A discriminação é uma política de direitos de propriedade

Minha esposa e eu estávamos esperando vagar uma mesa no restaurante do aeroporto quando um homem nervoso saiu gritando "Isto é a América! Não deveria haver discriminação!" Haviam dito ao homem que ele não poderia ficar no restaurante porque ele estava viajando com um cachorro.  Ato contínuo, pediram que ele se retirasse.  Apenas revirei os olhos, desanimado com a situação, e lamentei a postura do sujeito.

A verdade é que todo mundo, absolutamente todo mundo, discrimina.  Fazemos isso não apenas de propósito, como também com total impunidade na maioria dos casos.  Ainda bem.

Todas as decisões que tomamos implicam a rejeição de outras possibilidades.  Quando temos de lidar com o desafio de escolher uma dentre várias opções, um processo discriminatório resolve o problema.  Se preferimos A a B, estamos discriminando B. 

Analisemos o caso de um consumidor em um shopping.  Assim que ele adentra o recinto, ele se torna um discriminador.  Ao ver que possui uma quantia limitada de dinheiro, ele precisa determinar qual produto será aquele que irá melhor satisfazer suas necessidades.  Não apenas ele precisa escolher em qual loja irá comprar, como também tem de determinar qual produto será o escolhido.  Esse heróico discriminador, ao optar por uma calça jeans, por exemplo, ficará confuso com a quantidade de marcas e estilos disponíveis.  De calças boca-de-sino a calças sem bainha, passando por calças de estilo carpinteiro e calças de estilo clássico, essas são apenas algumas das opções dentre as quais ele precisa escolher.  Se houver um universo de dez opções e ele resolver comprar uma ou duas, ele estará efetivamente dizendo às outras lojas e aos fabricantes das outras calças que ele não quer dar a elas seu dinheiro. 

Reciprocamente, o gerente do restaurante no aeroporto decidiu que, dentre seu universo de clientes, seu estabelecimento não ofereceria seus serviços àqueles que estivessem acompanhados de animais de estimação.

A discriminação nada mais é do que a afirmação de direitos de propriedade.  Não faz diferença alguma se a propriedade é o seu dinheiro, sua terra, sua casa ou um restaurante: essas políticas são meios legítimos — e frequentemente necessários — para se obter um resultado desejado.

O dono de uma casa está discriminando quando decide a quem permitir acesso à sua propriedade. O banco também está discriminando seus clientes quando o gerente decide a quem conceder um empréstimo (baseando-se no risco, no histórico de crédito e assemelhados).  No caso desse insatisfeito e irritado cliente do restaurante, o proprietário do estabelecimento havia simplesmente adotado uma política totalmente legítima para sua propriedade: nada de animais de estimação.

Centrando-se agora exclusivamente no homem dono do cachorro: podemos também acusá-lo de estar discriminando animais de estimação!  Em algum momento, ele provavelmente teve de decidir qual animal comprar na loja.  Posso visualizá-lo olhando para vira-latas e terriers, fina e intensamente analisando um e outro, até finalmente optar por um contra todo o resto.  Ora, esse sujeito deveria ser jogado na cadeia por discriminação contra animais de estimação! 

Mas não apenas isso.  Podemos acrescentar outras acusações.  Dado que estava viajando de avião, ele teve de escolher uma dentre várias companhias aéreas.  Quando finalmente comprou sua passagem, ele efetivamente discriminou contra todo o resto das empresas aéreas concorrentes.  Pobrezinhas!  Deveria haver uma lei proibindo esse monstruoso tipo de comportamento.

Ao invés de demonizarmos os discriminadores, deveríamos exaltá-los.  Por quê?  Porque nos beneficiamos com a existência deles.  Havendo um mercado competitivo de políticas discriminatórias, aqueles que colocarem em prática as mais moralmente corretas serão recompensados com lucros, ao passo que aqueles que implementarem as mais repulsivas serão penalizados com grandes prejuízos.  No final, a discriminação é uma legítima ferramenta de revelações e descobertas.

Vamos agradecê-la.

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Mais sobre o assunto:

Por que discriminar é correto e natural

A liberdade de discriminar - de quem é o direito, afinal? 

O salário mínimo, a discriminação e a desigualdade


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SOBRE O AUTOR

Manuel Lora
é um produtor de multimídia da Cornell University.

