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30/05/2011 00:00  por  Joakim Fagerström \  economia

N. do T.:O texto a seguir é um resumo feito in loco da palestra de Hans-Hermann Hoppe por ocasião do 6º encontro anual da organização que ele próprio fundou, a Property and Freedom Society.  O encontro vai de 26 a 30 de maio e está sendo realizado em Bodrum, Turquia.  As observações a seguir foram registradas pelos suecos Joakim Fagerström em conjunto com Joakim Kämpe e Markus Bergström, os três fundadores do Instituto Mises da Suécia.


O professor Hoppe começou seu discurso relembrando que o propósito da Property and Freedom Society (PFS) é promover o austro-libertarianismo, a filosofia econômica e social representada mais proeminentemente no século XX pelo economista austríaco Ludwig von Mises e por seu principal seguidor americano, Murray Rothbard. 

Os membros da PFS defendem um arranjo que, por vezes, é chamado de 'anarquismo baseado na propriedade privada', ou anarcocapitalismo, ou simplesmente aquilo que achamos ser a definição mais correta: uma sociedade inteiramente baseada na ordem natural e em leis privadas.  A PFS é uma organização internacional cujos membros são exclusivamente convidados, e que reúne a elite intelectual mundial — pessoas que são capazes de enxergar através da cortina de fumaça que os governos criaram para encobrir e disfarçar o totalitarismo suas atitudes.

O professor Hoppe mencionou todos os elogios que já lhe foram feitos ao longo do tempo: extremista, reacionário, revisionista, elitista, racista, homofóbico, antissemita, arquiconservador, teocrata, ateu cínico, fascista e, é claro, o epíteto indispensável para um alemão, nazista.  Como resposta a essas pessoas, o professor Hoppe cita Rothbard, que diz que "uma pessoa que ainda não foi vituperada é porque certamente nunca fez nada digno de elogio."

Adicionalmente, um dos objetivos da PFS é defender o radicalismo intelectual ético e moral, uma postura em que dizer a verdade pode não ser confortável.  Citando Thomas Jefferson:

Não há uma só verdade que eu tema... ou que desejasse que não fosse conhecida pelo restante do mundo.

Após essa introdução, o professor fez uma impecável abordagem do estado, da moeda e do sistema bancário.  A principal qualidade dos discursos do professor Hoppe é sua sempre excelente clareza e inegável rigor educacional.  Ele sempre começa do básico e, passo a passo, vai explicando todos os pormenores, até chegar à arrebatadora conclusão.  Eis um breve sumário.

Política, moeda e sistema bancário — tudo o que você precisa saber em apenas 30 minutos

Hoppe começa definindo o estado como uma organização que detém o monopólio compulsório da jurisdição de um determinado território; ele é o arbitrador supremo de todas as disputas judiciais, mesmo aquelas que envolvem ele próprio.  Além disso, o estado, de acordo com essa definição, também possui o direito supremo de impor tributos — isto é, de determinar unilateralmente o preço que seus súditos devem pagar em troca de serviços compulsórios de baixa (ou nula) qualidade.

Feita essa caracterização, o professor pede para que nos imaginemos no controle do aparato estatal. 

A política é basicamente um arranjo por meio do qual você pode legalmente confiscar, espoliar e criar problemas para outras pessoas.  Como chefe do aparato estatal, você tenderia a utilizar sua posição para enriquecer a si mesmo e todos aqueles à sua volta.  Se você controla o estado você pode, em princípio, confiscar qualquer coisa que seja do seu interesse, porém você tenderá a confiscar apenas dinheiro e não bens, pois assim você poderá utilizar o produto do seu roubo da maneira que mais lhe aprouver.  Porém, você deve ter cuidada para não aumentar excessivamente o nível da tributação, pois isso não necessariamente irá gerar mais receitas para o estado, dado que os produtores podem acabar produzindo menos em decorrência desse desincentivo.

Para superar esse empecilho e conseguir aumentar a receita e consequentemente o consumo do governo, você pode pegar empréstimos junto aos bancos.  Bancos estão diretamente interessados em que o estado continue expropriando os cidadãos via impostos, pois eles, os bancos, lucram nesse processo.  Quando o governo pega empréstimos junto aos bancos, ele tem de pagar não apenas o principal, mas também os juros sobre esse dinheiro.  E esses juros serão pagos por meio do confisco tributário dos cidadãos que vivem no território que você controla. 

Isso significa que você, o estado, terá agora de enfrentar dois problemas:

1) Há uma oposição generalizada a aumentos de impostos, e sua receita pode cair;

2) Você pode se tornar viciado em pegar emprestado e pagar juros.

