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03/09/2011 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

Eu sou um potencial consumidor de iPad. Mas quero pagar o mínimo possível por ele. Felizmente a China já o produz com a um preço muito acessível. Os EUA não têm problema com isso. Tanto que o importam sem nenhuma complicação e custa meros $ 499 dólares a versão mais básica. Por que não podemos pagar o mesmo preço aqui? Ah, sim. Impostos. Tarifas de importação. Burocracia. Infraestrutura péssima. Enfim, toda aquela realidade Brasileira que já estamos cansados de tanto reclamar.

 Mas por que diabos o governo está liderando o processo de investimento de uma fábrica de iPads? Por que diabos temos que forçar goela abaixo a instalação de uma fábrica para produzir "tablets" que custarão ao consumidor mais do que custa lá fora? Se a China é mais competitiva do que o Brasil, não há motivos para produzí-los aqui. Se houvesse lucro nessa empreitada, empresários privados já o teriam se dado conta.

Para reduzir o preço do iPad nacional, o governo terá que dar tratamento especial a empresas, conceder incentivos fiscais e sabe-se lá que outras benesses. Ou seja, o povo brasileiro todo vai ter que pagar, via impostos, para subsidiar a produção deste produto no país. Não que eu seja contra redução de impostos para produção. Mas que seja para todos, não somente para alguns.

Além disso, segundo as normas deste investimento na indústria tecnológica brasileira, a produção deverá usar 20% de componentes nacionais no primeiro ano, e 80% em três anos. Primeiro, ou não se conseguirá atingir esse patamar, ou o preço do iPad vai para o espaço. Apenas para lembrar, por que mesmo precisamos produzir um iPad aqui se a China já o produz a um excelente custo? Ah sim, os empregos.

Precisamos gerar empregos. Precisamos de indústria tecnológica avançada. Precisamos de inovação na economia nacional. Como o conseguimos? Com o governo, óbvio. Já que o setor privado não se apresenta e investe em tecnologia, o governo arregaça as mangas e faz pela gente. Sem dúvida nenhuma criamos empregos ao subsidiar uma dada indústria. O grande problema é que não conseguimos ver todos os empregos que são destruídos por causa dessa realocação forçada de recursos.

Quantas empresas terão que ir a falência para que tenhamos uma indústria tecnológica forte? A questão é que nossos governantes querem tudo ao mesmo tempo. Impostos altos, uma teta gigante para mamar, e ainda assim que haja pujança econômica da iniciativa privada. Para eles empresários não investem porque são gananciosos. Na verdade são os consumidores que são gananciosos. São eles que querem sempre comprar pelo menor preço. Mas o empresário brasileiro não consegue sempre ofertar pelo menor preço, porque esse bando de parasitas insiste em nos taxar cada vez mais.

Então o que acontece se o empresário racionalmente não pode investir? Ah, claro. O estado investe por todos! Para garantir a rentabilidade, sempre existe a possibilidade de alguma isenção fiscal. Para garantir o capital inicial necessário, sempre temos o BNDES. Pois é, o governo provavelmente será sócio de alguma empresa produtora de telas de iPad. Mais uma vez, o maldito BNDES! Duvidam?

Basta ler a recente notícia do nosso mega-empresário de Ciência e Tecnologia, Aloizio Mercadante. Decorrente da dificuldade de encontrar produtores nacionais capazes de, ao mesmo tempo, produzir telas para o iPad e manterem-se solventes, o principal empresário do país (a União) está em busca de sócios para esta empreitada. Com tantos problemas emergenciais que nosso país enfrenta nos serviços providos pelo governo, desde a saúde, a educação, segurança, justiça, etc., temos ainda que BUSCAR SÓCIOS PARA PRODUÇÃO DE TELAS DE IPAD? Será ninguém mais enxerga estes descalabros?

Para ver se o leitor se indigna tanto quanto eu, proponho analisar apenas um breve trecho da notícia:

Mercadante cita a assinatura de um "acordo de confidencialidade" com a Foxconn para não revelar os detalhes das conversas com a empresa. "Não é simples, é uma negociação complexa", admitiu o ministro. "Há desafios, como aeroporto, logística, energia, licenciamento ambiental e o problema básico, que é o alto custo de capital no país", disse. "Quanto maior for a força dos grupos nacionais, menor será a participação do Estado."

Deixando de lado a parte em que nosso mega-empresário da tecnologia afirma que não pode revelar detalhes da negociação, sendo que qualquer subsídio oferecido a empresa virá do seu bolso, caro leitor, vou direto ao ponto: por favor, releiam a última frase. "Quanto maior for a força dos grupos nacionais, menor será a participação do estado.", afirma Mercadante. Brilhante! Basta o setor privado se fortalecer para o estado diminuir sua participação. Opa, mas como o setor privado se fortalece? Ora, diminuindo o estado. Mas o estado só vai diminuir quando o setor privado se fortalecer? Sim. Entendeu?

Qual a lição do dia?

O estado vai crescer.

E o iPad nacional seguirá custando mais do que no exterior.



