Como funcionaria o padrão-ouro puro (parte 2)
por , quinta-feira, 17 de junho de 2010

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gold-to-go.gifNo primeiro artigo desta série, foi apresentado um panorama histórico do padrão-ouro clássico.  Nesta segunda parte, falaremos exclusivamente sobre como (provavelmente) funcionaria a mecânica de um padrão-ouro puro.

Antes, uma ressalva: não se está falando aqui, de modo algum, que o padrão-ouro puro é o arranjo monetário ideal e que, portanto, ele deve ser imposto por algum governo.  Nada estaria mais errado do que isso.  Seria uma atitude absolutamente antilibertária impor algum tipo de arranjo monetário.  O que está sendo dito aqui — e essa é uma opinião puramente pessoal do autor — é que, caso houvesse uma completa desestatização da moeda, com o banco central perdendo seu poder monopolista e, consequentemente, havendo plena liberdade de escolha de moedas, o ouro teria grandes chances de ser voluntariamente escolhido como o meio de troca geral — como sempre foi ao longo de toda a história.

E é fácil de entender o porquê.  O propósito do dinheiro é e sempre foi o de facilitar as transações, possibilitando que elas sejam feitas da maneira mais fácil possível.  Sendo assim, a tendência sempre será a de haver uma convergência natural para uma moeda única — ou, ao menos, para uma quantidade mínima de moedas distintas.

Se houver uma multiplicidade de moedas no mercado, então paradoxalmente voltaremos ao sistema de escambo — algo que foi eliminado justamente pela criação do dinheiro.  Afinal, se você só tem o dinheiro X e quiser fazer uma compra num determinado lugar que só aceita o dinheiro Y, você antes precisará trocar X por Y para só então poder fazer sua compra.  Isso é um custo de transação, algo que um livre mercado sempre procura minimizar.  Seria obviamente mais vantajoso se todos pudessem utilizar o mesmo dinheiro em todos os lugares.

Portanto, pessoalmente acredito que, se houver uma desestatização completa da moeda, o livre mercado de moedas inexoravelmente levaria ao estabelecimento de uma ou de poucas moedas.  E o ouro, provavelmente, seria a mais proeminente delas, justamente por se tratar de uma commodity escassa.  A oferta de ouro aumenta apenas de acordo com o ritmo das escavações.  E, historicamente, a quantidade de ouro no mundo cresce a uma taxa de apenas 2% ao ano.  Portanto, o ouro sempre será uma commodity escassa — ao contrário das cédulas de dinheiro que usamos hoje, as quais podem ser criadas aos montes e ao simples apertar de um botão.

Ademais, a impressão de uma cédula de 2 reais custa exatamente o mesmo que a impressão de uma cédula de 100 reais.  Por outro lado, a "criação" de uma barra de ouro de 3kg exige 100 vezes mais esforço e gastos que a "criação" de uma moeda de ouro de 30 gramas (uma onça).  Por que você guardaria toda a sua riqueza em algo que nunca foi e nunca será escasso, como o papel-moeda sem lastro, quando você pode guardá-la em algo que já é escasso e que está destinado a sempre ser escasso?  Questão de lógica.

Assim, sem mais delongas, analisemos agora como provavelmente funcionaria um sistema monetário baseado no ouro.

Mecanismo

Em um padrão-ouro puro, o dinheiro utilizado como meio de troca seria, obviamente, o ouro (e muito provavelmente a prata, para transações de menor valor). 

Em primeiro lugar, inevitavelmente haveria uma concorrência entre os cunhadores de moedas de ouro.  Diferentes pessoas ou empresas ofereceriam serviços para transformar barras de ouro em moedas de ouro, utilizando como diferencial para seus serviços coisas como beleza e qualidade das moedas.

Porém, isso não significa que as pessoas andariam pelas ruas portando barras ou moedas de ouro, pois, além de ridículo, seria algo completamente desconfortável e desajeitado.  Da mesma forma, as pessoas provavelmente não carregariam moedas de ouro dentro da carteira, pois o peso seria inviável.

Nesse sistema, inevitavelmente o mercado desenvolveria um substituto monetário para o ouro, muito provavelmente certificados de ouro (tickets de papel) que funcionariam da mesma maneira que as cédulas de dinheiro funcionam hoje em dia.  Como seria isso?

Você, as outras pessoas e as empresas, justamente por não quererem portar barras e moedas de ouro para fazer suas transações diárias, guardariam suas barras e moedas em grandes "armazéns".  Ao depositar seu ouro nesses armazéns, você receberia tickets de papel, que nada mais seriam do que certificados de armazenamento ou recibos de armazenagem.  São esses tickets — que funcionam como substitutos monetários para o ouro — que irão certificar que você é o proprietário daquele ouro que ali foi depositado.  E caso você queira retirar seu ouro daquele armazém, bastaria obviamente você apresentar esses tickets.

Até aqui, nada de mais.

Porém, apenas fazer esse serviço de armazenagem não ajuda muito.  Afinal, todo mundo quer comodidade, e não faria sentido você depositar ouro em um armazém ao final do dia apenas para, no início do dia seguinte, você ter de ir novamente até esse armazém e sacar a quantidade de ouro que julga ser necessária para aquele dia.  O que você e todos querem é poder fazer transações fáceis e rápidas sem ter de manejar moedas e barras de ouro.

Sendo assim, o mercado novamente virá ao socorro.  É certo que esses armazéns de ouro terão todo o interesse em facilitar a vida de seus clientes.  Consequentemente, é certo que eles farão de tudo para adquirirem uma reputação de confiabilidade; eles terão todo o interesse em deixar claro para todas as pessoas que os tickets por eles emitidos podem ser ressarcidos em ouro a qualquer momento, assim como carros num estacionamento privado.

Por conseguinte, ao invés de você ter de sacar seu ouro para pagar alguém, você poderá simplesmente entregar seu ticket para uma pessoa com a qual você faça uma transação qualquer, e essa pessoa, justamente por confiar na reputação daquele armazém, irá aceitar esse ticket como pagamento, pois sabe que poderá a qualquer momento ir até lá e retirar seu ouro.  Enfatizando: as pessoas vão receber pedaços de papel apenas porque sabem que eles não são meros pedaços de papel.  Eles são títulos que podem ser a qualquer momento convertidos em ouro.

Vários desses armazéns — que poderiam ser chamados de bancos — surgirão para ofertar esse serviço, o qual, obviamente, seria pago.  A livre concorrência faria com que os preços cobrados por esse serviço de armazenagem fossem os mais baixos possíveis.

Cada banco ofereceria seus próprios substitutos.  O Banco A, o Banco B, o Banco C imprimiria seus próprios tickets e, de posse deles, você poderia ir até aquele banco para retirar seu ouro.  Por exemplo, se você guardou seu ouro no Banco A, mas numa transação recebeu um ticket do Banco B, você pode ir até o Banco B e redimir esse ticket naquela determinada quantia de ouro.  Ou você pode também ficar com esse ticket e utilizá-lo numa futura transação.  Ou você pode pedir que o Banco B transfira esse ouro para o Banco A, sendo bastante provável que o custo dessa transferência seja alegremente coberto pelo Banco A, que agora terá mais ouro em seus cofres, o que lhe garantirá mais receitas (assunto para o terceiro artigo).

