O estado agigantado gerou o estado oculto, que é quem realmente governa o país
E o estado oculto será perpétuo enquanto houver um estado agigantado

Pergunta direta: quem realmente está no comando do estado, no controle da política e dos destinos do país?

Uma pista: não é somente o governo e sua face pública, que são os políticos eleitos.

A classe política é apenas o verniz do estado; é apenas a sua face pública. Mas ela não é o estado propriamente dito. Não é a classe política quem exatamente comanda as coisas. Políticos vêm e vão. Eles são meros atravessadores, isto é, pessoas que, ao ocuparem temporariamente o poder, vendem facilidades para determinados lobistas e grupos de interesse.

Esta é a função precípua do político.

Porém, como sua estadia no poder é temporária, seu comando sobre o estado é pequeno.

Quem de fato comanda o estado, quem se aproveita de suas facilidades e privilégios, é a permanente estrutura burocrática e lobista que está incrustada na máquina, estrutura esta formada por pessoas imunes a eleições. São estes, os burocratas, os reguladores e os grupos de interesse, que compõem o verdadeiro aparato controlador do governo.

Há o governo oficial e o governo paralelo, também chamado de "estado oculto".

O governo oficial é aquele que todos vêem, aquele cuja face pública está continuamente nos noticiários. São os membros do Executivo, do Legislativo e do Judiciário. São o presidente, seus ministros, os deputados, os senadores, os governadores, os prefeitos, vereadores e os membros do alto escalão do judiciário.

Já o "governo oculto" é aquele que opera imune às leis e diretrizes jurídicas. Não é constitucionalmente definido e atua por cima e por trás do governo oficial.

A origem

Sempre há, em qualquer sociedade, integrantes que estão dispostos a roubar, extorquir e enriquecer ilicitamente à custa do resto da sociedade. Em sua concepção clássica, o governo tinha uma única função: evitar que estas pessoas infligissem danos às demais. Essa sempre foi tida como a função clássica do governo.

No entanto, com o passar do tempo, a realidade foi se impondo. Em vez de combater essas pessoas, o governo foi se associando a elas. Se antes a função do governo era combater esses infratores, hoje ele passou a lhes conceder legitimidade. Autoridade. Respeitabilidade.

Quem primeiro chamou atenção para este fenômeno foi o então presidente americano Dwight Eisenhower, em seu discurso de despedida, em 1961. Na ocasião, Eisenhower rotulou esses interesses ocultos de "complexo militar-industrial". (Leia aqui o discurso completo e veja aqui o trecho mais importante em vídeo).

Com esta frase, Eisenhower denunciou uma minoria bem organizada que, por meio de lobby, conseguia privilégios financeiros junto ao estado, privilégios estes que eram bancados por todo o resto da maioria. Mais especificamente, Eisenhower se referia a um pequeno círculo incrustado no poder que obtinha benefícios tanto com a guerra quanto com o aumento indefinido dos gastos militares do governo.

Os empresários industriais, provedores de todo o armamento para o exército, eram os diretos beneficiários da corrida armamentista da Guerra Fria. Enquanto os conflitos bélicos ceifavam vidas no estrangeiro, dentro dos EUA eles elevavam o endividamento do governo, necessitando de novos impostos e de mais inflação monetária para arcar com esse endividamento. Como consequência, o patrimônio das famílias ia sendo destruído. Porém, todo o complexo militar-industrial ganhava com isso. Eram os únicos ganhadores. E eram bancados pela população.

Uma caricatura desta situação foi ilustrada em um filme recente intitulado Cães de Guerra (War Dogs). O filme, protagonizado por Jonah Hill, relata a história de Efraim Diveroli e David Packouz, dois jovens americanos que fazem fortuna vendendo todos os tipos de produtos ao pentágono. O sonho americano encurtado, sem ter de se submeter ao livre mercado: ricos da noite para o dia, graças ao descontrolado gasto estatal.

O leitor já deve ter percebido o que gera o estado oculto: quando há, de um lado, um governo grande, com um farto orçamento público repleto de emendas e brechas, sempre haverá, do outro lado, grupos de interesse poderosos e bem organizados, que irão se beneficiar deste orçamento público. Mais: esses grupos terão todo o interesse em fazer com que este orçamento cresça cada vez mais.

E quem realmente bancará todos esses gastos do governo que irão privilegiar os grupos de interesse são os pagadores de impostos.

Obviamente, o estado oculto não se limita somente ao gasto com armamento e defesa. O gasto público em nível mundial cresceu em todas as áreas, estimulando a pujante e gigantesca indústria do lobby.

Em seu livro Um Capitalismo para o Povo, o professor da Universidade de Chicago, Luigi Zingales, explica esta situação:

O primeiro e mais óbvio motivo para se fazer lobby junto ao governo é a elevada recompensa que isto traz. Quanto maior for o governo, quanto maiores forem seus gastos, maior será o bolo a ser repartido. Em 1900, o gasto federal não relacionado à defesa representava somente 1,8% do PIB, ao passo que o gasto com defesa chegava a 1% do PIB. Já no ano de 2005 — ou seja, antes da recente disparada dos gastos por causa da crise financeira —, o gasto público não relacionado à defesa chegou a 16% do PIB, ao passo que o gasto com defesa chegou a 4% do PIB. Ou seja, em um período de um século, a expansão do governo sobre a economia privada se multiplicou por 7.

No Brasil, como mostra este gráfico, o gasto público nas três esferas de governo chegou a estar em 10% do PIB na década de 1920, e fechou em 41% do PIB em 2013. Ou seja, os gastos estatais se multiplicaram por 4,1 em 90 anos.

Mas mesmo esses números não contam toda a história. Como já explicava Milton Friedman, os números do gasto e dos impostos em relação ao PIB subestimam a real influência do governo porque legislações e intervenções que possuem efeitos consideráveis sobre a economia não necessariamente exigem um grande aumento de gastos. Intervenções como tarifas de importação, leis de salário mínimo, imposição de encargos sociais e trabalhistas, controle de preços, licenças para exportação, permissões municipais e várias outras regulamentações não necessariamente implicam um aumento acentuado de gastos do governo.

