
Quanto a tecnologia necessária para operar transações, acredito que não haveria problemas. Outro dia soube de um amigo, que sempre vai ao Japão e, ele me informou que as pessoas lá já estão usando o celular para fazer transações financeiras.\r Apenas colocando o celular junto a caixas eletronicos e, óbvio, permitindo através de senhas o usuário pode fazer pagamentos debitando sua conta bancária automaticamente.\r No que diz respeito a moedas de ouro ou prata, acho que não haveria tanto problema em portá-las, assim não!\r Acho inclusive, que muitas pessoas, senão a maioria, iriam optar por andar com alguma quantidade de moeda; nem tanto de ouro mas, de prata, que serviriam para as compras do dia-a-dia. As moedas de ouro, por terem valor mais alto, seriam usadas para compra de bens de maior valor agregado.\r Aliás, acho que a moeda teria um nome como tinham as moedas de ouro e prata antigamente; poderia continuar sendo REAL mesmo. A diferença é que seriam cunhadas por empresas privadas e, com certeza, por pessoas em fundo de quintal. Por que não? Se fosse mantido o livre mercado na cunhagem de moeda, apesar da pressão dos grandes bancos, teríamos uma infinidade de serviços sendo prestados, não só por grandes empresas mas, até mesmo por camelôs e ambulantes.\r A única legislação simples e, de pouquíssimas linhas, talvez fosse justamente para garantir um determinado grau de pureza do ouro/prata das respectivas moedas. Acho que não seria difícil e caro haver pequenos scanners pessoais portáveis por pessoas comuns, que testassem justamente a pureza das moedas, quando de uma transação comercial, na hora em que estivessem recebendo um pagamento em espécie. Seria muito útil contra moedas falsas ou fora do padrão.\r Por convenção entre os bancos e outros agentes financeiros, um determinado tamanho e consistencia dos tíquetes deveria ser estabelecido e, inclusive, o valor máximo que um tíquete deveria ter em ouro, para não incentivar fraudadores.\r Fora isso, não haveria maiores problemas. Responder
Muito bom!\r \r Como seria a poupança? Responder
Muito bom o artigo. Se a tia zelia(Zélia Maria Cardoso de Mello) tivesse implantado o padrão ouro em vez do plano collor teria outra historia nosso pais.dizem que o maior assalto ocorrido no pais foi o do banco central de fortaleza,engano foi o da tia zelia,roubou todo mundo e ainda deixou um troco pro onibus. Quando socialistas,sociais democratas,estatistas ficam intransigentes nas suas posicões eu uso o exemplo do confisco ocorrido no plano collor,abre a mente deles facil. Ja fica como sugestão artigo sobre o maior intervenção do estado na economia brasielira(se tiver outro exemplo me corrijam-me). Responder
Leandro, Acho interessante fazer uma análise do padrão-ouro com banca "livre" (eu diria fora-da-lei) em que o banco pode operar com reservas fracionárias e o padrão-ouro com reservas de 100%.
Somente um sistema de reserva de 100% pode evitar ciclos econômicos e crises bancárias. Como você bem sabe, esse é um ponto que divide muitos austríacos libertários. Alguns dizem que a banca deve ser livre. Eu e muitos outros como Salerno, Huerta, Lew, Woods, etc., acreditam que sim deve haver concorrência e a banca deve ser livre, mas sempre operando sob os princípios do direito e não cometendo fraudes (sistema fracionário).
Banca livre sim, fora-da-lei não. Responder
A "seleção natural" da economia resolve o problema de poder ou não usar reservas fracionarias mesmo em um livre mercado. Se não for sustentavel, quem praticar vai quebrar, restando apenas os que não praticaram... Se for sustentável, ambos co-existiriam... não sei porque tanta briga por algo que o mercado ajusta naturalmente... Responder
Fernando, eu concordo com vc, mas acredito que se o banco explicitar que o esquema dele é o esquema de reserva fracionária ele não estará incorrendo em fraude, acredito que não seria muito demandado, mas, vai saber, muita gente entra em "piramides".
Leandro, Ficou uma duvida quanto ao crescimento das reservas de ouro, ele cresce a uma taxa de 2% ao ano composta? E, discordo que haja qualquer problema com o peso do ouro para sua portabilidade. Responder
Zeh, é uma questão jurídica. Se é um depósito à vista o banco deve manter a todo momento 100% do valor depositado e ponto final. Não é uma estratégia ou forma de administrar que cabe a cada banco decidir. Não, incorrer em fraude é uma obrigação contractual. Fraude é fraude em qualquer atividade empresarial, seja um banco, uma padaria, uma concessionária ou o que for.
