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Após um ano de governo, o que Mauricio Macri conseguiu fazer na Argentina?
Muito e, ao mesmo tempo, muito pouco

Por mais que seja um objetivo desejado por muitos, ser presidente da Argentina não é o melhor que pode acontecer a uma pessoa.

Desde 1938 — ou seja, há mais de 78 anos —, todos os que foram presidentes do país — civis, militares, homens, mulheres, peronistas, anti-peronistas — ou entregaram o mandato antes de seu fim, ou morreram no cargo, ou foram derrubados, ou acabaram presos, ou se exilaram no exterior. A única exceção, por enquanto, é Cristina Kirchner, embora ainda seja prematuro conhecer seu destino (ela foi indiciada por corrupção e enriquecimento ilícito).

Ou seja, é um cargo maldito.

Maurício Macri, por sua vez, tem tudo contra si: não é peronista, o que agrava as coisas (nenhum não-peronista consegue terminar um mandato); não é político, mas sim empresário; não tem maioria no Congresso; sua coalizão teve apenas um terço dos votos no primeiro turno; não controla territorialmente o país; tem contra si todos os sindicatos; e sua base é minoria nas duas câmaras do parlamento.

Como se não bastasse, ainda herdou uma situação econômica calamitosa que requeria mudanças drásticas e dolorosas. "Será que ele irá conseguir?", era a pergunta lógica que todos fizeram quando ele venceu as eleições.

Porém, para falarmos de Macri e suas políticos, é necessário antes falarmos do legado de Cristina Kirchner.

A verdadeira herança maldita

Os Kirchner (Nestor e depois sua mulher Cristina) governaram a Argentina entre 2003 e 2015, período este que foi caracterizado pelos piores rasgos do peronismo: populismo, clientelismo, inflacionismo, intervencionismo e parasitismo.

Durante a segunda metade do período kirchnerista, as contas do governo argentino ficaram no vermelho.  O déficit orçamentário foi crescendo aceleradamente até chegar ao insustentável valor de 7% do PIB em 2015.

Tendo decretado moratória no início da década de 2000 (e reincidido em 2014), o governo não conseguia se financiar facilmente via empréstimos no mercado financeiro.  Consequentemente, teve de recorrer à inflação monetária — isto é, colocar o Banco Central para imprimir dinheiro — para financiar seus déficits. 

A criação de dinheiro — principalmente a partir de 2009 — ocorreu a uma velocidade espantosa.

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Como consequência, os preços se descontrolaram, com a carestia chegando a alcançar os níveis mais altos do ranking mundial. 

Consequentemente, o governo agiu. E com truculência.

Um dos casos mais escandalosos de degeneração institucional ocorreu no início de 2007, quando o governo utilizou as forças policiais para tomar o controle do Instituto Nacional de Estadística y Censos (INDEC) e trocou os encarregados de calcular a inflação.  Como esta vinha se acelerando, atrapalhando os planos eleitorais de Cristina Kirchner, o governo do seu então marido resolveu demitir aquelas pessoas que a estavam divulgando de maneira correta, substituindo-as por "pessoas de confiança" — isto é, por apaniguados que, a partir de então, iriam divulgar índices maquiados de inflação.

A autonomia dessa instituição argentina frente o dirigismo político foi totalmente dilacerada desde então, de modo que as estatísticas oficiais perderam qualquer credibilidade.

Para agravar, em 2012, o governo decretou que era crime divulgar as taxas reais de inflação, ninguém realmente sabia qual era a verdadeira taxa de inflação de preços no país.

Em paralelo a tudo isso, o governo Kirchner fechou a economia ao comércio internacional e adotou um discurso mais alinhado ao do governo venezuelano do que ao dos países desenvolvidos.

Com a carestia descontrolada, o governo recorreu àquele expediente que todo populista gosta de fazer: congelou os preços dos setores de energia, de transporte e de água — os quais são popularmente chamadas de "tarifas de serviços públicos".

Na Argentina, o sistema de tarifas congeladas predominou durante os últimos 14 anos e, como não poderia deixar de ser, exigiu que o governo transferisse uma enorme quantidade de recursos para as empresas produtoras para cobrir a diferença entre receitas (congeladas) e custos (em acelerado crescimento por causa da inflação monetária).

Em 2015, somente em subsídios com energia, foram gastos 170,3 bilhões de pesos, um aumento de 4.123% em relação ao ano de 2006.  Em termos do PIB, os subsídios à energia, à água e ao transporte chegaram a 5% em 2014.

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Isso gerou um ciclo vicioso.  Quanto mais o governo imprimia dinheiro, mais os custos operacionais das empresas aumentavam.  E como os preços estavam congelados, suas receitas não subiam.  Consequentemente, mais subsídios o governo tinha de dar às empresas.  Só que os subsídios aumentavam os déficits orçamentários do governo, os quais eram então financiados com mais impressão de dinheiro. 

Essa ciranda resultou em uma das maiores carestias do planeta.

E, como sempre ocorre com os controles de preços, o congelamento tarifário gerou um enorme incremento do consumo (aumentou a demanda), o qual não foi acompanhado por um aumento da produção (pois as receitas estavam congeladas).  Como consequência, a oferta desses serviços se deteriorou, não conseguindo suprir a demanda. 

Em um informe publicado no ano passado, foi relatado que, de 2003 a 2015, o consumo de gás natural aumentou 41%, o de energia elétrica, 58%, e o de gasolina, 153%.  No entanto, com preços congelados, a oferta não acompanhou a demanda. Consequentemente, perdeu-se um estoque de reservas equivalente a quase dois anos de produção de petróleo e a mais de nove anos de produção de gás. 

Isso gerou uma deterioração dos serviços: os cortes na oferta de gás para as indústrias, que apresentaram uma taxa de 3% em julho de 2003, subiram para 17% em julho de 2015.

Na região metropolitana de Buenos Aires, as residências ficaram, em média, 32,5 horas sem luz apenas em 2015. Em 2003, a média de horas de apagão era de 8,3.  Ou seja, os blecautes quadruplicaram em 12 anos.

Por fim, também segundo os dados oficiais, de 2001 a 2012, o congelamento das tarifas fez com que o gasto total com eletricidade caísse 80% em termos reais (quando se considera toda a inflação de preços). 

Ou seja, na prática, o kirchnerismo praticamente obrigou as empresas a distribuir luz de brinde para os usuários.

Sai Cristina e entra Macri - e ele descobre o tamanho da encrenca

Após a eleição da Mauricio Macri, sua primeira medida foi restaurar a credibilidade das estatísticas do país. O INDEC voltou a ser profissionalizado e voltou a ter liberdade para divulgar as estatísticas corretas.