O que é de crucial importância entender é que cada regulamentação introduzida pelo governo beneficia a uns poucos e prejudica a vários outros. Sabendo disso, a reação lógica dos grupos de interesse bem organizados e com grande poder de lobby será a de tentar cooptar (ou mesmo subornar, via propinas) os governantes para que regulem em seu benefício.

Um estado grande sempre acaba se convertendo em um instrumento de redistribuição de riqueza: a riqueza é confiscada dos grupos sociais desorganizados (os pagadores de impostos) e direcionada para os grupos sociais organizados (lobbies, grupos de interesse e grandes empresários com conexões políticas).

A crescente concentração de poder nas mãos do estado faz com que este se converta em um instrumento muito apetitoso para todos aqueles que saibam como manuseá-lo para seu benefício privado.

Lobistas e grupos de interesse, portanto, são a consequência natural de um estado agigantado e com gastos crescentes. E são também a essência do "estado oculto".

Os cinco elementos do estado oculto

No Brasil, o estado oculto é composto majoritariamente por cinco classes principais: os empresários que não querem concorrência; as empreiteiras que querem se fartar em dinheiro de impostos por meio de obras públicas; os sindicatos que se opõem à produtividade; os reguladores e burocratas que impingem as legislações; e os políticos que visam apenas ao curto prazo.

Estes são os cinco grupos de poder que formam o estado oculto. São eles quem, por meio de lobby, propinas e subornos, fazem com que políticos aprovem leis e implantem políticas públicas — tudo com a anuência de reguladores e burocratas — que lhes beneficiem, tanto legal quanto ilegalmente.

O cardápio vai desde a imposição de tarifas de importação, de subsídios diretos e de regulamentações que irão dificultar a entrada de novos concorrentes em um mercado específico (tudo isso beneficiando os empresários que não querem concorrência) até a criação de uma emenda orçamentária que irá beneficiar alguma empreiteira que será agraciada com a concessão de alguma obra pública. 

Passa também pelas fraudes em licitações e pelo superfaturamento (com o dinheiro de impostos) em obras de empreiteiras, ambos conseguidos em troca de propinas para políticos.

E não nos esqueçamos também dos privilégios sindicais garantidos pelo governo. Além de serem verdadeiros monopólios protegidos pelo estado, graças à unicidade sindical, sindicatos são financiados compulsoriamente com dinheiro público, por meio do Imposto Sindical. Vale ressaltar que, embora ninguém seja obrigado a se filiar a um sindicato, todos os trabalhadores são obrigados por lei a contribuir anualmente com o imposto sindical. Há o desconto em folha do trabalhador, mesmo que ele não seja filiado, tampouco se sinta representado por seu sindicato de classe. Os valores movimentados pelo Imposto Sindical chegam a R$ 3 bilhões por ano. Uma mamata para os sindicalistas. E bancada pelos trabalhadores.

A esmagadora maioria das políticas públicas implantadas no país visa à satisfação de algum desses grupos de interesse — ou à satisfação dos próprios políticos, burocratas e reguladores.

A Lava-Jato é a teoria levada à prática

Sempre que se cria um ambiente de relações estreitas entre, de um lado, os membros do governo (políticos, burocratas e reguladores) e, de outro, grupos de interesse política e economicamente favorecidos pelo governo (empresários anti-concorrência, empreiteiras de olho em obras públicas, e sindicatos), ocorre um fenômeno inevitável: todas as relações políticas passam a ser pautadas pelo famoso lema do "quem quer rir tem de fazer rir".

Para que políticos, burocratas e reguladores favoreçam determinados grupos de interesse, estes têm de apresentar agrados em troca. Trata-se de uma lógica que faz com que os negócios envolvendo o governo estejam em patamar de equivalência às práticas das tradicionais máfias.

Rigorosamente, os agentes do governo se valem destes privilégios (legais e ilegais) conferidos aos grupos de interesse e se apropriam — formalmente ou informalmente — de uma fatia da renda extraída da população para o benefício próprio.  Dito de outra forma, os agentes do governo exigem sua fatia do bolo: já que o governo está utilizando dinheiro de impostos para beneficiar grupos de interesse, então os agentes do governo que supervisionam esse processo também querem se dar bem nesse arranjo.

Os escândalos revelados pela Lava-Jato explicitam na prática toda essa teoria. A Lava-Jato nada mais é do que a investigação dessa ligação e associação entre, de um lado, as grandes empreiteiras e os grandes grupos empresariais e, de outro, os parasitas que integram a esfera regulatória federal: o que envolve desde burocratas de secretarias até membros do governo executivo, passando pelos integrantes do parlamento, legisladores, integrantes da magistratura, partidos políticos, e órgãos de fiscalização e polícia.

A Lava-Jato consiste na revelação do jogo de bastidores, das propinas, dos desvios de verba, do financiamento ilícito, da lavagem de dinheiro, da superfatura, das empresas fantasmas, dos esquemas de favorecimento de políticos, da apropriação dos recursos públicos e de favores imorais, buscando, ao mesmo tempo, perpetuar grupos de empresas nacionais, pelegos políticos e funcionários públicos corruptos.

Conclusão

Estes cinco grupos que formam o estado oculto estão no comando do país. Eles se fartam do sistema estatista vigente, o qual instaurou uma ordem social pautada na corrupção.

Enquanto a população continuar na defesa de um estado agigantado e onipresente, que em tudo intervém e de todos cuida, essa realidade não será alterada.

Só há uma única maneira de abolir, em definitivo, o estado oculto e toda a corrupção, os grupos de interesse e os lobbies empresariais que ele fomenta: reduzir ao máximo o tamanho do estado. Com estado grande, intervencionista e ultra-regulador, lobbies, grupos de interesse e subornos empresariais sempre serão a regra.

Mas quem realmente defende isso?

Defensores do estado agigantado são os fomentadores do estado oculto que realmente governa o país.

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Iván Carrino, analista econômico da Fundación Libertad y Progreso na Argentina e possui mestrado em Economia Austríaca pela Universidad Rey Juan Carlos, de Madri.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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SOBRE O AUTOR

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"O Warren Buffett tem uma frase que para mim é sensacional, certa vez ele disse que "você deve confiar o seu dinheiro apenas a única pessoa que você tem certeza que nunca irá lhe passar a perna, você mesmo!".