A Lei de Peel na Inglaterra já havia identificado isso em 1844, mas infelizmente pecaram ao não identificar que depósitos à vista faziam parte da massa monetária e acabou que foi proibido somente emissão de bilhetes de bancos sem lastro em dinheiro material, na época, ouro e prata.
Roberto, teóricamente isso é possível, ainda que muitos juristas classificariam um contrato como esse de nulo, pois é impossível de ser cumprido. Basicamente o banco faz o que quiser com o dinheiro e o depositante/prestador fica a mercê da instituição. Um depósito não pode ser um empréstimo e vice-versa, os dois ao mesmo tempo, como defendem alguns, é um monstro jurídico impossível de ser cumprido. Mas acho que na prática tal serviço jamais seria demandado. Responder
Leandro.\r Parabéns pelo excelente artigo.\r \r Minha dúvida é: se um artigo constitucional definisse a identidade dos meios de pagamento com o produto da economia (uma intenção declarada da nação contra a irresponsabilidade monetária dos próprios governos), não teria o papel moeda oficial a mesma função do ouro? Se assim for estabelecido, poderíamos então ter um inicio de free banking, pois em caso de crise de confiança a moeda oficial estaria totalmente lastreada?\r \r \r Grato Responder
acho que surgiria uma agência de regulação mantida por empresas comerciais ou consumidores que demandaria dados de solvência dos bancos (para checar se não está havendo criação de meio fiduciário) e enviaria auditores para checar a qualidade das moedas e sua armazenagem... Responder
Caro Leandro, como evitar a inflação monetária, em países ricos em ouro? E como evitar que os interesses das grandes mineradoras, inflacione a economia? Responder
Caro Fernando Ulrich, em um ambiente de livre mercado, sem a existência de um banco central, se um banco em particular decidir praticar operações com reservas fracionárias, isto é, empréstimos não respaldados pela quantidade de dinheiro correspondente, então este banco poderá ativar um ciclo de expansão-recessão. No entanto, é duvidoso que o banco poderá praticar essa expansão por muito tempo, uma vez que ele corre o risco de não ser capaz de descontar seus cheques e, como conseqüência, se tornar insolvente. Em outras palavras, na estrutura de um genuíno livre mercado, se não houver uma autoridade monetária central, o fenômeno do ciclo de expansão-recessão teria dificuldade em surgir, já que o incentivo para se praticar as operações bancárias de reservas fracionárias não seria muito atraente. Afinal, Os bancos não poderiam ser temerários, pois não haveria um BC para salvá-los quando se tornassem insolventes. É através da intervenção sistemática do banco central que a injeção monetária se torna possível, o que por sua vez gera os recorrentes ciclos de expansão-recessão.
Responder
Respondendo a algumas questões:
Roberto, o estoque de ouro cresce, historicamente, a uma taxa de 2% em relação ao estoque do ano anterior. Isso foi o que Peter Schiff escreveu em seu livro Crash Proof.
Fernando Ulrich, eu pessoalmente concordo com tudo que você disse, mas também respeito a corrente que diz que as reservas fracionárias são benéficas. O argumento da fraude tem muito apelo para mim, mas nem sempre para os outros.
No padrão-ouro puro, para que se mantivesse reservas de 100%, a solução teria de ser algo próxima ao que o Rafael Hotz sugeriu. Rothbard falava na criação de ligas antibancos, comandada por consumidores, que estariam constantemente fiscalizando os bancos e informando sobre aqueles praticando reservas fracionárias.
Pra mim, um cenário como esse descrito no artigo, embora talvez não garantisse 100% de reservas, ao menos tenderia a uma porcentagem bem próxima dessa.
Prezado Não está muito claro, quando você diz 'países ricos em ouro', você se refere a países com muito ouro já escavado, ou a países com muito ouro em potencial para ser escavado? No primeiro cenário, não há problema algum. No segundo, embora improvável, as pessoas desse país poderiam voluntariamente escolher outra moeda, caso achem que o ouro é igual papel. Por que não?
Sobre as mineradoras, a atividade delas seria igual a qualquer outra atividade econômica. A produção de ouro, como qualquer outra atividade, é determinada por fatores que restringem a sua produção. Escavação de ouro não é coisa simples, não é barata e sua produção não surge da noite para o dia. Se começar a haver muita demanda por serviços de mineração, estes tornar-se-ão caros e pouco lucrativos. O que, por conseguinte, limitará a oferta de ouro.
