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Os "direitos humanos" como direitos de propriedade

[O texto a seguir é uma transcrição do capítulo 15 do livro A Ética da Liberdade]


Os socialistas democratas geralmente desejam preservar o conceito de "direitos" para aqueles direitos "humanos" como a liberdade de expressão, mas não o aplicam à propriedade privada.[1]  E, no entanto, em contradição, o conceito de "direitos" somente faz sentido se eles são entendidos a partir do conceito de direitos de propriedade.   Pois não apenas não existem direitos humanos que não sejam também direitos de propriedade, como esses direitos perdem sua incondicionalidade e clareza e se tornam confusos e vulneráveis quando os direitos de propriedade não são usados como padrão.

Em primeiro lugar, há dois sentidos nos quais os direitos de propriedade são idênticos aos direitos humanos: um, que a propriedade só pode caber a humanos, de modo que seus direitos à propriedade são direitos que pertencem a seres humanos; e dois, que o direito da pessoa ao seu próprio corpo, sua liberdade pessoal, é tanto um direito de propriedade sobre sua própria pessoa como é um "direito humano".   Porém, ainda mais importante para a nossa argumentação, os direitos humanos, quando não colocados em termos de direitos de propriedade, tornam-se vagos e contraditórios, fazendo com que os socialdemocratas enfraqueçam estes direitos e favoreçam as "políticas públicas" ou o "bem comum".   Conforme escrevi em outro trabalho:

Tome, por exemplo, o "direito humano" de liberdade de expressão.   Supõe-se que a liberdade de expressão significa o direito de todos dizerem o que bem entenderem.   Mas a questão negligenciada é:  Onde?   Onde um homem possui esse direito?   Certamente ele não o possui em uma propriedade que esteja invadindo.   Em suma, ele possui esse direito apenas em sua própria propriedade ou na propriedade de alguém que concordou, como um presente ou em um contrato de aluguel, em conceder a ele o espaço determinado.   Portanto, na realidade, não existe esta coisa de um "direito de livre expressão" separado; existe apenas o direito de propriedade de um homem: o direito de fazer o que quiser com o que é seu ou de fazer acordos voluntários com outros possuidores de propriedade.[2]

Em resumo, uma pessoa não possui um "direito à liberdade de expressão"; o que ela possui é o direito de alugar um salão e de discursar para as pessoas que entrarem no espaço.   Ela não possui um "direito à liberdade de imprensa"; o que ela possui é o direito de escrever ou publicar um panfleto, e de vender este panfleto para aqueles que desejarem comprar (ou de distribuí-lo para aqueles que desejarem aceitá-lo).   Deste modo, o que ela possui em cada um destes casos são direitos de propriedade, incluindo o direito de livre contrato e transferência que constitui uma parte destes direitos de posse.   Não existe nenhum direito extra de "liberdade de expressão" ou de liberdade de imprensa além dos direitos de propriedade que uma pessoa pode possuir em qualquer caso concebível.

Além disso, formular a análise em termos de um "direito de livre expressão" no lugar de direitos de propriedade resulta em confusão e no enfraquecimento do próprio conceito de direitos.   O exemplo mais famoso é a alegação do juiz Holmes de que ninguém tem o direito de gritar "fogo!" falsamente em um teatro lotado, e que, portanto, o direito de liberdade de expressão não pode ser absoluto e deve ser relativizado e moderado por considerações de "políticas públicas".[3] E, não obstante, se analisarmos o problema em termos de direitos de propriedade, veremos que nenhuma relativização da incondicionalidade dos direitos é necessária.[4]

Pois, logicamente, o gritalhão é ou um cliente ou o dono do teatro.   Se ele for o dono do teatro, ele está violando os direitos de propriedade dos clientes de assistirem tranquilamente à apresentação, pela qual originalmente ele recebeu o dinheiro deles.   Se ele for um cliente, então ele está violando tanto o direito de propriedade dos clientes de assistirem à apresentação quanto o direito de propriedade do dono, pois ele está violando os termos de sua permanência ali.   Pois estes termos certamente incluem não violar a propriedade do dono ao atrapalhar o espetáculo que está sendo apresentado.   Em qualquer um dos casos, ele pode ser processado como um violador de direitos de propriedade; portanto, quando focamos nos direitos de propriedade envolvidos, vemos que o caso de Holmes não implica a necessidade de a lei relativizar a natureza absoluta dos direitos. 

De fato, o juiz Hugo Black, um conhecido "absolutista" em prol da "liberdade de expressão", em uma vigorosa crítica ao argumento de Holmes de "gritar 'fogo!' em um teatro lotado", deixou claro que a defesa da liberdade de expressão dele era fundamentada nos direitos de propriedade privada.   Black expôs dessa forma:

Ontem à noite, fui a um teatro com você.   Tenho noção de que, se eu e você levantássemos e começássemos a marchar por todo o teatro, dizendo ou não alguma coisa, nós seriamos detidos.   Ninguém jamais disse que a Primeira Emenda [da constituição americana] dá às pessoas o direito de ir a qualquer lugar que elas queiram ou de dizer qualquer coisa que elas queiram.   Comprar o ingresso do teatro não compra a oportunidade de se fazer um discurso lá.   Neste país, temos um sistema de propriedade que também é protegido pela Constituição.   Temos um sistema de propriedade, o que quer dizer que um homem não tem o direito de fazer qualquer coisa que ele queira em qualquer lugar que ele deseje.   Por exemplo, eu não acharia nada agradável se alguém tentasse entrar em minha casa e me dissesse que ele tem um direito constitucional de entrar ali porque ele quer fazer um discurso contra a Suprema Corte.   Eu compreendo a liberdade que as pessoas têm de fazer um discurso contra a Suprema Corte, mas eu não quero que ninguém o faça em minha casa.

Aquele aforismo sobre o gritar "fogo!" em um teatro lotado é maravilhoso.   Mas você não precisa gritar "fogo!" para ser detido.   Se uma pessoa cria uma confusão em um teatro, eles iriam detê-la não por aquilo que ela tenha gritado, mas por ela ter gritado.   Eles iriam detê-la não por quaisquer opiniões que ela tenha, mas porque eles acharam que ela não tinha nenhuma opinião que eles queriam ouvir ali.   Esta é a maneira que eu iria reagir: não por aquilo que ela tenha gritado, mas por ela ter gritado.[5]

Alguns anos atrás, o teórico político francês Bertrand de Jouvenel demandou, de forma semelhante, certa relativização dos direitos de liberdade de expressão e de assembleia naquilo que ele chamou de o "problema do presidente" — o problema de se alocar tempo ou espaço em um auditório ou em um jornal, ou em frente a um microfone, onde os escritores ou oradores acreditam que tenham o "direito" de livre expressão sobre o uso do recurso.[6] O que de Jouvenel desconsiderou foi a nossa solução ao "problema do presidente" — remodelar o conceito de direitos em termos de propriedade privada ao invés de em termos de liberdade de expressão ou de assembleia.