Se for para investir em fundos ou qualquer outra aplicação gerida por terceiros prefiro ficar na renda fixa mesmo."

Isso me deixou curioso. Pelo que eu saiba o Warren Buffett investe em fundos de ações.

E mais, muitos empresários(ou trabalhadores que ganham muito) quando tem uma rentabilidade que deixa uma margem para investimentos pessoais, ele não o faz sozinho e sim por meio de holdings familiares apenas e exclusivamente para isso, e essas holdings são geridas por terceiros ou as mesmas se associam com um private banking de um banco ou vários bancos.
Pego exemplo o Abílio Diniz, ele tem a Península Participações, onde por meio desse fundo ele investe em outros fundos, ações, títulos e etc. Aliás os próprios banqueiros fazem isso, eles não colocam todo o dinheiro em seu próprio banco para investir, e investe parte dele em fundos de investimentos.
Os empresários que venderam recentemente suas empresas parece ser a regra, a grande maioria deles investem em fundos de invetimentos ou private banking porque não conhecem ou não sabem como gerir o dinheiro que auferiram na venda de sua empresa.

Portanto fica as seguintes perguntas: O private banking(clientes ricos) acaba se tornando pior do que investir sozinho? Se sim o por que?
Investir em um fundos de investimentos acaba se tornando pior do que investir sozinho? Se sim o por que?

Obs: Se a resposta for sim em todas as respostas, então vocês deveriam falar isso para os bilionários do private banking e dos fundos de investimentos que eles estão fazendo errado em confiar seu dinheiro em terceiros e começar a agir diferente, investir sozinho seus próprio dinheiro. E o que falar dos bancos de investimentos? Era para o UBS já ter ido a falência, porque obviamente os bilionários não são burros.
Sr. Capital Imoral

O artigo por você comentado, brilhantemente escrito, diga-se, refere-se à soberania que todo indivíduo deve ter para fazer diversas escolhas, em particular, ao direito de portar uma arma de fogo para defender-se.

O sr. dá a entender que acredita que por viver em coletividade um homem ou mulher não tem individualidade. Com todo o respeito, é algo bastante tacanho. Mas, não me surpreende vindo de alguém que diz buscar "socialismo e liberdade" ao mesmo tempo em que nega ser "dono"de si.

Por favor, divirta-nos mostrando como alguém que não é dono de si pode ser livre...

Ah, e antes que eu me esqueça, por favor, divirta-nos também contando mais sobre essa sua tese de que os traidores são os "neoliberais".

Deve ser por isso que Luiz Carlos Prestes, um comunista de carteirinha, entregou a sua esposa judia Olga Benário, grávida de 7 meses, a Getúlio Vargas, para ser deportada diretamente para a Alemanha nazista de Adolf Hitler em troca da sua liberdade.

Deve ser por isso que Fidel Castro traiu o governo dos EUA, que o apoiou na derrubada da ditadura de Fulgêncio Batista.

Certamente é por isso que socialistas/comunistas praticavam seus justiçamentos, para tanto bastando simplesmente desconfiar.

Provavelmente é por isso que governos socialistas/comunistas matam justamente o seu povo. Inclusive boa parte daqueles que ingenuamente os apoiavam por acreditar, como você, que socialismo significa liberdade e, chocados, começarem a perceber a cilada em que caíram tão logo os governos que ajudaram a subir ao poder chegam a ele.

Se isso não é "trair o coletivo", então, por favor, conte-nos o que é.

O Homem, com "H" maiúsculo, vive em coletividade. A coletividade é uma característica da espécie humana.

O homem, assim como a mulher, são indivíduos. E como tais, fazem suas escolhas. Coletivas e individuais. Inclusive quanto a quais coletivos pretendem seguir. E devem ter direito a elas. Isso inclui o poder de decisão sobre portar ou não arma de fogo.

Exatamente aí está o ponto. Aliás, vocês esquerdistas sabem muito bem usar o direito à individualidade quando ele lhes serve para vender suas idéias esdrúxulas. Ou você agora vai negar que as "feminazis" adoram bradar "meu corpo, minhas regras!"?

Seria divertido também ver o senhor, um orgulhoso filósofo e escritor, que diz que "já refutou Mises", explicando à essas mulheres sobre não ser seu dono, ser apenas uma ideia em prol do coletivo.

Sr. Capital Imoral, seus argumentos se baseiam inteiramente em uma visão completamente distorcida dos fatos. Algo, aliás, típico em esquerdistas. Distorcem a realidade ao sabor das suas conveniências para tentar adaptá-la à sua linha de raciocínio, se é que podemos dizer que há algum raciocínio em gente que nega a realidade à sua volta.

" Eu sou uma ideia, eu sou um espirito coletivo da busca pelo socialismo
e liberdade".

Sinto dizer, mas você terá de se decidir. Ou escolhe buscar o socialismo, ou o faz buscando a liberdade. Os mais de 100 milhões de mortos por esse regime nefasto e suas famílias (as que sobreviveram) certamente têm muito a dizer sobre liberdade no socialismo.

Diga em qual lugar do mundo socialismo e liberdade andaram juntos. A história mostra justamente o contrário. Socialismo sempre mostrou-se o oposto à liberdade e um sinônimo de autoritarismo. Norte-coreanos, cubanos, chineses, russos, venezuelanos, vietnamitas, cambojanos, romenos, poloneses, etc, têm muito a ensinar sobre isso.

Talvez você mesmo possa nos contar sobre como pode significar liberdade um regime que foi capaz de matar mais que a soma de todas as guerras do século XX. Pior: os mortos por esse regime eram do povo dos próprios países socialistas, não de países inimigos. Os povos que viveram sob esse regime sabem como ninguém o que é traição.

Mas, o senhor, iluminado como diz ser, poderia nos enriquecer contando quais países cujos governos adotaram idéias liberais provocaram o mesmo efeito.