E o que ele revelou foi um susto: pelos novos dados do INDEC governamental, os preços se multiplicaram por cinco desde o fim de 2006 até o fim de 2015: uma média de 19% ao ano. Já pelos cálculos do MIT, do final de 2007 até o final de 2015, os preços se multiplicaram por seis: uma média de 25% ao ano.

Isso era exatamente o que o governo Kirchner queria esconder.

Mas piora: o INDEC também publicou sua nova estimativa para o PIB desde 2004, e os resultados são desoladores: hoje, a economia argentina está 24% mais pobre do que se acreditava.  A principal consequência dessa correção é que o país cresceu 18 pontos percentuais a menos do que o propagandeado pelos Kirchner ente 2004 e 2014. 

Ou seja, a recuperação econômica após o colapso de 2001 foi bem menos intensa do que aquela que foi estrepitosamente propagandeada durante anos. 

Especialmente significativa foi a enorme diferença entre o crescimento real e o oficial durante o período 2011-2014, isto é, durante o segundo mandato de Cristina Fernández de Kirchner: ao passo que o INDEC kirchnerista havia divulgado um crescimento débil, porém positivo, de 4,2% durante todos estes anos, a realidade é que a economia encolheu 1,5%. Longe de ter se expandido, a Argentina de Kirchner e de seu ministro da fazenda (assumidamente marxista) Axel Kicillof ficou estancada quatro anos na recessão.

Ao final, 2,3 milhões pessoas caíram na pobreza durante o último mandato de Cristina Fernández de Kirchner, com a pobreza geral alcançando quase 30% da população.  Já segundo a Unicef, havia quatro milhões de crianças na pobreza, sendo que 1,1 milhão estava na pobreza extrema.

Para completar, segundo um recente estudo feito conjuntamente pela Universidade de Buenos Aires com a Universidade de Harvard, os argentinos estavam mais pobres em 2014 do que eram em 1998.

As primeiras medidas

Restauradas as estatísticas, o governo Macri adotou outras medidas igualmente importantes.

Começando pela frente fiscal, o governo argentino eliminou as "retenções" (taxação média de 30% das exportações) para a indústria e para os produtos agropecuários, exceto a soja, cuja tarifa de exportação foi reduzida de 35 para 30%.

Tais medidas foram feitas com o intuito de recuperar as economias regionais melhorando os incentivos à produção, tanto pela redução da carga tributária que incidia sobre o setor quanto pela abolição do "cepo cambiário". 

(O cepo cambiário implantado pelos Kirchner consistia no controle do mercado de dólares pelo governo, que dificultava a compra de dólares para importações e obrigava os exportadores a converter os dólares de suas exportações em pesos a uma taxa artificialmente valorizada, o que diminuía as receitas em peso; o Banco Central pagava aos exportadores somente 63% do valor de seus produtos vendidos para o exterior. A inevitável consequência dessa medida foi estimular os produtores a estocar sua produção e vendê-la no mercado paralelo).

Ambas as medidas — eliminação das retenções e fim do cepo cambiário — incentivaram os produtores a desestocar seus produtos e a vendê-los maciçamente para o mercado externo, trazendo dólares para o país e, com isso, trazendo alívio para as então debilitadas reservas internacionais do Banco Central argentino, que estavam em contínuo declínio desde 2011 e que voltaram a subir, pela primeira vez desde então, em 2016.

O governo também decidiu, acertadamente, abolir a política de controle de preços e tarifas, a qual, como explicado acima, estava afetando severamente os investimentos naqueles setores. Além da abolição do congelamento, foi anunciada também a intenção de se acabar com os subsídios.

Consequentemente, houve um reajuste tarifário que doeu no bolso dos argentinos.

E o pior: tal ajuste tarifário não foi seguido por uma política fiscal e monetária austera.

E aí os problemas se agravaram.

Era para mudar, mas ninguém realmente quis mudar

Logo de início, o próprio governo anunciou que, para evitar custos sociais e políticos, as mudanças ocorreriam de maneira gradual

Por exemplo, para combater o déficit orçamentário do governo, que é a causa principal da inflação, os gastos governamentais teriam de ser reduzidos. No entanto, o governo Macri anunciou que pretendia reduzir os gastos em apenas 2 pontos percentuais em relação ao PIB. Isso não era absolutamente nada, uma vez que, durante o kirchnerismo, os gastos do governo cresceram nada menos que 20 pontos percentuais em relação ao PIB.

Mas nem mesmo o anúncio desse gradualismo aplacou os oponentes. A reação contrária foi imediata e veemente. Tão logo foi feito o anúncio de que haveria uma gradual redução dos subsídios energéticos, o que impactou as tarifas que se pagam pelos serviços de luz e gás, o governo federal não apenas encontrou resistência dos governadores das províncias, como também o judiciário mandou conter os ajustes.

Governadores das províncias se reuniram com os ministros do Interior e da Energia e decidiram que os ajustes não poderiam ultrapassar 400% para o consumo residencial e 500% para o consumo comercial.  Parece muito, mas isso nem sequer repõe as perdas inflacionárias.

Como se não bastasse, vários dirigentes empresariais vieram a público criticar a medida como sendo "brutal", sendo que, nos países vizinhos, os empresários operam com normalidade pagando tarifas que chegam a ser de 2,6 vezes mais onerosas, como é o caso do Chile. Na Espanha, o custo energético é 4,5 vezes maior que na Argentina.

O que realmente chama a atenção é: onde estavam os governadores das províncias e os membros do judiciário que não protestaram quando o kirchnerismo levava adiante a política de destruição do poder de compra da moeda argentina?

Esse realinhamento tarifário não é uma obra do acaso; ele é consequência direta das políticas inflacionárias do governo anterior e do congelamento de preços. Foi a inflação — ou seja, o aumento de preços gerado pelo aumento excessivo da oferta monetária, que triplicou em pouco mais de 3 anos (aumento esse feito pelo governo Kirchner para cobrir os déficits orçamentários do governo) — em conjunto com o congelamento de preços o que desarranjou toda a economia, levando à necessidade de um realinhamento do câmbio e das tarifas dos serviços públicos.

Onde estava o judiciário à época?

Mas o problema não se restringiu apenas às tarifas dos serviços públicos. Os argentinos simplesmente não querem se desfazer de suas estatais deficitárias. A companhia aérea estatal Aerolíneas Argentinas, por exemplo, dá um prejuízo ao Tesouro de 2 milhões de dólares por dia.  Os grupos de interesse e os sindicatos não querem nem ouvir falar em privatização. Igualmente, a estatal petrolífera YPF registra prejuízos trimestrais milionários, e nada de o governo se desfazer dela.

