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As máquinas continuarão substituindo o trabalho humano? Sim. Quem deseja isso? Os consumidores
Mas há os luditas que não se cansam de atormentar o bem-estar da humanidade

Ao final de 2016, a Amazon apresentou a "Amazon Go", uma loja de conveniência futurística e totalmente automatizada, que será aberta em Seattle em alguns meses.

A ideia é sensacional: você entra na loja, pega os produtos que quiser, coloca na sacola e simplesmente vai embora, sem ter de enfrentar nenhuma fila de pagamento e sem ter de lidar com nenhum caixa humano. Os produtos retirados são debitados em seu aplicativo de smartphone.

Este sensacional empreendimento fará com que aquelas idas rápidas ao mercado se tornem muito mais cômodas e fáceis para os consumidores mais ocupados e sem tempo. Você não levará mais do que um minuto para entrar no estabelecimento, pegar o que quiser, e sair logo em seguida (tal tecnologia é chamada de grab and go, "pegue e vá" ) Sem filas enormes, sem chateação, sem perda de tempo.

Esta é a tendência para todos os supermercados e pontos comerciais no futuro.

Nos países mais ricos, já vemos a integração de várias máquinas de auto-atendimento nas grandes redes de supermercado, substituindo os caixas humanos. Mesmo restaurantes fast-foods estão adotando essa tendência. O McDonald's atualmente possui quiosques em várias localidades que permitem aos clientes pedir e receber sua comida sem qualquer interação humana. As redes Carl's Jr. e Hardees também já anunciaram que irão testar quiosques automatizados em seus estabelecimentos.

Ainda em 2012, uma startup de robótica chamada Momentum Machines apresentou um protótipo de uma máquina totalmente autônoma que recebe os pedidos dos clientes, cozinha a carne, fatia os vegetais, monta o hambúrguer, embala-o, e entrega ao cliente. Esta máquina se mostrou capaz de preparar 400 hambúrgueres em uma hora. A empresa já comprou um prédio na cidade de San Francisco e pretende inaugurar um restaurante totalmente autônomo em breve. Tal restaurante ainda irá necessitar de alguns poucos humanos, que terão as funções de garantir que as máquinas funcionem harmoniosamente, retirar o dinheiro das máquinas e efetuar outras tarefas menores.

Obviamente, caso essa hamburgueria automatizada se comprove lucrativa, é de se esperar que as grandes cadeias sigam essa tendência.

Obviamente, os críticos e pessimistas já estão se manifestando dizendo que este tipo de automação, caso se torne difundido, colocará em risco uma enorme variedade de empregos, como o de caixa e atendente.

"Relatório sugere que quase metade dos empregos nos EUA é vulnerável à automação", grita uma manchete de jornal. "As máquinas irão roubar nossos empregos!" é um grito que já pode ser ouvido em vários países do mundo, principalmente nos mais avançados.

Essa preocupação em relação ao emprego — ou, mais especificamente, ao uso de mão-de-obra humana para fazer trabalhos físicos, repetitivos e cansativos — não é nova e tampouco é específica e restrita a determinadas áreas. Com efeito, a humanidade possui um longo histórico de temor em relação a todo e qualquer progresso mecânico, atribuindo a ele todas as eventuais taxas de desemprego ao longo da história.

O tempo passou, quase nada mudou

Essa postura anti-automação e anti-mecanização não só é antiga, como parte de uma crença bem-definida: a crença de que as máquinas e a automação deixam os trabalhadores mais pobres. 

Esta crença é frequentemente rotulada de 'filosofia ludita'. Um sujeito chamado Ned Ludd supostamente saiu quebrando máquinas de tear durante um acesso de fúria em 1779. Em 1811, um artigo sobre Ludd foi publicado em um jornal. Isso inspirou várias pessoas a repetirem o feito. Quando então elas saíram quebrando máquinas, elas foram chamadas de luditas.

Quem eram esses agressores? Eram pessoas que até então possuíam empregos altamente bem pagos como fabricantes de determinados bens que atendiam às demandas de pessoas ricas. Era um mercado bem restrito. Com o tempo, essas pessoas foram descobrindo que sua clientela cativa estava diminuindo em decorrência do fato de outros produtores terem passado a utilizar máquinas para produzir em massa esses mesmos bens. Essa produção em massa aumentou a oferta desses bens. Tal aumento da oferta levou a uma redução de preços. Essas pessoas repentinamente descobriram que seu trabalho era caro e pouco produtivo.

Tais pessoas eram membros de uma guilda que por séculos havia utilizado seu poder político em áreas urbanas para adquirir o monopólio de mercados específicos. Elas descobriram que a concorrência de preços trazida pelas máquinas estava reduzindo suas rendas. Em resposta, elas destruíam as máquinas. Em outras palavras, elas utilizavam de violência contra produtores e proprietários de máquinas com o objetivo de manter seu monopólio. Antes, elas utilizavam seu poder político para alcançar este mesmo objetivo.

O termo "sabotador" vem de "sabot", que significa sapato em francês. Operários atiravam sapatos nas máquinas com o intuito de destruí-las e, com isso, reduzir a produção de bens altamente específicos. Tal ato era visto pela maioria das pessoas como destrutivo, mas ele claramente trazia benefícios de curto prazo para aqueles que estavam enfrentando a concorrência das máquinas. No final, tudo era apenas mais um dos vários casos de violência contra proprietários e empreendedores.

Essa filosofia dos luditas ainda continua presente entre nós, sendo encontrada mais especificamente naqueles que criticam a automação e o uso da robótica. Ainda hoje, há várias pessoas cujo conhecimento econômico sobre a natureza do livre mercado e sua relação com a prosperidade econômica é precário. Tais pessoas são hostis ao uso de robôs em praticamente todas as áreas de produção — curiosamente, elas aceitam a automação e o uso intensivo de máquinas naquelas tradicionais linhas de montagem, as que vêm utilizando robôs há 30 ou 40 anos (como o setor automotivo). 

No entanto, o aumento da produtividade que levou o mundo aos bons tempos de 40 anos atrás foi baseado também na adoção de técnicas de produção em massa as quais hoje chamaríamos de automação e robótica. Foi a adoção de máquinas no lugar da mão-de-obra humana, algo que por sua vez se baseou em novos suprimentos de energia, o que permitiu que todo o mundo se tornasse mais rico. 

Pense nas invenções do século XIX. Pense na ferrovia. Pense na colheitadeira e no trator. Pense na máquina de costura. Todas essas invenções substituíram o trabalho manual por equipamentos. Os condutores de charrete perderam a competição contra o motor a vapor, e o mundo ficou em melhor situação por causa disso.

Não importa quantas histórias sejam contadas e quantos exemplos práticos sejam relatados sobre o incremento no padrão de vida do mundo atual em decorrência do aumento do uso de energia mecânica e elétrica, e do aumento do uso de máquinas — a mentalidade ludita continua firme e forte. Há pessoas que continuam afirmando que a automação nós deixará mais pobres. Elas estão dizendo isso há 200 anos.

Tão arraigado é esse temor das máquinas, que o economista Henry Hazlitt, ainda na década de 1940, se sentiu compelido a dedicar um capítulo inteiro de seu livro "Economia Numa Única Lição" para refutar este mito. Em seu capítulo intitulado A Maldição da Maquinaria, ele escreve:

A crença de que as máquinas causam desemprego, quando mantida com alguma consistência lógica, conduz a conclusões absurdas e ilógicas. Não apenas temos de estar causando desemprego com o aperfeiçoamento tecnológico atual, como também o homem primitivo deve ter sido o primeiro a gerar desemprego ao aplicar idéias que o poupavam de trabalho e suor inúteis.

A lição do macaco velho

Há uma regra fundamental na economia que nunca deve ser ignorada: qualquer coisa que possa ser feita lucrativamente por uma máquina deve ser feita por uma máquina.

Por que isso é verdade? Porque a mão-de-obra humana é, de longe, a mais versátil e a mais móvel dentre todos os capitais. As pessoas são capazes de estar sempre aprendendo novas formas de servir seus clientes. Macaco velho realmente aprende novos truques. No entanto, para fazê-lo aprender novos truques, ele tem de enfrentar a realidade: o que quer que ele fazia antes para ganhar a vida pode agora ser feito de maneira mais eficiente e mais barata por uma máquina. 

Macaco velho prefere fazer truques velhos. E ele prefere ganhar uma renda alta para fazer truques velhos. Só que o progresso econômico não o permitirá continuar auferindo uma renda alta fazendo truques velhos caso surjam novas ferramentas que irão possibilitar que novatos façam esses mesmos truques — e os façam de maneira até melhor — a um preço menor.

A maneira como o Ocidente enriqueceu após 1800 foi por meio do empreendedorismo, da criatividade, da redução do custo da energia (possibilitada por maiores investimentos e maior acumulação de capital) e da invenção de máquinas melhores e mais eficientes.  Nós enriquecemos porque fomos capazes de aproveitar a produtividade da natureza, na forma de energia e por meio de equipamentos especializados, e utilizá-la para substituir a valiosa mão-de-obra dos seres humanos, mão-de-obra essa que consequentemente foi liberada para ser utilizada em outros setores, o que permitiu um aumento generalizado da oferta de bens e serviços.

A automação libertou o ser humano do fardo de ter de fazer trabalhos pesados — até então essenciais — e o liberou para se aventurar em novos empreendimentos. Isso aumentou a oferta de bens e serviços, aumentando o progresso e o bem-estar da humanidade.

Todo esse processo, ao contrário do que dizem os luditas, foi propício à criação de novos empregos. No final, é tudo uma questão de o macaco velho saber se adaptar.

Os demitidos e os consumidores

Os luditas sempre afirmam estar falando em nome dos trabalhadores que foram substituídos pelas máquinas e cujos serviços não mais conseguem concorrer em um livre mercado. 

Os luditas se posicionam a favor do trabalhador demitido como se as necessidades de um trabalhador demitido gozassem de uma maior autoridade moral do que os desejos de consumidores que estão sempre à procura de bens melhores e mais baratos. O ludita parte do princípio de que o livre mercado deve funcionar em benefício do produtor e não em beneficio do consumidor.

Essa é a lógica da guilda. 

Eis a realidade: sempre que for lucrativo para o empreendedor substituir um ser humano por uma máquina, a conclusão é uma só: os consumidores estão sendo mais bem servidos pela máquina. Quem diz isso? Os próprios consumidores. São eles que compram os produtos das máquinas. São eles que, ao propiciarem lucros para o empreendedor, mostram para ele que sua decisão foi acertada.

São os consumidores, em suma, que decidem quais empregos devem continuar existindo e quais devem ser substituídos por máquinas. O empreendedor apenas segue essas ordens.

O consumidor não está interessado em saber quão trabalhoso e quão custoso é o processo de produção de um bem. Ele não está interessado em pagar mais caro só porque a fabricação de um produto empregou desnecessariamente mais pessoas do que deveria.

Ele está interessado apenas em uma combinação: qualidade alta e preço baixo. Sempre foi assim e sempre será assim. Consumidores querem barganhas. Consumidores querem produtos bons. Consumidores querem produtos bons a preços baixos. Consequentemente, ele irá premiar aquele produtor que lhe entregar exatamente isso. Se esse produtor tiver de recorrer a mais máquinas e a menos trabalho humano para alcançar esse objetivo, então ele fará exatamente isso.

Mas há também uma boa notícia para o ludita: quanto maior a automatização, menores os custos de produção. Consequentemente, menores os custos de entrada para novos empreendimentos. Isso significa que novos empreendimentos poderão surgir mais facilmente, de modo que aquelas pessoas que foram demitidas por causa da automação poderão encontrar novos empregos rapidamente.

Essa, aliás, é uma lógica econômica impermeável à mente ludita: tudo o que é poupado no processo de produção se transforma em mais capital disponível para novas ideias. Se passamos a utilizar menos mão-de-obra e menos recursos em um determinado processo produtivo, essa mão-de-obra liberada e esses recursos poupados estarão livres para ser utilizados em outros processos de produção, em novas ideias e em novos empreendimentos. 

A própria automação criou e continuará criando vários tipos de empregos direitos e indiretos. E a produção em abundância possibilitada pelo trabalho mecanizado permitirá que os recursos poupados sejam direcionados e investidos na medicina, nos sistemas de transporte e em novos conceitos empresariais, gerando cruciais inovações. A tecnologia de hoje, que já é impressionante, parecerá arcaica em comparação.

Conclusão

Aumentos no padrão de vida estão diretamente relacionados a um aumento na quantidade de bens e serviços disponíveis. E isso foi possibilitado pela automação. E continuará sendo.

Com mais automação, iremos eliminar trabalhos perigosos, sujos, insalubres e degradantes, ao mesmo tempo em que poderemos explorar os dois terços da terra inóspitos aos seres humanos.

Os desejos do ser humano são, por definição, ilimitados; e, enquanto o capitalismo ainda não houver encontrado uma maneira de satisfazer todos os desejos e de curar todas as doenças — ou seja, nunca —, sempre haverá capital buscando novas possibilidades de investimentos e soluções. 

Com a abolição das formas mais exaustivas de trabalho possibilitada pela automação, a genialidade do ser humano será liberada para se concentrar em uma infinidade de desejos e necessidades ainda não atendidos pelo mercado.  Entre as maiores enfermidades, aquele flagelo que é o câncer será atacado por investimentos exponenciais, em conjunto com as mentes bem-remuneradas por esses investimentos.

A solução para o nosso bem-estar passa pelo aprofundamento da automação.

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Leia também:

A social-democracia está em entrando em seu último suspiro, e será abolida pela automação — e o que você deve fazer para garantir um emprego

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Brittany Hunter, ex-aluna da Mises University e fundadora do website generationopportunity.org.

Gary North, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. 

John Tamnyo editor do site Real Clear Markets e contribui para a revista Forbes.


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Diversos Autores

  • Fernando Fujiwara  23/02/2017 14:55
    Queria saber por que Bill Gates defende que robôs também deveriam pagar imposto? Não deve ser para defender o emprego dos pobres...?
  • Alfredo  23/02/2017 15:01
    Como exatamente um robô vai pagar imposto? Robôs e máquinas não pagam impostos. Robôs e máquinas reduzem o custo de se produzir bens e serviços.

    Robôs e máquinas também não fazem greves. É impossível eles se sindicalizarem. Eles simplesmente trabalham sem parar e nunca param de produzir. E há mais deles sendo projetados e fabricados. Eles estão vindo para uma indústria perto de você.
  • Andre  23/02/2017 16:13
    Imposto de renda também nasceu com intuito de proteger os pobres, olhe agora, quem ganha R$2.000 está pagando imposto de renda e vai ter que declarar a partir do mês que vem.
    Tomara mesmo que cobrem imposto das inteligências artificiais no futuro, qualquer sistema lógico vai chegar a mesma conclusão, imposto é roubo.
  • Tulio  23/02/2017 15:19
    Comparados a humanos, máquinas e robôs são menos custosos para ser empregados — em parte por razões naturais, em parte por causa das crescentes regulamentações governamentais.

    Dentre os custos naturais estão o treinamento, as necessidades de segurança, e os problemas pessoais como contratação, demissão e roubo no local de trabalho. Adicionalmente, máquinas e robôs podem também ser mais produtivos em determinadas funções. De acordo com este site, eles "podem fazer um hambúrguer em 10 segundos (360 por hora). Além de mais rápido, também com qualidade superior. Dado que o restaurante agora estará com mais recursos livres para gastar em ingredientes melhores, ele poderá fazer hambúrgueres gourmet a preços de fast food."