Para evitar essas complicações, há várias coisas que você pode fazer.  Primeiro, você pode garantir a si próprio o monopólio do dinheiro circulante, de modo que você se torna o único produtor legal de dinheiro dentro de um dado território.  Você também terá de manter os custos de se produzir este dinheiro os mais baixos possíveis (é muito caro produzir ouro e prata).  Logo, ao utilizar um dinheiro de papel, sem nenhum lastro, você consegue reduzir o custo de produção para praticamente zero.  Porém, não basta apenas ter pedaços de papel, pois, a princípio, ninguém iria aceitá-los.  Por isso, você terá de fazer com que esse dinheiro de papel tenha curso forçado, obrigando todas as pessoas dentro do seu território a aceitá-lo, criando assim, totalmente do nada, um poder de compra para esse seu dinheiro. 

Investido deste novo poder, você pode agora criar dinheiro quando quiser, sempre que julgar necessário.  E não apenas para você, mas também para seus amigos e outros indivíduos que lhe trazem benefícios. 

Haverá agora mais dinheiro em circulação, porém a quantidade de bens existentes continuará sendo a mesma de antes.  Acreditar que mais dinheiro cria mais riqueza equivale a acreditar que uma pedra possa ser transformada em pão.  Os preços dos bens em termos monetários passarão a ser maiores, e o poder de compra da unidade monetária será cada vez menor — que é exatamente a consequência da inflação.

Dado que a quantidade dos outros bens não foi alterada, tal processo de expansão da quantidade de dinheiro fará apenas com que haja uma redistribuição de riqueza para você e para seus amigos, pois vocês foram os primeiros a receber esse novo "dinheiro", antes de todas as outras pessoas, ao passo que aquelas que receberem esse dinheiro por último estarão mais pobres, pois todos os preços aumentaram antes de elas terem esse aumento nominal em sua renda.  O único problema em potencial que você poderá enfrentar será se você exagerar e criar uma hiperinflação, pois, nesse caso, as pessoas abandonarão seu dinheiro e passarão a utilizar outras moedas, bem como outros ativos reais, rejeitando desta forma esse seu mecanismo insidioso de confisco.

Para obter ainda mais vantagens dessa sua posição, você pode também criar um banco central, por meio do qual você pode criar crédito do nada com o qual comprar papeis em posse dos bancos, o que irá diminuir as taxas de juros da economia e aumentar a quantidade de dinheiro em posse dos bancos.  Os bancos, por sua vez, irão novamente emprestar esse dinheiro para você, empréstimo esse que será pago por meio dos tributos que você irá confiscar dos cidadãos que vivem em seu território.

Paralelamente, os bancos também emprestarão esse dinheiro para seus amigos a taxas de juros mais altas do que aquela a que ele empresta para você.  Os bancos poderão também criar mais dinheiro do nada (meios fiduciários), utilizando como base esse dinheiro que seu banco central concedeu para eles e expandindo, por meio das reservas fracionárias, a quantidade de dinheiro em toda a economia.  Isso faz com que os preços aumentem ainda mais.

Ao criar dinheiro para dar aos bancos, estes lhe dão em troca papeis (títulos públicos) que rendem juros, juros esses que lhe serão pagos por meio do confisco tributário da riqueza dos cidadãos que vivem em seu território.  Da mesma forma, seus amigos do sistema bancário estão lucrando ao emprestar algo que simplesmente não existe (meios fiduciários) e cobrando juros sobre isso. 

Essa expansão do crédito altera a estrutura de produção da economia, o que significa que todos os indivíduos da economia estarão temporariamente imbuídos da sensação de que não precisam poupar e reduzir seu consumo presente para investir.  Empresas recebem financiamento bancário para projetos e investimentos que normalmente não seriam lucrativos.  Caso tais projetos tenham prejuízo, você irá socorrê-los criando mais dinheiro.  Esse é um exemplo de um ciclo econômico (expansão econômica seguida de recessão) que ocorre como consequência lógica do crédito criado do nada, sem qualquer poupança.  Alguns investimentos são longos e às vezes leva tempo para que se torne aparente quais não são lucrativos.

E você, por mais poderes que tenha sobre essa economia, nunca poderá alterar o fato de que bens e riqueza não podem ser criados do nada.  Isso significa que vários investimentos originados unicamente da sua expansão monetária irão necessariamente falir e empobrecer a economia.

No longo prazo, suas ações apenas atrapalham o enriquecimento da economia como um todo.