O governo, com efeito, tomou nota dessas reclamações e, para ficar politicamente de bem com todos, anunciou aumentos para os aposentados, para os salários dos professores, e aceitou frear o ajuste tanto das tarifas quanto da reforma do setor público.

Como disse Juan Carlos Hidalgo, "os argentinos querem que empresas emblemáticas como Aerolíneas Argentinas e YPF continuem nas mãos do estado, que os subsídios tarifários continuem generosos e que os gastos com salários e pensões não parem de subir. Mas, ao mesmo tempo, querem menos impostos, inflação de preços baixa e sob controle, e serviços de qualidade. É a quadratura do círculo".

Tudo isso gerou um déficit primário de quase 5% do PIB. E, para cobrir esse déficit, o governo Macri recorreu às duas magias tipicamente argentinas: endividamento e inflação monetária. Desde que chegou ao poder, a dívida pública (interna e externa) do país já aumentou mais 40 bilhões de dólares, chegando a 50% do PIB. E, mesmo com a Argentina sendo novamente aceita no mercado internacional de crédito, o governo não conseguiu abrir mão de sua outra forma de financiamento: criando dinheiro.

Como mostra o gráfico abaixo, a expansão da oferta monetária segue incontida sob o governo Macri.

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Toda essa mistura de frouxidão fiscal, déficit primário, endividamento crescente, estatais deficitárias, e expansão monetária, em conjunto com a liberação do câmbio, foi fatal: o peso desabou em relação ao dólar (um dólar saltou de 10 para 16 pesos, encarecimento de 60%). Consequentemente, a inflação de 2016 foi de impressionantes 41%.

Mas vamos apontar os verdadeiros culpados

Vale ressaltar, porém, que não foram a desvalorização cambial e o aumento das tarifas dos serviços públicos o que fez aumentar a inflação de preços, mas sim exatamente o contrário: foi o aumento de preços gerado pelo aumento excessivo da oferta monetária, que triplicou em pouco mais de 3 anos (aumento esse feito pelo governo Kirchner para cobrir os déficits orçamentários do governo, prática mantida pelo governo Macri), que desarranjou toda a economia, levando à necessidade de um realinhamento do câmbio e das tarifas dos serviços públicos.

Por algum tempo, o governo conseguiu recorrer a medidas populistas e evitar que esse efeito chegasse a todas as áreas da economia impondo controles ad hoc.  Foi isso o que o governo Kirchner fez ao criar uma taxa oficial artificial para o câmbio (o "cepo" cambial), ao congelar as tarifas dos serviços públicos, e ao determinar — por meio do programa Precios Cuidados — que os supermercados não aumentassem os preços.

No entanto, o que tais programas intervencionistas realmente conseguiram lograr foi reduzir drasticamente as exportações, desestimular investimentos e acabar com os incentivos para que as empresas produzissem cada vez mais e melhores bens e serviços.

O governo Marci poderia ter optado por deixar tudo como estava, mas isso significaria apenas aprofundar ainda mais tanto a inflação futura quanto a estagnação econômica.  Acima de tudo, o prolongamento de tais intervenções teria gerado ainda mais pobreza.

Para evitar esse cenário, optou-se por fazer algo, e o que tinha de ser feito era desmantelar os controles e regulações que estavam freando a capacidade produtiva do país.

Agora, é importante ressaltar que é inevitável que tal decisão gere um efeito negativo imediato sobre a capacidade de compra de todos os argentinos; no entanto, é um ato de honestidade intelectual reconhecer que esse efeito não é consequência das novas medidas, mas sim o resultado inevitável de tudo aquilo que vinha sendo feito pelo governo Kirchner. 

De concreto, se a ideia de que eliminar controles e reconhecer o valor real das coisas — como do dólar, da energia e de alguns produtos no supermercado — são medidas que fazem com que a pobreza aumente, então, por uma questão de lógica, a pobreza já estava elevada, mas se mantinha ocultada por estes controles.

O fato é que as políticas econômicas adotadas pelo kirchnerismo aumentaram o número de pobres em 5 milhões em 6 anos.  Frente a este panorama desastroso, era imperativo mudar de rumo.

Conclusão

Não obstante sua terrível herança, o fato é que o governo Macri, ao optar pelo gradualismo, não vem cumprindo seu dever de casa. É verdade que ele não tem apoio político para implantar medidas impopulares, principalmente aquelas que envolvem cortar o gasto público. Mas, a continuar assim, a situação demorará desnecessariamente muito tempo para se reverter.

A enorme carga tributária, de 36 % do PIB, afugenta os investimentos e restringe a recuperação econômica. A alta inflação de preços corrói a renda real das pessoas e acentua a pobreza. E o endividamento do governo, cedo ou tarde, chegará a níveis insustentáveis, como tantas outras vezes na história — repleta de moratórias — da Argentina.

Como concluiu Hidalgo, "houve mudança de governo, mas não houve mudança na opinião pública. Sem isso, será muito difícil que a Argentina implante as reformas de que tanto necessita. Friedrich Hayek já havia chamado a atenção para isso há mais de meio século: a única maneira de mudar o curso de uma sociedade é mudando primeiro suas idéias."

Poderá Mauricio Macri escapar do mesmo e terrível destino de todos aqueles que ocuparam a Casa Rosada antes dele? Pouco mais de um ano após a sua posse, a pergunta segue a mesma.

_________________________________________

Adrián Ravier, doutor em economia aplicada pela Universidad Rey Juan Carlos de Madri e professor da Escuela de Negocios da Universidad Francisco Marroquín, na Guatemala, e da Facultad de Ciencias Económicas y Jurídicas da Universidad Nacional de La Pampa, Argentina. 

Iván Carrino, analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austríaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.

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Diversos Autores

  • Felipe R  09/03/2017 06:25
    E aqui está o segredo para o sucesso de uma empreitada desestatizante sustentável, meus caros:


    "Houve mudança de governo, mas não houve mudança na opinião pública. Sem isso, será muito difícil que a Argentina implante as reformas de que tanto necessita. Friedrich Hayek já havia chamado a atenção para isso há mais de meio século: a única maneira de mudar o curso de uma sociedade é mudando primeiro suas idéias."
  • Luiz   09/03/2017 14:02
    Os globalistas pensam o mesmo.
  • Cleiton  09/03/2017 17:12
    Mas isso está correto, a diferença é que os globalista querem mudar as idéias para o mal.
  • Eriberto  09/03/2017 17:32
    "Os globalistas pensam o mesmo"

    Não entendi.