Em primeiro lugar, podemos mencionar que, em cada um dos exemplos de de Jouvenel — um homem comparecendo a uma assembleia, uma pessoa escrevendo para a coluna de cartas ao editor, e um homem solicitando um tempo de debate no radio — o tempo e o espaço sendo oferecidos são livres, no sentido de serem gratuitos.   Estamos no meio do que a economia chama de "problema da alocação".   Um recurso escasso valorado tem de ser alocado: seja ele o tempo em um palanque, o tempo em frente a um microfone ou o espaço em um jornal.   Mas já que o uso destes recursos é livre (gratuito), a demanda para se obter este tempo ou espaço tende fortemente a exceder a oferta, e consequentemente uma perceptível "escassez" do recurso irá desenvolver-se.   Como em todos os casos de escassez de estoque, e de formações de filas provocadas por preços baixos ou inexistentes, os demandantes ficam frustrados e ressentidos por não obterem o uso do recurso que eles acreditavam que mereciam.

Um recurso escasso, se não for alocado por meio dos preços, tem que ser alocado de alguma outra maneira por seu dono.   Deve-se salientar que todos os casos de de Jouvenel poderiam ser alocados pelo sistema de preços, se o dono assim desejasse.   O presidente de uma assembleia poderia leiloar os locais escassos no palanque e então conceder os locais a quem oferecesse o maior preço.   O produtor de radio poderia fazer o mesmo com os debatedores de seu programa.   (De fato, isto é o que os produtores fazem quando vendem tempo a patrocinadores distintos).   Assim, não existiria escassez, nem ressentimento por uma promessa ("acesso igual" do público a colunas, palanques ou microfones) não cumprida.

Mas, além do problema dos preços, há um tema mais profundo em questão: seja por meio de preços ou de algum outro critério, o recurso tem, em todos os casos, de ser alocado por seu dono.   O proprietário de uma estação de rádio ou de um programa (ou seus representantes) aluga, ou doa, o tempo de rádio da maneira que ele decide; o dono de um jornal, ou seu editor-chefe, aloca o espaço para as cartas da maneira que ele quiser; o "dono" de uma assembleia, e seu representante designado, o presidente, alocam o espaço no palanque de qualquer modo que julguem mais adequado.

O fato de o proprietário ser o distribuidor supremo nos dá uma pista para a solução da propriedade para o "problema do presidente" apresentado por de Jouvenel.   Pois o sujeito que escreve uma carta para um jornal não é o dono do jornal; portanto, ele não tem nenhum direito, mas somente uma solicitação, de espaço do jornal, um pedido que o dono tem o direito absoluto de conceder ou negar.   O homem que pede para falar em uma assembleia não tem nenhum direito de falar, mas apenas um requerimento — em relação ao qual o dono ou o seu representante, o presidente, deve decidir.   A solução é reformular o significado de "direito à liberdade de expressão" ou "assembleia"; ao invés de se utilizar um conceito vago e, como de Jouvenel demonstrou, impraticável, de algum tipo de direito — como o "direito" a um mesmo espaço ou tempo —  deveríamos nos concentrar no direito de propriedade privada.    O "direito à livre expressão" somente se torna válido, praticável e absoluto quando é tratado simplesmente como uma subdivisão do direito de propriedade.

Isto pode ser observado no "direito a se fazer ouvir" proposto por de Jouvenel.   De Jouvenel diz que há um "sentido no qual o direito de expressão pode ser exercido por todos; é o direito ser ouvido", de falar e de tentar convencer as pessoas que você encontrar e então reuni-las em um auditório, e, deste modo, "constituir uma congregação" para si próprio.   Aqui, de Jouvenel chega perto da solução apropriada sem, no entanto, alcançá-la com firmeza.   Pois o que ele está realmente dizendo é que "o direito à livre expressão" só é válido e praticável quando usado no sentido do direito de falar com as pessoas, de tentar convencê-las, de alugar um auditório para discursar para as pessoas que desejarem comparecer etc.   Mas este sentido do direito à livre expressão é na verdade parte do direito geral de uma pessoa à propriedade.   (Logicamente, desde que nos lembremos do direito que a outra pessoa tem de não prestar atenção se ela não quiser —  isto é, seu direito de não ouvir).   Pois os direitos de propriedade incluem o direito à propriedade e o direito de fazer trocas e contratos mutuamente consentidos com os donos de outras propriedades.   Aquele que "quer ser ouvido", na concepção de de Jouvenel, que aluga um auditório e discursa para sua congregação, não está exercendo um vago "direito à livre expressão", e sim uma parte de seu direito geral à propriedade.   De Jouvenel praticamente reconheceu isto quando considerou o caso de dois homens, "Primus" e "Secundus":

Primus...  reuniu sua própria congregação por meio de seu trabalho e esforço.   Um forasteiro, Secundus, chega e reivindica o direito de discursar para esta congregação baseando-se no direito à livre expressão.  Será que Primus é obrigado a ceder a tribuna a ele?   Eu duvido.   Ele pode responder a Secundus: "Eu constituí esta congregação.  Vá e faça o mesmo."

Precisamente.   Em resumo, Primus é o dono da reunião; ele alugou o auditório, convocou a reunião e estabeleceu suas condições; e aqueles que não concordam com estas condições são livres para não comparecer ou para sair.   Primus possui um direito de propriedade sobre a reunião que o permite falar à vontade; Secundus não possui nenhum direito de propriedade e, portanto, nenhum direito de falar na reunião.

Em geral, aqueles problemas em que os direitos aparentemente necessitam ser relativizados são aqueles em que o lócus da propriedade não está bem definido, em que os direitos de propriedade estão confusos.   Muitos problemas de "liberdade de expressão", por exemplo, ocorrem em ruas de propriedade do governo: por exemplo, será que um governo deveria permitir uma manifestação política que, segundo ele, interromperá o trânsito ou sujará as ruas com folhetos?   Mas todos estes problemas que aparentemente exigem que a "liberdade de expressão" deixe de ser absoluta na verdade só são problemas devido à indefinição de direitos de propriedade.   Pois as ruas são geralmente possuídas pelo governo; nesses casos, o governo atua como "o presidente".   E então o governo, como qualquer outro possuidor de propriedade, defronta-se com o problema de como alocar estes recursos escassos.   Uma manifestação política irá, digamos, interromper o trânsito; portanto, a decisão do governo envolve não apenas um direito de liberdade de expressão, como também envolve a alocação do espaço da rua pelo seu dono.

