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25/08/2015 00:00  por  Helio Beltrão \  economia

Em uma guerra, soldados feridos recebiam morfina/heroína. Mas necessitavam de doses maiores com o tempo e, na hora da inevitável suspensão, efeitos assustadores se revelavam na chamada síndrome de abstinência.

No mercado de ações, os efeitos são semelhantes: à mera menção de diminuição futura de liquidez, as bolsas despencam.

Os países centrais já estavam viciados na heroína líquida desde 2008 (o Japão desde a década de 1990), e agora a China também está.

Na noite passada, a China baixou mais uma vez os juros, e anunciou que injetará mais bilhões nos bancos. Pudera! Nos últimos meses, ao administrar heroína localizada, apenas no mercado de ações e câmbio (inéditos $200 bilhões comprados para não deixar as ações caírem de preço e mais $200bi para não deixar o renmimbi cair), percebeu que o paciente ainda piorava.

Quando tirou a heroína localizada (parou de comprar ações), o mercado se direcionou para onde deveria ir — rapidamente para baixo.

O Banco Central chinês capitulou, anunciando a injeção de heroína uniformemente no sistema todo.

Os médicos do sistema, os Bancos Centrais, têm se comportado apenas como mantenedores profissionais de zumbis drogados.

Você acredita que farão seu trabalho de suspender a administração de doses cavalares de heroína líquida?


08/08/2015 00:00  por  Helio Beltrão \  economia

O melhor investimento financeiro do século XX não foram ações ou ouro: foi o 'medalhão', ou licença, para operar táxis em New York.

Tal investimento obteve um rendimento anual superior a 15%, seguidamente, nos últimos 80 anos!

E este é só o investimento no preço do medalhão; se incluir o aluguel do medalhão, este retorno foi cerca de 20% ao ano, por 80 anos! Faça a conta. Aprenda, Buffett!

Como assim?


10/06/2015 00:00  por  Helio Beltrão \  economia

Passei há alguns dias por uma experiência única, inesperada, dramática: um terremoto no Japão, no décimo nono andar de um hotel.

A caminho do Brasil, considero as lições que podemos tirar disso para nossa realidade: somos um país livre de devastadores desastres naturais, mas repleto de cataclismos perpetrados pelo homo politicus.

Jack Goldstone, professor de sociologia da George Mason University, afirma que revoluções são como terremotos: geólogos podem conhecer os locais das grandes falhas onde o próximo tremor tem mais chance de ocorrer; mas apenas o conhecimento dos mecanismos que geram os terremotos não nos permite prevê-los.  Nem seu local e nem muito menos seu tempo.

Pergunto-me se o Brasil pode estar próximo de um terremoto de grandes proporções.

Vejamos os principais pontos que afastam a hipótese.

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29/04/2015 00:00  por  Helio Beltrão \  política

Alguns autodenominados reacionários brasileiros (não são todos, e definitivamente não é o caso dos conservadores 'clássicos' na linha de Edmund Burke e Russell Kirk) costumam ter um discurso com críticas severas a uma das grandes conquistas da tradição ocidental: o devido processo legal.

Esta sábia e milenar tradição nos legou certos princípios que sempre deveriam ser observados (lamentavelmente, nem sempre a legislação penal de um país reflete tais princípios em toda a sua extensão): 

a) presunção de inocência e ônus da prova recaindo sobre o acusador;

b) direito de responder às acusações em liberdade (salvo em crime em flagrante) e habeas corpus;

c) condenação somente se houver evidências que demonstrem culpa acima de dúvida razoável;

d) julgamento por júri;

e) direito a representação por advogado;

f) completa avaliação dos fatos e repasse ao acusado de todas as informações relevantes;

g) direito de não se auto-incriminar e permanecer calado;

h) julgamento célere e imparcial.

i) direito a recurso à alçada superior



26/01/2015 00:00  por  Leandro Roque \  economia

A melhor maneira de aferir a saúde de uma moeda é analisando a evolução de sua taxa de câmbio em relação às outras moedas do mundo.

