A automação irá nos empobrecer? Muito pelo contrário
Quais são as boas notícias que não estão lhe contando

A crescente automação em vários setores da economia se transformou em uma grande preocupação nos últimos anos. Com os algoritmos dos computadores se tornando cada vez mais sofisticados, as máquinas estão se tornando cada vez mais capacitadas para realizar trabalhos que são o ganha-pão de várias pessoas.

Carros sem motorista já estão, há um bom tempo, sendo testados nas estradas americanas e européias. Embora ainda não estejam disponíveis comercialmente, é apenas uma questão de tempo para que o sejam. Quando isso acontecer, eles irão substituir não apenas os taxistas, como também as pessoas que hoje trabalham para empresas como Uber e Lyft. Afinal, se os empregadores puderem remover os gastos relacionados ao pagamento de motoristas, eles poderão fornecer seus serviços a preços muito menores. Simultaneamente, ainda conseguirão reter um maior lucro líquido.

Veículos automatizados (e autônomos) também irão substituir caminhoneiros.

Mas não é só nessa área que a automação irá sacudir o mercado de trabalho. Nos países mais ricos, já vemos a integração de várias máquinas de auto-atendimento nas grandes redes de supermercado, substituindo os caixas humanos. Mesmo restaurantes fast-foods estão adotando essa tendência. O McDonald's atualmente possui quiosques em várias localidades que permitem aos clientes pedir e receber sua comida sem qualquer interação humana. As redes Carl's Jr. e Hardees também já anunciaram que irão testar quiosques automatizados em seus estabelecimentos.

Ainda em 2012, uma startup de robótica chamada Momentum Machines apresentou um protótipo de uma máquina totalmente autônoma que recebe os pedidos dos clientes, cozinha a carne, fatia os vegetais, monta o hambúrguer, embala-o, e entrega ao cliente. Esta máquina se mostrou capaz de preparar 400 hambúrgueres em uma hora. A empresa já comprou um prédio na cidade de San Francisco e pretende inaugurar um restaurante totalmente autônomo em breve. Tal restaurante ainda irá necessitar de alguns poucos humanos, que terão as funções de garantir que as máquinas funcionem harmoniosamente, retirar o dinheiro das máquinas e efetuar outras tarefas menores.

Obviamente, caso essa hamburgueria automatizada se comprove lucrativa, é de se esperar que as grandes cadeias sigam essa tendência.

A pergunta que está na cabeça de várias pessoas é: se as máquinas podem conduzir as pessoas em carros e processar pedidos e fazer sanduíches, o que ocorrerá com os milhões de indivíduos que atualmente estão empregados nessas profissões?

Os mercados mudam — e isso vem ocorrendo desde o surgimento dos mercados

Mas o fato é que essas tendências, embora surpreendentes, realmente não têm nada de novo. O mundo se desenvolveu e enriqueceu exatamente dessa maneira.

As impressoras eliminaram a necessidades de escribas (pessoas que literalmente tinham de escrever a mesma coisa várias vezes para assim difundir uma obra). E, mais recentemente, a mídia online reduziu a necessidade de impressoras (hoje, você mesmo pode publicar seu livro online, sem ter de recorrer a editoras).

As máquinas de venda automática — tanto para tickets quanto para cervejas, refrigerantes e guloseimas — já substituíram os vendedores humanos há muito tempo. E não nos esqueçamos de que ascensoristas eram extremamente comuns no passado, pois apenas eles sabiam como operar um elevador.

Voltando ainda mais no tempo: no passado, a maioria das pessoas trabalhava no campo. A automação acabou com 99% desses empregos. Literalmente, 99%. Eles não existem mais. O trator substituiu o arado e a enxada.

A criação do automóvel e do caminhão tornou obsoleto todo o setor de transporte manual, em que cargas eram carregadas nas costas por vários trabalhadores. Já o computador provavelmente destruiu mais empregos do que qualquer outra inovação tecnológica na história da humanidade, com a possível exceção do automóvel.  Por sua vez, a eletricidade destruiu um sem-número de empregos na indústria de velas e na indústria de carvão. 

Ao mesmo tempo, todas essas invenções destruidoras de empregos acabaram criando outros novos empregos que até então ninguém jamais havia imaginado serem possíveis.

Quem gostaria de voltar a viver em um mundo sem carros, computadores, internet e eletricidade, considerando todos os empregos que tais invenções destruíram? Quem gostaria de voltar a viver em um mundo em que praticamente todos os seres humanos tinham de trabalhar exaustivamente no campo — querendo ou não — apenas para sobreviver? 

Hoje, ninguém se queixa de nenhuma dessas invenções. Ninguém se queixa da falta de empregos para escribas, para ascensoristas, e para operários em fábricas de carroça e de máquinas de escrever. Sabemos que esses empregos desapareceram porque tais tarefas podem hoje ser efetuadas muito mais econômica e rapidamente por outros meios.

O mesmo continua ocorrendo hoje, só com que outros empregos.

Outro fato digno de menção é que a automação cria luxos com os quais a humanidade jamais havia sonhado. Mais ainda: ela nos entrega serviços que jamais sequer sabíamos que queríamos. Por exemplo, antes de inventarmos os automóveis, o ar condicionado, as televisões de tela plana e o cinema, ninguém que vivia na Roma antiga sonhava com a possibilidade de assistir a filmes em um televisor de tela plana enquanto se locomoviam para Atenas dentro de um veículo confortável e climatizado.

Adicionalmente, a automação nos possibilitou empregos com os quais jamais havíamos sonhado. A industrialização e suas máquinas fizeram mais do que apenas aumentar nossa expectativa de vida. Ao libertar a humanidade da necessidade de efetuar trabalhos pesados, maçantes, brutos e monótonos, ela levou uma grande fatia da população a decidir que humanos foram feitos para ser músicos, filósofos, bailarinos, matemáticos, atletas, artistas, designers de moda, professores de ioga, escritores de romances e, hoje, pessoas com profissões mais "exóticas", como YouTuber, Instagramer, jogador profissional de videogame etc.

O mesmo é válido para a atual tendência da automação. No futuro, olharemos para o passado (hoje) e teremos vergonha do fato de que seres humanos eram utilizados para fazer determinados tipos de trabalho braçal, monótono e intelectualmente desestimulante.

Reduzindo o custo de vida

Em economias livres e dinâmicas, os empreendedores estão continuamente se esforçando para implantar inovações que os tornem mais eficientes e, consequentemente, mais lucrativos e mais preparados para agradar os consumidores. Uma maior automação apenas intensificará esse processo.

Isso, no entanto, leva a um questionamento bastante comum: sim, é fato que todas essas inovações permitidas pela automação irão criar empregos para as pessoas mais capacitadas e qualificadas, como os engenheiros que constroem essas máquinas, os programadores e cientistas da computação que irão desenvolver os algoritmos para essa máquinas, e os profissionais da Tecnologia da Informação, que irão lidar com os problemas de software e de hardware sempre que estes ocorrerem.

Mas e os trabalhadores pouco qualificados? É certo que nem todo mundo tem o privilégio (ou o tempo, dado que várias famílias são obrigadas a ter vários empregos para pagar suas contas) de se tornar criadores, codificadores e reparadores de máquinas.

E mesmo que absolutamente cada empregado das redes de fast-food, cada taxista e cada caminhoneiro adquirisse uma nova habilidade, isso faria com que os outros mercados se tornassem saturados de mão-de-obra qualificada à procura de um novo emprego.

O que fazer?

Com o efeito, a resposta está à nossa volta: o benefício da automação, hoje e sempre, é o de reduzir o custo de vida (os preços relacionados à tecnologia estão ou em queda ou estáveis) e o de fazer com que todo e qualquer trabalho seja mais produtivo (salários maiores em termos reais).  

Analisando o que ocorreu ao longo das últimas décadas com itens como tecnologia, alimentação e vestuário, veremos que houve uma queda dramática nos preços — quando mensurados em termos de horas de trabalho necessárias para se adquirir a mesma quantidade de cada item — e uma sensível melhora na qualidade dos produtos. 

Isso, aliás, vem ocorrendo desde a invenção da roda e de todas as outras máquinas que reduzem a necessidade de esforço físico.

Isso, no entanto, leva a outra objeção: de nada adianta haver bens mais abundantes e baratos se ninguém tiver emprego (e renda) para comprá-los. Qual a resposta?

Nada muda. O cenário mais realista é o de que, com os preços em queda (como já estão nos países de economia estável), serão necessários menos empregos e menos horas de trabalho para se manter uma família.

