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A discussão do CEO da Uber com o motorista mostra que, no livre mercado, quem manda é o consumidor
São os consumidores, e não o CEO da Uber, os responsáveis pela queda nos preços

A notícia girou o mundo. Em um vídeo divulgado nesta terça-feira, 28/2, pela Bloomberg, o CEO da Uber, Travis Kalanick, apareceu discutindo com um motorista do seu próprio aplicativo após uma corrida

Com cerca de 6 minutos de duração (veja abaixo), o clipe foi gravado no início de fevereiro, no domingo do Super Bowl, nos EUA a partir da câmera colocada no painel do veículo pelo próprio motorista do Uber Black em questão, Fawzi Kamel.

Uma das duas mulheres que acompanha Kalanick no carro diz algo sobre a Uber estar tendo um ano difícil, ao que ele responde: "Eu me certifico de que todo ano seja um ano difícil. É assim que eu faço as coisas. Se for fácil, então eu não estou me esforçando o suficiente".

Pouco depois disso, ao final da corrida, o motorista aproveita a oportunidade de ter o CEO da Uber em seu carro e o questiona sobre os preços cada vez mais baixos do aplicativo.

De acordo com a Bloomberg, o Uber Black começou custando 4,90 dólares por milha rodada e 1,25 dólar por minuto em San Francisco. Atualmente, esses valores caíram para 3,75 dólares por milha e 0,65 centavos de dólar por minuto. O site ainda destaca o fato de outras modalidades da própria Uber, como o Uber X, mais barato, competirem de forma direta contra os motoristas do Uber Black.

Confira o vídeo:

Para resumir: um motorista da Uber, chamado Fawzi Kamel, deu carona para o próprio CEO da empresa, Travis Kalanick. Ao final do percurso, Kamel começou a reclamar com Kalanick sobre a política da Uber de reduzir continuamente as tarifas ao longo dos últimos anos. Kamel alegou ter gasto US$ 97 mil para aprimorar seu carro, mas as receitas não estão cobrindo seus custos.

Kalanick, inicialmente, tentou explicar a Kamel que a Uber teve de reduzir seus preços para permanecer competitiva no mercado. Eis um trecho do diálogo:

Motorista: "Você está elevando os padrões de exigência [para os motoristas], mas está diminuindo os preços."

Kalanick: "Não estamos reduzindo os preços do Uber Black".

Motorista: "Mas, no geral, todos os preços estão caindo."

Kalanick: "Sim, mas isso é algo que temos de fazer, mesmo. Temos concorrentes. Se não reduzirmos os preços, quebramos."

Motorista: "Concorrentes? Cara, você tinha tudo nas mãos. Você poderia colocar os preços que quisesse, mas escolheu dar corridas praticamente gratuitas para todos."

Kalanick: "Não, não, não. Você entendeu errado. De início, começamos como um segmento superior, de ponta. E aí, aos poucos, tivemos de nos popularizar, reduzindo os preços. Nós não nos popularizamos porque queríamos; nós nos popularizamos porque tivemos de fazer isso; caso contrário, não conseguiríamos continuar no mercado e quebraríamos."

Motorista: "O quê, você está se referindo à Lyft? Aquilo ali é moleza, não nos incomoda".

Kalanick: "Parece moleza e não nos incomoda porque nós os sobrepujamos. Mas se eu não tivesse feito as coisas que fizemos, nós é que teríamos sido derrotados, eu lhe garanto".

Motorista: "Mas as pessoas [os outros motoristas] não estão mais confiando em você. ... Já perdi US$ 97 mil por sua causa. Estou quebrado por sua causa. Sim, sim, sim. Você fica mudando o preço diariamente. Muda todos os dias."

Kalanick: "Espera aí, o que eu mudei no Uber Black? O que eu mudei?".

Motorista: "Você mudou o negócio todo. Você baixou os preços."

Kalanick [irritado]: "Quanta merda! Algumas pessoas não gostam de assumir responsabilidade pelas merdas que fazem. Elas culpam tudo na vida delas em outra pessoa. Boa sorte!" [E sai do carro].

Motorista: "Boa sorte para você. Mas sei que você não irá longe".

Após o vídeo ter sido vazado, o CEO Travis Kalanick emitiu um comunicado se desculpando profundamente pelo ocorrido. Segundo ele: "Dizer que estou envergonhado é pouco. Meu trabalho como líder é liderar e isso começa com um comportamento que deixe a todos orgulhosos. Não foi o que fiz. As críticas que recebemos são um lembrete de que eu preciso mudar como líder e crescer. Esta é a primeira vez que admito que preciso de ajuda para liderar e pretendo obtê-la".

O fato é que, embora pudesse ter sido mais convincente — e mais polido — em sua explicação, Kalanick está certo e o motorista (Kamel) está errado.

Ao contrário do que pensa Kamel, a Uber não pode simplesmente ditar preços para os consumidores e esperar que eles paguem. Ao contrário, a Uber está à mercê dos consumidores. E se a Uber não responder corretamente ao que os consumidores estão dispostos a pagar pelas corridas, ela irá, como bem disse Kalanick, quebrar.

O motorista Kamel, por outro lado, parece estar sob a impressão de que a Uber "tinha tudo nas mãos" — seja lá o que isso signifique — e que a empresa "poderia colocar os preços que quisesse".

Kamel está errado. Ao contrário da indústria de táxi, que usufrui um monopólio garantido pelo estado naquelas cidades que proíbem a concorrência, a Uber não detém monopólio de nada. Consequentemente, ela está sujeita à concorrência tanto dos táxis quanto das outras empresas que fornecem o mesmo serviço, como Lyft, Cabify e os próprios aplicativos específicos de táxi que oferecem grandes descontos [no Brasil, a 99taxis].

Dada a própria natureza da Uber e o ambiente jurídico em que ela opera — apenas em jurisdições onda a concorrência é plena —, a empresa certamente não pode "colocar os preços que ela quiser".

Neste cenário de livre concorrência, é o consumidor quem está, como disse Ludwig von Mises, no comando da situação:

Os capitalistas, os empreendedores e os agricultores são instrumentais na condução das atividades econômicas. Eles manejam o leme e conduzem o navio. Mas eles não são livres para escolher o caminho. Eles não são supremos; eles apenas controlam o leme, estando sujeitos a obedecer incondicionalmente às ordens do capitão. E o capitão é o consumidor.[...]

Os verdadeiros chefes, no sistema capitalista de economia de mercado, são os consumidores.  Eles, por meio de sua decisão de comprar ou de se abster de comprar, decidem quem deve controlar o capital e comandar as fábricas. Eles determinam o que deve ser produzido, bem como a quantidade e a qualidade. Suas atitudes resultam em lucro ou em prejuízo para o empreendedor. Eles transformam pobres em ricos e ricos em pobres. Eles não são chefes fáceis de lidar. Eles se mostram cheios de caprichos e de fantasias, inconstantes e imprevisíveis. Eles não se importam nem um pouco com o mérito passado.

Assim que algo novo que lhes é oferecido cai no seu agrado ou tem um preço mais barato, eles abandonam os antigos fornecedores. Para eles, nada é mais importante do que a sua própria satisfação. Eles não estão nem aí para os interesses dos capitalistas e para o destino dos trabalhadores que serão afetados caso eles não mais comprem o que costumavam comprar.

Adicionalmente, vale enfatizar que o custo operacional tanto para os motoristas da Uber quanto para a própria Uber não determina os preços de seus serviços. Com efeito, custos operacionais, como já explicado em detalhes neste artigo, não determinam os preços finais de nenhum produto ou serviço. O motorista Kamel parece acreditar que ele tem o direito a um certo nível mínimo de renda que cubra seus custos operacionais caso ele opte por ser um motorista da Uber. Mas não é assim que o mundo empreendedorial funciona.

Os preços dos bens e serviços não são resultados dos custos operacionais. Os preços finais de bens e serviços não são determinados pelo valor dos insumos (como mão-de-obra e matéria prima) utilizados em sua produção. Com efeito, preços e custos nem sequer são "determinados" pelos mesmos agentes econômicos.

Os preços são, em última instância, determinados pelos consumidores: por meio de sua valoração subjetiva, eles determinam quanto estão dispostos a pagar pelos bens e serviços fornecidos.

A função do empreendedor é estimar quais serão os preços finais aceitos pelos consumidores e, então, calcular se os seus custos operacionais lhe trarão algum lucro.

Os custos operacionais para cada empreendimento, portanto, dependerão das escolhas — baseadas na estimativa de como será a situação futura do mercado — de cada empreendedor.

