Para que servem os direitos sociais? - ou: 100 anos de Constituições que prometem mundos sem fundos
A empiria comprova a teoria: quanto mais direitos as Constituições prometem, mais pobre é o país

No dia 05 de fevereiro de 2017, a Constituição do México completa seu centenário. Fruto da revolução mexicana, a carta promulgada em 1917 é celebrada como a primeira da história a contemplar os chamados "direitos sociais", aqueles que pretendem garantir aos cidadãos prestações materiais por parte do estado. Rompia, assim, com a tradição liberal clássica de suas antecessoras desde o século XVIII.

As Constituições modernas de até então, influenciadas por ideais iluministas, consistiam em instrumentos de garantia de um governo limitado, a partir do reconhecimento expresso de liberdades individuais e direitos de propriedade, além de mecanismos de freios e contrapesos para controle do poder estatal.

Como escreveu James Madison, um dos founding fathers da Constituição dos Estados Unidos da América de 1789: 

"Se os homens fossem anjos, nenhum governo seria necessário. Se os anjos governassem os homens, não seriam necessários controles externos nem internos ao governo. Ao configurar um governo que será administrado por homens sobre homens, a maior dificuldade consiste nisto: deve-se primeiro habilitar o governo a controlar os governados; e em seguida obrigá-lo a controlar a si mesmo" — The Federalist nº 51

A Constituição mexicana, entretanto, adotou lógica distinta. Inaugurando um formato que seria seguido pela Constituição russa de 1918, pela de Weimar de 1919 e tantas outras até os dias atuais, inclusive a brasileira de 1988, a Carta do México transformou o governo em protagonista das mudanças sociais idealizadas pelos seus autores. Nesse sentido, o documento conferiu ao estado a incumbência de prover aos indivíduos determinadas prestações materiais consideradas básicas (como o ensino gratuito em estabelecimentos oficiais, art. 3º), além de permitir ampla intervenção governamental na economia, em propriedades privadas e em contratos (o que serviu de fundamento, anos mais tarde, para a expropriação de empresas petrolíferas que atuavam no país).

As premissas do constitucionalismo original, baseadas na desconfiança em relação aos exercentes do poder político, foram substituídas pelo seu exato oposto: uma inabalável confiança na capacidade de governantes atuarem como planejadores centrais, controlando a ordem econômica e a geração de riquezas na sociedade para atingir finalidades preestabelecidas, desde que estejam vinculados a esses propósitos por ordem constitucional.

O constitucionalismo liberal introduziu e popularizou institutos essenciais para o progresso social, como o respeito aos contratos e à propriedade, a previsibilidade das ações do governo limitado e a liberdade para trabalhar, criar e empreender, tudo isso sob a garantia de cumprimento forçado das regras em caso de desvios. A correlação entre esse ambiente institucional e o desenvolvimento econômico e social é ressaltada por renomados estudiosos, incluindo Douglass North, Daron Acemoglu e Robert Cooter. Em suas obras, encontram-se diversos exemplos históricos de que o respeito a essas condições básicas é essencial para a produtividade da economia, sendo este o fator determinante na eliminação da miséria e na melhoria da qualidade de vida da população.

Por isso, não é surpresa que uma ex-colônia tenha se tornado, menos de cem anos após a sua Constituição entrar em vigor, a maior economia do mundo: por volta de 1870, os Estados Unidos da América assumiram o posto no qual se revezavam China e Índia desde pelo menos a crucificação de Cristo.

Em contrapartida, a eficiência do modelo de constitucionalização de prestações materiais pelo estado como meio para o efetivo desenvolvimento da sociedade ainda carece de demonstração empírica. Os fatos resistem à tentação de atribuir às "Constituições socioeconômicas", repletas de promessas a serem implantadas pelas mãos de seus respectivos governantes, os méritos pela redução das mazelas sociais. A diminuição de 35% no número de pessoas vivendo abaixo da linha da pobreza ao redor do mundo entre 1990 e 2013 não pode ser explicada pela sistemática aprovação de Constituições socioeconômicas. Pelo contrário: suas causas mais plausíveis são ligadas à diminuição do planejamento central das economias: a queda do muro de Berlim (1989), a abertura comercial da China (sendo importante marco a reabertura da bolsa de valores de Xangai em 1990) e a liberalização da economia da Índia (1991) são alguns dos exemplos mais relevantes.

Mesmo assim, o exemplo mexicano foi reproduzido pelo mundo. Hoje, 65% das Constituições ao redor do globo preveem o direito à saúde "gratuita"; 60% o direito à educação "gratuita"; 48% a seguridade social; e outros 32% sistemas de amparo aos desempregados. Confira aqui o ranking elaborado pelo Comparative Constitutions Project.

Segundo este mesmo ranking, a Carta mexicana aparece como a 6ª Constituição mais extensa e a 8ª que mais reconhece direitos no mundo (consideradas no cálculo as 225 emendas que recebeu até os dias atuais). A Constituição brasileira de 1988, por sua vez, é a terceira mais extensa do mundo, ficando atrás apenas das cartas indiana e nigeriana. Em número de direitos, ostenta o impressionante 10º lugar (o pódio é composto por Equador, Bolívia e Sérvia).

O top 10 nesses dois quesitos ainda é composto por países como Papua Nova Guiné, Paquistão, Zimbábue, Bolívia, Cabo Verde, Angola e Venezuela. Não é preciso esforço para perceber que esses países não são exemplos mundiais em educação, saúde, bem-estar do trabalhador etc.

Por outro lado, a parte inferior da tabela inclui entre aqueles cujas Constituições são menos extensas e menos pródigas em direitos países como Austrália, Israel, França, Áustria, Mônaco, Japão, Luxemburgo e Cingapura. Eventuais programas assistencialistas e intervenções na economia promovidos pelos governos desses países não excluem o fato de que seu progresso não pode ser creditado a direitos socioeconômicos constitucionalmente garantidos. A verdade é que, nos seus cem anos de vida, a Constituição mexicana assistiu ao sucesso econômico e social fulminante de outros países que adotaram Cartas fundamentais bem menos ambiciosas.

Um dos exemplos mais marcantes de superação da pobreza sem messianismo constitucional vem da Ásia. Quando declarou independência do Reino Unido em 1963, Cingapura possuía um PIB per capita de apenas US$ 510, inferior ao do Zimbábue de então. Em 1990, o valor já era próximo a US$ 13 mil — superior ao PIB per capita no Brasil de hoje. Atualmente, Cingapura possui cinco vezes o PIB per capita brasileiro, o quarto maior do mundo, e tem a 8ª economia mais complexa e diversificada do planeta.

E os indicadores sociais são tão impressionantes quanto os macroeconômicos. Cingapura é o país com a menor taxa de mortalidade infantil no mundo, segundo o Banco Mundial; possui o segundo sistema de saúde mais eficiente; teve o melhor desempenho na avaliação educacional mais recente da OECD (PISA); ostenta um índice de desemprego de apenas 2%; a renda média mensal dos trabalhadores do país é de US$ 3.252,20; seu índice de homicídios por 100 mil habitantes é de apenas 0,3; e é o 3º país com a maior expectativa de vida, também segundo o Banco Mundial.

Todo esse notável progresso foi alcançado sem que qualquer direito socioeconômico conste da Constituição de Cingapura. (Confira aqui um breve relato da história de Cingapura).

O desempenho do México, por sua vez, ficou bastante aquém do que o seu constituinte prometeu para o país há um século. Em 1970, mais de cinco décadas após a promulgação da Carta fundamental, os poucos indicadores sociais registrados à época naquele país ainda destoavam bastante do cenário de avanços sociais esperado. Mais de um quarto da população era composto de analfabetos e o índice de mortalidade infantil era quase quatro vezes superior aos dos vizinhos do norte EUA e Canadá.

O gráfico abaixo, com dados do Banco Mundial, mostra que a economia mexicana teve uma trajetória de baixo crescimento até o ano de 1986, precisamente quando ocorreu a assinatura, pelo país, do Acordo Geral de Tarifas e Comércio (GATT), dando início a um processo de liberalização da economia. Com isso, o país alcançou melhoras no campo social: hoje, 85% da população tem acesso a saneamento básico e o índice de matrícula na educação primária é de 95,1%. Todavia, a taxa de pobreza é de 41,2% da população e a de indigência 16,3% (no Brasil, os índices são respectivamente de 16,5% e 4,6%).

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Titular de uma das Constituições mais pródigas do mundo, o Brasil não é orgulho internacional em matéria de avanços sociais mesmo após quase trinta anos de sua vigência.

Metade da população sequer tem acesso ao saneamento básico, ocasionando inúmeras doenças, como cólera e hepatite. Em um ranking de 55 países, o sistema de saúde brasileiro figura como o 54º menos eficiente. O brasileiro médio possui, hoje, o nível de educação que sul-coreanos possuíam na década de 1970 e chilenos em 1990 (vide gráfico abaixo). Além disso, o Brasil é o país com a 8ª maior população de adultos analfabetos do mundo: cerca de 14 milhões de pessoas.