Isso, aliás, foi exatamente o que ocorreu ao longo do século XX, quando a jornada de trabalho foi continuamente reduzida — graças aos avanços tecnológicos e à acumulação de capital — e os trabalhadores passaram a trabalhar cada vez menos. Simultaneamente, o padrão de vida subiu continuamente.

Para fazer esse exercício de previsão, todos os fatos têm de ser considerados: a inovação nos negócios poderá acabar com empregos obsoletos; porém, com a maior eficiência permitida pela automação, bens e serviços custarão cada vez menos.

Peguemos, por exemplo, os carros autônomos. Embora seja de se lamentar que eles irão gerar um desemprego temporário para vários motoristas profissionais, a queda nos preços do transporte serão uma dádiva para todo o resto da humanidade.

Isso poderá ser especialmente benéfico para várias famílias de baixa renda, que gastam uma grande fatia de sua renda mensal com manutenção, seguro, combustível e impostos de seu carro. E as que nem sequer têm carro, vêem seu salário descontado por causa do vale-transporte. Para todas essas pessoas, não apenas ter um carro passará a ser desnecessário, como também os gastos com transporte serão cada vez menores. Elas agora poderão usar automóveis esporadicamente — como muito já fazem ao recorrer ao Uber —, e a preços irrisórios. Isso terá um efeito excepcional sobre a sua renda.

Com efeito, várias famílias já relataram que não têm como pagar caso seu carro necessite de um serviço de manutenção de emergência [no Brasil, é ainda pior]. Consequentemente, para muitas famílias, a possibilidade de seu carro estragar representa um assustador risco econômico. Por outro lado, o surgimento de transportes autônomos em larga escala irá reduzir acentuadamente este risco para o orçamento das famílias.

Muitas outras famílias também irão perceber que não mais será economicamente sensato ter um carro próprio e incorrer em todas as suas despesas de manutenção, seguro, combustível e impostos. Ato contínuo, irão optar pelos transportes autônomos e baratos. Consequentemente, terão mais dinheiro para gastar em outras coisas, ou mais dinheiro para poupar e investir.

Conclusão

Embora a inovação tecnológica possa eliminar os empregos de algumas pessoas, outras várias pessoas serão enormemente beneficiadas.

Se os preços de vários bens e serviços caírem em decorrência da automação, os salários mais baixos passarão a ser suficientes para que várias pessoas vivam confortavelmente. Isso é o que é chamado de "amento na renda real", e é o que realmente importa.

De resto, como a história repetidamente já demonstrou, a automação sempre representou uma libertação para o ser humano, não só livrando-o da necessidade de realizar trabalhos braçais pesados e desumanos, como ainda permitindo um aumento exponencial da sua renda: a renda média diária mundial, que era de $ 3 há dois séculos, hoje é de $ 33, já descontando a inflação. E, nos países ricos, é de US$ 100 por dia;

Essa libertação material nos permitiu viver vidas mais confortáveis, mais humanas e muito mais gratificantes do que outras gerações jamais experimentaram. Se isso, por si só, não é um argumento convincente, então nenhum outro pode ser.

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Thomas Woods é um membro sênior do Mises Institute, especialista em história americana.  É o autor de nove livros, incluindo os bestsellers da lista do New York Times The Politically Incorrect Guide to American History e, mais recentemente, Meltdown: A Free-Market Look at Why the Stock Market Collapsed, the Economy Tanked, and Government Bailouts Will Make Things Worse. Dentre seus outros livros de sucesso, destacam-se Como a Igreja Católica Construiu a Civilização Ocidental (leia um capítulo aqui), 33 Questions About American History You're Not Supposed to Ask e The Church and the Market: A Catholic Defense of the Free Economy (primeiro lugar no 2006 Templeton Enterprise Awards). Visite seu novo website.

Aaron Bailey é articulista do site Modern Survival Online, veterano da Marinha, professor de violão e piano.

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SOBRE O AUTOR

Diversos Autores


"Foram mal abordados, muito mal abordados.

"imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado" Eua imprime dólar, UE imprime Euro, Japão imprime Iene."


Eis um trecho do artigo:

"Há três respostas: ou o governo aumenta impostos; ou ele toma dinheiro emprestado de bancos, pessoas e empresas; ou ele simplesmente imprime dinheiro.

Não é preciso ser um profundo conhecedor de economia para entender que nenhuma dessas três medidas cria riqueza."


Você fala como se estivesse rebatendo alguma afirmação, que o próprio artigo mostra como é falsa; mas essa afirmação quem criou foi você próprio, sabe-se lá de onde.

É surreal você dizer que isso advêm da perda de consumo da população, a inflação desses países é próxima de zero há muito tempo. (não quero dizer que isso funcionária em todos os países do mundo)

Você está falando de "inflação de preços", aumento no preço de diversos produtos na economia geral; o artigo está falando de
inflação monetária, aumento da oferta monetária, dinheiro em circulação na economia. É possível haver baixa "inflação de preços" ou mesmo "deflação de preços" onde há inflação monetária. Basta que o aumento em produtividade e outros fatores (que diminuem preços) seja maior que o aumento dos preços por conta da inflação monetária.

Agora, se você acha que não há relação alguma entre oferta monetária e aumento de preços, creio que você descobriu o Paraíso na Terra -- podemos simplesmente imprimir dinheiro à rodo e dar para todos, e não haverá efeito colateral algum nisso.

"EUA tirou o país de uma recessão enorme em 2008 com as práticas Keynesianas, existem vários e vários exemplos da prática aplicada e funcionando, em nenhum momento é perfeita e sem qualquer tipo de ônus, mas é o melhor que pode ser feito."

Sim, o Keynesianismo tirou os EUA da recessão -- causada por esta mesma ideologia e suas taras por expansões artificiais:

Como ocorreu a crise financeira americana
Explicando a recessão europeia
Herbert Hoover e George W. Bush: intervencionistas que amplificaram recessões (1ª Parte)
A geração e o estouro da bolha imobiliária nos EUA - e suas lições para o Brasil

Creditar a teoria Keynesiana por tirar os EUA da recessão se resume à isto: o que seria de nós, se após quebrar nossas pernas, o Estado não nos desse muletas?

"Aliás uma pergunta, você já prestou ANPEC alguma vez? acredito que seu conhecimento é bem maior do que as frases feitas que posta aqui no site."

E como sempre, o grande feito para um Brasileiro é passar em concurso.

"Apesar de ter grande admiração por Keynes eu não tenho asco por nenhum grande pensador econômico, seja ele Marx ou Hayek, não é o que acontece por aqui, infelizmente. Inclusive, ressaltei que não é impossível que Keynes esteja errado em alguns pontos, visto o tempo que já se passou."

Não posso falar por todos membros que acompanham este instituto, mas pouco me importo com Keynes, Hayek, Mises, Friedman, quem quer que seja. Apenas me importo com as ideias que estes defendem. Se Marx falar algo correto, defenderei isto. Se for Keynes, também. Mises, mesma coisa.

"Peço mais uma vez que seja exposto para que haja um debate honesto. Pela segunda vez eu estou usando exemplos reais, práticas já aplicadas e com ressalvas de que nada pode ser generalizado, você escreve de forma rasa, com várias teorias que sequer foram testadas e lotado de frases feitas para atingir quem está no topo (Keynes). "

"Nada pode ser generalizado" é algo tão estúpido que eu não acho que seria preciso comentários para mostrar a estupidez desta afirmação.

"Você escreve de forma rasa" -- disse quem credita a teoria Keynesiana como positiva por tirar os EUA da recessão, causada pela mesma.

"Com várias teorias que sequer foram testadas" -- Eis o comentário feito por quem você está criticando:

"1) "Podem vir de emissão de títulos públicos"

E quem paga os juros e o principal destes títulos públicos? De onde vem o dinheiro?

2) "Impostos pagos anteriormente que geraram caixa"

Ou seja, o dinheiro veio da população.

3) "Expansão monetária direta, da forma que é feito na UE, EUA e Japão"

Ou seja, o dinheiro veio da redução do poder de compra da população.

4)"Qualquer financiamento para qualquer tipo de obra" "


Todos estes pontos são lógicos, e não empíricos. Faça um favor a si mesmo, e corra urgentemente para uma livraria e compre qualquer livro iniciante sobre lógica ou argumentação. O seu caso é grave.



Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

Os contra armamento nunca respondem essa pergunta e sempre a evitam. Eu vou responder de acordo com a instrução que a policia passa para a população:

1. Se der tempo, ligue para a policia, se você der sorte, eles podem passar por ali antes do bandido conseguir entrar na sua casa.