    Então você acha um equívoco pretender, via exercício da razão, mudar as ideias estatistas das pessoas? É isso?
  • Marcos  09/03/2017 18:20
    Ops. Peraí
    Os globalistas querem "impor", via instituições sem cara.
    Topocratas que não detêm legitimidade política, querendo "consertar a sociedade", empurrando-lhe seus ideiaiss goela abaixo, com a violação da liberdade das pessoas.
    Pelo pouco que entendo, do ponto de vista libertário, o processo seria bem diferente: tudo se construiria a partir de associações voluntárias.
    Vê-se, então, uma diferença enorme.
  • RMaidla  10/03/2017 00:51
    Marcos, lendo seus posts percebo que você tem uma grande confusão mental, tipo salada de temas. O que fizeram até agora políticos supostamente "com legitimidade"? Nos trouxeram até o presente caos de decadência econômica e degradação moral. É preciso entender que uma parcela maioritária (60-70%) do eleitorado é ignorante, mal educada, indolente, inconsequente, e incapaz de entender as reais implicações de suas escolhas. Prova: os quatro mandatos consecutivos dados ao PT.
  • Marcos  10/03/2017 02:38
    Olha só, nem de salada eu gosto.
    Mas se teve comfusão mental, acho que não foi no meu texto, não. Se não, vejamos:
    Você acha que termos uma população demente (palavras suas), que elege políticos ruins, justifica que os topocratas deem uma pedalada no processo político?
    Você acha que termos um povo mal-educado (suas palavra novamente) justifica que aceitemos que os topocratas cuidem de nós?
    Cara, os políticos podem ser horríveis (sim, são. É inerente).
    Mas pelo menos, podemos dizer que eles estão sujeitos, minimamente, a um tipo de accountability, por pior que sejam os processos políticos.
    Por outro lado, quem conferiu autoridade aos topocratas para que saiam por aí, querendo fazer "engenharia social"? Pior. Com o dinheiro tirado desse povo inconsequente, muitas vezes, absolutamente refratário a essas mudanças top-down?
    Se o povo é tudo isso que dissestes, deixe ele sofrer as consequências de suas escolhas.
    Näo lhes roube esse direito.
  • Andre Cavalcante  10/03/2017 13:52
    Calma gente

    Vocês 2 estão falando as mesmíssimas coisas, exceto com palavras diferentes...

    De fato os globalistas usam as mesmas ferramentas, isto é, a propaganda, a cultura e a "educação".
    Os liberais devem usar também.
    O problema é o conteúdo.

    Paz e prosperidade a todos... :)

  • antonio  10/03/2017 14:23
    Particularmente, o povo merece os políticos que tem, e a unica maneira de você reagir e levando na cara até se cansar, ou seja
    SEMPRE, É VOCÊ O RESPONSÁVEL PELA SUA SITUAÇÃO NÃO CULPE O OUTROS.
    Gostei do seu comentário.
  • Álvaro César  11/03/2017 13:27
    Pura verdade amigo!

    E ainda por cima, essa certeza se engradece ainda mais, quando se tem a opinião pública gerindo esse sistema, esta que por sua vez se origina de uma ideia ditada pela maioria como certa, fenômeno este que ocorre em sociedades democráticas que ao invés de buscar a liberdade buscam a igualdade em todas as coisas (Enquanto ela só pode existir perante a lei), geralmente essa opinião pública é de cunho repetitivo e pobre em conhecimento, afinal ha um detrimento na busca do conhecimento no referido processo.
  • Adriel Felipe  09/03/2017 10:02
    Artig do IMB com café? Que revigorante!
  • Henrique Zucatelli  09/03/2017 11:09
    Pois é. A ideologia é a raiz de todos os problemas ou soluções em uma região.

    Um povo ideologicamente libertário irá sempre preferir soluções pró mercado. Um povo ideologicamente socialista irá na via contrária. Ainda não vi um exemplo prático de mudança radical na cultura de um povo que o levasse a liberdade econômica voluntária, apenas compulsória, como acontece no Brasil e nos países Ibéricos da Europa.

    Lembro-me sempre de um sábio ditado passado por um professor há muitos anos: "Há cura para quase todos os males, até mesmo para a morte, como Jesus provou. A única exceção é a burrice."

  • Gestor de Democracia  10/03/2017 09:31
    Existe um Led minúsculo no fim do túnel.

    Se a Suíça votou contra o sistema de saúde público, podemos acreditar que o povo nem sempre vota errado.

    Ninguém fez uma pesquisa, referendo ou eleição, para saber quanto o povo quer pagar ao governo.

    O grande problema é que o povo quer roubar, expropriar e confiscar, porque o próprio governo faz isso dizendo que é bom. As pessoas foram criadas em um ambiente de doutrina, onde confiscar as coisas das pessoas virou uma coisa boa.

    Não existe outro caminho sem ser a guerra da informação.

    Não acho que iremos convencer bandidos a pararem de roubar, mas podemos combater a entrada de novos confiscadores e expropriadores.
  • Lel  09/03/2017 12:03
    Macri tinha que virar um Pinochet. Só assim algum país da América Latina possui jeito.

    Esse modo gradualista de mudança é suicídio político e os resultados não são garantidos.
  • Vitor  09/03/2017 12:51
    "Macri tinha que virar um Pinochet."

    Claro. Vamos impor a liberdade através de uma ditadura. Não é nem um pouco contraditório.

    O resultado disso vai ser o mesmo que está acontecendo no chile desde o fim da ditadura: já voltaram a eleger socialistas, e agora os partidos de "direita" apenas aceitam calados, pois apoiaram uma ditadura.

    É difícil acreditar que qualquer parte das reformas durante a ditadura de Pinochet permanecerá por muito tempo. Isso é o que acontece quando se procura mudar um sistema inteiro sem que esta seja a ideia mainstream na mentalidade do povo.
  • Lel  09/03/2017 13:35
    A maneira mais fácil e rápida de se mudar a mentalidade de um povo é também através de uma ditadura. Os países comunistas ensinaram isso de uma forma magistral. Os bolcheviques mataram no mínimo 20 milhões de russos e os russos ainda possuem grandes simpatias pelo socialismo soviético.

