Os novos truques do Fed estão criando um desastre

O Federal Reserve (o Banco Central americano) está tentando uma gama de novos truques para estimular novas formas de empréstimos como meio de impedir aquilo que eles temem que seja um grande colapso dos mercados financeiros. O que todas essas estratégias têm em comum é a relutância em aceitar a realidade: a crise está baseada em fatores reais e não pode ser simplesmente embrulhada e descartada sem grandes conseqüências para a saúde econômica.

Assim, na última terça-feira (11 de março), como resposta aos crescentes problemas com o banco de investimento Bears Stearns, o banco central americano disse que iria oferecer aos seus primary dealers (instituições financeiras aptas a fazer negócios diretamente com o Fed, dentre as quais bancos comerciais e bancos de investimento) até $200 bilhões em títulos do Tesouro americano durante um período de 28 dias. Em troca, esses primary dealers deveriam dar ao Fed vários mortgage backed securities (MBS - títulos lastreados em hipotecas) de classificação AAA como garantia. À medida que os problemas com o Bear Stearns se intensificaram e os clientes começaram a retirar seu dinheiro, o Fed anunciou que estava pronto para fazer ainda mais.

No domingo, 16 de março, o Fed anunciou que iria fornecer empréstimos diretos para os bancos de investimentos através da janela de redesconto. É a primeira vez que isso ocorre desde a Grande Depressão. O Fed concordou em emprestar aos bancos de investimento em troca do recebimento de uma grande variedade de títulos, inclusive um grande naco de títulos de difícil comercialização.

Essa jogada do Fed veio após o Bear Stearns ter anunciado uma queda do seu efetivo em caixa, que despencou de $17 bilhões em 11 de março para $2 bilhões em 14 de março.

O fato de que o Bear Stearns estava perdendo dinheiro rapidamente representou uma séria ameaça para o repo market (mercado de retomada de posse de uma propriedade ou mercadoria por falta de pagamento). Nesse mercado, bancos e empresas de securities concedem e recebem empréstimos de curto prazo que são lastreados por títulos. Os funcionários do Fed temiam que a periclitante situação financeira do Bear Stearns apresentasse o risco de que ele não seria capaz de honrar suas dívidas. Isso poderia solapar a confiança nesse enorme mercado de retomada, avaliado em $4,5 trilhões, e causar ainda mais danos ao mercado de crédito.

No final, os funcionários do Fed orquestraram a venda do Bear Stearns ao JP Morgan Chase Co. por $2 a ação, ou $236 milhões ao todo. Note que em 20 de dezembro de 2007, as ações do Bear fecharam em $91,42. A principal razão dada para essa negociação foi que ela tinha o objetivo de impedir ainda mais incerteza, o que levaria a uma desestabilização ainda maior dos mercados financeiros.

A maioria dos comentaristas louvou incessantemente os métodos inovadores que Bernanke e seus colegas estão introduzindo para conter a crise financeira. Bernanke, que escreveu muito sobre as causas da Grande Depressão, é tido como o supremo especialista em como conter a atual crise econômica. Ou seja, a maioria dos comentaristas tem a visão de que o homem sabe o que está fazendo e será capaz de consertar os atuais problemas financeiros.

Bernanke é do tipo que acredita que através de uma agressiva política monetária os mercados de crédito podem ser normalizados. E quando os mercados de crédito voltarem à normalidade, a política monetária terá um papel importante em impedir uma séria crise econômica. Lembre-se do modelo do acelerador financeiro de Bernanke: um pequeno choque no setor financeiro pode resultar em grandes danos para a economia real.

Em resumo: Bernanke, por meio de sua "inovadora" política de corrigir os sintomas da doença, acredita que ele pode curar a doença.

Qual é a fonte da doença e por que os bancos de investimento estão tão sobremaneira infectados por ela? A raiz do problema está na frouxa política de juros praticada pelo Fed e na forte injeção monetária feita de janeiro de 2001 a junho de 2004. A meta da taxa de fundos federais foi diminuída de 6,5% para 1%. Foi isso que deu origem a vários maus investimentos - os quais são aqui rotulados de bolhas.

Definimos uma bolha como sendo o resultado de atividades que emergiram no rastro de políticas monetárias frouxas do banco central. Na ausência de injeção monetária, essas atividades não teriam surgido. Dado que bolhas não são auto-financiáveis, seu surgimento deve vir às custas de várias atividades produtivas ou auto-financiáveis. Isso significa que menos poupança real é deixada para os genuínos geradores de riqueza, o que por sua vez debilita uma real formação de riqueza. (Injeções monetárias provocam uma má alocação de recursos que, via de regra, se manifesta através de um aumento relativo nas atividades não-produtivas vis-à-vis atividades produtivas).

