O empreendedorismo não é “destruição criativa”, mas sim produção criativa
O termo ‘destruição criativa’ é oriundo de Marx e Bakunin, e mostra quão errado estava Schumpeter

Havia uma doutrina sobre destruição criativa no século XIX. O rival de Karl Marx, o anarco-comunista Michael Bakunin, era o grande propagandista. Ele era um revolucionário. De um lado, ele via a violência operária contra o estado como algo produtivo. De outro, ele também era hostil ao livre mercado. Bakunin era tão hostil ao livre mercado quanto ao estado.

Ele jamais descreveu como uma economia baseada na divisão do trabalho poderia funcionar sem o processo de mercado — e seu livre sistema de preços — para guiar a alocação racional dos recursos. E ele também jamais descreveu como essa mesma economia sem mercado funcionaria sem o planejamento central feito por burocratas estatais.

Ele simplesmente defendia uma ideia impraticável, sem jamais se dar ao trabalho de explicar — mesmo que minimamente — como ela funcionaria. Marx também nunca o fez. Ele jamais descreveu como funcionaria sua supostamente inevitável ordem social suprema, o comunismo. Ambos eram apenas revolucionários sem idéias.

A frase "destruição criativa" foi popularizada pelo economista Joseph Schumpeter. Schumpeter era austríaco, mas não era membro da Escola Austríaca de pensamento econômico. Ele foi contemporâneo de Ludwig von Mises. Ambos estudaram economia na Universidade de Viena. Schumpeter descreveu o empreendedor em uma sociedade capitalista como sendo uma força criativa na sociedade. Não havia nada de novo nesta constatação. Os economistas seguidores da Escola Austríaca há muito já haviam descrito o empreendedor nestes termos, inclusive Mises.

Mas Schumpeter acrescentou a palavra "destruição" para descrever o empreendedorismo. Erro fatal. Analiticamente, o cerne do empreendedorismo não é a destruição; é a satisfação do consumidor.

O verbete da Wikipédia sobre "Destruição Criativa" diz:

A destruição criativa (em alemão: schöpferische Zerstörung), também conhecida como "a onda de Schumpeter", é um conceito econômico que, desde a década de 1950, passou a ser prontamente identificado com o economista austro-americano Joseph Schumpeter, que derivou o termo da obra de Karl Marx e o popularizou como uma teoria para a inovação econômica e para os ciclos econômicos.

De acordo com Schumpeter, a "onda da destruição criativa" descreve o "processo de mutação industrial que incessantemente revoluciona a estrutura econômica desde dentro, incessantemente destruindo a antiga, incessantemente criando uma nova". Na teoria economia marxista, o conceito de destruição se refere mais amplamente ao processo de acumulação e aniquilação de riqueza sob o capitalismo.

Marx entendeu tudo errado. Bakunin também. Schumpeter também.

Compre a preços baixos, venda a preços maiores

Um empreendedor de sucesso é aquele que compra barato e vende caro. Mas como ele consegue fazer isso se, segundo a teoria neoclássica, o livre mercado sempre estipula corretamente os preços dos fatores de produção e dos bens de consumo? Como é que ele encontra essa brecha? Para que ele consiga comprar barato e vender caro, a precificação dos recursos teria de estar errada.

A resposta para isso é simples, mas só é compreendida por quem é seguidor da Escola Austríaca de Economia. O sistema de livre mercado e de livre concorrência de fato revela quais recursos específicos estão erroneamente precificados. Mas quem realmente faz esse serviço crucial são os empreendedores.

Economistas seguidores da Escola Austríaca começam com esta pressuposição: as pessoas não são oniscientes. Elas não reconhecem de imediato quais recursos estão erroneamente precificados. Sempre há ignorância e desconhecimento no mercado. Por isso, os economistas austríacos enfatizam que a teoria econômica, para ser realista, tem de apresentar um conceito de precificação de mercado que seja baseado em informações incompletas e incorretas.

Portanto, sempre há recursos subvalorizados (baratos) e sobrevalorizados (caros) no mercado. O livre mercado consegue reduzir o número de recursos subvalorizados criando dois arranjos lucrativos. O primeiro é o mercado de capitais. Empreendedores podem comprar fatores de produção (mão-de-obra, matéria-prima, espaço de fábrica, máquinas e ferramentas especializadas, e espaço de armazenamento), misturá-los, produzir bens de consumo, e colocar esses bens a venda para os consumidores.

Se os consumidores comprarem esses bens de consumo a um preço maior que o custo de produção, então o empreendedor terá um lucro. Caso os consumidores não comprem, ele terá um prejuízo.

Isso advém de uma fundamental incerteza que permeia os assuntos humanos. Não conhecemos o futuro. Não somos capaz de prevê-lo. Mas há algumas pessoas — os empreendedores — que acreditam ser capazes de prevê-lo com mais precisão do que seus concorrentes. Eles arcam com os custos da incerteza ao comprarem recursos e produzirem produtos para a venda. Essa incerteza é inevitável. É impossível escapar dela. Ela é imposta pela condição humana. As pessoas não são oniscientes.

Ludwig von Mises, como sempre, foi quem melhor resumiu o arranjo. Vale a pena ler a citação completa:

O que possibilita o surgimento do lucro é a ação empreendedorial em um ambiente de incerteza. Um empreendedor, por natureza, tem de estar sempre estimando quais serão os preços futuros dos bens e serviços por ele produzidos.

Ao estimar os preços futuros, ele irá analisar os preços atuais dos fatores de produção necessários para produzir estes bens e serviços futuros.

Caso ele avalie que os preços dos fatores de produção estão baixos em relação aos possíveis preços futuros de seus bens e serviços produzidos, ele irá adquirir estes fatores de produção. Caso sua estimação se revele correta, ele auferirá lucros.

Portanto, o que permite o surgimento do lucro é o fato de que aquele empreendedor que estima quais serão os preços futuros de alguns bens e serviços de maneira mais acurada que seus concorrentes irá comprar fatores de produção a preços que, do ponto de vista do estado futuro do mercado, estão hoje muito baixos.

Consequentemente, os custos totais de produção serão menores que a receita total que o empreendedor irá receber pelo seu produto final.

Esta diferença é o lucro empreendedorial.[...]

Lucros nunca são um fenômeno normal e corriqueiro. Eles surgem onde há uma discrepância entre o uso atual dos fatores de produção e o uso possível destes fatores de modo a fazer com que o material e os recursos disponíveis satisfaçam da melhor maneira possível os desejos do público.

Lucros são a recompensa para aqueles empreendedores que descobrem esta discrepância. Quanto maior forem as discrepâncias antecedentes, maiores serão os lucros auferidos pela sua remoção.

Os especuladores e o mercado de futuros

Há uma outra abordagem institucional, que está analiticamente relacionada ao que foi acima explicado. Trata-se do especulador que opera no mercado futuro de commodities.

Neste arranjo, o empreendedor, agora chamado de "especulador do mercado de futuros", entra em um mercado que lida com uma commodity específica. Pode ser milho, soja, café, laranja, trigo etc. Pode ser também dólar ou ouro.

Se ele acredita que estes bens estão hoje subvalorizados, ele fica "comprado", isto é, ele se posiciona esperando uma valorização futura destes produtos. Consequentemente, ele promete que, em uma data futura específica, irá comprar a um preço estipulado hoje, uma quantidade específica deste produto. Caso sua previsão esteja correta — isto é, caso os preços realmente sejam maiores no futuro —, ele terá grandes lucros. Ele comprará ao preço antigo acordado (baixo) e depois poderá revender ao atual preço vigente (alto). Caso sua previsão se revele incorreta, ele terá prejuízos.

Por outro lado, se ele acredita que estes bens estão hoje sobrevalorizados, ele ficará "vendido". Consequentemente, ele promete que, em uma data futura específica, irá vender a um preço estipulado hoje, uma quantidade específica deste produto. Caso sua previsão esteja correta — isto é, caso os preços realmente sejam menores no futuro —, ele terá grandes lucros. Ele irá vender ao preço antigo acordado (alto) algo que ele pode comprar ao preço vigente no futuro (baixo). Caso sua previsão se revele incorreta, ele terá prejuízos.

No mercado de futuros, "vendidos" e "comprados" fazem contratos uns com os outros. Para que haja um vendido tem necessariamente de haver um comprado. E vice-versa. Este é um processo de soma zero. O ganhador ganha à custa do perdedor. Mas esse arranjo não é um jogo. Especuladores no mercado de futuros estão lidando com problemas do mundo real relacionados à incerteza: o desconhecido futuro econômico. Eles não estão em um jogo de chances estatísticas criado e manipulado pelo proprietário do cassino para ficar rico.

O mercado de futuros é um arranjo voluntário que promove a descoberta de preços, algo que acaba por beneficiar centenas de milhões de outros empreendedores e participantes do mercado. E, no entanto, esses outros empreendedores e participantes do mercado não pagam por esse processo de descoberta de preços. Eles são "caroneiros" no mercado de futuros. Os especuladores — os comprados e vendidos — é que arcam com todo o processo.

Não há nada de destrutivo neste arranjo, ao contrário do que dizem os críticos dos especuladores e críticos do mercado. O mercado de futuros é uma das grandes instituições da vida moderna. Um punhado de ganhadores e perdedores coloca seu dinheiro em risco. Nós não pagamos nada a eles por efetuarem este crucial serviço social: a descoberta de preços.

Ganhadores e perdedores

Em um empreendimento qualquer, o empreendedor compra recursos escassos — mão-de-obra, matéria-prima, espaço de fábrica, máquinas e ferramentas especializadas, e espaço de armazenamento — para fabricar bens de consumo. Ele acredita que, no futuro, os consumidores irão pagar mais por esses bens do que seu custo de produção. Ainda mais importante: ele acredita que isso ocorrerá em uma intensidade maior do que acreditam seus concorrentes.

De novo: ele espera comprar esses recursos escassos a preços menores do que aqueles que os consumidores estarão dispostos a pagar no futuro pelo bem de consumo final. Como isso é possível? É possível porque seus concorrentes não viram essa mesma oportunidade. Consequentemente, eles não foram atrás desses mesmos recursos e, logo, não elevaram os preços deles com sua demanda.

O empreendedor compra recursos. Isso ajuda todos os produtores desses recursos, que os vendem para o empreendedor a um preço livremente acordado no mercado. Se isso não fosse bom para esses produtores, eles não venderiam seus recursos. Essa atitude do empreendedor também ajuda os consumidores. Caso ele não fizesse esse empreendimento, ninguém mais o teria feito. Nenhum concorrente viu a oportunidade. Consequentemente, o empreendedor foi capaz de criar um elo entre os produtores dos recursos e os consumidores finais dispostos a pagar pelos bens de consumo produzidos por esses recursos.

Agora vem a pergunta derradeira: por que isso seria destrutivo? Onde está a destruição? Não é destrutivo para os vendedores e compradores de recursos. Não é destrutivo para o consumidor final. É destrutivo apenas para aqueles empreendedores rivais que não viram essa oportunidade. Eles agora vêem uma fatia de mercado tirada deles por um concorrente. Esse concorrente começará a ter lucros. Se ele continuar tendo lucros — isto é, se os concorrentes não o imitarem —, os concorrentes continuarão perdendo mais fatia de mercado. "Isso é destrutivo!", eles gritarão. Para eles, é mesmo. Mas o livre mercado não existe para ajudar maus prognosticadores. O livre mercado existe para ajudar consumidores a conseguir barganhas.

