Desestatize o Lixo! (Concurso IMB)
por , quinta-feira, 16 de julho de 2009

Nota do IMB: o artigo a seguir faz parte do concurso de artigos promovidos pelo Instituto Mises Brasil (leia mais aqui).  As opiniões contidas nele não necessariamente representam as visões do Instituto e são de inteira responsabilidade de seu autor.


lixo.jpgWalter Block, em seu clássico "Defendendo o Indefensável",  faz uma distinção necessária entre lixo público e lixo privado. Para ele (e espero que para qualquer pessoa sensata), o problema do lixo só existe em ambientes controlados pelo Estado. O lixo que alguém deixa em cima da mesa de um restaurante, por exemplo, não é considerado um problema; a mesma coisa vale para o lixo deixado em um estádio de futebol; e até mesmo para o lixo de um hospital. Apesar de cada ambiente ter um "nível de lixo" tolerável pelos consumidores de seus produtos, eles não têm o problema do lixo que as vias públicas, parques e praias enfrentam devido à impossibilidade de entender o quanto de lixo as pessoas demandam. E isso acontece porque não existe um sistema de transmissão de informações via o mercado, ou seja, um sistema de preços.

Quando há um sistema de preços para informar as preferências das pessoas, esse problema não acontece. Atualmente, é uma tarefa árdua encontrar algum grande evento que não tem entre seus organizadores uma empresa de gestão , para garantir que os melhores processos para reduzir o impacto ambiental estejam sendo aplicados.

Pouco importa se o resultado final é um maior impacto ambiental (isso pode acontecer devido ao custo da fabricação e utilização de tecnologias mais "limpas"); o que importa é que os consumidores dessas festas demandam esse comportamento dos organizadores - como é revelado por pesquisas de mercado - e como empresários bem sucedidos são os que atendem os consumidores em seus menores caprichos, esse comportamento é recorrente nesse meio.

Interessante ainda é ver na prática as empresas contratando certificadores privadas (com fins lucrativos) para atestar que os eventos são "sustentáveis"; e não é porque estão contratando este serviço que eles vão decidir o laudo que a empresa vai emitir. Isso acontece porque se a certificadora emite um laudo incorreto, a falência é certa. O "produto" dessas empresas certificadoras é a sua reputação, por isso,  o valor do suborno será sempre menor que o custo do dano à marca.

Um problema mais grave em relação ao lixo é a coleta realizada pelas prefeituras em todo o Brasil. Um problema que não é técnico e sim estrutural, ligado ao modelo socialista adotado.

Essa socialização do lixo existente origina diversos problemas, como o incentivo à produção de lixo, desincentivo à separação e reciclagem, mal cheiro nas vias públicas devido à acomodação do lixo até o horário da coleta e alto custo do serviço.

O incentivo à produção de lixo tem relação com o alto custo do serviço. Como independente da quantidade de lixo jogado o valor pago é o mesmo, por que então evitar produzir lixo? O alto custo já é decorrente da gestão dessa coleta, porque o Estado não tem nenhuma capacidade de administrar algo; além disso, por ser um monopólio, por que melhorar a qualidade do serviço e utilizar novas técnicas se isso não faz diferença para nenhum dos administradores?

Então, como podemos mudar isso? A solução é simples. Primeiramente todo o sistema de coleta de lixo coletivo estatal deve ser abolido. Isso quer dizer então que as pessoas não terão onde jogar o seu lixo e teremos mais doenças? Claro que não. Em pouquíssimo tempo, diversas empresas vão começar a oferecer o serviço de coleta de lixo em casa, o que vai reduzir os preços. Provavelmente as empresas, pensando em maximizar seus lucros, vão incentivar com campanhas - ou até mesmo financeiramente - a separação do lixo para o maior reaproveitamento possível.

Mesmo não tendo muito conhecimento dos fins que podem ser dados a todos os materiais, é de conhecimento geral a possibilidade de total reaproveitamento de plásticos, alumínio, cobre, vidros e até mesmo lixo orgânico, que pode ser usado para gerar energia; além de emitir uma quantidade muito menor de gases do que se o lixo simplesmente ficasse em decomposição em aterros sanitários. Outro ponto positivo é que, nesse cenário, os aterros sanitários receberão uma pequena quantidade de resíduos e serão tratados de maneira mais adequada, pois a imprensa ou até mesmo uma empresa certificadora ficarão atentos e avisarão aos consumidores quando não for dado tratamento adequado, o que resultará na quebra da credibilidade e queda na demanda pelos serviços das empresas que não cumprirem com aquilo que firmarem em contrato com seus clientes.

A solução restante é flexibilizar as regulamentações e, finalmente, removê-las completamente. Pois enquanto elas existirem, menos empresas de certificação privada serão criadas e mais danos o meio ambiente sofrerá.

Você quer um mundo ambientalmente sustentável? Desestatize o lixo!


Juliano Torres é o presidente do partido Libertários, editor do portal Libertarianismo.com e autor do blog Preço do Sistema.

tags:  Walter Block  desestatização  privatização  meio ambiente  lixo  livre mercado  
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6 comentários

6 comentários

Núbia
Juliano, muito bom seu artigo. Parabéns!
Publicado em 17/7/2009 11:15:16
Wilson Tavares Bastos
Perfeito. Parabéns!
Publicado em 19/7/2009 11:33:37
Manuel Lesoto
Em Nova Jersey quem coleta o lixo são companhias particulares e geralmente nas mãos da máfia que muitas vezes levam entre dois ou três dias para retirar o lixo.
Publicado em 25/4/2010 14:09:50
Leandro
Manuel, aposto uma quantia obscena que essas empresas estão em conluio com o estado e operam em regime de concessão, numa parecerira público-privada. Acertei?

Ora, sob tal arranjo, é impossível que isso não aconteça. É algo para o qual esse instituto sempre alertou e sempre se posicionou contra.
Publicado em 25/4/2010 14:44:32
Marcos
Não tinha pensado nisso. Muito bom!
Publicado em 5/6/2010 11:51:13
Pilha Seca
Por serem compostas de níquel, cádmio, cromo, chumbo e zinco, fica fácil entender o valor econômico que possuem as baterias e pilhas elétricas usadas. Baterias e pilhas não são lixo, mas são fontes de matéria prima de elevada pureza para a indústria siderúrgica. Que o digam os fabricantes de aço inoxidável, os de baterias para veículos e outros.
No entanto, alguém já viu ou escutou na mídia alguma referência sobre este valor que elas possuem? Eu não! O que fazem é demonizá-las, apresentando-as como vilãs da natureza, como se um punhado de metais de alta pureza fosse capaz de destruir o planeta. Mas o poder público, ao apresentar como vilãs as baterias e pilhas usadas, através das conhecidas campanhas que promovem, abre motivo para penalizar a população ou pessoas que não dêem a elas o destino 'correto'. O tal destino 'correto' é descartar a bateria num ponto de coleta autorizado. É claro que, do ponto de coleta, elas serão levadas para uma fundição, que vai se beneficiar dos metais. Ou seja, sob ameaças de punições severas, a população é obrigada a fornecer matéria prima de elevado valor, sem nada receber em troca. Seria muito mais correto e eficiente que os próprios interessados em reutilizar estes materiais abrissem pontos de coleta, onde pagariam pelas pilhas ali descartadas pelas pessoas. Isso com cereteza criaria nas pessoas o interesse em participar desta reciclagem, onde todas as partes sairiam ganhando - até a natureza, se isso for possível.
Publicado em 4/7/2010 11:11:33

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