O livre comércio não destrói empregos; quem destrói empregos são os consumidores
Ao mudarem suas preferências, consumidores determinam quem se mantém no mercado e quem tem de sair

"Se abrirmos o país para o comércio exterior, nossas indústrias irão sumir!", grita o protecionista inveterado.

O mesmo protecionista, ao ver que determinadas indústrias estão demitindo, grita: "Os chineses são os culpados!"

O que é realmente interessante é que nenhum protecionista tem a coragem de falar as coisas como elas realmente são: quem determina que uma indústria específica se tornou obsoleta não são os estrangeiros; são os consumidores.

São os consumidores que, ao mudarem suas preferências de consumo e suas exigências de qualidade, determinaram que aquela indústria que não mais os satisfaz tem de ser ou fechada ou inteiramente remodelada e reestruturada.

Quando empresários reclamam da concorrência dos produtos estrangeiros, eles na verdade estão reclamando de um fenômeno bastante específico: a mudança nas preferências dos consumidores. Os consumidores não mais estão comprando seus produtos, e isso os incomoda.

Mas como eles não podem dizer isso abertamente — eles sabem que seria um tanto ridículo virem a público reclamar que os consumidores voluntariamente pararam de comprar seus produtos —, eles simplesmente recorrem a um bode expiatório de fácil apelo: os estrangeiros.

A guerra contra o livre comércio é, na realidade, apenas uma distração para ocultar a verdadeira guerra: a guerra contra a soberania do consumidor.

O livre comércio e "os estrangeiros" são apenas um bode expiatório escolhido para que os verdadeiros "culpados" — os consumidores — não tenham de ser apontados. Isso não seria politicamente aceitável.

Quando você visita uma determinada região da sua cidade que outrora era repleta de indústrias e que hoje está deserta, você tem de entender o que realmente aconteceu: os consumidores alteraram suas preferências, de modo que eles simplesmente deixaram de querer consumir os produtos fabricados por aquelas indústrias.

Sim, é verdade que, em vários casos, as indústrias foram sufocadas por regulações governamentais, por sindicatos poderosos e por uma alta carga tributária, o que tornou suas operações extremamente caras, ineficientes e incapazes de concorrer com os produtos estrangeiros. Mas, ainda assim, a realidade não se altera: ao se tornarem ineficientes — ainda que por fatores exógenos e fora de seu controle —, essas indústrias perderam seu apelo perante os consumidores, os quais prontamente alteraram suas preferências e passaram a consumir de outras indústrias (estrangeiras ou não).

Em última "instância", os culpados por toda e qualquer dificuldade vivenciada por um setor industrial ou por qualquer área da economia sempre são os mesmos: os consumidores e suas preferências.

Por isso, quando economistas ou empresários defendem tarifas de importação ou qualquer tipo de restrição às importações, eles não estão protegendo as indústrias nacionais contra a "invasão" dos produtos estrangeiros. Eles estão protegendo as indústrias nacionais contra as preferências dos consumidores.

Produtos estrangeiros não "invadem" um país do nada e ficam ali à espera de serem consumidos; produtos estrangeiros chegam a um país porque foram voluntariamente adquiridos por consumidores nacionais, que voluntariamente demonstraram sua preferência por esses produtos.

O protecionismo, quando despido de todas as suas justificativas teóricas, é apenas isso: uma guerra violenta contra as preferências dos consumidores, e uma tentativa de suprimir essa preferência voluntariamente demonstrada.

Difícil haver totalitarismo maior do que esse. E é por isso que o protecionismo — ou seja, o governo regular e restringir as preferências dos consumidores — nada mais é do que uma forma de planejamento central. 

Levando a lógica ao extremo

Não aceitar o definhamento de determinadas indústrias ou determinados setores da economia é não aceitar que as pessoas mudam suas preferências de consumo.

Não aceitar essa realidade econômica é querer que alterações nas preferências dos consumidores sejam violentamente reprimidas pelo governo, o qual deve então obrigar as pessoas a, contra a sua vontade, manter suas preferências de consumo eternamente inalteradas apenas para garantir a rentabilidade de determinados setores já obsoletos da economia.

Com efeito, quais seriam as consequências dessa mentalidade? Dado que as preferências dos consumidores devem ser mantidas inalteradas para que determinadas indústrias e setores da economia durem para sempre, como estaria o mundo hoje caso tal ideia fosse realmente levada a sério?

Dado que os protecionistas consideram "injusto" os consumidores alterarem suas preferências de consumo, eis algumas perguntas a serem respondidas por eles, começando pela mais básica:

1) Você quer que o governo gerencie cada alteração na maneira como os consumidores gastam seu dinheiro, ou você acredita que os consumidores devem ser livres para gastar seu dinheiro de qualquer maneira pacífica que eles venham a escolher, sem ter de solicitar a aprovação do governo ou pagar uma penalidade caso gastem seu dinheiro de uma maneira que desagrade aos burocratas e a determinados setores da economia?

Agora, passemos às mais específicas:

2) Caso um empreendedor desenvolva um motor mais eficiente e que consome menos combustível, poderia ele livremente colocar este motor à venda no mercado? Poderiam as pessoas livremente adquiri-lo? Isso irá causar desemprego em vários outros setores da indústria automotiva, principalmente naqueles ligados à fabricação de motores tradicionais.

3) Deveria ser permitido que um novo restaurante fosse aberto na esquina da sua rua? Esse novo restaurante certamente vai afetar as receitas dos restaurantes já estabelecidos, podendo até mesmo gerar desemprego.

4) Deveriam as pessoas ser livres para escolher suas próprias profissões? Caso o façam, pode haver uma enxurrada de novos entrantes em determinadas profissões, como engenharia mecânica ou enfermagem. E essa maior oferta de mão-de-obra derrubaria os salários dessas profissões.

5) Deveriam os consumidores ser livres para mudar sua dieta? Tal mudança irá gerar queda de receitas em várias empresas tradicionais do setor alimentício, podendo gerar demissões.

6) Deveriam os consumidores de um estado ser livres para comprar produtos fabricados em outro estado? Tamanha liberdade poderá gerar desemprego no primeiro estado.

7) Você é a favor de as mulheres terem liberdade para trabalhar? Isso não apenas eliminou alguns empregos para homens e adolescentes, como também pressionou os salários para baixo em decorrência da maior oferta de mão-de-obra.

8) O livre trânsito de pessoas dentro das fronteiras de um país deve ser permitido? Quando pessoas migram em massa de uma região para outra, ou mesmo do campo para a cidade, isso gera grandes distorções econômicas em ambas as regiões.

9) Deveriam os consumidores ser livres para comprar carros usados? Deveriam eles ser livres para permanecer com um mesmo carro pelo tempo que quiserem? Ao fazerem isso, eles estão reduzindo a demanda por carros novos domesticamente produzidos. Isso pode gerar queda nas receitas e desemprego na indústria automotiva.