Schumpeter apenas reverberou as lamúrias dos empreendedores ineficientes que não foram capazes de atender as demandas dos consumidores. Ele rotulou esse processo de destrutivo. Não é destrutivo do ponto de vista dos vendedores de recursos. Não é destrutivo para os consumidores. É destrutivo apenas para os perdedores incapazes de atender aos consumidores por terem sido incapazes de saber comprar dos produtores de recursos. Estes perdedores não ajudaram nem os consumidores e nem os produtores.

O processo efetuado pelo livre mercado — de criar um elo entre vendedores de recursos e compradores de produtos — não deveria ser rotulado de "destruição criativa". Deveria ser chamado de produção criativa. Um empreendedor de sucesso vai até seus clientes e faz a eles uma oferta: "Compre de mim, e não dos meus concorrentes. Vou lhe fazer uma ótima oferta". Ele pode fazer uma ótima oferta porque ele comprou fatores de produção a preços menores que seus rivais.

Schumpeter pegou emprestado o conceito de "destruição criativa" de um par de revolucionário, Bakunin e Marx. Ambos pregavam filosofias sociais que, embora rivais entre si, se baseavam no homicídio — literalmente, e não figurativamente.

E Schumpeter se mostrou impressionado por esse conceito dos dois revolucionários. Felix Somary relata em sua autobiografia, The Raven of Zurich (1986), uma discussão que ele teve com o economista Schumpeter e com o sociólogo Max Weber em 1918. Weber era o mais prestigioso cientista social acadêmico do mundo quando morreu em 1920. Naquela ocasião, Schumpeter havia expressado alegria em relação à Revolução Russa. A URSS seria o primeiro exemplo prático de socialismo. Weber alertou que o experimento geraria uma miséria incalculável. Schumpeter retrucou dizendo que "Pode ser que sim, mas seria um bom laboratório." E Weber respondeu: "Um laboratório entulhado de cadáveres humanos!". E Schumpeter retrucou: "Exatamente igual a qualquer sala de aula de anatomia". Weber saiu extremamente irritado da sala (p. 121). Não o culpo.

Conclusão

Já é hora de os defensores do livre mercado abandonarem o conceito schumpeteriano de que o livre mercado gera destruição criativa. O conceito está errado teoricamente. Pior ainda: em termos estratégicos, é um enorme passivo.

O processo de mercado é destrutivo apenas para aqueles empreendedores que fizeram estimativas erradas e fracassaram em satisfazer os consumidores. Ele é criativo para todo o resto.

 

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SOBRE O AUTOR

Gary North
, ex-membro adjunto do Mises Institute, é o autor de vários livros sobre economia, ética e história. Visite seu website


"Por exemplo, o relativo à questão estrutural, que devido ao orçamento praticamente ser engessado pelos gastos com servidores, aposentados e pensionistas, tem-se muita dificuldade em fazer qualquer redução ou enxugamento da máquina estatal."

Na verdade, isso foi abordado no artigo.

O fato é: durante a expansão do crédito, quando a quantidade de dinheiro na economia aumentava continuamente, a arrecadação dos governos estaduais não parava de subir. Consequentemente, os governadores não paravam de criar novos gastos. Era uma farra que foi vista como perpétua.

Agora que o crédito secou, a oferta monetária estancou e a economia degringolou (com o fechamento de várias empresas), o aumento previsto das receitas não ocorreu. Na verdade, pelos motivos explicados no artigo, as receitas estão caindo. Mas os gastos contratados continuaram subindo.

Gastos em ascensão e receitas caindo -- é claro que a conta não vai fechar.

O RJ teve o problema adicional da lambança feita na Petrobras, o que reduziu bastante as receitas do estado com a extração de petróleo. Mas, mesmo que a Petrobras estivesse supimpa, a situação do estado continuaria calamitosa. Um pouquinho melhor do que é hoje, mas calamitosa.

Lição: é impossível brigar contra as leis da economia.

"a partir de 2009, os estados puderam voltar a se endividar. [...] Aí os estados passaram a se financiar, ou a financiar seus investimentos, através de endividamento e não de a partir de suas receitas. E mais com o dado de que o ex-ministro da Fazenda, Guido Mantega, assinou (uma a uma) autorizações de crédito pra estados e municípios que tinham classificação de crédito C e D."

Como você corretamente colocou, os estados eram avalizados pelo governo federal. Eles só podiam pedir emprestado se o governo federal fosse o fiador do empréstimo.

Vale ressaltar que esses empréstimos aos estados são efetuados pelos bancos estatais (com a garantia do governo federal). E esse foi exatamente o tema do artigo.

Esses empréstimos dos bancos estatais direcionados aos governos estaduais também permitiram que eles inchassem suas folhas de pagamento, mas sem qualquer garantia de que as receitas futuras continuariam cobrindo esse aumento de gastos.

Como a realidade se encarregou de mostrar, isso não ocorreu.

No final, tudo passa pelos bancos estatais e sua expansão do crédito de acordo com critérios políticos.

Obrigado pelas palavras e grande abraço!
Posso me meter nessa contenda.

Roberto, analisei o nexo temporal de necessidade x invenção dos medicamentos e diria que sim, Thiago está correto.

E pensando sobre isso, a necessidade antes da criação engloba tudo aquilo que escapa a ação humana e interfere em nossas vidas, como doenças, mudanças climáticas e a gênese química e biológica. Porém o cerne da Lei de Say não é o apriorismo da criação como antecedente da necessidade, mas sim de como o mercado valora a criação, e se por essa valoração intrínseca ela se perpetua ou não através do tempo. Mas vamos voltar ao exemplo do Thiago.

Por exemplo, se analisarmos técnicas de irrigação em uma biosfera árida, e existem centenas delas. A partir daqui conseguimos estabelecer o cenário de solo árido (criado por... enfim eu acredito em Deus, mas quem quiser acredite no ocaso), a necessidade subjetiva de irrigação para agricultura, e a ação humana, que irá mover recursos escassos para ali produzir, calculando custos e impondo preços, e em contrapartida novamente a ação humana, que irá verificar se esses custos são viáveis, comprando ou não os frutos daquela terra.

Com isso conseguimos estabelecer um nexo causal entre a necessidade primeira e a criação posterior, onde o agente primário criador daquele cenário árido não está entre nós. Não sabemos o por quê de ser árido. O criador desse quadro não o vendeu para nós, logo esse agente não busca o mesmo resultado que nós - o lucro. Só nós, o solo e a oportunidade subjetiva de aproveita-lo para produzir e prosperar.

O mesmo paralelo podemos estabelecer entre a doença e a medicina, onde nós somos o terreno criado pelo agente oculto, e neste terreno habitam doenças causadoras de distúrbios (também criadas pelo mesmo agente).

Apriorísticamente desde quando nascemos existe a necessidade primária de solução, ou o resultado é muitas vezes a morte. A partir dessas quase infinitas necessidades, profissionais de todas as partes do mundo criam desde os primórdios da nossa espécie técnicas e substâncias para, se não possível resolver, mitigar a necessidade trazendo conforto ao doente.

Nesse emaranhado de técnicas foram se perpetuando as mais eficientes E mais econômicas, tanto ao doente quanto ao profissional. Novamente conseguimos enxergar o nexo causal, onde a ação humana só existe após a doença, e com ela cessada, a ação humana também cessa. Sendo mais lúdico, remonto as palavras do Mestre: "Os sãos não precisam de médico".

Para concluir, os homens que estão a frente de seu tempo são aqueles que não somente criam antes da necessidade, basicamente inventando-a (afinal, quem diria como um Iphone é útil sem saber que ele existe?), mas aqueles que conseguem lidar com a necessidade criada pelo agente oculto de forma mais efetiva que seus pares, em menos tempo, e de forma mais econômica.

Obrigado por quem leu até aqui.
Leandro, me referi que em um período ou em uma ''reforma'' anunciada, seria mais racional seguir essa ordem..

E mais, eu disse:

''Eu entendo que cortar as tarifas e permitir importar carro usado, iria de fato ser positivo, ao mesmo tempo aumentaria o desemprego substancialmente nessa grave recessão e pior: O desemprego iria continuar se o empreendedorismo continuasse como esta''

Ai que ta, mesmo sobrando dinheiro para as pessoas consumirem, investirem, pouparem e empreenderem, nessa recessão e nessa burocracia asfixiante o efeito não seria tão significante, imagine nesse cenário nacional onde empreender é coisa pra maluco, uma recessão tremenda, um governo intervindo mais novamente e etc, como que poupança vai surgir, consumo, empréstimo, renda....
Repito, você esta completamente correto sobre esses efeitos lindos, só que isso em um país fora de recessão e um pouquinho mais livre... Não vejo que esses feitos aconteceriam no Brasil nesse caos atual, uma economia que no ranking de liberdade economica fica junto a países socialistas....Entende?

Sera mesmo que os resultados seriam significantes?
Essa a questão sobre ''a situação atual''.

Mas você fez eu perceber um ponto que eu antes não havia pensado, muito obrigado!

''A única maneira garantida de fazer reformas é havendo uma "ameaça" concreta e imediata. No Brasil, sempre foi assim.

Por outro lado, ficar empurrando a situação com a barriga, à espera do surgimento de uma "vontade política" para fazer uma mudança que não é urgente (e não será urgente enquanto não houver livre comércio) é garantia de imobilismo.''

Ainda acho essa ameaça utópico aqui, porque:
Que político estaria disposto a abrir a economia mas continuar engessando a economia nacional? Uma contradição pura, se algum burocrata eleito tiver disposto a abrir a economia, muito provável que ele também estará disposto a facilitar o comercio nacional. Nunca vi um exemplo de um cara que chegou e falou ''temos que abrir a economia pro mundo, mas devemos criar toda dificuldade para as pessoas empreenderem''
Ele nunca daria esse tiro no pé e criar essa ameaça que você falou, até porque mesmo que fizesse, os empresários chorariam pela volta da reserva de mercado porque é caro a produção aqui e o burocrata voltaria a estaca zero...

Por outro lado você exagerou um pouco sob minha colocação:

''Essa ideia de que primeiro temos de esperar o governo ter a iniciativa de arrumar a casa para então, só então, conceder a liberdade para o indivíduo poder comprar o que ele quiser de quem ele quiser é inerentemente totalitária''

Acho que o que der pra fazer primeiro que faça, não acho que devemos esperar o governo arrumar pra então abrir.
No meu comentário eu também quis dizer que se algum presidente estivesse disposto a fazer uma reforma pró-mercado, que então fosse assim, acredito que seria mais eficiente e com menos ''choro'' assim. Você sabe, Argentina, Brasil e afins são países inviáveis, você quer fazer reforma trabalhista nego chora, reforma da previdência nego chora.... Imagine o que os empresários brasileiros não iriam fazer quando soubessem que um presidente esta disposto a destruir as reservas de mercado amanha....
Eu acho que ''politicamente'' também seria mais eficiente do jeito que eu falei...