Quando novo dinheiro é criado do nada, através da simples impressão de notas feita pelo Fed, seu efeito não é sentido instantaneamente por todos os setores do mercado. O efeito vai se movendo de um indivíduo para o outro, de um mercado para outro. Assim, injeções monetárias geram bolhas por todos os mercados, à medida que o tempo vai passando.

Assim como ocorre em todos os outros negócios, os participantes dos mercados financeiros, como os bancos de investimentos, estão apenas tentando "ganhar dinheiro". É isso que dá surgimento à criação de vários produtos exóticos, como as mortgage backed securities (MBS - títulos lastreados em hipotecas) e as collateralized debt obligations (CDO - obrigações de dívidas caucionadas), ambas lastreados em papéis lastreados em hipotecas subprime. Esses produtos foram criados com a intenção de garantir a maior fatia possível do conjunto de dinheiro recentemente criado pelo Fed. (Os empreendedores financeiros estão basicamente tentando explorar oportunidades criadas pela frouxa postura monetária do Fed e, assim, conseguir o máximo possível dessa recém-alargada fatia de dinheiro).

Enquanto o Fed estiver injetando dinheiro no sistema para manter baixa a taxa de juros, as várias atividades surgidas no rastro dessa frouxa postura monetária parecerão sólidas. Quando o dinheiro é abundante, e as taxas de juros são extremamente baixas, os investimentos em vários ativos de relativamente alta rentabilidade - como as MBS e as CDO, que apenas aparentam ser investimentos de alta qualidade - se tornam muito atraentes. O imediato pagamento de juros e uma pequena incidência de calote reforçam ainda mais a atratividade desses produtos. Entretanto, uma vez que o banco central apertar sua postura monetária - isto é, reduzir a injeção monetária - haverá uma corrosão das bolhas.

O estrago feito pelas frouxas políticas monetárias do Fed de janeiro de 2001 a junho de 2004 não pode ser corrigido pela tentativa de se consertar os sintomas. As várias atividades ou bolhas financeiras surgidas no rastro da frouxa política monetária levaram a um enfraquecimento de todo o setor financeiro da economia. Esse fato não pode ser corrigido por outra dose de políticas que tentem suprimir os sintomas. Se servem para algo, essas políticas irão apenas enfraquecer ainda mais esse setor.

Lembre-se que atividades não-produtivas não são auto-financiáveis. Sua existência se torna possível pelo desvio de fundos reais de atividades geradoras de riquezas. Esse desvio de fundos reais, por sua vez, só foi possível por causa da frouxa política monetária. Assim, o aperto da postura monetária de junho de 2004 a setembro de 2007 é o que está atualmente solapando essas várias atividades ilusórias.

A política monetária se manifesta através dos preços de vários bens e ativos. Um preço de um bem nada mais é do que o número de dólares por unidade desse bem. Quando o crescimento da oferta monetária se intensifica, há um aumento do número de dólares pagos por unidade de um bem gerado por uma atividade em particular - isto é, os preços sobem. Inversamente, uma postura monetária mais contracionista, que diminua o fluxo de dinheiro, coloca uma pressão baixista nos preços dos ativos, ou os preços dos bens de várias atividades.

Uma postura monetária contracionista gera duas coisas. Ela enfraquece a oferta de poupança real para atividades não-produtivas e enfraquece o fluxo de dinheiro para essas atividades. (Lembre-se que a poupança real é desviada das atividades geradoras de riqueza para essas bolhas por meio de uma política monetária frouxa).

Um menor fluxo de poupança real começa a solapar a existência dessas atividades ilusórias e a solvência delas começa a se tornar questionável. Assim, uma queda no fluxo de dinheiro coloca uma pressão baixista nos preços dos bens dessas atividades. De fato, preços de bens que emanam de atividades ilusórias tendem a cair agudamente durante uma recessão. Isso, por sua vez, reduz o fluxo de dinheiro de investidores para essas atividades. Como resultado, os preços das ações das atividades formadas durante a bolha também tendem a cair agudamente, o que põe mais pressão nessas atividades. (Com o valor de seus ativos caindo, os investimentos mal alocados agora só irão conseguir menos financiamento de seus emprestadores).

