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02/12/2010 00:00  por  Leandro Roque \  economia

A imprensa gosta de Guido Mantega.  De todas as figuras do governo Lula, ele é de longe o mais inatacável. 

Talvez seja aquele rosto jovial, aquela voz mansa e inalterável, aquele jeitão de comissário de bordo ainda em período de treinamento ou aquele ar de pretendente inseguro que não quer desagradar aos pais da moça.  Não sei.  O fato é que ele é um sujeito que aparenta ser bastante afável.  Mais ainda: ele desperta uma certa piedade.  Dá a impressão de que, se você falar um pouco mais alto, ele vai se assustar e ainda pedir desculpas por qualquer coisa.  Parodiando um famoso blogueiro, ele desperta tanta empatia, que "quando o vejo, tenho vontade de lhe comprar um Chicabom".

Talvez seja justamente por essa sua personalidade dócil, que a imprensa goste tanto dele.  Nunca o vi ser confrontado com nenhuma pergunta incômoda.  Nem mesmo uma pergunta um pouco mais difícil.  Nada.  Sempre se limitam a lhe perguntar as habitualidades de sempre.  Ele tem passe livre.  Até Lula chega a ser mais pressionado que ele.

É exatamente por isso que ele tem liberdade para falar o que quer sem ser questionado, como na curta notícia abaixo.  A reportagem vai de vermelho, eu vou de preto.



30/11/2010 00:00  por  Julio Severo \  economia

Apesar do título, a cidade do Rio de Janeiro nada tem a ver com o Velho Oeste americano. Não que não houvesse violência no Velho Oeste. Havia, mas não tanto quanto se vê no Rio em pleno século XXI.

A injustiça que abunda no Rio não abundava no Velho Oeste. Tal qual no Rio, todos os criminosos do Velho Oeste portavam armas para seus crimes. Mas, muito diferente do Rio, no Velho Oeste TODOS portavam armas, de modo que para atacar o inocente, o criminoso precisava ser bastante astuto para não acabar liquidado.Os criminosos do Rio atacam suas vítimas na confiança de que o estado tenha feito seu trabalho sujo de desarmar a população, garantindo assim total insegurança para as vítimas e total segurança para os assassinos.

No Rio moderno, o assassino escapa muitas vezes impune. Para o criminoso do Velho Oeste, o Rio seria um lugar verdadeiramente maravilhoso, pois a impunidade que reina no Rio não reinava no Velho Oeste. O assassino americano era rapidamente julgado e enforcado. Quando fugia, era perseguido pelo xerife e cidadãos prontos para garantir que o assassino pagasse com sua vida a vida que ele tirou. Quando o criminoso fugia para lugar desconhecido, sua cabeça era colocada a prêmio, que significava que qualquer pessoa que o achasse ou matasse receberia um prêmio em dinheiro.

A ética de defesa pessoal para o cidadão e pena capital para os assassinos era no Velho Oeste sustentada nos princípios da Bíblia. A ética protestante (ou evangélica) governava majoritariamente a sociedade americana no século XIX. Os inocentes tinham a Bíblia numa mão e o revólver na outra.

No Rio, embora o número de evangélicos e cristãos seja enorme, não existe ética que influencie as leis a dar aos cidadãos o direito de se defender nem tire do criminoso sua existência de atividades assassinas. No Brasil em geral e no Rio em particular, na mão os inocentes só podem ter a Bíblia, ficando nas mãos de todos os assassinos os revólveres, fuzis, metralhadoras etc.

No Velho Oeste, os criminosos eram enfrentados a bala pelos próprios cidadãos, que tinham seus rifles prontos para fazer feroz resistência ao crime.

No Rio, os cidadãos se escondem das balas quando conseguem. Quando não conseguem, são atingidos, até mesmo por balas perdidas.

No Velho Oeste, bastava apenas um assassinato para o criminoso — fosse adulto ou adolescente — ganhar forca. Não havia ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente) nem defensores dos direitos dos bandidos.