Já é possível perceber onde estamos chegando.  Todas as comodidades que temos hoje, como transferências interbancárias ou pagamentos com cheque e cartão de débito, continuariam sendo feitas exatamente da mesma forma.  Tentemos imaginar um exemplo prático.

Você deposita no Banco A 300g de ouro (no preço de hoje, isso é equivalente a nada menos que R$ 23.000).  Ao depositar seu ouro no Banco A, além dos tickets é provável que você possa receber também um cartão de débito, por exemplo.  Da mesma forma que hoje você decide quanto quer reter de cédulas e quanto quer deixar no banco em forma eletrônica, nesse sistema você terá de escolher quanto quer de tickets e quanto quer em seu cartão de débito.

Assim, suponha que você escolha ficar com 10g (R$ 700) em tickets e 290g no cartão de débito.  Tudo isso será, obviamente, controlado eletronicamente pela informática do seu banco.  Ao gastar 5g (R$ 350) no cartão de débito, por exemplo, em uma loja que tenha conta no Banco B, este banco reclamará junto ao seu Banco A a transferência dessa quantidade de ouro.  Ou ele também poderá optar por deixar o ouro no Banco A, sabendo que poderá demandá-lo a qualquer momento, uma vez que aquela determinada quantia de ouro agora é dele.  Não sei, existem várias hipóteses e não cabe a mim ficar dizendo como o mercado funcionará.  Estou apenas mostrando que é perfeitamente possível, sob um padrão-ouro puro, haver as mesmas comodidades de hoje.

Por exemplo, uma ATM (caixa eletrônico) funcionaria da mesma maneira que funciona hoje.  Você passa seu cartão de débito, digita o valor que quer sacar, e a máquina imprimirá a quantidade de tickets desejada.  Atendo-se ao nosso exemplo numérico dado, se você quiser sacar mais 10g (R$ 700) em tickets, seu cartão de débito ficará com 10g a menos e você ficará com 10g a mais em tickets.  O total de ouro armazenado no seu banco não foi alterado, e nem poderia ser.  Tampouco houve alteração da oferta monetária.[*]

(Em um detalhe mais técnico, atualmente, quando você retira dinheiro do banco, há uma alteração na composição do M1, diminuindo o valor dos depósitos à vista.  Isso possui um efeito contracionista sobre o sistema bancário de reservas fracionárias, algo que, se feito em larga escala, poderia causar uma enorme deflação monetária.)

O poder da concorrência para refrear as fraudes

Mas a real vantagem desse padrão-ouro puro está justamente no fato de que esse arranjo desestimularia enormemente a expansão dos meios fiduciários — isto é, a criação de tickets que não sejam lastreados por ouro.  E é exatamente isso que o atual sistema bancário de reservas fracionárias faz: criar dinheiro que não existe.

Mas como esse sistema de padrão-ouro poderia impedir essa expansão dos meios fiduciários?  Afinal, não há um banco central para coibir a prática, impondo altos compulsórios.

O segredo, novamente, chama-se concorrência.  Pra começar, vale dizer que os efeitos da concorrência já começam na cunhagem da moeda.  Se uma empresa de cunhagem começa a trapacear, dizendo que suas moedas possuem um grau de pureza maior do que de fato têm, ou mesmo um peso fora do especificado, isso seria rapidamente descoberto e denunciado pelos concorrentes, que, assim como em qualquer outra área, ganham mercado justamente em cima dos erros e falhas de seus rivais.

Fazendo uma comparação jocosa, porém verdadeira, o que impede que um vendedor de atum coloque comida de gato em seu produto é exatamente o fato de que seus concorrentes rápida e prazerosamente o denunciariam. "Ei, consumidores, a marca XYZ diz que vende atum, mas nós analisamos uma amostra e descobrimos que ela é composta de comida de gato".  Tal marca iria rapidamente à bancarrota.

Só pra deixar claro, não estou dizendo que a concorrência tem o poder mágico de acabar com as fraudes.  Mas certamente a concorrência é um poderoso mecanismo capaz de diminuir sensivelmente a probabilidade de tais ocorrências.

Da mesma forma, o que impediria que os bancos imprimissem tickets que não fossem lastreados em ouro?  Afinal, eles têm todo o estímulo para fazer isso.  Quanto mais tickets eles imprimirem, mais eles poderão emprestar, e mais juros poderão ganhar com esses empréstimos.  O que os impede?

Ora, a concorrência.  Se um banco emitisse mais tickets do que pode redimir em ouro, seus concorrentes iriam à forra.  Bastaria que avisassem ao público que o Banco A está praticando fraude e, por isso, está tecnicamente insolvente.  "Eles emitiram mais tickets do há que ouro nos cofres.  Corram e retirem seu dinheiro enquanto há tempo.  Os últimos a irem sacar ficarão sem nada". 

Essa corrida bancária deixaria o Banco A de joelhos e seus concorrentes, rindo à toa.

Entretanto, resta a pergunta: seria possível que todos os bancos fizessem um cartel, imprimissem tickets sem lastro de maneira concertada e concordassem em não exigir a compensação do ouro uns dos outros? 

Possível, seria.  Porém, altamente improvável.  Vale lembrar que, num mercado totalmente desregulamentado, qualquer pessoa pode criar um armazém para atuar como banco (no nosso sistema bancário, o Banco Central proíbe ou restringe severamente a criação de bancos que venham a concorrer com seus favorecidos).  Assim, esses novos entrantes seriam uma constante ameaça aos bancos já estabelecidos.  Bastaria um pequeno banco exigir a compensação de um banco que criou meios fiduciários, e este ficaria imediatamente em apuros, tendo de pedir ouro emprestado para outros bancos para cobrir seu rombo.  Só que, como todos criaram meios fiduciários, algum banco fatalmente ficará sem ouro para restituir seus clientes ou para mandar para outros bancos caso fosse reclamado.

Ou seja, esse cartel é insustentável — como, aliás, são todos os carteis em um mercado desregulamentado e com livre entrada.

Consequentemente, tem-se aí a explicação de por que um sistema bancário livre e operando com uma moeda-commodity tenderia a ser sólido e não incorrer em expansões dos meios fiduciários, o que traria um efeito benéfico em termos de inflação de preços e ciclos econômicos.

Conclusão

O objetivo desse artigo foi apenas o de relatar como funcionariam as transações monetárias em um padrão-ouro puro, algo que sempre intrigou muita gente.  No próximo artigo da série, serão explicitadas as vantagens desse sistema em termos de tamanho do governo e liberdade econômica, bem como o funcionamento do sistema bancário no quesito empréstimos e lucratividade.

