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Não existe a defesa de idéias ou de princípios; existe apenas a defesa de políticos

Foi um solavanco checar o Facebook na semana passada. Vi amigos antipetistas, que no ano passado reclamavam que o PT deixou o Brasil fora de acordos comerciais, apoiando a decisão de Trump de retirar os Estados Unidos da Parceria Transpacífico (TPP).

"Donald Trump não é protecionista, a TPP sim", diz um site da direita sobre o homem que durante a campanha prometia "seguir duas regras simples: compre de americanos e contrate americanos".

Logo depois vi amigos de esquerda criticando a medida de Trump — sem perceber que ela se inspira no mesmo protecionismo de Dilma, a presidenta tão querida para eles. Vai entender.

O personalismo define opiniões políticas. Fingimos defender ideias, causas e princípios, mas defendemos pessoas. A avaliação de uma atitude depende mais de quem a tomou que da atitude em si. Só depois que a opinião já está escolhida e embalada procura-se argumentos para justificá-la.

Há exemplos disso toda semana. Ninguém disse que "picho é arte" — como se diz hoje a João Doria (PSDB) — quando Marta Suplicy (então no PT) resolveu coibir os pichadores, em 2002.

Se Dilma houvesse proposto a mesma reforma do Ensino Médio que Temer apresentou no ano passado, nenhuma escola teria sido invadida. A UNE e o PSOL comemorariam o maior poder de escolha que a mudança proporcionou.

Quando Jaime Lerner encheu Curitiba de parques e ciclovias, a esquerda o acusou de só se preocupar com o meio ambiente e ignorar a periferia. Vinte e cinco anos depois, a mesma acusação recaiu sobre Haddad, mas na boca da direita.

O personalismo faz opiniões mudarem de lado sem o menor pudor. O melhor exemplo são as críticas ao Bolsa Família, que nasceram, todas elas, do próprio PT. Quando FHC criou o Bolsa Escola, em 2001, a esquerda o acusou de assistencialismo e de criar um "bolsa esmola" para comprar votos dos nordestinos.

Petistas tiravam da cartola argumentos técnicos que muitos liberais repetem hoje. "Mais uma vez, [o recurso virá] da população, via Imposto de Renda, via CPMF, e da atividade produtiva, com o aumento da alíquota da COFINS, que recai sobre a sociedade", disse o deputado Valter Pinheiro (PT-BA).

Durante a eleição de 2002, a senadora Heloisa Helena (então no PT) acusou os tucanos de aterrorizar a população espalhando o boato de que o Bolsa Escola acabaria se o PSDB perdesse. Segunda ela, os tucanos "se aproveitam da dor, do sofrimento e da angústia de um pai de família (...) dizendo que, em qualquer lugar em que a oposição for vencedora, não poderão contar com mais nenhum desses mecanismos".

De acordo com nossos políticos de estimação, temas sobem ou desaparecem da agenda pública. Reforma agrária era o problema social mais grave no governo FHC — mas quando Lula chegou ao poder, não se falou mais no assunto. Hoje, a reforma agrária foi trocada pelo limite de velocidade nas marginais.

A boa notícia é que bons frutos podem surgir do ódio a Donald Trump. Pelos próximos quatro anos, veremos a esquerda criticando o protecionismo e simpática à ideia do livre comércio internacional.


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SOBRE O AUTOR

Leandro Narloch
é jornalista e autor do Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil, e do Guia Politicamente Incorreto da História do Mundo, além de ser co-autor, junto com o jornalista Duda Teixeira, do Guia Politicamente Incorreto da América Latina, todos na lista dos livros mais vendidos do país desde que foram lançados. Escreve para a Folha de S. Paulo.



O estado matou a liberdade dos açougues em prol dos empresários corporativistas

Há dez anos havia uma predominância muito maior de açougues de bairro. Eram comércios na maioria das vezes confiáveis e a procedência das carnes normalmente não era tão duvidosa quanto a vendida no supermercado.

Geralmente os donos desses açougues eram pais de família que manipulavam a carne com certo rigor, contratavam gente da vizinhança pra dar aquela força no comércio, faziam o bom e velho fiado pra quem não podia pagar na hora, enfim, era um tempo onde havia maior proximidade entre os produtos de consumo e o consumidor.

Mas eis que apareceu o governo e suas "bondades". E aí o açougueiro foi para o abismo com uma série de taxações, regulações, decretos, portarias, leis inúteis, legislações pesadas e tudo o mais necessário para acabar com um negócio promissor e confiável sob a desculpa de proteger os clientes daquele "malvadão" que – absurdo! – quer trabalhar e lucrar com o comércio de carnes.