Agora se tivermos a oportunidade de acabar com as reservas de mercado amanha, antes de qualquer outra reforma, que ACABE!. Seria uma conquista e um passo rumo a liberdade e por isso os resultados não importariam, eu questionei a significancia desses resultados no Brasil de hoje, não acredito que seria como você disse por causa do nosso desastre e dessa economia estatal. Nunca que vou ser contra esse passo, no máximo como eu falei, em uma reforma liberal geral eu iria ''adia-la por um ano''.
Principalmente olhando mais pra realidade ''Política'' e como o País e seu povo é.

''Não faz sentido combater estas monstruosidades criando novas monstruosidades. Não faz sentido tolher os consumidores ou impor tarifas de importação para compensar a existência de impostos, de burocracia e de regulamentações sobre as indústrias. Isso é querer apagar o fogo com gasolina. ''

Não tem lógica mesmo, nesse seu comentário brilhante você respondeu como se eu fosse um protecionista, o que não é o caso kkk.
Eu apenas levantei a reflexão que: Se tivesse um cara do IMB na presidência, com carta branca pra fazer o que quiser, acho que seguir a ''ordem'' que eu disse seria mais racional, politicamente mais viável (daria pra conter melhor o choro) e por ai vai...

Nesse seu trecho, você não esta me contra-argumentando e sim um protecionista que eu não presenciei..kkkk

Novamente, não defendo o protecionismo de maneira alguma, só disse que em uma reforma austríaca no Brasil, as tarifas de importação deveriam ser extintas depois de certas reformas(não demoraria, seria uma das prioridades sim).
E questionei a significancia dos efeitos sob nossa situação atual.
Se esse fosse o tema do referendo amanha, eu votaria contra?
Obvio que não, independente de qualquer coisa....

Foi isso que eu quis passar....

tudo de bom e Grande Abraço!
Sim. A sorte é que, na prática, elas não são impingidas. Há tantos requisitos que têm de ser encontrados para que tais restrições sejam impingidas que, na prática, isso não ocorre.

https://www.hoganlovells.com/~/media/hogan-lovells/pdf/publication/competition-law-in-singapore--jan-2015_pdf.pdf

Aliás, veja que interessante: o caso mais famoso em que essa medida foi aplicada foi quando a CCS (Competition Commission of Singapore) multou 10 financistas por eles terem pressionado uma empresa a retirar uma oferta do mercado.

Ou seja, o governo, uma vez que ele existe, atuou exatamente naquela que é a sua função clássica: coibir a coerção a terceiros inocentes. No caso, coibiu uma pressão que estava sendo feita a uma empresa que estava vendendo produtos (seguro de vida) mais baratos.

www.channelnewsasia.com/news/business/singapore/10-financial-advisers/2611160.html

Eu quero.
Opa, eu também tenho correlações irrefutáveis!

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Caso queira mais é só pedir!


P.S.: ah, só para você não mais ser flagrado como desinformado, os irmãos Koch financiam o Cato Institute, que é inimigo figadal do Mises Institute. Os Koch desprezam o Mises Institute e seus integrantes. E o Mises brasileiro sobrevive das doações de voluntários, como você. Faça a sua parte!

www.mises.org.br/Donate.aspx
Sim e não.

De fato, se todo o crédito fosse para consumo -- uma coisa irreal, pois o crédito para consumo é o mais caro e arriscado --, o efeito imediato seria o aumento dos preços dos bens e serviços. Muitas pessoas estariam repentinamente consumindo mais (maior demanda) sem que tivesse havido qualquer aumento na oferta.

Só que tal aumento de preços mandaria um sinal claro para empreendedores: tais setores estão vivenciando aumento da demanda; ampliem a oferta daqueles bens e serviços e lucrem com isso.

Ato contínuo, a estrutura de produção da economia será rearranjada de modo a satisfazer essa nova demanda impulsionada pelo crédito.

Mas aí, em algum momento futuro, acontecerá o inevitável: se essas pessoas estão se endividando para consumir, como elas manterão sua renda futura para continuar consumindo? A única maneira de aumentar a renda permanentemente é produzindo mais, e não se endividando mais.

Tão logo a expansão do crédito acabar, e as pessoas estiverem muito endividadas (e tendo de quitar essas dívidas), não mais haverá demanda para aqueles bens e serviços. Consequentemente, os empreendedores que decidiram investir na ampliação daqueles setores rapidamente descobrirão que estão sem demanda. Com efeito, nunca houve demanda verdadeira por seus produtos. Houve apenas demanda artificial e passageira.

É aí que começa a recessão: quando vários investimentos errados (para os quais nunca houve demanda verdadeira) são descobertos e precisam ser liquidados.

E de nada adiantará o estado tentar estimular artificialmente a demanda para dar sobrevida a esses investimentos errados. Aliás, isso só piorará a situação.

Se um empreendedor investiu em algo para o qual não havia demanda genuína, ele fez um erro de cálculo. Ele imobilizou capital em investimentos que ninguém realmente demandou. Na prática, ele destruiu capital e riqueza. Cimentos, vergalhões, tijolos, britas, areia, azulejos e vários outros recursos escassos foram imobilizados em algo inútil. A sociedade está mais pobre em decorrência desse investimento errôneo. Recursos escassos foram desperdiçados.

O governo querer estimular o consumo de algo para o qual nunca houve demanda natural irá apenas prolongar o processo de destruição de riqueza.

O que realmente deve ser feito é permitir a liquidação desse investimento errôneo. O empreendedor que errou em seu cálculo empreendedorial -- e que, no mundo real, provavelmente estará endividado e sem receita -- deve vender (a um preço de desconto, obviamente) todo o seu projeto para outro empreendedor que esteja mais em linha com as demandas dos consumidores.

Este outro empreendedor -- que está voluntariamente comprando esse projeto -- terá de dar a ele um direcionamento mais em linha com os reais desejos dos consumidores.


Traduzindo tudo: a recessão nada mais é do que um processo em que investimentos errôneos -- feitos em massa por causa da manipulação dos juros feita pelo Banco Central -- são revelados e, consequentemente, rearranjados e direcionados para fins mais de acordo com os reais desejos dos consumidores.

A economia entra em recessão exatamente porque os fatores de produção foram mal direcionados e os investimentos foram errados.

Nesse cenário, expandir o crédito e tentar criar demanda para esses investimentos errôneos irá apenas prolongar esse cenário de desarranjo, destruindo capital e tornando a recessão (correção da economia) ainda mais profunda no futuro. E com o agravante de que os consumidores e empresários estarão agora bem mais endividados, em um cenário de inflação em alta -- por causa da expansão do crédito -- e sem perspectiva de renda.

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • anônimo  16/02/2017 14:53
    O empreendedor só trabalha com previsões. Ninguém deveria investir em algo que está com excesso de oferta.

    O livre mercado gera destruição com a criação de coisas novas. Foi isso que aumentou a oferta de produtos. Nenhuma fábrica ou empresa é eterna.

    O capitalismo é dinâmico. Não existe concurso com estabilidade. Muitas fábricas irão fechar e muitas irão abrir.

    Enquanto o governo não estragar o dinheiro, os empreendedores poderão criar fábricas novas. Se o governo destruir o dinheiro, as fábricas velhas irão fechar e nenhuma será aberta.

    Enfim, a destruição de fábricas poderia mostrar o tamanho da evolução. O problema é que nós fechamos fábricas mesmo havendo demanda. O grande problema é a destruição do dinheiro pelo governo.

    PS: Se você é progressista, sua opinião não me interessa.
  • 4lex5andro  19/02/2017 14:21
    O Estado se arroga na competência de que pode acertar o futuro e proteger os desvalidos, com CLt, isenções fiscais e acordos de ocasião.

    Só que beneficia ironicamente, os bancos (poucos privados e os estatais), oligopólios e cartéis, nem que pra isso gere inflação e recessão (destruindo a renda exatamente de quem diz defender).
  • Adriel Felipe  16/02/2017 14:53
    OFF

    Na parte do artigo sobre o mercado especulativo me surgiu uma dúvida: o que a EA acha da análise técnica, ou seja, das pessoas que "preveem" o sentido do mercado baseado em gráficos e rabiscos em cima dos mesmos?
  • Mr Richards  16/02/2017 16:52
    Isto é interessante, eu vi uma notícia de Luiz Barsi explicando sobre essas previsões dos agentes técnicos do mercado especulativo a base de estatísticas.

    Análise gráfica é uma fantasia", diz o megainvestidor Luiz Barsi - InfoMoney

    "EXAME.com – O que você acha da análise técnica de ações?

    Barsi – Gráfico é futurologia; adivinhação. Eu não acredito. Você conhece algum analista rico?

    EXAME.com – Nem na análise fundamentalista?

    Barsi – O analista fundamentalista é um "Yes man". Ele nunca vai falar pra você a realidade que eles gostaria de falar. Ele diz coisa baseadas em interesses. Vamos voltar uns 3 anos no tempo e lembrar dos analistas recomendando com a maior convicção do mundo as ações do Grupo EBX. Todos os grandes recomendaram – e todos os pequenos também. Pergunte se eu comprei. Claro que não. Me lembro de um relatório do Banco do Brasil recomendando a compra de OGX a 32 reais. Isso é uma baita irresponsabilidade.

    EXAME.com – Aliás, já comprou alguma ação do Grupo EBX?

    Barsi – Disso, eu não quero nem ouvir falar. Nunca comprei e nunca recomendei. Isso é fantasia. Eu compro perspectiva de resultados. Eike Batista para mim é uma grande fantasia, assim como outros por aí. Estes papéis são pura especulação. Quem entra na Bovespa para especular, nunca ficará rico. Já lhe disse: eu não compro vento."

    Estou torcendo para a próxima crise chegar - diz bilionário

    E mais, um geólogo baiano que detinha negócios com Eike Batista explicou notadamente como essas análises são furadas. Segundo ele, esses técnicos apenas conhecem matemática, eles não detém o conhecimento da aérea que estão especulando o valor das ações, eles não são geólogos ou engenheiros de petróleo, e foram justamente esses técnicos contratados pelos bancos e financeiras que recomendava as ações da empresas X de Eike Batista achando que ia ter valorização eterna.
  • Henrique Zucatelli  16/02/2017 15:10
    Muito bom o artigo, porém...

    A discussão dialética entre Mises e Marx sobre a pauta já está obsoleta há algum tempo. Caso tivesse ido além- e me refiro a Thomas Khun, a abordagem seria bem diferente. Aliás, a revolução que Khun fez ao dissertar sobre o alicerce do paradigma na pesquisa científica e a quebra do mesmo em busca de algo novo e maior, dá o tom correto ao que seria na verdade a "destruição criativa".

    Vou colar um trecho bacana de um artigo bem lúdico a respeito para demonstrar como a tal destruição existe, e após isso vou chegar na causalidade apriorista de Mises, refutando a idéia de que há apenas construção no mundo empresarial.

    "Paradigmas são as realizações cientificas universalmente reconhecidas que, durante algum tempo, fornece problemas e soluções modelares para uma comunidade de praticantes de uma ciência." (Kuhn, 1991, p.13).

    E segue:

    ""O motor das ciências é a luta entre moldelos explicativos, entre teorias e concepções de mundo, "o desenvolvimentoda da maioria das ciências têm-se caracterizado pela contínua competição entre diversas concepções de natureza distintas". (Kuhn, 1991, p.22)". É o que Kuhn denomina de ciência normal. A ciência normal não se desenvolve por acumulação de descobertas e invenções individuais, mas por revoluções de paradigmas.

