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O que realmente faz com que os preços subam continuamente? Eis a explicação para o Brasil
Sem meios termos: a atual discussão acadêmica sobre o que causa aumento de preços é espantosa


Nota do Editor

O artigo abaixo foi originalmente publicado em março de 2017. Com a recente notícia de que houve deflação de preços no Brasil em junho — o que derrubou algumas teorias bizarras que estavam surgindo por aí, as quais previam o contrário —, ele se tornou ainda mais atual.

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O leitor mais bem dotado de memória há de se lembrar como eram os preços das coisas assim que o real surgiu, em julho de 1994. Os que não viveram a época podem facilmente recorrer à internet para pesquisar.

Pessoalmente, lembro-me de, ali por volta de 1995, almoçar em um restaurante self-service e pagar algo em torno de R$ 2,50. O preço do quilo era de R$ 6,50.

Também àquela época, você podia ir a um restaurante, comer picanha importada para duas pessoas, tomar cinco cervejas, pedir sobremesa, e pagar uma conta final de não mais que R$ 15,90.

Eis algumas informações encontradas sobre os preços daquela época:

a) O arroz custava R$ 0,64 o quilo. O pão francês, R$ 0,09 a unidade. O filé mignon, R$ 6,80 o quilo.

b) Uma ida a uma churrascaria rodízio variava de R$ 13 a não mais que R$ 24.

c) Um filé à parmegiana para duas pessoas saía por R$ 8,90, e a caipirinha para acompanhar, R$ 0,55.

d) Fartos pratos de coração de frango a R$ 1,90, costela de porco a R$ 2,60, e filé com fritas a R$ 8,90 eram a regra.

e) Para os não-carnívoros, o filé de peixe custava R$ 9,45, o camarão ao molho saía por R$ 16,90, e a mais refinada lagosta não passava de R$ 19,70.

f) Uma dose de uísque 12 anos custava R$ 3,25 e uma caipiroska com vodka, R$ 0,70.

g) Para completar, biscoito cream cracker custava R$ 0,75 e o açúcar, R$ 0,39.

Deixemos de lado o setor gastronômico e vamos para o resto da economia.

h) Um bom amaciante custava R$ 0,69.

i) Um ingresso de cinema, R$ 5.

j) As tarifas de ônibus variavam de R$ 0,29 a R$ 0,54. Já a gasolina custava R$ 0,55 o litro.

k) Um carro Gol 1.0 custava R$ 7.243.

l) Um apartamento de três dormitórios? R$ 94 mil.

Ano 2000

Avancemos agora para o ano 2000. Naquele ano, uma cerveja Brahma, lata de 350 ml, custava R$ 0,57. A Kaiser Long Neck, 355 ml, R$ 0,45. Guaraná Antarctica, R$ 0,54.

Picanha bovina, R$ 8,90 o quilo. Alcatra, R$ 5,90 o quilo. Pneu da marca Pirelli 175/13, R$ 56,90 a unidade

Confira os anúncios:

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Investigando as causas

Desnecessário dizer que os preços de absolutamente todos esses produtos estão hoje muito maiores. Alguns produtos encareceram com mais intensidade (como os alimentos) e outros, com menos (como as roupas e os itens domésticos).

Mas, em comum, todos encareceram.

Hoje, você não mais encontra nenhum restaurante self-service cujo preço do quilo seja R$ 6,50, como era em 1995 (onde eu almoço hoje, o preço é de R$ 55). Tampouco consegue comer com apenas R$ 2,50 (meu prato hoje não sai por menos de R$ 25). E muito menos encontrará um carro zero a menos de R$ 8.000.

Igualmente, você não mais encontra — como encontrava no ano 2000 — sabonete de marca a R$ 0,32, escova de dente a R$ 1,65, toalha de rosto a R$ 1,90, creme de barbear a R$ 2,20, xampu a R$ 2,25, desodorante, camisa regata e toalha de banho a R$ 3,90, calça jeans a R$ 8,90, tênis a R$ 12,90, calça social a R$ 14,90

Segundo o IBGE, a inflação de preços (IPCA) acumulada de julho de 1994 a fevereiro de 2017 foi de 461%. Isso significa que os preços de todos os bens e serviços, na média, mais do que quintuplicaram.

Igualmente, de janeiro de 2000 a fevereiro de 2017, o IPCA acumulado foi de 203%, o que significa que os preços triplicaram nesse período.

Mas agora vêm algumas constatações lógicas e cruciais:

1) Os preços de todos os bens e serviços aumentaram em mais de 5 vezes desde 1994; no entanto, tamanho encarecimento não gerou redução da demanda. Ao contrário, aliás: a demanda por bens e serviços é crescente desde 1994;

2) Os preços aumentaram mesmo tendo havido um grande aumento da oferta de bens e serviços; hoje, há muito mais restaurantes a quilo, e há muito mais variedade e quantidade de roupas, carros e de itens domésticos à venda. Em tese, tamanho aumento da oferta deveria para ter gerado redução de preços. No entanto, os preços subiram;

3) Se houve tamanho aumento de preços mesmo com um grande aumento da oferta, e se tal aumento de preços não reduziu a demanda (ao contrário, a demanda aumentou), então a única conclusão lógica possível é que a demanda da população aumentou ainda mais que o aumento dos preços.

4) Agora, então, a questão passa a ser: o que permitiu esse aumento da demanda das pessoas?

5) Se o aumento de preços não foi o suficiente para diminuir a demanda, então, por definição, o aumento de preços foi acompanhado de um aumento da renda. Mais ainda: a renda aumentou mais que o aumento dos preços.

Temos, então, a primeira resposta: o aumento da renda da população — que levou a um aumento da demanda — foi maior que o aumento dos preços.

Afinal, dado que o aumento dos preços não foi suficiente para reduzir a demanda, e dado que os preços aumentaram mesmo tendo havido um aumento da oferta, então a conclusão lógica é que a renda aumentou muito mais que o aumento dos preços.

E os preços só aumentaram menos que a renda porque houve aumento da oferta, o que restringiu um pouco o aumento dos preços.

Feito esse básico exercício de lógica, façamos então a pergunta suprema, cuja resposta a tudo irá solucionar: o que realmente gerou esse aumento da demanda/renda da população, que fez também aumentar os preços?

Aquela variável presente em todas as transações

Para responder a essa pergunta, é necessário analisar o que houve com aquela variável que está presente em toda e qualquer transação econômica: o dinheiro.

Para isso, façamos um silogismo.

Primeira premissa: o dinheiro está presente em todas as transações econômicas (inclusive nas compras a crédito, que também envolvem a promessa de pagar dinheiro em uma data futura).

Segunda premissa: quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem demandar bens e serviços com este dinheiro.

Terceira premissa: dado que o dinheiro está presente em todas as transações econômicas, e dado que quanto mais dinheiro há na economia mais as pessoas podem demandar, então, por definição, qualquer aumento na quantidade de dinheiro irá inevitavelmente provocar alterações naquele número mágico que baliza todas as transações e que tende a equilibrar oferta e demanda: os preços.

Logo, a conclusão é que qualquer investigação que aborde a questão da variação dos preços tem obrigatoriamente de levar em conta a variável dinheiro.

E tal conclusão é perfeitamente lógica: os preços de todos os bens e serviços de uma economia só podem aumentar de maneira continuada, sem que isso afete o consumo, se a quantidade de dinheiro em posse das pessoas também aumentar de maneira continuada.

Se o preço de um prato de comida em um restaurante a quilo saltou de R$ 6,50 para R$ 25 ao longo de duas décadas, ou se o preço de uma ida ao supermercado saltou de R$ 80 para R$ 400 e ainda assim o consumo não declinou (ao contrário, aumentou), então tal fenômeno só foi possível porque a quantidade de dinheiro em posse das pessoas (consumidores) aumentou.

Apenas imagine se todas as pessoas do país tivessem hoje a mesma quantidade de dinheiro que tinham em julho de 1994. (Lembra-se de quão raras eram as cédulas de 50 reais? As de 100 reais, então, eram praticamente peças de ficção). Apenas imagine que a quantidade de dinheiro que existia em julho de 1994 houvesse sido congelada e mantida imutável até hoje (março de 2017). Pergunta: haveria como ter essa cavalgada de preços? Haveria como os preços subirem mais de 5 vezes?

Se os preços quintuplicassem, mas a quantidade de dinheiro em posse das pessoas não se alterasse, então, por definição lógica, não haveria como ter consumo em massa. As pessoas gastariam tudo comprando alimentos para sobreviver e só. Não sobraria dinheiro para mais nada. Ninguém venderia roupas, carros, toalhas, sabonetes, televisores, computadores, notebooks, smartphones etc.

Logo, não haveria como os preços de todos estes itens também subirem. Ao contrário, aliás: estes preços teriam de cair para ao menos conseguir atrair algum consumidor. Para cada aumento nos preços dos alimentos teria de haver uma redução nos preços de todos os outros itens de consumo.

Vale enfatizar: se a quantidade de dinheiro na economia fosse fixa e imutável, seria impossível haver aumentos de preços generalizados. Se um setor aumentasse os preços, os outros teriam de diminuir. Caso contrário, ficariam sem consumidores.

Ou seja, com a quantidade de dinheiro fixa, não há como haver aumentos contínuos e generalizados de preços.

Consequentemente, o fato de que todos os preços subiram por um fator de 5, e ainda assim o consumo se manteve crescente, permite apenas uma conclusão: a quantidade de dinheiro em posse das pessoas aumentou. E muito.

E os preços só subiram tanto porque essa quantidade de dinheiro em posse das pessoas (demanda) aumentou.

O aumento da oferta monetária

Tendo entendido a lógica por trás da teoria, passemos à empiria.

Comecemos pela forma mais simples de dinheiro. O gráfico a seguir mostra a evolução da quantidade de cédulas de papel e de moedinhas metálicas na economia brasileira desde julho de 1994, com a criação do real. Todos os dados são do Banco Central.

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Gráfico 1: evolução da quantidade de papel-moeda em poder de pessoas e empresas (Fonte: Banco Central)

Observe que, em julho de 1994, havia R$ 5 bilhões em papel-moeda na economia. Em fevereiro último, havia R$ 180 bilhões. Isso representa um aumento de 36 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 16,8% ao ano.

Passemos agora à segunda forma mais simples de dinheiro: os depósitos em conta-corrente, os quais podem ser sacados em dinheiro em caixas automáticos ou podem ser utilizados como meio de pagamento por meio de cheques e cartão de débito.

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Gráfico 2: evolução dos depósitos em conta-corrente (Fonte: Banco Central)

Observe que, em julho de 1994, havia aproximadamente R$ 10 bilhões em dinheiro depositado nas contas-correntes. Em fevereiro último, havia aproximadamente R$ 135 bilhões. Isso representa um aumento de 13,5 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 12% ao ano. (Mais abaixo comentarei sobre aquela brutal queda ocorrida a partir de 2015).

Podemos também analisar a evolução dos depósitos em caderneta da poupança.

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Gráfico 3: evolução dos depósitos em caderneta de poupança (Fonte: Banco Central)

Observe que, em julho de 1994, havia aproximadamente R$ 40 bilhões em dinheiro depositado nas cadernetas de poupança. Em fevereiro último, havia aproximadamente R$ 665 bilhões. Isso representa um aumento de 16,6 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 13% ao ano.

Para não aborrecer o leitor, irei poupá-lo da repetição deste mesmo processo para os depósitos a prazo e para todos os depósitos em fundos DI, fundos de renda fixa, fundos multimercado, fundos cambiais, fundos de ações etc. O raciocínio é idêntico. A taxa de crescimento é semelhante.

O que é realmente importante aqui é notar como a quantidade de dinheiro na economia aumentou vigorosamente nestes quase 23 anos de real. Ao passo que os preços (IPCA) praticamente se multiplicaram por 6, a quantidade de dinheiro na economia foi multiplicada por 13 (depósitos em conta-corrente), 16 (depósitos em caderneta da poupança) e 36 (papel-moeda em poder das pessoas e das empresas).

Este vigoroso aumento da quantidade de dinheiro na economia explica não só todo o contínuo aumento de preços ocorrido, como também o fato de que o consumo seguiu crescente mesmo com todo este aumento de preços. Com as pessoas tendo cada vez mais dinheiro em sua posse, e com essa quantidade de dinheiro aumentando mais rapidamente do que os preços, a demanda não se retraiu em decorrência do aumento de preços.

E por que os preços aumentaram menos que o aumento da quantidade de dinheiro? Por causa da oferta crescente de bens e serviços. Felizmente houve crescimento econômico durante este período, o que significa que empreendedores investiram e produziram cada vez, e assim aumentaram a oferta de bens e serviços disponíveis.

Fazendo uma matemática meio grosseira, mas ainda assim válida, podemos dizer que, se não tivesse havido nenhum crescimento econômico — ou seja, se a economia de hoje fosse exatamente a mesma de 1994 —, mas a quantidade de dinheiro houvesse crescido exatamente como visto acima, então os preços hoje seriam muito maiores. Provavelmente, o IPCA teria aumentado entre 13 e 36 vezes.

Quem aumenta a quantidade de dinheiro na economia?

Está completamente fora do escopo deste artigo explicar em detalhes como o dinheiro é criado e jogado na economia. Este Instituto possui vários artigos específicos sobre isso (recomendo este, este e este).

Em nome da brevidade, podemos apenas dizer que todo o processo está sob o direto controle do Banco Central. É o Banco Central quem tem o monopólio de criar dinheiro, de repassar esse dinheiro ao sistema bancário, e de estimular os bancos a fazerem empréstimos para pessoas, empresas e governo.

Os bancos, por sua vez, literalmente multiplicam esse dinheiro recebido do Banco Central e o jogam na economia na forma de empréstimos para pessoas, empresas e governo. Mais especificamente, por meio de um processo complexo chamado de "reservas fracionadas", o Banco Central possibilita que os bancos criem dinheiro eletrônico em cima do dinheiro (físico e eletrônico) que receberam do Banco Central e o emprestem para pessoas, empresas e governo. Os bancos, portanto, multiplicam o dinheiro recebido do Banco Central e jogam esse dinheiro na economia na forma de empréstimos.

Esse novo dinheiro criado pelo Banco Central e pelo sistema bancário será repassado a pessoas, empresas e governo na forma de empréstimos e, em seguida, será gasto por estas entidades, entrando permanentemente na corrente de gastos da economia, aumentando preços.

Assim, o Banco Central e o sistema bancário que ele controla acabam, na prática, "imprimindo" dinheiro e jogando esse dinheiro na economia na forma de empréstimos. É assim que o dinheiro entra na economia, e majoritariamente na forma de dígitos eletrônicos. São esses dígitos que estão nas nossas contas bancárias, seja na conta-corrente, seja na conta-poupança, seja nos depósitos a prazo ou nos fundos de investimento.

Todo o processo de expansão de crédito, portanto, nada mais é do que um mecanismo que aumenta a quantidade de dinheiro na economia. Quando os bancos emprestam para pessoas, empresas ou governo, a quantidade de dinheiro na economia aumenta. Se a concessão de empréstimos ocorrer a um ritmo maior que a quitação destes empréstimos, a quantidade de dinheiro na economia aumentará continuamente. Caso as quitações sejam maiores que as concessões, a quantidade de dinheiro na economia irá diminuir.

Portanto, respondendo à pergunta do título desta seção, quem aumenta a quantidade de dinheiro na economia é o sistema bancário em conjunto com o Banco Central. Porém, e essa é a conclusão mais importante, quem dá toda a sustentação ao processo — quem literalmente cria dinheiro do nada e repassa esse dinheiro aos bancos, permitindo que eles então expandam o crédito continuamente — é o Banco Central.

Não houvesse um Banco Central com o poder de imprimir dinheiro infinitamente — e o Banco Central realmente pode imprimir dinheiro o quanto quiser —, os bancos não poderiam emprestar continuamente a pessoas, empresas e governo. Consequentemente, a quantidade de dinheiro na economia teria um crescimento extremamente limitado.

Para finalizar esta seção, eis o gráfico da evolução da base monetária, que representa todo o dinheiro criado pelo Banco Central e entregue ao sistema bancário. Trata-se de uma variável que está totalmente sob o controle do Banco Central. É sobre a base monetária que todo o sistema bancário, coordenado e protegido pelo Banco Central, irá criar mais dinheiro eletrônico (via expansão do crédito), expandindo a quantidade total de dinheiro na economia. É a criação da base monetária o que dá sustento a todo o aumento da quantidade de dinheiro na economia.

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Gráfico 4: evolução da base monetária (Fonte: Banco Central)

Observe que, em julho de 1994, a base monetária era de aproximadamente R$ 10 bilhões. Em fevereiro último, a base monetária já estava em R$ 250 bilhões. Isso representa um aumento de 25 vezes, o que dá, em termos percentuais, um aumento médio de 15% ao ano.

Eis aí, portanto, a verdadeira raiz de toda a inflação de preços.

A definição correta de inflação

A definição correta de inflação é "aumento da oferta monetária" ou "aumento da quantidade de dinheiro na economia".

O próprio termo 'inflação' denota que a quantidade de dinheiro na economia foi 'inflada'. Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, isso, por si só, já é uma 'inflação'.

É essa inflação da oferta monetária o que pressiona os preços para cima. Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, o valor de cada unidade monetária diminui. A moeda perde poder de compra. Se a moeda perde poder de compra, então, por definição, você precisará de mais moeda para comprar o mesmo tanto de antes.

Portanto, eis a conclusão crucial: o aumento de preços é uma consequência da inflação monetária. Inflação não é sinônimo de aumento de preços. O aumento de preços é uma consequência da inflação.

E isso não é uma mera pendenga semântica. É algo muito sério. Se você não define exatamente qual é o problema, você não tem a menor chance de resolvê-lo corretamente. Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema não tem nada a ver com a quantidade de dinheiro na economia, mas sim com coibir o comportamento "maldoso" de empresários, que insistem em elevar seus preços sem nenhum motivo, levados apenas pela ganância. Se inflação é "aumento de preços", então a solução para este problema pode perfeitamente ser o congelamento de preços ou a imposição de um teto para os preços de qualquer bem.

Saber a diferença entre inflação e aumento de preços é tão importante quanto compreender corretamente as causas de uma doença. É a diferença entre saber o que causa todos os sintomas desta doença (e o que deve ser feito para eliminar a fonte dos sintomas) versus tentar atacar apenas os sintomas.

Definir inflação como aumento de preços é o mesmo que pensar que 'doença' significa um aumento da temperatura do corpo apontada pelo termômetro, o que implicaria que a solução seria simplesmente colocar o termômetro na geladeira.

O vácuo do debate

É apenas quando se entende tudo isso, que você finalmente percebe como são vazios e desnecessários alguns debates que, com frequência, invadem a mídia e o mundo acadêmico. Na ânsia de querer explicar um fenômeno pontual e passageiro, teses esquisitas — algumas bizarras — são criadas e propagadas aos montes.

No início de 2016, com a economia em recessão, juros altos e o IPCA em 10%, ganhou força uma tese de que o Brasil estaria vivenciando uma "dominância fiscal". Segundo essa teoria, a carestia continuaria alta enquanto o governo continuasse apresentando déficits orçamentários e endividamento crescente. Enquanto os déficits não fossem zerados e a dívida não começasse a cair, o IPCA não só jamais cairia como subiria cada vez mais aceleradamente.

Pois bem. O tempo passou, os déficits e o endividamento do governo só pioraram (estão hoje em níveis recordes) e, no entanto, o IPCA caiu de 10,71% para 4,76% (e com tendência de queda), o menor nível em 5 anos. Pela tese da "dominância fiscal", isso jamais poderia ocorrer.

Logo, como diria Paulo Francis, a tese da dominância fiscal foi mais uma que "despontou para o anonimato".

Outra tese esdrúxula surgiu recentemente e foi aventada por André Lara Resende, um dos criadores do real. Segundo ele, a inflação estaria alta porque a SELIC está muito alta. Apenas se a SELIC fosse diminuída para algo próximo de zero — sim, ele falou isso — é que o IPCA começaria a cair. No entanto, desde a publicação de seu artigo (em janeiro), a SELIC caiu apenas 1,50 ponto percentual (de 13,75% para 12,25%) e o IPCA, em acentuada desaceleração, se encaminha para abaixo do centro da meta (que é de 4,50% ao ano).