2. Faça tudo que o bandido manda. Se ele quer seus bens, dê. Se ele quer estuprar você, deixe. NÃO RESISTA DE FORMA ALGUMA.

3. No dia seguinte, faça um boletim de ocorrência e reze para que seu caso seja um dos 8% que são resolvidos no Brasil.

Agora eu tenho algumas perguntas também:

1. Se bandidos querem bens, por que não assaltam o congresso nacional? Ali está reunido várias pessoas milionárias. Enriqueceriam facil! Será que é por que ali tem seguranças armados que não hesitariam em atirar?

2. Por que não assaltam juizes e deputados quando estão fora do congresso? Será que é por que os mesmos dispõem de seguranças armados?

3. Por que não atacam carros fortes que transportam valores toda vez que os mesmos saem da garagem? Será que é por que os guardas estão bem armados?

Quem prega o desarmamento da população não entende que o bandido, seja o de colarinho branco ou o comum, é um ser de mentalidade oportunista. Independente do historico de pobreza (ou não), ele não irá atacar lugares fortemente armados porque o risco/beneficio é muito alto, e eles são inteiramente capazes de fazer esse julgamento (caso não o fossem, os lugares que citei seriam atacados diariamente).

Sabe onde eles atacam? Onde o risco/beneficio é baixo. E adivinha quem apresenta isso? Sim, uma população desarmada e instruida a não reagir de forma alguma.
Esron, expandi o comentário acima em um artigo bem mais detalhado sobre o assunto. Ei-lo:

Como funciona o mercado de cartões de crédito e por que seus juros são os maiores de todos


Após a leitura do artigo acima, convido-o a ler esta notícia, que mostra que a recente medida adotada pelo Banco Central não afetou nada, exatamente como previa o artigo acima (ou seja, o final, nada mudará, e sua anuidade tende a continuar gratuita):

blogs.correiobraziliense.com.br/vicente/juro-do-parcelamento-do-cartao-de-credito-e-recorde-e-chega-1635-ao-ano/
Além de tudo o que já foi respondido acima, é extremamente importante ressaltar que essa tese de "fazer dumping para quebrar indústrias para logo em seguida elevar preços e dominar o mercado" é completamente irreal.

Não apenas isso nunca aconteceu na prática, como também a própria teoria explica que isso seria completamente insustentável, para não dizer irracional do ponto de vista empreendedorial.

Apenas imagine: você é o gerente de uma grande empresa e quer destruir a empresa concorrente reduzindo seus preços para um valor menor do que os custos de produção. Ao fazer isso, você começa a operar no vermelho. Ao operar no vermelho, por definição, você está destruindo o capital da sua empresa; você está, na melhor das hipóteses, queimando reservas que poderiam ser utilizadas para investimentos futuros.

Pois bem. Após vários meses no vermelho, você finalmente consegue quebrar o concorrente. Qual a situação agora? Você de fato está sozinho no mercado, porém bastante descapitalizado, sem capacidade de fazer novos investimentos. A sua intenção é voltar a subir os preços para tentar recuperar os lucros de antes. Só que, ao subir os preços, você estará automaticamente convidando novos concorrentes para o mercado, que poderão vender a preços menores.

Pior ainda: estes novos concorrentes poderão perfeitamente estar mais bem capitalizados, de modo que é você quem agora estará correndo o risco de ser expulso do mercado. Seus concorrentes poderão vender a preços mais baixos e sem ter prejuízos, ao passo que você terá necessariamente de vender a preços altos apenas para recuperar seus lucros.

Ou seja, ao expulsar um concorrente do mercado, você debilitou sua empresa a tal ponto, que você inevitavelmente se tornou a próxima vítima da mesma prática que você aplicou sobre os outros.

E é exatamente por isso que tal prática não é observada no mundo real. Ela é totalmente ignara. Um empreendedor que incorrer em tal prática estará destruindo o capital de sua empresa, correndo o risco de quebrá-la completamente. Um sujeito com esta "sabedoria" não duraria um dia no livre mercado.

Se isso não vale para uma empresa dentro de um país, imagine então para uma empresa concorrendo em escala global (como é o caso do seu exemplo)?
Se enviar produtos importados baratos destrói a indústria de um país, então conclui-se que fazer o extremo -- mandar importados DE GRAÇA pra um país -- o destrói ainda mais rapidamente.

Mas o que tem de destrutivo em ganhar presentes? Se nos mandarem televisões, carros e geladeiras de graça, perderemos, sim, os empregos nessas áreas. No entanto, os trabalhadores dessas áreas poderão ir pra outras atividades produtivas e genuinamente demandadas pelos consumidores.

Em vez de termos essas pessoas produzindo televisões, carros e geladeiras, já teremos tudo isso e mão-de-obra sobrando pra produzirmos outras coisas. Em resumo, o país ficaria mais rico, às custas dos contribuintes de outros países que estão subsidiando importados gratuitos pra nós.

Outra coisa: se restringir e taxar a importação de produtos baratos é bom pra indústria nacional, bloquear as bordas do país contra todas as importações criaria uma economia fortíssima no país bloqueado.

E não pára por aí: se bloquear um país é bom pra economia interna, então bloquear os estados também. Imagine quantos empregos de paulistas os gaúchos estão tirando quando criam gado. Proibir a importação de gado e garantir empregos pra indústria interna de gado São Paulo seria uma boa idéia.

E isso continua pra cidades, pra ruas, até que se decida produzir tudo em sua casa e não trocar com ninguém.

Basta você parar de fazer compras no supermercado e estará bem ocupado o dia inteiro plantando, colhendo, costurando suas roupas, etc.

Todos terão pleno emprego, mas a produtividade será extremamente baixa dado o custo de oportunidade de produzir tudo por si mesmo, e será uma pobreza generalizada.

Um tomate que você compra com alguns segundos do seu trabalho demoraria meses pra nascer na sua terra.

Se nos casos extremos, com importados de graça, a sociedade fica mais rica e produtiva, e com importados proibidos, a sociedade fica mais pobre e improdutiva, são pra esses os caminhos que as políticas protecionistas apontam.

Não existe um ponto de equilíbrio ou um "protecionismo racional". Todo protecionismo beneficia produtores do setor protegido às custas de todo o resto.

Pode até ser que sem protecionismo nossas montadoras falissem; mas se elas não conseguem competir, é isso o que tem que acontecer.

Se custa 50.000 pra fazer um carro no Brasil que custa apenas 25.000 pra fazer o mesmo carro lá fora, ao comprar o carro de 25.000 a nossa economia tem um carro e 25.000 sobrando pra serem usados em outros setores. Ao comprar um carro de 50.000, a economia tem apenas um carro e deixa de ter 25.000 pra gastar ou investir em outros setores.

Imagine num caso extremo gastar uma fortuna com tecnologia e energia pra produzir bananas no Alasca. Se essas bananas forem produzidas num país tropical, podemos ter as mesmas bananas que teríamos do Alasca, mas sem usar todo aquele recurso: homens, máquinas e energia que poderiam ser mais bem alocados em outro lugar ao invés da produção de bananas.

A questão não são empregos, nem indústria nacional: a questão é produção. Empregos que não criam valor são inúteis, e há indústrias que não necessitam existir. O Brasil não "precisa" de uma indústria de carros assim como o Alasca não "precisa" de uma indústria de bananas, a menos que encontrem uma forma eficiente de produzir seus produtos. Não há por que preservar tais empregos.
Todas essas situações de "stress" que você citou podem perfeitamente acabar também em facadas, canivetadas, garrafadas na cabeça, pedradas, ou socos na cara (é bastante comum uma pessoa morrer em decorrência de um simples soco na cara; ver aqui e, principalmente, aqui).

Portanto, você criou uma falsa equivalência.

"Campanhas desse tipo me faz [sic] refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!"

Ininteligível.

"Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí!"

Você pode ter. Eu não tenho nenhuma. Por favor, me diga qual a minha culpa em haver "bandidos mandando no seu estado"?

"Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos"

Deixe que eu me preocupe com isso. quero saber o seguinte: se um meliante invadir a minha casa, o que você sugere que eu faça?

"afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!"

Errado. Um dos motivos de se propagarem é o fato de armas estarem acessíveis para eles no mercado negro e nenhuma arma estar acessível para o cidadão comum no mercado legal.

Bandidos proliferam quando sabem que suas potenciais vítimas estão completamente desarmadas pelo estado.

Beira o cômico você ignorar isso.

"Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas!"

Pois então cite nomes e prove que eles estão ligados a este site. Caso contrário, tenha a hombridade de se retratar.

"Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!"

Que campanha?!

"E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!"

Estamos vendo...

"Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!"

