
Não sei se o Renatão ficou elucidado. Eu fiquei. Excelente texto. Responder
Talvez, se fosse aplicada em alguns outros governos, a ignorância que tanto nos consome poderia se tornar infértil e com a maior certeza, novas mentes se iluminariam ... Responder
Falando em fertiliade, neste caso a arrogância anti-libertária se mostrou um bom adubo. Responder
É pena existirem tantos que raciocinam politicamente como "Renatões" e tão escassos "Leandros"... Responder
Hehehehehehehehe... O lunático estatólatra do Renatão deve ter ficado no mínimo espumando de raiva ao saber que, sim, a EA funciona... =D\r \r Leandro, por gentileza, peço que leias o comentário referente àquele teu segundo texto sobre o padrão-ouro. Mais uma vez, meus cumprimentos por mais um prazeroso e elucidativo artigo!\r \r Huuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuuugs!\r Responder
Se o Renatão ainda não ficou convencido, então vai um imagem mental:\r \r Pense no governo com sua máquina intervencionista como um verme, uma lombriga que, alojada em seu estomago, devora boa parte dos nutrientes que você consome. Como resultado você fica raquitico e sem forças. O livre-mercado como defendido pelos 'austriacos' é o antibiótico que dará um jeito nessa lombriga! Responder
Não gostei muito da resposta, pois EA não defende propriedade privada e nem livre mercado. EA é uma ciência de causa e consequência, não faz juízo de valor, diz apenas se A, então B.
E a teoria econômica é uma ciência apriorística, logo não necessita de teste empíricos para ser validada. Mais aqui: O que é uma ciência apriorística, e por que a economia é uma, Praxeologia - A constatação nada trivial de Mises e O apriorismo de Mises contra o relativismo na ciência econômica.
No entanto, os dados históricos mais do que comprovam a teoria, coisa que não poderia deixar de ser diferente, pois, como acabei de dizer, ela é válida a priori.
Podemos ver os dados do Index of Economic Freedom, da Heritage Foundation, que mostra que o grau de liberdade coincide com o grau de desenvolvimento de um país. Um outro grande exemplo é os EUA, após a independência e até ~1.900, quando a liberdade econômica era muito alta e neste período o país se tornou o mais rico do mundo. Responder
Renatão,
Recomendo a você assistir à série "Livres para escolher" ("Free to Choose"), com Milton Friedman.
O doutor Milton não é adepto da Escola Austríaca de Economia, mas é um defensor do livre mercado. Na série, ele demonstra com clareza como o livre mercado melhora o padrão de vida das pessoas, ao contrário da intervenção estatal. Responder
É incrível como basta dar liberdade e autonomia aos indivíduos que o resto se arruma...\r \r lembrando que na maioria dos países citados são FEDERALISTAS\r \r Os Escandinávos tem um forte estado +- 60 a 75 do PIb de seus países em impostos mas não existe lá concentração de poder para administrar esses impostos e sim um grande poder local. \r \r Federalismo e Minarquia é o caminho Responder
Parabéns, Leandro; esta foi "nos dedos"!\r \r Só faltou Israel: não sei se lá a economia é regida pelo livre mercado, ou se é uma \r \r social-democracia... Responder
Gostei. Apenas para assinalar coincidência, mas não por acaso: exceto a hesitante França, na extensa lista elencada não desponta nenhum país greco-romano, o que comprova, de modo mais reluzente possível, não propriamente o progresso do norte, para mim ainda claudicante, mas a péssima herança cultural que preferimos abraçar. Responder
Esta questão sobre a "ecoomia austríaca" me lembra o "neoliberalismo". Um rótulo vazio, usado pela esquerda e pelos intervencionistas para referir-se a tudo o que há de ruim no mundo. O termo foi originalmente cunhado para a Inglaterra de Thatcher do início dos anos 80. Por aqui, chamou-se "neoliberalismo" às elementares providências de redução de gastos públicos e encolhimento do Estado levadas a cabo por FHC, sem as quais nunca que teria ocorrido a estabilização da economia brasileira, e encolhimento do Estado levadas a cabo por FHC, sem as quais nunca que teria ocorrido a estabilização da economia. Responder
"Como consequência, as pessoas se tornaram poupadoras, o que permitiu uma grande produção de bens de capital"
eu gostaria de saber mais sobre essa relação entre poupar e aumento de produção de bens de capital. Isso se dá através do investimento do dinheiro poupado? E por que com consumo nao acontece o mesmo? Enfim, poderiam me indicar alguma referencia para que eu pudesse ler mais a respeito disso? Obrigado Responder
Caro Leandro,\r \r Acho que ainda não leste o meu comentário referente ao teu segundo texto sobre o padrão-ouro. Estranho a tua demora em me responderes...\r \r Abraços! Responder
Qual a dificuldade de entender o liberalismo clássico para quem acredita ser razoável matar 100 milhões de pessoas em prol de um mundo melhor que nunca aconteceu? É lógico que tem "treta" aí no meio! Inveja é uma das respostas segundo um vídeo aqui do Instituto cujo nome é mais ou menos assim: "Os bárbaros chegaram aos portões." (Eu diria que eles estão no poder, mas, tudo bem!)
