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"A doença do capitalismo" - um vermelho-e-preto com Denis Russo Burgierman

Denis Russo Burgierman é um blogueiro de VEJA.  Possui uma coluna que se chama Sustentável é pouco, atualizada semanalmente.  Eu não o conhecia.  Passei a conhecer por indicação de um leitor, que me pediu para comentar um texto dele intitulado A doença do capitalismo.

Aparentemente, Russo leu o livro Gomorra, do jornalista italiano Roberto Saviano, ficou empolgado com algumas informações nele contidas e delas tirou uma série de ideias precipitadas - não o fez por malícia, creio eu, mas por simples desconhecimento da teoria econômica. 

Por que vale a pena comentar o texto dele?  Porque Russo aborda um assunto importante e cada vez mais comentado pela imprensa, e incorre no mesmo erro cometido por aqueles que o analisam superficialmente.

É imprescindível que o leitor clique aqui e leia o texto por completo (não é grande) para melhor se contextualizar sobre o assunto, antes de passarmos à análise.  Por motivos que ficarão claros ao final, vou comentar apenas da primeira parte do texto.  Por isso a importância de lê-lo todo.

Leu?  Então vamos lá.  Ele vai de vermelho, eu vou de preto.

Tem algo profundamente errado no nosso modelo econômico. O problema não é o "capitalismo", é uma doença do capitalismo: um pensamento financeiro criminosamente insustentável que se espalhou por toda a economia (inclusive em países comunistas). Precisamos erradicar essa doença se queremos ver a luz no fim do túnel.  Neste post eu quero tentar explicar que doença é essa. Vou partir de um exemplo concreto para deixar essa discussão mais clara.

Vejamos.

O exemplo é do livro Gomorra, do jornalista italiano Roberto Saviano, transformado num filme com o mesmo nome. Saviano revela que as grandes grifes de moda italianas, para diminuir seus custos, tercerizaram os seus serviços de tecelagem. Para reduzir mais ainda os custos, eles criaram um sistema de concorrência. É assim: as grifes fazem o desenho das roupas e entregam para várias pequenas empresas de costura. Quem conseguir produzir mais em menos tempo ganha a concorrência e é pago. Quem perde a concorrência não ganha nada - trabalhou de graça e pode ficar com as roupas produzidas.

Até aqui, nada de mais nesse arranjo.  Ele é totalmente voluntário e só participam dele as empresas de costura que se apresentarem para o serviço.  Ao que consta, elas não são obrigadas a tal.  Da mesma forma, a regra do jogo, ao que tudo indica, é pré-estabelecida: ganha aquela empresa de costura que for a mais rápida.  Quem não for, não ganha.  Ninguém é forçado a nada.  E quem acha que o arranjo é injusto, não precisa participar dele.

Ademais, a última informação é interessante.  As empresas perdedoras podem ficar com o material produzido - algo totalmente justo, dado que todo o capital e trabalho empregado foi delas (não sei, mas acho que as grifes não fornecem os tecidos para essas empresas de costura). 

Sendo assim, não se pode reclamar que esse arranjo voluntário não seja bom para essas empresas: afinal, como elas agora estão livres para revender esses seus produtos, e estes inevitavelmente serão semelhantes ao produto final escolhido pelas grandes grifes, há aí uma boa garantia de rentabilidade.  

Do ponto de vista estritamente financeiro, esse sistema é um grande sucesso. O incentivo da concorrência garante preços baixíssimos e uma produção muito veloz. Desde que o sistema foi implantado, os custos de produção baixaram e as margens de lucro cresceram. Ou seja, o sistema funciona.

E nem poderia ser diferente.

Mas ele tem um monte de consequências, das quais Saviano (que está jurado de morte pela Camorra, a máfia napolitana) fala em seu livro.

Vejamos quais e de quem realmente é a culpa.

