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O Brexit será “soft” ou “hard”? - E o que deveria ser feito
por Helio Beltrão, segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Amanhã, a primeira-ministra britânica Theresa May fará um discurso apresentando sua visão sobre a saída da Grã-Bretanha da União Europeia. É esperado que May apresente detalhes da estratégia do governo para negociar com Bruxelas a saída do Reino Unido da União Europeia.

Minha aposta é que ela irá optar por aquilo que está sendo chamado de "hard" Brexit: o Reino Unido não apenas sairá do mercado único europeu (que permite o livre movimento de pessoas, de bens e serviços) como também sairá da união aduaneira (que permite o livre comércio de bens e serviços entre os países europeus, mas impõe uma mesma tarifa de importação para todos os bens e serviços oriundos dos países de fora da União Europeia).

A atual união aduaneira impede legalmente o Reino Unido de fazer acordos comerciais individuais e independentes em relação à União Europeia. O Reino Unido precisa da aprovação de Bruxelas e do consenso dos outros países para poder firmar acordos comerciais com países de fora do bloco.

Se o Reino Unido se livrar dos grilhões impostos pela união aduaneira, há uma grande probabilidade de o país querer fazer acordos comerciais individuais e benéficos com outros países da Europa, com os EUA e com o resto do mundo.

A meu ver, a saída do mercado único europeu já está decidida. O referendo foi uma clara declaração de que o povo quer ter o controle sobre as fronteiras do Reino Unido e rever sua política de imigração.

Quanto ao comércio de bens e serviços, o Reino Unido deveria, de maneira unilateral, conceder à União Europeia o "melhor acordo" possível (na visão da UE), que seria o total e irrestrito acesso ao mercado do Reino Unido, como ocorre hoje. Incidentalmente, este seria também o melhor acordo para o Reino Unido, pois manterá a competitividade das indústrias do Reino ao mesmo tempo em que ajuda a manter baixos os preços na economia britânica. Há também o benefício para a UE de que isso será uma manutenção do status quo: nada terá de ser alterado.

(Isso, enfatizo, é o que eu acredito que o governo do Reino Unido deveria fazer, mas dificilmente irá fazer.)

O problema é que a União Europeia já declarou oficialmente que, em represália ao Brexit, não irá conceder ao Reino Unido total e completo acesso aos países da União Europeia. Isso seria tanto uma punição pelo seu "mau comportamento" quanto uma forma de "enviar uma mensagem" a futuros países que porventura queiram se assanhar a fazer o mesmo. Por mais míope e infantil que pareça, esse é o curso das ações que a UE está prestes a tomar.

Mas isso poderá mudar num futuro próximo. Poucos anos após ter lutado uma guerra sangrenta contra a Inglaterra nos anos 1770, os EUA deram uma guinada radical em relação aos ingleses e iniciaram uma das mais longas e mais bem-sucedidas alianças de todos os tempos. Isso poderá se repetir agora, no médio prazo, com EUA e Inglaterra refazendo uma nova aliança.

Boas cercas criam bons vizinhos.

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