04/10/2012 00:00  por  Luis Almeida \  política

Se você, assim como eu, não acredita em soluções pela via política, tenho a certeza de que, em algum momento, ao discutir política, você já se deparou com um interlocutor que, peito estufado e ar soberbo, disparou: "Se você não vota, então você não tem nenhum direito de reclamar!"

Qual o problema com esta afirmação?  Simples: sua lógica está totalmente invertida.  E é fácil explicar por quê.

Para começo de conversa, se eu não aceito a existência de algo (no caso, esta própria instituição chamada 'governo'), qual seria a lógica de eu participar de um ato que implica meu consentimento para com sua existência?  Qual é a lógica de eu participar de um ato que serve apenas para chancelar minha aprovação à existência deste esquema?  Mais ainda: qual seria a lógica de eu fazer tudo isso e ainda reclamar da existência deste algo que desprezo?

Se você se associa a alguma coisa ou passa a lidar diretamente com ela, então passa a existir um entendimento tácito de que você aceitou suas condições.  Torna-se subentendido que você chancelou sua existência. 


18/09/2012 00:00  por  Leandro Roque \  política

Enquanto os brasileiros seguem com a respiração suspensa, insones e preocupadíssimos com o que irá acontecer aos mensaleiros ("se eles não forem para a cadeia, a sem-vergonhice estará institucionalizada", bradam alguns blogueiros), os reais assaltantes do povo não apenas seguem impunes, como ainda desfilam por aí sorridentes e desenvoltos, gozando de enorme prestígio perante a mídia e a população.

Os mensaleiros — meros pés-de-chinelo dentro da hierarquia criminosa estatal, os quais serão pronta e imediatamente substituídos caso o improvável aconteça e eles acabem tomando banho juntos em alguma penitenciária — tungaram, segundo as recentes declarações de Marcos Valério, R$350 milhões.  O que são R$350 milhões?  De acordo com dados do ano passado, R$350 milhões foi o valor que o governo federal espoliou da população brasileira em apenas 3 (três) horas.

Isso mesmo.  A arrecadação tributária do governo federal em 2011 foi de R$990,4 bilhões.  Isso equivale a R$2,7 bilhões por dia ou R$113 milhões por hora.  Enquanto os mensaleiros — amadores, coitados — levaram mais de dois anos para espoliar R$350 milhões, Guido Mantega (Ministro da Fazenda), Arno Augustin (Secretário do Tesouro) e Carlos Alberto Freitas Barreto (Secretário da Receita Federal) fazem o mesmo serviço em apenas três horas.  Quem são os verdadeiros profissionais?

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08/09/2012 00:00  por  Helio Beltrão \  economia

Uma pergunta feita por Adolfo Sachsida em seu interessante blog bdadolfo.blogspot.de, está gerando interesse.  Refere-se ao interminável e interessantíssimo debate sobre as reservas fracionárias, cuja bibliografia compilada pelo grande Walter Block publico abaixo.

De um lado a defesa da livre associação pelos defensores das reservas fracionárias, e de outro a defesa da impossibilidade de haver um conflito de direitos, onde duas partes detenham 100% de titularidade (a todo tempo) sobre o mesmo bem (a venda de um círculo quadrado?).

Qual é a sua opinião?

05/09/2012 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

A política de redução do spread bancário e de aumento de crédito concedido pelos bancos oficiais beneficia a alguns, sem dúvida. Em especial, àqueles devedores marginais, antes considerados não aptos a um financiamento e que, agora, veem seus sonhos de consumo serem realizados. A aquisição da casa própria, a reforma da cozinha ou o tão sonhado automóvel se tornam, finalmente, realidade.

Beneficiadas também são as empresas que fornecem esses produtos aos novos consumidores; as construtoras; as montadoras; provedores de materiais de construção; autopeças; enfim, toda a cadeia produtiva dos setores afetados pela maior demanda magicamente criada. Sob a batuta do regente ministro da Fazenda, a orquestra de bancos públicos toca a música, e o povo dança. Que insensível indivíduo se oporia a uma causa nobre: possibilitar o acesso dos cidadãos de menor renda a bens tão importantes? Não é uma política boa para todos? Infelizmente, receio que não.

Findo o primeiro semestre de 2012 e divulgados os balanços dos bancos brasileiros, a verdade é que os números não são nada confortantes. Refiro-me especialmente à Caixa Econômica Federal, banco do qual, contra minha livre e espontânea vontade, sou indiretamente acionista, assim como todos os pagadores de impostos brasileiros.


02/07/2012 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Toda expansão artificial do crédito tem necessariamente de terminar em uma recessão — ou em uma longa estagnação.  Não há como prolongar indefinidamente uma situação insustentável e não há como evitar que o necessário processo de correção chegue.

São dois os principais segredos para que uma recessão criada pela expansão artificial do crédito seja rapidamente superada e a economia volte a crescer de maneira sustentável: as dívidas pendentes têm de ser liquidadas ou reduzidas e os preços têm de poder ser livremente reajustados para baixo. 

