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Seis mitos econômicos que se recusam a morrer - e que seguem destruindo a sua riqueza
Você acredita em algum deles?

Somos continuamente bombardeados por um grande número de mitos econômicos, os quais distorcem a noção do público a respeito de problemas importantes e nos levam a aceitar políticas governamentais perigosas e frágeis.

Aqui estão os seis principais.

Mito #1 

Déficits são a causa da inflação de preços; déficits não têm nada a ver com a inflação de preços.

A norma é sempre haver déficits nominais no orçamento do governo federal. Déficits orçamentários significam que o governo federal está gastando mais do que está arrecadando em impostos.

Sempre que a mídia divulga o mais recente número do déficit orçamentário do governo federal, a reação invariável do partido que está fora do poder, qualquer que seja ele, é denunciar esses déficits como sendo a causa da carestia perpétua. E a reação invariável de qualquer que seja o partido que está no poder é a de alegar que déficits orçamentários não têm nada a ver com a inflação. 

Ambas as declarações antagônicas são mitos.

Quando o governo gasta mais do que arrecada e incorre em um déficit orçamentário, essa diferença entre gastos e arrecadação pode ser financiada de duas maneiras.

Se o déficit for financiado pela venda de títulos do Tesouro ao público (como ocorre por meio do Tesouro Direto), então os déficits não são inflacionários. Nenhum dinheiro novo está sendo criado; o público e as empresas simplesmente tiram dinheiro de seus depósitos bancários para pagar pelos títulos, e o Tesouro, então, gasta esse dinheiro. O dinheiro simplesmente foi transferido do público para o Tesouro, que então gastará esse dinheiro com outros membros do público.

Por outro lado, se o déficit for financiado pela venda de títulos ao sistema bancário, então todo o sistema se torna inflacionário. Neste arranjo, os títulos do Tesouro são majoritariamente comprados por uma lista exclusiva de bancos privilegiados, os chamados dealers primários.  Estes bancos privilegiados compram títulos do Tesouro por meio de uma pura e simples criação de dinheiro.

Mais especificamente, por meio de um processo complexo chamado de "reservas fracionadas", o Banco Central possibilita que os bancos criem dinheiro do nada e o repassem ao Tesouro. Esse novo dinheiro criado do nada, e agora na forma de depósitos bancários, será repassado ao Tesouro e em seguida gasto pelo governo, entrando permanentemente na corrente de gastos da economia, aumentando preços e causando inflação.

Assim, o governo e o sistema bancário que ele controla acabam, na prática, "imprimindo" dinheiro novo para pagar pelo déficit federal. Isso é totalmente inflacionário.

Logo, déficits são inflacionários quando são financiados pelo sistema bancário; eles não são inflacionários quando são financiados pelo público.

Mas toda essa relação nem sempre é direta. Por exemplo, se o sistema bancário criar dinheiro para comprar os títulos do Tesouro, mas em seguida vender ativos para seus correntistas em igual montante (como CDBs, quotas em fundos de investimento, LCIs, LCAs ou mesmo os próprios títulos do Tesouro), essa segunda operação anula o efeito inflacionário da primeira. Quando correntistas compram ativos bancários, dinheiro que estava em sua conta-corrente é "apagado" e repassado para o próprio caixa dos bancos. Desta forma, a mesma quantidade de dinheiro que entrou na economia via déficits orçamentários acabou sendo retirada do público.

Portanto, não é possível, a priori, dar um veredicto claro e direto sobre os déficits orçamentários do governo: eles podem ou não gerar inflação — tudo vai depender de como eles serão financiados.

Mito #2

Déficits orçamentários não afetam o investimento privado

Não importa como os déficits orçamentários serão financiados, se com criação de dinheiro pelos bancos ou diretamente pelo público (ver Mito #1): no final, eles sempre afetam e reduzem o investimento privado, um efeito conhecido como crowding-out.

O primeiro caso é direto e fácil de ser visto: se a população e as empresas estão direcionando sua poupança para bancar os gastos do governo, e não para financiar investimentos produtivos, então o investimento privado está sendo diretamente afetado pelos déficits orçamentários do governo.

Os déficits do governo estão desviando a poupança da população para os gastos improdutivos do governo, levando a um crowding-out do investimento produtivo, gerando dificuldades cada vez maiores para melhorar ou até mesmo para manter o padrão de vida do público, no longo prazo.

A lógica nos diz que, se a poupança vai para os títulos do governo, vai haver necessariamente menos poupança disponível para o investimento produtivo, e as taxas de juros serão maiores do que seriam sem os déficits.

Já se os déficits do governo são financiados pela venda de títulos do Tesouro aos bancos — ou seja, por uma inflação monetária feita pelo sistema bancário em conjunto com o Banco Central —, todo o efeito será indireto: esse novo dinheiro "impresso" pelo governo vai diluir o poder de compra de todo o dinheiro em posse da população, gerando um acelerado aumento de preços. E isso não só irá desarrumar toda a economia, como também irá desestimular investimentos produtivos.

Quando um empreendedor faz um investimento voltado para o longo prazo, o mínimo que ele tem de saber é como será o poder de compra da moeda no futuro. Se ele não tiver ideia de quanto valerá a moeda lá no futuro, ele não conseguirá estimar quais serão são custos e suas receitas. Consequentemente, ele não conseguirá nem sequer estimar se terá lucro ou prejuízo. 

Planejar para o longo prazo tendo em mente uma inflação futura de 3% ao ano é totalmente diferente de planejar tendo em mente uma inflação futura de 10% ao ano. Os tipos de investimentos que são lucrativos em cada um desses cenários são totalmente distintos.

Se você prevê uma inflação continuamente alta no futuro, então você irá se concentrar em projetos de curto prazo; projetos que visam ao futuro mais imediato. Você não irá fabricar máquinas e equipamentos; não irá ampliar suas instalações industriais. Você irá se dedicar a fabricar bens de consumo simples e triviais (como pirulitos e chicletes) que dão retorno mais imediato. Com inflação em alta, fazer investimento de longo prazo torna-se extremamente arriscado. 

Adicionalmente, neste cenário, a maior preocupação de investidores e empreendedores passa a ser a de se proteger da perda do poder de compra da moeda. Torna-se mais sensato dedicar mais tempo especulando no mercado financeiro e comprando títulos do governo indexados pela inflação. Consequentemente, os investimentos produtivos caem. E aí o crescimento econômico vai junto.

Por fim, vale ressaltar que déficits orçamentários sempre geram o temor de que o governo irá elevar impostos no futuro. Contas desarranjadas não duram por muito tempo. Se o orçamento do governo está deficitário, o empreendedor sabe que o ajuste futuro muito provavelmente será via aumento de impostos. E aumento de impostos sempre gera custos adicionais às empresas, mudando totalmente o cenário no qual elas basearam seus planos de investimentos.

Empresas planejam a longo prazo. Investimentos produtivos são investimentos de longo prazo. Um aumento-surpresa de impostos gera custos adicionais no longo prazo e altera totalmente o cenário no qual as empresas inicialmente basearam seus planos de investimentos. Elementos como previsibilidade, facilidade de empreender e custo tributário são cruciais. Mudanças abruptas alteram todo o planejamento das empresas e inibem seus investimentos. Como investir quando não se sabe nem como serão os impostos no futuro?

Portanto, qualquer que seja a forma com que você encare os déficits orçamentários, eles causam graves problemas econômicos. Independentemente da maneira como são financiados, eles sempre afetarão diretamente os investimentos privados.

Mito #3 

Aumentar impostos é a maneira correta de acabar com os déficits.

Aqueles que estão corretamente preocupados com os déficits orçamentários do governo, infelizmente oferecem uma solução inaceitável: aumentar impostos.

Curar os déficits por meio de um aumento de impostos é o equivalente a curar uma bronquite com um tiro na cabeça. A "cura" é bem pior do que a doença.

O primeiro motivo pelo qual não se deve aumentar impostos para acabar com déficits é simples e direto: aumentar impostos simplesmente dará mais dinheiro ao governo; e quanto mais dinheiro o governo recebe, mais ele aumenta seus gastos

Essa é a reedição da Lei de Parkinson, em homenagem ao professor Cyril Northcote Parkinson, que afirmou que, em uma burocracia estatal, "os gastos sobem de encontro à receita."

Com efeito, sempre que o governo eleva impostos, ele concomitantemente eleva seus gastos correntes. Os gastos do governo sempre sobem junto com o aumento das receitas. E isso é uma empiria observada ao redor do mundo. Veja o gráfico para o Brasil (valores nominais mensais):

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Fonte: Banco Central

O gasto público sempre cresce concomitantemente à receita, como mostra o gráfico acima.  Não há nenhum motivo para crer que "desta vez será diferente", e que um aumento dos impostos será efetivo em cobrir o rombo nas contas públicas.

Ademais, todo aumento de impostos inevitavelmente se traduz em mais benesses para políticos e burocratas, sem nenhum benefício líquido para o povo, que agora estará com menos dinheiro no bolso. Não há absolutamente nenhum motivo para crer que um aumento de impostos será direcionado exclusivamente para o fim anunciado, qualquer que seja ele.

Para agravar, se o governo arrecada mais e consequentemente gasta mais, isso significa que sua burocracia, suas regulamentações e seu quadro de funcionários estão inchando.  O peso da burocracia estatal está aumentando.  E isso, por definição, leva a uma redução da participação do setor privado na economia. Com mais burocratas, mais burocracia e mais regulamentações há menos facilidade para o empreendedorismo e, consequentemente, menos geração de riqueza. Isso, por si só, é totalmente contrário à ideia de estimular o crescimento econômico.

No entanto, mesmo ignorando-se toda essa realidade, ainda resta uma pergunta a ser feita àqueles que defendem aumento de impostos como forma de curar os déficits: por que alguém deveria acreditar que um imposto é melhor que um aumento de preços?

É verdade que a inflação é uma forma de tributação; mas, ao menos com inflação, as pessoas ainda estão colhendo alguns benefícios da troca. Se o preço do pão vai para $20, isso é lamentável, mas ao menos você ainda pode comer o pão. Por outro lado, se os impostos sobem, seu dinheiro é expropriado para os benefícios de políticos e burocratas, e você não ganha absolutamente nada em troca, ficando sem receber nenhum serviço ou benefício.

O único resultado é que o dinheiro dos produtivos será confiscado para o benefício de uma burocracia que irá utilizar parte desse dinheiro confiscado em prol de seus apaniguados, piorando a situação.

A única cura eficiente para os déficits é simples, porém quase nunca mencionada: cortar o orçamento federal. Como e onde? Em qualquer lugar e em todo o lugar.