Acho que sua erva venceu e você não percebeu. Sugiro trocar seu fornecedor.
Mais um que chegou rugindo, levou uma resposta (completa e educada), e agora saiu miando, praticamente de quatro.

Não só não retrucou nada que lhe foi respondido, como ainda chegou ao cúmulo de inventar uma resposta que nunca foi dada. Em nenhum momento o artigo ou algum comentarista falaram que "imprimir dinheiro não é prática legal em um mundo civilizado". Tal frase simplesmente não está escrito em lugar nenhum do artigo e nem desta seção de comentários.

Isso mostra bem o nível do desespero e da ética do cidadão. Mas, também, keynesianismo e falta de ética sempre andaram lado a lado.


P.S.: não resisti e terei de comentar esta:

"os grandes empresários começam fazendo empréstimos e assim aumentam seu patrimônio. Jorge Paulo Lemann convive com um passivo enorme e é o homem mais rico do brasil."

Com a pequena, ínfima, insignificante diferença que JPL é criador de riqueza e de valor. As pessoas voluntariamente compram os bens e serviços produzidos por JPL, e é isso o que o deixou rico. Quem cria riqueza continuamente, como faz JPL, pode se endividar muito e ainda assim se manter plenamente solvente.

Toda essa dívida será paga com capital próprio. JPL não terá de assaltar ninguém, roubar ninguém, confiscar dinheiro de ninguém para pagar suas dívidas. (E, em caso de insolvência, quem se estrepa são seus credores, e não a população inteira, que não terá de arcar com nada disso).

E o governo? Ele cria riqueza? Ele trabalha com capital próprio? Ele utiliza dinheiro próprio para pagar suas dívidas?

O fato de você dizer que o governo opera igualzinho a JPL mostra bem o seu nível de conhecimento econômico.

É cada coitado que é destroçado por aqui...
O que falo para os meus alunos sobre isso,

Primeiro, uma pergunta:

Será que todas aquelas pessoas que ainda não tenham nenhum crime registrado pela polícia, são cidadãos de bem?

Como eu posso garantir que, o estado dando o direito a posse de armas a todos(as) conseguirá evitar que,

O "brigão baladeiro" na hora da raiva cometa uma tragédia na saída da balada!

Na briga de trânsito o cidadão estressado não dispare contra o outro!

O colega de turma que, nunca imaginei que ele tivesse esquizofrenia iria disparar contra toda a turma com a arma do pai ou da mãe!

A mulher que, já sofria com as agressões do Marido, agora vive ainda mais a pressão psicológica por ter uma arma na sua cabeceira!

As crianças que sabem onde os pais guardam suas armas, e depois um tem que falar, foi uma brincadeira!

O vizinho que se estressou com som alto durante a madrugada!

Enfim são inúmeras as situações!

Sobre o uso da arma, "modestamente" posso afirmar: mesmo aquela pessoa que nunca frequentou a escola até aquela que teve o mais alto nível de educação acadêmica está suscetível ao stress, e nessa hora, para muitos, será o motivo de cometer um crime passional (o primeiro)!

Campanhas desse tipo me faz refletir que a nossa atenção e forças para cobrar do estado aparatos essenciais para que possamos viver bem, estão focalizados em assuntos que já deveriam estar superados!

Sobre os bandidos, opa! Se eles estão mandando no meu estado, tenho uma parcela de culpa aí! Não será somente com armas que inibiremos a propagação de criminosos, afinal um dos motivos de se propagarem é o fato das armas estarem acessíveis!

Sobre quem fomenta esse tipo de campanha, cuidado! Aquele(a) deputado(a) ou senador(a) pode ter uma "amizade" muito próxima com alguém ligado a indústria que fabrica tais armas! Ou até mesmo o cidadão de bem que compartilhou algo dessa campanha não tá nem ai para o bandido, simplesmente acha bonita armas ou quer de alguma forma usá-la!

E como a democracia é a chave para o entendimento! Respeito quem tem opinião contrária!

E se eu estiver numa turma com crianças ou adolescentes:
Sempre tem aquele que exclama,

- Mas só os bandidos tem o direito de possuir armas, o cidadão de bem, não!

- Então lembram da corrupção? Ela leva desde a falta da merenda na nossa escola até a essa situação! Entregar uma arma pra tu quando estiver "grande", não vai garantir que terá um bandido a menos no mundo! É o processo educacional e o cuidado do estado que podem garantir a paz e o teu bem estar, as armas o caos! Pode parecer falácia, mas para um CIDADÃO DE BEM, faz sentido!


ARTIGOS - ÚLTIMOS 7 DIAS

  • JOSE F F OLIVEIRA [Dede de Tony Oliveira]  10/01/2017 14:39
    O tempo[O SENHOR DA VIDA] tem AGRACIADO determinantes VIÁVEIS para toda a Humanidade de provisões e de soluções.A inteligência Humana o grande divisor das águas.Parabéns e concordo ao debate.
  • Murdoch  10/01/2017 15:01
    Boa tarde, gostaria de uma opinião dos caros leitores.

    Discutindo com uma pessoa no youtube sobre o preço de carro fabricado aqui e nos EUA, logo esse debate migrou para a conversão do real em dólar, mas os mesmos afirmam que não se pode fazer essa conversão, já que nos EUA eles ganham em dólar e o real convertido não influi em nada o poder de compra do americano comparado com o brasileiro.

    Exemplo: R$20.000 - câmbio em R$3,40 - Logo o preço deste carro em dólar será de US$5,882 e vice-versa.
    E essa comparação é chamada de "comparação burra", termos inventados por youtubers que moram nos EUA.

    Logo eu pergunto a vocês, essa comparação é burra ou não?
    Pelo que eu leio aqui no site, a conversão de moedas demonstra o poder de compra de cada moeda.
    Logo o dólar custando R$2,00, demonstra que o dólar tem o poder de compra 2 vezes mais do que o real.
    Ou eu estou errado?

    Obs: Eu sei que existem certa influências que pode mudar esse valor como impostos, mas eu acho que o câmbio é o elemento mais importante na precificação de bens entre países.

    Exemplo seria o nosso salário mínimo de R$880, logo convertendo para o dólar em R$3,40, teremos um poder de compra de um americano de US$258. Está certo ou errado?

    Para terminar meu raciocínio, eu disse o seguinte:
    "Peguemos um carro fabricado aqui no Brasil, logo este carro irá usar ferro, aço e outras commodities que são precificadas em DÓLAR, agora pense na seguinte situação:
    Se o dólar estiver em R$3,40; você acha que para fabricar um carro com o dólar esse valor, um carro sairia barato?
    Agora pense no dólar a R$1,40; você acha que a fabricação do carro não ficaria mais barato?
    Peguei a cotação do valor do aço no dia 04/01/2017, no horário de 13:56, o valor é de aproximadamente US$300.
    Qual situação o carro sairia mais barato usando aço:
    O dólar custando R$1,40?
    Ou R$3,40?
    Se a fabricação do carro bater no exato momento que o dólar está em R$1,40, logo o preço do aço em real seria de R$420, com o aço custando US$300.
    Agora pegue o dólar custando R$3,40, a fabricação do carro sairia mais caro porque o câmbio é desvalorizado, logo o preço do aço em real custaria com o câmbio desvalorizado R$1020.
    Para você, qual valor custaria mais barato um carro fabricado no Brasil?"

    Ele usou um exemplo que a gasolina que exportamos para a Argentina e Uruguai é mais barata do que no Brasil, logo para ele o câmbio não é tão importante assim.

    Quais são suas considerações caros leitores?
  • Thomas  10/01/2017 15:52
    "Exemplo: R$20.000 - câmbio em R$3,40 - Logo o preço deste carro em dólar será de US$5,882 e vice-versa."

    Qual carro novo no Brasil custa R$ 20.000?!

    Aqui, qualquer golzinho 1.0 pelado não fica por menos de R$ 35.000. Nos EUA, você compra Honda Civic e Toyota Corolla completos por menos de US$ 10.000. Aliás, lá, isso é carro de proletário.
  • Leandro  10/01/2017 16:01
    Alguns dos motivos de os carros brasileiros serem caros:

    1) Carga tributária (a carga tributária é maior que o lucro da montadora e mais de 4 vezes maior que o lucro da concessionária).

    2) As montadoras brasileiras operam em um mercado protegido pelo governo. A importação de automóveis novos é tributada por uma alíquota de 35%. Já a importação de automóveis usados é proibida;

    3) Com o recente esfacelamento do real perante o dólar, o custo de qualquer importação aumentou sobremaneira. Ou seja, além das tarifas de importação, temos também uma moeda fraca, que encarece ainda mais as importações. (O que faz com que os preços continuem subindo mesmo com as vendas desabando).