31/08/2011 00:00  por  Equipe IMB \  economia

Quer aprender de modo dinâmico e envolvente como o pensamento econômico evoluiu (e regrediu) desde o ano 1.000 d.C até o surgimento da Escola Austríaca, bem como as principais vicissitudes por que passou a economia mundial durante esse período?  Pois veja essa incrível apresentação elaborada pelo presidente do IMB, Helio Beltrão, para a sua palestra proferida em Belo Horizonte, na ocasião do I Seminário de Escola Austríaca realizado na cidade.

Clique no link abaixo e, uma vez na página, leve o cursor do mouse até a opção "More" no canto inferior direito do quadro.  Clique na opção "Fullscreen" para melhor visualizar os detalhes.

Utilize o mouse para navegar pela tela, para aplicar o zoom e para passar os slides (botão play). É extremamente fácil e cativante.

http://www.mises.org.br/FileUp.aspx?id=124


Não deixe de ver também apresentações semelhantes sobre a propriedade privada e o estado de direito.



26/08/2011 00:00  por  Equipe IMB \  economia

Se uma lei é injusta, um homem não apenas está certo em desobedecê-la, como ele tem a obrigação de fazê-lo.

Thomas Jefferson

 

 

A solução do governo para um problema é geralmente pior que o problema.

Milton Friedman

 

 

A ânsia de salvar a humanidade é quase sempre uma desculpa para a ânsia de governá-la.

H.L. Mencken

 

 

Todo homem decente se envergonha do governo sob o qual vive.

H.L. Mencken

 

 

O governo diz: "Você é livre para fazer tudo aquilo que NÓS queremos."

Autor anônimo

 

 

As pessoas não podem delegar ao governo algo que seria ilegal elas próprias fazerem.

John Locke

 

 

Aquele que deseja paz e harmonia nas relações humanas deve sempre lutar contra o estatismo

Ludwig von Mises

 

 

Há sempre uma relação inversa entre autoridade governamental e liberdade individual.

Friedrich Hayek

 

 

Quando consumidores, somos mestres do universo; quando cidadãos perante autoridades governamentais, somos cordeirinhos dóceis e obedientes.

Jeffrey Tucker

 

 

Não há nenhuma maneira de medir a qualidade e o sucesso de um produto pelo qual os consumidores são forçados a pagar.

Murray Rothbard

 

 

Quer que políticos irresponsáveis gastem menos e criem menos leis idiotas?  Pare de dar dinheiro para eles.

Irwin Schiff (pai do Peter)

 

 

"O estado proíbe ao indivíduo a prática de atos infratores, não porque deseje aboli-los, mas sim porque quer monopolizá-los."

Sigmund Freud

 

 

O governo é bom em uma coisa. Ele sabe como quebrar as suas pernas apenas para depois lhe dar uma muleta e dizer: "Veja, se não fosse pelo governo, você não seria capaz de andar!"

Harry Browne

 

 

O estatismo é um sistema de violência institucionalizada e de guerra civil perpétua. Não resta ao homem nenhuma alternativa senão a luta pelo poder — roubar ou ser roubado, matar ou ser morto. Quando a força bruta é o único critério de conduta social, e a rendição à destruição é a única alternativa, até mesmo o último dos homens, até mesmo um animal, irá lutar. Não pode haver paz em uma nação escravizada.

Ayn Rand




16/08/2011 00:00  por  Fernando Chiocca \  política

[Texto adaptado a partir da exposição inicial apresentada no debate interno do Diretório Paulista do Libertários, realizado em 7 de agosto de 2011]

Muito se fala em educação no Brasil.  Na verdade, parece que dizer que "a educação é a solução para o Brasil" é, ao lado do futebol, do carnaval e da bunda, uma unanimidade nacional.  Pretendo questionar o porquê desse verdadeiro fetiche por educação, mas antes quero questionar o porquê de, existindo este fetiche, as pessoas se voltarem para o pior meio de se realizar esta fantasia, o estado.

Tudo que é fornecido por meio do estado é sempre de pior qualidade e mais caro do que quando fornecido pelo mercado.  Isto porque o estado se guia por pressões políticas, e não pelo sistema de preços.  Não importa o tamanho do fracasso das empreitadas do governo — mais dinheiro sempre estará disponível.  Mas no setor privado, se um empreendedor fracassa e não consegue atender as demandas dos consumidores melhor e mais barato que seus concorrentes, ele vai à falência e tudo que ele investiu do próprio bolso ou do bolso de investidores é perdido — e dificilmente investidores que tiveram prejuízos lhe darão novo dinheiro.

Então, se alguém tem por objetivo educação de mais qualidade e a custos acessíveis para a grande maioria, deve apoiar a total e imediata separação entre estado e educação.

Uma questão que surge é "como os pobres iriam conseguir educação?"  (como se roubar de uns para prover educação para outros fosse uma opção a ser considerada e não imediatamente rejeitada!).  Temos exemplos atuais de lugares muito mais pobres que o Brasil, na África, China e Índia, onde escolas que visam lucros são frequentadas por crianças pobres, como pode ser visto no livro de James Tooley. 