    Mas se você prefere se infiltrar nas escolas, universidades, jornais e outros locais que atinja uma grande parcela da população diariamente para tentar mudar a mentalidade do povo, fique a vontade. Quem sabe daqui uns 100 anos, você consegue seu objetivo. Mas vou logo avisando: o Socialismo é muito mais sedutor para as massas do que o Livre Mercado.
  • Pobre Paulista  09/03/2017 18:02
    Não precisa ser igual ao Pinochet em tudo, basta copiar o Helicóptero.
  • Marcos  09/03/2017 18:30
    O que vejo como instrumento possível de acelerar o processo seria o crescimento dos movimentos de secessão.
    No mínimo, o tema entraria muito mais na pauta.
  • Ricardo  09/03/2017 20:31
    Concordo.
  • Júlio César  09/03/2017 22:40
    Apesar de ele não merecer muito, acho correto dar um desconto para o Macri pois devido aos controles impostos pela administração dos Kirchner, ele não fazia muita ideia de onde estava se metendo. Se ele soubesse que uma inflação de preços alta e por um longo período era inevitável, talvez ele se percebesse que seria necessário ser mais radical e implantar uma ditadura para enfrentar o desenrolar das políticas populistas da Christina Kirchner.

    Por outro lado, é lamentável o aumento que ele pretende dar para os aposentados e pensionistas, para os salários dos professores e que ele tenha resolvido frear reformas. E já que falaram no Pinochet, não podemos deixar de considerar que o regime ditatorial foi justamente uma consequência da falência do estado de bem-estar social e que o Allende já pretendia transformar o Chile em um Estado comunista. E se tem uma coisa que o Macri poderia aprender com isto, é que esse é justamente o momento para reformas que reduzam o bem-estar social garantido pelo Estado e promovam mais o livre mercado, que foi o que o Milton Friedman e os 'Chicago Boys' propuseram no regime do Pinochet. Principalmente no que diz respeito a aposentados e pensionistas, como as reformas do Jose Piñera, que transferiram boa parte do que era Previdência Social para contas individuais em administradoras de fundos de pensão privados.

    Mas falando assim, até parece que somos contra o bem-estar social. Se vocês são, eu não sou.

    E é por isso que os discursos socialistas são mais sedutores que os de livre mercado. Uma vergonha para o livre mercado.

  • Marcelo  10/03/2017 00:48
    Eu até concordaria com suas ponderações sobre "dar um desconto para o Macri", só que isso não é possível na guerra de idéias.

    A esquerdalha, que é esperta, já está comentando que suas "reformas liberais" -- as quais, como mostra o artigo, foram pequenas e secundárias, e ignoraram completamente o principal (moeda e tamanho do estado) -- não deram certo e estão aumentando a recessão.

    Daí a importância de artigos como este, repleto de dados e argumentações. Isso a esquerda não tem.

  • Júlio César  10/03/2017 16:00
    De minha parte, eu uber concordo com você. Principalmente no que diz respeito a este artigo, que é importante e estupendo. A "esquerdalha" está nadando de braçada nas políticas neoliberais do Maurício Macri, e é indispensável trazer a verdade.

    E na verdade, mesmo com todo o desconto por ele não ter a maioria no Congresso e pelo judiciário lá também ter resolvido se intrometer para atrapalhar, eu acho que o Macri está no mesmo nível ou pior que o Temer. Não há nada de prodigioso na gestão dele por lá.

    Forte abraço!
  • Assis Utsch  21/03/2017 15:34
    A verdade é que na América Latrina o único Ditador que fez a coisa certa foi o Pinochet. Tão certa que nenhum governo posterior - a maioria de esquerda - ousou mudar a obra de Pinochet, que aliás levou o Chile a ser considerado a melhor economia do Continente. Todavia, na última eleição Michele Bachelet, tendo se aliado aos comunistas para se eleger, alterou por exemplo a legislação que assegurava aos estudantes chilenos estudar em qualquer Escola particular, paga pelo Estado. A aliança com os comunistas levou Bachelet a suprimir tal condição.
  • Andre  21/03/2017 16:48
    O Chile de 1973 estava no chão, desabastecido e a beira da guerra civil, não havia outra saída que não fosse pelo livre mercado, até um chimpanzé faria algo semelhante. O único presidente não esquerdista do Chile desde 1990 foi Sebastián Piñera em 2010, a constituição "liberal" chilena de 1980 está tão solapada que mal se reconhece o texto original.
    Há outros países na região que se organizaram na década de 90 e estão crescendo hoje a despeito de todas as perspectivas ruins da economia global e dos grandes players da América do Sul viverem recessões cavalares.
  • Eduardo  21/03/2017 19:22
    "Há outros países na região que se organizaram na década de 90 e estão crescendo hoje a despeito de todas as perspectivas ruins da economia global e dos grandes players da América do Sul viverem recessões cavalares."

    Que países seriam esses?
  • Andre  21/03/2017 19:29
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2089

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2216

    Há outros, se dê ao exercício mental de pesquisar.
  • Thomas  21/03/2017 19:24
    Peru e Colômbia.
  • 300esparta  09/03/2017 12:11
    Artigo maravilhoso!
    Eu vivencio isso todos os dias, tenho loja na fronteira com a Argentina e a pobreza da população deles é escancarada! Fica a família inteira fazendo contas para pagarem R$30,00 .... R$50,00 .... é uma pobreza lascada.
    E vou contar uma conversa que tive uma vez:
    Estava eu fazendo uma venda de R$5,00 ... R$6,00 para uma argentina e alguém começou a falar dos governos da A.L. em geral e do governo da Cristina Kirschner (presidente na época) e comparando que um pobre americano anda de carrão enquanto a classe média brasileira/argentina não consegue comprar um gol pelado.
    Ai ela me vira e fala que a Cristina era uma pessoa muito boa, ela ajudava os pobres, fazia muito pelos pobres e etc....
    Detalhe que a mulher não tinha um dente inteiro na boca, roupa parecia que saiu de um caminhão de lixo, cabelo que parecia um gambá, não tem carro pq vi que ela veio de onibus e não tinha mais que R$20,00 na carteira.
    O que me chamou a atenção é que ela não se achava pobre, ela ainda era classe média, pq não se via como os pobres que recebiam ajuda da Cristina.
    Ai vc ve a lavagem cerebral que os peronistas fizeram na cabeça deles. Todos achando que são classe média mas não tem condições nem de arrumar um dente na boca.
    Ai vc ve tb que não é só trocar 1 presidente por outro, pq a sociedade lá está enraizada naquela pobreza miserável e achando que estão bem pq alguém falou pra eles que são classe média.
    Vai no mínimo uns 50 anos de governos fazendo tudo certo pra eles voltarem a ser grandes na A.L.
  • Arilton  09/03/2017 14:47
    Excelente e muito elucidativo relato, 300esparta. Obrigado por compartilhá-lo.

