Existe uma página específica para este artigo. Para acessá-la clique aqui.

A incoerência de esperar que o governo decrete o livre mercado

Vocês se lembram de quando a Uber chegou ao Brasil?

Nos primeiros meses, os grandes tubarões dos outros meios de transporte pressionaram os governos por uma efetiva proibição.

Ou, ao menos, pela regulamentação do setor.

Muitas pessoas, inclusive liberais, fizeram coro a esta exigência regulatória, acreditando que uma eventual regulamentação do aplicativo seria encarada como uma autorização para sua existência e operação — e que, portanto, seria positiva.

O resultado foi que, em muitas cidades, o aplicativo é tão regulado que possui taxas, impostos e encargos excepcionais que encarecem o serviço e prejudicam o consumidor a ponto de tornar sua prestação desvantajosa.

Libertários sabem que o ideal seria que não houvesse nenhuma regulamentação, e que a empresa pudesse ter a liberdade de decidir com seus parceiros e consumidores os melhores métodos e tarifas, sempre correndo o risco de perder seus clientes para uma boa concorrência.

Mas há alguns libertários, no entanto, que acreditam que esse mesmo raciocínio não se aplica a um ambiente global.

A recente polêmica do TPP (Trans-Pacific Partnership) é um bom exemplo.

Para vários libertários, dentre os quais eu me incluo, o TPP é o oposto de livre comércio. Trata-se de um calhamaço de mais de mil páginas que especificam inúmeras regulamentações para os participantes. Há capítulos específicos para nada menos que 22 assuntos, dentre eles leis ambientais, patentes, compras governamentais, novas regulamentações para o e-commerce, políticas específicas para o setor de têxteis, políticas específicas para o setor de remédios, regras sobre a origem de produtos, exigências de verificação e a imposição de leis trabalhistas (o Vietnã seria obrigado a criar sindicatos).

Acordos de "livre comércio" como a TPP nada mais são do que acordos que implantam um comércio regulado e dirigido pelos governos em prol de grupos de interesse poderosos (grandes empresários ligados ao governo e grandes sindicatos). Acordos comerciais apenas ampliam o poder regulatório dos governos e sua capacidade de conceder mais privilégios.

Um genuíno acordo de livre comércio, caso dependesse de aprovação do governo, precisaria apenas de uma ínfima legislação, declarando que:

Por meio desta, o governo [insira o nome do gentílico] elimina todas as vigentes barreiras, restrições e proibições à livre e irrestrita exportação e importação, compra e venda, de todos os bens e serviços entre [nome do país] e toda e qualquer nação do mundo.  O governo [insira o nome do gentílico] declara que todas as formas pacíficas e não-fraudulentas de comércio e troca são questões exclusivas do foro privado de cada indivíduo, e dizem respeito apenas aos cidadãos do [insira o nome do país] e do resto do mundo envolvidos na transação.  Esta lei entra em vigor imediatamente.

Pois bem.

O governo Trump rejeitou o TPP, ainda que por outros motivos. Muitos liberais e libertários estão defendendo que o acordo, por ser um "acordo comercial", teria ao menos um ponto positivo, sendo na verdade um impulso na direção do livre mercado.

Tal raciocínio se assemelha àquele que defende a regulação do Uber e de outros aplicativos de transporte individual privado como símbolo de aceitação governamental e do mercado.

A globalização é a personificação do livre comércio, o qual todos consideramos essencial para o mercado verdadeiramente capitalista. O grande problema é que governos, empresários corporativistas e políticos enxergaram na globalização e nas inovações de mercado a oportunidade perfeita para beneficiarem suas próprias "panelinhas".

O mercado aberto cria riqueza, aproxima pessoas e culturas distantes, incentivando um mundo mais próspero e seguro. O argumento anarcocapitalista de que as guerras seriam reduzidas ao mínimo na ausência de governos reside justamente na certeza de que o comércio e a movimentação de riquezas livremente acordados podem ser mais vantajosos para diferentes pessoas do que o conflito da guerra em si. Sabendo disso, nada mais desejável a governos e burocratas que, de um lado, sejam providenciadas regulações específicas que aparentemente resguardem a boa operacionalização desta liberdade de mercado, e, de outro, que essencialmente visem a manipular diversos aspectos das negociações para favorecer seus políticos, empresários amigos e esquemas de recompensa.