A taxa de câmbio é um preço formado instantaneamente pela interação voluntária de bilhões de agentes econômicos ao redor do mundo.  Se esses bilhões de agentes econômicos acreditam que a inflação de preços no seu país será baixa, sua moeda irá se valorizar.  Se eles acreditam que a inflação está alta ou que ela será alta, sua moeda irá se desvalorizar. 

Grosso modo, a taxa de câmbio representa, em tempo real, a razão entre o nível geral de preços vigente em dois países distintos.  A taxa de câmbio entre dois países é igual à razão de seus níveis de preços relativos.

Sendo assim, a evolução da taxa de câmbio é uma narrativa da evolução do poder de compra atual de sua moeda em relação a todas as outras. 

A conclusão, portanto, é que com a taxa de câmbio não há segredo: se ela está se desvalorizando por muito tempo, então é porque o país está em rota inflacionária.  Se ela está se valorizando com o tempo, então é porque o país está em rota sadia.

Não há mensurador mais confiável e mais acurado do que esse. 

E qual foi o histórico do real durante os quatro anos do governo Dilma?  De maneira simples e educada, pavoroso.

O real não só apanhou de todas as moedas tradicionais (dólar americano, euro, franco suíço, libra esterlina, dólar australiano, dólar canadense, dólar neozelandês, dólar de Cingapura e renminbi chinês), como também conseguiu apanhar de portentos como o guarani paraguaio, o novo sol peruano, o peso uruguaio, o boliviano, o baht tailandês e o gourde haitiano (sério).

Naturalmente, o real também apanhou do peso mexicano, do peso colombiano e do peso chileno.

Como consolo, fomos melhores que o peso argentino e que o rublo russo (mas só na prorrogação).

Veja a carnificina. 


23/10/2014 00:00  por  Fernando Chiocca \  filosofia

Que bom que o dia das eleições está chegando, pois ninguém aguenta mais.  Há vários relatos de que as manifestações de apoio, ou contrárias, a um ou outro candidato geraram discórdias e brigas entre várias pessoas que até então eram amigas de longa data.  É lamentável ver amizades sendo rompidas por algo tão putrefato quanto a política.

As divergências políticas geram discussões, que geram ofensas e xingamentos, que causam o fim de amizades e um rancor contraproducente.

Mas por que esse clima de guerra? Afinal, a democracia não é o supremo sistema que os brasileiros se orgulham de ter alcançado? Não deveria estar tudo correndo pacificamente na plenitude democrática?

Muito pelo contrário: essas brigas que estamos testemunhando é uma consequência direta e inexorável da democracia.  Dado que o estado é um inerente gerador de conflitos, o processo eleitoral democrático inevitavelmente transfere a característica antissocial do estado para as pessoas — e essa característica fica em maior evidência naqueles que mais se engajam na política.

Uma explicação concisa e precisa de como a horrível e detestável democracia aflora estes sentimentos antissociais nas pessoas pode ser encontrada neste vídeo, que foi produzido para mostrar como a democracia é maravilhosa, o que torna tudo ainda mais medonho:

Quatro jovens estão decidindo onde irão passar um feriado: na praia ou na serra.  Três querem praia e uma quer serra.  Sendo assim, a democracia impera e fica decidido que os quatro devem para a praia.  

No entanto, dado que intenção do vídeo é glorificar a democracia, as implicações práticas daquilo que o vídeo realmente defende são bem mais tenebrosas do que parecem à primeira vista.  Se o cenário é a democracia, então, ao se transferir essa decisão democrática (3 contra 1) para o estado, como era a intenção do vídeo, os três jovens que venceram a eleição adquiriram o "direito" de coagir e obrigar a garota que preferia a serra não só a ir para a praia como também a pagar por todo o pacote da viagem com as opções que eles escolheram.

Não, ela não poderia ir sozinha para a serra e deixar que os outros três fossem para a praia — afinal, "deu praia" na eleição. E era para nós acharmos o vídeo sublime!