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[*] A tecnologia vem a cada dia nos deixando mais perto da realidade de um sistema monetário sólido.  Um hotel em Abu Dhabi apresentou recentemente um caixa eletrônico que libera barras de ouro de 24 quilates em tamanhos de 1, 5 e 10 gramas, bem como moedas de ouro.  Um computador dentro da máquina mostra em tempo real o preço do ouro e faz atualizações a cada 10 segundos.  Já há planos para instalar mais 200 dessas máquinas na Áustria, Alemanha e Suíça. 

É válido notar que essa tecnologia de mostrar em tempo real o preço do ouro pode ser adaptada para fazer o mesmo com a taxa de câmbio entre o ouro e a prata, reduzindo os custos de transação e facilitando o desenvolvimento de mercados paralelos de ambos os metais.  Moedas de prata seriam muito mais convenientes que moedas de ouro para as pequenas transações diárias — ou, como dizem, para os pequenos trocados.  A preços atuais, uma barra de prata de 1 grama possui o poder de compra de US$ 0,70 e uma barra de 5 gramas, de US$ 3,50. 

 

Leandro Roque é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

tags:  padrão ouro  inflação  banco central  reservas fracionárias  gastos do governo  intervencionismo  
46 comentários
Marcelo Boz 17/06/2010 11:14:09

Quanto a tecnologia necessária para operar transações, acredito que não haveria problemas. Outro dia soube de um amigo, que sempre vai ao Japão e, ele me informou que as pessoas lá já estão usando o celular para fazer transações financeiras.\r
Apenas colocando o celular junto a caixas eletronicos e, óbvio, permitindo através de senhas o usuário pode fazer pagamentos debitando sua conta bancária automaticamente.\r
No que diz respeito a moedas de ouro ou prata, acho que não haveria tanto problema em portá-las, assim não!\r
Acho inclusive, que muitas pessoas, senão a maioria, iriam optar por andar com alguma quantidade de moeda; nem tanto de ouro mas, de prata, que serviriam para as compras do dia-a-dia. As moedas de ouro, por terem valor mais alto, seriam usadas para compra de bens de maior valor agregado.\r
Aliás, acho que a moeda teria um nome como tinham as moedas de ouro e prata antigamente; poderia continuar sendo REAL mesmo. A diferença é que seriam cunhadas por empresas privadas e, com certeza, por pessoas em fundo de quintal. Por que não? Se fosse mantido o livre mercado na cunhagem de moeda, apesar da pressão dos grandes bancos, teríamos uma infinidade de serviços sendo prestados, não só por grandes empresas mas, até mesmo por camelôs e ambulantes.\r
A única legislação simples e, de pouquíssimas linhas, talvez fosse justamente para garantir um determinado grau de pureza do ouro/prata das respectivas moedas. Acho que não seria difícil e caro haver pequenos scanners pessoais portáveis por pessoas comuns, que testassem justamente a pureza das moedas, quando de uma transação comercial, na hora em que estivessem recebendo um pagamento em espécie. Seria muito útil contra moedas falsas ou fora do padrão.\r
Por convenção entre os bancos e outros agentes financeiros, um determinado tamanho e consistencia dos tíquetes deveria ser estabelecido e, inclusive, o valor máximo que um tíquete deveria ter em ouro, para não incentivar fraudadores.\r
Fora isso, não haveria maiores problemas.

Responder
Rhyan Fortuna 17/06/2010 11:17:51

Muito bom!\r
\r
Como seria a poupança?

Responder
oneide345 17/06/2010 11:24:53

Muito bom o artigo.
Se a tia zelia(Zélia Maria Cardoso de Mello) tivesse implantado o padrão ouro em vez do plano collor teria outra historia nosso pais.dizem que o maior assalto ocorrido no pais foi o do banco central de fortaleza,engano foi o da tia zelia,roubou todo mundo e ainda deixou um troco pro onibus.
Quando socialistas,sociais democratas,estatistas ficam intransigentes nas suas posicões eu uso o exemplo do confisco ocorrido no plano collor,abre a mente deles facil.
Ja fica como sugestão artigo sobre o maior intervenção do estado na economia brasielira(se tiver outro exemplo me corrijam-me).

Responder
Fernando Ulrich 17/06/2010 11:48:31

Leandro,
Acho interessante fazer uma análise do padrão-ouro com banca "livre" (eu diria fora-da-lei) em que o banco pode operar com reservas fracionárias e o padrão-ouro com reservas de 100%.

Somente um sistema de reserva de 100% pode evitar ciclos econômicos e crises bancárias. Como você bem sabe, esse é um ponto que divide muitos austríacos libertários. Alguns dizem que a banca deve ser livre. Eu e muitos outros como Salerno, Huerta, Lew, Woods, etc., acreditam que sim deve haver concorrência e a banca deve ser livre, mas sempre operando sob os princípios do direito e não cometendo fraudes (sistema fracionário).

Banca livre sim, fora-da-lei não.

Responder
Zéh 17/06/2010 12:33:34

A "seleção natural" da economia resolve o problema de poder ou não usar reservas fracionarias mesmo em um livre mercado. Se não for sustentavel, quem praticar vai quebrar, restando apenas os que não praticaram... Se for sustentável, ambos co-existiriam... não sei porque tanta briga por algo que o mercado ajusta naturalmente...

Responder
Roberto Chiocca 17/06/2010 13:35:53

Fernando,
eu concordo com vc, mas acredito que se o banco explicitar que o esquema dele é o esquema de reserva fracionária ele não estará incorrendo em fraude, acredito que não seria muito demandado, mas, vai saber, muita gente entra em "piramides".

Leandro,
Ficou uma duvida quanto ao crescimento das reservas de ouro, ele cresce a uma taxa de 2% ao ano composta?
E, discordo que haja qualquer problema com o peso do ouro para sua portabilidade.

Responder
Fernando Ulrich 17/06/2010 17:03:33

Zeh, é uma questão jurídica. Se é um depósito à vista o banco deve manter a todo momento 100% do valor depositado e ponto final. Não é uma estratégia ou forma de administrar que cabe a cada banco decidir. Não, incorrer em fraude é uma obrigação contractual. Fraude é fraude em qualquer atividade empresarial, seja um banco, uma padaria, uma concessionária ou o que for.

A Lei de Peel na Inglaterra já havia identificado isso em 1844, mas infelizmente pecaram ao não identificar que depósitos à vista faziam parte da massa monetária e acabou que foi proibido somente emissão de bilhetes de bancos sem lastro em dinheiro material, na época, ouro e prata.

Roberto, teóricamente isso é possível, ainda que muitos juristas classificariam um contrato como esse de nulo, pois é impossível de ser cumprido. Basicamente o banco faz o que quiser com o dinheiro e o depositante/prestador fica a mercê da instituição. Um depósito não pode ser um empréstimo e vice-versa, os dois ao mesmo tempo, como defendem alguns, é um monstro jurídico impossível de ser cumprido. Mas acho que na prática tal serviço jamais seria demandado.