Em outras palavras, preços não são estipulados pelos empreendedores e seus empreendimentos — preços são descobertos por eles. Custos, por outro lado, são arcados integralmente pelos empreendedores, os quais incorrerão nestes custos porque estimam que eles serão menores que o preço final do bem ou serviço vendido no mercado.

Caso o empreendedor faça uma estimativa errada — e os custos acabem se revelando maiores que os preços que os consumidores estão dispostos a pagar pelo produto final —, então o empreendedor arcará com grandes prejuízos. (Veja aqui um artigo inteiro sobre isso).

Portanto, se o motorista Kamel quer preços mais altos para suas corridas, ele deveria reclamar com os consumidores que utilizam os serviços da Uber, e não com o CEO da Uber. O fato concreto é que, ao menos na cidade de Kamel, os consumidores não estão valorando seus serviços em um nível que lhe permita cobrir seus custos.

Logo, se Kamel quiser ser um empreendedor bem-sucedido (todo motorista da Uber tem essencialmente de ser um empreendedor), então ele — como qualquer empreendedor — terá de descobrir como fornecer seus serviços a um custo menor que o preço que os consumidores estão dispostos a pagar.

Caso não consiga fazer isso, então Kamel deveria abandonar seus planos de ser motorista da Uber e se concentrar em fornecer algum outro bem ou serviço que possa ser fornecido a um custo menor que o preço determinado pelo consumidor.

Quanto ao CEO da Uber, antes de ele entrar em outra discussão com algum motorista da Uber, ele deveria antes ler Mises e sua teoria sobre a soberania do consumidor em um mercado caracterizado pela livre concorrência. Isso o salvará de novos constrangimentos.


14 votos

autor

Ryan McMaken
é o editor do Mises Institute americano.


  • Mário júnior  02/03/2017 15:29
    O motorista fez a escolha errada, não poderia investir em um carro tão caro. Para um empreendedor, antes de tudo, é fundamental ter um plano de negócios limpo em suas mãos.
  • Andre  02/03/2017 16:13
    Percebi a mesma coisa, chamar esse motorista de empreendedor é um disparate, se fosse embarcar no Uber para dirigir faria o menor investimento possível para enquadrar nos padrões de qualidade, e não esse investimento vultuoso para aprimorar um carro que se desvaloriza a taxas chinesas. Com US$ 97 mil se monta um senhor empreendimento nos EUA, com US$15 mil já é investimento adequado para o Booster Fuels, o CEO está certíssimo em afirmar que as pessoas não assumem responsabilidade pelas merdas que fazem, uma atitude muito empreendedora.
  • Ex-microempresario  02/03/2017 15:41
    Interessante é que o Uber se apresenta como uma empresa de "tecnologia", que apenas faz a ligação entre o consumidor e o empreendedor, mas parece que na prática não é bem assim. Pelo que entendi do diálogo, é o Uber que define preços e estratégias de negócio. Parece com o "capitalismo" de um certo país da América do Sul, em que os lucros são individuais mas os riscos são divididos ou integralmente repassados.
  • Heraldo  02/03/2017 15:55
    Entendeu duplamente errado.

    Para começar, os preços variam diariamente e são definidos por um algoritmo que responde à oferta e demanda. Pesquise sobre.

    Em segundo lugar, ao contrário do que ocorre no Brasil, nenhum governo está socorrendo a Uber com o dinheiro de impostos. Os prejuízos da Uber não estão sendo socializados com o cidadão comum. Nenhum pagador de impostos está sendo espetado com a conta.

    Quem está arcando com os prejuízos são exclusivamente a empresa e seus funcionários. Exatamente como tem de ser no capitalismo.

    Na próxima, esclareça melhor os seus conceitos.
  • Ex-microempresario  02/03/2017 16:27
    "Quem está arcando com os prejuízos são exclusivamente a empresa e seus funcionários"

    Exatamente, a Uber diz que não tem funcionários, que os motoristas são "empreendedores" livres e que o Uber é apenas a plataforma tecnológica.

    Afinal, quando alguém trabalha para o Uber, tem ou não controle sobre o "modelo de negócios" ? Que liberdade tem de definir seus preços e sua estratégia ?

    Enfatizando: não disse que o governo tem algo a ver com isso. O que me interessa é a relação entre o Uber e seus funcionários / parceiros / empreendedores / whatever.
  • Adriano   02/03/2017 17:06
    "Afinal, quando alguém trabalha para o Uber, tem ou não controle sobre o "modelo de negócios" ? Que liberdade tem de definir seus preços e sua estratégia ?"

    A mesma liberdade de preços que qualquer outro empreendedor tem dentro de um mercado de livre concorrência: nenhuma.

    Não importa se o cara dirige para a Uber ou se tem uma padaria ou um restaurante self-service popular: no final, quem define os preços que ele pode cobrar são os consumidores e a concorrência.

    Você, como ex-empreendedor, deveria saber disso melhor que ninguém: afinal, se você é ex-microempresário é porque já foi retirado do mercado pelos consumidores, que não mais compraram seus produtos ao preço que você estipulou.
  • Arnaldo  02/03/2017 17:33
    Ouch...
  • Arthur M Meskelis  02/03/2017 18:15
    Ex-microempresário,

    "Afinal, quando alguém trabalha para o Uber, tem ou não controle sobre o "modelo de negócios" ? Que liberdade tem de definir seus preços e sua estratégia ? "
    Sim, ele tem controle sobre o modelo de negócios. Ele pode escolher a região onde vai trabalhar, atender quem ele acha que deve, a hora que ele quer entre outras coisas. Ele tem total liberade de definir o preço e a estratégia de trabalho dele. Se ele achar que o preço não convêm, ele fica em casa. Se ele achar que deve ir para algum lugar que o preço convêm, assim ele o faz.

    Entretanto, este empreendedor não é um empreendedor de "...uma empresa de tecnologia, que apenas faz a ligação entre o consumidor e o empreendedor...", logo, ele não tem controle sobre o modelo de ne?ocio de tal empresa assim como ele não tem liberdade de definir preços nem sua estratégia.
    Nem tal empresa tem o controle de definir quando e onde o motorista deve trabalhar.
  • Gustavo  02/03/2017 18:08
    Seria de fato interessante que o próprio motorista definisse o seu preço para a corrida, e o Uber fizesse apenas esse papel de intermediar o serviço prestado e o consumidor final, ficando com um % desta corrida. Pode ser inclusive uma ideia para um possível concorrente.
    O problema é: como realizar isso na prática? Como impedir que o motorista informe um valor ao aplicativo e cobre outro do passageiro? Será que é lucrativo? É algo que precisaria ser bem estruturado.

    O que pensei de antemão foi: o consumidor define a origem e o destino, como é feito atualmente, e os motoristas que estivessem em um raio de "x" Km receberiam esse aviso, analisariam o percurso e informariam seu valor para a corrida. Esses valores apareceriam para o cliente e ele escolheria aquele que lhe fosse mais interessante. Ao fazer isso, o motorista informaria o valor ao aplicativo e ao cliente ao mesmo tempo, sem ter espaço para "burlar o sistema". Com isso, a empresa se protegeria da flutuação do mercado e de possíveis encargos trabalhistas, pois não definiria nada, apenas atuaria como intermediário. Mas caso esse modelo não fosse lucrativo, a empresa poderia cobrar um valor de manutenção do aplicativo aos motoristas.

    Se alguém quiser desenvolver a ideia, estou disponível.




  • FL  02/03/2017 20:32
    Gustavo, acredito que não funcionaria: os motoristas simplesmente não pegariam corridas mais curtas e "baratas" (como ocorre com muitos taxistas). Essa é uma das melhores coisas do Uber: o motorista não sabe o destino do passageiro até o mesmo estar no carro, com a corrida iniciada.
  • Marina  02/03/2017 17:56
    A questão é: por que o motorista do Uber gastou tanto com o carro? 97 mil dólares é MUITA grana. Ele não precisa de uma limousine, precisa de um sedan limpo, confortável e potente. Nos EUA, com 30 mil dólares ele consegue isso.
  • Breno  02/03/2017 18:01
    Com US$ 15 mil ele comprava um Honda Civic top. E com US$ 22 mil, um Honda Accord mais top ainda.
  • Felipe Lange S. B. S.  02/03/2017 22:10
    O sujeito achou que estava em um serviço para executivos milionários e depois ainda foi reclamar...
  • Wilson  02/03/2017 18:00
    No Uber o motorista se associa ao aplicativo e não o contrário. O Uber é para complementar renda e não ser a renda principal. É simples. Basta pensar e entender.
  • Ex-microempresario  02/03/2017 18:01
    Agradeceria se os argumentos evitassem ataques pessoais, especialmente se baseados em desejos pessoais. Nenhum de vcs me conhece para saber se "fui retirado do mercado" ou não.