Quem também surpreendentemente entrou no clima foi a competente dupla Marcos Lisboa e Samuel Pessoa. Em artigo para o Valor, a dupla comprou a tese de que empresários podem gerar aumentos contínuos de preços: basta que suas expectativas sejam a de que a inflação de preços irá se acelerar no futuro. Ato contínuo, os empresários saem remarcando preços e, voilà!, a economia entra em uma espiral de aumento acelerado de preços e nada mais segura.

Qual o erro em comum destas três teorias? Elas aparentemente foram criadas ad hoc para tentar explicar um fenômeno — preços em forte ascensão em um cenário de juros altos e de forte recessão — que era pontual, passageiro e de causas bem definidas.

Para entender por que todos esses economistas estão errados e onde erraram, basta voltar ao gráfico 2:

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Gráfico 2: evolução dos depósitos em conta-corrente (Fonte: Banco Central)

O gráfico mostra a evolução da quantidade de dinheiro nas contas-correntes dos bancos. Essa modalidade é importante porque mostra a quantidade de dinheiro prontamente disponível para empresas e pessoas consumirem e investirem. Como se trata de uma aplicação que não paga juros, o dinheiro em conta-corrente representa aquele dinheiro que está sendo continuamente transacionado na economia. 

Quando essa quantidade de dinheiro está crescendo, isso significa que as empresas estão com mais capital de giro e com mais dinheiro disponível para investir e ampliar sua capacidade produtiva, e as pessoas estão com mais dinheiro pronto para ser gasto em consumo. Já quando a quantidade de dinheiro está diminuindo, isso significa que as pessoas e empresas estão retirando dinheiro da conta-corrente e aplicando em outras modalidades, como CDB, LCI, LCA, fundos de investimento e títulos do Tesouro, para se aproveitar dos juros. Ou seja, as empresas não estão dispostas a investir na economia e as pessoas não estão dispostas a gastar.

Repare que, quando a SELIC aumenta (2003, 2005, 2008, 2011, 2014 e 2015), a quantidade de dinheiro em conta-corrente pára de crescer. Isso porque as pessoas e empresas retiram o dinheiro dali e aplicam em papéis que rendem juros. E também porque empréstimos passam a ser quitados a um volume maior do que concedidos. E quando a SELIC cai (2004, 2006, 2007, 2009 e 2012) as empresas e pessoas voltam a pedir empréstimos e a consumir.

Repare também que, em 2014, a quantidade de dinheiro em conta-corrente pára de crescer e, em 2015, entra em queda livre. Em 2016, a queda continuou. Como a SELIC estava subindo desde abril de 2013, deixar dinheiro na conta-corrente representava um crescente custo de oportunidade. Igualmente, pedir empréstimos a juros crescentes também não era sensato. Essa combinação gerou uma forte contração monetária. A magnitude desta contração é inédita na história do real. 

E é ela quem explica a atual desaceleração do IPCA.

Coisas como "dominância fiscal" (Monica de Bolle), "SELIC a 1%" (André Lara Resende), "expectativas inflacionárias que aumentam preços continuamente" (Marcos Lisboa e Samuel Pessoa) simplesmente perdem qualquer relevância quando a economia vivencia uma contração monetária.

Havendo contração monetária, não há como preços subirem aceleradamente e indefinidamente. Se empresários continuamente aumentarem preços em um cenário de contração monetária — como o atual — simplesmente não haverá ninguém com dinheiro para consumir seus produtos (daí as seguidas quedas nas vendas no varejo).

Sim, é verdade que pode haver remarcações de preços durante uma contração monetária (e foi isso o que ocorreu no Brasil em 2015 e 2016). Mas o ponto é que tal prática simplesmente não tem como perdurar caso a contração monetária se mantenha. E foi por ignorar isso que os economistas supracitados cometeram os erros, criando teorias ad hoc.

Meu colega de trabalho Fernando Ulrich foi quem resumiu perfeitamente a sequência: as expectativas de inflação sobem por causa da dominância fiscal; empresários aumentam seus preços; mas está havendo contração monetária. Consequentemente, empresários não conseguem vender; os estoques se avolumam; eles são obrigados a baixar os preços (ou a parar de aumentá-los). Os índices de preços entram em queda (ou ficam estáveis). Fim do processo de aumento acelerado de preços.

De novo: não há expectativa de inflação e não há dominância fiscal que perdurem caso a oferta monetária não esteja crescendo (e menos ainda se ela estiver se contraindo).

Conclusão

Preços aumentam continuamente porque a oferta monetária aumenta. Ponto.

A intensidade do aumento dos preços varia de ano para ano. Há anos em que eles sobem com mais intensidade e há anos que eles sobem pouco. Isso vai depender de condições pontuais, como câmbio e gastos do governo. No longo prazo, porém, preços (inclusive salários) são determinados pela evolução da quantidade de dinheiro na economia.

Uma das causas do prolongamento da atual recessão é que está havendo uma combinação entre menos dinheiro na economia e um forte aumento de preços (inclusive do salário mínimo) ocorrido entre 2014 e 2016, majoritariamente causado pela liberação dos preços que estavam represados pelo governo e pela desvalorização cambial daquele período. Isso gerou, além da explosão do desemprego, toda essa queda na renda real que a população está sentindo. 

Em termos práticos, há hoje nas contas-correntes a mesma quantidade de dinheiro que havia no início de 2010. Só que todos os preços estão muito maiores. Daí a sensação (real) de queda na qualidade de vida das pessoas, principalmente dos mais pobres (que são os que mais guardam dinheiro em espécie em casa ou deixam parado na conta-corrente). Há menos dinheiro tendo de lidar com preços mais altos.

Mas a atual contração monetária garante que, no curto prazo, não há espaço para surtos de carestia — a menos, é claro, que mais dinheiro volte a ser bombeado para a economia.

Ah, sim: volte àqueles preços de 1994 e compare com os de hoje. O que causou todo este aumento: dominância fiscal? SELIC alta? Expectativas? Ou um aumento de 1.500% na oferta monetária?

Sim, é a inflação monetária o que gera um aumento prolongado de preços. Sempre.

 

27 votos

autor

Leandro Roque
é o editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

  • Adriel Felipe  31/03/2017 09:44
    Alguém aqui especula quando essa crise termina?
  • luciano viana   31/03/2017 16:32
    essa crise é derivada de outra oculta, a burocracia brasileira que impede as pessoas, empresas produzirem. então as pessoas que caem na informalidade já bate 50 milhoes , enquanto que os trabalhadores legalizados são só 44 milhoes. a maioria então ativa está fora do governo, este perde arrecadação e se desforra aumentando os impostos aos niveis atuais pra arrecadar, ou fica lançando titulos da divida, ou fica mandando o BC produzir dinheir o sem lastro. a crise atual vai se estabilizar, mas essa crise burocratico/tributaria só quando as pessoas começarem a se mover e cobrar a diminuição da burocracia para todos.
    se as pessoas pudesse produzir , teriamos mais concorrencia e mais dinheiro nas contas. preços baixos e mais dinheiro.
  • Marcos Felipe Diniz  20/07/2017 18:49
    Exatamente isso! Um Estado ineficiente que imprime suas deficiências históricas dentro do empreendedorismo privado, estrangulando qualquer chance de circulação de moeda, seja no âmbito interno ou externo. De outra banda, há de se considerar o constante aumento no peso tributário em uma fatia cada vez menor de geradores de emprego e renda. Enquanto as coisas forem assim, na minha limitadíssima compreensão do tema, não consigo avistar horizonte algum.
  • Felipe Lange S. B. S.  01/04/2017 00:25
    Os artigos do Leandro produzem anticorpos para eu ficar ainda mais resistente aos patógenos keynesianos e desenvolvimentistas que por vezes ouço em meu cursinho pré-vestibular.

    Leandro, olha que interessante, o Conde Drácula sancionou a lei da terceirização. A Dilma não tinha esse projeto também?

    No mais, excelente artigo.
  • Felipe Lange S. B. S.  01/04/2017 02:41
    Se não expandirem mais o crédito e deixarem como está, deve se recuperar à partir de 2020.
  • LUIZ F MORAN  31/03/2017 10:24
    Leandro Roque, faltou um ponto nessa matéria: carga tributária.

    Onde o absurdo aumento de impostos e taxas se encaixaria nisso tudo ?
  • Leandro  31/03/2017 12:44
    Impostos? Andam lado a lado com a oferta monetária. Quanto mais dinheiro há na economia, mais o governo arrecada. Essa é uma relação direta.

    Dinheiro criado gera uma transação econômica que não ocorreria não fosse essa criação de dinheiro. Tão logo o dinheiro recém-criado é gasto, o governo arrecada impostos. E ele vai arrecadar impostos indiretos (que incidem sobre a transação econômica gerada por esse dinheiro recém-criado) e impostos diretos (que incidem sobre a maior renda do indivíduo que recebeu esse dinheiro recém-criado).

    Apenas veja o histórico da arrecadação do governo. De 1994 a 2015, a arrecadação nominal crescia ano após ano. Mesmo quando não havia aumento de impostos, a arrecadação nominal só fazia crescer. Por quê? Por causa do aumento da oferta monetária na economia.

    Aí, a partir de 2015, a arrecadação nominal começa a cair, algo que nunca havia acontecido até então. Por que caiu? Veja o gráfico 2.

    Em suma: mesmo quando o governo aumenta impostos, tal aumento só pode ser sustentado no longo prazo se houver grande expansão monetária. O mesmo raciocínio se aplica a aumentos do salário mínimo. Aumentar salário mínimo em épocas de expansão monetária não tende a afetar o desemprego (vide os anos Lula). Já aumentos do salário mínimo em épocas de contração monetária (ou mesmo em épocas de estabilidade monetária) geram um imediato aumento do desemprego entre os menos qualificados, empurrando-os para a informalidade.


    P.S.: com efeito, as consequências disso tudo são nefastas. À medida que a quantidade de dinheiro na economia aumenta, as receitas tributárias do governo aumentam. O aumento das receitas tributárias permite que os gastos do governo também aumentem. À medida que os gastos do governo aumentam, o tamanho do governo aumenta. À medida que o tamanho do governo aumenta, o número de leis, regras e regulamentações que ele cria também aumenta. À medida que o número de leis, regras e regulamentações aumenta, o número de transgressões e violações involuntárias também aumenta.

    À medida que o número de violações e transgressões aumenta, o número de cidadãos "criminosos" também aumenta, o que gera a necessidade de mais agentes estatais para regulamentar, fiscalizar, repreender e, em última instância, encarcerar os "transgressores". À medida que aumenta o número de funcionários do governo, aumenta também o controle e a influência do governo sobre todo o mercado.

    Assim como a inflação, o crescimento estatal alimentado pela inflação se torna um ciclo perpétuo.
  • LUIZ F MORAN  31/03/2017 13:38
    Agigantamento do Estado num ciclo perpétuo é exatamente a trajetória brasileira desde o fatídico 15/NOV/1889.

    Tivemos figuras grotescas como G.Vargas, JK, Jango, Sarney, FHC, Lula, Dilma e agora Temer.

    Concluo então que não há saída para o Brasil.

    O Caminho da Servidão a cores e ao vivo como nem mesmo Hayek poderia ter imaginado.
  • Lucas Cazangi  31/03/2017 14:43
    Bom dia senhores, caro Leandro poderia me responder a uma dúvida, ainda que esta se trate de uma possibilidade "ilusória" que me ocorreu:
    Caso consigamos uma redução do poder estatal, seus impostos e com isso suas politicas assistenciais, após o extermínio dos diversos entraves que sustentavam toda nossa burocracia, como ficaria o reajuste de preços? A moeda ganharia uma guinada de valor? Haveria deflação? Como um consumidor verificaria tudo isso? Não mais haveria desemprego?
    Embora me recorde dos exemplos aqui já citados, meu questionamento deve-se ao fato de que o Brasil com seu tamanho e atual endividamento, possuiria um desenrolar diferente dos exemplos já estudados aqui!
    OBS: Ilusória pois não creio que estarei vivo para ver um politico brasileiro propor isso e muito menos a opinião pública apoiá-lo! Ainda que a prática seja possível!
  • AndreyDKS  03/04/2017 16:59
    Excelente post do Leandro, pouta queo pareel!
  • AndreyDKS  03/04/2017 17:07
    Concluindo: nesse ritmo o governo/estado acaba se tornando um outro país, uma outra realidade, com outras regras, o qual escraviza, e é sustentado por, o país "original".
  • fernando bazzo  10/07/2017 17:03
    o sábio guru poderia nos explicar porque os USA que nos últimos anos aumentou vertiginosamente sua base monetária seus índices inflacionários nunca ultrapassaram pífios 2%?? me parece que mais uma vez o instituto mises quer reiventar a roda...
  • Leandro  10/07/2017 17:43
    Quer a explicação para isso? Sem problemas, meu caro.

    O Fed imprimiu dinheiro (eletrônico) e inundou as reservas bancárias dos bancos. Realmente, A base monetária explodiu.

    Só que, simultaneamente, o Fed passou a pagar juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parada neste mercado.

    Ou seja, na prática, o Fed passou a pagar para os bancos não emprestarem esse dinheiro. Portanto, de um lado o Fed explodiu a base monetária; de outro, ele colocou uma rolha no mecanismo de transmissão, fazendo de tudo para impedir que essa explosão da base monetária se transformasse em uma explosão no M1 e no M2.

    Consequentemente, a oferta monetária não mais passou a ser afetada pela base monetária.

    Isso foi uma prática completamente inédita nos anais da política monetária. Nenhum Banco Central jamais havia feito isso na história do mundo. Nenhum manual ou livro-texto de macroeconomia jamais discutiu essa possibilidade.

    Há vários artigos sobre isso no site. Veja o mais recente.

    Ou seja, os bancos americanos estão entupidos de dinheiro, mas esse dinheiro simplesmente não vazou para a economia. Ficou empossado nos bancos, na forma de "reservas em excesso", que agora recebem juros pagos pelo Banco Central.

    E não precisa confiar em mim, não. Pode conferir aqui a evolução do M2, e ver que não houve alteração nenhuma antes e depois de 2008.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201712060828r&d1=20000113&d2=20171213

    E não, aqui no IMB a gente não reinventa a roda. A gente simplesmente explica como funciona a economia, inclusive para os ignaros, atrevidos e inseguros. Fazemos todo o tipo de caridade.

    Saudações e volte sempre, para aprender cada vez mais.

  • Andre  10/07/2017 17:45
    Essa é tão básica que até eu sei, você que está caçando inflação no lugar errado, cace essa mesma inflação nos preços dos ativos da NYSE, preços dos imóveis e empresas que vai encontrar onde foi parar tamanha expansão monetária.
  • Régis  10/07/2017 18:15
    A pequena parte que vazou para a economia de fato foi parar nestes ativos que você citou, pressionando seus preços. Mas foi uma quantidade relativamente pequena.

    A esmagadora fatia da base monetária expandida continua empoçada nos bancos. É só ver os indicadores monetários acima postados pelo Leandro.
  • Expel The Parasite  31/03/2017 10:52
    Por essas e outras que apoio atentados terroristas contra políticos e funcionários públicos.
  • Engenheiro Falido  31/03/2017 11:13
    Obrigado Leandro,

    Excelente explanação, nada de divagações, tem-se fatos, porém, se na avaliação de economia da faculdade, na primeira questão, O que é inflação? Aumento generalizado e contínuo dos preços .

    Era 0 se respondesse oferta monetária excessiva, contudo, nem sempre o que nos ensinam é verdadeiro.
  • 4lex5andro  31/03/2017 13:27
    Talvez o termo "expansão artificial da oferta monetária" defina melhor o que é inflação.
  • William  02/04/2017 21:17
    Realmente, na faculdade ensinam que a inflação é o aumento de preços, e não uma consequência da mesma.
    Por diversas vezes tive que debater com meu professor de macroeconomia que o aumento dos preços se tratava de uma das consequências, não a inflação por si.
    Sem ofensas, mas acho que esses coroas professores pararam no tempo. Para eles, o ápice do liberalismo é Adam Smith.
    Triste nunca ter ouvido falar de Mises, Hayek, Rothbard e afins, nem na escola e nem na faculdade.
    Felizmente este site nos presenteia com diversos artigos bem escritos e diretos, que nos possibilita pelo menos questionar os 'dotores' que hoje lecionam matérias nas universidades...
  • Tony  31/03/2017 11:31
    Excelente, me lembro de ser adolescente em meados dos 90s meu pai era um operário qualificado em uma multinacional, ganhava R$1600,00, vivíamos muito bem, pessoal gosta de argumentar do salário mínimo de R$100,00 e do desemprego, mas meus amigos e eu conseguimos empregos aos 16 anos que pagavam de R$300 a R$500 só por saber informática e inglês. Agora vejam como vive um típico operário qualificado, e pior ainda os jovens de 16 anos.
  • alerj  31/03/2017 11:32
    Reservas Internacionais

    queria lembrar q todo ano o BC emite dinheiro e credita na conta do tesouro por conta da desvalorização das reservas internacionais

  • 300esparta  31/03/2017 11:32
    Então é essa expansão monetária e de crédito que explica o porque que qualquer casa mal-feita perto de favela custa meio milhão de reais???
    O problema é que o salário e a renda não sobem junto com essa expansão.
  • Leandro  31/03/2017 12:57
    Correto. O governo expandiu o crédito imobiliário via bancos estatais e estimulou as pessoas a se endividarem (a juros baixos) para sair comprando casas. Tal estímulo, além de aumentar a oferta monetária, elevou a demanda por imóveis. Os preços subiram.

    Só que, no que tange ao setor imobiliário, o buraco é mais embaixo: o governo, ao estimular a expansão do crédito imobiliário via bancos estatais, encareceu artificialmente os preços das moradias.

    Mesmo com a SELIC a 14,25%% ao ano, a Caixa Econômica Federal e o Banco do Brasil ofereciam empréstimos para a aquisição de imóveis a juros de 7% ao ano.

    Um banquete para os especuladores imobiliários.

    Quanto mais crédito farto e barato (os empréstimos dos bancos estatais são baratos porque o Tesouro repassa dinheiro de impostos a esses bancos, o que permite que eles cobrem juros menores), maior a demanda artificial por imóveis. Logo, mais os preços sobem.

    Os ricos, por causa de sua menor propensão ao calote, têm acesso fácil a financiamento imobiliário barato e subsidiado pelo estado. Os preços sobem e, consequentemente, os pobres são empurrados para o "Minha Casa Minha Vida", um programa estatal criado exatamente para tentar remediar os efeitos inflacionários nos imóveis causados pela expansão do crédito estatal (ou seja, para tentar facilitar a aquisição de imóveis pelos mais pobres).

    O estado cria um programa (Minha Casa Minha Vida) para remediar os efeitos causados por outro programa (crédito barato de bancos estatais para a compra de imóveis, utilizado pelos mais ricos).

    Ao incentivar a demanda por imóveis do MCMV, os preços destes também sobem.

    No final, tudo ficou mais caro.

    E a consequência é que os pobres ficaram ou sem casa (indo pras favelas) ou endividados pro resto da vida.

  • Victor Hugo  02/04/2017 17:30
    Leandro, qual era esse programa imobiliario antes do MCMV que os ricos utilizavam?
  • Angelo Antunes  02/05/2017 20:04
    Leandro, pode por favor dar uma olhada nesse artigo do Humberto matos e rebater, ele trata justamente de que a expansão monetária não é a causa real da inflação.Se puder dar uma olhada fico grato, me encabulou isso.
    https://www.facebook.com/humbertosaiadamatrix/posts/1916700058574503
  • Delon  02/05/2017 23:54
    Fácil. Por gentileza, só pela sua memória, descreva os três principais argumentos do texto linkado. Sintetize para uma pessoa leiga, de maneira coerente, quais são os argumentos desse texto.

    P.S.: se você não conseguir se lembrar dos argumentos que um determinado autor utilizou, por que você irá se lembrar dos contra-argumentos que outro autor irá apresentar?
  • Henrique  31/03/2017 11:52
    Bom dia a todos

    No caso do Brasil não haveria uma inflação estrutural de 3 a 4% ao ano? Digo isso pois mesmo com o Bacen sendo liderado por economistas ortodoxos como Gustavo Franco e Armínio Fraga, a inflação nunca é menor que isso ou até bem maior.


    Abraços.
  • Leandro  31/03/2017 13:02
    Sim, pois o próprio Banco Central, ao estipular uma meta de 4,50% para inflação, estimula ele próprio uma remarcação de preços a esta taxa. O simples fato de o Banco Central estabelecer uma meta de inflação relativamente alta (4,50%) já é um agravante: afinal, se a meta é 4,50%, eu irei anualmente reajustar meus preços em, no mínimo, 4,50%. Por que reajustaria em menos sabendo que o próprio Banco Central deseja que todos executem essa carestia mínima?

