clube   |   doar   |   idiomas

Existe uma página específica para este artigo. Para acessá-la clique aqui.

Quando as drogas eram vendidas livremente

A criança está com tosse?  Nada de xarope.  Muito mais efetivo é dar-lhe um frasco de heroína produzida pela Bayer.  Muito melhor do que utilizar a morfina, pois não é viciante.



O leitor gosta de vinhos? Pois a concorrência entre os fabricantes de vinho é intensa, todos eles à base de coca.  Dentre seus fregueses fieis, o Papa.  Abaixo, uma homenagem feita pelos Vinhos Mariani - o principal vinho de coca - a Sua Santidade, cliente que sempre tem razão.  Ao lado, o rótulo do vinho rival da empresa Metcalf.

coca4.jpg
coca3.jpg

Está com asma ou pneumonia?  A heroína funciona não só como analgésico, mas também ataca esses dois distúrbios.  Mas não se esqueça de misturar heroína com glicerina.  O opiáceo amargo fica bem mais palatável.  Eis uma propaganda de heroína da Martin H. Smith Company, com sede em Nova York.

coca9.jpg


Ah, o leitor é receoso e não quer tratar a asma com heroína?  Utilize então o ópio.  É perfeito para atacar "a asma e outras afecções espasmódicas".  Obs: o produto deve ser aquecido em uma panela.

coca10.jpg


Está com dor de garganta?  É cantor ou palestrante regular e a voz não está boa?  Nada de Tylenol ou outros venenos afins.  Um simples tablete de cocaína resolve tudo.

coca6.jpg


A criança está com dor de dente?  Mal humorada?  Dropes de cocaína não apenas acabam com a dor, como também melhoram o humor dos pimpolhos.  Vai dizer que o rótulo não é charmoso?

coca1.jpg


Seu recém-nascido é inquieto?  Você não sabe acalmá-lo com cantigas de ninar?  Então pare de perder tempo com algo para o qual você não leva jeito.  Adquira um paregórico à base de ópio e álcool (em proporção não menor do que 46%) da empresa Stickney and Poor, vendidos do mesmo modo que a empresa vende seus famosos temperos.  Atente para o rótulo: "DOSE - [Para crianças com] cinco dias, 5 gotas.  Duas semanas, 8 gotas.  Cinco anos, 25 gotas.  Adultos, uma colher cheia."

coca8.jpg


Quer ser apenas acionista de algum fabricante?  Pois considere então essa propaganda feita pela C. F. Boehringer & Soehne, da Alemanha, empresa que se orgulha de ser "a maior fabricante do mundo de quinino e cocaína"

coca7.jpg

 

Não, isso não ocorre em nenhum país atual - afinal, vivemos em uma época civilizada, certo?

Porém, tais produtos eram rotineiramente adquiridos nas farmácias e mercearias do final do século XIX e início do século XX em praticamente todo o mundo.

Era uma época em que os governos ainda não nos amavam tanto e, por isso, não faziam a gentileza de cuidar de nós.  É de se imaginar que essa ausência do estado nas questões morais e sociais - afinal, ele é o único ente formado por seres íntegros, probos e de reputação ilibada para tal função - geraria uma sociedade pervertida e amoral, certo? 

Entretanto, olhando para nossos bisavós, vemos que o mundo em que viveram era, no mínimo, tão moral e civilizado quanto o nosso.  Sem dúvida era menos violento - afinal, não havia um mercado negro para substâncias ilícitas gerado pelo estado.

Hoje, os políticos, tão abnegados, tão caritativos, proíbem até cigarrinhos de chocolate, certos que estão de que tais guloseimas transformarão seus usuários de 5 anos em futuras chaminés ambulantes.

Claro!  Eu, por exemplo, passei a fumar sete maços por dia após ter visto esta cena de 007: como não resistir à ideia de que acender um cigarro numa mesa de bacará enquanto se pronuncia o próprio nome irá lhe fazer ganhar beldades?



Aliás, é questão de tempo até que proíbam o cigarro nos filmes — nos antigos, obviamente.  Porque nos novos a era do politicamente correto já os baniu.

Para ver o link original sobre os "remédios", clique aqui.