Deve-se salientar que o problema todo sequer surgiria se as ruas fossem possuídas por indivíduos e empresas privadas — como todas elas seriam em uma sociedade libertária; pois nela, as ruas, como todas as outras propriedades privadas, poderiam ser alugadas ou cedidas a outros indivíduos ou grupos privados para fins de assembleia.   Em uma sociedade totalmente libertaria, ninguém teria o "direito" de usar a rua de outra pessoa do mesmo modo que ninguém teria o "direito" de apossar-se do auditório de outra pessoa; nos dois casos, o único direito seria o direito de propriedade de utilizar seu dinheiro para alugar o recurso, se o proprietário assim desejasse.

Logicamente, enquanto as ruas continuarem sendo propriedade do governo, o problema e o conflito permanecerão insolúveis; pois a propriedade governamental das ruas significa que todos os outros direitos de propriedade de alguém, incluindo expressão, distribuição de folhetos em manifestações etc., serão obstruídos e restringidos pela constante necessidade de se atravessar e utilizar as ruas de propriedade governamental, as quais o governo pode resolver bloquear ou restringir de uma maneira ou outra.   Se o governo permitir manifestações na rua, isso irá restringir o trânsito; se ele impede a manifestação em prol da fluidez do trânsito, ele irá impedir a liberdade de acesso às ruas governamentais.   Em qualquer um dos casos, e qualquer que seja sua escolha, os "direitos" de alguns pagadores de impostos terão de ser restringidos.

O outro lugar onde os direitos e o lócus da propriedade estão mal definidos e, consequentemente, onde os conflitos são insolúveis, é no caso das assembleias governamentais (e de seus respectivos "presidentes").   Pois, como já mostramos, num local em que um homem ou grupo aluga um auditório, e indica um presidente, o lócus da propriedade é claro e Primus pode fazer o que ele bem entende.   Mas, e quanto a assembleias governamentais?   Quem é o proprietário delas?   Ninguém sabe de fato, e, portanto, não há uma maneira satisfatória ou não arbitrária de determinar quem pode e quem não pode falar, o que pode e o que não pode ser dito. 

De fato, estas assembleias governamentais têm suas próprias normas de funcionamento.   Porém, e se uma grande parte dos cidadãos não estiver de acordo com estas regras?   Não há maneira satisfatória de se resolver esta questão, pois não existe nenhum lócus de direito de propriedade envolvido.   Colocando-se de maneira diferente: no caso do jornal ou do programa de rádio, está claro que o escritor da carta ou o aspirante a debatedor é o requerente, e o editor ou o produtor é o dono que toma a decisão.   Mas, no caso da assembleia governamental, quem seria o dono?   O homem que demanda ser ouvido em uma reunião municipal alega ser um proprietário parcial; no entanto, ele não estabeleceu nenhum tipo de direito de propriedade por meio de compra, herança ou descoberta, como o fizeram donos de propriedades em todas as outras áreas.

Voltando ao caso das ruas, existem outros problemas incômodos que poderiam ser rapidamente resolvidos em uma sociedade libertária na qual toda a propriedade é privada e claramente possuída.   Na sociedade atual, por exemplo, existe um conflito contínuo entre o "direito" de os pagadores de impostos terem acesso às ruas pertencentes ao estado e a vontade de os moradores de uma vizinhança se verem livres de pessoas que eles consideram estar em uma reunião "indesejável" nas ruas.   Na cidade de Nova York, por exemplo, existe atualmente uma pressão histérica dos moradores de diversas vizinhanças para impedir que lojas do McDonald's sejam abertas em suas regiões, e em muitos casos eles têm conseguido fazer uso do poder do governo local para impedir que as lojas se mudem para lá.   Estas, obviamente, são violações claras do direito do McDonald's sobre a propriedade que ele comprou.   Mas os residentes realmente têm uma certa razão: a sujeira e os elementos "indesejáveis" seriam "atraídos" pelo McDonald's e se reuniriam em frente à loja — nas ruas.   Resumindo, os residentes não estão exatamente se queixando realmente do direito de propriedade do McDonald's, e sim daquilo que eles consideram um "mau" uso das ruas estatais.   Eles estão, em poucas palavras, queixando-se do "direito humano" de certas pessoas de ir e de vir como queiram nas ruas estatais.   Mas, como pagadores de impostos e cidadãos, estes "indesejáveis" certamente têm o "direito" de andar nas ruas, e obviamente eles poderiam se reunir no local, se eles assim desejassem, sem que fossem atraídos pelo McDonald's.   Na sociedade libertária, no entanto, na qual todas as ruas seriam propriedade privada, todo o conflito poderia ser resolvido sem que ninguém tivesse seus direitos de propriedade violados: pois, assim, os donos das ruas teriam o direito de decidir quem pode ter acesso àquelas ruas — e eles poderiam manter afastados os "indesejáveis", caso assim preferissem.

Claro que aqueles proprietários de ruas que decidissem impedir a entrada de "indesejáveis" teriam de pagar o preço — tanto os custos atuais de policiamento quanto a perda de oportunidades dos estabelecimentos comerciais de suas ruas e a diminuição do fluxo de visitantes em suas casas.   Indubitavelmente, a sociedade livre resultaria em uma diversidade de padrões de acesso, com algumas ruas (e, consequentemente, vizinhanças) abertas a todos e outras com variados graus de restrições de acesso. 

etica.jpgSimilarmente, a propriedade privada de todas as ruas resolveria o problema do "direito humano" à livre imigração.   Não existe qualquer dúvida a respeito do fato de que as atuais barreiras de imigração restringem não apenas o "direito humano" de imigrar, mas também o direito dos donos de propriedade de alugarem ou venderem propriedades aos imigrantes.   Não pode existir nenhum direito humano de imigração, pois uma pessoa teria o direito de pisar na propriedade de quem?   Em resumo, se "Primus" deseja migrar neste momento de algum outro país para os Estados Unidos, não podemos dizer que ele tenha o direito absoluto de imigrar para este espaço territorial; pois e quanto aos proprietários que não o querem em suas propriedades?   Por outro lado, pode haver, e indubitavelmente há, outros proprietários que iriam aproveitar a oportunidade de alugar ou de vender propriedades a Primus, e a lei atual invade seus direitos de propriedade ao impedi-los de agirem assim.