    Por exemplo, a teoria geocêntrica de Ptolomeu, que afirmava ser a terra o centro do universo, foi substituída por um novo modelo, a teoria heliocêntrica de Copérnico, que afirmava ser o sol o centro. Outro exemplo é a teoria da gravitação de Newton, que afirmava ser a gravidade uma força fundamental existente em todos os corpos.

    Essa teoria foi completamente modificada por um novo modelo explicativo, a teoria da relatividade-geral de Einstein. Segundo esse novo modelo, a gravidade não seria uma característica dos corpos, mas das distorções do espaço-tempo local causado pelo peso das massas dos corpos. Essas transformações de paradigmas são revoluções científicas e "a transição sucessiva de um paradigma a outro, por meio de uma revolução, é o padrão usual de desenvolvimento da ciência amadurecida" (Kuhn, 1991, 32).""

    Ao passo que a criação de modelos empresariais passa normalmente por técnicas, sejam rudimentares ou avançadas, estas ditas técnicas acabam por se tornar ciências, e em seguida se tornam modelos de si mesmas, o que popularmente chamamos hoje de Engenharia, Medicina, Direito, Administração, Economia etc.

    Dado o dinamismo apriorista da sociedade que se interpõe entre clima, cultura , gostos, escassez, etc. há sempre o dilema entre invenção e necessidade. Se ontem recebíamos cartas, hoje são emails, IM, e outras tecnologias. Se ontem andávamos a cavalo, hoje estamos prestes a nem dirigir mais. Se ontem era necessário acender uma vela para ter luz, hoje estamos caminhando em direção a autonomia total por energia solar.

    Quando acontecem mudanças drásticas na forma como interagimos com o mundo, como foi a revolução digital, a ruptura causada pela invenção é revolucionária e destrói completamente o mundo anterior. Tal destruição não é planejada, não está contida em artigos ou em cursos regulares. Ela simplesmente acontece, e quando nos damos conta já estamos novamente em processo inventivo, que precede a destruição do velho e obsoleto. É o apriorismo puro em ação.

    Essa é a correlação com Mises, totalmente de acordo com Ação Humana, seu maior legado.

    Se você teve paciência para ler, obrigado. A partir daqui denoto o erro de causalidade do artigo.

    Voltando a Ação Humana, Mises refuta diversos paradigmas de várias correntes econômicas, políticas e filosóficas que já existiam. Mises em si é a ruptura do paradigma neoclássico, a revolução apriorista, que se seguida a risca pela sociedade, põe um fim em todos os ciclos econômicos, na inflação monetária e até mesmo no Estado - mesmo Mises sendo a favor da democracia como forma de defesa de princípios e de fronteiras.

    Logo, quando algo novo é criado e preenche todo o espaço científico que revela sucesso na empiria, a velha teoria é destruída completamente.

    Vou além e explico nessas poucas palavras o por quê dificuldade que os economistas Keynesianos, Friedmanianos e outros ao aceitar a Escola Austríaca: Mises é o novo. Ele não seguiu ninguém de fato, ele CRIOU. Só que sua criação destrói as escolas concorrentes, destrói as bases teóricas e a empiria de outros pensadores.

    Para concluir pelo momento, a destruição criativa é um fenômeno posterior a invenção genuína, que é totalmente embasada no apriorismo, ou voltando a Mises, na Ação Humana.

    Obrigado mais uma vez por quem leu tudo isso.







  • Solange Machado  16/02/2017 22:46
    Muito boas análise e referências. Inovações podem ser disruptivas ou incrementais. As disruptivas ou radicais destróem mercados estabelecidos. Alguns autores classificam as inovações radicais em duas categorias: arquitetônicas e revolucionárias. As arquitetônicas criam novos mercados, como o micro-computador, a internet. As revolucionárias mudam as tecnologias de produção.
    A inovação destrói mercados e paradigmas. Não há porque negar o caráter radical e revolucionário da inovação.
  • Tulio  16/02/2017 22:59
    Concordo plenamente com você, Zucatelli. Boas ponderações.
  • Henrique Zucatelli  17/02/2017 12:11
    Obrigado, Tulio e Solange, que apesar de eu ter escrito de forma apressada, conseguiram entender meu raciocínio.

  • Artur Gomes  17/02/2017 12:18
    Eu discordo e aponto o seu erro: pessoas criaram, mas quem realmente chancelou essa criação foram os consumidores.

    Mises criou sua teoria, mas quem realmente a chancelou e a impulsionou foram seus consumidores (seguidores). Mises não destruiu nada (tanto é que as outras teorias continuam por aí, circulando livremente). Mises apenas criou.

    Igualmente, no processo de mercado, quem realmente cria a destruição é o consumidor. Ao alterar suas preferências e demandas, é ele quem torna obsoletas determinadas indústrias. É o consumidor quem destrói. E não o empreendedor.

    Não há destruição no empreendedorismo. O empreendedorismo cria e produz. Ele não destrói nada. Por definição.

    Por isso, creio que a descrição do North foi certa: o empreendedorismo é produção criativa. Não tem nada de destruição. Quem faz a destruição é o consumidor e não o empreendedor

    O artigo se dedica a descrever a atividade do empreendedor. E não há nada de destruidor nela. A destruição quem faz é o consumidor.

    (Não me lembro de Schumpeter ter feito essa distinção).

    Abraço cordial.
  • Adriano  16/02/2017 15:12
    Irretocável!

    IMB, como sempre, mantendo alto nível.
  • Fabrício  16/02/2017 15:40
    Não só o tema principal do artigo é ótimo, como também a parte que explica o mercado de futuros é concisamente bem explicada. Eu mesmo nunca tinha entendido bem como funcionava, agora já dá pra saber.
  • Renda  16/02/2017 15:27
    O que dizer sobre uma minoria de ricos deter mais da metade da riqueza mundial?

    Como resolver isso? Porque uma minoria tem mais riqueza de que 80% da população mundial?
  • Máxima  16/02/2017 15:38
    De novo essa pergunta?! Houve um artigo sobre isso ontem!

    Em qualquer discussão sobre desigualdade, estas são as quatro perguntas que têm de ser feitas

    Mas eu vou lhe dar uma resposta atípica, porém irrefutável.

    Quem faz alarde de que 1% detém 50% de algo desconhece por completo a lei de Pareto.

    Ainda no século XIX, Vilfredo Pareto estudou a distribuição de riqueza em várias nações europeias. Ele descobriu que aproximadamente 20% da população detinha 80% do valor do capital de uma nação. Ato contínuo, ele aplicou esse raciocínio até o topo da pirâmide.

    Se 20% da população detém 80% do valor do capital de uma nação, então 4% (20% de 20%) detém 64% (80% de 80%) do valor do capital. Isso de fato se mostrou verdadeiro. Sendo assim, era de se esperar que aproximadamente 1% da população deteria um pouco mais da metade da riqueza de uma nação. E isso também se comprovou verdadeiro.

    Um grande número de estudos subsequentes indica que essa mesma distribuição se aplica para todas as sociedades estudadas. Não importa se os países eram nações pré-social-democratas (antes de 1900), nem a localização geográfica ou quão socialistas eles são. A mesma distribuição existe.

    Aliás, o que é realmente perturbador é que a regra 20-80 de Pareto se aplica a todos os tipos de estatística institucional que pouco têm a ver com distribuição de riqueza.

    Aproximadamente 20% do efetivo de uma força policial faz 80% das prisões. Aproximadamente 20% de uma determinada classe social consome 80% dos produtos destinados àquela classe. Aproximadamente 20% de um grupo faz 80% do trabalho. Aproximadamente 20% da população é responsável por 80% de toda a produção econômica. Aproximadamente 20% dos que recebem uma e-letter gratuita de fato a lêem. E por aí vai.

    Ou seja, na prática, você está protestando contra algo que, longe de ser uma novidade, é uma proporção há muito já estabelecida pela natureza. Pessoas assim fariam melhor se concentrassem seus esforços em tentar entender por que é assim em vez de ficar pedindo para os governos injustificadamente usarem de violência para tentar alterar esse equilíbrio natural.
  • Realista  16/02/2017 16:21
    Também se aplica às relações humanas. Aproximadamente 20% dos homem faturam 80% das mulheres.
  • Mr Richards  16/02/2017 17:16
    No mundo, são bastante escassos os estudos e mesmo as estatísticas sobre quem tem o quê, no conjunto das propriedades de terras e outros imóveis, bens mobiliários, como títulos de renda fixa, quotas de empresas, ações e outras fontes de renda variável, patentes e bens intelectuais e de criação, moedas, ouro e outros bens móveis.

    Quantas vezes já vimos publicados os resultados dessas medidas sobre o estoque de riqueza na economia de um país? O enorme acervo de conhecimentos (educação, habilidades, experiência) acumulados dentro de cada pessoa, o chamado capital humano, também é uma riqueza pouco contabilizada.

    Pegando o Brasil como exemplo, a distribuição desse valor, da ordem de uns R$ 20 trilhões na atualidade, entre formas de capital físico e humano, sejam muito mal conhecidas, até por pesquisadores.

    É mais comum se debater no mundo a distribuição da renda, que é um conceito de fluxo anual – "vulgarmente", os rendimentos, de capital e do trabalho de cada um. A mensuração da riqueza acumulada tem ficado relegada a um plano secundário nos debates sobre as políticas de redução da pobreza.

    A distribuição da renda nacional poderia ser muito acelerada no país se fossem tomadas algumas providências de desconcentração do capital público em favor dos credores do Estado, o povo brasileiro. Com a desconcentração do capital público, por meio de fundos sociais, uns já existentes, como o FGTS e, outros por se organizar, como o Fundo do Regime Geral da Previdência Social, uma imensa riqueza estatal reverteria para as mãos da massa da população.

    Infelizmente, a política social no Brasil sempre se ateve ao princípio de redistribuir apenas rendas, tanto assistenciais quanto previdenciárias. Sabemos, por intuição, que a concentração da riqueza acumulada no Brasil é muito grande e, em termos de comparação internacional, até maior do que a das rendas anuais. Pois é exatamente tal desconcentração que precisa ser empreendida.

    Se o Brasil quiser "apressar o passo" e mobilizar os brasileiros em torno de um projeto de país, é imprescindível que a população entenda, perceba e confie que, no saldo das ações programáticas empreendidas, é ela que, individual e coletivamente, colherá o ganho mais expressivo, e não apenas um grupo reduzido de pessoas já bem posicionadas economicamente na sociedade. Contudo, o objetivo distributivo não pode ser alcançado por expropriação da riqueza de uns particulares em benefício de outros. A alternativa viável é desconcentrar o capital público, que é imenso no país.

    A sorte grande do Brasil é ter espaços para a desconcentração de riquezas que poucos países no mundo desfrutam. Essa parcela de riqueza está em vastas reservas minerais e de energia fóssil em poder da União, como também o enorme espaço tropicultural ainda a ser explorado, nas terras devolutas. Nossa principal ferramenta para concretizar tal revolução social está no mercado de capitais – até aqui muito pouco explorado – e na execução dos direitos da previdência social brasileira.