No Rio, os criminosos disputam quem mata mais, e assassinos adolescentes nunca ganham cadeia, tendo garantidos seus direitos pelo ECA de matarem quantos cidadãos quiserem. Aos 18 anos, o ECA lhes garante soltura da instituição de reabilitação, com ficha totalmente limpa, como se eles nunca tivessem matado uma mosca em toda a vida. É de estranhar então que no Rio haja muitos defensores dos direitos dos bandidos, fartamente pagos com dinheiro de impostos?

No Velho Oeste, o bandido tinha de pensar duas vezes antes de atacar um inocente, para não acabar ele próprio com uma bala no meio da testa.

No Rio, o bandido não precisa pensar, pois só suas vítimas acabam com uma bala no meio da testa.

No Velho Oeste, a forca era o destino certo do assassino.

No Rio, a morte é o destino das vítimas dos assassinos, que podem optar por forca, torturas e quaisquer outros sadismos que desejem aplicar às vítimas.

Entre o Velho Oeste e o Rio, eu preferiria o Velho Oeste. Lá pelo menos eu poderia me defender.

E tenho certeza de que ninguém do Velho Oeste escolheria o Rio, uma cidade verdadeiramente maravilhosa para todos os tipos de crimes.

O americano do Velho Oeste no Rio perderia automaticamente sua arma e seu direito de se defender e defender sua família, ficando completamente exposto aos criminosos muito bem armados. Se num caso de agressão criminosa contra sua vida ele por "infelicidade" conseguisse tirar do criminoso sua arma e o executasse, ele seria automaticamente condenado pelos grupos de direitos humanos, sempre prontos a castigar qualquer ação dos cidadãos que conseguem despachar um criminoso.

Há também as redes de televisão, que denunciam qualquer atitude indelicada contra os criminosos, garantindo assim a segurança e os "direitos humanos" deles.

No Velho Oeste, havia igualdade. O bandido andava armado e atirava. Mas todos os cidadãos também andavam armados. Eram criminosos armados contra cidadãos armados.

No Rio, a desigualdade é total. Para imensa alegria dos bandidos, só eles andam armados. São criminosos fortemente armados contra uma população fortemente desarmada, onde o assassino se sente como raposa a solta no galinheiro. Esse galinheiro se chama Rio. Esse galinheiro também se chama Brasil.

Enquanto os assassinos do Rio torturam e matam inocentes, a vítima que consegue retribuir dez por cento ao criminoso é condenada como violadora de direitos humanos. O Rio assim virou um inferno.

Se o Velho Oeste fosse como o Rio, seria um inferno para os inocentes, e um lugar maravilhoso para os assassinos.

Contudo, o Velho Oeste não era como o Rio, de modo que os caubóis diriam: Ainda bem que não estamos no Rio!

Por amor à justiça e aos inocentes, eu diria: Que pena que o Rio não é como o Velho Oeste!


Nota:
 
Esse texto foi revisto por um amigo cujos antepassados viviam no Velho Oeste. Por gerações, sua família tem tido armas. Ele próprio teve uma AK-47, mas como cristão ele me disse que não a usaria para se defender, mas para defender sua família e outros. Os cidadãos brasileiros não têm permissão de ter um AK-47 ou armas menos potentes. Contudo, os criminosos do Brasil têm armas muito mais potentes do que um AK-47!

ak47.jpg

Originalmente publicado no blog do autor.

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Leia também:




01/11/2010 00:00  por  Leandro Roque \  política

"A diferença entre democracia e ditadura é que, em uma democracia, primeiro você vota e depois recebe as ordens, ao passo que, em uma ditadura, você não precisa perder tempo votando."

Charles Bukowski

 

"Um homem não deixa de ser escravo ao poder escolher seu senhor a cada quatro anos."

Lysander Spooner

 

"Se o voto mudasse algo, seria ilegal."

 H.L. Mencken

 

 

A abstenção foi a maior desde a redemocratização do país: 21,5% do eleitorado.  Nada menos que 29 milhões de pessoas preferiram dar uma voltinha, aproveitar o feriado ou ficar em casa dormindo a chancelar seu apoio a qualquer um dos candidatos.