E são tantas regras "protecionistas" que, sabendo da impossibilidade dos donos em cumpri-las de forma plena, os fiscais do governo se aproveitam da situação para caçar "irregularidades" como "a cor da parede", pedindo aquele salário mínimo para assinar o alvará de funcionamento.

Enquanto isso, o estado isentou as grandes empresas de impostos e multas sempre que possível, bem como das regras sanitárias que o açougueiro da esquina tem que cumprir. Enquanto o dono do açougue do bairro era impedido de obter uma mísera linha de crédito para investir em seu negócio, o governo fornecia uma gorda verba para as grandes empresas por meio do BNDES.

E veio o período maquiavélico de "aos amigos os favores, aos inimigos a lei", onde não há nada que impeça as grandes empresas. As dívidas caíam de 1 bilhão para 320 milhões, a "fiscalização" sanitária se tornou aliada e o Ministério da Agricultura passou a conceder seus selos livremente para os amigos do governo. Claro que isso teve um custo, pago com aquela verba pra campanha eleitoral para "resolver" tudo.

E o resultado não poderia ser diferente: nos baseando na confiança em um selo estatal e no sorriso técnico do Tony Ramos afirmando que "carne confiável tem nome!".

O corporativismo, ou seja, a aliança entre estado e grandes empresários, nos trouxe resultados deploráveis. Mas o malvado continua sendo o seu José da esquina, aquele que queria vender suas carnes e terminou fechando por excesso de burocracia estatal. Enquanto isso, os corporativistas da JBS, BRF e companhia cairão no esquecimento em breve.

O corporativismo brasileiro é um desastre sem fim.
Prezado Paulo, você reclama que teve emprego e salário, mas não ganhava tanto quanto os funcionários mais antigos e experientes. Você foi contratado a um salário menor e achou isso injusto. Queria já chegar ganhando o mesmo tanto que funcionários melhores e mais experientes, que já estavam lá há anos. É isso mesmo?

Não posso acreditar.

Outra coisa: você teve salário e emprego (e ainda teve plano de saúde!) graças à possibilidade de terceirização. E se fosse proibida a contratação de terceirizados? Será que você teria tido esse emprego e esse salário? Será que você sequer teria tido essa chance?

Desculpe, mas parece que você está cuspindo no prato que comeu. Você teve emprego e renda (e plano de saúde!) graças a uma liberdade de contrato, e agora vem dizer que essa liberdade foi ruim para você? Bom mesmo seria se o mercado de trabalho fosse restrito. Aí sim você já seria contratado como presidente...

É interessante como você parte do princípio de que o mundo não só lhe deve emprego e renda (e plano de saúde!), como ainda lhe deve um emprego extremamente bem-remunerado imediatamente após a contratação (você já quer entrar ganhando o mesmo tanto que os funcionários mais antigos e experientes).

De fato, ainda estamos deitados em berço esplêndido. Aqui todo mundo só quer saber de direitos.


P.S.: ainda no aguardo de você responder à pergunta do Leandro (a que aparentemente te deixou assim tão zangado): a terceirização nada mais é do que permitir que uma pessoa tenha maior liberdade para contratar outra pessoa para fazer um trabalho. Só isso. Qual exatamente seria um argumento racional e respeitável contra esse acordo voluntário e livremente firmado entre duas partes?

ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • Skeptic  30/01/2017 19:01
    Perfeito! Lembro do vídeo onde Lula critica o assistencialismo.

    Se ao invés do Trump tivesse escolhido outro outsider, o Ron Paul, haveria esperança.
  • Alfredo  30/01/2017 23:09
    Aqui:

  • Israel   30/01/2017 23:42
    É uma visão reducionista avaliar uma sociedade apenas baseando-se na lógica econômica.
    A verdade é que no Brasil vivemos entre dois grupos políticos de esquerda. Uma esquerda mais ostensiva que o PT e uma esquerda moderada que é o PSDB. Naturalmente, como é comum a esquerda eles defendem princípios antagônicos dependendo das circunstâncias. Mas engana-se quem vê nisso uma contradição: isso é um método.
    Não temos direita no Brasil. Pelo menos quem parece ser de direita é tão demonizado que permanece à margem do debate político.
    Trump é de direita. E tem suas falhas. Mas defende princípios que transcendem a economia como, por exemplo, a defesa e o resgate dos valores cristãos.
    E isso é maior do que aumentar impostos de importação. Isso pode definir a própria existência da civilização ocidental.