No ensino superior, o desempenho é igualmente pífio: não há nenhuma universidade do país entre as cem melhores do mundo. Quanto ao campo trabalhista, a taxa de desemprego atingiu 12% no final de 2016, afetando 12,3 milhões de brasileiros.

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Apesar da não realização do sonho constitucional em terras brasileiras, a fé no poder transformador da Carta permaneceu intacto. Mais ainda: difundiu-se a visão de que a frustração dos avanços sociais desejados era exclusiva culpa dos administradores públicos, pouco interessados que seriam na aplicação dos recursos necessários à manutenção dos serviços impostos pela Constituição.

Esse discurso é tão questionável quanto contraditório. Questionável porque não se imagina um administrador a quem não interessaria o capital político decorrente de manter, em seu mandato, serviços de primeira qualidade. Contraditório porque, se de um lado pressupõe a desconfiança nos administradores públicos, de outro mantém forte a esperança em uma Constituição que atribui a esses mesmos agentes a tarefa de promover o avanço socioeconômico de que tanto dependem os mais necessitados.

Como resultado da crença no modelo constitucional brasileiro, a saída foi recorrer ao Judiciário para exigir a concretização do seu texto.

Em um ranking de países emergentes, o Brasil tem o maior número de ações judiciais sobre direitos sociais à saúde e educação, com 118 (cento e dezoito) vezes mais processos que a segunda colocada Índia, um país com população seis vezes superior.[1] Ninguém poderá acusar os juízes brasileiros de não terem tentado colocar em prática as promessas do constituinte.

O grande problema é que as prestações garantidas por decisões judiciais não se mostraram universalizáveis a todos os titulares de idêntico direito. Em 2012, a União sofreu bloqueios judiciais no montante de R$ 279 milhões para atender a 523 (quinhentos e vinte e três) pacientes — no mesmo ano, o orçamento da saúde foi de R$ 46 bilhões para uma população de mais de 199.000.000 (cento e noventa e nove milhões) de pessoas. No Município de Campinas/SP, 16% de todo o orçamento da saúde de 2009 foi destinado a 86 (oitenta e seis) ações judiciais — a população atual é superior a 1,2 milhão de pessoas. Estudos empíricos apontam que, no Brasil e em outros países, a atuação do Judiciário na efetivação de direitos sociais tende a favorecer cidadãos de classes mais altas, com renda suficiente para custear o acesso à justiça.[2]

E apesar de todos os esforços para atender ao desejo da Constituição pelos métodos eleitos nas suas normas — prestações materiais do estado com dinheiro dos cidadãos —, os indicadores socioeconômicos do país prosseguem decepcionantes.

A decisão entre financiar um serviço de forma coletiva ou individual é muito mais simples em países cujos cidadãos em geral gozam de boa situação financeira. Em uma comparação simplista, é como a escolha entre instalar uma academia de ginástica em um condomínio de luxo, a ser financiada pelas cotas condominiais, ou deixar que cada morador contrate os serviços das academias externas que preferirem. A academia do condomínio provavelmente será satisfatória, muito embora grandes redes de academia prestem um serviço melhor.

Se no mesmo exemplo, todavia, o condomínio for de baixa renda, os custos da academia interna, que tenderá a possuir uma estrutura precária, podem tornar as cotas insuportáveis para os moradores, sem contar a possibilidade de estes obterem no mercado um serviço melhor e mais barato.

A cristalização da escolha da coletivização de serviços nas Constituições de países pobres não apenas se revelou um método incapaz de universalizar esses serviços com qualidade, como também, a exemplo do caso brasileiro, pode justificar a expansão do estado sob a forma de tributos, burocracia e regulações pretensamente destinados a efetivá-los. O custeio desses serviços é financiado por recursos expropriados da sociedade, dando origem a estruturas em cujos caminhos ocorrem desperdícios por ineficiência ou corrupção — no Brasil, segundo a Advocacia-Geral da União, cerca de 70% dos recursos desviados em atos de corrupção seriam destinados à saúde ou educação.

Os investimentos nessas áreas e afins acabam prejudicados, ao contrário do esperado. Além disso, como consequência da ampliação do planejamento central, cada vez mais inóspito se torna o ambiente para o planejamento privado, aquele necessário ao salto de produtividade da economia que conduz à eliminação da miséria. Nesse contexto, os direitos socioeconômicos terminam por frustrar a plena efetividade dos direitos fundamentais de liberdade, sem que garantam o alcance dos tão almejados resultados sociais.

Por essas razões, o Professor da Universidade de Harvard Cass Sunstein afirma que a inclusão de um "catálogo caótico de abstrações do estado de bem estar social" em Constituições constitui "um grande erro, possivelmente um desastre". Segundo ele:

Países devem usar suas Constituições para produzir duas coisas:

(a) firmar direitos de liberdade — livre manifestação, direitos de voto, proteção contra abusos do sistema de justiça criminal, liberdade religiosa, barreiras a discriminações injustas, direitos de propriedade e contratuais; e

(b) as precondições para algum tipo de economia de mercado.

O catálogo sem fim do que chamo de 'direitos positivos', muitos deles absurdos, ameaça enfraquecer essas duas importantes funções. (...) A Constituição não deve assumir o controle sobre a esfera privada, a sociedade civil e os mercados econômicos. (...) Se prestações positivas do Estado são encaradas como direitos subjetivos, pode haver efeitos corrosivos ao empreendedorismo e à iniciativa individual".[3]

Para conferir embasamento empírico às considerações até aqui apresentadas, os professores Adam Chilton (Universidade de Chicago) e Mila Versteeg (Universidade da Virgínia) utilizaram dados de 186 países para averiguar se os direitos constitucionais à educação e à saúde realmente geram aumento de gastos governamentais e se provocam melhoria nos índices de desenvolvimento nessas áreas, como matrícula escolar, taxa de alfabetização, número de leitos de hospital e expectativa de vida. Em relação a uma gama menor de países, o teste também incluiu os direitos à seguridade social e à moradia. O estudo conclui que não foram observados efeitos positivos em relação a indicadores socioeconômicos nas áreas de educação e saúde.

Os 100 anos que se passaram exigem uma reflexão urgente sobre o papel da Constituição para a sociedade e os mecanismos que, de fato, conduzem a avanços sociais. A primeira opção é ignorar os resultados observados até aqui e esperar mais um centenário pela milagrosa transformação do texto constitucional em realidade, pela obra de heróicos, oniscientes e abnegados administradores públicos. A segunda opção, que não rende discursos emocionados ou títulos comoventes para bestsellers jurídicos, é deixar de lado a retórica e reproduzir o método adotado por outros países para tornar a economia mais dinâmica e produtiva, única forma de proporcionar aos cidadãos bens e serviços de qualidade e mais acessíveis — inclusive em matéria de saúde, educação, saneamento e afins.

Sair do conforto da ilusão exige esforço e sacrifício, mas apenas pelo segundo caminho haverá algo a se comemorar nos anos que virão.


[1]GAURI, Varun; BRINKS, Daniel M. Courting Social Justice – Judicial Enforcement of Social and Economic Rights in the Developing World. New York: Cambridge University Press, 2008. p. 313.

[2] LANDAU, David. "The Reality of Social Rights Enforcement". In: Harvard International Law Journal 53, 2012, p. 190-247. GAURI, Varun; BRINKS, Daniel M. Courting Social Justice – Judicial Enforcement of Social and Economic Rights in the Developing World. New York: Cambridge University Press, 2008. p. 117.

[3] SUNSTEIN, Cass R. "Against Positive Rights Feature". In: 2 East European Constitutional Review 35 (1993).


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SOBRE O AUTOR

Bruno Bodart
é bacharel e mestre em Direito pela Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ). Cursou análise econômica do Direito pela Universidade de Chicago (EUA). É juiz de Direito do TJ-RJ. Professor convidado da pós graduação da FGV. Professor da Emerj e da Emarf. Diretor da Associação Brasileira de Direito e Economia (ABDE). Membro do Instituto Brasileiro de Direito Processual (IBDP).




"Foram mal abordados, muito mal abordados.

"imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado" Eua imprime dólar, UE imprime Euro, Japão imprime Iene."


Eis um trecho do artigo:

"Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza."


Você fala como se estivesse rebatendo alguma afirmação, que o próprio artigo mostra como é falsa; mas essa afirmação quem criou foi você próprio, sabe-se lá de onde.

É surreal você dizer que isso advêm da perda de consumo da população, a inflação desses países é próxima de zero há muito tempo. (não quero dizer que isso funcionária em todos os países do mundo)

Você está falando de "inflação de preços", aumento no preço de diversos produtos na economia geral; o artigo está falando de
inflação monetária, aumento da oferta monetária, dinheiro em circulação na economia. É possível haver baixa "inflação de preços" ou mesmo "deflação de preços" onde há inflação monetária. Basta que o aumento em produtividade e outros fatores (que diminuem preços) seja maior que o aumento dos preços por conta da inflação monetária.