Aqui no Brasil mesmo temos exemplos recentes de lan houses funcionando em favelas e proporcionando acesso à internet para as crianças pobres dali — e ainda, obviamente, lucrando com isso.  E se internet não é educação, eu não sei o que seria.  Assistam ao vídeo abaixo sobre como a ação de um empreendedor mudou a realidade na favela Antares. 

antares.jpg

Um pretexto muito usado para justificar o fornecimento de serviços de educação através da violência estatal é o de "igualdade de oportunidades", a qual supostamente seria atingida com um "acesso universal à educação".  De fato, como alguém pode falar em "igualdade de oportunidades com educação universal" sem começar defendendo que todas as crianças tenham um computador e acesso a internet?  Antes que os socialistas tomem isto como mais um dever do estado, Harry Browne já nos fez ver o que seria de nós se o governo assumisse a indústria de computadores

Dito isto, e espero que tenha ficado claro que aqueles que valorizam os serviços de educação devem exigir que o estado tire suas mãos desse setor, vou analisar agora este fetichismo da educação.  O dicionário define fetiche como "objeto a que se atribui poder sobrenatural ou mágico e a que se presta culto" — e é exatamente este comportamento que observo no Brasil perante a educação.  Ela tem mesmo este poder de transformar o Brasil?

Em 1961 foi realizada por Fidel Castro uma campanha nacional de educação e Cuba tornou-se o primeiro país do mundo a erradicar o analfabetismo.  Cuba está completando agora em 2011 50 anos sem analfabetismo.  E Cuba conta hoje com os melhores índices de educação das Américas.  (Vamos confiar aqui nos dados fornecidos pela ditadura castrista)

Como está Cuba hoje?  Nas Américas, os cubanos só não são mais miseráveis que os haitianos.  Uma educação universal e de qualidade veio acompanhada de diminuição da pobreza?  Nestes primeiros 50 anos, parece que não.  No começo dessa semana, uma reportagem sobre Cuba da Agência Estado nos deu um exemplo da situação por lá:

Não há dados oficiais sobre o percentual de desemprego, mas as pessoas se queixam da falta de oportunidades.

Muitos cubanos se oferecem aos turistas como guias informais e até companhias para, em troca, receber pagamentos. A história do médico intensivista Juan Pablo Luis é comum a muitos cubanos. Ele abandonou a profissão para ser taxista. Segundo o médico, a opção, "bastante dolorosa", foi tomada depois que o filho, de 11 anos, nasceu e ele viu a situação ficar mais difícil. "Sonho todos os dias que estou trabalhando na minha profissão. Não gosto de falar sobre isso", disse.

Esta história mostra que dar oportunidade para que todos estudem o que quiser (mesmo que o preço seja a miséria de todos) só cria este tipo de distorção bizarra, em que ser taxista, que é um serviço que pode ser desempenhado por alguém que jamais tenha entrado em uma sala de aula, paga mais do que a profissão de médico, que é um serviço altamente especializado que exige muitos anos de estudo universitário.

Sem o sistema de preços para guiar suas decisões, o governo sobreinvestiu em educação, que nada mais é do que um bem, e o investimento resultou em um retumbante prejuízo.  Juan Pablo conseguiu realizar seu sonho de ser médico, mas não o de praticar medicina, já que não há mercado para ele.  Todo o custo de sua faculdade foi arcado pelo governo.[1]  E como o governo não tem dinheiro próprio, ele tirou o dinheiro de toda a população do país.  Se fosse um investimento privado, ele teria desperdiçado seu próprio dinheiro, mas este e muitos outros investimentos em educação sem retorno foram pagos por todos os cubanos.  É fácil perceber porque a miséria impera naquela ilha. 

Portanto, educação estatal não é e nem pode ser eficiente e, além disso, o acesso universal à educação garantido através do estado — e não o resultado de um mercado livre — é algo que vem com um custo altíssimo e indesejável, o qual é jogado nas costas de outros. 

Em 1848 Karl Marx, em seu O Manifesto Comunista proclamou: "É dever do estado garantir a educação pública e gratuita de todas as crianças".

Vinte e cinco anos antes, em 1823, o libertário Thomas Hodgskin  advertiu: "É melhor não ser educado do que ser educado pelos seus governantes".

Eu fico com Hodgskin; e você?


[1] Outro exemplo desse tipo de investimento errôneo estimulado pelo estado pode ser visto na bolha educacional que os EUA estão vivendo, mas neste caso, os prejuízos ficam com os estudantes e seus pais. Veja o artigo de Doug French, The Higher-Education Bubble Has Popped.


15/08/2011 00:00  por  Roberto Fiori Chiocca \  economia

Cada vez mais leitores nos escrevem querendo mais informações sobre como comprar ouro físico aqui no Brasil.  Apesar de não sermos um instituto de dicas de investimento, acredito que possamos passar esta informação sem que isso soe como um conselho para investidores.

A informação realmente é difícil de ser encontrada; eu mesmo tive muitas dificuldades para encontrá-las.  A mídia jamais fala sobre isso, pesquisas em sites de busca não apresentam resultados satisfatórios e muitas vezes os funcionários das corretoras jamais ouviram falar ou possuem qualquer conhecimento sobre o ouro.

Então vamos lá.