Quantidades adicionais de ouro só serão "produzidas" se os produtores conseguirem retirar fatores de produção de outras áreas do mercado. Ao fazerem isso, essas áreas que agora ficaram carentes de fatores vivenciarão um repentino aumento da demanda por mão-de-obra, o que consequentemente estimulará um aumento de salários. Se você imaginar que isso está acontecendo em toda a economia -- ou seja, todas as áreas da economia competindo por fatores desviados para a mineração --, é absolutamente implausível que a mineração ganhe a batalha. Haveria um aumento repentino de salários em todas as áreas econômicas, e a mineradoras não seriam capazes de ofertar salários maiores.
Ou seja, simplesmente falar que as mineradoras vão sair aumentando a oferta de ouro é algo que não faz sentido econômico. Ademais, mesmo que isso fosse possível, elas não ganhariam no longo prazo. Maior oferta de ouro significa menor preço unitário do ouro, o que derrubaria por completo o lucro das mineradoras.
Questão de ciência econômica.
Responder
Caro Leandro,
O padrão-ouro puro, conforme descrito no seu artigo, não poderia causar o transtorno de um certificado de ouro emitido por um banco especifíco não ser aceito por algum vendedor? Eu imagino alguém indo fazer compras em um mercado e ao chegar no caixa descobre que o dono possui alguma reticência com relação ao banco emissor do seu certificado. Responder
Me refiro a países como a África do Sul que possuem grandes jazidas de ouro...como fazer para evitar a inflação monetária???
Outra coisa, ao contrário do que você disse, num ambiente de livre-mercado, muita demanda por serviços de mineração não seria vista como um problema, mas como uma oportunidade. Empresários estariam se atropelando para satisfazer a demanda, assim como acontece em todos os outros setores que são controlados pelo mercado. As mineradoras estariam rezando por muita demanda de serviços de mineração. Responder
Prezado Edik, esse transtorno é perfeitamente possível. É por isso que os bancos teriam de se esforçar para ser de confiança. Se não forem -- isto é, se seus certificados não forem amplamente aceitos --, ninguém irá depositar ouro neles, e eles rapidamente desaparecerão do mercado.
Errado, anônimo. Confundiu-se.
Uma coisa é demanda por serviços de mineração. Outra coisa são as mineradoras demandando mão-de-obra para benefício próprio, exatamente o cenário por você aventado anteriormente, quando perguntou como evitar que os interesses das grandes mineradoras inflacionasse a economia.
Sobre a África do Sul, já respondi na última postagem. Responder
Leandro;\r \r "Se um banco emitisse mais tickets do que pode redimir em ouro, seus concorrentes iriam à forra. Bastaria que avisassem ao público que o Banco A está praticando fraude e, por isso, está tecnicamente insolvente."\r Nenhum banco permitiria que seus concorrentes o auditassem... mas talvez isso pudesse ser minimizado por organismos certificadores independentes, ou pelo Banco Central.\r \r "Quantidades adicionais de ouro só serão "produzidas" se os produtores conseguirem retirar fatores de produção de outras áreas do mercado. Ao fazerem isso, essas áreas que agora ficaram carentes de fatores vivenciarão um repentino aumento da demanda por mão-de-obra, o que consequentemente estimulará um aumento de salários."\r A CVRD tira milhoes de tonaladas de minério do solo e nem por isso chega a inflacionar os salários. Ok, mineraçao de ouro é diferente, mas pra um dado setor inflacionar a economia inteira ele precisa ser muuuuito grande.\r \r "Ou seja, simplesmente falar que as mineradoras vão sair aumentando a oferta de ouro é algo que não faz sentido econômico. Ademais, mesmo que isso fosse possível, elas não ganhariam no longo prazo. Maior oferta de ouro significa menor preço unitário do ouro, o que derrubaria por completo o lucro das mineradoras."\r Faz sentido sim as mineradoras aumentarem a oferta de ouro, já que o artigo está trabalhando com um ambiente concorrencial, ou seja, pra cada mineradora o preço do ouro é constante qualquer que seja a quantidade produzida... questáo de ciëncia economica. Responder
Ulisses, um banco não precisa auditar outro banco para desconfiar que este estaria praticando reservas fracionárias. Bastaria, por exemplo, ver o quanto ele está cobrando de juros nos empréstimos concedidos, ou mesmo ver o volume de empréstimos que ele está concedendo em relação à quantidade de depositantes (em contas de poupança) que ele possui. Qualquer entidade séria teria todo o interesse em divulgar seus balanços. As que não divulgassem, provavelmente estariam fazendo coisa por baixo do pano, motivo suficiente para fazer com que seus clientes tirassem o ouro de lá.