Adaptando o vídeo para as eleições atuais, imaginem que o destino da viagem fosse escolhido por uma quinta pessoa, e fossem destinos que ninguém quisesse ir, como Chernobyl e Sibéria. Se o seu eventual ódio ao frio fosse maior do que seu medo de radiação, você iria transferir esse ódio para todos aqueles que estivessem apoiando uma viagem a Sibéria, dado que você seria obrigado a ir e a pagar pela viagem.  Por outro lado, se você soubesse que a radiação irá resultar em sequelas que no longo prazo o levariam à morte, você iria bradar incessantemente contra os eleitores de Chernobyl.

Mas essa adaptação ainda está muito aquém da realidade das eleições, pois o que são alguns dias desagradáveis de viagem quando comparados a anos com uma pessoa que você detesta tomando seu dinheiro e mandando em você?  

E é isso que está em jogo nessas eleições.  Sendo assim, é perfeitamente compreensível que amigos briguem por conta de suas divergências políticas.

Todavia, nenhuma das partes tem razão. Embora você certamente acredite que esteja do lado do bem (ou do menor mal) e tenha toda a convicção de que sua escolha é a melhor (e você pode ter razão quanto a isso), a outra parte pode ter objetivos e tendências diferentes da sua e pode pensar a mesma coisa em relação à escolha dela.  Na disputa da viagem, fica claro que a melhor solução seria deixar cada um gastar o seu próprio dinheiro livremente, escolhendo o destino que preferir, e ir sozinho. Então, se você está tentando impor sua escolha sobre os outros, seja essa escolha qual for, você está errado.

O que alegam os defensores da escolha da viagem "menor ruim" é que, já que teremos de viajar de qualquer jeito, é preferível que nos engajemos na campanha do destino "menos pior" para não termos que viajar para um lugar pior ainda. "Você poderia estar na Sibéria, passando frio, mas ao menos observando a bela natureza em vez de estar aqui no meio dessa radiação de Chernobyl que irá nos matar em pouco tempo!"

E, desse modo, viagens e mais viagens vão sendo marcadas para locais aonde quase ninguém quer ir, pois ninguém está defendendo a solução correta. 

É imperativo nos livrarmos dessa que é a mais perigosa das superstições: a crença na autoridade.  As pessoas têm de entender que uma porcentagem numérica não confere poder superior a ninguém, e que ninguém pode magicamente delegar direitos que não possua. É vital que as pessoas comecem a pensar além da democracia.

Os libertários são os únicos que não querem impor à força seu destino aos perdedores (e ausentes) de uma eleição. Os libertários são a favor de que cada um escolha o seu destino, que cada um faça o que quiser com seu próprio dinheiro e sua propriedade. Enquanto todos parecem estar inebriados com o circo eleitoral e se ocupam de defender a viagem preferida (ou a que menos desgostam), apenas os libertários seguem dizendo o que importa: não queremos obrigar ninguém a viajar para onde não queiram.

Quem quiser ir para Chernobyl ou para a Sibéria, que vá, e pague pela viagem. Aposto que ninguém está brigando por causa dos destinos que os outros escolheram viajar nas próprias férias. Mas se há alguém querendo lhe obrigar a ir passar uns dias em Chernobyl (ou na Sibéria), é óbvio que isso irá gerar brigas.


25/09/2014 00:00  por  Equipe IMB \  economia

Veja abaixo o vídeo completo do debate ocorrido na PUC-SP.

O tema central foi a grande recessão e as consequências da crise, cujos efeitos ainda estão sendo sentidos em 2014.

Além de Helio Beltrão e Paul Singer, participou também o professor Carlos Eduardo Carvalho.

O debate ocorreu por ocasião da XII Semana de Relações Internacionais.


10/06/2014 00:00  por  Helio Beltrão \  economia

Moderação, humildade, sobriedade e comedimento são essenciais para o debate de ideias.  Infelizmente, nosso artigo de hoje ("Dez razões pelas quais os libertários podem não ser muito simpáticos com você") deixa a desejar nestes quesitos.  