Regimes socialistas só foram implementados às custas de repressão, violência e autoritarismo, com muito sangue derramado. Nem mesmo esse método e imposição garante a sua sobrevivência. Todos os regimes socialistas caíram de podres. Os que ainda sobrevivem estão cada vez mais fracos, sua vez de desmoronarem não tardará. E isso ocorre exatamente por causa da realidade. Não se pode negá-la eternamente.

Um dos grandes erros de vocês socialistas é tentar vender o capitalismo como se ele fosse uma espécie de entidade, algo criado artificialmente. Não percebem que o capitalismo é simplesmente a realidade entre as relações comerciais entre as pessoas. Liberais defendem o curso natural das coisas. O livre mercado.

Diferentemente do socialismo/comunismo, que um conjunto de teorias criadas por "pensadores" baseados exatamente na distorção da realidade. E que só pôde ser efetivamente implementado à força.

A julgar pelo fato de os mais bem sucedidos países do mundo adotarem, em variados graus, idéias liberais; mostra que quanto maior a interferência do Estado no cotidiano do cidadão, piores são as condições de vida da população, do coletivo.

Aí está uma lição para você pesquisar e estudar, sr. Capital Imoral. Tire os óculos ideológicos e observe o mundo à sua volta. Nada mais anti-socialista. Veja os rankings dos países com melhor IDH, com melhores indicadores de desenvolvimento. E veja quais são os países que mais implementam idéias liberais. Silogismo em estado puro.

Quanto à propriedade nada mais é que uma conquista daquele que trabalha duro por ela. Só questiona o direito à propriedade aquele que quer aquilo que pertence aos outros. Duvido que você abra mão das suas propriedades para ser coerente com o seu discurso contrário à ter esse direito.

Quando o fizer, senhor filósofo e escritor, aponte-nos, por favor, países sob regimes socialistas que estejam entre os primeiros em qualidade de vida, renda per capita, desenvolvimento humano, etc

Aí sim você estará refutando Mises. Do contrário, toda a sua ladainha de esquerdista só confirmará o quão ele está certo.





11 horas

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Gustavo Lima  07/03/2017 14:54
    "Originalmente, o governo tinha uma única função: evitar que estas pessoas infligissem danos às demais."

    Originalmente quando? Até onde eu sei, estado original não foi criado para o bem das pessoas, mas para que uns tivessem domínio sobre outros. Pode até ser que o estado fizesse leis com o objetivo de evitar que alguns infligissem danos aos demais, mas a função original dele nunca foi essa.
  • Revisor  07/03/2017 16:14
    Você tem um ponto. O trecho em questão já foi devidamente alterado.

    "Em sua concepção clássica, o governo tinha uma única função: evitar que estas pessoas infligissem danos às demais."
  • anônimo  07/03/2017 16:18
    Nos Estados Unidos dos pais fundadores, a função original era essa.
  • Henrique Zucatelli  07/03/2017 16:59
    Também considere a Suíça, Dinamarca, Noruega e minha amada Holanda.
  • anônimo  07/03/2017 17:36
    Com exceção da Suíça, todos já não seguem mais essa função original.
  • Luiz Henrique  07/03/2017 17:36
    Thomas Jerffeson!
  • Gustavo  07/03/2017 15:06
    Excelente texto!
  • Jango  07/03/2017 15:50
    Ótimo texto.
  • Torcedor do América  07/03/2017 16:04
    Apenas a realidade.
  • Paulo Henrique  07/03/2017 16:13
    https://wikileaks.org/ciav7p1/

    E o pior é que tal estado ''dentro do estado'' não responde a pressão popular devido a baixa transparência
  • Alexandre Kalil  07/03/2017 16:16
    Essa questão do estado oculto realmente merece mais discussão e exposição. Todos nós meio que sabemos do estado oculto em nível federal (empreiteiras e grandes empresários), mas pouco se fala daqueles em nível estadual (sabemos apenas de Eike Batista e Sérgio Cabral) e muito menos daquele em nível municipal.

    Em Belo Horizonte recentemente aconteceu algo interessantíssimo: o prefeito eleito Alexandre Kalil fez campanha dizendo que iria "abrir o caixa-preta da BHTrans" e iria colocar os empresários de ônibus na coleira, reduzindo as passagens.

    Tão logo ele assumiu a prefeitura, não só não fez nada disso como ainda decretou um aumento de 40 centavos (!) nas tarifas de ônibus.

    Ou seja, foi eleito rugindo e está governando miando.

    Não estou dizendo que tal aumento está errado e nem muito menos estou dizendo que o prefeito deveria impor reduções de tarifa na canetada. Estou apenas chamando atenção para um fato: o estado oculto (no caso, os empresários que detêm o monopólio, garantido pelo estado, do sistema de transporte) manda muito mais no governo do que a própria prefeitura.
  • Rodolfo  07/03/2017 16:17
  • Alexandre Coutinho  07/03/2017 16:56
    Rothbard descreveu isso minuciosamente em "A anatomia do estado":

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1053
  • André Spitzkopf   07/03/2017 16:58
    Tem muita grande empresa no Brasil que se encarar de frente uma verdadeira concorrência quebra em um ano.
    Como se dizia "antigamente": Quem não tem competência não se estabelece.
  • Marcelo  07/03/2017 17:05
    O "capitalismo" brasileiro é o capitalismo de Getúlio Vargas: "Aos amigos, tudo; aos inimigos, a lei...."

    Vejam o depoimento do Odebrecht: com R$ 150 milhões comprou o executivo; com mais R$ 100 milhões comprou o legislativo.

    Os compadres compram o governo -- ou seja, compram o poder -- bem baratinho. E tem gente que ainda diz que a solução é aumentar o governo e dar ainda mais poder a ele. Ou seja: querem que os compadres possam comprar o poder absoluto por R$ 250 milhões...
  • Dam Herzog  07/03/2017 17:05
    Qual é a estratégia do Mises Brasil para começar o desmonte do estados e do estado assistencialista e incrustado de parasitas de uma maneira prática e contínua e progressiva? Reformular a federação dando mais poder aos estados e pouco ao governo federal? Promover o direiro de secessão para que o mais experimentações sejam feitas pelos estados e que a liberdade possa provar que onde ela se instala a vida dos cidadãos melhora a cada dia que passa? Qual seria o roteiro de ação para que os poucos libertário do Brasil possam começar a agir para que gerações futuras possam ter uma vida melhor, independente do governo sob a guia da liberdade?
  • Intruso Esclarecido  07/03/2017 17:31
    Em primeiro lugar, o mais essencial e imprescindível de todos: espalhar a ideia.