Ao fim e ao cabo, são inseridas tantas regras, taxas, condições e arbitrariedades, que se evidencia não haver qualquer preocupação com a preservação real da liberdade de quem mais importa — o indivíduo, o consumidor final nesta cadeia econômica.

Se a regulamentação de um governo é capaz de engessar uma economia, imagine a combinação da regulamentação de diversos governos ao mesmo tempo? Isso não é liberalização, é centralização de poder.

Temos como exemplo o NAFTA — North American Free Trade Agreement.

Sobre ele, Rothbard escreveu:

O NAFTA é mais do que um acordo comercial dirigido pelas grandes corporações. Ele é parte de uma longa campanha para integrar e cartelizar os governos com o intuito de fomentar uma economia intervencionista. [...] As negociações do NAFTA têm inovado ao centralizar o poder governamental para todo o continente, diminuindo ainda mais a capacidade dos pagadores de impostos de oporem alguma resistência às ações dos seus governantes.

Assim, o canto da sereia que os defensores do NAFTA utilizam é a mesma melodia sedutora que os eurocratas socialistas usaram para tentar fazer os europeus se renderem ao estatismo gigantesco da Comunidade Européia: não seria maravilhoso fazer com que a América do Norte fosse uma vasta e poderosa "unidade de livre comércio" como a Europa?

A realidade é bem diferente: intervenção socialista e planejamentos feitos por uma Comissão supra-nacional do NAFTA ou por burocratas de Bruxelas que não precisam prestar contas a ninguém.

O verdadeiro livre comércio é espontâneo; é feito entre indivíduos de comum acordo, ainda que estes estejam em diferentes nações.

A partir do momento em que apoiamos que governos endossem, por meio de sua coerção, a suposta existência de um livre comércio, estamos nos rendendo à lógica estatista.

Embora a conclusão (livre mercado) seja um objetivo claramente libertário, o raciocínio que busca legitimá-lo por meio de canetadas do governo é intervencionista e, portanto, capaz de distorcer a economia e comprometer o verdadeiro capitalismo.

 

Para continuar estudando o assunto:

O que realmente está por trás do acordo de 'livre comércio' entre EUA e países do pacífico?

* Acordos de Livre Comércio envolvem muito mais 'acordos' do que 'livre comércio

* "Commanding Heights" (episódio 3)

* Trans-PacificPartnership Trade Pact: Yes, No, and Maybe"

* O Mito do NAFTA

* Read Cato Trade's Comprehensive Analysis of the Trans-Pacific Partnership

* Should free traders support the trans-Pacific Partnership?

* We Need Actual Free Trade, Not the TPP


4 votos

SOBRE O AUTOR

Mariana Diniz Lion
é advogada e atua como Coordenadora de Cursos e Eventos para o Instituto Mises Brasil. É Coordenadora Estadual do Students for Liberty Brasil em São Paulo e já participou de treinamentos internacionais, como o Liberty Seminar na Eslovênia. É atualmente pós-graduanda em Escola Austríaca de Economia.


"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

tylervigen.com/images/spurious-correlations-share.png

i.imgur.com/OfQYQW8.png

https://img.buzzfeed.com/buzzfeed-static/static/enhanced/webdr02/2013/4/9/15/enhanced-buzz-25466-1365534595-12.jpg

www.tylervigen.com/chart-pngs/10.png

i.imgur.com/xqOt9mP.png

Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Antônio  20/02/2017 17:21
    Como lidar com países como a China cujos preços são absurdamente baixos pq a mão de obra tem baixíssimo custo por que são praticamente escravos?
  • Carlos  20/02/2017 17:25
    Como assim "como lidar" com quem está disposto a nós vender produtos a preços baixos?! Desde quando isso é um problema? Isso é uma bênção. Se eles estão dispostos a se sacrificarem apenas para nos beneficiar, então temos de aproveitar ao máximo essa oferta (que é por tempo limitado)

    Como lidar com aquele restaurante que insiste em vender comida a preços baixos? Como lidar com aquela companhia aérea que insiste em vender passagens mais baratas que as concorrentes? Como lidar com aquela provedora de internet que insiste em vender pacotes mais baratos? Como lidar com aquela operadora de telefonia que insiste em vender serviços mais baratos?