    Vou tentar de novo explicar minha dúvida:
    Um empreendedor tem a liberdade de cobrar os preços que quiser. O consumidor tem a liberdade de pagar ou não.
    Consequentemente, um empreendedor deve ajustar os preços que cobra em função do mercado que pretende atingir.
    Neste caso específico:
    O motorista do Uber tem a liberdade de ajustar seus preços de acordo com o mercado ou isso é prerrogativa do Uber?
    Sendo mais prático:
    O Uber pode praticar dumping às custas de seus motoristas?
    O Uber pode forçar estratégias de preço que maximizem os seus lucros em prejuízo dos motoristas, seus supostos parceiros?
    E por último:
    O Uber fala a verdade quando diz que é apenas uma "plataforma tecnológica", se eximindo com isso de várias responsabilidades, ou é apenas um "franchising" disfarçado ?

    Frisando: não pretendo ser motorista do Uber, não tenho nada contra ele; pelo contrário, sou contra a existência de "concessões" para o exercício de uma atividade profissional, como é o caso dos táxis "oficiais". Mas tenho curiosidade em saber qual é, afinal, o verdadeiro modelo de negócio do Uber. Por enquanto isto me parece, digamos, pouco transparente.
  • Ruy  02/03/2017 18:44
    "O Uber pode praticar dumping às custas de seus motoristas?"

    Como assim, meu caro?

    Como o Uber praticaria "dumping" às "custas dos motoristas"?


    (Lembre-se: essa coisa chamada "dumping" é um mito).
  • Ex-microempresario  02/03/2017 19:21
    Ruy, muito do que o Uber fala dá a impressão que seu "modelo de negócio" é baseado em gente que aproveita o tempo para ganhar uma graninha extra. Mas na prática, pelo menos no Brasil, tem gente que investiu em um carro novo e pretendia trabalhar como motorista do Uber em tempo integral. Essas pessoas não tem a "liberdade" de trabalhar só quando interessa, como dizem alguns. Ela investiu e precisa de retorno em seu investimento. Minha pergunta é: as condições vigentes quando a pessoa se associou ao Uber se mantém ou não? Se o Uber resolve criar uma "promoção" com preços irreais, as pessoas tem as opções de trabalhar com prejuízo ou não trabalhar e não ganhar nada. Isso é fazer dumping com o dinheiro dos outros.

    Quanto a vc dizer que dumping é um mito, bem...
  • Gabarito  03/03/2017 16:57
    "Mas na prática, pelo menos no Brasil, tem gente que investiu em um carro novo e pretendia trabalhar como motorista do Uber em tempo integral."

    Pessoas voluntariamente fizeram isso e assumiram esse risco conscientemente. Iguais a essas, há milhões de outras pessoas que fazem o mesmo em relação a outros empreendimentos. Muitas se dão bem e muitas se dão mal. O mundo empreendedorial é assim. Ninguém tem certeza quanto ao futuro.

    Qual o seu problema com esse arranjo? Você quer alterá-lo? Como exatamente você faria isso? Como você removeria a variável "incerteza" da equação?

    "Essas pessoas não tem a "liberdade" de trabalhar só quando interessa, como dizem alguns."

    Meu caro, essa frase se aplica a absolutamente todo e qualquer empreendedor. Você, por ser um ex-microempresário deveria saber bem disso. Nenhum empreendedor pode trabalhar só quando interessa. Na teoria, ele até tem essa liberdade ("ah, hoje é segunda, não estou a fim de trabalhar"); na prática, porém, ele sabe que isso afetará enormemente sua receita e, consequentemente, seu futuro.

    O que realmente de novo você está tentando trazer à discussão?

    "Ela investiu e precisa de retorno em seu investimento."

    De novo: isso vale para absolutamente qualquer empreendimento. Nenhum empreendimento traz garantia. Nenhum investimento -- na economia privada -- traz retorno líquido e certo.

    Não existe isso de "ah, ele investiu; logo, precisa da garantia de um retorno". Não existe tal garantia no mundo empreendedorial!

    "Minha pergunta é: as condições vigentes quando a pessoa se associou ao Uber se mantém ou não?"

    Quais condições? As condições do mercado?

    Meu caro, não existe isso. Na prática, você está dizendo que as preferências dos consumidores devem ser mantidas congeladas e inalteradas para garantir o retorno do motorista da Uber. Mais ainda: você está dizendo que a Uber tem esse poder de manter inalteradas as preferências dos consumidores.

    Você está exigindo uma coisa que é impossível no mundo real.

    Por essa sua mesma lógica, um empreendedor que decidiu abrir uma franquia do Habib's e foi à falência porque as preferências dos consumidores mudaram (eles não querem mais comida árabe fake) estaria certo em processar o Habib's porque "as condições vigentes quando a pessoa se associou ao Habib's se alteraram".

    "Se o Uber resolve criar uma "promoção" com preços irreais, as pessoas tem as opções de trabalhar com prejuízo ou não trabalhar e não ganhar nada. Isso é fazer dumping com o dinheiro dos outros."

    Para começar, você incorreu em contradição. Se os motoristas do Uber simplesmente param de trabalhar, a empresa não mais ganha dinheiro nenhum. Difícil ver como isso seria um "dumping com o dinheiro dos outros".

    Se, no entanto, os motoristas continuam trabalhando, então é porque, por definição, elas ainda acreditam que dá para ter lucro. Por definição.

    Ademais, por esse cenário, quem estaria fazendo "dumping" seria a Uber em relação aos concorrentes, exatamente o oposto do cenário que você descreveu.

    Se você é dono de um restaurante self-service e o seu concorrente da esquina resolve abaixar os preços dele, tomando a sua clientela, você tem "as opções de trabalhar com prejuízo ou não trabalhar e não ganhar nada".

    Se você é motorista da Uber e seus preços caem, quem fica com "as opções de trabalhar com prejuízo ou não trabalhar e não ganhar nada" são os seus concorrentes. Por definição. Se os seus preços são os menores do mercado (e a qualidade do serviço é boa), quem vai ficar sem trabalho são os outros e não você.
  • patricio  06/03/2017 17:53
    Uber== investimento em avestruz da era digital
    kkkk
  • Pobre Paulista  02/03/2017 19:31
    É pouco transparente pra você? Tadinho. Tenho uma dica: Abra uma concorrente da Uber, vou até te dar uma dica de nome UberGlass : o Uber transparente. Se isso é tão importante assim, aposto que você irá desbancar a Uber em menos de um ano.

    Eu pessoalmente não me importo com "transparência", quero apenas saber se o preço que aparece no meu celular quando eu chamo um carro é menor ou igual o que eu estou disposto a pagar. Se sim, pego um carro, se não, vou a pé, de metrô, ônibus ou similar.

    Não sei como as pessoas conseguem complicar algo que é tão simples.
  • Frederico  02/03/2017 19:45
    Rá, boa, Pobre Paulista. Este é exatamente o ponto.

    Aliás, se a preocupação está com os ganhos do motorista, nem precisa criar Uber Glass (ótima sugestão de nome!); Cabify, Easy Go e Televo pagam mais em viagens longas. Basta o Ex-microempresário se tornar cliente destes.
  • Arnaldo  02/03/2017 19:53
    Ouch 2...
  • Um observador  02/03/2017 20:53
    Tá gostoso bater em espantalhos, Pobre Paulista?
  • Daniel Prado  02/03/2017 22:14
    Disse tudo pobre Paulista. É esse o ponto. quem define o preço é quem vai consumir. Tudo é questão de relação custo beneficio. se o preço está compatível com o que eu estou disposto a pagar, Eu pego o UBER se não eu uso outro meio. Usava o UBER hoje estou usando CABIFY, as vezes se necessário faço um sacrifício e vou de ônibus. Alternativas não me falta.
  • Ninguem Apenas  03/03/2017 15:42
    Acho que ninguem entendeu a duvida do Ex-Microempresário e os ataques em espantalho tão complicados, ele apenas teve uma duvida em relação a forma como a Uber opera. Disse que os empresários não são 100% livre empresários pois a Uber quem define os preços seja baseado em um algoritmo ou não.

    Respondendo você Ex-Microempresário, pense nos motoristas como empresários sim, mas que prestam serviço a empresa Uber e esta ao consumidor. A Uber estipula o quanto está disposta a pagar ao motorista para prestar o serviço e este se quiser aceita, caso aceite a Uber então avisa o consumidor que o serviço será prestado. Os motoristas são sim empresários, mas não estipulam o preço porque prestam serviço a Uber e não ao consumidor.