10) Deveriam os consumidores ser livres para comprar roupas de varejistas especializados em vender vestuário de segunda mão? Tamanha liberdade significará menor demanda tanto para a indústria de vestuários novos quanto para todo o setor varejista que vende apenas roupas novas.

11) Deveriam as pessoas ser livres para comprar máquinas de lavar roupa, ferros elétricos, aspiradores de pó e lava-louças? Esses produtos acabaram com os empregos de várias empregadas domésticas.

12) Deveriam as pessoas ser livres para comprar e-books? Isso afeta o mercado de impressoras e de editoras, além de reduzir o número de balconistas de livrarias.

13) Deveriam as pessoas ser livres para consultar aplicativos (gratuitos!) de meteorologia em seus smartphones? Esses aplicativos estão reduzindo enormemente a demanda por meteorologistas humanos no rádio e na televisão.

Por fim, por que deveríamos permitir qualquer uma dessas liberdades de consumo e tolerar tamanha concorrência econômica sem antes mensurar empiricamente os ganhos e perdas gerados por essa liberdade e por essa concorrência?

Deveríamos permitir tamanha liberdade e concorrência apenas caso seja comprovado empiricamente que seus efeitos "distributivos" serão do nosso agrado?

Conclusão

Pense em qualquer mudança ocorrida em qualquer atividade econômica e eu lhe apontarei várias pessoas que ficaram desempregadas em decorrência dessa mudança.

Mas quem, em última instância, fez essas mudanças? Os consumidores e suas preferências.

A pergunta então é: o fato de que mudanças nas preferências dos consumidores geram desemprego seria um argumento contra a soberania do consumidor e a livre concorrência?

Se você acredita que sim, então a única solução seria é colocar o governo para, antecipadamente, aprovar ou proibir toda e qualquer alteração na maneira como os consumidores gastam o seu dinheiro.

O que nos leva a outra pergunta: você honestamente acredita que tal política irá — ou mesmo poderá — gerar um maior padrão de vida para a população?

A defesa do livre comércio é simplesmente uma parte de um argumento maior: a defesa da soberania do consumidor e da livre concorrência. Alterações nos padrões do comércio internacional não possuem nada, absolutamente nada, de diferente ou de especial em relação a quaisquer outras alterações nos padrões de qualquer outra atividade econômica.

Portanto, se você realmente defende o protecionismo e a restrição do livre comércio, você tem de fazer uma dessas duas coisas:

(a) identificar corretamente alguma diferença essencial e economicamente relevante que mostre que o desejo dos consumidores de comprar bens e serviços vendidos por pessoas que estão em outra jurisdição representa uma categoria a parte, algo completamente diferente de qualquer outra das várias maneiras como esses mesmos consumidores alteram suas preferências e padrões de consumo; ou

(b) admitir que você não possui nenhum argumento econômico contra a soberania do consumidor e a livre concorrência, querendo apenas preservar um mercado artificial que seja do seu gosto pessoal (seja porque você está empregado nele, seja porque você é um empresário que aufere seus rendimentos nele).

Quem determina todo o arranjo de uma economia são as preferências dos consumidores. Você pode autoritariamente tentar impedir que haja mudanças nessas preferências, mas não conseguirá fazer isso para sempre. Impedir à força mudanças nas preferências dos consumidores é algo que não apenas trará desarranjos e ineficiências econômicas, como também servirá apenas para manter artificialmente os ganhos de alguns setores da economia à custa de todo o resto.

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SOBRE O AUTOR

Donald Boudreaux
foi presidente da Foudation for Economic Education, leciona economia na George Mason University e é o autor do livro Hypocrites and Half-Wits.



"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

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Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Caio Ayache Rocha  17/02/2017 13:48
    Concordo com o artigo em tudo, e devemos liberar estrangeiros à ofertarem aqui sem taxação ou impostos.

    O problema é que antes vejo muito mais necessária a mudança aqui no Brasil de economia de estado para economia de mercado , se liberarem exclusivamente o comércio dos estrangeiros antes dos brasileiros haverá uma mudança drástica nos arranjos para empregadores e empregados e esse custo de transação é alto, consequentemente afetará toda economia à curto e médio prazo. No final das contas o nosso custo de oportunidade (dos empregadores e empregados brasileiros) continuarão sendo manipulados, moldados e decididos por um planejamento central(estado).

    Concluisse que continuaremos ineficientes.

  • Flávio Araújo  17/02/2017 13:59
    Certo, Caio, mas como exatamente você pretende fazer isso?

    Tipo assim, você defende que, em termos de comércio exterior, continue tudo como está, com o Brasil sendo a economia mais fechada do G20, permanecendo assim até que algum político voluntariamente resolva liberar um pouco mais o mercado interno?

    Sorry, mas você vai esperar deitado.

    Por outro lado, e ironicamente, a forma mais garantida de fazer essa reforma interna é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.
  • Minarquista  17/02/2017 19:10
    Caro Caio

    Só o fato de você classificar as pessoas em brasileiros e estrangeiros, já é estranho...
    Até onde sei, todas as pessoas têm os mesmos direitos. Este é um princípio moral muito básico.
    As linhas imaginárias chamadas fronteiras não são motivo para discriminar ninguém. Assim, uma pessoa que esteja na China tem exatamente o mesmo direito de me vender uma mercadoria do que alguém que more em São Paulo.
    Ou seja: a questão das barreiras alfandegárias não passa pelo primeiro crivo: o moral. Então a conclusão imediata é que não podem haver barreiras alfandegárias. E, se elas existem, têm que ser eliminadas imediatamente, doa a quem doer.
    Ah! Mas isso vai causar o caos! Ótimo! Essa dor é o motivador da transformação. Se ficarmos esperando as reformas trabalhistas e fiscais, para depois acabarmos com as barreiras alfandegárias, vamos ficar imobilizados para sempre.
    A abertura comercial do Brasil vai deixar imediatamente evidente onde a conta não fecha; o que é preciso transformar. Vai ser um chute no traseiro dos empresários, dos políticos e da sociedade. Esse chute é necessário. Muitas das vezes, um pé na bunda te empurra para a frente...

    []s
  • anônimo  18/02/2017 00:06
    Os impostos para produtos importados são os impostos nacionais multiplicados por até 7 vezes.

    Além disso, seria bizarro ver um empresário brasileiro concorrendo com um chinês, sendo que o imposto de renda na China é 14% menor, a legislação trabalhista é menor, não tem carnaval, etc. Os asiáticos estudam 5 vezes mais do que os ocidentais.

    Enfim, precisamos arrumar a casa, antes de dar uma de louco querendo competir com o superman.

    O parque fabril brasileiro só tem sucata. Assim não pode. Assim não dá.

  • carlos  20/02/2017 04:08
    Então devemos ficar como estamos? Parados no tempo....
  • João Domingues   17/02/2017 14:21
    Fantástico artigo!
  • Henrique Zucatelli  17/02/2017 14:30
    Desculpem, porém este artigo também possui um erro causal. Ele dá um tom muito negativo ao empresário como um sujeito preguiçoso que vai chorar no colo do governo ANTES do governo estupra-lo. E não é bem assim.

