economia do presidente do Banco do Brasil, nós vamos precisar.

04/12/2009 00:00  por  Leandro Roque \  política

Está difícil conseguir agendar alguma entrevista com Al Gore depois da ocorrência daquilo que, numa alusão ao caso Watergate, vem sendo chamado de Climategate: vazamento dos e-mails que comprovam que os cientistas adulteraram dados climáticos com o intuito de "comprovar" a existência do aquecimento global.

A última notícia é que o valente desistiu de proferir sua palestra durante a conferência climática a ser realizada em Copenhague no dia 16 de dezembro.  O título de seu discurso era auspicioso: "Conclusão Climática". 

Depois do escândalo, a conclusão sensata de Gore é que agora não é exatamente o momento mais propício para convencer o mundo a abandonar seus automóveis e voltar às carroças e aos cavalos - embora alguns digam que a flatulência dos equinos também seja causadora do aquecimento global.

É tão patético que chega a ser cômico; mas é algo a ser comemorado.  Como de praxe, a imprensa nacional está silenciosa - afinal, não é elegante mostrar a covardia de seu garoto modelo -, o que nos obriga a recorrer a links estrangeiros.

Alguns dados da reportagem:

1)  Gore dá no pé sempre que algum cientista descrente da antropogenia do aquecimento global tenta lhe fazer alguma pergunta.  Isso foi mostrado no documentário A grande farsa do aquecimento global (legendado em português).

2)  Uma corte britânica decretou que havia 11 erros factuais no documentário gorista Uma verdade inconveniente, que ainda assim ganhou o Oscar de 2007 (importantíssimo, uma vez que o pessoal de Hollywood é inegavelmente douto em aspectos científicos) e lhe rendeu o Nobel da Paz (prêmio que esse ano foi concedido a Obama, o homem que acaba de mandar mais 35 mil tropas para trucidar afegãos que se recusam a seguir ordens estrangeiras).

3)  Em novembro, vários erros também foram descobertos no recém-lançado livro de Gore.  A coisa é tão escabrosa que as gafes já começam na capa.

4)  Durante uma sessão de autógrafos do referido livro, alguns céticos se atreveram a perguntar a Gore o que ele achava do escândalo do Climategate.  O valente simplesmente acionou seus gorilas, que empurraram e expulsaram da sessão os inoportunos questionadores - para deleite de alguns membros do rebanho presente, que não admitem que Sua Eminência seja questionada.  Veja o vídeo e observe o comportamento altivo do político, perfeitamente cônscio de seu poder manipulador enquanto masca sobranceiramente seu chiclete - um produto que, aliás, demora mais de 5 anos para ser absorvido pela natureza.

5) Na terça-feira passada, o Senado da Austrália derrubou uma proposta de lei para reduzir suas emissões de carbono.  Os australianos estão entre os povos mais céticos do mundo quanto ao alarmismo aquecimentista.

6) Semana passada, o professor Michael Mann, da Universidade da Pensilvânia, sede do maior programa meteorologista dos EUA, foi "colocado sob investigação" depois que se descobriu em seus e-mails que ele gostava de praticar "truques" para alterar dados antigos a fim de fazer com que as temperaturas pesquisadas parecessem mais cálidas do que de fato eram.  Curiosamente, esses antigos dados originais foram apagados, impossibilitando qualquer procedimento científico sério.  Se essa gente não pode ser classificada como bandida, então estão faltando adjetivos novos na praça.

7) Phil Jones, diretor da Unidade de Pesquisa Climática da Universidade East Anglia e outro adepto dos "truques", foi afastado do seu cargo por causa de investigações em seu envolvimento na fraude.

Nunca foi tão difícil ser um crente na nova religião do Aquecimento Global.