    Como lidar com esse tormento? Quero preços os mais altos possíveis! Morte aos malditos barateiros!
  • Miscelânia  20/02/2017 17:30
    Ora, se os consumidores brasileiros voluntariamente demonstram preferir produtos chineses aos lixos produzidos pela FIESP, por que você quer acabar com essa preferência voluntariamente demonstrada? Se eu prefiro comprar sapatos da China a sapatos de Franca ou Jaú, por que você quer me impedir disso? Que mal estou fazendo?

    O que você está defendendo, embora não tenha a coragem de vocalizar abertamente, é que indústrias ineficientes e custosas devem ser protegidas dos consumidores (que já demonstraram preferir outros produtos) pelo governo. Por que isso seria ético e moral?

    Outra coisa: se tais indústrias nacionais são de fato eficientes, mas estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, então isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores. Se os custos de produção no Brasil estão altos, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido nenhum dizer que os consumidores devem ser tolhidos ou que deve haver tarifas de importação para se compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina

    O certo seria abolir a burocracia, as regulamentações e os impostos, e não defender a adoção de tarifas protecionistas e proibir consumidores de comprar os bens que quiserem.
  • Humberto  20/02/2017 17:31
    As pessoas se esquecem de que os produtos chineses que importamos são básicos. Produtos com alta tecnologia exige mão de obra qualificada e que por si só é rara e cara.

    De resto, eu não entendo esse pessoal: reclamam quando os comerciantes vendem caro porque aí o pobre se ferra; só que que quando os comerciantes vendem barato também reclamam porque ai é concorrência desleal
  • Alessandro  20/02/2017 17:32
    "Segundo a Casa Branca [ainda sob Obama], o TPP estabelece os mais rigorosos padrões ambientais e trabalhistas da história dos acordos de livre comércio. Essas regras costumam ser combatidas por países em desenvolvimento, que as consideram uma forma de favorecimento das empresas americanas e de restrição disfarçada de acesso ao mercado dos EUA."

    economia.estadao.com.br/noticias/geral,eua-fecham-maior-acordo-comercial-da-historia-com-paises-do-pacifico,1774671
  • anônimo  20/02/2017 17:37
    Uma dúvida: sempre dizem que os carros são caros por causa do protecionismo, que carro importado tem que pagar 35% de imposto de importação, etc.

    Só que o que acontece é isso:
    bestcars.uol.com.br/bc/informe-se/noticias/mini-countryman-cooper-s-nacional-mantem-precos/

    ou seja, a empresa alega que está sendo ''tremendamente'' prejudicada por causa do protecionismo, que fica dificil vender os seus carros com uma tarifa de importação tão alta, etc....aí eles passam a montar o carro no brasil, e adivinhem só.....o preço continua o mesmo! mesmo sem ter que pagar os 35% de tarifa, o preço não muda!!

    fora o mini countryman, os seguintes carros eram importados, começaram a ser feitos no brasil e o preço não mudou:
    mitsubishi asx
    bmw série 3
    audi a3
    golf
    e futuramente o land rover evoque

    conclusão: o fato de montar o carro no brasil seria um motivo para abaixar os preços já que não tem mais o imposto de importação. Na verdade, a fabricação nacional apenas serviu para as empresas aumentarem ainda mais a margem de lucro.
  • Leandro  20/02/2017 17:43
    aí eles passam a montar o carro no brasil, e adivinhem só.....o preço continua o mesmo! mesmo sem ter que pagar os 35% de tarifa, o preço não muda!! [...]o fato de montar o carro no brasil seria um motivo para abaixar os preços já que não tem mais o imposto de importação. Na verdade, a fabricação nacional apenas serviu para as empresas aumentarem ainda mais a margem de lucro."

    Ué, não entendi o seu espanto. Aliás, o que realmente seria estranho é se os preços baixassem.

    Entenda: os carros produzidos nacionalmente são caros não por causa de tarifas de importação que encarecem os insumos. Os carros produzidos nacionalmente são caros por causa da tarifas de importação sobre os carros estrangeiros.

    É uma questão de reserva de mercado e proibição da concorrência.

    O governo Dilma, ao elevar as alíquotas de importação para 35%, mandou um recado bem claro para os fabricantes: "Ei, estamos criando uma reserva de mercado em que todos vocês estarão protegidos da concorrência. Venham para cá, vendam carros para o rebanho aos preços que vocês quiserem, e não tenham preocupação nenhuma com importados baratos. A reserva de mercado está garantida".