Responder
Domingos C. Branda 17/06/2010 18:23:43

Leandro.\r
Parabéns pelo excelente artigo.\r
\r
Minha dúvida é: se um artigo constitucional definisse a identidade dos meios de pagamento com o produto da economia (uma intenção declarada da nação contra a irresponsabilidade monetária dos próprios governos), não teria o papel moeda oficial a mesma função do ouro? Se assim for estabelecido, poderíamos então ter um inicio de free banking, pois em caso de crise de confiança a moeda oficial estaria totalmente lastreada?\r
\r
\r
Grato

Responder
Rafael Hotz 17/06/2010 19:48:42

acho que surgiria uma agência de regulação mantida por empresas comerciais ou consumidores que demandaria dados de solvência dos bancos (para checar se não está havendo criação de meio fiduciário) e enviaria auditores para checar a qualidade das moedas e sua armazenagem...

Responder
não está muito claro 17/06/2010 21:32:54

Caro Leandro, como evitar a inflação monetária, em países ricos em ouro? E como evitar que os interesses das grandes mineradoras, inflacione a economia?

Responder
Reservas Fracionárias 17/06/2010 21:43:58

Caro Fernando Ulrich, em um ambiente de livre mercado, sem a existência de um banco central, se um banco em particular decidir praticar operações com reservas fracionárias, isto é, empréstimos não respaldados pela quantidade de dinheiro correspondente, então este banco poderá ativar um ciclo de expansão-recessão. No entanto, é duvidoso que o banco poderá praticar essa expansão por muito tempo, uma vez que ele corre o risco de não ser capaz de descontar seus cheques e, como conseqüência, se tornar insolvente. Em outras palavras, na estrutura de um genuíno livre mercado, se não houver uma autoridade monetária central, o fenômeno do ciclo de expansão-recessão teria dificuldade em surgir, já que o incentivo para se praticar as operações bancárias de reservas fracionárias não seria muito atraente. Afinal, Os bancos não poderiam ser temerários, pois não haveria um BC para salvá-los quando se tornassem insolventes. É através da intervenção sistemática do banco central que a injeção monetária se torna possível, o que por sua vez gera os recorrentes ciclos de expansão-recessão.

Responder
Leandro 18/06/2010 06:57:09

Respondendo a algumas questões:

Roberto, o estoque de ouro cresce, historicamente, a uma taxa de 2% em relação ao estoque do ano anterior. Isso foi o que Peter Schiff escreveu em seu livro Crash Proof.

Fernando Ulrich, eu pessoalmente concordo com tudo que você disse, mas também respeito a corrente que diz que as reservas fracionárias são benéficas. O argumento da fraude tem muito apelo para mim, mas nem sempre para os outros.

No padrão-ouro puro, para que se mantivesse reservas de 100%, a solução teria de ser algo próxima ao que o Rafael Hotz sugeriu. Rothbard falava na criação de ligas antibancos, comandada por consumidores, que estariam constantemente fiscalizando os bancos e informando sobre aqueles praticando reservas fracionárias.

Pra mim, um cenário como esse descrito no artigo, embora talvez não garantisse 100% de reservas, ao menos tenderia a uma porcentagem bem próxima dessa.


Prezado Não está muito claro, quando você diz 'países ricos em ouro', você se refere a países com muito ouro já escavado, ou a países com muito ouro em potencial para ser escavado? No primeiro cenário, não há problema algum. No segundo, embora improvável, as pessoas desse país poderiam voluntariamente escolher outra moeda, caso achem que o ouro é igual papel. Por que não?

Sobre as mineradoras, a atividade delas seria igual a qualquer outra atividade econômica. A produção de ouro, como qualquer outra atividade, é determinada por fatores que restringem a sua produção. Escavação de ouro não é coisa simples, não é barata e sua produção não surge da noite para o dia. Se começar a haver muita demanda por serviços de mineração, estes tornar-se-ão caros e pouco lucrativos. O que, por conseguinte, limitará a oferta de ouro.

Quantidades adicionais de ouro só serão "produzidas" se os produtores conseguirem retirar fatores de produção de outras áreas do mercado. Ao fazerem isso, essas áreas que agora ficaram carentes de fatores vivenciarão um repentino aumento da demanda por mão-de-obra, o que consequentemente estimulará um aumento de salários. Se você imaginar que isso está acontecendo em toda a economia -- ou seja, todas as áreas da economia competindo por fatores desviados para a mineração --, é absolutamente implausível que a mineração ganhe a batalha. Haveria um aumento repentino de salários em todas as áreas econômicas, e a mineradoras não seriam capazes de ofertar salários maiores.

Ou seja, simplesmente falar que as mineradoras vão sair aumentando a oferta de ouro é algo que não faz sentido econômico. Ademais, mesmo que isso fosse possível, elas não ganhariam no longo prazo. Maior oferta de ouro significa menor preço unitário do ouro, o que derrubaria por completo o lucro das mineradoras.

Questão de ciência econômica.

Responder
Edik 18/06/2010 10:50:45

Caro Leandro,

O padrão-ouro puro, conforme descrito no seu artigo, não poderia causar o transtorno de um certificado de ouro emitido por um banco especifíco não ser aceito por algum vendedor? Eu imagino alguém indo fazer compras em um mercado e ao chegar no caixa descobre que o dono possui alguma reticência com relação ao banco emissor do seu certificado.

Responder
países ricos em ouro 18/06/2010 15:43:45

Me refiro a países como a África do Sul que possuem grandes jazidas de ouro...como fazer para evitar a inflação monetária???

Outra coisa, ao contrário do que você disse, num ambiente de livre-mercado, muita demanda por serviços de mineração não seria vista como um problema, mas como uma oportunidade. Empresários estariam se atropelando para satisfazer a demanda, assim como acontece em todos os outros setores que são controlados pelo mercado. As mineradoras estariam rezando por muita demanda de serviços de mineração.

Responder
Leandro 19/06/2010 18:38:14

Prezado Edik, esse transtorno é perfeitamente possível. É por isso que os bancos teriam de se esforçar para ser de confiança. Se não forem -- isto é, se seus certificados não forem amplamente aceitos --, ninguém irá depositar ouro neles, e eles rapidamente desaparecerão do mercado.


Errado, anônimo. Confundiu-se.

Uma coisa é demanda por serviços de mineração. Outra coisa são as mineradoras demandando mão-de-obra para benefício próprio, exatamente o cenário por você aventado anteriormente, quando perguntou como evitar que os interesses das grandes mineradoras inflacionasse a economia.

Sobre a África do Sul, já respondi na última postagem.