Agora, se você acha que não há relação alguma entre oferta monetária e aumento de preços, creio que você descobriu o Paraíso na Terra -- podemos simplesmente imprimir dinheiro à rodo e dar para todos, e não haverá efeito colateral algum nisso.

"EUA tirou o país de uma recessão enorme em 2008 com as práticas Keynesianas, existem vários e vários exemplos da prática aplicada e funcionando, em nenhum momento é perfeita e sem qualquer tipo de ônus, mas é o melhor que pode ser feito."

Sim, o Keynesianismo tirou os EUA da recessão -- causada por esta mesma ideologia e suas taras por expansões artificiais:

Como ocorreu a crise financeira americana
Explicando a recessão europeia
Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)
A geração e o estouro da bolha imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil

Creditar a teoria Keynesiana por tirar os EUA da recessão se resume à isto: o que seria de nós, se após quebrar nossas pernas, o Estado não nos desse muletas?

"Aliás uma pergunta, você já prestou ANPEC alguma vez? acredito que seu conhecimento é bem maior do que as frases feitas que posta aqui no site."

E como sempre, o grande feito para um Brasileiro é passar em concurso.

"Apesar de ter grande admiração por Keynes eu não tenho asco por nenhum grande pensador econômico, seja ele Marx ou Hayek, não é o que acontece por aqui, infelizmente. Inclusive, ressaltei que não é impossível que Keynes esteja errado em alguns pontos, visto o tempo que já se passou."

Não posso falar por todos membros que acompanham este instituto, mas pouco me importo com Keynes, Hayek, Mises, Friedman, quem quer que seja. Apenas me importo com as ideias que estes defendem. Se Marx falar algo correto, defenderei isto. Se for Keynes, também. Mises, mesma coisa.

"Peço mais uma vez que seja exposto para que haja um debate honesto. Pela segunda vez eu estou usando exemplos reais, práticas já aplicadas e com ressalvas de que nada pode ser generalizado, você escreve de forma rasa, com várias teorias que sequer foram testadas e lotado de frases feitas para atingir quem está no topo (Keynes). "

"Nada pode ser generalizado" é algo tão estúpido que eu não acho que seria preciso comentários para mostrar a estupidez desta afirmação.

"Você escreve de forma rasa" -- disse quem credita a teoria Keynesiana como positiva por tirar os EUA da recessão, causada pela mesma.

"Com várias teorias que sequer foram testadas" -- Eis o comentário feito por quem você está criticando:

"1) "Podem vir de emissão de títulos públicos"

E quem paga os juros e o principal destes títulos públicos? De onde vem o dinheiro?

2) "Impostos pagos anteriormente que geraram caixa"

Ou seja, o dinheiro veio da população.

3) "Expansão monetária direta, da forma que é feito na UE, EUA e Japão"

Ou seja, o dinheiro veio da redução do poder de compra da população.

4)"Qualquer financiamento para qualquer tipo de obra" "


Todos estes pontos são lógicos, e não empíricos. Faça um favor a si mesmo, e corra urgentemente para uma livraria e compre qualquer livro iniciante sobre lógica ou argumentação. O seu caso é grave.



Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

Os contra armamento nunca respondem essa pergunta e sempre a evitam. Eu vou responder de acordo com a instrução que a policia passa para a população:

1. Se der tempo, ligue para a policia, se você der sorte, eles podem passar por ali antes do bandido conseguir entrar na sua casa.

2. Faça tudo que o bandido manda. Se ele quer seus bens, dê. Se ele quer estuprar você, deixe. NÃO RESISTA DE FORMA ALGUMA.

3. No dia seguinte, faça um boletim de ocorrência e reze para que seu caso seja um dos 8% que são resolvidos no Brasil.

Agora eu tenho algumas perguntas também:

1. Se bandidos querem bens, por que não assaltam o congresso nacional? Ali está reunido várias pessoas milionárias. Enriqueceriam facil! Será que é por que ali tem seguranças armados que não hesitariam em atirar?

2. Por que não assaltam juizes e deputados quando estão fora do congresso? Será que é por que os mesmos dispõem de seguranças armados?

3. Por que não atacam carros fortes que transportam valores toda vez que os mesmos saem da garagem? Será que é por que os guardas estão bem armados?

Quem prega o desarmamento da população não entende que o bandido, seja o de colarinho branco ou o comum, é um ser de mentalidade oportunista. Independente do historico de pobreza (ou não), ele não irá atacar lugares fortemente armados porque o risco/beneficio é muito alto, e eles são inteiramente capazes de fazer esse julgamento (caso não o fossem, os lugares que citei seriam atacados diariamente).

Sabe onde eles atacam? Onde o risco/beneficio é baixo. E adivinha quem apresenta isso? Sim, uma população desarmada e instruida a não reagir de forma alguma.
Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
Todas essas situações de "stress" que você citou podem perfeitamente acabar também em facadas, canivetadas, garrafadas na cabeça, pedradas, ou socos na cara (é bastante comum uma pessoa morrer em decorrência de um simples soco na cara; ver aqui e, principalmente, aqui).

Portanto, você criou uma falsa equivalência.

"Campanhas desse tipo me faz [sic] refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!"

Ininteligível.

"Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí!"

Você pode ter. Eu não tenho nenhuma. Por favor, me diga qual a minha culpa em haver "bandidos mandando no seu estado"?

"Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos"

Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

"afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!"

Errado. Um dos motivos de se propagarem é o fato de armas estarem acessíveis para eles no mercado negro e nenhuma arma estar acessível para o cidadão comum no mercado legal.

Bandidos proliferam quando sabem que suas potenciais vítimas estão completamente desarmadas pelo estado.

Beira o cômico você ignorar isso.

"Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas!"

Pois então cite nomes e prove que eles estão ligados a este site. Caso contrário, tenha a hombridade de se retratar.

"Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!"

Que campanha?!

"E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!"

Estamos vendo...

"Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!"

Acho que sua erva venceu e você não percebeu. Sugiro trocar seu fornecedor.
Mais um que chegou rugindo, levou uma resposta (completa e educada), e agora saiu miando, praticamente de quatro.

Não só não retrucou nada que lhe foi respondido, como ainda chegou ao cúmulo de inventar uma resposta que nunca foi dada. Em nenhum momento o artigo ou algum comentarista falaram que "imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado". Tal frase simplesmente não está escrito em lugar nenhum do artigo e nem desta seção de comentários.

Isso mostra bem o nível do desespero e da ética do cidadão. Mas, também, keynesianismo e falta de ética sempre andaram lado a lado.


P.S.: não resisti e terei de comentar esta:

"os grandes empresários começam fazendo empréstimos e assim aumentam seu patrimônio. Jorge Paulo Lemann convive com um passivo enorme e é o homem mais rico do brasil."

Com a pequena, ínfima, insignificante diferença que JPL é criador de riqueza e de valor. As pessoas voluntariamente compram os bens e serviços produzidos por JPL, e é isso o que o deixou rico. Quem cria riqueza continuamente, como faz JPL, pode se endividar muito e ainda assim se manter plenamente solvente.

Toda essa dívida será paga com capital próprio. JPL não terá de assaltar ninguém, roubar ninguém, confiscar dinheiro de ninguém para pagar suas dívidas. (E, em caso de insolvência, quem se estrepa são seus credores, e não a população inteira, que não terá de arcar com nada disso).

E o governo? Ele cria riqueza? Ele trabalha com capital próprio? Ele utiliza dinheiro próprio para pagar suas dívidas?

O fato de você dizer que o governo opera igualzinho a JPL mostra bem o seu nível de conhecimento econômico.

É cada coitado que é destroçado por aqui...
O que falo para os meus alunos sobre isso,

Primeiro, uma pergunta:

Será que todas aquelas pessoas que ainda não tenham nenhum crime registrado pela polícia, são cidadãos de bem?

Como eu posso garantir que, o estado dando o direito a posse de armas a todos(as) conseguirá evitar que,

O "brigão baladeiro" na hora da raiva cometa uma tragédia na saída da balada!

Na briga de trânsito o cidadão estressado não dispare contra o outro!

O colega de turma que, nunca imaginei que ele tivesse esquizofrenia iria disparar contra toda a turma com a arma do pai ou da mãe!

A mulher que, já sofria com as agressões do Marido, agora vive ainda mais a pressão psicológica por ter uma arma na sua cabeceira!

As crianças que sabem onde os pais guardam suas armas, e depois um tem que falar, foi uma brincadeira!

O vizinho que se estressou com som alto durante a madrugada!

Enfim são inúmeras as situações!

Sobre o uso da arma, "modestamente" posso afirmar: mesmo aquela pessoa que nunca frequentou a escola até aquela que teve o mais alto nível de educação acadêmica está suscetível ao stress, e nessa hora, para muitos, será o motivo de cometer um crime passional (o primeiro)!

Campanhas desse tipo me faz refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!

Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí! Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos, afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!

Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas! Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!

E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!

E se eu estiver numa turma com crianças ou adolescentes:
Sempre tem aquele que exclama,

- Mas só os bandidos tem o direito de possuir armas, o cidadão de bem, não!

- Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Luciano A.  07/02/2017 03:38
    Fiquei surpreso com a França ter uma constituição mais simples e com menos direitos que o Brasil.

    De acordo com o link: comparativeconstitutionsproject.org/ccp-rankings/ são assegurados apenas 13 direitos na constituição francesa, isto está correto?

    Difícil acreditar...
  • Torcedor do America  07/02/2017 13:35
    Também achei estranho. França é um dos berços da social-democracia.
  • Prostituta Perneta  07/02/2017 08:22
    No que diz respeito ao exemplo de Cingapura, no mesmo ranking que lista o país como o segundo serviço de saúde mais eficiente do mundo, logo atrás em terceiro vem a Espanha, que até onde sei tem um ótimo serviço público de saúde e o que não falta é elogios à saúde pública deles, se a Espanha pode, porque o Brasil e os outros países não podem? Essa parte ficou um pouco confusa pra mim.

    PS: Só estou querendo entender mesmo!
  • Two-Legged Pimp  07/02/2017 11:13
    Não entendi esse seu "Espanha pode" e "Brasil e outros não podem". No Brasil, há saúde universal para todos. Qualquer pessoa, independente da renda, pode usar o SUS ou qualquer hospital público estadual ou municipal. Portanto, como assim o Brasil "não pode"?

    Nossa saúde pública está aí para quem quiser usar. Não há nenhuma restrição ao acesso a ela. O que mais você pode querer?

    Sobre a Espanha, não estou atualizado, mas sei que a saúde é fornecida não pelo governo federal mas sim pelas comunidades autônomas. Ou seja, é como se não houvesse um SUS (federal), mas sim apenas hospitais municipais e regionais. Em termos puramente econômicos e administrativos, trata-se de um arranjo bem mais sensato, pois privilegia o princípio da subsidiariedade e do localismo, além de gerar uma administração muito mais financeiramente cônscia. (Qualquer programa estadual ou municipal sempre será mais bem gerido que um federal).

    Pense que a Espanha é do tamanho de MG. Na prática, é como se todos os hospitais públicos de MG fossem geridos não pelo governo estadual (que equivaleria ao governo federal espanhol), mas sim pelos municípios. Quer coisa mais localizada que isso?

    Sobre por que a saúde pública não pode funcionar bem a longo prazo, principalmente quando federalizada, leia aqui:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=923
  • Cortés  07/02/2017 13:06
    Sim, há saúde universal na Espanha. O único detalhezinho chato é que, por causa dela, ninguém tem empregos.

    Como a carga tributária necessária para sustentar o mamute é enorme, e esta recai majoritariamente sobre empresas e empreendedores, estes ficam sem dinheiro para investir, expandir seus negócios e contratar mais gente.

    A consequência é que a Espanha tem uma das maiores taxas de desemprego do mundo: 20%.

    Você tem certeza de que quer recorrer à Espanha como exemplo?
  • Minarquista  07/02/2017 13:28
    Cara Prostituta Perneta:

    Essa dúvida é comum. Vamos lá:
    A saúde pública pode funcionar bem sim. Isso é fato. Assim como qualquer serviço público pode funcionar a contento dos cidadãos. É só dar uma volta pela Europa que se constata isso facilmente. Não é esse o ponto. A questão é a eficiência:

    A palavra eficiente tem a ver com o que se entrega, dado um certo custo. E a eficiência é útil quando usada de forma comparativa:
    Ser mais eficiente é entregar mais pelo mesmo custo, ou entregar a mesma coisa por um custo mais baixo.
    O fato é que dado um país, os serviços prestados pelo Estado são, na absoluta maioria dos casos, menos eficientes que os serviços prestados de forma privada. Ou menos eficientes do que seriam os serviços prestados de forma privada num mercado livre.
    E por quê? Porque:
    a) O serviço público carece das características que elevem constantemente a eficiência: o olho do dono, a concorrência, a busca pelo lucro. Enfim: todos os dias o empreendedor acorda e pensa: como posso fazer mais com um custo menor?
    b) Como o serviço público gere o dinheiro alheio, ele necessita de sistemas de controle maiores, que têm um custo.
    c) Num sistema monopolizado pelo estado (ou fornecido pelo Estado a custo zero), não há livre formação de preços. Então os preços não refletem as preferências dos consumidores, o que impede o planejamento eficiente do serviço ofertado. Preços são informação. Se eu pago, estou dizendo: faça mais disso.
    d) Se custo = zero, a demanda tende para o infinito. Isso gera a necessidade de um racionamento. Daí as filas de espera nos hospitais públicos em todo o mundo.
    e) Como o dinheiro é alheio, geralmente há mais corrupção no serviço público. Quanto mais moral for a cultura do país em questão, menor este efeito. Mas sempre a corrupção é maior no sistema público...

    A saúde pode funcionar bem na Espanha, mas seu custo é com certeza maior do que o sistema privado equivalente. Esse dinheiro extra tirado da população à força na forma de impostos torna todos mais pobres. O excesso de governo na Espanha faz com que a economia não decole. Devem quase 90% do PIB, e o desemprego é da ordem de 24% (50% entre os com menos de 30 anos).

    Compare o sistema de saúde do Canadá (todo público), com o da Alemanha (todo privado):
    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2016

    Note que, se eu tenho um orçamento X para a saúde, e o aplico no sistema menos eficiente, eu estou matando pessoas desnecessariamente. É muito sério! É por isso que é impossível pedir que saúde educação sejam geridos pelo Estado. São coisas importantes demais para delegar ao sistema menos eficiente. E se nem saúde nem educação podem ser estatais por uma questão de lógica, sobra muito pouco para o papel do Estado... Por isso o Estado deve ser mínimo.

    []s
  • Conservador  07/02/2017 08:31
    Texto excelente.
  • 4lex5andro  07/02/2017 14:03
    Nesse período, de cem anos, o Brasil teve pelo menos 3 cartas constituintes. E como é um país artificial lógico que nenhuma delas serviu.
  • a  07/02/2017 09:39
    Todos os direitos adquiridos têm que ser respeitados. Mas, é possível ir extinguindo-os pouco a pouco.
  • Minarquista  07/02/2017 13:38
    Como assim? Direitos ilegítimos que foram escritos num pedaço de papel por um bando de néscios devem ser respeitados?
    Poderia afirmar que eles devem ser abolidos imediatamente, mas vou mais longe:
    Não é porque um monte de idiotas escreveu alguma coisa que ela é verdadeira. E isso mesmo que esse bando de idiotas tenha o apoio da maioria.
    O meu corpo é meu, e, se eu trabalhar, o fruto do meu trabalho me pertence. Se eu vender o meu trabalho, o meu salário me pertence. Para que alguém me tire um naco do que é meu, precisa-se de uma razão muito forte.
    E saúde universal com certeza não é justificativa válida para isso. Se você pode pagar pela sua saúde, então não há motivo para você junto com a maioria me tirarem o fruto do meu trabalho (na forma de impostos) para financiar esse sistema de saúde.
    Ou seja: sistemas de educação e saúde universais violam a lógica. Leis que violem a lógica são automaticamente inválidas.
    Ou você acha que é válida uma lei que diga que 2+2=5?

    Esses artigos constitucionais que garantem os direitos adquiridos não precisam ser abolidos. Do ponto de vista lógico, eles já não existem.

    []s,
  • Uau  07/02/2017 16:33
    "Leis que violem a lógica são automaticamente inválidas."

    Desrespeite-as, então.

    Conte-nos o resultado depois.

    Forte abraço!
  • Minarquista  07/02/2017 16:59
    Bom ponto Uau!

    Apesar das leis atuais serem ilógicas e absurdas, eu tento segui-las. A última coisa que quero é a violência do Estado contra mim... Mas isso não torna as leis justas e verdadeiras. Isso só significa que o Estado e a maioria vão usar de violência contra mim, para que eu lhes obedeça; para que me torne seu vassalo, seu escravo; para me roubar parte significativa do fruto do meu trabalho.

    Ou seja: moralmente as leis violam a lógica - e portanto não podem ser válidas - mas utilitariamente eu procuro segui-las, senão eu me ferro...

    Mas eu não recrimino as pessoas que as descumprem. Quem consegue burlá-las está apenas se defendendo da violência do Estado e da maioria.

    A melhor saída é continuarmos mostrando a todos à nossa volta como essas leis são absurdas, irracionais. E que isso é a causa da violência e da miséria. Quem sabe um dia conseguimos mudar o mundo. O Gary Johnson já fez algum barulho nos eleições americanas...

    []s
  • Detalhe  07/02/2017 23:30
    Fico imaginando aqueles filhotes que nascem de animais no meio da selva. Vejo isso muito no National Geographic, History e Animal Planet. Não há absolutamente nenhuma segurança naquele ambiente. Zero de segurança.
    Quando vejo aquelas cenas, me dá um mal estar enorme, não pela segurança ZERO daqueles animais, mas pela minha falta infinita de não ser livre, livre das amarras da esperança, cujo objetivo é alcançar a segurança definitiva.
    É assim que a humanidade deveria se sentir. É a única maneira de quebrar essa prisão de milhões de anos que está enraizada em todos nós.
    É simplesmente horrível ser prisioneiro. É assim que todos nós somos. E é por isso que somos presas fáceis dos idealizadores, sejam governos ou outra coisa qualquer.