Mito #4 

Há um trade-off entre desemprego e inflação

Um dos mais discutidos tópicos da macroeconomia moderna é o suposto trade-off entre inflação de preços e desemprego: a ideia é que quando há mais inflação, há uma queda no desemprego; e quando há uma redução na inflação, há um aumento no desemprego.

curva de Phillips se tornou, de certa maneira, o esteio da política monetária moderna desde a década de 1960, quando os ganhadores do Nobel Paul Samuelson e Robert Solow apresentaram a curva como se ela fosse um "cardápio" de escolhas politicamente exploráveis: ou você tem inflação de preços alta e baixo desemprego, ou você tem inflação de preços baixa e alto desemprego, ou você fica com uma escolha do meio, entre esses dois extremos.

Bem assim, à la carte.

Os economistas Milton Friedman e Edmund Phelps contestaram essa interpretação ingênua, de modo que, desde então, essa contestação adquiriu tração e se estabeleceu firmemente no cenário do debate público. Friedman e Phelps explicaram que esse dilema entre inflação e desemprego era apenas um fenômeno de curto prazo: quando políticas monetárias expansionistas — juros artificialmente baixos e crédito farto — geram uma inesperada inflação de preços, o emprego pode ser estimulado apenas se os salários aumentarem mais lentamente do que todos os outros preços da economia.

Nesse caso, os custos relativos da mão-de-obra diminuem — enquanto as receitas das empresas ainda estão aumentando — e mais pessoas podem ser empregadas como consequência.

No longo prazo, no entanto, à medida que as expectativas quanto à inflação futura vão se ajustando — fazendo com que trabalhadores e sindicatos exijam reajustes salariais de acordo com as taxas de inflação —, o efeito positivo da inflação sobre o desemprego deixa de existir.

A verdade é que Friedman e Phelps, longe de terem feito uma grande descoberta, simplesmente ressuscitaram uma visão que havia predominado no debate econômico durante um longo período: a ideia de que o desemprego é um fenômeno que, em última instância, depende de fatores econômicos reais, como o ambiente político e institucional, especialmente em relação ao mercado de trabalho. O próprio Ludwig von Mises também tinha essa visão, sendo que ele apropriadamente rotulava um aumento prolongado no desemprego de desemprego institucional

Com efeito, a inflação, mesmo que ela reduza o desemprego no curto prazo ao fazer com que os preços aumentem bem mais que os salários (portanto reduzindo os salários reais), vai apenas criar mais desemprego no longo prazo. Em algum momento, os salários passarão a subir junto com a inflação. E toda inflação inevitavelmente traz recessão e desemprego em seu rastro, como explicado acima: inflação de preços em alta inibe investimentos produtivos e, com isso, afeta o crescimento econômico e, consequentemente, o emprego.

Toda a relação entre inflação, atividade econômica e desemprego para o Brasil foi explicitada em detalhes neste artigo: o desemprego disparou exatamente após a inflação de preços ter aumentado fortemente. Depois de mais de duas décadas de inflação, estamos agora vivendo esse "longo prazo."

Por fim, acreditar que inflação estimula o emprego é o equivalente a dizer: "Puxa, ano que vem meu custo de vida estará 10% maior.  Exatamente por isso vou contratar uma faxineira, uma cozinheira, um motorista e um professor particular para meus filhos". Tem lógica?

Mito #5

Desvalorizar o câmbio ajuda a indústria e promove exportações

Segundo os desenvolvimentistas, uma desvalorização cambial gera dois efeitos benéficos para a economia: ela encarece os preços dos bens estrangeiros, o que reduz suas importações e, consequentemente, diminui a concorrência sobre a indústria nacional; e faz com que os bens nacionais fiquem mais baratos para os estrangeiros, o que aumentaria as exportações.

Como efeito colateral, as importações mais caras fariam com que a população nacional passasse a consumir mais produtos produzidos nacionalmente, o que aumentaria duplamente as vendas das indústrias nacionais.

A teoria acaba aí. Agora vem a prática para desmoralizá-la.

Em primeiro lugar, os efeitos de uma desvalorização não podem ser completamente isolados do resto da economia. Uma moeda desvalorizada significa, por definição, uma moeda que perdeu poder de compra. E uma moeda com menos poder de compra significa preços mais altos e renda menor para a população. E renda menor significa que a demanda por bens de consumo diminui. E isso, também por definição, irá afetar todo o setor industrial e atacadista. Afeta toda a cadeia produtiva, que entra em contração e gera o efeito contrário ao imaginado pelos desenvolvimentistas.

Portanto, uma moeda desvalorizada não pode, ao contrário do que afirmam os desenvolvimentistas, estimular o consumo interno e impulsionar as indústrias nacionais.

Mas há outra encrenca.

No mundo globalizado em que vivemos, vários exportadores são também grandes importadores. Para fabricar, com qualidade, seus bens exportáveis, eles têm de importar máquinas e matérias-primas de várias partes do mundo. E elas também têm de comprar, continuamente, peças de reposição. 

Se a desvalorização da moeda fizer com que os custos de produção aumentem — e irão aumentar —, então o exportador não mais terá nenhuma vantagem competitiva no mercado internacional.

Portanto, uma desvalorização afeta a demanda interna pelos bens industriais e afeta também os custos de produção da indústria. Difícil imaginar uma combinação pior.

Por tudo isso, e contrariamente à conclusão dos economistas convencionais e do público leigo, uma desvalorização frequentemente resultará em uma redução das exportações, em uma estagnação (ou mesmo contração) do setor industrial e, pior ainda, na deterioração do poder de compra da população como um todo, reduzindo seu padrão de vida.

A seguir, a evolução do câmbio, das exportações e da produção industrial durante os últimos 13 anos:

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Evolução do preço do dólar em reais desde janeiro de 2003

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Evolução das exportações

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Evolução da produção da Indústria de Transformação (linha vermelha), da Indústria de Bens de Capital (linha azul), e da Indústria de Bens de Consumo Duráveis (linha verde)

Como mostra a empiria — que apenas comprova a teoria —, a desindustrialização no Brasil chegou ao auge justamente no período em que a moeda mais se desvalorizou.   

E, exatamente ao contrário do que defendem os economistas desenvolvimentistas, é justamente quando o câmbio está se apreciando (como ocorreu de 2003 a 2008, e de 2010 a 2011) que as exportações aumentam e a indústria se expande.  E é justamente quando o câmbio se desvaloriza (2009, e 2012 até o final de 2015), que as exportações caem e a indústria encolhe.

Mito #6: 

Queda de preços é algo impensável, e causaria uma catastrófica depressão.

A memória parece ser curta. Do início da Revolução Industrial, em meados do século XVIII, até o início da Segunda Guerra Mundial, os preços nos países desenvolvidos geralmente caíam, ano após ano. Um cenário de deflação de preços anual era a norma no mundo, especialmente nos EUA, entre 1865 e 1913 (ano da criação do Fed). Foi também nessa época que o país mais cresceu em termos anuais

Isso porque um contínuo aumento da produtividade, gerado pelo livre mercado, levou a uma queda nos preços. E dado que os custos de produção caíam junto com os preços de venda, os investimentos aumentavam normalmente. Em geral, os salários permaneceram constantes ao passo que o custo de vida caiu — de tal forma que os salários "reais", ou o padrão de vida de todos, aumentou constantemente.

Vale enfatizar: o segredo está na produtividade. Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Em um cenário de deflação de preços generalizada, ter lucros pode ser ainda mais fácil, pois, ao contrário do que ocorre hoje, os custos de produção também estariam caindo. E, com a correta adoção de economias de escala e métodos produtivos mais eficientes, os custos cairiam ainda mais que os preços, garantindo altos lucros.

Não há nada de terrível se ter preços em queda. Queda de preços é justamente o que ocorre em uma economia de mercado em que haja concorrência e um contínuo aumento da oferta de bens e serviços. Todos nós consumidores gostamos quando os preços das coisas ficam mais baratos.

Ademais, se uma redução de preços contínua levasse a uma depressão permanente, o setor tecnológico já teria desaparecido. Deflação de preços é a norma neste setor. Os preços de câmeras, notebooks, smartphones, televisões etc. só caem. E ainda assim as empresas desses ramos só lucram.

Mas mesmo aquelas pessoas que aceitam essa lógica, ainda assim insistem em dizer que, se as pessoas sabem que os preços cairão continuamente, então elas irão postergar ao máximo seu consumo, esperando tudo ficar mais barato. Consequentemente, com o consumo em queda, toda a economia entraria em depressão. Na prática, essas pessoas estão dizendo que, entre comprar hoje ou postergar a compra em 5 anos, quando os preços estarão menores, todos optarão pela segunda alternativa.

Só que, em primeiro lugar, não há nenhuma evidência de que uma queda nos preços faça com que as pessoas posterguem suas compras. Se isso de fato ocorresse, ninguém jamais compraria televisões, smartphones, câmeras, notebooks e demais apetrechos eletrônicos, pois sabemos perfeitamente bem que tais itens estarão mais baratos e com ainda mais qualidade no ano que vem. O que ocorre na realidade é que as pessoas acabam comprando uma grande quantidade de todos esses itens.

As pessoas compram coisas quando necessitam delas, e levam em consideração a tendência dos preços (afinal, ninguém pode adiar compras para sempre).

Em segundo lugar, e isso é ainda mais importante, o ser humano sempre irá preferir ter um bem hoje a ter esse mesmo bem apenas no futuro distante. Isso é o básico da teoria da preferência temporal. Logo, sempre que possível, consumidores preferem consumir no presente. Além de você não poder postergar sua demanda por alimentos, roupas, moradia e alguns outros bens, há também o fato de que você não necessariamente irá adiar sua aquisição de um bem hoje só porque ele estará mais barato daqui a uma ano. Porque mesmo comprando-o hoje a um preço maior, você sabe que seu poder de compra será maior no futuro. E isso muda tudo.

Se você vive em um ambiente em que os preços estão caindo, você sabe que seu poder de compra futuro será maior que o atual.  Mesmo sabendo que um carro estará $3.000 mais barato daqui a dois anos, você ainda assim irá comprá-lo hoje, pois sabe que daqui a dois anos seu dinheiro estará valendo mais.  Não obstante seu gasto de hoje, você terá maior poder de compra para aquisições futuras.  É justamente o fato de você saber que terá maior poder de compra no futuro o que não irá restringir seu consumo presente.

Ao contrário até: é bem possível que o consumo presente possa aumentar, como está ocorrendo nos países citados.

De resto, não há evidências de que queda nos preços afete a confiança das empresas. Se uma queda de preços realmente afetasse a confiança das empresas, nenhuma empresa jamais iria empreender no ramo tecnológico. 

As empresas investem naqueles setores em que acreditam ser possível ter lucro, e o lucro está muito mais relacionado a custos do que a preços de venda. Se os custos estiverem caindo, não haverá problemas se os preços também caírem.

Em um cenário de deflação de preços, os preços cairiam, mas os custos também cairiam. Custos são preços. Eles também estão embutidos na queda.