Responder
Ulisses 19/06/2010 22:08:44

Leandro;\r
\r
"Se um banco emitisse mais tickets do que pode redimir em ouro, seus concorrentes iriam à forra. Bastaria que avisassem ao público que o Banco A está praticando fraude e, por isso, está tecnicamente insolvente."\r
Nenhum banco permitiria que seus concorrentes o auditassem... mas talvez isso pudesse ser minimizado por organismos certificadores independentes, ou pelo Banco Central.\r
\r
"Quantidades adicionais de ouro só serão "produzidas" se os produtores conseguirem retirar fatores de produção de outras áreas do mercado. Ao fazerem isso, essas áreas que agora ficaram carentes de fatores vivenciarão um repentino aumento da demanda por mão-de-obra, o que consequentemente estimulará um aumento de salários."\r
A CVRD tira milhoes de tonaladas de minério do solo e nem por isso chega a inflacionar os salários. Ok, mineraçao de ouro é diferente, mas pra um dado setor inflacionar a economia inteira ele precisa ser muuuuito grande.\r
\r
"Ou seja, simplesmente falar que as mineradoras vão sair aumentando a oferta de ouro é algo que não faz sentido econômico. Ademais, mesmo que isso fosse possível, elas não ganhariam no longo prazo. Maior oferta de ouro significa menor preço unitário do ouro, o que derrubaria por completo o lucro das mineradoras."\r
Faz sentido sim as mineradoras aumentarem a oferta de ouro, já que o artigo está trabalhando com um ambiente concorrencial, ou seja, pra cada mineradora o preço do ouro é constante qualquer que seja a quantidade produzida... questáo de ciëncia economica.

Responder
Leandro 20/06/2010 03:27:57

Ulisses, um banco não precisa auditar outro banco para desconfiar que este estaria praticando reservas fracionárias. Bastaria, por exemplo, ver o quanto ele está cobrando de juros nos empréstimos concedidos, ou mesmo ver o volume de empréstimos que ele está concedendo em relação à quantidade de depositantes (em contas de poupança) que ele possui. Qualquer entidade séria teria todo o interesse em divulgar seus balanços. As que não divulgassem, provavelmente estariam fazendo coisa por baixo do pano, motivo suficiente para fazer com que seus clientes tirassem o ouro de lá.

A comparação com a Vale foi totalmente infeliz e sem nexo. Basta ver o preço do grama do minério de ferro e comparar com o grama do ouro. A enorme distância que separa os dois explica por que a Vale não tem nenhuma capacidade de atrair mão-de-obra de toda a economia e inflacionar os salários. Ora, nem uma mineradora de ouro teria, quanto mais a Vale. Questão de lógica econômica, meu caro.

Para completar, você parte do princípio de que basta as mineradoras quererem, que elas vão aumentar abundantemente a oferta de ouro, num passe de mágica. Resta a você explicar como que uma área que produz historicamente 2% vai passar a produzir 20% (aumento médio anual da base monetária no Brasil) num passe de mágica, sem qualquer consideração com o capital e trabalho necessários para tal. Escavação não é coisa simples, que você faz com uma pá de plástico, e tampouco as reservas são infinitas. Ademais, se fosse possível aumentar repentinamente a oferta (o que não é), o preço do ouro desabaria, fazendo com que as mineradoras amargassem severos prejuízos. Apenas keynesianos acham que vivemos na abundância e que as coisas surgem do nada e repentinamente.

Ademais, as mineradoras vão aumentar a produção apenas se houver aumento da demanda por ouro (como você sabe, a demanda por moeda não é constante; às vezes ela aumenta, às vezes diminui). Caso contrário, simplesmente não haveria retorno para o investimento.

Questão de lógica e ciência econômica, de novo.

Responder
Ulisses 20/06/2010 19:09:43

Leandro, os bancos dos EUA sao auditados por empresas independentes, pelo FED e publicam balanços... e mesmo assim deu no que deu... nao importa quais os parametros de avaliaçao (no modelo proposto pelo artigo os parametros seriam diferentes), o que se viu é que empresas grandes e complexas tëm uma enorme capacidade de esconder sujeira debaixo do tapete. Além do mais, acusaçoes feitas por concorrentes náo teriam tanta credibilidade.\r
Se vc for especialista em mineraçao talvez esteja correto na sua avaliaçao da produçao de ouro, mas a logica economica está contra seu argumento. Quando o valor relativo de um bem aumenta (e seria o caso do ouro caso fosse mais utilizado como meio de troca e reserva de valor), a corrida pra aumentar a produçao é sempre bem sucedida. Veja o petróleo, que até pouco tempo atrás diziam estar em vias de acabar... o preço subiu, foram criadas novas tecnologias, novas reservas foram encontradas e a economia mundial nao vive nenhuma inflaçao por essa corrida ao petroleo. O mesmo aconteceu com o carvao décadas atrás, e hoje este é um minério barato. (o argumento nao é keynesiano)\r
A propósito, a comparaçao com a Vale tem nexo sim, porque a capacidade e o interesse de uma empresa para atrair novos fatores de produçao nao tem a ver com o preço unitário de seus produtos. Depende sim da lucratividade do negocio, que tem sido bem razoável no caso mencionado.\r
Concordo com vocë que a expansao da base de ouro provavelmente seria menor que a de papel moeda (mas será bem mais que 2% a.a.).

Responder
Ralph 20/06/2010 23:05:14

Concordo que a moeda deva ter um lastro. Mas não creio que o ouro seja um candidato apropriado para isso. O valor do ouro é simbólico. Qual a utilidade do ouro? Obturações dentais? Fazer parte de alguns componentes eletrônicos? A aplicabilidade desse metal é muito restrita a ponto de servir de lastro. \r
Um bom candidato seria algo vital tanto para remediados quanto para necessitados: Comodities agrícolas.

Responder
Leandro 21/06/2010 09:00:20

Exatamente, Ulisses! Os bancos americanos eram supervisionados pelo Fed. Tudo o que eles fizeram estava de acordo com as regras estabelecidas pelo Fed. E foi uma maravilha, não? É exatamente esse o problema. A chancela de uma autoridade monetária serve simplesmente para aumentar o risco moral. "Não se preocupem! Os burocratas estão de olho! Nada de mau pode acontecer!"

Você está correto ao dizer que quando o valor relativo de um bem aumenta, a corrida pra aumentar a produção é sempre bem sucedida. Isso não foi debatido. A questão, em termos de ouro, é: essa produção pode ser facilmente aumentada? Pode ser rapidamente aumentada? Pode aumentar sensivelmente? Lembre-se que estamos falando apenas de um país no padrão-ouro, e não o mundo inteiro.

Vale a pena enfatizar: a mineradoras precisam investir recursos na descoberta, mineração e transportação (a palavra é feia, mas existe) de uma commodity especialmente escassa. Isso custa tempo e, principalmente, dinheiro. Ou seja: custa dinheiro criar dinheiro (esse é o ponto).

Ademais, essas mineradoras, ao extraírem ouro, estão produtivamente adicionando à economia um estoque de ouro que pode ser utilizado para usos não-monetários, principalmente na indústria.

Ou seja: mesmo que houvesse esse súbito e repentino aumento na produtividade (eu particularmente não acredito em algo dessa grandeza, mas posso estar enganado), o ouro ainda estaria sendo utilizado para outros fins não-monetários.

Ainda sobre a contenda da Vale, você disse que a capacidade e o interesse de uma empresa para atrair novos fatores de produção não tem a ver com o preço unitário de seus produtos, mas, sim, com a lucratividade do negócio. Permita-me discordar. A lucratividade não necessariamente determina a remuneração dos fatores de produção (afinal, é isso que está em discussão desde o início, certo?)

