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A social-democracia está em entrando em seu último suspiro - e será abolida pela automação
E o que você deve fazer para garantir um emprego

O socialismo é uma ideia cujo tempo acabou.

Ao redor do mundo, economias puramente socialistas já foram abandonadas. A ideia de que o estado deve gerir a economia é levada a sério apenas pelos líderes da Coreia do Norte e da Venezuela. Suspeito que nem mesmo os comunistas de Cuba acreditem mais nisso.

Consequentemente, o estado de bem-estar social — popularmente chamado social-democracia — também está entrando em seus estertores. A social-democracia se baseia na ideia de que o estado pode agir como uma espécie de sanguessuga sobre a economia produtiva, e que de alguma maneira a sanguessuga não irá crescer e nem a economia produtiva irá se enfraquecer.

Talvez a mais amada de todas as propostas já aventadas pela social-democracia é aquela que envolve uma renda básica universal, independentemente de se o indivíduo trabalha ou não. Eis a última manifestação desta ideia lunática:

À medida que os robôs vão tomando seus empregos, os europeus querem dinheiro de graça para todos

Existo, logo sou pago.

A noção radical de que os governos devem dar dinheiro de graça para todos — ricos e pobres, trabalhadores e desocupados — está, lenta porém firmemente, ganhando tração na Europa. Sim, você leu corretamente: uma renda mensal garantida pelo governo, sem qualquer contrapartida.

Na França, dois dos sete pré-candidatos à nomeação do Partido Socialista na eleição presidencial deste ano estão prometendo modestos, porém regulares, estipêndios para todos os adultos franceses. Testes ainda limitados já começaram na Finlândia, com outros experimentos já planejados em outros países, inclusive nos EUA.

Chamado de "renda universal" por alguns, "renda básica universal" ou apenas "renda básica" por outros, a ideia já foi levantada sob vários outros pretextos e aparências desde pelo menos a segunda metade do século XIX. Após décadas no limbo do debate intelectual, ela se tornou mais convencional em 2016, quando a Suíça fez um referendo — e rejeitou por completo — sobre uma rende básica de aproximadamente US$ 2.500 por mês.

"Foi um ano incrível", diz Philippe Van Parijs, fundador da organização Basic Income Earth Network, que faz lobby pela aprovação desta ideia. "A renda básica foi mais debatida e descrita neste ano do que durante toda a história da humanidade".

Mas antes de você escrever uma carta de demissão para o seu chefe pensando que nunca mais terá de trabalhar, um alerta: há várias perguntas não respondidas sobre a questão, começando por como tal esquema será financiado. Eis um olhar sobre as questões:

Por que o crescente interesse?

Em uma palavra, robôs. Com as máquinas e os sistemas automatizados crescentemente substituindo a mão-de-obra humana, a França poderá perder 3 milhões de empregos até 2025, diz Benoit Hamon, um ex-ministro da educação que está em campanha para a presidência do país com a promessa de introduzir gradualmente uma renda básica para todos, sem contrapartidas. À medida que o trabalho vai se tornando escasso, uma renda modesta, porém garantida, faria com que as pessoas deixassem de temer por seu futuro e liberaria mais tempo para dedicarem às suas família, aos mais necessitados e a si próprios, diz ele.

Também poderia estimular as pessoas a se arriscar mais, a abrir novos negócios e a tentar novas atividades sem o risco de perder os benefícios assistenciais.

O outro pré-candidato do Partido Socialista a favor da renda básica é Jean-Luc Bennahmias. Assim como Hamon, o ex-parlamentar argumenta que não faz sentido imaginar o retorno da época da bonança econômica, com empregos para todos.

"Crescimento de dois, três, quatro ou cinco por cento nos países ocidentais? Acabou", disse ele em um debate televisivo na semana passada. "Temos de falar a verdade".

Pesquisas de fora validam seus argumentos. Um estudo da Universidade de Oxford, de 2015, estimou que quase metade de força de trabalho americana corre risco com a automação.

A Finlândia já começou um experimento com este programa.

A mesma ideia foi levada a referendo na Suíça no ano passado, mas os suíços, muito sabiamente, votaram contra a proposta, e de forma esmagadora (mais de 75% contra).

Dizer que essa proposta de renda universal não funcionaria porque as pessoas seriam desestimuladas a trabalhar e, consequentemente, não gerariam renda a ser tributada pelo governo, o que por sua vez inviabilizaria a continuidade do programa, é uma explicação correta, porém incompleta.

Para essa proposta funcionar é necessário haver fontes que irão fornecer continuamente o dinheiro para manter toda a população no assistencialismo. Mas de onde virá o dinheiro? Os defensores do assistencialismo dizem que o dinheiro poderá ser extraído dos lucros das empresas.

Isso mostra que eles simplesmente não entendem nada sobre a origem dos lucros em uma economia de mercado livre e competitiva.

Lucros são temporários

Sim, lucros são temporários. Lucros surgem quando algumas empresas conseguem um fluxo maior de receitas do que de despesas.

Porém, quando há um mercado cujas empresas nele estabelecidas estão conseguindo taxas de retorno acima da média, isso irá inevitavelmente atrair novas empresas concorrentes. Essa é a dinâmica do capitalismo. Se você descobre um nicho bastante lucrativo, você imediatamente atrai a concorrência, que também quer usufruir uma fatia desse lucro.

Empreendedores rivais, que também estão em busca do lucro, não estão dispostos a permitir que um punhado de empresas que chegaram primeiro a um determinado mercado, e que por isso estão auferindo lucros acima da média, continuem operando tranquilamente.

"Por que abrir mão desse dinheiro?" — essa é a pergunta que qualquer empreendedor em busca do lucro faz para si próprio. "Por que deixar meu concorrente usufruir exclusivamente todo esse dinheiro em um mercado que está aberto à entrada de novos concorrentes?"

Se alguém está ganhando muito dinheiro fornecendo um determinado tipo de serviço que até então não era tido como lucrativo, por que não entrar nesse mercado e fornecer um serviço similar a um preço menor?

Por isso, a tendência em uma economia de livre mercado é que as taxas de lucros se equalizem ao longo do tempo. Sempre há exceções, mas essas exceções ocorrem quando o governo impõe restrições à entrada da concorrência (como, por exemplo, nos setores controlados por agências reguladoras e nos setores que operam protegidos por tarifas de importação).

Fora isso, no geral, empreendedores não são de permitir que outros empreendedores embolsem grandes lucros sem serem desafiados.

Portanto, de onde virá o dinheiro para colocar toda a população do país no assistencialismo? É isso o que os socialistas e social-democratas nunca explicaram. Seus grandiosos planos nunca são acompanhados de estudos detalhados que mostram quem exatamente irá pagar para colocar todo o país no assistencialismo. Afinal, se fizessem isso, eles assustariam seus alvos. Políticos nunca querem assustar seus alvos, a menos que estes sejam numericamente ínfimos.