1 voto

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Núbia  16/09/2009 10:28
    Não vamos nos esquecer que trocaram o cigarro na mão por uma caneta, no cartaz do filme Coco Chanel
  • Fábio Ostermann  30/09/2009 16:52
    Parabéns pelo post, excelente!!\n\nCabe ainda ressaltar que a completa proibição do uso e comercialização de tais substâncias causa sério dano ao processo de inovação da indústria farmacêutica. Quantos tratamentos (especialmente atenuantes de efeitos colaterais) não deixaram e continuam a deixar de ser desenvolvidos por medo de cair na malha fina do FDA ou do Min. da Saúde?
  • Helio  01/10/2009 10:44
    Sugiro aos interessados neste tema ver a excelente história sobre como tudo isso mudou e ficou como é hoje - www.adrugwarcarol.com
  • Roberto Chiocca  01/10/2009 14:36
    Leitura obrigatória para todos os interessados no tema é só uma:"Economics of Prohibition"de Mark Thornton-----http://mises.org/books/prohibition.pdf
  • Martha  12/04/2010 10:56
    Muito boas as propagandas informativas da época, onde ainda não era um comércio de capitalismo selvagem.
  • Anonimo  19/02/2015 20:23
    Capitalismo selvagem ou intervencionismo selvagem?
  • Lontra  19/02/2015 23:02
    Como a troca voluntária entre legítimos proprietários visando vantagens mútuas pode ser selvagem? Capitalismo é o oposto de selvageria. Capitalismo selvagem é um oxímoro.
  • Marco Antônio  31/05/2011 22:49
    Mas claro, é porque esses remédios dessa época foram todos testados nos melhores laboratórios do mundo, e ficaram comprovados que eles realmente curavam, e não faziam mal nenhum =D

    assim como naquela época as pessoas usavam raio-x para fazer a barba. A pessoa recebia várias rajadas de raio-x na cara e os pelos caiam. Se em 5 anos a pessoa estava com cancer, aí é outro detalhe. O que importa é que o pessoal daquela época tinha a mais alta tecnologia e comprovaram que esses remédios e o raio-x não afetam a saúde =D

    Esses remédios foram proibidos justamente por fazerem mal. Ou você teria coragem de dar heroína para o seu filho hoje em dia?
  • Felix  01/06/2011 00:14
    Como você acha que se desenvolve o pensamento científico?
    é subindo no ombro das descobertas anteriores.. ou vetando qualquer iniciativa antes mesmo de saber se faz mal?
    hoje usamos aparelhos celulares que futuramente podem ser considerados cancerígenos.
    vamos proibir celulares então?
  • Marco Antonio  01/06/2011 01:58
    Já é comprovado que as drogas fazem mal. Não foi feita nenhuma proibição na base da suposição...
    E no momento que provarem que celulares fazem mal e que viciam, esses devem ser proibidos, ou no mínimo limitados...

    E não sei se você entendeu minha crítica, mas vou tentar explicar melhor aqui: esse texto em favor das drogas mostra como argumento o fato de existirem remédios antigamente que tinham as drogas como base. Só que esse não é um argumento válido, pois na época não se sabia dos malefícios das drogas, e achava-se que esses remédios realmente curavam...

    Na minha crítica estou utilizando sarcasmo em relação ao texto, que mostra "olha como era na época dos nossos avôs", como se isso fosse bom, quando na verdade é ruim. Imagine você ter nas farmácias remédios a base de heroína para curar tosse? Você daria isso ao seu filho?
  • Leandro  01/06/2011 04:40
    Prezado Marco Antonio, por favor, não faça colocações levianas como essa. Este não é um "texto em favor das drogas". Você confunde conceitos aqui. O que esse texto está dizendo é:

    Todas as drogas já foram lícitas em uma época e, ao contrário das previsões catastróficas que fazem hoje, a humanidade não acabou e tampouco foram observados surtos de dependência. Mais ainda (esse um conceito caro aos conservadores): a humanidade daquela época não era mais imoral que a atual. Ao contrário até: as famílias eram mais coesas e a igreja, mais presente na vida das pessoas.