Assista aqui os vídeos da PFS


18/05/2011 00:00  por  Fernando Chiocca \  economia

É notório que o estado não obedece as leis que impõe aos seus súditos — estraçalhando assim com o conceito de igualdade perante a lei. Deste modo, ele corretamente proíbe que as pessoas comuns tomem dinheiro de terceiros sem seus consentimentos, classificando este ato como ilegal e chamando-o de roubo; mas quando o próprio estado faz isso, é legal e chama-se cobrança de impostos. Raptar um comerciante e mantê-lo em cativeiro, exigindo de terceiros o cumprimento de exigências para a soltura do refém é, como deveria ser, considerado crime hediondo de sequestro quando praticado por criminosos comuns; mas quando desempenhado por funcionários públicos, o rapto de um comerciante se torna a prisão de um traficante, o cativeiro se torna penitenciária e cumprir exigências se torna cumprir pena, tudo legalizado. A lista é sem fim.

Mas quando chega ao "meu" elevador a coisa se agrava, pois não é o caso de o estado exigir de nós que obedeçamos leis que ele não precisa obedecer; o caso é o estado nos obrigar à não obedecê-lo. É de dar nó na cabeça, mas é isso mesmo, o estado exige que nós façamos o que ele proíbe que nós façamos! Ou seja, qualquer que seja nossa atitude, estaremos ao mesmo tempo cumprindo a lei e desobedecendo a lei. E ele pode nos punir ou nos parabenizar, dependendo do humor do parasita público.

Coloquei o "meu" entre aspas pois o elevador do meu prédio está repleto de avisos [1]que sou obrigado à afixar descrevendo regras que sou obrigado a cumprir, determinadas por burrocratas. Se fosse realmente meu, eu iria estabelecer as regras de uso e eu iria escolher os avisos que quisesse. Pois bem, entre os avisos destaco abaixo os dois que explicam a situação que estou relatando:

elevador-auto-contraditorio.jpg

E agora? O que devemos fazer caso um menor de 10 (dez) anos[2] queira andar no elevador desacompanhado? Impedir pois é menor de dez anos? Mas é vedado, sob pena de multa, discriminar em virtude de idade. Não podemos proibir. Mas também não podemos permitir, pois é exigido que cumpramos a norma de proibir. Se correr o bicho pega, se ficar o bicho come. O que fazer?

Eu digo o que fazer. O objetivo não é fazer com que os políticos legisladores corrijam seu erro banal e risquem de seus livros umas das duas leis, tornando possível sabermos qual ordem deles devemos seguir. O que deve ocorrer é uma conscientização da população suficiente para fazer com que ela pare de aceitar passivamente as absurdas intrusões em suas propriedades por parte da classe política. Nenhuma regulamentação sobre absolutamente nada é necessária, além de serem uma violação criminosa do direito de propriedade, e, portanto, todas devem ser consideradas inadmissíveis. Cada condomínio deve determinar as regras de uso de seus elevadores, sejam elas quais forem. E isso pode incluir regras discriminatórias em virtude de qualquer coisa que os moradores queiram, afinal, o elevador é propriedade deles, e o direito de propriedade é indissociável do direito de discriminar. Discriminar é algo que todas as pessoas fazem o tempo todo, e como Lew Rockwell nota, os agentes do governo não leem mentes, portanto, não têm como saber o motivo de uma discriminação.

Se, por exemplo, um condomínio decidir estipular abertamente uma regra que proíba à pessoas de determinada cor o acesso aos elevadores, isto é problema deste condomínio, pois além de limitar o mercado à pessoas de outras cores, esta é uma prática considerada altamente desprezível pela maioria, o que tornaria os apartamentos neste edifício ainda mais difíceis de alugar ou vender, diminuindo seu valor consideravelmente. Os que quiserem fazer isso, que sejam felizes, mas pagando um alto preço.

Por fim, apenas gostaria de deixar registrado que qualquer proibição de discriminação é em si um ato de discriminação, pois ele discrimina quem discrimina. Logo, os que são a favor de atacar a propriedade de pessoas que praticarem atos discriminatórios pacíficos, como por exemplo, impedir a entrada de um católico em seu elevador ou se recusar a servir um ruivo em seu bar, estará apoiando outro ato de discriminação, só que agressivo. É evidente qual dos dois atos é o mais execrável, sendo apenas o segundo ilegítimo e criminoso, ao contrário do que o estado bizarramente tenta impor.