Robôs e máquinas não pagam impostos. Robôs e máquinas reduzem o custo de se produzir bens e serviços. As empresas que se beneficiam da substituição de mão-de-obra humana por máquinas obtêm grandes lucros inicialmente; porém, isso atrai a atenção dos concorrentes, que rapidamente querem fazer o mesmo. Consequentemente, outros fabricantes de robôs e máquinas também irão vender robôs e máquinas para os concorrentes daquelas empresas que inicialmente implantaram os robôs e as máquinas.

Robôs e máquinas não fazem greves. É impossível eles se sindicalizarem. Eles simplesmente trabalham sem parar e nunca param de produzir. E há mais deles sendo projetados e fabricados. Eles estão vindo para uma indústria perto de você.

E estamos aqui desconsiderando todas as mini-fábricas que utilizam impressoras 3-D. Elas estão chegando também.

As empresas que lucram com o emprego de robôs e máquinas e com a demissão de pessoas não conseguirão manter seus lucros acima da média por muito tempo. Seus concorrentes também irão contratar robôs e máquinas e demitir mais pessoas.

Portanto, quem irá pagar a renda universal para todas essas pessoas demitidas? Ninguém. Este é todo o ponto. As máquinas e os robôs não irão. As empresas que tiverem seus lucros reduzidos por causa da concorrência não irão. Os novos concorrentes não irão. Todos estes estarão muito ocupados tentando descobrir novas maneiras de cortar custos.

O que nos leva a outro ponto de grande importância.

Renda isenta de impostos

As únicas pessoas que realmente poderão bancar esse esquema assistencialista são os consumidores que comprarem os produtos produzidos pelos robôs e máquinas. Com a redução de custos, a inflação de preços será cada vez menor. Consequentemente, a renda real dessas pessoas irá subir.

Mas esse aumento da renda real não pode ser facilmente tributado. Não dá para tributar aumentos reais nos salários, apenas aumentos nominais. O governo teria, então, de tributar ainda mais os salários dos trabalhadores. E ele só teria receita crescente se os salários nominais aumentassem continuamente.

Mas, por causa da automação, não será necessário haver aumentos nos salários nominais. A população terá um aumento em sua qualidade de vida por causa dos preços reduzidos gerados pela automação. Com preços reduzidos, haverá mais dinheiro disponível para gastar. Isso é aumento real da renda. É uma renda isenta de imposto.

Em um sistema no qual a renda monetária é tributada, o governo pode tributar apenas a renda nominal. Trata-se da renda denominada em uma moeda específica. Se você obtém um aumento, o governo está lá para confiscar uma fatia. Consequentemente, se você pudesse escolher entre um aumento nominal de 3% ou redução de 3% em todos os preços, você seria esperto se escolhesse a segunda opção. Você teria um aumento da renda na forma de preços decrescentes em seus bens de consumo.

É por isso que todos os governos odeiam a deflação de preços. É por isso que os governos sempre defendem a expansão do crédito: isso gera um aumento da quantidade de dinheiro na economia, que por sua vez gera aumentos nominais de preços e salários, o que permite receitas tributárias maiores para o governo. Se a inflação monetária elevar os preços, elevará também os salários. O governo pode então tributar esse aumento dos salários. E pode também auferir receitas maiores com os impostos indiretos embutidos nos preços.

Por outro lado, se a população melhora sua qualidade de vida por causa de uma redução nos preços, então o governo não conseguirá se beneficiar disso. Não há aumentos nominais nos quais ele pode colocar suas mãos gananciosas. A renda que aumentou foi a renda real, e não a nominal. Políticos consideram isso intolerável. Preços em declínio são vistos como algo ultrajante por praticamente todos os políticos (e também por economistas keynesianos).

Um cenário em que os salários nominais são estáveis e os preços ao consumidor estão em queda é uma fórmula para se estrangular as receitas dos governos. Políticos e keynesianos odeiam a simples ideia disso.

Mas é inevitável. As máquinas e os robôs irão estrangular os governos. Mas não irão estrangular o indivíduo que tiver um emprego. Com preços em queda e os salários estáveis, não haverá como os políticos extraírem mais renda da população. Isso já é visivel nos países ricos. A única opção será elevar impostos. Mas isso será suicídio político. E nenhum político quer voluntariamente acabar com sua própria carreira. Eles não querem cortar benefícios, mas também não podem aumentar impostos. Se pudessem, eles aumentariam os benefícios e aumentariam os impostos apenas sobre grupos específicos. Mas os robôs e as máquinas não são esse grupo. Eles não pagam impostos.

No final, tudo isso é uma ótima notícia para todas as pessoas do mundo. E uma péssima notícia para todos os políticos do mundo.

O que fazer

Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano. O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa. Se algo pode ser feito por uma máquina, por que imobilizar algo tão versátil quanto o trabalho humano? O trabalho humano é o mais versátil de todos. Há inúmeras coisas que as pessoas podem aprender a fazer. Já uma máquina pode fazer bem apenas uma coisa; ela não pode fazer outra coisa fora daquilo para a qual projetada.  Seres humanos não são como máquinas. Eles podem fazer muitas coisas.

Se você trabalha no setor industrial, então você deve aspirar a uma posição que esteja entre uma máquina especializada e a resolução de um problema imediato. Existem todos os tipos de problemas imagináveis e inimagináveis nos processos de produção, o que significa que uma máquina não irá solucioná-los. Qualquer tipo de problema tem de ser resolvido pela mente humana, e por um ser humano equipado com uma ferramenta capaz de resolver o problema. É a criatividade humana, em conjunto com o uso de ferramentas, que é essencial para garantir a produção de uma máquina. Aspire a uma posição em que você tenha constantemente de utilizar sua mente.

Se você tem uma profissão manual que se resume a fazer processos repetitivos, é bom ir adquirindo outras habilidades. Se você pensa que poderá concorrer com uma máquina para fazer processos repetitivos, é bom repensar seu futuro. Em processos repetitivos, a máquina sempre irá vencer.

A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Elas não são máquinas. Da mesma maneira, clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles. As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos. 

O segredo para se ter uma alta renda não é possuir uma capacidade de efetuar tarefas repetitivas. O segredo é ter uma mente criativa. O segredo está na mente criativa que é capaz de aplicar princípios gerais a casos específicos, e então encontrar ferramentas especializadas com as quais implantar seu plano.

Por isso, se a sua ocupação requer que você apenas efetue coisas repetitivas, coisas que não requerem muito raciocínio, então seria bom você ficar esperto e começar a procurar algum setor que possua algum conjunto de problemas que alguém com suas habilidades possa resolver. É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta. É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões.

O fato é que, em algum momento, surgirá uma máquina que fará o trabalho mecânico melhor do que você. Adam Smith já havia observado que as habilidades mecânicas e repetitivas que são necessárias em uma divisão do trabalho não são boas para os homens. Por isso, a automação será ótima para toda a humanidade, libertando-a do fardo do trabalho monótono e exaustivo.