Existem duas maneiras de se comprar ouro físico por aqui.  Uma simples, outra um pouco mais complexa:

1) Mercado de balcão

Esta é a maneira menos burocrática de se adquirir ouro físico no Brasil.  A compra pode ser realizada através de sites (Reserva Metais, Ourominas etc.) que fazem inclusive o serviço de entrega.  Ou seja, você recebe o ouro na sua casa após alguns cliques.  Estas empresas normalmente garantem a recompra deste ouro, desde que não seja violado o lacre da barra.  E a outra vantagem é que desta maneira o ouro físico pode ser adquirido em pequenas quantidades.  Uma das empresas vende até cartões com uma micro barra de 1 grama.

A desvantagem desta modalidade é que o preço cobrado é cerca de 10% mais alto que o da maneira mais burocrática, e o preço pago na venda também é mais baixo.  Ademais, compras de somas mais vultuosas (acima de R$ 10mil) são também burocráticas.

Eu diria que só vale a pena comprar no mercado de balcão se a pessoa não tem o suficiente ou não deseja investir o montante necessário para adquirir o ouro físico na BM&F.  E se ela realmente crer em uma alta superior a pelo menos 20% no preço do ouro que ela pagou.

Não se deve esquecer também que há o custo do frete e do seguro do transporte (este último é de 1% da compra).  Além disso, há o problema da segurança: algumas pessoas se sentem inseguras em guardar suas poupanças em casa.  Se este for o seu caso, acrescente a tudo o que foi dito acima o preço de uma caixa depósito no cofre de algum banco.

2) BM&F

Não tão fácil quanto a alternativa anterior, mas nada que não se resolva em algumas semanas (com sorte, alguns dias).  O primeiro passo é abrir uma conta numa corretora; porém, antes, é necessário se certificar de que esta corretora está habilitada para operar o ouro.  Quando for fazer seu contrato na corretora, você terá de assinar, além do contrato que lhe permitirá negociar na bolsa, um outro que lhe permitirá negociar na BM&F.[1]

Feito isso, o contrato do ouro que lhe permite a retirada física tem um código ("ticker") na bolsa: OZ1D.  Este é um contrato de 250 gramas de ouro,[2] e é o menor contrato que permite a retirada na BM&F — ou seja, se a intenção era investir menos, esta não é uma opção, a não ser que você queira comprar apenas o certificado de 10 gramas (OZ2D) ou de 0,225 gramas (OZ3D), os quais não lhe permitem retirada (a menos que se junte 250 gramas).[3]

A compra ou a venda não podem ser feitas pelo homebroker; para fazê-la, é necessário utilizar o ultra moderno telefone!

A retirada pode ser agendada através da sua corretora, a qual lhe dará maiores informações sobre o procedimento.  Pode-se também pedir o delivery (que tem um custo).

Os custos deste processo são:

1) a corretagem — que varia de corretora para corretora, e

2) a taxa de custódia[4] — que é cobrada mensalmente com calculo diário (todo o dia se adiciona a conta).   Caso se deseje retirar o ouro da custódia e não haja a possibilidade ou a vontade de ir pessoalmente retirar a barra, pode-se também pedir o delivery, o qual deve ser pago pelo cliente.  Caso sua preferência seja a de retirar o ouro da BM&F e você deseje vendê-lo novamente por lá, o processo é o mesmo: Entra-se em contato com a corretora e devolve-se o ouro para a custodiante, o ouro volta a figurar entre seus ativos na BM&F e, ato contínuo, você já pode vendê-lo.[5]

Simples? Não, mas também nada impossível.

Muito se discute sobre como aumentar o número de negócios do ouro na BM&F, mas basta tentar comprar ouro para perceber um dos grandes motivadores desta dificuldade.  Além da desburocratização da compra de ouro na bolsa, duas outras medidas poderiam aumentar a atratividade da compra do metal por lá: a primeira seria a diminuição das taxas de transação, e a segunda seria a criação de um contrato menor que permitisse a retirada — o ideal seria que fosse um contrato de 31,1034768 gramas, ou seja, uma onça troy,  para que pudesse ser muito mais fácil a visualização do preço em relação ao mercado externo, que trabalha com onça troy.  Tal arranjo também facilitaria a percepção de qualquer possível distorção, além de atrair investidores de fora do país para comprarem ouro por aqui.

Espero ter ajudado aqueles que buscavam estas informações.  Só desejo deixar novamente claro que não estou dando qualquer dica de onde investir seu dinheiro, e sim apenas respondendo às perguntas frequentes que recebemos por aqui.

Invistam apenas naquilo que conhecem, estudem bastante onde vão investir e só o façam quando estiverem bastantes seguros desta decisão.  Acima de tudo, estejam preparados para arcar com as consequências destes investimentos (e espero que estas consequências sejam sempre boas!).



[1] Após a compra, você não verá seus contratos de ouro na página de saldo da sua corretora.  Eu me assustei muito com isso, mas fique tranquilo que está lá.  Esperamos que as corretoras corrijam este problema.

[2] Na verdade, o ouro negociado tanto na bolsa quanto no balcão aqui no Brasil é o ouro 0,999, ou seja, a cada contrato de 250 gramas na verdade se está comprando 249,75 gramas de ouro.  O resto são impurezas.  Pode haver também outros níveis de pureza à venda nos balcões; por isso é sempre bom estar atento ao que se está comprando.