Abraços e lembrem-se: A américa latina está sob sérias ameaças e se nos limitarmos a discutir o que NÃO está acontecendo, seremos liberais clássicos mortos por estatistas bárbaros, dito de outro modo, os bárbaros vencerão! Responder
Engano seu achar que nenhum país da África é libertário, pelo contrário a África sub-saariana ilustra excesso de libertarianismo. O Estado é simplesmente ausente. Reinam relações de emprego e comércio voluntárias, e abertamente informais mesmo. Enquanto isso, milícias armadas controlam amplos territórios onde o Estado não se faz presente.\r \r Por outro lado, em todos esses outros países que vc citou, do Canadá à Austrália, o Estado é rico, provê saúde e educação gratuitas para a população.\r \r Conheço o caso do estado sul-Coreano para afirmar que eles claramente afrontaram o livre mercado. O governo restringiu importações de produtos, quando não julgava prioritários, ou quando existia o similar nacional. \r Lá era o Estado quem incentivava a pirataria e a cópia, jogando um capitalismo pesado com os outros governos.\r \r Nos anos 80, boa parte dos artigos falsificados que vinham do "Paraguai", e que tanto detonavam nossa indústria, eram de fabricação coreana. Hoje eles podem colocar seus produtos com orgulho pela porta da frente, enquanto o estado volta-se mais para um papel de provedor de bem estar. Responder
Prezado Ricardão, seguindo a linha de resposta que dei ao seu quase-homônimo, resta-me apenas enfatizar duas partes absolutamente claras do texto, as quais você infelizmente ignorou.
Primeiro: onde na África subsaariana há qualquer resquício de respeito à propriedade? E dos direitos individuais? Sem ambos, não há capitalismo e nem desenvolvimento. Ou seja, você involuntariamente comprovou o ponto do artigo.
Segundo: do Canadá à Austrália, como exatamente esses estados enriqueceram a ponto de poder "prover" serviços assistencialistas à população? Não fosse o enorme progresso trazido pelo respeito à propriedade e pelo acúmulo de capital, estes países não teriam hoje como manter suas vastas redes de proteção social das quais tanto se orgulham.
Você acha que, por exemplo, se a Bolívia hoje quiser imitar a Suécia ela vai conseguir? Será que se o Evo Morales instituir uma carga tributária de 45% o país vai virar um paraíso social-democrata? O problema é que você ainda não entendeu a ordem rígida das coisas: primeiro a riqueza precisa ser gerada e acumulada; só então haverá a possibilidade de ela ser abusada. Canadá e Austrália fizeram isso. Não fosse o processo de enriquecimento por que eles passaram durante o século XX, não haveria a menor chance de eles hoje possuírem estados assistencialistas.
Nenhum país, sendo pobre, pode virar social-democrata dum dia pro outro. Social democracia é luxo de país rico, que já trabalhou e acumulou capital para ser esbanjado desta forma. E, ainda assim, um luxo temporário, pois o capital é escasso e sempre será exaurido. A atual situação dos países europeus, bem como da medicina canadense e britânica, é um ótimo exemplo.
Quanto ao caso da Coréia do Sul, ora, como você mesmo concordou no seu parágrafo final, quando o estado estava bloqueando as importações, os produtos coreanos eram vagabundos. Depois que ele parou de fazer isso e passou a permitir a concorrência, o salto na qualidade foi exponencial.