    Dentre os custos governamentais estão o salário mínimo, os encargos sociais e trabalhistas e todos os eventuais processos na Justiça do Trabalho, muito comuns no setor da gastronomia. Chegará um momento em que a mão-de-obra humana em restaurantes fará sentido apenas para preservar um "toque de classe" — ou então para preencher um nicho.
  • Joao  23/02/2017 16:03
    Graças à tecnologia, faz ano que não entro em uma agência bancária. Quando entro, é no máximo no caixa eletrônico. Certas profissões são completamente desnecessárias, como ascensorista, manobrista, frentista, porteiro, operador de caixa, etc. No serviço público então, puta merda, 90% não serve para nada, seriam facilmente substituídos por máquinas.
  • reinaldo  23/02/2017 16:44
    Sem contar que antigas profissões ainda resistem.
    Ainda há sapateiros, fabricantes de vela, roupas sob encomenda, comida artesanal e uma infinidade de coisas que podem ser perfeitamente automatizadas, mas que atendem muitos consumidores que preferem comprar produtos feitos à mão.
    O curioso é que mesmo estes produtores artesanais estão usando ferramentas cada vez mais modernas para fazer seus produtos "à mão", com muito mais qualidade e produtividade que seus equivalentes do passado.
  • Humberto  23/02/2017 17:02
    Todo o raciocínio ludista pode ser condensado na seguinte ideia: indivíduos que agem segundo seus próprios interesses, comprando bens e serviços de baixo custo, estão atuando contra os interesses do país.

    E a conclusão ludista é: precisamos de mais funcionários públicos com armas e distintivos para restringir o consumidor, o empreendedorismo e a busca pelo interesse próprio. Precisamos de mais governo para suprimir nossos desejos de melhorarmos de vida. Isso nos deixará em melhor situação.
  • Alexandre  23/02/2017 17:08
    Bem por aí. Aliás é impressionante a presença desse pensamento. Semanas atrás estive conversando com um amigo que passou uns dias em Portugal, evidente que o mesmo não é muito interessado em questões econômicas, e o mesmo me colocou o seguinte aspecto:

    - Portugal (e a Europa em geral) só tem velhos, não há emprego para jovens, é tudo automatizado, posto de combustível, metrô, os pedágios. Dificilmente tu algum contato com atendentes neste postos mais baixos, por isso que está quebrado, os jovens não conseguem chegar ao mercado e blá, blá, blá"

    Esse meu amigo não é esquerdista, bem pelo contrário, no entanto representa o pensamento vigente de quem não compreende a questão da mecanização e principalmente a questão dos custos trabalhistas e salário mínimo, questões tão distorcidas pelo mídia em geral.

    Parabéns ao mises. Vocês são minha visita diária na web.
  • Tiago  23/02/2017 17:12
    No caso da Europa eu acho que uma parte da automação vem antes da hora, simplesmente porque é caro demais contratar devido às leis trabalhistas. A máquina acaba saindo mais barato, não por ser de fato mais barato, mas devido ao custo da mão-de-obra humana estar artificialmente elevado.

    Não são à toa as altas taxas de desemprego pelo continente.
  • Roberto  23/02/2017 17:19
    Exatamente Tiago, os custos trabalhistas nunca são mencionados quando se analisa a alta taxa de desemprego, principalmente entre os jovens, ou quando são, sempre passam a impressão de empresários gananciosos que não estão dispostos a ceder em suas margens de lucro em prol de mais um conforto e segurança aos empregados.
  • Vinicius Costa  23/02/2017 17:05
    Toda a postura anti-automação e anti-importações se baseia na ideia de que o emprego é sagrado e que ninguém pode ousar em tira-lo de alguém. O pior é que os próprios economistas acabaram ajudando a criar esse mito, já que a maioria enxerga o emprego como o objetivo final de qualquer projeto.

    Um emprego nada mais é do que um investimento. Uma pessoa pode amar jogar Rugbi, mas por não ver muito futuro no esporte acaba escolhendo uma profissão aonde espera ter mais sucesso.

    Quando uma maquina é capaz de substituir alguém, é tarefa da pessoa e somente dela de mostrar que ainda é mais competente e que trará mais lucros no futuro. Se não conseguir, adeus. Ninguém tem a obrigação de garantir o emprego de ninguém. Além disso, como dito no texto: "A mão-de-obra humana é, de longe, a mais versátil e a mais móvel dentre todos os capitais"

    Não é a toa que hoje muitos jovens desempregados na Europa e Estados Unidos culpam o estado pela sua situação. Aqui no Brasil logo a gente vai ver a mesma situação. Milhares de estudantes estão se formando em Engenharia Civil na esperança de dinheiro fácil, mas quando o setor implodir vão ser poucos que vão conseguir continuar ganhando. A choradeira vai ser grande.
  • Renato  23/02/2017 17:13
    Acredito que no futuro os trabalhadores braçais irão se transformar em trabalhadores investidores. Sabendo-se que as máquinas continuarão substituindo o trabalho humano, as empresas colocarão esses trabalhadores como financiadores nas empresas onde trabalham.

    Empresas criarão um jeito de não mandar embora os seus trabalhadores braçais. Eles ficarão na empresa e serão os novos parceiros financeiros dessas empresas.
  • Absurdo  23/02/2017 18:29
    www.canalrural.com.br/noticias/cafe/pressao-politica-barrou-importacao-cafe-66225
  • Thames  23/02/2017 18:43
    O Brasil é tão "neoliberal", mas tão "neoliberal", que aqui é proibido importar até mesmo café!
  • Dissidente Brasileiro  23/02/2017 19:10
    Aproveitando a oportunidade, alguém poderia explicar o motivo do café vendido neste rascunho de republiqueta ser de tão péssima qualidade e custar mais que o dobro do preço do café vendido para o exterior - cuja qualidade e variedades são bem maiores? Será que isto tem explicação racional??
  • Leandro  23/02/2017 19:17
    Essa é fácil: em país de moeda tradicionalmente fraca (como o Brasil), exportadores querem moeda forte (dólar e euro). Consequentemente, exportam o que têm de melhor para os gringos em troca dessa moeda forte, a qual irá lhes dar um grande poder de compra em relação à nossa moeda fraca. Em posse de moeda forte para comprar moeda fraca, eles viram reis.

    Já para nós, portadores de moeda fraca, eles vendem apenas a raspa, a xepa.
  • Dissidente Brasileiro  27/02/2017 17:52
    Leandro, obrigado pela resposta. Só faltou mencionar que eles fazem tudo isso com o auxílio de generosos subsídios estatais concedidos via BNDES e através de um forte lobby político que impede alternativas, como no caso da proibição a importação mencionado acima.

    Mas por outro lado, um país do tamanho do Bananão com uma extensa área de solo fértil importando café de péssima qualidade do Vietnã... pelo amor de Deus, sem mais comentários!
  • 4lex5andro  02/03/2017 13:45
    Ontem no jornal da noite da RecNews chamaram um economista (possivelmente egresso de alguma federal) pra comentar sobre os benefícios/desvantagens na valorização do real frente ao dólar.

    E, só pra variar, o mesmo argumento de "o real fortalecido não é interessante em um momento de saída de recessão do país, que precisa intensificar suas exportações, e assim atrair dólares, e depois baixar os juros". E que, "com juros menores, o país aumentaria seu poder de consumir, e que mais moeda pra consumir é que é o degrau pra alavancar o resgate econômico do país".

    E, no meio da palestra ainda tentou justificar que essa política exportadora do país deveria se dar sobre uma política de real desvalorizado em prioridade sobre uma diversidade da pauta de exportações (em maior parte commodities). Que o mercado aberto beneficiaria o Brasil caso tivéssemos uma pauta de export. de bens manufaturados (com direito a citações de Alemanha e Japão, mas coincidentemente sem explicar como Austrália e N. Zelândia com maioria de exportações de commodities são prósperos).

    Sem os conceitos aprendidos no IMB é esse o nível dos conselhos sobre macroeconomia no Brasil (um país que desde cedo trata o capital como vil, sob a égide do Mec) e amplamente divulgados pelas midias mainstream.
  • Dissidente Brasileiro  03/03/2017 17:17
    Será que o lula vai mesmo voltar?? Talvez, pois neste amaldiçoado rascunho de republiqueta bananeira tudo - eu disse TUDO é possível. Não espere que nada de bom aconteça neste lugar.
  • Humberto  04/03/2017 00:16
    Se o Lula concorrer, eu aposto que ele consegue ganhar.
  • Andre  02/03/2017 14:19
    Depois do IMB enriquecer meus conhecimentos as conversas econômicas e políticas duram poucos minutos, as pessoas já possuem as respostas, só fazem as perguntas erradas, fazer elas se perguntarem como nações exportadoras de commodities, frutinhas, carne, peles e até mesmo areia estão em melhor condição que Brasil particularmente buga a mente das pessoas.
  • MB  10/06/2017 01:44
    Todos os países esmagadoramente exportam o melhor do melhor do que produzem e em termos de bens de consumo a elite de cada país é brindada com o melhor que existe mundo afora,nisto eu incluo a elite cubana que é formada pela dinastia castrista e seus asseclas nas estatais de cuba,enfim ser da elite(Capitalista) honesta e produtiva é meritória e merecem esta recompensa,agora ser da elite(Política,corporativista e esquerda caviar)desonesta e corrupta em todos os países e em Cuba,Venezuela e Coréia do Norte em particular,são as desgraças que levam as massas populares a miséria,enfim oferta e demanda no mercado internacional é que determinam os preços salvo algumas exceções igual o gás natural russo que é ofertado monopolisticamente para a Europa sua grande consumidora.

    Portanto negociar com moeda forte(Dólar,Euro,Franco suíço) é ter acesso ao que há de melhor mundo afora seja num mercado livre e desregulamentado ou no mercado negro...
  • MB  10/06/2017 16:28
    Oferta e Demanda determinam preços no mercado internacional(Nacional, Regional e Local)em cima do estoque de dólares existentes,ou seja se o dólar enfraquece preços internacionais sobem e se o dólar fortalece preços internacionais desabam,e os preços variam ao longo do tempo, sim,mas se observarmos os preços em um gráfico veremos que quando o dólar fortalece os preços variam com tendência altista,rumo ao infinito e quando o dólar enfraquece vemos os preços variarem com tendência a zerarem sem chegar a tal,mas tendem a isto,enfim preço não é fixo sempre variam agora com tendência altista rumo ao infinito só com a inflação do dólar e com tendência a zerarem só com a contração do dólar.

    Os preços sofrem influência de vários fatores,agora quando o nível geral de preços variam para cima ou para baixo em conjunto eles estão sendo pressionados pela política monetária inflacionista ou contracionista dos governantes de plantão e sua insanidades que ferram as finanças dos menos(Não são coitados,apenas vítimas)favorecidos...

    Espero ter sido claro o suficiente para a reflexão de todos os leitores deste brilhante site,um farol de Liberdade em meio as trevas estatistas e esquerdistas...
  • MB  11/06/2017 16:49

    OBSERVAÇÃO: Fazendo as devidas correções.

    Oferta e Demanda determinam preços no mercado internacional(Nacional, Regional e Local)em cima do estoque de dólares existentes,ou seja se o dólar enfraquece preços internacionais sobem e se o dólar fortalece preços internacionais desabam e os preços variam ao longo do tempo sim,mas se observarmos os preços em um gráfico veremos que quando:

    "o dólar fortalece os preços variam com tendência a zerarem sem chegar a tal e quando o dólar enfraquece vemos os preços variarem com tendência altista rumo ao infinito".

    Enfim preço não é fixo e sempre variam,agora com tendência altista rumo ao infinito só com a inflação do dólar e com tendência a zerarem só com a contração do dólar.
  • Michael  23/02/2017 19:47
    Leandro, a saída do padrão-ouro gerou a crise do petróleo nos anos 70? Essa época foi chamada de década perdida?
  • Leandro  23/02/2017 20:30
    Correto. Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre. Sem exceção.

    O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar. Já o "arrefecimento" das commodities iniciado a partir de 2012 e que durou até meados de 2016 estava ligado ao fortalecimento do dólar.

    Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 -- por causa da abolição do que restava do padrão-ouro -- causou a disparada do preço do petróleo. Toda aquela conversa sobre crise do petróleo na década de 1970 foi pura enganação de políticos: não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

    Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte). E, na década de 2000, disparou (dólar fraco). E agora -- de 2012 a 2016 -- voltou a cair (dólar forte).

    Nunca houve crise na oferta de petróleo; a crise sempre esteve na moeda.

    Veja o gráfico do preço da onça de ouro em dólar (gráfico 2) neste artigo. Veja a disparada ocorrida na década de 1970 (dólar fraco), a queda ocorrida nas décadas de 1980 e 90 (dólar forte), a nova disparada na década de 2000 (dólar fraco), e a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

    Os preços de todas as commodities (cotados em dólar) andam pari passu com a força do dólar.
  • Paulo Bat  25/02/2017 16:13
    Prezado Leandro

    Aprecio muito seus artigos e comentários, postados aqui no Instituto Mises. Inclusive, suas respostas a indagações minhas sempre primaram pela cordialidade e análise ponderada. E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commoditie e a moeda em que ela é comercializada.

    No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente do seus comentários acima sobre a causa e efeito nos preços dos mercados do petróleo, a partir do chamado Choque Nixon (1971). Entre outras medidas, ele cancelou unilateralmente a conversão do dólar em ouro. Baseei meus comentários em inúmeros autores, que usamos na indústria, não para fins políticos, mas para nosso negócio (tenho 38 anos de indústria do petróleo).

    Para melhor acompanhar meus comentários, é interessante analisar os mesmos acompanhado de dois gráficos:

    1) Preço do petróleo entre 1986 e 2015, fonte: BP Global:
    www.bp.com/en/global/corporate/energy-economics/statistical-review-of-world-energy/oil/oil-prices.html

    2) Produção e importação de óleo cru nos EUA: //en.wikipedia.org/wiki/Petroleum_in_the_United_States#/media/File:US_Crude_Oil_Production_and_Imports.svg

    Vou colocar os eventos em ordem cronológica, com meus comentários após aspas de seus comentários, as vezes com ... :

    SEU COMENTÁRIO: Igualmente, a acentuada e abrupta desvalorização do dólar na década de 1970 ... : não era o petróleo que estava ficando escasso; eram as moedas, recém-desacopladas do ouro, que perdiam poder de compra aceleradamente.

    MEU COMENTÁRIO:
    - A indústria do petróleo nunca correlacionou a culpa do aumento dos preços do petróleo na década de 1970 como sendo por causa de escassez do produto.

    - Ano de 1972: A produção total Americana atinge o pico, próximo a uma média diária de nove milhões de barris por dia (bpd) e, a partir deste ponto, entra num declínio acentuado e contínuo, só interrompido em meados dos anos 2000, por conta do crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho).

    - Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP contra os países que apoiavam Israel na Guerra do Yom Kippur. Entre o início e o fim do embargo os preços tinham subido de US$ 3/barril (US$ 14 hoje) para US$ 12/barril (US$ 58 hoje).

    SEU COMENTÁRIO: Tanto é que, nas décadas de 1980 e 90, o barril do petróleo despencou (dólar forte).

    MEU COMENTÁRIO: Período 1985-1999:

    - Em 1986 a Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado global (market share) aumentando sua produção média diária de 3,8 milhões bpd em 1985 para mais que 10 milhões bpd em 1986. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Mas, atualmente isto está começando a ser modificado.

