A bem-sucedida regulação privada

Amiúde, leitores neófitos ou simplesmente descrentes nos fundamentos de uma sociedade livre questionam os artigos que denunciam os casos de intervenção do estado sobre a economia, sobre a propriedade privada ou mesmo sobre a vida íntima das pessoas. Na mente deles, é inconcebível que as coisas possam funcionar de forma eficaz e pacífica sem regras que forneçam, digamos assim, o "sistema operacional", que para eles, é uma prerrogativa estatal.

Estas pessoas não estão absolutamente erradas. Todo jogo tem regras, e assim, necessariamente, demanda alguém que zele por elas.  O que elas não compreendem, por pura falta de vivência — e aqui estamos falando de uma questão cultural — é que uma sociedade livre tem como estabelecer tais normas de atuação de forma mais eficiente e idônea que o estado.

O que venho trazer a estas pessoas hoje é justamente a demonstração disto, mas não somente em teoria, como também com exemplos concretos.  Em todo o mundo, existem estes ou aqueles serviços que são prestados de forma privada, sendo que frequentemente se saem melhor do que os seus contrapares estatais, e o serviço de regulação privada fornecido pelas "sociedades classificadoras" é um deles.

As sociedades classificadoras tiveram início com a Marinha Mercante, sendo a mais antiga o "Lloyd Register", fundado na Grã-Bretanha, em 1760. Outras semelhantes são o ABS (American Bureau of Shipping), o Bureau Veritas e o Det Norske Veritas, entre outros.  Atualmente, as sociedades classificadoras expandiram suas atividades, atuando em plantas industriais, oleodutos, linhas férreas, construção civil, e muitas outras atividades.

Sociedades classificadoras são entidades de certificação técnica.  Embora privadas, isto é, destituídas de poder estatal, desenvolvem normas técnicas e de procedimentos cuja observância, apesar de voluntária, não é descuidada.  Estas entidades são chamadas de "classificadoras" justamente porque "classificam" o objeto de sua normalização e auditoria, segundo a qualidade da construção, o seu destino e o estado de manutenção.

Ao classificar um navio, para ficarmos no caso da marinha mercante, tal entidade certifica que ele está apto a executar determinado serviço (por exemplo, transportar alimentos perecíveis ou substâncias químicas), sob tal ou qual condição (tropical, água doce, com gelo, com dificuldade de manobra, pelo Canal do Panamá, etc.), e, com a nota que ela lhe atribuir, teremos aí então uma escala de gradação que compara as diversas embarcações registradas no cadastro da instituição.

Quanto maior a nota atribuída, mais confiável é o navio e, por causa disto, os contratos de seguro tornam-se mais viáveis e mais baratos; os fretes conseguem melhores preços, e torna-se mais facilitado o acesso aos melhores portos e, consequentemente, aos melhores mercados. 

Logicamente, o próprio preço do frete também realiza uma função econômica da mais alta importância, pois os preços mais altos para o transporte mais seguro e eficiente são contratados para os bens com maior valor agregado.  De uma forma geral, demandam tais serviços os alimentos perecíveis, tais como o chocolate, carne ou frango, assim como os aparelhos eletrônicos delicados, ou os derivados de petróleo e produtos químicos perigosos, enquanto que o transporte de madeira, materiais de construção, grãos e minerais a granel pode ser executado por embarcações mais simples. Como se pode observar, há um critério o mais sensato possível para a melhor utilização dos recursos.

Neste sistema, prevalece um equilíbrio de salvaguarda de interesses, onde a tradição e a confiança são o maior patrimônio.  Já no estaleiro, o navio deverá ser construído segundo as normas estipuladas pela sociedade classificadora contratada pelo futuro proprietário da embarcação.  Quanto mais prestígio e tradição usufruir esta sociedade, mais caros serão os seus serviços, e curioso, mais severas serão as suas futuras e periódicas inspeções, às quais o proprietário e o armador haverão de se submeter fielmente sob pena de multa ou mesmo desclassificação do seu patrimônio.