Se a essas abstenções somarmos os votos brancos e nulos, chegamos a um total de mais de 36,3 milhões de pessoas, o que dá nada menos que 27% do eleitorado.

E, se a esse número somarmos o total de votos recebidos pelo candidato perdedor — de cujo nome já me esqueci —, teremos um total de mais de 80 milhões de pessoas que não deram seu apoio à candidata vencedora.

Ou seja: a futura presidente irá regular a economia e comandar nossas vidas tendo recebido a aprovação de apenas 41% do eleitorado total — ao passo que nada menos que 59% dos eleitores não querem saber dela. 

Como essa tal democracia está funcionando pra você?

 

P.S.: veja aqui o relato de pessoas que preferiram ir à praia a dar seu voto a esses pretensos ditadores.  Como bem disse um cidadão na reportagem "[Estamos aqui] sem nenhum peso na consciência, porque eles não têm peso na consciência na hora de roubar.  Então a gente também não tem de não dar voto para eles".



23/10/2010 00:00  por  Lew Rockwell \  filosofia

Muitas pessoas já me perguntaram por que eu nunca voto.  Eis os motivos:

1) Votar é o sacramento da religião civil.  Politicamente, eu sou ateu.

2) Não votar é uma atitude que incomoda e aborrece o regime.  Tal abstinência — assim como a não observância de várias outras normas políticas — enfraquece os políticos.  E se eles fizessem uma eleição e nenhum eleitor comparecesse?

3) É um pé no saco.

4) Seu voto não conta — a menos que a eleição seja decidida por um voto.  Há muito mais chances de você ser morto a caminho das urnas do que de isso acontecer.

5) Os candidatos estão sedentos para comandar nossas vidas.  Entre eles, não existe um mal menor.

6) A política não é nossa salvação.  Com efeito, todo o sistema é corrupto, do mais alto escalão federal até o legislativo municipal.



22/10/2010 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Pronto, falei! Eu fui aquele cara chato que não gostou do filme Tropa de Elite 2.

Preciso justificar antes que me crucifiquem ou me queimem numa fogueira, pois o filme é aclamado pela critica nos jornais, pelos blogueiros aos milhares, pelos "de direita e de esquerda" (e como eles estão chatos nessas eleições), celebrado nos comentários do facebook, recorde de bilheteria nos cinemas e, mesmo sem ter a cópia, já é recorde de venda nos camelôs (que vendem o 1 dizendo que é o 2).

Minha justificativa passa longe da máxima nelson-rodrigueana da estúpida unanimidade. Não sou do contra (apesar de que, nos dias de hoje, isso não é exatamente algo ruim); não gostei do filme pois é um filme ruim, Padilha errou o alvo, amarelou, e, no pano de fundo, elegeu a herói o verdadeiro vilão. Vamos ao filme.

Tropa 2 começa com uma alfinetada em um "intelectual" de esquerda, Diogo Fraga, que mais tarde vai se tornar deputado pelo PSOL, e que no inicio é o oposto do Capitão Nascimento. Ao longo do filme a repressão ao tráfico de drogas se mostra bem sucedida e expõe outras facetas da corrupção "do sistema" (um outro erro/omissão de Padilha ao não dizer claramente O Estado, ao invés de "sistema"): a formação de milícias/máfias que controlam todas as atividades econômicas "ilícitas" dentro das comunidades (não me culpem pelo abuso de aspas, cada uma delas é mais que necessária).

Um rápido take mostra atividades que vão desde financeiras, distribuidoras de água e gás até transporte de perueiros entre outras. Uma bela amostragem da economia informal. Na vida real, as pessoas têm que se virar, não ficam seguindo regras impostas pelos reguladores do estado e tudo é economia informal. Mas o filme vai além e, acertadamente, mostra como a população fica refém da policia que passa a ser chamada de milícia e fatura grande parte da renda dessas atividades sob o titulo de "taxa de proteção".