Com o aumento da produtividade e da eficiência dos métodos de produção, os custos podem cair proporcionalmente mais que os preços, tornando qualquer empreendimento lucrativo, mesmo com queda de preços.

Deflação de preços, longe de trazer uma catástrofe, é a marca tradicional de um crescimento econômico sadio e dinâmico.

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Murray N. Rothbard (1926-1995), decano da Escola Austríaca e o fundador do moderno libertarianismo. Também foi o vice-presidente acadêmico do Ludwig von Mises Institute e do Center for Libertarian Studies.

Karl-Friedrich Israel, professor na Universidade de Angers, na França, e está fazendo seu Ph.D. sob a direção de Jorg Guido Hülsmann.

Leandro Roque, editor e tradutor do site do Instituto Ludwig von Mises Brasil.


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Diversos Autores

  • fernando lage  06/03/2017 15:56
    Tenho observado em quase todos os artigos, que os mesmos não tocam nas causas e sempre nas consequências dos problemas que afligem a economia, que a meu ver tais causas estão no empresariado que se colam em algum politico com a intenção de não se dar mal.

    O Brasileiro é assim, esta sempre ligado a coisas erradas, mesmo que não as faça.

    Os artigos tentam influenciar os funcionários públicos não estão nem aí se o Brasil está de mal a pior. O que precisa mesmo é os artigos irem direto na consciência dos empresários que financiam toda esta bagunça do País e também são as primeira vitimas. Uns verdadeiros idiotas!
  • Andre  06/03/2017 18:48
    Enquanto houver hospedeiro haverá parasita, seja empresário incompetente comprando benefícios do estado, seja funça carimbador inútil, a questão é que ao contrário da relação parasitária que encontramos na natureza, os parasitas econômicos, empresários amigos do rei e funças, parasitam um hospedeiro que sequer deveria existir, o estado.
  • Luiz Henrique  06/03/2017 20:20
    Putz, nunca escutei tanta baboseira, ou você não acompanha os artigos como diz acompanhar, ou é falta de interpretação nos textos, recomendo uma olhada em uns videos do Pasquale!
  • anônimo  06/03/2017 15:59
    Modelo Keynesiano de ecnomia
    resumido desenhado:
  • Hiperinflação  06/03/2017 16:04
    Olá! Sentiram saudades?

    Problemas na economia? Pois bem, eu sou a solução.

    Que tal tributar sem ritos congressuais, livrar-se de dívidas, amolecer a rigidez nominal dos contratos e viciar preços relativos?

    Eu sou aquilo que dissolve tudo que é sólido, eu sou um rio de água turva que esconde todas as sujeiras de seu talvegue, eu sou a anestesia que faz o povo aguentar o tamanho de um Estado ''coração de mãe''.

    O povo quer assistencialismo, desemprego baixo, carga tributária baixa e juros baixos. Como conseguir agradar a todos esses desejos conflitantes? Ora, eu sou a solução!
  • Sergio  06/03/2017 16:57
    Incrível como ainda é perpetuada a ideia de que o Capitalismo é inflacionário. É justamente o contrário, o Capitalismo é deflacionário por natureza.

    O livre mercado se encarrega disso e força uma busca constante do empreendedor pelo ganho de produtividade através das inovações e redução de custos.
  • Maurício  06/03/2017 17:02
    Uma vez fui a uma palestra de um corretor de ações que disse que a deflação também é ruim pra economia, pois significa que não há interesse de compra do mercado, o que causa a queda generalizada dos preços. Isso acontece no Japão, onde a cultura da população é de poupança, o que tira o dinheiro de circulação. Ele disse que existe uma inflação "saudável", não lembro exatamente quanto, mas acredito que ficava entre 1 e 2% ao ano.
  • Capitalista Keynes  07/03/2017 16:09
    Não concordo....o que falta no Brasil também é poupança interna....assim não teríamos que pegar dinheiro emprestado com emissão de títulos com juros altos para captar recursos. Com juros mais baixos, todo o setor produtivo iria realmente produzir e não ganhar dinheiro só comprando e vendendo papéis.
  • Capitalista Keynes  07/03/2017 16:22
    A questão do câmbio é realmente umas das mais enganosas ...quando vejo empresário "exportadô" reclamando na TV que o cambio deveria estar mais alto, não sei se é pra rir ou pra chorar tamanha ignorância.....Já vi um falar que o dólar deveria estar R$ 4,50 ...é dose ....DÓLAR BOM É DÓLAR BAIXO .....Deveria ser um mantra.
  • Pedro Afonso  06/03/2017 17:04
    "...o que tira o dinheiro de circulação."

    Dado que ninguém mais guarda dinheiro dentro do colchão e que as quantias depositadas nos bancos não ficam paradas lá (os bancos emprestam esse dinheiro ou mantém uma parte depositada junto ao BC), isso é totalmente inverídico.
  • Hudson  06/03/2017 17:13
    O Luis Inflação e o Câmbio Pereira não curtiram essa postagem.
  • Fabrício  06/03/2017 18:20
    Sobre preços, pelo que eu estudei de macroeconomia, num período de recessão, quando há contração da produção, há uma diminuição pela demanda por dinheiro, pois há um deslocamento da demanda agregada que causa uma diminuição dos preços. Com preços menores, as pessoas precisam de menos dinheiro em mãos, ou na forma de depósitos bancários de liquidez imediata. Ou seja, diminui a demanda por dinheiro.

    Pesquisando no manual do Makiw, Introdução à Economia, p. 618, penso ter encontrado a confirmação do que acabo de escrever acima: "As pessoas retêm moeda porque ela é um meio de troca[…] A quantidade de moeda que elas decidirão manter para este fim depende dos preços dos bens e serviços. Quanto mais elevados forem os preços, mais moeda será exigida em uma transação típica e mais moeda as pessoas decidirão manter em suas carteiras e contas correntes, Ou seja, um elevado nível de preços (um baixo valor da moeda) aumenta a quantidade de moeda demandada."

    Sendo assim, estaria correto dizer que a inflação é muito mais ligada à demanda por moeda do que a déficits do governo?
  • Leandro  06/03/2017 18:26
    "Pelo que eu estudei de macroeconomia, num período de recessão, quando há contração da produção, há uma diminuição pela demanda por dinheiro, pois há um deslocamento da demanda agregada que causa uma diminuição dos preços. Com preços menores, as pessoas precisam de menos dinheiro em mãos, ou na forma de depósitos bancários de liquidez imediata. Ou seja, diminui a demanda por dinheiro."

    Há vários problemas e incoerências com a teoria exposta neste único parágrafo.

    Em primeiro lugar, causa e efeito estão invertidos. Não são os preços que definem a demanda por moeda, mas sim a demanda por moeda que define os preços. Uma queda de preços não define a demanda por moeda; é a demanda por moeda que define uma queda de preços.

    Se a demanda por moeda diminui, os preços aumentam. Mais pessoas estão se desfazendo rapidamente da moeda. Ninguém quer portar moeda. Essa rejeição da moeda faz com que todos os preços cotados nesta moeda disparem. As pessoas cobram cada vez mais caro para aceitarem uma moeda que todos estão rejeitando.

    Isso aconteceu no Brasil da década de 1980 e primeira metade da década de 1990. Isso está acontecendo na Venezuela atual. Se essa teoria de que aumento nos preços gera aumento na demanda pela moeda, então o Bolívar venezuelano teria demanda mundial. E, no entanto, nem os próprios venezuelanos querem utilizar o Bolívar como dinheiro, mas sim como guardanapo e papel higiênico.

    Na Venezuela, a moeda virou papel higiênico e o papel higiênico virou a verdadeira moeda da economia.

    Por outro lado, um aumento da demanda pela moeda faz os preços diminuírem. Mais pessoas querem cada vez mais portar essa moeda. Todos querem portar moeda. Esse desejo por ter essa moeda faz com que todos os preços cotados nesta moeda caiam (ou se mantenham estáveis). As pessoas cobram cada vez menos para aceitarem uma moeda que todos estão desejando.

    Vide o franco suíço, o dólar, o euro e a libra esterlina, que são mundialmente demandados.

    A ideia de se elevar a taxa básica de juros durante um período de alta de preços é justamente para se tentar elevar a demanda por moeda -- mais pessoas (inclusive estrangeiros) querem ter essa moeda para aplicar em papeis de alta rentabilidade -- e, com isso, controlar a subida de preços.

    Portanto, essa teoria está invertida. É a demanda por moeda o que determina os preços e não os preços que determinam a demanda por moeda.

    " Sendo assim, estaria correto dizer que a inflação é muito mais ligada à demanda por moeda do que a déficits do governo?"

    Em si mesma, tal teoria está corretíssima. A questão é: quais fenômenos afetam a demanda por moeda? Déficits do governo financiados por expansão monetária aumentam a quantidade de moeda na economia sem que tenha havido um aumento na demanda por essa moeda adicional. Daí eles estarem ligados ao aumento de preços.
  • Gabriel  06/03/2017 18:31
    Leandro, existe alguma relação entre poupança e taxa de câmbio?
    O Samuel Pessoa, por exemplo, fala que o câmbio desvalorizado da China se deve a alta taxa de poupança.
  • Leandro  06/03/2017 18:45
    Confesso que nunca o vi falando isso. E espero não ver, pois se trata de uma teoria completamente sem sentido.

    Na prática, equivale a dizer que, quanto mais poupadora e prudente for uma sociedade, menos sua moeda valerá. Que sentido faz isso?

    A "tese" é a seguinte: quando a taxa de poupança é alta, há uma grande oferta de crédito. Havendo grande oferta de crédito, os juros são menores. Sendo os juros menores, há menor atração de capital estrangeiro para a compra de títulos públicos. Logo, o câmbio fica mais desvalorizado.

    Isso, obviamente, não faz sentido nenhum.

    Em primeiro lugar, o que define o câmbio -- como inúmeras vezes explicado neste site -- é o poder de compra da moeda. E o poder de compra da moeda não é definido por taxas de juros.

    Em segundo lugar, há um grande furo na teoria acima: se os juros são baixos ao ponto de desestimularem investimentos estrangeiros em títulos do governo, então esse mesmo investimento estrangeiro será destinado a atividades produtivas, o que configuraria uma medida ainda mais poderosa para o fortalecimento da moeda.

    Em suma, sem lógica nenhuma.

    Por fim, vou repetir, mais uma vez, algo que sempre é dito aqui: o câmbio chinês não é desvalorizado. A moeda da China, ao contrário do que afirma a imprensa e Donald Trump, está em constante valorização em relação às outras. E desde 1995.

    Na prática, a China opera com um câmbio semi-fixo desde 1995: ora o renminbi se valoriza em relação ao dólar, ora se mantém fixo. Veja o gráfico.