Dou alguns exemplos práticos. Postos de gasolina e concessionárias de automóveis são setores que apresentam alta lucratividade. Porém, a mão-de-obra está longe de ser das mais bem remuneradas. Tampouco esses são setores que exercem fascínio sobre toda a mão-de-obra da economia (de novo, é isso que está em discussão). O mesmo vale inclusive para o setor bancário. Os altos executivos ganham muito, é certo, mas um caixa está longe de ter um salário dos sonhos. O mesmo acontece com as mineradoras.

Por outro lado, pense no setor aéreo mundial. Temos aí um setor com lucratividade baixa (exceto no Brasil, onde a ANAC mantém um duopólio), mas cujos profissionais são bem remunerados (melhor que caixa de banco, atendente de concessionária e frentista.

Assim, mantenho minha opinião (que não é minha, é óbvio; adquiri com leituras de vários artigos sobre o assunto): uma mineradora, ainda que de ouro, não teria essa capacidade de atrair mão-de-obra para sua produção a ponto de inflacionar os salários dos outros setores da economia.

Entretanto, é óbvio que aceito de bom grado a divergência.

Abraços!

Responder
Fernando Ulrich 21/06/2010 16:58:35

Ulisses,\r
Se o ouro voltar a ser a moeda efetiva, ou seja, o dinheiro utilizado pelas pessoas nas relações de intercambio, pode ser que sim haja uma "corrida" de investimento na mineração do metal. Porém, como já explicou o Leandro, em um primeiro momento (digamos no primeiro ano ou um pouco mais), a produção pode até aumentar, mas somente será possível amentá-la na medida em que as mineradoras possam lucrar com essa atividade.\r
\r
Portanto, no longo prazo somente quem conseguir ser rentável permanecerá no mercado de mineração, e como sabemos, um sobre-investimento em um setor, tende a elevar seus fatores de produção o que poderá ocasionar perdas a companhias envolvidas neste ramo de negócio. \r
\r
O fator de crescimento de 2%a.a. no estoque de ouro é algo que não somente Peter Schiff afirma, mas vários especialistas no setor como Jim Rogers e Marc Faber além de inúmeros economistas austríacos.\r
\r
Como o ouro não é "consumido", como petróleo, minério de ferro, etc., praticamente todo o ouro extraído continua sendo usado/demandado em forma de reservas de bancos centrais e reservas pessoais. O consumo industrial do ouro é pífio e irrelevante, assim como o seu consumo em jóias (que neste caso continua existindo, apenas de outra forma: corrente, brincos, anéis, etc.).\r
\r
Então, AUMENTAR A OFERTA TOTAL DE OURO NO MUNDO é algo extremamente difícil de suceder pois ainda que uma mineradora duplique sua produção anual, o efeito sobre o estoque total de ouro já extraído seria pequeno. No momento, não há tecnologia capaz de aumentar subtancialmente a extração e mineração do ouro, muito menos de reproduzí-lo químicamente. Se isso algum dia acontecer, o ouro perderá uma de suas melhores qualidades como moeda, a escassez, a provavelmente deixará de ser usado como dinheiro pelas pessoas. O que me leva a responder o próximo leitor.\r
\r
Ralph, a principal utilidade do ouro você esqueceu, a de meio de troca, ou mais conhecido como dinheiro. Como você bem menciona, o seu uso industrial é irrelevante. Entretanto, o ouro foi escolhido a través de anos de experiências e relações de intercambio de milhões de seres humanos como sendo a melhor commodity para cumprir a função de meio de troca. Este é o seu valor. Não é um valor de consumo como petróleo, arroz, gás, leite, água, etc. É sua utilidade como meio de troca. \r
\r
Para uma commodity cumprir essa função, há várias qualidades que deve atender, como durabilidade (a grande maioria dos produtos agrícolas não cumpre), divisibilidade ou maleabilidade (muitos produtos agrícolas também não cumprem), portabilidade, visibilidade (que seja de fácil reconhecimento) e das mais importantes, escassez. \r
Produtos agrícolas ao longo dos séculos, e especialmente após a revolução industrial, sofreram enormes aumentos de produtividade, tornando-os menos escassos.\r
O grande triunfo do ouro (e prata em menor medida) foi o de ser ESCOLHIDO/ADOTADO por todos os cidadãos como sendo a melhor commodity para desempenhar a função de dinheiro. Não porque um Governo assim o decretou, mas sim porque o mercado assim o escolheu. Pode ser que isso mude em 50, 100 ou 500 anos. Mas até hoje, não conseguimos encontrar nada superior.\r
\r
Roberto, refleti um pouco mais e me lembrei que há outro argumento jurídico, além do de fraude.\r
Um contrato bilateral entre banco e depositante, ainda que o banco "explique" que utiliza um sistema de reservas fracionárias também não pode ser considerado como válido. Explico, o sistema de reservas fracionárias consiste em que o banco pode "aumentar" a oferta monetária a partir de uma soma inicialmente depositada. Ao aumentar essa oferta monetária, 2 ou mais pessoas (incluindo o depositante) podem usufruir da disponibilidade monetária e realizar trocas com outros agentes econômicos (considerando que os certificados de bancos sejam utilizados e geralmente aceitos neste mercado). Ora, a partir de um depósito inicial de, digamos R$ 1,000 o banco pode aumentar a oferta monetária substancialmente. \r
Feito isso, o inicialmente bilateral acabará afetando a terceiros, e não somente o depositante inicial e o banco, mas sim toda a comunidade inserida neste mercado que invariavelmente verá o poder de compra de seu dinheiro diminuir. Portanto, um contraro livremente acordado entre banco e depositante jamais pode ser bilateral e válido, pois afeta a terceiros inevitavelmente.

Responder
Fernando Ulrich 21/06/2010 17:22:21

Falando em ouro, segue um link bem interessante:\r
\r
investinganswers.com/a/50-surprising-facts-you-never-knew-about-gold-1370

Responder
Tiago RC 22/06/2010 04:18:37

Olá Fernando,

Um contrato bilateral entre banco e depositante, ainda que o banco "explique" que utiliza um sistema de reservas fracionárias também não pode ser considerado como válido. (...)
Feito isso, o inicialmente bilateral acabará afetando a terceiros, e não somente o depositante inicial e o banco, mas sim toda a comunidade inserida neste mercado que invariavelmente verá o poder de compra de seu dinheiro diminuir.


Isso não confere.
Como vários austríacos já ressaltaram, o valor de uma propriedade não é característica intrínseca da mesma.
Logo, o valor da moeda que você porta não é característica da mesma. O valor dessa moeda, ou de qualquer outra propriedade sua, é uma opinião alheia, que pode mudar devido a inúmeros fatores. Tal mudança de opinião não viola os direitos de ninguém.
Sim, um aumento da oferta monetária pode depreciar o valor da sua moeda. Assim como a própria atividade de mineração deprecia o valor do ouro. Assim como uma construção "feia" do lado da sua casa pode depreciar o valor da mesma e por aí vai.
Nada disso é criminoso.

