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Sobre o baixo nível da campanha eleitoral

Corre a notícia de que a população está assustada com o baixo nível da campanha eleitoral, que já está sendo considerada a pior da história.

Ora, por que esse estranhamento?  Baixaria é a regra em todo lugar em que há democracia. 

Duas quadrilhas estão disputando uma competição cujo prêmio será controlar a vida de mais de 150 milhões de pessoas e um orçamento de mais de 1 trilhão de reais.  É uma teta suculenta demais para ser desprezada.

Da mesma forma que quadrilhas de traficantes disputam à bala um lucrativo ponto de venda, as quadrilhas estatais estão disputando entre si quem terá a primazia de se fartar com todas as benesses financeiras oriundas do Pré-Sal, da Copa do Mundo e das Olimpíadas.  Imaginem o tanto de propinas, de contratos superfaturados, de grupos de interesse poderosos e de favores políticos que tais eventos vão gerar?  Quem resistiria?

Nessa eleição em particular, os incentivos para se adquirir o controle do governo federal são especialmente inéditos.  Os privilégios estatais nunca foram tão atrativos para os políticos como esses que os próximos quatro anos prometem gerar.  (É exatamente por isso que ambas as quadrilhas condenam e demonizam privatizações, que seria a única medida capaz de acabar com essas mamatas.)

Em um cenário com uma perspectiva financeira dessas, e com um poderio desses como prêmio, o que era de se esperar?  Que as quadrilhas se bajulassem?  Que apresentassem apenas "discordâncias democráticas" e se dessem tapinhas nas costas?  É tudo uma questão de lógica da ação humana.  Não faria sentido algum esperar outro comportamento das quadrilhas que não exatamente esse que está ocorrendo. 

Democracia é isso: duas quadrilhas disputam violentamente o poder para, no fim, sugar todas as nossas riquezas. E entre nós, os súditos, ainda há milhões que aprovam isso tudo.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


OFF-TOPPIC: pessoal do IMB, seria possível vocês redigirem um artigo refutando as teorias conspiratórias sobre o Nióbio que abundam desde a época do Enéias? Quinta-feira o Instituto Liberal reiniciou o debate, e seria ótimo se vocês dessem continuidade. Eis o que comentei no website do IL, é o que resumidamente penso do assunto:

"Se há indícios concretos ou, ao menos, motivos para crer que as empresas autorizadas pelo Estado brasileiro a retirarem do solo e comercializarem este metal estão cometendo fraudes de qualquer natureza, em conluio com grupos estrangeiros ou não, a solução é, em se confirmando as irregularidades, rescindir os contratos de permissão em vigor e abrir este mercado para mais empresas interessadas no empreendimento - seja lá de onde elas forem. A que oferecer a melhor barganha leva as jazidas - e paga impostos sobre tudo o que produzir. Elevar o preço na marra? Claro, abusar desta condição de quase monopolista pode funcionar no começo, mas no médio prazo surgirão alternativas de melhor custo-benefício para atender a demanda daqueles insatisfeitos com a situação. Deixar de vender o Nióbio como comodittie e agregar valor ao mineral em nossa indústria da transformação? Seria ótimo, se nosso parque industrial não estivesse parado no tempo desde meados do século passado. Só falta criarem a estatal NIOBRÁS no Brasil, que dará origem ao escândalo do NIOBRÃO. O brasileiro não aprende mesmo: sempre achando que vai encontrar um bilhete premiado no chão e poderá passar o resto da vida bebendo e sambando."
"Tal afirmação nunca foi feita. Em ponto nenhum do artigo. E nem em nenhum outro artigo"

Não me refiro à uma frase ou texto escrito nos artigos do IMB. Estou questionando a percepção daqueles que defendem esse modelo de afrouxamento da terceirização proposto pelo governo, pois essa discussão toda é parte da realidade em que estamos vivenciando. Aliás, não creio que esse artigo seja uma mera exposição teórico-dissertativa acerca do que seria e quais os benefícios de uma terceirização segundo os liberais, muito menos um texto desvinculado da conjectura atual, como você transparece para quem lê. Logo, minha indagação é pertinente, ainda que, o que questiono, não esteja explicitamente escrito no artigo.