  • Capital Imoral  07/02/2017 13:33
    2042 - Anarcocapitalismo
    Introdução
    Estamos no ano de 2042, devido a revolução virtual das moedas descentralizadas, o mundo tornou-se anarcocapitalista. Neste novo mundo sete grandes empresas de tecnologia virtual tem controle de 95% da população mundial.

    Cena1 - Mãe e filho
    Pedro acorda e percebe que seus olhos ainda estão vermelhos depois da uma sessão de mais de 20 horas seguidas de jogos e masturbação em seu óculos de realidade virtual. Ele precisa voltar para seu trabalho, que consiste em ser um boneco atendente virtual no second face; seu salário consistem em moedas virtuais ao qual ele gasta com compra de itens para seu perfil no second face e compra de filmes pornograficos. eles está perdendo a fina noção do mundo real para o mundo virtual; ele pouco se alimenta.
    Ele está atendendo uma cliente que quer comprar o novo show da madona kids, que são crianças que ficam nuas em quanto dançam para um palco de milhões; quando um barulho interrompe a sua imersão dentro do second face. No mundo real, sua mãe derruba uma panela na cozinha, Pedro sai furioso de sua imersão para cozinha e brigar novamente com sua mãe que sofre de alzheimer. Ele pensa: "por que ela não faz parte da liturgia do mundo atual? por que ela não é forte e firme como todos a minha volta? está pobre velha, fraca, burra, insiste em viver neste mundo avançado e competitivo."

    Pedro realmente está cansado de sua mãe - Nada como a demanda e oferta - Ele volta para o escritório e coloca seu óculos de realidade virtual, acessa o mercadoface a procura de alguem que possa resolver este pequeno problema. logo encontra uma empresa especializada neste tipo de "problema" eles possuem toda infra-estrutura judicial e médica.
    O advogado argumentou que a senhorita mãe de pedro, é uma dependente de pedro, portanto ela não tem autonomia financeira para se manter e acrescentou que ela sofre de alzheimer, sendo assim ela tem sua capacidade psicológica afetada. O juiz em nenhum momento tratou a questão da vida da senhora como uma questão sagrada, pois já está estabelecido na cultura dos novos tempos que nenhuma aceitação ou referencia a religiosidade deve ser aceita, portanto ele tratou como uma questão mercadológica e filosofica- (filosofica somente no sentido presente, pois o passado não é aceito mais).
    Um ganhar e perder na equação dos novos tempos e ela perdeu. A mãe de pedro nem tinha como se defender, coitada, Ela não tinha mais a capacidade de falar. A mãe de Pedro se foi, um problema a menos.

    Pedro por mera curiosidade visitou o website da empresa que prestou o serviço, e constatou que ela funciona também para: bebês com anencéfalia, Esquisofrenicos, mulheres que gostariam de abortar e pessoas que gostariam de praticar suicídio. O mundo judicial se adaptou a nova realidade libertária e não foi como os libertários venderam; a descentralização do mundo criou associações fechadas que contem sua própria filosofia e moral; que não necessariamente é uma moral cristã. A porta dos infernos se abriu e todo tipo de bizarice nasceu depois da descentralização do mundo, eles diziam: esta associação fechada, se prorroga o direito de matar os mais fracos e os que não podem se defender, quem estive dentro desta propriedade estabelecida esta de acordo com o nova lei; os novos serviços virtuais desta propriedade atraiam os povos e eles ficavam submetidos, todos não sabiam direito o que fazer, mas queriam consumir.
    Em quanto Pedro estava se masturbando, por um breve momento lembrou-se de sua mãe, Por um breve momento ele lembrou-se do sentido sagrado da vida, mas foi necessário voltar para liturgia do mundo. Senhor, que mundo louco!

    Capital imoral é filosofo,escritor e já refutou Mises.
  • Bruno  08/02/2017 13:02
    Mal posso esperar pelas outras cenas! Lembra muito esse filme aqui, onde os direitos sociais foram enaltecidos ainda mais:
    www.imdb.com/title/tt2637294/
  • O Libertário  08/02/2017 13:46
    Que piada...
  • Arnaldo  08/02/2017 16:02
    Como ateu e libertario achei isso sensacional.
  • Marcos  07/02/2017 14:11
    Artigo excelente.
    No fundo, fico pensando se não se trata de uma escolha entre resguardar a inalienável liberdade individual a partir do exercício incontornável da responsabilidade de cada um, que leva a um modelo de muito maior protagonismo das pessoas quanto ao rumos da vida, em que as "externalidades" (se é que existem) são muito menores, enquanto, a outra "opção" repousa na opção imoral de ter a sua vida, independentemente da condição sócioeconômica, sendo provida a partir da extorsão compulsória de outros, que são mais pobres, porque eu sou um sanguessuga covarde, que me escondo a partir do discurso oco de que a vovó Estado tem que me prover tudo.
    Se as nações fossem indivíduos, diria que o primeiro é um adulto que viu qua vida não é fácil, mas que encará-la é a forma de lidar melhor com tudo isso, enquanto o segundo é uma criança ou adolescente mimado, que não dá um prego na barra de sabão, e acha que papai Estado tem que sustentá-lo, com o que há de melhor, entendendo tudo como "direito social", como se fosse algo extraído da natureza.
  • Benzoato de Sódio  07/02/2017 15:17
    Texto muito bom.
    Infelizmente, a grande massa de imbecis vai continuar pedindo que sejam aumentados os gastos com saúde e educação.
    Faço o que posso, compartilho os textos, espero que leiam. Talvez se fizessem um filme...
  • Monarquista Esclarecido  07/02/2017 16:15
    Artigo padrão Mises Brasil. Obrigado por mais este.

    Depois de encontrar por aqui um magistrado libertário, só me resta presenciar um enterro de anão pra dizer que já vi de tudo.
  • Andre  07/02/2017 17:29
    Libertário de tribunal é mais comum do que imagina.
  • Andre  07/02/2017 16:57
    O que veio primeiro? A crença de que existe almoço grátis ou a doutrinação de que existe almoço grátis?
  • Libertário de apartamento  07/02/2017 17:58
    "Não tenho dinheiro
    Pra pagar a minha yoga
    Não tenho dinheiro
    Pra bancar a minha droga
    Eu não tenho renda
    Pra descolar a merenda
    Cansei de ser duro
    Vou botar minh'alma à venda...

    Eu não tenho grana
    Pra sair com o meu broto
    Eu não compro roupa
    Por isso que eu ando roto
    Nada vem de graça
    Nem o pão, nem a cachaça
    Quero ser o caçador
    Ando cansado de ser caça...


  • Marcelo  07/02/2017 18:31
    Direitos sociais servem para o estado justificar o roubo em prol de seus próprios integrantes.
  • Hank  07/02/2017 18:33
    Só que não há nenhuma chance de a atual geração esquerdista um dia acordar para essa realidade. Talvez, quem sabe, quando o dinheiro que financia esses programas começar a sair do bolso deles próprios e não dos de seus pais...
  • Andre  07/02/2017 18:44
    Tempos difíceis criam homens fortes, homens fortes criam tempos fáceis, tempos fáceis criam homens fracos e homens fracos criam tempos difíceis.
  • Prostituta Perneta  07/02/2017 22:58
    Agradeço às respostas do Two-Legged Pimp, Cortés e Minarquista, mas ainda acredito que não responderam à pergunta com sinceridade, o que vocês fizeram, e digo isso com todo respeito, foi repetir os clichês que esse instituto já está cansado de dizer, de que o governo não tem como alocar recursos de maneira eficiente pois não está sujeito à livre formação de preços, à concorrência, que se o custo for zero a demanda tende pro infinito e tudo isso.

    Mas no caso da Espanha, como eu citei, parece que não é verídico, já que eles têm uma saúde pública universal tal como o Brasil e a eficiência deles é de acordo com o ranking divulgado pelo próprio instituto, a terceira melhor do mundo, ora, tanto é que mesmo durante a recessão, os pagadores de impostos espanhóis ainda queriam a saúde pública deles. Foi nesse sentido que falei, se a Espanha pode ter uma saúde tão boa assim, porque o Brasil e outros países não? Acaba de me recorrer que a Islândia também tem um sistema de saúde público universal e lá também quase não tem hospital privado, e a imensa maioria da saúde pública deles é financiada via impostos.