Aí começa a cegueira de Padilha: o estado faz exatamente a mesma coisa que essas milícias, cobra de nós taxas sobre serviços que não pedimos e nem precisamos e dá a isso o nome de imposto.  

Mas, por que isso é assim? Por que a população das comunidades precisam pagar às milícias para desenvolverem as atividades econômicas?

A despeito do roubo puro e simples, os milicianos desenvolvem uma função vital para a sobrevivência dessas atividades econômicas. Explico.

O filme retrata, mais de uma vez, os milicianos cobrando taxas dos perueiros para atuarem.

Os perueiros são considerados ilegais pelo estado; apenas poucos que conseguiram uma permissão do estado para atuarem podem oferecer esse serviço. Então a proibição estatal joga na ilegalidade — torna criminosos — todos que oferecerem serviço de transporte sem essa licença.

Os milicianos — policiais que deveriam aplicar a lei e prende-los pelo "crime" de oferecer transporte — fazem vista grossa e permitem o "crime" em troca de uma taxa. Ao permitirem esse "crime" as milícias estão beneficiando centenas de milhares de pessoas que utilizam esses serviços diariamente.

Ao sair da sala de cinema, provoquei minha amiga que me acompanhou ao cinema: Se um sujeito traz remédios proibidos do exterior para salvar a vida da avó, ele deve ser considerado um criminoso? E o fiscal que permite a entrada em troca de uma caixinha está ajudando a sociedade ou atrapalhando?

A primeira pergunta — que na sequência vai servir para formular a segunda, e mais importante, pergunta — que devemos fazer é: Quem investiu essa milícia de tal poder? Quem dá aos fiscais todo o poder sobre nós? Por que um policial pode nos extorquir ao nos flagrar com uma lata de cerveja ou com uma loja de gás sem alvará, ou com uma barraquinha de cachorro quente vendendo vinagrete (que é proibido)?

Notem aqui que a extorsão pode ser cobrar uma propina, que sai barato, ou a pesada aplicação da lei (multas, prisão, etc.). No caso das atividades econômicas, aplicar a lei penaliza também todos os consumidores que ficam sem os produtos e serviços.

Estou falando aqui dos crimes sem vítima.  Hoje em dia, a sanha dos reguladores invade toda nossa vida. Não se dá um passo sem estar infringindo alguma lei, não se abre um negócio sem estar fora da lei, tudo é regulado e controlado pelos burocratas — o sujeito jogar bingo é criminoso, fumar maconha também, fornecer esses bens e serviços é crime gravíssimo. Mas quem perde se Dona Isolda for jogar caça níquel ou se Bob fumar um baseado?

Ninguém! O estado comete o verdadeiro crime ao regular a livre troca de bens e serviços entre as pessoas. Muito se fala da violência do tráfico, mas a violência é fruto da proibição. Proíbam as peruas e veremos a máfia dos perueiros, proíbam arroz e veremos tráfico de arroz, proíbam xampu e veremos tiroteio entre gangues que trazem xampu ilegalmente.

Uma vez que o estado criminaliza (regula ou controla) a livre troca de bens e serviços entre as pessoas, nós ficamos a mercê do arbítrio dos responsáveis por aplicar as leis, por mais cretinas que elas sejam.

Então vem a segunda pergunta: quem são esses que movem o estado para regular, controlar e criminalizar as livre-trocas?

No final do filme, o deputado intelectual de esquerda acaba sendo o herói, bastião da verdade e da moralidade.  Mas o que ele realmente defende?

Diogo Fraga é claramente um deputado do PSOL, o filme não deixa dúvidas sobre isso, com sua campanha e sua militância se dando dentro das universidades. O PSOL hoje pode parecer um partido caricato para a grande maioria mas ele é a ala idológica do socialismo/comunismo e essa ideologia nada mais é que a regulação total pelo estado de todas as atividades.  Os que defendem essa ideologia querem alimentar o "sistema", dão forças cada vez mais ao "sistema", têm por objetivo controlar todas as atividades dos indivíduos. Não por acaso o que manteve os países comunistas vivos foram as máfias que traficavam desde alimentos até papel higiênico.  E assim ainda é em Cuba e na Coréia do Norte — nesse último, devido à eficiência na aplicação das leis, o povo está em completa inanição.