[3] Existe a possibilidade de se retirar em lingotes de 100 e 400 onças do ouro.  Mas, para tal, confesso não saber o procedimento.  Porém, creio que deva ser o mesmo. Vale lembrar que estes lingotes possuem uma pureza menor que 0,999 — se não me engano é de 0,995.

[4] Esta taxa é calculada da seguinte maneira: preço máximo do dia x 0,07% x número de gramas / 30 . 

Por exemplo: R$ 90 x 0,07% x 250 (gramas) / 30 = R$ 0,52.

Estes valores são calculados diariamente e acumulados para serem pagos no quarto dia útil do mês seguinte, ou quando o investidor zerar a posição.

[5] O ouro vem embalado com lacre também e caso se retire o lacre há o custo de recertificação que é passado pela fundidora (não sei qual é esse custo).



15/08/2011 00:00  por  Fernando Chiocca \  economia

Em 1938, o cineasta Orson Welles transmitiu via radio a narração de uma invasão alienígena de maneira tão convincente que causou pânico geral nos ouvintes.  Hoje, mais de 70 anos depois, um dos economistas mais influentes do mundo nos diz que precisamos dos talentos de Welles para nos tirar da crise econômica.

É isso mesmo.  Paul Krugman, colunista do New York Times e ganhador do Prêmio Nobel de Economia, afirma que se as pessoas acreditassem que uma invasão alienígena iria ocorrer, e os EUA gastassem trilhões se armando contra esse iminente (porém fictício) ataque, eles iriam sair da recessão econômica.

 

Mas essa declaração não deve espantar quem conhece Krugman — afinal, isto é exatamente o que a teoria keynesiana ensina, e Krugman é talvez o maior representante atual do keynesianismo.   Contrariamente a todo e qualquer bom senso, os keynesianos acreditam que a destruição em massa na verdade é boa para a economia, pois gera riqueza.  Trata-se da "falácia da janela quebrada".

Além de acreditar que foi a II Guerra Mundial o que tirou os EUA da Grande Depressão, após os ataques de 11 de setembro ao World Trade Center, Krugman disse que a ação terrorista de Osama bin Laden  poderia ser benéfica para a economia:

Quando um Nobel de Economia diz coisas como estas, demonstrando que não sabe nada de Economia, fica claro que tem algo muito errado no mundo.  Isto é apenas o reflexo do estado corrompido em que essa ciência se encontra.  Sua coluna é traduzida pelo maior jornal do Brasil e por muitos outros jornais do mundo, e o keynesianismo domina as universidades e os meios de comunicação do mundo inteiro.  Não é difícil entender por quê, já que Keynes prescreve as "soluções" que os governos querem ouvir.  De fato, os governos já colocavam em prática as receitas keynesianas antes mesmo de Keynes elaborá-las; e quando ele escreveu a sua Teoria Geral, os estados fizeram tudo para elevar Keynes à posição de maior economista da história, mesmo com suas teorias indo contra o bom senso.  Com efeito, qualquer pessoa que pense a respeito pode perceber que o keynesianismo não faz sentido, e qualquer um que tenha lido o curto ensaio de Bastiat, A vidraça quebrada, sabe mais de economia que os "maiores especialistas do ramo".

Stefan Molyneux comentou esta declaração de Krugman dizendo que "uma cultura que permite que uma pessoa diga uma coisa dessas sem nenhum constrangimento já está morta e enterrada".  E é isso que o Instituto Mises quer consertar, divulgando os ensinamentos da única teoria econômica consistente.  Enquanto a Folha de São Paulo traduz a coluna de Krugman e publica material de keynesianos como Delfin Neto, Bresser-Pereira etc., nós traduzimos os artigos de Robert Murphy, Gary North, Jim Rogers, Peter Schiff, Hans-Hermann Hoppe, George Reisman, Murray Rothbard, Friedrich Hayek, Hans Sennholz, Richard Ebeling e de vários outros austríacos, além, é claro, do próprio Mises, o mestre de todos.

Aqueles que buscam sanidade em meio à loucura que domina o mundo ao menos possuem este porto seguro.


12/08/2011 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

Imaginem a seguinte cena: um siderúrgico brasileiro vende X toneladas de aço a um empreiteiro suíço. Não contente com o volume vendido, o siderúrgico resolve presentear o suíço com mais 5% de aço grátis, free of charge. Quem sai ganhando neste arranjo? Para os economistas do mainstream resta claro que o siderúrgico brasileiro é o grande malandro e esperto da jogada.

Este exemplo extremo serve apenas para demonstrar que é exatamente isso que ocorre quando um país tem sua moeda valorizada. Momentaneamente os detentores de uma moeda apreciada poderão adquirir mais bens pelas mesmas unidades monetárias. Ou inversamente, os exportadores receberão menos dos residentes suíços do que previamente, e entregarão a mesma quantidade de bens. Agora pergunto: quem sai beneficiado? Ninguém em plena consciência diria que os suíços sãos os coitados e prejudicados deste arranjo.