    Gostaria de frisar também que não estou tratando aqui da questão ética e sim da questão prática mesmo, pra mostrar que algumas ideias desse Instituto que buscam refutar a ideia de que o fornecimento público de serviços não pode ser de qualidade podem não ser lá tão corretas assim, eu sinceramente não ligaria de pagar imposto pra sustentar um serviço público como o espanhol por exemplo, já que mesmo que a eficiência não seja tão grande quanto se o serviço fosse privado, esse custo a mais é justificado, pelo menos do meu ponto de vista, já que de uma maneira ou outra, o serviço também cobre aqueles que não teriam condições de pagar por um serviço privado, ao invés de deixar aqueles que não tem condições à deriva esperando por alguém que seja caridoso, você já faz a caridade diretamente ao pagar imposto pra ter uma saúde pública. Me parece um arranjo melhor que o livre mercado.

    Também gostaria de deixar claro aqui que não descarto a possibilidade da minha ideia estar errada, exatamente por isso que estou aqui comentando, pra que, caso alguém tenha uma ideia melhor que a minha, que me refute e eu possa abrir os olhos.
  • Alfredo  07/02/2017 23:29
    Ou seja, você leu as respostas, mas fingiu que não leu (ou, pior ainda, nem leu, mas disse que leu).

    Vou tentar desenhar: para o governo fornecer bons serviços de saúde (aliás, não há nenhuma comprovação de que esse é o caso da Espanha; é você quem está dizendo, mas vou acreditar que é verdade), alguém está pagando. Sempre e em toda a ocasião.

    Para o estado, ineficiente por natureza, oferecer um bom serviço, ele terá de confiscar recursos a taxas crescentes de seus cidadãos e empresas. Isso gerará efeitos deletérios sobre toda a economia.

    No caso espanhol, é impossível isso ser mais óbvio: quem está arcando com tudo são os 20% de desempregados (uma das maiores taxas do mundo), que não encontram emprego porque as empresas e os patrões estão sufocados com a carga tributária necessária para bancar esse oásis.

    Você simplesmente não pode ignorar essa realidade e sair dizendo que a saúde espanhola é ótima, invejável, não gera efeitos colaterais e deve ser copiada. Os efeitos colaterais estão aí, e são óbvios.

    Para a saúde estatal ser "ótima", muitos têm de bancá-la. O estranho seria, aí sim, ter essa saúde estatal perfeita e, ainda assim, ter um desemprego baixo, uma economia bombante e ninguém mais estar arcando com um passivo por causa disso.

    Isso é uma boa troca? Se você acha que sim, então pronto. Se vale a pena ter uma saúde estatal "boa" em troca de 20% de desemprego e uma economia estagnada, então fim do debate. (Na economia, tudo é uma questão de escolha).

    Não há nada de estranho ou de diferente na situação espanhola. Para o estado fornecer um "bom" serviço, há vários que estão pagando essa conta. E de maneira dolorosa.

    Agora, se a saúde estatal espanhola fosse realmente perfeita (como você jura que é) e, ao mesmo tempo, toda a economia passasse incólume por isso, sem ninguém estar sendo prejudicado de uma forma ou de outra (como os 20% de desempregados espanhóis), aí sim haveria algo de errado e surreal. Aí sim a ciência econômica estaria refutada.

    Entenda esse básico: a economia é a ciência da escassez. Se há uma entidade confiscando recursos para bancar um serviço universal, aqueles de quem esses recursos estão sendo confiscados (empreendedores e capitalistas) serão afetados. E, ao serem afetados, outras pessoas também serão (trabalhadores que ficarão desempregados).

    Caso isso não ocorresse, a escassez estaria abolida e estaríamos vivendo na abundância plena.

    É exatamente isso o que a ciência econômica explica. Para o estado, ineficiente por natureza, oferecer um bom serviço, ele terá de confiscar recursos a taxas crescentes de seus cidadãos produtivos. Isso gerará efeitos deletérios sobre toda a economia. No caso espanhol, é impossível isso ser mais óbvio.

    Aí você diz:

    "eu sinceramente não ligaria de pagar imposto pra sustentar um serviço público como o espanhol por exemplo"

    Se eu fosse um espanhol com um bom emprego, com estabilidade, e ganhando bem, também iria querer exatamente este arranjo. Estou arrumado na vida e ainda tenho a minha saúde custeada pelos pobres e desempregados. Isso deve ser bem gostoso.

    "esse custo a mais é justificado, pelo menos do meu ponto de vista,"

    Aí já é uma questão de moralidade. Se você considera que o arranjo acima representa apenas "um custo mais que justificado", então você já disse tudo a seu respeito.

    "já que de uma maneira ou outra, o serviço também cobre aqueles que não teriam condições de pagar por um serviço privado"

    Aqui você demonstra não entender nada do que se passa. Recomendo:

    Por que os serviços do setor privado parecem ser mais caros

    "Me parece um arranjo melhor que o livre mercado"

    Sério? Ter uma saúde estatal que gera 20% de desempregados e economia estagnada (informe-se sobre a economia espanhola) é um arranjo melhor do que ter uma saúde barata e acessível (por causa da ampla oferta e concorrência) em uma economia bombante e com baixo desemprego?

    Então tá, né...
  • Prostituta Perneta  08/02/2017 00:04
    Alfredo, obrigado pela resposta! Mas olha, a Islândia está com um desemprego na casa de 2.9% e a saúde pública deles é majoritariamente financiada por impostos e praticamente não tem hospital privado no país, porque ignorou isso e tentou colocar a culpa dos 20% de desempregados da Espanha na saúde estatal? Você ignorou esse ponto, concordo que as colocações que você parecem coerentes, mas você foi seletivo e escolheu o que te favorecia(o exemplo com desemprego) e ignorou o que não te favorecia(o exemplo com emprego). Aliás, foi por esse motivo que disse que senti que o amigo lá de cima não tinha respondido com sinceridade a minha pergunta, pois vocês ignoram as variáveis que não convém.

    Como já falei antes, não descarto a possibilidade da minha ideia estar errada, mas vocês estão querendo passar a qualquer custo que um serviço público de qualidade fornecido pelo governo é sempre impossível e ruim e pra isso estão pegando apenas os exemplos que convém. Agora eu te faço a mesma pergunta que já fiz anteriormente usando o Brasil como exemplo, se a Islândia pode fornecer saúde pros seus cidadãos e ter baixo desemprego, porque a Espanha não pode?
  • Alfredo  08/02/2017 00:41
    Ah, agora mudou de assunto.

    Muito bem, já que o assunto espanhol você próprio já deu por encerrado e satisfeito, passemos então para a Islândia.

    Sabe quantos hospitais há na Islândia? Dois.

    Sim, apenas dois.

    Só a cidade de Vitória tem 9!

    Até mesmo eu acho que o estado consegue cuidar de 2 hospitais. Lembrando que a população da Islândia é de apenas 300 mil pessoas, equivalente a um bairro de São Paulo...

    Só que tem um detalhezinho: a carga tributária para isso é de 35,5% -- maior que a brasileira, que é de 33,4%.

    E olha que, na Islândia, o estado não financia cultura, não banca movimentos sociais, não tem 34.417 ministérios, secretarias e repartições, e seus políticos ganham uma mixaria. E, ainda assim, cobra 35,5% de carga tributária.

    É um bom custo benefício? Se você acha que sim, então, de novo, assunto encerrado.

    "mas vocês estão querendo passar a qualquer custo que um serviço público de qualidade fornecido pelo governo é sempre impossível e ruim"

    É realmente desanimador a gente escrever com boa vontade e a pessoa simplesmente ignorar tudo e voltar a repetir as mesmas calúnias. (Sim, é calúnia dizer que não respondi algo que foi explicitamente respondido).

    Serviço público de qualidade fornecido pelo governo é até possível: só que será extremamente caro e haverá vários efeitos colaterais sobre terceiros. Isso foi detalhadamente explicado em minha resposta acima, a qual você próprio admitiu ter sido convincente.

    Agora, o que é realmente impossível é o estado fornecer de tudo, fornecer bem, e toda a economia continuar bombante. Isso seria a refutação ciência econômica.

    "Agora eu te faço a mesma pergunta que já fiz anteriormente usando o Brasil como exemplo, se a Islândia pode fornecer saúde pros seus cidadãos e ter baixo desemprego, porque a Espanha não pode?"

    Simples: porque o governo espanhol, ao contrário do islandês, está ocupado com várias outras atividades que sua população também exige serem "gratuitas". Isso exige impostos, burocracias e regulamentações.

    Ao passo que o estado islandês está concentrado no provimento de apenas algumas poucas atividades (a economia islandesa é pouco regulada e burocratizada), o estado espanhol está concentrado em várias atividades, elevando a burocracia e as regulamentações.

    Quer ter o estado fornecendo saúde pública supimpa? Beleza. Mas, para isso, ele não apenas terá de cobrar muitos impostos, como também não poderá se perder em outras atividades.

    Há um artigo falando exatamente sobre isso (o qual eu sei que você não terá a coragem de ler), explicando por que a social-democracia dura mais em alguns países do que em outros. Encara? Fica aí um desafio: não comente antes de lê-lo. Vamos ver.