    A Uber como cliente único deles é quem estipula o que está disposta a pagar ao motorista. Conseguiu entender agora? Se não ficou claro pergunte novamente o que quer saber.



  • Pobre Paulista  06/03/2017 12:35
    Errado. O motorista não é um empresário, nem um funcionário da Uber.

    O motorista é um CLIENTE da Uber.
    E o passageiro também é um CLIENTE da Uber.

    Se o passageiro achar que o preço da viagem está bom, ele fecha negócio com o motorista.
    Se o motorista achar que o preço da viagem está bom, ele fecha negócio com o cliente.

    A Uber intermedeia a negociação e cobra o preço dela. Só isso.

    Insisto, é simples. O preço que tá lá na telinha é o que vai sair (ou entrar) no seu bolso. O carro que você chama é o carro que chega. O motorista que você chama é o motorista que chega.

    Onde falta transparência nisso?
  • Leitor assíduo  07/03/2017 12:48
    Sou leitor do mises há um bom tempo, mas fico de cara como algumas pessoas ao invés de responder educadamente a dúvida do cidadão, que certamente esta interessado em aprender, empinam o nariz com o único objetivo de mostrar o seu ponto de vista. Triste isso...
  • Dam Herzog  02/03/2017 18:02
    Muito ilustrativo, ou seja os preços de num mercado livre e desimpedido é que determinam os custos, e não os custos que determinam os preços. Então quem empreende tem que saber a que preços será vendido seu produto para depois ver o menor custo que ele possa produzir irá compensar. Se seus custos forem iguais ou maiores que os preços de mercado, então se ele produzir ele irá destruir riqueza propria e entrará na lista dos maus enpreededores. Este motorista é um empreendedor que não sabia disso e por ignorancia errou na sua escolha de trabalhar com um ativo tão elevado sem ver o custo beneficio, por isto está tendo prejuizo. Mesmo lá, EUA, é uma ecomomia dirigida, com carteis criados pelo governo e reagulamentações excessivas, leis ambientais injustificadas e caras que tiram a competitividade da economia. Tenho até impressão de que seja um estado policial pelo que tenho lido no livro 'Lost Right' de James Bovard onde não respeitam a propriedade privada e a policia pode tomar seus bens por uma simples denuncia anonima e você não terá dinheiro para acionar o estado que pode até pedir para você pagar os advogados do governo, impossibilitando a ação do cidadão contra o governo por falta de recursos. Logo a primeira coisa que alguem deve saber é se respeitam a propriedade privada, e se tem a noção aproximada do que é o mercado. Assim poderemos produzir riqueza segura.
  • Taxidermista  02/03/2017 18:40
    "Os preços dos bens e serviços não são resultados dos custos operacionais. Os preços finais de bens e serviços não são determinados pelo valor dos insumos (como mão-de-obra e matéria prima) utilizados em sua produção. Com efeito, preços e custos nem sequer são "determinados" pelos mesmos agentes econômicos"

    É a teoria subjetiva do valor econômico: mises.org/library/introduction-theory-value

    Vale lembrar a observação de Robert Murphy:

    "Subjectivist (Marginalist) Theory Incorporates the Truth of the Cost Theory

    The modern subjectivist theory incorporates the truth of the cost theory. In other words, the limited situations in which the cost theory worked can also be handled by the subjectivist theory. In order to do this, the economist simply needs to take into account the fact of marginal utility, meaning that people make their trades using concrete units of goods rather than entire classes. (For more on marginal utility, see this article.)

    For example, the cost theory of value would say that if the price of a good fell below the cost of producing it, then producers would switch to alternate lines, and the resulting shortfall in supply would raise the price. The subjectivist approach can tell the same story, because individuals will devote the first horse to more important ends than the third horse. Thus, the marginal utility of the first horse is higher than that of the third horse, and as the quantity of horses dwindles, their market price will tend to increase, using Rothbard's approach as outlined above. (This was not obvious in the actual example above, which only used one horse to keep things simple.)
    ."

    mises.org/library/subjective-value-theory
  • Henrique  02/03/2017 18:42
    Os preços irão baixar até a rentabilidade ser compatível com o risco do negócio. E quem dita isso é o mercado (consumidores). Simples assim.

    A Uber nunca que poderá abaixar o preço ao ponto da mão-de-obra achar desvantajoso se associar a ela e também ao ponto da rentabilidade da mesma se tornar insuficiente.

    E se o motorista estiver insatisfeito, que faça o seguinte passo-a-passo:

    1. Saia da Uber
    2. Vá trabalhar em outro negócio.
  • Marcelo  02/03/2017 18:44
    Aqui no Brasil, já já vão criar sindicato dos motoristas da Uber e uma associação. Afinal, empresa praticar preços baixos é algo proibido por aqui. (No mesmo país em que todo mundo reclama que tudo é caro).
  • Ex-microempresario  02/03/2017 19:03
    Arthur M Meskelis, agradeço o comentário, mas acho que vc se contradiz em uma expressão:

    "Ele tem total liberdade de definir o preço e a estratégia de trabalho dele. Se ele achar que o preço não convêm, ele fica em casa. Se ele achar que deve ir para algum lugar que o preço convêm, assim ele o faz. "

    Então ele NÃO tem liberdade de definir o preço. Ele tem liberdade de aceitar o preço definido pelo Uber ou não trabalhar. Não é a mesma coisa.

    Imagine que eu tenho um capital e resolvo montar uma pizzaria. Como não entendo muito, procuro uma franquia. Fazemos um contrato, eu monto a pizzaria, e começo a trabalhar. Depois de um tempo, percebo que os preços estão um pouco caros, e resolvo baixá-los. Ou acho que o mercado aceitaria preços mais altos, o que melhoraria meu lucro. Só que o dono da franquia não permite, e exige que eu siga os padrões e normas que ele estipulou. É ruim para mim, e menos ruim para a franquia, que afinal está ganhando sem fazer muita força. (Para falar economês, se uma rede tem 100 franquias, o custo marginal de acrescentar mais uma é baixíssimo e portanto o lucro é alto). Eu tenho a "liberdade" de deixar a franquia, mas perco todo meu investimento, e talvez uma multa rescisória.

    Note: não estou me queixando: é do jogo, entra quem quer, sou totalmente a favor do livre mercado. Mas conheço pessoas que me disseram que algumas franquias tem comportamentos bem pouco éticos com seus franqueados. Por isso estou curioso: parece que trabalhar para o Uber é muito fácil, é só baixar o app, dois cliques e pronto. Essas pessoas sabem em que estão se metendo? O Uber é ético e divulga de forma clara os direitos e obrigações de cada parte? O Uber respeita os compromissos "implícitos" e a relação de confiança com seus parceiros ou dá mais importância àquelas cláusulas em letras miudinhas que dão direito a fazer o que quiser e alterar as regras do jogo quando bem entender?
  • Yomi  02/03/2017 19:26
    Eis um vídeo no qual um motorista da Uber descreve os seus ganhos e gastos em um ano. Resultado: o cara lucrou aproximadamente 850 reais por semana, o que dá 3.400 reais de lucro por mês.

    Em um ano, ele faturou quase 53 mil reais.

    Tudo isso trabalhando 42 horas por semana.



    Leia também:

    Quanto você ganha como motorista da Uber e de seus rivais
  • Andre  02/03/2017 19:36
    Já respondeu sua própria pergunta aqui:

    "Imagine que eu tenho um capital e resolvo montar uma pizzaria. Como não entendo muito, procuro uma franquia."

    Abriu mão da totalidade da administração de seu negócio se associando a uma organização com foco em administração do negócio micro ou macro. Esse é um conflito muito comum no mundo dos negócios e muitos preferem tocar seus negócios nas ruas do que associar e tocar no conforto de shoppings centers, preferem ter uma fabriquinha no quintal de casa do que associar ao dono de um galpão, preferem tocar sozinhos do que associar a um funcionário via CLT e assim por diante, empreendedor é bicho questionador e sendo bastante sincero, um genuíno não ficaria muito tempo no Uber exatamente por estes motivos que relatou, acredito que a empresa supervalorizou os motoristas, no máximo são autônomos.
  • Jose Seidl  02/03/2017 19:38
    Motoristas do Uber podem sim controlar seus preços, e isso ocorre com frequência. Eles, inclusive, combinam isso por meio do WhatsApp.

    Funciona assim: após o término de algum show no Morumbi, por exemplo, cada motorista desliga seu aplicativo, o que diminuiu bastante o número de carros disponíveis na área. Consequentemente, o algoritmo interpreta que a oferta caiu. E como a demanda está crescente (o show no Morumbi acabou), o algoritmo eleva os preços cobrados.