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[1]Além de duas placas do fabricante, contei cinco placas obrigatórias por "lei" no elevador do meu edifício. Tenho as duas mostradas neste artigo, a do famoso aviso do "mesmo", a qual foi material de piada de Bob Murphy em sua palestra recente no Brasil, que simplesmente não conseguiu de nenhuma maneira compreender porque alguém colocaria um aviso deste tipo na entrada do elevador. De fato, qualquer estrangeiro que passa pelo Brasil deve achar que os brasileiros sofrem de algum tipo de retardo mental — agradeçamos aos políticos por mais esta... Será que eles pensam que alguém que é incapaz de perceber que ao abrir a porta do elevador ali está um fosso escuro ao invés de um elevador com chão, luz, botões, será capaz de perceber, ler e compreender uma plaquinha? Mas o mais espantoso mesmo é uma população apática que aceita esta imposição. As outras duas obrigatórias são uma de fiscalização da manutenção e uma de proibido fumar:

mesmo_elevador.jpg

ficalização.JPG

fumar.JPG 


[2] Eu morava no 8º andar de um prédio, meus avós no 2º e meus tios no 4º. Comecei a andar de elevador sozinho com uns 5 anos de idade, mesmo antes de possuir altura suficiente para alcançar os botões, usando minha Garra de Aço para me ajudar. Ainda bem que isto foi antes da reunião de legisladores iluminados que impuseram esta importante resolução em 1998, comunicando a todos os pais que ninguém abaixo de 10 anos tem discernimento para acionar o botão de alarme, logo estão proibidos de andar desacompanhados nos elevadores.


17/05/2011 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Em matéria do jornal Valor Economico do dia 17/05/2011, sob o titulo "Rombo na Eletrobras", encontrei uma declaração que é como se fosse uma confissão de culpa. Na verdade, é uma confissão de incompetência.

A matéria analisava o resultado da Eletrobras (holding estatal do sistema elétrico), com destaque para os gigantescos prejuizos das distribuidoras de energia mesmo diante de todos os subsidios e facilidades concedidas. Deparei-me com o seguinte trecho (negrito meu):
A Eletrobras não só está ciente das dificuldades como o presidente das distribuidoras, Pedro Hosken — que está deixando o cargo para assessorar diretamente o presidente da holding —, diz que é difícil resolver a situação no curto prazo. A distribuidora tem que ter rapidez, produtividade e padrão.  "Isso não faz parte de uma empresa pública. Os prazos no ambiente público são mais lentos do que no privado ", disse.  "Esse tipo de concessão não é para ser pública, a não ser que se crie uma cultura, que toma um longo prazo. Todos do setor sabem disso, o presidente da Eletrobras sabe, o governo sabe e os políticos estão começando a perceber."

A reportagem inteira é (mais) um exemplo da impossibilidade da eficiência em empresas estatais, porém essa declaração é um xeque-mate.

11/05/2011 00:00  por  Ron Paul \  política

1. Direitos pertencem a indivíduos, e não a grupos.  Eles advêm de nossa natureza e não podem ser nem concedidos nem retirados pelo governo.

2.  Todas as associações entre indivíduos, bem como todas as transações econômicas que sejam voluntárias e pacíficas, devem ser totalmente permitidas.  O consentimento é a base de toda ordem social e econômica.

3. Toda propriedade adquirida de forma honesta e justa deve se tornar propriedade privada do indivíduo ou do grupo de indivíduos que a adquiriu.  Essa propriedade não pode ser arbitrariamente anulada pelos governos.

4. O governo não pode confiscar a riqueza privada de determinados indivíduos para redistribuí-la.  Tampouco pode conceder privilégios especiais a qualquer indivíduo ou grupo de indivíduos.

5. Indivíduos são inteiramente responsáveis por suas próprias ações. O governo não pode e nem deve nos proteger de nós mesmos.

6. O governo não pode reivindicar o monopólio sobre o dinheiro que as pessoas utilizam.  Mais ainda: o governo não deve jamais incorrer em práticas oficiais de falsificação (isto é, criação artificial) de dinheiro, alegando estar agindo em nome da "estabilidade macroeconômica".

7. Guerras de agressão, mesmo quando chamadas de 'preventivas', e mesmo quando se referem apenas a relações comerciais, são estritamente proibidas.

8. A 'nulificação pelo júri' — isto é, o direito dos membros de um júri em julgar a lei e os fatos diferentemente do juiz — é um direito do povo e deve ser a norma dos tribunais.

9. Todas as formas de servidão involuntária são proibidas, não apenas a escravidão, mas também o serviço militar obrigatório, as associações forçadas entre indivíduos (como as quotas), e a distribuição de renda compulsória.

10. O governo deve obedecer às mesmas leis que ele espera que os cidadãos obedeçam. Logo, ele jamais deve utilizar a força para moldar comportamentos, para manipular interações sociais, para gerenciar a economia ou para dizer a outros governos como devem se comportar.