Em suma: Tropa 2 erra feio o alvo. Mas Padilha não é tonto. Minha modesta opinião diz que ele cedeu ao establishment que o acusou de fascista por Tropa 1.

O problema não são nem os deputados corruptos, mas aqueles idealistas (um ideal macabro, diga-se) que querem regular e controlar a sociedade à sua maneira. Esses são os causadores do problema.

Encerro dizendo que isso não se encerra aqui, os políticos têm esse aval de parte da sociedade por razões que podemos discutir adiante, mas o livro O Poder das Ideias recentemente lançado pelo IMB dá uma pista.


16/10/2010 00:00  por  Leandro Roque \  política

Corre a notícia de que a população está assustada com o baixo nível da campanha eleitoral, que já está sendo considerada a pior da história.

Ora, por que esse estranhamento?  Baixaria é a regra em todo lugar em que há democracia. 

Duas quadrilhas estão disputando uma competição cujo prêmio será controlar a vida de mais de 150 milhões de pessoas e um orçamento de mais de 1 trilhão de reais.  É uma teta suculenta demais para ser desprezada.

Da mesma forma que quadrilhas de traficantes disputam à bala um lucrativo ponto de venda, as quadrilhas estatais estão disputando entre si quem terá a primazia de se fartar com todas as benesses financeiras oriundas do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas.  Imaginem o tanto de propinas, de contratos superfaturados, de grupos de interesse poderosos e de favores políticos que tais eventos vão gerar?  Quem resistiria?

Nessa eleição em particular, os incentivos para se adquirir o controle do governo federal são especialmente inéditos.  Os privilégios estatais nunca foram tão atrativos para os políticos como esses que os próximos quatro anos prometem gerar.  (É exatamente por isso que ambas as quadrilhas condenam e demonizam privatizações, que seria a única medida capaz de acabar com essas mamatas.)

Em um cenário com uma perspectiva financeira dessas, e com um poderio desses como prêmio, o que era de se esperar?  Que as quadrilhas se bajulassem?  Que apresentassem apenas "discordâncias democráticas" e se dessem tapinhas nas costas?  É tudo uma questão de lógica da ação humana.  Não faria sentido algum esperar outro comportamento das quadrilhas que não exatamente esse que está ocorrendo. 

Democracia é isso: duas quadrilhas disputam violentamente o poder para, no fim, sugar todas as nossas riquezas. E entre nós, os súditos, ainda há milhões que aprovam isso tudo.


14/10/2010 00:00  por  Daniel Henninger \  política

É algo que precisa ser dito: o resgate dos mineiros chilenos representa uma vitória maravilhosa do capitalismo e do livre mercado.

Em meio ao ilimitado regozijo humano que se seguiu ao resgate dos mineiros, pode parecer um tanto grosseiro fazer tal afirmação.  E é grosseiro.  Mas estamos vivendo em tempos grosseiros, e os riscos têm de ser altos.

Aqueles que condenam o capitalismo e o livre mercado gostam de fazer ironias, dizendo frases como esta, proclamada pelo presidente Barack Obama:

A ideia básica é que, se nós tivermos uma fé cega no mercado e deixarmos que as empresas façam o que quiserem e que todas as pessoas se virem por conta própria, então o país de alguma forma irá automaticamente crescer e prosperar.

É isso aí.  Essa é uma caricatura da ideia básica, mas basicamente ela está certa.  É só perguntar aos mineiros.

Se, 25 anos atrás, aqueles mineiros tivessem sido soterrados a 700 metros de profundidade em uma mina qualquer de qualquer lugar do planeta, eles estariam mortos agora.  O que ocorreu nesses últimos 25 anos que transformou a morte certa em um resgate exitoso?  O que foi inventado que significou a diferença entre a vida e a morte para aqueles 33 homens?