    Se eu reajustar em menos, posso ficar sem poder aquisitivo para comprar aqueles bens e serviços que reajustaram igual à ou acima da meta de inflação. Ao estipular uma meta de inflação, o próprio BC já estimula que essa seja a inflação mínima.

    É claro que, no final, tal reajuste só vai se concretizar se houver expansão monetária (atualmente, por causa da contração, o IPCA tende a ficar abaixo de 4,50%). Mas, havendo expansão, então a carestia mínima tenderá a ser de 4,50%. Por obra e graça do Banco Central.
  • brunoalex4  31/03/2017 15:53
    Elogiar os textos do Sr. Leandro Roque é chover no molhado.

    Mas vou elogiar assim mesmo.

    EXCELENTE TEXTO!!!
  • Paulo Filipe  31/03/2017 12:03
    Minha única critica é que o texto dá a entender que, ao passo que a elevação da base monetária gera inflação (que é ruim) ela aumenta ainda mais a renda das famílias (que é bom). Logo, a elevação da base monetária é sempre bom.
  • Leandro  31/03/2017 12:45
    E aumenta a renda mesmo. Só que tudo vai depender de quem são as pessoas que primeiro recebem esse dinheiro recém-criado. Toda a teoria monetária da Escola Austríaca gira em torno disso.

    O aumento da oferta monetária não acontece de forma uniforme e homogênea. A quantidade de dinheiro não aumenta para todos, na mesma proporção.

    O dinheiro sempre entra, primeiramente, na conta bancária de alguém. Essa pessoa agora possui mais dinheiro e, consequentemente, um poder de compra mais alto. E com um detalhe: os preços dos bens e serviços ainda não se alteraram.

    Vale repetir: a quantia adicional de dinheiro que entra na economia não vai parar diretamente nos bolsos de todos os indivíduos: sempre haverá aqueles que estão recebendo esse dinheiro antes de todo o resto da população.

    As pessoas que primeiro receberem esse novo dinheiro estão agora em posição privilegiada: elas podem gastar esse dinheiro comprando bens e serviços a preços ainda inalterados. Se a quantidade de dinheiro em seu poder aumentou e os preços ainda não se alteraram, então obviamente sua renda aumentou. Essas são as pessoas que ganham com a inflação monetária.

    No entanto, à medida que esse dinheiro é gasto e vai perpassando todo o sistema econômico, os preços vão aumentando (afinal, há mais dinheiro na economia). E é aí que começa a haver uma discrepância: os preços vão subindo, mas este novo dinheiro ainda não chegou às mãos de todas as pessoas que compõem a economia. Essas são as pessoas que perdem com a inflação.

    Somente após esse novo dinheiro ter perpassado toda a economia -- fazendo com que os preços em geral tenham subido -- é que ele vai chegar (se chegar) àqueles que estão em último na hierarquia social. Assim, quando a renda nominal desse grupo subir, os preços há muito já terão subido.

    Logo, houve uma redistribuição de renda: aqueles que receberam primeiro esse novo dinheiro obtiveram ganhos reais. Com uma renda nominal maior, eles puderam comprar bens e serviços a preços ainda inalterados. Já aqueles que receberam esse novo dinheiro por último tiveram perdas reais. Adquiriram bens e serviços a preços maiores antes de sua renda ter aumentado. Houve uma redistribuição de renda do mais pobre para o mais rico.

    Se você estiver entre os primeiros a receber este dinheiro, sua renda real aumentou. Se estiver entre os últimos, sua renda real diminuiu você se estrepou.

    Uma grande parcela de desigualdade de renda é explicada por este fenômeno.

    Como a expansão monetária orquestrada pelo governo piora artificialmente a desigualdade de riqueza

    Sobre a não neutralidade da moeda

    A tragédia da inflação brasileira - e se tivéssemos ouvido Mises?

    Cinco medidas do governo que aumentam a concentração de renda
  • Paulo Filipe  31/03/2017 13:02
    Compreendo. Mas a elevação da renda das famílias (mais pobres) a um nível maior que a inflação não implica em dizer que a elevação da base monetária (como único determinante de preços) foi benéfica para estas famílias?
  • Leandro  31/03/2017 13:15
    Se a renda das famílias pobres de fato aumentou mais que a inflação de preços, então sim, ela se deu bem.

    Só que tem um probleminha chato chamado realidade: toda expansão do crédito sempre termina em recessão. Sempre. O tamanho e a profundidade da recessão serão de acordo com a duração e profundidade da expansão do crédito.

    Durante os anos Lula, a renda das famílias mais pobres aumentou mais que a inflação de preços. Por quê? Porque a expansão do crédito estava acelerada, mas os preços estavam contidos. Esse fenômeno à primeira vista atípico foi explicado neste artigo:

    O que realmente permitiu o grande crescimento econômico brasileiro da última década

    E o que aconteceu em seguida? Toda essa expansão resultou em uma grande inflação de preços e recessão econômica. E a própria expansão do crédito se contraiu (ou seja, o dinheiro literalmente sumiu). E aí essas famílias pobres que chegaram a ser beneficiadas pela expansão do crédito voltaram para a pobreza.

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,cresce-o-numero-de-brasileiros-em-situacao-de-pobreza-extrema,1625182

    Não há mágica em economia. O que vem fácil vai fácil.
  • Paulo Filipe  31/03/2017 13:53
    Adorei o seu artigo e a ultima resposta foi bem esclarecedora, porém, Friedman e Phelps descrevem como em uma taxa de desemprego natural (NAIRU) os preços (reais) não se alteram no longo prazo, penso que esta ideia é quase inquestionável.

    Por outro lado, quando a taxa de desemprego é maior que a NAIRU, uma elevação na base monetária provoca o aumento da renda das famílias a taxas maiores que a inflação mesmo no longo prazo (neo-keynesianos). Este efeito se deve a redução do nivel de desemprego à uma taxa próxima a NAIRU. A partir do atingimento da taxa de desemprego natural, as políticas de Friedman e Phelps são possíveis viabilizadas.
  • Ex-Chicago  31/03/2017 14:09
    Paulo, só que essa tesa de Friedman traz em si uma incoerência. Ela foi abordada aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2556

    Aliás, o que seriam "preços reais"?

    Salário real é um conceito perfeitamente compreensível. É o salário nominal dividido pelo "nível de preços". Agora, o que seria "preço real"? É o preço nominal dividido pelo quê?

    O próprio conceito de "nominal" e "real" só existe justamente porque a variável preço entra no denominador. Já com "preço real", qual é o denominador?

    Qual é o "preço real" da picanha hoje?
  • Paulo Filipe  31/03/2017 14:18
    Desculpe, me expressei mal. Quando coloquei (real) quis dizer que somente o preço foi alterado no longo prazo, só depois da sua resposta eu percebi que se retirar o "(real)" a frase faz mais sentido.
  • anônimo  03/04/2017 14:18
    Pelo que eu entendo nem precisava a renda de ninguém aumentar. Se a base monetária nunca aumentasse, fosse fixa, o aumento da produtividade e da população causaria uma deflação. E no final todo mundo iria ganhar menos e comprar mais com menos dinheiro.
  • Roberto  03/04/2017 15:29
    Correto. É exatamente isto. O crescimento econômico é algo por definição deflacionário. Ha mais bens e serviços sendo ofertados na economia. Logo, os preços unitários teriam de cair. Por que não caem? Porque a quantidade de dinheiro aumenta continuamente.

    Mito: crescimento econômico causa inflação
  • Bruno Cabral  31/03/2017 12:27
    Parabéns pelo texto bem fundamentado Leandro, mas tem umas coisas básicas que eu não entendo. Por exemplo, por que no gráfico 1 - o que expressa a quantidade de dinheiro físico na economia - a curva de crescimento apresenta uma série de picos e quedas ao longo dela?
  • Leandro  31/03/2017 13:14
    Os picos ocorrem em dezembro e são temporários (eles são desfeitos já em janeiro). Tais picos são para acomodar a maior demanda temporária por dinheiro (que se traduz em mais saques das contas-correntes e em mais liquidez para o comércio) por causa das festas de fim de ano. Em alguns casos, há também a influência do 13º salário.
  • Igor  31/03/2017 12:32
    Nobre Leandro, parabéns por mais um excelente artigo.

    Você não tem ideia de como me sinto bem ao ter descoberto os ensinamentos da Escola Austríaca, principalmente sobre a causa da inflação de preços.

    Somos doutrinados a acreditar que a inflação de preços é causada pelos empresários, pela Selic, pelas expectativas, pela dominância fiscal, pela correção monetária (inercial), etc, quando o motivo é tão simples: aumento da oferta monetária.

    Infelizmente, as sociedades Brasil à fora ainda acreditam no bla bla bla keynesiano. Porém, me conforta ao menos eu saber a verdade e assim ter chances de me proteger.

    Aproveito, mais uma vez, para deixar meu agradecimento ao Instituto Mises Brasil e às tantas outras think tanks que divulgam as ideias do Liberalismo e da Escola Austríaca. E como forma dessa gratidão, sempre que posso faço doações para o IMB e essas outras instituições.

    Um fraterno abraço,

    Igor
  • Leandro  31/03/2017 14:09
    Nós é quem agradecemos suas palavras, prezado Igor. Grande abraço!
  • Fernando  31/03/2017 12:33
    André Lara Resenha pegou carona no sucesso do Gustavo Franco e do Edmar Bacha. Sua contribuição ao Plano Real deve ter sido apenas mostrar aos bons economistas citados o que não fazer, já que Lara também esteve no Plano Cruzado, Plano Collor, "Privatização" da Telebrás com reserva de mercado (agências reguladoras) e por aí vai. Fiquei um pouco decepcionado com o Marcos Lisboa e o Samuel Pessoa, erraram feio nessa também. Impressionante como a maioria dos ditos economistas brasileiros ainda não sabem o que é inflação.
  • Matias  31/03/2017 14:11
    Ao menos de acordo com o livro "3.000 Dias no Bunker", do Guilherme Fiúza, a participação do André Lara Resende no Plano Real foi ínfima.
  • alerj  31/03/2017 12:36
    Leandro

    eu estava lendo o artigo recomendado no artigo sobre o funcionamento da taxa Selic, mas surgiu uma duvida

    O BC pode comprar qq titulo anteriormente emitido pelo do Tesouro no open Market ou só os de sua carteira ?

    Att, Alerj
  • Trader  31/03/2017 13:33
    Pode comprar qualquer ativo em posse dos bancos. Qualquer ativo.
  • Messi  31/03/2017 12:48
    Leandro, um argumento comum de petistas é que a inflação pode ter aumentado trocentos porcento, mas o salário mínimo também aumentou mais do que os trocentos porcento anterior.
    Lógico que isso é um argumento ignorante já que a maioria da população ganha mais do que um salário mínimo.
    Por isso, para saber se nosso poder de compra aumentou, é necessário saber o aumento da renda per capita ou do salário médio e compará-la com o aumento da inflação, correto?
  • reinaldo  31/03/2017 14:26
    O artigo me lembrou de um desenho do Tio Patinhas onde as moedas começaram a se multiplicar sozinhas.
    Enquanto todos comemoravam, o velho Patinhas tentava explicar que dinheiro é como batatas: quando há demais, seu valor cai, e logo ninguém compraria mais nada com qualquer montante que possuísse.
    Em poucos dias uma passagem de ônibus custava milhares de pratas.

    Em resumo, o desenho ensinou mais de economia em poucos minutos, do que muitos anos de faculdade
  • Rafael  31/03/2017 14:40
    Ei-lo:

  • reinaldo  31/03/2017 16:01
    Obrigado!
    Eu nunca ia achar esse episódio sozinho!
  • Nilo  31/03/2017 14:30
    Vocês conseguem enxergar a importância desse artigo?

    Não tenho dúvida que esse pode ser o artigo que coloque a Escola Austríaca no noticiário nacional. Nós, leitores do IMB, temos a responsabilidade e o dever de compartilhar esse artigo nas redes sociais, e, principalmente, nos canais de comentários e mídias sociais dos economistas do Mainstream.

    Da mesma forma que o artigo do André Lara Rezende "viralizou" no meio econômico, esse artigo veio para ser o antídoto. Cabe a nós, leitores do IMB divulgá-lo.

    Imaginem esse artigo chegue na mão de um Alexandre Schwartsman ou Ricardo Amorim, e decidam fazer um artigo sobre ele?

    Já passou da hora de vermos economistas como Leandro Roque, Ubiratan Jorge Iorio, Fábio Barbieri, Fernando Ulrich entre outros nos principais meios de comunicação. Será que estou sonhando alto demais?

    Leitores do IMB, mãos a obra!
  • Max Stirner   31/03/2017 14:40
    E o salário mínimo ?

    Amigos do IMB, me expliquem o efeito do salário mínimo nisso tudo.

    Eu venho percebendo que o salário mínimo daqui a algum tempo vai passar dos mil reais, ta só aumentando a cada ano...em 2030 o salário mínimo vai ser o quê ? 2000/3000 reais ?? Quais as consequências disso na visão austríaca ?
  • Wagner  31/03/2017 16:36
    Explicado no artigo. Salário mínimo é um preço como qualquer outro. No caso, é o preço da mão-de-obra menos qualificada.

    Se a expansão monetária for alta e os preços se mantiverem temporariamente baixos -- isso pode ocorrer, por exemplo, em um cenário de dólar mundialmente fraco, como durante o governo Lula (explicado em detalhes neste artigo) --, então aumentos do salário mínimo não gerarão desemprego.

    Mas isso durará por pouco tempo. Sempre chegará o momento do acerto de contas, quando a inflação de preços vai subir mais aceleradamente para compensar todo o aumento da oferta monetária ocorrido. E aí esta mão-de-obra menos qualificada ficará desempregada.


  • alerj  31/03/2017 14:52
    Leandro

    a taxa de juros real atualmente é de 5 % a.a. para obtermos uma inflação de 4,5% a.a.

    sabemos q o judiciário brasileiro continuara favorecendo o devedor e q o governo continuara a ser gastao

    pois bem, diante dessas constantes, a inflação continuara a ser 4,5% nos anos seguintes com essa taxa de juros de 5%, ou e possível q ela diminua ainda mais (sendo possível inclusive baixar mais ainda a taxa real) a longo prazo ?
  • Eduardo Almeida  31/03/2017 15:01
    Caro Leandro,

    Acho que restou por explicar as razões que levam o BC a expandir a base monetária. Se eles sabem que isso vaia provocar aumentos de preços por que então o fazem?
  • Estudioso da EA  31/03/2017 15:14
    Porque a expansão do crédito -- principalmente uma expansão coordenada e harmonizada pelo BC -- ajuda o sistema bancário a ter lucros.

    A função precípua do Banco Central é exatamente esta. Há inúmeros artigos sobre isto no site.

    O Banco Central protege o sistema bancário formando um cartel bancário que impede que os bancos concorram entre si e que permite que os bancos operem reservas fracionárias sem riscos de insolvência. Para piorar o arranjo, o Banco Central garante socorrer os bancos em épocas de turbulência.

    Esse arranjo é fácil de entender.

    Os bancos operam com reservas fracionárias, o que significa que eles emprestam mais dinheiro do que o total que foi depositado neles. Falando mais popularmente, os bancos têm o poder de criar dinheiro. Esse dinheiro que os bancos criam do nada é um dinheiro eletrônico para o qual não há correspondente em papel-moeda físico. Trata-se do dinheiro que você utiliza como pagamento através de cheques ou cartão de débito, mas que não possui um correspondente valor em dinheiro físico dentro dos cofres dos bancos.

    Na ausência de um Banco Central, esse cenário de reservas fracionárias seria arriscado: poderia ocorrer uma expansão descoordenada do crédito. Os bancos mais expansionistas — aqueles que criam e emprestam mais dinheiro — correriam o risco de perder reservas para os bancos menos expansionistas. Se o Itaú criar mais dinheiro eletrônico que o Bradesco, esses dígitos eletrônicos do Itaú inevitavelmente cairão na conta de um correntista do Bradesco. Ato contínuo, o Bradesco exigirá, no fim do dia, que o Itaú faça a compensação desse crédito, enviando-lhe a correspondente quantia em dinheiro físico (nesse caso, cédulas e moedas metálicas), fazendo com que o Itaú perca reservas.

    No extremo, caso o Itaú houvesse expandido o crédito e o Bradesco tivesse adotado uma postura conservadora, o Itaú poderia ficar sem reservas, indo à falência.

    É nesse ponto que entra o Banco Central. Por meio de suas injeções de dinheiro no mercado interbancário (explicadas em detalhes neste artigo), ele pode "supervisionar e controlar" a expansão do crédito — ou, falando mais diretamente, ele irá harmonizar essa expansão, estimulando os bancos a criarem dinheiro concomitantemente e no mesmo ritmo.

    Se todos os bancos expandirem o crédito na mesma velocidade, então não haverá o risco de um banco ir à falência porque criou mais dinheiro que outro banco. Quando os bancos expandem o crédito simultaneamente, a quantidade de dígitos eletrônicos do banco A que vai parar na conta do banco B é praticamente a mesma que vai de B para A, de modo que, no momento da compensação, se cancelam.

    Tal arranjo permite que os bancos mantenham em suas reservas menos dinheiro do que manteriam caso não houvesse um banco central. Em outras palavras, tal arranjo aumenta a capacidade dos bancos de criar dinheiro do nada, aumentando consequentemente seus lucros. E o melhor de tudo: lucros altos e sem risco de insolvência.

    É por isso que os bancos defendem a existência do Banco Central. É o Banco Central quem forma e coordena esse cartel. Sem um Banco Central, não haveria essa expansão coordenada do crédito, pois sempre haveria o risco de um banco furar o acordo, sair do cartel, exigir a compensação dos dígitos eletrônicos e, com isso, levar os concorrentes à falência. Para que haja coordenação, os bancos precisam de um cartel. E para coordenar esse cartel, para disciplinar os bancos "rebeldes", é preciso um Banco Central.

    Um Banco Central, portanto, permite que os bancos expandam o crédito sem o risco de se tornarem insolventes, aumentando sobremaneira os lucros deste setor. E com um benefício adicional: caso haja alguma corrida bancária, ou caso algum banco se torne insolvente porque fez maus empréstimos, o Banco Central sempre poderá criar dinheiro para socorrer este banco.

    Essa garantia de proteção estimula os bancos a expandirem ainda mais o crédito, medida essa que gera os ciclos econômicos, os quais destroem capital e riqueza da economia e fazem com que, no longo prazo, a sociedade esteja menos rica do que poderia ser.

    Dois artigos sobre isso:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1015
  • AndreyDKS  03/04/2017 18:11
    PQP é pílula vermelha atrás de pílula vermelha! Bom post pora!
  • Eduardo Almeida  31/03/2017 17:51
    De todo modo há uma criação primaria de moeda por parte do BC. os bancos pelo que entendi criam moeda a partir dessa expansão primária. Assim seria preciso explicar a expansão primária pelo BC. Uma explicação, que não me parece convincente, seria a tese da captura do BC por parte do bancos privados.
  • Leandro  31/03/2017 18:15
    Tudo o que o leitor "Estudioso da EA" falou está correto, mas ainda é secundário. A principal função de um Banco Central, em qualquer país do mundo, é a mesma: financiar os déficits do governo.

    Caso não existisse um banco central, a quantidade de dinheiro na economia se manteria relativamente constante; ela poderia ser aumentada temporariamente pelo sistema bancário caso este praticasse reservas fracionárias, porém essa expansão seria relativamente restrita. Sendo assim, com a quantidade de dinheiro relativamente constante, haveria um limite tanto para a quantidade que o estado poderia arrecadar via impostos quanto para a quantidade que ele poderia tomar emprestado junto aos bancos.

    Quanto mais o estado se endividasse, quanto mais dinheiro ele tomasse emprestado, menos dinheiro sobraria para os bancos emprestarem para pessoas e empresas. Consequentemente, maiores seriam os juros cobrados sobre esses empréstimos — afinal, a quantidade de dinheiro a ser emprestada ficou reduzida, pois o governo abocanhou grande parte para cobrir seus gastos.