Em contraste, atividades geradoras de riqueza, que não precisam de uma expansão monetária para sua existência, de fato começam a ganhar força. Uma queda nos preços de seus bens provavelmente será menos severa do que a vista nos preços dos bens de atividades geradas pela bolha. E na realidade seus preços podem até nem mesmo cair. Lembre-se que geradores de riqueza estão empenhados na produção de bens e serviços que estão na mais alta prioridade dos consumidores. Inversamente, investimentos estimulados por bolhas estão dirigidos para a produção de bens e serviços que são de baixa prioridade para os consumidores.

Como a renda real dos consumidores irá cair em decorrência dos efeitos danosos da frouxa política monetária, bens e serviços produzidos por vários investimentos estimulados por bolhas podem até nem aparecer na lista de prioridades dos consumidores.

Suspeitamos que, no presente momento, uma postura mais contracionista ocorrida entre junho de 2004 e setembro de 2007 está dominando o atual cenário econômico. O chamado crescimento econômico sempre é calculado em termos do PIB, que nada mais é do que a quantidade de dinheiro gasta em bens e serviços finais. O ritmo da injeção monetária determina a taxa de crescimento do PIB. Uma taxa de crescimento monetário mais forte tende a ser seguida de uma taxa de crescimento do PIB mais robusta, ao passo que uma diminuição da taxa de crescimento monetário é seguida por um enfraquecimento do crescimento do PIB.

Entretanto, a máquina de crescimento econômico não é o dinheiro, mas a poupança real. Se a totalidade da poupança real está estagnada ou declinante, a economia - também em termos do PIB - seguirá de acordo, independentemente do que o Fed esteja fazendo.

A maneira que um determinado setor da economia vai reagir a um aperto monetário depende do grau com que esse setor foi infectado pelos investimentos estimulados pela bolha. Quanto maior for a porcentagem das atividades geradas pela bolha vis-à-vis todas as atividades de um setor em particular, mais severos serão os efeitos do aperto monetário.

Se o conjunto da poupança real ainda estiver se expandindo, isso significa que os investimentos gerados pela bolha, em geral, não dominam o cenário econômico. (Eles podem, no entanto, ser dominantes em alguns setores em particular). Isso significa que a expansão creditícia feita pelos bancos comerciais não entrará em colapso e o crescimento monetário provavelmente será mantido.

No entanto, se o conjunto da poupança real estiver estagnado ou declinante, isso pode significar que as atividades geradas pela bolha estão dominando o cenário, o que por sua vez aumenta a probabilidade de que a expansão creditícia dos bancos comerciais vá parar por completo. Obviamente, pode-se argumentar que nesse caso o Fed poderia abrir as torneiras de maneira a inundar de dinheiro a economia. Não há qualquer dúvida de que o Fed possa fazer isso. Entretanto, isso não significa que os bancos irão embarcar em uma expansão creditícia, dado que o conjunto da poupança real está caindo.

Obviamente, então, se o conjunto da poupança real ainda estiver saudável, as políticas de Bernanke podem "funcionar". Ou seja: após um intervalo de tempo, os mercados financeiros poderão começar a crescer rapidamente, assim como a economia real. Se isso de fato ocorrer, a recuperação não terá sido por causa das políticas de Bernanke, mas, ao contrário, apesar delas.

No cenário alternativo, o qual cremos ser o mais provável, o conjunto da poupança real está de fato estagnado ou declinante. Nesse cenário alternativo, as políticas de Bernanke irão apenas causar ainda mais danos ao estoque de poupança e de capital sadio para investimento, e afundar ainda mais a economia em uma severa e prolongada crise.

 

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SOBRE O AUTOR

Frank Shostak
é um scholar adjunto do Mises Institute e um colaborador frequente do Mises.org.  Sua empresa de consultoria, a Applied Austrian School Economics, fornece análises e relatórios detalhados sobre mercados financeiros e as economias globais.

Tradução de Leandro Roque


As causas da Grande Depressão? Intervencionismo na veia.

Herbert Hoover
aumentou os gastos do governo federal em 43% em um único ano: o orçamento do governo, que havia sido de US$ 3 bilhões em 1930, saltou para US$ 4,3 bilhões em 1931. Já em junho de 1932, Hoover aumentou todas as alíquotas do imposto de renda, com a maior alíquota saltando de 25% para 63% (e Roosevelt, posteriormente, a elevaria para 82%).