    Para avançar mais rápido que os demais países emergentes, podemos ganhar tempo pela remoção imediata de travas à concentração da riqueza previdenciária e de capitais mobiliários. As distorções acumuladas nesse campo são tantas e tão notórias que o Brasil facilmente conseguiria pactuar formas de acelerar a distribuição mais vigorosa de sua riqueza total.

    A excessiva concentração de riqueza, como ainda ocorre no Brasil, desestimula a formação da poupança interna, já que uns permanecem pobres demais para poupar de modo significativo, enquanto outros são tão ricos que já perderam parte do estímulo em continuar investindo e empreendendo. Precisamos chegar ao equilíbrio social, estimulando o surgimento de uma classe média pujante e crescente, com vontade de progredir. Por enquanto, o governo tem acionado o benefício do acesso ao crédito pessoal, seja consignado ou habitacional, para promover as compras do cidadão.

    As famílias passam a deter mais bens de consumo e seu imóvel próprio, mas levam para casa um passivo exigível, sob forma de empréstimos onerosos que financiaram suas aquisições de ativos. As formas de ascensão econômica baseadas em endividamentos muito onerosos, como no Brasil, comprometem fortemente a renda futura dos mutuários. O perigo está no endividamento excessivo, no eventual descasamento entre o valor residual do bem adquirido e o valor da dívida assumida. Uma deterioração do valor do bem em relacão ao da dívida provocará frustração do cidadão perante seu futuro.

    Que outra forma existiria para o cidadão ir acumulando ativos sem comprometer rendas futuras? Essa forma está diante de nós: é por meio do mercado de capitais, que não tem contado, nos últimos anos, com lançamentos de emissões primárias de ações. Além disso, há uma clara estagnação do número de pessoas físicas investidoras na bolsa de valores. É necessário retomar os estímulos a maneiras práticas de trazer o cidadão a participar dessa forma de acumular rendas para o futuro, por meio da participação no capital de empresas negociadas.

    Além disso, é possível converter uma parte expressiva dos créditos que o cidadão detém contra o Estado – seja em termos dos benefícios previdenciários futuros, seja por conta dos valores depositados em fundos sociais como créditos em seu favor – para que ele venha a poder trocá-los por ativos negociáveis. O cidadão brasileiro não pode ficar apenas dependente do governo grátis que alimenta uma mera promessa política de que o Estado honrará tais compromissos no futuro por meio de aposentadorias.

    Esse tipo de dependência do indivíduo ao Estado, típica de situações em que o cidadão permanece subalterno às eventuais vantagens emanadas de um poder público todo-poderoso, interessa aos que manipulam os cordéis do governo grátis. Para reverter esse quadro, é essencial fomentar um mercado de capitais no qual se torne fácil acumular direitos mobiliários, com liquidez para trocas de posição e a possibilidade de novos empreendedores privados buscarem os recursos para facilitar o nascimento de novas empresas.

    A bolsa de valores é a mais útil e democrática entre as ferramentas sociais de aproximação de poupadores individuais aos investidores empresariais. É preciso ir mais longe e organizar a participação de milhões de brasileiros na bolsa. Organizar a poupança popular é conferir tangibilidade, quer dizer, lastro confiável, aos investimentos de longo prazo da população. Falar disso é falar de previdência.

    Poucas vezes conseguimos, no passado, converter créditos monetários detidos pela população em ativos tangíveis. Dois desses eventos ocorreram quando a lei permitiu converter até 50% do estoque de créditos do FGTS de um trabalhador para um fundo de investimento especial, chamado Fundo Mútuo de Privatização (FMP), daí resultando a compra, por centenas de milhares de detentores de FGTS, das sobras de ações da Petrobras e da Vale, detidas pelo BNDES, e então oferecidas ao público.

    O lançamento do FMP foi um sucesso em termos de rentabilidade auferida inicialmente pelos optantes do novo fundo. Entretanto, poucos trabalhadores do "chão da fábrica" chegaram a concretizar tal investimento. Não foi dado tempo suficiente para o público trabalhador tomar conhecimento dessa nova forma de investimento. A razão, alegada na época, era que o foco do lançamento das ações não seria possibilitar sua aquisição pelos trabalhadores brasileiros, permitindo seu ingresso ao mundo do capital, mas o interesse do governo em oferecer uma expressiva posição de ações aos grandes investidores, a fim de levantar caixa para a redução da dívida mobiliária do Estado. No leilão, finalmente, o grosso das ações ofertadas foi adquirido por não residentes, na bolsa de Nova York.

    O objetivo central do governo era fazer caixa, pois o Tesouro nacional estava bastante endividado e apertado. O que o governo tentou fazer, na ocasião, foi acomodar a insistência de alguns sindicatos em também participar do leilão, reservando uma parte menor da oferta aos detentores de FGTS. Jamais houve a compreensão ou, menos ainda, o esforço do governo em explicar e promover a compra de ações de importantes empresas brasileiras, preferencialmente por brasileiros. Não se deu tempo para o amadurecimento da nova ideia entre os trabalhadores detentores de FGTS, de modo que milhões de brasileiros pudessem se convencer da oportunidade que lhes estava sendo dada de virarem acionistas, portanto proprietários, de uma empresa do porte da Petrobras ou da Vale.

    Urge, portanto, uma nova mentalidade, assim como uma nova abordagem, na inserção das poupanças populares ao mercado de capitais. É necessário o convencimento geral sobre os efeitos macroeconômicos poderosos que o país colherá, a médio e longo prazos, sob forma de aumento da riqueza das famílias. Embora controvertido na literatura especializada, esse efeito positivo decorrente da desconcentração do mercado de capitais é uma realidade evidente em situações como a brasileira.

    Com efeito, o espaço de interação positiva entre a vontade individual de poupar e os instrumentos de mercado se encontra, no momento, entupido com regras complicadas, tributos variados e, principalmente, por uma concorrência desleal dos mecanismos compulsórios de captura dessa mesma poupança potencial, seja pelo INSS, FGTS ou outros acumuladores oficiais de riqueza virtual ou fictícia.

    Repetindo: dar tangibilidade e concretude aos fundos sociais, hoje manipulados à vontade pelo governo, por meio de uma nova e efetiva acumulação de ativos, é medida urgente, necessária e positiva para a poupança nacional e, lembrando, até legalmente obrigatória, embora seguidamente descumprida, em função da desobediência federal ao preceito estabelecido no artigo 68 da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF).

    Um país deve ser capaz de financiar seus investimentos, principalmente os de infraestrutura, com recursos de sua poupança interna. Economias populares de caráter previdenciário são particularmente adaptáveis ao esforço de empreender a infraestrutura do Brasil. Um trabalhador jovem, que hoje poupa para seu futuro, quando deposita os valores mensais de sua contribuição num fundo previdenciário, espera que o administrador desses recursos eleja boas opções de investimento em áreas que ofereçam retorno relativamente seguro num largo horizonte de tempo, como é a produção de energia, o pré-sal, por exemplo, e outros investimentos em infraestrutura, como a concessão de rodovias, portos e aeroportos.

    Isso simplesmente não acontece hoje. Não há um fundo previdenciário para as contribuições ao INSS. Embora omissiva, em virtude do comando do art. 68 da LRF, a ausência de um Fundo para administrar o regime geral da previdência no Brasil continua sendo a manifestação mais prejudicial do governo grátis contra os interesses dos trabalhadores.

    Quando há casamento entre a capacidade de espera do investidor, em busca de uma melhor rentabilidade de longa maturação, e a conveniência de investir a longo prazo – em portos, aeroportos, rodovias e ferrovias, usinas geradoras, poços de petróleo, novas tecnologias etc. –, aí está a chance de um país de produzir o enriquecimento geral e permitir que muitos grupos empreendedores, com a população em geral, tenham o direito de enriquecer juntos.

    No Brasil, infelizmente, esse direito ainda é constantemente negado à grande maioria, o mais triste exemplo disso tendo sido a privatização "não popular" de empresas do Programa Nacional de Desestatização, criado em 1990, em que praticamente se proibiu o concurso da poupança popular na aquisição das estatais, salvo aos empregados das respectivas empresas, mesmo assim em grau limitado de participação.

    No episódio da capitalização da Petrobras para investir no pré-sal, perdeu-se outra excelente oportunidade de se distribuir riqueza para o grande público por meio do mercado de capitais. O Brasil continua provando que o apelo populista ao governo grátis vem casado com a exclusão do direito popular à riqueza empresarial, que nasce na mão do governo por meio de empresas estatais, mas jamais se converte em riqueza compartilhada por todos. O Brasil do governo grátis é também um Brasil que exclui o povo da riqueza em ativos rentáveis. O governo grátis é especialista em oferecer renda assistencial, a conta-gotas. Deixa o povo à margem da riqueza acumulada em ativos empresariais. Descumpre a missão social maior, que seria a de desconcentrar a riqueza nacional.

    É preciso recuperar o tempo perdido. O esforço do governo, até o presente, se resumiu em aprovar, no Congresso Nacional, uma legislação reformadora da Previdência Social dos servidores federais da União, que beneficia os empregados no setor público. Mas os milhões de empregados no setor privado brasileiro, que constituem o regime geral da Previdência Social, continuam excluídos de qualquer fundo acumulador de riqueza. Está na hora de se rever todo o arcabouço da estrutura previdenciária brasileira, especialmente no tocante aos incentivos para os indivíduos contribuintes estabelecerem suas próprias formas de acumulação de rendas. Vários países de forte sensibilidade social, como a Suécia, fizeram reformas interessantes em seus sistemas previdenciários, que hoje acumulam as contribuições em contas individualizadas, por contribuinte.

    O Brasil pode chegar lá muito rápido, começando pela regulamentação do art. 68 da LRF, que comanda a criação do fundo de gestão do regime geral da Previdência Social dotado de bens imóveis e outros ativos e direitos arrecadados da União. Em suma, o que se recomenda é que, sob a forma de quotas de fundos previdenciários, os brasileiros passem a deter, em grau crescente, o acesso à propriedade dos bens de produção tangíveis do país, desse modo se distribuindo melhor a propriedade da riqueza a ser acumulada no futuro.

    Aí está o ponto fraco do atual arranjo previdenciário, que afeta muito negativamente a distribuição de renda e riqueza no país: a sociedade detém um ativo "morto" sob a forma de sua aposentadoria futura. Trata-se de uma riqueza não ativada, inerte, embora de enorme valor potencial, calculável, não em bilhões, mas em alguns trilhões de reais. Apesar do tamanho dessa riqueza, o mercado não a "enxerga", nem a precifica e, por isso, ela se perde. Do jeito como é definido hoje, o "direito previdenciário" da sociedade contra o governo está depreciado. Os incentivos para a sociedade acumular a poupança previdenciária, embora existam ficam muito aquém do seu potencial."

    Essa é a solução para a "desigualdade".

    Paulo Rabello de Castro - O Mito do Governo Grátis

    Apenas para constar, esse trecho do livro serve exclusivamente para todos os países, basta apenas correlacionar.
  • anônimo  18/02/2017 00:57
    Progressista,

    Sua dúvida é desinteressante, inoportuna, chata, etc.

    Não temos interesse em esclarecer dúvidas de progressistas. Não somos masoquistas, nem torturadores. Não queremos torturá-lo com a sua própria ignorância.

    Eu considero o progressismo uma doença que causa dano cerebral, sem cura e sem tratamento. O progressismo é incurável.