Independente de ser eficiente ou não, reservas fracionárias previstas em contrato não são fraudulentas. (e eu particularmente acho que elas poderiam ser eficientes se fossem transformadas em algo como "compra automática de títulos de dívida"... tipo, se o seu dinheiro excedente em conta corrente automaticamente fosse convertido em títulos de dívida como CDBs, que poderiam ser vendidos automaticamente pelo banco quando necessário... não é mais exatamente reserva fracionária mas trás o mesmo benefício, de emprestar automaticamente o dinheiro parado em conta corrente)

Responder
Fernando Ulrich 23/06/2010 11:27:37

Tiago RC,
Você tem razão. Confesso que pensei isso após postar este argumento, que realmente não é sólido.

Sobre a questão de CDBs, acredito ter analisado no outro artigo sobre reservas fracionárias.

Responder
Marcelo Werlang de Assis 17/07/2010 16:02:38

Voltei!\r
\r
Estive bastante atarefado com as provas finais do semestre letivo e com o estágio. Por tal motivo não pude dar a atenção que eu queria ao site em geral (acompanhamento de artigos e postagem de comentários) e a esse tema em específico.\r
\r
Adorei a tua explicação sobre o padrão-ouro puro, caro Leandro! Excelente, didática, simples. Só me resta aguardar a terceira parte da série... Hehehehe...\r
\r
É interessante o quão viável se torna o funcionamento sem percalços das atividades humanas quando não há uma Onisciente Autoridade a se meter onde não é chamada, destruindo a livre iniciativa e o esforço dos indivíduos por crescente padrão de vida, o qual decorre da adoção de sistemas coerentes (como é o caso do padrão-ouro puro) e do acúmulo de capital (que propicia novos investimentos, novas tecnologias, aumento da produção e maiores salários). O Deus Estado, convém lembrar, é aquela grande ficção através da qual todos tentam viver às expensas de todos os outros (Bastiat); sempre quando ele intervém, alguém ganha porque outro perde.\r
\r
Só faço um questionamento. Como é que funcionaria o padrão-ouro num ambiente de moeda estatizada? Como ele conseguiria frear as demências inflacionárias criadas pelos governos? Como ele evitaria que houvesse o apadrinhamento do setor bancário, não se permitindo, assim, todos aqueles favores já largamente expostos pelo IMB?\r
\r
É isso. Agora lerei os demais artigos e, quando conveniente, lançarei comentários.\r
\r
Grande abraço, Leandro!\r
\r
Marcelo.\r
\r

Responder
Leandro 20/07/2010 14:32:41

Prezado Marcelo, perdoe-me pela demora. Essa semana tem sido bastante atarefada para mim.

Antes de tudo, muito obrigado pelos elogios.

Sobre o padrão-ouro num ambiente de moeda estatizada, confesso não ver como isso seria duradouramente possível. Grosso modo, foi o que ocorreu nos EUA entre 1914-1933.

Porém, falando imparcialmente, em um padrão-ouro estatal, o governo e o sistema bancário iriam emitir moeda, sendo que apenas parte estaria lastreada por ouro. Caso houvesse uma corrida bancária que pusesse toda a estabilidade do sistema em risco, certamente o governo iria intervir, decretar feriado bancário e proibir as pessoas de retirarem seu ouro dos bancos (exatamente como ocorreu durante a Grande Depressão).

Tal procedimento forçaria uma grande deflação monetária, precipitando recessões, insolvências e instabilidade ao sistema econômico.

Portanto, um padrão-ouro estatal não teria como evitar o apadrinhamento do sistema bancário pelo governo.

Por isso, o ideal seria, antes de tudo, abolir o banco central, retirar todas as proteções governamentais à atividade bancária, deixar a oferta de moeda a serviço do mercado e ter um sistema judicial que garantisse o cumprimento de contratos (o dinheiro é seu, você o resgate quando quiser, de acordo com o contrato firmado).

Sem esses quatro itens, não há como haver estabilidade monetária.

Abraços!

Responder
Marcelo Werlang de Assis 20/07/2010 20:49:59

Caro Leandro,\r
\r
Retornei do meu estágio às sete e meia e jantei com a minha família. Só agora pude sentar e te escrever.\r
\r
Eu te agradeço MUITO pela excelente (como de praxe) explicação. De fato, o padrão-ouro num sistema monetário estatizado não perduraria, pois os bancos sempre se beneficiariam de privilégios outorgados pelo Deus Estado, que nesse sentido é enormemente criativo. A concorrência, corolário da liberdade econômica, dissipar-se-ia num átimo, e a tão sonhada estabilidade monetária nunca se alcançaria.\r
\r
Chegaram até a proibir os indivíduos de retirarem o seu PRÓPRIO patrimônio dos bancos! Sim, os direitos de propriedade, infelizmente, tornam-se 'letra morta' quando há o governo se metendo na economia.\r
\r
Sem estabilidade no sistema monetário, não existe a possibilidade de um perene funcionamento adequado das atividades econômicas; invariavelmente sobrevêm colapsos (recessões e crises), desemprego e graves distorções.\r
\r
Não há problema quanto à tua demora. Eu apenas a estranhei. Então já sei: se demorares, é porque estás atarefado.\r
\r
Grande abraço, Leandro!!!\r
\r
Marcelo.\r

Responder
Facepalm 09/11/2010 11:59:39

blogs.estadao.com.br/celso-ming/2010/11/09/volta-do-padrao-ouro-e-praticamente-impossivel/

Responder
mcmoraes 09/11/2010 12:57:53

Essa me fez lembrar de outras afirmações fortes. Especialmente a seguinte:

"Qualquer um familiarizado com o assunto vai reconhecer isso como um evidente fracasso" -
Henry Morton, presidente do Instituto de Tecnologia Stevens, sobre a lâmpada elétrica de Thomas Edison, em 1880.

Responder
Andre 16/11/2010 17:34:45

"Bastaria um pequeno banco exigir a compensação de um banco que criou meios fiduciários, e este ficaria imediatamente em apuros, tendo de pedir ouro emprestado para outros bancos para cobrir seu rombo"\r
Não necessariamente. Uma coisa é criar tickets que não são lastreados, outra coisa é dizer que um pequeno banco poderia compensar todos (ou um número suficiente para revelar uma "fraude", no caso da informação não estar à mostra) os tickets de um banco (supondo que ele não têm APENAS tickets sem lastro).\r
Acho que não é possível contar com esses mecanismos "anti-fraude", se a idéia for de imprevisibilidade, contando com alguma "irracionalidade" do consumidor + possível falta de informação (nem sempre será possível descobrir que tal banco emite tickets sem lastro, e, mesmo descoberto, talvez não haja a corrida para trocar tickets).\r
Ainda assim, se bancos não contarem com dinheiro público, é possível dizer que provavelmente não arriscarão tanto quanto arriscam agora(emitindo tickets sem lastro, estando submetidos à uma "falência" - a corrida para trocar tickets), já que ninguém vai socorrê-los.

Responder
Francis Tadeu Leite 27/09/2011 14:32:36

Olá Leandro! Já existe a parte três destes belos artigos?

As melhores vibrações!!!