Tradução de Leandro Augusto Gomes Roque



Meu caro, pelo seu discurso você nunca foi liberal e nunca entendeu o que é ser liberal. E ainda tem coragem de vir com esse apelo sobre pobreza.

Gostaria de fazer uma pergunta a todos vocês:
Pois não.

Vocês já foram Pobres pra saber?
Nasci pobre, muito prazer.

Vocês já tiveram um parente morto por bala perdida?
O que isso tem a ver com capitalismo/liberalismo? Você está misturando segurança pública (que é MONOPOLIO do estado), que alias é altamente ineficiente (no Brasil, morrem 56.000 pessoas por ano, o maior indice do mundo, a gente perde até pra India, que é 43.000 por ano, outro país com alto controle estatal e burocrático) com conceitos economicos. O estado nega aos seus cidadãos o próprio direito de se defender com uma arma e mesmo assim é incapaz de solucionar o problema.

Falam tanto em mercado, economia. Mas nunca vi um liberal que enriqueceu graças a todo seu conhecimento na área, algum de vocês é rico por acaso? Maioria que vejo é classe média, acho gozado porque se manjam tanto de produzir valor e riqueza vocês deveriam ser ricos..Mas não é isso que eu vejo.

Ai meus deuses... essa foi triste.
1) O Brasil está muito longe de ser um país livre, economicamente. É o país que fica em 118 lugar no índice de liberdade econômica.

2) Ser liberal não é uma formula para ser rico e sim defender que as pessoas tenham a liberdade para efetuarem trocas entre si sem intervenção constante do Estado por via de impostos e regulações. É dessas trocas de valor que a riqueza é produzida. Cada um teria a liberdade de crescer de acordo com suas habilidades e viver num patamar de vida que julga confortável, mas repito, o Brasil NÃO É E NUNCA FOI UM PAÍS LIVRE, ECONOMICAMENTE. Você se dizia liberal e não sabe desse básico. Aham. To vendo.

Eu já fui liberal, ai cai na real com a vida, vi que esse papo de mercado não é bem assim.
Não, amigo, você nunca foi liberal. Sinto muito. Ou você está mentindo ou você diz ser uma coisa que nunca entendeu direito o que é (o que mostra o seu nível de inteligência).

Inclusive, um amigo meu foi pra Arabia Saudita, ele disse que lá existem muitas estatais e assistencialismo e o país enriqueceu assim mesmo...

Aham, beleza, usando a Arabia Saudita como exemplo:

Saudi Arabia's riches conceal a growing problem of poverty

"The state hides the poor very well," said Rosie Bsheer, a Saudi scholar who has written extensively on development and poverty. "The elite don't see the suffering of the poor. People are hungry."

The Saudi government discloses little official data about its poorest citizens. But press reports and private estimates suggest that between 2 million and 4 million of the country's native Saudis live on less than about $530 a month – about $17 a day – considered the poverty line in Saudi Arabia.


Opa, perai, como é que 1/4 da população da Arabia Saudita vive abaixo da linha da pobreza? Você não disse que era um país ótimo, rico, cheio de estatal e assistencialismo? Explique isso então.


Falam de acabar com o imposto mas negam toda a imoralidade que a ausência deste geraria, como injustiças e até coisas que ninguém prever.

Que imoralidades, cara-palida? Favor discorrer.

Favor, tentar novamente. Essa sua participação foi muito triste.


Poderiam responder o comentário desse Leonardo Stoppa:
Estranho, hipócrita é dizer que o socialismo atual compete com o capitalismo. Comunismo sim complete com capitalismo mas socialismo é uma forma de redistribuição que, quando interpretada por pessoas que estudam economia a partir de livros de economia (e não Olavo de Carvalho) é uma espécie de segurança ao capitalismo.

Se um dia você entender que existe conhecimento além do que você conhece você vai ver que dentro do conceito atual de socialismo estão as formas de redistribuição de renda (SUS, Fies, Bolsas). Em países de primeiro mundo a galera acaba usando essa grana inclusive para comprar iPhone, logo, é um socialismo que serve ao capitalismo pois deixar essa grana parada na conta de um milionário vai resultar na venda de 1 iPhone para apple, agora, quando redistribuído vira vários iPhones.