Algumas dessas consequências afetam as próprias grifes. Exemplo: a pirataria cresce, gerando competição desleal para os produtos originais. É que as empresas que perdem a concorrência sobram com um monte de roupas. Óbvio que eles vão tentar reduzir o prejuízo vendendo o encalhe aos "comerciantes informais". O resultado é que o mercado é inundado por roupas e acessórios piratas que custam várias vezes menos que as originais, mas têm um padrão de qualidade parecidíssimo, às vezes até superior (porque a concorrência seleciona apenas rapidez, fazendo com que produtores mais caprichosos saiam em desvantagem).

Ou seja, o mesmo mercado "selvagem" que garante baixos custos e altas margens de lucro para as grandes grifes é capaz de gerar uma competição desleal para essas mesmas grifes, que agora têm de concorrer com produtos com "um padrão de qualidade parecidíssimo, às vezes até superior".

Nada como um mercado livre para corrigir seus próprios excessos - isso para quem acha que houve algum excesso até aqui.

Outras consequências afetam a sociedade inteira. As regras da concorrência são um incentivo para contratar imigrantes ilegais (que topam trabalhar dia e noite, inclusive no fim-de-semana, num regime que só pode ser descrito como de escravidão).

Russo dá a entender que imigrantes são como escravos que são amontoados em navios negreiros e levados a contragosto para trabalhos compulsórios.  Falso.  Um imigrante, por definição, sai de um lugar para ir a outro a procura de trabalho.  Sua intenção sempre é melhorar de vida.  Ele faz isso porque quer; porque a situação em seu país de origem não lhe é atraente.  Se ele está disposto a "trabalhar dia e noite, inclusive no fim de semana", é porque ele acha que assim ficará em situação melhor do que aquela em que se encontrava até então.  A menos que Russo comprove que o imigrante ilegal está sendo obrigado a trabalhar para essas empresas de costura, sem a opção de sair do emprego quando quiser, tal escolha sempre será benéfica para o imigrante.

Diante desses escravos ilegais, profissionais italianos que prezam a qualidade (uma tradição do país) perdem seus empregos, o que desestrutura famílias.

Aqui, Russo incorre no já manjado truque de apelar para o sentimental para tentar tornar seu argumento mais emotivo.  Afinal, quem será o desalmado que irá defender a desestruturação de famílias?

Mas as coisas são um pouco mais diferentes do que o senso comum nos ensina.  Veja só: partindo do princípio de que essas informações são genuínas - isto é, que as empresas de costura que contratam imigrantes ilegais estão destruindo empregos dos profissionais de tradição, aqueles que até então faziam o serviço e cobravam um preço maior -, então isso significa que os serviços desses profissionais de tradição não mais estão em alta demanda pelo público.  O público migrou para os produtos da concorrência, cujos bens - pelo menos de acordo com o público consumidor - estão sendo ofertados de maneira mais eficiente. 

Se o público migrou para os produtos da concorrência, é porque ela está utilizando melhor seus fatores de produção - ou seja, ela está ofertando produtos com melhor custo-benefício para os consumidores.  E contra isso, lamento dizer ao Russo, nada se pode fazer.  Qual seria a solução proposta?  Proibir o público de comprar o que ele quer e forçá-lo a comprar aquilo que ele deixou de querer?  E por que fazer isso?  Para garantir que a renda dos profissionais de tradição se mantenha inalterada?  Não parece ser uma receita eficiente e nem duradoura.  É como se quisessem proibir que o computador fosse inventado, pois isso levaria à extinção dos mecanógrafos (profissional que consertava máquinas de escrever).  Aliás, não existem mais mecanógrafos.  Devem estar com as famílias desestruturadas - pelo menos de acordo com Russo.

Sendo assim, a única opção que resta aos profissionais de tradição é se aprimorar.  Alterar seus métodos de produção, cortar custos, vender um serviço mais barato, nem que isso signifique uma ligeira queda na qualidade do produto.  No extremo, ele terá de se adaptar a outra profissão.  Por que não?  Isso, aliás, já é coisa corriqueira em vários setores da economia, que surgem e desaparecem da noite pro dia.  Por que seria diferente na área de grifes?