    Quem me conhece aqui no IMB sabe que sou pró mercado 100%, pró moeda forte, pró liberdade. E o que vou relatar é real, e não simplesmente boataria.

    Sobre as nuances dos mercados e o eterno dilema entre produção e gostos, a maioria dos empresários sérios está acostumada a brigar, acompanhar e atender o gosto dos clientes. Aliás a grande reclamação de quase todos os meus colegas empresários (inteiros ou falidos) é contra os IMPOSTOS, e não contra os importados.

    Para quem não conhece como funcionam as coisas no Estado Brasileiro (e muitos outros progressistas), eu explico:

    - O industrial começa a tomar pancada dos concorrentes estrangeiros com produtos similares em tudo, e até mesmo inferiores, porém por questões tributárias em seus países, acabam se tornando mais baratos.

    - Ele chega ao congressista e grita: "Ei, vamos quebrar pois os impostos estão muito altos para produzirmos. Abaixem os impostos!"

    - Congressista vocifera: "Jamais! Temos um Estado de bem estar social para manter. Escolas, creches, hospitais, polícia, tribunais, todo o corpo administrativo, e nós mesmos. Impossível de fazer isso".

    - Industrial responde: "Então vamos fazer algo que vai ficar bom para ambas as partes: aumente os impostos de importação e crie barreiras alfandegárias custosas. Além de nos deixar felizes, vai crescer a arrecadação, deixando VOCÊS bem mais contentes, que tal?"

    - Congressista responde: "Muito bem meu jovem. Será feito."

    Passam-se alguns anos e o mesmo industrial volta chateado ao congressista e fala: "Não é possível. Eles inventaram algo muito melhor lá fora e não temos como concorrer. Precisamos agir rápido para proteger nosso mercado."

    Congressista rebate: "Alguma ideia meu jovem?"

    Industrial empolgado: "Sim, muitas! Podemos começar dando preferências a empresas nacionais para fornecimento em projetos estatais, criando conteúdo mínimo ou até mesmo proibindo empresas estrangeiras de atuar aqui. Podemos também aumentar o controle sobre patentes e desenhos industriais, fazendo com que antes que um produto estrangeiro chegue, já possamos impedir a venda, garantindo... os empregos."

    Congressista negocia: "Gostei das ideias meu jovem. Mas para isso terei que dar contra partida aos meus colegas. Eles não vão aprovar essas leis assim sem um... incentivo."

    Industrial firme na resposta: "Já pensei nisso também meu mestre. A cada lei e cada projeto em nosso favor, iremos separar um percentual para cada um de vocês, e o Sr. será o operador, claro, tendo mais vantagens.

    Congressista sorri: "Muito bem meu jovem. Você já pensou em entrar para a política?"

    Se vocês pensaram em Maluf, Skaf e outros, nao é mera coincidência.

    É assim que funciona a bagunça que estamos vivendo. O problema todo está no ente que tem o monopólio do esbulho. Se ele não existisse, ou fosse menor ao ponto de não poder mais crescer pela descentralização Hoppeana, nada disso aconteceria. E de fato não acontece em dezenas de países como Hollanda, Suíça, Cingapura, Hong Kong entre outros.

    Estado gigante, progresso medíocre.
  • Libertário sem mimimi  17/02/2017 14:50
    Eu, hein? O Zucatelli falou que ia mostrar um erro, mas a única coisa que ele fez foi comprovar que estado e empresários fazem conluio para ferrar o consumidor!

    Duh, o que mais tem neste site são artigos exatamente sobre isso.

    Eis o que vale ser ressaltado: tanto a Escola Austríaca quanto a filosofia libertária não são teorias pró-empresa ou pró-empresários. Elas são teorias pró-livre concorrência e pró-liberdade de escolha (soberania do consumidor).

    O estado também ferra empresários com seus tributos e regulações? Claro que sim. isso significa que esses empresários devem se aliar ao governo para, em um jogo de toma-lá-da-cá, empurrarem toda a fatura para os consumidores?

    O Zucatelli acha que sim (direito dele), os outros libertários acham que não.

    O estado ferra várias empresas? Sem dúvida, mas isso não é justificativa para acabar com as liberdades do indivíduo (e suas decisões de consumo).

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina
  • Zimbres  17/02/2017 15:25
    Mais uma vez concordo com o Zucatelli.
  • Maurício Gonçalves  17/02/2017 15:43
    Você concorda com conchavos entre empresários e políticos, reservas de mercado, cotas de conteúdo nacional e tarifas de importação como forma de "contornar" os efeitos do livre comércio sobre empresas nacionais?!

    Foi exatamente isso que o Zucatelli defendeu acima (justificando que ele é empresário sufocado por impostos).

    Se sim, então meu caro você está no site errado. Pelo visto, você ainda não entendeu absolutamente nada do que é defendido aqui.

    Essa política defendida pelo Zucatelli é idêntica -- sem tirar nem pôr -- àquela implantada pelo governo Dilma.

    Ver sedizentes libertários dizendo que tal arranjo é "compreensível" e "defensável" é o fim da picada. Vocês estariam mais bem atendidos no site da Carta Capital ou na equipe econômica de Ciro Gomes.


    P.S.: qual seria a sua refutação ao que disse o leitor "Libertário sem mimimi" em resposta ao Zucatelli?
  • Magno  17/02/2017 15:48
    Repetidas vezes alguns leitores já chamaram a atenção para a presença de "libertários de repartição pública" na seção de comentários do IMB. São os funcionários públicos que se dizem libertários mas que vivem à custa do dinheiro espoliado pelo estado dos pagadores de impostos. Ou seja, são hipócritas. Criticam o estado, mas vivem à custa do esbulho dele. Não largam a teta por nada.

    Estamos agora descobrindo os "libertários pró-reserva de mercado e pró-mercantilismo". São aqueles libertários que dizem que, dado que o estado espolia empresários, então é justo ele dar uma contrapartida: fechar o mercado para esses mesmos empresários, proibindo o indivíduo de exercer sua liberdade de comprar produtos estrangeiros livremente sem ter de pagar um arrego para a máfia.

    Vivendo e aprendendo.
  • Rico Goiano  17/02/2017 16:38
    Gosto muito dos comentários do Zucatelli, mas devo confessar que daquele ali em específico eu não entendi nada. Ele realmente deu a impressão de estar defendendo protecionismo e conchavo entre empresários e governo como forma de arrefecer os efeitos negativos dos impostos e das regulamentações criadas pelo estado.

    O indivíduo consumidor, no entanto, ficou completamente de fora da análise. A ele restou apenas proibições e tolhimento de sua liberdade de escolha.

    A pergunta é: por que eu devo ser proibido de importar carros baratos da Alemanha ou tecidos da China só porque o estado tributa muito as montadoras e indústrias nacionais? Eu só poderei ter essa liberdade após o estado parar de tributar essas empresas? Mas e se isso nunca acontecer?