    Logo, o estado simplesmente não poderia sair se endividando continuamente, pois inevitavelmente chegaria um momento em que os juros estariam em níveis calamitosamente astronômicos. Da mesma forma, ele não poderia sair aumentando impostos para saciar sua sede por recursos, pois poderia acabar incitando uma revolta popular.

    É nesse cenário que entra a genialidade por trás da criação de um banco central. Um banco central resolve esses dois problemas numa só tacada: imprimindo dinheiro.

    Atualmente, o Banco Central brasileiro não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao governo. A Lei de Responsabilidade Fiscal, de 2000, proibiu esse tipo de financiamento direto. Entretanto, isso ocorria até meados da década de 1990. Naquela época, o governo mandava para o Congresso uma proposta pedindo autorização para que o Banco Central imprimisse uma determinada quantia de dinheiro para cobrir o déficit orçamentário do governo. E o Congresso sempre aprovava. Era simples assim mesmo: o governo coletava $1.000 em impostos, mas queria gastar $2.000. Solução? Imprima os $1.000 restantes. Depois que a inflação de preços atingiu alguns bilhões por cento, os gênios finalmente resolveram acordar pra realidade.

    Hoje, como dito, o Banco Central não imprime dinheiro para entregá-lo diretamente ao Tesouro. Entretanto, na prática, ele continua fazendo exatamente isso, só que agora de maneira indireta. E é esse o truque genial do qual quase ninguém se dá conta.

    Funciona assim: quando o Banco Central quer expandir a base monetária, ele precisa realizar aquilo que chamam de operações de mercado aberto (open market) — isto é, o Banco Central compra títulos públicos que estão em posse dos bancos; exatamente aqueles títulos que os bancos adquiriram do Tesouro quando emprestaram dinheiro ao governo.

    Falando mais explicitamente, o Banco Central cria dinheiro para comprar esses títulos que estão em posse do sistema bancário. Atualmente, essa é a única maneira legal de o Banco Central criar dinheiro. Como o Banco Central faz isso? Grosso modo, ele aperta um botão no computador e acrescenta alguns dígitos na conta (as reservas compulsórias) que o banco que está vendendo os títulos possui junto ao Banco Central. De onde veio esse dinheiro? De lugar nenhum. O Banco Central o criou do nada. Nenhuma outra conta foi debitada. A base monetária expandiu magicamente; as reservas desse banco aumentaram.

    Agora, imagine que você é um banqueiro. Você, por causa das reservas fracionárias, pode criar dinheiro do nada e utilizar esse dinheiro em algum investimento. Você também sabe que a maneira como o Banco Central cria dinheiro é comprando títulos públicos que estão em sua posse. Logo, não é preciso ser nenhum gênio das finanças para entender que o investimento mais óbvio e seguro que você pode fazer é justamente comprar os títulos públicos que o Tesouro põe à venda. Em outras palavras, você alegremente vai financiar o déficit do governo, pois sabe que esses títulos que você vai comprar do Tesouro serão mais tarde comprados pelo Banco Central, pois é assim que ele faz política monetária.

    É justamente por saberem que os títulos do Tesouro serão comprados pelo Banco Central — o que significa que eles possuem um mercado de revenda garantido e de alta liquidez —, que os bancos animadamente financiam o déficit do governo. Ou seja, aquilo que antes era feito diretamente — com o BC dando dinheiro diretamente para o Tesouro —, agora passou a ser feito indiretamente, só que um adicional: agora os bancos entraram nesse arranjo e lucram enormemente com isso.
  • anônimo  31/03/2017 19:18
    Leandro, dado que um governo esbanjador recorre a amplos déficits, dessa forma dragando recursos do sistema financeiro e escasseando o crédito para o setor produtivo (como ocorreu com o Japão), gostaria de uma informação:

    Existe algum dado sobre o impacto que o endividamento do governo tem sobre o total de empréstimos que os bancos realizam?
  • Leandro  31/03/2017 20:12
    Com essa métrica específica eu desconheço. Mas há vários estudos sobre o impacto de uma dívida alta (que exige contínuos e volumosos refinanciamentos) no crescimento econômico. Aliás, não só Japão como toda a Europa chegou a esse ponto.
  • anônimo  01/04/2017 00:07
    Acho que poderia ser algo do tipo:

    Quanto o governo pegou emprestado nos últimos doze meses? Quanto os bancos concederam em empréstimos para o setor privado nesse mesmo período?
  • Mauro Filho  20/04/2017 13:49
    Fiquei um pouco confuso... Tinha me rido de um panfleto sobre a greve geral contra as reformas do governo Temer --- com frases como esta: "Os lucros dos banqueiros (...) não podem estar acima (...) da soberania da Nação" --- e lamentado pela ignorância da gente que acha que o dinheiro do governo não acaba nunca. Contudo, pelas explicações dadas aqui, o panfleto tinha mais razão do que eu pensava...
  • Garcia  31/03/2017 15:03
    PArabéns pelo texto que é fácil de ser compreendido até por mim que sou leigo em economia. O que o banco central deveria fazer pra diminuir a inflação?
  • Edson  31/03/2017 15:17
    No longo prazo? Reduzir a expansão da base monetária. Mas isso não ocorrerá pelos motivos perfeitamente explicitados pelo leitor "Estudioso da EA" logo acima.
  • Pobre Paulista  31/03/2017 16:25
    O fato do aumento acumulado da inflação ser muito menor que o aumento acumulado da base monetária é explicado pelo fato de ter havido, de fato, um aumento na oferta de bens e produtos?
  • Economista  31/03/2017 16:36
    Correto. Se a quantidade de dinheiro aumenta 10%, mas a oferta de bens e serviços aumenta 5%, então, tudo o mais constante, o aumento dos preços será de 5% e não de 10% (sim, matemática bem grosseira, mas a realidade é esta).
  • Tiago  31/03/2017 16:47
    Pobre Paulista, só para ressaltar, que realmente causa elevação de preços é a "oferta monetária" (papel-moeda em poder do público, depósitos em conta-corrente, em caderneta de poupança etc.) e não a "base monetária".

    É claro que, em condições normais, a base monetária se transforma em oferta monetária. Porém, em situação atípicas -- como atualmente nos EUA --, o próprio Banco Central toma medidas para impedir que a base monetária se transforme em dinheiro.
  • Pobre Paulista  31/03/2017 18:15
    Obrigado pela correção, eu realmente me referia à oferta e não à base monetária.
  • Eduardo Mendes  31/03/2017 16:34
    Ótimo artigo.
  • Leandro  31/03/2017 17:43
    Obrigado, Eduardo. Grande abraço!
  • Francisco  31/03/2017 16:40
    Por que o Banco Central não dá esse dinheiro diretamente para as pessoas, ao invés de passar por um intermediário? Isso não seria só uma forma de subsidiar os Bancos?
  • Gustavo Franco  31/03/2017 16:46
    Isso de certa forma ocorria até meados da década de 1990. Até aquela época, o BC era livre para imprimir dinheiro e entregar diretamente para o Tesouro, o qual então repassava esse dinheiro para funcionários públicos.

    O resultado? A hiperinflação.

    Hoje, ele é proibido de fazer isso (pela Lei de Responsabilidade Fiscal).

    Na Venezuela, o Banco Central ainda age assim (imprimindo dinheiro livremente e repassando para as pessoas). Eu não tenho inveja deles.
  • Pedro Malan  31/03/2017 19:32
    Porque fica muito mais "fácil" controlar o crédito na economia desse modo. Um sistema cartelizado de bancos girando em torno de um planejador central(BACEN)

    Aliás, o motivo para criarem bancos centrais era ter um prestamista de ultima instância.
  • Pedro  31/03/2017 16:55
    Leandro, onde entra a questão do câmbio nessa linha raciocínio?
  • Leandro  31/03/2017 17:41
    Taxa de câmbio nada mais é do que o preço de uma moeda cotado em outra moeda. O câmbio está sujeito às mesmas regras da oferta e demanda. No caso do real, menor oferta de dinheiro, maior seu preço em dólar.

    Por isso que, após ter batido em R$ 4,20 em setembro de 2015, o dólar hoje barateou para R$ 3,15. Fortalecimento este causado majoritariamente pela restrição de oferta de real em relação ao dólar.
  • anônimo  31/03/2017 17:14
    Leandro, uma dúvida:

    Você já tinha dito que a carestia havia sido contida por causa do fortalecimento do real. No presente artigo (excelente), afirma que os preços se contiveram em face a contração monetária. Qual seria então o principal motivo do controle da inflação?
  • Leandro  31/03/2017 17:42
    "Você já tinha dito que a carestia havia sido contida por causa do fortalecimento do real."

    Correto. Fortalecimento este causado majoritariamente pela restrição de sua oferta.

    Taxa de câmbio nada mais é do que o preço de uma moeda cotado em outra moeda. O câmbio está sujeito às mesmas regras da oferta e demanda. No caso do real, menor oferta de dinheiro, maior seu preço em dólar.

    "No presente artigo (excelente), afirma que os preços se contiveram em face a contração monetária. Qual seria então o principal motivo do controle da inflação?"

    Um está ligado ao outro, como explicado acima.

    Obrigado pelo elogio e grande abraço!
  • Iniciante  31/03/2017 17:19
    Olá,

    esse artigo é muito interessante, uma aula. Entretanto, eu, que não sou da área, fiquei com a seguinte dúvida:

    essa expansão monetária não favorece o crescimento econômico também? Se não houvesse o crédito criado, como haveria a criação de novos negócios e expansão dos já existentes?

    O principal trecho do artigo que me levou a essa dúvida foi:

    "Não houvesse um Banco Central com o poder de imprimir dinheiro infinitamente — e o Banco Central realmente pode imprimir dinheiro o quanto quiser —, os bancos não poderiam emprestar continuamente a pessoas, empresas e governo. Consequentemente, a quantidade de dinheiro na economia teria um crescimento extremamente limitado."

    Isso não limitaria o crescimento econômico também?

    Poderiam esclarecer?
  • Leandro  31/03/2017 17:42
    "essa expansão monetária não favorece o crescimento econômico também?"

    Sim para o curto prazo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1943


    E não para o longo prazo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=992

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1457

  • Iniciante  01/04/2017 01:47
    Obrigado pela resposta e pelos links indicados.
  • Felipe  31/03/2017 17:27
    O governo Temer está ajudando como ninguém a limpar a imagem da Dilma.
  • Bruno Feliciano  31/03/2017 17:43
    Pessoal, o que vocês acham sobre a Recuperação Judicial?

    Algum artigo sobre isso? Ando com uns pensamentos meio contra esse dispositivo legal.



    Abraços
  • Emerson  31/03/2017 17:46
    Normalmente é uma maneira juridicamente legal de dar o beiço em seus credores. Tanto é que só 1% das empresas sai da recuperação judicial no Brasil
  • Mário  31/03/2017 18:30
    Outro excelente artigo.

    Aliás, os elogios, justos, estão ficando repetitivos.

    Eis um exemplo de extrema didática e lucidez do Fernando Ulrich:

    "Meu colega de trabalho Fernando Ulrich foi quem resumiu perfeitamente a sequência: as expectativas de inflação sobem por causa da dominância fiscal; empresários aumentam seus preços; mas está havendo contração monetária. Consequentemente, empresários não conseguem vender; os estoques se avolumam; eles são obrigados a baixar os preços (ou a parar de aumentá-los). Os índices de preços entram em queda (ou ficam estáveis). Fim do processo de aumento acelerado de preços".

    Parabéns Leandro e Fernando!
  • Leandro  31/03/2017 20:08
    Obrigado pela grande gentileza, prezado Mario. Elogios não só nunca são repetitivos, como ainda são um eficiente combustível.

    Grande abraço!
  • Bode  31/03/2017 18:42
    Existem países que passam por expansão monetária intensa sem inflação. As expectativas dos empresários e consumidores, a confiança em relação ao futuro, também influenciam os preços. Flutuações na oferta e demanda por produtos e crédito são acompanhadas de contração ou expansão monetária como epifenômeno, quando não existe intervenção do banco central. Não da para generalizar a expansão monetária como única causa de inflação. É como tentar resolver uma equação de várias variáveis conhecendo-se apenas uma delas.
  • Touro  31/03/2017 18:56
    "Existem países que passam por expansão monetária intensa sem inflação."

    Qual? Cite um único país que tenha passado por uma "expansão monetária intensa" e cujos preços tenham se mantido inalterados, sendo hoje os mesmos de vinte anos atrás.

    Quanto ao resto que você falou, tudo foi abordado -- e respondido -- no artigo.
  • Bode  31/03/2017 20:44
    Os EUA patrocinaram a maior expansão monetária que se tem notícia na história. O BCE segue no mesmo caminho e a inflação continua comportada no primeiro e na Europa.
  • Ulysses  31/03/2017 21:32
    Lamento informar, Bode, mas você foi enganado. Aliás, é nisso que dá ficar se informando pela imprensa, sem correr.

    Não houve nenhuma expansão monetária nem nos EUA e nem na Europa. O Fed de fato expandiu absurdamente a base monetária, mas este dinheiro não entrou na economia. Ele ficou retido nos bancos. E não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte.

    Eis a evolução da oferta monetária nos EUA desde 2000.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201701060828r&d1=20000113&d2=20170113

    Por favor, aponte a "maior expansão monetária que se tem notícia na história".

    Agora, zona do euro:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/euro-area-money-supply-m2.png?s=emuevolvmonsupm2&v=201703311845t&d1=20000331&d2=20170331

    A oferta monetária hoje lá cresce menos do que antes de 2008.

    De novo, cadê a "maior expansão monetária que se tem notícia na história"?

    Dica, jamais se informe exclusivamente pela imprensa. Você vai acabar fazendo papel de bobo.

    Dois artigos para você, que explicam exatamente o que aconteceu:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497

  • Marconi Soldate  31/03/2017 19:09
    Artigo top! Parabéns ao Leandro Roque que será nosso candidato a dep. federal pelo Partido Novo. Belo trabalho!
  • Leandro  31/03/2017 20:06
    Bom vê-lo de volta por aqui. Obrigado pelas palavras, meu caro. Grande abraço!
  • IRCR  31/03/2017 19:32
    Leandro,

    Seria possível, por exemplo, caso o dólar se fortificasse brutalmente, fazendo com que as demais moedas no mundo desabassem e mesmo com o Real em contração monetária, a inflação de preços no Brasil poderia ficar persistidamente elevada em médio e longo prazo ?
  • Leandro  31/03/2017 20:12
    Não consigo visualizar. Uma "brutal" valorização do dólar aumentaria a taxa de câmbio e isso, de fato, encareceria importações. A inflação de preços aumentaria de imediato. Mas acabou aí o processo. Não há por que os preços continuarem subindo contínua e ininterruptamente. A oferta monetária estaria caindo e isso, por si só, impediria contínuas apreciações do dólar. Adicionalmente, com oferta monetária em queda, não há espaço para remarcações de preços.

  • Wagner Pires  01/04/2017 13:14
    Não seria o caso de se compor as taxas inflacionárias dos dois países em questão?

    Quanto da valorização do dólar, provocada pela política contracionista do FED poderia ser debelada pela política contracionista do BACEN? Tenho em conta que a nossa moeda, a médio e longo prazos vai depender muito mais do que o BACEN vai fazer do que o comportamento do FED.

    Um detalhe: em 2015, quando a nossa inflação alcançou dois dígitos (10,67%) o repasse cambial sobre a inflação representou, no máximo, a 1,57% . Ou seja, 14,7% do IPCA.
  • Mauricio  31/03/2017 20:41
    Eu aprendi tudo isso aos 9 anos, assitindo um desenho do Tio Patinhas... Impressionante como os acadêmicos não aprenderam essa simples lição que era ensinada em um desenho animado...
  • Paulo HM   31/03/2017 21:16
    Leandro, entendo que aumento de quantidade de dinheiro na economia causa inflação devido da desvalorização(e também, todos os efeitos disso, como os ciclos econômicos, bolhas, etc..) , mas qual o peso da confiança sobre aquela moeda, o banco central, etc, pode causar na inflação ? Por exemplo, imagine o governo do Brasil com frequentes deficits e mesmo assim a expansão monetária reduzindo de velocidade. Tal medida não levaria a uma incerteza sobre o Brasil, e consequentemente, uma desvalorização do Real ? Se sim, o que causaria isso?

    Vejo algo semelhante nos EUA, menor desvalorização do dolar devido a menor expansão de dinheiro, mas também não sei se uma explosão no deficit poderia reverter esse efeito
  • Leandro  31/03/2017 21:46
    "qual o peso da confiança sobre aquela moeda, o banco central, etc, pode causar na inflação ?"

    No curto prazo, muito. Vivemos isso em 2015 e primeira metade de 2016. Este mesmo Instituto fez vários alertas quanto a isso. Já no longo prazo, porém, o que manda é a oferta monetária.

    Como sempre disse o grande economista Steve Hanke, "money dominates".

    "Por exemplo, imagine o governo do Brasil com frequentes déficits"

    É assim desde 1994. Sempre tivemos déficit nominal (que é o que realmente importa).

    "e mesmo assim a expansão monetária reduzindo de velocidade. Tal medida não levaria a uma incerteza sobre o Brasil, e consequentemente, uma desvalorização do Real ?"

    Sim, no curto prazo. De novo, isso aconteceu em 2015 e primeira metade de 2016. Com oferta monetária em contração, não há como uma moeda se desvalorizar aceleradamente. É questão básica de oferta e demanda. A oferta da moeda está diminuindo. A única maneira de o preço dela cair ainda mais seria se a demanda por ela caísse ainda mais. Mas isso só aconteceria em cenários apocalípticos, muito além da guerra civil. Afinal, as pessoas precisam da moeda para fazer transações.

    "Vejo algo semelhante nos EUA, menor desvalorização do dolar devido a menor expansão de dinheiro, mas também não sei se uma explosão no deficit poderia reverter esse efeito."

    Se a explosão do déficit se transformar em expansão da oferta monetária, então certamente.
  • mauricio  31/03/2017 21:23
    Parabéns Leandro. O mundo gira tão rápido que eu já estava sentindo falta de seus brilhantes artigos. Você se supera sempre. Minha compreensão econômica é antes e depois de Leandro Roque. Estou ficando um craque. Que as forças celestiais continuem te iluminando. Novamente parabéns.
  • Leandro  31/03/2017 21:45
    Muito obrigado por essas palavras, caro Maurício. Esse tipo de reconhecimento é o que faz tudo valer a pena.

    Obrigado pelo prestígio e grande abraço!
  • Henriqu  31/03/2017 21:43
    Leandro Roque, por favor, confira meu raciocínio e, caso encontre algum erro, me diga qual e por que.

    Em linha com a segunda premissa que é "quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem demandar bens e serviços com este dinheiro", faltou considerar outra premissa que é "quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem ofertar bens e serviços com este dinheiro". Quanto mais dinheiro há na economia, menor é o seu preço e, quanto menor é o preço do dinheiro, menos atrativo é ofertar dinheiro em comparação com ofertar bens e serviços. Estou falando do custo de oportunidade. Juros mais altos tornam mais atrativo ofertar (aplicar) uma parcela do dinheiro do que utilizá-lo para ofertar bens e serviços. O preço do bem e/ou serviço precisa proporcionar uma rentabilidade no mínimo igual à rentabilidade de se ofertar dinheiro. Então, quando os juros sobem, a oferta de bens e serviços reduz até a quantidade em que o preço resultante proporcione uma rentabilidade no mínimo igual à rentabilidade proporcionada pelo novo preço do dinheiro. Então, quanto mais dinheiro há na economia, maior é a demanda e a oferta. A única oferta que não cresce com o aumento da quantidade de dinheiro é a oferta de divisas. Então o único e exclusivo motivo pelo qual a variação dos juros afeta a inflação é através da variação cambial que ela causa. Quando aumenta a quantidade de dinheiro na economia, os preços das divisas aumentam.
  • Atento  31/03/2017 21:59
    Não. Seu erro todo está aqui:

    "quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem ofertar bens e serviços com este dinheiro. Quanto mais dinheiro há na economia, menor é o seu preço e, quanto menor é o preço do dinheiro, menos atrativo é ofertar dinheiro em comparação com ofertar bens e serviços."

    É exatamente o contrário. Quanto menor o preço do dinheiro, quanto menor o seu poder de compra (pense na atual hiperinflação venezuelana), mais rapidamente as pessoas querem se livrar deste dinheiro.

    E o que é pior: ninguém quer aceitar esse dinheiro.