Quanto ao argumento emotivo, ele pode ser invertido e, com isso, ganhar uma conotação ainda mais emotiva: se o profissional de tradição está decaindo, o imigrante pobre e até então infeliz está agora melhorando de vida, dado que as preferências do público migraram para os bens por ele produzidos.  Logo, como pode alguém ser contra essa melhora no padrão de vida do infeliz?

Todo esse ambiente ilegal atrai gangsters armados que se dedicam a extorquir as empresas. O dinheiro dos produtos de grifes acaba então sendo usado para comprar armas para o crime organizado.

Permita-me contextualizar melhor a afirmação de Russo, que parece meio perdida.  O que ele quis dizer é que os mafiosos da Camorra se aproveitam desse ambiente da capitalismo "desregulamentado" para extorquir essas empresas de costura e utilizar o dinheiro para comprar armas. 

À primeira vista, parece uma conclusão irrefutável - afinal, trata-se de um fato, e não de uma opinião de Russo.  A Camorra realmente faz tudo isso que foi dito.  Parece que um ambiente de capitalismo desregulamentado estimula esse tipo de crime, não?  Ou seja, o capitalismo desenfreado, a busca pelo lucro, tudo isso leva à lei do mais forte.  Ou pelo menos é o que Russo deixa claro.

Porém, não sei se por desleixo ou por desatenção, Russo deixou escapar um detalhe importantíssimo que o próprio Roberto Saviano revela abundantemente em seu livro: a Camorra possui estreitos laços com várias figuras do estado na região em que opera.  E isso explica muita coisa.

Por exemplo, se uma empresa de costura está sendo coagida por mafiosos, então ela teria de buscar proteção nos sistemas legais - polícia e tribunais, ambas instituições estatais.  Porém, se essas instituições estão em conluio com a máfia local, então é óbvio que não resta alternativa para as empresas a não ser cooperar com os mafiosos.  Portanto, o que acontece é que a Camorra pratica seus crimes em um ambiente altamente estatizado, e não em um ambiente de livre mercado.  Um livre mercado requer respeito à propriedade privada, liberdade de empreendimento e de trocas, e plena autonomia contratual do indivíduo.  E o que temos nessa região da Itália? Uma organização criminosa que, justamente por estar em conluio com as autoridades políticas locais, conseguiu garantir para si o monopólio da violência e construiu seu próprio sistema de tributação.

Ou seja, é o estado que está estimulando toda essa situação, e não um livre mercado.  É o estado que está gerando um ambiente propício para que gangsteres armados possam confortavelmente se dedicar a extorquir as empresas e utilizar o dinheiro - pago pelas grandes grifes - para comprar armas para o crime organizado.

Se isso realmente fosse capitalismo, Denis Russo teria toda a razão em dizer que ele está doente.  O problema é que estamos frente um evidente excesso de estatismo.  Logo, Denis Russo faria bem em condenar os reais fomentadores do crime - os membros do estado. 

 

Entendidas essas questões cruciais, todo o resto do texto de Russo perde o sentido, uma vez que ele está atacando uma coisa achando que é outra.  (A parte final do seu texto é uma verdadeira maçaroca de achismos e ilações sobre o "pessoal de financeiro", PIBs, bancos e bolsas, algo que não nos interessa aqui e que pouco tem a ver com a ideia central do texto).

Sim, ele está certo em condenar as grifes italianas que utilizam o serviço dessas empresas de costura dominadas pela máfia.  Eu também acho moralmente condenável alguém utilizar as roupas de alguma grife cujo processo de produção envolve empresas controladas por quadrilhas de assassinos (por mais que, em última instância, inocentes imigrantes estejam melhorando de vida no processo). 

Qualquer propaganda contra essas grifes e qualquer discriminação contra as pessoas que utilizem roupas dessas grifes são totalmente válidas.  Mas é preciso ter honestidade intelectual: se é para apontar os culpados, que estes sejam claramente identificados.  O que temos nesse arranjo não é um capitalismo de livre mercado, mas sim um conluio entre mafiosos, governos e grandes empresas inescrupulosas.