    E se, como bem disse o leitor Flávio Araújo acima, a forma mais garantida de fazer essa reforma interna rapidamente seja justamente liberalizando o comércio exterior?
  • Um observador  17/02/2017 16:46
    Maurício e Libertário sem mimimi

    Por gentileza indicar o trecho do comentário do Zucatelli em que ele diz que "empresários devem se aliar ao governo para, em um jogo de toma-lá-da-cá, empurrarem toda a fatura para os consumidores" ou onde defende "conchavos entre empresários e políticos, reservas de mercado, cotas de conteúdo nacional e tarifas de importação como forma de "contornar" os efeitos do livre comércio sobre empresas nacionais".

    Depois que verificarem que ele não diz isso em lugar algum, por favor indicar a linha de raciocínio que vocês adotaram para concluir que ele quis dizer isso indiretamente.
  • Humberto  17/02/2017 17:05
    É fácil.

    É só olhar a lógica que ele voluntariamente escolheu para expor o raciocínio dele.

    Primeiro ele começa falando que o artigo comete um "erro causal" ao condenar a postura protecionista de alguns empresários. O artigo atacou a postura protecionista de alguns empresários e isso, segundo o Zucatelli, estaria errado.

    (Ele falou explicitamente que isso seria um "erro causal", o qual "dá um tom muito negativo ao empresário").

    Muito bem. Por que seria um "erro causal" do artigo atacar empresários protecionistas?

    Zucatelli não explicou diretamente. Ao contrário: ele começou a relatar -- de maneira -- como se dá o conluio entre estado e empresários; como estes se aliam para defender seus interesses e ferrar o consumidor.

    E conclui dizendo que, atenção!, se o estado não existisse nada disso aconteceria.

    Ok, mas isso não é justificativa. Afinal, dado que o estado existe e dado que empresários protecionistas recorrem a ele para fechar o mercado, onde exatamente está o "erro causal" do artigo ao dar "um tom muito negativo ao empresário" que recorre ao estado para defender sua reserva de mercado?

    Se o próprio Zucatelli reconhece que empresários recorrem ao estado para defender sua reserva de mercado, mas critica quem condena esse arranjo (dizendo ser um "erro causal" que dá um "tom muito negativo ao empresário protecionista"), então, por uma questão de lógica, ele defende esse arranjo como sendo, no mínimo, um "mal menor" ou um "mal inevitável".

    Questão de lógica.
  • tales  17/02/2017 17:25
    Ele só quis dizer que o empresário, para ser bem sucedido no Brasil tem que, quase que obrigatoriamente, se aliar com o estado de algum jeito.
    Evidentemente que há empreendedores que abrem suas empresas pensando já no estado como sócio, mas a maioria vai se aliar com o estado justamente para não morrer. Isso é factual, sem juízo de valor.
  • Magno  17/02/2017 17:33
    Beleza. Mas por que então seria errado criticar esses empresários que pedem para o governo para fechar o mercado, acabando com a liberdade de escolha do indivíduo?

    Esse é o ponto. O Zucatelli diz que é errado criticar esses empresários que pedem para o governo fechar o mercado. Segundo ele, isso é um "erro causal" que dá um tom muito negativo ao empresário protecionista.

    Gostaria de saber por que é errado. Só isso.
  • Um observador  17/02/2017 18:09
    Magno,

    Acho que ele deixou bem claro o que quis dizer com "erro causal": na opinião dele, o texto dá a entender que o empresário é um sujeito preguiçoso que pede ao governo para fechar o mercado. E na opinião dele isso é um erro causal porque, ainda na opinião dele, quem causa essa situação é o governo - que primeiro coloca impostos elevados e todo o resto e assim acaba com a competividade do empresário - que só então vai chorar e pedir pra fechar o mercado. É uma questão de causa e efeito.

    Ele não disse que é errado criticar os empresários que pedem o fechamento do mercado. Faça um releitura honesta e você verá isso.

    Mas enfim, estou aqui falando isso porque não gosto quando o pessoal libertário sai fazendo interpretações forçadas e vendo inimigos onde eles não existem (e isso é algo que infelizmente acontece bastante aqui nos comentários do IMB). Melhor deixar o próprio Zucatelli se manifestar.
  • Magno  17/02/2017 18:35
    "na opinião dele, o texto dá a entender que o empresário é um sujeito preguiçoso que pede ao governo para fechar o mercado."

    O texto se refere -- e mesmo assim apenas na primeira parte -- ao empresário protecionista que pede para o governo fechar o mercado e, com isso, tolher a liberdade de escolha dos consumidores.

    O texto em momento algum fala "que todo e qualquer empresário é um sujeito preguiçoso". Ele fala exclusivamente dos empresários protecionistas que estão vendo seus produtos deixarem de figurar na lista de preferências do consumidor e que, por isso, defendem medidas autoritárias. Esses são totalitários e foram devidamente criticados. Não há nenhuma generalização no texto para "todos os empresários".

    Ao generalizar dessa maneira, você está complicando a situação do Zucatelli.

    "E na opinião dele isso é um erro causal porque, ainda na opinião dele, quem causa essa situação é o governo - que primeiro coloca impostos elevados e todo o resto e assim acaba com a competividade do empresário - que só então vai chorar e pedir pra fechar o mercado. É uma questão de causa e efeito."

    Correto. E isso ainda não responde: por que seria um "erro causal" criticar empresários que recorrem ao governo pedindo para que a liberdade de escolha do consumidor seja tolhida? Por que tal crítica daria um "tom muito negativo" ao empresário protecionista?

    Foi exatamente isso o que ele falou.

    Esses empresários que fazem isso -- pedem para o governo fechar o mercado para garantir suas receitas -- são coitadinhos?

    "Ele não disse que é errado criticar os empresários que pedem o fechamento do mercado. Faça um releitura honesta e você verá isso."

    Ele disse que é um "erro causal" criticar esses empresários protecionistas, pois isso dá "um tom muito negativo" a esses empresários protecionistas.

    Eu não estou inventando isso, não. Confira lá e veja que foi exatamente isso que ele falou.

    "Mas enfim, estou aqui falando isso porque não gosto quando o pessoal libertário sai fazendo interpretações forçadas e vendo inimigos onde eles não existem"

    Na verdade, é exatamente essa que é a parte boa. Vez ou outra surgem artigos aqui que servem para desentocar os infiltrados, separando os genuínos defensores da liberdade dos defensores apenas ocasionais.

    Vários artigos anti-Trump já fizeram isso. Artigos sobre drogas também fazem isso. Agora, confesso que para mim foi uma ingrata surpresa ver libertários pedindo "moderação" na crítica ao protecionismo e a empresários mercantilistas. Por essa eu realmente não esperava.