    Ou seja, por causa do governo, as montadoras brasileiras operam em um regime de mercado semi-fechado, sem sofrer nenhuma pressão da concorrência externa. Elas praticamente usufruem uma reserva de mercado criada pelo governo. O brasileiro é praticamente proibido de importar carros, e não tem moeda para isso.

    Na Europa e nos EUA, não há restrições à importação de carros estrangeiros. A consequência disso é uma maior concorrência, o que faz com que os carros de lá sejam realmente decentes, tenham preços baixos e tenham muito mais opcionais de série.

    Já aqui, onde o mercado é fechado, não há motivo nenhum para as montadoras cobrarem pouco e oferecerem bons serviços. Não há concorrência externa. Não há como o brasileiro comum comprar carros usados do exterior.

    Agora me diga: quem é que, operando em um regime de reserva de mercado, terá lucros baixos?

    Num cenário desse, as montadoras só não cobrariam caro se fossem extremamente idiotas.

    Mas há um quarto fator, extremamente crucial:

    4) A subjetividade dos consumidores. O preço de um carro no Brasil não depende apenas de custos de produção, impostos, investimentos e margens de lucro; depende também, e isso é algo bem acentuado no Brasil, de quanto o consumidor está disposto a pagar pelo produto.

    No Brasil, quando um indivíduo ascende socialmente, uma de suas primeiras providências é trocar de carro (isso vale tanto para porteiros quanto para jogadores de futebol). Ele está muito preocupado com o julgamento das outras pessoas. Quanto mais caro o carro, melhor ele pensa que será visto pelos outros. É aquele fenômeno conhecido como "novos ricos", que faz a alegria não só do mercado de automóveis, mas também do mercado de restaurantes chiques e do mercado imobiliário.

    Sendo assim, a aquisição de um carro passa a ser guiada mais pelo seu preço do que pela real conveniência que o carro trará ao novo-rico — o que dá margem para as montadoras colocarem os preços muito acima dos preços que vigoram em outros países; e, como se vê, mesmo assim não faltam consumidores, haja vista os seguidos recordes de vendas.

    (Com efeito, se a preocupação fosse unicamente uma locomoção confortável, qualquer Mille ou Gol com ar condicionado daria conta do recado para uma família de 4 pessoas.)

    Na há necessariamente nada de errado nesse comportamento novo-rico, mas é fato que ele ajuda a deixar os preços dos carros em níveis mais altos do que estariam caso o brasileiro fosse mais frugal (e ele não é). É uma simples questão de oferta e demanda.

    Portanto, quatro: fatores explicam os preços dos carros no Brasil: carga tributária, protecionismo, câmbio e o fenômeno brasileiro dos emergentes, um pessoal que não sabe bem o que comprar mas acha que está comprando bem porque está pagando caro.



    P.S.: Ah, sim: há carros usados brasileiros sendo importados pela Alemanha, o que reduz bastante a oferta no mercado interno, pressionando os preços.

    www.noticiasautomotivas.com.br/brasil-ja-exporta-carros-de-luxo-usados-para-a-alemanha/
  • Taxidermista  10/01/2017 16:24
    Murdoch,

    artigo de autoria do autor do comentário supra:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1027
  • Murdoch  10/01/2017 16:41
    Você me deu uma resposta mais completa ao tema abordado, mas eu estava apenas especificando o câmbio que influi nos preços dos carros, bem como a influência das commodities e do maquinário importado para a fabricação dos carros.

    De qualquer forma, obrigado pela resposta.
  • Gabriel Guerrero  11/01/2017 11:35
    Perfeito Leandro!!

    Sensacional seu comentário.
  • anônimo  10/01/2017 16:30
    O carro brasileiro é mais caro mesmo usando a taxa de câmbio.

    Um Chevrolet Cruze custa 18 mil dólares nos Estados Unidos e 90 mil no Brasil.

    Com 100 mil dólares você compra 4,2 Cruzes no Estados Unidos e 3,7 Cruzes no Brasil. Se levarmos em conta o poder de compra da moeda e salários, essa diferença deve chegar em 1 carro.

    O IPad é a mesma coisa. No Brasil você gasta num IPad o preço de 2 nos Estados Unidos. Com 1.000 dólares você compra mais de 2 IPad nos Estados Unidos, enquanto no Brasil você compra 1,3.

    O poder de compra do brasileiro é um dos piores do mundo.
  • 4lex5andro  10/01/2017 18:01
    Se for calculado o preço de um carro novo com seu equivalente europeu, não há tanta disparidade (casos de Golf e Focus, por exemplo, vendidos no Brasil e no mercado europeu).

    O que pesa principalmente (não somente) são os impostos e o baixo valor do real; e faz tempo que o Br não fecha nenhum acordo de livre comércio importante.
  • anônimo  10/01/2017 16:38
    É melhor morrer de câncer causado pelos agrotóxicos, do que não ter o que comer.

    Isso é bizarro, mas é a realidade.

    Um tomate na África seria devorado em segundos, mesmo tendo sido cultivado com agrotóxico.
  • Engenheiro Falido  10/01/2017 18:57
    Boa tarde,

    Creio que devamos comparar da seguinte forma,

    País | Profissão | Salário | meses/carro (new civic) | meses/casa ( NY - SP - 130 m²) | % salário comprar 1 kg fillet mignon

    EUA | Porteiro | U$ 2050 | 8,78 meses | 243 meses | 2,48%

    BR | Porteiro |R$ 1290 | 69 meses | 453 meses | 7,18%

    Ai enxergamos a diferença.



    g1.globo.com/carros/noticia/2015/10/honda-civic-2016-tem-preco-divulgado-nos-eua-e-detalhes-revelados.html

    www.new-york-apartment.com/en/new-york-city,apartment-for-sale/description/ULI6849-stryker-street-townhouse-brooklyn-sheepshead-bay/

    www.farmone.net/id11.html
  • WDA  11/01/2017 10:59
    Excelente método de comparação. Parabéns, Engenheiro.
  • Renato Andrade  16/01/2017 11:21
    Moro no exterior. Um carro popular aqui custa cerca de 8 mil Euros. Mesmo fazendo a coversao em Reais, ainda assim sai metade do preçod o mesmo modelo vendido no Brasil. O mesmo vale pra eletronicos. Um video grame PS4 é vendido aqui por 240 Euros. O mesmo produto no Brasil fica 3 x mais caro, mesmo fazendo a conversao. E isso se aplica tambem, a vestuarios e despesas no supermercado. Claro, isso nao é regra geral, carne vermelhaaqui sai mais caro, assim como imoveis e alugueis, da na mesma. Igualmente caros. Mas no geral, o custo de vida é mais baixo por aqui.
  • Inconstitucionalissimamente   10/01/2017 15:42
    Infelizmente a nossa sociedade ainda está mais para o ludismo.

    A CF/88 consagra essa mentalidade absolutamente imbecil:

    Art. 7º São direitos dos trabalhadores urbanos e rurais, além de outros que visem à melhoria de sua condição social:
    (...)
    XXVII - proteção em face da automação, na forma da lei;
  • Douglas  10/01/2017 16:04
    "E certo porque esta na constituição"

    Já ouvi isso tantas vezes de tantas formas diferentes que quando começam a falar da CF eu já desisto da conversa.

    De resto, só posso exclamar: PQP! Eu não sabia desse artigo/inciso da constituição.

    Depois desta, me rendo, cansei das idiotices da constituição brasileira. Realmente, o Estado e seus integrantes fazem de tudo para atrapalhar a vida das pessoas. Isso já não é nem interferência, é tirania pura, mas parece que uma maioria gosta disso.

    E viva Aldo Rabelo e cia...
  • Taxidermista  10/01/2017 16:51
    Meu caro Douglas:

    e tem muito mais naquilo ali...