    Você está 100% correto em seu diagnóstico.
  • Tucumán  09/03/2017 12:43
    Privatizar estatais gigantescas como Aerolíneas Argentinas e YPF é quase impossível. A primeira (e mais fácil) coisa a se fazer é abrir esses mercados para concorrentes.

    Quando a ineficiência dessas empresas ficar demasiada evidente, o assunto privatização se tornará inevitável na Argentina e a probabilidade de ocorrer privatizações ficará bem maior.
  • ed  09/03/2017 14:00
    E a esquerda como sempre vai dizer que a culpa da pobreza na argentina é do neoliberalismo.
  • Lel  09/03/2017 14:11
    Fizeram isso no México recentemente, porque não na, muito mais rica, Argentina?
  • Marcos Campos  09/03/2017 14:03
    Uma coisa que impressiona negativamente na Argentina é como a destruição da moeda se tornou corriqueira e rotineira. Lá, uma inflação mensal de 2% é tida como natural e normal.

    www.lanacion.com.ar/inflacion-y-precios-t46867

    Macri, pelo visto, ainda não entendeu que, como diz o IMB, sem consertar a moeda, não há como consertar a economia.
  • Charlinho  09/03/2017 15:16
    Na América Latina políticos têm carta branca para destruir a economia e jogar milhões de pessoa na pobreza, bastando para isso se apresentar como inimigo do livre mercado e preocupado com o social.
  • Dam Herzog  09/03/2017 15:25
    Lendo livros de um antigo economista que ajudou a criar a FGV, Sr. Eugenio Gudin, vi que ele há muitos anos falava das vantagens comparativa e também adotava uma definição de administração dizendo que adminstrar é escolher. Fiquei pensando porque o nossos representantes que detem a força para nos punir quando não pagamos os nossos impostos e podendo fazer um orçamento que considerasse as despesas rigorosamente dentro de um teto e as receitas rigorosamente pessimista afim de que sempre sempre houvesse um superavit de Rec.-desp.=superavit. Como adminstrar é escolher tudo que não fosse essencial seria cortado e "daria muitos bilhões". E então teriamos um resultado superavitário em que a dívida poderia ir sendo quitada, não mais aumentado o montante de juros da divida a pagar. Nas despesas já teria um montante para calamidades, e o "possivel" seria feito naquele determinado ano. A liberdade de empreender seria total com o minimo de regras. Assim dentro de poucos tempo a situação se reverteria sem o mortal gradualismo condenado pelo Rothbard. Fariamos a desmistificação da palavra desestatizar. O Macri não tem coragem moral nem liderança, e talvez esteja no cabresto do patrulamento do "politicamente correto" . Prefiro com todos os defeitos o Sr Trump perseguido pela midia fake da CNN.
  • RMaidla  10/03/2017 00:49
    Dan Herzog, não acha que é muito cedo para se apaixonar pelo Trump? Afinal, o que ele fez até agora além de continuar com o discurso de ódio da campanha, exibir de forma arrogante a caneta com que assina decretos, e insistir com o muro na fronteira com o México, como se os mexicanos fossem culpados pelos problemas dos EUA?
  • Adelson Paulo  09/03/2017 15:27
    Macri também está sendo muito prejudicado pela profunda crise que atravessa seu principal parceiro comercial, o Brasil. Caso o Brasil consiga iniciar um novo ciclo de crescimento econômico, a Argentina vai se beneficiar diretamente, fornecendo mais cabedal político para Macri manter seu rumo de reformas.
  • Um Cão  09/03/2017 15:43
    Excelente artigo. Sempre tenho um nó no estomago toda vez que vejo as estatísticas da AL e seu rumo ao comunismo em geral.
  • Luiz  09/03/2017 16:09
    Como o pequeno Paraguai consegue crescer e com inflação controlada cercado de socialismo de todos os lados?
  • Off-topic  09/03/2017 17:02
    Opa, estou lendo a algum tempo os artigos daqui e estou gostando bastante, queria fazer uma pergunta bem off-topic sobre salário mínimo.

    Vi um artigo desse site sobre ele e dizia que queriam o final dele pois gera desemprego e várias outras coisas ruins para a economia e eu concordei, mas outro dia quando eu estava conversando com um amigo meu, ele disse que não geraria desemprego, pois agora os trabalhadores estão consumindo mais e falou que havia um fluxo de dinheiro que fazia com que ele meio que desse uma volta na economia fazendo todos os empresários ganharem mais e com isso conseguirem bancar esses salários.

    Por exemplo: o trabalhador gasta essa maio quantos de dinheiro com um vendedor de roupas e esse vendedor agora recebendo mais vai conseguir pagar mais e contratar mais e isso vai aumentar o consumo com novos trabalhadores que vão gastar esse dinheiro em uma sorveteria ... E por aí vai.

    Isso está certo? A nao estiver como responder?
  • Professor  09/03/2017 17:30
    Ele está errado.

    Como é que vai haver todo esse "fluxo positivo de gastos" se as pessoas estão desempregadas justamente por causa do salário mínimo?

    Entenda: salário é um custo de produção. Elevar artificialmente o salário mínimo significa elevar o custo de produção sem que a produtividade tenha aumentado.

    Consequentemente, quem diz que elevar artificialmente os salários (qualquer salário, mínimo ou não) representa um estímulo para a economia está, na prática, dizendo que elevar artificialmente os custos de produção é bom para toda a economia.

    Lógica asinina.

    Salários maiores sem um respectivo aumento da produtividade implicam maiores custos de produção. Maiores custos de produção implicam menores lucros. Menores lucros implicam menos investimentos. Menos investimentos implicam menos emprego e menos renda. E menos renda gera menos consumo.

    Ou seja, exatamente o oposto do que disse seu amigo.

    Ademais, se salário mínimo aumentasse o emprego e gerasse todas essas benesses, então era só elevar o salário mínimo para R$ 100 mil reais (estou sendo bem moderado) e pronto. A economia iria bombar.

    Três artigos que recomendo:

    Questão de lógica: aumento salarial imposto por governo e sindicatos não pode estimular a economia

    O sofrimento gerado pela imposição de um salário mínimo

    Salário mínimo, estupidez máxima
  • Max Rockatansky  09/03/2017 17:30
    Raciocínio econômico completamente errado.

    É a mesma lógica torta denunciada por Bastiat lá em 1850. E depois por Hazlitt, entre outros.