02/05/2011 00:00  por  Fernando Chiocca \  economia

Como já anunciado há algum tempo, a histeria do aquecimento global está verdadeira e finalmente acabada, mas as ameaças dos ambientalistas as liberdades individuais não se limitam à esta fraude de aquecimento... alias, elas não tem limites!  Talvez o limite seja quando conseguirem acabar com toda a vida humana na Terra. (logicamente poupando a si próprios, já que suas recomendações nunca se aplicam a eles mesmos, como nos mostram, por exemplo, Al Gore e o Príncipe Charles)

No curto vídeo Not Evil Just Wrong, que atenta para o quanto o ambientalismo está prejudicando a vida de pessoas vulneráveis, com campanhas pela proibição do DDT e campanhas de combate ao aquecimento global, o depoimento de uma mulher no minuto 1:51 denuncia um crime horrendo que também é cometido atualmente no Brasil, debaixo do nariz de uma população que o aceita (e na maioria das vezes até apóia!) passivamente:



NARRADOR: "A maioria dos ativistas ambientais ainda não conseguiu aceitar que os seres humanos também fazem parte do ambiente."
MULHER: "Comparam pássaros com pessoas.  Preferem salvar pássaros e acabar com pessoas!"

E é exatamente isto que os criminosos da Polícia Federal estão fazendo aberta e impunemente no Brasil hoje.  O cartunista comunista Ziraldo (que recebeu mais de R$1 milhão do governo e recebe uma pensão de mais de R$4 mil por mês) foi sadicamente preciso ao ilustrar o cartaz da campanha criminosa que é exibido em todos os aeroportos do país (pelo qual deve ter recebido do estado outro volumoso pagamento):

 

É isto.  Estão sequestrando seres humanos e os jogando em cadeias pelo motivo de preservar pássaros intocados no mato, longe dos olhos dos humanos que os admiram e gostariam de preservá-los perto deles.  A inversão de valores morais é assustadora, onde, conforme já denunciei em um artigo, "esta ideologia valoriza mais insetos, sapos, micos e mato do que o homem."


28/04/2011 00:00  por  Equipe IMB \  economia

Acaba de ser lançada a continuação do embate musical entre Keynes e Hayek. Esta versão é tão sensacional quanto a primeira — alguns dizem que é até melhor. 

Segue o vídeo legendado em português. Eis o link para a letra da música.


19/04/2011 00:00  por  Erick Vasconcelos \  economia

Wellington Menezes de Oliveira sabia exatamente o que ia fazer quando entrou na escola Tasso da Silveira, em Realengo. Depois de despistar os funcionários do colégio, seguiu para as duas salas onde, de acordo com os alunos sobreviventes, executou a sangue frio 12 crianças que imploravam por clemência, com tiros na cabeça e no coração. Mais crianças continuam feridas.

É lamentável que, diante de uma tragédia dessa dimensão, a cobertura jornalística do massacre tenha sido tão fraca. Além de, inicialmente, terem tentado ligar o assassino ao islamismo e dizerem que era aidético, não demorou mais que um dia para que, por exemplo, o Jornal Nacional tenha vaticinado: "Esse caso deve servir como exemplo para que a sociedade perceba que é preciso reforçar a segurança das nossas crianças."

De minha parte, eu sinto que, embora esteja chocado com o acontecido, não consigo nem imaginar a dor que os familiares das vítimas estão sentindo.

Mas é exatamente por isso que, ao contrário das pessoas que extendem cartazes na porta do colégio pedindo mais segurança, eu posso analisar a situação com um grau maior de isenção.

E, se pararmos por um momento para estudar os fatos, vamos ver que o acontecido não foi uma falha de segurança.

Probabilidades

Não é possível estabelecer ligações claras de causa e efeito entre os acontecimentos do Realengo. É possível especular as razões que levaram Wellington a matar as crianças, mas não é possível colocá-las numa classe específica de acontecimentos. Por que não?

Segundo Ludwig von Mises, há essencialmente dois tipos de probabilidade: de caso e de classe.

As probabilidades de caso se referem às situações em que sabemos alguns, mas não todos os fatos determinantes de uma dada situação. Casos são sempre individuais, únicos e, portanto, seus resultados são incertos. É impossível se segurar contra essas situações específicas.

Probabilidades de classe, em contraste, referem-se às situações em que nós temos todas as informações relevantes sobre uma classe de eventos, mas não sabemos o resultado de um caso particular. Quando é possível estabelecer uma probabilidade de classe em relação a um conjunto de eventos, é possível se segurar contra eles.

Classes e casos

Resultados de jogos de futebol são probabilidades de caso. Nós sabemos que um time com um bom técnico e com bom preparo físico e tático tem maior probabilidade de vencer partidas. Contudo, o fato de que o time venceu os últimos nove jogos não significa que ele vai vencer o décimo. Da mesma forma, num jogo de roleta, se a bolinha caiu em casas vermelhas nas últimas jogadas, isso não é motivo para escolher casas vermelhas nem pretas na próxima rodada, porque a probabilidade de sair uma ou outra continua igual.