Mas é exatamente isso que defende a imprensa e os economistas que ainda vivem na era do mercantilismo. "Pobre Suíça!" escreveu Alan Beattie (Financial Times, numa notícia publicada pelo Valor Econômico do dia 11 de agosto de 2011) lamentando o fato de o franco suíço ter valorizado muito nos últimos dias, semanas e anos. Mas alto lá! Pobre Suíça? Como assim? É claro que alguns setores não poderão exportar tanto como antes, ainda que temporariamente. Mas o que falar do altíssimo pode de compra que os suíços poderão aproveitar? Imaginem as barganhas de produtos e ativos, mundo afora? Exportadores poderão importar maquinário a preço de liquidação e adquirir concorrentes no exterior. Investidores poderão aproveitar a oferta e recompor seus portfólios. E consumidores terão a chance de importar mais bens, elevando o padrão de vida, e viajar ao exterior comprando vinhos e outras especiarias a preço de banana.

Será que estou louco? Deixe-me ver se entendi bem: empresas e indivíduos, residentes na Suíça, têm a belíssima oportunidade de comprar produtos, empresas, imóveis, ações e uma infinidade de ativos no exterior a preços excelentes, tudo fruto do altíssimo poder de compra do franco suíço, em grande parte gerada propositalmente por banqueiros centrais ao redor do mundo, e devemos sentir pena dos suíços?

Definitivamente vivemos num mundo bizarro. Como dizia George Orwell: Guerra é Paz, Liberdade é Escravidão e Ignorância é Força. Sugiro mais uma: moeda fraca é uma benção.

Os banqueiros centrais do mundo todo já não seguem Keynes, Friedman ou qualquer outro apologético de bancos centrais. A filosofia de Bernanke e Cia agora é Lênin: "A melhor maneira de destruir o sistema capitalista é a destruição de sua moeda".

O pior de tudo é que nem mesmo o invejável Banco Nacional Suíço (SNB) está livre deste mal. Não contente com as intervenções para desvalorizar o franco, o SNB estaria estudando fixar o valor do franco suíço ao euro, o famoso currency peg. Esta vai definitivamente entrar para a história. Pela primeira vez um país fixaria o valor de sua moeda nacional a uma moeda moribunda. Levado ao ridículo, é como se o Uruguai, em 1989, olhasse para o Brasil e resolvesse usar o Cruzado Novo como âncora cambial.

O marco alemão e o dólar foram e são utilizados como âncora por serem moedas estáveis (ok, o dólar não mais). Por que diabos um banco central utilizaria uma moeda "instável" como âncora? Ah sim, lembrei. As exportações. Como sempre a ótica mercantilista e uma teoria econômica decadente impedem que os banqueiros centrais enxerguem a insanidade de suas medidas.

Qual a lição disso tudo? Não podemos confiar em banqueiros centrais. Se alguém achava que o franco suíço poderia ser considerado uma reserva de valor, pense novamente. Não existe moeda forte. Ou melhor. Não existe moeda forte de papel. Sem exceção, nenhum Banco Central está livre de suas ingerências monetárias. Alguns inflam mais. Outros menos. Neste cenário de guerra cambial, dólar desmoralizado, euro na beira do precipício, o único refúgio monetário continua sendo o mesmo há milhares de anos: o ouro.

Um consultor de investimentos provavelmente diria que o ouro não rende juros, não faz nada, apenas fica lá, parado e brilhando. É exatamente por isso que devemos comprá-lo, porque ele fica lá, parado, brilhando e envergonhando os banqueiros centrais.


08/08/2011 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Cada um tem a sua teoria.  Eis a minha.  A origem do atual derretimento das bolsas está nas crises fiscais americana e europeia. 

Nos EUA, a questão da dívida está completamente sem solução.  O acordo sobre a elevação do teto da dívida não resolveu em nada o problema simplesmente porque, para os próximos anos, ficou resolvido que os gastos irão subir continuamente, só que a uma taxa de crescimento um pouco menor do que a inicialmente prevista.  É isso que no linguajar político atual passou a ser chamado de "corte de gastos": aumentar os gastos a uma taxa menor do que a anteriormente prevista.  Os gastos subirão ano a ano, só que, na melhor das hipóteses, em um ritmo um pouquinho menor. (Estratagema idêntico, aliás, é seguidamente adotado pelo governo brasileiro).

A atual dívida americana está em US$ 14,3 trilhões.  Caso os gastos do governo continuassem no ritmo atual, a dívida daqui a 10 anos estaria em US$ 25 trilhões.  Porém, com o acordo firmado na semana passada entre Obama e o Congresso, a dívida americana irá aumentar para "apenas" US$ 22 trilhões — isso, repetindo, na melhor das hipóteses. 

Ou seja, em vez de um aumento de 75% em 10 anos, haverá um aumento menor: 54%.

Ademais, o acordo deu ao Tesouro americano a autorização imediata para tomar emprestado e gastar US$ 2,5 trilhões adicionais durante os próximos 18 meses — quando o novo teto da dívida será atingido.  Em contrapartida, determinou-se apenas que US$ 250 bilhões deixem de ser gastos por ano durante os próximos dez anos.  Isso significa que, ao invés de um déficit orçamentário anual de US$ 1,4 trilhão, haverá um déficit de 1,15 trilhão por ano.  E isso supondo que as receitas não irão cair, uma hipótese bastante irrealista, considerando-se a depressão vindoura.