A comparação com a Vale foi totalmente infeliz e sem nexo. Basta ver o preço do grama do minério de ferro e comparar com o grama do ouro. A enorme distância que separa os dois explica por que a Vale não tem nenhuma capacidade de atrair mão-de-obra de toda a economia e inflacionar os salários. Ora, nem uma mineradora de ouro teria, quanto mais a Vale. Questão de lógica econômica, meu caro.
Para completar, você parte do princípio de que basta as mineradoras quererem, que elas vão aumentar abundantemente a oferta de ouro, num passe de mágica. Resta a você explicar como que uma área que produz historicamente 2% vai passar a produzir 20% (aumento médio anual da base monetária no Brasil) num passe de mágica, sem qualquer consideração com o capital e trabalho necessários para tal. Escavação não é coisa simples, que você faz com uma pá de plástico, e tampouco as reservas são infinitas. Ademais, se fosse possível aumentar repentinamente a oferta (o que não é), o preço do ouro desabaria, fazendo com que as mineradoras amargassem severos prejuízos. Apenas keynesianos acham que vivemos na abundância e que as coisas surgem do nada e repentinamente.
Ademais, as mineradoras vão aumentar a produção apenas se houver aumento da demanda por ouro (como você sabe, a demanda por moeda não é constante; às vezes ela aumenta, às vezes diminui). Caso contrário, simplesmente não haveria retorno para o investimento.
Questão de lógica e ciência econômica, de novo.
Responder
Leandro, os bancos dos EUA sao auditados por empresas independentes, pelo FED e publicam balanços... e mesmo assim deu no que deu... nao importa quais os parametros de avaliaçao (no modelo proposto pelo artigo os parametros seriam diferentes), o que se viu é que empresas grandes e complexas tëm uma enorme capacidade de esconder sujeira debaixo do tapete. Além do mais, acusaçoes feitas por concorrentes náo teriam tanta credibilidade.\r Se vc for especialista em mineraçao talvez esteja correto na sua avaliaçao da produçao de ouro, mas a logica economica está contra seu argumento. Quando o valor relativo de um bem aumenta (e seria o caso do ouro caso fosse mais utilizado como meio de troca e reserva de valor), a corrida pra aumentar a produçao é sempre bem sucedida. Veja o petróleo, que até pouco tempo atrás diziam estar em vias de acabar... o preço subiu, foram criadas novas tecnologias, novas reservas foram encontradas e a economia mundial nao vive nenhuma inflaçao por essa corrida ao petroleo. O mesmo aconteceu com o carvao décadas atrás, e hoje este é um minério barato. (o argumento nao é keynesiano)\r A propósito, a comparaçao com a Vale tem nexo sim, porque a capacidade e o interesse de uma empresa para atrair novos fatores de produçao nao tem a ver com o preço unitário de seus produtos. Depende sim da lucratividade do negocio, que tem sido bem razoável no caso mencionado.\r Concordo com vocë que a expansao da base de ouro provavelmente seria menor que a de papel moeda (mas será bem mais que 2% a.a.). Responder
Concordo que a moeda deva ter um lastro. Mas não creio que o ouro seja um candidato apropriado para isso. O valor do ouro é simbólico. Qual a utilidade do ouro? Obturações dentais? Fazer parte de alguns componentes eletrônicos? A aplicabilidade desse metal é muito restrita a ponto de servir de lastro. \r Um bom candidato seria algo vital tanto para remediados quanto para necessitados: Comodities agrícolas. Responder
Exatamente, Ulisses! Os bancos americanos eram supervisionados pelo Fed. Tudo o que eles fizeram estava de acordo com as regras estabelecidas pelo Fed. E foi uma maravilha, não? É exatamente esse o problema. A chancela de uma autoridade monetária serve simplesmente para aumentar o risco moral. "Não se preocupem! Os burocratas estão de olho! Nada de mau pode acontecer!"
Você está correto ao dizer que quando o valor relativo de um bem aumenta, a corrida pra aumentar a produção é sempre bem sucedida. Isso não foi debatido. A questão, em termos de ouro, é: essa produção pode ser facilmente aumentada? Pode ser rapidamente aumentada? Pode aumentar sensivelmente? Lembre-se que estamos falando apenas de um país no padrão-ouro, e não o mundo inteiro.
Vale a pena enfatizar: a mineradoras precisam investir recursos na descoberta, mineração e transportação (a palavra é feia, mas existe) de uma commodity especialmente escassa. Isso custa tempo e, principalmente, dinheiro. Ou seja: custa dinheiro criar dinheiro (esse é o ponto).
Ademais, essas mineradoras, ao extraírem ouro, estão produtivamente adicionando à economia um estoque de ouro que pode ser utilizado para usos não-monetários, principalmente na indústria.