    Ninguém aceita abrir mão de bens — principalmente alimentos e outros produtos essenciais — em troca de uma moeda sem poder de compra nenhum. Escassez e desabastecimentos se tornam rotineiros. E você volta ao escambo.

    Uma moeda fraca destrói o aspecto econômico mais básico da economia de mercado, que é o sistema de preços. Consequentemente, sem uma formação de preços minimamente racional, todo o cálculo econômico permitido pelo sistema de preços — o cálculo de lucros e prejuízos, que é o que irá estimular investimentos — se torna praticamente impossível.

    Perceba que, pela sua lógica ("quanto mais dinheiro há na economia, mais as pessoas podem ofertar bens e serviços com este dinheiro"), uma hiperinflação geraria um cenário de extrema pujança, com a produção lá em cima, e com todas as pessoas alegremente abrindo mão de bens em troca de um pedaço de papel que não tem poder de compra nenhum. Faz sentido?
  • Henriqu  02/04/2017 21:17
    "Quanto menor o preço do dinheiro, quanto menor o seu poder de compra..."
    Uma coisa é o preço do dinheiro, ou seja, o juros, e outra coisa é o poder de compra do dinheiro, ou seja, os preços dos bens e serviços. Baseado nisso, sugiro que releia meu raciocínio. O que explico é que o que afeta o poder de compra do dinheiro, ou seja, o que afeta os preços dos bens e serviços, é a taxa de câmbio e, não, o juros, ou seja, o preço do dinheiro.
  • Marcelo  03/04/2017 03:08
    Não, Henriqu. Preço do dinheiro é exatamente a definição que foi dada pelo "Atento". Quanto custa você obter o dinheiro? Se uma dúzia de ovos custa R$ 12, então o preço de R$ 1 é um ovo. Você tem de dar um ovo para conseguir um real. Esse é o preço do dinheiro.

    Se o dinheiro se desvalorizar -- isto é, se o preço do dinheiro ficar mais barato --, então uma dúzia de ovos passará a custar R$ 24, o que significa que com um ovo você agora compra dois reais. O dinheiro ficou mais barato.

    Antes, você precisava de dois ovos para conseguir dois reais. Agora você só precisa de um ovo.

    Ou, colocando de outra maneira, antes um ovo lhe comprava R$ 1. Agora, um ovo lhe compra R$ 2. O dinheiro barateou (se desvalorizou).

    Já os juros não são o preço do dinheiro. Juros são o custo de você pegar dinheiro emprestado. Perceba que, quando você vende o ovo, o dinheiro é seu. Já quando você pega dinheiro emprestado, o dinheiro não é seu.
  • Henriqu  03/04/2017 18:07
    Tudo bem, tanto faz o nome correto de cada coisa. Se juros é custo ou preço, não altera a lógica do meu raciocínio. Posso escrever a idéia usando os termos que preferem: o que afeta o preço do dinheiro é o câmbio e, não, o juros.
  • Emerson  03/04/2017 18:59
    Ah, agora melhorou. Mas, ué, quem foi que disse que juros afetam o poder de compra do dinheiro? Certamente não este site. O que afeta, em última instância, é a oferta monetária. Câmbio afeta -- e muito -- no curto e médio prazo. No longo, a oferta monetária sobrepuja tudo.
  • Bruno Feliciano  03/04/2017 19:50
    Henrique,

    Juros é o preço do dinheiro PARA SER EMPRESTADO, eu ti combrar X juros é nada mais e nada menos que o preço que eu lhe cobro pra emprestar esse dinheiro. Por um lado, o cambio afeta ai. Se o dinheiro vale mais, provavelmente eu irei ti cobrar mais juros pra ti emprestar, afinal, você cobraria mais juros emprestando Dolar ou Real?

    Já o poder de compra, é a quantidade de bens e serviços que você consegue obter com a moeda.
    O exemplo do ovo ai é claro, nas transações, veja se você consegue ''levar mais com menos.'' No exemplo ai, aquela moeda que conseguir levar mais ovos com menos dinheiro, é a que tem o maior poder de compra sob as outras.

    Um ovo, um real.
    Um ovo, 50 centavos de Dólar.

    O Dólar tem mais poder. Com Ambos em mesma ''quantidade'', o Dolar consegue levar dois ovos enquanto o real consegue levar um só.

    Abraços
  • Davi  31/03/2017 22:24
    Leandro, uma moeda se desvaloriza com relação a outras, aumentando o preço de produtos importados, também não é uma causa para inflação, mesmo que não haja aumento na oferta monetária?
  • Eduardo  01/04/2017 02:57
    Sim, mas pontualmente. Seria um fenômeno caracterizado por um aumento único dos preços dos importados, e não por um aumento contínuo e duradouro de preços. Este só ocorre com expansão monetária.
  • Wagner Pires  01/04/2017 12:59
    Segundo o relatório trimestral da inflação do Banco Central, o repasse cambial foi responsável por 14,7% da inflação em 2015 e de 2,6% em 2016.

    Isso pode ser visto aqui com detalhes: www.bcb.gov.br/htms/relinf/port/2017/03/ri201703b6p.pdf
  • Bruno Feliciano  03/04/2017 19:20
    Davi, eu entendo que é assim:

    Se a moeda brasileira se desvalorizar por si só, como consequência do aumento da oferta monetária, ira causar uma inflação de preços geral, todos os produtos fabricados aqui, com ou sem matéria prima importada, irá inevitavelmente aumentar. Alem disso, quando se aumenta a oferta monetária, você desvaloriza a moeda e assim ela ira ficar mais fraca em relação as outras, e ai você pagar mais caro pra importar.

    Agora, quando as outras moedas se valorizam e o real não se valoriza(nem se desvaloriza), o que vai acontecer é que os produtos importados ficarão mais caros. Se o dolar ficar muito forte e o real se manter como está, os produtos importados dos EUA ficarão mais caros, mas não haverá inflação de preços doméstica. O Pastel que você come na esquina, vai manter o preço. O mesmo vale pro seu almoço de domingo.

    Agora se a moeda se desvalorizar, porque o BC aumentou a base monetária, ai alem de você importar mais caro(porque a moeda vai se desvalorizar pelo aumento da base), você ainda vai sofrer uma inflação aqui dentro, o pastel e o seu almoço ficarão mais caro, assim como o seu carro importado.

    Não se esqueça que, quem produz aqui, importa muita coisa. Matéria prima principalmente, logo o custo de produção vai aumentar e isso geraria inflação.

    Se as moedas estrangeiras se valorizarem e o real se desvalorizar, ai você tem um desastre, essa combinação vai inflacionar astronomicamente.


    Alguém me corrija se eu estiver errado,

    Abraços
  • claudio  01/04/2017 00:10
    Bom artigo, mas ainda faltou enfatizar corretamente o déficit público. Dado que todos são obrigados a aceitar reais, o déficit público continuado determinará uma expansão da base monetária...se a base estava em 250bi e o déficit está na ordem de 100 ou 150bi fica fácil notar a grande relevância da questão. Discorda Helio Beltrão?
  • Ricarod  01/04/2017 02:56
    Déficit público? Ainda anteontem foi publicado um artigo inteiro voltado para esse assunto. Era só você ter olhado.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578

    Sim, déficit público pode aumentar a oferta monetária. Mas o crédito para pessoas e empresas também. Aliás, até mesmo operações cambiais podem aumentar a oferta monetária. Por que exigir falar apenas sobre déficit público e não sobre todas essas também?

    De resto, parece que você se confundiu: todo o artigo acima fala sobre as consequências de um aumento da oferta monetária. O objetivo do artigo é estudar as consequências, e não as causas, de um aumento da oferta monetária.

    Para ver as causas da expansão monetária, sugiro estes artigos:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2578
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1854
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=344

  • claudio  01/04/2017 19:10
    Sim eu sei que a inflação é um fenômeno monetário, mas o déficit público é o maior causador da inflação (da expansão monetária). Pois crédito é algo positivo para a economia. Recaí sobre aquele argumento do friedman da diferença de vc gastar o seu dinheiro para vc ou gastar o dinheiro dos outros...
    Se um banco der "crédito de mais" ele pode quebrar...já se o governo fizer isso, a conta será paga com nova expansão monetária...
  • claudio  01/04/2017 00:12
    O autor afirma que o Samuel Pessoa é competente. Eu gostaria de saber com base exatamente no que é feita a afirmação? Ser amigo do Marcos Lisboa? Ter sido demitido da EPGE ? Qual o trabalho excelente que esse senhor já fez? Vc já leu os artigos dele na fsp sobre pedágio urbano, regulação do uber e um mais recente sobre queda do salário real/menos desemprego (erros crassos e absurdos em todos, só para citar alguns...)?
    Alguém aqui é amigo pessoal dele?
  • anônimo  01/04/2017 06:08
    Interessante as "refutações" que vemos por aí:

    "A explicação não está correta. A demanda por liquidez é efeito da expansão de preços e não o inverso como o texto sugere. Mesmo porque em todo este período mencionado os juros foram e ainda são os mais altos do mundo. A expansão de preços referida se deve basicamente às deficiências e deformidades do regime fiscal brasileiro. Precisam estudar mais!"
  • Ribeiro  01/04/2017 14:00
    "A demanda por liquidez é efeito da expansão de preços e não o inverso como o texto sugere"

    Ou seja, esse sujeito aí disse que primeiro os preços sobem e depois, só depois, é que a oferta monetária (por causa da "preferência pela liquidez") acompanha.

    Muito embora seja algo completamente sem sentido, vale observar que, mesmo se realmente fosse essa a sequência, ainda assim toda a teoria mostrada no artigo se manteria intacta. Afinal, foi a expansão monetária o que, em última instância, deu suporte ao aumento dos preços. Não houvesse expansão monetária, não teria como esses preços terem aumentado.

    Ou seja, o cidadão quis criticar, mas simplesmente acabou confirmando ainda mais o artigo.
  • Pobre Paulista  03/04/2017 11:38
    É o rabo abanando o cachorro...
  • Helio  01/04/2017 07:38
    Parabéns ao Leandro pelos belos artigos. Mas parece que há algo faltando nesse contexto.

    Em um artigo em PT, encontro esta definição simples:

    "O Banco Central não controla diretamente a quantidade de moeda em circulação na economia. O que ele controla é a chamada base monetária, composta pelo papel-moeda em poder do público e pelas reservas (compulsórias e voluntárias) que os bancos mantêm junto ao Banco Central."

    Em um interessante artigo em Inglês com o título: "Why the Federal Reserve is Irrelevant", a seguinte citação pode ser encontrada:

    "A principal função do Federal Reserve é determinar o mix de passivos governamentais detidos pelo público." By John P. Hussman, Ph.D. 2001.

    Em ambos os artigos parece claro que o real agente propulsor do aumento da quantidade de dinheiro (sob diversas formas) na economia são os Bancos.

    "Quando o Banco Central deseja realizar uma política monetária expansionista (ou seja, aumentar a quantidade de moeda na economia), ele compra títulos dos bancos comerciais. Em troca desses títulos, os bancos recebem moeda, elevando assim a quantidade de moeda da economia. Analogamente, quando o Banco Central deseja fazer uma política monetária contracionista (diminuir a quantidade de moeda), ele vende títulos públicos para os bancos, retirando moeda de circulação."

    Não me parece que o governo teria condições de promover essa festança de dinheiro à rodo na economia não fossem os grandes bancos brasileiros.

    Não é assim Leandro?
  • Magno  01/04/2017 14:01
    "Não me parece que o governo teria condições de promover essa festança de dinheiro à rodo na economia não fossem os grandes bancos brasileiros."

    Correto. Mas o inverso também é verdadeiro: bancos não teriam condições de expandir a oferta monetária não houvesse um Banco Central continuamente criando dinheiro e injetando esse dinheiro no sistema bancário.

    E o artigo fala explicitamente sobre isso. A moeda se expande por meio de um conluio entre Banco Central e bancos. Um depende do outro nenhum deles age sozinho. Inclusive no trecho em que este assunto é abordado há links para artigos que falam exatamente sobre isso.

    Aliás, aqui mesmo nesta seção de comentários há um longo comentário do Leandro falando exatamente sobre isso (em resposta ao leitor Eduardo Almeida). Leia-o.
  • Adriel Felipe  01/04/2017 10:51
    Ainda, em tempo, queria fazer uma pergunta: Qual é pior, a inflação ou criatividade do marqueteiro que bolou essa frase: "Preços abaixo do nível do mar" ?
  • 300esparta  01/04/2017 12:09

    "Leandro 31/03/2017 20:12
    Com essa métrica específica eu desconheço. Mas há vários estudos sobre o impacto de uma dívida alta (que exige contínuos e volumosos refinanciamentos) no crescimento econômico. Aliás, não só Japão como toda a Europa chegou a esse ponto."

    E como e porque esses países não "implodem" ?? Isso que eu não entendo.... Ou é uma questão de tempo?
  • Felipe R  01/04/2017 12:37
    Aumento de preços é, de fato, afetado por inflação monetária, e o artigo é brilhante em explicar essa parte.

    E foi excelente a inclusão da parte de comportamento humano (Ação Humana) após a repetição do Gráfico 2. Digo isso, pois acho importante que os leitores percebam que não basta haver expansão monetária por parte do governo, mas também é necessário que as pessoas movimentem essa moeda (dinheiro, na realidade), alterando a velocidade dela no mercado.

    Ademais, Leandro, você ainda faz palestras?
  • Auxiliar  02/04/2017 19:42
    Dia 12 de maio agora, em São Paulo.

    www.conferencia-ea.com.br/
  • Vinícius  01/04/2017 13:44
    Se tem um cara que deveria escrever todos os dias aqui no IMB, esse cara é o Leandro. Parabéns por mais um artigo fantástico!

    Leandro, imagine o seguinte cenário: O Brasil teve um fenômeno deflacionário parecido com o que ocorreu na Islândia. Essa contração monetária ( deflação ) de forma abrupta poderia fazer com que os preços dos produtos voltassem a um patamar próximo do que já foi em 1994?
    Nesse caso, o que aconteceria com o preço de ativos como ouro, prata ,moeda estrangeira e imóveis?

    Grande abraço!
  • anônimo  01/04/2017 14:00
    Bom artigo, porém demasiadamente repetitivo nas explanações!
  • 4lex5andro  03/04/2017 19:51
    Mas mesmo a redundância ajuda a fixar conceitos, pela repetição, dado que conceitos básicos de economia são algo que deveria ter sido ensinado no ensino médio.
  • Nilo  01/04/2017 14:58
    Leandro,

    Graças aos seus textos e aos demais artigos publicados no IMB entendo rezoavelmente como funciona a inflação. Mas tem algo que sempre tenho dúvida.

    Como encaixar os recursos estrangeiros que entram e saem do Brasil continuamente.

    Vamos supor que num passe de mágica o Banco Central pare de expandir a base monetária. Entretanto, se houver uma entrada volumosa de recursos estrangeiros, esses recursos inflariam a base monetária e geraria inflação. Meu raciocínio está correto?
  • Trader  01/04/2017 17:17
    Não. Recursos estrangeiros só inflam base monetária quando o Banco Central intervém -- porque quer manipular o câmbio -- e compra dólares.

    Quando o BC não intervém, dólares são simplesmente trocados por reais. Um investidor americano vende dólares para um brasileira em troca de reais (pois só pode investir no Brasil em reais). Este brasileiro, por sua vez, vende seus reais ao americano e, em troca, assume a propriedade de uma conta bancária nos EUA denominara em dólares.

    É assim que funciona. Não há aumento da oferta monetária quando o BC não intervém.
  • Nilo  01/04/2017 18:41
    Certo. Mas essa situação só funciona para países com moeda de curso forçado (esmagadora maioria).

    E se por acaso o Brasil liberasse a transação com outras moedas em território nacional?
  • Bruno Feliciano  01/04/2017 20:11
    Trader, esse processo onera a transação?

    Se não existisse moeda de curso forçado no Brasil, e eu pudesse negociar livremente em Dolares, minha transação seria mais barata assim? Quero dizer que, do jeito que é, eu sou obrigado a trocar por Reais, justamente nesse processo da troca de Dolar pra Real que eu me refiro.

    Esse processo que você citou, causa onerosidade? Pode ser chamado de Burocrático?

    Abraços
  • Fernando  01/04/2017 19:55
    Inclusive, a entrada de dólares faz a moeda local se valorizar, pois esta está sendo mais demandada. E a recíproca é verdadeira.
  • Nilo  02/04/2017 04:57
    Que a entrada de recursos estrangeiros influência na taxa de câmbio é óbvio. A dúvida é a influência de recursos estrangeiros na base monetária. Imaginando um cenário de livre circulação e negociação de moedas no país (cenário que existe parcialmente no Peru e Zimbábue).

    Vou além, num país com uma economia pequena, que libere a livre circulação de moedas, caso sofra uma entrada volumosa de recursos, a base monetári não sofreria um aumento gigantesco num curto espaço de tempo?
  • Kaio  01/04/2017 18:48
    Leandro, nos comentários de qual artigo está aquela sua explicação de que os melhores cafés vão pra fora do país por causa da nossa moeda historicamente fraca?
  • Alexandre  01/04/2017 23:56
  • Bruno Feliciano  01/04/2017 21:13
    Minha linha de raciocínio esta correta? Veja:


    ''Como ensina a teoria econômica, se o preço de algo for decretado a um valor acima do de mercado, haverá muita oferta e pouca demanda. Inversamente, se o preço de algo for estipulado a um valor abaixo do de mercado, haverá um excesso de demanda, mas pouca oferta. ''

    Somente o mercado consegue balancear a demanda e a oferta. Se algo da muito dinheiro porque tem muita demanda, logo todos vão querer ofertar esse bem ou serviço, isso ira reduzir os preços com o tempo, mas no futuro quando a demanda e o lucro dos ''ofertantes'' diminuir, consequentemente ira reduzir o numero de ofertantes balanceando com a demanda adequada.. Desculpa pela falta de expressão, curso direito e não economia. Portanto, sem a intervenção estatal criando demanda artificial(agregada), não existe investimento errôneo, justamente porque existe uma demanda real por aquilo e não artificial, toda a oferta criada ira atender uma real demanda, ao invés de criar uma demanda falsa que não se sustenta no longo-prazo.
    No livre mercado, oferta e demanda ficão balanceados, quando se intervêm você acaba desbalanceando isso e investimentos errôneos e crises.

    Portanto, por isso em um LIVRE mercado, é extremamente improvável estabelecer cartéis ou monopólios, já que a demanda esta diretamente ligada a oferta, caso algo de pouco dinheiro devida a pouca demanda, terá pouca oferta, assim nunca irão ocorrer investimentos erroneos e consequentemente crises. A oferta e a demanda em um livre mercado, ficão reais e completamente diretos e conectados, algo claro e visível. Se o governo mete a mão, ele desequilibra e acaba deturpando as reais referencias para investimentos.
    Igual faculdade de direito, a maioria cursa isso pra ser funça, isso é um claro investimento errôneo, o estado criou o incentivo perverso da parasitagem, consequentemente as pessoas querem mais fazer concurso pra mamar, criou-se ai uma DEMANDA, consequentemente terá oferta ai, prova disso é que o Brasil é um dos países que mais se tem faculdade de direito. O problema ai é que, essas pessoas não demandaram realmente fazer direito por desejo próprio, o estado criou um incentivo falso. Pra piorar, essas pessoas não vão criar riqueza, somente inchar o estado mamando na teta alheia.
    O que vai acontecer: No futuro, vai ter dezenas de faculdades de Direito indo a falência, porque o incentivo para se fazer concurso sera destruído, logo vai cair a demanda por faculdade de direito. É como uma bolha, essa oferta foi criado por uma demanda falsa.

    Sobre os imoveis no Brasil, esse incentivo concedendo crédito pra financiar imóvel, aumentou os preços.
    Porque os preços aumentaram se havia maior demanda, logo haveria mais oferta e os preços baixariam pela concorrência mais forte. Certo?

    Quando o estado cria uma demanda artificial, concedendo crédito farto, temos investimentos errôneos.
    Porque o empresário não vai ofertar de acordo com a demanda e sim com a facilidade de se obter empréstimos.
    Se obter empréstimos esta mais fácil, logo vai ter um aumento no empreendedorismo e no consumo. O problema é que, esse aumento não foi por conta da real demanda, onde pessoas voluntariamente compram algo por vontade própria e por sua renda ter aumentado, e sim por um sinal falso de que as pessoas estão consumindo e não poupando, devido a baixa dos juros e facilidade de se obter empréstimo.