    Foi só em 2014 que o dólar voltou a se fortalecer (em nível mundial) e que o renminbi passou a se enfraquecer em relação ao dólar. Não coincidentemente, a economia chinesa desacelerou fortemente desde então, mostrando que moeda fraca gera economia fraca.
  • Henrique Zucatelli  06/03/2017 18:38
    Todos os modelos econômicos atuais só ganham tração se forem pró gastos estatais, pró minorias, pró inflação, sejam quais for.

    Por quê raios um Estado gordo, cheio de marajás adotaria um modelo Austríaco? Para perder tudo?

  • Juan  06/03/2017 18:55
    Os economistas que reclamam da "moeda muito forte" nos países pobres frequentemente são os mesmos que, nos países ricos, reclamam da "inflação muito baixa".

    O que eles dizem, na prática, é: "A quantidade de dinheiro na economia está estável, os preços estão relativamente estáveis, o poder de compra está seguro, as pessoas estão sendo capazes de tomar decisões. Que horror ! Precisamos reverter isso."
  • Alvimar  06/03/2017 19:02
    Esse gráfico da evolução do câmbio, das exportações e da indústria (câmbio apreciado, indústria e exportações em alta; câmbio depreciado, indústria e exportações em baixa) é definitivo. Até mesmo em 2016, com toda a turbulência política, houve reação da indústria e das exportações tão logo o real se recuperou um pouco.

    Que a mídia e vários economistas não aceitem a teoria e sigam defendendo bizarrices como "moeda fraca é bom pra indústria e pras exportações" é até compreensível; agora, que eles ignorem também a empiria é novidade para mim. Por que ainda defendem e ideia de que moeda fraca é bom pra economia?
  • Tulio  06/03/2017 19:08
    Economistas desenvolvimentistas dizem que uma desvalorização cambial aumenta as exportações. Não só isso nunca foi verificado na prática, como na esmagadora maioria das vezes elas caem.

    Que essa teoria furada siga tendo adeptos e siga sendo papagaiada pela mídia é algo absolutamente inacreditável.
  • Alfredo  06/03/2017 19:03
    Viram a última? O dólar caiu, o real se valorizou, o câmbio se apreciou fortemente e... as exportações aumentaram e a balança comercial não só foi para o positivo, como ainda teve o melhor fevereiro da história!

    Mais ainda: as exportações em fevereiro tiveram um aumento de 22,4% sobre o mesmo mês de 2016. Ou seja, o dólar caiu de R$ 4,20 para R$ 3,06 e as exportações dispararam!

    Os desenvolvimentistas devem estar implorando para ninguém lhes pedir explicações...

    g1.globo.com/economia/noticia/balanca-tem-superavit-de-us-45-bilhoes-em-fevereiro-maior-para-mes-em-29-anos.ghtml

    Parabéns ao IMB pela persistência de praticamente falar sozinho sobre este tema, expondo a ignorância de todos os outros "economistas".
  • anônimo  06/03/2017 21:04
    Leandro, tenho uma dúvida sobre o trecho a seguir:

    "Por outro lado, se o déficit for financiado pela venda de títulos ao sistema bancário, então todo o sistema se torna inflacionário. Neste arranjo, os títulos do Tesouro são majoritariamente comprados por uma lista exclusiva de bancos privilegiados, os chamados dealers primários. Estes bancos privilegiados compram títulos do Tesouro por meio de uma pura e simples criação de dinheiro."

    Os dealers primários criam dinheiro do nada para comprar os títulos do Tesouro da mesma maneira que criam dinheiro para realizar empréstimos? Ou seja, na prática eles criam os valores em uma conta do Tesouro?
  • Leandro  06/03/2017 23:36
    Correto.

    As únicas entidades que podem comprar os títulos do Tesouro diretamente do Tesouro nos leilões do Tesouro são os dealers primários.

    E quem são os dealers primários no Brasil? Aqui estão eles:

    www.tesouro.fazenda.gov.br/dealers

    Bancos: Bradesco, Citibank, Banco Do Brasil, Itaú, Banco Safra, Santander, Caixa Econômica Federal, BTG Pactual, Credit Suisse, Goldman Sachs.

    Corretoras: XP Investimentos e Renascença DTVM

    Apenas essas entidades podem participar dos leilões do Tesouro. Apenas elas podem comprar diretamente do Tesouro.

    Os dealers primários são todos os principais bancos comerciais do país e duas corretoras (essas não podem criar dinheiro). À exceção das duas corretoras, os bancos emprestam para o governo criando dinheiro do nada.

    Eis a sequência:

    1) O Tesouro emite títulos;

    2) Esses títulos são comprados pelos bancos (dealers primários);

    3) Como os bancos compram? Eles utilizam o dinheiro que está em suas "reservas bancárias", que nada mais é do uma conta-corrente que os bancos têm junto ao Banco Central.

    4) Ato contínuo, a quantidade de dinheiro nas reservas bancárias cai.

    5) Essa queda nas reservas bancárias pressiona a SELIC para cima (a SELIC nada mais é do que a taxa de juros que os bancos cobram entre si para fazer empréstimos no mercado interbancário).

    6) Como o Banco Central trabalha com uma meta estipulada para a SELIC -- o que significa que ele não pode deixar que ela saia da meta --, ele tem de injetar dinheiro no mercado interbancário para impedir que a SELIC suba.

    7) Ou seja, no cômputo final, houve criação de dinheiro. Dinheiro que estava nas reservas bancárias entrou na economia, e essa redução nas reservas bancárias foi contrabalançada por novas injeções de dinheiro criado do nada pelo Banco Central.

    Não fosse o BC para manipular as reservas bancárias, a SELIC seria muito maior do que já é. É o BC quem permite empréstimos infinitos ao governo a juros baixos.

    Em última instância, portanto, o limite da expansão do crédito é determinado por quanto o Banco Central está disposto a continuar expandindo o crédito. Se o BC estipular que não mais irá injetar dinheiro no mercado interbancário, a capacidade dos bancos de expandir o crédito ficará severamente limitada.
  • Pobre Paulista  07/03/2017 01:44
    Mas essa criação de dinheiro não está relacionada à alavancagem dos bancos pelas reservas fracionárias? Para o banco emprestar $1000, ele só precisa ter $400 depositados, então foram criados $600 nesse cenário...
  • Auxiliar  07/03/2017 01:52
    Na prática, sim.

    Ao terem suas reservas reduzidas -- porque emprestaram para o Tesouro --, os bancos ficam com menos reservas do que as necessárias para cobrir seus depósitos (o coeficiente de caixa fica abaixo do estipulado pelo BC). Isso, por si só, configura a prática de reserva fracionária.

    Observe que, em termos práticos, dá no mesmo um banco criar depósitos sem aumentar suas reservas, ou reduzir suas reservas sem reduzir depósitos. Ambos os casos configuram reservas fracionadas.
  • Pobre Paulista  07/03/2017 02:33
    Sim, mas no primeiro caso o Bacen precisa intervir diretamente para garantir a selic na meta, certo? Se por exemplo outros bancos estivessem com "excesso de reservas", não haveria expansão por esse mecanismo. Já no segundo caso, é garantido que isso ocorrerá sempre, certo?
  • Auxiliar  07/03/2017 12:26
    "Sim, mas no primeiro caso o Bacen precisa intervir diretamente para garantir a selic na meta, certo"

    Na verdade, é no segundo caso -- quando um banco reduz suas reservas sem reduzir depósitos -- que o BC tem de intervir diretamente para garantir a SELIC na meta.

    "Se por exemplo outros bancos estivessem com "excesso de reservas", não haveria expansão por esse mecanismo."

    Nesse caso, esses bancos poderiam emprestar para o Tesouro sem ficarem com problemas de coeficiente de caixa. Só que, também nesse caso, dinheiro que estava fora da economia entrou na economia. Dinheiro que estava no cofre dos bancos (reservas bancárias depositadas no Banco Central) entrou na economia. Houve aumento da oferta monetária.

    "Já no segundo caso, é garantido que isso ocorrerá sempre, certo?"

    Em ambos os casos há expansão monetário. Em ambos os casos, dinheiro que não estava na economia entrou na economia.
  • 4lex5andro  07/03/2017 20:58
    Maior oferta monetária e com um cenário pós-recessivo, pode trazer alta de inflação de preços.
  • Eduardo  07/03/2017 23:57
    Leonardo,
    Se os dealers primários criam dinheiro pra comprar títulos, por que um hipotético calote prejudicaria os bancos, já que suas reservas continuam intactas?
  • Leandro  08/03/2017 01:12
    Porque um calote deixaria os bancos insolventes. A contabilidade explica isso. Vou dar dois exemplos.

    Neste primeiro exemplo, o banco não precisa repor suas reservas, pois está com dinheiro sobrando. Eis o que ocorre:

    1) O banco compra $1.000 em títulos do Tesouro;

    2) Ato contínuo, suas reservas caem $1.000;

    3) No balancete do banco, na coluna dos ativos, há uma redução de $ 1.000 nas reservas e um acréscimo de $ 1.000 na rubrica "Títulos do Tesouro".

    4) Ou seja, na prática, o banco reduziu um ativo que tinha (reservas) e adquiriu outro ativo (título do Tesouro). O banco, portanto, trocou um ativo (reservas) por outro (título do Tesouro).

    5) O governo dá o calote. O valor dos títulos cai a zero.

    6) Em posse de um ativo que agora vale zero, haverá uma baixa contábil de $ 1.000 no balancete do banco na coluna dos ativos.

    7) Mas não houve igual redução na coluna dos passivos.

    8) Logo, se os ativos caíram mas os passivos se mantiveram inalterados, então houve uma queda do patrimônio líquido (capital) do banco.

    9) Se ele estiver em posse de muitos títulos do Tesouro, ele poderá ficar completamente descapitalizado e, em última instância, falido.


    Agora, um exemplo em que o banco tem de repor suas reservas, pois não está com dinheiro sobrando. Você verá que sua situação será ainda pior. Eis o que ocorre:

    1) O banco compra $1.000 em títulos do Tesouro;

    2) Ato contínuo, suas reservas caem $1.000 e ele tem de repô-las;

    3) Ele pode repor suas reservas recorrendo ao mercado interbancário, no qual pedirá empréstimos a outros bancos, ou então recorrendo ao Banco Central e fazer uma "operação compromissada", também chamada de "acordo de recompra";

    4) Em ambos os casos, o banco está criando um passivo: ele estará contraindo um empréstimo de $1.000 (ou com outro banco ou com o Banco Central);

    Como ficou então o balancete deste banco:

    5-a) Na coluna dos ativos, houve um acréscimo de $ 1.000 na rubrica "Títulos do Tesouro";

    5-b) as reservas não se alteraram (pois os $ 1.000 que ele perdeu foram repostos por meio de um empréstimo junto a outro banco ou junto ao Banco Central);

    5-c) Na coluna dos passivos, houve a criação de um passivo de "$ 1.000 mais juros". (Observe que este passivo não existe no primeiro exemplo);

    6) Ou seja, no cômputo final, o banco adquiriu um ativo de $ 1.000 (título do Tesouro) e um passivo de $ 1.000 mais juros.