A sociedade libertária resolveria toda a "questão da imigração" dentro da matriz dos direitos de propriedade absolutos.   Pois as pessoas somente possuem o direito de se mudarem para aquelas propriedades e terras cujos donos desejarem alugá-las ou vendê-las a eles.   Na sociedade livre, eles iriam, em primeiro lugar, ter o direito de viajar apenas naquelas ruas em que os donos concordassem com a sua presença nelas, e então alugar ou comprar moradias de donos condescendentes.   Novamente, assim como no caso do movimento diário das ruas, um padrão variado e diversificado de acesso de migração indubitavelmente surgiria.



[1] Um exemplo particularmente nítido e autocontraditório é oferecido pelo professor Peter Singer, que exige explicitamente a preservação do conceito de direitos para liberdade pessoal, enquanto recorre a expedientes utilitários em assuntos econômicos e no campo da propriedade.  Peter Singer, "The Right to Be Rich or Poor," New York Review of Books (6 de março 1975).

[2] Murray N. Rothbard, Power and Market, 2nd ed. (Kansas City: Sheed Andrews and McMeel, 1977), págs. 238-39.

[3] Sobre afirmação de Holmes, veja Murray N. Rothbard, For A New Liberty, rev. ed. (New York: MacMillan, 1978), págs. 43-44; e Rothbard, Power and Market, págs. 239-40.  Para uma crítica devastadora da injustificável fama de libertário civil de Holmes, H.L. Mencken, A Mencken Chrestomathy (New York: Alfred A.  Knopf, 1947), págs. 258-64.

[4] Além disso, a ideia de que gritar "fogo!" causa um pânico é determinística, além de ser apenas uma outra versão da falácia do "incentivo ao distúrbio" discutida anteriormente.   Fica a cargo das pessoas no teatro avaliarem a informação que chega até elas.   Se não fosse assim, por que alertar corretamente as pessoas de um fogo real em um teatro não seria um crime, já que isto também pode incitar pânico?  O distúrbio envolvido em falsamente gritar "fogo!" é litigável somente enquanto uma violação dos direitos de propriedade da maneira exposta no texto a seguir.   Estou em débito com o doutor David Gordon por este ponto.

[5] Irving Dillard, ed., One Man's Stand for Freedom (New York: Alfred A.  Knopf, 1963), págs. 489-91. 

[6] Bertrand de Jouvenel, "The Chairman's Problem," American Political Science Review (Junho 1961): 305-32; A essência dessa crítica de de Jouvenel apareceu em italiano em  Murray N. Rothbard, "Bertrand de Jouvenel e i diritti di proprietá," Biblioteca della Liberta, no. 2 (1966): 41-45.

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autor

Murray N. Rothbard
(1926-1995) foi um decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.


  • Edik  02/03/2010 09:41
    Interessante essa idéia de direitos humanos como direito a propriedade privada. Nunca tinha pensado sob essa ótica. \n\nPorém os esquerdistas deturpam essa realidade afirmando que isso seria prova de que a propriedade dos meios de comunicação deve ser regulada, porque deixando o livre mercado, somente os mais ricos conseguiriam financiar as gráficas de jornais, as emissoras de tv, etc. Dessa forma, somente a opinião dos "ricos" seria disseminada. O que essas pessoas esquecem é que os recursos usados na comunicação são escassos. Portanto, se não forem os empreendedores que emergiram ao sucesso graças a competição, outro grupo deterá o controle, não haverá uma congregação idílica de bem intencionados garantindo o bem da humanidade porque controlam o governo\n\n
  • Roberto Chiocca  02/03/2010 12:55
    Muito bom ler Rothbard sobre um tema que continua atual.
  • Filipe Rangel Celeti  03/03/2010 11:05
    É sempre bom ler Rothbard.
  • PZ  08/07/2010 00:12
    O texto acima depreende todo um sistema jurídico a partir do direito de propriedade de uma forma bastante interessante e lógica.

    Veio-me à mente a idéia de um grande shopping center. As "ruas" e "praças" do shopping são privadas. Não pertencem a uma ou outra loja, mas a todas. Assim como os espaços comuns de um condomínio.

    Se elevarmos esta idéia à máxima potência, contudo, veremos que, no sistema atual, as ruas e praças são de todos, cada cidadão é proprietário de uma "fração ideal" da rua.

    Por isso é que modernamente faz cada vez menos sentido a separação entre "público" e "privado". Em última análise, tudo seria privado. Mesmo na nossa estrutura social estatal. Apenas há uma separação didática para definir como público tudo que é atreito ao Estado, mas ele próprio é uma ferramenta "de propriedade" da sociedade.

    O Estado é o pacto social que faz o papel do contrato dos lojistas, no shopping, e da convenção de condomínio, no caso do prédio de apartamentos. Só que em uma dimensão macro.

    O Estado é uma ferramenta que pode e deve ser aperfeiçoada e utilizada pela e em favor da sociedade. Essa é a sua função.

    Em um mundo como propõe o anarcocapitalismo, as leis seriam definidas pelos donos das respectivas propriedades. Então, se houver um sádico, um pedófilo, etc, que resolva escravizar pessoas em sua propriedade, estaria dentro das suas regras e ninguém poderia adentrar a sua propriedade para impedir. Elizabeth Fritz, por exemplo, ficaria presa e sendo abusada pelo pai para sempre.

    Há outros problemas de técnica jurídica como por exemplo, o de que o direito à propriedade não é absoluto. Nenhum direito é. O direito de propriedade de um terreno se estende ao espaço aéreo, mas não ao infinito. Eu posso impedir o vizinho de fazer uma ponte sobre o meu terreno, mas não posso impedir um avião de sobrevoá-lo. Isso tudo é regulado por leis, há os direitos de vizinhança, que também restam prejudicados na hipótese ancap.

    Mas o pior de tudo é que, se fosse implementado hoje, assim como o mundo está, sabemos que há grupos que já concentram a maioria da riqueza existente. As maiores economias mundiais são corporações, e não países. Além disso há os proprietários dos grandes bancos internacionais, que, sem produzir, drenam continuamente parte de toda riqueza produzida no planeta, através do mecanismo dos juros.

    O liberalismo econômico já foi muito atacado pois, embora na teoria ele se auto-regule pela lei da oferta e demanda, na prática criam-se monopólios gigantescos por manobras economicamente condenáveis como o "dumping".