    Quem é que vai reduzir preços num ambiente destes? O governo fechou o mercado às importações e, com isso, garantiu uma clientela cativa para essas montadoras. Reduzir o preço seria imbecilidade delas. Por que fariam isso?

    Se você garante uma reserva de mercado, sem risco de concorrência externa, passa a ser um grande negócio você fabricar naquele terreno protegido. Sua margem de lucro está garantida e não há para onde os consumidores correrem.

    (Só que as próprias fabricantes se estreparam: ganharam uma reserva de mercado, mas ficaram com uma população sem poder de compra, endividada e desempregada em decorrência dessas mesmas políticas desenvolvimentistas. Seus produtos encalharam, como mostra a queda recorde na venda de automóveis novos).

    De resto, jogue as tarifas de importação para zero, libere a importação de usados (hoje proibida), e você começará a finalmente ver alguma concorrência para essas fabricantes.
  • Bruno Feliciano  20/02/2017 18:51
    Leandro, de fato esse é o ideal, mas isso quebraria a indústria em semanas..

    O primeiro a se fazer, é desburocratizar tudo, acabar com CLT, com essa carga tributária complexa e alta, passar segurança jurídica através de contratos, fortalecer direitos de propriedade, privatizar bancos, moeda e tudo que ver pela frente.... E por ai vai....

    Ai depois disso, seria hora certa de fazer isso que você falou, abra a importação de carros usados, 0% de alíquota sobre carros novos e usados, ai sim você incentivaria construir aqui (ou melhor não atrapalharia em nada) e você daria condições leais para que a indústria aqui competisse de ''mano a mano''.

    Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta, por isso eu digo, primeiro faça reforma nacionalmente, tire tudo que atrapalha aqui ai sim depois você abre as portas. É como: '' Arruma a bagunça do seu quarto, tire as coisas do meio que só dificultam você se locomover, facilite a sua organização e ai sim você abre a porta pra visita''.

    O Chile é assim, lá você pode importar carro usados, tanto que conheço Brasileiros que fizeram um esquema e importaram carros usados por lá e trouxeram pra ká, carro com direção do lado direito inclusive...
    Só que la os setor privado gera muito emprego e renda porque é desburocratizado e livre.

    **Não estou cometendo o erro fatal de achar que a indústria é a responsável pela maioria dos empregos nacionais, eu sei que os micros, médios e grandes empresários em massa são os responsáveis por fazer o país andar.

    Concorda? Se não, você acha que nessa situação em que estamos, SOMENTE abrir as importações iria alavancar a produção?


    Grande Abraço!
  • Leandro  20/02/2017 19:17
    Discordo. E isso já foi discutido em vários outros artigos aqui deste site e também em um podcast. O leitor "Miscelânia" acima até copiou meus argumentos.

    Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária.

    Se há indústrias nacionais eficientes que estão sendo prejudicadas pelas políticas do governo, isso é algo que tem de ser resolvido junto ao governo, e não tolhendo os consumidores.

    Se os custos de produção no Brasil são altos e estão inviabilizando até mesmo as indústrias eficientes, então isso é problema do Ministério da Fazenda, do Ministério do Planejamento, da Receita Federal e do Ministério do Trabalho. São eles que impõem tributos, regulamentações, burocracias e protegem sindicatos.

    Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina.

    De resto, e como já disse outro leitor, ironicamente, a forma mais garantida de fazer essa reforma interna é justamente liberalizando o comércio exterior: com importados baratos e de qualidade chegando, não haverá outra alternativa aos políticos senão liberalizar imediatamente o mercado interno para que este consiga sobreviver e concorrer.

    A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.

    Por fim, a correlação entre abertura comercial e desemprego é inversa: quanto mais aberto é o país às importações, menor a taxa de desemprego. (Confira a tabela)

    A lógica é direta: tarifas são impostos sobre vendas que se aplicam a bens estrangeiros. As empresas estrangeiras são tributadas para que suas concorrentes domésticas — que são isentas desta tributação — possam livremente aumentar seus preços de maneira generalizada.

    Tendo agora de pagar mais caro por produtos nacionais de qualidade mais baixa, os consumidores nacionais estarão incapacitados de consumir mais e de investir mais. A restrição às importações e a reserva de mercado criada por ela faz com que a capacidade de consumo e de investimento da população seja artificialmente reduzida.