    7) Aí o governo dá o calote. O valor dos títulos cai a zero.

    8) Em posse de um ativo que agora vale zero, haverá uma baixa contábil de $ 1.000 no balancete do banco na coluna dos ativos.

    9) Mas não houve igual redução na coluna dos passivos. Pior ainda: houve um acréscimo de $ 1.000 nos passivos.

    10) Logo, se os ativos caíram mas os passivos aumentaram, então houve uma queda do patrimônio líquido (capital) do banco ainda mais acentuada que no primeiro exemplo.

    11) Se esse banco estiver em posse de muitos títulos do Tesouro, ele poderá ficar completamente descapitalizado e, em última instância, falido.


    Por isso eu sempre enfatizo, para qualquer leitor que me pergunta, a importância de se estudar contabilidade, nem que seja o básico. Contabilidade é uma área crucial. Um contador é infinitamente mais importante do que um economista. Aliás, economista que não entende o básico da contabilidade não entende como funciona o sistema bancário e nem as decisões de investimento de uma empresa.


    P.S.: ah, sim, não sou Leonardo. Da saudosa dupla, sou aquele que já faleceu.
  • Eduardo  08/03/2017 11:53
    Leandro,
    Desculpa a troca dos nomes. A dupla sertaneja deve ter me confundido. Mt obrigado mais uma vez. Mas fiquei com outra dúvida: no 2o exemplo vc fala no item 2 q as reservas do banco caem 1000 reais. Mas se ele cria dinheiro do nada, como que cai?
  • Leandro  08/03/2017 12:22
    Porque bancos criam depósitos; eles não criam reservas.

    Se você vai a um banco e pede um empréstimo de $ 1.000, ele irá criar esse dinheiro em sua conta. E você, ao gastar esse dinheiro, irá reduzir $ 1.000 das reservas dos bancos.

    Só que, por causa do Banco Central, bancos podem ter menos reservas do que depósitos.

    Caso não conheça este processo, recomendo fortemente este artigo, que explica tudo em detalhes:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1387

  • ESTACIONAMENTO  06/03/2017 21:11
    Como o livre mercado resolveria o problema de cartéis de estacionamento?

    Só na minha cidade aqui, tem muito estacionamento. E tem cartel MESMO assim, o preço não para de subir!
    Iae serviços como esse o mercado resolveria?

    E o que dizer sobre as estatais da Arabia Saudita?

    E aquela história de concorrencia perfeita só existe em padaria, faz sentido pelo fato de que a padaria é um empreendimento mais facil de se abrir? Porque tem menos regulamentação...
    Os bancos é o pior serviço privado porque é o que mais tem regulamentação?

    Queria esses esclarecimentos vlw!!
  • Manobrista  06/03/2017 23:37
    Mas é óbvio que é cartel, pois não há livre mercado neste setor. Não há liberdade de entrada no setor de estacionamentos. Só entra quem a Prefeitura permite. Experimente você abrir um estacionamento sem ter pago todas as propinas para todos os burocratas da prefeitura para obter todos o alvará e todos os certificados e licenças exigidos.

    Quem já está estabelecido no setor molha a mão dos burocratas para que estes dificultem ao máximo -- ou mesmo impeçam -- a abertura de novos estacionamentos concorrentes. Isso é o exato oposto de livre mercado. É o governo quem decide quem pode e quem não pode empreender.

    Como o livre mercado resolveria isso? Enquanto houver estado com um porrete na mão e o poder de escolher ganhadores e perdedores, lamento, não há nada que o livre mercado possa fazer.

    E não, não existe isso de "concorrência perfeita". Isso é uma teoria neoclássica que a Escola Austríaca trata com desdém.

    As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

    Fusões, aquisições, concorrência perfeita e soberania do consumidor

    Só um trechinho para molhar sua boca:

    Segundo a teoria da concorrência perfeita, "sempre que uma empresa pratica um preço que lhe permite recuperar parte do investimento — ou seja, um preço acima de seus custos operacionais —, ela é acusada de estar monopolisticamente segurando parte de sua oferta; oferta essa que "pertence" à sociedade.

    Não é difícil ver as raízes coletivistas dessa teoria. Não é desarrazoado dizer que a teoria da concorrência perfeita está à esquerda do marxismo. Marx criticava o capitalismo apenas por causa da existência dos lucros. Já a teoria da concorrência perfeita o faz porque os empreendedores se recusam a sofrer prejuízos. Os seguidores dessa teoria não centram suas reclamações no fato de que os empreendedores estão auferindo lucros excessivos por meio de algum tipo de monopólio; sua reclamação está no fato de que eles "monopolisticamente" se recusam a vender a preços que lhe tragam prejuízos.

    Consequentemente, levando tal teoria ao extremo, nenhuma propriedade é realmente privada. As empresas na verdade pertenceriam à "sociedade", que, no máximo, estaria concedendo a gerência a um empreendedor privado. A "sociedade" tem o direito à propriedade do empreendedor e ao produto de seu trabalho, mas permite que ele continue na gerência desde que a "sociedade" receba aquilo que os professores de microeconomia consideram ser o máximo benefício possível."
  • anônimo  06/03/2017 23:06
    A questão é mais simples do que parece.

    O governo ensina as pessoas a fazerem as coisas erradas. O governo é professor de enganação. O governo é professor em desperdício. O governo é professor de corrupção. O governo é professor de roubo.

    O governo é um mal exemplo que não deve ser seguido.

    Políticos são terroristas !
  • Carlos Neto  06/03/2017 23:46
    sério... gostaria muito de ver uma entrevista com o Paulo Skaff. Por que ninguem tem coragem de fazer as perguntas certas para ele? O Novo precisa eleger um deputado federal com culhão para questionar todos os outros deputados com argumentos como o que vemos aqui e no mises.org
  • Gilson  06/03/2017 23:51
    Skaff é fichinha. Benjamin Steinbruch é que é o pior de todos.

    Um vermelho-e-preto com Benjamin Steinbruch - o homem que quer fechar o país
  • Paulo  07/03/2017 00:45
    Sobre o "mito" 5, ele simplesmente não procede e os dados são fajutos. Os dados são fajutos porque não é acurado medir exportações em dólar. Caso o dólar passe a valer R$10,00 e as exportações aumentem 50% no período, é óbvio que o valor em dólar das exportações vai diminuir. Vou dar um exemplo bem prático pra quem não entendeu:

    Supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$1,00. Então as exportações totais foram de U$1000,00.

    Agora, supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$20,00. Então as exportações totais foram de U$50,00. Isso significa que o Brasil exportou menos?

    E, para concluir, valorizar o câmbio é algo recessivo e perigoso. A economia do Japão entrou em colapso no começo da década de 90 justamente porque foi assinado o Acordo de Plaza em 1985 que previa a valorização das moedas do G-5 em relação ao dólar americano. Como a economia do Japão era muito dependente das exportações e os itens exportados pelo Japão ficaram mais caros no exterior devido à valorização de sua moeda, houve um colapso.
  • Leandro  07/03/2017 01:42
    Bom, já que você pediu....

    "Sobre o "mito" 5, ele simplesmente não procede e os dados são fajutos."

    Os dados estão no site do Banco Central, é só você digitar os números das séries que estão no canto inferior de cada gráfico. Vá lá e diga a eles que "é tudo fajuto".

    "Os dados são fajutos porque não é acurado medir exportações em dólar."

    Todas as exportações, de todos os países do mundo, são mensuradas em dólar, meu caro. Essa é a maneira padronizada de se mensurar os valores monetários do comércio internacional.

    Mas não se preocupe: logo abaixo, colocarei as exportações em quilogramas. Aí a coisa vai ficar realmente interessante... Mas não para você.

    "Caso o dólar passe a valer R$10,00 e as exportações aumentem 50% no período, é óbvio que o valor em dólar das exportações vai diminuir. Vou dar um exemplo bem prático pra quem não entendeu: Supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$1,00. Então as exportações totais foram de U$1000,00. Agora, supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$20,00. Então as exportações totais foram de U$50,00. Isso significa que o Brasil exportou menos?"

    Só que seu exemplo é tosco e não procede por um único motivo: se o câmbio se desvaloriza e o dólar pula de R$ 1 para R$ 20, então dificilmente o preço do produto exportado irá permanecer em R$ 1.000. Perante tamanha desvalorização do real, é bem provável que o preço deste produto pule de R$ 1.000 para algo próximo de R$ 20.000.

    Mais ainda: com uma moeda tão desvalorizada, será impossível produzir qualquer produto de qualidade. Certamente não se produzirá nenhum produto competitivo internacionalmente. E aí as exportações irão desabar.

    Você cometeu aquele mesmo erro criticado no artigo: defensores da desvalorização da moeda juram que é perfeitamente possível isolar os efeitos de uma desvalorização, de modo que ela não afete absolutamente nada negativamente, trazendo apenas efeitos positivos. Pessoas como você acreditam que, se o dólar pula de R$ 1 para R$ 20, nada de negativo acontece. Apenas aumentam as receitas dos exportadores e pronto. Típico raciocínio de quem nada sabe sobre economia.

    Com este único exemplo, você próprio acabou de mostrar que a desvalorização cambial, na melhor das hipóteses, não traz benefício nenhum. O exportador nem sequer aumentou suas receitas em reais.

    Entenda esse princípio básico: nenhum país que tem moeda fraca e inflação alta produz bens de qualidade que sejam altamente demandados pelo comércio mundial. Todos os bens de qualidade são produzidos em países com inflação baixa e moeda forte. Apenas olhe a qualidade dos produtos alemães, suíços, japoneses, americanos, coreanos, canadenses, cingapurianos etc.

    Se moeda forte fosse empecilho para a indústria, todos esses países seriam hoje terra arrasada. No entanto, são nações fortemente exportadoras. Moeda forte e muita exportação.

    Pela sua lógica, aliás, era para a Venezuela estar entre os maiores exportadores do mundo, já que sua moeda vale literalmente menos que papel higiênico. E, no entanto, o país não produz nada que preste e que seja demandado internacionalmente.

    Agora chega de teoria e vamos para a empiria. No link abaixo, há um gráfico (também do Banco Central) mostrando a exportações de manufaturados em quilogramas. Ou seja, o gráfico faz exatamente o que você desafiou: ele mostra o total de mercadorias exportadas em uma grandeza física (quilogramas), e não em dólares.

    Se a sua teoria estiver correta, as exportações têm de aumentar em períodos de dólar caro (1999 a 2002; 2012 a início de 2016) e cair em períodos de dólar barato (2004 a 2012; e 2016).