Para piorar, essa prometida redução de US$ 2,5 trilhões (US$ 250 bilhões por ano durante dez anos) nos gastos governamentais estimados para o futuro não especifica absolutamente nada.  Não há detalhes sobre em qual área o governo vai cortar, e nem em qual quantia.  Consequentemente, não há motivos para o mercado financeiro mostrar alguma confiança de que algo realmente será "cortado" — principalmente quando a depressão se intensificar futuramente, o que gerará pressão para maiores gastos.

Acrescente a tudo isso a incerteza sobre se Obama irá conseguir finalmente realizar seu desejo de elevar impostos, de implantar seu sonhado Obamacare (saúde "gratuita" para todos) e de impor regulamentações ainda mais apertadas sobre a economia, e misture a tudo isso um pouco da imprevisibilidade europeia, a sobrevivência do euro, e o futuro de Itália, Espanha, Portugal, Grécia e Irlanda.  Aí pergunte-se a si mesmo: há alguma perspectiva de ascensão para os mercados financeiros?

Nesse período de grande incerteza, investidores tiram seu dinheiro das bolsas e aplicam em ativos que consideram ser seguros e muito líquidos.  Muitos estão indo para o ouro, que atingiu sua cotação recorde, fechando em US$ 1.713 a onça.  Outros ainda confiam nos títulos americanos, só que nos de longo prazo.  Eles ficam tão receosos com a atual situação depressiva da economia — uma recessão tende a diminuir ainda mais os juros à medida que a economia afunda —, que acabam buscando refúgio em títulos de longo prazo, comprando-os à taxa de juros vigente hoje.  Essa compra maciça de títulos de longo prazo faz com que os preços deles subam, e consequentemente os juros de longo prazo caiam.

O juro dos papeis de 10 anos da dívida dos EUA tocou a mínima de 2,325%, o nível mais baixo desde janeiro de 2009 e pouco acima da mínima recorde de 2,034%, atingida em dezembro de 2008, após o colapso do Lehman Brothers.

Essa retirada maciça de dólares das bolsas mundiais para serem aplicados em ouro e em títulos da dívida americana derruba as bolsas em todo o mundo, inclusive a Bovespa.

Enquanto os EUA e os países europeus não adotarem uma política econômica clara, e enquanto não ficar explícito se vão optar por mais governo ou menos governo, não há por que ser otimista com novas altas sustentadas das bolsas, muito embora curtos períodos de subida vertiginosa não estejam descartados.

Neste momento, o mercado financeiro é só para profissionais.



03/08/2011 00:00  por  Cristiano Fiori Chiocca \  economia

Um estudo realizado pela BM&F Bovespa, a bolsa de valores que concentra quase a totalidade dos negócios com ações de companhias abertas no Brasil, destaca o custo que uma empresa incorre para se manter como Companhia Aberta, com suas ações listadas em Bolsa.

O estudo indica, entre outros, o custo que as empresas têm com publicações — publicações de seus balanços, convocações e deliberações das assembléias gerais e extraordinárias.  As empresas são obrigadas por lei a fazer essas publicações, sendo que essa obrigação exige a publicação no Diário Oficial da União ou do Estado (ou DF) e em mais algum jornal de grande circulação na localidade em que está situada a companhia.

A bolsa calculou que uma empresa de pequeno porte (faturamento de até R$ 50 milhões) gasta com publicações R$ 95.000, uma empresa de médio porte (faturamento de R$ 50 até R$ 300 milhões) gasta R$ 312.394 e uma empresa de grande porte (acima de R$ 300 milhões de faturamento) gasta R$ 1.008.143.

O número de empresas listadas na bolsa aqui no Brasil, onde os custos ainda são proibitivos para empresas de pequeno porte — só existindo uma empresa listada —, totaliza quase 450 empresas, que estão entre médias e grandes.  Uma estimativa modesta nos faz concluir que, anualmente, as empresas gastam R$ 350 milhões com publicações em jornais.

O número total de pessoas físicas que investem na bolsa mal chega a 500 mil, e se contabilizarmos outros atores, como administradores de fundos de investimento, analistas de balanços e demais interessados, podemos chegar a algo como 750 mil atuantes no mercado de ações.

Como investidor em ações há mais de 20 anos, adoto a técnica fundamentalista, que compreende, entre outras atividades, ler os balanços e atas das empresas nas quais invisto ou estou interessado em investir.  Dito isso, posso assegurar que, depois que as empresas passaram a publicar seu balanço em seus sites na internet, jamais voltei a ler balanço em jornal.  Ninguém que eu conheça lê balanços em jornais.  Outra estimativa, ainda mais modesta que a primeira, é que, dos 750 mil atuantes do mercado, não chega a 10% — isto é, 75 mil — aqueles que de fato leem os balanços das companhias.

Os balanços e atas disponibilizados na internet ficam arquivados nos sites das empresas para sempre, como um banco de dados, de facílimo acesso, além de estarem disponíveis também no site da própria Bolsa, no formato padrão que as normas contábeis determinam.  São colocados nos sites (das próprias empresas e da Bolsa) a um custo baixíssimo, exigindo apenas que os mesmos sejam constantemente atualizados.