  • Minarquista  17/02/2017 19:31
    Olá Henrique

    O autor usa muito mais o termo "protecionista" do que "empresário". Quase todas as pessoas que conheço são protecionistas, apesar da maioria não ser de empresários. Quase todos os meus amigos "são contra" a abertura comercial total. Assim, eles se dizem "a favor" dos empregos nacionais. A ideologia nacionalista/protecionista está em toda a sociedade.
    Não creio que o autor tenha jogado a culpa desse ideologia nos empresários.
    Então não se trata aqui de achar um culpado, mas de corrigir os erros lógicos das ideias protecionistas. O principal erro é de lógica moral:
    Todas as pessoas têm os mesmos direitos. Uma pessoa do Vietnan tem tanto direito de me vender algo quanto uma pessoa do Brasil. Ou seja: as barreiras comerciais não podem ser adotadas, mesmo que a maioria seja "a favor". Essa é uma questão de lógica (aliás, simples) e, portanto, não pode ser objeto de votação democrática. Seria como pôr em votação se 2 + 2 = 5... O debate deveria acabar aqui. Quando uma proposta não passa no crivo moral (primário), ela já está descartada automaticamente.

    []s
  • Henrique Zucatelli  17/02/2017 21:49
    Calma lá pessoal! Abaixem as armas. Eu acho que por ter escrevido de forma apressada (para variar), alguns colegas não entenderam o ponto.

    Vejam bem, quando eu denoto o erro causal (não confundir com casual), estou me referindo a causalidade, ou seja, a raiz do problema, que é justamente o Estado.

    No começo do meu comentário quis demonstrar que em países como o Brasil o problema começa no Estado espoliando o empresário, e que a luta de muitos amigos, inclusive a minha, é por ABERTURA COMERCIAL TOTAL, MOEDA FORTE e SUBSÍDIO ZERO.

    E a ilustração que fiz foi justamente para demonstrar que quem tem o chicote na mão (o Estado no caso) só aceita sugestões que lhe convém, nada mais. E que alguns empresários justamente jogam no ponto do protecionismo etc, para manter seus mercados protegidos.

    Eu acho isso correto? NÃO.

    Faria isso? NÃO.

    Aliás sou um dos mais ferrenhos defensores de economia livre e moeda forte onde, aqui ou debaixo dágua. Nem de patentes eu gosto.A atitude incorreta do empresário só existe pois um Estado monopolizador de decisões está lá apontando seus canhões para quem se revoltar contra ele.

    Espero que agora fique claro que eu em momento algum mudei minhas bases. Somente deixei claro que - novamente - A CAUSA não é o empresário, mas em si ele é a primeira vítima dos desmandos do Estado.

  • Wesley  17/02/2017 15:03
    A questão do livre comércio não é uma questão puramente econômica e sim política. Os consumidores não tem poder politico para bater de frente com os barões da industria nacional e nem os sindicatos pelegos. Eles não vão permitir que os consumidores tenham a liberdade para escolher os produtos estrangeiros, pois pagam propinas a políticos para que os consumidores sejam obrigados a comprar as porcarias brasileiras. A última alternativa seria o boicote. Mas o brasileiro aceita pagar ridiculamente caro pelos produtos daqui e jamais realizariam um boicote aos barões da industria.
  • Pobre Paulista  17/02/2017 16:06
    Com exceção dos "serviços" prestado pelo governo, você não é obrigado a comprar nada.

    Agora, se tem gente que paga R$60.000 num carro popular zero, não há boicote que resolva. E digo mais: Queria EU estar vendendo plástico a 60K, já que tem maluco que compre.
  • Wesley  18/02/2017 02:28
    Tu és um inocente. É possível boicotar o governo também e os seus serviços. O que o governo vai fazer se a maioria da população decidir parar de pagar o IPTU, IPVA e Imposto de Renda? Esse dinheiro é necessário para que o governo funcione e ofereça os serviços dele. O que o governo vai fazer? Via prender todo mundo? Obviamente eles não poderiam fazer nada. Mas o brasileiro é um povo de péssima qualidade moral. As pessoas aceitam pagar 40K numa carroça motorizada e ainda sonha em ser um funcionário público. Como esperar que um povo assim faça boicote contra essa exploração se ele quer também ser um explorador?
  • Pobre Paulista  18/02/2017 14:52
    [i]É possível boicotar o governo também e os seus serviços[i] ?? Então experimente não pagar imposto de renda.

    Aliás, nem precisa disso. Vá ao mercado comprar qualquer coisa, mas diga que você se recusa a pagar seus impostos. Veja se seu boicote funciona ou não.

    E se por ventura você for alvo de algum processo judicial, diga ao oficial de justiça à sua porta que você está boicotando o poder judiciário. Mas me chame antes, eu quero assistir como isso termina.
  • marcela  17/02/2017 16:25
    Tudo isso é um grande absurdo. Se uma pessoa quiser comprar um carro no exterior, irá pagar pesados impostos e esperar alguns meses para conseguir. Se isso não é opressão, eu não sei mais o que seja. Mas não dá pra sentir pena do povo brasileiro, no fundo eles gostam dessa situação de opressão. Se colocarmos um libertário em horário nobre, falando que o estado é uma quadrilha, que imposto é roubo e que agências reguladoras são máfias, com certeza ele não será levado a sério, certamente será ridicularizado ou até mesmo taxado de louco. Um povo alienado tem como destino viver como gado em um país comandado por burocratas corruptos e incompetentes. E a partir do momento em que youtubers como Porta dos Fundos, Cauê Moura, Felipe Neto e Kéfera tem mais audiência que o IMB, eu perco não apenas a esperança em uma revolução Anarcocapitalista, mas até mesmo a fé na humanidade.
  • tales  17/02/2017 17:34
    Não perca a fé na humanidade, marcela. Tenho certeza que uma imensidão de pessoas tem inclinações libertárias, elas apenas não sabem disso. Talvez ir na televisão e falar a verdade não seja o melhor caminho, mas compare, por exemplo, o alcance das ideias libertárias hoje em relação a 10 anos atrás. Quem imaginaria tamanha evolução? Não há atalhos, é um trabalho de formiguinha. Este Instituto já faz muito pelos ideais de liberdade, e é dever moral dos libertários disseminar por aí as lições aprendidas durante os anos de estudo. Não desanime.
  • Maurício Saraiva  18/02/2017 16:08
    Creio que os membros do IMB não são anarquistas. Não falam na extinção dos impostos, mas na sua limitação razoável para a manutenção das funções básicas do Estado. Quanto às tarifas comerciais sobre importação, elas só podem ser chamadas de protecionistas se superam o que se cobra no mercado interno. Não se trata, portanto, da defesa do fim de todas as tarifas, mas apenas de não usá-las como política protecionista. Duvido que Mises tenha escrito uma única linha sobre a "extinção dos impostos". Essa clareza de princípios é bom para delinear as posições do liberalismo, pensamento que norteia, creio, o IMB.

    Falo disso porque muitos visitantes deste site são anarquistas, e as discussões se perdem em comentários fora do contexto, como eventuais "estratégias para a destruição do Estado". Basta dizer que, do ponto de vista liberal, sem algumas instituições básicas do Estado, como tribunais, propriedade privada e garantias individuais, não existe sequer um sistema capitalista - mas isso é ponto pacífico para qualquer liberal-democrata.
  • Pobre Paulista  19/02/2017 00:23
    Não se esqueça que "impor uma agenda de destruição do estado" não passa de uma agenda autoritária, completamente contrária ao livre-mercado. E se o mercado quer ter um estado, como ficamos?