01/12/2009 00:00  por  Rodrigo Constantino \  economia

A revista VEJA desta semana tem uma matéria sobre o livro Scroogenomics, do economista americano Joel Waldfogel, bem interessante. Em todo Natal bilhões de dólares são destruídos no mundo todo. "A cada dezembro, presentes ruins transformam em pó algo em torno de 25 bilhões de dólares ao redor do mundo", diz. "Isso faz do Natal uma das mais formidáveis máquinas de destruição de valor já criadas pela humanidade". Eis a passagem que merece destaque:

"A ideia central de Waldfogel tem a ver com o conceito de valor - que é diferente do de preço. O valor de um produto tem algo de subjetivo. Está relacionado à satisfação que ele proporciona. Um gasto é bom para o consumidor final quando a satisfação obtida com o produto excede o preço pago. Na situação inversa, destrói-se valor. Embora às vezes a percepção de nossos próprios interesses possa ser turvada, de maneira geral, diz Waldfogel, quando saímos de casa para comprar uma roupa ou um CD, sabemos escolher direito. Mas, quando outras pessoas escolhem por nós, a relação entre valor e preço fica negativa."

Desde Carl Menger sabemos que o valor é subjetivo. Esse é um dos pilares mais importantes da Escola Austríaca, fundada por Menger. Partindo dessa lógica, fica até bastante óbvio concluir que presentes de Natal acabam destruindo valor. Afinal, o preço pago por quem compra o presente dificilmente será equivalente ao valor extraído por quem o recebe. Se a própria pessoa pudesse escolher, usando a mesma quantia, sem dúvida saberia melhor o que ela mesma prefere. Por isso os "vale-presentes" estão ficando mais comuns, apesar de parecerem mais "frios".

"Dar dinheiro seria mais simples, mas na maioria dos países há um estigma associado aos presentes em dinheiro. Em certas situações, eles são considerados até mesmo rudes", diz Waldfogel. Mas isso não muda o fato de que seria mais eficiente, do ponto de vista do valor gerado para a sociedade.

Faltou apenas à reportagem concluir o óbvio, indo além na mesma lógica: não apenas presentes de Natal destroem valor, mas - e principalmente, os gastos públicos são as verdadeiras máquinas de destruição de valor! No caso do presente, ainda temos a boa intenção de quem compra, que conhece o beneficiário e deseja agradá-lo. Mesmo assim não há garantia de sucesso. Mas no caso dos gastos do governo a situação é muito pior. Não só quem gasta não se importa muito com quem supostamente recebe os benefícios dos gastos, como não é ele quem paga a conta.

Os gastos do governo são problemáticos justamente por esta característica: governantes vão às compras usando o dinheiro da "viúva", retirado na marra, sem consentimento, e não estão muito preocupados com os benefícios gerados por tais gastos. Não são santos, afinal de contas, mas indivíduos que buscam a satisfação de seus próprios interesses. Na verdade, existe um grande incentivo à corrupção, quando governantes gastam o dinheiro dos outros com si próprios. Até um carro oficial para levar uma cadela sozinha pode resultar disso!

Se o presente de Natal pode ser ruim para a economia, como tenta mostrar Waldfogel, imagine o grande presente de Grego que é o gasto público!    

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Eis a reportagem na íntegra:

O economista que não gosta de presentes

Em Scroogenomics, o americano Joel Waldfogel afirma que encher
a árvore de Natal de pacotes coloridos é uma maneira segura
de destruir riquezas. Mais exatamente, 25 bilhões de dólares por ano