O problema da sua visão é que você estuda em materiais criados sob encomenda. Você deixa de estudar em livros de economia para aprender pelas palavras de um cara que é pago por aqueles que pagam os impostos, ou seja, aqueles que são contra a redistribuição, logo, você abre mão do conhecimento para a alienação.

Socialismo não é comunismo. Pode vir de certa forma assemelhado nos livros antigos, mas depois da segunda guerra mundial e principalmente depois da queda da URSS, ficou claro que não há em se falar em controle centralizado e ausência de propriedade privada, mas quem estuda um pouco de economia e sociologia sabe que a intervenção e a redistribuição são importantes atividades governamentais para salvaguardar a atividade industrial.

A final, de que adianta ter industrias de ultima geração se apenas 1% do povo compra seus produtos??

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Marcelo  23/02/2011 13:21
    As pessoas aceitam essa idéia até um certo ponto, quando começam a falar em "grupos historicamente oprimidos" e "propriedades que funcionam como locais públicos". Isso é que minha experiência me diz...
  • Getulio Malveira  23/02/2011 14:03
    Devemos, contudo, sempre lembrar que o que é perfeitamente natural com relação aos indivíduos não o é em relação ao Estado. Assim, uma coisa é o dono de um bar não permitir a presenção de fumantes outra coisa é o Estado determinar uma restrição que inside tanto sobre os donos de estabelecimentos quanto sobre os clientes. A discriminação só é um problema quanto praticada pelo Estado.
  • Marcelo  23/02/2011 19:21
    Sim, quando digo que "funciona como local público", digo comércio, restaurantes, etc. Se for na sua casa, ninguém discorda que você possa barrar quem quiser. Se for no seu cinema, eles não aceitam a argumentação de jeito nenhum, pois seria uma propriedade privada que funciona de maneira quase "pública" (por ex., barrar casais gays ou negros nesses locais). Debata e verá esses argumentos.
  • Augusto  23/02/2011 22:14
    Exato. A lei é clara sobre isso. Atividades comerciais são autorizadas pelo governo, de acordo com os tais interesses sociais, portanto, o proprietário do negócio não tem liberdade plena quanto à sua condução.\r
    \r
    É por isso que o governo se mete até em definir o "preço justo" de estacionamento em shopping center...
  • Tiago  23/02/2011 17:12
    hehe, por coincidência, vi isso hoje: consumerist.com/2011/02/seattle-area-restaurant-wont-serve-tsa-agents.html
    Tá aí um exemplo de um ótimo uso do direito de discriminar. :)
  • Alexandre Melchior R. Filho  23/02/2011 18:41
    Ah, e também lembremo-nos que não é pq podemos discriminar que devemos achar legal, justas ou concordas com certas discriminações, como as de raça, cor, opção sexual etc.\r
    \r
    Concordo que o dono do restaurante deva poder discriminar. Mas se ele optar não servir alguém com base nos critério acima elencados, eu também não querer utilizar o restaurante mequetrefe do sujeito.
  • Fernando Chiocca  23/02/2011 19:11
    Exatamente Alexandre. E já pensou se te OBRIGASEM a frequentar o restaurante do sujeito!? E é exatamente isto que pessoas que favorecem leis anti-discriminação propõem. Nefasto.
  • Rodrigo  24/02/2011 11:20
    discriminar!=selecionar
  • mcmoraes  24/02/2011 13:12
    Como assim, diferentes, Rodrigo? Vc poderia dar um exemplo.
  • anônimo  23/12/2012 10:47
    diferente nada, quando vc ignora um vc ta favorecendo o outro
  • Fernando  17/03/2016 02:45
    Discriminar continua sendo correto e natural.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=885
  • ana  27/02/2011 14:31
    Desde que não se discrimine um cego acompanhado do seu cão-guia!!!
  • Vítor Jó  02/03/2011 00:35
    Texto muito lúcido e agradável. Muito boa explanação isso aqui.
  • anônimo  22/12/2012 21:11
  • anônimo  02/07/2013 23:54
    É ridícula esta comparação. Quando se fala em discriminação, significa que você priva as pessoas das liberdades individuais básicas. Por exemplo, se um proprietário de rua antisemita proíbe os judeus de transitarem em sua rua e coloca até uma placa avisando: "nesta rua, está proibida a passagem de judeus".. Ele está limitando a liberdade de ir e vir dos judeus. Está limitando o livre transito. Isso é muito diferente de você preferir mulheres bonitas. Você não está discriminando as feias se você prefere as bonitas, pois você nõ está prejudicando as feias em nada. Discriminação ocorre se você passa a ferir a liberdade individual de mulheres feias, como no caso proprietário de rua antisemita.
  • Eduardo Bellani  03/07/2013 15:47
    Você permite que mendigos sujos durmam na sua cama? Descriminador.
  • Celso  11/09/2013 14:30
    "Você permite que mendigos sujos durmam na sua cama? Descriminador."