    - 1988: Com o fim da Guerra Irã-Iraque, ambos voltaram a aumentar substancialmente a produção média diária.

    SEU COMENTÁRIO: O boom das commodities (principalmente minério e petróleo) na década de 2000 foi "auxiliado" pelo enfraquecimento do dólar.

    MEU COMENTÁRIO: Principais eventos para o aumento quase contínuo dos preços na década de 2000:

    - Final dos anos 1990 e início dos anos 2000: Crescimento das economias Americana e Mundial.

    - Pós 11/01/01 e invasão do Iraque: crescente preocupação quanto a estabilidade da produção do Oriente Médio.

    - Segunda metade da década: Combinação de produção declinante mundial com o aumento acelerado e contínuo da demanda asiática pelo produto, especialmente China.

    A causa da produção mundial declinante está relacionada à enorme expansão da produção OPEP na década anterior e que inibiu o investimento da indústria em exploração (pesquisa para descoberta de novas jazidas). Para quem não é da área, investimentos em exploração de petróleo tem retorno de médio a longo prazo.

    SEU COMENTÁRIO: a recente queda a partir de 2012 (dólar forte).

    MEU COMENTÁRIO: A partir de 2014 a queda dos preços está ligada a dois grandes eventos:

    - Aumento substantivo da produção nos EUA e na Rússia, sendo que em 2015 a produção Americana atingiu o mais alto nível em mais de 100 anos, com os EUA voltando a serem os maiores produtores mundiais após mais de 50 anos (Figura a seguir)

    - O crescimento estratosférico da produção americana está ligado ao boom do "shale oil" americano (óleo de folhelho), com o avanço tecnológico do fraturamento hidráulico (hydraulic fracturing, or fracking), ela começou a ser utilizada com progressivo sucesso em reservatórios não convencionais como o shale oil. Com isto, nunca os estoques americanos estiveram tão altos. E, aqui o básico da economia de Adam Smith: oferta maior que demanda gera queda nos preços.

    Saudações, Paulo









  • Leandro  25/02/2017 18:45
    Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar; consequentemente, a força do dólar é crucial para determinar o preço das commodities. Impossível haver commodities caras com dólar forte. Impossível haver commodities baratas com dólar fraco.

    Perceba que seus próprios exemplos comprovam isso: você diz que a produção americana de petróleo atingiu o pico em 1972, e dali em diante só caiu. Então, por essa lógica era para o preço do petróleo ter explodido nas década de 1980 e 1990. Não só a oferta americana era menor (segundo você próprio), como também várias economia ex-comunistas estavam adotando uma economia de mercado, implicando forte aumento da demanda por petróleo. Por que então o preço do barril não explodiu (ao contrário, caiu fortemente)?

    Simples: porque de 1982 a 2004 foi um período de dólar mundialmente forte.

    "Período 1973/74: É consenso da indústria mundial de petróleo que a subida abrupta dos preços em 1973/74 deveu-se ao embargo árabe realizado pela OPEP[...]"

    Nada posso fazer quanto a esse "consenso", exceto dizer que ele é economicamente falacioso. O preço do barril (em dólares) subiu durante toda a década de 1970 (e não apenas no período 1973-74). O barril só começou a cair a partir de 1982, "coincidentemente" quando o dólar começou a se fortalecer.

    Será que foi a OPEP quem encareceu o petróleo de 1972 a 1982? Se sim, por que então em 1982 ela reverteu o curso? Mais ainda: se ela é assim tão poderosa para determinar o preço do barril do petróleo, por que ela nada fez de 1982 a 2004, que foi quando o barril voltou a disparar ("coincidentemente", de novo, quando o dólar voltou a enfraquecer)?

    E por que de 2004 a 2012 (dólar fraco) o petróleo disparou? E por que desabou de 2013 a meados de 2016 (dólar forte)? E por que voltou a subir agora (dólar enfraquecendo)?

    Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas.

    Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada.
  • Joaquim Saad  25/02/2017 21:58
    Saudações, Leandro.

    Teus comentários me remeteram a uma recente troca de posts que tive no MI !
    A propósito, uma análise da relação entre ouro e petróleo talvez pudesse reforçar nosso argumento em comum. Afinal, parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP, caso a explicação p/ o fortalecimento do primeiro em relação ao segundo (i.e. cruede mais barato em Au) também se baseasse no suposto "choque de oferta" ao qual frequentemente se atribuem praticamente todos os episódios de encarecimento do petróleo em US$...

    Sobre o "desafio": "Sigo no aguardo de um único exemplo prático de dólar forte e commodities caras. E de dólar fraco e commodities baratas, pergunto: ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação (ainda que improvável, inclusive na atual conjuntura) do índice "DXY" (dólar em relação às moedas mais líquidas do mundo) durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile" (de ForEx) ?

    Att.
  • Leandro  25/02/2017 23:59

    "parece-me improvável ser coincidência os produtores do metal em questão [ouro] também terem abruptamente reduzido sobremaneira sua mineração e refino na década de 70 e de forma ainda mais intensa do que a supostamente levada a cabo pela OPEP [...]"

    Exato! Este é o ponto. Quem afirma que o petróleo encareceu na década de 1970 por causa de uma suposta escassez de oferta tem também de explicar por que o ouro (e outras commodities) se encareceu ainda mais intensamente. Houve restrição na oferta de ouro?

    Assim como não houve redução da oferta de ouro (cujo preço explodiu em dólar) também não houve redução da oferta de petróleo (cujo preço explodiu em dólar).

    O problema, repito, nunca foi de oferta de commodities, mas sim de fraqueza das moedas -- recém desacopladas do ouro (pela primeira vez na história do mundo) e, logo, sem gozar de nenhuma confiança dos agentes econômicos.

    Igualmente, por que o petróleo barateou (junto com o ouro) nas décadas de 1980 e 1990, quando a demanda por ele foi muito mais intensa do que na década de 1970? Por que ele encareceu em 2010 e 2011, em plena recessão mundial? E por que barateou em 2014 e 2015, quando as economias estavam mais fortes que em 2010 e 2011?

    O dinheiro representa a metade de toda e qualquer transação econômica. Logo, quem ignora a questão da força da moeda está simplesmente ignorando metade de toda e qualquer transação econômica efetuada. Difícil fazer uma análise econômica sensata quando se ignora metade do que ocorre em uma transação econômica.

    "ao menos em tese, não seria possível ocorrer uma elevação do índice "DXY" durante algum tempo simultaneamente a uma alta nas cotações em USD de algumas commodities, configurando uma situação de inflação de preços global generalizada onde a moeda america seria nesta hipótese "a garota menos feia do baile"

    Sim, em tese seria possível. Só que, ainda assim, haveria um indicador que deixaria explícito o que está acontecendo: o preço do ouro.

    Se o dólar estiver se fortalecendo em relação a todas as outras moedas, mas estiver sendo inflacionado (só que menos inflacionado que as outras moedas), o preço do ouro irá subir.

    Mas este seu cenário só seria possível se todas as outras moedas estivessem sendo fortemente desvalorizadas. Enquanto houver franco suíço, iene e alemães na zona do euro, difícil isso acontecer.

    Abraços.
  • Paulo Bat  26/02/2017 00:22
    Leandro, grato pela resposta. Agora, o interessante foi que eu concordei com você que concordou comigo:

    SEU PRIMEIRO COMENTÁRIO: Todas as commodities (de minério de ferro a petróleo) são precificadas em dólar. Sendo assim, sempre que o dólar está fraco, os preços das commodities estão em alta, e vice-versa. Sempre. Sem exceção.

    MEU COMENTÁRIO: E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commodity e a moeda em que ela é comercializada.

    SUA RESPOSTA: Prezado Paulo, obrigado pelo comentário, o qual nada alterou a constatação: o preço das commodities é cotado em dólar;

    PORTANTO FECHAMOS: O PREÇO DE UMA COMMODITY TEM RELAÇÃO DIRETA COM A MOEDA NA QUAL A MESMA É COMERCIALIZADA. NO CASO ATUAL O DÓLAR.

    Quanto ao restante de sua resposta, continuo discordando parcialmente, pois o valor de uma commodity não é unicamente correlacionada à moeda a ela atrelada, mas função de inúmeras variáveis. Os exemplos que passei são exemplos nos meus comentários acima de que uma commodity pode ter seu valor modificado quase que instantaneamente por fatores extemporâneos, estando à moeda forte ou não.

    Permita-me um exemplo: A tintura vermelha para tingir tecidos na Europa era obtida a partir de polvos do Mediterrâneo. Portanto o preço era caríssimo e o vermelho era uma cor exclusiva das cortes europeias. Após o início da exploração do pau-brasil, o preço da tintura vermelha caiu. Com a excessiva exploração desta mercadoria o preço voltou a subir. De repente, um químico inventou a anilina e o preço da tintura vermelha caiu tremendamente, para nunca mais se recuperar. E, neste intervalo do tempo, aconteceram inúmeras guerras, países subiram e caíram, moedas dominaram e desapareceram e etc.

    Assim pergunto: qualquer que tenha sido a moeda âncora da comercialização do corante vermelho, o preço deste corante caiu por fraqueza desta moeda ou por conta de mudança tecnológica? No lugar de mudança tecnológica escolha qualquer outra das inúmeras variáveis que podem afetar a equação oferta X demanda.

    Outro exemplo: Ao contrário do que você falou, só ocorreram dois aumentos expressivos na década de 1970, ligados ao embargo árabe a partir de 1973, a revolução iraniana de 1979 e a Guerra Irã-Iraque.

    Terceiro exemplo: A revolução tecnológica do chamado fracking, para a produção de petróleo não convencional, disparou a produção diária dos EUA de cerca de cinco milhões de barris por dia em 2008 para mais de 10 milhões de barris por dia em 2015. Assim, a queda de preço de US$ 110 para os atuais US$ 50 foi resultado da inundação de petróleo no mercado, causado novamente por mudança tecnológica.

    Para terminar, não estaria você confundindo o efeito (dólar fraco ou forte) no preço de uma commodity com as inúmeras causas desta força ou fraqueza? Interligadas ou não e de origens as mais diversas? Afinal a febre é o efeito de uma infecção e não a causa.

    A própria análise da curva histórica da curva de preços do petróleo e da produção x importação de petróleo pelos EUA mostra isto (links acima associado a análise do porque das inflexões). Aliás, existe outras duas curvas de analise: oferta diária de petróleo x demanda diária e volume estocado. Nada que uma googlada não resolva.

    Finalmente, sobre sua última frase: "Se alguém apresentar esse exemplo, toda a teoria econômica está refutada."
    Para quem trabalha na indústria, existem a teoria econômica e o mundo real.
    Como dizia Roberto Campos: "Há três maneiras de o homem conhecer a ruína: a mais rápida é pelo jogo; a mais agradável é com as mulheres; a mais segura é seguindo os conselhos de um economista."
  • Leandro  26/02/2017 15:35
    "Quanto ao restante de sua resposta, continuo discordando parcialmente, pois o valor de uma commodity não é unicamente correlacionada à moeda a ela atrelada, mas função de inúmeras variáveis. Os exemplos que passei são exemplos nos meus comentários acima de que uma commodity pode ter seu valor modificado quase que instantaneamente por fatores extemporâneos, estando à moeda forte ou não."

    Aí voltamos ao ponto inicial: se o barril de petróleo encarece, por exemplo, 10% -- e nenhuma outra commodity segue esse comportamento -- então realmente pode ser algum problema de oferta ou mesmo de conflitos bélicos. Já se ele encarece 360% -- e todas as outras commodities seguem o mesmo comportamento -- bom, aí você só poderá dizer que isso é decorrente de escassez se todas as outras commodities não se alterarem de preço (ao menos, não sensivelmente).

    Agora, se tanto o petróleo quanto todas as outras commodities encarecerem súbita e abruptamente, aí você pode ter a certeza de que o problema está na moeda. (A menos que você comprove que está havendo escassez também de ouro, trigo, soja, café, minério de ferro, laranja etc.)

    "Permita-me um exemplo: A tintura vermelha para tingir tecidos na Europa era obtida a partir de polvos do Mediterrâneo. Portanto o preço era caríssimo e o vermelho era uma cor exclusiva das cortes europeias. Após o início da exploração do pau-brasil, o preço da tintura vermelha caiu. Com a excessiva exploração desta mercadoria o preço voltou a subir. De repente, um químico inventou a anilina e o preço da tintura vermelha caiu tremendamente, para nunca mais se recuperar. E, neste intervalo do tempo, aconteceram inúmeras guerras, países subiram e caíram, moedas dominaram e desapareceram e etc."

    Exatamente o que respondi acima. Se houve queda acentuada de preço em apenas uma commodity específica, então de fato você pode falar ou choque de oferta e demanda.

    Por essa linha, se o petróleo fosse a única commodity a ter encarecido na década de 1970, então você de fato estaria certo em dizer que se tratou de um choque de oferta. Só que a realidade mostra que não foi isso. Todas as commodities encareceram. Aliás, pesquise sobre a bolha imobiliária ocorrida nos EUA ao final da década de 1970. Os preços dos imóveis e dos terrenos estavam disparando. Fenômeno típico de inflação monetária e moeda em enfraquecimento.

    Portanto, podemos dizer com 100% de certeza que o problema não estava na oferta, mas sim na saúde da moeda que cotava seus preços.

    "Ah, mas os árabes restringiram a oferta!". Ok, então não apenas você tem de mostrar que isso sozinho encareceu o petróleo em 360%. E tem de explicar também por que todas as outras commodities foram junto.

    Mais ainda: tem de explicar por que esses mesmos árabes repentinamente reverteram sua postura e fizeram afundar o preço do petróleo na década de 1980 (quando várias petrolíferas entraram em dificuldades financeiras por causa dos baixos preços; você deve se lembrar disso) e 1990. Convenhamos que, estrategicamente, isso não seria nada inteligente.

    "Assim pergunto: qualquer que tenha sido a moeda âncora da comercialização do corante vermelho, o preço deste corante caiu por fraqueza desta moeda ou por conta de mudança tecnológica? No lugar de mudança tecnológica escolha qualquer outra das inúmeras variáveis que podem afetar a equação oferta X demanda."

    Vamos de novo, pela terceira vez: se houve queda acentuada de preço em apenas uma commodity específica, então de fato você pode falar ou choque de oferta e demanda.

    Por essa linha, se o petróleo fosse a única commodity a ter encarecido na década de 1970, então você de fato estaria certo em dizer que se tratou de um choque de oferta. Só que a realidade mostra que não foi isso. Todas as commodities encareceram. Pesquise também sobre a bolha imobiliária ocorrida nos EUA ao final da década de 1970. Os preços dos imóveis e dos terrenos estavam disparando. Fenômeno típico de inflação monetária e moeda em enfraquecimento.

    Portanto, podemos dizer com 100% de certeza que o problema não estava na oferta de petróleo, mas sim na saúde da moeda que cotava seus preços.

    "Outro exemplo: Ao contrário do que você falou, só ocorreram dois aumentos expressivos na década de 1970, ligados ao embargo árabe a partir de 1973, a revolução iraniana de 1979 e a Guerra Irã-Iraque."

    Eis o gráfico da evolução dos preços do petróleo na década de 1970, década do dólar fraco. Nele, podemos observar o seguinte:

    De 1973 a 1974: aumento de 253%.

    De 1974 a 1977: novo aumento de 47%

    De 1977 a 1980: novo aumento de 166%.

    Por outro lado, eis o gráfico da evolução dos preços do petróleo na década de 1980. Observe que o petróleo cai de preço continuamente. A cada ano ele fica mais barato que no ano anterior.