    Por gentileza, atente-se aos textos, obras e artigos. Invente a cura do progressismo ! Sai desse corpo que ele não te pertence !
  • Henrique  16/02/2017 16:54
    É destrutivo apenas para os empreendedores? E para a mão-de-obra que trabalha para eles? Não vai ter dificuldades de ser realocada?

    Abraços.
  • Meirelles  16/02/2017 17:10
    "É destrutivo apenas para os empreendedores?"

    Para os que foram incapazes de prognosticar corretamente a demanda futura dos consumidores, sim.

    "E para a mão-de-obra que trabalha para eles?"

    Totalmente livre para encontrar outra ocupação e outra especialização.

    O automóvel, o computador, a luz elétrica, a internet e a mecanização da agricultura tornaram várias formas de emprego totalmente obsoletas. Não obstante, isso não apenas não empurrou a humanidade para a pobreza endêmica, como ainda gerou a criação de maneiras totalmente novas de se ganhar a vida.

    A criação do automóvel e do caminhão, por exemplo, não apenas destruiu vários empregos no setor de carroças, como ainda tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores. Esses empregos exaustivos e deletérios para a saúde foram substituídos por novas e melhores formas de emprego. Por exemplo, as indústrias puderam expandir o escopo de seus mercados porque os caminhões as tornaram capazes de transportar seus bens para locais mais distantes.
    Com a massificação desse novo meio de transporte, as indústrias puderam se expandir vastamente, e com isso criaram milhões de novos empregos.

    Pense no computador. Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a possível exceção do automóvel. Porém, assim como os automóveis não levaram a humanidade para a miséria (todos os empregos destruídos pela criação do automóvel foram substituídos pela criação de novos e melhores empregos), tampouco o computador conseguiu esse feito.

    Ao contrário: ao passo que o computador tornou supérfluas várias formas antigas de trabalho corporal e mental, os lucros gerados por essa mecanização criada pela computação permitiram novos investimentos em milhares de outras áreas da economia, gerando a criação de milhões de novos empregos. Só a internet criou empregos que, duas décadas atrás, ninguém imaginava poder existir.

    E a eletricidade? Sua invenção destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão. No entanto, os lucros gerados por essa invenção permitiram novos investimentos em praticamente todos os outros setores da economia, o que possivelmente gerou a criação de bilhões de novos empregos, sem nenhum exagero.

    Você gostaria de voltar a viver em um mundo sem carros, computadores, internet e eletricidade? Não faltariam empregos. Você quer voltar a viver em um mundo em que praticamente todos os seres humanos tinham de trabalhar exaustivamente no campo — querendo ou não — apenas para sobreviver? Para a nossa sorte, a tecnologia acabou com a necessidade de utilizar seres humanos para fazer trabalhos agrícolas pesados, e os liberou para ir buscar outras vocações fora do campo. Foi então começou nosso processo de enriquecimento e de melhora no padrão de vida.

    Adicionalmente, a tecnologia nos possibilitou empregos com os quais jamais havíamos sonhado. Ao libertar a humanidade da necessidade de efetuar trabalhos pesados, maçantes, brutos e monótonos, ela levou uma grande fatia da população a decidir que humanos foram feitos para ser músicos, filósofos, bailarinos, matemáticos, atletas, artistas, designers de moda, professores de ioga, escritores de romances e, hoje, pessoas com profissões mais "exóticas", como YouTuber, Instagramer, jogador profissional de videogame etc.

    O mesmo é válido para a atual tendência da automação. No futuro, olharemos para o passado (hoje) e teremos vergonha do fato de que seres humanos eram utilizados para fazer determinados tipos de trabalho braçal, monótono e intelectualmente desestimulante.

    "Não vai ter dificuldades de ser realocada?"

    Aí depende das restrições e empecilhos que o governo colocar no mercado de trabalho. Se o mercado for livre, a realocação é quase imediata.

    Se for amarrado, como o brasileiro, cheio de empecilhos artificiais às novas contratações (como os encargos sociais e trabalhistas, que duplicam o custo do trabalhador para o empregador, e ainda o ameaçam em caso de futura demissão), aí pode nem haver realocação.

    Qual cenário você defende?

    Abraços.
  • Tales  16/02/2017 18:22
    Essa questão me parece muito mais interessante do que ela aparenta ser. Afora a boa resposta do Meirelles, a pergunta denota que você ainda está começando seus estudos sobre economia.
    As pessoas que o empreendedor "destruído" empregava terão que se readaptar ao mercado. Esse será o "prejuízo" delas.
    O empreendedor, que dispendeu muito tempo, muito capital, muito esforço e não observou adequadamente os sinais emitidos pelo mercado se fudeu, porque ele perdeu muito tempo muito capital e muito esforço.
    É sobre isso que é o capitalismo. O risco é todo do empreendedor.
  • Eduardo  16/02/2017 17:51
    Pelo que eu me lembre, a questão de destruição criativa de Schumpeter se referia à necessidade de destruição de empregos e bens obsoletos para abrir espaço para novos tipos de empregos, serviços e bens...
  • Rodrigo  16/02/2017 18:08
    Sim, isso realmente foi o que ele pensou. Mas ele estava errado.

    Pra começar, não há destruição. Os bens de capital, os fatores de produção e a mão-de-obra até então utilizados para fabricar os bens que deixaram de ser demandados continuam existindo. Eles não foram destruídos.

    Igualmente, as instalações fabris e os espaços industriais continuam existindo. Nada disso foi destruído. Nada disso evaporou.

    Os empregos também não foram destruídos, como muito explicou o leitor Meirelles acima. Apenas foram realocados e recriados em outros setores. Não há destruição de emprego.

    Apenas as coisas que todos esses fatores de produção produziam deixaram de ser demandas. Consequentemente, estes mesmos fatores terão agora de ser direcionados para a produção de bens realmente demandados. Eles serão adquiridos por empreendedores mais capazes de satisfazer as demandas dos consumidores.

    De novo, nada foi destruído -- exceto os rendimentos dos empreendedores ruins. Estes entraram em falência. Mas os bens físicos e os fatores de produção continuam existindo. Nada foi destruído.

    Por outro lado, várias coisas novas passaram a ser produzidas. O que houve, isso sim, foi produção criativa.

    Focar numa destruição que não houve é um conceito não apenas errado, como também repleto de conotações negativas. É se entregar de bandeja para o inimigo.


    P.S.: eu mesmo nunca tinha pensado nisso, e agradeço ao artigo por ter me aberto os olhos.
  • Thor  16/02/2017 22:56
    "Igualmente, as instalações fabris e os espaços industriais continuam existindo. Nada disso foi destruído. Nada disso evaporou"

    Meu caro, mas não passa pela sua cabeça que Schumpeter usou a expressão "destruição" em sentido metafórico, e não literal, como vc interpreta aí?


    P.S.: não estou defendendo Schumpeter, apenas levantando a lebre no sentido de ser mais provável/verossímil - pelo contexto em que usada - que a expressão "destruição" tinha para ele sentido metafórico, e não destruição em sentido literal.
  • Eriberto  16/02/2017 23:20
    Por que então enfatizar uma metáfora de cunho negativo ("destruição") e ignorar um fato real de cunho positivo ("criação")?

    Isso é jogar para o inimigo. É tiro no pé.
  • Tiago Moraes  17/02/2017 00:54
    É você quem está errado. O termo destruição criativa não tem conotação negativa e muito menos pode ser entendido em sua forma literal. Ele apenas queria dizer que o processo de inovação incessante, derivado da atividade empreendedorial, seria disruptivo.
    O que Schumpeter quis dizer é que o processo de inovação não é eficiente no sentido de Pareto, ou seja, ele não pode ser conduzido à custo de oportunidade zero. Algo precisa ser eliminado no processo, é preciso abrir mão de alguma coisa. Quando a indústria de desktops se popularizou, a indústria de datilografia foi pelos ares e com ela um conjunto de empregos e profissões desapareceram. Elas não foram conservadas ou remanejadas para "outra finalidade". Elas simplesmente morreram porque se tornaram inúteis, obsoletas. Restando aos profissionais do ramo, a reciclagem, a busca por uma nova qualificação ou o ostracismo no mercado de trabalho.

    O processo de inovação não é suave e harmonioso, porque há barreiras intransponíveis para que algo diferente aconteça. Assim como a escassez, a rigidez da força-de-trabalho em relação ao processo de inovação tecnológica é um problema que não pode ser simplesmente solucionado, apenas temos de aceitá-lo e aprender a lidar com ele. Mas algumas pessoas não conseguem ou simplesmente não querem isso. Um exemplo disso é o caso do Uber, a ascensão de aplicativos associados a serviços de transporte individual estão provocando discussões e conflitos em todo o mundo. Taxistas não estão aceitando isso de forma parnasiana ou resignada.

    Enfim, a ideia do conceito de destruição criativa é essa, o processo é importante e vital para a humanidade, mas ele não é socialmente harmonioso. Schumpeter não era negativista quanto à inovação, estava apenas constatando um fato.

    PS: Na boa, mas esse negócio de ficar com conversa de "munição para o inimigo" ou coisas afins é uma tremenda bobagem. Ciência não é futebol. O Schumpeter era liberal, era defensor do capitalismo e tinha uma visão negativa do socialismo. Na verdade, para Schumpeter, o socialismo seria o fim da humanidade. O negócio é que o Schumpeter era um tipo de intelectual que sempre teve profundo respeito por todos os outros teóricos, mesmo que o cara só escrevesse besteiras, alguma coisa ali poderia servir a algum proveito. Era essa a visão que ele tinha de caras como o Marx. Enfim, acredito que o Gary North se equivocou na interpretação do Schumpeter. Eu tenho notado que a galera dos Mises Institutes, tem se preocupado demais com confrontar teóricos de uma tradição diferente que eles terminam criando problema onde não existe apenas para o hábito de ficarem alimentando a controvérsia. E olha que eu já fui um fanboy do IMB.
  • Artur Gomes  17/02/2017 03:07
    Eu até concordo com suas colocações, Tiago, só que tem um detalhe crucial, e que muda tudo: você está descrevendo o processo de mercado; já o autor está descrevendo o empreendedorismo.

    São coisas diferentes.

    Sim, no processo de mercado há essa destruição. Mas sabe quem realmente cria a destruição? O consumidor. Ao alterar suas preferências e demandas, é ele quem torna obsoletas determinadas indústrias. É o consumidor quem destrói. E não o empreendedor.

    Não há destruição no empreendedorismo. O empreendedorismo cria e produz. Ele não destrói nada. Por definição.

    Também concordo que não se deve ficar fazendo picuinhas, mas, nesse caso específico, creio que a descrição do North foi certa: o empreendedorismo é produção criativa. Não tem nada de destruição. Quem faz a destruição é o consumidor e não o empreendedor

    O artigo se dedica a descrever a atividade do empreendedor. E não há nada de destruidor nela. A destruição quem faz é o consumidor.

    (Não me lembro de Schumpeter ter feito essa distinção).

    Abraço cordial.
  • Juliano  17/02/2017 03:14
    Hummm.... otimo ponto Artur.