Observemos aqui as vantagens em relação à normalização estatal.  Em primeiríssimo lugar, as regras são aceitas por todos, prevalecendo um ambiente de legitimidade das operações, e por isto mesmo, de um cumprimento mais espontâneo por parte dos envolvidos.  Em seguida, tais normalizações são constantemente julgadas por seus clientes, de modo que não podem ser negligentes e tampouco excessivamente exigentes, ou caso contrário os usuários buscarão os concorrentes; em outras palavras, elas necessariamente têm de buscar o "ótimo possível e viável".  Por isto mesmo, como um terceiro motivo, a normalização privada não se presta ao desvio de finalidade, como acontece já como regra geral quanto à legislação estatal, cuja perfeita ilustração temos com o Incra, que estipula índices de produtividade cada vez mais altos para viabilizar a desapropriação de terras dos agricultores.  Corrupção, então, nem pensar: os auditores em geral são engenheiros muito competentes que recebem altos salários, de modo que um escândalo lhes arruinaria a carreira.  Finalmente, por dependerem fortemente da reputação, os envolvidos não se podem prestar a caprichos de discricionariedade, tal como podemos constatar no Paraná e no Pará, onde os governadores Roberto Requião e Ana Júlia Carepa, respectivamente, descumprem sistematicamente as ordens judiciais de reintegração de posse das terras ocupadas pelo MST.

Somente para concluir, é bom que estas pessoas céticas saibam que muito da nossa legislação estatal foi erguida copiando a legislação privada.  A ABNT ainda usa normas da S.A.E. (Society of Automotive Enginners), uma entidade particular.  Portanto, uma sociedade livre não é necessariamente caótica, como as pessoas mais culturalmente ligadas à idéia de um controle estatal costumam pensar, e isto porque as pessoas em geral têm interesse que suas atividades sejam bem-sucedidas.


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SOBRE O AUTOR

Klauber Cristofen Pires

Bacharel em Ciências Náuticas no Centro de Instrução Almirante Braz de Aguiar, em Belém, PA. Técnico da Receita Federal com cursos na área de planejamento, gestão pública e de licitações e contratos administrativos. Dedicado ao estudo autodidata da doutrina do liberalismo, especialmente o liberalismo austríaco.



"Foram mal abordados, muito mal abordados.

"imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado" Eua imprime dólar, UE imprime Euro, Japão imprime Iene."


Eis um trecho do artigo:

"Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza."


Você fala como se estivesse rebatendo alguma afirmação, que o próprio artigo mostra como é falsa; mas essa afirmação quem criou foi você próprio, sabe-se lá de onde.

É surreal você dizer que isso advêm da perda de consumo da população, a inflação desses países é próxima de zero há muito tempo. (não quero dizer que isso funcionária em todos os países do mundo)

Você está falando de "inflação de preços", aumento no preço de diversos produtos na economia geral; o artigo está falando de
inflação monetária, aumento da oferta monetária, dinheiro em circulação na economia. É possível haver baixa "inflação de preços" ou mesmo "deflação de preços" onde há inflação monetária. Basta que o aumento em produtividade e outros fatores (que diminuem preços) seja maior que o aumento dos preços por conta da inflação monetária.

Agora, se você acha que não há relação alguma entre oferta monetária e aumento de preços, creio que você descobriu o Paraíso na Terra -- podemos simplesmente imprimir dinheiro à rodo e dar para todos, e não haverá efeito colateral algum nisso.

"EUA tirou o país de uma recessão enorme em 2008 com as práticas Keynesianas, existem vários e vários exemplos da prática aplicada e funcionando, em nenhum momento é perfeita e sem qualquer tipo de ônus, mas é o melhor que pode ser feito."

Sim, o Keynesianismo tirou os EUA da recessão -- causada por esta mesma ideologia e suas taras por expansões artificiais:

Como ocorreu a crise financeira americana
Explicando a recessão europeia
Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)
A geração e o estouro da bolha imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil

Creditar a teoria Keynesiana por tirar os EUA da recessão se resume à isto: o que seria de nós, se após quebrar nossas pernas, o Estado não nos desse muletas?

"Aliás uma pergunta, você já prestou ANPEC alguma vez? acredito que seu conhecimento é bem maior do que as frases feitas que posta aqui no site."

E como sempre, o grande feito para um Brasileiro é passar em concurso.

"Apesar de ter grande admiração por Keynes eu não tenho asco por nenhum grande pensador econômico, seja ele Marx ou Hayek, não é o que acontece por aqui, infelizmente. Inclusive, ressaltei que não é impossível que Keynes esteja errado em alguns pontos, visto o tempo que já se passou."