Aí já se ouve a gritaria: "Ah, mas e tudo o que você havia dito até então sobre as empresas de costura operarem sob liberdade total de contrato com as grandes grifes?  E os profissionais de tradição?  Devem se estrepar mesmo assim?"

Tudo o que foi dito sobre as empresas continua sendo válido.  A relação entre as grandes grifes e as empresas de costura é de fato essencialmente livre.  O problema todo está no fato de tais empresas serem extorquidas pela máfia local, que está em conluio com o estado.  Também mantenho tudo o que disse sobre a questão dos imigrantes.

Já em relação aos profissionais de tradição, restaria apenas uma saída, que seria a moralmente correta: os consumidores dos produtos das grandes grife, por saberem do envolvimento da Camorra, deveriam exigir alguma atitude delas - por exemplo, que elas parassem de lidar com as empresas de costura controladas pela Camorra até que algo fosse feito (sendo que os imigrantes é que se estrepariam nesse processo).  Isso inevitavelmente voltaria a produção para os profissionais de tradição.

Porém, se os consumidores querem que tudo continue como está, se não houver boicotes e discriminação contra quem utiliza tais produtos, e se o estado continuar em conluio com a Camorra, então realmente nada pode ser feito.  (O objetivo principal, obviamente, deveria ser o de eliminar a Camorra.  Mas isso é algo em que aparentemente o estado local não está interessado.)

A situação continuará totalmente imoral.  Mas vale repetir: quem está estimulando toda essa situação é o estado, que concedeu o monopólio da violência à Camorra.  Isso não é capitalismo de livre mercado.

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SOBRE O AUTOR

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


A meu ver, essa "desregulamentação" estatal sobre a terceirização não passa de uma intervenção, de feição "liberal", que não implicará nos efeitos desejados e previstos.

Basicamente, pelo que eu entendi, a intenção do governo é gerar mais empregos que de fato paguem salários realmente vinculados à riqueza produzida pelo empregado. Com isso, busca se mover a economia, através de poupanças, maior capital do empregador para investimento e consumo real dos empregados. Desse modo, o Estado pode arrecadar mais, pois, na análise de Smith que é complementanda pelo autor do artigo, a especialização (terceirização) gera riqueza e prosperidade. Fugindo, portanto, do ideal keynesiano de que quanto maior o consumo de quem produz maior o progresso, negligenciando a possível artificialidade dessa troca.

Minha objeção consiste em afirmar que a regulamentação do modo que foi feita não é benéfica para o Estado, logo, como tudo no Brasil, querendo ou não, está ligado à esse ente, não torna se benéfica ao indivíduo.

Primeiro, pelo fato de que, as empresas que contratam outras empresas terceirizadas podem ter um elo empregatício direito com os empregados dessa última. Nessa perspectiva, caso uma terceirizada, receba os repasses do contratante, porém não esteja pagando os benéfícios/ salários dos seus empregados em dia, sob alegações diversas, iniciará se um processo judicial entre a empresa contratada e o contrante para solucionar esse caso, haja vista que é do interesse do terceirizado receber o que lhe é devido. Consequentemente, o tempo depreendido, os custos humanos e financeiros são extremamente onerosos para a empresa contratante, de modo que, sua produtividade e poder de concorrencia no mercado é reduzida. Ou seja, a continuidade do desrespeito aos contratos firmados e a morosidade da Justiça, práticas comuns no país, muitas vezes, anulam a ação estatal que visa gerar mais empregos e melhorar a produtividade das empresas. O que afeta principalmente os empreeendedores com um capital menor e que operam em mercados menos regulados. Logo, busca se intervir para corrigir um problema, sendo que o corolário dessa nova intervenção é exaurido por uma ação feita anteriormente