  • Kirzner  30/01/2017 23:52
    "Trump é de direita. E tem suas falhas. Mas defende princípios que transcendem a economia como, por exemplo, a defesa e o resgate dos valores cristãos.
    E isso é maior do que aumentar impostos de importação. Isso pode definir a própria existência da civilização ocidental."


    Oh, boy...

    Quer dizer agora que os valores cristãos, os bons costumes e até mesmo a própria existência da civilização ocidental dependem do político que ocupa a presidência?! É isso mesmo?

    É inacreditável que a direita tenha se tornado tão estatista assim. Agora a existência do mundo depende diretamente do vagabundo que ocupa um cargo no executivo. E é essa a direita que se diz formada por homens de fibra?

    Houve uma época em que ser de direita e conservador significava defender que a melhor maneira de se resolver problemas era por meio do voluntarismo, da responsabilidade própria, da família, dos amigos e da igreja, e não por meio de um governo monolítico que miraculosamente faria com que o indivíduo passasse a cuidar de si próprio e se tornasse uma pessoa melhor. Conservadores genuínos sabiam (e ainda sabem) que o governo não pode fazer com que o indivíduo se aprume e passe a seguir bons hábitos.

    Qual não é a minha surpresa ao descobrir que a direita atual enxerga seu salvador num membro da elite chique e progressista de Nova York que se tornou presidente do EUA e que tem a Rússia (presidida por um ex-KGB) como aliado.

    Que fim de carreira.

    E eu achava que a esquerda é que estava mal...
  • Observador 2.5  31/01/2017 20:24
    É a 459.328 vez, no mínimo, que leio um "con" ou "neocon" dizendo que o "liberal/libertário olha tudo pela lógica econômica".


    Quantas vezes mais vou ter que ler/ouvir isso?
  • John Galt  30/01/2017 23:57
    Pelo que vi das análises o tal tratado de "livre" comércio tava mais para um click bait. Com o nome livre comércio mas um calhamaço de centenas de páginas cheias de regulamentações. Um livre comércio só de nome.
  • Henry Rearden  31/01/2017 00:07
    Comentado longamente aqui.

    O que realmente está por trás do acordo de "livre comércio" entre EUA e países do pacífico?

    A questão é outra: por que reclamavam que Dilma não participava de acordos comerciais (vários reclamavam que o PT havia enterrado a ALCA) e agora vibram com Trump fazendo o mesmo? Tem que decidir.

    Mais: dizer que Trump não é protecionista?
  • Samuel  31/01/2017 00:16
    Triste ver que o IMB se tornou reduto de estatistas enrustidos. TPP e quaisquer outros acordos regulatórios não passam de gigantescas reservas de mercado e os adolescentes iniciantes no pensamento libertário sabem disso. Usar o personalismo inerente aos crentes na fé estatal para ressaltar a necessidade de uma fé impessoal no Estado é algo triste de ler neste website.
  • Rodrigo Vasconcelos   31/01/2017 00:18
    "TPP e quaisquer outros acordos regulatórios não passam de gigantescas reservas de mercado e os adolescentes iniciantes no pensamento libertário sabem disso."

    O curioso é que o IMB foi o primeiro site em língua portuguesa a falar sobre isso. O primeiro texto a este respeito foi publicado ainda no longínquo ano de 2008:

    O Mito do NAFTA
    Livre Comércio versus Acordos de Livre Comércio

    E ano passado:

    Acordos de livre comércio envolvem muito mais "acordos" do que "livre comércio"

    O que realmente está por trás do acordo de "livre comércio" entre EUA e países do pacífico?

    Você só está repetindo tudo isso porque ou leu aqui ou porque leu recentemente algo em outro site que se baseou nos artigos daqui.

    Mas, como disse o leitor Henry Rearden acima, a questão é outra: por que reclamavam que Dilma não participava de acordos comerciais (vários reclamavam que o PT havia enterrado a ALCA) e agora vibram com Trump fazendo o mesmo? Tem que decidir.

    Mais ainda: é certo dizer que Trump não é protecionista?

    "Triste ver que o IMB se tornou reduto de estatistas enrustidos."

    Apresente fatos. Mostre um artigo estatista. Aliás, mostre um único artigo que defenda o estado. Eis o desafio. Caso não o faça, fica provado que você só quis espernear porque não gostou do que leu.

    "Usar o personalismo inerente aos crentes na fé estatal para ressaltar a necessidade de uma fé impessoal no Estado é algo triste de ler neste website."

    Ininteligível. Você por acaso está dizendo que este site "ressalta a necessidade de uma fé impessoal no Estado"?