Você concordou com o artigo, apenas ainda não permitiu que seu senso cognitivo entrasse em ação.
Abração, Ricardão.
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Faltou dizer que para haver respeito à propriedade e aos direitos individuais, é imprescindível termos uma população armada, bem como o comércio de armas de fogo livre, irrestrito e voluntário. Inclusive esse é o insight que está faltando aos países pobres.\r Basta saber que no antigo oeste dos EUA, foram as armas de fogo que permitiram aos laboriosos protestantes protegerem suas terras, bem como o produto de seu trabalho, em meio aos frequentes ataques dos apaches. Atualmente aquela é uma das regiões mais ricas do mundo. Sua população desfruta de elevado padrão de vida, simplesmente.\r
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"O termo economia austríaca é apenas o nome popular de uma escola de pensamento caracterizada pela sua resoluta defesa da propriedade privada dos meios de produção e do respeito aos direitos individuais." - Leandro Roque
Bom, não.
A EA é o nome popular para o pensamento econômico que se caracteriza pela defesa de uma teoria subjetivista de valor (Carl Menger) e por uma posição metodológica individualsita e apriorística (Ludwig Von Mises), com foco na lógica da ação.
Economia não é uma ciência normativa, seu papel é explicar a realidade dos eventos econômicos e não estabelecer regras de conduta (como propriedade de meios de produção e direitos a serem respeitados). De outra forma, economia é livre de juízo de valor (como já corrigiu Fernando Chiocca). E como boa economia a EA cumpre bem esse papel explicativo.
Óbvio, como conhecimento científico a EA tem importância prescritiva, ela pode ser usada para guiar indivíduos em suas escolhas. Nesse sentido, autores que fazem parte da EA têm mostrado que a propriedade privada de meios de produção e o respeito aos direitos individuais são boas opções, dado que sejam almejados específicos fins (prosperidade material, bem-estar etc.)
Mas a defesa do economista, enquanto mero economista, dessas coisas não pode ser resoluta porque a economia é livre de juízo de valor: o economista não escolhe fins, ele apenas pode aconselhar por que maneiras é possível alcançar tais fins, e qual o resultado de preferências e escolhas no processo.
A defesa resoluta de tais fins cabe a outra área das ciências humanas, a ética e filosofia política, por exemplo.
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Concordo, L. do Ó. Essa diferenciação foi, inclusive, deixada muito por clara por Tom Woods nesse artigo. mises.org.br/Article.aspx?id=352
A EA, como ciência, é positiva e não normativa.
Entretanto, por estar discutindo com uma pessoa nova na área, dei-me ao luxo de ser pragmático. Afinal, dizer para um novato na área coisas como "A EA se caracteriza pela defesa de uma teoria subjetivista de valor e por uma posição metodológica individualista e apriorística, com foco na lógica da ação", não é algo que vá exercer imediato apelo.
Ademais -- e isso é obviamente é opinião exclusivamente minha --, responder para um leigo dizendo que a EA é uma ciência apriorística e que, portanto, ela não precisa de testes empíricos para ser validada é algo que, além de ter apelo nulo, acaba sendo contraproducente: o sujeito, compreensivelmente, vai achar que você está enrolando e se esquivando da resposta.
Por fim, falar apenas que a EA não defende propriedade privada e nem livre mercado é de uma pureza fundamentalista não só desnecessária, como também absolutamente confusa.
A metodologia defendida pela EA leva inevitavelmente a uma defesa resoluta da propriedade privada e do livre mercado. Logo, qual o sentido em dizer "Ah, veja bem, a EA não defende exatamente a propriedade privada e nem o livre mercado, porém, no fim, acaba sim defendendo exatamente a propriedade privada e o livre mercado."?
Fica até parecendo discurso de Maluf: "Não fiquei mai rico na política; apenas fiquei menos pobre!"
Abraços!
P.S.: estou na Mises University. Walter Block, o tempo todo, fez questão de ressaltar essa diferença entre ciência positiva e normativa. Entretanto, tão logo acabava de fazer essa distinção, ele partia para o mais puro normativismo, e saía xingando (hilariamente) todos os tipos de intervencionismo para, logo em seguida, prescrever com acurácia quais deveriam ser as soluções adotadas.
E eu concordo com ele. Não se deve refrear de dar opiniões normativas -- as quais sempre são formadas pelo conhecimento da ciência positiva.