Ou seja: mesmo que houvesse esse súbito e repentino aumento na produtividade (eu particularmente não acredito em algo dessa grandeza, mas posso estar enganado), o ouro ainda estaria sendo utilizado para outros fins não-monetários.
Ainda sobre a contenda da Vale, você disse que a capacidade e o interesse de uma empresa para atrair novos fatores de produção não tem a ver com o preço unitário de seus produtos, mas, sim, com a lucratividade do negócio. Permita-me discordar. A lucratividade não necessariamente determina a remuneração dos fatores de produção (afinal, é isso que está em discussão desde o início, certo?)
Dou alguns exemplos práticos. Postos de gasolina e concessionárias de automóveis são setores que apresentam alta lucratividade. Porém, a mão-de-obra está longe de ser das mais bem remuneradas. Tampouco esses são setores que exercem fascínio sobre toda a mão-de-obra da economia (de novo, é isso que está em discussão). O mesmo vale inclusive para o setor bancário. Os altos executivos ganham muito, é certo, mas um caixa está longe de ter um salário dos sonhos. O mesmo acontece com as mineradoras.
Por outro lado, pense no setor aéreo mundial. Temos aí um setor com lucratividade baixa (exceto no Brasil, onde a ANAC mantém um duopólio), mas cujos profissionais são bem remunerados (melhor que caixa de banco, atendente de concessionária e frentista.
Assim, mantenho minha opinião (que não é minha, é óbvio; adquiri com leituras de vários artigos sobre o assunto): uma mineradora, ainda que de ouro, não teria essa capacidade de atrair mão-de-obra para sua produção a ponto de inflacionar os salários dos outros setores da economia.
Entretanto, é óbvio que aceito de bom grado a divergência.
Abraços!
Responder
Ulisses,\r Se o ouro voltar a ser a moeda efetiva, ou seja, o dinheiro utilizado pelas pessoas nas relações de intercambio, pode ser que sim haja uma "corrida" de investimento na mineração do metal. Porém, como já explicou o Leandro, em um primeiro momento (digamos no primeiro ano ou um pouco mais), a produção pode até aumentar, mas somente será possível amentá-la na medida em que as mineradoras possam lucrar com essa atividade.\r \r Portanto, no longo prazo somente quem conseguir ser rentável permanecerá no mercado de mineração, e como sabemos, um sobre-investimento em um setor, tende a elevar seus fatores de produção o que poderá ocasionar perdas a companhias envolvidas neste ramo de negócio. \r \r O fator de crescimento de 2%a.a. no estoque de ouro é algo que não somente Peter Schiff afirma, mas vários especialistas no setor como Jim Rogers e Marc Faber além de inúmeros economistas austríacos.\r \r Como o ouro não é "consumido", como petróleo, minério de ferro, etc., praticamente todo o ouro extraído continua sendo usado/demandado em forma de reservas de bancos centrais e reservas pessoais. O consumo industrial do ouro é pífio e irrelevante, assim como o seu consumo em jóias (que neste caso continua existindo, apenas de outra forma: corrente, brincos, anéis, etc.).\r \r Então, AUMENTAR A OFERTA TOTAL DE OURO NO MUNDO é algo extremamente difícil de suceder pois ainda que uma mineradora duplique sua produção anual, o efeito sobre o estoque total de ouro já extraído seria pequeno. No momento, não há tecnologia capaz de aumentar subtancialmente a extração e mineração do ouro, muito menos de reproduzí-lo químicamente. Se isso algum dia acontecer, o ouro perderá uma de suas melhores qualidades como moeda, a escassez, a provavelmente deixará de ser usado como dinheiro pelas pessoas. O que me leva a responder o próximo leitor.\r \r Ralph, a principal utilidade do ouro você esqueceu, a de meio de troca, ou mais conhecido como dinheiro. Como você bem menciona, o seu uso industrial é irrelevante. Entretanto, o ouro foi escolhido a través de anos de experiências e relações de intercambio de milhões de seres humanos como sendo a melhor commodity para cumprir a função de meio de troca. Este é o seu valor. Não é um valor de consumo como petróleo, arroz, gás, leite, água, etc. É sua utilidade como meio de troca. \r \r Para uma commodity cumprir essa função, há várias qualidades que deve atender, como durabilidade (a grande maioria dos produtos agrícolas não cumpre), divisibilidade ou maleabilidade (muitos produtos agrícolas também não cumprem), portabilidade, visibilidade (que seja de fácil reconhecimento) e das mais importantes, escassez. \r Produtos agrícolas ao longo dos séculos, e especialmente após a revolução industrial, sofreram enormes aumentos de produtividade, tornando-os menos escassos.\r O grande triunfo do ouro (e prata em menor medida) foi o de ser ESCOLHIDO/ADOTADO por todos os cidadãos como sendo a melhor commodity para desempenhar a função de dinheiro. Não porque um Governo assim o decretou, mas sim porque o mercado assim o escolheu. Pode ser que isso mude em 50, 100 ou 500 anos. Mas até hoje, não conseguimos encontrar nada superior.