    Olha, como exemplo, o art. 170 sobre "a ordem econômica" (só o fato de existir um cap. com esse título já dá o tom da coisa...):

    Art. 170. A ordem econômica, fundada na valorização do trabalho humano [ludismo] e na livre iniciativa, tem por fim assegurar a todos existência digna, conforme os ditames da justiça social [igualitarismo social], observados os seguintes princípios:

    I - soberania nacional [mercantilismo, nacionalismo econômico e desenvolvimentismo];
    II - propriedade privada [tem que ter a enganação, claro];
    III - função social da propriedade [socialismo explícito];
    IV - livre concorrência [traduzindo: "direito antitruste", instrumento anti-liberdade] ;
    V - defesa do consumidor [traduzindo: regulação econômica que viola a liberdade contratual e a propriedade privada];
    VI - defesa do meio ambiente, inclusive mediante tratamento diferenciado conforme o impacto ambiental; [ambientalismo]
    VII - redução das desigualdades regionais e sociais [igualitarismo social de novo];
    VIII - busca do pleno emprego [keynesianismo explícito];
    IX - tratamento favorecido para as empresas de pequeno porte constituídas sob as leis brasileiras e que tenham sua sede e administração no País [mercantilismo, nacionalismo econômico e desenvolvimentismo de novo]
    Parágrafo único. É assegurado a todos o livre exercício de qualquer atividade econômica, independentemente de autorização de órgãos públicos, salvo nos casos previstos em lei ["salvo nos casos previstos em lei", ou seja, sempre que o burocrata quiser, o empreendedor tem que pedir permissão].


    Quer mais?

    Art. 172:

    "Art. 172. A lei disciplinará, com base no interesse nacional, os investimentos de capital estrangeiro, incentivará os reinvestimentos e regulará a remessa de lucros."

    Quer mais?

    Art. 173 e §4º:

    "Art. 173. Ressalvados os casos previstos nesta Constituição, a exploração direta de atividade econômica pelo Estado só será permitida quando necessária aos imperativos da segurança nacional ou a relevante interesse coletivo, conforme definidos em lei."

    "§ 4º - lei reprimirá o abuso do poder econômico que vise à dominação dos mercados, à eliminação da concorrência e ao aumento arbitrário dos lucros."

    Quer mais?

    Art. 174:

    "Art. 174. Como agente normativo e regulador da atividade econômica, o Estado exercerá, na forma da lei, as funções de fiscalização, incentivo e planejamento, sendo este determinante para o setor público e indicativo para o setor privado."


    Quer mais?

    Art. 175:

    "Art. 175. Incumbe ao Poder Público, na forma da lei, diretamente ou sob regime de concessão ou permissão, sempre através de licitação, a prestação de serviços públicos."


    Enfim, a desgraça é mesmo completa.



  • Rennan Alves  10/01/2017 18:18
    Copiaram certinho a Carta Del Lavoro.
  • Andre  10/01/2017 18:56
    Com tanto lixo ainda acham impressionante a economia estar em recessão.
  • Tio Patinhas  11/01/2017 20:53
    Apenas arranhou, peguem o começo dela:
    "Art. 6º São direitos sociais a educação, a saúde, a alimentação, o trabalho, a moradia, o transporte, o lazer, a segurança, a previdência social, a proteção à maternidade e à infância, a assistência aos desamparados, na forma desta Constituição."

    Nem vou comentar...

    "Art. 20. São bens da União:

    I - os que atualmente lhe pertencem e os que lhe vierem a ser atribuídos;

    II - as terras devolutas indispensáveis à defesa das fronteiras, das fortificações e construções militares, das vias federais de comunicação e à preservação ambiental, definidas em lei;

    III - os lagos, rios e quaisquer correntes de água em terrenos de seu domínio, ou que banhem mais de um Estado, sirvam de limites com outros países, ou se estendam a território estrangeiro ou dele provenham, bem como os terrenos marginais e as praias fluviais;

    IV as ilhas fluviais e lacustres nas zonas limítrofes com outros países; as praias marítimas; as ilhas oceânicas e as costeiras, excluídas, destas, as que contenham a sede de Municípios, exceto aquelas áreas afetadas ao serviço público e a unidade ambiental federal, e as referidas no art. 26, II;

    V - os recursos naturais da plataforma continental e da zona econômica exclusiva;

    VI - o mar territorial;

    VII - os terrenos de marinha e seus acrescidos;

    VIII - os potenciais de energia hidráulica;

    IX - os recursos minerais, inclusive os do subsolo;

    X - as cavidades naturais subterrâneas e os sítios arqueológicos e pré-históricos;

    XI - as terras tradicionalmente ocupadas pelos índios"

    A "união" é dona de quase td... E tem gente que ainda fala em "combater o liberalismo no Brasil", isso daqui é socialismo ou fascismo, escolha seu preferido.
  • anônimo  10/01/2017 22:35
    Essa CF/88 foi um golpe socialista.

    Como o governo não poderia cumprir tudo que está constitulixo, a própria justiça foi implodida.
  • André  10/01/2017 15:43
    Outro tipo de robô que vai contribuir muito para o progresso são os drones.

    Com drones fazendo entregas de mercadorias, por exemplo, milhares de empregos de entregadores serão eliminados. E toda essa mão de obra ociosa poderá ser alocada em novos empregos.
    Sem os drones esses entregadores ficariam ocupados fazendo entregas.
    Com os drones esses entregadores poderão realizar outras atividades enquanto os drones cuidam das entrega, o resultado final é muito mais produtividade!

    Só falta os governos liberarem o uso de drones para entregas.
  • Pedro  10/01/2017 15:43
    A inovacão e automacão são inevitáveis como demonstra a história.
    Aos que não entendem isso: ARDAM!
  • Pedro  10/01/2017 15:44
    Eis a incoerência: os socialistas adoram reclamar que no capitalismo você tem que trabalhar uma exaustiva quantidade de horas pra manter a produtividade. Aí, quando querem colocar uma máquina que vai possibilitar um emprego menos exaustivo, eles querem proibir.

    Alguém me explica.
  • Andre  10/01/2017 19:03
    Há diferença entre socialismo e trabalhismo, o primeiro que roga a opressão do trabalho capitalista e etc, típico de professores e estudantes maconheiros de públicas, o segundo defende protecionismo e anti automação, seja de onde vier, estes adoravam o governo militar e sua substituição de importações.
    Dentro da esquerda brasileira houve um racha feroz entre estes grupos, pois a crise econômica acabou com os empregos dos trabalhistas que escancaram o tamanho da crise na vã tentativa de estimular a gastança do governo quebrado.
  • A Vaquinha  10/01/2017 15:45
    Morava num sítio uma família muito pobre. O lugar estava sem cuidado, a casa de madeira sem acabamento; os moradores, um casal e três filhos, vestidos com roupas rasgadas e sujas. Diante de tantas privações, eles oravam muito a Santo Antônio, pedindo ajuda.

    Um dia, Santo Antônio, junto com um amigo, resolveu ir até o sítio ver o que estava acontecendo. Chegando lá, começou a observar a família e o lugar. Notou que a família sobrevivia graças a uma vaquinha que dava vários litros de leite todos os dias. Uma parte do produto eles vendiam ou trocavam na cidade vizinha por alimentos; com outra parte produziam queijo, coalhada etc. para o consumo. Era assim que sobreviviam.

    Depois de pensar muito, Santo Antônio pegou a vaquinha, levou-a ao precipício e jogou-a lá em baixo. O amigo arregalou os olhos, assustado com a cena que precenciava. Mas, Santo Antônio pedu qe o amigo tivesse calma e desse tempo ao tempo. No dia seguinte, a família viu a tragédia e orava dizendo: - Ai, meu Santo Antônio! Por que o senhor deixou acontecer isso com nossa vaquinha? E agora, o que será de nós?

    O tempo passou, e Santo Antônio, junto com amigo espiritual, voltaram ao sítio. Quando se aproximaram do local, avistaram um sítio muito bonito, com árvores floridas, todo murado, com carro na garagem e algumas crianças brincando no jardim. O amigo ficou triste, imaginando que aquela humilde família tivera que vender o sítio para sobreviver. Mas, ao aproximar-se mais, notou que era a mesma família que visitaram antes.

    O amigo, assustado e confuso perguntou: Santo Antônio, como eles melhoraram o sítio e estão bem de vida? E o Santo respondeu: - Eles tinham uma vaquinha que lhes davam o sustento. Quando perderam a vaquinha, tiveram que fazer outras coisas e desenvolver habilidades que nem sabiam que tinham. Assim alcançaram o sucesso que seus olhos vislumbram agora.
  • Lel  10/01/2017 15:51
    Ótimo texto.
  • Ricardo Bordin  10/01/2017 15:58
    A celeuma está na transição do indivíduo de um trabalho braçal para outro mais voltado ao intelecto. Quanto + dinâmica for a economia em questão, quanto melhores forem os índices educacionais, menos traumática será essa travessia. E claro que não custa muito dar uma força para quem está passando por um período de adaptação laboral:
    https://bordinburke.wordpress.com/2016/10/06/por-que-os-avancos-tecnologicos-causam-arrepios-no-brasileiro/
  • Jorge Morais Moraes  10/01/2017 16:19
    Prezado Ricardo:

    uma questão: consta no seu blog (ou no site do IL, não me recordo), que você atua como "Auditor-Fiscal do Trabalho".