    Obs: Eu não quero.
  • Adriel Duarte  17/02/2017 18:02
    "Ao mudarem suas preferências, consumidores determinam quem se mantém no mercado e quem tem de sair" (...)

    No primeiro semestre de qualquer curso de economia, o estudante se depara com algumas questões, bem como: "As varáveis que afetam a demanda", tais como: Renda, preços de outros bens substitutos, fatores climáticos e sazonais e etc, ocorre que num mundo altamente "midiático" como esses, o fator de maior relevância no que se refere à demanda é a "propaganda". Ora, os consumidores não mudam seus hábitos de forma espontânea, os gostos são empurrados 'goela abaixo'. Quem detém o poder econômico, conseguirá expor seus bens em diversas mídias, e mudará os gostos e preferências dos "consumidores". Se qualquer artista, cantor ou jogador de futebol começar a usar um determinado tipo de roupa, no dia seguinte uma legião de "fãs", ou, num termo mais atual, "seguidores", usarão a reboque. Em suma: Consumidores não decidem absolutamente NADA, são, em sua maioria, uma massa que copia tudo que vê nas mídias, é claro que existem empreendedores que criam soluções reais para o mundo, mas daí dizer que os consumidores "decidem" alguma coisa no processo produzido, é em si uma divagação.

    Outra questão é, como o poder econômico influencia o processo científico. Como descrito nesse artigo (journals.plos.org/plosmedicine/article?id=10.1371/journal.pmed.1001578) de uma revista de medicina, empresas como Pepsi e Coca-Cola pagam milhões para financiar pesquisas que digam o que elas querem: "Bebidas açucaradas não fazem tanto mal". Dessa forma, não é o consumidor que decide, é o poder econômico, são as grandes organizações que, pelo seu imenso poder econômico, angariam poder político.

    Não estou dizendo que isso é ruim, apenas expondo um fato.
  • Oftalmo  17/02/2017 18:19
    "Ora, os consumidores não mudam seus hábitos de forma espontânea, os gostos são empurrados 'goela abaixo'. Quem detém o poder econômico, conseguirá expor seus bens em diversas mídias, e mudará os gostos e preferências dos "consumidores".[...] Consumidores não decidem absolutamente NADA, são, em sua maioria, uma massa que copia tudo que vê nas mídias."

    Se eu li isso, significa que eu não estou cego. Já é um bom sinal...

    Aliás, veja que legal: se isso realmente fosse verdade, então até hoje as pessoas estariam utilizando máquinas de escrever. Afinal, bastaria a Olivetti (muito famosa e rica) fazer propagandas. Mais: nenhuma empresa nacional jamais teria problema de demanda, já que basta "fazer propaganda" para empurrar "goela abaixo" seus produtos nos consumidores. Pronto, problema resolvido.

    Na mesma toada, ninguém jamais compraria absolutamente nenhum produto chinês. Qual foi a última vez que você viu um chinês na televisão fazendo propaganda de um produto seu? No máximo, eu já vi uns dois comerciais da JAC (carros). Mas raramente vejo JACs na rua.

    Essa ideia de que propaganda gera um exército de consumidores sem vontade e "massa de manobra" não só é uma das mais ignaras que eu já vi, como também não encontra qualquer comprovação empírica.

    O mais próximo que eu já vi disso é a propaganda boca a boca feita por usuários satisfeitos. Cabe agora a você comprovar que estes usuários -- conhecidos meus -- eram na verdade agentes disfarçados a soldo das grandes corporações.

    Cada um...
  • Adriel Felipe  17/02/2017 19:32
    Oftalmo,

    Não seja tão rude com meu xará, pois ele deve conhecer o lugar onde só de fazer uma propaganda os consumidores são obrigados a comprar nossos produtos. Tem um punhado de lama aqui onde eu moro, vou investir num marketing ferrenho para vendê-las e ficar rico. Se você fosse mais legal com ele poderia conseguir descobrir onde isso acontece.
  • Paulo Henrique  17/02/2017 18:59
    Coisas que geram emprego no Brasil (para alguns privilegiados, é claro)

    sintesirj.org.br/portal/v1/

    Sindicato dos trabalhadores de Sindicatos

    Quase um inception
  • boca_aberta  17/02/2017 21:57
    Estou de boca aberta, nunca imaginei que uma coisa dessas seria possível... isso é um stack overflow
  • Kantynho  17/02/2017 19:05
    Antes de "liberar geral", contudo, acredito ser importante desburocratizar geral. Senão nunca teremos como provar se somos ou não capazes de produzir produtos bons, baratos e competitivos.
  • Miscellaneous  17/02/2017 19:11
    Não. Isso nunca vai acontecer.

    A forma mais garantida de garantir uma desburocratização é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.

    O estado ferra várias empresas? Sem dúvida, mas isso não é justificativa para acabar com as liberdades do indivíduo (e suas decisões de consumo).

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina
  • GJ  17/02/2017 19:07
    Concordo. Mas, em um país de livre mercado, como se proteger da pratica de dumping de outros países?
  • Oscar  17/02/2017 19:16
    Qual o problema do dumping?

    Em primeiro lugar, mesmo no caso extremo de algum país estar sendo tolo o suficiente para nos ofertar produtos a preços realmente abaixo de custo, o certo seria que corrêssemos para aproveitar tal oportunidade, antes que os bobos de lá caíssem em si.

    Se, por exemplo, a China, por pura extravagância, resolver inundar o mercado brasileiro com calçados bons e gratuitos, deveríamos, como consumidores, agradecer a barganha e aproveitá-la enquanto possível. Enquanto não chegar o dia -- inevitável -- em que as empresas chinesas irão falir e consequentemente cancelar essa política maluca, os 'compradores' e consumidores brasileiros só terão a ganhar com essa oferta generosa.

    Dumping equivale a receber presentes praticamente gratuitos de estrangeiros. Por que isso seria ruim?

    O dumping só prejudica aquele que o pratica; ele sempre beneficia aquele a quem se destina.
  • Alexandre  17/02/2017 19:22
    Quem teme o livre comércio?
    Os ineficientes
    Os que se beneficiam de monopólios
    Os que usam o estado para manter "mercados cativos"
    Os que querem trabalhar com margens altíssimas por não ter concorrência
    Os corruptos
    Os que não investem em tecnologia e gestão
    Os que não sabem se posicionar no mercado
    Os políticos.
  • Empreendedor Frustrado  17/02/2017 19:23
    Fico assustado com os preços das coisas no Brasil. Estava procurando uma certa câmera reflex na internet, e deu assim:

    Ebay: U$ 300,00.
    BR: R$ 5.000

    Também já pensei em abrir um negócio focado na fabricação de clones de Arduino e shields em geral, alguns que eu projetei e não existem, embora haja uma demanda enorme, mas graças ao nosso glorioso, mais que soviético e draconiano imposto de importação de 60%+ICMS local, o capital inicial requerido para o meu negócio seria altíssimo, e olha que nem considerei as etapas burocráticas e registros que não tenho a mínima ideia do que precisaria ser feito para a coisa ser "legal".