\r \r Roberto, refleti um pouco mais e me lembrei que há outro argumento jurídico, além do de fraude.\r Um contrato bilateral entre banco e depositante, ainda que o banco "explique" que utiliza um sistema de reservas fracionárias também não pode ser considerado como válido. Explico, o sistema de reservas fracionárias consiste em que o banco pode "aumentar" a oferta monetária a partir de uma soma inicialmente depositada. Ao aumentar essa oferta monetária, 2 ou mais pessoas (incluindo o depositante) podem usufruir da disponibilidade monetária e realizar trocas com outros agentes econômicos (considerando que os certificados de bancos sejam utilizados e geralmente aceitos neste mercado). Ora, a partir de um depósito inicial de, digamos R$ 1,000 o banco pode aumentar a oferta monetária substancialmente. \r Feito isso, o inicialmente bilateral acabará afetando a terceiros, e não somente o depositante inicial e o banco, mas sim toda a comunidade inserida neste mercado que invariavelmente verá o poder de compra de seu dinheiro diminuir. Portanto, um contraro livremente acordado entre banco e depositante jamais pode ser bilateral e válido, pois afeta a terceiros inevitavelmente. Responder
Falando em ouro, segue um link bem interessante:\r \r investinganswers.com/a/50-surprising-facts-you-never-knew-about-gold-1370 Responder
Olá Fernando,
Um contrato bilateral entre banco e depositante, ainda que o banco "explique" que utiliza um sistema de reservas fracionárias também não pode ser considerado como válido. (...) Feito isso, o inicialmente bilateral acabará afetando a terceiros, e não somente o depositante inicial e o banco, mas sim toda a comunidade inserida neste mercado que invariavelmente verá o poder de compra de seu dinheiro diminuir.
Isso não confere. Como vários austríacos já ressaltaram, o valor de uma propriedade não é característica intrínseca da mesma. Logo, o valor da moeda que você porta não é característica da mesma. O valor dessa moeda, ou de qualquer outra propriedade sua, é uma opinião alheia, que pode mudar devido a inúmeros fatores. Tal mudança de opinião não viola os direitos de ninguém. Sim, um aumento da oferta monetária pode depreciar o valor da sua moeda. Assim como a própria atividade de mineração deprecia o valor do ouro. Assim como uma construção "feia" do lado da sua casa pode depreciar o valor da mesma e por aí vai. Nada disso é criminoso.
Independente de ser eficiente ou não, reservas fracionárias previstas em contrato não são fraudulentas. (e eu particularmente acho que elas poderiam ser eficientes se fossem transformadas em algo como "compra automática de títulos de dívida"... tipo, se o seu dinheiro excedente em conta corrente automaticamente fosse convertido em títulos de dívida como CDBs, que poderiam ser vendidos automaticamente pelo banco quando necessário... não é mais exatamente reserva fracionária mas trás o mesmo benefício, de emprestar automaticamente o dinheiro parado em conta corrente) Responder
Tiago RC, Você tem razão. Confesso que pensei isso após postar este argumento, que realmente não é sólido.
Sobre a questão de CDBs, acredito ter analisado no outro artigo sobre reservas fracionárias. Responder
Voltei!\r \r Estive bastante atarefado com as provas finais do semestre letivo e com o estágio. Por tal motivo não pude dar a atenção que eu queria ao site em geral (acompanhamento de artigos e postagem de comentários) e a esse tema em específico.\r \r Adorei a tua explicação sobre o padrão-ouro puro, caro Leandro! Excelente, didática, simples. Só me resta aguardar a terceira parte da série... Hehehehe...\r \r É interessante o quão viável se torna o funcionamento sem percalços das atividades humanas quando não há uma Onisciente Autoridade a se meter onde não é chamada, destruindo a livre iniciativa e o esforço dos indivíduos por crescente padrão de vida, o qual decorre da adoção de sistemas coerentes (como é o caso do padrão-ouro puro) e do acúmulo de capital (que propicia novos investimentos, novas tecnologias, aumento da produção e maiores salários). O Deus Estado, convém lembrar, é aquela grande ficção através da qual todos tentam viver às expensas de todos os outros (Bastiat); sempre quando ele intervém, alguém ganha porque outro perde.\r \r Só faço um questionamento. Como é que funcionaria o padrão-ouro num ambiente de moeda estatizada? Como ele conseguiria frear as demências inflacionárias criadas pelos governos? Como ele evitaria que houvesse o apadrinhamento do setor bancário, não se permitindo, assim, todos aqueles favores já largamente expostos pelo IMB?\r \r É isso. Agora lerei os demais artigos e, quando conveniente, lançarei comentários.\r \r Grande abraço, Leandro!\r \r Marcelo.\r \r Responder
Prezado Marcelo, perdoe-me pela demora. Essa semana tem sido bastante atarefada para mim.