    Agora eu pergunto a você, por curiosidade: como você concilia em sua consciência esse seu discurso liberal ao mesmo tempo em que trabalha "fiscalizando" o cumprimento da legislação mais esquerdista, marxista, ludista, corporativista/sindicalista, retrógrada, anti-liberdade e anti-prosperidade que existe?

    Como é possível se dizer liberal e receber vencimentos provenientes de impostos para trabalhar "fiscalizando" o cumprimento daquilo que é a antítese do liberalismo?

  • Ricardo Bordin  11/01/2017 16:44
    Jorge, segue a resposta. Abraço

    https://bordinburke.wordpress.com/2017/01/11/funcionario-publico-liberal-pode-isso-arnaldo/
  • Embromation  11/01/2017 18:26
    Li todo teu textão lá. Hayek, OIT, Singapura, bla bla bla.
    Seja honesto, cara, e admita que tu escolheu arranjar uma boquinha fixa e bem paga na alta remuneração do governucho federal.
    Admitir isso fica mais bonito do que fazer todo este malabariso intelectual.
    Quer ser liberal e FP, tudo certo, mas seja honesto e admita que tá aproveitando a boquinha que o Estado bananense oferece.
    E, outra, pare de se achar moralmente superior afirmando que os conservadores são os únicos seres que podem "guiar" moralmente as pessoas.
    Enfim, pare de fingir e se achar, tal como fazem os FP tradicionais.
  • Jorge Morais Moraes   11/01/2017 19:27
    Alguns erros crassos, como esse:

    "Em relação a esses liberais, reconheço a importância de seu discurso na medida em que ele desloca vigorosamente o debate político para a direita, tal qual faz o PC do B, por exemplo, para o lado esquerdo" (e também essa: "não pense que não há, por motivos muito semelhantes, funcionários públicos americanos que apoiam o partido Republicano"...)

    Libertários não são "extrema-direita", muito menos o oposto de "PC do B". (E partido Republicano não é libertário). Isso é básico:

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1466

    www.mises.org.br/Article.aspx?id=1864


    O resto é racionalização da atividade de inspetor do trabalho:

    "Basicamente, não compartilho da convicção de que "imposto é roubo" – mas que imposto demais é imoral, isso é"

    Qual a quantidade de tributo que faz o "não-roubo" virar "roubo"? Que faz o "moral" virar "imoral"? Qual a quantidade de imposto a partir da qual ele passa a ser "imoral"? A natureza do ato de tributar é a mesma; a quantidade de dinheiro extraído coercitivamente não muda a natureza do ato.

    De toda sorte, imposto cobrado em quantidade tal a ponto de sustentar todo o aparato trabalhista é "demais"? Esse não é "imoral"?

    Seu texto tem passagens curiosas:

    "E uma das facetas desta indispensável condição para o desenvolvimento econômico de uma nação é, justamente, a correta observação das cláusulas dos contratos de trabalho acordados entre empregados e empregadores"

    Ou seja, o "desenvolvimento econômico da nação" precisa de legislação trabalhista (e de todo um aparato trabalhista para fazer cumprir essa legislação) - já que, obviamente, cláusulas dos contratos de trabalho são imposições da legislação trabalhista -, como se a legislação trabalhista fosse "necessária" para combater "fraude contratual". Ora, meu caro, a "fraude contratual" a que vc se refere é decorrente de eventuais não-cumprimentos de cláusulas que são impostas pela própria legislação trabalhista, violadora da liberdade individual em geral, e da liberdade contratual em especial, e também violadora da propriedade privada, direitos "sagrados para os liberais", como vc diz. São "sagrados" mas são diariamente violados pela legislação que vc defende, e faz cumprir. Legislação que é a antítese de desenvolvimento econômico.
    Sustentar que haveria compatibilidade entre legislação trabalhista e livre mercado chega ser engraçado, com todo respeito. Uma é a antítese do outro. E ainda insistir que "fiscalizar cumprimento de legislação trabalhista" é "ser liberal"...


    "está mais preocupado em discursar bonito do que com os resultados efetivos advindos de sua ideologia. Sinto ter causado um bug em seu sistema operacional e não ter corroborado com sua ladainha de que "funcionário público é tudo corporativista de esquerda"

    Meu caro, quem está mais preocupado em discursar bonito é justamente você, que escreve texto verborrágico defendendo "compatibilidade" entre legislação trabalhista e liberalismo. E quem está mais preocupado em discursar bonito "do que com os resultados efetivos" é, mais uma vez, você: os resultados efetivos da legislação trabalhista são ausência de prosperidade (e todas as decorrências disso), violação à liberdade e à propriedade privada.

    Não importa o fato de que vc, como vc afirma, não é "funcionário público é tudo corporativista de esquerda". A "ladainha" que vc atribui a pensamento de terceiros é só racionalização. Vc diz que o aluno de Humanas é "beneficiário direto do livre mercado"; pois bem, o fato é que vc é beneficiário direto do anti-mercado: do aparato mais esquerdista, corporativista/sindicalista, marxista e ludista que existe.

  • Manuel  11/01/2017 20:10
    Correto, Jorge.

    Complemento: antes um "beneficiário direto do livre mercado" que fica gritando contra o livre mercado do que um que fica gritando a favor do livre mercado mas que é beneficiário direto do anti-mercado.

    O primeiro é incoerente no plano da gritaria. O segundo grita pelo livre mercado mas é beneficiário direto do anti-mercado, sendo incoerente na prática, que é onde a vida de resolve.
  • Tio Patinhas  11/01/2017 20:47
    Todo esse seu "blabla" não muda o fato de ser o auditor fiscal do trabalho um dos trabalhos mais nojentos do país, isso sem contar que sua argumentação pode ser usada pelo fiscal do campo de concentração.
  • Andre  10/01/2017 22:38
    Mais um libertário de repartição pública.
  • Clandestino  11/01/2017 17:37
    Cara, você não faz ideia do "nicho de mercado" que o 'libertário de repartição pública' tem!!! Quando você desanimar do longo trajeto que há até a outra margem, lembre-se que há um libertário que entrou em crise de existência, conseguiu combater seus piores inimigos (os internos), e foi a luta implodir os sistema com ele dentro!!! Não julgue!! Para mim, foi (e não digo que ainda não é) muito difícil entender o loop em que nos encontramos!! Aqui dentro é tudo e mais um pouco do que criticam... e a gente - num trabalho de formiguinha - vai pautando alguns descalabros que nós mesmos causamos!!! Tenha um pouco mais de paciência e não se preocupe conosco!! Quem já meio que entendeu a questão, não tem medo de "perder a boquinha"!!!!!
  • Manuel  11/01/2017 20:05
    Mas você pelo visto tem medo (de perder a boquinha).
  • Ricardo Duval   10/01/2017 16:07
    Comparado a humanos, robôs são menos custosos para ser empregado — em parte por razões naturais, em parte por causa das crescentes regulamentações governamentais.

    Dentre os custos naturais estão o treinamento, as necessidades de segurança, e os problemas pessoais como contratação, demissão e roubo no local de trabalho. Adicionalmente, os robôs podem também ser mais produtivos em determinadas funções.

    Dentre os custos governamentais estão o salário mínimo, os encargos sociais e trabalhistas e todos os eventuais processos na Justiça do Trabalho, muito comuns principalmente no setor da gastronomia. Chegará um momento em que a mão-de-obra humana em restaurantes fará sentido apenas para preservar um "toque de classe" — ou então para preencher um nicho.
  • Skeptic  10/01/2017 17:23
    Mas se trabalhadores pouco qualificados são excluídos do mercado de trabalhado, de que adiantaria ter mais produtividade e menores preços?
    Nesse caso a culpa não é da tecnologia, é do governo que insiste em se intrometer no mercado de trabalho. Quando o mercado de trabalho for liberal, for uma verdadeira troca voluntária, não tiver intervenção estatal de nenhum lado, o desemprego involuntário estaria abolido.
  • Henrique Zucatelli  10/01/2017 19:12
    Skeptic, boa tarde.

    Sigo uma linha de raciocínio em relação o trabalho x homem na questão do desemprego involuntário, e tomo nota que ele pode existir mesmo em economias completamente livres, porém no conceito dialético do termo.

    De fato que mesmo profissões sumindo sejam sinal de outras surgindo, mais refinadas e que sempre exijam um pouco mais de atenção e estudo, o ser tem a sua dinâmica própria, e não estando preparado/ sendo resistente o suficiente, ficará desempregado, como conheci muitos ferramenteiros que não quiseram migrar para as máquinas CNC, que exige conhecimentos de programação e setup inexistentes em máquinas manuais. Porém levo em consideração esse ponto apenas repito, pela dialética e não pela empiria, que no caso beneficia a todos aqueles que consomem tecnologia, seja por lazer, trabalho ou necessidade.