A recessão de 2009 no Brasil — que foi realmente uma recessão e não apenas uma estagnação — foi curta justamente porque o governo, incrivelmente, não tentou impor nenhuma política de preços e de proibição de demissões, e acabou permitindo, ainda que involuntariamente, que os preços no atacado — o IGP-M, muito utilizado no meio empresarial para o reajuste de custos — pudessem cair.  E, de fato, o IGP-M ficou negativo durante a maior parte daquele ano.  Como resultado, os preços das matérias-primas agrícolas e industriais no atacado apresentaram variação mensal negativa de dezembro de 2008 até agosto de 2009, de modo que, no acumulado de 2009, o IGP-M fechou com deflação de 1,71%.

Esta deflação do IGP-M, em conjunto com as demissões ocorridas na época — o desemprego chegou a 9% —, ajudou a recuperação financeira das empresas, deixando-as preparadas para mais investimentos e novas contratações.

O gráfico a seguir mostra a variação anual do IGP-M e a variação anual da oferta monetária M1 (papel-moeda em poder do público mais contas-correntes), que representa o dinheiro prontamente disponível para ser utilizado por empresas e indivíduos.  Todas as vezes em que o crescimento anual do M1 (linha vermelha) foi menor do que o crescimento anual do IGP-M (2003, 2008/2009, 2011/2012), houve recessão no setor industrial e aumento do desemprego neste setor.



14/06/2012 00:00  por  Fernando Chiocca \  política

São Paulo foi tomada de assalto por mãos vermelhas.  Em qualquer restaurante, lanchonete, padaria, bar, supermercado, boate, loja de conveniência, vendinha etc. que se vá, cartazes com uma mão vermelha desenhada estarão por lá — por toda parte para que se olhe.  Mas, obviamente, não se trata de nenhuma peça de decoração da moda que os donos desses estabelecimentos resolveram colocar, e sim de uma nova imposição coercitiva sobre a propriedade alheia — uma nova "lei" do estado de São Paulo obriga todos os comerciantes de bebidas alcoólicas a afixarem estas mãozinhas em seus estabelecimentos e os ameaça com multas pesadas e interdições caso não cumpram todas as determinações exigidas por esta nova "lei".

A mão vermelha tem o número -18 dentro dela e abaixo está escrito "Álcool para menores é proibido".  A proibição de venda de bebidas alcoólicas para menores de 18 anos já existia, mas felizmente nunca foi imposta com rigor e fiscalização, como promete fazer esta nova "lei". Porém, uma imposição efetiva deste parâmetro arbitrário não é a única novidade; o texto abaixo diz: "É proibida a venda, oferta, fornecimento, entrega e permissão do consumo de bebida alcoólica, ainda que gratuitamente, aos menores de 18 anos de idade."  Isso significa que o comerciante será punido se fiscais encontrarem menores consumindo álcool no estabelecimento deles, mesmo se eles não tiverem vendido a bebida ao menor, e mesmo se os pais do menor tiverem dado a bebida a ele!  É o estado assumindo a guarda do filho dos outros.

Deparei-me pela primeira vez com essa placa no restaurante do meu clube, que foi fundado no ano de 1900 e espantosamente conseguiu comercializar álcool sem nenhum problema por 111 anos, antes de ser atacado pela mão vermelha.  De fato, São Paulo começou a ser povoada pelos europeus há 420 anos, e antes deles os povos indígenas já produziam mais de 80 tipos de bebidas alcoólicas — e, por incrível que pareça, a civilização não entrou em colapso sem as mãos vermelhas e as coerções contra comerciantes.

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29/05/2012 00:00  por  Leandro Roque \  política

A quantidade de medidas totalitárias editadas pelo atual governo, e o ritmo em que elas são produzidas, é certamente um recorde na história da nação.  Não há absolutamente uma só semana em que não haja pelo menos três notícias que explicitem a concupiscência de poder do atual governo.  Ainda pior do que as medidas em si, é ver a mídia propagandeando tais medidas de maneira quase jubilosa, para não dizer exultante.

Ainda na década de 1940, Mises ensinou que, em economia, não há meio termo.  No final, ou você tem uma economia genuinamente livre ou você tem uma economia totalmente controlada.  Políticas intervencionistas, por mais pontuais que comecem, inevitavelmente levam a uma economia totalmente controlada.  Leva-se tempo, é claro, mas o destino final é um só.  No Brasil, a coisa vai degringolando em ritmo alucinante, certamente a uma velocidade que deixaria o próprio Mises espantado.

Santo Agostinho, em seu livro A Cidade de Deus, já explicava por que o poder político é corrupto e corruptor.  O poder político gera aquilo que o teólogo e filósofo chamou de libido dominandi, a lascívia para dominar e controlar cada aspecto da vida alheia.  Esta é a essência da política, é o que impulsiona e excita todos os políticos.  A cidade dos homens é governada pela luxúria do poder, e o poder tem esta capacidade de embevecer os meros mortais.  Não é de se estranhar, portanto, que até mesmo pessoas geralmente boas se corrompam e adquiram propensões ditatoriais tão logo entrem para o estado.

A seguir, os três mais recentes exemplos da libido dominandi emanada de Brasília.