    Não é o consumo que gera prosperidade econômica; é a geração de valor via produção e trocas voluntárias.

    Esse raciocínio é tão tosco, mas tão tosco, que para você ver isso basta o seguinte: se o salário mínimo gera prosperidade pq "aumenta o consumo", então pq salário mínimo de 1.000 reais?
    Pq não colocar numa lei salário mínimo de 10.000,00 reais? Assim o trabalhador "vai ganhar mais" e "vai consumir" mais.

    Consegue enxergar o que aconteceria se se determinasse algo assim? E então você consegue enxergar o que causa na economia fica aumentando salário mínimo via canetaço de um burocrata? É simples de enxergar.
  • Max Rockatansky  09/03/2017 17:35
    rectius: ficar aumentando
  • Off-topic  09/03/2017 17:44
    Agradeço pelas respostas

    Lerei os artigos recomendados

    Obrigado
  • Taxidermista  09/03/2017 17:38
    Recomendação de leitura:

    o clássico do Eugen von Böhm-Bawerk:


    mises.org/library/control-or-economic-law-1
  • Andr%C3%83%C2%A9  09/03/2017 17:44
    Isso não acontece dessa forma, você caiu na velha falácia do consumo, que é a mesma linha de raciocínio que o governo Dilma usou.

    Uma política de salário mínimo não cria riqueza para ninguém, nem para os trabalhadores, nem para os empresários, sejam eles grandes ou pequenos. O motivo disso é porque um capitalista empreendedor vai repassar o custo mandatório do salário mínimo para os produtos seus serviços, e, ao contrário que você pode pensar, os pequenos empreendedores sofrem muito mais com essa política que os grandes, por ter de trabalhar com custos altos e margens mais apertadas, o que reduz o estimulo a empreender. E mesmo o grande vai repassar os seus custos para o consumidor.

    Entenda esse básico: salário mínimo é nominal e não real. Riqueza não se cria impondo números, e sim melhorando produtividade e diminuindo custos. Fazer mais com menos. Uma política de salário mínimo não estipula aumento de produtividade, só infla artificialmente os salários, fazendo cair por terra qualquer ganho do trabalhador, pois gera a famosa inflação. A maioria dos brasileiros não entendem isso que é tão básico e querem combater as perdas inflacionárias com aumento de salário, que gera mais custos e aumenta ainda mais a inflação. É um ciclo que se autoalimenta.

    Salários baixos são sintomas de uma economia estrangulada pelo próprio estado, e não é fortalecendo o estado ou impondo números artificiais que esse problema será resolvido.

    Uma pergunta mais simplória que eu costumo fazer é: qual a diferença de um trabalhador ganhar R$ 2 e comprar pão a R$ 1 e um trabalhador ganhar R$ 4 e comprar pão a R$ 2?
  • Marconne  09/03/2017 17:09
    Excelente artigo.
  • Jon  09/03/2017 17:25
    Isso pode acontecer com Bolsonaro, por exemplo. De nada adianta ele ser eleito e não ter apoio no Congresso. Precisa-se mudar a mentalidade do povo e aí sim escolher representantes e finalmente o presidente. Não há atalhos, é isso ou não haverá mudança alguma. É uma guerra mente por mente.
  • Bernardo  09/03/2017 17:36
    No caso desse Bolsonaro, teria que primeiro mudar a mentalidade estatista-militarista dele próprio. O sujeito é adorador do estado até não mais poder.
  • Fernando  09/03/2017 18:50
    Pois é. Mas os fãs dele, apaixonados por um político - algo bem antiliberal -, acham que não.

  • Andre  09/03/2017 18:31
    Como o estado vai diminuir pelas mãos de alguém que nunca viveu longe das tetas do estado?
  • Gabriel  10/03/2017 04:43
    Apesar das nossas mazelas estamos bem melhores que a Argentina. Sem contar que quando começamos a embicar a coisa parece ter se realinhado.

    Isso porque conseguimos fazer reformas importantes nos anos 90 e hoje apesar da crise estamos retomando - ainda que timidamente - essa agenda.

    Espero que a reforma da previdência passe, pois se não passar o sinal dos políticos será que não estão nem aí pra nada, querem ape nas ser populistas.
  • Gestor de Democracia  10/03/2017 08:12
    Qual seria o resultado de uma eleição de carga tributária ?

    O melhor seria ter uma eleição para escolher a taxa de impostos de renda de pessoa física, jurídica e impostos indiretos.

    Será que o povo quer pagar impostos ? Será que uma eleição de carga tributária a cada 4 anos poderia resolver o problema financeiro ?

    Eu acho fácil o povo escolher quanto quer pagar. O primeiro ponto é que as pessoas irão aprender a calcular. O segundo ponto é que descisões mais específicas irão jogar a responsabilidade nas costas do povo e menos nas dos políticos.

    Os políticos tem medo das urnas. Por isso eu acho interessante colocar plebiscitos e referendos.

    O povo deve aprender a mandar no governo. A democracia indireta está falida.

    Com certeza, o povo vai escolher uma carga tributária abaixo dos 25%.

    Deixar as decisões nas mãos dos políticos vai destruir o país cada vez mais.

    Que democracia é essa que o povo só escolhe mentirosos ? Os políticos ficam mentindo sobre entrega de serviços e o povo fica que nem passageiro de motorista bêbado.

    É hora do povo decidir e sofrer as consequência de suas próprias decisões.
  • marcela  10/03/2017 13:30
    Se a mentalidade do povo é difícil de ser mudada,a dos blogueiros sujos é praticamente impossível!Na visão deles a recessão foi causada pelo "golpe",e a inflação só está caindo por causa dos ajustes feitos pela Dilma.Se não não acreditam leiam o que a própria Dilma diz:economia.estadao.com.br/noticias/geral,dilma-elogia-meirelles-e-diz-inflacao-esta-baixando-por-acao-em-seu-governo,10000062395
  • Humberto  10/03/2017 13:40
    Marcela, essa notícia é antiga. É de julho de 2016.
  • marcela  10/03/2017 14:15
    Verdade Humberto.Mas mesmo assim eles não assumem que são culpados pela crise atual,e sempre jogam a culpa nos outros.Essa notícia é bem atual:www.brasil247.com/pt/247/economia/282050/Recess%C3%A3o-de-Temer-amplia-desemprego-para-129-milh%C3%B5es-de-pessoas.htm
  • Acionista25  10/03/2017 14:46
    Parabéns por mais um brilhante artigo!

    Eu sinceramente ando muito desestimulado. Poderia citar vários exemplos. Vou me ater a três.