    Minha cama é minha e dorme nela quem eu deixar. A sua cama, o seu quarto e sua casa, são seus e tem caráter particular. Mas estabelecimentos comerciais (como restaurantes, shoppings) e industriais, e serviços como transporte (ônibus, metrô), são empreendimentos privados, mas tem caráter público. Impedir alguém de entrar no seu shopping por causa da sua cor de péle ou lugar geográfico onde o indivíduo nasceu e/ou vive, é atentar contra a dignidade humana.

    A discriminação tem como consequência violência gratuita. A história já mostrou os problemas que isso provoca. Há inúmeros casos, em diferentes momentos históricos.
  • Ricardo  11/09/2013 14:56
    Estabelecimentos comerciais (como restaurantes e shoppings) não têm nada a ver com serviços de transporte como ônibus e metrô. Os primeiros são propriedades privadas genuínas, ao passo que os últimos são serviços públicos concessionados e sustentados por impostos.

    Você dizer que ambos operam da mesma forma mostra sua ignorância a respeito de conceitos extremamente básicos de economia.

    Se eu abro um restaurante e não recebo nenhum tipo de auxílio do estado, é meu direito especificar quais clientes podem ou não frequentar meu estabelecimento privado. Se eu ganho uma concessão estatal para operar uma linha de metrô ou de ônibus, os pagadores de impostos estão me sustentando, de modo que a propriedade não é realmente minha e eu não posso decidir quem pode ou não utilizar meus veículos.
  • Celso  11/09/2013 15:10
    Mas o teu restaurante tem caráter público. É um empreendimento privado de caráter público. É diferente da comparação do Eduardo que pergunta: "ah, tu deixa um cara dormir na sua cama?". Sua cama e sua casa não são de caráter público, são de caráter particular. Não todo o mundo que usa. Mas um estabelecimento comercial como um restaurante ou um shopping são de caráter público. Impedir uma pessoa entrar no seu restaurante por causa da cor da péle ou de sua origem geográfica, constitui um atentando contra a dignidade humana.
  • Ricardo  11/09/2013 15:18
    "Mas o teu restaurante tem caráter público. É um empreendimento privado de caráter público."

    Caráter público uma ova! O restaurante é meu e nele entra só quem eu quiser. Que porcaria é essa de "caráter público"? Ninguém é obrigado a frequentar meu restaurante. E, enquanto eu não estiver utilizando dinheiro do estado, eu não tenho nenhuma obrigação de aceitar um cliente do qual eu não goste.

    Você por acaso obrigaria um judeu dono de restaurante a aceitar clientes neo-nazistas em seu estabelecimento? Obrigaria um dono de restaurante negro a aceitar brancos supremacistas em seu estabelecimento? Não seja hipócrita.
  • Cassim  11/09/2013 15:42
    Opa, acabo de conferir a legislação e decidi que não empreenderei em restaurantes. Afinal, há fiscais em constante alerta do governo em toda esquina fiscalizando se cada bar carioca está ciente do compromisso na nação para com a integração racial do país. Entristece-me em demasia saber que não posso rejeitar em meu restaurante um grupo de baderneiros caso esses pertencem por acidente a algum "grupo especial" reconhecido pelo estado.

    Eu francamente nunca vi se quer um caso de um estabelecimento privado "público", seja aqui ou no Sul, receber multa por não aceitar visitante de outra etnia. Isso acontece por dois motivos:

    1º - Capitalistas gostam de dinheiro. Mesmo se a população fosse nazista, haveria um grande mercado consumidor não atendido composto por judeus. E se um ambiente X fosse de fato tão hostil a qualquer tipo de pragmatismo que envolva aceitar gente diferenciada, por que diabos tais pessoas diferentes estariam vivendo por lá? Os venezianos detestavam os judeus, porém não negavam comprar os serviços bancários desses ou aceitar o dinheiro desses em quaisquer situações. O mercado é uma instituição que promove a interação humana(E assim a queda de preconceitos) mesmo sem dar a mínima à identidade sócio-cultural daqueles que o utilizam.