Antes de tudo, muito obrigado pelos elogios.
Sobre o padrão-ouro num ambiente de moeda estatizada, confesso não ver como isso seria duradouramente possível. Grosso modo, foi o que ocorreu nos EUA entre 1914-1933.
Porém, falando imparcialmente, em um padrão-ouro estatal, o governo e o sistema bancário iriam emitir moeda, sendo que apenas parte estaria lastreada por ouro. Caso houvesse uma corrida bancária que pusesse toda a estabilidade do sistema em risco, certamente o governo iria intervir, decretar feriado bancário e proibir as pessoas de retirarem seu ouro dos bancos (exatamente como ocorreu durante a Grande Depressão).
Tal procedimento forçaria uma grande deflação monetária, precipitando recessões, insolvências e instabilidade ao sistema econômico.
Portanto, um padrão-ouro estatal não teria como evitar o apadrinhamento do sistema bancário pelo governo.
Por isso, o ideal seria, antes de tudo, abolir o banco central, retirar todas as proteções governamentais à atividade bancária, deixar a oferta de moeda a serviço do mercado e ter um sistema judicial que garantisse o cumprimento de contratos (o dinheiro é seu, você o resgate quando quiser, de acordo com o contrato firmado).
Sem esses quatro itens, não há como haver estabilidade monetária.
Abraços! Responder
Caro Leandro,\r \r Retornei do meu estágio às sete e meia e jantei com a minha família. Só agora pude sentar e te escrever.\r \r Eu te agradeço MUITO pela excelente (como de praxe) explicação. De fato, o padrão-ouro num sistema monetário estatizado não perduraria, pois os bancos sempre se beneficiariam de privilégios outorgados pelo Deus Estado, que nesse sentido é enormemente criativo. A concorrência, corolário da liberdade econômica, dissipar-se-ia num átimo, e a tão sonhada estabilidade monetária nunca se alcançaria.\r \r Chegaram até a proibir os indivíduos de retirarem o seu PRÓPRIO patrimônio dos bancos! Sim, os direitos de propriedade, infelizmente, tornam-se 'letra morta' quando há o governo se metendo na economia.\r \r Sem estabilidade no sistema monetário, não existe a possibilidade de um perene funcionamento adequado das atividades econômicas; invariavelmente sobrevêm colapsos (recessões e crises), desemprego e graves distorções.\r \r Não há problema quanto à tua demora. Eu apenas a estranhei. Então já sei: se demorares, é porque estás atarefado.\r \r Grande abraço, Leandro!!!\r \r Marcelo.\r Responder
blogs.estadao.com.br/celso-ming/2010/11/09/volta-do-padrao-ouro-e-praticamente-impossivel/ Responder
Essa me fez lembrar de outras afirmações fortes. Especialmente a seguinte:
"Qualquer um familiarizado com o assunto vai reconhecer isso como um evidente fracasso" - Henry Morton, presidente do Instituto de Tecnologia Stevens, sobre a lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1880. Responder
"Bastaria um pequeno banco exigir a compensação de um banco que criou meios fiduciários, e este ficaria imediatamente em apuros, tendo de pedir ouro emprestado para outros bancos para cobrir seu rombo"\r Não necessariamente. Uma coisa é criar tickets que não são lastreados, outra coisa é dizer que um pequeno banco poderia compensar todos (ou um número suficiente para revelar uma "fraude", no caso da informação não estar à mostra) os tickets de um banco (supondo que ele não têm APENAS tickets sem lastro).\r Acho que não é possível contar com esses mecanismos "anti-fraude", se a idéia for de imprevisibilidade, contando com alguma "irracionalidade" do consumidor + possível falta de informação (nem sempre será possível descobrir que tal banco emite tickets sem lastro, e, mesmo descoberto, talvez não haja a corrida para trocar tickets).\r Ainda assim, se bancos não contarem com dinheiro público, é possível dizer que provavelmente não arriscarão tanto quanto arriscam agora(emitindo tickets sem lastro, estando submetidos à uma "falência" - a corrida para trocar tickets), já que ninguém vai socorrê-los. Responder
Olá Leandro! Já existe a parte três destes belos artigos?