    Melhor ler isso do que ser cego...
  • Osmar  31/01/2017 00:19
    O mais legal é que o Samuel só leu o trecho do Trump (factualmente verdadeiro) e já saiu esperneando. Será que ele leu o resto?
  • Fernando Calazans  31/01/2017 01:39
    E um detalhe crucial que os trumpistas esquecem: Trump não saiu do TPP porque ele sabiamente viu que aquilo era um "tratado criado pelas elites globalistas para regular e controlar o comércio". Desafio um trumpista a me mostrar uma única declaração de Trump a esse respeito. Mostre uma declaração de Trump dizendo que saiu do TPP porque aquilo não era livre comercio genuíno, mas sim um "instrumento de regulação do comércio em prol dos globalistas". Trump nem sabe o que é isso.

    Trump saiu do TPP simplesmente porque ele concorda com Bernie Sanders neste aspecto: para ele, o TPP é um arranjo de genuíno livre comércio que vai tirar o emprego dos operários das indústrias americanas. Só por isso.

    Querem elogiar o Trump por essa medida? Façam-no. Mas não imputem ao sujeito um iluminismo que ele não tem. Parece até postura de lulista...

  • Humberto  31/01/2017 00:25
    É por isso que, como Trump fez o favor de explicitar na "direita" brasileira, "não existe a defesa de idéias ou de princípios; existe apenas a defesa de políticos".


  • D. Ferraz  31/01/2017 00:27
    Só há duas boas razões para se defender algo de esquerda que você criticaria se fosse alguém de direita executando, ou vice versa: (1) você mudou de ideia sobre o assunto no meio tempo, ou (2) você está enxergando o panorama maior das coisas e sabe que as vezes um passo para trás pode representar dois para frente. Contudo, tenho certeza que não é por estas razões que as pessoas costumam defender ou atacar algo, haha.
  • Magno  31/01/2017 00:30
    A pior coisa que pode acontecer para um movimento -- seja de esquerda ou de direita, progressista ou conservador -- é ter "aliados de ocasião", gente sem "consistência filosófica". No caso do Brasil, ainda é necessário desmascarar um monte de " liberais" de ocasião, aqueles que são apenas anti PT, mas que não sabem o que realmente significa defender a liberdade.
  • anônimo  31/01/2017 03:35
    Basta apontar o lado ruim de Trump, que a "direita" consegue encontrar motivos até contra a implantação de uma economia liberal:

    sensoincomum.org/2016/12/07/donald-trump-limite-liberalismo/
  • Racional  31/01/2017 14:35
    Do link acima:

    "Acontece que, por ser conservador, Reagan tinha consciência de que o economicismo e o formalismo doutrinário do liberalismo nada poderiam fazer contra as maiores ameaças enfrentadas, em sua época, pela liberdade (e por valores mais importantes do que ela, como a dignidade humana): o abandono dos valores tradicionais ocidentais e a ação coordenada do movimento comunista a partir da União Soviética. Assim, Reagan não hesitou em adotar medidas supostamente "anti-liberais", como o aumento brutal do orçamento estatal, para ferir de morte o regime soviético e restaurar os valores tradicionais do Ocidente, aumentando o quociente de liberdade de seu país e realizando o que ele jamais teria sido capaz de realizar, caso tivesse se deixado paralisar pelo doutrinarismo liberal."

    Taí a perfeita demonstração de ignorância econômica (e mostra por que não deve haver diálogo com ala nacionalista da direita): o cidadão disse que o que acabou com o socialismo foram "os gastos estatais de Reagan"!

    Ou seja, o caro genuinamente acredita que o socialismo é uma doutrina econômica sustentável e que poderia durar para sempre, mas que desmoronou simplesmente porque foi abatida pelos "gastos estatais" do grande herói Reagan (por quem até tenho simpatias).

    O sujeito que fala isso não tem a menor ideia de que o socialismo, por definição, é um regime econômico insustentável e que não tem como durar. As explicações estão aqui:

    Se o socialismo é economicamente inviável, por que ele dura tanto tempo?

  • Bruno Torres  31/01/2017 14:46
    Mas tem outros trechos mais engraçados ainda:

    "Donald Trump, do mesmo modo, compreende que o economicismo e o formalismo doutrinário do liberalismo nada podem fazer contra as maiores ameaças enfrentadas, hoje, pela liberdade: o globalismo [...], a hegemonia cultural esquerdista, a desfiguração demográfica e cultural causada pela imigração ilegal, e a ascensão de um bloco de países anti-americanos e anti-ocidentais liderados pela China.