    2º - Assim como a lei da palmada, fazer valer a lei do local "privado" público que discrimina gente diferenciada é um processo complicado. Qualquer indivíduo pode inventar desculpas quaisquer que não a identidade sócio-cultural dos outros para não aceitar gente diferenciada em seu estabelecimento. Para tornar as coisas piores, já viu quanto tempo demora entrar com uma ação pelo código de defesa do consumidor? Só para ficar preso na burocracia estatal por anos? Raramente o esforço compensa a dor de cabeça.
    Sinto muito, já vivemos em um ambiente onde na prática esta lei da anti-discriminação não é aplicada.

    Perdoe-me pela falta de dados ou compromisso nesta mensagem, é que peguei a discussão pelo meio e mal pude desenvolver meu texto como gosto de fazer.
  • Celso  11/09/2013 18:56
    Mas o restaurante é um estabelecimento de uso coletivo. Muita gente frequenta. Aí você vai excluir algumas pessoas por causa da cor da péle? É muito diferente de você dizer: "na minha casa, só entra quem eu quero?"
  • Fernando Chiocca  03/07/2013 16:03
    Ridículo é achar que existe um "direito de ir e vir" na propriedade dos outros.

    Vai estudar anônimo:
    Os "direitos humanos" como direitos de propriedade
  • anônimo  04/07/2013 11:07
    Mas aí se chega no problema ético de que se a maioria da população for nazista, tudo bem ter preconceito com judeus.E eles não vão ser proibidos por lei de usar a maioria das ruas, mas vão ser proibidos pelo mercado.Aí é como trocar seis por meia dúzia, não tem vantagem nenhuma.E tudo isso sendo 100% coerente com o PNA.
  • Fernando Chiocca  04/07/2013 14:44
    O problema ético chegaria se você quiser violar o PNA e agredir esta maioria que não agrediu ninguém, e força-las a aceitar nas propriedades delas quem elas não queiram.

    Mas, obviamente, nenhum estado seria capaz disso, pois o estado tira sua força do consentimento de uma maioria, então ele seria inerte para o seu objetivo agressivo.


  • Pablo  25/09/2013 15:28
    "Ao invés de demonizarmos os discriminadores, deveríamos exaltá-los. Por quê? Porque nos beneficiamos com a existência deles. Havendo um mercado competitivo de políticas discriminatórias, aqueles que colocarem em prática as mais moralmente corretas serão recompensados com lucros, ao passo que aqueles que implementarem as mais repulsivas serão penalizados com grandes prejuízos. No final, a discriminação é uma legítima ferramenta de revelações e descobertas."

    Não entendi. Alguém pode explicar isso melhor?
  • anônimo  11/10/2013 00:44
    E se um médico racista se negar a socorrer um negro?
  • Sérgio  22/12/2013 04:18
    Só faltava essa agora...


    18/12/2013 12h48 - Atualizado em 18/12/2013 14h36

    'Rolezinhos' em shoppings são grito por lazer e consumo, dizem funkeiros

    Encontros ocorreram em shoppings de Guarulhos e na Zona Leste de SP.
    Lojistas fecharam as portas e polícia foi acionada após chegada de grupo.


    Tatiana Santiago, Kléber Tomaz e Lívia Machado Do G1 São Paulo

    "Eita p..., que cheiro de maconha", trecho da música "Deixa eu ir", de Daniel Pellegrini, alcunha de Mc Daleste, funkeiro assassinado durante show em Campinas em julho deste ano, foi entoado por um grupo de jovens logo no início do "rolezinho", no último sábado (14), no Shopping Internacional de Guarulhos. A música ecoou no espaço como toque de recolher. Consumidores bateram em retirada, os lojistas desceram as portas e a polícia foi acionada.