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ainda n disse qual o nome d cidade\r
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NEO LIBERALISMO OU LIBERALISMO É SE NÃO ...\r Interesse egoísta que, traduzido em lucro, é o motor da iniciativa privada.\r A economia é fundada nas vantagens e não nas necessidades. É o próprio egoísmo\r humano que motiva a atividade econômica desenfreada, que visa apenas o lucro, não se\r importando com os meios para alcançá-lo.\r 2.1.2. A competição do mercado é que regula o apetite do lucro.\r Com o surgimento de novos produtores haverá a competição que regulará o preço de\r modo natural. E como nos diz SMITH (1981), eles, os capitalistas liberais, não se esforçam\r em fazer o bem, mas deixam que o bem surja como conseqüência do próprio egoísmo.\r 2.1.3. A lei da oferta e da procura.\r Enquanto houver procura os preços permanecem estáveis. Satisfeito o mercado de\r consumo, eles começam a cair. Esta lei faz com que os produtos tenham preços justos de\r modo natural.\r E quando não houver mais mercado de consumo os produtores terão que inventar\r novos produtos, constituídos pela própria diversificação da produção. Para continuar a ter\r lucro é preciso descobrir novos mercados de consumo.\r Esta lei é aplicada também na relação do operário-patrão, regulando o preço dos\r salários.\r 2.1.4. A acumulação e a população.\r Na medida em que as empresas crescem e se expandem, abrindo novas filiais e\r aumentando a atividade econômica, aumenta também a procura de trabalhadores, fazendo\r com que os salários subam.\r Agora entra em jogo a população. Melhorando os salários, melhoram as condições de\r vida, abaixando o índice de mortalidade infantil e fazendo com que a população também\r aumente. Sendo assim, com uma maior demanda de trabalhadores os salários abaixam, tendo\r por conseqüência a diminuição das condições de vida. Esta lei também é considerada natural,\r pois faz com que haja um equilíbrio entre mão-de-obra e salários.\r Essas leis resumem aquilo que costumamos chamar de liberalismo selvagem. Elas\r afirmam que a economia funciona de modo autônomo, sem a intervenção do Estado. E quanto\r às conseqüências quem sofre são aquelas pessoas que não tem os meios de produção nas\r mãos.\r Mas analisando as conseqüências, percebe-se que essa relação de causa e efeito\r apresentada por estas leis nem sempre funciona dessa maneira. Contudo, elas se apresentam\r mais como uma defesa dos interesses de uma minoria e não abarcam a toda a sociedade, que\r apresenta uma realidade complexa e não pode ser explicada por leis tão deterministas assim.....\r ...Como podemos perceber o modelo neoliberal possui inúmeras falhas, e para que haja\r uma mudança concreta desse quadro, a mentalidade da população precisa ser alterada.\r Portanto, é necessária uma afirmação não do individualismo humano, mas de sua\r individualidade, que é ter consciência de seu papel na sociedade e está revestida por uma\r profunda atitude de alteridade. Conforme nos apregoa DUSSEL (1983), o ser humano é um\r ser para o outro, está intimamente ligado às pessoas que o rodeiam, o homem não se explica\r de modo isolado, não se realiza sozinho, mas é um ser social e relacional, e sendo individuo\r 5\r não pode alcançar sua realização com detrimento e exploração de outrem, pois estaria ferindo\r a individualidade alheia, portanto, fere-se a si mesmo enquanto ser social. Quanto mais a\r economia neoliberal seguir as próprias leis imanentes, tanto menos estará acessível a\r alteridade, fraternidade, igualdade e solidariedade.....\r \r TRECHOS DO TRABALHO DE Jandrei Lourenci (Adm)/PR Responder
Aí entraria o Estado, para garantir a alteridade, fraternidade, igualidade e solidariedade, controlando a economia? Acho que não preciso mostrar exemplos de países onde isso não funcionou... A alternativa do Jandrei é... uma mudança de mentalidade de todas as pessoas do mundo. Ele está pensando em um mundo ideal, bonitinho, fofinho. Esse, aliás, é um problema comum àqueles que parecem ter se perdido no mundo das ideias e deixado de compreender o mundo real. No mundo real, um Estado que tente garantir à força a alteridade, fraternidade, igualdade e solidariedade, na verdade, acaba garantindo, à força, um desequilíbrio na distribuição de riquezas nas mãos de quem tem melhores ligações com o próprio Estado. Não sou anarco-capitalista, pois acho que este também é um modelo que não leva em conta o mundo real. Acho que um país precisa de um governo que faça o máximo possível para garantir leis básicas de convivência e garantia de liberdades fundamentais. Nenhum governo jamais conseguirá garantir tudo para todos. O famoso "welfare state" só funcionou em países que já eram ricos, afinal, não é um modelo economicamente sustentável. Responder
Caro Leandro,
A omissão de Cingapura é justificável ou foi somente esquecimento? Responder
Prezado Victor, perfeita a lembrança. Havia me esquecido de Cingapura. Obrigado pela recordação. Já acrescentei o país à lista.