    Já se a teoria do artigo estiver correta, então tem de ocorrer o contrário: as exportações têm de cair em períodos de dólar caro (1999 a 2002; 2012 a início de 2016) e aumentar em períodos de dólar barato (2004 a 2012; e 2016).

    O gráfico mostra as exportações de manufaturados, que dependem de insumos e bens de capital mais complexos para ser fabricados. Ou seja, ele mostra as exportações de automóveis, de motores e suas partes, de tratores, de veículos de carga, e de partes e peças para automóveis e tratores.

    Ei-lo:

    s28.postimg.org/l2y2jpqq5/elaborados.png

    Como você pode ver de maneira inequívoca, nos períodos de real forte e dólar fraco (2004 a 2011), as exportações aumentam (em quilogramas). Já nos períodos de real fraco e dólar forte (1999 a 2002; 2012 a início de 2016) as exportações caem (em quilogramas).

    De 2012 até o início de 2016, então, foi uma carnificina só. E esse foi o período em que o dólar pulou de R$ 1,70 para R$ 4,24.

    Como você justifica essa queda nas exportações (em quilogramas) com o câmbio se desvalorizando continuamente?

    (A única exceção ocorre, evidentemente, em 2009, ano da crise financeira mundial. Foi o único ano em que as exportações caíram enquanto o real se fortalecia. Ali nada poderia ser feito. No entanto, em 2010, as exportações prontamente se recuperam ao mesmo tempo em que o real segue se apreciando.)

    Conclusão final: quando o câmbio se desvaloriza, não há nem aumento das exportações em dólares e nem aumento das exportações em quilogramas. Ambas desabam. E toda a população do país fica em pior situação por causa da carestia. Onde diabos então está a tão propalada vantagem da desvalorização cambial?

    Seja menos afobado na próxima.

    "E, para concluir, valorizar o câmbio é algo recessivo e perigoso. A economia do Japão entrou em colapso no começo da década de 90 justamente porque foi assinado o Acordo de Plaza em 1985 que previa a valorização das moedas do G-5 em relação ao dólar americano. Como a economia do Japão era muito dependente das exportações e os itens exportados pelo Japão ficaram mais caros no exterior devido à valorização de sua moeda, houve um colapso."

    Bom, aí realmente sou obrigado a concluir que você não faz a mais mínima ideia do que fala (algo já comprovado nos parágrafos acima).

    A economia do Japão não entrou em recessão "porque sua moeda estava forte". Aliás, enquanto sua moeda estava forte, suas exportações só subiam e seus produtos invadiam o mundo, ao ponto de todo o mundo (principalmente os americanos) apontar os japoneses como os futuros dominadores do mundo. (Exatamente o contrário da sua teoria).

    O Japão entrou em recessão em 1991 por causa de uma bolha imobiliária que estourou e que dizimou seus bancos. O Japão é um perfeito exemplo de sistema bancário quebrado e não-liquidado (porque o governo impediu).

    Os bancos japoneses são zumbis. Com um estouro verdadeiramente espetacular da bolha imobiliária, em 1991, os preços dos imóveis e dos terrenos no Japão desabaram e os bancos tomaram seguidos calotes e ficaram com seus balancetes dizimados. Só que o governo não deixou que eles fossem à falência. A consequência é que eles não morreram, mas também não funcionam. Bancos descapitalizados, com balancetes dizimados, não fazem empréstimos. Com juros baixos, então, aí é que eles realmente não farão empréstimo nenhum (o risco é alto e o retorno é nulo). Protegidos pelo governo, os bancos japoneses hoje se mantêm como zumbis. Não são liquidados, e também não têm capacidade de conceder crédito

    Economias com bancos zumbis não saem da estagnação, pois não há crédito. No Japão, os bancos emprestam apenas para o governo e para os megaconglomerados, cujo risco de calote é quase nulo.

    Artigo inteiro sobre o Japão: www.mises.org.br/Article.aspx?id=2519

    Essa é a causa da recessão japonesa, que começou em 1991: um sistema bancário quebrado por uma bolha imobiliária que estourou. A recessão japonesa não começou em 1985 com o Acordo do Plaza e nem tampouco foi causada por uma "moeda forte".

    Seja menos precipitado antes de falar nonsense em público e fazer acusações caluniosas ("dados fajutos"). E volte apenas quando tiver algo de correto para dizer.
  • Paulo  07/03/2017 06:02
    Leandro, não concordo com seus argumentos. Também não é acurado medir a evolução relativa das exportações em grandezas físicas como quilogramas. É claro que houve uma indiscutível melhora nas exportações de um país se ele exportou 1 tonelada de laranjas em janeiro e em fevereiro exportou 2 toneladas. Mas isso não significa absolutamente nada em termos macroeconômicos. O que deve ser observado é a relação entre as exportações nacionais e as exportações internacionais de um determinado item. Por exemplo, se em janeiro a exportação mundial de laranjas foi de 100 toneladas e em fevereiro foi de 500 toneladas, é óbvio que o país analisado em questão está atrasado em termos macroeconômicos relativos à produção e exportação de laranjas. Isto é evidente porque enquanto houve um aumento de 100% nas exportações de laranjas do país em questão, a exportação mundial no mesmo período cresceu 400%. Ou seja, o país em questão está bem em termos absolutos mas em termos relativos está atrasado.

    Agora vou me concentrar em desmascarar essa teoria de que moeda forte é boa para as exportações. Se você acredita que uma desvalorização cambial prejudica as industrias e as exportações, certamente acredita que uma valorização cambial ajuda as industrias e as exportações. Mas como isso ocorreria? Vamos supor que o presidente do BC leia Mises Brasil e resolva implantar um Currency Board como é sugestionado em vários artigos. Supondo que ele escolha a taxa de R$1,00 por dólar ( ou seja, uma valorização cambial de mais de 50% em relação ao valor atual do dólar), você realmente acredita que as exportações vão aumentar e que esta valorização será boa para as industrias? O que você acha que aconteceria neste caso? Eu digo que a economia entrará em uma deflação de preços e monetária profunda, que as importações vão crescer abruptamente e as exportações desabar, além de uma forte recessão.
  • Leandro  07/03/2017 12:20
    A primeira parte de sua resposta é completamente ininteligível. Mas constato como você mudou completamente o enfoque. Antes, o problema era o volume total de exportações e a força da indústria. Refutado pela teoria e pela empiria, você agora criou uma nova teoria: o que deve ser observado não são exportações em si, mas "as exportações nacionais em relação às exportações mundiais".

    Será que você não nota como você próprio se contradisse neste único parágrafo? Se as exportações aumentaram, como você próprio admitiu, então como é que o país pode estar em pior situação no que tange às "exportações nacionais em relação às exportações mundiais"? Se as exportações aumentaram, meu caro, então, por definição, a posição deste país no comércio global melhorou.

    A menos que você agora tenha criado uma teoria que diga que aumento de exportações significa, na verdade, uma redução da participação no comércio mundial. E que o país estava melhor colocado quando exportava menos.

    É nisso que dá querer entrar num debate sem ter qualquer teoria ou bagagem intelectual.

    Mas agora vem a melhor parte.

    "Vamos supor que o presidente do BC leia Mises Brasil e resolva implantar um Currency Board como é sugestionado em vários artigos."

    Já começou errado.

    Banco Central, por definição, não pode fazer às vezes de um Currency Board. Ambos são instituições de funcionamento completamente distinto. A função de um Banco Central é criar dinheiro, comprar títulos públicos e regular as taxas de juros. Já um Currency Board não pode fazer nada disto. Ele não pode comprar ativos nacionais e não pode regular juros. E só pode criar dinheiro quando entrar em suas reservas o equivalente de moeda estrangeira.

    Logo, um BC querer implantar um Currency Board seria a quadratura do círculo.

    "Supondo que ele escolha a taxa de R$1,00 por dólar ( ou seja, uma valorização cambial de mais de 50% em relação ao valor atual do dólar),"

    Pela quinta vez você demonstra falar de algo sobre o qual não possui o mais mínimo conhecimento. Não é assim que funciona a determinação da taxa de câmbio de um arranjo de Currency Board. Não existe um burocrata que, de acordo puramente com seus caprichos, escolhe uma taxa de câmbio que bem quiser. Não é assim que funciona.

    Há todo um artigo explicando como se estipula a taxa de câmbio, a qual é definida pelo mercado, e não por um burocrata escolhendo valores ao seu bel-prazer.

    Este arranjo que você descreveu é tudo, menos Currency Board.

    Por favor, estude minimamente algo antes de falar sobre ele. Isso lhe deixa completamente a descoberto.

    "você realmente acredita que as exportações vão aumentar e que esta valorização será boa para as industrias?"

    Impossível eu fazer qualquer juízo, uma vez que você descreveu um arranjo completamente fictício, insustentável e que atenta contra as leis de mercado.

    O que está em debate é: uma apreciação natural do câmbio, guiada pelas forças de mercado, é boa ou ruim para as indústrias e para as exportações? Eu mostrei que sim, utilizando fatos, dados e argumentos.

    Já você disse que não, utilizando ... nada. Você defende a posição de que, quanto mais a moeda se desvaloriza, melhor. Só que não apresentou uma única teoria que explique isso. E muito menos fatos e dados empíricos comprovando essa sua tese. (Pô, a Venezuela e sua moeda desvalorizada estão logo ali, implorando para ser usadas de exemplo...)

    E agora você propõe, como exercício mental, um arranjo irreal e insustentável, no qual um burocrata, de acordo com seus caprichos e ignorando completamente as leis de mercado, estipula um valor qualquer para o câmbio. (Algo que, se você estivesse minimamente familiarizado com a teoria do Currency Board, saberia ser impossível de ser feito).

    Ora, por acaso estaria você querendo dizer que um burocrata estipulando preços arbitrariamente, sem qualquer consideração pela realidade de mercado, é um arranjo que vai gerar problemas? Nossa! Que descoberta! Go to the head of the class!

    Faça um favor a si mesmo: estude bem um assunto antes de querer comentá-lo em público. Caso contrário, é vergonha garantida.
  • Arnaldo  07/03/2017 15:50
    Ouch...
  • Libertario BiB e BoB  07/03/2017 19:56
    Ainda melhor que o texto foi a aula do Leandro nos comentarios.
    TOP!
  • anônimo  07/03/2017 02:24
    "Caso o dólar passe a valer R$10,00 e as exportações aumentem 50% no período, é óbvio que o valor em dólar das exportações vai diminuir. Vou dar um exemplo bem prático pra quem não entendeu:

    Supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$1,00. Então as exportações totais foram de U$1000,00.

    Agora, supondo que o Brasil exporte R$1000,00 reais por mês e o valor do dólar seja R$20,00. Então as exportações totais foram de U$50,00. Isso significa que o Brasil exportou menos?"