Conclusões

O grande experimento na Europa, de colocar todo um país no assistencialismo, irá explodir sobre todos os políticos de todas as nações que tentarem implantar essa ideia. Simplesmente não haverá novas vítimas disponíveis das quais se extrair a riqueza necessária para colocar todos no assistencialismo universal. Hoje mesmo, as receitas tributárias já estão em queda em boa parte do mundo desenvolvido.

A ideia de um estado de bem-estar social está condenada. O arranjo não durará mais do que a segunda metade do século XXI.

Margaret Thatcher estava certa. O socialismo é popular apenas enquanto os socialistas conseguem meter suas mãos no dinheiro dos outros. A capacidade de os socialistas fazerem isso hoje está cada vez mais próxima de zero. Chegou a hora de os social-democratas aprenderem a mesma lição.

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A social-democracia no Brasil entrou em colapso - abandonemos os delírios e sejamos mais realistas


14 votos

autor

Gary North
é Ph.D. em história, ex-membro adjunto do Mises Institute, e autor de vários livros sobre economia, ética, história e cristianismo. Visite seu website

  • Pobre Paulista  19/01/2017 15:00
    "Simplesmente não haverá novas vítimas disponíveis das quais se extrair a riqueza necessária para colocar todos no assistencialismo universal"

    Neste ponto somos uma potência: Já atingimos esse nível, e nem precisamos de tanta automação assim.
  • 4lex5andro  19/01/2017 15:02
    Qualquer que seja a renda a ser paga tem um preço correspondente; o valor do dinheiro tem de ser ganho antes de ser pago em espécie.

    E sabidamente o Reino Unido está saindo da UE pra não ter outras contas pra pagar no continente.
  • Engenheiro Falido  19/01/2017 15:46
    Ou melhor, o valor do dinheiro tem que ser produzido.
  • Andre  19/01/2017 15:20
    É sem dúvida uma boa notícia, e a demografia dos países desenvolvidos até lá vai dar uma boa ajuda.
  • Daniel Democrata-Cristão  19/01/2017 15:46
    Ok, ok. Vou destilar meu veneno!
    Sou cidadão que faz um trabalho repetitivo, tenho uns 40 anos, e ganho meu salário. Daí chegam os robôs e pá! Perdi meu trabalho, meu salário e não terei dinheiro para comprar os produtos feitos por outros robôs, conclusão, me estrepei e as empresas tbm pois haverá menos gente pra comprar delas.
    Como vou me recolocar no mercado se os patrões não contratam pessoas com mais de 40 anos? Farei o que para poder comer, beber e tomar meus ansiolíticos? vou rodar a bolsinha na esquina?
  • Anti-Ludita  19/01/2017 15:58
    Você tem apenas 40 anos e já se considera absolutamente incapaz de aprender coisas novas e de usar toda a sua experiência que você acumulou em sua profissão e se tornar um resolvedor de problemas trabalhando autonomamente?!

    Nos países desenvolvidos, a tendência é virar free-lancer e trabalhador autônomo. Relacionamento direto com o cliente, sem patrões. (Pensava eu que esse era o sonho de todos, não ter chefes)

    Nem eu que não lhe conheço acredito que você é um pouquinho melhor do que isso. Não seja tão derrotado assim.

    Hoje, a tecnologia criou empregos que, há menos de uma década, ninguém imaginava que seriam inventados (veja uma lista aqui).

    Crie você também o seu. Torne-se indispensável para os outros. Só não fique com coitadismo e vitimismo.

    P.S.: o que fizeram os trabalhadores que trabalhavam nas fábricas de vela e que perderam o emprego com a chegada da luz elétrica? E os que trabalhavam em fábricas de carruagens e perderam o emprego com a invenção do automóvel? E os que trabalhavam em fábricas de máquinas de escrever e perderam o emprego com a invenção do computador? E os que trabalhavam em fábricas de telefones de linha fixa e perderam o emprego com a popularização dos smartphones? E os que trabalhavam em fábricas de videocassetes e perderam o emprego com a invenção do Blu-Ray? E estes que nem mais têm emprego por causa da Netflix?

    O mundo evoluiu tornando obsoletos vários empregos. Por que parar no seu?
  • Giovanni  19/01/2017 20:17
    Sem chance. As estruturas organizacionais repetitivas têm exatamente essa propriedade, a de gerar incapacidade treinada (R. Merton). Não se trata de pessimismo quanto a si mesmo. É idealismo barato acreditar que uma pessoa, em qualquer fase de sua vida e qualquer que tenha sido seu trabalho até então, mantém condições de se adaptar a outras funções, ou de se tornar um resolvedor de problemas. A questão é mais séria do que qualquer raciocínio motivacional rasteiro permite perceber. Há que se pensar em novos padrões educacionais e em bufferings para populações que forem colhidas no meio do caminho, sob o preço de muitos problemas sociais. Um dos pontos em relação ao que precisamos, urgente e seriamente nos convencer, é que precisamos de muito investimento em educação e precisamos mudar a escola brasileira, em todos os seus níveis, de cabo a rabo. Ou nosso futuro - individual e nacionalmente falando - tende a ser mais difícil do que é. Isso, ou capacidade criativa é uma questão de pensamento positivo, de otimismo, etc (essa conversa de escritor e palestrante motivacional). Ora, não sendo isso (e não é, porquanto não se cria nada útil sem muita informação e formação adequada, e o que se cria não alcança o mercado sem estruturas institucionais adequadas), temos um horizonte mais complicado do que a recomendação "cuide para adquirir capacidade de resolver problemas" permite vislumbrar.
  • Marcos  19/01/2017 16:20
    É a vida, meu caro. Qualquer um de nós pode cair num buraco na rua e quebrar as pernas a qualquer momento.

    O que vc propõe?

    Que o estado edite uma lei que proíba o Sr. Daniel de ser demitido? Quer que a polícia estatal coloque uma arma na cabeça do seu empregador impedindo-o de te demitir? Quer um emprego garantido por lei às custas de terceiros? É isso?


  • Douglas  19/01/2017 20:06
    O senhor precisa é ir estudar! Aproveite enquanto ainda tem sua renda garantida para fazer cursos e expandir sua mente.
    Se voce estiver qualificado criativamente nao terá esse problema que descreveu.

    Acabou de ler um baita texto e nao consegue aplicar pra voce mesmo....

    tscc pfff argh
  • Daniel Democrata-Cristão  20/01/2017 10:21
    Eu tenho dinheiro que fui juntando e acumulando desde 2003, desde antes já venho antecedendo quaisquer problemas à frente, inclusive esse desemprego que pode vir a qualquer momento. Procurei me preparar para o pior, pois acho que ter um dinheiro guardado vai me fazer ter liberdade para pensar em empreender, ou trabalhar num serviço com menor remuneração para pagar somente as contas.
  • Marcos  20/01/2017 12:46
    Então você mesmo tem a solução para o "problema" que vc colocou no seu primeiro comentário.
  • Daniel Democrata-Cristao  20/01/2017 13:48
    Sim, pode ser. É que tenho medo de desemprego.
  • Taxidermista  20/01/2017 14:23
    Eis aí a lição a ser extraída, meu caro: os medos pessoais não podem servir de base a políticas intervencionistas. O resultado é a catástrofe, moral e econômica.