    Da mesma forma, se abolirmos o Estado e implantarmos o Anarcocapitalismo do jeito que o mundo está, estes grupos simplesmente "comprariam" ruas, cidades, países inteiros, que se tornariam sua propriedade, e eles ditariam as suas próprias leis, de acordo com a sua vontade (e não de acordo com a vontade da população). O sistema atual de drenagem de riqueza funciona como um buraco negro. E, com o Anarcocapitalismo, é possível que um dia tivéssemos um só grupo proprietário de todo o planeta. Algo como um grande senhor feudal.

    Mesmo que não se chegue a tal extremo, seria um totalitarismo da pior espécie. Aliás, seria pior que totalitarismo. Seria como se todos fôssemos escravos, propriedade dos donos do terreno que precisamos para pisar. Isso até que privatizassem o ar que precisamos para respirar. Pois os alimentos já foram privatizados há muito tempo.

  • Mujo  15/03/2011 19:22
    PZ,

    seu argumento tem uma grande falha (entre várias outras pequenas, que não vem tanto ao caso), que é considerar o direito de propriedade apenas para uma faixa territorial, e não para o corpo e todas as propriedades do indivíduo.

    vc falhou em visualizar um mundo ancap quando não entendeu que o corpo de alguém é propriedade deste, e portanto, as regras aplicáveis a este corpo quem decide é o dono. assim como qualquer outra propriedade deste dono.

    assim, o dono da rua não pode escravizar ninguém!
    pois este só tem jurisdição sobre a rua, e não sobre os corpos e carros que passam por ela. este poderia no máximo impedir que alguém transitasse em sua propriedade. mas nunca cobrar imposto sobre salário, ou forçar um monopólio de moeda, seqüestrar, agredir, matar, entre vários outros abusos que só uma justiça monopolizada pelo estado pode fazer sem ser punida.

    é simplesmente uma questão de entender que a jurisdição em uma justiça privada é diferente do monopólio publico, pois as leis são decididas pelo dono dessas propriedades. e estas só se aplicam as coisas dele e nunca a propriedade dos outros.

    além, é claro, de ser permitido trocar de leis a qualquer momento.
  • Henrique  27/02/2013 22:57
    concordo que há diversas falhas no pensamento do PZ, mas no caso da Elizabeth Fritz que ele citou, ainda que se considerasse o direito de propriedade sobre o próprio corpo como ela poderia se libertar dos abusos do pai? ela estava dentro da propriedade do pai que por sua vez se aproveitou dessa proteção para violar o seu direito de propriedade sobre o próprio corpo, sendo necessário a intervenção de terceiros para violar a propriedade do pai e resgatá-la e considerando que ela mesma não poderia contratar um serviço de segurança pessoal estando ali presa e inacessível... ou seja, apesar de todas as críticas ao PZ, permanece o conflito do direito de propriedade poder ser exercido dentro de outra propriedade e a necessidade da intervenção voluntária de terceiros que não teriam nenhum direito sobre ambas as propriedades, o que nos obriga a admitir um limite prático ao direito de propriedade. alguém poderia indicar uma solução para esse conflito?
  • Fred  17/02/2012 07:49
    Desculpa cara, mas a cada frase sua há um erro, uma raciocínio errado....Dê um lida nos vários artigos que estão no site.
  • Roberto  02/06/2013 01:40
    Ao meu ver, dizer que "meu corpo, minha propriedade e tenho direito de fazer o que quiser com ele" é apenas um escudo moral, não prático. Dizer isto não impede que as pessoas agridam outras.

    Digamos que alguém tenha relação sexual com a filha de 9 anos. E se a filha disse que tem o seu consentimento já que é o seu corpo??
  • Anônimo  02/06/2013 02:22
    Lugar fácil que é iniciação de força mascarada.

    Qualquer relação com indivíduos pré-púberes consiste em fraude ou invasão do corpo de outro dado que meninas neste estágio não sentem atração sexual.
  • anônimo  03/06/2013 12:58
    Quem falou que foi atração sexual? Ela pode ter permitido falando que tudo era apenas uma brincadeira pra ela.
  • Eduardo Maal  17/06/2013 15:26
    Tambem lembrem que para evitar isso, grupos de casas formariam condominios, que se organizariam com policia particular, e leis particulares, como existe em um condominio normal, mas levado a abranger todas as leis. Por exemplo, eles poderiam organizar regras que visassem exatamente esse problema, do estuprador, para trazer algo de segurança ao condomínio ou comunidade. Eles ja terao que se organizar para o assunto das ruas privadas, então isto é apenas uma extrapolação de como o sistema privado pode tomar as funções do Estado.
  • Nilo BP  17/06/2013 13:41
    Um dos pontos mais sutis da teoria contratual do Rothbard é que, para ele, nenhum indivíduo pode perder controle sobre próprio corpo. Mesmo que você tenha dívidas gigantescas que não pode pagar, isso não dá aos credores o direito de escravizar você. Se não me engano, ele repudia até mesmo a escravidão voluntária (contratual).

    E não há nenhuma dúvida de que, mesmo dentro do paradigma libertário, que é bem sólido, nem todos os direitos de propriedade são fáceis de definir. Crianças (e fetos) são um assunto particularmente difícil. Nesse caso, a aplicação prática da lei dependeria dos costumes e do bom senso.

    Creio que nenhum arbitrador comunitário diria "bem, é a filha dele, que faça o que der na telha!" num caso desses. Por mais que essa história de "precisamos nos meter na vida dos outros para salvar vítimas indefesas" seja visto com maus olhos (com bom motivo) pelos libertários, é possível que esses casos efetivamente ocorram.

    Se não me engano, o Walter Block publicou um artigo recentemente no lewrockwell.com (sexta feira?) fazendo um esboço da questão das crianças sob uma perspectiva libertária. Talvez valha a pena dar uma lida.
  • Jeferson  17/06/2013 18:15
    Não é bem assim. Nilo. Não sou especialista, mas a partir do momento em que A viola o direito de B, B pode obrigar A a repará-lo, e a medida em que essa obrigação pode ser imposta geralmente é definida por arbitragem judicial. Se o direito à propriedade do próprio corpo fosse tão absoluta quanto você sugere, não seria possível punir agressores físicos, estupradores e muito menos assassinos, e isso não é verdade na lógica do direito natural, em que a pena deve ser proporcional ao delito.