Em relação ao artigo linkado, em momento algum vi algo a mostra que abordasse diretamente o problema terceirização-corporativismo privado que eu levantei acima. O que mais se aproxima seria esse trecho:
"Em primeiro lugar, a ideia de que custos menores para empresas é algo ruim. Além do fato de que custos baixos permitem maior acúmulo de capital — o que possibilita mais investimentos e mais contratações —, falta explicar como que custos de contratação menores podem ser ruins para pessoas à procura de emprego."
Sim, não há problema algum em um empresário tentar reduzir seus custos para se adequar a concorrência e auferir maiores lucros. O entrave se encontra, como eu falei, no empresário monopolista que não possui um fator invísivel para motivá-lo à otimizar sua produção. A mão visível do Estado garante que seu produto inevitavelmente será consumido e, com isso, seu lucro será certeiro. Por conseguinte, não há a preocupação constante deste em inovar, melhorar a qualidade, aumentar a produtividade da sua mão de obra. Nesse sentido, a terceirização beneficia esse empresário, justamente por rebaixar seus custos com contratados (temporários ou não) à niveis abaixos daquilo que os empregados produzem, sabendo se que eles estão confortáveis em relação aos processos trabalhistas que enfrentarão (ajudinha estatal). Bem como, estagna ou retarda as inovações, tendo em vista que sua produção atual será adquirida pelos consumidores à um preço "monopolístico" durante um tempo maior que o de uma concorrência que existiria num livre mercado. Ademais, seu produto foi feito empregando mão-de-obra com um ônus muito abaixo daquilo que ela de fato produz. Desse modo, a margem de lucro é gigantesca, sendo que esse lucro pode sim ser revertido em capital para futuras melhoras, o que, na minha opinião, não aflinge ou preocupa de modo algum uma empresa monopolista, pois esta pode facilmente pegar crédito subsidiado de bancos estatais, ou ser empreendido em outros investimentos pessoais e, na minha percepção, fúteis e de pouco potencial de gerar valor no futuro.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Carlos Santos  16/10/2010 11:49
    Dãã...
  • Mauro Ricardo  16/10/2010 16:37
    Acharam que o PT iria entregar o poder pacificamente, bastou haver um encurtamento da diferença nas pesquisas e eles já partiram pro pau. A companheirada não vai abrir mão da mamata assim tão facilmente. Caso percam as eleições, terão de procurar emprego pela primeira vez na vida.

    Nos debates, era melhor ficar discutindo aborto do que falar em reestatização da Vale, que é o que já estão propondo ao acuarem o Agneli.

    Ainda vai rolar muita sujeira nessa campanha.
  • Maurício  16/10/2010 17:12
    O PT está quebrando todos os protocolos possíveis para se manter no poder, imaginem se o Bush tivesse feito o que o Lula está fazendo nas campanhas presidenciais americanas para eleger o Mcain (não gosto do Bush,muito menos o Mcain; apenas os estou usando como isca para pegar os esquerdistas pela boca). As esquerdas do mundo inteiro estariam bradando que isto seria um golpe contra o estado de direito e outros blá-blá-blás.

    Agora que o PSDB viu que tem chances reais de chegar à presidência da república está cedendo às tentações do jogo político sujo, usando os mesmos artifícios apelativos do PT. Sinceramente o PT me preocupa muito mais que o PSDB no que se refere à preservação das instituições brasilieiras, que já estão decrepitamente claudicantes. Mas é impossível ignorar que o PSDB já cruzou a fronteira do vale-tudo eleitoral, mais um pouco e teremos um pessedebista gritando nos palanques "nunca antes na história deste país..."