    Convocadas pelo Facebook, as reuniões de funkeiros batizadas de "rolezinho" passaram a amedrontar administradores de shoppings e viraram alvo de investigações policiais. Nessa última, entretanto, não foi registrado furto, violência ou porte da droga citada na canção-hino de abertura do evento. Os rapazes levados à delegacia foram liberados na sequência. Para os jovens, as cenas de correria foram resultado da abordagem de seguranças ou da chegada da Polícia Militar.

    Este tipo de encontro em lugares públicos-privados não é propriamente uma novidade em São Paulo. Estacionamentos de supermercados e postos de gasolina também são corriqueiramente ocupados nas noites e madrugas aos finais de semana por um grupo que quer se fazer ouvir – ou apenas se divertir - independente do estilo musical que entoa.

    "Para mim isso surge como um grito de revolta. As músicas do Daleste são vistas pela nossa comunidade como um grito de revolta", avalia Fabiola Pelegrini Scorzzo Elias, 35 anos, prima de Daleste e a mais nova Mc da família.

    As reivindicações, segundo a funkeira novata, são variadas. As disparidades sociais, a falta de infraestrutura e acesso de uma população cansada de viver à margem podem justificar o movimento. "A gente não tem muito meio para se divertir. A gente vai se divertir com a música. As pessoas procuram lazer, mas não tem. A música é a deliberação de ideias. O funk serve como porta-voz. Ele é o que você viveu o gostaria de viver."

    Como visto nas manifestações de junho, os atos têm a finalidade de incomodar. E isso não altera o caráter pacífico do motim. "Protesto já é para perturbar. Para se fazer ouvir. É um grito. Esses moleques precisam ser ouvidos", defende Mc Fabiola.

    Diversão, balé
    Organizador do rolezinho no Shopping Internacional de Guarulhos, Jefferson Luís, de 20 anos, defende que o evento não tem ligação com o funk, mas com a falta de opções de lazer. Ele também negou que seja uma forma de protesto contra a opressão dos bailes funks nas ruas da cidade. "Não seria um protesto, seria uma resposta à opressão. Não dá para ficar em casa trancado", disse.

    O rapaz conhecido como Mc Jota L, busca a oportunidade de se tornar um músico famoso e também canta músicas com refrões do funk ostentação. Após o tumulto ocorrido no Shopping Internacional, o organizador do evento cancelou a próxima reunião, marcada para o dia 21 de dezembro. Neste sábado (14), a Polícia Militar disse ter sido recebido "diversas chamadas" relatando um arrastão no local. Pelo menos 22 suspeitos foram detidos, entre eles o Mc Jota L. Todos foram averiguados e liberados após identificação.

    "Eu organizei sim, mas não foi no intuito de incitar o crime. Desde o início, eu disse para manter a disciplina, minha intenção sempre foi boa", disse.

    Jefferson trabalha como ajudante geral em uma empresa que fornece som para eventos. O rolezinho no shopping é diversão e fomenta os sonhos de consumo. Para ostentar no peito uma corrente dourada – e não de ouro – ele conta que precisou economizar um mês de salário. A bijuteria foi usada no figurino da gravação de um vídeo disponível na internet.

    O visual desejado não necessariamente representa o que o rapaz deseja ser. "Se eu tivesse um quarto só pra mim hoje já seria uma ostentação", conta ele, que divide um único cômodo com mais oito pessoas (mãe, padrasto, 4 irmãos e 2 sobrinhos) em uma comunidade de Guarulhos, na Grande São Paulo.

    Ele agora virou alvo da Polícia Civil de São Paulo, que instaurou inquérito para investigar os responsáveis por organizar os "rolezinhos" por suspeita de "furto, incitação ao crime, associação criminosa e perturbação do trabalho ou do sossego alheio". Neste mês, houve tumulto e confusão no dia 7, no Shopping Metrô Itaquera, na Zona Leste da capital, e no último sábado (14) no Internacional Shopping, em Guarulhos, na região metropolitana.

    "Vou apurar essa confusão que houve. Vi as imagens e diante do que vi abri um boletim e vou apurar contravenção por perturbação da paz pública", disse o delegado Luiz Antônio da Cruz, titular do 65º Distrito Policial, Artur Alvim, nesta segunda-feira (16) ao G1. "Eu resolvi abrir inquérito porque não pode ficar barato. Porque há uma criminalidade: perturbação do sossego".