    Provavelmente uma vítima de estupro desejaria que seu agressor fosse morto, ao mesmo tempo, provavelmente um juiz não daria pena de morte como sentença por estupro. Acredito que a primeira tentativa seria a de estabelecer um valor de indenização, mas como esse dificilmente seria aceito pela vítima, a sentença a agressões físicas proporcionais não me parecem nada absurdas. Também me parece óbvio que a vítima arcaria com os custos da execução da sentença.

    Salvo engano, o próprio Rothbard escreveu que a pena adequada para assassinos seria a pena de morte, ressalvado o direito da vítima de, prevendo a possibilidade de sofrer homicídio, propôr em testamento uma pena alternativa para este caso.

    Alguém mais entendido me corrija se eu estiver errado.
  • Nilo BP  17/06/2013 23:30
    Dei uma olhada no Ethics of Liberty e realmente o Rothbard era a favor da servidão por dívidas. O que faz todo o sentido, considerando a teoria da punição-compensação... eu confundi o argumento dele de que escravidão voluntária é uma contradição (um argumento lógico/metafísico) com a idéia da servidão por dívidas.

    Mas o caso da Elisabeth Fritzl citado pelo PZ não apresenta muita dificuldade para a teoria dos direitos de propriedade sobre o próprio corpo. A menina já tinha 18 anos, se o pai quisesse expulsar ela de casa, estaria em seus plenos direitos. Mas nunca houve essa opção. O que houve foi iniciação de força (agressão) do pai contra a filha.

    Em última instância, muito depende do costume legal e do bom senso. Não é possível resolver todas as disputas humanas com base em categorias amplas. Por exemplo, se um estranho entra na minha casa à noite, eu tenho o direito de atirar nele? Esse é um claro "sim" para a maioria dos libertários. Mas se alguém entra na minha fazenda por um canto não demarcado, e o primeiro indício que ele tem de que está em propriedade privada é a visão do cano do meu trabuco, eu tenho o direito de atirar nele?

    Qualquer um que disser "sim" sem hesitar não está pensando direito. O libertarianismo é uma visão de mundo que dá espaço ao bom senso e à proporcionalidade na resolução de conflitos - ele não *substitui* o bom senso e a proporcionalidade.
  • Wagner  17/06/2013 14:15
    "O Estado é o pacto social que faz o papel do contrato dos lojistas, no shopping, e da convenção de condomínio, no caso do prédio de apartamentos. Só que em uma dimensão macro."

    Onde que eu assinei esse "pacto social" e contratei a empresa chamada "estado"? A sua argumentação é ridícula... quando eu abro uma loja em um shopping eu LIVREMENTE faço um acordo com o dono da estrutura, se eu não gostar do que ele ofereceu eu simplesmente vou no shopping vizinho e tento um contrato melhor.
    Com o estado não é assim, eu não fiz livremente um acordo com essa "empresa", ou eu pago pelos "serviços prestados" ou eu vou pra cadeia. Não tem pra onde fugir, não tem concorrência, não tem acordo melhor, não tem direitos... eu pago e pronto, caso contrário é prisão... e é melhor não reclamar se não a sua vida na prisão vai ser um inferno.

    Pela sua lógica o mafioso que cobra "proteção" também é apenas um "pacto social" que faz o papel que no shopping seria o da segurança.

    Se algo precisa ser forçado pras pessoas (como o estado) é porque isso não é bom, se fosse bom existiria demanda pelo serviço e essa demanda seria suprida pelo livre mercado.
  • Max Scardua  17/06/2013 19:36
    Texto bastante interessante. Fiquei pensando nas questões colocadas e na dificuldade de se exercer os direitos...ir e vir, expressão, segurança, etc... com a onipresença do estado. Realmente fica bastante dificil pois, no meu caso, vejo o presidente do condominio (governo) administrar o condominio (estado) de maneira que não concordo e que abomino. E para piorar não votei neste presidente em nehum dos dois turnos da última eleição...Aí fiquei pensando como expressar minha insatisfação de modo a ser ouvido e não desrespeitar o direito de ninguém...

    Complicado...

    Merece mais reflexões!
  • Típico Filósofo  17/06/2013 21:29
    Perdoe-me, senhor Rothbard, porém como filósofo, luto pelo direito do povo e não meramente o da minha classe social. É mais que legítima a recente reivindicação nacional patriótica realizada pela juventude socialista em reação à abusiva perversão do estado brasileiro aos ideais neoliberais.

    Faz-se mais que imperiosa a tomada de nossos legítimos direitos previstos pela constituição em detrimento de um arranjo arbitrário simbiótico aos interesses da burguesia batizado pelos pensadores que lhe antecederam de "direito natural". Apenas o direito constitucional é livre das interpretações classistas, das arbitrariedades do homem e visa a verdadeira liberdade: Aquela que apenas será atingida quando todos os homens forem igualmente capazes e nivelados.

    É capital que, para o alcance de tal direito secundário previsto pelo jurismo, grupos indefesos como a juventude e os pobres recebam auxílio pacífico de toda a sociedade contra a elite já consolidada através da distribuição de recursos compulsória por parte do estado das causas sociais.

    Independente daquilo que o senhor chama arbitrariamente de direito(Baseado meramente na propriedade do homem sobre si mesmo. Absurdo), a constituição ética torna mais que legítimo que estes jovens tenham direito à passagem subsidiada gratuita, que as minorias recebam amparo financeiro, que o cidadão seja protegido de sua própria alienação(Através das drogas ou consumo) e que o estado utilize o excedente dos lucros abusivos da burguesia para o bem comum.

    Vosso direito é, data venia, arbitrário, facilmente interpretado para fins classistas, maleável, abusivo e explorador. Antítese da nossa constituição, produto de 300 anos de estudos sociais.

    Aos filósofos: Unam-se à juventude por uma pátria justa e igualitária. Livre da exploração burguesa de cobrar pelo que é ofertado.
  • Amarílio Adolfo da Silva de Souza  17/06/2013 22:31
    Como seria essa privatização? E como ela poderia funcionar sem beneficiar somente as pessoas com dinheiro?
  • Anarcofóbico  17/06/2013 22:48
    E acrescento, quem construiria as estradas??!!
  • Brasileiro puro  17/06/2013 22:40
    Não confio nos protestos. Mas da para abusar e usar deles. Dá para fazermos o "tiro sair pela culatra"

    Vamos fazer cartazes pedindo ajuda as forças armadas. Customizem, façam cartazes pedindo socorro as forças armadas. As próprias polícias, que também são vítimas dos Petralhas (Vulgo Partido Terrorista. Pronto pra fazerem do Brasil o que fizeram com a Venezuela, e estão fazendo com a Colômbia. Vamos mostrar que aqui no Brasil, o buraco é mais embaixo)

    Não estou dizendo. Querendo nos fazer colônia? e logo de Cuba? Kkkk me Poupem.