    Dá uma conferida, tendo interesse:

    www.amazon.com/Feardom-Politicians-Exploit-Your-Emotions/dp/098929126X
  • Andre  20/01/2017 13:40
    Parabéns pela sua disciplina e determinação em fazer poupança em um país de população perdulária, sem visão de longo prazo e que faz troça com quem economiza dinheiro.
  • Daniel Democrata-Cristao  20/01/2017 16:54
    rsrsrs verdade André, mas atualmente estão pianinho porque se comprometeram com financiamentos no minha casa minha vida e carros. E eu cansei de ouvir tanto na minha orelha pq eu não tirava carro zero, pq continuava com o meu corsinha classic.... mas a vida ensina, e a Escola Austríaca também.
  • Perdido  19/01/2017 15:52
    Já antevejo o estado criando um imposto sobre uso dispositivos de automação sobre o pretexto de que não é justo um robô tomar o emprego de um pai de família.
  • Jango  20/01/2017 19:21
    Não duvido nada.
  • Rene  19/01/2017 15:53
    É difícil prever o que irá acontecer com a social-democracia. Não há dúvida que trata-se de um sistema que tende a crescer até o ponto de ser esmagado pelo próprio peso. Mas quando isso acontecer, é óbvio que as pessoas que ganharam muito com este sistema não estarão tão dispostas a abrir mão de sua posição. E é muito mais fácil fazer isso através de regulações, politicagens e coerção do que através do livre mercado. Seria muito mais fácil, por exemplo, proibir os robôs com a desculpa de manter os empregos, do que aceitar as consequências. No Brasil, a classe política conseguiu manter todo o sistema intacto através daquele processo demorado e custoso que foi o impeachment. O povo queria ver uma cabeça rolando e foi só o que recebeu. A máquina ineficiente e esbanjadora continua funcionando a todo vapor, comendo quase metade de nossa renda e nos forçando a adquirir bens e serviços caros e de qualidade duvidosa. Resumindo, existe muita gente querendo manter as coisas do jeito que estão. Se eles perceberem que a sua principal fonte está secando, eles irão simplesmente procurar outra fonte, fazendo o possível para manter seus privilégios inalterados.
  • Andre  19/01/2017 16:55
    Adotar robôs maciçamente e anos depois proibi-los causará um colapso na produtividade, com resultados idênticos aos descritos no artigo, o butim estatal continuará diminuindo, ele não terá outra saída a não ser estado mínimo.
    O caso do Brasil que descreveu está só no começo, apesar de ensaiarmos a saída da recessão, há 12 milhões de desempregados colocando pressão nos políticos, o déficit público é enorme e quando este entrar num valor civilizado já teremos 100% de dívida sobre o PIB, deixando o país tão vulnerável a crises que não vai ter grupo político que aguente mais de 2 anos no comando.
  • Rene  19/01/2017 17:35
    Adotar robôs maciçamente e anos depois proibi-los causará um colapso na produtividade, com resultados idênticos aos descritos no artigo,

    Concordo contigo. Mas a questão não é essa. A questão é: Desde quando isso foi um problema para os social democratas? Uma bomba de gasolina self service é mais econômica do que pagar um frentista. Mesmo assim, o governo proibiu os postos de adotarem esta prática para proteger empregos. O Keynesianismo e a social democracia causam problemas sérios na economia. Há vários artigos neste site mesmo demonstrando isso, tanto na teoria como em exemplos do mundo real. E apesar deste fato, este sistema continua forte no mundo, visto que existem pessoas poderosas que estão ganhando muito com ele.

    Pode ser que realmente a crise resulte em uma diminuição do peso do estado e a uma maior liberdade econômica. Eu torço muito para que isto aconteça. Entretanto, não consigo ignorar o fato de que uma mudança deste porte não irá ocorrer sem encontrar resistência daqueles que tem muito a perder caso ela aconteça.
  • Daniel Democrata-Cristão  19/01/2017 18:05
    Não concordo com o André; O CDS está no mínimo em um ano, as instituições financeiras estão mais confiantes no Brasil, portanto a percepção de risco é bem menor por parte dos agentes.
  • anônimo  19/01/2017 16:18
    "A coisa mais valiosa que as pessoas podem fazer é resolver problemas. Elas não são máquinas. Da mesma maneira, clientes e consumidores têm vários problemas. Não há um só tipo de problema. Há vários padrões de problemas. Mas cada problema possui aspectos singulares. É por isso que máquinas não podem lidar com eles. As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos. "

    E é exatamente por isso que o argumento dos socialistas de que máquinas poderiam realizar o cálculo econômico no socialismo não poderia dar certo, máquinas são programadas para lidar com fatores pré-programados, enquanto o cálculo econômico envolve um constante reajuste de preços e de realocação de fatores de produção, uma máquina não pensa fora do script.
  • Capitalista Keynes  19/01/2017 16:24
    "É a capacidade de saber resolver problemas, e não a implantação de soluções mecânicas, que gera uma renda alta. É assim que trabalhadores se tornam líderes e patrões."

    Muito bom artigo ....vejo isso onde trabalho . Todos os líder que são aprovados em um processo seletivo são os que resolvem problemas e quanto mais complexos, mais eles ganham. Sabem agregar valor ao seu trabalho, se tornando necessários e desejados na empresa.
  • Skeptic  19/01/2017 16:27
    É verdade que, no longo prazo, a taxa de lucro num mercado competitivo tende a zero? Ou isso é apenas na teoria mainstream de concorrência perfeita?
  • Pobre Paulista  19/01/2017 16:39
    Não tem como, pois as preferências das pessoas mudam com o tempo. Se mudam, aqueles empreendimentos que atendem às novas preferências terão lucros maiores do que aqueles que atendem às velhas.
  • Huerta  19/01/2017 16:40
    Tende a ser baixa, mas não zero. Zero só ocorre em uma economia estacionária, em que não há descobertas e não há novos empreendimentos -- o exato oposto de uma economia de mercado.

    Mas também não tem nada a ver com a teoria da "concorrência perfeita", uma bobagem inventada pelo mainstream:

    As definições corretas de monopólio e concorrência - e por que a concorrência perfeita é ilógica

    Fusões, aquisições, concorrência perfeita e soberania do consumidor
  • Anderson  19/01/2017 16:33
    Este assunto tem se tornado interessante para mim. Acho que é porque nunca consigo visualizar bem o cenário, sempre aparece um argumento contra ou a favor da automação sem limites.

    Acho que um dos grandes problemas dos esquerdistas é a velha história da "soma zero", ou "riqueza pré-criada". Eles acham que só poderá haver riquezas através do capital atualmente empregado - sejam os bens de capitais já alocados nas empresas, ou os capitais financeiros dispostos a investimentos.

    Entretanto, qualquer um pode criar riquezas, só o fato de alguém plantar sementes e, após certo período, crescer frutos da plantação, já foi uma criação de riqueza. A pessoa que se dispôs a semear fez com que fossem criadas novas frutas aptas ao consumo.