    Logo presumo que existem dois tipos de desemprego involuntário: aquele provocado pela limitação do indivíduo ao novo, e aquela provocada pelo Estado.
  • Henrique Zucatelli  10/01/2017 19:00
    Este artigo é um bálsamo de vida e progresso para quem lê (e obrigado também Leandro pela tradução e revisão).

    Me lembro da primeira discussão há muitos anos nas primeiras aulas de filosofia no extinto colegial, quando a professora (marxista) colocou esta pauta em discussão, argumentando que a automação roubaria os empregos, e eu, desprovido de qualquer base teórica argumentativa, tentei expor para a turma que era exatamente o contrário: mais automação, mais necessidade de alguém para construir, manter e inventar robôs.

    A pergunta seguinte foi: "Mas se robôs acabarem por construir robôs"? Minha resposta intuitiva foi: alguém terá de cria-los e programa-los.

    Não satisfeita, ela questionou em tom de deboche: E quando os robôs forem capazes de programar e criar? Pensei por um instante e respondi: Professora, não acredito que robôs possam evoluir por si mesmos, pois eles não possuem alma. Porém, se isso acontecer e robôs forem capazes de criar a si mesmos e evoluir eles terão capacidade criativa . Todo ser que consegue criar pensa, logo existe. Se ele existe terá vontades e desejos, e não vai querer trabalhar 24 horas por dia de graça.

    A classe toda ficou de boca aberta, e a discussão acabou ali.

    Hoje, 15 anos depois e com a burra cheia de conhecimento, vejo que nada é mais correto e digno que a automação. Ela dignifica o trabalho, torna ele mais leve, senão desnecessário, como exaustivamente demonstrado no artigo. Empregos "roubados" por bots nada mais são que tarefas extenuantes, insalubres e em alguns casos enlouquecedoras. Acredito que essa apostasia trabalho X homem fará com que nos tornemos mais senhores de nossas vidas.

    E em contraponto ao brilhante Thomas, tenho muita fé na curva de aprendizado do ser humano médio, e com a evolução dos cursos online e a involuntária desregulamentação das profissões mesmo a contra gosto do Estado, nos surpreenderemos a cada dia com invenções que curam auxiliam ou substituem os protocolos médicos atuais - sendo que 80% deles já está datado em pelo menos 30 anos.

    Ao passo que certas profissões forem sumindo graças a tecnologia, a mesma estará cada vez mais acessível. Temos script kids com 9 anos ganhando dinheiro com apps. Temos adolescentes criando dispositivos para detecção de doenças. Temos jovens dispostos a tudo para fornecer diagnósticos médicos de qualquer parte do mundo. O tempo disponível fará com que homens e mulheres coloquem seu verdadeiro potencial para funcionar e resolvam questão por questão do nosso cotidiano. E mesmo aqueles que forem realmente na média ou abaixo dela, ainda assim poderão trabalhar com e-commerce, fornecer entretenimento ou outros milhares de serviços que exigem espontaneidade, algo impossível para máquinas.

    Se eu for dar um chute bem otimista, nós não resolvemos nem 1% dos problemas da humanidade, seja em qual campo for. Não há caminho mais certo e mais brilhante do que a tecnologia.

  • Marciano  10/01/2017 20:59
    "Carros sem motorista já estão, há um bom tempo, sendo testados nas estradas americanas e européias. Embora ainda não estejam disponíveis comercialmente, é apenas uma questão de tempo para que o sejam. "

    No Brasil a lei vai "proteger" os motoristas como ocorrem com os frentistas e cobradores de onibus.
  • Renato  11/01/2017 00:08
    Acredito que no futuro a automação vai aumentar cada vez mais o número de "trabalhadores investidores".

    As empresas, industrias e comercio terão como sócios e parceiros econômicos esses trabalhadores investidores: muitos deles sairão até mesmo das empresas onde os mesmos eram trabalhadores braçais.
  • a  11/01/2017 09:39
    O progresso deve ser constante.
  • Herculano JR  11/01/2017 11:11
    Não vivemos de empregos nem de dinheiro . Vivemos de bens. Se as maquinas os produzem sem que ninguem trabalhe, qual é o problema? No futuro, notem bem , no futuro de uns 80 anos, é so se apropriar coletivamente de seu trabalho.
  • Andre  11/01/2017 12:31
    Mais um que acredita que a lei da oferta e demanda será abolida, sério, quem ensina essas coisas?
  • Capital imoral  13/01/2017 14:24
    O autor simplesmente não foi capaz de responder a perguntar principal do artigo, de modo satisfatório. O que acontece com os menos qualificados, em um sentido psicológico e social? Ele fez questão de esconder isso de você.
    O autor do artigo, enrolou e enrolou e não respondeu satisfatoriamente. Porque na verdade, ele quer esconder o que acontece com os pobres em um mundo automatizado.

    Pois bem, eu irei responder, usando não panfletagem ideológica como no presente artigo, mas argumentos sociais.

    O psicologo Anthony Malcolm Daniels, já havia percebido, o que acontece na mente dos seres humanos quando existe muita oferta, ou pouco estado para regular a cultura. Ele percebeu que a exigência em um mundo de livre mercado é muito maior. Em compensação, por outro lado, a cultura do livre mercado, torna os seres humanos "abobalhados".

    Mas qual o problema?
    O que percebi em minhas pesquisas, foi que em uma sociedade de livre mercado, existe forças que abaixam a cultura da população, impedindo esta mesma de querer qualificar-se ou querer trabalhar. As pessoas não serão mais livres, quando tudo for feito pelas maquinas, elas irão entregar-se aos vícios humanos com muita mais facilidade. Agora, é neste momento que adentramos no mundo dos pobres, que o autor fez questão de esconder.

    O que vai acontecer com os menos qualificados?
    O resultado, será o que sempre acontece em uma sociedade capitalista. Alguns poucos, com alto poder intelectual e aquisitivo, estarão no topo da sociedade, em quanto aos pobres, resta apenas a função de consumir e levar uma vida abobalhada. O controle da mente humana será elevado a outro nível, os efeitos psicológicos do livre mercado são devastadores para a mente humana. Os pobres serão escravos do consumo.

    A representação estética do que vai acontecer com os pobres.
    Não existe melhor representação estética da sociedade de livre mercado e sociedade autônomas do que, a que encontramos em um episódio da série black.mirror.
    Aqui está o episódio eu recomendo que assista:
    https://www.youtube.com/watch?v=7tMXKQdc5ZM

    Capital imoral é filosofo e escritor e já refutou Mises.
  • Pedro almeida  16/01/2017 12:44
    Olha, nos EUA pelo menos a classe trabalhadora classica (classe media) tá em vias de extinçao, so ta sobrando empregos de meio periodo ''part time jobs'' , e empregos que exigem conhecimento especializado.
    acho que se a automaçao chegar ao ponto de inteligencia artificial, mesmo que rude, estaremos no buraco...
  • Prado  16/01/2017 14:16
    É mesmo?

    Se isso realmente fosse verdade, então essa classe média em extinção estaria emigrando aos bandos para a China, onde ainda há muito "emprego industrial" (extenuante, estafante e pesado) disponível.

    Aliás, nem precisa ir para a China. Ali mesmo no México ainda está cheio desse tipo arcaico de trabalho. Será que tais americanos estão indo em revoadas para o México? Deve ser por isso que o governo mexicano quer construir um muro na front... Oh, wait!


    P.S.: o simples fato de essa migração não estar ocorrendo mostra que isso que você falou -- extinção da classe média por causa do aumento da tecnologia -- não é exatamente uma realidade.
  • Emerson Luis  12/02/2017 18:33

    O capitalismo e a tecnologia destroem trabalhos piores no processo de criar trabalhos melhores. Mas é gradual e desconfortável, a maioria prefere olhar para o que se perde.

    * * *
  • Tradutor Liberal  22/02/2017 18:10
    Aproveitando o assunto do artigo, trago outros dois quem exemplificam a visão austro-liberal (ou austro-libertária) e a visão mainstream-keynesiana-malthusiana-intervencionista:

    https://medium.freecodecamp.com/bill-gates-and-elon-musk-just-warned-us-about-the-one-thing-politicians-are-too-scared-to-talk-8db9815fd398#.u1bo7qdlm

    https://fee.org/articles/fear-not-the-robots-jobs-arent-scarce/


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