    Ato contínuo, os motoristas religam seus aparelhos e, pelos próximos 15 minutos, os preços estarão lá em cima, e só começarão a cair após estes 15 minutos. Todos os motoristas sabem disso e muitos fazem isso.

    O mesmo procedimento pode ser utilizado em aeroportos, shoppings e qualquer outro lugar.

    O risco, obviamente, está em outro motorista que não desligou seu aparelho pegar boa parte dos passageiros e quebrar esse "cartel".

    P.S.: desnecessário dizer que motorista da Uber trabalha quando quiser. Desconheço qualquer outra empresa que permita isso.
  • Arthur M Meskelis  02/03/2017 20:52
    E ae mano, no final do comentário há algumas perguntas retóricas e algumas frases que de forma alguma são uma forma de ataque, a quem quer que seja. São simples coisas que vieram a minha mente enquanto eu escrevia e, por falta de um lugar melhor eu resolvi deixar escrito aqui.

    "Então ele NÃO tem liberdade de definir o preço. Ele tem liberdade de aceitar o preço definido pelo Uber ou não trabalhar. Não é a mesma coisa."

    O preço do motorista do Uber não é explícito. É implícito. Como eu disse no outro comentário, o empreendedor motorista do Uber é um motorista. Não é um empreendedor de um sistema tecnológico que faz a ligação entre o consumidor e o produtor. Ele realmente não tem como definir o preço que o Uber define. Fazendo um paralelo, eu como funcionário (produtor) de uma empresa posso definir o meu preço para o meu empregador (consumidor) mas não posso definir o preço que o meu empregador (produtor) cobra dos consumidores dele.

    A não ser que no meu contrato de trabalho o meu empregador peça para eu ajudá-lo a definir o preço dele.

    "Imagine que eu tenho um capital e resolvo montar uma pizzaria. Como não entendo muito, procuro uma franquia. Fazemos um contrato, eu monto a pizzaria, e começo a trabalhar. Depois de um tempo, percebo que os preços estão um pouco caros, e resolvo baixá-los. Ou acho que o mercado aceitaria preços mais altos, o que melhoraria meu lucro. Só que o dono da franquia não permite, e exige que eu siga os padrões e normas que ele estipulou. É ruim para mim, e menos ruim para a franquia, que afinal está ganhando sem fazer muita força. (Para falar economês, se uma rede tem 100 franquias, o custo marginal de acrescentar mais uma é baixíssimo e portanto o lucro é alto). Eu tenho a "liberdade" de deixar a franquia, mas perco todo meu investimento, e talvez uma multa rescisória.

    Note: não estou me queixando: é do jogo, entra quem quer, sou totalmente a favor do livre mercado. Mas conheço pessoas que me disseram que algumas franquias tem comportamentos bem pouco éticos com seus franqueados. Por isso estou curioso: parece que trabalhar para o Uber é muito fácil, é só baixar o app, dois cliques e pronto. Essas pessoas sabem em que estão se metendo? O Uber é ético e divulga de forma clara os direitos e obrigações de cada parte? O Uber respeita os compromissos "implícitos" e a relação de confiança com seus parceiros ou dá mais importância àquelas cláusulas em letras miudinhas que dão direito a fazer o que quiser e alterar as regras do jogo quando bem entender?"

    E eu concordo com você em relação as franquias serem complicadas. Mas acho que é um problema um pouco diferente. No caso do Uber, o motorista presta um serviço. No caso da pizzaria, é um comércio. No caso do Uber ele pode escolher quando/onde trabalhar, ele pode sair do centro e ir prestar serviço no morumbi. Enfim, ele pode procurar uma zona que não esteja com tanta oferta (um maior preço). No caso da pizzaria geralmente a franquia vai estabelecer alguma localização. Seja para não atrapalhar outra pizzaria da franquia, ou porque nessa área há o mercado consumidor que eles querem ou por motivos alheios. Pessoas irão ver problemas em ambos os casos (Uber e pizzaria), e é justamente, como você disse, que o livre mercado é melhor. Pois as pessoas tem opção de escolha. O que pode ser bom pra uns pode não ser bom pra outros. E se o Uber/franquia cumpre o que promete é uma pergunta a ser respondida. Se ele faz coisas além do que ele promete ? Está certo, não está certo ? Acho só pode responder aqueles que trabalham com eles. E, sabendo que o preço está baixo, e sabendo que se o preço está baixo é porque tem oferta, e sabendo que tem oferta é porque tem motorista, logo eu assumo que trabalhar com o Uber não deva ser um problemão. Podem não ficar ricos, mas espero que estejam conseguindo viver uma vida confortável.

    Mas em uma coisa podemos deixar claro. Como disse o CEO do Uber. As pessoas devem assumir suas responsabilidades. Se ao participar de qualquer coisa houver algo que não está claro, esclareça antes. Se não é bom pra você, não faça. Não tome uma decisão sem saber no que está se metendo.
  • LUIZ F MORAN  02/03/2017 19:51
    No Brasil, onde a grande mídia tem um discurso único com conteúdo sadicamente dedicado a DESINFORMAR, e, descaradamente sempre a favor do governo, nada, absolutamente nada será compensador o suficiente para nenhum empresário que esteja fora do esquema fascista, economicamente falando, imposto pelo Estado e seus parasitas burocratas.
    O Brasil é uma republiqueta sindicalista-dinossaurica-parasitária, "funcionando" na base da corrupção sistematizada, alimentada pela impunidade e pelo descaso. Trata-se de uma Nação fracassada, usurpada e desmoralizada, com uma população escravizada pelo Estado, população esta que não tem forças para reagir e que mal conhece o problema em sua raiz.
    O Uber aqui jamais será coisa alguma.
  • anônimo  02/03/2017 20:34
    E quanto a Amazon e sua falta de lucratividade?

    ben-evans.com/benedictevans/2014/9/4/why-amazon-has-no-profits-and-why-it-works
  • anônimo  03/03/2017 12:29
    Seria a Amazon um exemplo bem-sucedido de "dumping"?
  • Adriel Felipe  03/03/2017 19:53
    Anônimo,

    Ninguém é doido a ponto de vender produtos abaixo do preço de custo só pra quebrar a concorrência e depois aumentar os preços quando não houver concorrência, pois quando ele subir os preços novamente os concorrentes vão aproveitar a oportunidade e vão tomar seus clientes. No mínimo essa pessoa vai quebrar quando isso acontecer.

    O que acontece com a Amazon, o próprio presidente-executivo da Amazon explicou: ele é uma startup ainda e está incessantemente explorando (investindo em) novos mercados sendo eles lucrativos ou não.
  • marcela  02/03/2017 21:14
    Excelente análise do IMB sobre o caso do UBER.Aliás se pararmos para pensar,vamos concluir que a única fonte de informação que tem qualidade no Brasil é mesmo o IMB.Enquanto o Antagonista e outros, comemoram o fato do MO ter "livrado"o Temer,assistam a sensata observação do Bruno Garschagem sobre o assunto:https://m.youtube.com/watch?v=BKmBepje6tk
  • Vitor  02/03/2017 21:36
    Algumas pérolas para vocês:

    "A chegada de mais empresas é fruto da regularização desse tipo de serviço, feita em maio pela gestão Fernando Haddad (PT) por meio de decreto, após o tema não avançar na Câmara. A regra autoriza 900 mil km em viagens pela cidade por mês, com taxa de R$ 0,10 por quilômetro rodado. Não há limite de carros.

    "A cobrança pode render R$ 2,7 milhões por mês, mas não tem fim arrecadatório. Serve para regular o mercado", diz Rodrigo Pirajá, presidente da São Paulo Negócios, empresa ligada à prefeitura. "Se a meta for atingida, a tarifa será elevada para desestimular novas viagens."

    Em vez de fiscalizar os carros, a prefeitura aposta em um sistema para acompanhar as corridas a partir de informações coletadas das empresas, que ficam responsáveis pela seleção dos condutores e vistoria dos veículos.

    "A autorregulamentação não encontra respaldo na lei", critica José Bento Ferreira, professor do departamento de trânsito da Unesp. "Uma empresa fiscalizar a ela mesma não funciona."

    Mesmo com a regularização, o debate sobre a legalidade do serviço na capital continua. O vereador Salomão Pereira (PSDB) apresentou um projeto de lei na Câmara para anular o decreto de Haddad e determinar que só taxistas possam atender por meio de apps.

    "Como essas empresas cobram muito barato, não conseguirão fazer a manutenção dos carros. Logo teremos uma frota sucateada", diz o tucano. Há um inquérito no Ministério Público paulista para apurar a constitucionalidade da decisão do petista.