Por Carlos Graieb

natal1.jpgTodo Natal, o constrangimento se repete em incontáveis lares. O parente que há muito não vemos nos dá um presente. Rasgamos o papel e, de imediato, nosso rosto se congela num sorriso amarelo. Enquanto fingimos gratidão e procuramos mentalmente um espaço no fundo do armário para aquele tricô esquisito, o presenteador se consola com a ideia de que, bem, valeu a intenção. E a família bebe um gole a mais para relaxar. Sob os olhos do economista americano Joel Waldfogel, contudo, essa pequena comédia doméstica, replicada ad nauseam, tem consequências nada menos do que desastrosas. Ele afirma ter desvendado o significado econômico de todos aqueles sorrisos amarelos. "A cada dezembro, presentes ruins transformam em pó algo em torno de 25 bilhões de dólares ao redor do mundo", diz. "Isso faz do Natal uma das mais formidáveis máquinas de destruição de valor já criadas pela humanidade." Para explicar como isso acontece, Waldfogel redigiu um inusitado panfleto antinatalino, batizado com o título intraduzível de Scroogenomics. Mas o subtítulo do livro, por enquanto só lançado nos Estados Unidos, é bem direto: "Por que você não deve comprar presentes para o fim de ano".

Scroogenomics faz referência a Ebenezer Scrooge, talvez o mais conhecido entre os muitos personagens antológicos criados pelo escritor inglês Charles Dickens. Ele é o protagonista de Um Conto de Natal (uma nova versão da história, em desenho animado, está em cartaz nos cinemas brasileiros com a assinatura da Disney) e seu traço fundamental de caráter é o pão-durismo. Mas Scrooge é pior que avaro. Um espírito ressecado, ele olha os homens com a mais profunda desconfiança. "Bah! Tapeação!" É assim que ele enxerga as festividades natalinas, que não se importaria em abolir: "Se dependesse de mim, todo idiota que anda por aí com um 'feliz Natal' nos lábios seria enterrado com uma estaca de azevinho no coração". Obviamente, o título Scroogenomics foi adotado como brincadeira (e para ecoar Freakonomics, o maior best-seller do filão recém-criado da economia popular). Waldfogel não defende a abolição do Natal.

Scroogenomics tampouco é uma condenação moral ou política do consumismo. A primeira aparece com frequência no discurso dos líderes religiosos. No ano passado, por exemplo, o papa Bento XVI saudou a crise financeira mundial como oportunidade para que a humanidade se desvencilhasse da "praga consumista e materialista" e reencontrasse os valores espirituais ligados ao Natal. A condenação política pertence ao repertório da esquerda: aprisionado na jaula do consumo irracional, o trabalhador se esqueceria de lutar por sua própria causa, a saber, a superação da sociedade capitalista. "Minha preocupação não é com os níveis de gasto e consumo no Natal, mas com o fato de que gastamos de maneira ineficiente", disse o autor a VEJA.

A ideia central de Waldfogel tem a ver com o conceito de valor - que é diferente do de preço. O valor de um produto tem algo de subjetivo. Está relacionado à satisfação que ele proporciona. Um gasto é bom para o consumidor final quando a satisfação obtida com o produto excede o preço pago. Na situação inversa, destrói-se valor. Embora às vezes a percepção de nossos próprios interesses possa ser turvada, de maneira geral, diz Waldfogel, quando saímos de casa para comprar uma roupa ou um CD, sabemos escolher direito. Mas, quando outras pessoas escolhem por nós, a relação entre valor e preço fica negativa.

Ao longo de vários anos, Waldfogel submeteu grupos de alunos a um questionário sobre o valor que atribuíam a presentes recebidos no Natal. Fez isso não só nos Estados Unidos, mas também em países como Suécia, Espanha e Brasil. Finalmente, um número emergiu da pesquisa: de maneira consistente, as pessoas davam aos presentes recebidos um valor 18% menor do que o preço pago. Dito de outra forma: se fosse comprar a gravata estampada que titia lhe deu, você pagaria cerca de 80 reais - e não os 100 reais que ela de fato desembolsou. Waldfogel chegou à cifra de 25 bilhões de dólares em "valor destruído" ao redor do mundo calculando os gastos natalinos dos trinta países da OCDE. Chegou a quase 145 bilhões de dólares e aplicou a esse montante sua regra dos 18%.