Não posso falar por todos membros que acompanham este instituto, mas pouco me importo com Keynes, Hayek, Mises, Friedman, quem quer que seja. Apenas me importo com as ideias que estes defendem. Se Marx falar algo correto, defenderei isto. Se for Keynes, também. Mises, mesma coisa.

"Peço mais uma vez que seja exposto para que haja um debate honesto. Pela segunda vez eu estou usando exemplos reais, práticas já aplicadas e com ressalvas de que nada pode ser generalizado, você escreve de forma rasa, com várias teorias que sequer foram testadas e lotado de frases feitas para atingir quem está no topo (Keynes). "

"Nada pode ser generalizado" é algo tão estúpido que eu não acho que seria preciso comentários para mostrar a estupidez desta afirmação.

"Você escreve de forma rasa" -- disse quem credita a teoria Keynesiana como positiva por tirar os EUA da recessão, causada pela mesma.

"Com várias teorias que sequer foram testadas" -- Eis o comentário feito por quem você está criticando:

"1) "Podem vir de emissão de títulos públicos"

E quem paga os juros e o principal destes títulos públicos? De onde vem o dinheiro?

2) "Impostos pagos anteriormente que geraram caixa"

Ou seja, o dinheiro veio da população.

3) "Expansão monetária direta, da forma que é feito na UE, EUA e Japão"

Ou seja, o dinheiro veio da redução do poder de compra da população.

4)"Qualquer financiamento para qualquer tipo de obra" "


Todos estes pontos são lógicos, e não empíricos. Faça um favor a si mesmo, e corra urgentemente para uma livraria e compre qualquer livro iniciante sobre lógica ou argumentação. O seu caso é grave.



Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

Os contra armamento nunca respondem essa pergunta e sempre a evitam. Eu vou responder de acordo com a instrução que a policia passa para a população:

1. Se der tempo, ligue para a policia, se você der sorte, eles podem passar por ali antes do bandido conseguir entrar na sua casa.

2. Faça tudo que o bandido manda. Se ele quer seus bens, dê. Se ele quer estuprar você, deixe. NÃO RESISTA DE FORMA ALGUMA.

3. No dia seguinte, faça um boletim de ocorrência e reze para que seu caso seja um dos 8% que são resolvidos no Brasil.

Agora eu tenho algumas perguntas também:

1. Se bandidos querem bens, por que não assaltam o congresso nacional? Ali está reunido várias pessoas milionárias. Enriqueceriam facil! Será que é por que ali tem seguranças armados que não hesitariam em atirar?

2. Por que não assaltam juizes e deputados quando estão fora do congresso? Será que é por que os mesmos dispõem de seguranças armados?

3. Por que não atacam carros fortes que transportam valores toda vez que os mesmos saem da garagem? Será que é por que os guardas estão bem armados?

Quem prega o desarmamento da população não entende que o bandido, seja o de colarinho branco ou o comum, é um ser de mentalidade oportunista. Independente do historico de pobreza (ou não), ele não irá atacar lugares fortemente armados porque o risco/beneficio é muito alto, e eles são inteiramente capazes de fazer esse julgamento (caso não o fossem, os lugares que citei seriam atacados diariamente).

Sabe onde eles atacam? Onde o risco/beneficio é baixo. E adivinha quem apresenta isso? Sim, uma população desarmada e instruida a não reagir de forma alguma.
Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
Todas essas situações de "stress" que você citou podem perfeitamente acabar também em facadas, canivetadas, garrafadas na cabeça, pedradas, ou socos na cara (é bastante comum uma pessoa morrer em decorrência de um simples soco na cara; ver aqui e, principalmente, aqui).

Portanto, você criou uma falsa equivalência.

"Campanhas desse tipo me faz [sic] refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!"

Ininteligível.

"Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí!"

Você pode ter. Eu não tenho nenhuma. Por favor, me diga qual a minha culpa em haver "bandidos mandando no seu estado"?

"Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos"

Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

"afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!"

Errado. Um dos motivos de se propagarem é o fato de armas estarem acessíveis para eles no mercado negro e nenhuma arma estar acessível para o cidadão comum no mercado legal.

Bandidos proliferam quando sabem que suas potenciais vítimas estão completamente desarmadas pelo estado.