    Antes do decreto, a prefeitura criou a categoria do táxi preto, na esperança de que o Uber aderisse ao modelo, o que não ocorreu. Foram 5.000 alvarás novos, repassados pela prefeitura por R$ 60 mil cada um.

    Quem levou um desses hoje alimenta dúvidas se fez um bom negócio. Embora exija veículos de luxo, a categoria cobra o mesmo que os modelos brancos
    , em uma estratégia da Easy e da 99 para popularizá-los.

    Lastreadas por fundos de investimento, empresas como o Uber adotam estratégia similar à de outras companhias de tecnologia: primeiro juntar uma grande quantidade de clientes e tentar criar um monopólio. Para isso, não há problema se houver prejuízo nos primeiros anos. "Não acredito que os preços do Uber se manterão baixos: são temporários para destruir a competição", disse Evgeny Morozov, pesquisador bielorusso especialista em internet, em recente entrevista à Folha.

    E embora se apresentem como alternativas para desafogar o trânsito, os aplicativos de transporte individual têm poder limitado nessa área, segundo especialistas. "Em carros com cinco pessoas cada, é possível levar até 5.000 pessoas por hora na faixa de uma via. Uma linha de metrô leva 80 mil no mesmo tempo", diz Bento Ferreira, da Unesp.

    A migração do uso de automóvel próprio para compartilhado também é vista com ressalvas. "Num país pobre como o Brasil, o carro é mantido como símbolo de conquista econômica", pondera Paulo Bacaltchuck, professor de engenharia de tráfego do Mackenzie.

    "Os novos serviços são baseados no smartphone, que ainda não abrange toda a população. Por isso, o táxi continua a ser necessário", analisa José Viegas, secretário-geral do Fórum Internacional de Transportes, sediado em Paris.

    A única certeza entre os especialistas é que o modelo de carros solicitados por aplicativos não tem volta. Com isso, caberá aos governos regulá-lo de maneira equilibrada e razoável para evitar que a concorrência desenfreada precarize os serviços e a atividade mantenha-se minimamente atrativa para motoristas.

    Entre os possíveis próximos capítulos dessa história está o risco de motoristas do Uber procurarem a Justiça em massa para questionar a existência de vínculo empregatício, como ocorreu em outros países.

    Em outro efeito do modelo digital, o app T81 lançou no mês passado o serviço de mototáxi, proibido pela administração municipal, porém autorizado em esfera federal. "A prefeitura tem que se adaptar a nós, e não o contrário", desafia Josival de Melo, um dos idealizadores do aplicativo, criado em Recife há quatro meses. "Podem apreender quantas motos quiserem". O modelo do Uber de peitar governos fez escola.


    Efeito Uber reduz preços, mas leva motorista a trabalhar por quase 24h

    Uma pergunta séria para vocês: Apenas eu que acho curioso o medo dessas pessoas de uma empresa operando no livre-mercado criar um "monopólio" pois clientes voluntariamente decidem utilizar seus serviços em massa, sugerirem como uma medida contra isso, quase que como senso comum, o Estado decretar um monopólio para taxistas, prendendo todos que decidirem entrar no setor?
  • Taxidermista  02/03/2017 22:40
    Talvez essa seja a mais pérola das pérolas: "caberá aos governos regulá-lo de maneira equilibrada e razoável para evitar que a concorrência desenfreada precarize os serviços"

    Para essa gente, a concorrência "precariza" os serviços. A estupidez fala por si só.
  • Arnaldo  03/03/2017 15:24
    Acho Uber fantástico e o espirito do mercado livre.
    Por isso eu SEMPRE utilizo em todo lugar que vou.
  • Primo  02/03/2017 21:40
    Nesse caso, o motorista do uber é o consumidor. Ele está dando um sinal ao CEO de que o mercado tem margem para praticar um preço mais elevado. Lembrando que é o uber Black, o mercado de luxo, é impecável quanto a qualidade, o motorista esta preocupado com o cliente, o CEO preocupado com o concorrente. A longo prazo acredito que o motorista esteja certo.
  • Andr%C3%83%C2%A9  03/03/2017 13:20
    Off-topic, infelizmente o estado agigantado é piorado pela lavagém cerebral que fazem nas pessoas desde cedo. Sim, hoje vejo dessa forma.

    Na escola te ensinam que a tua educação e saúde são direitos teus e que o estado deve te propiciar isso "gratuitamente". Que você é OBRIGADO a aderir o modelo de educação do estado, seja por escola pública ou privada que segue a aprovação do MEC, independente de você acreditar na eficácia dele ou não.

    Nos jornais policiais, instruem a população que não reaja a um crime. que permaneça passiva enquanto criminosos tiram teus bens, te estupram, te matam ou te cobram impostos. Estamos a um ponto de passividade que as pessoas tem medo até mesmo de portar uma arma porque acham que seriam alvo de ladrões e não reajiriam mesmo nessas condições.

    Muito provável que o pessoal que recebe subsidios (bolsa) ou incentivos (passe livre de impostos) já deve ter internalizado que é direito natural deles receberem aquilo e irão repassar ao seus descendentes e amigos.

    Ou seja, o estado criou uma massa passiva que tem medo da liberdade e acredita que necessitam dele ditando tudo na sociedade. Talvez seja por isso que nunca tivemos um governo nascido da vontade popular, mas sim de brigas entre militares, familias influentes e (mais recentemente) empresas ligadas ao governo.
  • Dúvida  03/03/2017 13:56
    Fora do tópico, mas uma dúvida:

    o social-democrata (que tem tara por proibição de drogas) lá da revista Veja está em alguma espécie de surto? O cara fica repetindo diariamente "sou liberal", "sou liberal", "sou liberal" (afora os auto-elogios também diários, de forma doentia).

    Como assim, "liberal"? O cara se posiciona como social-democrata e estatista em todos os assuntos!
  • Jonas  03/03/2017 13:58
    Pq Leandro Roque não faz parte do grupo docente desse curso?


    imb-pgea.azurewebsites.net/docentes/


    Alguém pode me responder isso?
  • Leandro  03/03/2017 15:11
    Basicamente por dois motivos:

    Primeiro, por minhas qualificações acadêmicas. Tenho um mero diploma de graduação em economia (não tive interesse em perder mais tempo em universidade). E este corpo docente é para ministrar aulas de pós-graduação em EA. Pessoas que estão visando a uma pós-graduação não quererão -- presumimos -- ter aulas com quem tem um mero diploma de graduação.

    Segundo, porque sinceramente não me vejo qualificado para sair "ministrando aulas". E também não é exatamente algo que me agrade. Gosto de escrever, e não de falar desbragadamente durante um período de tempo pré-determinado. Ministrar aulas é uma vantagem comparativa que não possuo. Alegremente, delego essa divisão do trabalho para terceiros.

    Mas fico bastante honrado por essa sua percepção.

    Grande abraço!
  • Amorim  03/03/2017 22:36

    O primeiro nome que procuro quando veja a divulgação desses cursos é o seu Leandro. Diante os vários anos de artigos nas mais diversas áreas, mas mais especificamente economia, mesmo que você não possuísse graduação alguma, sentir-me-ia honrado em ser um aluno seu.

    Ainda que não goste de ministrar aulas, você realiza a educação da ciência econômica de modo primoroso em seus artigos. Vê-se bastante, dos que falam em "economia austríaca" (incluindo os que estão no grupo que ministram a pós graduação), claramente que repetem raciocínios e escritos seus sobre economia (na própria pós ou em outras palestras).

    Torço pela continuidade de seu grande trabalho, sempre aprendi (algumas coisas com muita dificuldade e releituras... devido à complexidade do assunto, embora você seja didaticamente excepcional) e aprendo muito com seus artigos.

    Abraços!
  • Leandro  03/03/2017 23:03
    Estou extremamente lisonjeado por estas suas palavras, prezado Amorim.

    Obrigado por externalizá-las de maneira tão efusiva. E também pelo tempo (um bem escasso e irrecuperável) que você se dedicou a escrevê-las. Ainda mais em uma sexta-feira.

    Grande abraço!
  • Vitor  04/03/2017 00:19
    Prezado Leandro,

    Já venho acompanhando o IMB há alguns bons anos, vez ou outra me dedico em um comentário para responder a dúvida de algum leitor, sempre procurando ser o mais educado e claro o possível.

    Meu autor preferido no momento é Frédéric Bastiat. Depois de ler suas obras completas, infelizmente apenas disponível em francês, eu não acho que poderia ser diferente.

    E eu preciso dizer, a clareza de sua escrita, eu apenas encontrei em Bastiat. Clareza, eu me aventuraria em dizer, é uma das virtudes mais escassas que encontrei em escritores, independente do tema que esteja sendo escrito.