    Imagine que o governo de alguma forma, incentive o empreendedorismo no setor de computadores.
    Haverá muita oferta nesse setor, mas não compatível com a demanda real. O que acontece ai é que, todo o recurso escasso de uma economia vai ser direcionado pra esse área que não foi demando pelas pessoas.
    Os preços mais baixos, irão no curto-prazo causar uma certa demanda por esse setor, mas isso não se sustenta, porque a demanda é insuficiente pra suprir toda essa oferta, no longo-prazo, as pessoas sentirão que não obtiveram um aumento de renda o suficiente pra consumir tanto esse setor da economia, e ai começa a quebradeira porque, a queda da demanda no longo-prazo será fatal.

    Preciso fortalecer esse raciocínio, se alguém poder dar uma ajuda, agradeço

    Abraços
  • Eduardo  01/04/2017 22:09
    Sensacional! É sempre gratificante ver que o novo artigo do Mises é do Leandro. Parabéns!
  • Vitor  01/04/2017 23:27
    Recentemente, eu estava lendo esta publicação do Federal Reserve de St. Louis:[link=research.stlouisfed.org/publications/page1-econ/2015/01/01/would-a-gold-standard-brighten-economic-outcomes/[/link]

    Apesar de crítica ao Padrão-ouro ser extremamente fraca, e a defesa da moeda fiduciária também ser fraca, achei interessante que eles usam o Mises Institute americano como uma das fontes.

  • Euzis  01/04/2017 23:53
    Muito boa análise.
    Embora hoje eu já esteja familiarizado com a teoria austríaca, as vezes é difícil enxergar a relação da prática com a teoria - eu estava me perguntando "como diabos a inflação está tão baixa, ser o governo não fez nada concreto?"
    D em nenhum momento me ocorrera a questão dos depósitos em conta corrente.


    Mas analisando os números no começo do artigo, me ocorreu uma outra questão:
    Houve inflação, mesmo com aumento da população e da produtividade em geral, devido ao aumento da base monetária. Agora, considerando as diferenças - inflação de preços de aprox. 5x e aumento da base monetária de 36x (ou de 15 a 12 vezes, dependendo da análise feita), seria possível estimar o quanto os preços deveriam ter diminuído?

  • Tiago  02/04/2017 00:10
    Euzis, só para ressaltar, o que realmente causa elevação de preços é a "oferta monetária" (papel-moeda em poder do público, depósitos em conta-corrente, em caderneta de poupança etc.) e não a "base monetária".

    É claro que, em condições normais, a base monetária se transforma em oferta monetária. Porém, em situação atípicas -- como atualmente nos EUA --, o próprio Banco Central toma medidas para impedir que a base monetária se transforme em dinheiro.

    Quanto à sua pergunta, caso a oferta monetária fosse estática, os preços cairiam o mesmo tanto que o percentual de crescimento econômico. Se a economia cresceu 30% em 20 anos (estou inventando um número qualquer), então os preços cairiam 30% em 20 anos -- uma média de 1,32% ao ano.

    Tal fenômeno -- queda de preços ao longo dos anos junto com forte crescimento econômico -- ocorreu nos EUA entre 1873 e 1913 (ano em que criaram o Fed). O dólar chegou a 1913 valendo mais e comprando mais do comprava em 1873. Mas, naquela época, estava-se no padrão-ouro.
  • Euzis  02/04/2017 14:29
    Obrigado Tiago.
    É exatamente esse tipo de conceito "oferta" x "base" monetária que as vezes se torna confuso... Mas faz sentido o que você escreveu.

    Quanto à queda nos preços, nesse exemplo dos "EUA padrão ouro", houve essa relação linear entre o crescimento da economia e à queda nos preços?
  • Michel  02/04/2017 06:36
    Boa noite, Leandro. Em relação à conclusão nº 3 do início do texto (demanda da população aumentou ainda mais que o aumento dos preços), pode-se afirmar que o aumento numérico da população (questão demográfica mesmo) teria causado o aumento da demanda superior ao aumento dos preços? Não tenho os dados aqui, mas ainda que no caso específico do Brasil a população não tenha aumentado, faz sentido afirmar que a quantidade de moeda de um determinado país é uma variável diretamente proporcional à variável número de habitantes desse país? Nunca vi um estudo que associasse política monetária e comportamento da moeda a demografia, embora me pareçam ciências muito afins.
  • Octaviano  02/04/2017 14:51
    "pode-se afirmar que o aumento numérico da população (questão demográfica mesmo) teria causado o aumento da demanda superior ao aumento dos preços?"

    Dois pontos:

    1) Aumento populacional de fato causa aumento da demanda, pressionando os preços para cima. Mas também, e ao mesmo tempo, gera aumento da oferta. Como há mais pessoas trabalhando e produzindo, há mais bens e serviços sendo disponibilizados. Isso pressiona os preços para baixo.

    Logo, apenas dizer que aumento populacional pressiona preços para cima não é teoricamente correto.

    2) De 1994 até hoje, a população brasileira saltou de 160 milhões para 206 milhões. Aumento de 28,75%.

    Já a oferta monetária, neste mesmo período, aumentou nada menos que 1.500%. Qual será que predominou?

    "Não tenho os dados aqui"

    Agora tem.

    "mas ainda que no caso específico do Brasil a população não tenha aumentado, faz sentido afirmar que a quantidade de moeda de um determinado país é uma variável diretamente proporcional à variável número de habitantes desse país?"

    A população aumentou 28,75%. A quantidade de moeda, 1.500%. Qual foi a proporcionalidade?

    "Nunca vi um estudo que associasse política monetária e comportamento da moeda a demografia, embora me pareçam ciências muito afins."

    Até faria sentido que a moeda crescesse de acordo com o crescimento da população. Vários liberais e libertários já defenderam isso. (No Brasil, Roberto Campos foi o único que chegou a aventar essa hipótese).

    Mas, na prática, absolutamente nenhum país segue esta regra.
  • Michel  02/04/2017 06:39
    Conversando com alguns keynesianos-desenvolvimentistas, ouvi recentemente que o quantitative easing recentemente adotado pelos EUA não teria gerado inflação, o que, segundo eles, teria derrubado a ideia de que o aumento da oferta monetária gera inflação. Procede? Seria legal ver um artigo aqui sobre isso. Abraços, e muito obrigado pelos seus textos!!
  • Ulysses  02/04/2017 14:44
    Só nesta seção de comentários já foram três vezes. Vamos lá pra quarta vez.

    Não houve nenhuma expansão monetária nem nos EUA e nem na Europa. O Fed de fato expandiu absurdamente a base monetária, mas este dinheiro não entrou na economia. Ele ficou retido nos bancos. E não precisa confiar em mim, não. Pode ir direto à fonte.

    Eis a evolução da oferta monetária nos EUA desde 2000.

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-money-supply-m2.png?s=unitedstamonsupm2&v=201701060828r&d1=20000113&d2=20170113

    Por favor, aponte a "grande expansão monetária".

    Agora, zona do euro:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/euro-area-money-supply-m2.png?s=emuevolvmonsupm2&v=201703311845t&d1=20000331&d2=20170331

    A oferta monetária hoje lá cresce menos do que antes de 2008.

    De novo, cadê a "grande expansão monetária"?

    Dica, jamais se informe exclusivamente pela imprensa. E muito menos por keynesianos. Você será enganado.

    Artigos sobre isso? Aqui vão dois:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2585

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2497
  • Fernando Ulrich  02/04/2017 14:50
    Oi Michel,

    Veja minha série de vídeos sobre este tema:

    https://www.youtube.com/watch?v=hwik_o2Ps0M

    Abs.
  • Resistência Capitalista  02/04/2017 12:41
    Parabéns pelo artigo.

    Enquanto não aumentar a concorrência com importados e facilidade para empreender, o povo vai sofrer com a inflação, greves, desvalorização salarial, produtos de menor qualidade, etc.

    Os mais pobres e aposentados são os mais beneficiados com as importações. Se os que mais precisam serão beneficiados, fica claro que é bom para todos.

    O Brasil é uma republiqueta de protecionistas. Os supermercados brasileiros parecem um supermercado de nacionalistas. Só tem produto nacional e debaixa qualidade.

    Temos que comer carne podre, porque o governo mandou.

  • Estudante  02/04/2017 18:00
    Porque o minha casa minha vida inflacionou o preço dos imóveis?

    Porque o crédito farto e fácil, aumentou os preços?
    Porque veja bem, se aumentou a oferta por imóveis, não era pros preços subirem, tem mais concorrência e o preço assim vai baixar. Não é isso que vocês pregam?

    Algo começa ter muita oferta, o preço baixa e fica melhor pros consumidores.

    Porque com o MCMV o preço os imóveis subiu tanto se havia mais oferta?

    Não entendo isso
  • Professor  02/04/2017 19:37
    "Porque o minha casa minha vida inflacionou o preço dos imóveis?"

    Porque havia muito mais dinheiro perseguindo praticamente a mesma quantidade de imóveis. Dinheiro pode ser criado na hora; imóveis demoram anos para ficar prontos.

    "Porque o crédito farto e fácil, aumentou os preços?"

    Porque mais dinheiro perseguindo a mesma quantia de bens aumenta os preços destes bens.

    "Porque veja bem, se aumentou a oferta por imóveis, não era pros preços subirem, tem mais concorrência e o preço assim vai baixar. Não é isso que vocês pregam?"

    A oferta monetária cresceu 1.500%. A oferta de imóveis por acaso também cresceu 1.500%?

    Pensa um pouquinho.

    "Algo começa ter muita oferta, o preço baixa e fica melhor pros consumidores."

    O que começou a ter muito oferta? A quantidade de imóveis por acaso aumentou o mesmo tanto que a quantidade de dinheiro?

    Pensa um pouquinho.

    "Porque com o MCMV o preço os imóveis subiu tanto se havia mais oferta?"

    Porque a quantidade de dinheiro cresceu muito mais que a oferta de imóveis. É mais fácil criar dinheiro (meros dígitos eletrônicos) do que construir imóveis.

    "Não entendo isso"

    Pensa um pouquinho.
  • Estudante  02/04/2017 20:18
    Professor,

    Mas e se fosse um bem que fosse produzido na mesma quantidade que produziu dinheiro?

    E se estado expandisse o crédito aos poucos, esperava que os imóveis(Ou outro bem mais simples e fácil de se produzir) ficasse prontos pra ai voltar a imprimir, isso indo aos poucos. Iae?

  • Professor  03/04/2017 03:05
    Aí seria um perfeito -- e fictício -- exemplo de planejamento central que funciona.

    Aliás, uma pergunta básica: o governo vai expandir a oferta monetária e vai dar esse dinheiro para quem? Sim, pois a pessoa que receber esse dinheiro antes de todas as outras estará em situação privilegiada: ela terá mais poder de compra (tem mais dinheiro), mas os preços ainda não se alteraram. Esta é a que mais ganhará.

    Já o infeliz que receber este dinheiro por último será o mais fodido: quando o dinheiro chegar a ele, todos os preços já terão subido.

    Eu quero ser o primeiro!

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2451
  • Resistência Capitalista   02/04/2017 21:56
    Professor,

    Parabéns pelo "passa moleque" no estudante.

    A realidade mostra que a produção de dinheiro gera crescimento artificial. Na primeira redução do crédito a maioria das empresas entram em processo de falência. O calote, a falência e a irresponsabilidade, são os maiores destruidores de riqueza. E pode demorar anos ou décadas para alguém limpar o nome.

    Essa aventura inflacionária pode trazer danos irreversíveis.
  • Gustavo  02/04/2017 19:46
    A definição de inflação apresentada no texto conflita com as definições presentes em alguns livros de economia.

    Segundo os livros "A inflação pode ser definida como o processo persistente de aumento do nível geral de preços, resultando na perda de poder aquisitivo da moeda, de tal modo que sua função de reserva de valor fique prejudicada"

    O conceito apresentado no texto se define de acordo com o livro como um dos tipos possíveis de inflação dentre 4 tipos diferentes possíveis: A inflação monetária, que é de fato a forma mais comum de inflação, entretanto não a única.

    "A inflação monetária nada mais é que um tipo de inflação de demanda, e é causada pelo aumento na oferta da moeda. Quando se aumenta a oferta de moeda na economia, deslocamos a curva DA para a direita, fazendo aumentar o nível geral de preços."
  • Escolástico  03/04/2017 02:59
    "Segundo os livros "A inflação pode ser definida como o processo persistente de aumento do nível geral de preços, resultando na perda de poder aquisitivo da moeda, de tal modo que sua função de reserva de valor fique prejudicada""

    O que apenas mostra a nossa miséria intelectual. Segundo essa definição, primeiro os preços sobem do nada. Aí, como consequência dessa subida mágica de preços, a moeda "perde poder aquisitivo".

    Ou seja, no mundo mágico dos livros-texto, são os preços que definem o poder de compra da moeda, e não o poder de compra da moeda que define os preços.

    PQP!
  • Gustavo  03/04/2017 15:14
    Na verdade o entendimento que eu tive não é exatamente esse. O que eu vejo é uma questão de terminologia.

    No livro eles consideram o termo "inflação" como sendo o aumento dos preços por si só, e que esse aumento de preços pode ocorrer de algumas formas, dentre elas, o aumento da oferta monetária, a qual eles denominam "inflação monetária", enquanto que no texto acima a definição de inflação é o aumento da oferta monetária em si.
  • Franco  03/04/2017 15:26
    "No livro eles consideram o termo "inflação" como sendo o aumento dos preços por si só, e que esse aumento de preços pode ocorrer de algumas formas, dentre elas, o aumento da oferta monetária"

    Beleza. Então, por favor, me diga como seria possível preços aumentarem continuamente durante décadas caso a quantidade de dinheiro na economia fosse fixa?

    Eu só queria saber isso. Só isso.

    Se alguém comprovar, por meio da lógica, que é possível preços subirem 500% em 20 anos com a oferta monetária fixa, então eu aceito a ideia de que aumento da oferta monetária seria apenas "uma das causas" da inflação de preços. No aguardo.

    "a qual eles denominam "inflação monetária", enquanto que no texto acima a definição de inflação é o aumento da oferta monetária em si."

    Sim. Inflação é "aumento da oferta monetária". O curioso é que esta sempre foi a definição histórica de inflação.

    Os dicionários mais antigos sempre definiram inflação como "aumento da oferta monetária". Pega sua Aurélio da década de 1980 e veja.

    Carai, a própria etimologia é explícita: você está inflando, inflacionando a quantidade de dinheiro na economia.

    E de novo: se inflação é "aumento de preços", então a solução para essa "inflação" é congelar preços. Simples assim. Aliás, foi exatamente o que fizeram Sarney, Collor e Dilma. Resultado direto dessa ignorância.

    Por outro lado, se você entende que inflação é aumento da oferta monetária, e que isso gera aumento de preços, então, por definição, se você quiser combater a carestia, você terá de atacar a oferta monetária.

    Percebeu a enorme diferença gerada por essa simples "questão de terminologia"?
  • Gustavo  03/04/2017 17:49
    "Beleza. Então, por favor, me diga como seria possível preços aumentarem continuamente durante décadas caso a quantidade de dinheiro na economia fosse fixa?"

    Em nenhum momento foi dito que a quantidade de dinheiro é fixa na economia, o que é dito no livro é que essa variação de dinheiro existe e que ela causa a inflação, e não que ela é a inflação.

    "Se alguém comprovar, por meio da lógica, que é possível preços subirem 500% em 20 anos com a oferta monetária fixa, então eu aceito a ideia de que aumento da oferta monetária seria apenas "uma das causas" da inflação de preços. No aguardo."

    Não sei se é possível haver esse aumento nos preços sem que haja aumento na oferta monetária, mas ninguém está realmente discutindo isso. O que é discutido é que a aumenta na oferta de dinheiro não é a única forma de gerar aumento nos preços, aumento este (de preços) que de acordo com os livros é a inflação.

    A questão de terminologia é que nos livros:

    Inflação = Aumento de preços
    Inflação monetária = aumento da oferta de dinheiro (que causa a inflação)

    "Por outro lado, se você entende que inflação é aumento da oferta monetária, e que isso gera aumento de preços, então, por definição, se você quiser combater a carestia, você terá de atacar a oferta monetária. "

    Sendo a definida inflação monetária o modelo mais comum, grave e que mais se dissemina devido à política fiscal do governo, atacá-la é de fato a melhor forma de atacar a inflação de forma geral.


    Quero deixar claro que não tenho realmente uma opinião formada sobre o assunto e nem sou defensor de um ou outro ponto, estou questionando dessa forma pois entrei em uma discussão com um amigo que estuda economia, e de fato, os pontos colocados por ele nesse sentido fizeram algum sentido.
  • Gabriel  05/04/2017 06:27
    Provavelmente, esse seu amigo estudante de economia lhe disse que os outros tipos de inflação eram: inercial, custos e choque de oferta.

    Porém o fato é que, se não há inflação monetária, não há esses outros tipos de inflação. Eu abriria uma exceção para a de choque de oferta, pois de fato se há uma diminuição da oferta de um bem, mas a quantidade de moeda continua a mesma, então os preços aumentaram. Mas, mesmo assim, a dita inflação como é hoje tipificada "aumento persistente e generalizado do nível de preços" dificilmente se faria presente, pois dependeria que a oferta de bens e serviços estivesse caindo constantemente.
  • Dúvidas   02/04/2017 20:47
    Alguma boa alma poderia me explicar o porquê de Maurícia ser tão bem colocada no índice de liberdade econômica mas não ser desenvolvida?
  • Respostas  03/04/2017 03:18
    Renda per capita de US$ 19.509.

    Sabe quanto é a do Brasil? US$ 15.165.

    E detalhe: isso aí é uma ilha que fica na África. Repito: na África!

    E tá dando cacete na gente. Renda per capita 30% maior. Incrível! Para um país africano, isso é quase uma utopia.


    P.S.: obrigado por chamar atenção para isso. Eu mesmo nem sabia. Fui olhar os números e embasbaquei.
  • Skeptic  03/04/2017 20:16
    Porque existe um delay entre liberdade econômica e qualidade de vida, não é algo instantâneo. E os índices de IDH são bastante questionáveis na sua metodologia. Bem, os de liberdade econômica também, mas nem se compara com as insanidades do IDH.
  • Skeptic  03/04/2017 20:22
    Por que a inflação monetária pode simular o ouro (ou ser lastreada nele) mas a regra do Friedman de k-percent é ruim para os austrians? Pelo que vi esse k-percent varia entre 2-4%, 3-5%, 2-5%, dependendo da fonte, seria esse o problema?
  • Michel  03/04/2017 05:55
    Ulisses, Fernando e Octaviano, obrigado. Octaviano, onde posso encontrar os textos de liberais, libertários e do Campos sobre o assunto?
  • anônimo  03/04/2017 20:44
    [Corrigindo local da pergunta] Por que a inflação monetária pode simular o ouro (ou ser lastreada nele) mas a regra do Friedman de k-percent é ruim para os austrians? Pelo que vi esse k-percent varia entre 2-4%, 3-5%, 2-5%, dependendo da fonte, seria esse o problema?
  • Thiago q. landi  04/04/2017 21:48
    Com relação a deflação monetária, acredito que com o Banco Central cortando juros de forma agressiva (a expectativa do mercado é de um corte de 100 pontos base na prox. reunião), e com o defict fiscal do governo nesses patamares, tende a por fim e até reverter esse quadro de deflação.

    Porém o outro fator importante para essa queda na inflação foi a taxa de câmbio. O dólar chegou ao redor de 4.20 e caiu para o patamar de 3.10, ao mesmo tempo a taxa de inflação oficial caiu.

    Com a queda da ex-presidente e a entrada do presidente Michel Temer e sua equipe econômica, as expectativas foram ancoradas, havia no mercado um medo de inflação e recessão e isso se reverteu para até mesmo um otimismo com as reformas e a tão sonhada e falada recuperação.

    Porém a recuperação nunca chegou, e a recessão continua firme, e inúmeros outros problemas piorando e explodindo na economia. (acredito que os economistas aqui do instituto não anteciparam a profundidade e magnitude da situação atual)

    O que vai acontecer a seguir:

    A realidade de um déficit fiscal explosivo, recessão impávida, desemprego explosivo, quebra dos estados entre outros, irá se impor ao mercado.