A Grande Depressão, na verdade, não precisaria durar mais de um ano caso o governo americano permitisse ampla liberdade de preços e salários (exatamente como havia feito na depressão de 1921, que foi ainda mais intensa, mas que durou menos de um ano justamente porque o governo permitiu que o mercado se ajustasse).

Porém, o governo fez exatamente o contrário: além de aumentar impostos e gastos, ele também implantou políticas de controle de preços, controle de salários, aumento de tarifas de importação (que chegou ao maior nível da história), aumento do déficit e estimulou uma arregimentação sindical de modo a impedir que as empresas baixassem seus preços.

Com todo esse cenário de incertezas criadas pelo governo, não havia nenhum clima para investimentos. E o fato é que um simples crash da bolsa de valores -- algo que chegou a ocorrer com uma intensidade ainda maior em 1987 -- foi amplificado pelas políticas intervencionistas e totalitárias do governo, gerando uma depressão que durou 15 anos e que só foi resolvida quando o governo encolheu, exatamente o contrário do que Keynes manda.

As políticas keynesianas simplesmente amplificaram a recessão, transformando uma queda de bolsa em uma prolongada Depressão.



Crise financeira de 2008? Keynesianismo na veia. Todos os detalhes neste artigo específico:

Como ocorreu a crise financeira de 2008


Seu amigo é apenas um típico keynesiano: repete os mesmos chavões que eu ouvia da minha professora da oitava série.


Sobre o governo estimular a economia, tenho apenas duas palavras: governo Dilma.

O legado humanitário de Dilma - seu governo foi um destruidor de mitos que atormentam a humanidade
Prezados,
Boa noite.
Por gentileza, ajudem-me a argumentar com um amigo estatista. Desejos novos pontos de vista, pois estou cansado de ser repetitivo com ele. Por favor, sejam educados para que eu possa enviar os comentários. Sem que às vezes é difícil. Desde já agradeço. Segue o comentário:
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" Quanto ao texto, o importante é perceber que sem as medidas formuladas por keynes a alternativa seria o mercado livre, o capitalismo sem a intervenção estatal. Nesse caso, o que os defensores desse modelo não mencionam é que o capitalismo dessa forma tende à concentração esmagadora de capital, o que se levado às ultimas consequências irá destruir a própria sociedade. "O capitalismo tem o germe da própria destruição ", já disse Marx. Os capitalistas do livre mercado focam no discurso que eles geram a riqueza, mas a riqueza é sempre gerada socialmente. Como ja falei uma vez, um grande empresário não coloca sozinho suas empresas para funcionar, precisa de outras pessoas, que também, portanto, geram riqueza. Para evitar que a concentração da riqueza gerada fique nas mãos apenas dos proprietários, o Estado deve existir assegurando direitos que tentem minimizar essa distorção e distribua as riquezas socialmente geradas para todos. Isso não é comunismo, apenas capitalismo regulado, que tenha vies social. Estado Social de Direito que surgiu na segunda metade do século passado como resultado do fracasso do Estado Liberal em gerar bem estar para todos. Para que o Estado consiga isso tem que tributar. O Estado não gera riqueza, concordo. Mas o capitalismo liberal, por outro lado, gera a distorção de concentrar a riqueza gerada socialmente nas mãos de poucos. Essa concentração do capitalismo liberal gera as crises (a recessão é uma delas). O capitalismo ao longo do século 20 produziu muitas crises, a grande depressão da decada de 30 foi a principal delas. A ultima grande foi a de 2007/2008. O Estado, portanto, intervém para corrigir a distorção, injetando dinheiro. Esse dinheiro, obviamente, ele nao produziu, retirou dos tributos e do seu endividamento sim. Quando a economia melhorar o Estado pode ser mais austero com suas contas para a divida nao decolar em excesso e poder se endividir novamente numa nova crise, injetando dinheiro na economia pra superar a recessao e assim o ciclo segue. A divida do estado é hoje um instrumento de gestão da macroeconomia. Um instrumento sem o qual nao se conseque corrigir as distorções geradas da economia liberal. Basta perceber que todos os países mais ricos hoje tem as maiores dividas. Respondendo a pergunta do texto: o dinheiro vem mesmo dos agentes econômicos que produzem a riqueza, da qual o Estado tira uma parcela pelos tributos, com toda a legitimidade. E utiliza tal riqueza para assegurar direitos sociais e reverter crises. E o faz tambem para salvar a propria economia, que entraria em colapso sem a injeção de dinheiro do Estado (que o Estado tributou). Veja o que os EUA fizeram na crise de 2008. Procure ler sobre o "relaxamento quantitativo", que foi a injeção de 80bilhoes de dolares mensalmente pelo governo americano para salvar a economia mundial do colapso, numa crise gerada pelo mercado sem regulação financeira.