Como exemplo de probabilidade de classe, vejamos o recente terremoto que atingiu o Japão na região de Touhoku. O território japonês se localiza exatamente no encontro de três placas tectônicas, resultando em grande atividade sísmica no local. De fato, o Japão é atingido por centenas de terremotos anualmente, a maioria de intensidade baixa ou moderada.

Essa pode parecer uma informação trivial, mas, sabendo a frequência da distribuição de longo prazo de terremotos, é possível se segurar contra eles. Não é possível saber que um terremoto específico terá uma potência determinada. Mas sabemos que, dada uma certa distribuição de terremotos, teremos um dano específico.

Erros e acertos

O que transformou o terremoto japonês em notícia mundial foi sua intensidade atípica. Sua força devastou cidades inteiras e o dano material do tsunami resultante ainda não foi precisado. Os problemas causados nas usinas nucleares de Fukushima tornam a situação ainda pior.

Mas, dado que o Japão é vítima constante de terremotos, o que aconteceria se os japoneses sempre presumissem que os próximos terremos seriam de 9.0 graus na escala de magnitude de momento? Certamente nem todos os terremotos têm 9 graus de magnitude. É possível também dizer que os japoneses sempre estariam "seguros" contra terremotos. O fato, no entanto, é que eles acertariam errando. Os custos que eles pagariam para se segurar contra todo tipo de terremoto, mesmo contra os mais poderosos, seriam altíssimos. Como nós vivemos num mundo de recursos escassos, o fato de que o Japão ainda sofre com os efeitos do terremoto não é uma falha dos sistemas de seguro; é uma situação lamentável, mas que é o melhor que podemos ter no nosso mundo imperfeito.

Da mesma forma, crimes como assassinatos são probabilidades de classe, mas a situação específica que levou Wellington a matar 12 crianças na escola no Rio de Janeiro foi uma probabilidade de caso. Nós podemos nos segurar contra crimes "médios", mas clamar por mais segurança para nossas crianças num caso extremamente atípico como o do Realengo é o mesmo que apostar que todos os terremotos vão ser de 9 graus: nós acertamos errando.

Protegendo crianças

Se nós colocássemos nossas crianças em bunkers vigiadas durante as 24 horas do dia, com dois seguranças armados atrás de cada uma, creio que podemos todos concordar que a probabilidade de elas serem chacinadas seria próxima de zero.

A questão é que esse é um custo muito alto, não só para nós mesmos, mas para as próprias crianças. Não só nós estaríamos queimando preciosos recursos com segurança, nós também estaríamos privando as crianças de experiências valiosas de vida. É claro que estamos em muito maior segurança se ficarmos presos em casa o dia inteiro - mas, para a maioria das pessoas, ainda vale a pena assumir o risco de sair de casa e ter uma vida normal, mesmo que isso signifique que nós podemos vir a ser alvos de brutalidades como a da escola Tasso da Silveira.

Não há dúvidas de que superar o acontecido será extremamente difícil para os envolvidos na chacina. Certamente deverão ter acompanhamento psicológico e, por mais doloroso que isso seja no momento, eventualmente terão que seguir com suas vidas.

O que não vai ajudar em nada é que façamos um esforço em segurança retroativa, contudo.

Há muito o que criticar na segurança pública brasileira, talvez em particular na do Rio de Janeiro. Mas não podemos esquecer de que essa foi a primeira vez que um acontecimento do tipo ocorreu no Brasil. Portanto, ao menos nesse caso, a segurança do Rio de Janeiro errou acertando.


28/03/2011 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Como todos já sabem, o governo federal resolveu intervir na gerência da Vale para trocar seu atual presidente, Roger Agnelli, que teve o despeito de implementar algumas medidas que contrariaram os interesses políticos do governo, como demitir alguns empregados e cortar investimentos durante a recessão de 2009 — afinal, no Brasil, como se sabe, uma empresa possui "função social", e seu objetivo precípuo, em vez do lucro, é tomar medidas que sejam boas para a imagem do governante do momento.

Porém, a única coisa realmente surpreendente nessa atual situação da Vale é que o governo tenha demorado tanto para se intrometer na empresa.  Explico.

Desde que foi vendida em 1997, grande parte de suas ações permaneceu em mãos do estado.  Ao invés de sair completamente do setor e deixar a mineradora em mãos totalmente privadas, livre de influências políticas e buscando livremente o lucro, a venda foi feita com amplos recursos do BNDES e com a participação de fundos de pensão de estatais.  Hoje, o governo federal, por meio do BNDES Participações, dos fundos de previdência de suas estatais e de sua participação direta, detém 61,51% da holding que controla a mineradora (a Valepar, que por sua vez detém 53,3% do capital votante, ou 33,6% do capital total).  Já o Bradesco, que escolheu Agnelli para comandar a Vale em 2001, detém 21,21% da Valepar, por meio da Bradespar, empresa de participações dos donos do Bradesco.  A atual peleja para se retirar Roger Agnelli ocorre simplesmente porque são necessários 75% dos votos para trocar a presidência.