Resposta rápida: a perfuradora Center Rock.

 

Essa foi a broca milagrosa que perfurou o solo até chegar aos mineiros soterrados.  A Center Rock Inc. é uma empresa privada sediada na cidade de Berlin, no estado da Pensilvânia.  Ela tem 74 empregados.  O equipamento e a estrutura completa para perfuração vieram de outra empresa, a Schramm Inc., sediada em West Chester, Pensilvânia. 

Ao ficar sabendo do desastre, o presidente da Center Rock, Brandon Fisher, entrou em contato com os chilenos e ofereceu sua perfuradora.  O Chile aceitou.  Os mineiros estão vivos.

Agora a resposta mais longa: a perfuradora Center Rock é uma peça de tecnologia robusta desenvolvida por uma pequena empresa que estava no ramo com um único objetivo: ganhar dinheiro.  Foi em busca do lucro que ela inovou e desenvolveu suas técnicas de perfuração de solo.  Se ela ganhar dinheiro, poderá fazer ainda mais inovações.

Essa dinâmica do lucro = inovação estava por todos os lados daquela mina chilena.  O cabo de alta resistência utilizado para puxar os mineiros foi feito na Alemanha.  O cabo superflexível de fibra ótica que os mineiros utilizavam para se comunicar com o mundo acima deles foi feito no Japão.

Outros equipamentos extraordinários vindos de vários cantos do capitalismo apareceram no deserto do Atacama para salvar as 33 vidas.  A Samsung da Coréia do Sul forneceu um telefone celular que possui seu próprio projetor.  Um empreendedor da Virgínia, fundador da empresa Cupron Inc., forneceu meias feitas com fibra de cobre.  Essas meias consumiam as bactérias que se formavam nos pés, minimizando assim os odores e as infecções.

O ministro da saúde do Chile, Jaime Mañalich, disse "Eu nem tinha ideia de que tal tipo de coisa de fato existia!"

É isso mesmo.  Em uma economia aberta, você nunca saberá o que existe lá fora sendo produzido pelo setor de ponta desta ou daquela indústria.  Porém, a realidade por trás dos milagres é a mesma: alguém inventa algo útil, ganha dinheiro com essa invenção e então aprofunda suas inovações.  Ou então alguém entra em cena e sobrepuja sua inovação, criando outra ainda melhor.  Na maioria das vezes, ninguém fica sabendo.  Tudo o que esse mecanismo faz é criar empregos, riqueza e bem-estar.  Sem esse sistema operando em segundo plano, sem o progresso anual incorporado nessas inovações capitalistas, aqueles mineiros soterrados estariam mortos.

O resgate dos mineiros foi um emocionante momento para o Chile, uma demonstração do crescente prestígio e importância desse país.  Mas é inevitável não pensar naquela empresa de 74 pessoas em Berlin, Pensilvânia, cuja perfuratriz de alta tecnologia abriu a terra, desceu 700 metros e libertou 33 homens até então condenados à morte.  Existem centenas de milhares de histórias de sucesso como essa, de empresas que mudam para melhor a vida das pessoas, desde empresas gigantes como o Google até pequenas empresas como a própria Center Rock.

E é motivo de enorme felicidade para nós que esse fenômeno tenha ajudado a salvar a vida de 33 seres humanos. 

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04/10/2010 00:00  por  Leandro Roque \  política

Nessas eleições, houve um dado bastante curioso, e que obviamente passará despercebido de toda a mídia: o número de votos brancos e nulos para presidente chegou "perigosamente" perto dos 10 milhões (9,6 milhões).  Em 2006, esse valor havia sido de 6,8 milhões no segundo turno, quando as opções eram menores que no primeiro turno.

Considerando-se que havia partidos de absolutamente todos os espectros ideológicos à esquerda do centro, a única conclusão possível é a de que há, no mínimo, 10 milhões de pessoas órfãs de um partido político que defenda uma ideologia que as represente.