As melhores vibrações!!! Responder
Até na China já tem maquina pra comprar ouro: g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/09/china-instala-maquina-que-vende-ouro.html Responder
Leandro Roque, Me desculpe se estou raciocinando errado, pois sou meio leigo nesse assunto: Quanto à volta do padrão ouro, não seria isso impossível? Pois, eu suponho, não existe ouro disponível na Terra para associar ao dinheiro fiduciário resultante da enorme farra financeira das últimas décadas. A princípio, não seria melhor criar um sistema fracionário descrente (por exemplo, 9:1, 6:1, 3:1, 2:1), pouco a pouco, até finalmente chegar ao padrão ouro puro? Responder
Prezado BSJ, não existe isso de quantidade insuficiente de ouro. Qualquer quantidade será ideal. É tudo uma questão de preços e salários se ajustarem. E isso vale para qualquer dinheiro. Independente do estoque total, os preços dos bens e serviços se ajustarão a um dado estoque.
Além do mais, dizer que a economia depende de dinheiro (seja ele ouro ou papel pintado) para crescer é o equivalente a dizer que um carro precisa de vento para se locomover. O que gera crescimento econômico é trabalho, acumulação de capital, produção, poupança e investimento -- e não a quantidade de dinheiro nessa economia. O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos -- a saber, terra, capital e trabalho. Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes. O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas. Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros. Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo.
Abraços!
Responder
'Prezado BSJ, não existe isso de quantidade insuficiente de ouro. Qualquer quantidade será ideal. É tudo uma questão de preços e salários se ajustarem.'
Mas no comércio internacional, um país que tiver menos ouro pra usar como lastro não vai ser prejudicado? Responder
Atente para o fato de que o ouro seria a moeda em si, e não um mero lastro para outras moedas. Sendo assim, todos os países teriam o ouro como sendo seu dinheiro.
Logo, em um país que possuísse pouco ouro, os preços de seus bens seriam bem baixos em relação ao resto do mundo, o que estimularia suas exportações. Como exportações seriam pagas pela moeda comum, o ouro, o estoque de ouro nesse país aumentaria, acabando com esse "problema" a que você se referiu.
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Só pra complementar: essa diferença de preços pode ocorrer dentro de um mesmo país. Há alguns anos, quando eu mobiliei a minha casa, era muito mais barato (em relação à capital onde moro) comprar móveis numa cidade vizinha, menor e consideravelmente mais pobre, e pagar um frete um pouco muito mais caro. A maior diferença nos preços de que me lembro na época foi a de um jogo de mesa e cadeiras exatamente da mesma marca e modelo, que custava R$ 1000 mais barato na cidade vizinha. Responder
Exatamente, mcmoraes. Você "importou" bens da sua cidade vizinha. Ambos ganharam nessa transação. Agora, imagine se houvesse tarifas protecionistas ou se fosse necessário trocar de moeda e pagar taxas cambiais? Duas coisas que destroem a divisão do trabalho, o comércio e a prosperidade. Responder
Discordo sobre a moeda-ouro, não creio que haverá serviço de produção de moeda de ouro, mas sim a moeda, cédula, cartão de crédito representará tanto grama de ouro ou qualquer outro metal ou qualquer produto muito comum no comércio. Digamos que o quilograma do cobre esteja R$10, banco vai representá-lo numa cédula, que atualmente tem o valor de R$ 10 ou 1kg de cobre. Devido o constate uso do cobre na indústria ele é forte concorrente, será que veremos um padrão-cobre? Responder
leandro, No atual cenário mundial, o que aconteceria se um país adotasse um sistema bancário sem banco central e sem reservas fracionárias? Como ficaria a situação dessa nação em relação ao resto do mundo? É claro que se trata de uma atitude difícil mas não impossível, pois governo e banqueiros dificilmente abririam mão de crédito abundante e enriquecimento fácil.
Mas se isso ocorrer, esse país seria uma ilha de prosperidade sem sustos na economia, e criaria um efeito dominó no planeta? Responder
Uma duvida... A economia continuar crescendo e portanto a necessidade de explorar mais minas de ouros para fazer moeda, mas e se as reservas de ouro acabarem? iremos ter que ir para outro metral?(prata) ou utilizar pedras preciosas? Responder
Como assim, Tiago? De onde você tirou essa idéia de que a economia precisa de um aumento da quantidade de dinheiro para crescer?
O que gera crescimento econômico é trabalho, produção, poupança e investimento -- e isso independe da quantidade de dinheiro na economia. O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos -- a saber, terra, capital e trabalho. Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes. O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas. Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros. Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo. Responder
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