    Esta foi exatamente a década do dólar forte. Boa sorte para quem quiser mostrar que essa acentuada queda se deveu a algum choque de oferta.

    "Terceiro exemplo: A revolução tecnológica do chamado fracking, para a produção de petróleo não convencional, disparou a produção diária dos EUA de cerca de cinco milhões de barris por dia em 2008 para mais de 10 milhões de barris por dia em 2015. Assim, a queda de preço de US$ 110 para os atuais US$ 50 foi resultado da inundação de petróleo no mercado, causado novamente por mudança tecnológica."

    Eu chamaria isso de análise incompleta.

    Se o petróleo barateou 54% por causa do fracking, então por que o minério de ferro desabou ainda mais de preço (em termos percentuais) nesse mesmo período? Lembra de como as mineradoras passaram aperto? E o ouro, que em 2011 chegou a custar US$ 1.900 a onça e, em 2015, já havia caído para US$ 1.100 a onça? Houve algum boom na descoberta de ouro? Houve algum boom na descoberta de minério de ferro?

    Que o fracking teve sua contribuição, disso não há dúvida. Agora, dizer que ele e apenas ele fez os preços do petróleo cair 54%, e exatamente na mesma época em que o dólar se fortaleceu e todas as outras commodities (vide ouro e minério de ferro) também desabaram de preço?

    Para terminar, não estaria você confundindo o efeito (dólar fraco ou forte) no preço de uma commodity com as inúmeras causas desta força ou fraqueza? Interligadas ou não e de origens as mais diversas? Afinal a febre é o efeito de uma infecção e não a causa."

    Como tentei mostrar acima, comprovando a correlação entre movimento do petróleo com o do ouro e do minério de ferro -- o que mostra que, se houve escassez ou fartura de petróleo, então, por definição, tem também de ter havido igual escassez de ouro e minério de ferro --, acho que quem está confundindo causa e efeito é você.

    A menos que você prove que escassez (abundância) de petróleo sempre coincide com escassez (abundância) de ouro, minério, soja, laranja, café, é melhor você mudar de teoria.

    Saudações.
  • Mr Richards  26/02/2017 21:42
    Esse debate precisa de uma comprovação de tal relação:

    www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1836839-commodities-pressionam-petrobras-e-vale-e-ibovespa-cai-3-dolar-sobe.shtml

    oglobo.globo.com/economia/com-commodities-em-alta-bolsa-ganha-092-dolar-cai-043-20265162

    extra.globo.com/noticias/economia/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-japao-19834792.html

    www.valor.com.br/financas/4530505/alta-de-commodities-impulsiona-bovespa-e-dolar-cai-para-r-355

    https://economia.terra.com.br/dolar-cai-mais-de-1-com-valorizacao-de-commodities-e-fluxo,e48105674452ef52d0892d0a457891d2u3jzcvnm.html

    https://noticias.uol.com.br/ultimas-noticias/reuters/2016/08/02/dolar-cai-abaixo-de-r325-com-recuperacao-de-commodities-e-japao.htm

    www.jornaldepiracicaba.com.br/economia_negocios/2016/11/commodities_pressionam_petrobras_e_vale_e_bolsa_cai_3_d_lar_sobe

    https://www.poderjuridico.com.br/ibovespa-ganha-forcas-com-commodities-e-com-dados-dos-eua-dolar-cai-e-encosta-nos-r-320/

    m.folha.uol.com.br/mercado/2016/09/1812849-commodities-derrubam-mercados-bolsa-cai-3-e-dolar-sobe-a-r-330.shtml

    https://massanews.com/blogs/agronegocio/eugenio-stefanelo/precos-das-commodities-aumentam-em-outubro-e-dolar-cai-vDkl5.html

    www.fiorde.com.br/wordpress/blog/bolsa-sobe-092-com-commodities-e-expectativa-de-aprovacao-de-pec-dolar-cai/

    portalcm7.com/negocios/bovespa-sobe-2-5-e-d-lar-cai-1-com-salto-das-commodities/

    www.aviculturaindustrial.com.br/imprensa/dolar-cai-commodities-sobem/20100615-105531-O832

    www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/

    www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/com-commodities-em-alta-ibovespa-ganha-180-dolar-cai-r-255

    www.istoedinheiro.com.br/commodities-incentivam-apetite-por-risco-e-dolar-fecha-em-queda/

    https://economia.uol.com.br/noticias/valor-online/2013/12/10/dados-da-china-beneficiam-moedas-atreladas-a-commodities-e-dolar-cai.htm

    www.valor.com.br/financas/4354060/dolar-sobe-194-puxado-por-cenario-politico-e-queda-de-commodities

    exame.abril.com.br/mercados/dolar-abre-em-leve-queda-apos-japao-aprovar-medidas/

    www.arenadopavini.com.br/acoes-na-arena/ibovespa-sobe-15-com-cenario-externo-e-commodities-em-alta-dolar-cai-para-r-392

    g1.globo.com/economia/noticia/2011/05/derrocada-das-commodities-e-alta-do-dolar-pautaram-a-quinta-feira.html

    https://economia.terra.com.br/panorama-dolar-sobe-commodities-e-bolsas-caem,50ae95246a40b310VgnCLD200000bbcceb0aRCRD.html

    exame.abril.com.br/mercados/panorama2-acoes-commodities-sobem-e-dolar-cai-na-vespera-do-fed/

    https://economia.uol.com.br/ultnot/2008/08/22/ult29u62955.jhtm

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,queda-do-dolar-ajuda-alta-de-commodities-diz-meirelles,206267

    https://noticias.bol.uol.com.br/economia/2007/02/14/bolsa-quebra-3-recordes-num-dia-e-sobe-177-dolar-cai-abaixo-de-r-210.jhtm

    Existem notícias de 2007 a 2017, todas com essa relação entre o dólar e commodities, é claro que existe exceções como o dólar caindo e o apenas o petróleo subindo ou do café, mas não postei por ser "simplista" demais. Veja que sempre tentam dar outras explicações sobre esse fenômeno.

    Mas agora a parte que mais me agradou nessa pequisa foi exatamente isso:
    https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/03/correlacao-entre-precos-de-commodities-e-a-moeda-de-cotacao/
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,dolar-fraco-sustenta-commodities-imp-,709088
    economia.estadao.com.br/noticias/geral,commodities-caem-com-alta-do-dolar,528831
    https://tradingcafe.wordpress.com/2011/02/23/o-dolar-enfraquece-udo-que-e-cotado-em-dolar-sobe-de-preco-petroleo-e-ouro-em-alta/
    www.planetaforex.pt/relaciones_economicas_entre_divisas/


    Embora alguns deles tentaram dar outras explicações sobre essa relação de dólar e commodities, enfim...
  • Leandro  26/02/2017 22:14
    Obrigado pelo trabalho de formiga, Mr. Richards. Sua compilação foi primorosa. E sua paciência chegou a superar até mesmo a minha, que é considerada por alguns aqui como invejável...

    Valeu mesmo.

    Grande abraço!
  • Douglas  02/03/2017 15:26
    Excelente explicação, Leandro. A melhor que li sobre o assunto de forma resumida.

    No final do ano passado tinha visto um gráfico sobre essa disparada do preço das commodities durante a década de 60 e, principalmente, na década de 70.
    Mas, como sempre, o economista que estava apresentando esse gráfico falou que "ainda não se sabe ao certo o que fez as commodities dispararem de tal maneira".
    Ou seja, se a realidade pode ser explicada pelo Keynesianismo, então isso "comprova" a hipótese keynesiana. Mas se a realidade não consegue ser explicada pelo Keynesianismo, então "ainda não se sabe ao certo o que fez tal fenômeno ocorrer", implicitando que somente a hipótese keynesiana existe ou que somente ela pode explicar fenômenos econômicos.
  • Leandro  02/03/2017 20:00
    Ótima observação, Douglas. Dado que keynesianos nada entendem sobre poder de compra da moeda e como isso afeta os preços dos bens e serviços cotados nessa moeda (keynesiano só entende de destruir moeda), eles ficam completamente perdidos ao tentar estabelecer uma relação básica de causa e efeito, relação essa que é perfeitamente clara para quem entende o básico sobre teoria monetária.

    Para eles, os preços do petróleo e do minério de ferro sobem e descem a cada década exclusivamente por conta do "espírito animal" dos produtores.

    Obrigado por suas palavras e grande abraço!

  • Paulo Bat  03/03/2017 00:52
    Prezado Leandro

    Segundo você, o preço de todas as commodities é totalmente atrelado à força da moeda de referência, no caso o dólar, incluindo o petróleo. Concordo com você que, de forma geral, o petróleo é atrelado, mas não de forma exclusiva.

    O petróleo não é uma commodity qualquer. É A COMMODITY. Quando se fala em petróleo, leiam-se produtos brutos, líquidos (óleo) mais o gás natural, nas CNTP, que são fundamentais para o funcionamento da sociedade moderna.

    Participação do petróleo (óleo + gás natural) na matriz energética mundial:
    - Fonte de energia primária: 57% (geração de energia elétrica, térmica e mecânica para a indústria). Fonte: BP Statistical Review of World Energy, June 2016.
    - Fonte energética automotriz (transporte de bens e passageiros, terrestre, aéreo e marítimo): 93%. Fonte: International Energy Agency.

    Além disto, é a matéria prima mais importante para a indústria petroquímica, onde também é absoluto. E, quando falamos em petroquímica, pense em tudo:

    Da válvula cardíaca sintética a todos os painéis plásticos de todos os carros, caminhões, aviões, vagões ferroviários e metroviários, navios de turismo, centro de convenções, hotéis, etc.;

    Do tecido sintético que domina o vestuário à resina da restauração dentária;

    Dos componentes de tintas e solventes a praticamente todos os brinquedos, malas de viagem, gabinetes de TV, computadores, celulares, tapetes, móveis, painéis imitando madeira, etc.;

    Das embalagens de supermercado a componentes alimentícios. Exatamente, derivados de petróleo fazem parte desde alimentos humanos até ração animal, diretamente (em corantes, flavorizantes e conservantes) ou indiretamente (em fertilizantes artificiais e pesticidas);

    Da maquiagem das mulheres e dos artistas à borracha sintética;

    Dos remédios aos produtos de limpeza. Etc., etc., etc...

    O ser humano moderno não vive sem o petróleo.

    E parafraseando a piada, se o petróleo pega uma gripe, o mundo pega uma pneumonia.

    Isto posto, poderia lhe dar todos os exemplos, desde 1861 até 2017, mas escolhi descrever só três eventos em que o petróleo gerou mudança na força do dólar e não vice-versa:

    - 1973: Guerra do Yom Kippur e embargo árabe aos países ocidentais que apoiaram Israel. Crise de oferta por decisão geopolítica. Com as torneiras fechadas da OPEP, o petróleo disparou 217% em 1974 em relação a 1973. E aí, com a força da OPEP o petróleo mudou de patamar, de uma commodity que vinha barateando constantemente desde o início do século XX a uma moeda de coerção dos maiores produtores da época, a OPEP.

    - 1979/1979: Revolução Iraniana e Guerra Irã-Iraque. Aumento de 100% em 1979 em relação a 1978. Crise de oferta por crise geopolítica.

    Estes dois eventos são conhecidos como os dois choques do petróleo e que alteraram o mundo à época.

    - Queda de 95% em 1986 em relação a 1985: A Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado mundial, aumentando sua produção de 3,8 para 10 milhões de barris de petróleo por dia. Aumento de "somente" 163% do dia para a noite. Se isto não é poder de modificação do mercado, não sei o que é. As reservas sauditas são tão grandes que ela sempre pôde se dar o luxo de "fechar ou abrir torneiras" para controlar demanda e oferta. Crise por excesso de produto no mercado. Só para efeito de comparação, a produção brasileira atual em janeiro de 2017 foi de 2,687 milhões de barris por dia.

    Assim sendo, você disse que a teoria econômica diz que os preços das commodities, incluindo o petróleo tem correlação inversa à força da moeda a ela atrelada. Mas, em relação ao petróleo, a mais importante commodity do século XX e deste início do século XXI, a força de quem tem reservas monstruosas e podem se dar ao luxo de cortar ou expandir sua produção, simplesmente fechando ou abrindo torneiras de campos já descobertos, gera o exemplo que que toda regra tem exceções.

    Afinal, em geral, as teorias tentam explicar a realidade sob condições de contorno rígidas, não sendo simpáticas a exceções.
  • Leandro  03/03/2017 01:45
    "1973: Guerra do Yom Kippur e embargo árabe aos países ocidentais que apoiaram Israel. Crise de oferta por decisão geopolítica. Com as torneiras fechadas da OPEP, o petróleo disparou 217% em 1974 em relação a 1973".

    E o ouro? No início de 1973, a onça custava US$ 65. No final de 1974, US$ 197,5. Aumento de 203%. (Veja o gráfico).

    Incrivelmente próximo, não? Mas deve ser só coincidência. Vai ver que havia também uma OPEO (Organização dos Países Produtores de Ouro) igualmente "fechando as minas de ouro" ao redor do mundo...

    "1979/1979: Revolução Iraniana e Guerra Irã-Iraque. Aumento de 100% em 1979 em relação a 1978. Crise de oferta por crise geopolítica"

    E o ouro? A onça começou 1979 custando US$ 222,10. E encerrou o ando custando US$ 524. Aumento de 136%. (Veja o gráfico).

    Mas também deve ser só mais uma coincidência...

    "Queda de 95% em 1986 em relação a 1985: A Arábia Saudita resolveu recuperar sua participação no mercado mundial, aumentando sua produção de 3,8 para 10 milhões de barris de petróleo por dia. Aumento de "somente" 163% do dia para a noite."

    Cuidado com a matemática, meu caro. O barril caiu de US$ 30 para US$ 15. (Veja o gráfico). Isso é uma queda de 50%, e não de 95%.

    (Para que a queda fosse de 95%, o barril teria de ter caído de US$ 30 para US$ 1,5.)

    E o ouro? A onça estava em US$ 406 no início de 1984. Chegou a US$ 285 no início de 1985. Queda de quase 30%.

    Eis aqui um caso em que você realmente pode argumentar que o aumento da oferta dos árabes ajudou na queda. O dólar se valorizou 30% mas o petróleo, em vez de baratear 30%, barateou 50%. A diferença de 20 pontos percentuais de fato pode ser atribuída ao aumento da oferta dos árabes.

    A teoria, no entanto, segue intocada.

    Estranho seria, aí sim, o petróleo baratear e o dólar se enfraquecer.

    "Assim sendo, você disse que a teoria econômica diz que os preços das commodities, incluindo o petróleo tem correlação inversa à força da moeda a ela atrelada."

    Correto.

    "Mas, em relação ao petróleo, a mais importante commodity do século XX e deste início do século XXI, a força de quem tem reservas monstruosas e podem se dar ao luxo de cortar ou expandir sua produção, simplesmente fechando ou abrindo torneiras de campos já descobertos, gera o exemplo que que toda regra tem exceções."

    Desculpe, mas, como demonstrei acima, você não conseguiu gerar exceção nenhuma. Dos seus três exemplos fornecidos, dois estavam furados, e apenas um (o último) conseguiu apresentar alguma correlação com a sua teoria -- correlação essa que,como explicado, em nada invalida a teoria econômica apresentada.

    "Afinal, em geral, as teorias tentam explicar a realidade sob condições de contorno rígidas, não sendo simpáticas a exceções."

    Como você, involuntariamente, acabou de demonstrar.