    Sem que a população -- ou, no mínimo, os formadores de opinião -- tenha uma base sólida e compreenda corretamente o que está acontecendo, de nada adiantará.

    Uma coisa é você colocar gente na rua repetindo slogans toscos e pré-fabricados, como "chega de corrupção", "Bolsonaro já!", "Sérgio Moro me representa!" e patetices afins. Essa é a maneira errada de fazer as coisas.

    Igualmente, mesmo que houvesse um "golpe de estado libertário" e um genuíno libertário fosse instalado na presidência, este indivíduo não poderia fazer absolutamente nada de positivo caso a mentalidade da população permanecesse a mesma (ou seja, estatista e pró-governo grande).

    Portanto, a maneira certa -- e é o que prega este Instituto -- começa pela revolução das idéias: para começar, você realmente fazer as pessoas entenderem as causas que geram toda a corrupção e todo o aparelhamento do estado. E tem também de fazê-las entender como o estado destroça a economia e como a economia seria muito melhor com menos estado.

    Sem completar essa etapa, nada feito.

    Aparelhamento, roubalheira, corrupção, clientelismo, privilégios garantidos pelo estado e depressão econômica não se resolvem com slogans e passeatas. Eles só se resolvem quando a população está com as idéias certas e possui um mínimo de esclarecimento econômico. Veja, por exemplo, a Suíça, cuja população rejeita em referendos aumentos do salário mínimo, renda básica e universal para todos, e afiliação à União Europeia. Taí um objetivo a ser perseguido.

    Uma vez que a população realmente já tenha entendido esse básico, aí pode-se avançar para a segunda etapa: o desmantelamento do estado. Sobre isso, há um artigo inteiro:

    Para desmantelar o estado, temos de ser "oportunistas" e não "gradualistas"

    Tão logo esta segunda etapa esteja avançada (atenção: ela só precisa estar avançada; não é necessário que ela seja concluída), pode-se finalmente passar para a terceira e última etapa. Qual segunda etapa? A que você preferir: reformular a federação, secessão, fusão, o que cada um quiser. Sobre isso, também há vários artigos neste site. Vou recomendar três:

    O que deve ser feito para nos livrarmos da opressão estatal

    Se você não gosta do governo sob o qual vive, deve ter o direito de se separar e criar um outro

    A secessão é a melhor solução para nos livrarmos da tirania (e da incompetência) de um governo
  • ANDRE LUIS  08/03/2017 13:31
    Caro Intruso, Se o esclarecimento da população é condição para uma realidade libertária então a meu ver deve-se buscar maneiras eficientes de fazer isso. Iniciativas como o Mises são boas, mas incompletas. Creio que a melhor maneira d esclarecer a população começaria pela luta incessante pelo direito de secessão. Uma sociedade libertária funcionando na prática converteria mais gente em 1 mês do que 100 Mises em 100 anos.
  • Intruso Esclarecido  08/03/2017 13:47
    Ué, concordo plenamente. Só que tem um probleminha: como é que você vai conseguir fazer secessão sem antes ter convencido a população de que isso será bom?!

    Como você vai fazer secessão se não tiver convencido nem o seu vizinho de que isso será bom?

    Esse é o pulo do gato.

    Se você conseguir pular diretamente para este segunda etapa (secessão) sem antes ter passado pela primeira (convencer as pessoas a lhe acompanhar, pois isso será bom para elas), você é meu novo herói.
  • anônimo  07/03/2017 18:03
    A solução é o Gramscismo ao inverso.
  • interessado sincero  07/03/2017 18:06
    O segundo parágrafo da conclusão parece incompleto:

    "Enquanto a população continuar na defesa de um estado agigantado e onipresente, que em tudo intervém e de todos cuida,"

    E quando li o título, pensei que o estado oculto fosse toda a burocracia operacionalizada pelos funças, o modus operandi deles não muda, não importa o governo que está.
  • José Padilha  07/03/2017 18:49
    Não sei quanto a vocês, mas achei interessante o insight do José Padilha sobre esse assunto:

    1) Na base do sistema político brasileiro opera um mecanismo de exploração da sociedade por quadrilhas formadas por fornecedores do estado e grandes partidos políticos.

    2) O mecanismo opera em todas as esferas do setor público: no legislativo, no executivo, no governo federal, nos estados e nos municípios.

    3) No executivo ele opera via o superfaturamento de obras e de serviços prestados ao estado e as empresas estatais.

    4) No legislativo ele opera via a formulação de legislações que dão vantagens indevidas a grupos empresariais dispostos a pagar por elas.

    5) O mecanismo existe à revelia da ideologia.

    6) O mecanismo viabilizou a eleição de todos os governos brasileiros desde a retomada das eleições diretas, sejam eles de esquerda ou de direita.

    7) Foi o mecanismo quem elegeu o PMDB, o DEM, o PSDB e o PT. Foi o mecanismo quem elegeu José Sarney, Fernando Collor de Mello, Itamar Franco, Fernando Henrique Cardoso, Luiz Inácio Lula da Silva, Dilma Rousseff e Michel Temer.

    8) No sistema político brasileiro a ideologia está limitada pelo mecanismo: ela pode balizar políticas públicas, mas somente quando estas políticas não interferem com o funcionamento do mecanismo.

    9) O mecanismo opera uma seleção: políticos que não aderem a ele tem poucos recursos para fazer campanhas eleitorais e raramente são eleitos.

    10) A seleção operada pelo mecanismo é ética e moral: políticos que tem valores incompatíveis com a corrupção tendem a serem eliminados do sistema politico brasileiro pelo mecanismo.

    11) O mecanismo impõe uma barreira para a entrada de pessoas inteligentes e honestas na política nacional, posto que as pessoas inteligentes entendem como ele funciona e as pessoas honestas não o aceitam.