    Como o negócio estaria iniciando, eu venderia os produtos com preços bem menores. De fato, se fosse possível importar tudo de Shenzhen sem impostos, mesmo com o câmbio no patamar atual, o custo individual seria irrisório, mas enfim.

    Sem essas amarras, eu poderia complementar a minha renda trabalhando para mim mesmo. O governo se intrometeu e quer ser o meu sócio de qualquer maneira.

    E cobra caro, muito caro por isso.

    Estatistas não fabricam, e se forem importar, pagam as taxas de boa fé "em nome da proteção da indústria nacional", e da destruição da iniciativa de quem queria começar a fazer dinheiro e vender produtos a preços mais realistas.

    Foda-se o Estado, porque desde que comecei a pesquisar sobre liberalismo, estou convicto como rocha de que contrabando é autodefesa.
  • Marcelo Silva  17/02/2017 19:30
    Isso não é nada. O meu ramo, oftalmologia e optometria, é protegido para ninguém, pois não tem fabricantes nacional. Mas as tarifas de importação são violentas.

    Precisei comprar um oftalmoscopio wellch&allyn. Nos EUA, 300 dólares; aqui 3.200 reais.

    E não existe um mísero fabricante nacional. A proteção se dá para os fornecedores de peças de reposição da indústria de ótica.

    Um autorefrator que custa 2.500 dólares nos EUA chega a 35 mil reais no Brasil. Comprei o meu seminovo por 15 mil reais com um ano de uso de um amigo que fechou o consultório.

    Parece que o objetivo é lascar quem tem problemas de visão porque não vejo razão minimamente racional pra fazerem isso.
  • Carlos Neto  17/02/2017 23:08
    confesso que por muito tempo cai no golpe...

    o texto é excelente, como tantos outros do Mises.

    Basta olharmos para os melhores países do mundo. Economias abertas, lefgislações MUITO simples e práticas, burocracias de menos...
  • anônimo  17/02/2017 23:59
    Quem já visitou países mais livres, pôde perceber que a quantidade de produtos é muito maior. É uma farra capitalista com excelentes benefícios à população.

    Em Cingapura tem tantas marcas de sorvete no supermercado, que o sorvete mais caro do mundo custa 17 pratas. Restaurantes tem de todo tipo, começando em 5 pratas por quase um quilo de yakissoba com 20 ingredientes.

    Enquanto um pobre de Cingapura come quase 1 quilo de yakissoba por 5 dólares, o equivalente no Brasil seria duas coxinhas secas.

    O choque de concorrência sempre ajudou os mais pobres. Esse protecionismo é coisa de criminoso.

  • Ivan Andrés Saavedra Peralta  18/02/2017 00:43
    Tenho 46 anos e já fui empresário no Brasil. Trabalhei muito tempo no comércio para saber que no Brasil a maioria da população compra o que cabe no seu bolso. Portanto, a decisão de compra da maior parte da população se baseia em preço final ao consumidor. Não existe na prática comercial essa ideia ingenua dos defensores do livre comércio de que um produto deixou de ser comprado porque os consumidores decidiram não comprá-lo. O consumidor básico pertencente às classes trabalhadoras quer qualidade mas o preço é o que faz a decisão ser tomada. O consumidor não é assim tão livre como acreditam os que pensam que os consumidores tem a "liberdade" absoluta de decidir. O tamanho dessa liberdade depende do tamanho do salário e o Brasil é um dos países mais desiguais nesse assunto em todo mundo. O fato é que quando se compra um produto importado, na realidade prática se está pagando para que ele seja produzido fora do Brasil, não porque o que vem de fora é melhor em qualidade, mas porque custa mais barato ao industrial produzir na India ou na China do que no Brasil, onde a carga tributária é altíssima e inviabiliza a produção de muitos produtos que poderiam em tese ser produzidos aqui, mas que são produzidos lá fora para que o custo final ao consumidor seja mais barato.
    Isso é a definição prática de ser competitivo: vender mais barato que os seus concorrentes. O problema é que quando se compra um produto importado se está apoiando diretamente a criação de empregos fora do Brasil e a sua consequente eliminação aqui no nosso país. Isso é lógica pura e óbvia baseada nos fatos reais. O que este artigo afirma é um conjunto de ideias semelhantes a uma religião, ou seja, é preciso crer nessas afirmações para que elas se tornem verdadeiras. A verdade deve vir diretamente dos fatos. E o fato essencial em questão é: comprar produto importado é gerar empregos fora do Brasil e possivelmente eliminar empregos dentro do Brasil. A não ser que o produto não possa ser produzido no Brasil por falta de matéria-prima ou Know-how.
  • Arduíno  18/02/2017 01:39
    "a maioria da população compra o que cabe no seu bolso"

    "a decisão de compra da maior parte da população se baseia em preço final ao consumidor"

    "O consumidor básico pertencente às classes trabalhadoras quer qualidade mas o preço é o que faz a decisão ser tomada."


    Prezado Ivan, será que você não percebeu que tudo isso que você falou são demonstrações práticas de preferência do consumidor?!

    Sim, quem compra algo porque é mais barato está claramente fazendo uma escolha; está claramente demonstrando uma preferência. Tal pessoa está demonstrando sua preferência em comprar aquilo que "cabe no seu bolso". Isso é um comportamento racional. Isso é uma preferência demonstrada.

    Sem querer, você acabou comprovando todo o ponto do artigo.

    Quando se diz "preferência", não se está falando em "capricho", mas sim em escolha racional. E você acabou de confirmar que é exatamente assim.

    "O consumidor não é assim tão livre como acreditam os que pensam que os consumidores tem a "liberdade" absoluta de decidir."

    Claro que não são. O estado não deixe. Destrói o poder de compra da moeda e ainda fecha o mercado para as importações para proteger alguns empresários com conexões políticas.

    Sobra ao coitado consumir aquilo que "cabe em seu bolso". E, ao fazer isso, ao ser seletivo em relação ao que consumir e ao que não consumir, ele está demonstrando sua preferência.

    "quando se compra um produto importado se está apoiando diretamente a criação de empregos fora do Brasil e a sua consequente eliminação aqui no nosso país. [...] comprar produto importado é gerar empregos fora do Brasil e possivelmente eliminar empregos dentro do Brasil."

    De novo, e involuntariamente, você comprovou exatamente a crítica do artigo. Mas foi exatamente. Como o autor acertou...

    Sei que você não vai responder, mas fica aqui a pergunta: por que os 10 países que são mais abertos às importações são os que têm as menores taxas de desemprego? Confira a tabela.

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2507

    Os países mais abertos ao comércio internacional não apenas não têm problemas de emprego, como também são, em média, 5 vezes mais ricos do que aqueles que decidem impor travas e barreiras à liberdade de seus cidadãos de importarem bens do exterior.