    De resto, vou apenas finalizar ressaltando que, para mim, não faz a mais mínima diferença se alguém acredita que a força da moeda na qual uma commodity em cotada não influencia o preço dessa commodity. Desde que essa pessoa não esteja gerindo o meu dinheiro, não é por mim que ela insista em acreditar em teses alternativas (que descartam a influência da moeda nos preços).
  • Intimidoso  03/03/2017 01:51
    Pô Paulão, aí não né? Dizer que uma redução de preço de 30 pra 15 dá uma queda de 95% foi phoda...

    Com tamanha perspicácia matemática, realmente qualquer teoria sua vai "explicar a realidade sob condições de contorno rígidas, não sendo simpáticas a exceções".
  • Paulo Bat  03/03/2017 02:29
    Intimidoso e Leandro.

    Concordo totalmente com vocês. Variação de US$ 60,71 por barril em 1985 para US$ 31,21 por barril em 1986 foi uma queda de 51% e não de 96%. Erro meu. Afinal sou humano. Ao contrário de vocês que não erram nunca.

    Agora, engraçado vocês colocarem toda a força da sua contestação numa falha aritmética e não na falácia de que o petróleo, a mercadoria que move o mundo no século XX e início do XXI, não possa ser mais forte que moedas fiduciárias.

    De repente, o que move veículos, termoelétricas e indústrias petroquímicas devem ser pequenos papeis verdes. Afinal, se colocarem eles numa caldeira de uma termoelétrica eles também geram calor.
  • Observador  03/03/2017 11:51
    "Ao contrário de vocês que não erram nunca."

    Você vem aqui esposar uma teoria, é educadamente respondido (e com muita didática), e é assim que você responde? Com essa afetação de coitadismo?

    Você recorreu a números. O Leandro também. Só que ele mostrou números (e gráficos) mais completos que dão suporte à teoria dele (que na verdade não é dele mas da EA). Já você mostrou apenas um número que te interessava (preço do petróleo), ignorando todos os outros. Isso não é análise econômica.

    Os gráficos do Fed mostram claramente que o ouro encarece (e barateia) antes do petróleo, o que significa que sua teoria de que é o petróleo quem determina o valor do dólar e de todas as outras commodities não se sustenta.
  • Leandro  03/03/2017 11:57
    Também não entendi por que ele ficou zangado. Se ele quer acreditar que é a oferta de petróleo o que determina toda a força do dólar e, consequentemente, o preço de todas as outras mercadorias (contrariando tanto a teoria quanto as evidências empíricas), não é por mim. Que ele seja livre para isso. (Ele deveria antes ter dado uma conferida em todos aqueles links ali acima gentilmente postados pelo leitor Mr. Richards)

    Agora, ele não pode querer falar esse nonsense aqui sem ser questionado. Se ele quer vir aqui tentar espalhar isso como sendo a suprema teoria econômica, aí ele realmente será respondido (educada e pacientemente, como tentei fazer). Se ele não gostou de ter sido contraditado -- pois aparentemente queria falar sem ser questionado --, aí nada posso fazer. Ele está no site errado. Aqui, teorias econômicas sem sentido são respondidas. Este é o objetivo deste site.

    Por fim, noto que ele recorre à artimanha vitimista de que eu "coloquei toda a força de minha contestação numa falha aritmética" dele, sendo que a falha aritmética que eu apontei foi totalmente secundária, não constituindo nem de longe o cerne de minha refutação. Recorrer a esse tipo de distorção da realidade demonstra despreparo para o debate público.


  • Pobre Paulista  03/03/2017 12:34
    Vai ver é por isso que os leitores mais antigos do Instituto recorrem às "patadas" ;-)
  • Humberto  03/03/2017 12:42
    Se tem "patada" ou se não tem "patada" por aqui eu não sei, mas uma coisa é certa: você é muito fraco intelectualmente.
  • Marconi Soldate  03/03/2017 13:40
    Boa discussão! Gostaria só de ver se essas variações de preço ocorreram mesmo, como diz o Leandro, também em outras commodities. Assim como o petróleo é A COMMODITY atual, o ouro é A COMMODITY histórica. O ideal seria comparar os gráficos incluindo minério de ferro, trigo, arroz, etc e tirar uma conclusão mais adequada do quanto é a relação força da moeda x preço dos produtos em geral.
  • Gilson Moura  04/03/2017 00:59
    Está acontecendo nesse exato momento. Pode consultar nos gráficos com a queda do dólar e a maioria das commodities valorizando. Agora se você quer comparar todas as commodities individualmente em paridade com a força do dólar, irá ser um trabalho grande, porque são muitos gráficos para analisar. Mas veja bem, se você fizer a pesquisa assim como eu o fiz, verá que essa relação é totalmente verdadeira. Eu comparei o trigo, milho, soja, estanho, aveia, níquel, cobre, platina.
  • MB  23/02/2017 21:18
    Vamos trabalhar com a hipótese de o mundo estar no limite de sua capacidade,ou seja hoje em dia já temos dezenas de milhares de itens sendo produzido,então haveria espaço para subirmos isto para centenas de milhares,no momento existem mais de 70.000 itens sendo ofertados e isto poderia passar para mais de 100.000 itens,vejam bem é possível,mas ao mesmo tempo assustador esses números...
  • MB  20/06/2017 00:12
    Repensando a questão de criatividade e inovações tecnológicas,este número de itens diminui ou aumenta ao longo do tempo devido a destruição criadora,ou seja o saldo de produtos em oferta parece crescer infinitamente,mas na realidade há anos em que essa grandeza diminui,é a velha fórmula:

    "Saldo anterior= (Entradas - Saídas)= Saldo atual"

    Com esta fórmula podemos calcular o saldo de itens a disposição do consumidor ao longo tempo.

    Exemplo:

    99.365 itens do período anterior=(2.755 itens Entradas de novos itens ou inovações tecnológicas - 1.665 itens que caíram em desuso pois o consumidor não demanda mais tais produtos)=100.455 itens de saldo atual demandados pelos consumidores e ofertados pelos produtores.

    Enfim este saldo atual pode crescer ou decrescer,bastando que os consumidores não mais(OU) demande tais produtos e\ou a oferta dele seja substituída por materiais mais baratos e eficientes,ou seja o mercado ajusta esse alinhamento sem ser necessário um planejamento central.

    O mercado é a mão invisível em ação...
  • Carlos Neto  23/02/2017 23:38
    acredito que o futuro do trabalho a médio prazo, se tudo der certo, será algo como no filme "She"
  • Matheus  24/02/2017 01:15
    Mandem esse artigo pro menino Marco Gomes, do famoso Marco Civil da internet. Para ele, o ser humano se tornará completamente obsoleto no futuro.
  • marcela  24/02/2017 10:18
    Quem ainda não acredita na explicação do Leandro sobre o boom das comodities, faça o seguinte:desde já acompanhe o preço do dólar,o preço das comodities,e a demanda chinesa por comodities.Quando o ano fiscal do Trump começar o dólar vai pro abismo de vez,e as comodities para as nuvens,ao mesmo tempo em que a demanda chinesa por comodities permanecerá comportada,não podendo ,portanto,ser usada como explicação para o boom das comodities.Na verdade,eu só passei a entender o famoso boom das comodities através aqui do IMB,e agora temos nos próximo anos a oportunidade de confirmar pela empiria aquilo que a lógica econômica ensina.Tomara que dê certo,pois nós somos grandes exportadores de comodities.Nesse ano por exemplo entra em operação o projeto S11D da vale que elevará em 90 milhões de toneladas a produção brasileira,e o tipo de ferro é imbatível pelo grau de pureza de possui.A safra de grãos será recorde esse ano.Enfim um boom de comodities é tudo que precisamos nesse momento.
  • Thales  24/02/2017 12:29
    Essa relação dolar/commodities está acontecendo de novo neste exato momento.

    Em dólar, o preço do minério já subiu, o preço do petróleo já subiu, e o preço do ouro já subiu.

    Petróleo:

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/historical.png?s=CL1&v=20170224122000&d1=20160101&d2=20171231

    Minério de ferro:

    cdn.tradingeconomics.com/charts/commodity-iron-ore.png?s=ironore&v=201702240000t

    Ouro (observe a rápida apreciação de novembro, quando o dólar se tornou momentaneamente forte, e a rápida desvalorização desde então, quando o dólar voltou a enfraquecer):

    d3fy651gv2fhd3.cloudfront.net/charts/historical.png?s=XAUUSD&v=20170224122600
  • marcela  24/02/2017 19:52
    Gráficos claríssimos,Thales!Aliás essa é até uma questão de lógica,pois se as comodities são precificadas em dólar, é evidente que a saúde do dólar impacta diretamente no preço das comodities.Seria um absurdo inexplicável se a saúde do dólar não influenciasse o preço das comodities, já que elas são precificadas nele,então,no fundo essa discussão é uma grande estupidez.Mas,a boa notícia é que estudos estimam que com a abertura do pré-sal e a mudança das regras de conteúdo nacional,a produção brasileira dobrará até 2025.Assim iremos nos tornar grandes exportadores de gás e petróleo.Mais uma commodity na pauta de exportações brasileira!
  • Joaquim Saad  25/02/2017 22:15
    Também vejo o índice do dólar (DXY) "estolando" em breve, mas não sem antes dar uma última "pernada" potencialmente até uns 120, concomitantemente a um estouro nas bolhas de ações, títulos públicos e privados (inclusive no odor !), imóveis, automóveis, financiamento estudantil, etc, etc, etc...seguindo-se então mais uma rodada de QE e outras excrescências ("HELLicopter money" ?) pelo Fed, ECB, BOJ, BOE, SNB, PBOC, et caterva, neste verdadeiro "kafkistão" em que vem se transformando o mundo nos últimos 100 anos.
  • Andre Cavalcante  24/02/2017 13:56

    "Ele [o consumidor] está interessado apenas em uma combinação: qualidade alta e preço baixo".

    Mais recentemente há um outro fenômeno buscado pelos consumidores: a customização (personalização) dos produtos que consome.

    Tais personalizações sempre foram feitas por produtores artesãos (imagina uma Ferrari produzida conforme a especificação do cliente!!!).
    Mas não dá pra fazer a mesma coisa para uma massa cada vez maior de gente.
    A customização em massa exige novas máquinas e novas abordagens tecnológicas.
    Resultado:
    "Many observers believe that Europe is at the beginning of a new industrial revolution, considered to be the fourth such leap forward and hence labelled Industry 4.0. The ubiquitous use of sensors, the expansion of wireless communication and networks, the deployment of increasingly intelligent robots and machines – as well as increased computing power at lower cost and the development of 'big data' analytics – has the potential to transform the way goods are manufactured in Europe. This new, digital industrial revolution holds the promise of increased flexibility in manufacturing, mass customisation, increased speed, better quality and improved productivity."

    Vide: www.europarl.europa.eu/RegData/etudes/BRIE/2015/568337/EPRS_BRI(2015)568337_EN.pdf
  • Robson F. Barbosa  24/02/2017 14:48
    Queria apenas parabenizá-los pelos artigos aqui postados, cada vez mais inteligentes e interessantes. Aprecio muito isso.
  • Ruy  24/02/2017 17:04
    Dúvida:

    Existe algum artigo no site sobre como funcionaria um sistema de presídios privatizados?

    Desde já agradeço.
  • Paulo Bat  24/02/2017 22:31
    Senhores editores do Mises Brasil

    Segundo os articulistas do presente artigo aqui no Instituto Mises: ""Relatório sugere que quase metade dos empregos nos EUA é vulnerável à automação", grita uma manchete de jornal..

    Entrei no link e não vi "grito" nenhum. O que vi foi que os autores concluíram que cada vez mais a automação está substituindo os humanos e que os mais afetados serão os menos qualificados os quais só conseguirão colocação no mercado através de maior esforço em auto-qualificação. Nada que ninguém não saiba desde a explosão tecnológica iniciada no final do século XIX.

    Inclusive o artigo [i]Report Suggests Nearly Half of U.S. Jobs Are Vulnerable to Computerization[/] , reforça a tese apresentada no presente artigo aqui do Mises.

    Muitas vezes percebo que certos artigos aqui no Mises usam de colocações hiperbólicas (tipo "grita manchete de jornal") a meu ver totalmente desnecessárias quando o autor tem segurança do que está querendo demonstrar.



  • anônimo  25/02/2017 13:19
    Nossa! Utilizaram a palavra "grito" e isso não pode! Invalida tudo!

    Quanto whining...

    P.S.: todo mundo que ouço falando sobre automação e empregos realmente grita contra. São raríssimo os exemplos de pessoas que falam positivamente.
  • Paulo Bat  25/02/2017 20:10
    Em que lugar está escrito que não pode gritar no meu comentário? O artigo do do link é que não grita. É só uma simples constatação.

    Você não consegue interpretar um texto simples assim? Mais um exemplo de por que o brasileiro está entre os últimos na classificação mundial em leitura e interpretação de textos.

    Pior é o uso de palavras inglesas inercaladas numa frase em português. Típica pseudo-sofisticação comum aos brasileiros que, em geral, arranham o inglês.

    PS. Pode ser que no seu mundo todos gritem contra a automação.

    Porque no meu mundo eu vejo todos melhores com a automação. É até obvio que quem perca o emprego para uma máquina chie. É o "sagrado direito de espernear". Mas, passado a frustração inicial, ou a pessoa procura se qualificar em outro assunto ou vai chorar as mágoas no botequim. E, neste segundo caso, problema dele.








  • Ricardo Coração dos Outros  25/02/2017 13:23
    Sou novo em economia, poderiam me indicar artigos básicos para ir me aprofundando no assunto?
  • marcela  25/02/2017 15:05
    Ricardo Coração dos outros,comece lendo Ação Humana e as seis lições do Mises.Tem de graça em PDF aí no Google.Mas como são textos extremamente difíceis é bom ler em conjunto com os artigos do IMB.No meu caso, acho que não teria conseguido compreender a escola austriaca sem a ajuda do IMB.E o bom mesmo é começar lendo do primeiro artigo ao último,até o fim do ano você termina tranquilamente.Quando tiver cansado de ler,ouça os podcasts do IMB do primeiro ao último também.
  • EUGENIO  01/03/2017 16:33
    AS MAQUINAS APOSENTAM O "MACACO VELHO"

    Concordo em grau,gênero e número,compreendo ser INEXORÁVEL e IRREVERSÍVEL a automação, a aplicação da robótica,tudo o que foi dito,mas causa PERPLEXIDADE GIGANTE, o TEMPO para reciclar,readaptar bilhões de pessoas de nivel muito baixo e o conhecimento necessário para empregos que exigem alta qualificação.NA máquina troca-se o programa, um upgrade e tudo em minutos ou segundos se atualiza, mas o cérebro humano não, "está fora deste pareo",não participa mais da equação.
    Existe uma diferença enorme, talvez quase o mesmo do macaco para o homo sapiens,contingentes enormes,bilhões de pessoas, são infantis,com conhecimentos rudimentares,grande parte analfabetos funcionais,demandariam anos e anos,outra geração e com preparação, para serem adequadas a empregos de alta sofisticação tecnológica.Como desatar este nó?
    Até hoje,as maquinas eram menos capazes que humanos, foram se sofisticando e praticamante não há funções mais para "macacos velhos" são LENTOS NO APRENDIZADO (melhora do nivel do soft humano) comparado com as máquinas,microssegundos, e multifuncionais.Poucos humanos estariam exercendo funções com resultados melhores,mais rapidamente ,com menor custo. É O QUE TEMOS OBSERVADO ATÉ HOJE.
    Softwares inteligentes escrevem romances,histórias as mais diversas,adequadas a cada mercado,com particularidades e detalhes ,baseados em informações da aceitação que se tem,em questão de segundos.
    Num futuro, o macaco velho seria beneficiado pela máquina,e ficaria só "EM MODO LAZER",na boa vida;mas a transição e questões da viabilidade pratica disso ninguém imagina ou apresenta algo pratico.
    É óbvio, as respostas sempre são, "NOVAS FUNÇÕES SURGEM AO SE EXTINGUIREM OUTRAS..." , mas EM MASSA,RÁPIDAMENTE,e NA PRATICA, se alguém souber por favor conte, mostre,demonstre.A velocidade de aperfeiçoamento e evolução das máquinas, que hoje já fabricam máquinas,mudou ,MUDOU!!!É urgente,dá medo pensar mais...