    Eu também tava pensando como o Tiago, mas essa sua distinção foi bem esclarecedora. Realmente quem destrói mercados é as preferências dos consumidores e não os empreendedores. Estes só seguem os desejos dos consumidores. Empreendedores apenas criam. Nada destroem.
  • Thor  17/02/2017 12:33
    Concordo plenamente com o Tiago (inclusive quanto ao papo de "dar munição para o inimigo": isso realmente é uma besteira).

    E Artur Gomes está errado.

    Em primeiro lugar, "processo de mercado" e "empreendedorismo", embora não sejam sinônimos, são duas faces da mesma moeda: o processo de mercado é processo empreendedorial de mercado, e o empreendedorismo se dá no processo de mercado. Isso está lá em Mises, Kirzner e Huerta de Soto, dentre outros. Então é um erro querer deixar esses dois fenômenos estanques.

    Em segundo lugar, depois de estabelecer essa "diferença" como sua premissa, você tira como grande sacada outra "diferença" que não decorre dessa premissa: "consumidor-destruidor" x "empreendedor-não-destruidor".

    Perceba: essa nova "distinção" não decorre da distinção entre "processo de mercado" e "empreendedorismo", pelo simples motivo de que o empreendedor, obviamente, também faz parte do processo de mercado.

    Então esse seu "argumento", além de ad hoc - estipulado especificamente para acomodar uma objeção - é equivocado, inclusive porque você mesmo reconhece que "no processo de mercado há essa destruição".

    Ora, meu caro, se no "processo de mercado há essa destruição", então como decorrência lógica há destruição por parte dos empreendedores, porque os empreendedores FAZEM parte do processo de mercado. Isso é óbvio e notório. Querer dizer que o "processo de mercado" está restrito ao "consumidor" é um erro crasso.

    Ou seja, essa sua conclusão - "na atividade do empreendedor não há nada de destruidor nela; a destruição quem faz é o consumidor" -, além de artificial e conceitualmente errada, não tem coerência com a sua própria admissão de que no "processo de mercado há essa destruição", dado que no âmbito do processo de mercado está incluída a atividade do empreendedor, evidentemente.

    Não há como dizer que o "consumidor destrói" e o "empreendedor não destrói" se ambos - consumidor e empreendedor - fazem parte do processo de mercado; e mais: o empreendedor antecipa-se às demandas dos consumidores: o Henry Ford e o Steve Jobs se anteciparam às demandas dos consumidores, e nessa antecipação está a chave do processo empreendedorial de mercado. De novo, isso está lá em Mises, Kirzner e Huerta de Soto, dentre outros.


    P.S.: a se entender como você diz, então John Tamny (vários artigos publicados no site) está errado ao dizer que "Para criar empregos bons, empregos ruins devem ser destruídos" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2097).

    E veja que John Tamny diz com todas as letras que são os inovadores - os empreendedores - que destroem empregos (e inclusive diz que está aí a genialidade deles):

    "Uma sociedade destituída de empreendedores, de inovadores e do capital necessário para financiar suas ideias originais será inevitavelmente uma sociedade economicamente estagnada, e como tal, em declínio. Não há empregos sem investimentos. Logo, quem cria empregos são investidores, e investidores fogem de situações econômicas caracterizadas por uma falta de mudanças.
    Só que, por mais que isso seja difícil de ser aceito, ao menos em princípio, a genialidade dos inovadores está em sua capacidade de destruir empregos. A melhor maneira de se criar empregos é tornando supérfluo aquele tipo de trabalho que não mais é necessário. (...).
    A criação do automóvel e do caminhão, por exemplo, não apenas destruiu vários empregos no setor de carroças, como ainda tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores.
    Pense no computador. Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade.
    E a eletricidade? Sua invenção destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão
    Qualquer político ou economista que porventura alegue ter algum plano mirabolante para "criar empregos" deve ser prontamente ridicularizado. Eles não entendem esse básico: empresas bem-sucedidas, que empregam vários trabalhadores, só conseguiram chegar a essa condição após terem regularmente destruído outros empregos.
    A Google criou vários empregos e possui hoje vários empregados justamente porque sua abordagem inovadora na busca pelo lucro revelou um profundo entendimento sobre como destruir ou mecanizar um trabalho até então feito exclusivamente por humanos."





  • Alessandro  17/02/2017 13:47
    Parece que leram vocês aqui. O artigo de hoje é exatamente sobre isso:

    O livre comércio não destrói empregos; quem destrói empregos são os consumidores

    Ainda estou de mente aberta em relação a ambos os lados, mas ressalto que essa ideia de que é o consumidor e suas preferências quem conduz a estrutura de produção da economia -- ao decidir comprar ou se abster de comprar -- é diretamente advinda de Mises.

    Segundo Mises, os empreendedores apenas se esforçam para satisfazer da melhor maneira possível estas preferências dos consumidores. Logo, faz sentido dizer que quem realmente destrói mercados e empregos são os consumidores e suas preferências. Empreendedores apenas criam e produzem para satisfazer essas preferências. Eles não destroem nada. Apenas obedecem aos consumidores. A destruição de fato fica a cargo dos consumidores, que deixam de consumir determinados bens e serviços e passam a consumir outros.

    Caso alguém queira apontar algum erro lógico nessa minha constatação, aceito de ótimo grado.
  • Thor  17/02/2017 15:24
    Se você estivesse mesmo de "mente aberta", vc não diria isso - "caso alguém queira apontar algum erro lógico nessa minha constatação" - após o meu comentário.

    No meu comentário mostrei seu erro, e você fingiu que não viu.
  • Loki  17/02/2017 17:53
    Prezado Thor, li o seu comentário. Desculpe, mas achei confuso.

    No entanto, pesquei esse trecho que acredito sintetizar bem o seu ponto. Você diz que:

    "Ora, meu caro, se no "processo de mercado há essa destruição", então como decorrência lógica há destruição por parte dos empreendedores, porque os empreendedores FAZEM parte do processo de mercado. Isso é óbvio e notório. Querer dizer que o "processo de mercado" está restrito ao "consumidor" é um erro crasso."

    Vamos para um exemplo prático. Suponha que todos os consumidores de uma determinada cidade passaram a usar exclusivamente Uber, Lyft e Cabify. Ninguém mais usa táxi.

    Consequentemente, não há mais empregos para taxistas. Os ex-taxistas, obviamente, podem agora trabalhar como motoristas da Uber, da Lyft e da Cabify. Mas não há mais taxis tradicionais.

    Perguntas:

    1) quem "acabou" com o setor de táxi? Foram os consumidores e suas preferências voluntariamente demonstradas? Ou foram as malvadas Uber, Lyft e Cabify, que simplesmente fornecem serviços para essa população?

    2) Quem deixou explícito -- por meio de suas preferências de consumo -- que não quer mais usar táxis?

    3) Uber, Lyft e Cabify criaram empregos (inclusive para ex-taxistas). O que elas destruíram?

    4) Quem realmente destruiu o mercado de taxi?
  • Guilherme  17/02/2017 22:12
    Uber, Lyft e Cabify simplesmente ofertaram um serviço adicional ao que já existia (táxi). Em um mundo de escassez, em que a demanda é sempre maior que oferta (daí existirem preços), ofertar algo adicional não tem como ser classificado como "destruidor" (mesmo metaforicamente).

    Uber, Lyft e Cabify não destruíram nada. Ao contrário: acrescentaram à oferta. Fizeram uma produção criativa.

    Agora, se os consumidores decidiram não mais usar táxis, então isso foi decisão inteiramente deles. Uber, Lyft e Cabify não forçaram ninguém a isso.
  • Loki  17/02/2017 22:33
    Exatamente o meu ponto, Guilherme. Obrigado por fazê-lo com ainda melhor eloquência.
  • Thor  17/02/2017 23:23
    "Prezado Thor, li o seu comentário. Desculpe, mas achei confuso".

    Mais claro impossível: o contraste que você fez entre "processo de mercado" e "empreendedorismo" é artificial e conceitualmente errado; "processo de mercado" e "empreendedorismo" são duas faces da mesma moeda. Processo de mercado é processo empreendedorial de mercado.

    Ficou claro agora?

    Mais claro impossível: a diferença que você estabeleceu entre "consumidor-destruidor" x "empreendedor-não-destruidor" - com base naquele contraste errado - é tão engenhosa quanto artificial, além de contraditória com sua admissão de que "no processo de mercado há essa destruição".

    Ficou claro agora?

    Ó, deixe-se levar pela lógica:

    você admitiu que "no processo de mercado há essa destruição". Repito: VOCÊ mesmo reconheceu isso.

    Mas, mesmo assim, você insiste em dizer que "a atividade do empreendedor não destroi".

    Qual a conclusão lógica? Para VOCÊ, empreendedores não fazem parte do processo de mercado. Erro lógico-conceitual crasso.

    Ficou claro agora ou "confuso" ainda para você? Você não quer é admitir uma argumentação errada.


    E o mais curioso é como você foi moldando sua argumentação ao sabor dos comentários.

    Vamos ver.

    Primeiro você fez uma interpretação erroneamente literal de uma expressão claramente metafórica: "as instalações fabris e os espaços industriais continuam existindo. Nada disso foi destruído"

    Confrontado com isso, saiu-se com a conversa de "jogar para o inimigo", como se a teoria econômica fosse jogo de futebol ou devesse se pautar por algum "inimigo". Algo infantil, com todo respeito.

    Confrontado com isso, saiu-se com aquele equivocado contraste, já mencionado - "processo de mercado" vs. "empreendedorismo" - , tirando da cartola uma "distinção" artificial ad hoc: "consumidor-destruidor" x "empreendedor-não-destruidor".

    Eis que agora você, sem reconhecer nada disso, incorre na falácia da pressuposição embutida na pergunta, novamente pretendendo transformar em "argumento" a suposta associação "negativa" do termo "destruição", que levaria a "conotações negativas" quanto ao empreendedor, como se isso fosse "jogar para o inimigo". Sim, pq você vem com conversa de "malvada" Uber, querendo associar o termo "destruição" a "malvado empreendedor". Ah, meu caro, eu sei que você é capaz de uma argumentação mais séria.

    Seja como for, eu já respondi suas perguntinhas, meu caro:
    Eu disse lá: "o empreendedor antecipa-se às demandas dos consumidores: o Henry Ford e o Steve Jobs se anteciparam às demandas dos consumidores, e nessa antecipação está a chave do processo empreendedorial de mercado. De novo, isso está lá em Mises, Kirzner e Huerta de Soto, dentre outros".

    É claro que são as preferências dos consumidores que dão o norte ao processo de mercado; mas querer dizer que o "consumidor destrói" e o "empreendedor não destrói" é algo completamente artificial. As funções de consumidor e de empreendedor são conceitualmente distintas mas indissociáveis no processo de mercado.

    Antes de existir preferência demonstrada do consumidor pelo Uber, precisou existir um inovador (empreendedor) que se antecipou às demandas, preferências e gostos dos consumidores, inventando o Uber. Não foi o consumidor que inventou o Uber, ele demostrou insatisfação em relação aos táxis; em última instância, quem inventou o Uber foi o inovador (empreendedor), porque soube se antecipar a essa demanda, fazendo um prognóstico correto e concebendo um produto específico e concreto chamado "Uber". Isso foi o inovador (empreendedor) quem fez.

    A preferência do consumidor em não usar mais táxis, e usar Uber, adveio porque um inovador se ANTECIPOU a essa demanda. Essa antecipação (entrepreneurial alertness and discovery), aliás, está no cerne da própria doutrina misesiana, e está em Kirzner e Huerta de Soto, dentre outros.