    A riqueza criada pelas empresas quase que inteiramente automatizadas será posta ao mercado, e se não houver mercado para comprá-la - gente sem emprego e sem renda-, simplesmente a produção parará. E se a produção parar a economia também freará. Obviamente que ninguém quer isso.

    Porém, ao automatizarem a maioria de empresas de produtos e alguns serviços, as pessoas não ficarão paradas, de mãos cruzadas. Elas começarão a ofertar serviços a outras pessoas, e vice-versa, no final das contas, quase todo mundo começará a produzir serviços - se são serviços fúteis, aí é outra conversa...

    Acho que, para acompanhar esse ritmo de automação, a população futura não deverá ser muita... E o contraponto será se até máquinas começarem a oferecer os mais diversos serviços, aí tudo irá por água abaixo, já que não haverá quase nenhum serviço a oferecer...

    Enfim, acho que o futuro é complexo demais para afirmar que acontecerá coisa x ou y, depende de uma série de variáveis. Apenas acho, de acordo com meu raciocínio acerca do tema – que é limitado- que se a automação crescer nas empresas que ofertam produtos, o mundo melhorará bastante, mas se ela se expandir e dominar até nos serviços, estaremos ferrados!
  • Pensador barato  19/01/2017 17:31
    Andersom maquinas e robôs só são usados na industria e\ou serviços nas seguintes circunstâncias,quando os salários ficam altos demais e\ouprocessos de produção redutores de custo,qualquer empreendedor fará o calculo comparativo entre mão de obra e\ou automação,ou seja não se preocupe com esta questão,ela é uma questão de cálculo econômico que os empreendedores fazem corriqueiramente pois são eles que arriscam o suado dinheiro deles,enfim preocupe-se em se qualificar para lidar com esta realidade que é a automação que está beneficiando o consumidor com mais produção e menores preços e empreendedores ao aumentar a oferta de crédito(Aumento dos lucros depositados nos bancos ou girando nas bolsas de valores ou commodities)ou seja a automação é uma benção para a humanidade e para nós consumidores e como diz o artigo é uma maldição para os políticos principalmente para os esquerdopatas...
  • Matheus Verza  19/01/2017 17:16
    Gostei do texto, mas tenho minhas dúvidas (e receios) sobre isso..
    Entendi a explicação sobre pessoas com trabalhos manuais e repetitivos aprenderem a fazer outras coisas devido a automação de seu trabalho, mas ainda assim acho que iria saturar o mercado pois seria muita gente para poucos modos novos de serviço..

    E tambem.. com estas estimativas de crescimento populacional gigantesca e a automação dos serviços manuais, será que vai haver emprego para todos realmente?

    É um assunto que nunca me deparei muito para pensar sobre, mas gostei do texto e me instigou a pesquisar mais, abraços!
  • L. Simonetti   19/01/2017 17:34
    "E tambem.. com estas estimativas de crescimento populacional gigantesca e a automação dos serviços manuais, será que vai haver emprego para todos realmente?"

    Você quis dizer exatamente o contrário, né? As estimativas de crescimento populacional são desanimadoras, não sentido de que faltara mão-de-obra no futuro. No mundo ocidental, as taxas de fecundidade desabaram, e esse será o real problema do futuro.

    O mundo não está superpovoado - e, exatamente por isso, as consequências futuras podem ser ruins


    De resto, leia os artigos recomendados ao final do texto. Ali você verá que a automação também fará surgir vários outros empregos que hoje são inimagináveis.
  • Marcos  19/01/2017 18:26
    Matheus:

    a seção de comentários desse artigo também tem uma boa discussão sobre esse ponto suscitado por vc:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=2599
  • FL  19/01/2017 17:21
    É uma pena que o próprio governo já sabe disso e também está utilizando cada vez mais robôs para continuar com sua expropriação da população.
    Basta ver quantas obrigações acessórias uma empresa deve entregar para as "otoridades", que vão cruzar informações de todas as formas para sugar até o último centavo - o mesmo que acontece com a declaração de imposto de renda de pessoa jurídica.
  • Iniciante  19/01/2017 18:23
    Olá, pessoal,

    duas questões:

    1 - Sobre a origem do dinheiro para o assistencialismo: O tributo do pessoal ativo + tributação do lucro (apesar dos altos lucros serem temporários, eles não são nulos ao longo do tempo) não seriam suficientes para pagar a "renda básica"?

    2 - Sobre o tópico "Renda isenta de impostos", o valor arrecadado pelo governo não seriam maior em termos reais, apesar de não aumentar nominalmente? Qual a diferença entre o governo arrecadar um valor nominal menor (mas com ganho real) e um valor nominal maior (mas com ganho real menor). O primeiro caso não seria melhor para o governo?
    Ou seja, por que a deflação é ruim para o governo (Em um cenário em que ele arrecada mais em termos reais, apesar do valor nominal menor)?
  • Pro  19/01/2017 18:41
    "O tributo do pessoal ativo + tributação do lucro (apesar dos altos lucros serem temporários, eles não são nulos ao longo do tempo) não seriam suficientes para pagar a "renda básica"?"

    A renda básica e todo o resto das operações estatais hoje vigentes?

    Detalhe: os valores nominais arrecadados seriam decrescentes, o que significa que tanto os salários dos funcionários públicos e dos políticos, quanto o salário de toda a população (a "renda básica"), bem como todos os repasses a saúde, educação, segurança, justiça, cultura, lazer etc. terão de encolher anualmente em termos nominais. Isso nunca aconteceu em lugar nenhum na história do mundo.

    Gostaria de ver a turma toda aceitando isso.

    "o valor arrecadado pelo governo não seria maior em termos reais, apesar de não aumentar nominalmente?"

    Depende. O valor nominal certamente irá cair. A questão então passa a ser: a deflação de preços cairá ainda mais?

    E, mesmo que isso ocorra, o que comanda a política e a população são os valores nominais. Sempre foi. Nunca ninguém aceitou contínuas reduções nominais sob a promessa de que "ano que vem tudo estará mais barato, portanto aceitem". Esse será o jogo.

    "Qual a diferença entre o governo arrecadar um valor nominal menor (mas com ganho real) e um valor nominal maior (mas com ganho real menor). O primeiro caso não seria melhor para o governo?"

    Falta combinar com os funcionários públicos, com os políticos e com toda a população. A Grécia, por exemplo, está em deflação monetária (todo mundo tirou os euros de lá e mandou para outros países da zona do euro) e até mesmo com deflação de preços. Mas ninguém quer saber de redução salarial. Com isso, o desemprego vai para os dois dígitos. A Espanha está na mesma situação.

    "Ou seja, por que a deflação é ruim para o governo?"

    Porque afeta suas receitas nominais. E todo mundo só quer saber de ver os valores nominais subindo. Nunca o funcionalismo público, os dependentes do assistencialismo e os setores da saúde, educação, segurança, justiça etc. aceitaram reajustes salariais para baixo. Em nenhum país do mundo. Pode vir a acontecer? Até pode. Mas aí seria algo completamente inédito.
  • Iniciante  21/01/2017 13:28
    Agradeço a resposta.
  • Cleiton  19/01/2017 19:22
    Algumas dúvidas:

    O que é renda nominal?