Beira o cômico você ignorar isso.

"Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas!"

Pois então cite nomes e prove que eles estão ligados a este site. Caso contrário, tenha a hombridade de se retratar.

"Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!"

Que campanha?!

"E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!"

Estamos vendo...

"Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!"

Acho que sua erva venceu e você não percebeu. Sugiro trocar seu fornecedor.
Mais um que chegou rugindo, levou uma resposta (completa e educada), e agora saiu miando, praticamente de quatro.

Não só não retrucou nada que lhe foi respondido, como ainda chegou ao cúmulo de inventar uma resposta que nunca foi dada. Em nenhum momento o artigo ou algum comentarista falaram que "imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado". Tal frase simplesmente não está escrito em lugar nenhum do artigo e nem desta seção de comentários.

Isso mostra bem o nível do desespero e da ética do cidadão. Mas, também, keynesianismo e falta de ética sempre andaram lado a lado.


P.S.: não resisti e terei de comentar esta:

"os grandes empresários começam fazendo empréstimos e assim aumentam seu patrimônio. Jorge Paulo Lemann convive com um passivo enorme e é o homem mais rico do brasil."

Com a pequena, ínfima, insignificante diferença que JPL é criador de riqueza e de valor. As pessoas voluntariamente compram os bens e serviços produzidos por JPL, e é isso o que o deixou rico. Quem cria riqueza continuamente, como faz JPL, pode se endividar muito e ainda assim se manter plenamente solvente.

Toda essa dívida será paga com capital próprio. JPL não terá de assaltar ninguém, roubar ninguém, confiscar dinheiro de ninguém para pagar suas dívidas. (E, em caso de insolvência, quem se estrepa são seus credores, e não a população inteira, que não terá de arcar com nada disso).

E o governo? Ele cria riqueza? Ele trabalha com capital próprio? Ele utiliza dinheiro próprio para pagar suas dívidas?

O fato de você dizer que o governo opera igualzinho a JPL mostra bem o seu nível de conhecimento econômico.

É cada coitado que é destroçado por aqui...
O que falo para os meus alunos sobre isso,

Primeiro, uma pergunta:

Será que todas aquelas pessoas que ainda não tenham nenhum crime registrado pela polícia, são cidadãos de bem?

Como eu posso garantir que, o estado dando o direito a posse de armas a todos(as) conseguirá evitar que,

O "brigão baladeiro" na hora da raiva cometa uma tragédia na saída da balada!

Na briga de trânsito o cidadão estressado não dispare contra o outro!

O colega de turma que, nunca imaginei que ele tivesse esquizofrenia iria disparar contra toda a turma com a arma do pai ou da mãe!

A mulher que, já sofria com as agressões do Marido, agora vive ainda mais a pressão psicológica por ter uma arma na sua cabeceira!

As crianças que sabem onde os pais guardam suas armas, e depois um tem que falar, foi uma brincadeira!

O vizinho que se estressou com som alto durante a madrugada!

Enfim são inúmeras as situações!

Sobre o uso da arma, "modestamente" posso afirmar: mesmo aquela pessoa que nunca frequentou a escola até aquela que teve o mais alto nível de educação acadêmica está suscetível ao stress, e nessa hora, para muitos, será o motivo de cometer um crime passional (o primeiro)!

Campanhas desse tipo me faz refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!

Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí! Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos, afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!

Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas! Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!

E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!

E se eu estiver numa turma com crianças ou adolescentes:
Sempre tem aquele que exclama,

- Mas só os bandidos tem o direito de possuir armas, o cidadão de bem, não!

- Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Thyago  11/08/2010 10:01
    Esclarecedor em muitos aspectos... Gostei mesmo!
  • oneide345  11/08/2010 21:09
    Ja que o assunto e qualidade os textos do Sr Klauber Cristofen Pires e outros do mises.org.br seriam imensuraveis.
  • André Ramos  18/05/2011 10:20
    Sempre gosto dos textos do Klauber.
    Meu pai, há mais de 20 anos, foi 'surveyor' da ABS. Ele me conta que fazia poucas inspeções, mas elas eram muito bem remuneradas e extremamente complexas. Se ele falhasse, estaria lascado. Eu era criança, mas lembro que uma vez ele saiu de madrugada para inspecionar um navio, e só voltou no dia seguinte. Deixou de prestar esses serviços por causa do Estado... Uma longa história, daquelas tantas em que o Leviatã persegue e destrói um indivíduo, impiedosamente.
    Agora compare com as fiscalizações do DETRAN, por exemplo. Vá um dia a um posto de fiscalização e veja como são feitas as vistorias, em regra. Duram poucos segundos. Pesquise um pouco e descubra os esquemas que existem para obter o certificado de vistoria sem nem levar o carro lá. E por aí vai... Despreparo, desídia, corrupção etc. Tudo isso faz parte da essência da regulação estatal.
    A auto-regulação é, e sempre será, mais ética e mais eficiente do que a regulação estatal. Sempre!
  •   10/11/2011 10:35
    Prédios bons? Sociedades Classificadoras de engenharia civil\r
    \r
    Carros seguros? Sociedades Classificadoras de veículos\r
    \r
    Estradas Seguras? Sociedades Classificadoras de estradas juntamete com as de veículos(interessante aí é que em algumas estradas pode ser permitido dirigir sob efeito de alcool,em outras não. E a fiscalização privada é muito superior. Para deixar mais tranquilos aqueles fanaticos defensores da lei-seca)\r
    \r
    Ferrovias... Alimentos... Brinquedos... Utensilios Domesticos... Transporte aéreo...\r
    TUDO em mãos privadas... Eu tenho fé que um dia esse mundo vai existir, e mostrará como hoje estamos atrasados acreditando em governos...
  • M E N A U  10/11/2011 11:03
    LatinNcap existe.\r
    Automóveis, todos, com ESP (controle de estabilidade), não existe. Na verdade somente topos de gama a preços absurdamente caros. Lei de mercado, isso porque é apenas um módulo a mais no ABS.\r
    Nosso mercado é imaturo, não sabe exigir, não sabe comprar.\r
    Se não há lei que obrigue, o mercado fornece o mínimo para aquele consumidor.\r
    A próposito, simples ABS e Air-bag não estão presentes na esmagadora maioria dos veículos produzidos no Brasil.\r
    A partir de 2014 serão obrigatórios, por lei.\r
    Até lá, morrer-se-a, bestamente, por falta de simples dispositivos ativos e passivos de segurança.\r
    Ou seja, num mercado e numa nação imatura, paga-se o preço com a própria vida, nesse caso em particular, de segurança automotiva.\r
    O Estado não deve produzir, mas fiscalizar, regular.\r
    O mercado, livre iniciativa, deve se manter por si só. Quem não tem competência não se estabelece.\r
    Mas num país atrasado, incluíso o nosso, o mercado interfere na iniciativa privada, mal e porcamente, quando não regula, não fiscaliza, e pior, socorre e financia a incompetência e má fé.\r
  •   10/11/2011 11:57
    MENAU\r
    \r
    E se as próprias promessas de segurança em praticamente tudo que o governo brasileiro exige, forem a causa da menor buscar por segurança?\r
    Em outra palavras: E se as pessoas acreditam cegamente que o paizão governo as está protegendo o tempo todo e por conta disso retiram de si mesmas essa obrigação?\r
    \r
    (Sem considerar os alto custos impostos no brasil para aquisição de qualquer coisa, também fruto de políticas)
  • Ze  10/11/2011 12:07
    A maneira que eu vejo a segurança do transito em um mundo livre:\r
    \r
    Estradas e ruas privadas, sendo que a maioria delas usariam alguns certificados de qualidade e juntamente com eles viriam as regras privadas de trânsito(criadas pelas proprias Sociedades Classificadoras).\r
    Juntamente com essas Sociedades Classificadoras de trânsito, trabalhariam as Sociedades Classificadoras de veículos. Assim várias montadoras estariam se comprometende a construir carros que contenham os acessorios de segurança exigidos para as melhores vias do país.\r
    A "cola" que manteria tudo isso unido seria as seguradoras e planos de saúde. Poderiam recusar serviços em caso de descumprimento das normas das Sociedades Classificadoras(após acidente), ou recusar serviços para aqueles que não utilizem as Sociedades Classificadoras que a seguradora ou plano de saúde considerem bons. Assim todos saem ganhando.\r
    \r
    Se sempre haverá também a possibilidade de ficar fora disso tudo, construir estradas ou carros não certificados. Mas uma estrada sem certificação poderia causar muitos acidentes, o que levaria seus proprietario a falência, retirando assim um péssimo serviço do mercado. Os carros sofreriam o mesmo problema, só poderiam rodar em locais onde seu padrão seja aceito.
  • Klauber Cristofen Pires  10/11/2011 12:28
    Sr Menau,

    Absolutamente todos os dispositivos de segurança foram criados pela iniciativa privada. Quando veio o cinto de segurança, pela primeira vez, a reação das autoridades foi a de desconfiar da segurança dos veículos da Tucker (a empresa que os criou).