    E sempre que a capacidade de consumo e de investimento da população é artificialmente reduzida, lucros e empregos diminuem por toda a economia.

    Assim, empregos de baixa produtividade nas indústrias protegidas são mantidos à custa de empregos de alta produtividade em empresas que tiveram suas vendas reduzidas por causa da queda da capacidade de consumo e de investimento das pessoas.

    Logo, toda a economia se torna mais ineficiente, a produção diminui, os preços médios aumentam, e os salários reais caem.

    Adicionalmente, tarifas protecionistas também afetam as empresas domésticas que precisam importar bens de capital e maquinários modernos para incrementar sua produtividade e, com isso, fabricar produtos melhores e mais baratos. Tarifas as obrigam a pagar mais caro por seus insumos ou então a comprar insumos nacionais mais caros e de pior qualidade.

    Isso reduz sua produtividade e aumenta seus custos. Sendo menos produtivos e operando com custos maiores, essas empresas se tornam menos competitivas internacionalmente.

    Consequentemente — e essa é uma das consequências não previstas do protecionismo —, as exportações também tendem a declinar. E estimular exportações era exatamente uma das intenções do protecionismo.

    Tarifas são imorais, anti-humanas e anti-econômicas, e servem apenas para garantir a reserva de mercado dos incompetentes.

    Recomendo:

    Nove perguntas frequentes sobre importação, livre comércio e tarifas protecionistas
  • Bruno Feliciano  20/02/2017 21:14
    Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

    E mais, eu disse:

    ''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

    Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
    Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

    Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
    Essa a questão sobre ''a situação atual''.

    Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

    ''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

    Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

    Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
    Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
    Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

    Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

    ''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

    Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
    No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
    Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

    Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
    Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

    ''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

    Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
    Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

    Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

    Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
    E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
    Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
    Obvio que não, independente de qualquer coisa....

    Foi isso que eu quis passar....

    tudo de bom e Grande Abraço!
  • Mr Richards  20/02/2017 18:50
    Bons "exemplos" sobre o assunto:

    A General Motors (GM) do Brasil tem perdido contratos de exportação para Chile, Colômbia, Equador e Venezuela, cujos mercados passaram a ser abastecidos pela China, Coreia do Sul e Tailândia. Um exemplo citado pelo ex-presidente da GM na América do Sul é o da picape S10, exportada da Tailândia para esses mercados a preços entre 20% e 30% mais baixos do que os do Brasil. "A ironia é que a S10 foi desenvolvida aqui no Brasil", disse o executivo. Ou seja, ficamos até sem o que nasce da nossa criatividade.

    A montadora Renault deixou de vender para o México 7 mil unidades ao ano do compacto Sandero produzido no Paraná. "A Colômbia passou a ser a fornecedora do modelo, pois tivemos uma evolução desfavorável de custos e nossa competitividade se degradou muito", disse o então vice-presidente para as Américas da Renault, Denis Barbier. A fábrica local da Renault em Medellín recebe as peças do Sandero de diversas partes do mundo, como Brasil, França e Romênia, e apenas monta o carro localmente.

    E mais consequências do protecionismo:

    Montadoras impedem troca de autopeças por fabricantes independentes, diz Cade
    Por monopólio de fabricação de peças, Cade recomenda condenação de Fiat, Ford e VW
    MPF sugere investigação de fabricantes de veículos por monopólio
    Volkswagen, Fiat e Ford formaram monopólio na fabricação de peças, diz Cade

    O monopólio se faz pelo bloqueio da entrada nos diferentes setores da economia. Dessa forma, monopólios não podem surgir no livre mercado, mas sempre resultam de políticas governamentais. Monopólios são um mal do ponto de vista dos consumidores porque os preços tendem a aumentar e a qualidade cai, ao contrário do que aconteceria em mercados completamente livres de coerção e a sua comprovação está acima.

    E ainda dizem por aí que o livre mercado é o criador de monopólios.
  • Leandro  20/02/2017 19:19
    Excelente compilação, Mr. Richards! Obrigado por trazê-la e compartilhá-la conosco.
  • Rodrigo Fernandes Moreira  20/02/2017 18:10
    Leandro,

    Nos últimos tempos, tanto EUA quanto Japão tem praticados taxas de juros extremamente baixas. Como sou seu leitor já há algum tempo, eu sei que as suas análises vão MUITO além de olhar apenas para essa viarável.