    A lógica é direta: tarifas são impostos sobre vendas que se aplicam a bens estrangeiros. As empresas estrangeiras são tributadas para que suas concorrentes domésticas — que são isentas desta tributação — possam livremente aumentar seus preços de maneira generalizada.

    Tendo agora de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais estarão incapacitados de consumir mais e de investir mais. A restrição às importações e a reserva de mercado criada por ela faz com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida.

    E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia.

    Assim, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas.

    Logo, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.

    Exatamente o cenário brasileiro atual.

    Adicionalmente, tarifas protecionistas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos. Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade.

    Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivos e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente.

    Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações também tendem a declinar. E estimular exportações era exatamente uma das intenções do protecionismo.

    De novo, esse é exatamente o cenário brasileiro.

    Tarifas são imorais, anti-humanas e anti-econômicas, e servem apenas para garantir a reserva de mercado dos incompetentes.
  • Assaltado pelo Governo  18/02/2017 13:52
    Ivan,

    Você reclama do poder de compra limitado, sendo que esse é o principal problema do protecionismo. Quem reduz o poder de compra é o protecionismo. Produtos mais caros fazem as pessoas comprarem menos. Quanto mais concorrência, mas empregos serão gerados.

    Como você explica a economia de Cingapura ?

    Eles produzem 5% do que consomem e importam 95%. Mesmo com esse nível extremamente elevado de importações, eles exportam mais do que o Brasil. Enquanto o Brasil exporta 15 bilhões de dólares por mês, Cingapura exporta 23 bilhões por mês. O grande volume de exportação de Cingapura é produzido apenas pelas indústrias petroquímicas e de circuitos integrados.

    Qual impacto a importação teve ?

    Essa história de protecionismo é bizarra. Quem vai escolher um lugar com mais impostos, só porque possui protecionismo ? Quem produz nesses países só está interessado no mercado local, que sempre vai oscilar por conta da inflação.

    O livre mercado sempre vai atrair empresas. O limite do livre mercado é a concorrência. Chega um momento que não há como baixar os preços.
  • rlpda  20/02/2017 17:20
    Leia Bastiat meu caro, em especial "a vidraça quebrada". Todo capital que antes era empregado numa indústria ineficiente, agora passa a poder ser empregado para atender outras demandas dos consumidores. E sim, elas existem e sempre existirão! Portanto "o fato essencial em questão é: comprar produto importado é gerar empregos fora do Brasil e possivelmente eliminar empregos dentro do Brasil" QUE SERÃO RECRIADOS tão mais rapidamente quanto mais o ambiente local for livre para entrada de novos empreendedores.

    Querendo fatos você os encontra. Veja o artigo www.mises.org.br/Article.aspx?id=2260
  • Júlio César  18/02/2017 01:20
    Excelente percepção, a respeito do protecionismo. E isso sim é p tipo de totalitarismo que deve ser extinguido sem piedade.

    Mas, seria interessante também pensar nisso como uma questão de estratégia. Se o que dificulta a competitividade da produção brasileira é o Custo Brasil, então que se trate de resolver urgentemente esse problema. E, talvez, uma alternativa seja justamente abrindo o mercado para a entrada de produtos estrangeiros. É engraçado que há anos se usam as deficiências do Brasil como um pretexto para justificar o fato de a economia brasileira ser tão fechada, mas nunca combatem os reais causadores da baixa competitividade, principalmente da indústria brasileira. Então, esse caminho já mais que se mostrou o errado.

    Daí seria importante o Brasil se concentrar em resolver seus problemas de financiamento, tributação, infraestrutura, etc., e deixar que o mercado internacional satisfaça as necessidades e preferências do mercado consumidor interno.

    Precisamos desenvolver um novo mensurador, o Custo do Protecionismo Brasil. Se brincar, é bem possível encontrar dados que sustentem esse mensurador.
  • Tradutor Liberal  18/02/2017 23:16
  • Tradutor Liberal  19/02/2017 11:38
    Excelente artigo.
    Mas apesar desse e diversos outros textos, os trumpnetes vâo continuar dizendo que a China é desleal, tem trabalho escravo, etc, e que assim é justo tarifar seus produtos.
  • Bode  19/02/2017 12:25
    Não podemos ignorar o fato de que muitos governos protegem e subsidiam o produto nacional para torna-lo artificialmente competitivo. Vejam o caso da Bombardier no Canada, que disputa mercado com a Embraer, que fez queixas formais à OMC. A China subsidiou setores que ganharam mercado através da derrocada em outros países. Basta lembrar o que aconteceu com o setor textil e calçadista no Brasil. Livre mercado é uma utopia irrealizável.
  • Expiatório  19/02/2017 12:48
    "Não podemos ignorar o fato de que muitos governos protegem e subsidiam o produto nacional para torná-lo artificialmente competitivo."

    Correto. "Artificialmente competitivo". Isso significa que algo só consegue ter um mínimo de competência caso chupe dinheiro de impostos de toda a população, a qual não ganha nada com isso, mas é obrigada a encher os bolsos de empresários mercantilistas, incompetentes e avessos à concorrência.

    "Vejam o caso da Bombardier no Canada, que disputa mercado com a Embraer, que fez queixas formais à OMC."

    E, ainda assim, a Embraer tem mais aviões que a Bombardier no mercado americano.

    "A China subsidiou setores que ganharam mercado através da derrocada em outros países."

    Quais mercados que foram dominados pelos chineses e que fizeram muita falta para outros países? Colocando de outra forma: esses mercados que os chineses dominaram por acaso são mercados tecnológicos, complexos e que geram riqueza e prosperidade, ou são mercado primitivos, tecnologicamente defasados e que não exigem nenhuma grande especialidade?

    Até onde sei, chineses produzem pano, sapato e bugigangas de baixíssimo valor agregado. Isso leva alguém à pujança? Um país que deixou de fazer isso por causa dos chineses agora está irremediavelmente condenado ao atraso?

    Por acaso cortar, entortar e rebitar ferro — tarefas que um xing-ling é capaz de executar a custos irrisórios — são coisas economicamente prementes para o país ou será que o governo quer que isso seja feito apenas para exibir estatísticas de produção industrial?

    "Basta lembrar o que aconteceu com o setor textil e calçadista no Brasil."

    Exatamente o que acabei de dizer acima. Em vez de nos preocuparmos com nanotecnologia, microprocessadores e outras atividades que realmente produzem riqueza, ainda estamos preocupados com pano e sapato, coisas completamente primitivas, que podem perfeitamente ser produzidas nos rincões mais atrasados do mundo.

    Estude um pouco sobre divisão global do trabalho.

    Comece por aqui:

    Não há argumentos econômicos contra o livre comércio - o protecionismo é a defesa de privilégios

    "Livre mercado é uma utopia irrealizável."

    O que é realmente irrealizável é a inteligência econômica do brasileiro médio.
  • anônimo  19/02/2017 15:17
    Concordo, tem que quebrar os cartéis no Brasil das péssimas empresas existentes.


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