    Esta é uma ótima oportunidade para a direita arquitetar uma estratégia em favor do voto nulo, ou da não obrigatoriedade do voto. Acredito que milhões de pessoas estão tomando Engov antes de ir às urnas...
  • Bruno  16/10/2010 17:50
    Falou toda a verdade! É realmente isso que está acontecendo e o gatilho para o PT iniciar o ataque foi o que o amigo Mauro Ricardo disse. Antes somente o PSDB atacava a Dilma, foi so cair a diferença que o PT começou a cair de pau no Serra. Enquanto isso o povo vai sobrevivendo e fadado a viver entre esses ratos.\r
    Vergonhoso. Não entendo como pode chegar a este ponto o controle de um país do tamanho do Brasil. A verdade é que somos um monte de bundas-moles mesmo.
  • Diogo Siqueira  16/10/2010 21:20
    Como explicar um indivíduo participar de um processo em que deverá escolher, entre dois ou mais assaltantes, aquele que irá roubá-lo?

    Eu não tenho formação na área, mas será que se trata da síndrome de Estocolmo? Vamos ao conceito da Síndrome de Estocolmo. Segundo a Wikipédia:

    "A Síndrome de Estocolmo (Stockholmssyndromet em sueco) é um estado psicológico particular desenvolvido por pessoas que são vítimas de seqüestro. A síndrome se desenvolve a partir de tentativas da vítima de se identificar com seu captor ou de conquistar a simpatia do seqüestrador. Pode ser também chamado assim uma serie de doenças psicológicas aleatórias."

    Bem, viver sob as rédeas do estado brasileiro é viver em cativeiro, sendo extorquido a todo instante. Sejamos sinceros, é algo além de um seqüestro, é escravidão! Assim, o eleitorado brasileiro preenche a primeira condição: estar sob estado de privação da liberdade e medo, podendo fazer ou não fazer somente aquilo que seus detratores permitem.

    Quanto a criar vínculos com os sequestradores ou identificar-se com eles, não é necessário tecer comentários... Parece até que existe um componente genético em todo brasileiro conduzindo este comportamento.

    Tai! Vai ver mais de 80% dos brasileiros são acometidos pela tal síndrome de Estocolmo!
  • Bruno  17/10/2010 02:38
    É engraçado que outra distopia bem mais contundente que 1984, o Admirável Mundo Novo do Huxley é baseado na liberdade e consumismo e é um terror do mesmo jeito.

    Acho infantil colocar os cidadãos na categoria de síndrome de estocolmo. Quando isso tudo aqui não der certo do jeito que falam, o governo (seja de qual espectro for) cai na hora.

    Porém, é fato mesmo que estamos em um processo eleitoral marcado por baixarias escabrosas e que está a ponto de subverter o debate dos grandes problemas nacionais. Pode-se questionar o pré-sal, a política econômica do Banco Central, é totalmente legítimo o debate acerca do modo de estímulos econômicos e o IMB tem comentado sobre tudo isso e mais.

    Mas é esse o ponto. A questão do aborto, se a CNBB entrou ou não ao lado de fulano ou clicano, se tem braço da igreja produzindo ou não baixarias são questões levantadas por que não tem projeto de nação.

    Pode-se questionar o projeto de nação Dilma ou o PT. Isso é totalmente importante esse questionamento. E o IMB tem feito isso. Mas está mais que claro que o candidato José Serra está com essa tática da lama por não ter NADA a mostrar.
  • Luciano  17/10/2010 07:53
    Admiravel Mundo Novo não é baseado na liberdade, muito pelo contrário, as pessoas nascem dentro de maquinas e seu destino é previamente traçado ofertando-se mais ou meno oxigênio e outras substâncias formando asssim uma sociedade de castas. As crianças são condicionadas desde cedo e seu comportamento, consumo e valores morais são moldados pela casta dominante (os Alfa +) que não escapam do condicionamento mas tem mais "consciência" do sistema.

    Quando Huxley escreveu este fantástico livro ele queria nos avisar que a falta de valores morais e a "coisificação" do indivíduo poderia nos levar para uma distopia monstruosa.