É claro que quando debatemos estamos seguros que nossa posição é mais correta, mais consonante com a realidade, mais propícia a gerar os resultados desejados.

Mas isto não significa que devamos ser indelicados, ou que devamos menosprezar a posição oposta.  


07/04/2014 00:00  por  Leandro Roque \  economia

Os últimos relatos detalhando todas as lambanças e maracutaias que ocorreram dentro da Petrobras não devem surpreender aquelas pessoas que realmente entendem que, em uma empresa que tem como maior acionista o Tesouro nacional, a rede de incentivos funciona de maneira um tanto distinta.  Eventuais maus negócios e seus subsequentes prejuízos serão prontamente cobertos pela viúva — ou seja, por nós, pagadores de impostos.

O imbróglio mais famoso do momento é o da compra da refinaria de Pasedena, no Texas, em 2006.  A Petrobras pagou US$ 360 milhões por 50% da refinaria (US$ 190 milhões pelos papéis e US$ 170 milhões pelo petróleo que estava em Pasadena). O valor é muito superior ao que havia sido pago apenas um ano antes pela Astra Oil, da Bélgica, por 100% da refinaria: US$ 42,5 milhões.

Mas a coisa piora: um desentendimento ocorrido em 2008 entre a Petrobras e a Astra Oil acionou uma cláusula contratual (no jargão técnico conhecida como Put Option) que obrigou a estatal brasileira a comprar toda a fatia que pertencia à empresa belga.  E, como se não bastasse, havia também uma segunda cláusula contratual, conhecida como Marlim.  A Put Option estipulava que, em caso de desavença entre os sócios, a outra parte seria obrigada a adquirir o restante das ações. Já a Marlim garantia à sócia da Petrobras, a belga Astra Oil, um lucro de 6,9% ao ano.

Consequentemente, a aquisição da refinaria de Pasadena acabou custando US$ 1,18 bilhão à estatal, um valor mais de 27 vezes maior do que aquele que a Astra teve de desembolsar.

Quem presidia o Conselho de Administração da estatal e que deu aval a toda essa operação, ignorando a possibilidade de acionamento dessas cláusulas contratuais, era Dilma Rousseff.



03/04/2014 00:00  por  Fernando Chiocca \  filosofia

A Pequena Grande Crise 3: A Queda do Gigante é a terceira edição da franquia de jogos que tem como alvo as principais crises mundiais. Nesta edição o jogador assume o comando da política econômica no Brasil em 2011 e, desta vez, conta com uma dupla inusitada de conselheiros: Carlos Max e Milton Mises. Aumentar ou reduzir os gastos do governo? A Petrobras deve alinhar o preço da gasolina com o mercado internacional? Congelar preços? Utilizar contabilidade criativa nas contas públicas? Utilizar recursos públicos nas obras da Copa do Mundo? Aumentar o papel do estado na economia? São umas das questões abordadas ao longo do jogo.

A cada decisão, uma consequência, que pode ser desde a redução da inflação, crescimento da economia, a hiperinflação e uma série de protestos populares por todo país. E no momento da decisão é possível consultar as opiniões de Mises e Marx. Mises nos ensinou que a economia praxeológica é uma ciência de causa e consequência. Ela se limita a dizer que se a medida X for adotada, ocorrerá, ceteris paribus, Y; mas não diz nada sobre se Y é desejável ou não.

Mises é apenas um conselheiro do governo, e não possui o poder de fazer tudo que quer — as opções são limitadas. Por exemplo, em certa etapa do jogo, quando perguntado sobre qual deveria ser a taxa de juros fixada pelo governo, Mises diz que essa taxa deveria ser decidida pelo mercado e que se dependesse dele, o Banco Central nem existiria, mas deve-se escolher uma porcentagem para segui o jogo. E para os que conseguirem fazer com que o final do jogo seja um Brasil próspero, terão uma surpresa no encerramento com uma consideração do conselheiro Marx sobre o "Y" alcançado.






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