Outro ponto pouco abordado por vocês é que as terceirizações beneficiam também os empresários oriundos de reservas de mercado. Logo, uma ação estatal que, a posteriori privilegia os amigos dos políticos, não pode implicar nas consequências previstas a priori. Isso porque, a possibilidade contratação de terceirizados a partir de salários menores do que de fato seriam em um contexto natural/equilibrado torna se muito mais viável para os corporativistias, pelo simples fato de que seus acordos com agências e orgãos públicos influenciam também nas decisões judiciárias que envolvem a sua empresa e a empresa terceirizada. Desse modo, o megaempresário contrata a empresa terceirizada e estabelece um acordo onde há um repasse menor da grande empresa para a terceirizada e, na sequência, apenas uma parte muito pequena, não correspondente ao valor gerado, desse repasse para a empresa terceirizada é convertida em salários para os terceirizados, onde a empresa terceirizada acaba lucrando mais, ao ter menos gastos. Portanto, um terceirizado que trabalha para uma empresas monopolística (no sentido austríaco) possui maiores chances de ser ludibriado e não lhe resta muitas opções de mudança de nicho, haja vista que infelizmente inúmeros setores do mercado brasileiro sofrem regulação e intervenção constante do governo.

No mais, ótimo artigo.
Gustavo, os Dinamarqueses podem usufruir desse tipo de assistencialismo, justamente porque o mercado deles é produtivo.

O mercado deles é produtivo como consequência da LIBERDADE DO MESMO, como o próprio artigo aponta.

Lá não existe salario mínimo, o imposto sobre o consumo é baixo, assim como o imposto sob pessoa jurídica.
No máximo, o imposto de renda é alto, mas eles tem uma moeda forte e estável, um lugar livre pra se empreender e contratar alguém(não existe nem salário minimo lá!).

Defender o modelo Dinamarques na situação Brasileira demonstra toda a ignorância básica em economia, nosso mercado fechado produz pouco pra aguentar um estado desse tamanho. Ainda sim, o estado da Dinamarca é menor que o Brasileiro, nunca ouvi falar sobre lá ter quase 40 ministérios, nunca ouvi falar lá sobre a existência de Agencias Reguladoras em todos os setores do Mercado, nunca ouvi falar lá sobre a existência de centenas de estatais!

E mais, a crise Sueca dos anos 80 justamente explica isso, o Welfare explodindo nessa época acabou ''sufocando'' o mercado, deixando-os em uma crise enorme de déficits astronomicos.
Qual foi a solução?

Austeridade e Livre-Mercado, na década de 90 a suécia voltou a crescer fortemente, uma reforma radical de corte de gastos e liberdade de mercado, no fim das década de 80 e começo da 90, permitiu que a Suécia saísse da crise causada pelo Welfare.

Mas por fim, você acha justo tirar o dinheiro das pessoas a força pra sustentar tudo isso para os que não querem trabalhar?

Antes de qualquer boa consequência, analise a ética e a moral.
É como querer defender o homicídio, dizendo que isso amenizara a escassez na terra no futuro. Não interessa, homicídio de inocentes é errado, é irrelevante as boas ou ruins consequências que o crime pode trazer.

E mais, Noruega já esta retirando dinheiro do seu fundo, mais uma vez veremos mais uma crise em alguns escandinavos, o peso do estado não dura muito, por mais produtivo que um mercado seja. É economicamente impossível, a empiria da ciência economica prova isso!

O texto apenas demonstra que o sistema capitalista, ainda mais a forma liberal, é totalmente ineficiente.

Senão vejamos,

1: hoje já não é proibido nenhuma empresa ter seus laboratórios e certificados de qualidade internos ou externos, inclusive no Brasil existe a certificação "Certified Humane Brasil é o representante na América do Sul da Humane Farm Animal Care (HFAC), a principal organização internacional sem fins lucrativos de certificação voltada para a melhoria da vida das criações animais na produção de alimentos, do nascimento até o abate"; (não necessita liberalismo para isso), inclusive a Korin agropecuária é certificada por essa empresa, entre tantas outras.