    PS.:sem falar em sindicatos,direitos trabalhistas,leis absurdas que inviabilizam empregar humanos,macacos velhos, em detrimento das máquinas



  • Fontes  02/03/2017 00:24
    "Consequentemente, menores os custos de entrada para novos empreendimentos. Isso significa que novos empreendimentos poderão surgir mais facilmente, de modo que aquelas pessoas que foram demitidas por causa da automação poderão encontrar novos empregos rapidamente"

    No caso, seria viável as novas empresas absorverem os trabalhadores? Se automação for uma via mais barata?
  • Gustavo  02/03/2017 00:31
    Sim, será mais viável, pois agora os custos operacionais delas -- de todas elas -- estão menores.
  • EUGENIO  02/03/2017 05:13
    Sua pergunta considera que existam pessoas capazes , desempregadas ; mas na real uma massa enorme de desempregados não competentes para tarefas altamente sofisticadas,demandaria muito tempo e capital a ser investido para readequar,atualizar esta massa.
    Todos falam,sai de uma função e entra para outra, mas no mundo real, as funções para macacos velhos diminuem,não aparecem , e aumenta o numero de macacos velhos despedidos,trocados por maquinas.
    Um tempo e capital não existente para reciclar humanos,trocados por maquinas, como explicado no artigo.Quem puder ou tiver idéias serão benvindas.
  • André  03/03/2017 11:29
    Discordo parcialmente. Pense na linha de montagem de carros na decada de 50, empregava muita gente, mas vieram as máquinas e todo mundo caiu fora.

    Os carros que eram artigos caros desabaram de custo e ficaram bem popularizados. Resultado: várias oficinas abriram porque as pessoas precisavam de alguém para consertar os carros. Os macacos velhos mais espertos podiam usar seus conhecimentos em um novo e crescente mercado. Hoje o mercado foi além das oficinas de conserto, pois existem várias lojas especializadas em customização do carro, seja motor, som, rodas...

    Problema do macaco velho é que se depender dele, ele quer viver e morrer fazendo o que sempre fez pelo resto da vida.
  • EUGENIO  03/03/2017 16:15
    ...macaco velho quer viver morrer fazendo o que sempre fez...

    Sim, é tendência, padrão de comportamento humano ,de uma grande parte dos trabalhadores;desviam de inovações e mudanças ;sempre foi, e tudo diz que assim continuará a ser.
    Macacos velhos são então,POR QUESTÃO DE SOBREVIVÊNCIA obrigados a evoluirem,se reciclarem para novas funções, novas atividades necessarias , diferentes oportunidades ,assim aconteceu.
    O caso é que as inovações,alterações,novas atividades,se dão em tempos cada vez menores ,em ALTA VELOCIDADE,COMO NUNCA ANTES,requerem conhecimentos e capacidades acima daquela dos milhões de macacos velhos,que se tornam obsoletos; entra a máquina e é IRREVERSIVEL que assim seja,e estão já em favelas,sub empregados, fazendo o que tiver que ser feito para sobreviverem,assaltando,matando e tudo o que vemos acontecer.
    ISSO É REAL,NUNCA ACONTECEU EM ALTA VELOCIDADE, VELOCIDADE ESTA MAIOR QUE A NECESSARIA PARA RECICLAR MACACO VELHO,QUE MESMO QUERENDO,JÁ ERA.SÓ NÃO VÊ O SIMPLISTA DE BUTECO QUE NÃO PAROU PARA PENSAR.

    NUNCA,nunca estivemos diante de uma TAMANHA E VELOZ mudança em todas as áreas.

    A VELOCIDADE,A VELOCIDADE NUNCADANTES VISTA,O ADVENTO DO IMPÉRIO DAS MÁQUINAS,A INTERNET DAS COISAS ,desde faxina,cozinha,transporte sem motoristas e carros sem mot disponíveis,robótica na industria,agricultura,saude deixa todos os macacos velhos fora do jogo EM QUASE TODOS OS NÍVEIS.

    A VELOCIDADE DE APRENDIZADO DOS MACACOS VELHOS E DAS MÁQUINAS É MICROSSEGUNDOS NA MÁQUINA E ANOS PARA HUMANOS TERRAQUEOS. HUMANOS TERRÁQUEOS APRENDEM MAIS DEVAGAR QUE AS INOVAÇÕES QUE OCORREM,E FICAM CADA VEZ MAIS DESLOCADOS.
    '
    DIZER QUE NOVAS FUNÇÕES OCORREM, É GENERICO, EM OUTRAS ERAS , ERAS DA LERDEZA,FOI VERDADE. HOJE NÃO É MAIS, QUALQUER UM QUE TENHA VISÃO DO AQUI E DO AGORA PERCEBE A MEGATRANSFORMAÇÃO DO MUNDO PELA AUTOMATIZAÇÃO DE TUDO,DE TUDO.

    VELOCIDADE DE APRENDIZADO HUMANO,ADAPTAÇÃO E RECICLAGEM DE MACACOS NOVOS E VELHOS,NOVOS TAMBÉM,MENOR DO QUE A MINIMA NECESSÁRIA, EIS A QUESTÃO.

    ALERTA DE TSUNAMI DE MUDANÇAS EM TODAS AS ÁREAS,PODEM DESBANCAR MACACOS VELHOS E NOVOS DO COMANDO DO MUNDO,ATÉ AGORA NADA INDICA O CONTRARIO.

    ATÉ OS POLITICOS NÃO MENTEM MAIS AO NATURAL,USAM SOFT PARA CADA PLATEIA DE CADA LUGAR CONFORME MILHÕES DE DADOS,OBTIDOS E APLICADOS PARA TAL.PROGRAMAS ROBOS OPERAM NAS BOLSAS,ESCREVEM LIVROS SELECIONAM HUMANOS.

    LEIS DE MERCADO CONSIDERAM A VELOCIDADE DOS AGENTES DO MERCADO PARA PRODUZIREM , INVESTIREM , DECIDIREM,DOS HUMANOS, MAS COM AS MAQUINAS ATUANDO,ONLINE,RM TEMPO QUASE REAL,QUANDO HUMANOS QUEREM PENSAR, AS MAQUINAS JÁ PENSARAM,DECIDIRAM,COMPRARAM E VENDERAM. ALTERAM RESULTADOS ASSUSTADORAMENTE E COMO NUNCADANTES VIMOS

    ESTA É A QUESTÃO. SE NADA PUDERAM FAZER NA ERA DE LUD,IMAGINA AGORA QUE É NECESSÁRIO PEDIR LICENÇA PARA AS MAQUINAS.
  • Andr%C3%83%C2%A9  05/03/2017 14:13
    Concordo que seja a tendência de padrão de comportamento humano nos dias atuais, mas ainda permita-me discordar de você, não há nada a se fazer, o que cada um faz para se virar na nova era depende de cada um.

    Sim, as máquinas estão evoluindo rapidamente e tomando o espaço dos seres humanos em muitas áreas porque elas são mais eficientes, porém máquinas não possuem visão nem criatividade, mas poder de processamento seguindo as diretrizes que elas são programadas para fazer. Uma máquina pode ter um algoritmo super complexo, mas ela nunca será mais do que ela é programada para ser.

    Seres humanos possuem esse potencial, criatividade e visão. Sem isso, o ser humano é apenas uma máquina ineficiente. É essa capacidade de enxergar coisas além dos cenários que nos distingue das máquinas e nos permite avançar. Sempre foi assim desde o inicio dos tempos e sempre será assim. Os mais criativos sobrevivem.

    Recomendo ler a estória de Dorothy Johnson Vaughan, matemática e supervisora do setor de "computadores humanos" da nasa (pessoas que faziam cálculos antes da era dos computadores). Quando os primeiros mainframes começaram a chegar, ao invés de ficar chorando e destruindo máquinas como um certo Ludd fez, ela foi aprender FORTRAN (linguagem de programação) por conta própria e também ensinou a todo o seu departamento. Ao invés de engessarem as filas de desempregados e usarem isso para justificar matar e roubar (como você diz), esses ex-computadores humanos estavam adaptados às mudanças.

    Se os ludistas querem manter seus empregos de caixa de supermercado, perfeito, mas para serem condizentes com seu discurso, não podem comprar nada que venha de máquinas ou que se beneficie da produção de máquinas. Em sumas palavras, terão que viver com padrão de vida pré-revolução industrial, que diga-se de passagem, era horrivel.
  • Paulo Bat  04/03/2017 01:10
    Caros: OBSERVADOR e LEANDRO:

    A) Em relação à frase 'Ao contrário de vocês que não erram nunca', eu não usei esta expressão por "afetação de coitadismo" ou para recorrer a "artimanha vitimista".

    Mas, admito que exagerei, pois procuro seguir a regra de vocês: "Envie-nos seu comentário inteligente e educado". Aliás, até hoje, todos os meus comentários foram publicados, mostrando que o Mises não censura opinião. Rebate mas não censura.

    Agora, Leandro, tirando a frase acima, em todos os comentários anteriores desta nossa troca de comentários, eu fui cordial com você e vice-versa.
    Só usei a frase porque em nenhum momento eu havia contestado a sua teoria, apresentada pelo Leandro no post original dele. Até comentei no meu primeiro comentário:

    'E, em relação ao seu comentário acima, não discordo quanto à correlação existente entre uma commodity e a moeda em que ela é comercializada. '
    Porém, na sequência exprimi: 'No entanto, se me permite, gostaria de discordar parcialmente dos seus comentários. '
    E, quanto às duas frases, eu repeti, com outras palavras, em todos os comentários seguintes.

    Leandro, em nenhum momento eu fiquei zangado. Tenho 60 anos e trabalho desde os quatorze. Portanto, se cheguei até a 3ª idade, lúcido e trabalhando, não foi ficando zangado por uma troca de opiniões divergentes com outra pessoa, que, aliás, neste caso nem conheço pessoalmente, mas só através de leituras de artigos, comentários e uma palestra sua, divulgados aqui no Instituto Mises.

    Interessante é que o uso daquela frase gerou, como reação, uma avalanche de adjetivos:
    Complexo de "coitadismo", "vitimismo", não aceitar questionamento, tentar espalhar algo como sendo supremo,
    Não gostar de ser contraditado, querer falar sem ser questionado, recorrer à artimanha vitimista,
    Querer distorcer a realidade por ser despreparado para o debate público.

    "Ele deve estar no site errado." Não encontrei em nenhum local do site algum código de conduta de quem deva ou não entrar no site.

    B) Em nenhum momento quis fazer análise econômica.
    Só exprimir meu ponto de vista. Não recebo absolutamente nada do Instituto Mises para postar meus comentários, aliás, como ninguém recebe, imagino.
    São todos por livre e espontânea vontade.

    C) Graças as leituras e trocas de comentários aqui no Mises aprendi muitas coisas, apesar de
    nem sempre concordar com o que está escrito. É da natureza humana, livre pensar.

    D) Finalmente, quanto à sugestão de entrar nos sites oferecidos por Mr. Richards, não entrei porque ele não usou o padrão de dicas de formatação de criar links, oferecido pelo Mises. Por exemplo, os dois links que indiquei, da petroleira BP e do EIA, fiz no padrão do site.
    Além disto, são todas fontes secundárias de jornais e revistas brasileiras, copiadas de fontes originais.

    Mais adiante volto a falar do petróleo com links de sites originais.
  • Andre  04/03/2017 15:44
    Caro Paulo Bat, compartilhe conosco onde trabalhou todos esses anos e demonstre onde adquiriu todos os seus conhecimentos mais que suficientes para discordar com parte do conteúdo do IMB, para que os membros daqui também tenha a oportunidade de obter um naco de sua sabedoria.
  • Paulo Bat  06/03/2017 23:32
    Prezado André.

    Infelizmente não sou nenhum sábio, pois senão já teria deixado o Brasil a muito tempo. E não foi por falta oportunidade.

    Sou o chamado "otário útil" que, mesmo vendo grande parte do "suor do meu trabalho" acabar no buraco negro dos:

    Políticos (de TODAS AS CORRENTES, desde que estejam com a chave do cofre), lobistas, clubes de empreiteiras, empresários amigos do "rei de plantão" (e muda o plantonista mas os "empresários" são os mesmos - tipo "muda a merda mas as moscas são as mesmas"), federações de industrias, Brasil afora, dizendo que os impostos são um absurdo, mas vivem "chafurdadas" no velho e bom BNDES e nos decretos pró (sic) industria nacional, para defendê-la dos

    continua vivendo num pais que detesta a maioria silenciosa que continua alimentando esta caterva, achando que um dia o "gigante adormecido" vai acordar e todos viveremos felizes para todo o sempre.

    Desde que comecei a trabalhar, lá no início dos anos de 1970, que não vejo nada mudar:

    ==>> "Prá Frente Brasil, Brasil no buraco, Brasil "grande', Brasil no Buraco, Brasil "do futuro", Brasil no buraco, "EU PROMETO ...", Brasil no buraco, "Salvador da Pátria", Brasil no Buraco, Plano A, Brasil no buraco, Plano B, Brasil no buraco, ... ... ...

    O Brasil é um pais tão sui-generis (O PAIS DAS JABOTICABAS) que um governo que derrubou outro dizendo que iria acabar com a corrupção no Brasil, lança um decreto-lei (DECRETO Nº 64.345, DE 10 DE ABRIL DE 1969) que criou o "Clube das Empreiteiras" e que culminou como o Petrolão. //www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1950-1969/D64345.htm.

    O irônico é que este decreto foi revogado por Collor em 1991, que "assoprou" de um lado, acabando com a proibição de importações e de que empresas estrangeiras fizessem obras para o governo, e "mordeu" do outro, culminando com seu afastamento (justo) como corrupto;

    Alguns exemplos de obras tocadas após o famigerado DECRETO Nº 64.345, criador do "CLUBE DAS EMPREITEIRAS":

    - Rodovia (SIC) Transamazônica, onde após mais de 40 anos de lançamento UFANÍSTICO, milhares de caminhões estão encalhados (igual ao Brasil),;

    - Projeto de 15 usinas nucleares, dos quais só duas saíram do papel, mas se gastou o v alor de 30. Alguém lembra do escândalo do Acordo Nuclear Brasil-Alemanha?

    - Usina de Itaipú. Uma das sete maravilhas da engenharia moderna, segundo a Associação Americana de Engenheiros. Importante? Importante, mas precisava custar N vezes mais?