    Sobre a reforma da previdência. Quando perguntados, todos são a favor. Mas,quando parte para cada corporação, começa o mimimi que quer tirar direito do trabalhador e etc.

    Outro exemplo foi numa discussão com amigos que não são de esquerda e são até letrados,mas quase deram em mim ontem quando disse que concordava com as declarações do presidente da câmera Rodrigo Maia de ser a favor de fechar a justiça do trabalho.

    Por último, assim como na Argentina aqui no Brasil muitos acham que a maior crise de todos os tempos não foi gerada por Lula/Dilma, e que estes sim gostam e fizeram pelos pobres. É estarrecedor ver o molusco à frente nas pesquisas, mesmo depois de ter virado pentaréu.

    Parece que a gente foi sendo bombardeada ao longo da vida sem saber por estas ideias esquerdistas camufladas a lá Gramsci. Sair da matriz não é impossível, mas convencer o brasileiro da real é quase impossível.
  • Felipe Lange S. B. S.  10/03/2017 23:41
    Macri é um empresário que caiu de paraquedas na máfia estatal e, como em qualquer república democrática, depende de apoio de aliados, de voto, aquele "lero-lero". Ele teria que arrumar mais aliados dentro da máfia para conseguir passar essas reformas. Pode comparar com o Temer, político já experiente na vida parasítica dentro da máfia estatal e que tem maioria de aliados, até porque o PT só conseguiu tanto poder graças ao maior partido do Brasil, o PMDB. Trump também caiu de paraquedas e está mais no meio-termo. Se fosse um ditador, simplesmente passava por cima e impunha no mesmo dia a reforma

    São tantas décadas de estatismo que isso acaba condicionando o povo que ali reside. Países como Suíça ainda têm o estado, que é ruim, mas este não tem os devidos incentivos para se expandir e sim em adotar liberdade econômica. Cingapura, Hong Kong e Nova Zelândia também passam pela mesma situação.



  • Assis Utsch  11/03/2017 23:09
    É irônico que em 1958, Ludwig von Mises passou uma semana na Argentina fazendo seis conferências - As Seis Lições - Sobre o Capitalismo e o Socialismo. A audiência foi numerosa, mas foi pouco repercutida, pois as ideias então apresentadas nunca vicejaram na Argentina. É uma pena, um país que chegou a ser 6ª economia do mundo até os anos 1940/50, retornou tragicamente ao 3º mundo. A mentalidade do povo - ainda que seja o mais educado do Continente - não permite que qualquer político possa adotar as políticas corretas. Nem têm esses políticos disposição para fazê-lo.
  • Felipe Lange S. B. S.  12/03/2017 20:06
    Pois é. Venezuela também um dia já foi um país riquíssimo, hoje é algo mais deplorável que o próprio Brasil, este sim, um verdadeiro antro estatista.
  • Felipe Jauch  14/03/2017 13:12
    O que demonstra claramente que "mais educação" e "mais dinheiro para a educação" não quer dizer absolutamente nada, se a qualidade intelectual do que é ensinado passa longe do minimamente regular.
  • Joma Bastos  12/03/2017 12:30
    Mauricio Macri é empresário desde sempre, mas também é político desde 2003.
    "Em 2003, criou o partido político Compromisso pela Mudança, que mais tarde transformou-se na Proposta Republicana. No mesmo ano, foi derrotado em sua tentativa de eleger-se prefeito de Buenos Aires. Em 2005, foi eleito deputado federal pela cidade de Buenos Aires. Em 2007 e 2011, elegeu-se prefeito da capital federal, em ambas as vezes no segundo turno."
  • Tiago  13/03/2017 02:55
    Alguém sabe explicar a que se deve a "invasão" argentina nas praias do sul do país esse ano? Estive em praias de Santa Catarina e Rio Grando do Sul e a impressão que tive é que havia mais argentino que brasileiro.
    Com essa situação financeira que o país deles atravessa, não consegui entender tantos turistas gastando dinheiro aqui. Tem algo a ver com a liberação da compra de dólar?
  • Rogério  13/03/2017 11:59
    Sempre foi assim. Nada de diferente.

    O que você tem de ver é se esses argentinos são trabalhadores comuns da iniciativa privada ou se pertencem à casta privilegiada de funcionários públicos (são mais de 4 milhões de funças na Argentina, supremamente bem pagos).
  • Christian Fressato  13/03/2017 12:09
    #BolsoMITO2018
  • Marcos  13/03/2017 13:18
    Essa pode parecer uma afirmação absurda, mas a economia é o menor dos problemas da Argentina. De nada adianta um presidente que entenda a economia se ele não tiver força política para fazer o que deve ser feito. E Macri não tem essa força. A política na Argentina talvez seja pior do que a brasileira. Os espaços para trabalhar são muito curtos.

    Mas o pior mesmo é o problema cultural. Esse apego ao estatismo e populismo não cessa mesmo após décadas de fracasso. Seria necessário um trabalho cultural começando do zero, como liberais e conservadores vem fazendo por aqui. Aliás, vendo os argentinos, fico com a impressão de que os brasileiros são bem mais abertos ao liberalismo, por incrível que pareça.
  • Antônio  14/03/2017 12:24
    "É a quadratura do círculo" - poderia ser substituído, sem prejuízo da leitura por: É a bola quadrada do Kiko!
  • Marco Aurélio Agarie  28/04/2017 21:39
    Imaginem então o tamanho do desastre argentino que seria caso Maurício Macri não tivesse sido eleito presidente e ocorresse um continuísmo kirchnerista com uma vitória de Daniel Scioli. Que medidas poderiam implantar o candidato apoiado por Cristina Kirchner que, ao mesmo tempo, teria que continuar encobrindo todo o fracasso econômico da antecessora?
  • anônimo  29/04/2017 05:05
    Como sempre um governo populista e keynesiano maquiando os dados para ferrar o país para as próximas gerações e se gabando que seu país cresceu 1.000.000% em cinco anos.

    Quando esses canalhas vão parar de injetar dinheiro na economia de forma desenfreada achando que não haverão consequências futuras?
  • Emerson Luis  14/05/2017 14:45

    É um paradoxo do tipo "quem surgiu primeiro, o ovo ou a galinha?": sem mudanças de atitude nas pessoas, bons líderes pouco podem fazer; mas sem bons líderes, a maioria das pessoas faz pouca ou nenhuma mudança de atitude.

    Muitos argentinos, assim como muitos brasileiros, querem que determinados problemas sejam resolvidos, mas não aceitam modificar comportamentos que alimentam ou até mesmo geram esses problemas.

    * * *


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