Para deter essa "orgia de destruição", Scroogenomics propõe soluções nobres, como as doações para caridade em nome do presenteado, ou pragmáticas, como a disseminação do uso de vales-presente. "Dar dinheiro seria mais simples, mas na maioria dos países há um estigma associado aos presentes em dinheiro. Em certas situações, eles são considerados até mesmo rudes", diz Waldfogel. Os vales contornam, em parte, esse mal-estar - além de dar maior poder de escolha ao presenteado. Finalmente, as cartinhas ao Papai Noel não são uma má ideia. "E com isso espero provar que não sou contra o Natal", afirma Waldfogel. "Apenas contra dar os presentes errados."


30/11/2009 00:00  por  Frank Shostak \  economia

Na quarta-feira passada, Dubai anunciou que iria pedir aos credores da Dubai World - o conglomerado estatal por detrás da rápida expansão imobiliária ocorrida naquele emirado (a entidade construiu o prédio mais alto do mundo) - e da Nakheel - a construtora das Palm Islands, as famosas ilhas em formato de palmas - para que aceitassem uma suspensão do pagamento das dívidas por seis meses.

Alguns comentaristas creem que os bancos que emprestaram dinheiro para o Dubai World poderiam sofrer prejuízos substanciais caso a empresa realmente dê o calote em toda a sua dívida de $59 bilhões - ou mesmo em parte dela.  A dívida total de Dubai está em $80 bilhões.  Se os credores rejeitassem as propostas de adiar o pagamento da dívida por seis meses, o governo de Dubai poderia ser forçado a fazer uma liquidação dos ativos imobiliários internacionais que possui.

Já alguns analistas creem que é improvável que outros emirados dos EAU - Emirados Árabes Unidos -, como Abu Dhabi, sejam afetados significativamente pela crise de Dubai, uma vez que os recursos financeiros destes advêm das exportações de petróleo e gás.

Mas o principal fator por detrás dessa crise é a política monetária expansionista adotada pelo banco central dos EAU.  A base monetária, após fechar outubro de 2006 com um crescimento anual de 4%, pulou para um crescimento anual de 177% já em dezembro de 2007.  Como consequência dessa enorme injeção monetária, a taxa de crescimento anual da oferta monetária verdadeira - também chamada de OMA[*] - saltou de 6% em outubro de 2006 para 62% em abril de 2008.

[*]A OMA - Oferta Monetária Austríaca, também chamada de oferta monetária verdadeira - foi formulada por Murray Rothbard e representa a quantidade de dinheiro na economia que está prontamente disponível para transação. A vantagem da OMA sobre as medidas convencionais é que ela considera apenas o dinheiro que está imediatamente disponível para transação e não faz contagem dupla. A OMA consiste nos seguintes agregados: o componente em espécie de M1, o total de depósitos à vista, os depósitos em poupança, os depósitos a vista do governo, os depósitos à vista em nome de bancos comerciais estrangeiros e os depósitos à vista em nome de instituições oficiais estrangeiras.

Essa maciça injeção monetária estimulou o surgimento de várias atividades que não teriam surgido caso não tivesse havido essa injeção.  Ou seja: tais atividades não poderiam se manter por conta própria sem essa crescente injeção monetária.

A partir de janeiro de 2008, o ritmo das injeções do banco central dos EAU começou a diminuir.  Já em janeiro de 2009, a taxa anual de crescimento da base monetária despencou para (-)36,5%, isto é, a base monetária estava 36,5% menor do que estava em janeiro de 2008.  Como consequência, a taxa anual de crescimento da oferta monetária verdadeira caiu para (-)12,5% já em julho desse ano, o que significa que em julho desse ano a oferta monetária estava 12,5% menor do que estava em julho de 2008. Veja os gráficos.