    Diante disso, ele não hesita em defender medidas supostamente "anti-liberais" [...] quando isso se mostra necessário para frear os avanços do globalismo, a corrosão cultural da América, e a ascensão da China, um país governado por um regime que sempre soube utilizar o doutrinarismo burguês em seu benefício e em prejuízo dos próprios burgueses ocidentais.

    Donald Trump compreende, como compreendia Reagan, que a economia não é toda a realidade e que, na ação política, ela deve ser integrada a uma estratégia muito mais ampla, que não a tome como um fim em si mesmo e compreenda que a economia de mercado, tal como qualquer outro modelo econômico, é apenas um esquema neutro de regras operacionais, um conjunto de soluções práticas, que podem ser utilizadas tanto para defender princípios e valores substantivos (a vida, a dignidade humana, a liberdade real, etc.) quanto para destruí-los."

    Isso é uma verdadeira hagiografia. "Trump sabe", "Trump compreende", "Trump entende" todos os detalhes da geopolítica do planeta. Ele é praticamente a reencarnação de Sun-Tzu. Ele é o homem que vê mais longe; que plana acima de tudo.

    Sendo que a realidade é que o cidadão é um simples nacionalista ao estilo dos caudilhos da América Latina, que quer que tudo seja produzido nos EUA e que vê no livre comércio uma ameaça para os empregos industriais americanos.

    Por fim, atentem para o interminável último parágrafo: "a economia de mercado [...] é um conjunto de soluções práticas, que podem ser utilizadas [...] para destruir a vida, a dignidade humana, a liberdade real, etc." (!!!)

    Um discurso que poderia perfeitamente sair da boca de Nicolás Maduro ou até mesmo dos defuntos Fidel Castro e Hugo Chávez.

    Como a direita decaiu...
  • Joyless  14/02/2017 19:41
    Você simplesmente não entendeu o argumento exposto, o qual passa longe de endossar o socialismo como teoria econômica válida, vamos lá:

    >

    A URSS sempre manteve o povão na pindaíba direcionando a quase totalidade do orçamento estatal para gastos militares.
    O que Reagan percebeu: Esses caras gastam com suas forças armadas e corrida espacial quase tudo o que produzem vamos dobrar a aposta forçando-os a aumentar cada vez mais estes gastos, até que a economia soviética entre em colapso.

    >

    Os gastos estatais do governo Reagan forçaram o governo Soviético a aumentar os gastos militares além do que poderiam bancar, então sim, gastos estatais causaram a destruição do socialismo soviético, coisa que a punhetagem teórica dos liberais jamais conseguiria.

    >

    A parte econômica do socialismo não resistem a 5 minutos de lógica, os socialistas já sabem disso, no entanto os liberais não percebem que o socialismo não é uma teoria econômica, e sim uma ideologia política dentro da qual a economia tem um valor secundário.
  • Observador 2.5  31/01/2017 20:50
    "Reagan não hesitou em adotar medidas supostamente "anti-liberais", como o aumento brutal do orçamento estatal, para ferir de morte o regime soviético e restaurar os valores tradicionais do Ocidente, aumentando o quociente de liberdade de seu país"

    Isso é uma das coisas mais asininas que li nos últimos tempos...

    "aumento do orçamento" para combater socialismo, "restaurar valores tradicionais" e "aumentar quociente de liberdade"?

    Aumento de gastos estatais aumentam a liberdade?

    É realmente muito difícil dizer algo mais imbecil.
  • Getulio  31/01/2017 21:54
    Haha, aumento de gastos para "restaurar os valores tradicionais" foi ainda melhor. Entendeu agora por que não dá nem pra sonhar em fazer aliança com a ala nacionalista e estatizante da direita?

    Esses caras só foram anti-petistas porque não era um deles que estava no comando. Não estavam. Em aí para o estrago que estava sendo feito na economia. Queria muito saber quais "valores tradicionais" resistem a uma economia em frangalhos.

    P.S.: sou de direita e conservador. Exatamente por isso não consigo ver nenhum político (seres inerentemente imorais) como amigo da família e das tradições.
  • Tio Patinhas  31/01/2017 15:55
    Tinha ficado feliz com o aumento do interesse no liberalismo, mas percebo com pesar que o suposto aumento não passou de um apoio de ocasião, a direita é estatista, assim como a esquerda.
  • Luiz Novi   01/03/2017 15:57
    Quando Lula aumentou o superavit primário em 2002 era aceitável pela esquerda, como justificativa de equilíbrio fiscal e ajuda aos pobres. Mas quando esse mecanismo surge da direita, é para remuneração dos rentistas.


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