    Você infelizmente ainda não entendeu o conceito de liberdade, livre-arbítrio e livre escolha, o que lhe leva a fazer pregações autoritárias. Caso você tivesse o controle do mundo, proibiria até celulares. Você é a favor que se proíbam cigarros também? Acha que tal proibição baniria de vez o produto ou geraria um extremamente lucrativo mercado negro, a ser comandado exclusivamente por aqueles grupos que fossem mais fortemente armados e violentos? Por que você acha que o governo deve assumir o papel de babá das pessoas? Você confiaria a tutela dos seus filhos a Sarney e Renan Calheiros? Acha que ambos seriam melhores pais do que você?

    Pois essa é a conclusão inevitável de sua postura proibicionista.

    Por gentileza, tenha a bondade de ler esses dois textos a seguir:
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=181
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=836

    Após a leitura, caso continue defendendo que o autoritarismo ainda é a melhor solução, por favor volte para papearmos mais.

    Abraços!
  • Cerqueira  01/06/2011 10:45
    Leandro, o que ele fala é que uma coisa é a pessoa se envenenar sabendo o que está fazendo, outra diferente é usar uma solução que só muito tempo depois se descobre que ela faz mal.
    Esse é o ponto onde a lógica do artigo é furada, você poderia ter agumentado algo sobre certificações privadas mas a sua pressa em ver tudo como um motivo pra culpar o governo não te permitiu ver isso.
  • Leandro  01/06/2011 11:14
    Ou foi uma contradição sua, caro Cerqueira, ou foi puro problema de interpretação de texto.

    O Marco Antonio está defendendo -- e é um direito dele -- que as drogas continuem proibidas por fazerem mal. Em momento algum ele está dizendo -- e é isso que você infere -- que, a partir do momento que já se sabe que as drogas fazem, então já se pode liberá-las.
    Ele não utiliza essa sua regra de que "uma coisa é a pessoa se envenenar sabendo o que está fazendo, outra diferente é usar uma solução que só muito tempo depois se descobre que ela faz mal." Não, ele quer que continue proibido. Direito dele, é claro, só não é certo você querer desvirtuar palavras claras para querer atacar meu juízo.

    Outra coisa: onde "tive pressa em ver tudo como um motivo pra culpar o governo"? Estou apenas citando um fato: as drogas já foram legais e o mundo passou longe da acabar. Se você não se sente bem com esse fato, isso não é problema meu.

    Quer me criticar? À vontade. Mas utilize fatos sólidos, e não invenções e ataques rasos.

    Abraços.
  • Fernando Chiocca  01/06/2011 11:48
    Drogas não fazem mal, fazem bem.

    Drogaria é um local onde as pessoas vão para se alivviar de males.

    E mesmo as chamadas drogas recreativas fazem, comprovadamente, bem, na opinião dos próprios usuários. Caso eles não considerassem um bem, simplesmente escolheriam não usar.

    O ser humano age apenas para sair de uma situação menos satisfatória para uma mais satisfatória. Ele deve enxergar algum benefício, a priori, para agir de certa maneira. E um benefício é considerado um bem, não um mal.
    Isso é uma lei praxeológica.
    A posteriori ele pode encontrar um malefício, mas isso somente ele pode analisar. Mas se alguém impede um homem de agir da maneira que a priori ele ve benefício estará, com certeza, causando diretamente um mal a ele. Logo, o que é realmente comprovado é que proibições fazem mal.
  • Emerson Luis, um Psicologo  02/04/2014 19:55

    É impressionante como as crenças e valores mudam e como somos manipulados. Só existe virtude quando podemos escolher agir de forma sábia e correta.

    * * *
  • Hugo  21/01/2015 00:12
    Boa noite Leandro!

    Há algum outro artigo sobre drogas que mostra como a intromissão estatal começou no mercado dessas substâncias?
  • Emanuel  01/11/2015 19:27
    Mesmo sendo "politicamente correto" não há como negar que, estas drogas, se usadas para recreação são prejudiciais, visto que a quantidade absorvida é muito maior do que o aceitado pelo nosso organismo... Tire a lente política por hora, e veremos que qualquer droga usada para se "chapar", é de uma idiotice tremenda...
  • Respondedor  09/01/2017 05:32
    E?

    A pessoa que usou, só usou porque quis, se fez mal é problema dela.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.