    - Ferrovia Norte-Sul (começou no Sarney e terminará nas calendas);

    - Rodovia Régis Bittencourt, ligando Curitiba a São Paulo, com 410 km (a Rodovia do Mercosul SIC): duplicação iniciada no Governo Geisel e ainda faltam 40km;

    - "Concessão de rodovias, ferrovias, metrôs, portos e aeroportos, todas vencidas por empresas do "CLUBE" (tanto com FHC quanto com Lula),;

    - Lei do petróleo (1998) com conteúdo local irreal (local para quem, cara pálida?). Mudança da lei do petróleo (2009) com mais conteúdo local (e mais irreal);

    - PAN do RIO superfaturado, Copa do Mundo e estádios hiper faturados, Olimpíadas super-hiper faturadas (RIO, CIDADE DAS PROPINAS DE PROPORÇÕES OLÍMPICAS);
    Legados (SIC) destes jogos: Físicos abandonados, econômicos falidos, esportivos quase que inexistentes;

    - ETC.

    OBS: Uma das empreiteiras do Clube, a Odebrecht, antes do DECRETO Nº 64.345 era uma empresa regional. Após, explodiu, tornando-se uma potência. Tudo com a benção do "painho" Toninho Malvadeza, sogro do dona da Empreiteira OAS, também conhecida como Obras Arranjadas pelo Sogro.

    Ou seja, de Costa e Silva a Temer, só me FU**!

    E você, caro André, tem a gentileza de me chamar de "sábio". Obrigado pelo elogio, mas isto não recupera os TROCENTOS POR CENTOS de tudo o que ganhei com minha luta e trabalho enquantos todos aqueles citados alíe em cima se lambuzaram e continuam se lambuzando e rindo da nossa cara.

    Porque, tiraram um partido corrupto do poder e, agora, lutam com todas as armas para abafar as lava-jatos da vida.

    GAME OVER!
  • Paulo Bat  07/03/2017 01:46
    E COMPLETANDO:

    Em todos os filmes que assisti sobre a minha vida, nestes mais de 45 anos em 60 de vida aqui nesta Bananalândia, o resultado foi sempre o mesmo: morri no final de todos os filmes.

    E pior, o que eu vejo é que os paneleiros não querem acabar com a corrupção, mas só tirar o partido corrupto, da vez, do poder.

    E com ele fora, guardam-se as panelas. Porque o Brasil virou o Fla-Flu da política: "Seu partido é corrupto." "Não, é o seu." "O SEU", "O seu come criancinhas", "o seu suga os trabalhadores", ...

    Estes pobres coitados deveriam ler o que já foi publicado aqui no Instituto Mises: "Não alimente seu político favorito."
  • Paulo Bat  07/03/2017 02:52
    E CONCLUINDO (enquanto escuto DavidGilmor recitar Comfortably Numb suavemente entorpecido)

    Nada disto é mi-mi-mi, coitadismo ou vitimismo.

    Pois também não fiz minha parte. Mesmo assim, construí uma vida, agora com netos que, espero, tenham o pensamento diferente de nós, povo brasileiro, que no final, sempre "queremos levar vantagem em tudo".

    Assim, vocês do IMB e admiradores. Não basta reclamar via Internet. Tem que ir a luta.

    Por que os políticos tão pouco se lichando para reclamações, passeatas e panelaços. Tampouco os empresários com suas benesses.

    Até porque, muitos paneleiros de ontem, agora estão do lado do poder, parafraseando Cazusa.

  • Mr Richards  05/03/2017 05:08
    Que não seja por isso Paulo Bat, farei sua vontade e postarei em forma de hyperlink.

    2007

    Com ajuda da Petrobras, Bolsa sobe 2,24%; dólar cai a R$ 2,13 - 10/01/2007
    "No câmbio, o dólar comercial caiu 0,23% e encerrou vendido a R$ 2,13. A alta do petróleo no mercado internacional e a melhora na classificação de risco da estatal deram fôlego para a recuperação dos papéis da Petrobras, que respondem por cerca de 16% do Ibovespa, o que respingou no pregão como um todo. A recuperação de preços de commodities e o quadro relativamente tranqüilo no exterior ajudaram no viés positivo."

    Após seis altas, Bolsa cai 1,68%; dólar sobe para R$ 2,093
    - 07/02/2007

    Bolsa quebra 3 recordes num dia e sobe 1,77%; dólar cai abaixo de R$ 2,10 - 14/02/2007

    2008

    Preço das commodities cai e dólar sobe 1,18% - 22/08/2008

    Mercados: Bovespa segue commodities e cai 0,27%; dólar sobe a R$ 1,66 - 02/09/2008

    2009

    Mercados recuperam fôlego e dólar cai - 08/10/2009
    "Os mercados mundiais recuperam o fôlego nesta quinta-feira, amparados pela cena corporativa. Com isso, as cotações das commodities sobem, as bolsas acompanham e o dólar recua frente as seus principais pares."

    Commodities derrubam Bovespa; Pão de Açúcar sobe 9,7% - 04/12/2009
    "O fortalecimento do dólar no mercado internacional e a queda no preço das commodities prejudicaram a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) nesta sexta-feira."

    2010

    Dólar cai, commodities sobem - 15/06/2010

    PANORAMA2-Ações, commodities sobem e dólar cai na véspera do Fed - 20/09/2010

    2011

    Derrocada das commodities e alta do dólar pautaram a quinta-feira - 06/06/2011

    Panorama: dólar sobe, commodities e bolsas caem - 30/10/2011

    2012

    Dólar sobe mais de 1% acompanhando piora do cenário externo - 21/06/2012
    "O dólar comercial teve um firme ajuste de alta no pregão desta quinta-feira. Novamente a cena externa foi quem ditou a formação de preço, conforme as bolsas e as commodities caíram em meio a dados negativos sobre atividade na China, Europa e Estados Unidos. Além disso, o mercado foi prejudicado por notícias dando conta que uma série de bancos terá sua nota de crédito rebaixada."

    Dólar sobe com cautela sobre Espanha e furacão nos EUA - 29/10/2012
    "Dólar é negociado em alta no exterior e também no mercado local, enquanto as commodities e as Bolsas europeias e os índices futuros de Nova York operam em baixa"

    2013

    Dólar recua na manhã desta quinta-feira - 07/02/2013
    "Nos mercados externos vemos uma maior propensão ao risco, com tresuries e o dólar em queda, commodities em alta e os referenciais das bolsas europeias e americana se fortalecendo."

    Dados da China beneficiam moedas atreladas a commodities e dólar cai - 10/12/2013

    2014

    Com commodities em alta, Ibovespa ganha mais de 2%; dólar cai a R$ 2,55 - 21/11/2014

    Dólar sobe 0,67% ante real com volatilidade das commodities - 02/12/2014

    2015

    Ibovespa sobe 1,5% com cenário externo e commodities em alta; dólar cai para R$ 3,92 - 05/10/2015

    Dólar sobe 1,94%, puxado por cenário político e queda de commodities - 11/12/2015

    2016

    Dólar cai mais de 1% com valorização de commodities e fluxo - 22/02/2016

    [link=www.referenciagr.com.br/china-e-commodities-animam-mercados-bolsa-sobe-4-e-dolar-cai/][/link] - 23/02/2016

    Interessante este dois últimos artigos, a relação é tão óbvia, que pode ser vista diariamente. Veja que em 22/02/2016 o dólar recuou 1,29% e as commodities como petróleo e minério subiram. Segundo o primeiro artigo: "Os preços do minério de ferro no mercado à vista da China saltaram 7%, para mais de US$ 50 por tonelada, acompanhando movimento de alta nos mercados futuros de minério de ferro e de aço, em meio a sinais de recuperação da demanda."
    Sobre o petróleo: "Os preços do petróleo sobem mais de 4% diante da queda no número de plataformas de perfuração de petróleo dos Estados Unidos que levantou a perspectiva de que a produção da commodity possa diminuir um pouco."
    Podemos ver que o argumento do operador do câmbio sobre os preços dos minério terem subido é péssimo, mas sobre o petróleo podemos também creditar sobre a queda do número de plataformas de perfuração nos EUA.
    Agora no dia 23/02/2016, o dólar fechou em queda de aproximadamente em 1,78% enquanto que o petróleo brent subiu 5,09%.


    Bovespa sobe 0,25% e dólar cai 1% com salto das commodities - 01/03/2016

    Alta de commodities impulsiona Bovespa e dólar cai para R$ 3,55 - 19/04/2016

    Dólar cai abaixo de R$3,25 com recuperação de commodities - 02/08/2016

    Dólar cai abaixo de R$3,25 com recuperação de commodities e Japão - 02/08/2016

    Commodities derrubam mercados; Bolsa cai 3% e dólar sobe a R$ 3,30 - 13/09/2016

    Com commodities em alta, Bolsa ganha 0,92%; dólar cai 0,43% - 10/10/2016

    Preços das commodities aumentam em outubro e dólar cai - 01/11/2016

    Commodities pressionam Petrobras e Vale, e Bolsa cai 3%; dólar sobe - 29/11/2016

    2017

    Ibovespa ganha forças com commodities e com dados dos EUA; dólar cai e "encosta" nos R$ 3,20 - 05/01/2017

    Commodities incentivam apetite por risco e dólar fecha em queda - 20/02/2017

    Vamos aos gráficos:

    Dólar
    Petróleo Brent

    Nos dois gráficos faça uma comparação simples entre o dólar e o petróleo brent em cinco anos.
    Do ano de 2012 até exatos 01/06/2014 com o dólar ainda fraco e o petróleo brent disparado. A partir do dia 01/06/2014 com o dólar se fortalecendo, o petróleo brent começa a cair.
    Embaixo das datas, existem uns quadrados mostrando a valorização e desvalorização do dólar e petróleo, pode conferir que quase sempre quando o dólar está em vermelho(enfraquecido), o petróleo está em verde(fortalecido) e vice-versa.

    Vamos agora fazer uma comparação ainda mais distante. Coloque os gráficos no máximo, o índice do petróleo começa em 01/03/2003, mas o dólar começa em 01/11/1985. Essa comparação dispensa apresentações, mas pode ver que o dólar caindo, o petróleo disparou. No índice do petróleo na data 01/06/2008, o dólar começou a se fortalecer, e consequentemente o petróleo na mesma data começou a cair. Agora quando o dólar começa a cair em 01/02/2009, o petróleo começou a disparar. Pode ver que em 01/04/2011 o dólar atinge as mínimas e o petróleo na mesma data atinge o ponto mais alto depois de 2008. E assim sucessivamente.


    E você disse o seguinte: "Terceiro exemplo: A revolução tecnológica do chamado fracking, para a produção de petróleo não convencional, disparou a produção diária dos EUA de cerca de cinco milhões de barris por dia em 2008 para mais de 10 milhões de barris por dia em 2015. Assim, a queda de preço de US$ 110 para os atuais US$ 50 foi resultado da inundação de petróleo no mercado, causado novamente por mudança tecnológica."

    Agora recorremos novamente ao gráfico do petróleo: Petróleo - Veja que o petróleo caiu em 01/06/2008, justamente quando o dólar se fortalecia, pois bem, no começo de 2009 o dólar começou a cair e o petróleo disparou. Segundo a sua teoria do fracking era para o petróleo ter desabado até 2015, o que não aconteceu. O petróleo começou a cair em 01/06/2014 justamente quando o dólar se fortalecia no mesmo dia.
    Me desculpe, mas sua teoria não é bem fundamentada. É melhor seguir o que você disse: "Mais adiante volto a falar do petróleo com links de sites originais."
    Inclusive o link que você passou da BP, ele diz o ano que o petróleo caiu, mas não a data, e "coincidentemente" nos gráficos quando o dólar fortaleceu, consequentemente o petróleo desabou.


    E sem falar no principal índice de commodity - CRB - que varia estritamente com o dólar, sempre com a relação inversa.

    Trade Weighted U.S. Dollar Index: Broad
    CRB Index Falls to 41-Year Low

    [b]Pode conferir nos gráficos que quando o dólar estava se fortalecendo em 1996, o índice CRB estava caindo. E em 2002 quando o dólar começava a enfraquecer continuamente, o índice CRB fortalecia continuamente. [b/]

    Vlw
  • ZapZap  06/03/2017 14:26
    Amigo meu posto isso aqui:
    "Em 1998, a Kodak tinha 170 mil funcionários e vendia 85% do papel fotográfico utilizado no mundo. Em apenas 3 anos, o seu modelo de negócio foi extinto e a empresa desapareceu.

    O mesmo acontecerá com muitos negócios e indústrias nos próximos 10 anos e a maioria das pessoas nem vai se aperceber disso. As mudanças serão causadas pelo surgimento de novas tecnologias.

    Conforme exposto na Singularity University Germany Summit, em abril deste ano, o futuro nos reserva surpresas além da imaginação.

    A taxa de inovação é cada vez mais acelerada e as futuras transformações serão muito mais rápidas que as ocorridas no passado. Novos softwares vão impactar a maioria dos negócios e nenhuma área de atividade estará a salvo das mudanças que virão.

    Algumas delas já estão acontecendo e sinalizam o que teremos pela frente. O UBER é apenas uma ferramenta de software e não possui um carro sequer, no entanto, constitui hoje a maior empresa de táxis do mundo. A Airbnb é o maior grupo hoteleiro do planeta, sem deter a propriedade de uma única unidade de hospedagem.

    Nos EUA, jovens advogados não conseguem emprego. A plataforma tecnológica IBM Watson oferece aconselhamento jurídico básico em poucos segundos, com precisão maior que a obtida por profissionais da área.

    Haverá 90% menos advogados no futuro e apenas os especialistas sobreviverão. Watson também orienta diagnósticos de câncer, com eficiência maior que a de enfermeiros humanos.

    Em 10 anos, a impressora 3D de menor custo reduziu o preço de US$18.000 para US$400 e tornou-se 100 vezes mais rápida. Todas as grandes empresas de calçados já começaram a imprimir sapatos em 3D.

    Até 2027, 10% de tudo o que for produzido será impresso em 3D. Nos próximos 20 anos, 70% dos empregos atuais vão desaparecer.

    Em 2018, os primeiros carros autônomos estarão no mercado. Por volta de 2020, a indústria automobilística começará a ser desmobilizada porque as pessoas não necessitarão mais de carros próprios. Um aplicativo fará um veículo sem motorista busca-lo onde você estiver para leva-lo ao seu destino. Você não precisará estacionar, pagará apenas pela distância percorrida e poderá fazer outras tarefas durante o deslocamento.

    As cidades serão muito diferentes, com 90% menos carros, e os estacionamentos serão transformados em parques. O mercado imobiliário também será afetado, pois, se as pessoas puderem trabalhar enquanto se deslocam, será possível viver em bairros mais distantes, melhores e mais baratos.

    O número de acidentes será reduzido de 1/100 mil km para 1/10 milhões de km, salvando um milhão de vidas por ano, em todo o mundo. Com o prêmio 100 vezes menor, o negócio de seguro de carro será varrido do mercado.

    Os fabricantes que insistirem na produção convencional de automóveis irão à falência, enquanto as empresas de tecnologia (Tesla, Apple, Google) estarão construindo computadores sobre rodas. Os carros elétricos vão dominar o mercado na próxima década.

    A eletricidade vai se tornar incrivelmente barata e limpa. O preço da energia solar vai cair tanto que as empresas de carvão começarão a abandonar o mercado ao longo dos próximos 10 anos. No ano passado, o mundo já instalou mais energia solar do que à base de combustíveis fósseis. Com energia elétrica a baixo custo, a dessalinização tornará possível a obtenção de água abundante e barata.