Veja esse texto do FMI, onde o proprio FMI reconhece que medidas d austeridade nao geram desenvolvimento e, portanto, reconhece a necessidade do gasto publico. (
www.imf.org/external/pubs/ft/fandd/2016/06/ostry.htm )

Esse artigo do Paul krugman sobre a austeridade, defendendo também o gasto publico:
https://www.theguardian.com/business/ng-interactive/2015/apr/29/the-austerity-delusion .
"
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E aí pessoal, já viram isso? (off-topic, mas ainda assim interessante):


Ancine lança edital de R$ 10 milhões para games


Agora vai... por quê os "jênios" do Bananão não tiveram esta ideia antes? E o BNDES vai participar também! Era tudo o que faltava para o braziul se tornar uma "potênfia" mundial no desenvolvimento de games.

Em breve estaremos competindo par-a-par com os grandes players deste mercado. Aliás, seremos muito MAIORES do que eles próprios ousaram imaginar para si mesmos. Que "horgulio" enorme de ser brazilêro...
"Se um empreendedor construir uma ponte... Ele também consome itens escassos... A única diferença, é a eficiência com que ele gasta esse recurso."

1) Se a obra é estatal -- isto é, se ela é feita de acordo com critérios políticos --, então não há como saber que ela está sendo genuinamente demandada pelos consumidores. Não há como saber se ela realmente é sensata ou não, se ela é racional ou não. (Vide os estádios da Copa na região Norte do país). O que vai predominar serão os interesses dos políticos e de seus amigos empreiteiros, ambos utilizando dinheiro de impostos. Não haverá nenhuma preocupação com os custos.

2) Se a obra é estatal, haverá superfaturamento. (Creio que, para quem vive no Brasil das últimas décadas, isso não necessariamente é uma conclusão espantosa). Havendo superfaturamento, os preços desses insumos serão artificialmente inflacionados, prejudicando todos os outros consumidores. Os preços, portanto, subirão muito mais ao redor do país.

3) Por outro lado, se é o setor privado -- e não o estado -- quem voluntariamente está fazendo a obra, então é porque ele notou que há uma demanda pelo projeto. Ele notou que há expectativa de retorno. (Se não houvesse, não haveria obras). Consequentemente, os preços dos insumos serão negociados aos menores valores possíveis. Caso contrário -- ou seja, caso houvesse superfaturamento --, a obra se tornaria deficitária, e seria muito mais difícil a empresa auferir algum lucro.

Isso, e apenas isso, já mostra por que os efeitos sobre os preços dos insumos são muito piores quando a obra é estatal. Tudo é bancado pelos impostos; não há necessidade de retorno financeiro para quem faz a obra (o governo e suas empreiteiras aliadas); não há accountability; os retornos são garantidos pelos impostos do populacho.

Já em uma obra feita voluntariamente pela iniciativa privada, nada é bancado pelos impostos; a necessidade de retorno financeira pressiona para baixo os custos; há accountability; os impostos da população não são usados para nada.

Qual desses dois arranjos você acha que pressiona para cima os preços dos insumos, prejudicando todos os outros empreendedores do país?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Nairon  28/07/2012 06:41
    Com tanto conhecimento que adquiri com o IMB. Acredito que hoje em dia o governo brasileiro de certa forma parece querer fazer o mesmo que ocorreu com a grande crise dos EUA. Acredito eu, só para avançar ainda mais na liberdade individual e dar uma de "messias" que irá estimular a economia da mesma forma, nada original, que o FED e o governo dos EUA. Estamos indo pra era da escuridão....
  • Pedro Ivo  28/07/2012 07:58
    "Estamos indo pra era da escuridão....": já estamos nela desde a 1ª Gran Guerra, quando surgiu o contexto que tornou plausível aos olhos do senso comum o intervencionismo
  • Amarilio Adolfo da Silva de Souza  23/06/2013 00:02
    A hora do Brasil, se mantido o atual consumo elevado somado às injeções monetárias, chegará logo.
  • Emerson Luis, um Psicologo  27/08/2013 15:13
    Se os médicos cuidassem das pessoas como certos economistas cuidam da economia...

    * * *


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