    Meu Deus, e você acha que NINGUÉM pensou nisso? Precisou aparecer uma mente superior, um QI descomunal pra nos informar de que com a desvalorização do real o valor nominal das exportações vai variar?

    Você acha que isso aqui é algum boteco, por acaso?

    A desindustrialização causada pela desvalorização do real não se mede só em volume nominal de exportações, e NINGUÉM aqui falou isso, presta atenção cidadão!

    Sobre o Japão, bela tentativa. Só faltou contar o resto da história - as políticas adotadas pelo governo japonês para conter a queda no crescimento econômico. Colocar a culpa toda na valorização do Iene é bem conveniente.

    "Após o Acordo do Plaza [acordo em que o Japão concordava em valorizar sua moeda em relação ao dólar], assinado em 1985, a valorização do iene atingiu brutalmente o setor exportador, o que reduziu o crescimento econômico de 4,4 por cento em 1985 para 2,9 por cento em 1986 (EIU 2001).[1] O governo tentou contrabalancear essa apreciação do iene afrouxando drasticamente a política monetária entre janeiro de 1986 e fevereiro de 1987. Durante esse período, o Banco do Japão (BOJ) cortou a taxa de redesconto pela metade - de 5 por cento para 2,5 por cento. Como conseqüência desse estímulo econômico, o preço dos ativos do mercado imobiliário e do mercado de ações foi violentamente inflado, criando-se uma das maiores bolhas financeiras da história. O governo reagiu apertando a política monetária, elevando por 5 vezes as taxas de juros, até chegar ao nível de 6 por cento em 1989 e 1990. Após esses aumentos, o mercado entrou em colapso."
  • Luis  07/03/2017 01:44
    Mais uma aula, parabens!
  • Vitor  07/03/2017 04:47
    Off Topic

    Por que o IMB não aproveita para publicar sobre o novo imposto em refrigerantes que foi passado na Filadélfia, e que acabou com boa parte do mercado local?

    Soda companies, supermarkets report 30-50 pct. sales drop from soda tax

    "[...] The city questioned the legitimacy of the early figures and predicted that customers responding to the initial sticker shock by shopping outside the city would return.

    "We have no way of knowing if their sales figures and predicted job losses are anything more than fear-mongering to prevent this from happening in other cities," said city spokesman Mike Dunn.

    Mayor Kenney harshly rebuked reports of coming layoffs late Tuesday night.

    "I didn't think it was possible for the soda industry to be any greedier," Kenney said in an emailed statement. " … They are so committed to stopping this tax from spreading to other cities, that they are not only passing the tax they should be paying onto their customer, they are actually willing to threaten working men and women's jobs rather than marginally reduce their seven figure bonuses."

    Pepsi to lay off 80 to 100, blames soda tax

    "The city has pointed to higher-than-expected revenue numbers in the first month of collection, and restaurants who report being largely unaffected by the tax, to argue the industry could be exaggerating sales declines in an attempt to prevent the enactment of similar taxes in other cities or to gain a favorable outcome in court."

    Philly's soda tax is crushing the city's beverage business

    "City officials, for their part, are disputing both the consumption reduction and layoff figures and saying opponents of the tax may be trying to deter other big cities from trying to follow suit.

    According to Mike Dunn, spokesman for Mayor Jim Kenney, the city had projected a 27 percent consumption decline as a result of the tax.

    "We have no way of knowing if their sales figures and predicted job losses are anything more than fearmongering to prevent this from happening in other cities," he says."

    Fallout over Philadelphia's soda tax bubbles up

    ""Is it a political game?" CBS News asked.

    "We are certainly not using this as a game or a fear-mongering tactic. This is reality," he said.

    But Philadelphia Mayor Jim Kenney says politics are at play.

    "Talk about using your employees as pawns. I always thought they sunk to a low, but this is a new low for them," he said.

    Kenney says the city has taken in nearly $6 million from the tax to help pay for expanded pre-K programs and hire around 250 people.

    "Especially kids who are living in struggling neighborhoods -- they need this help, they need this kind of connection and we are not going to let them down," Kenney said."

    Philadelphia soft drink vendors say soda tax is 'devastating' sales

    "City officials, however, argue that grocery stores and vendors do not need to pass this tax along to their customers, as it's not actually a sales tax, but rather a tax on distributors.

    "Since it is not a sales tax, distributors … do not have to pass it down to their customers, the dealers," spokesperson Mike Dunn told Fox News in early January. "They could choose to slightly lessen their seven-figure bonuses, for example."

    Jim Krieger, the executive director of Healthy Food America and an advocate for the tax, claims that vendors are pre-emptively reporting losses in an effort to get the legislation overturned.

    "This is just an attempt by industry to whip up the troops and try to turn back sound public policy," Krieger told Bloomberg. "The bottom line is that the purpose of the tax was to raise money for important needs and to serve the residents of Philadelphia, and it's doing precisely that.""

    Philadelphia residents up in arms over soda tax hit

    ""The Philadelphia Beverage Tax is a tax on the distribution of sweetened beverages intended for retail; it is not a sales tax to be paid by the consumer and collected by the retailer," spokesman Mike Dunn said. "There are thousands of Philadelphians who are thrilled with the infrastructure this tax will pay for, so it depends on who you're speaking to."

    The mayor's office said there was no "mandate" on consumers, but rather on dealers and distributors who could choose whether to increase prices.

    "Since it is not a sales tax, distributors … do not have to pass it down to their customers, the dealers," Dunn said. "They could choose to slightly lessen their seven-figure bonuses, for example."

    But McCorkle, a plaintiff in the case against the tax, said despite what the mayor's office says, the tax will be passed onto consumers."

    Pepsi Lays Off 20% Of Its Philadelphia Workers, Blames Soda Tax

    "So with math clearly not the city's strong suit, it promptly reverted to what it is far stronger at: pandering.

    "The soda industry sunk to a new low today," city spokeswoman Lauren Hitt said. "They are literally holding hostage the jobs of hard-working people in their battle to overturn the tax. Pepsi reported nearly $35 billion in gross income and $6 billion in profit last year.... The idea that they can afford to do that but 'must lay off workers' should make every Philadelphian very skeptical of whether these layoffs are actually due to the tax."

    [...] Actually, yes they are, but what has become apparent is that was the city's hope that Pepsi would ignore losses at the regional level, and use profits from other geographic operations to subsidize Philadelphia's losses. Alas, that's not how capitalism works, and Philadelphia is starting to realize this and it is not happy."

    Philly Mayor Blames 'Price Gouging' for Outrage Generated by City's New Soda Tax

    ""They're gouging their own customers," Kenney said, KYW News reports.

    To understand Kenney's reasoning, you have to know that the new tax technically is applied at the wholesale level. That is, the city is charging a tax on the transaction that takes place when a business, like a sandwich shop or grocery store, purchases soda (or the syrup used to make soda in a fountain) from a distributor. In the mayor's mind, it seems, distributors and retailers are supposed to eat the cost of the tax and continue selling their products at the same price as before the tax went into effect.

    [...] Newswork's Katie Colaneri visited Carbonator Rental Services in Philadelphia to break down the math.

    The distributors sells five-gallon boxes of syrup that can be used in soda fountains, and each box costs a retailer about $60. Thanks to the city's new tax, though, retailers have to pay $57.60 in taxes for each of those boxes of syrup.

    "We're not talking about a couple of bucks on a $60 item," Andy Pincus, who owns Carbonator Rental Services, told Newsworks. "We're talking about $57.60 on a $60 item. It's too big not to pass on."

    Pincus says he can't absorb the tax because he makes less than $20 in gross profit—the difference between how much he paid for the box of syrup and how much he sells it for—on each box. Out of that money, he has to pay all his employees, buy gas for delivery trucks, and cover all the other costs of doing business. So, he increased the price he charges to retailers buying syrup from his business. Those retailers, who are operating under similarly small margins, are doing the same thing and increasing prices charged to consumers."

    Eu até diria "Olha, aprenderam que quando você aumenta os custos de X artificialmente você diminui a demanda por X". Mas é impossível. O prefeito da cidade está dizendo que a culpa é "das empresas gananciosas, que estão passando os custos para os consumidores, coisa que não deveriam fazer, e fazendo apelo político com o emprego de trabalhadores".
  • Gabriel  07/03/2017 14:08
    Não tenho conhecimento ou eloquência o suficiente para comentar extensivamente sobre o assunto, mas vou te falar, os comentários desse prefeito me deram ânsia de vômito. A arrogância do cara é de doer o pâncreas.
  • Vitor  07/03/2017 15:59
    Eu acho que o mais importante é notar que o objetivo dele era I, desestimular o consumo de refrigerante (considerado prejudicial à saúde) e II, utilizar o dinheiro do imposto para financiar escolas K-12. E, se você observar o que é dito no artigo do NYP, eles já haviam projetado queda no consumo. Ora, como que acontecerá queda no consumo? Claro que por causa de preços maiores! Caso contrário, a medida seria inútil.

    O que aconteceu na Filadélfia não foi um caso de um prefeito que não sabia as leis mais elementares da economia. O objetivo dele era diminuir o consumo. O que aconteceu foi que a população se indignou com essa medida e ele não quis levar a culpa, e aí tentou inventar a primeira desculpa que veio a mente.
  • Andre  08/03/2017 12:51
    Se for verdade, é uma grande jogada do prefeito. Em quem a população vai acreditar? No prefeito que diz estar construindo escolas com o dinheiro do imposto, ou, segundo o prefeito, nos empresários gananciosos que ganham 7 dígitos e repassaram o custo do importo para o consumidor, mas não deveriam repassar pois o imposto era sobre a distribuição e não sobre o consumo?

    Uma pessoa sem muito conhecimento sobre a situação vai culpar o empresário e continuar votando no prefeito.
  • gabriel  07/03/2017 09:12
    acho que ha um ponto positivo em favor de uma pequena inflacao, algo como 2-3%, que seria a flexibilidade para uma empresa diminuir os custos de pessoal via o nao aumento do salario, sem ter que reduzir o salario (proibido por lei aqui), ou repor trabalhadores.
  • Nunes  07/03/2017 12:28
    Era exatamente isso o que dizia Keynes. Só que ele, assim como você, não respondeu: o que ocorrerá quando os sindicatos perceberam essa queda real de salários e exigirem reposições acima da inflação?

    Aí tudo desmorona.

    Na prática, você está dizendo que tal arranjo é bom porque ele furtivamente rouba poder de compra dos trabalhadores. E os trabalhadores, segundo você, são burros demais para perceber esse confisco.