Como explicado nesse artigo, as únicas desestatizações genuínas no Brasil ocorreram com as empresas vendidas no governo Collor e, quem diria!, no governo Itamar.  A partir do governo FHC, não houve mais nenhum setor que tenha sido genuinamente desestatizado — ou as empresas foram vendida para fundos de pensão de estatais, ou foram criadas inúmeras agências reguladoras para se controlar as empresas vendidas, ou uma mistura de ambas as coisas.  Em momento algum o estado se retirou em definitivo do comando (direto ou indireto) dessas empresas.

Não é preciso ter neurônios muito apurados para saber que, se você apenas trocar o modo de gestão de uma empresa, mas permitir que o estado continue interferindo via controle acionário ou via agências reguladoras, em algum momento ele vai se impor e começar a interferir mais diretamente.  Precisa apenas de uma desculpa para isso.

No caso específico da Vale, a simples retirada do governo do controle principal da empresa já foi suficiente para modernizar e dar eficiência à sua gestão.  O número de empregados pulou de 11 mil em 1997 para os mais de 50 mil atuais.  Após ter sido passada para o gerenciamento privado, seu ganho de eficiência e sua lucratividade aumentaram de forma tão surpreendente — em grande parte por causa da forte demanda da China por minério de ferro —, que era óbvio que o governo, em algum momento, ficaria faminto para se apossar dela novamente, de olho nas mamatas e nos cargos do alto escalão que a gigante pode propiciar a políticos e a seus apadrinhados (sendo essa a função precípua de toda empresa em mãos do estado).

Não se está dizendo aqui que o governo vai reestatizá-la por completo.  Afinal, como todos os governantes ocidentais já perceberam, eles não sabem gerenciar empresas.  É muito melhor deixar tal tarefa em mãos privadas.  Nesse arranjo, os lucros são incomparavelmente maiores, o que permite ao governo ficar na extremamente cômoda posição de apenas coletar as receitas tributárias, as quais são muito maiores do que a receita que teria caso estivesse ele próprio gerenciando a empresa.  Por que alterar esse arranjo agora?

Por isso, tudo o que os políticos querem é ter "gente de confiança" no comando da empresa, o que irá gerar um apetitoso número de empregos, cargos e boquinhas para petistas e correligionários — algo que pode ser fundamental e estratégico em algum futuro governo da "oposição".  Os milionários contratos de publicidade — que fazem salivar as agências favoritas do governo e excitam os sindicalistas, que assim aumentam seu poder de barganha — se tornam muito mais "interessantes" quando há companheiros no comando de uma grande empresa.

Em suma, estamos testemunhando a boa e velha estratégia do aparelhamento, algo que funciona maravilhosamente bem na democracia; algo que funciona à perfeição em países que nunca experimentaram um genuíno capitalismo de livre mercado e que ainda vivem presos a esse arranjo mussoliniano de capitalismo de estado. 

O atraso não se improvisa; é algo cuja arte do domínio só é adquirida após décadas de intensa dedicação.


22/03/2011 00:00  por  Klauber Cristofen Pires \  filosofia

Campanhas de economia de água não são medidas ecológicas, mas sim políticas, de linha socialista. Acontece que o modelo socialista de fornecimento de água é e sempre foi um desastre, em todos os países em que foi aplicado.

Prezado leitor, peço-te que leias com atenção o texto a seguir, de autoria de Aycha Nunes, da redação do jornal "O Liberal", extraído do seu site, em 21 de março de 2010 (São meus os negritos):

Essencial para a vida, a água é um recurso natural limitado, ou seja, um dia o líquido que cobre 75% do planeta terra vai acabar. Improvável? Não se lembrarmos que apenas 1% é próprio para o consumo, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), que instituiu o dia 22 de março, amanhã, como o 'Dia Mundial da Água'. O objetivo é incitar a discussão sobre ações para combater o desperdício e estimular o uso consciente do recurso.

O Dia Mundial da Água, instituído em 1993 durante a Assembléia Geral da ONU, segue as recomendações da Conferência da entidade relacionadas ao meio ambiente e desenvolvimento contidas no capítulo 18 (sobre recursos hídricos) da Agenda 21.

Uma década depois, através da Lei nº 10.670, de 14 de maio de 2003, o Congresso Nacional brasileiro deliberou que a data (22 de março) seria o 'Dia Nacional da Água'.

Quanta estultice! Que os jornais sirvam como espelho da opinião pública, até vá lá, mas alguém da redação escrever tamanha idiotice é de doer! São estes os jornalistas diplomados que reivindicam a reserva de mercado!