    A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas
  • Minarquista  08/02/2017 14:56
    Olá Prostituta Perneta:

    Obrigado pelo comentário. Vamos às respostas:

    1) Clichês: note que no meu comentário usei a lógica pura e fatos. Não clichês saídos do nada. Pelo contrário: repetir que o governo deve focar em educação e saúde é que é um clichê. De onde saiu esse conceito que educação e saúde devem ser geridos pelo governo? Isso é logicamente impossível, por questões morais. Veja a seguir...

    2) Moralidade: meu primeiro comentário foi rebatendo argumentos utilitários, porque eram esses seus pontos. Agora você fala que não está falando sobre aspectos morais. Isso é um erro. Do ponto de vista da lógica filosófica, os aspectos morais têm precedência sobre os utilitários. Isso significa o que é errado eu não devo fazer, mesmo que isso me traga vantagem...
    Ou seja: se uma questão não passa no crivo moral, o debate utilitário (eficiência; vantagem) nem deve ser iniciado.
    É justamente o caso de educação e saúde. Se você pode pagar pela saúde e educação de sua família, você não tem motivo nenhum para querer tirar o fruto do meu trabalho (na forma de impostos), para pagar por isso... Ou seja: do ponto de vista lógico, saúde e educação universais (para todos) são indefensáveis. E isso não é clichê. É lógica pura...

    3) E os pobres? Que não podem pagar por saúde e educação? Agora sim: admito que pagar pela saúde e educação dos pobres é uma discussão longa. Na pior das hipóteses, vamos tirar dinheiro à força na forma de impostos de todos para pagar pela saúde e educação dos pobres. Mas só dos pobres! Não dá para justificar sistemas universais (para todos).

    4) Privado x Publico: veja que a decisão de qual sistema vai ser usado para dar a saúde aos pobres (privado ou público) não é uma escolha da maioria... Esse tipo de decisão não pode ser tomada democraticamente. Por que não? É tudo menos clichê. É uma questão de lógica pura: se vamos tirar dinheiro à força de todos para pagar pela saúde e educação dos pobres, somos obrigados a usar o sistema que, dada a especificação do serviço mínimo (esta pode ser escolhido democraticamente), tenha o menor custo. Por quê? Porque tirar dinheiro à força das pessoas para pagar pela saúde dos pobres pode até ser justificável. Agora, escolher uma solução mais cara para entregar a mesma coisa é totalmente injustificável. Esse delta de dinheiro tirado a mais das pessoas, seria um roubo totalmente injustificável.
    Ou seja: a opinião das pessoas não se sobrepõe à lógica. Se existe um caminho lógico de provar alguma coisa, essa questão não é uma escolha livre da maioria. É justamente o caso. A sua opinião, a minha, e a das demais pessoas não interessa mais. Se formos obrigados a pagar pela saúde e educação de outros, que sejam serviços básicos (mínimo necessário), que sejam somente para os pobres, e no sistema mais eficiente. E isso é lógica, e não opinião!

    5) Eficiência: agora trata-se apenas de entender e estudar qual o sistema mais eficiente. Se for o público, somos obrigados a usar o público. Se for o privado, somos obrigados a usar o privado. Se você comparar os sistemas de saúde públicos europeus com o brasileiro, os europeus são mais eficientes, sem dúvida. Se você comparar os sistemas públicos de saúde europeus com o privado alemão, a eficiência do alemão é muito maior.
    No meu primeiro comentário já expliquei as causas do privado ser mais eficiente. Se isso não bastar, vamos olhar para a realidade:
    Aqui na minha cidade (Brasil), paguei planos de saúde para os meus funcionários, 2 anos atrás. Custou-me R$1.800,00. O Sus custou no mesmo ano por volta de R$2.670,00 por cabeça. Qual custo é menor? O privado! Qual provê o melhor serviço? O privado! Apesar de ser um fenômeno geral, no Brasil, fica ainda mais evidente a discrepância de custo / benefício dos sistemas.
    O público pode funcionar bem? Claro! Mas em todos os estudos de caso que vi, os sistemas privados dão um banho nos públicos na eficiência. Entregam mais por menos custo. Essa é a questão.
    Se você conhecer algum comparativo com conclusão diferente, por favor poste aqui o link. Será o primeiro...

    6) Dito tudo isso:
    a. a opinião da maioria não se aplica a este caso.
    b. aqueles que pedem saúde e educação pública (a grande maioria) são repetidores de mantras ilógicos.
    c. pedir saúde e educação pública não só é irracional, como duplamente imoral: é tirar desnecessariamente dinheiro à força dos outros, e prover aos pobres um serviço pior. Na saúde, isso equivale a matar pessoas. Quem pede esse tipo de coisa é, sem perceber, ao mesmo tempo ladrão e assassino. Mas, depois de anos de ouvir os mesmos clichês, as pessoas não podem ser culpadas por isso. É preciso apenas mostrar-lhes a lógica (como estou tentando fazer).

    Grande []
  • Prostituta Perneta  09/02/2017 00:15
    Obrigado Minarquista e Alfredo por sanarem minha dúvida. E Alfredo, não tive intenção nenhuma de "caluniar" ninguém, então peço desculpas se ofendi, o que aconteceu é que a sensação que tive no primeiro momento é que estavam pegando apenas os exemplos que convinham, mas a explicação de vocês agora foi mais completa e sanou a questão e provou que a minha ideia estava equivocada, então, mais uma vez, obrigado!
  • Minarquista  09/02/2017 17:16
    Obrigado Prostituta Perneta!

    Fico muito feliz em poder ajudar.
    Quem sabe não teremos, a partir deste debate, um novo libertário?

    Grande []
  • FREDERICO HAUPT BESSIL  08/02/2017 00:56
    DIFERENÇAS ENTRE OS EUA E O BRASIL: Entre 1822 e 1889 os Estados Unidos tiveram nada menos que 18 presidentes. Mesmo com suas imperfeições a república americana ficava a muitos anos-luz de distância de qualquer outra democracia à época. E a Constituição da União , com apenas 7 artigos, que nasceu da necessidade de limitar os poderes dos estados e de organizar as finanças do novo país, resiste até os dias de hoje, com 27 emendas em quase 220 anos de existência. E aqui no Brasil, como nasceu nossa primeira Constituição ¿ A idéia inicial defendida pelos liberais brasileiros que participaram do movimento pela independência era de que D.Pedro obedecesse uma constituição e que não tivesse direito de veto ou pelo menos tivesse o direito de veto limitado. Mas o imperador, não satisfeito, mandou dissolver a Assembléia Constituinte e exilar os liberais mais radicais, em Novembro de 1823. Em 1824, D.Pedro imporia ao país e aprovaria em nome de toda a nação uma Constituição, em que prometia :"guardar a Constituição , se fosse digna do Brasil e dele". Além disso , estabelecia em seu art. 99 : " A Pessoa so Imperador é inviolável e Sagrada: Ele não está sujeito a responsabilidade alguma." Foi esse o arremedo de Constituição que vigorou até a partida de D.Pedro II, em 1889, quando o século quase se findava. Foi com esse semi-absolutismo, auto-intitulado "constitucionalista" , que o Brasil conviveu até quase a virada do século XIX, quando ele já tinha sido exterminado em quase toda a Europa mais de meio século antes.
    Eram atribuições do rei , ainda, nomear e promover os altos funcionários da burocracia civil, militar e eclesiástica. Dar a última palavra sobre a distribuição de recursos entre os diversos ramos da administração, poder suspender, adiar ou dissolver a Câmara. No nascente Estado brasileiro independente , o empreguismo já se torna um mecanismo fundamental para manutenção do poder. A doação de títulos e empregos funciona para amolecer as oposições. É com uma classe burocrática e improdutiva que o império vai governar e se manter até quase o final do século.
    Em termos de contas públicas , vamos ver que a república americana chega a 1889 saudável, com superávit de quase 100 milhões de dólares, enquanto a monarquia brasileira chegava ao final de seus dias pendurada num déficit de quase um milhão de reais. Aqui o poder central arrecadava cerca de 80% dos impostos, deixando menos de 5% para os municípios arrecadarem. Enquanto nos Estados Unidos o poder federal arrecadava 37% e os municípios cobravam e ficavam com a maior parte, 52%. Quem está mais próximo do cidadão arrecada e gasta melhor. "Essa é outra herança que até os dias de hoje atrapalha o desenvolvimento brasileiro".Segundo os dados da Confederação Nacional dos Municípios, as prefeituras ficam hoje com cerca de 15% do bolo dos tributos. E a parte do "leão" continua com o governo federal.
    A república no Brasil começa com mais de cem anos de atraso em relação aos Estados Unidos. Mas ainda guardando sinais do velho regime. Muitos dos homens que assumem os ministérios do início da república haviam servido à monarquia e carregavam muitos dos seus ranços.
    A proclamação da república no Brasil foi um movimento militar. Quer dizer, nada de movimentos populares, como os sans culotte franceses ou os dos fazendeiros dos Estados Unidos. A Constituição republicana , que foi bandeira em outros países, demorou aqui dois anos para ser aprovada, para logo em seguida ser suspensa por um estado de sítio. Por aqui, as leis que deveriam moldar a nação republicana sob uma nova forma (mais aberta, esperava-se) custaram para mudar e quando o fizeram , não foram significativas. E mantiveram os privilégios das oligarquias rurais que mandavam e continuaram mandando no país. Os militares e civis mais avançados que ajudaram a proclamar a república foram logo presos, exilados, afastados, deixados no ostracismo ou, mais tristemente, cooptados, para que o governo pudesse continuar servindo a quem sempre serviu, a oligarquia rural.
    A industrialização do Brasil para valer começa no final do século e em São Paulo.
    A política do governo brasileiro de subsidiar a imigração geraria um fenômeno benéfico aos cafeicultores : a abundância de mão-de-obra barata. Aos imigrantes se juntavam milhões de nordestinos, expulsos pela seca e pelo fracasso das plantações de algodão, que enfrentaram a retomada da produção americana.
    "Também a imigração européia que à primeira vista pode parecer um fenômeno que aconteceu de modo similar no Brasil e nos Estados Unidos, guarda diferenças importantes entre os dois países".
    Como o governo brasileiro custeava a viagem, vieram para o Brasil, principalmente, os europeus dos países mais pobres e menos letrados, geralmente do sul da Europa, que não podiam pagar a viagem para os Estados Unidos.
    "Os números da migração não escrava para o Brasil e para os Estados Unidos são absolutamente diferentes. Entre 1820 e 1998 entraram no Brasil 4,5 milhões de migrantes, enquanto no mesmo período foram para os Estados Unidos 53,1 milhões".
    Por falta de consistência e outros apoios, os militares que proclamaram a república acabaram se aliando às elites agrárias de São Paulo e Minas, que governaram o país até 1930, quando Getúlio Vargas rompeu o pacto do café-com-leite e tentou novamente impulsionar mudanças industriais.
    Com o golpe de estado de Getúlio Vargas, os industriais de São Paulo acharam que subiriam ao poder , mas sofreram grande decepção com o realinhamento do poder em torno dos interesses rurais, agro-exportadores. Já em 1932 organizariam a Revolução Constitucionalista, sufocada rapidamente. Os poderes da economia agrária exportadora eram mais fortes do que Vargas poderia suspeitar.
    Durante toda a primeira metade do século XX os interesses industrialistas , mais voltados para o mercado interno, chocaram-se com os tradicionais esquemas agro-exportadores, mais interessados no mercado externo e na valorização das moedas dos compradores de seus produtos. Os industrialistas queriam a ampliação do mercado interno. Para o setor agro-exportador isso não interessava. O que valia era exportar. "Essa herança nos chegou até os anos 1970, no lema dos governos militares, de que o que valia era exportar . Naquele momento até justificadamente em função da necessidade do país fazer frente à dívida externa que se agigantava. O que levou à paralisação da economia nos anos 80."
    A variável que parece ter feito toda a diferença entre o desenvolvimento americano e o brasileiro foi a do crescimento do mercado interno.
    Enquanto nos Estados Unidos um mercado interno forte cresceu junto com as exportações, aqui os lucros do mercado externo eram apropriados por uma pequena parcela da população, desde os tempos do ouro de Minas Gerais, até os tempos do boom do café. E mercado interno era uma variável sem a menor importância para uma economia agro-exportadora ("de estrutura retrógrada").