    A grande maioria dos jornais e revistas que acompanho, seus escritores geralmente entram em um mar de tecnicalidades que por vezes acaba não fazendo nada além de oferecer um tom de elitismo, limitando aquela ciência à poucos leitores bem capacitados, e ofuscando a argumentação, mesmo dos mais preparados. O mesmo se aplica, acredito, à grande parte dos autores de livros.

    Por este motivo, te parabenizo por esta importante característica. E se há algo para criticar em seus escritos, seria, sem dúvidas, a pequena quantidade em que estão disponíveis.

    Além disto, também é extremamente interessante a análise austríaca, especialmente quando se trata de empreendedorismo, coisa que percebi ao estudar "Managerial Economics", que está em total acordo com a teoria austríaca, apenas divergindo na questão do uso da matemática que, justamente por esta ser uma ciência ligada ao empreendedorismo, ela tentará oferecer modelos que procuram diminuir a incerteza do empreendedor, aproximando-se o quanto possível da realidade.

    Dito isto, caso me permita a pergunta, há alguma expectativa de uma tradução do livro de Hazlitt, What You Should Know About Inflation, por parte do IMB?

    Estou ciente de que há uma pequena parte de sua totalidade já disponível, mas os principais pontos do livro, e que eu não encontrei em nenhum outro artigo no IMB, incluindo aquele, se trata da questão da necessidade da inflação, para que não haja desemprego. Especialmente no cenário em que sindicatos não permitem salários nominais caírem em um período de recessão, o que acaba fazendo com que salários reais aumentem, causando, assim, desemprego. Cenário este que apenas pode ser evitado com inflação, aumentando os preços de toda a economia para inibir este aumento real do salário, evitando, desta forma, o desemprego.

    Caso haja algum artigo sobre este assunto no IMB, por gentileza, me indique-o.
    E caso não haja, o motivo é por que o IMB discordaria deste argumento, ou apenas não se trata de um tema interessante o suficiente para um artigo?

    Muito obrigado, e um grande abraço.
  • Agente   04/03/2017 01:35
    Mas o Summer School não é curso de pós-graduação. Que desculpa você usa para justificar sua ausência?

    Mas eu concordo que ministrar aulas talvez não seja a melhor maneira de alocar os seus talentos. Mas quem sabe, um dia você não resolva vender seus serviços, pelo menos como palestrante.
  • Pobre Paulista  04/03/2017 01:44
    Pô Leandro, então aproveite e se matricule! Aposto que você terminaria com Summa Cum Laude, e com isso poderia ministrar aulas no próprio curso ;-)
  • Higor  03/03/2017 15:05
    Eu não entendi porque o motoristas estava filmando os clientes. Alguém sabe explicar?
  • Alexandre  03/03/2017 15:12
    Isso é muito comum nos EUA. Dizem que é para filmar eventuais brutalidades policiais.

    Também é comum na Rússia. Dizem que lá é para filmar eventuais atos de extorsão da polícia.
  • Denison  04/03/2017 23:25
    Na Rússia é comum pessoas se jogarem na frente de veículos (em baixa velocidade) para receberem indenizações. Para evitar esse e outros tipos de problemas, como ter que pagar outras indenizações, muitos motoristas filmam seus trajetos.

    Nos EUA o motorista provavelmente filma o passageiro para se proteger de alguma acusação injusta.
  • Henrique Zucatelli  03/03/2017 15:19
    Bom dia pessoal.

    A polêmica levantada pelo artigo foi feita de forma errada, e traz a confusão entre o básico sobre Livre Mercado (Economia) e o modelo Uber de negócios (Administração). Vou fazer algumas considerações sobre as duas ciências e aí conseguiremos chegar numa conclusão lógica sobre a contenda entre o intermediador (Uber) e o operador (Motorista).

    Em economia, mais especificamente Escola Austríaca, o argumento do artigo (e do CEO) é válido e ponto pacífico. O consumidor define o preço e padrão de qualidade do produto ou serviço ofertado, e cabe ao fornecedor correr atrás para atende-lo, seja como fornecedor direto, seja como o modelo utilizado pelo Uber, etc. Se o operador acreditar que o modelo não lhe serve, basta sair.

    Agora vamos ao que interessa.

    Em administração, há alguns erros infantis cometidos pelo Uber, que levaram (e ainda levam) empresas para o buraco: guerra de preços sem levar em consideração a sustentabilidade do negócio. E é nesse ponto que valido o argumento do operador (motorista). Leiam atentamente.

    Em nenhum momento o operador sugeriu que a empresa fizesse algo de errado, somente analisasse com mais precisão que os custos envolvidos no negócio estão muito altos, ao passo que os preços só caem. De uma maneira lúdica e simples ele está dando o sinal que dessa maneira a médio prazo os motoristas não vão mais trabalhar com o Uber, e sem operadores a empresa simplesmente não existe.

    A resposta arrogante do CEO foi de uma infantilidade extrema: em vez de absorver a reclamação e analisar formas de diminuir os custos internos da plataforma e repassar um valor maior aos motoristas sem aumentar o preço final para o passageiro, ou simplesmente realizar uma pesquisa ampla por amostragem ou testes em campo com motoristas de teste para verificar a viabilidade do negócio para o operador, ele simplesmente agrediu, e o chamou de fracassado.

    Não é assim que um CEO de uma empresa bilionária deve raciocinar, ainda mais em um modelo de negócio que envolve o capital de terceiros, onde O INTERMEDIADOR DITA OS PREÇOS conforme a política da empresa. Vou explicar melhor o ponto. Empresas de intermediação existem há muito tempo, e este modelo de negócios é um sucesso quando dois fatores são levados a excelência:

    1- O operador é livre para ofertar no preço que lhe cabe.
    2- O intermediador é extremamente exigente com a qualidade do serviço ou produto ofertado, e pune severamente os maus operadores.

    Alguém aqui se lembra de empresas como: Trivago, Amazon, Mercado Livre, além da Google Play e Apple Store? Bem vindos ao mundo do Market Place, onde o intermediador é responsável pela divulgação e manutenção da qualidade dos produtos e serviços, elevando o padrão e fazendo com que o preço seja super competitivo. Porém, e leiam bem, porém o operador define o preço e não o MarketPlace.

    No caso do Uber, ele não dá nenhuma liberdade ao operador para definir preços. O algoritmo pai define o preço da viagem e o motorista aceita ou não. Porém esse algoritmo não levam em consideração fatores importantes que vão manter o negócio sustentável, como manutenção, multas, etc. A curtíssimo prazo é um sucesso, pois é demanda garantida. Porém a médio e longo prazo, os problemas começam a aparecer: ao passo que o operador vê apenas os preços caírem e seu equipamento precisa de reposição ou manutenção, o valor pago pela viagem não compensa o trabalho.

    Voltando a Ciência Econômica, é óbvio que seria um disparate dizer que o Uber é responsável por isso, mas em Administração nem tanto. Como intermediador e ofertador do negócio, é imprescindível que haja o serviço gratuito de cálculo de custos para o operador. Essa é a alma de um negócio transparente, como funcionam nos MarketPlaces tradicionais. Digo novamente, isto é o mínimo.

    E não é apenas para o bem do operador, mas para o bem do negócio em si, pois sejamos simples: quem vai querer trabalhar em um negócio que só dá prejuízo a longo prazo? Se nada mudar, é o fim do Uber como empresa em algum tempo. Aliás, já estão tendo prejuízo. É o mesmo caso das franquias aqui no Brasil: venderam um modelo de negócio insustentável, e hoje a maioria das pessoas não acredita mais, com raríssimas excessões.

    Se o Uber não mudar várias métricas do seu negócio irá ser varrida do mercado, e não faltam opções internas e externas que permitam que seus operadores possam continuar trabalhando, como:

    - Diminuir os custos internos sinergicamente, repassando uma parte maior para os motoristas
    - Permitir a venda de produtos e serviços pelos operadores, como guloseimas, bebidas etc, sendo pago previamente.
    - Oferecer serviços diferenciados e pagos a parte, como carros para fumantes, animais etc.
    - Permitir um mecanismo de ágio a parte pelo motorista dependendo do horário (uma alternativa a "bandeira 2")
    - Dentre muitos outros.

    Para concluir, a Ciência Econômica (principalmente a Austríaca) não deve ignorar os detalhes sobre Administração de Negócios para discutir demandas como o case acima. Sem a harmonia entre as partes internas de um negócio, tudo vai pelos ares, e por isso sugiro que sempre que duas Ciências forem sobrepostas em um artigo, sejam consultados pelo menos um especialista de cada área.