    E renda monetária?

    E renda real?
  • Thiago Rocha   19/01/2017 20:59
    [OFF Topic ]

    Galera do IMB, tem uma página no facebook que se chama Contra o Pensamento Liberal, lá eles fazem postagens sérias contra a Escola Austríaca, e eles supostamente "refutaram" a Teoria do Valor Subjetivo e a Utilidade Marginal. Gostaria que vocês dessem uma olhada(até pq eu não tenho capacidade de porra nenhuma), e se puderem, façam um artigo contra esses caras.
  • Raphael Leme  19/01/2017 22:47
    Refutaram? Coloca aqui então o resumo da refutação.

    Aqui vai um humilde conselho, algo que aprendi na marra nos últimos anos:
    se você leu um texto, um artigo ou uma monografia acadêmica (sobre qualquer assunto), e após a leitura você não é capaz de, só pela sua memória, descrever os três principais argumentos do artigo, então ignore o artigo: ele não é importante.

    Se você não é capaz de sintetizar para uma pessoa leiga, de maneira coerente, quais são os argumentos do artigo, então ignore os argumentos. Eles provavelmente são incoerentes.

    E um último adendo: se você não consegue se lembrar dos argumentos que um determinado autor utilizou, por que você irá se lembrar dos contra-argumentos que outro autor irá apresentar?


    P.S.: uma vez trouxeram aqui um texto desta página falando bobagens magnânimas sobre a Crise de 1929. Coincidência ou não, imediatamente depois o IMB publicou esse artigo falando tudo sobre a Grande Depressão. Ninguém de lá contra-argumentou. Ficaram pianinhos.

    Sobre a crise de 1929 e a Grande Depressão - esclarecendo causa e consequência


    P.S.2: a referida página tem míseras 5 mil curtidas (contra quase 250 mil do IMB) e o nível é esse aqui:

    https://www.facebook.com/cplmemes/photos/a.1743209439342281.1073741828.1742028926126999/1755196584810233/?type=3&theater

    Se o IMB se rebaixar a debater contra isso irá perder o meu respeito.
  • Fábio   19/01/2017 21:30
    " ... As máquinas sempre estarão limitadas por sua programação, e elas sempre estarão limitadas por sua incapacidade de inventar soluções criativas para problemas altamente específicos ... "

    Quem não entende do assunto acredita muito nessa afirmação. E se o limite da máquina for maior que o limite humano? Estava agora mesmo vendo as Apis do Watson e as redes LSTM ( e tentando em vão prever o daytrade). O Watson não foi programado por humanos a se comportar como é (infelizmente muitos ficarão confusos com essa afirmação) , ele foi é ensinado a se comportar daquela forma absorvendo um enorme banco de dados. No máximo diretrizes, crenças e preferências foram impostas. Ele tem seus limites, mas são maiores que os nossos em muitos aspectos.
    A própria definição de criatividade é problemática: Não seria somente a expressão da diversidade de pensamentos e circunstâncias? Algo fácil de implementar em computadores, mas muito perigoso para a vida real.

    Mas acredito que a maior questão no futuro será mais doméstica como se vê no artigo abaixo e semelhantes:

    epoca.globo.com/ideias/noticia/2015/12/o-carro-tera-de-escolher-quem-salvar-e-quem-machucar.html

    O que fará as pessoas pedirem por uma regulamentação do que somente aceitar que as empresas visando os lucros prefiram que seus carros matem uma criança na estrada do que seu dono.

  • Eduardo  19/01/2017 22:55
    Mesmo que as máquinas substituam tudo que fazemos hoje (não só na produção, mas estamos falando em praticamente todos os níveis de serviço hoje existentes, desde restaurantes até agências de publicidade e entretenimento) sempre existirá mais "trabalho" a ser realizado.

    As nossas necessidades irão mudar em um mundo de uma "inteligência artificial plena", iremos nos dedicar a outras atividades. Por exemplo, em um mundo assim talvez uma parcela maior da população se dedique a esporte profissional (a não ser que você me diga também que iremos preferir ver jogadores de futebol robôs…), outras áreas do conhecimento humano, exploração espacial e por aí vai.

    Entenda, meu caro: os recursos são escassos! Mesmo que as máquinas produzam "tudo" eles continuarão sendo escassos. O que iremos consumir pode ser muito barato em um futuro assim, mas os recursos continuarão escassos e desta forma eles terão sim preço.

    A realidade é que, independente do que você acredita ser inteligência artificial ou não, com exceção do cenário apocalíptico das máquinas nos destruírem, elas irão continuar a ser ferramentas que irão aumentar a nossa produtividade. Se uma fábrica precisar apenas de uma pessoa para ir lá e apertar o botão a cada 100 anos isso significa que a produtividade alcançada é altíssima. Apenas isso…

    Realisticamente, a economia é complexa demais para acreditar que máquinas irão simplesmente substituir os homens em todos os níveis possíveis de trabalho existentes (ou que nem existem ainda…)
  • anônimo  19/01/2017 22:58
    Se a preocupação é essa, não vejo a hora de ela se tornar realidade. Já pensou? Não apenas ninguém mais teria de trabalhar, como também ninguém mais teria problemas com nada. Estragou a geladeira? O robô conserta. Estragou o computador? O robô conserta. Estragou o carro? O robô conserta.

    Só não sei muito bem como o robô vai criar as peças de reposição, mas se há quem jure que isso será possível, quem sou eu para discordar.
  • André C.  19/01/2017 23:02
    A evolução tecnológica se dá a pequenos passos, muitas vezes desconexos no início. Porém, sempre firmes e, às vezes, rápidos.

    A cada passo da criação de algo, o ser humano também fica mais inteligente e com mais capacidade.

    O seu cenário é possível sim, mas neste caso, as máquinas seremos nós. Afinal, somos máquinas, mas biológicas, naturais (ou como alguns querem: que Deus fez) e então é sim possível a criação de uma máquina semelhante, mesmo que isso dure vários milênios para acontecer, dado que podemos estudar sistematicamente a natureza e aprender com ela (ou, como querem alguns, porque Deus nos fez a sua imagem, então somos co-criadores).

    Claro que, neste ponto, as duas máquinas (biológica e artificial) se confundem. Eu diria que criaríamos o nosso próprio corpo, de acordo com a nossa necessidade. Então, neste sentido, as coisas ainda seriam feitas por nós mesmos. Tem gente que leva a sério esta do transhumanismo e do homo technologicus (TripleC)

    Sobre as máquinas serem programadas... Sim, de fato é isto, você pode programá-las para aprenderem, para interagirem, para reagirem e para otimizarem seu funcionamento. E mais, se você programar tudo isso de forma que a máquina o faça automaticamente (por ela mesma), ela se torna auto-reativa, com auto-aprendizado (aprendizado não supervisionado), auto-otimizada, auto-organizada etc. (Auto-X). As interações entre várias delas suscita novidades "não previstas", o que é chamado processo de emergência.