Grande abraço! Responder
Tive uma dúvida sobre a lista de países, sei que antes de adotarem a porcaria do Welfare State, os países nórdicos eram liberais e cresciam em grande escala, válido também para a maioria dos países europeus, mas eu queria saber especificamente, quando e como ITÁLIA e FRANÇA adotaram a teoria austríaca? Responder
Prezado Eric, Itália e França, cada um à sua maneira, adotaram ideais austríacos em determinadas épocas.
Na França, por exemplo, o principal conselheiro econômico e monetário do General Charles de Gaulle, que ajudou a França a se afastar do socialismo, foi Jacques Rueff, um velho amigo e admirador de Mises (Rueff já escreveu artigos elogiosos a Mises, como este). Foi Rueff quem colocou as finanças da França em ordem (de Gaulle não era exatamente um sujeito preocupado com austeridade fiscal) e restituiu a solidez ao franco, garantindo sua conversibilidade.
Rueff foi também um inflexível defensor do padrão-ouro, crítico ferrenho de Keynes e crítico do uso do dólar como moeda internacional (cenário esse que havia sido recém-estabelecido pelo acordo de Bretton Woods). Segundo Rueff, tal arranjo além de inflacionário seria também mundialmente desestabilizador. Como se vê, ele não estava errado.
E foi ele quem instou os EUA a restituir em ouro todas as transações comerciais que a França tinha com os EUA -- o que, no final, após perder significativas reservas de ouro, fez com que Nixon abolisse os últimos resquícios do padrão-ouro.
De um jeito ou de outro, a França do pós-guerra era um país que respeitava a propriedade privada e a liberdade de preços e salários.
Da mesma forma, parte do afastamento da Itália em relação ao socialismo após a Segunda Guerra Mundial se deve ao presidente Luigi Einaudi, um distinto economista, defensor do livre mercado, amigo de longa data e colega de Mises. Einaudi começou como presidente do Banco Central da Itália (de 1945 a 1948), onde trouxe respeitabilidade à lira. Depois foi ministro das finanças, tornando-se em seguida presidente da Itália (de 1948 a 1955). Einaudi era defensor de um federalismo europeu.
Vale lembrar que ambos os países estavam economicamente destruídos após a Segunda Guerra, e coube a estes homens criar as condições de mercado necessárias para sua recuperação (assim como o fez Ludwig Erhard, outro seguidor de Mises, na Alemanha). Embora menos "radical" que Rueff, Einaudi também teve sua cota em trazer estabilidade para a economia italiana, com respeito à propriedade e ao sistema de preços. Naquela época turbulenta, isso não era pouco.
A situação na Europa começou a degringolar só no final da década de 1970, com a ascensão de partidos socialistas e social-democratas ao poder. A revolução thatcherista na Inglaterra, porém, trouxe um importante contrapeso a esta tendência, estimulando a volta ao poder de partidos conservadores na Europa na década de 1990. Mesmo os social-democratas foram obrigados a mudar seus programas, permitindo mais liberdade ao mercado. Isso também não é pouco.
Grande abraço!
Responder
Leandro, você tocou num ponto muito peculiar.
Finda a 2ª Grande Guerra, na Alemanha, França e Itália, as economias se reegueram via livre mercado, respeito à propriedade, ao sistema de preços e à divisão do trabalho (e suponho que também noutros paises europeus que se reergueram da devastação, afinal, ñ dá p/ fazer isto agindo como Hugo Chavez).