Então a água é um recurso natural limitado que, tal como o petróleo, acaba com o uso? O que a autora estava fazendo nas suas aulas de ciências lá na terceira ou quarta série do ensino fundamental? Já estava começando a fumar no banheiro?

Agora pensa na enormidade que é dizer que o líquido que cobre 75 % da Terra um dia vai acabar... Pois muito antes que a água acabe, a própria vida da Terra já terá desaparecido! Quiçá mesmo o Sol, muito antes, se apague...

Francamente, em respeito à inteligência dos leitores habituais deste site, eu não deveria recordar que a água somente se destrói por processos químicos e físicos bastante especiais, e que, excetuando-os, toda ela que consumimos retorna à natureza. Porém, para os recém-chegados, pelo menos para aqueles por demais infectados com o vírus da burrice ideológica, vale: a água que desce pelo ralo acaba voltando à terra ou ao mar, da mesmíssima forma que a água não utilizada cai no chão vinda do céu ou desemboca na foz.

Como alguém pode ser tão estúpido que não possa compreender isto, é algo que somente pode ser explicado por anos e anos de intensa doutrinação cerebral esquerdizante, algo como se extraíssem os miolos do cérebro, para com ele fazer uma espécie de patê, batido com muito clichê e palavras de ordem. Talvez isto sirva para explicar como aceitam divulgar estas cretinices sem pensar por um segundo nas consequências do que afirmam.

Preservar as nascentes e a qualidade da água nos rios e lagos é outra coisa que nada tem a ver com a quantidade de consumo. Pelo contrário, a não ser por regiões desérticas ou semi-desérticas, onde a extração exagerada pode sobrepujar a alimentação do lençol freático (tal como acontece no oeste norte-americano), um aumento do consumo tende a renovar as reservas aquíferas, o que é bastante salutar.

Campanhas de economia de água não são medidas ecológicas, mas sim políticas, de linha socialista. Acontece que o modelo socialista de fornecimento de água é e sempre foi um desastre, em todos os países em que foi aplicado. Na região Norte do Brasil, uma parte expressiva da população carece de água potável, e isto à beira dos maiores rios do mundo! O estado que gasta dinheiro para convocar a população a economizar água é ele próprio o maior causador de desperdícios, quando se sabe que as diversas redes de distribuição no Brasil mais parecem queijos suíços.

Libere-se o fornecimento de água para investidores privados em regime de livre-mercado, e veremos que, não importa qual o método de captação, podendo até mesmo provir de usinas de dessalinização, ela estará nas torneiras de quem se disponha a pagar o preço pelo seu beneficiamento. O resto é politiquice.

No século XXI, os absurdos que a mídia vem repetindo dia e noite, como este que segue neste artigo, vão preparando o estado de idiotia generalizada que servirá de substrato para a consolidação de leis segundo o ideário delineado pela Nova Ordem Mundial, tal como previu Aldous Huxley, em sua profética obra "Admirável Mundo Novo". É neste contexto, e sem que ninguém se dê conta, que o dia 22 de março, o "Dia Nacional da Água", consagra-se como a data comemorativa da nova religião oficial do país, o panteísmo.


17/03/2011 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

A sucessão de catástrofes que assola o Japão, com possíveis repercussões em diversas partes do mundo, comprova a total impotência do Banco Central do Japão diante desta nova crise. Na verdade, evidencia a impotência de qualquer Banco Central e da errônea teoria econômica que justificam a existência destas instituições e de suas infrutíferas políticas.

A destruição de capital causada pelo Tsunami é impressionante e perfeitamente visível. Casas, edificações, fábricas, portos, supermercados, lojas, escritórios, enfim, bairros e comunidades foram completamente destruídos.

A solução dos macro-economistas de plantão e do BoJ? Injetar liquidez. Ou seja, imprimir dinheiro.

Aumentar a oferta monetária não reerguerá fábricas que foram ao chão. Mais dinheiro nas mãos dos cidadãos japoneses não inundará as prateleiras dos supermercados com pão, leite, carne, arroz e outros produtos básicos.

Jorrar liquidez no mercado tampouco irá recompor a capacidade de geração de energia do Japão, talvez o setor mais atingido pela tragédia.

É digno de menção, portanto, que até mesmo a mídia convencional tenha noticiado que, a única coisa que o BoJ pode fazer é criar liquidez, mas não eletricidade. Justamente o que o Japão mais necessita no momento.

Sim, é uma catástrofe. Mas o Banco Central do Japão pouco pode fazer. Inflar a oferta monetária aumentando preço dos ativos e acabar distorcendo um mercado que precisa desesperadamente se reorganizar é a última coisa que os japoneses precisam neste momento.




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