    A grande defasagem entre Brasil e Estados Unidos está em que, na América do Norte , a república independente formou-se há mais de 200 anos, por uma população livre, de grandes e pequenos proprietários e trabalhadores. Desde o início, os Estados Unidos herdaram as sementes da industrialização, da livre concorrência, o que transformou o país no motor da Segunda Revolução industrial. Desde a independência, formou-se um alicerce político razoavelmente democrático, igualitário e duradouro no país, com uma estrutura estatal não intervencionista, o que favoreceu o crescimento do capitalismo.
    "O escravismo – "com toda sua herança formadora de uma sociedade de classes" – lá, nos Estados Unidos, foi limitado, ficou isolado, sendo derrubado militarmente há 150 anos, pelo Norte capitalista. No Brasil foi generalizado geograficamente em todo o território nacional, começou muito antes e terminou depois, e impediu a formação de um mercado interno consumidor, influenciando de um modo muito mais profundo, a estrutura econômica e a mentalidade formadora da cultura brasileira. Como conseqüência temos no Brasil de hoje a presença muito mais marcante de uma sociedade de classes sociais e de renda, do que o que existe nos Estados Unidos."
    Podemos dizer que as bases democráticas no Brasil foram firmadas bem mais recentemente, depois de duas ditaduras. Enquanto, nos Estados Unidos a democracia, o igualitarismo perante a lei e a limitação dos poderes do Estado fizeram parte da própria formação do país. Já o que tivemos durante séculos aqui foi uma elite colonial e seus prolongamentos antidemocráticos. Só na metade do século XX começamos a ensaiar democracias e só depois do final da ditadura militar , há vinte anos, pudemos começar a consolidá-la.
    O balanço histórico entre Brasil e Estados Unidos é amplamente desfavorável ao nosso país. E é isso que nos deixa tão na retaguarda.
  • Wilson Mota da Silva  08/02/2017 20:22
    Capital Imoral > Quem fez ou tentou fazer o mundo planejado de 2042 da forma descrita foram, sempre, os socialistas defendendo mais estado, por exemplo URSS, China , naçoes do extinto Pacto de Varsovia e outras onde o comunismo foi implantado. A exemplo da mae do seu personagem, enquanto jovem trabalhou nao pode acumular uma reserva financeira, pois o salario fora confiscado pelo governo na forma de impostos. O seu personagem Pedro nao parece alguem criado em uma sociedade capitalista, mas, sim um jovem mimado pelo Estado de Bem Estar Social, acostumado a direitos infinitos e deveres minimos. E a economia entao, apena 7 empresas controlando quase a totalidade das riquezas, isso e coisa da extinta URSS, onde apenas poucas empresas estatais controlava a economia, ou os paises com tendencias estatistas, com economia regulamentada e empresas de apadrinhados politicos blindadas da concorrencia. Quanto a moralidade baixa, isso tambem nao faz parte da agenda dos liberais, sejam capitalistas, do estado minimo ou do anarcocapitalismo, e sim dos socialistas com suas ideias abortistas, eutanasia, pornografia entre outras coisa sem cabimento.
  • Curioso  11/02/2017 11:20
    Moro em uma cidade do interior do nordeste, com alto indíce de sonegação (as empresas não recolhem ICMS e ISS) e, como aqui não há Vara Trabalhista, ninguém respeita o salário mínimo e nem assina carteira.
    No entanto, não vejo uma qualidade de vida melhor ou um crescimento econômico significativo. A maior parte da população é iletrada e os comerciantes preferem embolsar mais lucros do que melhorar o seu negócio, até pela falta de competição.
    Sei que há tributos indiretos, principalmente nas cadeias produtivas dos produtos e serviços com itens que vêm de fora, mas essa informalidade acima citada não deveria propiciar um proporcional incremento da economia local?
    Por outro lado, retirar os poucos direitos sociais efetivados em uma população tão empobrecida não geraria consequências negaticas, aos menos em um primeiro momento, aos mais pobres, que mal tem o que comer, imagina pagar por saúde?
    Minha pergunta é: liberalizar (no sentido de menos Estado) necessariamente traz como consequência o crescimento econômico em uma população empobrecida? Qual seria um exemplo do mundo real?
    (Ps. Sou da área jurídica com formação tradicional, então a lógica liberal é estranha pra mim)
  • Iniciado  11/02/2017 11:45
    Na verdade, você já está vendo.

    Segundo você próprio, pessoas iletradas, analfabetas e improdutivas ao menos conseguem emprego e renda. E isso, meu caro, já é muito.

    Se a CLT fosse rigidamente seguida, a taxa de desemprego seria explosiva. Ninguém contrataria mão-de-obra iletrada e improdutiva a peso de ouro. O custo seria muito maior que a receita. Sem lucros, os pequenos empreendimentos fechariam e todo o resto seria demitido.

    Sua cidade só se mantém e as pessoas só conseguem emprego e renda porque, felizmente, a CLT não é seguida.

    De resto, você não pode querer que uma mão-de-obra incapaz e improdutiva (segundo você próprio) tenha padrões de vida de Santa Catarina.

    Entenda esse básico: o que gera riqueza é divisão do trabalho, poupança, acumulação de capital, capacidade intelectual da população (se a população for burra, a mão-de-obra terá de ser importada), respeito à propriedade privada, baixa tributação, segurança institucional, desregulamentação econômica, facilidade de empreender, moeda forte, ausência de inflação, empreendedorismo da população, leis confiáveis e estáveis, arcabouço jurídico sensato e independente etc.

    Tem essas coisas na sua cidade?

    Por fim, já que você se disse novato na área, pode começar por esses artigos:

    A informalidade é o único refúgio de quem quer sobreviver em uma economia asfixiada pelo estado

    Questão de lógica: aumento salarial imposto por governo e sindicatos não pode estimular a economia


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