    Na moderna IA, não se fala mais em programar o computador para realizar tal e tal tarefa (isso ainda é muito comum, mas não é mais alvo de pesquisas [= realidades futuras]), mas se fala em ensinar o computador a realizar tal e tal tarefa.

    Mas essas características não vão acabar com os empregos, mas somente com os empregos ruins, exatamente como diz o artigo...

    Abraços
  • Renato  20/01/2017 00:03
    "Se uma máquina é capaz de substituir o trabalho humano, então ela deve substituir o trabalho humano. O trabalho humano não deve ser desperdiçado em tarefas repetitivas que podem ser feitas por uma máquina de maneira igualmente eficaz e menos dispendiosa..."

    A minha experiência de vida parece diferente da experiência do pessoal dos comentários e do autor do texto. Vou ser bem sincero aqui e objetivo, não quero polemizar: conheço muitas pessoas que não são capazes de fazer absolutamente nada a não ser "apertar parafusos" ou "carregar tijolos". Simples assim. O autor do texto assume que todos os trabalhadores tem condições de aprender. Eu não acho que isso seja verdadeiro. Mesmo que queiram, e isso eu já não vejo comumente de jeito nenhum, muitos são incapazes de aprender. Alguém tem essa impressão?
  • Julio Cesar   20/01/2017 00:33
    Isso é elitismo seu. Uma pessoa que realmente não soubesse fazer nada senão carregar tijolos e apertar parafusos já estaria dormindo nas ruas, sem lar e sem teto. Tal pessoa dificilmente encontraria qualquer demanda por sua mão-de-obra no mercado atual. Poderia, no máximo, encontrar um ou outro bico esporádico. E o valor monetário que ele ganhasse seria rapidamente diluído pela inflação.

    O fato é que qualquer indivíduo, com um mínimo de treinamento e dedicação, consegue fazer muito mais do que isso. Eu mesmo conheço um cara que era pedreiro ("carregava tijolo") e hoje trabalha em supermercado, atendendo clientes. Upgrade. E ele continua sem ter tido ensino médio.

    Essa sua visão, ironia das ironias, é a de que indivíduos são tão burros quanto uma máquina, e incapazes de aprender qualquer coisa nova. Sinceramente, isso não existe. O que existe é comodismo. Qualquer um, numa situação de extrema necessidade, aprende a se adaptar. Sim, exige esforço. Sim, é desconfortável. Sim, seria muito melhor receber tudo pronto e sem qualquer chateação. Mas a vida não é assim. Vivemos num mundo de escassez e não de abundância. Tudo exige determinação, esforço e dedicação.

    Agora, se tal indivíduo que você falou realmente é uma porta e realmente não quer aprender mais nada, bom, então aí nada pode ser feito por ele. Só falta agora você querer dizer que todo o progresso tecnológico deve ser interrompido apenas porque há um cidadão que se recusa a se auto-aprimorar na vida.
  • J%C3%83%C2%BAnior  22/01/2017 03:07
    E ninguém para para pensar que quando os robôs estiverem prontos para nos substituir, provavelmente, já teremos antes um cérebro conectado à internet, com talvez uma memória externa, ou implantado no cérebro mesmo, a onde poderemos fazer o download do conhecimento, aprender matemática, artes marciais, programação, aí seriam premiadas as pessoas que melhor usarem essas informações.
  • Humberto  20/01/2017 00:40
    Isso é bem típico. "Ah, conheço um cara que não se adaptaria a essa nova realidade; logo, temos de interromper todo o progresso senão esse cara ficará desconfortável!".

    Ora, que se dane esse cidadão. Vários bóias-frias que trabalhavam no campo também ficaram desempregados com o surgimento das colheitadeiras, e se sentiram inúteis. Ainda bem que não havia nenhum iluminado à época querendo proibir a invenção das colheitadeiras com o argumento de que o desemprego dos bóias-frias os levaria à depressão.

    É isso que se passa por "debate econômico sério" hoje em dia: não há argumentos técnicos ou racionais, mas apenas afetações de pseudo-piedade e efusões de sentimentalismo.
  • Marcão  20/01/2017 12:49
    Bem por aí. Muito bem observado.
  • Rechtsstaat  20/01/2017 03:00
    Ultimamente estou mais discordando do que concordando com as coisas aqui.
  • Marconi Soldate  20/01/2017 18:57
    Aceitem que dói menos. A renda básica vem aí e será um alívio porque irá retirar o estado de tudo o mais (exceto exército, polícia e justiça). É o melhor possível.
  • Tulio  20/01/2017 19:09
    Opa, você então garante que isso irá acontecer?! Você garante que o estado irá se retirar de tudo?

    Se sim, então até eu sou a favor. Senão, você terá de assumir responsabilidade por sua propaganda enganosa.
  • Alex Ran  21/01/2017 13:08
    Há um pequeno erro no texto. Na deflação o governo também ganha. Se a tributação é de X e o governo consegue comprar Y de produtos e serviços, se há deflação e o preço desce pela metade, o governo vai poder comprar 2Y sem alterar a arrecadação. A única forma do governo não ganhar nada com a deflação seria se ele diminuísse proporcionalmente a arrecadação, ou seja, passar a arrecadar X/2 (metade). Ora, se X paga os gastos do governo porque compra Y, agora com a deflação, metade de X, compra os mesmos Y mantendo o mesmo gastos anteriores de bens e serviços (Y). Em outras palavras, se o governo continuar arrecadando o mesmo X apesar da deflação significa que ele vai poder sustentar o dobro de burocratas desocupados.
  • Corregedor  21/01/2017 14:07
    Só que você se embananou num ponto crucial: a arrecadação do governo não se mantém a mesma. Ela cai. E pelos motivos explicados no artigo.

    Essa diferença é essencial.

    Confira a pergunta feita pelo leitor "Iniciante" e veja a resposta dada a ele.
  • Alex Ran  03/02/2017 22:58
    Sim, me enrolei no raciocínio. Andei lendo outros textos para entender melhor. Engraçado que estou lendo livro Ação Humana do Mises e tem uma parte inteira só sobre deflação e por coincidência li ela esses dias, e ele mesmo responde:

    "A política deflacionária é onerosa para o Tesouro e impopular junto às massas. Por outro lado, a política inflacionária é vantajosa para o Tesouro e bastante popular entre os ignorantes. Na prática, o perigo da deflação é apenas ligeiro, enquanto o perigo da inflação é enorme."