Como a única ideologia ausente foi a ideologia liberal-clássica, é justamente esse partido que está em falta.

Não consigo enxergar qualquer outra explicação lógica para o fato de 10 milhões de pessoas votarem branco e nulo para presidente numa eleição em que há partidos de esquerda de todos os tipos e para todos os gostos (PT, PSDB, PV, PSOL, PSDC, PSTU, PCB e PCO).

Mais ainda: considerando-se que uma parcela significativa dos eleitores do PV, PSDB, DEM e até mesmo do PMDB votam nesses partidos por mera falta de uma opção mais liberal, estamos lidando aí com um universo que pode chegar a 20 milhões de eleitores órfãos de representatividade política.

Um partido liberal bem organizado e com discurso em favor da propriedade, da liberdade econômica e do porte de armas (como bem mostrou o referendum de 2005) capturaria fácil esses eleitores.


09/09/2010 00:00  por  Rodrigo Constantino \  economia

Somente neste ano as ações da Petrobras já perderam 25% de valor em dólar, enquanto o Ibovespa está praticamente estável. É o custo PT destruindo valor na principal empresa do país. A Petrobras valia cerca de $ 200 bilhões no começo do ano, e agora vale $ 150 bilhões. Esses $ 50 bilhões a menos foram dizimados pela politicagem oportunista do governo Lula na estatal, de olho grande no pré-sal. 

A empresa fará um mega levantamento de recursos no mercado daqui a alguns dias. O valor esperado é semelhante ao destruído por conta das incertezas dos investidores e da supervalorização das reservas de petróleo da União na hora de capitalizar a empresa com esse ativo (para os leigos, trata-se de roubo puro e simples). 

Eis a brilhante lógica petista: para levantar $ 50 bilhões de capital novo para a estatal, o governo destrói $ 50 bilhões de valor de mercado dela antes! Fica tudo na mesma depois, com uma singela diferença: agora os acionistas privados minoritários (ou seria "menor otários"?) serão diluídos, enquanto o governo terá maior participação na empresa. Milhares de investidores do FGTS precisam perder, para o governo ganhar. Nada mais justo! 

O petróleo é "nosso"; mas os recursos provenientes do "ouro negro" é deles, já que ninguém é de ferro (muito menos os "altruístas petralhas"). E para quem acha que está ruim, lembre-se que sempre pode piorar. Vide a PDVSA do camarada Chávez, na Venezuela, aquele que declarou abertamente sua preferência por Dilma nas eleições brasileiras. Por que será?


04/09/2010 00:00  por  Filipe Celeti \  direito

Durante os sete primeiros dias de setembro haverá um Plebiscito Popular propondo uma limitação para a propriedade da terra.  De acordo com os organizadores, os poucos que detêm muitas terras são os responsáveis pela violência no campo e por jogarem famílias nas áreas de risco das grandes cidades ao serem expulsas do campo.

A consulta popular, até certo ponto notável por perceber as inclinações dos indivíduos, possui um caráter diferenciado nesta mobilização.  O povo ser consultado é bem diferente de o povo ser induzido a algo.  É exatamente a indução que a campanha pelo limite da terra no Brasil tem promovido.  Não é necessário refletir sobre o problema da terra e sua distribuição, pois basta votar 'sim' e participar do abaixo assinado pela limitação.

A pergunta: "Você concorda que o limite das grandes propriedades de terra no Brasil possibilita aumentar a produção de alimentos saudáveis e melhorar as condições de vida no campo e na cidade?", já possui resposta. O site oficial recomenda: "Diga sim! Coloque limites em quem não tem!"

Se a resposta está dada, como afirmar que é o povo quem está decidindo? Não há espaço para o debate político que tais organizações tanto reclamam serem excludentes. Em suma, a única coisa sem limites é a presunção, a arrogância e a prepotência que certos indivíduos possuem de violar a liberdade alheia, tendo como máscara o benefício do pequeno proprietário de terra.




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