E varios destes governantes eram "austríacos", ao menos 'lato sensu' (o Bagus, inclusive, fala sobre eles no livro sobre a crise do euro, e sobre o conflito ideológico entre as 2 proposts que existiam para a Europa à época [grosso modo, minarquia e socialdemocracia]).
Tenho uma pergunta, e você responde diretamente ou via um link: como o austroliberalismo caiu, no pós-2ª GG, no quase completo ostracismo político e intelectual, se ele foi alicerce para a retomada econômica europeia (e, suponho, também na Ásia, pois você disse que cada pais em dado momento, foi liberalista)? Seria porque estas figuras (como Einaudi, Rueff e Erhard) eram antes de tudo políticos, ao invés de economistas, e portanto faziam "concessões conciliatórias que levavam ao socialismo" (como disse von Mises em seu artigo)?
Agradar-me-iria muito uma resposta a respeito por meio de um link, mas acima de tudo, sua opinião, pela qual nutro muita estima.
Bom fim de semana a todos. Responder
Pedro Ivo, houve uma sequência de fenômenos:
1) Primeiro houve a ascensão do keynesianismo na década de 1960, teoria esta que delegava ao governo, aos políticos e aos burocratas poderes oniscientes e total capacidade de fazer uma sintonia fina em todas as variáveis da economia. Qual político ou burocrata diria não a uma teoria que diz que eles são o máximo?
2) Com a derrocada do keynesianismo em meados da década de 1970, surgiu outra teoria dominante, o novo liberalismo -- popularmente chamado de neoliberalismo --, esposado por acadêmico da escola de economia de Chicago. Tal teoria dizia que o governo não deveria exercer tanto poder sobre a economia, mas ainda delegava aos políticos e burocratas enormes poderes sobre questões cruciais.
3) Já em meados da década de 1990, políticos, burocratas e acadêmicos perceberam que o mundo poderia ser muito mais bonito caso as duas teorias acima fossem mescladas numa só: donde surgiu o novo keynesianismo, que é chicaguista na microeconomia e keynesiano na macroeconomia. O resultado é a beleza que está aí.
E por que a escola austríaca não é aceita? Porque ela diz exatamente tudo aquilo que político, burocrata e acadêmico nenhum quer ouvir. O governo gastar muito é ruim para a economia; imprimir dinheiro é péssimo para economia; déficits orçamentários devem ser abolidos; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é ruinoso para a economia; regulamentações atravancam o crescimento econômico.
Já a mescla ideológica atual diz: ""Ei, gastar muito é bom para a economia; imprimir dinheiro é ótimo para economia; déficits são perfeitos para a economia; inchar a máquina estatal, dando emprego para burocratas, é maravilhoso para a economia; regulamentações, se feitas por keynesianos, são supimpa e geram muito crescimento econômico. Ah, sim, e austeridade é péssimo. Ignorem economistas insensíveis que sugerem isso. Apenas gastem os tubos e se endividem ao máximo. O paraíso é aqui, e o Jardim do Éden, onde não há escassez, pode ser perfeitamente replicado pela impressora de dinheiro."
Qual político resiste a isso?
Aliás, conhecendo-se a volúpia do ser humano por poder e controle sobre a vida alheia, seria genuinamente um milagre caso as ideias austríacas prevalecessem no mundo atual.
Grande abraço!
Responder
Gostei muito dos pontos [1] [2] e [3] que você apresentou. Eu não dispunha destas informações.
Outra questão: sendo que no pós-2ª GG havia economistas de formação austríaca em atividade no estado, na iniciativa privada e na academia, ainda fica um hiato de entendimento para mim. Eu entendo que a promessa de poder feita (aos acadêmicos, políticos e burocratas) pelo keynesianismo, chicaguismo e teoria dos jogos era irresistível; mas não entendo como pessoas que não topavam esta 'aposta de fausto', e que produziam resultados (como Einaudi, Rueff e Erhard), podem ter sido defenestradas tão eficientemente. Note que elas estavam em posições-chave, detinham poder, escolhiam seus assessores (e em certa medida seus sucessores), e eram capazes de produzir resultados desejáveis na vida pública, e de serem formadores de opinião (via produção intelectual, participação na imprensa, influência na academia e nas opiniões que a imprensa divulgava, escolhas de assessores e quadros em seus partidos; enfim: promoção de pessoas e ideias). Como estas pessoas podem ter perdido a 'batalha das ideias' tão abrangentemente? Von Mises sempre ressaltava que toda prática tem por trás uma ideia. Como, em sua opinião Leandro, eles foram perder tão largamente esta batalha, se eles tinham posições privilegiadas para pelejá-la?