    O que eu gostaria de entender é o seguinte: o que a política macro-econômica desses dois países tem de realmente diferente em se tratando principalmente do período pós-2008?

    Obrigado!
  • Leandro  20/02/2017 18:50
    Nos EUA, o Fed imprimiu dinheiro (eletrônico) e inundou as reservas dos bancos. A base monetária explodiu. Isso jogou para quase zero as taxas de juros do mercado interbancário, que é exatamente a taxa básica de juros deles (a Fed Funds Rate).

    Só que, simultaneamente, o Fed passou a pagar juros sobre toda e qualquer quantidade de dinheiro que os bancos voluntariamente deixarem parada neste mercado.

    Ou seja, na prática, o Fed passou a pagar para os bancos não emprestarem esse dinheiro. Portanto, de um lado o Fed explodiu a base monetária; de outro, ele colocou uma rolha no mecanismo de transmissão, fazendo de tudo para impedir que essa explosão da base monetária se transformasse em uma explosão no M1 e no M2. (André Lara Resende, a julgar pelo seu artigo no Valor, não está a par disso).

    Isso foi uma prática completamente inédita nos anais da história da política monetária. Nenhum Banco Central jamais havia feito isso na história do mundo. Nenhum manual ou livro-texto de macroeconomia jamais discutiu essa possibilidade.

    Há vários artigos sobre isso no site. Veja o mais recente.

    Já no Japão, o BC japonês foi mais convencional em sua política monetária. Ele apenas decretou que sua taxa de juros seria zero (tanto é que não houve nenhuma explosão da base monetária). Só que lá a encrenca é outra.

    Os bancos japoneses são zumbis. Eles foram dizimados pelo estouro da bolha imobiliária no início da década de 1990. Esse estouro foi verdadeiramente espetacular. Os preços dos imóveis e dos terrenos desabaram e os bancos tomaram seguidos calotes e ficaram com seus balancetes dizimados. Só que o governo não deixou que eles fossem à falência. A consequência é que eles não morreram, mas também não funcionam. Bancos descapitalizados, com balancetes dizimados, não fazem empréstimos. Com juros baixos, então, aí é que eles realmente não farão empréstimo nenhum (o risco é alto e o retorno é nulo). Protegidos pelo governo, os bancos japoneses hoje se mantêm como zumbis. Não são liquidados, e também não têm capacidade de conceder crédito

    No Japão, os bancos emprestam apenas para o governo e para grandes empresas que possuem ótimo histórico creditício.

    Artigo inteiro sobre o Japão:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2519
  • Rodrigo Fernandes Moreira  20/02/2017 19:33
    Oi Leandro, muito obrigado pela excelente explicação!

    Podemos dizer que o resultado final para o tomador de empréstimo acabou sendo muito parecido, muito embora eles se originem de mecanismos completamente diferente em cada um dos casos?
  • Leandro  20/02/2017 20:06
    A princípio, sim. Com a diferença de que o americano médio, dado que seus bancos não são zumbis e não estão quebrados, ainda consegue empréstimos caso tenha bom histórico.

    Já o japonês médio, bem difícil.
  • anônimo  20/02/2017 20:47
    Leandro, estive pesquisando sobre Cingapura e me deparei com isso:

    Competition Act, medida promulgada em 2004 que visa "proteger os consumidores e as empresas de práticas anticompetitivas de entidades privadas". Basicamente se resume em três pontos principais:

    "Artigo 34.º - Acordos anticoncorrenciais"

    "Artigo 47.º - Proibição de abuso de posição dominante"

    "Artigo 54 - Fusões que diminuem substancialmente a concorrência"

    Link para a medida no site do governo: https://www.ccs.gov.sg/legislation/key-prohibitions

    Não seriam medidas autoritárias e anti-mercado? Chega ao ponto de proibir fusões e aquisições que garantam uma boa fatia do mercado, vetar recomendações de preços por associações e a tão afamada "precificação predatória".

  • Leandro  20/02/2017 21:08
    Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

    https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

    Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

    Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

    www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

    Eu quero.


Envie-nos seu comentário inteligente e educado:
Nome
Email
Comentário
Comentários serão exibidos após aprovação do moderador.