    Não existe um nível de segurança absoluto, mesmo porque há dispositivos que ainda não foram inventados. Quem sabe, um dia, um poderoso campo de força nos proteja!

    Entretanto, o mercado tem uma forma de resolver este problema. Simples talheres já foram objetos de luxo. Os celulares também. Ah, os carros também. Assim, as classes mais ricas "testam" os inventos e financiam a sua produção em larga escala, barateando a produção para as classes menos abastadas.

    No Brasil, os itens de conforto e de segurança extra demoram a aparecer porque há muito - e bota muito nisto- imposto! Se os carros fossem mais baratos por conta de uma tributação menor e as pessoas tivessem mais poupança - porque pagariam menos impostos por outras coisas também - certamente haveria espaço no mercado para uma inclusão antecipada dos itens de conforto e segurança.

    Lembremos que via de regra, os carros americanos são automáticos, enquanto aqui só agora alguns modelos estão vindo automáticos de série.

    É fato que depois da lei as montadoras incluirão os ditos dispositivos, mas os carros serão mais caros e menos acessíveis a uma certa parcela da população.
  • Horst  16/11/2011 11:31
    Excelente texto! Parabéns!!\r
    \r
    Eu quero ler mais sobre a regulação privada, pois a pública é assaz ineficiente mesmo e, uma boa regulação é necessária!!\r
    \r
    Se puder, publique mais sobre isto!!!\r
    \r
    Abraços e parabéns.
  • Renato  29/01/2013 12:13
    Muito bom destacar este artigo após a lamentável tragédia que ocorreu em Santa Maria. É impressionante a demagogia dos governantes ao fazerem declarações prometento mais regulamentações e fiscalizações estatais, estas que por sua vez, estão sendo muito bem aceitas pelo público.
  • Lucas S  11/04/2013 18:52
    O Detran é a prova incontestável de que o estado deve ficar o mais longe possível da fiscalização. Mas em um país em que a única coisa que garante sucesso é fazer lobby na capital, a coisa tende a ficar cada vez pior. Lamentável!!!!!
  • Emerson Luis, um Psicologo  16/07/2014 18:12

    A redução do Estado não significa ausência de normas e ordem. A livre associação humana baseada na reciprocidade é capaz de gerar autorregulação.

    * * *
  • anônimo  07/06/2015 18:35
    E quando existe corrupção entre indivíduos privados, como a FIFA?
  • Marcos  07/06/2015 19:23
    Corrupção é, por definição, suborno (só olhar no dicionário), ou seja, recepção de dinheiro ilícito em troca de favor ou negócio lucrativo. Então, somente há recepção de dinheiro de forma ilícita se o dinheiro não é de quem está na transação, ou seja, somente na presença de dinheiro público há corrupção. 

    Na iniciativa privada, se dois entes privados trocam favores entre si com o seu próprio dinheiro os únicos lesados nesses casos são os donos da empresa. A população nada sofre com esse tipo de corrupção. E, se a corrupção for muito intensa, pode levar a empresa à falência. Novamente, isso é problema apenas dos donos da empresa.

    De novo: a "corrupção" no ramo privado não pode ser comparada à corrupção estatal, pois, no ramo privado, a riqueza que foi transferida (roubada) da empresa para um indivíduo ou para um determinado grupo foi gerada pela própria empresa, cabendo à sua administração encontrar formas de estancar os desvios sob pena de falência. Já na burocracia estatal o prejuízo é socializado, por isso não existe interesse em combatê-lo.

    No que mais, a tal "corrupção da FIFA" envolve governos, de modo que ela não pode ser comparada a uma corrupção privada. Corrupção privada seria o dono da padaria da esquina subornando um funcionário de um fornecedor.


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