    Obrigado pela resposta.
  • Skeptic  21/01/2017 14:42
    Tem um ponto que não foi considerado pelo artigo, a inteligência artificial. Se uma IA forte surgir no futuro, aí todos ou quase todos os empregos poderiam desaparecer. Assim, a humanidade viveria como deuses servida por robôs ou seria extinta. Talvez não seja um futuro tão binário assim, esse futuro é difícil de prever.
  • André Cavalcante  22/01/2017 00:52
    IA Forte? Puts, não ouço esse termo desde os papers na Scientific America de 91, o famoso debate Seal x Churchland.
    Na prática, fazer um computador interpretar corretamente uma mísera frase em linguagem natural, coisa que QQ criança de 3 anos de idade faz, é uma tarefa hércula.
    Isso vai acontecer um dia, mas não cremos que seja algo para agora, ou mesmo nesse século.
    Até lá, a gente já resolveu esses problemas todos...

    Abraços

  • José R.C.Monteiro  23/01/2017 08:59
    Robôs mais capazes (em termos), e mais fortes, do que os seres-humanos, já li isso em revistas de almanaque - robôs dominam seres-humanos . Está a parecer que não serão as máquinas, mas sim outros seres humanos , quer dizer, outros seres-humanos, chegar a ser engraçado - "ponhamos culpa nos robôs".
    Chamamos isso de concentração de poder, queiramos ou não, tem sabor de tiro-no-próprio-pé.
    Há uma previsão da indústria automobilística que no ano de 2025 não será mais necessário um ser-humano para dirigir os automóveis, não é uma belezura? Quer dizer, todos os carros ligados à uma central informática, e, naturalmente, essa central saberá aonde todos estarão indo, sem afastar a possibilidade (claro, nessa altura de tecnologia todos seres-humanos estarão isentos do "pecado original") do extremo poder de parar nosso trajeto - sonho de Genghis Khan e Stálin.
    Se as evoluções moral e tecnológica estiverem "pari passu" nesse momento, ficarei muito infeliz em partir dessa para melhor.
    Espero que a máxima de J.Schumpeter doesn't come true: quem acabará com o capitalismo, será o próprio.
    Caramba, lembrei de uma palestra do Google: "nós não queremos responder às pessoas as perguntas que elas têm, mas sim responder perguntas que elas nem sabem que possuir em suas cabeças".
    Não podemos pensar que "apenas" há o conflito de economia estatizada versus economia de mercado, parece que a concentração de poder passa por cima desse conflito de econômico, será que os socialistas já não sacaram tudo isso?
    Espero que pelo fato de que Hilary Clinton ter recebido de Wall Street mais de 200 milhões de dólares, e Trump 13 milhões, não seja algum tipo de indicador meio que vermelhinho dessa minha tênue percepção da esperteza dos socialistas.
    Há um livro - Zero To One - em que ser monopolística, ou seja, concentrar poder, é o sonho de toda empresa ao ser criada; Karl Marx previu que a concentração do capital, quer dizer, concentração do poder, tratava-se de um capitulo ESSENCIAL DO ADVENTO DO SOCIALISMO.
    Dei uma escapada no assunto per se, porei culpa nos robôs, tudo isso para dizer que deveríamos pensar que o aparenta ser uma derrocada do social-democracia, pode ser uma percepção futurística, considerar o inimigo sagaz é salutar.
  • MB  05/03/2017 22:19
    Concentração de poder e monopólio ruim(Monopólio bom não tem proteção estatal)são criações do estado,obra do conluio grandes corporações e estado,enfim duas instituições parasitárias que sugam nossos(Recursos)sangues,nós os hospedeiros(Eleitores e pagadores de impostos e consumidores das bugigangas destas grandes corporações)somos os otários nessa equação do poder.
  • FREDERICO HAUPT BESSIL  02/02/2017 13:49
    Se houvesse uma previsão expressa na CF instituída por EC, afirmando que os direitos sociais lá previstos ou na CLT podem ser livremente negociados em Convenção Coletiva, afim de estabelecer um livre mercado, até mesmo com possibilidade de redução do salário-mínimo e/ou aumento da carga horária para 12h sem pagamento de horas extras, afim de combater o desemprego e aumentar a competitividade das Empresas brasileiras no mercado global, por exemplo: definindo que o trabalho em sábado e domingo terá a mesma remuneração que o trabalho normal ou que o trabalho noturno terá a mesma remuneração que o diurno; ou que o empregado Celetista passará por estágio probatório como os estatutários, podendo dispersar-se o empregado por desempenho insuficiente, mesmo não configurando hipótese de justa causa, sem direito a verbas rescisórias;

    tal EC poderia prosperar ou seria derrubada no STF por configurar retrocesso Social?

    O legislador é livre para fazer tais mudanças na CF para instituir uma livre mercado no Brasil afastando ao máximo a influência do Estado nas Negociações privadas, em virtude da separação dos poderes, ou o modelo atual de intervencionismo Estatal só poderia ser modificado com uma nova Constituição?
  • Andre  02/02/2017 15:43
    Certamente uma nova constituição, nossos vizinhos Uruguai 1997, Paraguai 1992, Peru 1993 e Colômbia 1991 possuem constituições muito mais pró mercado e com limitações ao estado, já marcadas pela queda do muro de Berlin e fim da URSS, não por coincidência apresentam razoável crescimento econômico mesmo após a derrocada das commodities e ambiente muito mais favorável aos negócios.

    Agora, como seria uma nova constituição brasileira em pleno 2017 tenho até medo de pensar, o sistema econômico não ruiu o suficiente para romper o amor do brasileiro médio pelo estado e sua crença no almoço grátis, resultará em outra CF populista.
  • Emerson Luis  05/03/2017 21:42

    "Robôs e máquinas não pagam impostos."



    * * *
  • Andr%C3%83%C2%A9  06/03/2017 00:05
    Ué, só não vi a novidade até agora, porque os robores já são taxados.

    Me parece uma manobra pra incluir o PIS/COFINS e FGTS sobre o trabalho robótico. Coisa que um TRABALHADOR humano teria que pagar. (sim, é o trabalhador que paga e não o empresário, seu jovem inocente).

    Agora eu quero ver quando vierem os juristas invertendo o céu e a terra pra explicar porque isso não é bis in idem.
  • Andr%C3%83%C2%A9  06/03/2017 10:35
    PS: notei agora que escrevi robores ao invés de robôs.
  • Emerson Luis  05/03/2017 21:49

    "Aqui vai um humilde conselho, algo que aprendi na marra nos últimos anos: Se você leu um texto, um artigo ou uma monografia acadêmica (sobre qualquer assunto), e após a leitura você não é capaz de, só pela sua memória, descrever os três principais argumentos do artigo, então ignore o artigo: ele não é importante; Se você não é capaz de sintetizar para uma pessoa leiga, de maneira coerente, quais são os argumentos do artigo, então ignore os argumentos. Eles provavelmente são incoerentes."

    Não é um conselho tão humilde assim: pressupõe que você é um interpretador de textos formidável que sempre consegue compreender e explicar qualquer bom texto. Às vezes não conseguimos compreender ou explicar um texto por causa de nossas próprias limitações e lacunas.

    * * *
  • Rafael  13/03/2017 00:40
    O cara primeiro tem que ser útil para alguém, cliente, empresa qualquer um. Depois, vai receber dinheiro. Essa é a ordem natural.

    Agora o que tem de gente reclamando o direito de receber $$ antes de ser útil...


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