À esquerda: variação anual da base monetária (em relação ao mesmo mês do ano anterior)

À direita: variação anual da oferta monetária verdadeira (em relação ao mesmo mês do ano anterior)

uae-money.jpg

É justamente essa contração nas injeções monetárias que está atualmente colocando pressão sobre as várias atividades que surgiram em decorrência exatamente das volumosas injeções monetárias ocorridas anteriormente.

É de se esperar que outros emirados também não consigam escapar dos efeitos das políticas de expansão e contração praticadas pelo banco central - até porque, também nos outros emirados, essa política monetária frouxa estimulou o surgimento de novas e insustentáveis atividades econômicas, bem como a expansão das atividades que já existiam.  Como resultado do declínio das injeções monetárias pelo banco central, essas atividades também estão atualmente sob pressão.

Conclusão

Um possível calote dos dois grandes conglomerados estatais de Dubai causou preocupações nos mercados financeiros, que ficaram temerosos com a possibilidade de uma nova rodada de turbulência econômica global.  Dubai requisitou uma suspensão no pagamento de parte de sua dívida de $80 bilhões pelos próximos seis meses.  O principal fator por detrás da crise em Dubai é a clássica política de expansão e contração que foi praticada pelo banco central dos EAU.  A fenomenal expansão ocorrida em várias estruturas de Dubai ocorreu em grande parte como consequência da enorme injeção monetária praticado pelo banco central.

Assim, em dezembro de 2007, a taxa anual de crescimento da base monetária estava em 177%.  O estouro da bolha veio como consequência da forte contração ocorrida nas injeções monetárias.  Desde janeiro de 2008, o ritmo de injeções praticadas pelo banco central tem sido descendente.  Em janeiro desse ano, a taxa anual de crescimento da base monetária despencou para (-)36,5%, isto é, houve uma contração da base monetária.


27/11/2009 00:00  por  Rodrigo Constantino \  economia

Ontem as bolsas do mundo todo estremeceram quando a estatal Dubai World pediu mais prazo para pagar sua dívida bilionária. O default do governo argentino logo veio à mente de muitos. Os principais índices de ações da Europa caíram mais de 3%, e até o Ibovespa recuou mais de 2%. O emirado árabe de Dubai possui US$ 80 bilhões em dívidas, sendo quase US$ 60 bilhões só da Dubai World. O grosso dessa montanha de dinheiro foi usado para financiar um boom imobiliário que remete ao caso japonês da década de 1980. A liquidez de capital abundante no mundo, estimulada pelas taxas de juros artificialmente baixas, e a alta do preço do petróleo, sustentada por essa liquidez e pela demanda chinesa, explicam o clima de euforia em Dubai nos últimos anos.

Existem basicamente quatro tipos de bolhas: aquelas financiadas pelo mercado de capitais ou por crédito bancário; e aquelas em que o destino do dinheiro vai para investimentos produtivos ou para consumo. A pior combinação, naturalmente, é uma bolha financiada por crédito bancário para bancar uma orgia de gastos sem sentido. Eis exatamente o caso de Dubai. A bolha do Nasdaq foi o caso oposto, já que a origem do dinheiro foi o mercado de capitais e o destino foram investimentos em tecnologia que, mal ou bem, ficam depois do estouro, permitindo ganhos de produtividade. Foi uma bolha mais fácil de ser digerida. Já o caso de Dubai é diferente. Afinal, a grande fonte de recursos foram os bancos europeus, e o destino foram ilhas artificiais para celebridades, uma pista de ski no meio do deserto e o prédio mais alto do mundo - que Freud explica! Com a queda do castelo de areia, não sobra muita coisa produtiva.

Para os críticos do capitalismo liberal, será complicado culpar o bode expiatório preferido dessa vez. Afinal, uma bolha estimulada por políticas frouxas de bancos centrais e criada por gastos faraônicos de uma estatal poderosa não tem muito de livre mercado.

Leia também:

O que está por trás da crise financeira de Dubai

A ascensão e queda de Dubai: uma perspectiva austríaca





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