    12) A maioria dos políticos brasileiros tem baixos padrões morais e éticos. (Não se sabe se isto decorre do mecanismo, ou se o mecanismo decorre disto. Sabe-se, todavia, que na vigência do mecanismo este sempre será o caso.)

    13) A administração pública brasileira se constitui a partir de acordos relativos a repartição dos recursos desviados pelo mecanismo.

    14) Um político que chega ao poder pode fazer mudanças administrativas no país, mas somente quando estas mudanças não colocam em cheque o funcionamento do mecanismo.

    15) Um político honesto que porventura chegue ao poder e tente fazer mudanças administrativas e legais que vão contra o mecanismo terá contra ele a maioria dos membros da sua classe.

    16) A eficiência e a transparência estão em contradição com o mecanismo.

    17) Resulta daí que na vigência do mecanismo o estado brasileiro jamais poderá ser eficiente no controle dos gastos públicos.

    18) As políticas econômicas e as práticas administrativas que levam ao crescimento econômico sustentável são, portanto, incompatíveis com o mecanismo, que tende a gerar um estado cronicamente deficitário.

    19) Embora o mecanismo não possa conviver com um estado eficiente, ele também não pode deixar o estado falir. Se o estado falir o mecanismo morre.

    20) A combinação destes dois fatores faz com que a economia brasileira tenha períodos de crescimento baixos, seguidos de crise fiscal, seguidos ajustes que visam conter os gastos públicos, seguidos de novos períodos de crescimento baixo, seguidos de nova crise fiscal...

    21) Como as leis são feitas por congressistas corruptos, e os magistrados das cortes superiores são indicados por políticos eleitos pelo mecanismo, é natural que tanto a lei quanto os magistrados das instâncias superiores tendam a ser lenientes com a corrupção.

    noblat.oglobo.globo.com/geral/noticia/2017/02/importancia-da-lava-jato.html
  • Marcos Martinelli  07/03/2017 18:54
    Esse insight do Padilha é muito bom em termos de mainstream, mas ele ainda deixa de fora os grandes empresários anti-concorrência e os próprios reguladores que operam dentro do estado em prol desses empresários.

    Padilha se refere apenas aos "fornecedores do estado" (que podem ser os empreiteiros e demais empresas que fazem obras para estatais) e aos "partidos políticos".

    Mas, repito, por ser algo propagandeado pela mídia convencional, foi muito bom. Os itens 17, 18, 19 e 20 foram os melhores.
  • Saudade do Típico  07/03/2017 19:05
    Precisamos estatizar todas as empresas brasileiras.

    Essa é a real solução para o Brasil.
  • Camarada Stalin  07/03/2017 22:35
    Concordo, companheiro.
  • Marcos  07/03/2017 21:43
    Artigo excelente.
    E tudo isso vem amalgamado com os românticos progressistas, que desejam fazer engenharia social à fórceps, inclusive no Judiciário, em que se tem um ativismo crescente.
    Atento para o Judiciário, porque são a diabólica combinação de topocracia com poder de agente político.
    Fazem o que querem, na esquizofrenia de fazer "justiça social" ao mesmo tempo em que depenam os cofres públicos para o saciar de seus interesses corporativos.
  • André  08/03/2017 16:47
    Falando em ativismo social no judiciário

    Consultor do Sebrae da minha cidade falou que um cliente, dono de um pequeno negócio de lanches, foi condenado pela justiça por praticar preços abusivos. Não sei qual foi o tamanho da multa que ele pegou, mas...

    Como é que passa na cabeça de um juiz que um ramo de lanches (que praticamente brota em qualquer esquina) pratica preços abusivos? Se fosse um dos setores monopolizados pelo estado, vá lá...

    E como é que não contestam os valores cobrados para tirar a 2a via da CNH? 84 reais por um pedaço de papel que você é obrigado a portar se quiser dirigir é um abuso.
  • Cético  07/03/2017 22:11
    Nada disso foi, é ou será provado, pois não existe ou, se existe, não devem existir mais provas disso. Precisamos diminuir a carga tributária, inflação, melhorar a legislação trabalhista(em favor do empregado) sem favoritismos, etc. A lista é longa para melhorar o país. Mas, acho que é possível.
  • Dúvida  07/03/2017 22:37
    Uma dúvida:

    Leandro Roque, o editor do site IMB, é anarcocapitalista ou minarquista?


    Desde já agradeço.
  • Leandro  07/03/2017 23:44
    Anarcocapitalista na teoria e monarquista na prática.
  • Dúvida  08/03/2017 01:09
    Muito obrigado.
  • Yoda  08/03/2017 06:05
    Minarquista, certo? Deve ter errado aí a palavra
  • Leandro  08/03/2017 12:23
    Não. É mOnarquista, mesmo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=373

    Já a defesa da minarquia, em si mesma, é incoerente: os minarquistas defendem que o estado, por ser ineficiente, deve se ocupar apenas de serviços de segurança e do judiciário. Ou seja, segundo eles, o mesmo estado que é incapaz de gerenciar eficientemente uma escola e um hospital irá, miraculosamente, prover com grande eficiência serviços policiais e "manter o império isonômico da lei e da ordem" — algo que, convenhamos, é um tantinho mais difícil do que gerenciar uma escola e um hospital.
  • Dúvida  08/03/2017 13:56
    Desculpa, Leandro, eu realmente não iria perguntar mais nada, mas essa sua resposta me deixou meio confuso.

    Então o que você defende é uma mOnarquia em que o estado não se ocuparia dos serviços de segurança e judiciário? Mas na monarquia o Rei (chefe de estado) é o chefe dos serviços de segurança e de justiça, que são estatais.

    Realmente não entendi (te pergunto como dúvida genuína mesmo) como poderia haver monarquia sem serviços estatais de segurança e de justiça; monarquia, por definição, é o regime de estado que tem no Rei a instância última desses serviços estatais.

  • Leandro  08/03/2017 15:05
    Não.

    Defendo uma monarquia na qual o território do país é propriedade privada do monarca. Por ser propriedade privada do monarca, ele terá todo o interesse em maximizar a riqueza deste território, pois quer legá-lo aos seus descendentes.