Mais outra questão (esta nada tem a ver com o artigo; estou só aproveitando que as postagens deste artigo estão abandonadas, assim posso usá-lo para conversar sobre o assunto com você): já que a praxeologia estuda o comportamento humano em seus aspectos formais, talvez seja do interesse do praxeologista os avanços em "discussões formais" ao longo do século XX, como metalógica, metamatemática, teoria dos modelos, teoria dos operadores, etc.. Há pesquisas em teoria austríaca que tentam fazer avançar a praxeologia via aplicação das ideias de Gödel, Tarsky, Skolem, Frege, Russel; e outros teóricos da lógica e metalógica; aos esquemas teóricos de von Mises e Rothbach?
novamente, bom fim de semana Responder
mas não entendo como pessoas que não topavam esta 'aposta de fausto', e que produziam resultados (como Einaudi, Rueff e Erhard), podem ter sido defenestradas tão eficientemente.
Quem já esteve presente em um ambiente cada vez mais cheio de estatistas sabe como é difícil ter ideias contrárias às deles. Os discursos do paraíso na terra criado pelo estado são muito, muito sedutores, e se você não entra no jogo passa a ser considerado uma pessoa vil e mesquinha, despreocupada com os pobres e oprimidos. É raríssimo ver um discurso realmente racional, na maior parte dos casos, parte-se para o estudo de casos extremos, como "se o estado não controlar a economia uma raça de seres superiores vindos de uma dimensão paralela nos escravizará e nos obrigará a trabalhar comendo toda a areia do Saara para produzir tijolinhos!", ou "se o estado não tiver o controle sobre os recursos os capitalistas irão destruir todas as florestas, porque, sei lá, porque eles são maus e faz muito sentido econômico destruir uma floresta inteira, acabando com recursos valiosos para ter um monte de madeira cujo manejo custará uma fortuna e custará uma ninharia, já que eu tenho um monte Everest de madeira e não há tanta demanda assim por madeira!". Perceba que não há nenhum raciocínio lógico envolvido: há uma resposta com um componente emocional muitas vezes insidioso.
Além, é claro, de não ter em ao seu lado a parceria da entidade que possui a impressora de dinheiro. Acho que podemos dizer que há uma lei universal da gravitação em torno de quem tem a impressora de dinheiro e o monopólio da emissão de moeda. É natural que todos queiram fazer parte dessa entidade ou girar em torno dela.
Responder
Será que o tal de Renatão também já atacava o Olavo de Carvalho assim como o IMB?
www.olavodecarvalho.org/textos/renatao.htm Responder
Grato pela resposta Pipe. Penso que sua opinião faça muito sentido. Àquilo que se denomina "público" há, associado, um elevado grau de proselitismo e messianismo; logo, de irracionalismo. Não há interesse em se discutir 'adequação X inadequação' entre objetivos expostos e atingidos, pois caso se discuta por este viés, estar-se-irá violando as convicções/suscetibilidades envolvidas, e nunca (p/ a maioria da pessoas) aceita-se convicções sejam questionadas com base nos resultados (a culpa é sempre da realidade e da desvirtude dos d+. Os valores são puros, e não podem ser questionados com bases pragmáticas pois são prioridades superordenadas: devem ser atingidas a quaisquer custos). Responder
Leandro, Por que alguns países que possuem arrecadação de impostos de aproximadamente 40% do PIB, como os citados por você, ainda assim apresentam um nível de desenvolvimento muito maior, estatisticamente? A simples abertura de mercado explicaria isso? Responder
Também, mas não só. Há outros detalhes essenciais, como liberdade de empreendimento, burocracia, facilidade para a abertura de empresas, respeito à propriedade privada, instituições robustas, segurança institucional etc.
Nenhum país enriquece se não observar estes quesitos. Recomendo este artigo:
www.mises.org.br/Article.aspx?id=271
Abraço! Responder
Obrigado pela atenção de sempre, Leandro. Responder
Excelente texto e excelente discussão. Vocês são claros, práticos e elegantes no fórum. Responder
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