    Pela lei da Anastia é dever das forças armadas nos ajudarem. A nossa pátria está em perigo. ANISTIA JÁ.

    Está na hora de derrubar quem quer tornar o Brasil comunista. Está na hora de por na prisão pelo resto da vida, estes que destruirão a nossa nação.

    O povo foi as rua em 1964, e foram ouvidos. E conseguiu livrar o Brasil da mão desses cafagestes psicopatas. Vamos mostrar que nem pelos meios mais legais, eles tomarão nosso país.

    Agora é a nossa vez. Vamos divulgar.
  • Ferdinando  19/06/2013 01:03
    Vergonha alheia total esse comentário. São pessoas assim que "queimam o filme" do Mises.org.
  • pensador de esquerda  18/06/2013 00:51
    O Movimento do Passe Livre é bobagem. Temos que fazer o "Movimento do Alimento Livre", Pois o governo iria prover as nossas refeições. Sem precisar trabalhar para comprar comida, não faria sentido pegar ônibus ou metrô. Perfeito.
  • Trevor Reznik  18/06/2013 01:23
    O símbolo da capa deste livro é muito legal, gostaria de tê-lo em alguma camisa, broche ou chaveiro. Achei mais legal do que aquele porco espinho que é normalmente utilizado como símbolo do libertarianismo.
  • Jeferson  18/06/2013 15:31
    Eu sou o único aqui que está achando que estão tendo pouco destaque no IMB os protestos que estão ocorrendo neste momento no Brasil?
  • Equipe IMB  18/06/2013 17:08
    A demanda por um artigo abordando estes eventos é natural, mas pedimos ao leitor a seguinte compreensão: é impossível, ao menos por enquanto, obter informações acuradas sobre as reais motivações dos protestos. Parece haver um verdadeiro "balaio de gatos" nas manifestações, com pessoas de matizes ideológicos completamente distintos e até mesmo opostos.

    Qualquer afirmação seria um mero achismo, mas é nossa opinião que, na raiz de tudo, está um descontentamento com o aumento do custo de vida, com a inflação de preços em irrefreável crescimento, e com a renda estagnada. Quem acompanha nossos artigos sobre a economia brasileira não deveria estar nada surpreso com isso. Vínhamos alertando para esta combinação de fenômenos há pelo menos dois anos.

    O povo queria crédito farto a juros baratos. Teve o que conseguiu. Mas, pelo visto, não esperava estas inevitáveis consequências. E agora, com o real se esfacelando perante ao euro e ao dólar -- exatamente como queriam o Banco Central e o Ministério da Fazenda --, há um risco real de o caldo entornar e a situação ficar realmente fora do controle.

  • anônimo  18/06/2013 17:15
    Apoio a posição do IMB. Estas manifestações são amorfas, não pensam, só exprimem gemidos. Como acabei de escrever no outro comentário, revoltas como esta sempre geram resultados adversos, que as pessoas não previram - que acabam se dando muito mal, por causa desta falta de visão. Os alemães pediram a Hitler que mudasse as coisas. Ele conseguiu.
  • Arthur C. K.  18/06/2013 18:10
    Parabéns Equipe IMB. Sintetizou de maneira espetacular "O povo queria crédito farto a juros baratos. Teve o que conseguiu...". E isso mesmo, todos comprando e que se dane crise. "Aqui no Brasil não tem isso não!". Quando será que o "gigante vai acordar" e perceber que o único modo de sair desse balde de excremento em que estamos é trabalhando e não ganhando Bolsa Família. É por intermédio do livre mercado, e não por subsídios e barganhas governamentais.
  • Pedro  18/06/2013 15:53
    Os protestos não são necessariamente por falsos "direitos", como o transporte gratuito. Podem ser por exemplo, pela anulação da simbiótica relação entre governo e estado, ou pelo direito de poder dirigir kombi fretada ou mototáxi, cobrando pelo serviço sem pagar impostos. No caso específico de São Paulo, o protesto não é pelos vinte centavos ou pelo passe livre, necessariamente. Não é um protesto de "esquerda", embora a Veja diga que é. Imagine que você é um trabalhador e o único transporte que pode usar é monopolizado e o governo veta outras opções, cobra o preço que quiser e oferece uma péssima qualidade de serviço. Isso não da RAIVA ?
  • Nilo BP  20/06/2013 12:56
    Com certeza... agora pergunte para o Zé marchando na rua se ele apóia privatização e competição no transporte coletivo...

    Esta é uma típica demonstração do problema que os libertários enfrentam: a coisa está feia, mas muitas das alternativas são piores. Boa parte dessa gente participando dos protestos são jovens que acabaram de sair da escola e estão com a cabeça cheia de imbecilidades plantadas lá por aquela mais nojenta das raças, os professores de humanas dos ensinos médio e fundamental.