    E como se maximiza a riqueza de um território? Permitindo a mais ampla e irrestrita liberdade de mercado dentro dele. O monarca não fornecerá nenhum serviço estatal; permitirá que todos os serviços -- inclusive segurança e justiça -- sejam fornecidos de maneira concorrencial dentro de sua propriedade.

    Ao monarca caberia apenas a função de chefe de estado (não confundir com "chefe de governo", algo que não existiria) decorativo.

    Ou seja, na prática, defendo um anarcocapitalismo ocorrendo dentro de uma gigantesca propriedade privada. Não sendo isso possível, defendo algo nos moldes de Liechtenstein.
  • Lel  08/03/2017 18:02
    De maneira simples, a Monarquia é muito superior à Democracia porque:
    - Há um dono fixo. Tendo um dono, esse dono fará de tudo para que seu território seja organizado, atraente à investimentos e bem visto pelo mundo.
    - O dono já é muito rico, ele não precisa cobrar impostos abusivos e nem fazer conchavo com empresários amiguinhos para viver da melhor maneira possível. Ele irá se preocupar em como ele pode melhorar a imagem de seu país, melhorando a vida dos seus "hóspedes" para que mais "hóspedes" venham ao seu território. E a melhor maneira possível (e que dará menos dor de cabeça para ele) é o livre mercado.
    - Sendo uma monarquia sem democracia, se você não está feliz com as regras de uma, vá para outra mais atraente aos seus olhos. As regras não vão mudar porque você quer e a melhor maneira de mostrar que algo está errado com o produto ou atendimento de um local, é indo embora dele, boicotando e falando para todos o que acha daquela empresa.
  • Andre Cavalcante  08/03/2017 14:31
    Coloquei isso no outro artigo, mas acho que vale a pena colocar aqui também.

    1.000 países no mundo é um anarcocapitalismo na prática, independente da forma de governo de cada qual. Já temos uns 190...

  • Ninguém Apenas  08/03/2017 14:40
    Leandro, como assim anarcocapitalista na teoria e monarquista na prática?

    Você acha o anarcocapitalismo mais correto, ético e defensável mas acha que na prática não iria funcionar e por isso queria um império liberal? o Rei teria monopólio da lei? teria concorrência de outros reis no mesmo território? Você é contra a ideia de ordem natural de Hoppe? Existiriam impostos? o rei se financiaria por fundos privados? o que acha também da ideia da Republica Livre de Liberland, você defende algo parecido?

    Poderia por favor dar uma explicação?, fiquei bastante curioso sobre isso kkkk

    abraços e obrigado pelo excelente serviço kkk
  • Felipe Lange S. B. S.  12/03/2017 20:20
    Então você seria algo como um "monarquista libertário"? Por que não "anarcocapitalismo" na prática também?
  • O Mesmo do Início  13/03/2017 13:39
    O arranjo que ele descreveu é anarcocapitalismo, puro e simples.

    Não há como ser "anarcocapitalista" e "monarquista" ao mesmo tempo. Uma coisa exclui a outra.

    Monarquia é estado; por mais estado mínimo que possa ser (ou que se possa desejar que seja), continuará sendo estado (é estado monárquico); logo, não tem como ser anarcocapitalista (ausência de estado) e monarquista ao mesmo tempo.

    Monarquia NÃO significa apenas um proprietário de um território gigante com uma coroa na cabeça. Isso NÃO É monarquia. Se monarquia fosse isso, todo e qualquer fazendeiro que colocar uma coroa na cabeça viraria rei, e sua propriedade viraria monarquia. Mas monarquia NÃO se define apenas pela propriedade privada do território de um rei.

    Monarquia é estado; logo, todas as características que definem um estado se aplicam à monarquia.

    Isso está no próprio texto do Hoppe (cuja tese é a de que o estado monárquico é menos pior do que o estado democrático), ali linkado:

    "O primeiro ponto a ser enfatizado é: estados — sejam eles monárquicos ou democráticos — não são empresas. Eles não produzem nada para ser vendido no mercado, e, como tal, suas receitas não advêm da venda voluntária de bens e serviços.
    Ao contrário: estados vivem da coleta de impostos, que são pagamentos coercivos coletados sob ameaça de violência.
    Portanto, sendo um anarcocapitalista, não sou apologista nem da monarquia e nem da democracia. Porém, se tiver de escolher um desses dois regimes maléficos, então é seguro dizer que a monarquia tem certas vantagens.
    "

    Logo, monarquia implica cobrança de impostos; logo, monarquia implica chefe de estado como sendo chefe de um exército; logo, monarquia implica monopólio dos serviços de segurança.

    Nunca existiu na História monarquia sem monopólio do exército e sem exigência coercitiva de tributos.
  • Libertário Realista  14/03/2017 12:14
    "Monarquia NÃO significa apenas um proprietário de um território gigante com uma coroa na cabeça."

    Mas lógico que significa mais ou menos isso. Como você acha que surgiram os Burgos e Feudos? Eram basicamente proprietários de terras (que podem tê-las adquiridos pela apropriação original ou através de guerras de conquistas, cada caso é um caso) que cercavam suas terras com muros para protegê-las de invasores e saqueadores.
    Então as pessoas comuns vinham à sua fortaleza para pedir proteção e a "única" coisa que elas tinham a oferecer ao dono da terra eram sua mão de obra, seus impostos frutos do seu trabalho e sua subordinação militar.

    Quando os diferentes territórios começaram a perceber que guerras destruíam riqueza muito mais facilmente do que criavam (ou seja, saqueavam dos outros), a competição (e cooperação, mas o Mercantilismo brecou isso) econômica entre os diferentes territórios começou a ocorrer. E isso era inevitável.
  • O Mesmo do Início  20/03/2017 19:17
    "Mas lógico que significa mais ou menos isso"

    Não existe isso de monarquia significar "mais ou menos" isso ou aquilo; monarquia é um conceito que tem elementos definitórios; se um dos elementos definitórios não está presente, monarquia não há.