    As expectativas vão se acelerar novamente, a preferência temporal pelo dinheiro irá diminuir com a quebra da confiança, tudo isso fará com que o real volte a se desvalorizar, talvez fortemente, perante o dólar, forçando a inflação a subir, ao mesmo tempo, como dito, o BC em meio a uma campanha de afrouxamento monetário agressiva, fazendo o real cair ainda mais e a inflação subir.

    Desta forma, ao contrário do que sugere o artigo, o inflação no Brasil vai voltar a subir fortemente.

    E a economia continuará se deteriorando.
  • Leandro  04/04/2017 23:13
    Eu concordei com 100% do que você falou. Até você chegar ao antepenúltimo parágrafo.

    "As expectativas vão se acelerar novamente, a preferência temporal pelo dinheiro irá diminuir com a quebra da confiança"

    A preferência temporal pelo dinheiro não diminui quando a oferta monetária líquida (papel-moeda em poder do público e depósitos em conta-corrente) está restringida e os juros reais são altos (como é o caso atual).

    Preferência temporal diminui quando a inflação é extremamente galopante (acima de 20% [/u]ao mês[/u]), o que não é o caso atual. Mesmo quando o IPCA anual beirou os 11% ao ano, não houve ninguém se desfazendo rapidamente do dinheiro em troca de bens. Ao contrário, aliás: como o dinheiro estava escasso (por causa da contração monetária), ninguém queria abrir mão dele.

    Não visualizo este cenário.

    "tudo isso fará com que o real volte a se desvalorizar, talvez fortemente, perante o dólar, forçando a inflação a subir"

    Embora seja totalmente improvável, mesmo que tal desvalorização aconteça, será pontual caso a oferta monetária continue restrita. Foi exatamente isso o que aconteceu no final de 2015 e início de 2016, quando o dólar bateu em R$ 4,24.

    Sem expansão monetária, não há desvalorização cambial que dure. Consequentemente, não há carestia que se mantenha.

    "ao mesmo tempo, como dito, o BC em meio a uma campanha de afrouxamento monetário agressiva, fazendo o real cair ainda mais e a inflação subir. Desta forma, ao contrário do que sugere o artigo, o inflação no Brasil vai voltar a subir fortemente."

    Vamos lá. A única maneira de os preços voltarem a disparar é havendo aumento da oferta monetária em simultâneo a uma desvalorização cambial. Para que isso aconteça:

    1) O BC tem de reduzir os juros (isso está acontecendo);

    2) O governo tem de continuar tendo altos déficits (isso está acontecendo);

    3) Pessoas e empresas têm de se endividar fortemente (isso não está acontecendo).

    Enquanto o item 3 não for resolvido, será difícil acreditar em disparada de preços. Vale também lembrar que, a trancos e barrancos, a lei do teto de gastos já foi aprovada e está em vigor. Ela vai restringir (um pouco) o item 2. Dificilmente os déficits serão maiores que os atuais.

    Por enquanto -- enfatizo, por enquanto --, não vejo nenhum espaço para explosão nos preços. Tal fenômeno pode até vir a acontecer, mas terá de haver algum choque (entrar em cena algo imprevisto) para que isso ocorra.
  • Thiago q. landi  04/04/2017 22:37
    obs: Estamos nos encaminhando para fazer 3 anos de recessão.

    obs 2: A velocidade com que a economia se deteriorou/está se deteriorando, realmente impressionante.

    obs 3: pode estar havendo deflação em um agregado monetário, porém nos outros agregados existe inflação, considerável. Que irá se manifestar.
  • Douglas Rodrigues  04/04/2017 23:38
    Fazia um tempo que não acessava o site do Mises, e quando volto, me deparo com este MONUMENTAL artigo escrito pelo melhor economista do Brasil. Parabéns Leandro. Continue assim. É um grande alívio a minha pessoa, visto que curso Economia.

    "Outra tese esdrúxula surgiu recentemente e foi aventada por André Lara Resende, um dos criadores do real. Segundo ele, a inflação estaria alta porque a SELIC está muito alta. Apenas se a SELIC fosse diminuída para algo próximo de zero — sim, ele falou isso — é que o IPCA começaria a cair. No entanto, desde a publicação de seu artigo (em janeiro), a SELIC caiu apenas 1,50 ponto percentual (de 13,75% para 12,25%) e o IPCA, em acentuada desaceleração, se encaminha para abaixo do centro da meta (que é de 4,50% ao ano)."

    Eu acompanhei essa discussão, estava com algumas dúvidas, mas já consegui as respostas por este artigo.

    Abraços Leandro.
  • anônimo  05/04/2017 13:13
    Leandro, algum comentário sobre a tal "inflação de custos"?
  • Leandro  05/04/2017 13:58
    Sim. Não se sustenta sem expansão monetária.

    De novo: caso a oferta monetária fosse fixa desde 1994, como haveria "inflação de custos"?
  • Dúvida  05/04/2017 16:15
    Onde está aquela explicação do Leandro sobre o Protecionismo, taxas alfandegárias e a Guerra Civil Americana ?
  • Gabriel  05/04/2017 17:49
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1406

    Respondendo ao comentário do Bernado.
  • Leandro  05/04/2017 19:36
    O crescimento e a industrialização dos EUA começaram na década de 1820 com as ferrovias com locomotivas a vapor. E então vieram as estradas macadamizadas, assim chamadas em homenagem ao engenheiro escocês John Loudon McAdam. Depois surgiram as ceifadeiras, criadas por Cyrus McCormick, e as siderúrgicas, criadas por Andrew Carnegie.

    Tudo isso antes de 1860 (quando realmente houve elevação das tarifas de importação, que foi o estopim da Guerra Civil).

    Os estados americanos que mais se enriqueceram durante esse período anterior a 1860 foram os do nordeste. E o motivo é simples: os grandes industriais europeus aportaram lá, na Nova Inglaterra. Esse é um fenômeno que simplesmente não pode ser ignorado em qualquer análise econômica minimamente séria.

    E aí houve o inevitável: regiões industrializadas sempre viram protecionistas. Em 1860, o Congresso aprovou a Morrill Tariff, que elevou enormemente as tarifas sobre importações para proteger as indústrias do norte bem como seus altos salários, prejudicando severamente os estados do sul, que agora tinham de arcar com os altos custos de importação, mas que não tinham como repassar estes altos custos para seus preços, pois vendiam três quartos da sua produção para o mercado mundial. Vestuário, equipamentos agrícolas, maquinários e vários outros itens ficaram extremamente caros de se obter. O sul queria livre comércio porque também era a única maneira de exportar sua produção.

    Consequentemente, os estados do sul se rebelaram e quiseram se separar da federação. Aí deu-se origem àquela maravilha que foi a Guerra Civil Americana, com 600.000 mortos.

    (Recomendo este texto a respeito, que faz uma ótima compilação destes eventos.)

    Com a vitória do norte, tarifas protecionistas foram implantadas que vigoraram até o ano de 1900, caindo a partir dali).

    Como consequência dessa imposição tarifária e da destruição do livre comércio, o sul empobreceu (e, até hoje, é mais pobre do que o norte).

    Tarifas fizeram exatamente o que prometiam: protegeram (de 1865 a 1900) aquelas indústrias do nordeste americano que já estavam estabelecidas, e empobreceram o resto do país. E, de quebra, mataram 600.000 civis em uma guerra.
  • Dúvida  06/04/2017 08:08
    Obrigado, Leandro.
  • anônimo  06/04/2017 15:03
    Leandro, por qual período as tarifas de importação americanas tiveram função arrecadatória (quando não tinham função protecionista)?
  • Leandro  06/04/2017 15:12
    Até 1913, a única forma de o governo federal americano se financiar (a única forma que era permitida pela Constituição) era por meio de tarifas de importação. Ou seja,toda a carga tributária federal se resumia a tarifas de importação. Portanto, foi até 1913.

    De resto, é de crucial importância distinguir entre tarifas de importação com intuito protecionista e tarifas de importação com intuito arrecadatório. Uma é o exato oposto da outra.

    Uma tarifa com intuito protecionista é imposta exatamente para impedir que as pessoas importem. Se ela realmente lograr tal objetivo, a receita do governo será zero. Óbvio. Se o intuito do governo é desestimular as pessoas de importar -- e se as pessoas realmente não importarem --, então a arrecadação do governo com essa tarifa será zero. E ele não ligará, pois era isso o que ele queria.

    Já uma tarifa com intuito arracadatório existe, ao contrário, para trazer o máximo possível de receita para o governo. Ela não está ali para impedir as pessoas de importar; ao contrário, o governo está torcendo para que as pessoas importem o máximo possível, pois só assim ele terá muitas receitas. E se o governo exagerar na tarifa, então ela vira meramente protecionista, e a arrecadação do governo tenderá a zero -- exatamente o contrário do que ele almejava.

    Por uma questão de lógica simples, sabendo que o governo americano da época sobrevivia exclusivamente com as receitas dessas tarifas, então a conclusão lógica é que, à época (antes de 1860 e pós-1870), elas não tinham caráter protecionista. Se tivessem, o governo não teria receita.

    As tarifas de importação do governo Sarney e do governo Dilma, por exemplo, eram meramente protecionistas. Já as americanas eram arrecadatórias.

    E, ainda assim, eram mais baixas que as nossas atuais.
  • Bruno Feliciano  06/04/2017 15:54
    Se uma moeda desvaloriza, isso afeta o juros?

    No meu pensamento, se uma moeda perde valor, logo os eu preço pra se emprestar também muda.

    Uma moeda que tem maior valor, custa mais pra ser emprestada.
    A que tem menos valor, custa menos pra ser emprestada. O preço pra se emprestar o dinheiro esta ligado ao valor em si da moeda...

    Certo ou errado?
  • Pobre Paulista  10/07/2017 12:43
    Errado,

    Taxa de juros não mede o "custo do dinheiro" e sim a "taxa de preferência intertemporal dos agentes econômicos"
  • Ronaldo da Silva Alves  06/04/2017 18:18
    Prezado Leandro,

    Bom dia !

    Parabéns pelos artigos. Tenho uma dúvida. No artigo de 31/03/017 sexta feira passada, você explicou que o excesso de oferta monetária que é causa da inflação. Excelente texto. Vamos para a prática. Como resolver este problema ? Quais as ferramentas econômicas iniciais são indicadas ? Teremos "efeitos colaterais" quando estas medidas forem implementadas ? Faço estas perguntas porque alguns críticos da EAE falam que suas idéias são impraticáveis.
  • Leandro  06/04/2017 19:18
    Aqui, uma solução bem moderada (e não totalmente definitiva):

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1966


    Aqui, uma solução mais radical e definitiva:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1553


    E aqui, um meio termo entre as duas:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2196

  • Raphael Cambraia  09/04/2017 01:11
    Inflação oficial tem menor resultado do 1º trimestre desde o início do Plano Real

    g1.globo.com/economia/noticia/inflacao-oficial-fica-em-046-em-marco-diz-ibge.ghtml

    Não fosse esse artigo do Leandro eu jamais teria entendido as razões pra essa forte redução da inflação. Obrigado!
  • vinícius Rocha  19/04/2017 18:03
    Boa tarde a todos!
    Desculpem-me se a pergunta, sou bastante leigo no assunto, gostaria de entender por qual motivo os preços sobem quando há excesso de oferta monetária, seria pelo fato de encarecer a produção o exagerado aumento da demanda? Quero dizer, como as empresas "sentem" que há necessidade de corrigir os preços? Obrigado a todos desde já.
  • Gustavo  19/04/2017 19:42
    Tipo assim, a resposta está bastante clara -- e até mesmo repetitiva -- no próprio artigo, não?

    Quando a quantidade de dinheiro na economia aumenta, o valor de cada unidade monetária diminui. A moeda perde poder de compra. Se a moeda perde poder de compra, então, por definição, você precisará de mais moeda para comprar o mesmo tanto de antes.

    Se você se embananou com a explicação acima, substitua o termo "dinheiro" por "tomates". Fica assim:

    Quando a quantidade de tomates na economia aumenta, o valor de cada unidade de tomate diminui. O tomate fica mais barato. Um aumento da oferta de tomate gera redução no seu preço. Consequentemente, se o tomate fica mais barato, então, por definição, você precisará de mais tomates caso queira trocá-los por qualquer outro bem de consumo.
  • vinícius scarton rocha  19/04/2017 20:33
    Obrigado pela resposta, a teoria em si eu entendi, minha pergunta é como se da essa percepção na industria ou comércio... como que um gestor "sabe" que está na hora de subir os preços. Isso pra mim não ficou claro como que funciona na prática.
  • Leandro  19/04/2017 21:11
    Há vários canais de transmissão.

    O mais tradicional ocorre como consequência direta da expansão do crédito: você vai ao banco, pega um empréstimo e gasta esse dinheiro adquirindo bens e serviços (seja para consumo ou para investimento). Igual a você, milhões de outras pessoas fazem o mesmo.

    Este aumento da demanda -- gerado pela expansão do crédito -- leva a um aumento dos preços.

    E, como houve aumento da quantidade de dinheiro na economia, este aumento dos preços acaba sendo sustentado pela expansão monetária. (Não tivesse havido expansão monetária, o aumento dos preços teria de ser revertido).

    O ciclo se mantém e se perpetua.

    Outra maneira é pela taxa de câmbio. O aumento da quantidade de dinheiro na economia -- causado pela expansão do crédito e pelos déficits do governo -- gera uma desvalorização da taxa de câmbio. Consequentemente, produtos importados ficam mais caros. Este encarecimento é repassado aos consumidores. Como houve expansão monetária, este aumento de preços acaba sendo sustentado. (Não tivesse havido expansão monetária, o aumento dos preços teria de ser revertido).

    Há também o aumento de preços causado pela expectativa de que a inflação continuará subindo pelo simples fato de que ela subiu no passado. Comerciantes e industriais reajustam seus preços baseados nesta expectativa. Se houver expansão monetária, tais reajustes serão sustentados. (Não tivesse havido expansão monetária, o aumento dos preços teria de ser revertido).
  • vin%C3%83%C2%ADcius scarton rocha  19/04/2017 22:45
    Obrigado pela resposta Leandro!
    No caso do aumento da demanda pela expansão do crédito, o aumento nos preços ocorrerá em função, por exemplo, no aumentos de custos que uma fábrica terá para aumentar sua produção em função do aumento da demanda? É correto este raciocínio? Obrigado mais uma vez.
  • Leandro  20/04/2017 03:15
    Os preços sobem porque o dinheiro criado pela expansão do crédito faz todos os custos e salários subirem. Mais dinheiro entrando economia via financiamentos para investimentos faz aumentar a demanda por mão-de-obra na indústria, na construção civil, e nos setores de serviço e comércio.

    Ao mesmo tempo em que uma construtora passa a demandar mais engenheiros, arquitetos, mestres-de-obras, corretores, vendedores, relações públicas etc., os setores de serviço e comércio continuam demandando com a mesma intensidade esses profissionais.

    Os salários sobem.

    Simultaneamente, os preços das matérias-primas e dos bens de capital (demandados para investimentos físicos) também sobem. Por fim, o maior consumo de bens de consumo (possibilitado pelos maiores salários) também leva a um aumento dos preços.

    Todos os preços sobem, em maior ou menor intensidade (no início e no auge da expansão do crédito, os preços das matérias primas e dos bens de capital sobem mais que os dos bens de consumo; no final da expansão, ocorre o inverso).

    Como houve expansão monetária, todo este aumento de preços e custos acaba sendo sustentado. Não tivesse havido expansão monetária, o aumento dos preços e custos teria de ser revertido.

    Só que tal processo de expansão não dura para sempre. Quando ele é interrompido, começa a recessão.

    Artigo inteiro detalhando este processo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2466
  • Leonardo  24/04/2017 16:38
    Leandro, no documentario da BBC sobre o Hayek, aparece o Paul Krugman falando que no Séc. XIX os EUA tinham um sistema de livre concorrencia de moedas desregulamentado e ele era instável e tendia a crises.

    Isso é verdade?
  • Leandro  24/04/2017 16:51
    Não. A afirmação é tipicamente krugmaniana: ele pega um fato ocorrido, mente sobre sua realidade, e o distorce totalmente com o intuito de fazer propaganda ideológica.

    Houve uma prática bancária que vigorou por um período nos EUA antes da Guerra Civil. Tornou-se conhecida como "wildcat banking". Cada banco era livre para emitir dinheiro próprio. Só que havia, como sempre, uma peculiaridade que fez com que tudo desse errado: privilégios garantidos pelo estado.

    a) Os governos estaduais não só permitiam como estimulavam que os bancos locais operassem -- criando dinheiro de papel, emprestando e cobrando juros -- sem jamais serem obrigados a restituir em espécie (ouro) quando fossem cobrados por isso. Ou seja, o governo garantia aos bancos o privilégio de operar sem ter de pagar suas obrigações. Eles podiam criar dinheiro e crédito à vontade, sem se preocuparem em restituir as cédulas em ouro quando fossem instados a isso. É claro que a coisa degringolou.

    b) Além desse protecionismo estatal, havia uma lei federal que proibia filiais bancárias interestaduais (essa lei durou até 1995). Isso, adicionado a um sistema de transporte ruim (estamos falando da primeira metade do século XIX), impedia que os bancos de um estado prontamente exigissem que outros bancos mais distantes restituíssem em ouro as cédulas que criaram e puseram para circular no mercado. Ou seja, o governo incentivava e protegia a fraude.

    Obviamente, o sistema entrou em colapso.

    Krugman, como é do seu feitio, ignora (ou esconde) essa realidade, e se dedica apenas a contar uma parte da história, e de maneira totalmente enviesada.
  • Leonardo  24/04/2017 17:28
    Obrigado pela resposta, gosto bastante dos seus textos.

    Quando vi Krugman falando isso imaginei que havia alguma inversão dos fatos nessa afirmação. E realmente havia.

    Então um sistema bancário realmente livre nunca existiu na história?
  • VINICIUS SILVA  26/04/2017 13:44
    Caros amigos do IMB,

    Li um artigo de vocês de 2011, explicando a correlação entre a inflação e a expansão dos monetária.

    Nesse artigo, especificamente do Leandro, é informado que a principal maneira para se acompanhar a efetiva expansão monetária é o acompanhamento dos meios fiduciários, que seria:

    "Meios fiduciários = (a) papel-moeda em poder do público + (b) depósitos em conta-corrente - (c) papel-moeda total - (d) reservas bancárias."

    No meio do artigo, consta que vocês tem um gráfico que acompanha esse indicador desde que esse texto foi escrito, vocês ainda mantem esse gráfico atualizado? Em caso afirmativo, poderia nos disponibilizar?

    Obrigado desde já!!
  • Leandro  10/05/2017 14:17
    Inflação de preços desaba e tem a taxa mais baixa para o mês de abril desde a criação do real. No acumulado de 12 meses, está em 4,08%. Abaixo da meta de 4,50%.

    Em Curitiba, o acumulado em 12 meses está em 2,48%. Em Goiânia, incríveis 2,30%. Valor de primeiro mundo.

    saladeimprensa.ibge.gov.br/noticias?view=noticia&id=1&busca=1&idnoticia=3427

    A explicação para isso está no artigo acima.

    Já os defensores de teorias exóticas como "dominância fiscal" (os déficits orçamentários do governo federal seguem batendo recordes), "juros altos geram inflação", e "juros baixos reduzem inflação" continuam perdidos.
  • Falcao  10/05/2017 15:18
    Leandro,
    teria como você postar a base monetária brasileira, porque eu sei que o real está se valorizando perante o dólar e o dólar se desvalorizando perante todas as outras moedas incluindo o ouro.
    Agradeço.
  • Felipe Lange S. B. S.  10/05/2017 18:59
    Leandro, como você explicaria o fato do IPCA ter diminuído tanto nesse ano em relação ao ano passado?
  • Leandro  10/05/2017 21:37
    Assista à minha palestra de depois de amanhã (sexta-feira, 12), em São Paulo. ;)

    www.conferencia-ea.com.br
  • Felipe Lange S. B. S.  10/05/2017 21:41
    Ainda estou desempregado, senão eu iria...
  • Leandro  10/05/2017 21:59
    Falarei sobre as causas do desemprego também. Apareça lá e se apresente. Sempre gosto de conhecer pessoalmente os leitores.
  • Rafael  10/05/2017 22:33
    Essa palestra vai ser postada em algum veículo ligado a EA?