    Eles podem se achar todos "conscientes" por estarem "exigindo seus direitos", mas a idéia de "direitos" deles é um serviço europeu a preço de banana prestado pelo Estado. Pergunte "e o seu direito de escolher a empresa de ônibus que quiser?", e aposto que a maioria dos protestantes vai ficar embasbacado, achando que você é um marciano.
  • Arthur C. K.  18/06/2013 16:27
    O texto ressalta bem essa questão dos direitos humanos e sua relação com o direito de propriedade, porquanto muitos defendem o direito de livre expressão, mas se esquecem de que vivem em uma sociedade capitalista onde nem todos têm legitimidade para falar o quiserem. O resultado entre ser livre para se expressar e ter legitimidade para falar é bem diferente. Não adianta um gari falar sobre política, pois falta-lhe a legitimidade (ninguém vai escuta-lo). Diferentemente ocorrerá se a Dilma discursar sobre política. Outro exemplo melhor é o que ocorre ao escrever esse texto, eu (autor) não tenho nenhuma legitimidade, meu texto será crivado pelo moderador, e todos os comentários que eventualmente terão também serão desprovidos de legitimidade. Enfim, concordo com o texto, o proprietário sempre terá legitimidade no discurso e ponto final. Não há o que discutir. O dono da rádio vai colocar no ar o que ele bem entender e dane-se quem não gostar, que mude de estação ou não ouça rádio.
    Quanto às manifestações, num primeiro momento, vi essa manifestação como legítima manifestação democrática, contudo, após ver o que vi ontem (17/06/13) acabei mudando minha linha de pensamento. O que vi ontem era uma caminhada noturna, que talvez atrapalhasse um pouco o trânsito e nada mais. Um teatro que permitiu que alguns atores subissem no palco (Congresso Nacional) e cantassem Renato Russo, se divertissem, depois tomassem o seu todinho e voltassem para cama. Não existe manifestação pacífica, pois não se muda nada que não incomoda. E Gandhi? Dirão os manifestantes. Mas volto com a retórica: Toda manifestação pacífica necessita de um mártir, cadê o nosso? O pensamento é simples, se o seu cachorro late, você pode até mandá-lo parar, nada mais que isso. Todavia, se o cão te morder você rapidamente achará um jeito de mudar as coisas (proibirá a entrada dele dentro de casa, fará com que use focinheira, entre outras medidas mais drásticas). Se a manifestação é pacífica ela se torna uma caminhada, uma marcha sem sentido, onde todos se cansarão, voltarão para suas casa e no dia seguinte vão pagar R$ 3,20 novamente (ad eternum). Em suma, entre uma manifestação sem sentido, ou com uma pluralidade de sentidos (que eu nem sei mais do que se reivindica) e o livre mercado, fico com este último e apoio o pensamento de Filipe Celeti em "O transporte público e o alto preço das passagens - www.mises.org.br/Article.aspx?id=1618".
  • Brasileiro puro  19/06/2013 23:01
    Sabe do que estou rindo. por favor. divulguem. O Avaaz é da elite globalista.

    * Você sabe o que é a AVAAZ? Ou: Do globalismo, Soros e o ativismo imbecil - www.midiasemmascara.org/artigos/globalismo/14233-voce-sabe-o-que-e-a-avaaz-ou-do-globalismo-soros-e-o-ativismo-imbecil.html

    Fizeram uma enquete para pedir Impeachment da Presidente Dilma, só que está aumentando 10 e diminuindo 40?! kkkkkkkkkk

    Pode isso Arnaldo? Que tal um outro site? Isso já bateu acho que até 100 milhoes de assinatura.

    Dêem F5 lá, atualizem a página que vocês vão ver.

    www.avaaz.org/po/petition/Impeachment_da_Presidente_Dilma_1/?tsCTUeb

    KD OS MILITARESSS?????

    Divulguem. Por favor. Temos que ir as ruas pedir Anistia.

    Que Deus nos proteja e ouça nosso clamor.
  • Paulo Souza  08/11/2013 18:44
    A propriedade é um direito oponível erga omnes, isto é, contra todos. É, portanto, uma relação social entre pessoas: significa que se algo é de sua propriedade, não é propriedade de ninguém mais. Não é uma relação material entre proprietário e propriedade.

    É por isso que ela pode ser transferida. Compare por exemplo com a autoria: por mais que eu queira "vender" a autoria de uma obra literária ou artística, eu continuo a ser o autor. Se eu morrer, meus herdeiros não passam a ser autores - embora possam passar a ser os proprietários dos direitos de reprodução.

    Mas, por isso mesmo, a propriedade depende de que o Estado a sustente contra as reivindicações de todos os não-proprietários. Caso contrário, ela seria tomada pela força, pois a força combinada de todos os não-proprietários é muito maior que a força do proprietário (como mostrou Marx: são 9/10 da população). Portanto, o que vocês pensam que é o demônio, é na verdade o protetor da propriedade privada. Portanto, só há propriedade privada se houver Estado que a garanta.
  • anônimo  11/08/2014 23:42
    Só tem um problema com essa lógica. Por exemplo:



    Então, segundo a "ética rothbardiana", o dono da locadora da reportagem acima tem o direito instalar câmeras escondidas nos banheiros femininos para filmar as funcionárias e clientes se despindo, só porque o restaurante é propriedade dele? E ainda teria o direito de publicar os videos em um site de pornografia só porque a câmera pertence a ele? Pois segundo . Rothbard, não existe "direito à privacidade", existe apenas o Direito de Propriedade, a privacidade só seria um direito derivado do direito de propriedade.
  • anônimo  25/08/2014 01:26
    "o dono da locadora da reportagem acima tem o direito instalar câmeras escondidas nos banheiros femininos para filmar as funcionárias e clientes se despindo, só porque o restaurante é propriedade dele?"

    Onde está escrito "restaurante", na verdade se lê LOCADORA. Eu me enganei..

    Então, segundo a ética libertária, o dono da locadora da reportagem citada tem o direito de instalar câmeras escondidas nos banheiros femininos para filmar as funcionárias e clientes se despindo, só porque A LOCADORA é propriedade dele? Ele também teria o direito de publicar os videos em um site de pornografia porque os videos pertencem a ele e o site de pornografia permite publicar os videos? Apreender os videos, fechar a locadora e censurar os videos publicados pelo dono da locadora no site, é um abuso por parte das autoridades públicas, segundo a ética libertária?
  • Fernando Chiocca  25/08/2014 18:21
    Não anônimo, isso não seria permitido.
    É o mesmo princípio que dizer que você poderia esmurrar qualquer um que adentrasse uma padaria que é sua propriedade, já que é você quem manda.

    No entanto, estando a outra parte ciente que você poderia esmurra-la, você poderia fazê-lo. É o que acontece, por exemplo, quando pessoas sobem num ringue de boxe usando luvas e desafiando outro lutador, com as regras predeterminadas. E essas regras podem ser as mais variadas de acordo com o tipo de propriedade que se adentre, desde academias de lutas até casas de prostituição.

    Se o dono da locadora explicasse a quem fosse no banheiro o que ele iria fazer e elas concordassem, ai tudo bem. Mas não foi nada disso e ele seria igualmente punido numa sociedade libertária. igualmente não, pois como seria uma justiça e policia privadas, seria muito mais eficaz e justa a punição.
  • anônimo  25/08/2014 22:46
    Entendí. É que há pouco em lí estes artigos:

    There Is No Right to Privacy

    Property Rights and the Paparazzi

    Quando eu lí estes textos, e o Capítulo 16 de A ética da liberdade, eu pensei no caso desta locadora. Se não existe direito à privacidade, direito à imagem, e um paparazzi pode filmar ou fotografar uma celebridade, sem sua permissão, e divulgar, desde que não viole sua propriedade, então segundo a ética libertária, o dono da locadora pode filmar as clientes e as funcionárias sem permissão, até porque estão em sua propriedade....


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