    No contexto deste futuro imaginário, os veículos serão movidos por eletricidade e a energia elétrica será produzida a partir de fontes não fósseis. A demanda por petróleo e gás natural cairá dramaticamente e será direcionada para fertilizantes, fármacos e produtos petroquímicos. Os países do Golfo serão os únicos fornecedores de petróleo no mercado mundial. Neste cenário ameaçador, as empresas de O&G que não se verticalizarem simplesmente desaparecerão.

    No Brasil, o modelo de negócio desenhado para a Petrobras caminha no sentido oposto. Abrindo mão das atividades que agregam valor ao petróleo e abandonando a produção de energia verde, a Petrobras que restar não terá a mínima chance de sobrevivência futura. A conferir.

    (Publicado na revista Brasil e Energia Petróleo e Gás, edição de dez/2016).


    Reflita sobre o seu presente e o seu futuro. Está preparado para mudanças tão radicais e abruptas?

    "Nada é permanente, exceto a mudança".
    (Heráclito: 535 a.C - 475 a.C)"

    Ótimo. Tudo será barato, desde fabricação de produtos até a energia elétrica. O ramo da advocacia será quase extinto, o que é ótimo para um país, pois precisa mais de engenheiros, contadores,administradores, empresários...
  • Raphael Turra  09/03/2017 14:35
    Concordo, basicamente, com o que diz o autor do texto. No entanto, às vezes, me pergunto se o aprofundamento do processo de automação não poderia criar graves cenários de desemprego estrutural. Esse é um assunto importante e os liberais (e eu sou um liberal-conservador) não podem se render ao otimismo de pensar que sempre, independentemente do que aconteça, os movimentos naturais da economia produzirão resultados positivos. É a armadilha da indução; qualquer um que tenha lido David Hume sabe que é perigoso extrair leis universais de casos isolados. O que quero dizer é: não é porque a automação foi boa até o momento que devemos pensar que ela será sempre boa. Em outras palavras, "merda acontece".
    De qualquer forma, a aplicação da tecnologia à produção econômica tem sido, até o momento presente, muito positiva. Sem dúvida, nossa prosperidade só se tornou possível graças ao incremento na produtividade gerado pelo emprego econômico da técnica e da ciência.
    No entanto, a aceleração da automação não poderia acabar com praticamente todos os postos de emprego de baixa e média qualificação no setor industrial e de serviços? Falo, por exemplo, dos empregos de atendente, operário, caixa, garçom, motorista, policiais etc. Nessa hipótese, somente restariam empregos de supervisão e controle das máquinas. Onde antes havia 300 operários, sobrariam 10 gerentes. Isso já aconteceu em vários setores, mas pode ocorrer sistematicamente em quase todos setores nas próximas décadas.
    Pensem na transformação que ocorreu no setor agrícola. Antigamente, a maior parte da população trabalhava no campo. Hoje, nos países desenvolvidos, é uma minoria, justamente porque não se precisa mais de tanta mão de obra. Algumas máquinas fazem o trabalho de centenas de camponeses. Esses camponeses vieram para a cidade e a maioria acabou se tornando operador de máquinas ou entraram no setor de serviços. Progressivamente, as próprias máquinas já não mais precisam de operadores e, no setor de serviços, que parecia blindado à automatização, estão começando a desaparecer os empregos. Quer dizer, parece que o ocorreu no campo está ocorrendo, agora, nos centros urbanos. A questão é: para onde irá toda essa gente? Para o campo de novo?
    Diante desse cenário, creio, existem duas reações: (i) a otimista, que vê com bons olhos a substituição de humanos por máquinas, afirmando, com razão, que há aumento da produtividade e, logo, mais riqueza e eficiência, e que pensa ser possível realocar os desempregados em outros setores através de um processo de destruição criativa; e (ii) a pessimista, que considera que a natureza sistêmica dessa substituição em específico não gerará outros nichos para a mão de obra pouco qualificada que ficar ociosa. E mesmo que se qualificasse tal mão de obra, não haveria suficientes posições de gerenciamento e direção (dificilmente automatizáveis) para tanta gente.
    O primeiro cenário é mole. Parece-me ser o apresentado no texto. O problema é o cenário (ii). O que fazer? Eu li por aí a respeito da inevitabilidade de uma renda universal básica, o que significaria o definitivo controle estatal da sociedade, visto que grande parcela da população se tornaria dependente da redistribuição estatal da renda. Gostaria de saber a opinião do autor do texto, se possível.
  • Francisco  09/03/2017 14:43
    O trabalho humano é o mais versátil de todos. Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer. Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada. Seres humanos não são como máquinas. Eles podem fazer muitas coisas.

    Se você trabalha no setor industrial, então você deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato. Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los.

    Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema. É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina. Aspire a uma posição em que você tenha constantemente de utilizar sua mente.

    Se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro. Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer.

    A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Elas não são máquinas. Da mesma maneira, clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles. As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos.

    O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas. O segredo é ter uma mente criativa. O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.

    Por isso, se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver. É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta. É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões.

    O fato é que, em algum momento, surgirá uma máquina que fará o trabalho mecânico melhor do que você. Adam Smith já havia observado que as habilidades mecânicas e repetitivas que são necessárias em uma divisão do trabalho não são boas para os homens. Por isso, a automação será ótima para toda a humanidade, libertando-a do fardo do trabalho monótono e exaustivo.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2613
  • EUGENIO  16/03/2017 22:04
    "OU TROTEIA, OU SAI DA ESTRADA..." UMA GRANDE ARMADILHA

    Sempre , ao longo do tempo,quando inovações ocorreram, terminaram empregos em alguma área a logo se reciclavam operarios e trabalhadores em outras funções que surgiram.Atualmente a automatização irreversivel

    AUMENTA O NUMERO DE DESEMPREGADOS NUMA PROPORÇÃO GEOMÉTRICA , ENQUANTO NOVAS FUNÇÕES COMPATÍVEIS COM O NÍVEL DOS DESLOCADOS PELA MÁQUINA, ANDA EM PROPORÇÃO ARITMÉTICA.

    O tempo de reciclagem de um deslocado , é maior do que a velocidade de deslocamento, ficando os SEM FUNÇÕES à margem social,como quando houve no exodo rural,milhões nas vilas,favelas,sub emprego,trafico,crime,o que se vê retratado na midia, e nenhuma solução a vista.
    Complica, pois o NIVEL DE INTELIGÊNCIA EMBUTIDA NAS MÁQUINAS é enorme, sobram empregos de alta tecnologia que o desempregado ,de baixo nivel,UMA MASSA ENORME,não tem a mínima chance de se reciclar em tempo viável, hábil. Sempre as mudanças e novas funções estavam na capacidade dos deslocados com pouco esforço se reciclarem, o que hoje está FORA DE QUESTÃO para quem tem noção da diferença das máquinas inteligentes de hoje e das máquinas burras de ontem.Sempre deixavam uma chance para o macaco velho.
    Milhares de operários produziam manualmente,logo a automatização tirou milhares da produção manual, e apenas poucos operários cuidavam das máquinas;hoje : MAQUINAS CUIDAM DE MÁQUINAS,CONSERTAM MÁQUINAS,SUBSTITUEM MÁQUINAS DEFEITUOSAS,TRABALHAM NO ESCURO,CONTINUAMENTE 24HS POR DIA,SEM LEIS TRABALHISTAS, PROBLEMAS DE SAÚDE ETC...
    O nivel de conhecimento necessário ao operario comum ,macaco velho, como falaram,para virar um doutor em TI ,onde teria colocação, não é mais factível,viavel.ISSO NUNCA ACONTECEU EM OUTRAS ERAS.
    Investidores empreendedores querem máquinas inteligentes, e humanos doutores em TI para as mais variadas funções
    Os simplistas costumam dizer que em OUTRAS ERAS só tinha que reciclar o "macaco velho" para uma nova função , e agora é a mesma coisa. NÃO É A MESMA COISA, infelizmente não, é DEVERIAM PENSAR NISSO e não de modo simplório e simplista ignorar e dizer que isto já aconteceu e agora é a mesma coisa.
    O limiar de nova era com automação inteligente de alto nivel,a internet das coisas, requer soluções para aplicação e uso dos humanos, AINDA NÃO PENSADA, e URGENTE.MUITO URGENTE,ESTAMOS OS HUMANOS SENDO ATROPELADOS , a automatização inteligente, programas inteligentes, nos atropelam e avisam:

    "OU TROTEIA, OU SAI DA ESTRADA..." e não podemos trotear mais rapido , e nem temos a mínima idéia de como sair da estrada.


  • Guilherme  16/03/2017 23:27
    "Aumenta o numero de desempregados numa proporção geométrica , enquanto novas funções compatíveis com o nível dos deslocados pela máquina, anda em proporção aritmética"

    É mesmo? Vamos então conferir as estatísticas.

    Peguemos a evolução do número de empregados e de desempregados nos EUA, que não apenas é o país berço das criações tecnológicas, como também é o país mais aberto a elas e o que tem o mercado de trabalho mais desregulamentado.

    Eis a evolução do número de pessoas empregadas (recorde histórico):

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-employed-persons.png?s=unitedstaempper&v=201703161723t&d1=19170101&d2=20171231

    E eis a evolução do número de pessoas desempregadas (mesmo nível de 1975):

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-unemployed-persons.png?s=unitedstauneper&v=201703161723t&d1=19170101&d2=20171231

    Ou seja, enquanto o número de empregados cresceu sem parar, o número de desempregados praticamente não subiu ao longo do tempo.

    Logo, você falou uma mentira descarada. E sua tese é completamente furada. Vejamos se você terá a hombridade de se retratar.
  • EUGENIO  17/03/2017 02:44
    (retratar é questão de inteligência e civilidade,não de "HOMBRIDADE",uma mulher de carater também se retrata)

    Olá, caso tivesse falado em dados do PASSADO, e em um país com pessoas do nivel da pesquisa apresentada, talvez eu tivesse mesmo que me retratar,;mas chamei a atenção do MOMENTO de entrada de avanços tecnológicos COMO NUNCA antes visto, em todas as áreas, se especificar ,seria chover no molhado lembrar que máquinas inteligentes e programas criando programas,robos construindo robos e ferramentas...tomando decisões em função de algoritmos...
    Não teria espaço e seria enfadonho perguntar o que fazer com exercitos humaanos, substituidos por robotizados,aeronautica e marinha com drones,segurança pública tambem com equipamentos.O que dizer da saúde, um Médico-robô sabe zilões de dados ao abordar um paciente e online com soluções eficazes e economicamente ,robôs cirurgiões já operam pessoas com resultados assombrosaamente vantajosos,motoristas desnecessários,professores (catequizados por ideologias do politicamante correto) felizmente estarão deixando de fazer mal a milhões de crianças,TELE AULAS ESPETACULARES E COM RECURSOS DIDATICOS EM CASA ,A QUALQUER HORA E INTERAGINDO COM ALUNO,industrias imprimindo sapatos,pessoas jaamais voltarão a manufaturar automóveis,sapatos,produtos onde automação assumiu; ficaria dias enumerando avanços NUNCADANTES IMAGINADOS JÁ EXISTEM, e repito, é o LIMIAR , LIMIAR,ADVENTO,ADVENTO,DE UMA NOVA ERA.
    Gráficos do PASSADO mostram circunstâncias do PASSADO,podem tender a continuar ou não.
    Gráficos MESMO RECENTES contam e explicam do MUNDO ANTIGO
    Como numa estrada quando dirigimos, OLHAMOS PARA A FRENTE,curvas e obstáculos a contornar, ou se quisermos olhar somente no retrovisor, veremos a estrada que foi percorrida, e pode ser ERRO FATAL!
    Não considerar a METAMORFOSE TECNOLÓGICA QUE JÁ EXISTE, ainda não implantada em massa,EM TODAS AS ÁREAS, e que vai mudar os números de até agora, é como o idiota que olha para o dedo do sábio que aponta para a estrela e não para a estrela.
  • anônomi  29/03/2017 13:33
    Saiu um pesquisa do National Bureau of Economic Research sobre o aumento do número de robôs na economia americana entre 1993 e 2007. Acho que pode enriquecer a discussão nesta página.

    Obviamente há muita estatística e econometria, o que por si só já é fonte de desconfiança. Mas a conclusão dos pesquisadores é que cada robô adicional tem efeito negativo sobre o nível de emprego e de renda dos americanos.

    Eles, porém, não levam em consideração que 1- cada robô adicional pode liberar mão-de-obra para outros setores, inclusive setores totalmente novos como a internet na década de 1990; e 2- cada robô adicional aumenta a produtividade, e por consequência reduz os preços de bens e serviços.

    papers.nber.org/tmp/7580-w23285.pdf
  • Eduardo  29/03/2017 13:42
    O problema é que nem mesmo a empiria comprova essa econometria.

    Eis o número de empregados nos EUA (recorde histórico):

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-employed-persons.png?s=unitedstaempper&v=201703161723t&d1=19170101&d2=20171231

    E eis o número de desempregados nos EUA (mesmo número do início da década de 1970):

    cdn.tradingeconomics.com/charts/united-states-unemployed-persons.png?s=unitedstauneper&v=201703161723t&d1=19170101&d2=20171231

    Levando-se em conta o tanto que a população americana aumentou de 1970 para cá, esse número de desempregados deve ser, proporcionalmente, o mais baixo da história.
  • EUGENIO  30/03/2017 03:26
    "RECUERDOS DE YPACARAI"
    Estrada rodada está no retrovisor,coisas do passado,não garantem as mesmas curvas e que tudo se repetirá. A estrada ainda por rodar, requerem estratégias,manobras para continuar na estrada ,não necessariamente as mesmas ,pois acidentes geograficos passados ,curvas buracos,lombas não são mostradas no retrovisor e sim através do parabrisas.
    Lud certamente quebraria o parabrisas só para repetir manobras do passado,já mostradas no retrovisor.
    O "aqui e agora" de daqui a pouco,será diferente, novas "problemáticas", e teremos que ter "NOVAS SOLUCIONÁTICAS"
    Pensar e providenciar com antevisão trará "boafortuna".

  • Adorador da tecnologia  28/04/2017 14:43
    Acabei de ler a Saga Duna, de Frank Herbert.

    É uma série de ficção científica em 6 volumes que trata de um universo 10.000 anos após a humanidade ter ganho uma guerra contra as "máquinas pensantes".

    Por causa da guerra, toda a tecnologia teria sido execrada. De fato, as tecnologias da saga ou são analógicas ou são biológicas.

    Todo trabalho é feito pelos humanos.
    Assim, sem máquinas, a única forma de relação trabalhista possível é a escravidão. A justificativa é religiosa: "é preferível tornar humanos escravos do que tornar-se um escravo das máquinas" (sutra da Bíblia Católica Laranja - um dos livros sagrados da série)

    A involução social e tecnológica é patente: escravidão, reis e nobres que vivem às custas dos trabalhos de milhares, sistema de castas feudais?.
    Desde o seu nascimento, os seus genes definem as suas futuras habilidades e um treinamento desde a infância vai leva-lo à fase adulta realizando um trabalho específico, definido, imutável, subserviente ao "seu duque". Se tens um raciocínio rápido será treinado para ser Mentat, se tens sangue real, será treinado para comandar, se tena habilidades físicas, serás treinado para ser guerreiro e assassino etc.

    A existência de uma comódite escassa e fundamental é o pano de fundo para todos os desdobramentos da saga.

    É uma obra formidável com reflexões bastante interessantes sobre a religião, a política, a ecologia, a economia.

    E, querendo ou não, consciente ou não, àqueles que gritam contra a automação e o progresso tecnológico simplesmente gritam para se criar um mundo assim, como descrito por Frank Herbert.






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