    Como não tenho condições de sair do RJ para ir a SP ver sua palestra seria interessante que disponibilizassem para os leitores aqui.
  • Leonardo Augusto   20/05/2017 21:51
    Excelente texto, como sempre!
    Uma pergunta: há como estipular quanto do aumento da oferta monetária ocorreu por crédito subsidiado?
  • Michael  26/05/2017 15:39
    Leandro, eu entendi perfeitamente o que causa o aumento dos preços continuamente, totalmente o oposto do que os economistas mainstream dizem ser algo normal em uma economia, mas esse artigo me gerou dúvidas. Isto

    Por exemplo, dado em um cenário onde não há o aumento da oferta monetária, a produtividade crescente faria os preços diminuírem - o que significa que houve aumento do salário real -; mas faria os salários aumentarem em valores monetários? Exemplo o salário mínimo era de R$64,00 em 1994 segundo uma matéria que foi postada no artigo, mas imaginando num cenário posteriormente como em 2017, o valor do salário mínimo seria os mesmos R$64,00 ou com a produtividade crescendo até chegar em 2017, os preços estariam diminuindo e os salários aumentando para dar como exemplo um valor de R$400?
    Obs: De 1994 a 2017 nesse cenário houve apenas crescimento econômico(4%a.a) para deixar variáveis de pouca importância de lado.
  • Leandro  26/05/2017 16:38
    Você próprio já respondeu, e corretamente.

    Se há aumento da produtividade, há aumentos salariais. Ganhos de produtividade, por definição, reduzem o custo de vida e fazem aumentar salários - ou, na pior das hipóteses, mantê-los constantes, o que significa um salário real maior.

    Ademais, em uma deflação de preços, o capital e a mão-de-obra capturam a maior parte dos ganhos de produtividade, em detrimento do governo, que arrecada cada vez menos impostos indiretos.

    Por fim, há o fato de que uma expansão monetária destrói o incentivo para se poupar, o que enfraquece todo o ciclo acima. Dessa forma, sob qualquer aspecto o cenário de deflação de preços (causado pela maior produtividade, e não por manipulações artificiais) é mais vantajoso que o de inflação.
  • Michael  26/05/2017 17:11
    Mas a minha dúvida central seria em valores monetários, com esse cenário sem aumento da oferta monetária, ao longo do tempo o valor monetário do salário mínimo estaria ainda em R$64,00 só que com um maior poder de compra ou aumentaria para digamos R$400? Agora pensando bem, só haveria possibilidade de aumentar salários em valores monetários se houver aumento da oferta monetária, porque a quantidade de dinheiro seria a mesma e o aumento da produtividade não faria o salário mínimo subir em valores monetários, mas em poder de compra. Acho que seria isso, se não for você poderia me explicar melhor isso, porque ainda prossigo com certos questionamentos em relação a isso.
    Vamos colocar num outro cenário: O aumento da oferta monetária seria de 2%a.a enquanto o crescimento econômico seria de 4%a.a, nesse caso há aumento da oferta monetária, isto faria com que os preços e salários subissem em valores monetários e o salário teria maior poder de compra por conta que houve 2%a.a em aumento real do salário. Nesse cenário, o valor do salário mínimo aumentaria para R$65,28((R$64 X 0.02) + R$64).
    Obs: Deixando claro que todos os trabalhadores ganhem o salário mínimo para deixar o cálculo mais simples.
  • Leandro  26/05/2017 17:44
    "com esse cenário sem aumento da oferta monetária, ao longo do tempo o valor monetário do salário mínimo estaria ainda em R$64,00 só que com um maior poder de compra ou aumentaria para digamos R$400?"

    Raciocínio correto. Mas vale ressaltar que é impossível um cenário de oferta monetária fixa. Mesmo porque ele seria totalmente contrário à liberdade humana.

    Em um arranjo de liberdade monetária, no qual qualquer pessoa é livre para aceitar qualquer dinheiro, aumentos da oferta monetária seriam inevitáveis. Se, por exemplo, o uso de dólares fosse liberado no Brasil, isso levaria a um aumento da oferta monetária: qualquer pessoa que entrasse no país com dólares estaria aumentando a oferta monetária.

    Mesmo se o dinheiro fosse inteiramente formado por moedas de ouro, continuaria havendo aumento da oferta monetária: basta que alguém escavasse ouro da terra.

    Portanto, é inevitável haver aumento da oferta monetária.

    A função de um economista é explicar quais serão as consequências de um aumento da oferta monetária. Só isso.

    "Agora pensando bem, só haveria possibilidade de aumentar salários em valores monetários se houver aumento da oferta monetária, porque a quantidade de dinheiro seria a mesma e o aumento da produtividade não faria o salário mínimo subir em valores monetários, mas em poder de compra."

    Correto. Mas de novo: não existe oferta monetária fixa. Tal cenário é apenas uma construção teórica utilizada para clarificar um raciocínio ou uma ilustração.

    "Vamos colocar num outro cenário: O aumento da oferta monetária seria de 2%a.a enquanto o crescimento econômico seria de 4%a.a"

    Se a oferta de bens e serviços aumentou 4% (de 100 para 104), mas a quantidade de dinheiro utilizado para comprar esses bens e serviços aumentou apenas 2% (de 100 para 102), então os preços de cada bem e serviço caíram 2%.

    Observe que o que aumentou foi a oferta de bens e serviços, e não necessariamente a oferta de mão-de-obra. Se a oferta de mão-de-obra tiver se mantido constante, então os salários podem perfeitamente aumentar 2% (por causa dos ganhos de produtividade). Se a mão-de-obra tiver aumentado, mas menos que 2%, então os salários podem aumentar menos que 2%.

    E tudo isso com os preços caindo 2%. Um grande aumento no salário real.

  • Michael  26/05/2017 18:03
    Agora sim entendi, obrigado pelas explicações.
  • Bruno Feliciano  28/05/2017 21:32
    Pessoal, o que vocês acharam do Filme Plano Real?

    O Gustavo Franco virou o que hoje? Pode ser considerado um Liberal?

    Porque eles deixaram a taxa de Juros la em cima? Não foi um erro?

    Porque teve crises no governo FHC durante a austeridade e o depois da implementação do plano real?

    E o real, só conseguiu ter confiança porque era atrelado ao dolar, ou seja, a quantidade de reais existentes correspondia a quantidade de dolar existente no Banco Central certo?

    Enfim, sobre o filme, queria saber o parecer de vocês...

    Abraços..
  • Bruno Feliciano  28/05/2017 21:33
    Nessa época em que os preços eram mais baixos, os salários também não eram mais baixos?
    Não havia mais desemprego?

  • Gustavo  28/05/2017 21:47
  • Leandro  09/06/2017 13:03
    Inflação de preços continua desabando. O acumulado do ano é de 1,42%, o menor acumulado até maio desde o ano 2000 (1,41%).

    No acumulado de 12 meses, está em 3,60%. Abaixo da meta de 4,50%.

    Em Curitiba, o acumulado em 12 meses está em 2,27%. Em Goiânia, incríveis 2,18%. Valor de primeiro mundo.

    agenciadenoticias.ibge.gov.br/agencia-sala-de-imprensa/2013-agencia-de-noticias/releases/10182-ipca-fica-em-0-31-em-maio.html

    A explicação para isso está no artigo acima.

    Já os defensores de teorias exóticas como "dominância fiscal" (os déficits orçamentários do governo federal seguem batendo recordes), "juros altos geram inflação", e "juros baixos reduzem inflação" continuam perdidos.
  • Mídia Insana  09/07/2017 22:01
    Inacreditável o que retirar a Dilma não faz. Tirar o PT do poder deveria estar na teoria econômica.

    Crédito de recursos direcionados foi um erro.
  • Bruno Feliciano  10/07/2017 00:32
    Recessão gera inflação né?

    Porque, se você tem uma queda na quantidade bens e uma economia e ao mesmo tempo você tem pelo menos a mesma quantidade de dinheiro na economia, logo a relação BENS X DINHEIRO na economia mudou, se tem menos bens e mais dinheiro na economia.

    Já um crescimento economico é deflacionário, porque aumenta a quantidade de bens na economia sob a quantidade de dinheiro, mas isso só se o Banco Central não imprimir em uma quantidade e aceleração maior do que a de bens e serviços.

    E porque vocês acham que tivemos uma queda na inflação hoje? Que motivo esta fazendo a quantidade de dinheiro na economia se reduzir? Se ainda estamos em recessão.....

    E alguém me explica porque keynesiano acha relação entre baixa inflação e alto desemprego, não consigo enxergar isso.
  • Guilherme  10/07/2017 00:54
    "Recessão gera inflação né? Porque, se você tem uma queda na quantidade bens e uma economia e ao mesmo tempo você tem pelo menos a mesma quantidade de dinheiro na economia, logo a relação BENS X DINHEIRO na economia mudou, se tem menos bens e mais dinheiro na economia."

    Sim, mas e se as pessoas não estiverem propensas a gastar (ao menos, não como antes)?

    Em uma recessão, a demanda está baixa. Pessoas estão sem emprego e sem aumento da renda. Na maioria das vezes a renda está em queda. Consequentemente, a queda na oferta é também acompanhada de uma queda na demanda.

    "E porque vocês acham que tivemos uma queda na inflação hoje? Que motivo esta fazendo a quantidade de dinheiro na economia se reduzir? Se ainda estamos em recessão..."

    Explicado em detalhes neste artigo:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2694

    "E alguém me explica porque keynesiano acha relação entre baixa inflação e alto desemprego, não consigo enxergar isso."

    Porque se trata de um dogma. E ninguém abandona dogmas.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2238
  • Bruno Feliciano  10/07/2017 01:16
    Obrigado!
  • Tarantino  10/07/2017 00:34
    Caramba! Em 1998 eu ganhava 8 salários mínimos! A mesma profissão que eu exercia na época, hoje não paga mais do que 3 S.M.
  • Tarantino  10/07/2017 01:04
    Só vi uma coisa no artigo citado com os preços de 1994 que não condiz com a realidade: naquela época, apesar do poder de compra do salário-mínimo ser evidentemente menor do que hoje, a realidade é que o S.M. subiu mas os salários não acompanharam na mesma proporção.
  • Andre  10/07/2017 13:37
    Milagre seria se os salários subissem na mesma proporção, a produtividade no BR subiu pouquíssimo no período, produtividade baixa, salário baixo.
  • Rafael  10/07/2017 06:52
    É a velha tese monetarista dos anos 60 e 70. Nada de novo sob o sol.
  • Anônimo  10/07/2017 13:04
    E sobre países desenvolvidos como Singapura e Noruega? Lá eles tem preços altíssimos e ainda são capazes de adquirir produtos.
  • Evandro Ferreira  10/07/2017 13:21
    Elabore melhor sua pergunta. O que você quis dizer com "preços altíssimos"? os preços podem ser altos para nós, que temos moeda fraca e apanhamos ao convertê-la. Mas não é para eles.

    Os preços nominais da Venezuela são baixíssimos para nós (por causa da taxa de câmbio), mas são altíssimos para eles. Já os preços dos países desenvolvidos são altos para nós (por causa do câmbio), mas normais e estáveis para eles.

    Preços nominais altos são uma coisa. Já preços crescentes (que é o que realmente interessa) são outra coisa completamente distinta. O primeiro, por si só, não significa nada. Já o segundo é tudo.
  • Bonifácio  10/07/2017 18:07
    A Noruega é uma porcaria.

    Eu já estive lá (e em quase todos os países da Europa; sou bem viajado). De todos os países escandinavos, a Noruega é de longe o pior.

    A gasolina é a mais cara do mundo. As bebidas alcoólicas, distribuídas pelo estado, idem. Comer, então, é proibitivo. Dado tudo eram os olhos da cara, eu tinha de me contentar com o McDonald's (caríssimo também).

    Mas nada se compara à surpresa que tive ao descobrir que eu tinha de pagar para poder sentar-me à mesa e comer!

    Sério mesmo, se tem um país que é anti-pobre, esse país é a Noruega. Quem não tem dinheiro não come (se conseguir comprar algo, vai ter de comer em pé), não bebe e não anda de carro.

    Comparado à Noruega, a Suíça é uma pechincha. E os EUA, então, são de graça.

    Converta os preços para dólares e compare os preços dos produtos com os preços que são cobrados nos EUA.

    É outra galáxia.

    E não precisa confiar em mim não. Veja o relato de um universitário do Texas (estado rico) que foi pra lá. O sujeito quase virou mendigo. Três cervejas, US$ 57!

    https://sites.utexas.edu/culturescontexts/2013/08/29/why-is-norway-so-expensive-think-living-wages/


    Ah, e segundo uma britânica, compras básicas de supermercado para uma família comum ficam em 1.000 libras esterlinas!

    https://anotherbagmoretravel.wordpress.com/2013/02/19/norway-europes-most-expensive-country/


    Um pobre brasileiro que esteja trabalhando nos EUA consegue viver com abundância. Tem carro, casa boa (de aluguel), come o que quer e consome bastante. Já um pobre brasileiro na Noruega nem sai do avião. (A menos que ele consiga entrar num programa assistencialista).


    Mais aqui:

    https://www.tripadvisor.com.br/ShowUserReviews-g190455-r115014580-Norway.html


    A Noruega só se mantém porque bóia sobre petróleo e pode utilizar essas receitas para dar boa vida para os mais pobres. Tire o petróleo da Noruega e veja o que sobra.

    Já Suécia e Dinamarca, que não têm essa mordomia garantida pelo petróleo, têm de se virar. O que ambas fazem? Desregulamentam sua economia.

    Todos os socialistas querem ser a Dinamarca - será mesmo?

    Cinco fatos sobre a Suécia que os social-democratas não gostam de comentar
  • JOEL LUCIANO  11/07/2017 13:58
    Roma também paga para sentar. (roma.corriere.it/roma/notizie/cronaca/13_maggio_6/conogelato16euro-turisti-truffati-roma-212994047290.shtml)
    É o ditado grama do vizinho é sempre mais verde.

    Se tem uma coisa que me irrita é cidadão reduzir um debate em termos como: "Na Noruega é assim...", "lá na Dinamarca...", "os países nórdicos", bla bla bla...
  • Bonifácio  11/07/2017 14:18
    Só que em Roma foi uma clara armadilha para turistas, e ocorreu em um único local (o qual estava extremamente cheio). Já na Noruega isso é generalizado.

    Tudo o que eu disse é que as coisas na Noruega são caríssimas mesmo para os padrões de um americano e de um britânico, de modo que aquele brasileirinho que diz que sonha com um país igual à Noruega não tem a mais mínima ideia do que realmente está desejando.
  • Abreu  11/07/2017 14:45
    Meu filho acompanha vários canais de viagens e nestes descobri que a Noruega é uma espécie de piada em relação aos preços e só vão lá para tirar sarro e zombar do preço das bebidas e itens de diversão, jovens estrangeiros melhor informados costumam citar Suécia, Dinamarca, Austrália, Canadá e Nova Zelândia como os mais desejáveis para estudar e morar.
  • Alexandre Fetter  10/07/2017 13:05
    Para quem não é economista, como eu, o artigo é didático e esclarecedor. Acabou a minha convicção de que inflação é aumento de preços.
  • Fábio Augusto  10/07/2017 19:12

    Leandro, se o parâmetro de aumento da oferta monetária é o crescimento PIB, o Governo poderia "imprimir" dinheiro diretamente sem gerar hiperinflação, limitado a este crescimento. Ou não?

    Por que não fazer isso?

    Ao menos não diminuiria a necessidade endividamento do Estado?

    Obs.: replico esta pergunta que fiz no post anterior, pois aqui parece mais adequado.

    Obrigado.
  • Leandro  10/07/2017 20:05
    Não me parece uma ideia boa. Se num ano o PIB cresce 7,5% e no ano seguinte encolhe 3%, como ficaria a variação da oferta monetária? Seria uma montanha-russa totalmente instável e ainda mais propensa a gerar (e acentuar) ciclos econômicos.

    Como disseram alhures, se a ideia for essa, muito melhor seguir o crescimento populacional. Ou então estipular uma taxa fixa -- tipo, 3% -- e mantê-la.

    Mas não sou a favor de nem uma nem outra. Currency Board ou free banking seriam melhores.
  • Fábio Augusto  10/07/2017 20:26
    Grato pela clara resposta, Leandro.

    No caso de encolhimento do PIB, teríamos duas possibilidades:

    a) no ano subsequente não poderia ter emissão direta de moeda pelo Governo. Além disso, a oferta monetária deveria diminuir no mesmo percentual da diminuição do PIB, por meio de venda de títulos pelo BACEN. Isso poderia evitar a inflação (ou estagflação), mas me parece que aí a recessão tenderia a aumentar... É isso mesmo?

    b) apenas não poderia ter emissão direta de moeda pelo Governo, até que a inflação absorvesse o aumento da oferta monetária e houvesse novo crescimento do PIB.



    Também não acho esse sistema ideal. Talvez apenas melhor que o atual e mais palatável do que outros que demandem mudanças mais bruscas. Talvez seja algo mais pragmático, um meio termo.

  • Bart  19/07/2017 08:49
    O jeito que esquerdistas e, principalmente, petistas comparam as situações da década de 90 com agora são trágicas. E hilárias.

    O raciocínio de pessoas que acham que o governo promove, ou deve promover, desenvolvimento é bem simples: o governo aumenta seus gastos destinando a empresas consideradas estratégicas, expande o crédito subsidiado para empresas consideradas estratégicas, aumenta continuamente o salário mínimo e os sindicatos se encarregam de fazerem reajustes nos salários das profissões.
    Pronto, os dados estão perfeitos para serem coletados e os jornais noticiarem que o país está próspero graças aos nossos iluminados políticos.

    Mas não existe almoço grátis. Um dos custos dessas canetadas será a constante desvalorização da moeda. Além, claro, do desemprego, do endividamento das famílias, do aumento dos custos para produção, crescimento da taxa de juros, etc.
  • Emerson Luis  29/07/2017 12:30

    Com liberdade econômica (ou seja, sem o intervencionismo estatal), a tendência natural é de queda dos preços, aumento de oferta e de qualidade e melhoria da qualidade de vida.

    * * *
  • Um Cão  16/08/2017 18:13
    Pergunta ao mestre Leandro,

    A base monetaria (M2) do Euro por exemplo, em 10 anos expandiu 1,59233513913 vezes (aumento de aprox. 60%):

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMcy

    A base monetaria (M2) do Real, em 10 anos, expandiu 3,57442856028 vezes (aumento de aprox. 257%).

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMcC

    A base monetaria (M2) do Dolar, em 10 anos, expandiu 1,86451427319 vezes (aumento de aprox. 86%).

    fred.stlouisfed.org/graph/?g=eMde

    O preço do Euro, em Reais há 10 anos atrás era de R$2,74

    O preço do Dolar, em Reais há 10 anos atrás era de R$2,03

    Se dividirmos a expansão da base monetária do Real pela expansão monetário do Euro, temos 2,24477151351

    Se dividirmos a expansão da base monetária do Real pela expansão monetário do Dolar, temos 1,91708296991

    Se multiplicarmos o valor do Euro ha 10 anos atraz por esta razão de expansão (2,74 * 2,24477151351) teriamos 1 EUR = 6,15 BRL

    Se multiplicarmos o valor do Dolar ha 10 anos atraz por esta razão de expansão (2,03 * 1,91708296991) teriamos 1 USD = 3,89 BRL

    Dado estas informações,

    Por que o valor do Euro hoje não estaria 6,15 BRL e o Dolar 3,89 BRL? Esta pergunta faz sentido? Seria por Especulação cambial? Perspectivas futuras de mercado?
  • Leandro  16/08/2017 18:25
    Não, não é assim que funciona.

    Para começar, vale ressaltar que base monetária não é o mesmo que M2. M2 é um agregado monetário.

    A base monetária engloba apenas o papel-moeda (cédulas e moedinhas metálicas) e as reservas que os bancos mantêm depositadas no Banco Central.

    M1 engloba o papel-moeda em poder do público (pessoas e empresas) mais os depósitos em conta-corrente.

    Já o M2 engloba o M1, mais a caderneta de poupança mais os depósitos a prazo.

    Dito isso, não se estima o câmbio com base estritamente na evolução da oferta monetária, mas sim na evolução efetiva do poder de compra de cada moeda -- o qual também é afetado pela oferta monetária, mas não só, pois também há o componente crescimento econômico.

    Artigo inteiro sobre isso:

    Qual o valor "correto" do câmbio? Sim, é possível estimar
  • Um Cão  16/08/2017 18:46
    Fantastico esse artigo! Não sei como não li ele antes! Obrigado pela rápida e certeira resposta!


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