22/05/2012 00:00  por  Helio Beltrão \  política

Entrevista concedida ao Instituto Brasileiro de Executivos de Finanças de São Paulo 

Com a menor taxa de juros em dois anos, o Brasil ainda convive com uma inflação alta em comparação com outros países e o governo precisa soltar as amarras da atividade econômica, abrindo espaço para a livre iniciativa.  Helio Beltrão, presidente do Instituto Ludwig von Mises, afirma ser improvável uma recessão no Brasil, mas o PIB deve crescer menos de 5% pelo menos nos próximos dois anos.

 

Ibef News: O BC reduziu a Selic para 9% ao ano — a menor taxa em dois anos — mesmo com a inflação distante do centro da meta.  Como você vê esse curso de ação por parte do BC?

Helio Beltrão:  O saudoso Millôr Fernandes dizia que "a inflação está para a economia assim como a falsificação está para a moeda".  Millôr tinha razão.  O Banco Central pode criar moeda do nada, tal qual um falsificador.  Essa "inflação da moeda" gera distorções e a ilusão de que certas atividades dão lucro.  A inflação brasileira é alta demais; a própria meta de 4,5% é alta.  Compare com Peru (banda de 1% a 3%), Chile, Colômbia e México (de 2% a 4%), e os países desenvolvidos em geral (2%).

A pesquisa Focus indica cerca de 5% para o IPCA em 2012, e 5,5% em 2013.  Acho provável que esse cenário se realize. Após a superinflação que amargamos durante os anos 1980 e 1990, nós não merecíamos mais essa inflação de terceiro mundo.

Ibef News: A revista americana The Atlantic trouxe na capa de sua edição de abril o presidente do Fed, Ben Bernanke. Como você avalia o desempenho dele?

Helio Beltrão: O fracasso do Fed, tanto na última década quanto na atual gestão, é retumbante.  Sob Alan Greenspan, produziu a maior bolha de todos os tempos, devido principalmente à política de baixas taxas de juros; as consequências incluem desemprego, piora nas contas governamentais e protestos em países europeus.

Sob Bernanke, a ação tem sido intensificar a mesma política que contribuiu para a crise de 2007/08.  Hoje é racional para um banco tomar esse dinheiro a custo zero e comprar um estoque de papel higiênico, que ao menos se valorizae com a inflação.  O papel-moeda do Fed, portanto, se tornou pior que papel higiênico!  Banqueiros centrais sofrem da pretensão do conhecimento: como fabricantes de árvores de Natal, eles acham que podem fazer um trabalho melhor que o da natureza.



21/05/2012 00:00  por  Fernando Ulrich \  economia

Na década de 1980, a ganância dos empresários e a indexação eram apontadas como as causas da inflação.  Quem não se lembra dos "fiscais do Sarney" com suas tabelas em mãos denunciando qualquer tentativa de cobrança do "ágio"?  Após a introdução do real, a relativa estabilidade de preços trazida pela âncora cambial fazia do dólar o centro das atenções.  Mas em 1999 o Banco Central (Bacen) se viu obrigado a adotar o sistema de câmbio flutuante e metas de inflação.  Malditos especuladores! A autoridade monetária persegue, desde então, um alvo para o nível dos preços, o qual foi definido em 4,5% em 2005, permanecendo em vigor até os dias de hoje.  Ao longo de todo esse período, foram vários os ditos vilões da inflação: os alimentos; o combustível; o salário-mínimo; o dólar. Ora, se os alimentos, os automóveis ou o petróleo são a causa da inflação, então o termômetro é a causa da febre. O Brasil vivenciou quase 50 anos de inflação crônica e, espantosamente, grande parte dos economistas parece não entender esse fenômeno. Que a definamos claramente: inflação é uma política. É uma política por meio da qual o governo aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Sua consequência, o seu efeito, é uma elevação geral nos preços de bens e serviços ofertados no País.

O famoso liberal Roberto Campos, já na época do Plano Cruzado, alertava contra o errôneo entendimento da inflação. "Se inflação é alta de preços", dizia Campos, "então o culpado é o empresário que faz a alta de preços; mas se inflação é expansão monetária, então o culpado é o governo".  Ironicamente, foi um dos idealizadores da instituição responsável pela expansão monetária no Brasil, o Banco Central. A o final de sua vida, entretanto, reviu seus conceitos: "Quando me perguntam se sou ou não a favor da 'independência' do BACEN, minha resposta é de tipo existencial: será que o monstro deve existir?".  Independentemente da resposta, a existência do monstro é a causa da inflação.  O que me faz questionar: será que inflação precisa existir?


16/04/2012 00:00  por  Bruno Garschagen \  economia



































Pela terceira vez, o Instituto Ludwig von Mises Brasil participa do 25º Fórum da Liberdade, em Porto Alegre. No estande do IMB é possível encontrar à venda as obras da nossa biblioteca e, pela primeira vez, está sendo gravado o podcast com convidados participantes do evento. A lista abaixo será atualizada à medida em que as entrevistas forem gravadas ao longo do dia de amanhã.




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