    Criminalização
    O antropólogo e professor da Unifesp, Alexandre Barbosa Pereira, especialista no estudo de grupos com práticas culturais ou de sociabilidade, como são popularmente conhecidas academicamente as tribos urbanas, diz que ficou surpreso com as reações contra os encontros.

    "O que mais me espanta é a reação que tem ocorrido por parte da mídia, da polícia, em criminalizar esses encontros", afirmou Pereira. De acordo com o antropólogo, o maior incômodo ocorre devido a classe social dos jovens que eram excluídos deste tipo de lazer.

    "São jovens pobres que estão reivindicando o direito de frequentar um espaço de encontro, de diversão, de paquera, que antes não tinham acesso. Os shoppings são símbolos de segregação das cidades, que querem se proteger contra a violência", ressalta.

    Para ele, o que muitos chamam de invasão, nada mais é do que uma reivindicação ao consumo, mesmo que de forma inconsciente. "Vivemos em uma fase de incentivo ao consumo", diz.

    Rota da ostentação
    O cantor André Luiz Moura Pimentel, de 32 anos, conhecido como Mc Danado, virou músico há sete anos. Assim como os demais MCs, ele usa roupas de grife diariamente e não dispensa o uso de correntes de ouro e prata em seus shows – acessório-símbolos dos funkeiros da vertente ostentação.

    Ex-office boy, Mc Danado hoje ganha cerca de R$ 40 mil mensais com seus shows. Ele defende os rolezinhos, mas rechaça a violência. "Eu acho legal o pessoal se reunir, mas o que alguns fazem é ridículo. Tem que ter paz", diz ele. "O funk está em alta, os jovens acabam cantando (nos corredores dos shoppings) e fazem essa relação incorreta. Mas teve arrastão no Rock in Rio e lá a música era rock", lembrou.

    Ele também acredita que falta um espaço de lazer para os jovens, que não têm recursos financeiros para passear em outros lugares, e que somente às autoridades públicas poderiam resolver essa questão com o fornecimento de um espaço para reuniões.

    Lojistas querem diminuir repercussão
    De acordo com a assessoria de imprensa do Shopping Metrô Itaquera, 65 mil pessoas passam diariamente pelo centro comercial. Devido aos episódios recentes de encontros em massa nos shoppings, o superintendente do Shopping Metro Itaquera, Bruno Câmara afirmou que a segurança interna no estabelecimento foi reforçada.

    "Teve reunião lá na Abrasce [Associação Brasileira de Shoppings Center]. Isso aconteceu e deu uma esfriada. A nossa orientação é parar de dar publicidade a isso que ocorreu no fim de semana [no Internacional Shopping Guarulhos]. A gente prefere esquecer. Sempre que surge volta a falar no caso de Itaquera. Foi muito menos do exposto na mídia, não teve arrastão. Esse fim de semana foi shopping normal. E eles [organizadores dos 'rolês'] estão marcando em outros shoppings, não sei se isso vai tomar a proporção, mas a gente não está mais falando sobre isso não", disse o superintendente Bruno Câmara.

    Questionado se está tomando medidas de segurança, o superintendente respondeu. "As medidas, a gente entende que isso é um problema de segurança pública. A gente está mandando ofício, estamos conversando com a polícia, com batalhão [da PM], estamos tendo apoio. Mais as medidas normais, de reforço de segurança. Reforço interno, pedir patrulhamento mais ostensivo da PM perto dos shoppings", disse Bruno Câmara.

    No dia do encontro, o shopping informou por meio de nota que "os jovens se exaltaram, a polícia foi acionada e por medida de segurança e conforto dos nossos clientes e lojistas, às 20h30 o shopping encerrou suas atividades".

    Associação prega cautela
    De acordo com a Associação Brasileira de Shopping Centers (ABRASCE), uma reunião com os representantes dos shoppings foi convocada após o primeiro tumulto registrado no Shopping Itaquera.

    "O nosso cuidado, a nossa atenção máxima é com relação às pessoas que frequentam normalmente os shoppings centers. A defesa e a proteção deles é o que nós queremos sempre conseguir. Mas nós não tínhamos uma fórmula mágica não. Nós discutimos o assunto, cada um se encarregou disso e cada um partiu para tomar as medidas necessárias em defesa de seu empreendimento", afirma Luiz Fernando Veiga, presidente da Abrasce.