    P. S: e o John Tamny?

    "Para criar empregos bons, empregos ruins devem ser destruídos" (www.mises.org.br/Article.aspx?id=2097).

    E veja que John Tamny diz com todas as letras que são os inovadores - os empreendedores - que destroem empregos (e inclusive diz que está aí a genialidade deles):

    "Uma sociedade destituída de empreendedores, de inovadores e do capital necessário para financiar suas ideias originais será inevitavelmente uma sociedade economicamente estagnada, e como tal, em declínio. Não há empregos sem investimentos. Logo, quem cria empregos são investidores, e investidores fogem de situações econômicas caracterizadas por uma falta de mudanças.
    Só que, por mais que isso seja difícil de ser aceito, ao menos em princípio, a genialidade dos inovadores está em sua capacidade de destruir empregos. A melhor maneira de se criar empregos é tornando supérfluo aquele tipo de trabalho que não mais é necessário. (...).
    A criação do automóvel e do caminhão, por exemplo, não apenas destruiu vários empregos no setor de carroças, como ainda tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores.
    Pense no computador. Esta máquina provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade.
    E a eletricidade? Sua invenção destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão.
    Qualquer político ou economista que porventura alegue ter algum plano mirabolante para "criar empregos" deve ser prontamente ridicularizado. Eles não entendem esse básico: empresas bem-sucedidas, que empregam vários trabalhadores, só conseguiram chegar a essa condição após terem regularmente destruído outros empregos.
    A Google criou vários empregos e possui hoje vários empregados justamente porque sua abordagem inovadora na busca pelo lucro revelou um profundo entendimento sobre como destruir ou mecanizar um trabalho até então feito exclusivamente por humanos.
    "


    Detalhe: John Tamny sustenta isso no seu livro "Popular Economics" (www.regnery.com/books/popular-economics/)


    Você tem a obrigação intelectual de dizer, com todas as letras, que, segundo você, John Tamny está errado, que ele defende uma ideia errada no livro, e que o site publicou um artigo veiculando uma ideia errada.
  • Guilherme  18/02/2017 01:18
    Todas essas invenções (carro, computador, luz elétrica, internet) não teriam sido nada caso tivessem sido rejeitadas pelos consumidores.

    Caso os consumidores não tivesses chancelado essas criações, elas teriam rapidamente desaparecido do mercado.

    Porém, como eles chancelaram, elas tiveram sucesso.

    Consequentemente, a aceitação e o subsequente uso dessas invenções por parte dos consumidores gerou todas as alterações no mercado. Simultaneamente, o abandono por parte dos consumidores das outras tecnologias (carroça, máquina de escrever, velas) selou a morte dessas indústrias.

    Ou seja, empreendedores criaram e acrescentaram bens ao mundo. Eles adicionaram à oferta já existente. Eles não destruíram nada. Muito pelo contrário: eles acrescentaram bens.

    Os consumidores, por sua vez, aceitaram esses novos bens e abandonaram os antigos. Espontaneamente. Os consumidores, em última instância, selaram a morte das outras indústrias.

    Dito isso, acho toda essa discussão completamente semântica e de pouco efeito prático. Se alguém quer seguir a ideia de que "criadores destroem", fiquem à vontade. I have no dog in this fight
  • Observação  16/02/2017 22:48
    Se Schumpeter estava errado, então Kirzner está certo (quanto à natureza do empreendedorismo).
  • Investidor Confuso  17/02/2017 02:50
    "Se ele acredita que estes bens estão hoje subvalorizados, ele fica "comprado", isto é, ele se posiciona esperando uma valorização futura destes produtos. Consequentemente, ele promete que, em uma data futura específica, irá comprar a um preço estipulado hoje, uma quantidade específica deste produto."

    Como assim "comprar a um preço estipulado hoje"? Não é isso que ocorre. Os preços futuros não tem absolutamente nenhuma relação com os preços à vista. Por exemplo, é perfeitamente possível o preço do dólar à vista hoje estar em R$3,00 e o preço do dólar futuro para janeiro do ano que vem estar em R$4,00. Quem acredita hoje que o dólar se valorizará e chegará em R$4,00 em janeiro, já perdeu a vez, não tem como comprar dólar para janeiro do ano que vem pelo preço de hoje no mercado futuro. O que pode ser feito é comprar dólar à vista e aguardar a valorização.

    "O mercado de futuros é um arranjo voluntário que promove a descoberta de preços, algo que acaba por beneficiar centenas de milhões de outros empreendedores e participantes do mercado. E, no entanto, esses outros empreendedores e participantes do mercado não pagam por esse processo de descoberta de preços. Eles são "caroneiros" no mercado de futuros. Os especuladores — os comprados e vendidos — é que arcam com todo o processo."

    Isso tudo é especulação. Tenho sérias dúvidas sobre até onde empreendedores utilizam os preços futuros para tomar decisões.
  • Afrânio   17/02/2017 02:58
    Prezado Investidor Confuso, você de fato fez jus à sua alcunha.

    Permita-me explicar-lhe como funciona o mercado de futuros utilizando o seu próprio exemplo.

    Hoje, o dólar está 3 reais. Você acredita que, daqui a um ano, ele estará a 4 reais. Já eu acredito que daqui a um ano ele estará a dois reais.

    Ato contínuo, nós dois vamos fechar um contrato: daqui a um ano, você vai comprar dólar a 3 reais de mim. E eu, obviamente, vou vender dólar a 3 reais para você. (Escolhi o valor de 3 reais para facilitar o raciocínio; o valor escolhido pode ser qualquer um entre dois e quatro).

    Você está comprado e eu estou vendido. O preço está travado em 3 reais (que foi o preço escolhido para o contrato).

    Daqui a um ano, portanto, eu tenho de vender para você dólar a 3 reais, e você tem de comprar de mim esses dólares a 3 reais.

    O que irá acontecer?

    Cenário 1: o dólar sobe para 4 reais

    Você acertou sua previsão. Você comprará dólar de mim a 3 reais e poderá revender para quem você quiser a 4 reais (preço vigente de mercado). Você se deu bem. Você terá lucro.

    Já eu me estrepei. Vou ter de arrumar dólares a 4 reais (preço vigente de mercado e vender) para vender para você por 3 reais. Tomei prejuízo.


    Cenário 2: o dólar cai para 2 reais

    Você errou sua previsão. Você terá de comprar dólar de mim a 3 reais. Nesse caso, eu posso comprar dólares a 2 reais (preço vigente de mercado) e revender para você por 3 reais. Eu me dei bem. Tive lucro.

    Já você se estrepou. Terá de comprar dólares por 3 reais e, caso queira revendê-los, só conseguirá por 2 reais. Tomou prejuízo.

    Pronto. É assim que funciona os contratos no mercado de futuros.


    Aí você encerra dizendo:

    "Isso tudo é especulação. Tenho sérias dúvidas sobre até onde empreendedores utilizam os preços futuros para tomar decisões."

    Sim, é especulação. Só que esses especuladores fazem um trabalho essencial: eles atenuam grandes flutuações nos preços e fazem com que os preços futuros, ao já serem incorporados nas expectativas atuais, rapidamente se concretizem.

    Especuladores fornecem o serviço precioso de mover os preços futuros para níveis mais acurados. Os especuladores têm lucros ou prejuízos na mesma proporção em que eles respectivamente corrigem ou perturbam os preços de mercado.

    E esses preços de mercado são os mesmos utilizados pelos empreendedores. E por todos os cidadãos comuns.
  • Adriel Felipe  17/02/2017 12:08
    Afrânio,

    Para complementar sua resposta, gostaria de dizer que não necessariamente alguém tem que perder para outro ganhar. Alguém que me venda o dólar daqui a 30 dias pelo preço de hoje me protege das oscilações do mercado e torna a minha viagem para a Disney muito mais racional e planejada.
  • Walras  17/02/2017 16:31
    Neste artigo acadêmico de 1987, Rothbard explicita as contradições de Schumpeter:

    mises.org/system/tdf/rae1_1_6_2.pdf?file=1&type=document
  • Tradutor Liberal  17/02/2017 20:12
    A seguinte passagem do texto:
    [I] No mercado de futuros, "vendidos" e "comprados" fazem contratos uns com os outros. Para que haja um vendido tem necessariamente de haver um comprado. E vice-versa. Este é um processo de soma zero. O ganhador ganha à custa do perdedor.[/i]
    Me pareceu equivocada do ponto de vista praxeológico.
    Ao decidirem (agirem) operar comprados ou vendidos os especuladores fizeram uma escolha racional, ou seja, acreditaram que estariam em uma situação melhor ao marcar a posição no mercado futuro.
    Se após essa ação (ficar comprado ou vendido) o resultado for diferente do esperado isso não muda a escolha racional feita a priori.
  • Afrânio  17/02/2017 22:11
    O que é "equivocado do ponto de vista praxeológico"? Foi feita uma descrição de como funciona um contrato de mercado de futuros. O funcionamento de um contrato de mercado de futuros é estritamente daquele jeito; não é algo aberto a interpretações filosóficas. É simplesmente aquilo. É como regra de futebol: você pode achar boa ou não a regra do impedimento, mas ela é daquele jeito, independente do que você pense praxeologicamente.

    Não entendi sua colocação. Em momento algum fala-se que não houve qualquer racionalidade. Cada lado do contrato agiu racionalmente esperando ganhar. Mas só um irá ganhar. E ambos sabem disso.

    Qual o problema praxeológico?
  • Tradutor Liberal  17/02/2017 23:38
    Não coloquei meu argumento claramente.
    Quis dizer que na visão austríaca e praxeológica não existe soma zero quando há ausência de coerção.
    Assim, se após escolher (agir) ficar vendido o sujeito perceber que errou (e assim perdeu dinheiro) isso não quer dizer teve soma zero.
    Ambos (comprados e vendidos) agiram com a intenção de sair de uma situação de menor conforto pra uma de maior conforto.
    O que ocorreu depois dessa ação não interessa pra praxeologia.
    Por fim, só teríamos soma zero se alguém fosse coagido (obrigado) a optar por uma das duas posições no mercado (comprado ou vendido).
  • 4lex5andro  19/02/2017 17:15
    O ponto de divergência com o termo ''soma zero''. Diante dos postulados da Ea não procede ''soma zero'' em negociações, mas uma correspondência mútua de entrada/saída de capitais (seja em forma de produtos, dinheiro ou os dois).
  • Rodrigo  20/02/2017 04:43
    Por qual motivo os especuladores do mercado de opções não foram citados? Estes ao especularem não colaboram para que a descoberta de preços ocorra?
  • Garcia  20/02/2017 12:20
    Mesmíssimo raciocínio do mercado de futuros. Aliás, a diferença de um para o outro está meramente em alguns detalhes técnicos. A ideia e os objetivos são os mesmos.
  • Andre  20/02/2017 14:47
    Os especuladores prestam importante serviço ao sistema, pois dão liquidez às ações e títulos que os pais de família da classe média aplicam seu patrimônio, num pânico este pai de família pode recuperar seu patrimônio com perda de 5 a 10% ao invés de um colapso dos preços dos ativos que ocorre quando vendedores não encontram compradores.


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