    O seu comentário, em verdade, reforça o que eu disse, in verbis:

    "Monarquia é estado; por mais estado mínimo que possa ser (ou que se possa desejar que seja), continuará sendo estado (é estado monárquico); (...); Monarquia é estado; logo, todas as características que definem um estado se aplicam à monarquia.
    Isso está no próprio texto do Hoppe (cuja tese é a de que o estado monárquico é menos pior do que o estado democrático), ali linkado; (...);
    Logo, monarquia implica cobrança de impostos; logo, monarquia implica chefe de estado como sendo chefe de um exército; logo, monarquia implica monopólio dos serviços de segurança.
    Nunca existiu na História monarquia sem monopólio do exército e sem exigência coercitiva de tributos.
    "


    Em suma, monarquia é estado (repito: até o Hoppe enfatiza bastante esse ponto); logo, não existe (nem nunca existiu) monarquia sem cobrança coercitiva de impostos e sem monopólio dos serviços de segurança (com poder de definir conflitos em última instância), todos elementos definitórios de estado:

    global.oup.com/academic/product/medieval-law-and-the-foundations-of-the-state-9780198219583?q=medieval%20state&lang=en&cc=br#
  • kiko  08/03/2017 10:14
    continua meu desafio aqui pra qualquer anarquista: me cite alguma civilização ou grupo deste planeta que não tenha tido alguma forma de estado (a razao que voces não vão conseguir citar é simples: é impossivel acabar com todas as formas de estado)
  • Ex-microempresario  20/03/2017 17:26
    Bem, presume-se que a humanidade evolui. Há duzentos anos atrás, seria impossível mostrar uma sociedade em que o governo fosse laico, isto é, não ligado a uma religião "oficial". Hoje existem vários países com completa liberdade religiosa, inclusive para os ateus.
  • Andre  20/03/2017 17:46
    a própria civilização atual, os países vivem em estado de anarquia entre si.
  • Luis  08/03/2017 15:26
    O Brasil ja esta na metade do caminho para o anarco-capitalismo. Pena que o termo anarco ( ametade em que estamos) seja no sentido pejorativo, de desordem, bagunca.
  • Tio Patinhas  08/03/2017 16:49
    Recomendo a leitura do Livro Nomenklatura por Michael Voslensky, sobre a época na União Soviética, lembra muito o Brasil (há alguns deslizes contra o capitalismo, mas considerando que o autor viveu quase toda a vida na URSS, está td bem), acho inclusive importante ler esse livro para entender a situação atual (do Brasil e resto do mundo).
  • 4lex5andro  09/03/2017 18:06
    Copiado; didático pra entender-se o estágio atual do Brasil e suas futuras implicações.
  • Andre Mello  08/03/2017 21:07
    #VAULT7
  • Andre  09/03/2017 00:04
    Deve estar com febre amarela, poucas chances de melhoras significativas nas leis trabalhistas, no mais é um baita avanço discussão das reais consequências da justiça do trabalho na economia na página de comentários do G1, pena que é tarde demais.
  • Jorge  09/03/2017 14:37
    Mas experimente ver a reação, especialmente nos comentários de internet, sobre essa fala do cara.

    Aí vc verá como o brasileiro continua "são".
  • Jorge  09/03/2017 16:09
    Por exemplo:

    olha essa amostra aqui:

    veja.abril.com.br/politica/maia-justica-do-trabalho-nao-deveria-existir-juizes-reagem/

    Veja os comentários de leitores indignadíssimos com a fala do Maia no site da Veja (que, supostamente, não é uma Carta Capital).

    Enquanto um político tem um surto de lucidez, o brasileiro em geral continua em sua normal e patológica paixão por burocratas "distribuidores de renda".

  • Taxidermista  09/03/2017 14:00
    Essa decisão do Ministro do STF Celso de Mello no caso do congressista Valdir Raupp mostra bem a mentalidade quase unânime:

    www.oantagonista.com/posts/a-orcrim-capturou-o-estado

    Ou seja, segundo o Ministro - e a mídia e o senso comum brasileiro em geral - é uma "organização criminosa" que "captura" o "Estado"; quer dizer, o "mal" vem de "fora do Estado"; o mal não é o "Estado"; a "organização" nunca é o próprio "Estado".

    Fica fácil ver com essa mentalidade dá ensejo ao "estado agigantado que gera o estado oculto, que é quem realmente governa o país; e o estado oculto será perpétuo enquanto houver um estado agigantado": se o "mal" vem de fora do "Estado" (para "capturá-lo"), então a "solução" sempre será "fortalecer" (ou aumentar) o estado, fortalecendo instituições estatais (MP e Judiciário, p.ex.); ou, então, a "solução" sempre será "colocar as pessoas certas e/ou honestas" ("temos que aprender a votar") no estado. E assim cria-se o ciclo vicioso do intervencionismo e do agigantamento estatal.
    A própria ideia que está generalizada de "combate à corrupção" já mostra isso: nunca a diminuição do estado é vista como solução para a questão; as soluções vão desde aumentar salários de procuradores até diminuir isenções fiscais para o estado ficar mais "aparelhado" financeiramente.

    Parece não passar na cabeça dessa gente que "captura" do "Estado" é consequência (ou, quando menos, é causa e consequência ao mesmo tempo do agigantamento estatal), mas não A causa. A causa última do agigantamento estatal é essa própria mentalidade.

    E assim, infelizmente, continuará caminhando a humanidade.


  • José Jorge  09/03/2017 14:56
    Taxidermista, perfeito insight. É sempre mesmerizante ver como as pessoas até conseguem diagnosticar o problema, mas entendem tudo completamente errado e invertido na hora de fornecer a solução.
  • Margareth Xanadú Figueiró  09/03/2017 17:18
    Isso aqui também é sintomático dos dias que correm:

    sl.empiricus.com.br/vl23-publico/

    Um site financeiro dizendo: "RECEBA COMO UM FUNCIONÁRIO PÚBLICO FEDERAL SEM PRESTAR CONCURSO"

    Não precisa dizer mais nada né
  • Lee Bertharian  15/03/2017 16:34
    Para variar, artigo tão elucidativo quanto incisivo.
    Faltou comentar sobre o sexto grupo: os funças, parcela cada vez maior do "povo comum" que é comprada para fazer parte do problema - e nunca se enxerga como tal.
  • Flavio Matos  25/03/2017 11:33
    Você não esqueceu das sociedades secretas?


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