2: Não é proibido nenhuma instituição avaliar a qualidade dos produtos e denunciar caso seja de péssima abaixo do esperado; (não necessita liberalismo para isso também)

3: No liberalismo estas mesmas instituições que avaliariam a qualidade ou emitiriam certificados poderiam ser construídas justamente para os objetivos do bloco gigante de algum ramo, como por exemplo carne, tendo esse poder eles também teriam o poder de patrocinar jornais e revistas para desmentir qualquer empresa de certificados privados concorrente e pronto, num mundo globalizado quem não aparece não é visto. O lucro dos grandes blocos estaria garantido... num capitalismo sem regulação estatal quem iria impedir isso? Da mesma forma que a "Certificadora" do grande grupo poderia difamar as carnes de um grupo concorrente.

claro, se não existissem grupos, talvez até funcionaria, porém pq não criar grupos para ter maior vulto de recursos para maior propaganda e maior lucro? Justamente. Apenas prova objetivo maior - lucro - é o motor para irregularidades, seja de agente público ou privado.

aguardando respostas...

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Filipe  10/03/2010 08:31
    Mais uma vez.. Parabéns, muito bom esse tipo de artigo! Nos faz sempre pensar desta forma, ou seja, avaliar o que estamos lendo de acordo com os principios da escola.
  • Bruno  22/03/2010 15:51
    (O objetivo principal, obviamente, deveria ser o de eliminar a Camorra. Mas isso é algo em que aparentemente o estado local não está interessado.)

    Mas a ausência do Estado nesse caso e como muitos em outros não significa queda da Camorra. A Camorra deve ter conseguido ou colocar seus componentes em cargos-chaves ou está cooptando "na força" o Estado.

    Isso bate com a minha idéia de que ausência de Estado apenas é caminho para algum grupo ser o novo Estado. O que conta no mundo é PODER DE FOGO. Tanto é que em algumas ocasiões, o Estado e as Máfias resolveram medir força.
  • Leandro  22/03/2010 17:19
    Pode ser, Bruno. Mas vale notar que, no arranjo atual, a Camorra é poderosa justamente por causa do estado, e não apesar dele.
  • Joel Pinheiro  22/03/2010 17:32
    Adoro essa seção "vermelho e negro", Leandro. É o tipo de abordagem necessária para que, pouco a pouco, os erros muito difundidos no pensamento político e econômico da grande mídia sejam corrigidos. Espero ver mais artigos assim no futuro, e cada vez mais focados nas idéias, e não nos méritos ou deméritos do caráter das pessoas contra as quais se debate, que é um tipo de polêmica sem valor intelectual e que nos predispõe a muitos juízos falsos.
  • Rhyan Fortuna  10/04/2010 04:26
    Também gostei muito dessa seção vermelho e preto!\r
    Curiosamente os dois textos são críticas à colunistas da Veja. Revista considerada "liberal".
  • Juliano Camargo  27/04/2010 01:09
    Engraçado que assisti este filme uns meses atrás. Não tem nada disso de produzir roupas em competição. O filme mostrou uma sala onde havia uma concorrência 'arrumada' pela máfia. Quem desse o menor preço, levava. Eles davam uns prazos irrealistas e matavam os operários de trabalhar. E quem entrasse contra eles, eles davam um jeito 'na rua'.

    O filme mostra um destes artesãos italianos cansado de ser explorado pela máfia. Ele decide treinar os trabalhadores ILEGAIS chineses que trabalham em fábricas escondidas (vejam aí como já estamos saindo do livre-mercado).

    O filme também mostrou os imigrantes sob uma luz bastante positiva. Mostra que eles trabalham muito duro, mas com dignidade. Eles convidam ele para jantar, ele adora a comida chinesa, que nunca tinha experimentado (italiano é louco por comida).

    O filme mostra que ele ganhou muito dinheiro neste curso. Ele é tratado como 'maestro' pelos chineses, mas depois a máfia pega ele e os empresários chineses.

    O filme mostra outras atividades de mercado negro, como o tráfico de drogas e a indústria de licenciamento para lixo tóxico. É um filme muito bom, e aposto que vocês quando assistirem teriam uma leitura completamente diferente desse Denis Russo.

    A máfia existe no sul da Itália quase como uma organização política. A gente sabe que na Itália há um grande setor informal. Isso não é muito comum na Europa, mas na Itália é grande. Adivinha quem comanda...

    Abraços


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