Responder
anônimo 27/09/2011 15:31:30

Até na China já tem maquina pra comprar ouro: g1.globo.com/planeta-bizarro/noticia/2011/09/china-instala-maquina-que-vende-ouro.html

Responder
BSJ 27/12/2011 07:13:48

Leandro Roque,
Me desculpe se estou raciocinando errado, pois sou meio leigo nesse assunto:
Quanto à volta do padrão ouro, não seria isso impossível? Pois, eu suponho, não existe ouro disponível na Terra para associar ao dinheiro fiduciário resultante da enorme farra financeira das últimas décadas. A princípio, não seria melhor criar um sistema fracionário descrente (por exemplo, 9:1, 6:1, 3:1, 2:1), pouco a pouco, até finalmente chegar ao padrão ouro puro?

Responder
Leandro 27/12/2011 10:52:03

Prezado BSJ, não existe isso de quantidade insuficiente de ouro. Qualquer quantidade será ideal. É tudo uma questão de preços e salários se ajustarem. E isso vale para qualquer dinheiro. Independente do estoque total, os preços dos bens e serviços se ajustarão a um dado estoque.

Além do mais, dizer que a economia depende de dinheiro (seja ele ouro ou papel pintado) para crescer é o equivalente a dizer que um carro precisa de vento para se locomover. O que gera crescimento econômico é trabalho, acumulação de capital, produção, poupança e investimento -- e não a quantidade de dinheiro nessa economia. O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos -- a saber, terra, capital e trabalho. Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes. O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas. Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros. Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo.

Abraços!

Responder
Paulo Sergio 27/12/2011 11:29:59

'Prezado BSJ, não existe isso de quantidade insuficiente de ouro. Qualquer quantidade será ideal. É tudo uma questão de preços e salários se ajustarem.'

Mas no comércio internacional, um país que tiver menos ouro pra usar como lastro não vai ser prejudicado?

Responder
Leandro 27/12/2011 11:44:10

Atente para o fato de que o ouro seria a moeda em si, e não um mero lastro para outras moedas. Sendo assim, todos os países teriam o ouro como sendo seu dinheiro.

Logo, em um país que possuísse pouco ouro, os preços de seus bens seriam bem baixos em relação ao resto do mundo, o que estimularia suas exportações. Como exportações seriam pagas pela moeda comum, o ouro, o estoque de ouro nesse país aumentaria, acabando com esse "problema" a que você se referiu.

Responder
mcmoraes 27/12/2011 11:55:45

Só pra complementar: essa diferença de preços pode ocorrer dentro de um mesmo país. Há alguns anos, quando eu mobiliei a minha casa, era muito mais barato (em relação à capital onde moro) comprar móveis numa cidade vizinha, menor e consideravelmente mais pobre, e pagar um frete um pouco muito mais caro. A maior diferença nos preços de que me lembro na época foi a de um jogo de mesa e cadeiras exatamente da mesma marca e modelo, que custava R$ 1000 mais barato na cidade vizinha.

Responder
Leandro 27/12/2011 12:06:07

Exatamente, mcmoraes. Você "importou" bens da sua cidade vizinha. Ambos ganharam nessa transação. Agora, imagine se houvesse tarifas protecionistas ou se fosse necessário trocar de moeda e pagar taxas cambiais? Duas coisas que destroem a divisão do trabalho, o comércio e a prosperidade.

Responder
Pj Santos 27/12/2011 13:38:46

Discordo sobre a moeda-ouro, não creio que haverá serviço de produção de moeda de ouro, mas sim a moeda, cédula, cartão de crédito representará tanto grama de ouro ou qualquer outro metal ou qualquer produto muito comum no comércio. Digamos que o quilograma do cobre esteja R$10, banco vai representá-lo numa cédula, que atualmente tem o valor de R$ 10 ou 1kg de cobre. Devido o constate uso do cobre na indústria ele é forte concorrente, será que veremos um padrão-cobre?

Responder
BSJ 28/12/2011 18:13:18

leandro,
No atual cenário mundial, o que aconteceria se um país adotasse um sistema bancário sem banco central e sem reservas fracionárias? Como ficaria a situação dessa nação em relação ao resto do mundo?
É claro que se trata de uma atitude difícil mas não impossível, pois governo e banqueiros dificilmente abririam mão de crédito abundante e enriquecimento fácil.

Mas se isso ocorrer, esse país seria uma ilha de prosperidade sem sustos na economia, e criaria um efeito dominó no planeta?

Responder
Leandro 29/12/2011 00:18:29

Creio que sim, BSJ. E digo isso pela lógica econômica. Tenha a bondade de ler estes dois textos nesta ordem. Após a leitura de ambos, você poderá ter uma ideia de como a coisa tenderia a funcionar:

www.mises.org.br/Article.aspx?id=992
www.mises.org.br/Article.aspx?id=1087

Abraços!

Responder
Tiago 29/07/2012 04:26:12

Uma duvida...
A economia continuar crescendo e portanto a necessidade de explorar mais minas de ouros para fazer moeda, mas e se as reservas de ouro acabarem? iremos ter que ir para outro metral?(prata) ou utilizar pedras preciosas?

Responder
Luis Almeida 29/07/2012 06:56:07

Como assim, Tiago? De onde você tirou essa idéia de que a economia precisa de um aumento da quantidade de dinheiro para crescer?

O que gera crescimento econômico é trabalho, produção, poupança e investimento -- e isso independe da quantidade de dinheiro na economia. O que nos torna ricos é a abundância de bens, e o que limita essa abundância é a escassez de recursos -- a saber, terra, capital e trabalho.  Simplesmente aumentar a quantidade de dinheiro não vai fazer com que esses bens surjam do nada; não vai fazer com que haja empregos para trabalhar recursos inexistentes.  O dinheiro é apenas um meio de troca que facilita as transações indiretas.  Uma maior quantidade vai apenas diluir os preços e redistribuir a renda em prol daqueles que obtiveram essa nova quantidade antes dos outros.  Não existe uma quantidade ótima a ser perseguida; qualquer quantidade servirá, no longo prazo.

Responder
Gustavo 06/01/2014 16:20:36

Leandro, não foi exatamente assim que o modelo bancário atual começou, na Inglaterra com os Goldsmiths?

É difícil acreditarmos que o modelo que você descreve não descambaria novamente para o ganha-ganha entre governo e banqueiros que começou quando William III viu a oportunidade de aumentar a arrecadação "por debaixo dos panos"; você não acha?

Sei que a discussão é longa, mas, onde você acha que deveríamos mexer antes?

Abraço e parabéns pelos artigos!

Responder
Leandro 07/01/2014 13:52:22

Prezado Gustavo, de fato, é sim bem possível que tudo descambe para ser como já é hoje.

Eu particularmente defendo a reforma proposta neste artigo:

[link]www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553[(link]

Grande abraço e obrigado pelas palavras.

Responder
Emerson Luis, um Psicologo 11/06/2014 13:11:10


Em resumo, o dinheiro seria privatizado e cada unidade monetária equivaleria a uma quantia de ouro.

* * *

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