Já os balanços impressos são perecíveis, os jornais duram pouco, exigem espaço para serem armazenados, acessíveis apenas aos que leem determinado jornal.  Ademais, o preço é salgado, como vimos acima.

São, no mínimo, R$ 350 milhões que deixam de ir para o setor produtivo, que saem do cofre das empresas para atender a uma exigência estatal ridícula, que não atende interesse de nenhum investidor ou interessado nas informações de tais empresas, servindo aos interesses dos jornais.

No dia 28/07/11, a presidente Dilma vetou uma alteração que desobrigaria empresas com faturamento inferior a R$ 500 milhões a publicarem seus balanços e atos societários nos diários oficiais (mas mantinha a obrigação em jornais de grande circulação).  Esse veto foi celebrado por uma tragicômica Abio (Associação Brasileira das Imprensas Oficiais).

Evidente que nenhum órgão de imprensa se manifestou a respeito.  A imprensa aqui só quer liberdade para falar bem do governo.  Essa exigência legal os beneficia diretamente.  Trata-se de um lobby que propicia vantagens a uma atividade improdutiva e lesa o setor produtivo.  As empresas têm um custo que não gera retorno nenhum, e os investidores não sentem a mínima necessidade de ler um balanço em um jornal.

É mais um caso de como as regulamentações nada mais são do que tributos — nesse caso de fácil mensuração —, e de como elas criam lobbies que lutam para perpetuar privilégios conquistados à custa de quem produz.

28/07/2011 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

Quanto mais leio os jornais e economistas de outras escolas, em especial a keynesiana, mais admiro Ludwig von Mises: "Good economics is basic economics". Não lembro qual foi o primeiro texto de algum economista da escola austríaca que li, mas me recordo perfeitamente das seguidas sensações de prazer ao ler sequências de argumentos e frases sensatas em perfeita harmonia com uma argumentação lógica e clara, em total contraste a tudo que havia, até então, aprendido em economia. Tive a impressão, enfim, que a ciência econômica servia sim para explicar alguma coisa. Quem já passou a usar as "lentes austríacas" se identificará com o que escrevo.

Por que estou contando isso? Explico-me.

Hoje, aleatoriamente, lendo o Valor Econômico, passei os olhos sobre um artigo do presidente da Associação Keynesiana Brasileira, Luiz Fernando de Paula, divagando sobre o crédito no Brasil. Eis o seu primeiro parágrafo:

Uma das diferenças da teoria keynesiana em relação à teoria convencional é a importância fundamental que moeda e instituições financeiras têm no funcionamento da economia. Um sistema financeiro funcional ao crescimento é aquele com capacidade de atender via crédito a demanda de liquidez necessária para realização dos gastos dos agentes, e de criar mecanismos financeiros apropriados para realização da consolidação das dívidas das firmas investidoras, permitindo um ritmo de acumulação a um nível superior àquele que seria viável pela simples acumulação de poupanças prévias.

Tentarei incluir pequenos detalhes no seu texto para que fique clara a idéia que o autor quer passar. Em homenagem ao Leandro, eu "vou de preto":

Uma das diferenças da teoria keynesiana em relação à teoria convencional é a importância fundamental que moeda fiduciária emitida pelo estado e instituições financeiras têm no funcionamento da economia. Um sistema financeiro funcional ao crescimento é aquele com capacidade de atender via crédito criado do nada a demanda de liquidez necessária para realização dos gastos públicos dos agentes do estado, e de criar mecanismos financeiros apropriados para realização da consolidação das dívidas das firmas investidoras, permitindo um ritmo de acumulação de dívida a um nível superior àquele que seria viável pela simples acumulação de poupanças prévias.

Ficou mais claro agora? Um leigo em economia dificilmente conseguiria compreender que tudo o que o autor sugere se resume ao seguinte: se não houver poupança suficiente, imprima dinheiro.  Pronto. Agora está claro o que autor defende.

Assim como o mestre, Lord Keynes, magistralmente demonstrou na sua obra prima, o importante é não articular claramente o que se está defendendo. Use palavras complicadas, jargões vazios ou frases desconexas, para que poucos entendam de fato o que se está propondo. Alguém entende o que o autor quer dizer com "criar mecanismos financeiros apropriados para realização da consolidação das dívidas das firmas investidoras"? Eu não.

A escolha deste texto foi realmente aleatória e pouco posso comentar sobre as idéias deste autor, mas está intelectualmente equivocado e "linguisticamente", como era de se esperar, keynesiano, no pior sentido da palavra.

Talvez uma das maiores contribuições da escola austríaca tenha sido trazer o estudo da economia a um nível inteligível e ao alcance de qualquer pessoa com razoável nível de educação, seja um médico, advogado, engenheiro, dona de casa, empresário, atleta ou qualquer outro leigo. Enquanto a escola keynesiana conseguiu justamente o contrário.

Ao leitor recém iniciado nas idéias da escola austríaca, lembre-se: se em algum momento você não entender o que um economista está tentando articular, é bem provável que o problema esteja com ele e não com você.

Good economics is indeed basic economics.




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