    "A única coisa que eu tenho a lamentar se isso realmente prejudicar o movimento saudável do Natal, que sempre é um período de muita frequência em shopping. Se isso, de alguma forma, prejudicar o movimento, eu acho que é uma pena, não só para nós, empreendedores, quanto também para o público que frequenta."

    Questionado se os encontros com mais de mil pessoas marcados pela internet devem ocorrer em shoppings, ele respondeu que "não gosta da ideia" já que os centros de compras recebem clientes de forma não programada. "Mas não tem outra coisa a não ser conviver", disse o presidente da Abrasce.


    g1.globo.com/sao-paulo/noticia/2013/12/rolezinhos-em-shoppings-sao-grito-por-lazer-e-consumo-dizem-funkeiros.html


    Apredemos agora que consumir num shopping é um "direito".... Temos o "direito" de consumir num shopping...
  • Ali Baba  22/12/2013 09:46
    @Sérgio 22/12/2013 04:18:27

    Shopping tem regras. É espaço privado. Já vi muitas delas proibindo aglomerações de mais de 10 pessoas.

    Agora, no governos quasi-socialista que temos, se a administração do shopping reagir a esse "rolezinho", a culpa é dos porcos capitalistas (e não dos desocupados que resolvem fazer um "rolezinho"). É impressionante como ninguém tem a responsabilidade de seguir regras no Brasil...
  • Sérgio  22/12/2013 14:12
    Lendo esse comentário, me lembrei de uma pérola que eu lí de um comentário esquerdista:

    "Restaurante é propriedade privada, mas o espaço é público".

    Aí eu fiquei pensando: pô, mais que coisa mais absurda. Agora o dono do restaurante trabalhou, poupou, fez sacrifícios para abrir o restaurante, paga os salários dos funcionários, contrata segurança, cuida da manutenção do restaurante e tudo mais, aí vem um idiota que não contribuiu em nada na construção do restaurante, dizer que o dono não manda no seu próprio negócio. O restaurante é um "espaço público", como se o tal "público" pagasse pelo empreendimento. Pagasse pela manutenção, pagasse os slaários dos garçons.... Pra começar, restaurantes, shoppings, etc. só existem porque empresários pouparam e usou suas poupanças nestes empreendimentos. Se ninguém tivesse usado sua poupança para abrir o restaurante, tal restaurante não existiria. Os trabalhadores não estariam trabalhando ali, e ele não estaria frequentando aquele restaurante. Só isso já refuta muitas coisas, como a teoria da mais-valia, etc. Agora, vale à pena abrir um negócio (como um restaurante, uma loja, um shopping, um supermercado), se você não manda no seu negócio? Não vale mais à pena ser comerciante num país como este. Agora, funkeiros reivindicam o seu "direito" de tumultuar num shopping. Daqui a pouco vão criar o bolsa balada chique, o bolsa shopping, e mais ainda: vão definir cotas de entrada para determinadas pessos.

    Outra falácia: "Sua casa não é aberta ao público. Restaurantes e shoppings, diferente de sua casa, são abertos ao público". Agora o cara abre o restaurante, paga os funcionários, e vem alguém dizer que sua propriedade á aberta a qualquer público... Agora, raciocine: será que um restaurante como o Fasano, é aberto para qualquer público? Será que se aparecer um cara sujo e maltrapilho no Fasano, os garçons apresentarão os pratos? Restaurante não é aberto ao público coisa nenhuma. É pra quem tem dinheiro pra comprar. Aí já está uma discriminação. Se você vai ao restaurante sem dinheiro, e portanto, só pra, sei lá, observar a paisagem, os garçons podem pedí-lo que se retire, já que vc está ocupando o lugar de um freguês que vai lá pra comer.
  • anônimo  20/10/2014 10:23
    "Restaurante é propriedade privada, mas o espaço é público".
    Palavras vazias, sem nenhuma ligação com o mundo real. Se o restaurante é privado, o restaurante é o quê? Um espaço ora.
  • Emerson Luis, um Psicologo  19/10/2014 17:05

    Uma esquerdista reclamou de um restaurante que só atendia adultos (maiores de 12 anos), visando criar um ambiente sem crianças fazendo barulho. Por que ELA pode escolher o restaurante que quiser, mas os outros não podem escolher? Dois pesos e duas medidas.

    * * *


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