    Onde esta a liberdade em Admiravel mundo novo ?
  • Bruno  17/10/2010 10:52
    Eu fui irônico sobre a obra de Huxley. Todos os indivíduos ali tem liberdade, porém eles mesmos não a usam pois como você mesmo colocou, eles são apenas "robôs" biológicos. Salvo Bernard Marx que foi um ponto "fora do gráfico de controle do processo" no laboratório.
  • Gustavo Milano  17/10/2010 02:18
    O cara está escrevendo no site do instituto de um gênio e vem me falar que "Democracia é isso: duas quadrilhas disputam violentamente o poder para, no fim, sugar todas as nossas riquezas". Democracia não é isso; a "democracia do Brasil", é isso, e que, obviamente, não é nem nunca foi nenhuma democracia.
    Perceber que está errado você já percebeu, mas não se deixe contaminar. Não é a situação infernal do atual Brasil que vai mudar conceitos tradicionais como democracia.
    Tome cuidado. Às vezes você mesmo já se deturpou e está cobrando compromisso dos outros.
  • André Cabrera  17/10/2010 07:40
    Gustavo, sua resposta foi muito poética e emocional, fiquei até tocado. Mas... argumentos? Cadê? E olha que minha posição nem é muito clara ainda, só é revoltante alguém rebater os argumentos de uma pessoa valendo-se de palavras pomposas e - pior ainda - nem ao menos dar o crédito de ler os autores "austríacos" que criticam a democracia, como se a mesma fosse uma instituição "sagrada" e "intocável"...Sinceramente.
  • Angelo Noel  18/10/2010 10:22
    Puts!
    O debate de ontem na RedeTV (reprise do bate-boca ocorrido na Bandeirantes) foi uma das coisas mais horripilantes que já vi.
    Exatamente as mesmas pautas, mesmos exemplos e aquele mesmo diálogo que o Leandro ironizou em outro post:

    Stálin: - "O senhor é privatista, o senhor é privatista, o senhor é privatista e tá tergiversando!"

    Trotsky: - "Negativo. Eu vou inchar o Estado cada vez mais..."

    É tão imbecil que chega a ser cômico...
  • Wilson  18/10/2010 19:21
    Pois é, a que ponto chegamos...Hoje quando se fala em privatizar é como se estivesse praticando um crime!
  • Bruno  18/10/2010 20:44
    Privatizar não necessariamente um crime.\r
    \r
    Mas o modo como foi feito no Brasil, eu considero quase um crime. O IMB fez uns artigos que achei excelentes e contribuiria muito para um debate sobre isso.\r
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    O debate ontem na RedeTV foi bom no que mostra a deferença entre dois candidatos.\r
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    Entre "Stalin" e "Trotsky" (na definição do Angelo Noel) eu vi que "Stalin" mostrou ter melhor conhecimento de Brasil.\r
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    O caso do Gas Brasilianas ficou evidente. Podemos discutir se é benéfico ou não a Petrobras comprar a empresa do grupo Italiano ENI. Porém que o "Trotsky" nem sabia do que se tratava.
  • Maurício  22/10/2010 15:16
    SUAS PROPOSTAS SÃO IGUAIS A DE QUAL CANDIDATO? hehehehe\r
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    ultimosegundo.ig.com.br/eleicoes/teste+suas+propostas+se+parecem+com+as+de+seu+candidato/n1237809890174.html\r
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    Onde chegamos...
  • Efraym  30/10/2010 17:01
    Caros amigos, o fato dessas eleições chegarem a esse nivel baixo se deve ao fato do PT ser um partido um partido BAIXO. O presidente nao respeita a constituição de forma nenhuma, a candidata apresenta ser um ignorância abismavel, e como sabemos o PT é um partido que nao respeita a democracia esta ali para se manter no poder para por em pratica sua revolução. Penso que o Serra ainda foi muito polido, tentando ser politicamente correto, mas ele como concorrente nao pode parecer como um homem que nao ofendi nimguem, é sua obrigação, se quiser ganhar as eleições desmascarar esse partido, e SIM vai ter que joga merda no ventilador para poder ganhar. Pois os artifícios do PT são ainda mas sujos, desde de que assumiram o poder estao pondo em pratica o aparelhamento do estado, comprando a imprensa, os meios de comunicação e claro o POVO.


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