    Não se constrói uma economia sadia na base da imoralidade.
  • Xará  07/03/2017 14:06
    Complementando, essa idéia cai na armadilha de querer consertar um problema criado pelo governo (no caso a proibição de diminuição de salários que você citou) com mais uma ação do governo (inflação forçada). Isso nunca dá certo.
  • anônimo  07/03/2017 11:03
    Sobre o pacote de gastos em infra do Trump: já existe o detalhamento do programa de gastos de 1 trilhão em infra que o Trump quer aprovar? Como é feito o gasto disso: diretamente pelo governo via licitação ou via uma espécie de BNDES com juros subsidiados?
    Ainda sobre isso, sei que a maioria dos aeroportos americanos é estatal e administrado pelo município. E quanto aos portos? E as estradas têm pedágio? Se sim, são administradas pelo Estado ou por concessão?
    Obrigado antecipadamente!
  • Rodolfo  07/03/2017 12:34
    Ele não detalhou. Apenas prometeu gastar US$ 1 trilhão, sem especificar como.

    "Trump has pledged what he calls "a $1 trillion investment" in additional spending on "infrastructure." It's unclear if this is outright government spending or loan guarantees and other crony-capitalist strategies designed to funnel taxpayer money to "private" companies receiving government funds to build roads.

    Given that federal spending on transportation in 2016 was 90 billion dollars, an additional $1 trillion would be an enormous increase over current spending levels."

    mises.org/blog/trumps-speech-budget-busting-spending-spree


    Agora, um setor em que ele realmente prometeu gastar os tubos é com o Pentágono, para delírio dos neocons:

    mises.org/blog/trump-readies-new-pentagon-spending-binge
  • anônimo  07/03/2017 12:22
    Votar na esquerda é querer mamata, beneces e arrêgos.

    Quem quer essas mamatas merece ser assaltado pelo governo.

    Quem vota na esquerda está pedindo para ser assaltado. Não há nenhuma injustiça quando um ladrão rouba outro ladrão.

    Quem apoia expropriadores merece ser assaltado pelo governo.
  • Jonas  07/03/2017 14:59
    Só tem um problema aí: os assaltantes (políticos) assaltam também quem não vota na esquerda e quem não apoia expropriadores.
  • kiko  07/03/2017 13:46
    o maior mito do momento chama-se anarcocapitalismo pois simplesmente não é possivel uma sociedade sem estado algum-entenda por estado toda e qualquer sociedade que segue regras pre determinadas independente que todas as pessoas concordem ou não-
  • Jonas  07/03/2017 16:53
    por estado toda e qualquer sociedade que segue regras pre determinadas independente que todas as pessoas concordem ou não


    Isso NÃO É estado. Enquanto você continuar com definição errada de estado, continuará falando besteira.
  • kiko  08/03/2017 10:06
    e qual seria a sua definição de estado? voces acham mesmo que so existe um tipo de estado-com governantes e politicos?
  • Rennan Alves  07/03/2017 17:29
    Pré-determinadas por quem? Com qual relevância?

    Quem veio primeiro: as pessoas ou o estado? O ovo, ou a galinha?
  • kiko  08/03/2017 10:08
    pre determinado pelo dono do local que voce frequenta-seja por necessidade de usar ou não
  • Andr%C3%83%C2%A9  08/03/2017 12:19
    1) Estado é um ente ou grupo de entidades que se declaram soberanos sobre seus suditos. A função do Estado na sociedade é governar, sendo o seu alcance variado, desde coisas essenciais (estado pequeno) até todos os aspectos numa civilização (estado agigantado).

    2) Note que nem sempre as regras estatais estão de acordo com os parametros sociais. O estado pode enforçar regras que a sociedade civil considera imoral, ou a sociedade pode considerar moral algo que o estado considera ilegal. Nem sempre legalidade igual a moralidade.

    3) Concordo que o Anarcocapitalismo possa ser algo dificil de existir, confesso que sou incapaz de visualizar tal sistema funcionando por muito tempo sem que estatistas comecem a planejar sabota-lo. Porém acredito que ele funciona muito melhor como uma meta e quanto mais perto dessa meta uma sociedade estiver, mais rica ela será. (A empiria suporta esse argumento, os países com maior liberdade econômica são os mais ricos.)
  • Andre Cavalcante  08/03/2017 14:14
    1.000 países no mundo já é um anarcocapitalismo na prática. Hoje temos uns 190...

    Ah! o problema com a sua frase é que ela não tem pé nem cabeça. Começa com um conceito errado e termina com algo mais maluco ainda.

    "regras pre determinadas independente que todas as pessoas concordem ou não- " WFT?

  • De Passagem  07/03/2017 14:25
    Murray Rothbard é parecido com o Gene Hackman.
  • PESCADOR  08/03/2017 16:44
    Pior que é mesmo. Esses dias eu estava assistindo ao filme "Inimigo do Estado", com Will Smith e o Gene Hackman, e levei um susto quando o personagem do Hackman aparece no filme: extremamente parecido com o Rothbard (e num filme chama do Inimigo do Estado ). Eu tinha visto esse filme em 1999 e nem lembrava dessa semelhança, pois na época eu tinha 17 anos e nem conhecia Escola Austríaca e muito menos sabia quem era Rothbard.
  • Getulio  08/03/2017 18:13
    Sim, por isso fizeram essa camisa com o perfil do Rothbard (idêntico ao Hackman) escrito Inimto do Estado.

    goo.gl/images/G6zZpQ
  • 4lex5andro  07/03/2017 20:51
    Déficits e aumento de tributos é o combo de financiamento contínuo de um sistema de expoliação. É sabido há muito tempo que o Estado brasileiro é perdulário e age contra a economia do país.

    Um trecho que comprova isso:
    "Se um dia um governo amante da patria entendesse desvial-a do caminho tortuoso, porque marcha, e para isso restringisse o mais possivel os empregos publicos, (....) talvez, trazendo a concorrencia no trabalho offerecido e uma baixa nos altos salarios que hoje absorvem os capitaes, fizesse a riqueza nacional subir sem precizar dar auxilios á industria nenhuma. Diminuindo as despezas e por conseguinte os impostos, (....)"

    O texto é de um jornal liberal (últimos parágrafos da página 2) de 1875!

    Link:memoria.bn.br/pdf/809446/per809446_1875_00071.pdf
  • Júlio César  07/03/2017 21:05
    O interessante é que todos os seis mitos estão muito ligados entre si, como um verdadeiro time. Uma hora é um que está em evidência, segurando as pontas, outra hora é outro. E assim vai...

    Mas se me permitem a liberdade, faltou acrescentar uma nota ali no mito #2. Não adianta também querer aumentar o investimento privado, ou diminuir o déficit, reduzindo os juros. Vez ou outra aparece alguém que afirma isto, como se juros altos (principalmente no Brasil) fosse resultado da pressão dos bancos e dos rentistas. Ou então como se fosse uma fórmula simples, bastando baixar os juros para os investimentos migrarem e se destinarem ao aumento da riqueza privada. Nem na Europa essa tese funciona mais.
  • Lel  08/03/2017 11:22
    Sim.
  • Tulio  08/03/2017 02:41
    E hoje, como que por coincidência, Meirelles resolveu ressuscitar o Mito #3 e voltou a falar em elevar impostos para acabar com o déficit.

    g1.globo.com/economia/noticia/se-for-necessario-aumentar-imposto-sera-aumentado-diz-meirelles.ghtml
  • kiko  08/03/2017 12:34
    se quiserem discutir sobre porque é impossivel acabar com todas as formas de estado mandem email pra mim: ocomprador2012@gmail.com vou deixar meu zap tambem 6998478-9016
  • Paulo Henrique  10/03/2017 22:13
    Tenho uma duvida, percebi que a carestia no Brasil persiste pois os preços sobem mesmo com uma retração de crédito, (as pessoas tem menos acesso a crédito ao passo que os preços sobem, o que da a sensação real de perda de poder de compra) o que está causando isso? É algo em relação com a força da moeda? Os gastos do governo?

  • Guilherme  11/03/2017 00:04
    A inflação de preços no bimestre foi a mais baixa da história. As duas únicas categorias que realmente vieram altas foram educação (reajuste das matrículas escolares) e tarifas de ônibus. Teve deflação em alimentos, vestuário e passagens aéreas (despencaram).

    Só pelos déficits do governo (R$ 500 bilhões de janeiro de 2016 até hoje, que dificilmente foram absorvidos integralmente pelo público e pelas empresas, devendo ter sido financiado majoritariamente pelos bancos; logo, inflacionário) era para a inflação ter sido muito maior.

    Isso mostra que como sempre disse o esse site o que realmente controla carestia é moeda forte. O câmbio compensou os déficits do governo.
  • Paulo Henrique  11/03/2017 00:52
    Sim, mas vejo pessoas reclamando ainda de perda no poder de compra. Elas estão com uma ilusão ou está de fato ocorrendo redução do poder de compra ?
  • Guilherme  11/03/2017 04:00
    Agora você mudou o foco. Favor decidir qual o seu ponto.

    O meu é este: a moeda perde poder de compra mensalmente. Nos últimos 5 anos, em que houve as trágicas políticas do governo Dilma, com forte expansão do crédito estatal, o IPCA acumulou 40%. Isso significa que algo que custava R$ 100 em março de 2012 hoje custa R$ 140.

    Essa perda do poder de compra é palpável para toda a população.

    Já nos últimos 5 meses, embora a moeda continue perdendo poder de compra, a intensidade desta perda foi fortemente desacelerada (pelos motivos que falei acima).

    Só isso.

  • Paulo Henrique  11/03/2017 04:47
    Caro, desculpe não ter sido claro no primeiro comentário, sim, a inflação diminuiu o ritmo, mas os preços ainda sobem, não estão em deflação .. Por outro lado, podemos notar que o poder de compra está em uma queda maior que a dos preços, o que gera uma sensação real de perda no poder de compra.. Se preços sobem 1%, e ao mesmo tempo seu acesso ao crédito, salario, cai em um ritmo maior, vc continua tendo uma redução no poder de compra..Mesmo com uma inflação mais baixa.
    Primeiro eu queria confirmar se essa queda no poder de compra de fato é real(e quais os motivos delas)..
  • Getulio  11/03/2017 14:22
    É real e as causas atuais são os déficits do governo. Vide o gráfico no link indicado pelo Guilherme.
  • Evandro  14/03/2017 19:46
    Quanto a relação entre déficit e inflação, acredito que faltou constatar a seguinte relação:

    Fiscal ruim -> aumento da percepção de risco do país -> desvalorização moeda local -> inflação
  • Regis  29/03/2017 14:15
    Alguns acreditam que um "pouquinho" de inflação de preços não teria problema. Porém, no meu entendimento, inflação de preços é sempre algo sintomático e indica ou uma queda na produtividade, ou um aumento no consumo ou um aumento na oferta de dinheiro. Mesmo que se tenha uma inflação de preços de 1% a.a. ao longo de 10 anos a perda no poder de compra vai ser da ordem de 9,47%. Eu, sinceramente, não consigo ver isso como uma coisa boa.


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