    Obrigado por quem leu até aqui.
  • Giovanni  03/03/2017 15:44
    "Em nenhum momento o operador sugeriu que a empresa fizesse algo de errado, somente analisasse com mais precisão que os custos envolvidos no negócio estão muito altos, ao passo que os preços só caem. De uma maneira lúdica e simples ele está dando o sinal que dessa maneira a médio prazo os motoristas não vão mais trabalhar com o Uber, e sem operadores a empresa simplesmente não existe."

    Sorry, mas você, na condição de outisder (você trabalha na Uber?), não tem como saber disso.

    Para começar, se fosse verdade essa sua afirmação de que "os custos envolvidos no negócio estão muito altos", ninguém estaria querendo dirigir para a Uber. No entanto, como mostra a realidade, não é isso o que está ocorrendo. Este é um sinal de mercado muito claro: os custos ainda estão menores que as eventuais receitas.

    Sobre isso, eis um didático vídeo no qual um motorista da Uber descreve os seus ganhos e gastos em um ano. Resultado: o cara lucrou aproximadamente 850 reais por semana, o que dá 3.400 reais de lucro por mês.

    Em um ano, ele faturou quase 53 mil reais.

    Tudo isso trabalhando 42 horas por semana.



    Ou seja, é perfeitamente possível se dar bem sendo motorista da Uber.


    O que realmente aconteceu neste episódio, e que parece ter passado despercebido por você, é que o motorista Kamel fez uma enorme cagada. Segundo o próprio, ele gastou US$ 97 mil num carro! What the fuck?!

    Como já apontaram lá em cima, com apenas US$ 22 mil o cara comprava um Honda Accord topo de linha.

    Mas não. O motorista Kamel -- comprovando ser um péssimo empreendedor -- torrou US$ 97 mil num carro. Isso, nos EUA, é preço da Limousine.

    É claro que ele iria falir. Ele não tem a mais mínima noção de como controlar gastos.

    Você olhou apenas o lado das receitas e desprezou completamente o lado das despesas. O empreendedor bem-sucedido é aquele que, acima de tudo, consegue controlar e cortar custos. E o motorista Kamel se revelou um fracasso neste quesito (prova disso é o vídeo acima feito pelo motorista brasileiro).

    Sem levar em conta essa tremenda cagada feita pelo motorista Kamel -- um erro básico de administração --, todo o seu argumento fica desprovido de sentido.
  • anônimo  03/03/2017 16:07
    Giovanni, o que acha dessa tabela de custos?

    https://scontent.fnat2-1.fna.fbcdn.net/v/t1.0-9/15590407_10155144088799295_1013946986036783147_n.jpg?oh=515cf4608734b280f2f186e79b58f57e&oe=596F7DD4
  • Giovanni  03/03/2017 16:27
    Não acho nada. Não sei qual a procedência, não sei qual a acurácia dela, e, acima de tudo, não sei o que exatamente ela está querendo dizer. Não caio em baits.

    De resto, sigo com os sinais de mercado: se há gente ainda querendo trabalhar para a Uber, então é porque os custos seguem abaixo das receitas.

    Caso alguém de fora saiba mais que essas pessoas e que a própria Uber, então é bom apresentar argumentos. Mais ainda: esse alguém está perdendo uma dinheirama: sempre dá pra lucrar em cima da "inevitável derrocada" de um concorrente. Mãos à obra?
  • Henrique Zucatelli  03/03/2017 17:58
    Giovanni, boa tarde.

    Respondendo francamente, sou empresário há 10 anos, Insider em vários nichos da indústria, IT e e-commerce. Além de empresário sou consultor de novos negócios e presto assistência gratuita a micro e pequenos empresários (adoro). E nos dias tranquilos faço um bico de Day Trader para eu mesmo, vendendo a descoberto.

    O mundo dos negócios são basicamente a minha vida, de segunda a sábado. Estudo muito para apontar um erro tão infantil como o case Uber e a falta de compromisso com os operadores ao não informar nem sugerir que não estimassem a curva de custos após o período de 24 meses, que é quando o equipamento envolvido (veículo) começa a apresentar fadiga em diversos componentes. Mas volto a falar disso adiante.

    Fazendo quote no vídeo em anexo (detesto fazer quote, mas vamos lá): 1 ano para qualquer negócio, de uma barraca de Hot Dog a uma indústria de fármacos, não significa absolutamente nada. Zero.

    A prospecção de um negócio parte das premissas mais básicas de demanda para chegar em um forecast mediano, os custos diretos envolvidos nesse negócio e suas distorções por diversos parâmetros, até as variáveis mais indiretas, como variação do custo tributário devido ao crescimento de faturamento. Dependendo do mercado, analiso até mesmo a probabilidade de mudança total no padrão de consumo, pesquisando a fundo notícias, boatos e todo tipo de informação relevante a respeito de novos projetos de concorrentes diretos e indiretos.

    E é exatamente por isso que me pagam para estimar a viabilidade de um projeto.

    Voltando a curva de custos, vou citar um exemplo que ocorreu há uns 7 anos, quando eu ainda estava engatinhando nessa carreira. O setor de academias de ginástica nessa época passou por um momento crítico a nível nacional por conta exatamente deste erro infantil que os proprietários cometeram. Os equipamentos tinham um custo "X", que eram amortizados durante dois anos. Quando o período de amortização acabava, os equipamentos precisavam novamente ser substituídos, pois estavam aos pedaços. Conclusão: nessa época 70% das academias fecharam.

    Qual foi a solução encontrada pelas que sobreviveram: a introdução das "aulas": dança, exercícios localizados, artes marciais etc, que incrementaram o faturamento, têm custo baixíssimo (um professor) e utilização pequena de equipamentos. Case resolvido.

    Porém em um negócio tradicional o operador tem a possibilidade elástica de incrementar produtos e serviços ao seu negócio de modo que assegure a rentabilidade no final do período, diferentemente do modelo Uber, que basicamente só permite que seja parceiro da plataforma dirigindo. Você fica de mãos e pés atados, vendo a cada dia mais e mais desempregados e endividados concorrerem pelo mesmo mercado e os preços desabando. Caso queira mudar de categoria deve investir em um veículo melhor, que vai no mínimo comer a margem residual que teria na nova categoria.

    Mais uma vez, posso não ser Insider no Uber, mas não desprezo a boa e velha matemática.

    Vou concluir o Case Uber recapitulando os pontos provando por A+B como o modelo do jeito que está é insustentável a longo prazo.

    1- Diferentemente de um negócio tradicional onde a demanda é proporcionalmente crescente, no modelo Uber a curva de demanda para o operador é descendente, pois quanto mais operadores entram, menor o preço da viagem, e menos viagens o operador realiza (Vide o caso dos "bolsões").

    2- A entrada de mais concorrentes como Cabify e a queda do preço das corridas de Taxi contribuem para agravar ainda mais o quadro apavorante para os operadores.

    3- A curva de custos sobe após determinado período em detrimento do ganho médio do operador, que só cai. Logo, depois de determinado período, mesmo que o operador queira continuar ele será incapacitado por falta de equipamento (e nem preciso olhar a tabela do nosso amigo anônimo para isso, pois não quero ter pesadelos a noite).

    Como disse no outro comentário, caso o Uber altere corrija seu modelo de negócio, pode sobreviver a longo prazo. Mas a mudança deve ser rápida.





  • Daria Ratliff  06/03/2017 14:20
    Nunca vou entender como ele gastou 96 mil dólares investindo em carro... Onde, nos EUA, onde se compra um carro muito decente por 15, 18 mil? Lógico que ele vai perder a longo prazo, ainda mais com o valor do carro usado nos EUA cair consideravelmente depois dos três primeiros anos. Talvez aí esteja o grande problema da pessoa que inicia seu próprio negocio: começar grande e adquirindo dividas gigantescas no começo, possivelmente não aguentando o tranco ao longo do caminho.
  • anônimo  07/03/2017 13:46
    Realmente.
  • saoPaulo  07/03/2017 13:57
    Esse cara não é nada. Quem lembra do CEO gênio do mal que, do dia pra noite, aumentou o preço de um remédio em 5000% e se tornou o cara mais odiado dos EUA?

  • anônimo  07/03/2017 18:01
    E consequentemente do mundo. Porque esquerdistas adoram falar que quem admira os EUA é chupa rola de gringo, mas são eles que mais gostam de copiar e apoiar o que os "liberals" fazem lá.
  • Joma Bastos  12/03/2017 12:36
    O que equilibra no mundo economicamente liberal e de estado mínimo, é a competição econômica e social em termos saudáveis.
    Há que rever profundamente a logística, a qualidade e conforto do nosso transporte público.


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